EntreContos

Detox Literário.

O chapéu do curupira ou, quando o sonho acaba no leito de um rio seco (Antonio Stegues Batista)

Do outro lado da janela a paisagem passava velozmente, transmudando-se em manchas desbotadas. A viagem para casa, em Manaus, seria longa e cansativa. André fechou os olhos e acomodou-se na poltrona. Já não era mais o mesmo homem. Era um morto-vivo com a perspectiva de um futuro incerto. Era um barco sem rumo, em águas desconhecidas. Talvez estivesse saindo do inferno para cair no limbo. A mente tentava reaver a lucidez perdida, diluída nas sombras do passado. Tentou integrar-se ao assento, ao motor e às ferragens do ônibus, que seguia veloz rumo ao horizonte, varando distancias tentando alcançar com urgência, algo que foi perdido.

****

– Dona Cândida se mudou pra Roraima- disse o novo proprietário da casa. 

– Ela me falou que é Colina Verde- corrigiu a esposa. – Fica uns oitenta quilômetros de Boa Vista.- a mulher fez uma pausa e acrescentou num tom de pesar: – Sua mãe achava que o senhor estava morto. Seu pai morreu faz dois anos e ela decidiu ir morar com a irmã.

André agradeceu e foi embora, não tinha mais nada que fazer ali. O pai morreu. Parecia ter morrido séculos atrás. Ele nem lembrava mais do rosto dele e para seu espanto, isso não o afetava.  Voltando à rodoviária de Manaus, comprou passagem para Boa Vista e dali para Colina Verde.

Uma hora depois chegou ao destino. Desceu numa pequena praça onde crescia uma figueira centenária. A sombra da larga copa era um refúgio refrescante naquela tarde ensolarada. As casas eram caiadas de branco. Mesmo naquela hora do dia, quase 3 horas da tarde, as ruas estavam quase desertas. No silêncio daquele lugar dava para ouvir o zumbido de uma mosca pairando sobre a rua. 

André entrou num armazém para pedir informações ao dono. Em cidade pequena todo mundo se conhece, pensou.

– O senhor pode me informar onde mora uma senhora chamada Leontina dos Guimarães?

O homem puxou pela memória e sacudiu a cabeça.

– Não conheço, não.

– E Cândida Souza Guimarães Ferreira?

– Também não.

– Não é a dona Candinha, viúva do seu Jerônimo? – perguntou uma moça, no outro extremo do balcão, bebendo um refresco. Era uma jovem de cabelos claros e barriga saliente.

– Sim, isso mesmo.

Ela largou o copo sobre o balcão e se aproximou, olhando o rapaz com atenção. 

– Você não é o Edgar?

– Sou eu mesmo. Cheguei agora do Rio de Janeiro.

– Lamento dar essa notícia. Tua mãe faleceu faz um ano.

André não se abalou. Sua alma endureceu. Lá no fundo desconfiava que a mãe já não existia mais.

– Meu nome é Neide, sou filha do Genésio, irmão do teu pai. Somos primos.

– Cheguei tarde demais.- foi a única coisa que ele achou para dizer.

– Quer ir ao cemitério? Posso te mostrar a sepultura.

Concordou, sacudindo a cabeça. Parecia ter perdido a capacidade de decisão. Seguiram por uma rua sem calçamento. 

– E a tia Leontina?

– Está bem de saúde. Eu estou morando com ela. Quando meu pai soube que eu estava grávida, me expulsou de casa. A tia me acolheu. Mamãe morreu faz alguns anos e papai preferiu ficar sozinho a ter uma filha mãe solteira morando com ele.

– Para quando é o neném?

– Daqui dois meses.

– E o pai da criança, não te ajuda?

– O Bira sumiu. Dizia que estava trabalhando numa serraria. Esperava o dinheiro de uma indenização para podermos casar e comprar uma casinha. Saiu um dia  não apareceu mais. Acho que foi embora da cidade. – Neide fez uma pausa, soltou um suspiro segurando o ventre com a mão. – Estou conformada. Decidi criar meu filho sozinha.

Entrando no cemitério ela indicou a sepultura e ficou calada enquanto ele se agachava e colocava uma mão sobre a laje. Fez uma prece, pedindo perdão a mãe por não ter ficado com ela.

– Você vai visitar a tia? – indagou Neide, quando saíram do cemitério.

– Sim, depois volto logo pra Manaus.

– Por que tão cedo? Pode ficar alguns dias ou tem alguém te esperando?

– Não, não tenho, não.

– Você deve estar cansado da viagem, de andar de ônibus. 

– É verdade. Preciso me distrair. 

– Vamos até o rio. Talvez possamos ver os bugios do outro lado.

– Mas essa caminhada não vai fazer mal para o bebê?

– Não. A tia diz que é bom caminhar para não inchar as pernas.

Chegando as margens do rio, Neide sentou-se num tronco caído. Parecia que ela estava acostumada a se sentar ali. Por um momento André ficou olhando a mata, ouvindo o canto dos pássaros, o farfalhar das folhas nas altas copas, o estalar ocasional dos galhos movidos pelo vento. Sentiu o pulsar da natureza, o cheiro do rio, do limo, da seiva, do humo. A floresta era um mar verde.

– Eu vinha me encontrar com o Bira aqui. Ubiratã é o nome dele, mas chamo de Bira. Ele gostava de pescar neste lugar.-  disse Neide olhando para a barranca, como se o rapaz fosse aparecer naquele momento.  

André sentou-se ao lado dela. Sentiu vontade de desabafar.

– Não pude vir antes ver a mãe. Eu estava preso no Rio de Janeiro. – fez uma pausa, enrolando um fiapo de capim nos dedos. Continuou: 

– Eu tinha nove anos quando fui ao cinema pela primeira vez. Fiquei fascinado, assistindo Chico Fumaça, um filme do Mazzaropi. Gostei tanto que passei a economizar o dinheiro do picolé para ir ao cinema todo fim de semana. Cresci colecionando revistas sobre a sétima arte. As paredes do meu quarto eram cobertas por fotos de atores, atrizes e pôsteres de filmes. Quando assisti Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, decidi ser cineasta.

Depois de completar o serviço militar obrigatório, resolvi sair de Manaus e ir para o Rio de Janeiro, onde havia mais oportunidade de trabalho e estudo. O pai e a mãe não acharam uma boa ideia ficar longe de mim, mas eu os tranquilizei dizendo que era por pouco tempo e que escreveria todo mês.

Os primeiros dias no Rio não foram fáceis, mas eu consegui arranjar um emprego e alugar um apartamento pequeno.  Comecei a trabalhar como ajudante de cozinha de dia e fazia um curso de inglês à noite. Planejava também, aprender francês e italiano. Meu sonho era estudar cinema, fazer um filme. Comprei um aparelho de som 3 em 1, da Sanyo. Gravava músicas de temas de filmes em fita cassete para ouvir no walkman, enquanto ia para o trabalho.

Comecei a namorar uma garota chamada Betânia. No início ela não me disse que participava de uma organização que lutava contra a ditadura.  Somente algumas semanas depois ela falou e queria que eu entrasse no grupo. Eu nunca quis participar de ações armadas, evitava enfrentar os soldados, mas participava dos protestos na Cinelândia. Um dia, policiais do DOPS prenderam Betânia e os companheiros dela. Dois dias depois, soldados bateram na minha quitinete e me acusaram de ser um terrorista. 

Colocaram um capuz preto na minha cabeça e me levaram para um lugar desconhecido, onde fui interrogado e torturado levando choques elétricos pelo corpo. Os interrogadores queriam saber os nomes das pessoas que mataram um soldado, coisa que eu jurava não saber de nada, mas a tortura durou dias. Fui lançado quase morto a uma cela escura de onde só sai agora, nove anos depois, com a anistia. 

André fez uma pausa, lembrando a crueza e brutalidade dos dias ruins que passou no cárcere e continuou: – Foi barra pesada. Eu não tinha como mandar notícia para o pai e a mãe. Acho que eles não sabiam o que tinha acontecido comigo. 

Ele se calou, acabrunhado, magoado, sofrido, mas sem conseguir chorar. Já tinha chorado demais e jurou não derramar mais nenhuma lágrima. Sua alma estava batida e amassada como ferro velho. Era agora um poço seco. Um espírito sem força e sem esperança.

Neide colocou a mão no braço dele, num gesto de carinho e conforto.

– Tenho certeza de que você vai superar tudo isso.  Cada um tem o seu tempo e a vida sempre muda…

Um redemoinho de vento soprou sobre o rio e um chapéu de abas largas voou pelos ares, caindo sobre um arbusto na margem. Curioso, André ergueu-se foi até ele e o pegou. Era um chapéu panamá de cor creme, com uma banda marrom na copa. Com ele nas mãos, ficou tentando imaginar de onde tinha vindo, quando um barco a vapor surgiu navegando mansamente. Na proa estava o nome gravado num retângulo de metal; Molly Aida.

Após gritos enérgicos, a âncora foi lançada, uma canoa foi descida e quatro homens entraram nela. Um deles era loiro de cabelos compridos, vestindo um terno branco. Dois indígenas pegaram os remos e remaram para a margem. Neide ergueu-se e um sorriso iluminou seu rosto corado.

– É o Bira! – exclamou. A canoa atracou, o jovem de tez escura e cabelos encaracolados, saltou e correu para abraçar Neide. – Onde você andava homem? – perguntou ela, agarrando o rosto dele com as duas mãos. 

– Como tá o nosso filho? – indagou ele, apalpando a barriga dela.

André teve a impressão de conhecer o homem de cabelos claros. Como um ser fantástico da floresta, a criatura saltou da canoa, foi na direção dele e arrancou o chapéu de suas mãos

– Esse chapéu é meu, seu bosta! Não pensa que vai ficar com ele.

Quem olha pela primeira vez aquele rosto de linhas rudes, jamais esquece. André o reconheceu de imediato. Era o irascível ator de cinema, Klaus Kinski.

– Eles estão fazendo um filme.- disse Bira. – Se chama Fitzcarraldo.

– Onde você estava todo esse tempo? – perguntou Neide.

– Saí da serraria para trabalhar num seringal. Era no meio da floresta e eu achava que seria trabalho de poucos dias e que voltaria logo. Os dias foram passando e o encarregado me obrigou a cumprir o contrato. Só deixou eu ir embora depois que peguei malária. Fiquei com febre, me deram quinino e quando melhorei um pouco, me libertaram. Por sorte chegou esse navio e o senhor Werner Herzog me deu uma carona. 

Sem poder se conter, André perguntou: – Werner Herzog, o cineasta? Será que ele não me deixa trabalhar como figurante no filme?

Klaus olhou para ele, examinando-o da cabeça aos pés.

– Você é ator?

– Fiz teatro no colégio fundamental.

– No tempo dos dinossauros, suponho – disse o alemão e começou a dirigir-se para a canoa para voltar ao navio.

– Posso ir junto? – insistiu André – Eu gostaria de falar com o senhor Werner.

Klaus parou e colocou o chapéu na cabeça- Quem manda naquele barco sou eu. O elenco está completo, temos extras demais e não precisamos de mais ninguém.

– Estou disposto a trabalhar na cozinha.- André tinha esperança de trabalhar na embarcação para acompanhar e aprender o processo das filmagens.

Klaus meditou alguns instantes e por fim, disse:

– Estou precisando de um pajem. Alguém que limpe e engraxe minhas botas, me prepare os drinques e abane os mosquitos. – fez uma pausa para subir na canoa, voltou-se, completando; – E que também lave minhas cuecas.

André considerou que não era nada demais. Muitas vezes lavou suas próprias roupas e achou que não seria nenhum problema lavar as roupas de um astro do cinema. 

– Aceito- respondeu entusiasmado.

Despediu-se de Neide e Bira. – Dá um abraço na tia Leontina por mim. Diz que, quando terminar as filmagens, eu venho visitá-la.

Sequer imaginava ele que dali a alguns dias morreria esmagado por uma tora de madeira, quando o barco seria içado através de um morro.

22 comentários em “O chapéu do curupira ou, quando o sonho acaba no leito de um rio seco (Antonio Stegues Batista)

  1. soniazaghetto
    28 de junho de 2020

    Resumo: André retorna para a sua terra, na Amazônia, e descobre que sua família já não existe. Conhece uma prima, grávida de um namorado que foi embora. Narra à prima Neide suas desventuras durante o período militar. Estão conversando próximo ao rio quando chega um barco e o no qual está o namorado da prima. O barco transporta o ator alemão Klaus Kinski, que está filmando Fitzcarraldo com Werner Herzog. André, entusiasta do cinema, consegue um emprego humilhante como assistente de Kinski, mas o narrador anuncia que ele morrerá em breve.

    Análise: A história é bem contada e há de se louvar a inventividade do autor. Senti uma quebra de ritmo a partir do instante em que André relembra sua prisão e tortura durante o regime militar. Essa dosgressão poderia ser tratada em forma de diálogo, dando mais fluidez à narrativa; ou até mesmo de uma recordação silenciosa. Da forma como foi feito, a narrativa quase chega a ser um relatório. A fala do protagonista acaba por soar um pouco rígida e sem elementos que a tornem atraente.
    Entretanto, a partir da chegada do barco, o conto ganha vida nova. Confesso que dei uma risada gostosa quando li o nome de Klaus Kinski (juro que disse um “no way!”). A narrativa, que havia se enfraquecido, ganha uma nova força. Uma ironia fina e bem trabalhada surge nessa parte. A descrição de Kinski é impagável. O protagonista também se revigora, junto com a narrativa (o que não deixa de ser muito interessante). Sugiro que após o concurso você trabalhe um pouco mais neste texto: com alguns pequenos ajustes ele se tornará um conto excelente.
    Gosto desses personagens trágicos, perdedores, homens comuns que nada de bom conseguem na vida. Lembram-me alguns bons momentos de Tchekhov, como na novela “Minha Vida”.
    Gostei bastante.

    Boa sorte no concurso.

  2. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de junho de 2020

    Resumo:

    O retorno do protagonista André à sua cidade natal desencadeia uma sucessão de notícias funestas e, tragicamente, o leva a um derradeiro perigo.

    Impressões:

    A obra é imbuída de uma beleza visual muito forte. O ritmo é muito bem acertado e a escrita é segura.

    Eu só penso que o fim trágico do protagonista foi muito, como posso colocar, abrupto. Na minha opinião é tão abrupto que não me causou empatia.

    Entretanto, é um trabalho de força.

  3. Ana Carolina Machado
    26 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto sobre um jovem chamado André que ficou nove anos presos devido a ditadura e quando ele sai e vai atrás dos pais descobre que eles morreram. Na cidade em que ele vai procurar a mãe o caminho dele se cruza com o de uma prima que está grávida . É para essa prima que ele conta a sua triste história quando eles estavam perto de um rio. Um pouco depois dele contar a história um chapéu voa na direção dele. Logo mais descobrimos que o chapeu pertence ao ator chamado Klaus, de quem o protagonista vira pajem. No fim ficamos sabendo que o André morre de forma inesperada esmagado por uma tora de madeira.
    Gostei do começo do conto e senti empatia pelo protagonista. A narrativa criou um ar de melancolia e aquela sensação de vazio que ele sentiu ao descobrir que o pai e a mãe tinham morrido. Porque foi como se o mundo dele tivesse deixado de existir enquanto ele estava preso. Mas não gostei muito do final, acho que talvez por eu está torcendo por um final feliz para o André ou então pelo fim ter sido um pouco abrupto . Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  4. Renata Rothstein
    25 de junho de 2020

    Oi, Aritana

    O chapéu do Curupira…: jovem sonhador deixa sua terra e parte para o Rio de Janeiro, com o sono de tornar-se cineasta.
    É preso pelo DOPS durante a ditadura e fica nove anos preso, retornando para a terra natal após ser libertado.
    Chegando lá, descobre que os pais morreram, conhece uma prima que está grávida e de forma meio mágica consegue realizar um pouco do seu sonho.
    Texto bem escrito, mas confesso que desconhecia muito do que é falado no conto, mas Google está aí para isso rs.
    De qualquer forma, o conto é bom, só achei o final repentino, vinha num ritmo e de repente, tá, acabou.
    Mas não é assim também a vida? Refletindo…
    Parabéns e boa sorte no Desafio!!

  5. Paula
    25 de junho de 2020

    O conto traz a história de André, que retorna à sua cidade de origem na região amazônica depois de anos sem dar notícias aos seus pais. Em Manaus, descobre que seu pai morreu e sua mãe mudou-se para uma cidade pequena onde morava sua tia. Lá, descobre que sua mãe também faleceu e encontra uma prima, que lhe mostra a sepultura e o convence a ir ao rio, para espairecer um pouco. Ele conta que não deu notícias por ter sido preso ao aproximar-se de um grupo organizado contra a ditadura militar. Relata que foi torturado e ficou impossibilitado de se comunicar por 9 anos. Havia ido ao Rio de Janeiro perseguindo o sonho de ser cineasta. A prima está grávida e acredita que o pai da criança a abandonou. Passa então um navio, de onde descem o companheiro desaparecido da prima, pra seu alívio e alegria, e um ator alemão famoso, soltando que o barco traz a equipe de gravação de um filme. O protagonista se oferece para ser figurante e, diante da negativa, aceita trabalhar como servente do ator. E embarca no navio, mas morreria em breve em um acidente.
    A história é envolvente no início, mas o desfecho me pareceu um pouco solto. O relato de André sobre a prisão e as torturas a que foi submetidos me pareceram muito racionais, não transmitindo os sentimentos que acredito serem despertados quando se rememora vivências como essas. A linguagem do diálogo também não me transmitiu a ideia de uma fala. Mas, no geral, o texto está bem escrito e bem estruturado. Parabéns e boa sorte!

  6. Jorge Santos
    25 de junho de 2020

    História trágica de um homem que, levado pela paixão pelo cinema, abandona a cidade natal. O destino leva-o a ser preso durante 9 anos pela ditadura de então, acusado de terrorismo. Quando regressa descobre que tanto o pai como a mãe tinham falecido. Numa reviravolta do destino, ele tem a oportunidade de participar num filme, que tem um fim trágico para ele.

    O texto está bem escrito, de uma forma visual. Daria um bom filme, dado a forma como foi estruturado. Dá mesmo para sentir o flashback quando ele conta a sua história. No entanto, há demasiadas coincidências convenientes: ele e a prima estão na margem do rio no preciso momento em que chega o namorado que ela pensava tê-la abandonado e, ao mesmo tempo, cumpre o sonho dele, o de participar num projecto cinematográfico. Este excesso de coincidências faz o conto perder a força. Para além disso, como a vida dele era uma desgraça, pressentia-se o desfecho trágico.

    O conto foi baseado em factos reais. A filmagem aconteceu em Manaus e vários indígenas morreram.

    Em termos de linguagem, não encontrei falhas. O ritmo é o adequado.

    Encontrei um eventual problema de coerência: a lei da amnistia foi promulgada em 79, não contemplando presos envolvidos em atentados. A filmagem de Fitzcarraldo aconteceu em 1983. Há uma falha de quatro anos na história dele que, presumo, tenha sido uma desgraça…

  7. Priscila Pereira
    24 de junho de 2020

    Resumo: André está voltando pra casa depois de muitos anos fora e descobre que os pais estão mortos e consegue um trabalho em um navio que está gravando um filme e morre alguns dias depois.
    Olá, Aritana!
    Um conto claro de volta pra casa, de recuperar as raízes, mas sem sorte, os pais já não existem, o passado foi terrível, e o presente traz uma nova oportunidade. O final foi totalmente um balde de água fria! Por que? Tinha mesmo que ser um conto tão desesperançoso? Ele não podia ter um pouco de alegria e realização na vida?
    Desculpe… Estava divagando… Rsrsrsrsrs
    Então, não curti muito o conto no todo, mas vc descreveu tudo muito bem, deu pra viajar junto.
    Uma pergunta, quem é Edgar? O narrador não era André? Fiquei confusa…
    A história toda da prima grávida abandonada ficou meio que para encher linguiça, não contribuiu em nada na trama.
    Desculpa se estou um “pouco” chata hoje, o conto não está ruim, só podia estar melhor, dá pra ver que você tem potencial pra muito mais!
    Parabéns e boa sorte!
    Até mais!

  8. cgls9
    23 de junho de 2020

    Resumo
    Começa com o retorno de André à terra natal, onde se descobre órfão. Encontra uma prima grávida e até então, abandonada pelo pai da criança. De frente para um rio, num passeio com a prima recém-descoberta, ele conta o sonho que o levou ao Rio de Janeiro; se tornar cineasta. Conta que teve problemas com o regime ditatorial, com direito a prisão e tortura e retornando ao rio, surge sua oportunidade de ficar próximo de uma produção cinematográfica, infelizmente ele morre esmagado por um tronco.

    COMENTÁRIO: o autor inicia seu conto com um relato melancólico do retorno ao lar, retorno ao chão, depois de tentar voar mais alto que a capacidade de suas asas. Descobre que está só, suas raízes com o lugar e foram cortadas na representação dos pais falecidos. O encontro com a prima, inicia um novo capítulo e então, a história sai da rota inicial, dá um giro 180 º e conhecemos a equipe do Fitzcarraldo. O rapaz aceita se tornar pajem do ator Klaus Kinski e morre esmagado. Me pareceu uma solução apressada, porque é tudo muito corrido a partir daqui, mas só quem pode responder é o autor. Boa sorte.

  9. Luciana Merley
    23 de junho de 2020

    Olá, autor
    André retorna do Rio de Janeiro para Manaus após muitos anos distante. Ao saber da morte do pai e da mudança da mãe, ele segue para o Acre. Lá encontra a prima Neide grávida de Bira, que fora embora sem dar notícia. A prima o informa que a mãe também morrera 1 ano antes, o que deixa André ainda mais sem rumo. Num desabafo com a prima, ele conta da paixão por cinema e dos horrores que sofreu nas mãos dos militares. Inesperadamente, um barco aparece com Bira e um ator de cinema que estava filmando ali por aquela região. André consegue uma vaga no barco e parte para um destino trágico.
    Um conto com muitas informações. Farei minha avaliação conforme os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, ritmo e impacto).
    Técnica e Coesão – A linguagem é simples, direta e fluida. Bom de ler. O início coloca o leitor já dentro da paisagem e apresenta o personagem como um “morto-vivo”, ou seja, dando ao leitor uma visão do que esperar desse protagonista. Isso é bom, apesar de que a caracterização ainda foi insuficiente, como explicarei adiante. Com relação ao título, tentei associar a parte do curupira com uma espécie de mágica no meio da floresta (que foi o aparecimento repentino de uma equipe de filmagem) e quando vi a foto desse ator, percebi que ele tem cara de curupira mesmo (rsrssr). A outra metade do título, imagino se referir ao fim do sonho e da vida dele, mas não compreendi a parte do leito seco. A partir daí, na minha avaliação, começam alguns problemas que tentarei expor para você.
    1 – O conto apresenta ao menos 3 conflitos, ou seja, você poderia escrever 3 histórias com o que apresentou (1 – O filho que retorna após anos e não encontra mais os pais. 2 – O filho perseguido e torturado na ditadura e que não sente mais nenhum apego à vida ou à lembrança dos pais. 3 – O homem que não se realiza no Rio de Janeiro e acaba por encontrar uma oportunidade de fazer cinema no meio da mata). Isso, a princípio parece bom, mas não para um conto, que é texto de narrativa concisa.
    2 – Não entendi a presença da cidade de Manaus na sua história, já que me pareceu uma passagem totalmente irrelevante para o cerne da narrativa.
    3 – Você abordou o tema da ditadura, de uma forma muito solta, desconectada, no meio de uma história da Amazônia. Por quê? Além disso, essa parte de ter ficado 9 anos numa cela escura não ficou muito compreensível. Se isso aconteceu, esse personagem deveria ter sido melhor caracterizado lá no início. Faltaram nuances psicológicas e físicas que nos fizessem enxergar alguém que acabasse de sair dessas condições tão terríveis.
    4 – O diálogo vai bem até certo ponto, mas você começa um longo trecho como se estivesse escrevendo uma carta, inclusive especificando nomes e informações muito formais. Além disso, ele fala quase sozinho. Ela poderia ter entrado com algumas observações.
    5 – O final me decepcionou bastante. Tive que ler umas 4 vezes pra entender quem era quem naquele barco. O retorno de Bira ficou completamente solto e esse personagem sem sentido algum. E a última frase, não sei…talvez se você tivesse informado a morte dele de outra forma como: “Alguns dias depois, Neide soube que Alex tinha morrido…”
    O conto é seu, a história é sua….mas, posso sugerir? Seria uma narrativa incrível se focada no sonho de trabalhar com cinema se realizando inesperadamente no meio da mata e não no Rio de Janeiro.
    Bom! Desculpe por tanta chatice, mas o intuito é sempre de oferecer um outro olhar e contribuir. Boa sorte e um abraço

  10. Thiago de Melo
    22 de junho de 2020

    Resumo:

    Um homem retorna para a amazônia após passar muitos anos no Rio de Janeiro. Ele é apaixonado por cinema e foi para a capital carioca tentar aprender aquele ofício, mas acabou preso pela ditadura, acusado de envolvimento com terroristas. Quando volta para casa, descobre que tanto o pai quanto a mãe já estão mortos e conhece por acaso uma prima, com quem conversa na beira do rio até que chega um barco no qual estão gravando um novo filme. Então o jovem pede para ir com eles e aceita qualquer trabalho para conseguir seu objetivo. Após alguns dias vivendo seu sonho, ele morre esmagado por uma tora de madeira.

    Análise:

    Gostei muito do início do conto. Achei que a ambientação foi muito bem feita e dava pra sentir a melancolia e o sofrimento interno do personagem que voltava para casa após muito tempo só para saber que seus pais haviam morrido. Em resumo, seu passado havia morrido e ele não tinha mais ninguém, e como seus últimos 9 anos foram vividos na cadeia, sofrendo nas mãos da ditadura, esse também era um passado que ele preferia esquecer. Assim, temos um personagem completamente isolado no tempo e no espaço. É um personagem que carrega muito sofrimento na alma e que não tem muito rumo para onde seguir. Felizmente o barco com o cineasta famoso chega para dar ao personagem um novo caminho a seguir. E é interessante que o autor tenha escolhido um barco para fazer isso. Ele veio do rio de janeiro de ônibus, e estava sem perspectivas na vida, então ele sobe num barco para trilhar um novo caminho, buscando o seu sonho.
    A única parte que não me agradou muito no conto foi o final. Achei que a história acabou muito de repente e sem maiores explicações. Pelo menos na minha opinião, acho que o autor poderia ter explorado um pouquinho mais esse final, ainda que o personagem acabasse morto de qualquer jeito, sinto que havia espaço para um pouco mais de detalhes. E talvez a minha vontade de saber mais seja mais um indicativo de que o conto ficou bom! Parabéns pelo trabalho!
    Um abraço!

  11. Gustavo Araujo
    20 de junho de 2020

    Resumo: Depois de ter sido preso pela ditadura, homem volta para Manaus, sua casa, para descobrir que sua família, que lá vivia, voltou para Roraima. Perto de Boa Vista, em Colina Verde, ele fica sabendo que está órfão. Conhece num bar uma prima, que está grávida de um sujeito que aparentemente sumiu do mapa. Vai com ela a um rio, mas de repente o tal sujeito reaparece, empregado que está de uma trupe cinematográfica que tem Werner Herzog e Klaus Kinski. Consegue um emprego mas morrerá em seguida, atingido por uma tora de madeira.

    Impressões: contos sobre regresso costumam produzir bons resultados ao comparar o presente e o passado, mas é preciso certa habilidade para não resvalar na pieqguice. Creio que o melhor exemplo de sucesso nesse tipo de empreitada é o maravlhoso conto “O Menino Perdido”, do Thomas Wolfe, publicado nos anos 30 nos EUA e há apenas alguns anos aqui no Brasil. Aqui o autor segue essa fórmula e, se não chega a brilhar, mantém o interesse. Dá para sentir a decepção de André em determinada medida, que é agravada pela consciência de que sua família direta não mais existe. A cena do rio serve como alento nesse sofrimento mudo e, a partir da chegada de Bira e da turma do cinema, o conto ganha uma lufada de vento fresco no calor amazônico. A presença de Klaus Kinski é tão inesperada como bem vinda e dá sangue a um conto que até então vinha morno. Ficou bacana mesmo essa quebrada na trama. Tão boa quanto a notícia de que o protagonista morrerá logo depois de conquistar seu tão sonhado emprego na indústria do cinema. Sinceramente, eu não esperava por nada disso. Achei que o conto seguiria por uma trilha mais intimista, dramática, algo como “A Noite de Doze Anos”, mas o que vi foi algo completamente inusitado e para mim funcionou que foi uma beleza. Não chega a transformar o conto em algo memorável, mas me fez sorrir. Excelente ideia. Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de junho de 2020

    O chapéu do curupira ou, quando o sonho acaba no leito de um rio seco (Aritana)
    Resumo:
    A história de André, manauara que retorna para sua terra, de Neide (prima grávida), e Bira (pai do filho de Neide). André volta para encontrar o pai, a mãe, fica sabendo que estão mortos. E então, encontrando Neide, conta a sua história e fala sobre seus sonhos.
    Comentário:
    Texto muito bem escrito, narrativa fluente. Percebe-se a facilidade do autor em discorrer sobre memórias, e fala com “doce” propriedade sobre a época da ditadura.
    Mesmo de maneira corrida, mostra a ingenuidade de um preso político. André foi preso como se fosse um ativista perigoso. Não era. E isso acontecia.
    O conto traz um enredo bem estruturado, mas a narrativa é acelerada. As informações são dadas de modo denso, rápido. Li de um fôlego só, a história prende a atenção. O desfecho é abrupto.
    Sobre o título, confesso que não desvendei o significado. Quanto ao pseudônimo, nome indígena, posso garantir que me fez voar para 1978, para a novela estrelada por Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi…
    Parabéns, Aritana!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

  13. Alexandre Coslei
    18 de junho de 2020

    André retorna a Manaus, após passar nove anos preso e torturado pela ditadura, consequência de um envolvimento romântico com uma ativista.
    Desde sua saída de Manaus, cultivava o sonho de participar de produções de cinema. Quando volta a Manaus, não encontra mais o que deixou, membros da sua família morreram, restando uma prima com quem reativa a amizade. Ao término da história, consegue se aproximar de uma chance no cinema, mas como camareiro. Mesmo assim, arrisca sem se importar e define o seu trágico destino, a morte por esmagamento.

    O autor ousou numa história guiada pela complexidade do protagonista e do tema. Por ser um enredo complexo, vejo que foi bem desenvolvido, mas é daquelas ideias que pedem mais detalhes e explicações. O fim do texto, muito súbito, talvez tenha escolhido um caminho fácil, que destoou da riqueza que prometia o enredo. Bem escrito, sem dúvida, mostra um autor criativo e sem medo de se embrenhar por temas áridos. A Amazônia é um pretexto para atender ao tema do concurso, mas não é determinante no contexto no decorrer da leitura. Valeu pelo arrojo do conteúdo, mas pecou por abreviar a conclusão de uma história que exigia mais da criatividade.

    Parabéns! Boa sorte!

  14. brunafrancielle
    17 de junho de 2020

    Resumo: Preso na ditadura (pelo que entendi) por 9 anos, André volta pra Manaus pra procurar a família que tinha deixado quando se mudou pro RJ em busca de seu conho de ser cineastra. Seus pais estão mortos mas ele conhece sua prima, Neide, grávida de um homem que sumiu. Perto do seu sonho de participar de um filme, André morre atingido por uma tora.

    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se não concordar.
    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : Seu conto foi um pouco decepcionante. Confesso que estava até gostando da história, mas o que foi este final? Uma série de cenas aparentemente despropositadas, e um fim abrupto. Já havia achado estranho também o título. O conjunto da obra, levando em conta a história e título dá a sensação de falta de sentido.

    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): Da narrativa é boa. Mas a história possui cenas sem aparente propósito e o fim não parece se conectar com nada trazido à tona antes (o comunsmo, a prisão, o RJ, a família.).

    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): Semi original. A história do sonho de ser cineastra, o encontrar de um ator famoso no meio de um rio onde o protagonista fora por acaso, foram coisas originais. Mas a menção à malária nem tanto. A Amazônia não esteve em foco em momento algum. Quase achei que o namorado da Neide era um boto. O ator famoso era o curupira? Não há lógica. : (

  15. Vanessa Honorato
    15 de junho de 2020

    Um homem parte do Amazonas rumo à cidade grande em busca de seu sonho (trabalhar no cinema), deixando sua origem e família para trás. Lá, envolve-se com uma moça que é contra a ditadura e ele acaba preso e torturado. Volta para sua terra e descobre que seus pais morreram. Encontra uma prima que o leva para uma volta. Do nada surge um redemoinho, um chapéu, um navio, ator, e o noivo da prima. Descobre-se que estão ali para gravar um filme e ele implora para participar e acaba sendo apenas pajem, e posteriormente morre.
    Confesso que não entendi nada. Fui ao Google para pesquisar sobre os nomes dos personagens e acabei descobrindo sobre o filme Fitzcarraldo, de 1982. Aí o conto fez um pouco mais de sentido, todavia, o final ainda ficou em aberto, provavelmente tem ligação com o filme. A escrita é boa, fluente, mas para quem não conhece a história por trás ficou um pouco confuso.
    Abraços ❤

  16. Felipe Rodrigues
    14 de junho de 2020

    Rapaz entusiasta de cinema parte em reencontro ao seu passado, mas acaba virando pajem do Klaus Kinski, que gravava Fitzcarraldo por ali.

    Esse conto me fez rir muito, muito mesmo. A aparição repentina de Klaus Kinski, sem mais nem menos – claro, tem o lance do Fitzcarralado e do protagonista gostar de cinema – mas a função que o ator assume no conto é, assim, completamente absurda, inesperada e hilária! Pô, o conto se apresenta em uma narrativa histórica, baseada em momentos importantes pelos quais o país passou, atrelados aos personagens do conto de maneira evolutiva, a conversa entre André e a grávida, sobreposta por dois passados muito intrigantes e, de repente, Klaus Kinski! O gringo chega de assalto e acaba com a porra toda, tornando o conto uma espécie de sátira livre e, de certa forma, fazendo alusão ao próprio cinema, onde o diretor – aqui, no caso, o homem que escreveu o conto – pode esculhambar com uma situação ao seu bel prazer. Aqui, incrivelmente, isso funciona. O homem fã de Glauber Rocha e perseguido na época ditatorial como terroristas demonstra-se um baba-ovo de gringo, obviamente, vendo sua única esperança como um bajulador de Herzog, para depois conseguir trabalho. Não sei, a coisa toda muda de forma tão repentina e meio cruel com o protagonista que não tive como não gostar, rir, e apreciar a liberdade de espírito do escritor, que de certa forma também invejo, visto que há tempos não escrevo dessa forma. Parece até mesmo que uma pessoa começou e outra pessoa terminou o conto.

  17. Fheluany Nogueira
    13 de junho de 2020

    O protagonista retorna para casa em Manaus e fica sabendo que o pai faleceu e a mãe mudou para Roraima. Vai encontrá-la, porém ela também havia falecido. A prima grávida o acompanha em passeios, e conversam sobre o passado. O moço conta que esteve preso, como terrorista, durante a ditadura militar.

    O pai da criança, que havia sumido, aparece nas margens do rio junto de um ator. O rapaz deixa o casal e vai para o barco como pajem do ator, em busca do sonho de se tornar cineasta, mas logo ele morre em acidente com tronco.

    Precisei pesquisar para compreender o texto e perceber qual o liame dele com o tema da Amazônia. E, sobretudo, para compreender o desfecho.

    De certa forma , a história lembrou-me A Hora da Estrela, Clarice Lispector; talvez porque quando Macabéa experimenta esperança e sente que poderia ter um futuro, este termina ao atravessar a rua. Assim acontece com o protagonista aqui.

    Ao meu ver, faltou naturalidade e verossimilhança à narrativa. Tudo meio forçado, apesar de se dar uma leitura fluida, as ações são fortuitas e causam estranhamento. Diálogos críveis, como se os dois personagens conversassem consigo mesmo, importantes para informações do leitor.

    Boa sorte. Parabéns pelo trabalho. Abraço.

  18. pedropaulosd
    10 de junho de 2020

    RESUMO: Retornado à terra natal depois de um período de cárcere e tortura, o protagonista procura pelos pais já falecido e no lugar disso tem um encontro improvável com uma prima, que o informa de sua orfandade e o leva para passear num rio, onde conhece uma equipe de cinema que o permite chegar um tiquinho de nada mais perto do seu sonho de ser cineasta. Morre poucos dias depois, esmagado por um tronco.
    COMENTÁRIO: Espero que todos os leitores passem pelo comentário do Ângelo antes de escrever os seus próprios. Isso porque eu guardava para o conto uma crítica voltada à adequação do tema, mais uma vez a Amazônia com uma presença resumida a ceder espaço ao enredo. No entanto, sabendo que foi adaptada a estória de uma produção cinematográfica real, a presença da floresta é muito mais consistente e original e, por isso, já não posso reclamar da adequação ao tema nesse sentido. Pelo menos para mim, que não fazia ideia do filme e dos atores mencionados, Ângelo acabou fazendo uma revelação importante.
    Quanto aos outros aspectos do conto, acredito que se pode avaliar positivamente. A escrita é clara, fazendo caber o senso de perdição da personagem ao mesmo tempo que nos faz acompanha-lo em sua viagem sem delongas desnecessárias. O diálogo entre as duas personagens resignadas não traz nada mais do que informação, mas é justamente por isso que soa orgânico, a forma banal com a qual falam de suas misérias. Achei o desfecho um pouco apressado e abrupto, mas uma boa forma de aproximar o conto do tema e do protagonista. Para mim, a última frase foi um bônus positivo, pois deu ao texto o tom trágico que o assombrava durante a leitura.
    Boa sorte.

    • Anderson Do Prado Silva
      10 de junho de 2020

      Pois é, eu devia ter lido o comentário do Ângelo antes de ler e avaliar o conto. Meus olhos teriam sido outros. Confesso que não sabia nada do que o Ângelo revelou. Aliás, o Ângelo é um poço de conhecimento. Deus me livre! É cada comentário dele! No próximo desafio, só vou comentar os textos depois que o Ângelo tiver comentado!

  19. Anderson Do Prado Silva
    9 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – O chapéu do curupira

    Resumo: Jovem deixa a região da Amazônia para viver no Rio de Janeiro, onde se envolve em movimentos de esquerda durante a Ditadura Militar Brasileira, é preso e torturado e, depois de algum tempo, volta para a região da Amazônia para reencontrar os pais, mas estes estão mortos. O sonho do protagonista é ser ator, o que o leva a se aproximar do elenco de um filme, mas a sorte lhe trai, ele sofre um acidente e morre.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: o texto não surpreende propriamente, mas o recurso de iniciar o texto narrando e descrevendo uma viagem capta a atenção do leitor, convidando a seguir nesse “trem”, ao menos para descobrir o que vem na próxima estação.
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o texto flui razoavelmente bem, porém o autor deve enxugar sua prosa, ao menos em se tratando de um conto, que não pode abarcar muitos fatos de muitas vidas. O enredo que o autor trás melhor caberia em uma novela ou romance.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: o encerramento surpreende, mas é um pouco abrupto demais. Nada anunciava a tragédia que se avizinhava.
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: o autor possui bom domínio da gramática.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor deve tomar o cuidado de não inserir fatos demais, histórias demais, eventos demais em um gênero textual que não comporta muito bem isso (conto).

    Linguagem:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor emprega as palavras majoritariamente em sentido denotativo, sem muita poesia.

    Estrutura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor não promove nenhuma subversão ou inovação em termos de estruturação do texto.

    Estilo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: não identifiquei no texto nada que revele o que se poderia chamar de “estilo do autor”

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: “Por um momento André ficou olhando a mata, ouvindo o canto dos pássaros, o farfalhar das folhas nas altas copas, o estalar ocasional dos galhos movidos pelo vento. Sentiu o pulsar da natureza, o cheiro do rio, do limo, da seiva, do humo. A floresta era um mar verde.”
    ( ) não

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: o texto não desafia a inteligência do leitor, que não precisa empreender nenhum esforço intelectivo mais aprofundado.

    Avaliação final: Aritana, siga escrevendo, participando de desafios e concursos literários e, sobretudo, leia autores consagrados pela crítica especializada, observando sempre o que esses autores fizeram para conquistar tais louvores. Boa sorte no desafio!

    Anderson do Prado Silva

  20. Angelo Rodrigues
    9 de junho de 2020

    O chapeu do curupira (Aritana)

    Resumo:
    Homem experimenta a desgraça de uma prisão, retorna para casa e descobre-se órfão. Encontra uma prima, encontra com um grande ator alemão e se torna seu pajem. Depois morre buscando seu sonho de ser cineasta.

    Comentários:
    Gostei do conto, da maneira como a história foi contada, embora o final, acredito, tenha ficado assim, mais ou menos. Explico, mas não para o autor, que viu o filme, mas para quem lê o texto e fica boiando. No filme de Herzog, índios colaboram com um doido alemão. Um dos desejos do protagonista é levar música clássica para a patuleia. Transpõem o barco de rio em rio pela força dos índios que, secretamente, o fazem porque têm outros planos bem mais interessantes.
    O fato de o nosso protagonista ter morrido quando um tronco o esmaga fica solto se você não sabe o motivo que o levou ao ato de içar a embarcação morro acima.
    Acho que textos que se baseiam em textos ou filmes etc, têm esse problema, que é exatamente o leitor não saber do que o escritor fala, dado que está embutido no texto que se lê uma expectativa de que o leitor saiba do que fala o autor. São narrativas que se completam, mas, quando uma das partes é desconhecida, muitas coisas se perdem. O fato do içamento do barco morro acima ficou solto demais sem o conhecimento do que ocorre no filme de Herzog.
    O conto ganha volume quando traz das sombras Fitzcarraldo, que talvez só não seja melhor que O Enigma de Kaspar Hauser ou Stroszek ou Coração de Cristal ou ou ou. São todos maravilhosos.
    Os diálogos são bem construídos quando mostram uma naturalidade excepcional.
    O envolvimento e as coincidências, em parte bastante teatrais, não chegam a prejudicar o desenvolvimento do texto quando forçam uma conveniência narrativa (por exemplo ele encontrar uma prima num bar logo de cara).
    Gostei do texto, exceto pelo título, que parece não ter significado em relação à narrativa, ou possuído de uma subjetividade desconcertante.
    Boa sorte no desafio.

  21. Anderson Do Prado Silva
    9 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – O chapéu do curupira

    Resumo: Jovem deixa a região da Amazônia para viver no Rio de Janeiro, onde se envolve em movimentos de esquerda durante a Ditadura Militar Brasileira, é preso e torturado e, depois de algum tempo, volta para a região da Amazônia para reencontrar os pais, mas estes estão mortos. O sonho do protagonista é ser ator, o que o leva a se aproximar do elenco de um filme, mas a sorte lhe trai, ele sofre um acidente e morre.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: a abertura não surpreende propriamente, mas o recurso de iniciar o texto narrando e descrevendo uma viagem capta a atenção do leitor, convidando a seguir nesse “trem”, ao menos para descobrir o que vem na próxima estação.
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o texto flui razoavelmente bem, porém o autor deve enxugar sua prosa, ao menos em se tratando de um conto, que não pode abarcar muitos fatos de muitas vidas. O enredo melhor caberia em uma novela ou romance.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: o encerramento surpreende, mas é um pouco abrupto demais. Nada anunciava a tragédia que se avizinhava.
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: o autor possui bom domínio da gramática, embora a solenidade de suas formas sejam um tanto impediente de maiores deslizes gramaticais.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor deve tomar o cuidado de não inserir fatos demais, histórias demais, eventos demais em um gênero textual que não comporta muito bem isso (conto).

    Linguagem:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor emprega as palavras majoritariamente em sentido denotativo, sem muita poesia.

    Estrutura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor não promove nenhuma subversão ou inovação em termos de estruturação do texto.

    Estilo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: não identifiquei no texto nada que revele o que se poderia chamar de “estilo do autor”

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: “Por um momento André ficou olhando a mata, ouvindo o canto dos pássaros, o farfalhar das folhas nas altas copas, o estalar ocasional dos galhos movidos pelo vento. Sentiu o pulsar da natureza, o cheiro do rio, do limo, da seiva, do humo. A floresta era um mar verde.”
    ( ) não

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: o texto não desafia a inteligência do leitor, que não precisa empreender nenhum esforço intelectivo mais aprofundado.

    Avaliação final: Aritana, siga escrevendo, participando de desafios e concursos literários e, sobretudo, leia autores consagrados pela crítica especializada, observando sempre o que esses autores fizeram para conquistar tais louvores. Boa sorte no desafio!

    Anderson do Prado Silva

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Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2 e marcado .