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Detox Literário.

Asas de graúna (Catarina Cunha)

Não se sabe se Graúna ganhou o apelido por conta da cor de sua pele e cabelos, ou da potente voz soprano,  que encantava todos os um mil e quinhentos e doze habitantes do formoso município de Bem Distante. Eclética, cantava em casamentos, quermesses, batizados, enterros e em eventos menos pudicos, como inauguração de reforma de puteiro e churrascada embriagante no único mercadinho do lugar,  meio dublê de bar, farmácia, secos e molhados. Mais molhados do que secos, que seja bem dito. De memória invejável, sabia desde sambas de raiz, clássicos da MPB, bossa-nova, funk, hip-hop até Baby Shark Turururu, que colava, de forma definitiva e irremediável, no público dos 8 meses aos 88 anos. 

Nos preparativos para a festa de aniversário de cem anos da fundação de Bem Distante, o prefeito, Seu Justinho, pesquisou a história da cidade em jornais antigos e encontrou uma foto da inauguração onde o prefeito, a primeira dama e várias autoridades assistiam uma apresentação artística no coreto da praça recém-inaugurada. Sim, ela mesma, a Graúna, vestida com uma túnica brilhante, uma mão no coração e outra oferecida aos céus. Inconfundível.   Lendo a legenda da foto não havia dúvidas: “A grande cantora Graúna saúda com sua voz de melro os orgulhosos bendistantentes e convidados.” Seria a avó de Graúna? Pesquisou na internet e só achou referencias ao pássaro e nada sobre uma família de divas. Procurou a cantora e mostrou a foto. Ela não se fez de morta, sou eu sim. Naquele dia cantei “Ó abre alas” em homenagem a fundação da cidade na terça-feira gorda de carnaval. Eu estava fantasiada de messalina, um espetáculo. Com certeza o primeiro escândalo da cidade, já que o prefeito não tirava os olhos de minhas curvas fartas. Minha avó? Claro que não, sou eu mesma, pode perguntar para a tua mãe, eu cantei no casamento dos pais dela, amigos do prefeito que, diga-se de passagem, era um pedaço de mau caminho. Não o seu avô, que era feio como um trem virado, que Deus o tenha, falo do primeiro prefeito, Aristides Fonseca de Araújo. Que homem, que homem… Minha idade? Tenho cento e vinte, nasci preta livre e peguei o gosto. 

A notícia se espalhou e logo não havia outro assunto na cidade. Qual o nome verdadeiro de Graúna? Onde nasceu? Filha de quem? Como veio parar em Bem Distante? Como ela chegou aos 120 com cara de 60? E aquele cabelo preto? Só pode ser pintado, é asa de graúna demais para ser de verdade. Ela deve ter feito pacto com o capeta, vendeu a alma em troca da voz e até hoje o coisa-ruim está esperando ela pagar a dívida. E a danada adiando, adiando. Valei-me minha virgem Maria, que isso não é coisa do bem. 

Aos poucos os convites para festas foram rateando, o povo saindo de fininho quando Graúna se aproximava. Passou a cantar sozinha pela rua. As letras das músicas foram se confundindo, as notas musicais se atropelando, as asas perdendo as penas, a penugem brilhante sendo substituída por foscos tufos acinzentados e a voz assumiu o timbre torpe do silêncio; até que voou.

Na festa do centenário, uma estátua de Graúna foi erguida no coreto da praça, homenagem à talentosa e amada cidadã misteriosamente desaparecida. Não houve música no evento. 

Enquanto isso, brincando absorta na areia, uma menina cantarolava uma antiga marchinha de carnaval.  

Nota: “Ó abre alas”, primeira marchinha de carnaval da história, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899.

20 comentários em “Asas de graúna (Catarina Cunha)

  1. M. A. Thompson
    11 de abril de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem. Aqui, haverá fração.

    Dito isso vamos ao comentário:

    TÍTULO/AUTOR: 10. Asas de graúna (Chiquinha)

    RESUMO: A história de uma cantora decadente que é redescoberta pelo povo de uma cidade.

    CONSIDERAÇÕES: O conto bem curtinho parece que está faltando pedaços. Não entendi o que de fato ocorreu com a cantora. Entendi que ela foi esquecida, redescoberta, ignorada mesmo redescoberta e morreu. Talvez existam referências no texto que não alcancei.

    NOTA: 3.0

    Independentemente da avaliação aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação.

    Boa Sorte!

  2. Daniel Reis
    10 de abril de 2020

    10. Asas de graúna (Chiquinha)
    Tema: o não-envelhecimento e o esquecimento do artista
    Resumo: Graúna é uma cantora centenária que não aparenta mais de 60 anos para o povo de Bem Distante. Porém, com a dúvida, ela envelhece e desaparece, sendo homenageada tardiamente nos cem anos da cidade com uma estátua.
    Técnica: a escrita, com um tempero regional, é saborosa. Porém, o ritmo parece ter “acelerado” demais nos acontecimentos da parte final. Inclusive, a nota final eu acho perfeitamente dispensável.
    Emoção: um conto que faz a gente pensar no valor que tem o artista e a arte em geral, e de como o interesse pela figura é maior do que pela obra.

  3. Valéria Vianna
    10 de abril de 2020

    A história de uma cantora de uma cidadezinha que, próximo ao centenário do município, o atual prefeito descobre que ela é a mesma que cantou muitos anos atrás na inauguração da praça, demonstrando estar com 120 anos. A descoberta faz com que os moradores tenham medo dela e passem a evitá-la. Ela então ‘some’ e no dia de se comemorar o centenário do município, a cidade vive, pela primeira vez, uma festa sem música, porém com uma estátua da cantora.

    Nota: 4,9

    Mesmo fugindo um pouco do tema envelhecer, trata-se de uma narrativa tão envolvente, que não há como não se enredar. A descrição do lugar… o ambiente típico de cidade do interior, tudo muito bem narrado. A estátua erguida em homenagem à cantora é de uma ironia tal… digna de citação. Muito bom.

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de abril de 2020

    Resumo
    Uma cantora de nome Graúna era a atração na cidade Bem Distante sendo convidada a cantar em eventos que ocorriam no município. Na festa de cem anos de Bem Distante, o prefeito encontrou uma fotografia de Grauna cantando na inauguração da cidade. Ao questionar a cantora sobre a possibilidade de ser sua avó, descobre ser ela mesma, já com 120 anos e aparência de 60. A notícia espalhou-se por toda a cidade, que passou a evita-la, até que ela desapareceu, voando como um pássaro. Em seguida, uma menina cantarola a música que Grauna costumava cantar.

    Comentário
    O texto está muito bem escrito, que segue o tema proposto. Não identifiquei erros gramaticais. Seria Chiquinha Gonzaga a Graúna?
    Gostei bastante deste trecho, que, além de poético, é bastante importante dentro do enredo, mostrando a transformação da protagonista diante do preconceito do público que tanto a admirava: “Aos poucos os convites para festas foram rateando, o povo saindo de fininho quando Graúna se aproximava. Passou a cantar sozinha pela rua. As letras das músicas foram se confundindo, as notas musicais se atropelando, as asas perdendo as penas, a penugem brilhante sendo substituída por foscos tufos acinzentados e a voz assumiu o timbre torpe do silêncio; até que voou.”

  5. Amanda Gomez
    9 de abril de 2020

    Olá,

    Resumo 📝Relato sobre uma mulher e sua história dentro da cidade. Mulher negra e humilde com uma voz que impressionava desde criança. Alguém visitando o passado sente curiosidade sobre a ilustre figura que ela está viva e com 120 anos. A ignorância do povo faz com que Graúna seja esquecida até desaparecer. O final é dúbio.

    Gostei 😁👍Encaro o texto mais como um relato. Eu gostei dessa abordagem, deu ares de realidade. Como se Graúna fosse de fato uma personalidade de nossa realidade ( ou é?? Desculpe a ignorância caso seja) gostei da narrativa, dos detalhes, de graúna. Do tom jornalístico, da rápida alusão a cidade e seu povo.

    Não gostei 🙄👎Apesar de ter achado uma leitura agradável ela não foi muito mais que apenas isso. Como falei, é um relato rápido sobre a curiosa trajetória de alguém e o final tem esse tom mais indefinido. Aqui eu não curti muito essa abordagem.

    Destaque 📌

    Conclusão = 😉 Texto perspicaz, direto e bem escrito. talvez eu tenha perdido algum detalhe importante que desse um apelo maior ao texto em si.

  6. Fabio
    7 de abril de 2020

    ASAS DE GRAÚNA (CHIQUINHA)

    Resumo: Uma homenagem a Chiquinha Gonzaga.

    Comentário: Em comparação aos demais textos, achei este bem pequeno.
    Mas, isso não é de todo relevante. O conteúdo dramático me fez voltar um pouco no tempo.
    O Abre Alas é um clássico. Quem não canta esta musica nos tempos de hoje?
    Todos a conhecem. Todos a cantam por ai em marchinhas e eventos.
    Parabéns escritor (a) pela forma como trouxe algo vivido as nossas memorias.

    Boa Sorte.

  7. Marco Aurélio Saraiva
    7 de abril de 2020

    Graúna é figura carimbada em Bem Distante, cantora amada por todos e com voz mirabolante. O prefeito resolve fazer uma pesquisa de descobre que ela canta na cidade desde a inauguração, e que a cantora tem 120 anos. O povo estranha ela ser tão velha e parecer tão nova, então começam a rarear os convirtes para cantoria até ela sumir – dando lugar a uma menina inocente em algum lugar de Bem Distante, cantarolando uma marchinha de carnaval.

    É uma história interessante e bem escrita, com muita comédia bem ponderada, que me fez sorrir e rir. A história de Graúna é um mistério. Talvez ela seja alusão ao sentimento carnavalesco? O povo o ama até passar por uma fase mais purista onde veem o carnaval como algo “do capeta”, “coisa boa não é”, até o sentimento da folia morrer… mas sempre ser renovado para uma geração seguinte, e nunca morrer de verdade.

    Talvez.

    Teorias a parte, o conto não bate nada com o tema do desafio. Não fala de velhice, apesar de falar de coisas antigas. Na minha interpretação de que Graúna é, na verdade, o sentimento carnavalesco, a história alude mais a um eterno ciclo do que, de fato, velhice. E, de qualquer forma, é apenas uma de muitas interpretações.

    Enfim: conto bem escrito, leve, divertido, mas que foge um tanto do tema do desafio.

  8. Felipe Rodrigues
    5 de abril de 2020

    Cantora tem sua história apresentada como um ícone e uma maldição da cidadezinha. Percebem-na – após revelação feita em jornal – como alguém que serve ao capeta e depois disso, desolada, definha pelas ruas até se acabar.

    Quando ainda podíamos sair às ruas com tranquilidade, eu passava meu almoços sentado em um banquinho da Praça Japão-Liberdade, no centro de SP, e lá certa vez vi uma mulher vestida com uma roupa de pássaro cor-de-cobre, era uma imensa mulher-coruja que ficava performando pelo lugar, empoleirada em muretas, ajoelhada no passeio público, e às vezes o sol refletia sua armadura causando uma sensação de beleza e bem-estar a qual só posso valorizar agora. Este conto me lembrou essa criatura fantástica, desenganada pelo tempo, alheia ao todo em sua forma sobre humana, arte popular que tem vergonha de ser arte, arte ganha-pão. E a narrativa reavivou esse ser na minha mente, deu-lhe passado e nova vida, agora repousando em minha janela e por isso agradeço a criação da criatura de uma forma jornalística, simples e sem firulas. Agradeço pelo bom texto.

  9. Cilas Medi
    5 de abril de 2020

    Olá Chiquinha.
    Uma homenagem para a famosa compositora, singela, simples, lúdica.
    Um conto expressivo e coerente com o tema proposto, do envelhecimento e, nesse caso, alegre e melodioso devido a cada palavra representar uma nota musical, fazendo do coreto o ponto principal.
    Bela graúna.
    Parabéns!
    Sorte no desafio.

  10. Luciana Merley
    4 de abril de 2020

    Olá, autor.
    Uma história em homenagem à compositora e regente Chiquinha Gonzaga. Graúna (ave do canto mais melodioso do Brasil) é o apelido da cantora de voz formosa que encantava as festas de uma pequena cidade. Com a descoberta de que a misteriosa Graúna permanecia jovem apesar dos mais de 100 anos, ela passa a sofrer de abandono dentro da pequena cidade. Impedida de cantar como antes, Graúna envelhece e desaparece, possivelmente recomeçando sua jornada em outra criança.

    AVALIAÇÃO: Utilizo os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, Ritmo e Impacto) sendo que, desses, o impacto é subjetivo e é geralmente o que definirá se o conto me conquistou ou não.

    Técnica – O autor opta por um texto bem curto, nem por isso deixa de apresentar os elementos essenciais à narrativa. O que parecia uma história factível, migra aos poucos para uma espécie de lenda, muito bem construída de modo a não dar certeza ao leitor, ao mesmo tempo em que deixa-lhe várias pistas para essa compreensão.
    Uma única ressalva é com relação à fluidez da linguagem. Frases longas que tiraram o ritmo da leitura EX: “como inauguração de reforma de puteiro e churrascada embriagante no único mercadinho do lugar, meio dublê de bar, farmácia, secos e molhados. Mais molhados do que secos, que seja bem dito.”

    CRI – O texto é coeso, tem ritmo adequado e o impacto é bem bacana, marcante, em especial na associação da voz com o canto da Graúna, por mim conhecida como “Merro” no interior de Minas.

    Parabéns pelo texto.

  11. Jorge Miranda
    4 de abril de 2020

    Cantora encanta a todos com seu timbre de voz. Certa vez o prefeito da cidade descobre que ela tem mais de cem anos de idade sem parecer ter mais de sessenta. Quem era aquela senhora que cantava tão bem?
    Um texto que propicia uma leitura que flui fácil e com uma história simples que propicia bons momentos. Chamaria a atenção para parágrafos um pouco longos, mas que não comprometem a leitura. Gostei do final do conto com uma insinuação de que, de algum modo, Graúna continuará a cantar. Parabéns pelo conto e dou-lhe a nota 3,0.

  12. Elisa Ribeiro
    3 de abril de 2020

    A história de Graúna, uma cantora centenária cuja história pessoal se confunde com a história da pequena cidade Bem Distante.

    Um enredo que mistura música e peculiaridades das nossas cidades interioranas, com um quê de fantástico e uma homenagem a uma notável artista brasileira. Achei inovador.

    Achei estranho no enredo a Graúna ser apresentada como alguém que se conservou até os 120 anos com aparência de 60 e no parágrafo seguinte ser descrita como uma mulher decadente tanto artística como fisicamente, sendo que não há passagem de tempo entre as duas cenas. Essa confusão e a impossibilidade de resolvê-la na minha leitura acabou atrapalhando o impacto ao final.

    De qualquer forma, seu conto me surpreendeu positivamente pelo inusitado do enredo.

    Parabéns pela participação. Desejo sucesso no desafio e em tudo mais. Um abraço.

  13. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    2 de abril de 2020

    Resumo: a história de Graúna, a mulher cantora de todas as horas, que nunca envelhece.

    Impressões: fiquei me lembrando o tempo todo da Elza Soares, nossa cantora símbolo da longevidade. Ao vê-la cantando hoje é difícil imaginar que já estava a pleno vapor no final dos anos 1950. Nossa Elza mantém a aura de diva até hoje, felizmente, diferente da pobre Graúna, que ao ser descoberta como uma espécie benigna de Dorian Gray, vê-se acossada pela desconfiança e vítima do esquecimento de Bem Distante. O conto, claro, é uma fábula sobre o ostracismo, sobre a dificuldade que o ser humano exibe ao lidar com o inusitado, com o diferente. A vida real — e aqui eu volto ao exemplo da Elza — mostra que a resposta do público para essa longevidade pode ser positiva, ao contrário do viés soturno que emana do conto. Felizmente. De todo modo, é um texto que adota um viés interessante, verossímil (apesar da idade avançada de Graúna) e que tem sucesso ao transmitir um recado importante, que é a falta de gratidão que, por vezes, se dispensa a velhos artistas. As pessoas desaparecem, mas seu legado não, como fica claro no último parágrafo, quando a velha marchinha é soprada pelos lábios de uma criança. Bom conto.

    Nota: 3,8

  14. Fernando Cyrino
    2 de abril de 2020

    Puxa, queria votar nesse grupo para poder te dar uma nota máxima. Sim. adorei seu conto. Está realmente muito bom. Curto e grosso. Aliás, curto e leve de se ler, gostoso de se curtir. Você me fez rir com a sua Graúna. Você não desperdiça palavras. Escreve muito bem e se vê que lima, corta, recorta, e corta mais uma vez. Só o fundamental que fica. Parabéns. Eu que sou prolixo admiro demais essa arte da concisão. Abraços fraternos, Fernando.

  15. Pedro Paulo
    1 de abril de 2020

    Um conto interessante sobre o tardar do envelhecer. A escrita é sucinta, de modo que em pouco tempo se sabe muito. O primeiro parágrafo é um exemplo desse primor, pois a um tempo nos informa da relação da personagem com a cidade e as características e posição dessa personagem. Portanto, com essa introdução, já lemos a história da protagonista como se fosse a história da própria cidade. Essa agilidade narrativa aparece no único momento em que a personagem fala, quando conhecemos uma mulher que não é só famosa e cantora, mas aventurosa de nascença. Portanto, o seu fim, também escrito em poucas linhas, chega a impactar, como se a víssemos ser sufocada pelas superstições de uma cidade pequena para a imensidão dos seus anos.

    A última linha, no entanto, encerra a leitura com esperança. Poderíamos aguardar por uma reencarnação, talvez?

    Muito bom!

  16. Priscila Pereira
    31 de março de 2020

    Resumo:O prefeito descobre que uma cantora famosa em sua cidade é centenária e tem uma aura de mistério e surrealismo. Os habitantes ficam com medo e passam a evitá-la e com isso ela desaparece e renasce em uma menina.

    Olá, Chiquinha!

    O seu conto apesar de curto é bem profundo!! Imaginei que Graúna era o próprio espírito da música e que ela só sobrevivia cantando, cantar era o que fazia com que vivesse! Gostei bastante da ideia!
    O final com o renascimento de Graúna em outra criança ficou muito bom também, a música se manifesta em quem dá espaço!
    O conto está muito bem escrito, a protagonista é muito forte e emblemática e o uso do tema foi perfeito!
    Parabéns e boa sorte!

  17. antoniosbatista
    29 de março de 2020

    Resumo: Uma mulher centenária, vive a vida cantando em festas. Quando se descobre que ela tem mais de cem anos, as pessoas começam a evitá-la e ela não recebe mais convites para cantar. Ela então, desaparece. Mas não para sempre.

    Comentário: O argumento parece ser simples, mas não é. Há algo de fantástico nas entrelinhas. Além disso, a construção das frases é excelente, muito boa escrita e o final, embora não surpreenda, só podia ser aquele para dar o toque de fantasia, de fantástico, o mistério da Graúna. Acho que há um erro de digitação, mas isso é normal. Nada é perfeito nesse mundo. Eu disse acho porque não tenho certeza e poderia dissertar sobre ele, mas fico por aqui para não bancar o bobalhão e fazer lambança sem necessidade. Além disso há uma pergunta que não quer calar; por que a mulher foi ignorada pelo povo? Deveria ser o contrário, a longevidade de alguém é admirável e deve ser festejada. Poderia ter inserido outros detalhes na história com o mesmo final, ficaria ainda mais interessante pois havia espaço para mais palavras. Estou dizendo isso porquê o argumento é muito bom. De qualquer forma, um conto excelente. Boa sorte.

  18. Angelo Rodrigues
    28 de março de 2020

    Asas de graúna (Chiquinha)

    Resumo: A vida de Graúna, a idosa sem idade, que canta, encanta e, um dia some, levanta voo, vai embora. Era Chiquinha Gonzaga entre nós.

    Comentários: Conto legal. Simples, contando a história de uma mulher nascida na simplicidade que toma gosto pela vida e vive seus 120 anos. Uma homenagem a Chiquinha Gonzaga com seu “Ó Abre alas…”?
    Nesse ponto me perguntei se Graúna não seria exatamente Chiquinha Gonzaga, mas a própria música, a primeira marchinha escrita, “Ó Abre Alas”.
    Isso me levou a achar que fora a música que se personificara em Graúna e não a própria Chiquinha. Uma homenagem bonita de ler.
    Boa sorte no desafio.

  19. Regina Ruth Rincon Caires
    27 de março de 2020

    Asas de graúna (Chiquinha)

    Resumo:

    A história de Graúna, cantora negra de uma pequena cidade. Ela seria a atração principal da festa do centenário da cidade. Curiosamente, foi descoberto, através de foto, que a cantora havia participado da festa de inauguração da vila. Causou espanto porque ela, apesar de ter, não aparentava a idade de 120 anos. Não envelheceu de maneira natural.

    Comentário:

    Encontramos, aqui, um conto de fantasia. E muito poético. Poucos deslizes de escrita. Texto que prende a atenção do leitor, leitura prazerosa. Diálogos coloquiais e interessantes.

    Chiquinha, você conseguiu retratar magnificamente o envelhecer. Para mim, poesia pura. O período abaixo é um primor! Li, reli, treli… Perfeito.
    “Passou a cantar sozinha pela rua. As letras das músicas foram se confundindo, as notas musicais se atropelando, as asas perdendo as penas, a penugem brilhante sendo substituída por foscos tufos acinzentados e a voz assumiu o timbre torpe do silêncio; até que voou.”

    Parabéns, Chiquinha!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  20. Julia Mascaro Alvim
    27 de março de 2020

    Graúna vivia e cantava para os habitantes de Bem Distante. Para a festa de centenário da fundação da cidade, o prefeito pesquisou a história da cidade e encontrou uma foto da cantora. E a procurou. Ela confirmou a veracidade e discorreu sobre o acontecido. A cidade toda queria descobrir a verdade sobre Graúna. E a desvendar os mitos sobre ela também. Na festa, o povo foi rareando enquanto Graúna cantava. Até ficar sozinha enquanto cantava. e a música foi se desfazendo e ela desaparecendo. Até terminar num voo e sumir em silêncio.
    Uma estátua sua foi erguida no coreto em homenagem à cidadã desaparecida.
    Por fim, uma menina cantarola uma marchinha de carnaval.
    A história da cantora é interessante. Porém, o fato de ela desaparecer na festa e na mesma ocasião eles erguerem uma estátua sua; dá a sensação de inverossimilhança, pois não daria tempo na vida real de haverem construído a estátua, já que acabara de desaparecer. A não ser que fosse algo sobrenatural. também há esta leitura, mas fica dúbio. nota 2,5.

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 1 e marcado .