EntreContos

Detox Literário.

A vizinha (Rodrigues)

Ela tinha cabelos longos. Estava sempre com uma xícara de café, parada no alpendre. Eu ouvia conversas e risadas vindas de sua casa, embora não houvesse movimento. Pela noite, a vitrola ressoava alto. Sombras de dança.

Foi quando eu passei por ali, ali pela frente, voltando da padaria com meu maço. Mendigos mexiam o lixo do sobrado. Pegavam tudo o mais depressa possível temendo que alguém aparecesse. A impressão que era de que um jantar quase inteiro fora desperdiçado.

Esperei que fossem embora e passei pelos detritos. O sol batia quente e já era possível ver os primeiros insetos se aproximando. Um brilho explodia embaixo de um papelão. Abaixei e puxei, era uma bandeja de prata amarrada em alguns papéis. O reflexo amarelo flutuava bêbado pela fachada da casa. Uma das cortinas da frente se mexeu e, assombrado, fui embora.

Em casa, limpei a bandeja com álcool, depois a deixei separada junto aos papéis, para que secassem. Horas depois, retornei aos objetos. Meu interesse maior era em uma espécie de livreto, agora ressecado, cheio de manchas e borrões. Era um catálogo de produtos populares: eletrodomésticos, móveis e quinquilharias. Na últimas páginas havia uma seção intitulada “Discos para a Família”.

Observei marcações à caneta, alguns discos circulados, outros marcados com um X como se alguém os escolhesse. Enquanto folheava, uma frase escrita à caneta vermelha no rodapé de uma das páginas me chamou a atenção: “Eu só quero que você me ame”. Parecia ter sido escrita por alguém que tremia muito. Anoitecia.

Tomei um banho e fui para um quiosque qualquer. Havia um aconchegante: a iluminação vermelha e fraca subia como um véu revestido pela fumaça dos incensos. Um lugar esotérico. Acendi um cigarro e caminhei pelas mesas. Bebi várias doses e perdi a noção do tempo. Uma moça com uma mecha rosa no cabelo chamou minha atenção, mas estava acompanhada. Solitário, peguei o caminho de casa.

A bebedeira deixou meus passos pesados, me perdi pela vila. Comecei a cantar, embriagado e sem rumo. Por sorte, desemboquei na minha rua. O sobrado da vizinha projetava uma sombra: faca apontando para o asfalto. Apertei o passo evitando encarar o local.

Acordei ressacado. Ainda era manhã, eu não tinha descansado o suficiente, e a casa da vizinha já cantava. Pela minha janela, via os muros cheios de musgo, a tinta branca descascada das estruturas. Nenhum movimento, exceto pelo jogo que o vento fazia com as cortinas. O volume alto das canções melancólicas perturbava. Era bom. Eram músicas como essas que todo mundo já ouviu em algum lugar, mas que ninguém consegue lembrar o nome.

Tomei um café e saí em passos rápidos na direção daquele sobrado. Bati na porta dela e nada. Após um momento, uma voz veio dos fundos da casa. “Já vaaaaaaaai”. Fiquei aguardando, ansioso.

Ela abriu e me encarou. Tinha os cabelos amarrados atrás do pescoço, olhos pretos e acolhedores. As bochechas formavam sombras circulares sob seu olhar. Nariz grande e pontiagudo, a testa escondia-se entre os fios suados da franja.

– Está querendo me pedir alguma coisa, garoto? – disse-me e deu uma risada.

– Na verdade, eu queria que…

Mas não tive coragem de reclamar.

– Ah, já entendi o que você quer – disse ela, antes de subir as escadas.

Então o som foi diminuindo aos poucos até sumir. “Estava muito alto, né? Desculpa, eu me esqueço da vida quando escuto essas músicas. Me esqueço da vida em absoluto”.

Agradeci e esperei que ela me mandasse embora. Algo me mantinha parado ali. Elogiei seu bom gosto cantarolando o trecho de uma canção recorrente: “Praia branca, tristeza, mar sem fim…”.

– Você é muito gentil.

Então me convidou para entrar.

– É tão novo para conhecer essas músicas… – ela emendou.

– Na verdade eu não conheço. Mas você ouve tanto essa que eu meio que decorei uns trechos.

– É da Elizeth Cardoso.

– Conheço só de nome.

O corpo da mulher exalava um aroma familiar. Cheiro de roupa guardada por muito tempo, como as minhas. Pediu-me para aguardar na sala enquanto preparava um café na cozinha. Voltou com duas xícaras em uma bandeja, colocou uma delas à minha frente, na mesinha de centro.

– Açúcar ou adoçante?

– Açúcar, por favor.

Bebemos em silêncio. Ela levou a bandeja com as xícaras vazias. Algo estourou no chão. Levantei para auxiliar no que fosse. A mulher estava agachada, e pude notar a parte de cima de seus seios. Agachei ao seu lado, ajudando-a na caçada aos caquinhos.

– Você é bem bonitinho, sabia? – ela disse.

Meus joelhos fraquejaram e me inclinei para frente. Ficamos bem próximos. A cada vidro retirado, por vezes, nossas mãos se tocavam. Foi quando ela disse.

– Eu tenho sessenta e um anos.

– Parece bem mais nova.

– Você desvia o olhar, hein?

– Eu não estou olhando nada.

– Está sim. Mas você finge não olhar. Sabe por quê? Porque eu sou velha, certo? E você acha que me deve respeito…

Fiquei sem reação.

– Você olha pra mim nessa roupa, o que você acha que eu sou? Acha que eu não posso gostar de música, que eu sou uma velha antiquada.

– Não, eu não pensei nada disso – respondi.

– Não pensou, mas sentiu!

– Eu…

– Você acha o quê? Que eu não posso gostar de música? Deve achar também que eu não tenho vontade de fazer sexo!

– Mas…

– Ora! Pergunta pra sua mãe se ela não gosta de sexo. Não é porque eu passei dos sessenta que eu não sinto vontade de foder. De foder, é! Isso mesmo que você ouviu! De sentir um pinto dentro de mim. Até a sua avó gosta de pinto, se quer saber! Você quer olhar isso aqui? Então olha!

Tirou a blusa e beijou a minha boca. Nos entrelaçamos, cada pedaço do corpo, e fomos agarrados até um cômodo minúsculo. Comecei a cheirar seu corpo todo. Ela me colocou deitado no chão, então desceu as calças até os joelhos, puxou meu pinto para fora com avidez e depois sentou por cima de mim. Suava e ofegava, deslizava as mãos nos azulejos. Depois de um grito, caiu ao meu lado. Fiquei ali, beijando-a e me masturbando até gozar em seu quadril.

Ela se levantou e subiu as escadas. Depois de me recompor, ouvi barulho de chuveiro. Ajeitei meu cabelo no espelho, lavei o rosto e voltei para casa. Tentei relaxar, ler alguma coisa, mas não conseguia manter a concentração, o cheiro da vizinha, por vezes, passeava pelo meu nariz, e então o gosto bom e amargo daquela boca voltava.

No dia seguinte, fiquei todo o tempo sentado no sofá, à frente da janela que dava vista à casa dela. Lia o jornal e tomava café, cheirava o sexo ainda presente nos dedos, aguardando por alguma movimentação. Fiquei pensando sobre o fato da minha avó gostar de pinto, minha bisavó gostar de pinto ou boceta ou quem sabe os dois juntos. “Que sujeitinha incrível!”.

Sai das divagações quando dei de cara com o apresentador do programa policial gritando e rindo ao mesmo tempo. Uma situação deprimente. O vento entrava gelado, com um cheiro bom, resolvi dar uma caminhada. O quiosque estava vazio, somente alguns casais. Peguei uma mesa e pedi somente uma cerveja para relaxar. Observava a praia, alguns cachorros faziam uma farra. O céu estava rosado e expandia-se por tudo. Paguei a bebida e caminhei por um tempo, mas eu estava realmente inquieto e resolvi voltar.

Lá estava o sobrado da vizinha me desafiando novamente, projetando-se à rua como um convite obscuro. Ao contrário das outras vezes, passeei lentamente pelo breu. Então senti cheiro de cigarro vindo de algum lugar.

Subi a escadinha de madeira do alpendre, ouvindo estalos. A cheiro da fumaça tornava-se mais forte e queimava meus olhos. Apalpei o braço do sofá velho que ali era mantido há tempos, corri as mãos pela superfície. Estava vazio, sentei-me. A nicotina fantasmal caminhando ao meu redor. Senti algo me tocar. Sai do sofá e subi na cerca de madeira que dava para a calçada, saltei e trotei para casa. Logo que entrei, uma música alta ressoava:

“Praia branca, tristeza, mar sem fim

Lua nova, mulher, pobre de mim”.

Dessa vez não foram somente as canções. Vozes, vozes que já me eram até familiares, de homens e de mulheres, gritos e risos de crianças. Algo muito esquisito.

Dormi bem pouco, o barulho intermediava meus sonhos e me confundia. Busquei um afastamento mental ao me masturbar, mas o gosto da vizinha volta e meia mordia minha língua. Me senti um idiota. Voltei a observar o sobrado por trás das cortinas semi abertas. Uma luz azulada brotava de um dos cômodos. Aquilo me hipnotizou. Foi quando me peguei marchando de forma robótica na direção do sobrado.

No alpendre não havia mais sofá e a porta estava entreaberta. Preocupado, bati algumas vezes, mas ninguém aparecia. Não esperei mais e entrei. Tudo estava vazio. Era como se tivessem saqueado a casa, deixando apenas alguns pertences esquecidos pelo chão.

Passei pela cozinha, não havia geladeira ou fogão, apenas a mesa, comidas e panelas espalhadas pela pia. Fui pelo corredor, observando outros cômodos, todos vazios.

Subi as escadas. A luz azulada vinha pela fresta da porta de um quarto fechado. Bati. “Quem é?”. “É o vizinho”. “Entra!”. Estava sentada em uma banqueta, fumava um cigarro iluminada pelas imagens mudas que vinham do tubo de uma TV.

Alguns homens carregavam um vaso no quintal enquanto o operador de câmera – um garoto que aparentava nove anos – oscilava entre filmar seu rosto e o resto da casa. As imagens passavam tremidas pela cozinha e pelos quartos, focando nos passantes do lugar: mulheres e garotinhas em vestidos de festa que desapareciam como vultos a cada frame.

Um close nas plantas espinhosas do jardim, os homens terminavam de mudar o vaso, espadas-de-são-jorge, alecrins… Após um corte, o vídeo apresentava a vizinha ao lado de um homem que segurava uma criança. Aparentavam estar na casa dos 40. A criança olhava de um para o outro, parecendo indecisa sobre em qual colo ficar. Parecendo feliz.

A vizinha pausou o vídeo. Pediu que me sentasse no chão, ao seu lado. Empunhou uma garrafa e passou para mim. Puxei a cortiça e dei um gole longo. A coisa era forte. Chacoalhei a cabeça e pigarreei.

– Beba mais, é o que sobrou.

– O que aconteceu?

– Nada de mais, garoto.

– Sua casa, sua casa está sem móveis, sem quase nada.

– Achei que não fosse notar.

– Está brincando?

– Herdei uma porção de dívidas. Acho que essa foi a forma de pagá-las. E só não me levaram porque nesse estado eu renderia alguns centavos.

– Você não é deste mundo!

– Já ouvi isso, muito.

– Quando entrei aqui e vi a casa assim… Senti um aperto.

– Pensou em quê?

– Achei que você tinha sumido também.

Ela me puxou. Ficamos nos encarando por um tempo. A vizinha tirou a blusa e comecei a cheirar e lamber seu corpo. Posicionei a mão no meio das suas pernas, e ela as fechou, pressionando as coxas contra os meus dedos. “Até os fantasmas gostam de foder”, ela disse.

19 comentários em “A vizinha (Rodrigues)

  1. Eneida Ferrari
    11 de abril de 2020

    9) A vizinha
    Homem observa sobrado ao lado onde mora mulher de 61 anos. Vai lá e faz sexo com ela. Gostou. Voltou e fez de novo.
    Análise: Bom português. Bem escrito. O encontro do casal não traz beleza, é rústico, comum. História meio louca, sem sentido, eu tenho até dificuldade de fazer um resumo.

  2. Rafael Carvalho
    11 de abril de 2020

    Fantástico, sem mais!

    Todo o conto em si está muito bem escrito, passa de uma de Drama, à Hot, voltando a Drama e terminando com um Suspense de forma muito bem costurada e inteligente.

    Não achei erros gramaticais, de pontuação ou coisas do gênero, mas esse não é nem de perto meu forte! 😛

    Não sei se foi proposital, mas a palavra Fantasma no final pode dar uma colocação tanto real quanto metafórica, que abrilhanta ainda mais o texto.

    Parabéns pelo conto, boa sorte!

  3. sergiomendessola
    11 de abril de 2020

    9. A vizinha (Sopro)

    Eu me esqueço da vida… a vida de um garoto/homem passando na vida de uma mulher já velha/fantasma… aconteceu ou foi só um esquecimento da vida?

    Boa escrita, um muito bom tema.

    Pontuação: 3,5

  4. Ana Carolina Machado
    11 de abril de 2020

    Oiiiii. Um conto sobre um rapaz e o relacionamento sexual que iniciou com sua vizinha idosa. O relacionamento começa como por um acaso, quando após ele acordar de ressaca, vai até a casa dela devido a música alta. Ela acaba o convidado para entrar e os dois acabam tendo relações um pouco depois dela falar que ela ainda tem desejos e que até a avó dele tem desejos . O rapaz fica marcado pelo que aconteceu é como se o cheiro da vizinha ficasse no nariz dele e o gosto na boca . No fim ele volta a casa e estranha está sem móveis, como se tivessem saqueado o local. No término os dois se preparam mais uma vez para fazer amor e pelo que entendi fica no ar o mistério dela ser um fantasma ou não, talvez por isso a casa praticamente sem móveis. Fiquei com essa dúvida se ela era um fantasma ou se era real, acho que poderia ter colocado mais algumas dicas sobre isso. Gostei de como o conto levantou uma reflexão sobre um tema tabu que é a sexualidade na terceira idade, mostrou que desejos não envelhecem como o corpo. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  5. Bia Machado
    10 de abril de 2020

    Resumo: Jovem se sente atraído pela vizinha, bem mais velha do que ele. O rapaz vai até a casa dela e os dois acabam se envolvendo sexualmente.

    Desenvolvimento do Enredo: Gostei de algumas partes do texto, de outras não, por achar um tanto lentas, ou talvez por não terem me envolvido muito.

    Composição das personagens: Gostei da composição delas. Seja autor ou autora, soube diferenciar bem o jovem da mulher.

    Parágrafo inicial: Já começa com uma cacofonia (ela tinha), também tem um “que” sobrando por ali… O primeiro parágrafo é, pra mim, o mais importante, deveria ter um cuidado maior na revisão. Dizem que é mais interessante quando se começa um texto, um conto no caso, por uma ação. Se levarmos isso em consideração, seria mais bacana começar ali, no segundo parágrafo. Acho que até criaria um interesse maior a respeito do que se vai ler. A descrição de como é a vizinha poderia ficar para outro trecho.

    Finalização: Aqui eu me perdi todinha, não sei se o que pensei é realmente o que mostra o texto, com aquela fala da mulher sobre “Até os fantasmas…”, então ela era fantasma? Os dois eram? Ou nada a ver, eu que entendi errado mesmo? De qualquer forma, gostei do texto levando todos os aspectos que coloquei aqui.

    É um texto que depois de alguma reorganização ficaria ainda melhor. O melhor dele é a narração em primeira pessoa.

  6. Claudinei Maximiliano
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um garoto passa defronte a casa da vizinha e fica observando a velha moradora. Certo dia sentiu-se incomodado com a música alta e repetitiva que a mulher ouvia, e ele decidiu ir até sua casa reclamar do barulho. Chegando lá, começou a conversar com a mulher, beberam café e depois transaram. No dia seguinte voltou à casa e, então descobriu se tratar de uma mulher já falecida.

    Comentários: Conto bem escrito, com gramática impecável, mas no meu entender não se adequa ao tema proposto. Está mais pra um sabrinesco fantasmagórico. A forma empregada na narração me parece, às vezes, confusa, prejudicando a leitura.

  7. Pedro Paulo
    10 de abril de 2020

    Uma história de paixão, mas com uma reviravolta!

    Muito bem. Este é um conto em que tudo sucede rapidamente, o estabelecimento da solidão do personagem, a atração quase sobrenatural exercida pelo sobrado e, de imediato, a química entre ele e a vizinha, cada linha de interação deles aprofundando o interesse mútuo. Quando transam, consuma-se algo que o leitor já esperava, mas, acertadamente, o leitor também vê que não para por aí e, de fato, as linhas seguintes exploram muito bem o impacto do caso na vida do protagonista, que não deixa de pensar nela. O reencontro final não é como esperávamos e aí que há a boa sacada, pois em uma história ordinária, o protagonista superaria seus preconceitos e abraçaria a possibilidade de uma relação com a vizinha, mas não… não é uma vizinha comum, afinal. A última linha conclui a estranheza presente nos últimos momentos da leitura, explicando completamente e surpreendendo ao mesmo tempo. O “momentum” foi construído muito bem, parabéns!

  8. Jorge Santos
    8 de abril de 2020

    Este texto é um cruzamento de vários temas, desde o Envelhecer ao Sabrinesco e com uma incursão pelo sobrenatural. Nele, um homem novo tem um caso com a vizinha de 61 anos. Posteriormente ele regressa à casa e vê que estão a retirar os móveis. Mesmo assim, ele tem relações com ela, que é agora um fantasma. Esta foi a leitura que eu fiz. O texto é pouco explícito no final. Lido bem com textos que fiquem em aberto, mas fiquei algo desconfortado. A ideia da solidão e da sexualidade na terceira idade é forte e está bem retratado no texto. O autor lida bem com o erotismo, mas fiquei com a sensação de que o texto, embora não contendo erros gramaticais gritantes, poderia ter sido mais cuidado.

  9. Paula Giannini
    7 de abril de 2020

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo: Jovem conhece a vizinha idosa e tem com ela um relacionamento
    amoroso.

    Escrito em primeira pessoa, o ponto forte desta narrativa são as impressões sensoriais que ele provoca, e, falo aqui, especificamente daquilo que se convencionou chamar de cheiro de velho. Há toda uma construção neste sentido e, da música ao ambiente criado como cenário, tudo colabora para a criação desta sensação no(a) leitor(a). Tal sensação culmina em um tipo de desconforto subconsciente com a cena de amor do casal, não pela diferença de idade em si, mas, pela imagem que se constrói previamente da velha senhora vizinha.

    Se eu puder fazer aqui uma sugestão, seria a seguinte: para que, ao final, a possibilidade aberta de a vizinha ser um fantasma seja ainda mais instigante, eu suprimiria os personagens “homens que levam a mudança”. Eu não mexeria em nada mais, a história das dívidas, as coisas que somem, tudo, só cortaria os tais homens, criando, assim, uma interrogação maior no(a) leitor(a), acerca da identidade sobrenatural da personagem central. Isso, porém, é apenas uma sugestão de leitora, que em nada influi na qualidade do texto. 😉

    Parabéns por seu trabalho.

    Beijos
    Paula Giannini

  10. Fabio D'Oliveira
    7 de abril de 2020

    Resumo: Um jovem fica intrigado pela vizinha, uma senhora de idade, que vive dando festas e ouvindo músicas altas. Mas, ao se aproximar demais, é capturado por seus encantos.

    Olá, Sopro.

    Que conto sensacional, rapaz… Sério, fiquei hipnotizado durante a leitura. Uma espécie de transe, do tipo que gosto. Seu texto tem gosto de mistério. E amo isso. Não tenho nada que some, pois, para mim, ficou perfeito. E, além disso tudo, é um escritor famoso, abordando temas que, com certeza absoluta, irá incomodar muitas pessoas, hahaha.

    Somente o tema que, infelizmente, não possui uma presença tão forte no conto. Faltou aprofundamento, ficando apenas na questão: velhos também gostam de trepar. E o final, revelando a surrealidade da situação, enfraquece ainda mais o tema. Não se trata da velhice ou processo de envelhecimento.

    Enfim, por causa disso, e somente isso, que não irei dar nota máxima. Mas deixo aqui meus parabéns para ti! E obrigado, claro, pela leitura deliciosa.

  11. Rubem Cabral
    7 de abril de 2020

    Olá, Sopro.

    Resumo da história: rapaz tem uma vizinha idosa que costuma escutar antigos sucessos a todo volume. Certo dia, incomodado com o volume da música, o rapaz bate à porta da senhora, que parece menos velha que ele pensava, e esta lhe oferece um café e o seduz. Dias depois, o rapaz nota uma movimentação no apartamento da vizinha e quando lá chega descobre que a maioria dos bens dela foi levada. Eles bebem e fazem amor outra vez. Um comentário da senhora, sobre fantasmas fazerem sexo, insinua que talvez ela seja um fantasma também?

    É um bom conto, com descrições muito bem feitas, com cores e cheiros e sensações. Os personagens estão bem desenvolvidos no curto espaço disponível, e os diálogos estão bem naturais tbm.

    Boa sorte no desafio!

  12. Paulo Luís
    5 de abril de 2020

    Resumo: Vizinho se incomoda com acontecimentos na casa vizinha a sua, até que decide por visitar a moradora. Eureka! Descobre que a mulher é uma senhora sessentona, e que estava muito a fim de fazer sexo. E passa a questioná-lo sobre os pensamentos convencionais de achar que idoso não gostam mais de sexo. Culminando com um final surpreendente.

    Gramática: A leitura decorre fluentemente, exceção feita a este pequeno deslize “A cheiro”, que deveria ser” O”. No mais sem problemas aparente.

    Avaliação: Um ótimo conto ao retratar uma situação que parecia ser apenas 1+1, ao sair fora do lugar comum. Pondo em cheque velhos conceitos. Uma mulher de sessenta anos que diz o que deveria estar na cartilha para todas. O enredo ainda trabalha a condição da hipotética submissão da mulher na questão da iniciativa da abordagem. E para coroar, um desfecho que surpreende com maestria, o transformando num conto de terror. Faço apenas uma ressalva: O autor (a) deveria ter aproveitado a riqueza do achado do enredo e ter explorado mais aquilo que era o mote principal da narrativa. Não ter desperdiçado com cenas fora do contexto; a cena da bebedeira no quiosque, por exemplo. Mas isso é apenas uma visão de leitor, em verdade quem manda na obra é o autor(a). Um bom trabalho, sem dúvida.

  13. Catarina Cunha
    3 de abril de 2020

    Resumo — Homem solitário é atraído por um intrigante sobrado onde reside uma idosa misteriosa. Eles transam e ele não resiste ao charme fantasma.

    Técnica — Muito boa. O suspense é bem amarradinho e a narrativa fluida.

    Trama — Uma trama simples para uma complexa personagem. Poderia ter explorado mais o potencial dela.

    Impacto — “Busquei um afastamento mental ao me masturbar, mas o gosto da vizinha volta e meia mordia minha língua.” Assim nascem as grandes paixões.

  14. angst447
    1 de abril de 2020

    RESUMO:
    Rapaz ouve música, conversas e risadas vindas de uma casa vizinha a sua, embora não perceba qualquer movimento. Um dia, descobre meio ao lixo uma bandeja de prata amarrada em alguns papéis. Em uma das páginas há a mensagem “Eu só quero que você me ame”. Resolveu bater na porta da vizinha e ela o atende, desculpando-se pelo som alto da vitrola. A mulher revela que tem 61 anos. Os dois transam. Ele fica com o pensamento fixo na misteriosa vizinha e passa pela casa novamente, desta vez sente cheiro de cigarro, mas não há ninguém ali. Só ouve a música e vozes que já lhe eram até familiares, de homens e de mulheres, gritos e risos de crianças. Volta para casa e dorme. Quando retorna ao sobrado,repara que não existe mais um sofá no alpendre e parece que a casa havia sido saqueada. Sobe e se depara com a senhora fumando e assistindo a um vídeo sem som – que mostrava uma família, ela com cerca de 40 anos acompanhada pelo marido e um bebê de colo. No final, ele confessa seu medo de não mais a encontrar ali e ela revela que é um fantasma.
    __________________________________________________________________
    F  Falhas de revisão  Esta é a parte que menos importa na minha avaliação. Só para constar mesmo. Há alguns deslizes, mas que podem ser consertados sem problemas. Por exemplo:
    > Ela tinha cabelos longos (cacofonia = latinha) > Tinha cabelos longos. (dá até um ar de mistério interessante)
    > com o meu maço > meu maço do quê?
    > marcações à caneta > marcações A caneta (sem crase)
    I  Impacto do título Título simples, que não entrega o teor da trama.
    C  Conteúdo da história  O(a) autor(a) tentou criar um clima de mistério, caracterizando a personagem da vizinha como uma mulher misteriosa, mas ousada, com uma atitude fora do padrão da velhinha-fofa-que-lembra-minha avó (embora 61 anos seja pouca idade para ser considerada hoje em dia como alguém idoso). Também foi uma escolha arriscada usar uma linguagem mais chula para o diálogo entre os personagens. Talvez a intenção tenha sido de impactar o leitor. Ou revelar que a senhora era assim mesmo, bem desbocada. Enfim, há quem goste disso, dessa falta de sutileza e que vá direto ao ponto. Fiquei em dúvida se o menino que filmava as cenas na casa tinha alguma relação com o protagonista do conto.
    A  Adequação ao tema  Não é o tema principal do conto, que me parece mais voltado à fantasia/quase terror, mas o “envelhecer” aparece no sobrado, nas memórias, e no passar de tempo evidenciado pelo vídeo.
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    E  Erros de continuação  Não há propriamente erros de continuação, mas faltou conduzir melhor o leitor para o entendimento da relação entre o rapaz e a vizinha. Deixou muitas possibilidades em aberto – seria ele também um fantasma? Ele estava sob efeito do álcool ou de drogas? Há insinuação de incesto?
    M  Marcas deixadas  Uma sensação de querer saber mais sobre a vizinha, mas principalmente sobre o rapaz… Ficou no vácuo.
    ____________________________

    C  Conclusão da trama  O desfecho da narrativa faz pensar que a vizinha é um fantasma ou que ambos são fantasmas se relacionando em uma experiência fora do corpo.
    A  Aspectos quanto à originalidade do conto  Não chega a desenvolver uma ideia original, mas sai do padrão já esperado.
    S  Sugestões  Deixar o protagonista mais próximo do leitor, dando-lhe uma caracterização que o torne mais real para contrastar com a vizinha fantasma (se for o caso de só ela ser um fantasma). As passagens que ele vai ao quiosque e bebe não acrescentam nada à trama.
    A  Avaliação final  Conto que revela esforço do(a) escritor(a), mas que pode ser um pouco melhor trabalhado. Bom potencial.

  15. Fernando Cyrino
    1 de abril de 2020

    Olá, Sopro, aqui estou eu às voltas com a sua vizinha. Você me fez lembrar antigas histórias a la Carlos Zéfiro que eram consumidas pelos jovens de antigamente. Traz-me aqui no desafio um conto sabrinesco. Mas não uma história de amor com sexo, mas mais uma pura história de sexo. Uma vizinha acostumada a escutar música antiga em volume alto e que recebe, para reclamar do som o tal vizinho da vizinha, o nosso herói. Só um café e já partem para os finalmentes. Ele, embriagado pelo acontecido, retorna depois e vê que a casa está praticamente vazia. E ele sempre escutava vozes, que já lhe eram familiares, de adultos e crianças, apesar de a casa não ter movimento. Meu amigo, achei que seu conto ficou me devendo. Senti falta de um enredo mais elaborado. A história está tem horas meio truncada e até chegou a me confundir. Algumas imagens que você usou me causaram estranhamento, tais como “Um brilho explodia embaixo de um papelão”, como estava debaixo do papelão tive dificuldades de formar na mente a imagem dele brilhando. “O sobrado da vizinha projetava uma sombra: faca apontando para o asfalto”. Além do estranhamento, eu confesso que fiquei sem entender. “O volume alto das canções melancólicas perturbava. Era bom”. Outra dificuldade, se perturbava não podia ser bom. Isto além de algumas falhas que uma rápida revisão serão capazes de consertar. Pareceu-me, Sombra, que você não teve o tempo necessário para trabalhar a narrativa. Que a data fatal foi chegando e que optou por participar sem ter burilado a história. E, claro, ela tem potencial. E você sabe escrever bem. Tenho certeza que no próximo desafio estarei aqui encantado com uma nova história que você irá me apresentar. Meu abraço fraterno.

  16. Inês Montenegro
    26 de março de 2020

    O narrador vai conhecendo aos poucos a vizinha, uma idosa com quem acaba por se envolver a vários níveis. No entanto, o que ao início ia acontecendo aos poucos, tornou-se apressado a partir do momento em que o narrador entra pela primeira vez em casa da vizinha, o que leva a reviravoltas abruptas e a diálogos pouco realistas no contexto em que se encontram. A relação entre o narrador e a vizinha não convenceu por carecer de bases, e a própria construção das personagens ficou aquém pela sua superficialidade. A nível narrativo, o abuso no suo das frases curtas acabou por criar uma leitura “aos solavancos”, e por esbater a (presumível) intenção de destaque. O final é a mais-valia do conto, beneficiando de uma maior exploração e desenvolvimento.

  17. cgls9
    26 de março de 2020

    Um jovem com muito tempo livre, aparentemente, tem sua atenção tomada pela marcante presença de uma vizinha, sua aparência lhe encanta e as canções, que ouve em alto volume, se tornam a desculpa para que ele vá procurá-la, sem muita cerimônia, eles passam do chá para uma intensa relação sexual. E ele sai da casa com um aprendizado: os velhos também “trepam”! Num segundo momento, ele retorna e percebe que a casa está mais deteriorada, os móveis se foram, mas isso não é empecilho pra o tesão e e eles iniciam uma nova transa. É quando a vizinha se revela, dizendo que “Até os fantasmas gostam de foder”.

    Considerações:
    Um ou outro pequeno deslize na digitação e na gramática, coisas besta! Fato que eu, não tenho nenhuma autoridade para criticar, visto que eu sou o rei de fazer isso daí, como diria o nosso presidente! Teu conto meu (minha) querido (a) autor (a) é magnífico, o que me incomodou é que mesmo considerando que a fantasminha camarada seja uma senhora sexagenária, me pareceu um pouco fora do tema do desafio – envelhecer. O ponto de vista do rapaz ressalta mais descobertas juvenis que uma reflexão sobre a velhice. Embora a casa deteriorada, as canções antigas, a alusão aos tempos de memória… tá vendo como seu conto é instigante? parabéns por esse trabalho e boa sorte!
    PS. “O gosto da vizinha volta e meia mordia minha língua”. É bárbaro!

  18. Cilas Medi
    25 de março de 2020

    Olá Sopro (de vida?)
    Um homem, sem rumo, solitário, vivendo e aprendendo a conviver consigo mesmo, mas, ao mesmo tempo, procurando encontrar algo ou alguém que preencha o seu vazio existencial. Encontrou, na varanda da casa vizinha, essa oportunidade. Mesmo ressabiado, tímido, após uma bebida, fez amor com a mulher, firme nos seus sessenta e um anos e pronta para o sexo. Gritando por ele.
    No texto, acredito, encontrei um erro de revisão: “O sobrado da vizinha projetava uma sombra: faca (fraca e não faca?) apontando para o asfalto”
    O final, igualmente simples e direto na continuidade do sexo, não representou mais nada e, aparentemente, repetiu os passos para atingir a quantidade de palavras exigidas como “até” e não propriamente “obrigatória”. Ficou forçado.
    Boa sorte no desafio.

  19. Fheluany Nogueira
    24 de março de 2020

    O protagonista é intrigado pelos sons da casa vizinha. Vai reclamar do som alto e acaba por ficar fascinado pela mulher mais velha, suas ideias, sua música e seu sexo.

    Textos em primeira pessoa trazem mais credibilidade e intimidade e neste houve uma real invasão da privacidade. Casos entre vizinhos são recorrentes em filmes e livros, mas aqui está com uma roupagem nova.

    A idosa do conto tem um estilo de vida um tanto incomum, e ficou interessante que o contato entre os personagens se desse pelos sons vindos da casa e outras sensações. O tom de nostalgia, consequente do tema escolhido, está mais difuso no texto. A narrativa desenha muito bem no imaginário do leitor, o que quer passar, apesar de alguns trechos confusos que pediram uma releitura.

    O desfecho não traz impacto ou reviravolta, mas dá consistência ao conjunto. A última frase caiu muito bem — “Até os fantasmas gostam (…)” — e até gera uma dúvida: a velhota existia mesmo?

    Parabéns pelo trabalho bem humorado e boa sorte. Abraço.😍

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Informação

Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 2 e marcado .