EntreContos

Detox Literário.

O Legado da Medusa (Antonio Stegues Batista)

 

Fiquei dias internado num hospital. Passava horas sentado numa cadeira de rodas, olhando o céu através de uma janela. Os médicos disseram que eu precisaria de muitas cirurgias plásticas e fisioterapia para voltar a ter uma aparência agradável e recuperar, em parte, os movimentos das mãos e pernas. 

Depois que retiraram as ataduras, evitei de me olhar num espelho. A pálpebra esquerda estava disforme, grudada na parte de baixo, havia cicatrizes nas faces, a boca repuxada para um lado, os cabelos queimaram quase que por completo e os médicos rasparam o que restou.

Minha aparência era horrenda, mas não é tão ruim quando você descobre a tua verdadeira essência. Vou contar como tudo aconteceu:

***

Tive duas decepções na mesma semana. O comentário da analista de artes plásticas, Violeta Gilliard, na revista Acrópole, me deixou arrasado. Joyce completou a desgraça quando me telefonou, marcando um encontro na cafeteria. Pelo tom de voz dela, desconfiei que alguma coisa tinha acontecido. Cheguei primeiro, estava lá, sentado no nosso canto predileto, relendo o artigo da Violeta, quando ela chegou, sentou-se e foi direto ao assunto.

 ─ Acho melhor dar um tempo em nosso relacionamento, Dan.

Fiquei calado por alguns instantes, decifrando a mensagem.  ─ Está querendo terminar o nosso relacionamento, porque está gostando de outro homem?

─ Não tem nada a ver com outro homem. Você mudou muito de uns tempos para cá. Não aguento mais!

─ É que eu ando irritado com os comentários da Violeta Gilliard. Veja o que ela escreveu desta vez. – abri a revista na página do artigo e li: ─ “Danilo Giordano nos apresentou uma pintura completamente insipida, medíocre. Suas obras parecem rabiscos de criança, sem formas, sem nem mesmo uma linguagem visual. Danilo Giordano regrediu ao primitivismo “. É claro que não gostei dessa crítica e até estou pensando em parar de pintar, tamanho é o meu desgosto.

─ Não, não! Você mudou. De romântico, sereno, atencioso, foi se tornando rude, irritado e violento…

─ Nunca fui violento com você, Joyce!  

Ela se levantou, empurrando a cadeira para trás. ─ Vamos dar um tempo. Eu vou viajar.

─ Viajar? Sozinha? Para onde?

 Joyce simplesmente meneou a cabeça e foi embora. Fiquei lá, olhando para a porta por onde ela desapareceu, sem forças e coragem para ir atrás.  Mesmo que eu fosse, não iria adiantar. Quando Joyce tomava uma decisão, não tem nada nesse mundo que a faça desistir.                                                                   

***

O barulho de carros na rua, atravessava as paredes. Martelava meu cérebro. A cabeça doía, pulsava. Me levantei da cama, fui ao banheiro pegar um analgésico no estojo. Não queria pensar em Joyce, tampouco me preocupar com a crítica destrutiva de Violeta. Naquele instante decidi me mudar para um lugar tranquilo. 

Uma semana depois, aluguei uma cabana no meio de um bosque, achando que em contato com a natureza pudesse ter boas inspirações para pintar e esquecer Joyce. 

O lugar era tranquilo, eu ficava sentado na varanda, escutando o farfalhar das folhas sacudidas pelo vento e dos galhos estalando lá no alto. Ocasionalmente um pássaro cantava. Descansava algum tempo, bebericando meu Martini e depois voltava ao trabalho. Pintei uma série de telas inspirado na mata e seus sons, imaginando seres fantásticos nos recantos sombrios, personagens noturnos vagando por trilhas escuras. Tentei construir uma linguagem visual de que tanto Violeta Gilliard falava.

Telefonei para Douglas Barney, proprietário da galeria de artes Cosmos Arte e mandei uma foto das obras. Douglas ficou entusiasmado com as pinturas, ele era um expert, sabia reconhecer um bom trabalho, sabia quando podia ganhar uma boa porcentagem. Afirmou que uma exposição seria bastante lucrativa. Disse para nos reunirmos no escritório dele para tratarmos de todos os detalhes da exposição. 

Antes de encaixotar os quadros e leva-los para a cidade, resolvi dar uma caminhada de manhã cedo, como fazia todos os dias. Naquele dia algo estranho aconteceu. Caminhava eu por uma trilha, quando avistei alguém entre as árvores. Era uma mulher jovem, usando um vestido bege e uma correntinha com uma pedra verde no pescoço. Cumprimentei-a.

– Olá! Bom dia!

Ela esboçou um sorriso, acenou com a mão, pedindo que a seguisse. Fiquei meio desconfiado, achando que estava para cair numa armadilha. Com cautela a segui. Mas ela sumiu entre as árvores. Procurando a mulher, cheguei aos escombros de uma habitação numa clareira. As paredes fuliginosas que restavam em pé, indicavam que houve um incêndio no local. O teto havia desabado com o fogo.  Como não vi mais a mulher, resolvi voltar e foi quando notei algo brilhante numa fenda entre a lareira e a parede.

Era uma correntinha de ouro, com um pingente verde. Percebi que havia algo mais na rachadura. Meti o braço e puxei devagar. Era uma pasta de couro marrom, coberta de poeira e teias de aranha. Dentro, estavam dois quadros pintados à óleo, um era o de uma mulher jovem, muito bonita, usava os cabelos presos num coque e no pescoço, aquela mesma corrente com a pedra verde. E era a mesma mulher que eu vi na mata ainda há pouco.

Fiquei intrigado. Seria o fantasma da mulher que me guiou até ali para encontrar aqueles objetos? No canto inferior direito, estava o nome da autora; Isadora Rochester. Na segunda tela, a figura, completamente o oposto em termos de estética, era a Medusa, personagem da mitologia grega. A autora usou uma técnica diferente para pintar, iniciou com pincelas leves e imprecisas, progredindo em traços fortes, compactando-se para o centro, para o rosto da criatura, os olhos como brasas vivas, as serpentes em sua cabeça se agitando ameaçadoras.

***

Naquela noite pesquisando na internet, encontrei na Wikipédia, informações sobre Isadora Rochester. Ela nasceu na França em 1935. Aos 25 anos casou-se com Felipe Danglars, um comerciante de arte. Felipe morreu no ano seguinte, num incêndio ocorrido na casa onde moravam. Dizia-se que o casal pertencia a uma sociedade secreta, uns achando que era os Illuminati, outros, que era uma associação de magos e feiticeiros. Isadora escapou do incêndio por milagre, com alguns ferimentos apenas. Depois da morte do marido ela mudou-se para o Brasil. Parou de pintar em 1998, quando ocorreu um incêndio em sua mansão. Incapacitada, sofrendo com o mal de Alzheimer, seus bens passaram a serem administrados pela sobrinha, Valéria Souza Aguiar da Silva.

Uma pergunta me ocorreu. Seria Isadora, a mulher que eu vi na mata? Era muito parecida com a jovem do quadro. Já haviam se passado muito tempo desde que ela chegou ao Brasil. Teria agora, 84 anos.

Resolvendo entregar os pertences a ela, telefonei para a sobrinha.

─ Alô?

─ Valéria Souza Aguiar da Silva?

─ Sim.

─ Aqui é Danilo Giordano. Achei alguns objetos valiosos na antiga propriedade em que Isadora Rochester, morou. 

─ Pelo que eu sei, a casa pegou fogo e não sobrou nada lá.

─ Tinha uma coisa escondida. Eu aluguei uma cabana lá perto e foi por acaso que a encontrei. Eu queria marcar um dia para ir aí entregar os objetos.

─ Pode vir amanhã à tarde? Depois das 16 horas. Isadora costuma dormir um pouco depois do almoço.  

─ Combinado.

***

Valéria morava num condomínio fechado. Me identifiquei na portaria e logo depois fui autorizado a entrar. Minutos depois, bati na porta da casa, uma construção luxuosa de dois pisos.

A porta se abriu e eu fiquei surpreso ao ver diante de mim, Violeta Gilliard. Ao perceber meu espanto, ela esboçou um sorriso. ─ Violeta Gilliard é um pseudônimo. 

Me senti desconfortável. Ela deveria saber que eu comecei a detestá-la depois daquela opinião negativa sobre minhas obras. Fez um gesto para eu entrar. Meio cismado, me sentei num sofá. Coloquei a pasta ao lado enquanto ela se acomodava em outro assento. 

─ Danilo Giordano. Eu fiz críticas pesadas sobre as suas obras. Espero que não esteja ressentido.

─ Fiquei sim, um pouco magoado, mas aquilo me incentivou a aperfeiçoar o meu trabalho. Pintei alguns quadros e recebi uma opinião positiva de Douglas Barney. Ele vai me colocar numa exposição da bienal desse ano. Disse que vai convidar apenas conhecidos para a vernissage. Lamento dizer que você vai ficar de fora.

Procurei ser o mais arrogante possível e me senti ridículo. Valéria não se perturbou.

─ Que ótimo! Parabéns. De qualquer forma, eu queria escrever um artigo sobre você, para exaltar essa sua nova fase. Depois da bienal, é claro. 

─ Tudo bem.

─ O que você trouxe para minha tia?

─ Posso conversar com ela? 

Valéria saiu da sala e voltou logo depois com a idosa numa cadeira de rodas.

 ─ Você deve saber que ela está com amnésia, provavelmente Alzheimer e talvez permaneça calada e alheia a qualquer coisa que você diga. 

Não me surpreendi com a aparência da mulher, pois já haviam se passados muitos anos desde a época em que a tela foi pintada. Olhando para seu rosto, via resquícios da antiga beleza retratada na pintura. Os cabelos, agora grisalhos, opacos e secos caindo sobre os ombros, o rosto enrugado precocemente, lhe davam uma aparência de mais idade. As mãos pousadas sobre o cobertor que cobria suas pernas tinham cicatrizes, talvez provocado pelo incêndio. Ela permanecia de olhos fechados, a cabeça recostada no encosto. Notei manchas roxas nos braços e numa das faces. Fiquei desconfiado que a sobrinha batia na tia.

Valéria inclinou-se, falando suavemente.

─ Tia, tem alguém que quer conversar com a senhora. O nome dele é Danilo Giordano. Ele também é pintor. Ele disse que tem uma coisa para devolver à senhora.

Isadora abriu os olhos e ao ver a sobrinha, soltou um gemido e ergueu os braços como que para se defender.

─ Calma tia. Foi apenas um sonho. A senhora tem visita.

Dizer que a tia teve um sonho, não me convenceu. De qualquer forma, peguei a pasta, tirei as duas telas e as exibi. Isadora permaneceu olhando para a sobrinha. Valéria examinou as pinturas com admiração e assombro.

─ Essa é ela? Isadora pintou um autorretrato? Eu não tinha conhecimento disso! Conheci todas as obras dela, mas essas duas não estão na relação. Essas telas superam tudo que ela fez. Onde estavam?

─ Escondidas numa parede. Por isso escaparam do incêndio.

Valéria colocou dois quadros sobre o sofá e ficou admirando o contraste visual entre as duas obras. De um lado, a beleza, a harmonia das formas e cores da figura humana, do outro, a beleza rude e o horror que era a criatura.

Enquanto ela observava as telas, coloquei nas mãos de Isadora, a correntinha de ouro com a pedra de esmeralda verde. Valéria voltou-se, com um meio sorriso no rosto.

─ Vou pedir a um perito examinar a autenticidade dos quadros. Se são obras mesmo de Isadora, e não falsificações, naturalmente eu lhe darei uma boa recompensa. Além, é claro, de exaltar a sua nova fase, o que anula praticamente aquele comentário negativo que eu fiz. É isso que você quer, não é? Em troca dos quadros?

Como curadora de Isadora, Valéria seria a única beneficiada com a venda dos quadros. Percebi na expressão dela, a cobiça, o triunfo. Eu não podia fazer nada quanto a isso. O que sentia era o dever, a necessidade de devolver aqueles pertences a Isadora Rochester. Mas como eu comecei a desconfiar que ela maltratava Isadora, decidi reter os quadros.

─ Que manchas são essas nos braços de sua tia? 

Valéria mudou de atitude. O sorriso desapareceu.

─ Ela fica agitada às vezes e se machuca.

─ Tive a impressão que ela tem medo de você. Acho que vou ficar com os quadros por enquanto. Mandarei um médico vir examinar Isadora.

Valéria ficou rígida. Percebi um rubor em suas faces.

─ Com licença – disse ela e levou Isadora para dentro. 

Alguns minutos depois, voltou com algo numa das mãos. Era uma pistola. Me encolhi no sofá quando ela apontou a arma para mim.

─ Vou matar você e depois chamarei a polícia. Direi que você veio aqui para me matar.

─ Por que eu iria querer te matar?

 ─ Por causa daquele artigo, onde falei que és um péssimo pintor. Meu motivo é simples. Você se tornou uma ameaça. Os quadros de Isadora agora são meus e não quero você atrapalhando meus planos.

─ Você é louca!

─ Pare com isso, Valéria! ─ disse Isadora, surgindo na sala. Valéria voltou-se e ficou espantada ao ver que a idosa havia rejuvenescido como que por um passe de mágica. Voltou a ser a mesma jovem do tempo em que havia pintado o seu autorretrato. Do mesmo jeito que eu a vi no bosque. Trazia no peito a pedra de esmeralda, fonte da sua juventude, que eu, por algum motivo inexplicável, coloquei nas mãos dela.

─ Você é um monstro, Valéria! ─ exclamou Isadora. ─ Me tratou mal esse tempo todo. Você não presta, minha sobrinha.

O rosto de Isadora adquiriu uma expressão de fúria. Seus cabelos se agitaram, se enrolando transformando-se em serpentes e de seus olhos saíram raios flamejantes que atingiram o peito da sobrinha. Ela soltou um grito de dor, o corpo cobrindo-se de chamas. Mesmo assim, conseguiu apertar o gatilho, disparando sobre Isadora. As duas caíram ao mesmo tempo, o fogo se espalhando pelo ambiente, consumindo as cortinas. Por um momento fiquei em choque, depois corri para Isadora, para tentar salvá-la, mas o calor era muito forte. Me vi cercado pelo fogo, a fumaça começou a me sufocar, meus olhos nublaram, ouvi o meu rosto chiar e caí na escuridão.

***

Quando recuperei os sentidos, me vi num quarto de hospital deitado numa cama, envolto em ataduras. A enfermeira surgiu em meu campo de visão. Tentei falar e um ronco estranho saiu de minha garganta seca. A mulher se aproximou.

─ Fique calmo, senhor Danilo. O senhor sofreu queimaduras de segundo grau. Não corre perigo de vida, mas vai precisar ficar alguns dias no hospital.

Fiquei sabendo que Joyce havia ido me visitar, enquanto eu estava inconsciente. Disseram que ela chorou, ficou poucos minutos, depois foi embora, e nunca mais apareceu. Foi melhor assim. Eu já não tinha esperança de nada. Achava que passaria o resto de minha vida numa cadeira de rodas.  

Certo dia um dos enfermeiros me acordou pela manhã, dizendo:

─ Danilo! Acorde. O senhor tem uma visita.

 Mal pude abrir os olhos. Via tudo nublado. Percebi que a visita era uma mulher. Achei que fosse Joyce. Ela me deu um beijo na testa, enfiou algo entre meus dedos e depois foi embora. Pelo tato, percebi que era uma correntinha com uma pedra facetada. A imagem surgiu em minha mente; o colar de Isadora! Será que era ela? Coloquei o colar no pescoço, e logo senti a energia revigorante. As cicatrizes sumiram, me senti forte e bem-disposto. Não havia marcas em minhas mãos.

Deixei a cadeira e fui ao banheiro, me olhar no espelho. Fiquei feliz em me ver sem ferimentos. Estava normal novamente. Só estranhei os calombos doloridos. Alguma coisa estava nascendo em minha cabeça e não eram cabelos…

18 comentários em “O Legado da Medusa (Antonio Stegues Batista)

  1. Fil Felix
    15 de dezembro de 2019

    Resumo: um artista frustado se isola em meio a uma floresta e descobre uma casa onde há dois misteriosos quadros de uma senhora, que aparece antes como uma espécie de fantasma, levando-o de encontro a sua inimiga editorial.

    O conto traz uma premissa bastante comum em se tratando de artistas que tentam se isolar. Percebo isso porque num dos desafios do campeonato eu fiz um conto sobre uma artista que se isola, começa a pintar e entra em contato com um fantasma. Nesse caso, o homem encontra dois quadros estranhos e, numa pegada a lá Dorian Gray, tenta encontrar a artista criadora e livrá-la das garras da crítica que havia avacalhado seu trabalho. A construção da narrativa é tranquila e bastante fluida até essa parte, mantendo o leitor no suspense, questionando sobre o colar e sobre os dois quadros, sobre a figura da mulher e também sobre a figura da Medusa. Quando a crítica volta com a arma em mãos, acaba terminando o suspense e só temos uma sucessão de fatos, com ela ameaçando ele, a Isadora retomando a juventude e depois passando a “maldição”, digamos assim, da Medusa para ele, sem grandes surpresas.

  2. Fabio Baptista
    15 de dezembro de 2019

    RESUMO:
    Após sofrer duras críticas sobre suas obras e terminar um relacionamento, pintor decide refugiar-se numa cabana isolada. certo dia, segue uma mulher fantasmagórica caminhando no bosque e acaba conduzido às ruínas de uma casa, onde encontra dois quadros antigos.
    Ele vai até a casa da artista devolver os quadros e descobre que a sobrinha e cuidadora da senhora é a crítica de arte que o havia massacrado. Também descobre que a sobrinha cuida com maus tratos da tia.
    Após receber a correntinha nas mãos, a velha rejuvenesce, transformando-se em uma medusa e atacando a sobrinha (essa medusa tacava fogo e não petrificava).

    O pintor sofre sérias queimaduras e pensa que nunca mais vai se recuperar, até receber a correntinha e se transformar num meduso.

    COMENTÁRIO:
    É um conto interessante, que acaba prendendo a atenção pelas reviravoltas. Apesar de alguns problemas de revisão e mistura de tempo verbal, a técnica é OK para conduzir a narrativa. Talvez limar um pouco tantos nomes e sobrenomes fosse melhor para a fluidez.
    Como eu disse, as reviravoltas prendem a atenção, mas também deixam aquela pulga atrás da orelha… não foi muita coincidência Danilo ter ido para uma cabana próxima à casa incendiada? Logo ele, criticado pela sobrinha de Isadora? Em que momento Isadora protegeu as obras para que não queimassem no incêndio?
    O final, com Valéria apontando a arma e contando o plano maligno foi bastante novelesco.

    NOTA: 3,5

  3. Leo Jardim
    15 de dezembro de 2019

    🗒 Resumo: um pintor, depois de uma terrível crítica e um pé na bunda, resolveu se esconder num local ermo, onde o fantasma (?) de uma bela mulher o levou a uns quadros e a um colar. Ele resolveu entregar os quadros à autora, que era avó da crítica que o esculhambou. A mulher batia na avó e o pintor tentou fazer alguma coisa, mas ela buscou uma arma e o ameaçou. Então descobrimos que a avó acabou rejuvenescendo ao colocar o colar e, transformada numa medusa, colocou fogo na casa toda. O pintor ficou queimado, mas acabou salvo pelo colar mágico.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): é uma trama inventiva, com muitas viradas e muita informação. Mas também precisa de uma dose de boa vontade, pois se baseia em algumas conveniências e coincidências.

    Exemplo: a crítica que destruiu seu trabalho ser justamente a neta da pintora que ele encontrou numa viagem para um lugar aleatório é muita, muita coincidência. Se ele ainda tivesse escolhido esse lugar por uma “sugestão” da pintora, mas o texto não diz isso…

    Algumas ações de personagens e diálogos também ficaram um pouco forçados e até mesmo expositivos. Não pareciam coisas que pessoas fariam ou diriam, mas coisas que o autor precisava que eles fizessem ou dissessem para a trama andar. O ideal é buscar que os personagens cheguem onde o roteiro precisa levá-los com ações e diálogos mais próximos da realidade, tornando o texto mais verossímil, consequentemente aumentando a relação do leitor com ele.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): uma técnica que precisa de um pouco de trabalho e revisão, além de trabalhar e treinar melhor os diálogos (citado acima). Tente, por exemplo, ler as falas em voz alta pra ver se aquilo parece estar saindo da boca de alguém.

    Fiz as seguintes anotações enquanto lia pares auxiliar a revisão:

    ▪ Está querendo terminar o nosso relacionamento *sem vírgula* porque está gostando de outro homem? (ou ainda: por que está querendo terminar o nosso relacionamento? Está gostando de outro homem?)

    ▪ *insipida* (insípida)

    ▪ tamanho é o meu desgosto (não combina com algo que alguém costuma dizer)

    ▪ Quando Joyce tomava uma decisão, não *tem* (tinha) nada nesse mundo que a faça desistir. (a oração está no passado)

    ▪ O barulho de carros na rua *sem vírgula* atravessava as paredes. (não use vírgula separando sujeito do verbo)

    ▪ *Me levantei* (Levantei-me) da cama (esse é meio polêmico, mas o consenso atual é que é permitido numa fala durante o diálogo, mas não pelo narrador.)

    ▪ *leva-los* (levá-los)

    ▪ Cumprimentei-a. (…) – Olá! Bom dia! (esse é um caso de que a fala é exatamente igual ao que o narrador disse; escolha um ou o outro, ou melhor ainda, coloque alguma informação extra no diálogo ou na narração, como “cumprimentei-a apreensivo” ou algo assim.)

    ▪ Dentro, estavam dois quadros pintados à óleo *ponto / dois pontos* um era o de uma mulher jovem (separa melhor as orações, mas é opcional)

    ▪ *Me identifiquei* (Identifiquei-me) na portaria 

    ▪ *Me senti* (Senti-me, ou Estava me sentindo) desconfortável.

    ▪ ─ Calma *vírgula* tia. Foi apenas um sonho. A senhora tem visita. (Esse é um exemplo de fala no diálogo que não parece natural)

    ▪ Dizer que a tia teve um sonho *sem vírgula* não me convenceu

    ▪ coloquei *vírgula* nas mãos de Isadora, a correntinha de ouro com a pedra de esmeralda verde.

    ▪ *Me encolhi* (Encolhi-me) no sofá

    ▪ ─ Vou matar você e depois chamarei a polícia. Direi que você veio aqui para me matar. (outro exemplo de diálogo expositivo)

    ▪ Me vi (Vi-me, ou Estava) cercado pelo fogo

    🎯 Tema (🆓️): fantasia 📿🖌

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o conto tem uma pegada criativa, mas acaba repetindo alguns elementos comuns em histórias do tipo. Ou seja, na média.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a batalha e as consequências dela não encaixaram bem na minha cabeça e isso afetou bastante o impacto. Com um final um pouco melhor trabalhado, acredito que seria muito bom.

    🔗 Links úteis:

    ▪ Começar frases com pronome átono: https://alunosonline.uol.com.br/portugues/pronome-obliquo-atono-no-inicio-oracao-1.html

  4. fabiodoliveirato
    14 de dezembro de 2019

    Coincidências duvidosas…

    Resumo: Danilo decide ir num retiro de autodescoberta depois de uma crítica avassaladora de uma analista de arte e ter seu relacionamento acabado. Lá, vê-se envolvido num mistério intrigante, envolvendo pinturas, uma jovem mulher e um colar om uma pedra esverdeada.

    Querido autor, você é bem criativo. A forma como você conduz a história, com uma narrativa razoável, indica que possui talento para a escrita. Foque-se na leitura, nesse momento, pois é fácil notar que falta experiência na escrita. E esmero.

    No caso, meu maior problema com o conto é o enredo. Os personagens estão bem feitos, as questões duvidosas estão nas situações. Como, por exemplo, a coincidência da analista de arte ser a vilã da história numa situação bem diferente da inicial. Isso dá a sensação que você é preguiçoso. Por que não poderia ser outra pessoa? Por que envolver ela na situação? Essas coincidências não convencem quem procura algo mais crédulo. Alguns trechos revelam sua ineficiência em apontar situações de forma natural, também. Se quiser, depois monto uma crítica mais completa, mas não se assuste: são detalhes. Com o tempo, irá escrever bem melhor!

  5. Daniel Reis
    14 de dezembro de 2019

    Resumo: um artista plástico está no hospital, com o rosto deformado e conta sua história. Havia recebido uma crítica muito negativa de uma famosa especialista em arte e, ainda por cima, Joyce, sua namorada, pediu um tempo. Não aguentava mais o mau humor do artista, e queria viajar sozinha. Ele decidiu então morar numa cabana no bosque, buscando inspiração para pintar, e encontrou um caminho que dialogava com as críticas recebidas. Marcou com um galerista a exposição, porém encontrou uma mulher na rua, a qual seguiu e encontrou num habitação na floresta, aparentemente queimada num incêndio. Era um fantasma que o guiou até um quadro, assinado por Isadora Rochester, com a imagem da medusa. Ao pesquisar a vida da pintora, soube que o marido dela morreu num incêndio e que eles tinha ligações com sociedades secretas. Veio para o Brasil e deixou seus bens sob administração da sobrinha, a quem ele procura para mostrar o quadro e que vem a ser a própria crítica, sob pseudônimo. Mas a senhora ainda está viva, e a sobrinha traz a artista numa cadeira de rodas. Aparentemente, ela é abusada pela sobrinha. Ao mostrar o quadro, quase um autorretrato da artista jovem, algo estranho acontece. Questionando as marcas nos braços da tia, atrai o ódio desproporcional da crítica, que o ameaça com uma pistola. Porém, a velha rejuvenesce com o poder mágico de uma esmeralda, e se vinga da sobrinha, que fica em chamas. Tudo se incendeia e quando o narrador acorda, está no hospital, fora de risco. Recebe uma vista que considera ser a ex-companheira, mas é um presente, a esmeralda curativa. E alguma coisa estava crescendo na cabeça dele (serpentes?).

    Método de avaliação: “Análise Jacquiana”
    Receita: uma mistura de sobrenatural, policial e pitada de romance.

    Ingredientes: o artista contrariado, a crítica sem piedade (inclusive como sobrinha), a bruxa/maga inativa, que recupera seus poderes de medusa, a cura milagrosa.

    Preparo: a história é narrada do ponto de vista do protagonista, o que compromete a veracidade da percepção de algumas decisões dele e acontecimentos. Acho que um narrador neutro traria mais credibilidade, pois não vi assombro na forma como ele contou tudo.

    Sabor: meio exagerado e inverossímil em outras, o conto é bem escrito, mas poderia ser reescrito num tom mais misterioso e menos mágico.
    Frases motivacionais (quase aleatórias) do Eric Jacquin (ou coisas ele possivelmente diria) : “Sobrou tompêro”

  6. rsollberg
    13 de dezembro de 2019

    O Legado da Medusa (Danilo Giordano)

    Resumo: Artista frustrado entra numa trama sobrenatural-mitológica-novelesca e tem um encontro inusitado com sua algoz e sua salvadora.

    Então, confesso que não consegui curtir o texto. Achei a trama rocambolesca, com muitos personagens, pouco desenvolvimento e com pegada de novela mexicana.

    Faltou muita revisão nesse conto;

    Observamos um constante paralelismo verbal, às vezes até em uma mesma frase “Quando Joyce tomava uma decisão, não tem nada nesse mundo que a faça desistir.”. Ou, “E era a mesma mulher que eu vi na mata ainda há pouco.”- Que havia visto antes. As mudanças do passado para o presente trouxeram dificuldade para minha leitura.
    O autor coloca vírgulas no texto tal qual um hipertenso salgando suas batatas fritas, ou seja, de forma bastante equivocada, separando sujeito do verbo e outras cousas mais. “O barulho de carros na rua, atravessava as paredes. “ “Naquela noite pesquisando na internet, encontrei na Wikipédia, informações sobre Isadora Rochester” “Achei alguns objetos valiosos na antiga propriedade em que Isadora Rochester, morou. “
    Outro ponto que não me faz a cabeça é a fala desnecessária, exemplo “Cumprimentei-a.
    – Olá! Bom dia!”; Ou seja, se não vai haver diálogo basta apenas um “cumprimentei com um “bom dia”. Os diálogos são artificiais, muito explicativos e pouco coloquiais. Tipo ao telefone quando cita o nome inteiro da mulher, nem operador de Telemarketing faz isso.

    A cena da fulana que vai buscar a arma é novela pura, cheia de explicações desnecessárias para o leitor, o diálogo é fraco, “Alguns minutos depois, voltou com algo numa das mãos. Era uma pistola. Me encolhi no sofá quando ela apontou a arma para mim.
    ─ Vou matar você e depois chamarei a polícia. Direi que você veio aqui para me matar.
    ─ Por que eu iria querer te matar?
    ─ Por causa daquele artigo, onde falei que és um péssimo pintor. Meu motivo é simples. Você se tornou uma ameaça. Os quadros de Isadora agora são meus e não quero você atrapalhando meus planos.” Sabe quando o vilão explica os planos para o herói? Então, não cola.

    Comentário cretinos e aleatórios:
    No verbete do Wikipedia diz que a Isadora se mudou após o incêndio para o Brasil. Mas o Danilo alugou uma casa no Brasil certo? Tipo, o incêndio foi na França! Fiquei perdido ou tem um furo muito grande na trama.

    Cara, o final é de lascar, sensacional “Alguma coisa estava nascendo em minha cabeça e não eram cabelos…”

  7. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    12 de dezembro de 2019

    Danilo Giordano, artista plástico, recebe críticas negativas sobre seu trabalho e é dispensado pela namorada. Para se recuperar emocionalmente, ele aluga uma cabana no campo. Indo enviar quadros para a cidade, ele encontra uma jovem misteriosa, que desaparece mostrando a ele o caminho de dois quadros da artista Isadora Rochester em uma casa abandonada. Ele pesquisa e descobre que a pintora está viva e vai até ela entregar o achado. Isadora está idosa, com problemas de saúde, e é cuidada por sua sobrinha, que Danilo descobre ser Violeta Gilliard, especialista em arte que escreveu pesadas palavras sobre sua obra. Danilo desconfia que a sobrinha, curadora da artista, agride a idosa e está interessada em lucrar com os quadros descobertos, que incluem um autorretrato. Confrontada, ela aponta uma arma ao pintor, que é salvo por uma rejuvenescida e Medusa Isadora. Tudo pega fogo, inclusive Danilo. Dias depois, no hospital, ele recebe uma visita da jovem Isadora, que lhe dá um amuleto e ele se vê curado das graves queimaduras que sofrera.

    Danilo Giordano, seu conto é uma espécie de mistério sobrenatural. O texto está bem escrito, ao menos não encontrei nada que comprometesse a história. Não sei se é um gênero que te agrada, mas vejo bastante potencial caso você tenha interesse em publicar histórias assim. Sua escrita é objetiva e simples, seu tema atrai um bom público, que é mais amplo do que o nicho de autores do EntreContos.

    Como a melhor recompensa que o desafio nos dá é a possibilidade de nos aperfeiçoar como autores, farei algumas observações. Enquanto narrativa, achei seu conto mal elaborado. Ele vai em ritmo moroso, comum em mistérios, até a fase final, que vira uma avalanche de acontecimentos. O leitor, que já desconfia estar diante de uma trama sobrenatural, é bombardeado com tantas informações e reviravoltas que fica tudo muito bagunçado.

    Sobra maniqueísmo (a crítica maldosa e psicopata, a idosa boazinha) e falta carisma nos personagens. Até Violeta surgir armada, eu tinha certeza que o Danilo era um pintor ruim, que merecia cada palavra negativa sobre sua obra. Fazer o leitor simpatizar com seus personagens é parte importante para que seu texto seja bem sucedido.

    Os melhores suspenses são aqueles que abordam aspectos psicológicos, com os personagens enfrentando situações que os coloca diante de seus medos – e o dos leitores. Faltou, no meu ponto de vista, mais profundidade em seu conto. Mas só exijo isso pois sua escrita me passou a sensação de maturidade, portanto acredito que você poderá entregar um conto melhor no próximo desafio. Boa sorte!

  8. Catarina Cunha
    12 de dezembro de 2019

    O que entendi: Pintor em fase baixa e vítima de uma crítica feroz. Nos escombros de uma casa incendiada encontra duas telas e um colar. Resolve devolver para a autora, que está velha e senil. A sobrinha a maltrata e é a mesma crítica do pintor. O colar é devolvido para a velha que volta a ser nova. A sobrinha, gananciosa e torturadora de velhinhas, resolve matar o pintor que desconfiou dela. A velha nova vira uma medusa dos infernos e bota fogo geral. O pintor quase morre e fica deformado, mas a entidade da velha dá o colar para ele voltar a ser gato.

    Técnica: Há controle total da trama e dos personagens, sem ser prolixo ou excessivamente descritivo. O título é a única dica para o final, mas eu só entendi depois.

    Criatividade: Elevadíssima! Não só pela trama como também pelo final inesperado.
    Impacto: Positivo. Gosto quando um conto me induz para o lado contrário, para depois dar uma guinada rápida.

    Destaque: “Minha aparência era horrenda, mas não é tão ruim quando você descobre a tua verdadeira essência.” – Boa tacada. Despertou meu interesse.

    Sugestão: O conto dá para crescer e virar uma novelinha bacana de terror. O que justificaria a existência dessa ex-namorada aí no meio.

  9. Carolina Pires
    11 de dezembro de 2019

    Resumo: Após o término do namoro e críticas negativas sobre sua última exposição de quadros, Danilo Giordano decide passar uma temporada numa casa afastada. Ao passear pelo lugar, a imagem de uma mulher chama sua atenção, sendo ele levado aos resquícios de uma casa incendiada, onde encontra dois quadros e um colar. Sabendo ser de uma pintora já senhora, ele vai até a casa dela e descobre que a sobrinha dessa pintora, além de ser a mulher que fez críticas negativas do seu trabalho, é violenta com a própria tia. Ao se recursar a entregar os quadros para a sobrinha, esta decide matar o pintor, mas é impedida pela tia que ao usar o colar ficou vigorosamente mais jovem, causando um incêndio no local. No hospital, recuperando-se das queimaduras, Danilo recebe o colar de uma mulher misteriosa e ao usá-lo, fica curado de suas feridas e percebe “nascidas” estranhas na sua cabeça.

    Conto misterioso e interessante, que me prendeu do início ao fim. O mistério, esse “que” de místico me agradou muito. Leitura tranquila, sem truncamento, levando o leitor a um caminho de mistério e um leve suspense. O final me deixou um pouco na dúvida, os calombos doloridos indicavam que estavam nascendo serpentes? Como na cabeça da Medusa? Acho que sim, daí o título muito bem casado com a narrativa: “O Legado da Medusa”. “Minha aparência era horrenda, mas não é tão ruim quando descobre a tua verdadeira essência.”. Este jogo de ser e parecer, essência e aparência, dá uma vida e move o conto por completo, traçando um destino para o personagem que fez com que eu, como leitora, entendesse que tudo caminhou para este fim. Parabéns ao autor! Muito bom!

  10. Priscila Pereira
    10 de dezembro de 2019

    Resumo: Um pintor que está abalado por uma crítica dura e com o rompimento de seu namoro vai pintar em uma floresta e descobre um colar e duas pinturas escondidas. Quando vai devolver descobre que o colar pode transformar quem o usa na Medusa. Quase morre queimado e quando está se recuperando recebe o colar que instantaneamente o cura.

    Olá, Autor!
    Que boa ideia para um conto! Eu confesso que não sei nada sobre a Medusa…
    O conto está bem escrito, fluido, interessante, tem um tom leve de suspense, os personagens estão bem aprofundados e a ambientação está boa. Imagino que a Isadora tenha escondido o colar por ver nele mais uma maldição do que uma bênção, e que no final da vida, viu que as vezes a maldição é necessária pra livrar ela mesma e os outros de destinos piores… O final com o Danilo totalmente recuperado mas vendo que se transformaria também na Medusa foi muito bom, acabou no momento exato, deixando para a imaginação do leitor o que acontecia a seguir.
    Parabéns e boa sorte!

  11. Gustavo Araujo
    7 de dezembro de 2019

    Resumo: Danilo é um pintor que foi duramente criticado por uma especialista. Quando se retira para descansar e recuperar-se desse golpe, encontra (depois de ter sido atraído por uma mulher misteriosa) duas pinturas numa casa abandonada. Ele consegue rastrear a autora e vai até a residência dela para devolvê-las. Lá, ele descobre que a autora está velhinha e que é cuidada pela sobrinha (ou neta?), que é ninguém menos do que a crítica que o havia detonado. Mais do que isso, ela tortura a velha pintora. Danilo fica indignado, tudo pega fogo e ele termina no hospital. Enquanto se recupera, ele recebe um presente, que o ajuda a sarar completamente.

    Impressões: conto infanto-juvenil de temática de fantasia. Creio que a melhor qualidade é a ideia que conduz a narrativa, o mistério que atrai o leitor para saber se, afinal, a garota no bosque, que atraiu Danilo para a casa abandonada, é mesmo a velhinha que aparece depois. Esse tipo de enredo direto, sem mergulho profundo na psicologia dos personagens funciona bem para quem aprecia histórias rápidas e sem muito rebuscamento. Mesmo preferindo algo com mais densidade, não posso negar que o conto cumpre bem a missão a que se propõe, apesar de resvalar aqui e ali em erros de revisão e nos inevitáveis clichês que permeiam esse tipo de história. De todo modo, há que se reconhecer como positiva a coragem do autor em criar um texto que mistura o sobrenatural com o policialesco — ainda mais com um limite tão exíguo de palavras. De se destacar também a criatividade ao usar os quadros — a arte — como mote da história.

    Contudo, apesar de reconhecer esses méritos, não posso dizer conto que me absorveu, que me cativou, ainda que tenha sido uma experiência divertida passar por ele. Creio que o autor tem gás para ir adiante e nos contemplar com algo mais interessante. Deixo aqui meus parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Luis Guilherme Banzi Florido
    4 de dezembro de 2019

    Bom dia/tarde/noite, amigo (a). Tudo bem por ai?
    Pra começar, devo dizer que estou lendo todos os contos, em ordem, sem saber a qual série pertence. Assim, todos meus comentários vão seguir um padrão.
    Também, como padrão, parabenizo pelo esforço e desafio!

    Vamos lá:

    Tema identificado: mistério, fantasia

    Resumo: Danilo,pintor que perdeu namorada e recebeu critica ruim, se isola para pintar e respirar ar puro, e encontra dois quadros e um colar que descobre pertencer à tia da crítica que detonou a obra dele. Consegue devolver o colar para a senhora, que recuperar seus poderes de medusa, e o ajuda a se recuperar dos ferimentos do incendio.

    Comentário: uma história bastante criativa e interessante.

    Gostei bastante da leitura, que flui rápida e gostosa, o que se deve muito ao fato de ser uma história bem curiosa e bem pensada.

    O prólogo da história já cria um clima de mistério. Afinal, que tipo de acidente aconteceu com o cara. Conforme ele ia contando sua história, percebemos que 2 vezes os incêndios haviam acontecido ao redor da isadora, então logo deduzi que rolaria mais um.

    Além disso, fica claro que existe algo de fantástico ou sobrenatural ali. Talvez, um dos poderes de medusa da isadora fosse essa capacidade de chamar atenção de alguém para seu colar. É como se o colar quisesse ser encontrado, criando todas as situações pra que o homem chegasse até ele.

    Enfim, o enredo rola num ritmo legal, e as situações vão acontecendo de forma interessante.

    Achei que a ideia de a sobrinha ser a propria crítica de arte ficou um pouco forçada. Meio que só pro personagem se “vingar”da crítica recebida, não sei se o enredo pedia isso, já que não havia tido nenhum desenvolvimento da personagem da crítica, até então. Mas isso é só opinião particular.

    A ideia dos poderes da medusa foi bem legal.

    A escrita, ainda que não conte com recursos literários muito elaborados, sendo bem simples e direta, funcionou muito bem, e mal vi o tempo passar enquanto lia.

    A gramática e revisão estão boas, com poucas coisas pra corrigir.

    enfim, um bom trabalho! Gostei! parabéns e boa sorte!

  13. Evandro Furtado
    30 de novembro de 2019

    Car(x) autor(x)

    Estou aproveitando esse desafio para desenvolver um sistema de avaliação um pouco mais técnico (mas não menos subjetivo). No geral, ele constitui nas três categorias propostas no tópico de avaliação: técnica, criatividade e impacto. A primeira refere-se à forma, à maneira com a qual x autor(x) escreve, desde o uso de pontuação, passando por ortografia e mesmo escolhas de estruturação. A segunda refere-se ao conteúdo, ou seja, a que o conto remete e quais as reflexões que podem ser levantadas a partir disso. Por fim, a terceira refere-se ao estilo, quais as imagens construídas e as emoções que elas evocam. Gostaria de pontuar, também, que, muitas vezes, esses critérios têm pontos de intercessão entre si, sendo que uma simples palavra pode afetar dois ou mesmo três deles. A pontuação final é dada, portanto, pela média dos três critérios, sendo que uma nota elevada em um deles pode elevar a nota final. Dito isso, prossigamos à avaliação.

    Resumo: A história de um pintor frustrado que encontra alguns objetos escondidos nas paredes de uma casa e resolve devolve-los à dona.

    Técnica: O principal problema que encontrei no texto foram em relação ao paralelismo verbal, já que os tempos mudam numa mesma frase sem motivo. Além disso, creio que a narrativa em primeira pessoa não funcionou muito bem nesse contexto já que não há nenhuma necessidade de algo mais intimista em relação ao protagonista.

    Criatividade: Apesar de entreter, as reviravoltas na história acontecem de maneira abrupta demais e sem o desenvolvimento necessário. Acredito que se o enredo for cadenciado, com maiores detalhes sobre a trama, podemos ter uma história mais sólida partindo disso.

    Impacto: Graças aos dois elementos supracitados, o aspecto catártico do conto acabou por ficar comprometido. Apesar de os personagens serem bastante empáticos, faltaram algumas construções imagéticas que pudessem impactar x leitor(x).

  14. Leila carmelita
    27 de novembro de 2019

    Sinopse
    Danilo Giordano é um pintor que está sofrendo com as críticas ácidas de Violeta Gilliard, analista de Artes Plásticas de uma conceituada revista. Por causa disso, o namoro de Danilo e sua namorada Joyce tem ido de mal a pior, ele tem ficado agressivo. Tentando melhorar suas técnicas de pintura, ele foge da urbe e busca a paz de um bosque. Nesse momento, se depara com uma estranha mulher que o leva a um tesouro artístico escondido.

    Comentário
    Mesclar fantasia e mistério, tendo como pano de fundo o mundo da pintura é bem legal. Danilo, que por sua coincidência tem o mesmo nome do autor (o que me faz pensar que seja uma projeção de experiência pessoal) é um personagem com um drama crível. A inclusão da fantasia mobiliza a trama e traz aspectos que nos levam a subtramas. Saber que a crítica de artes agredia a tia, traz debates interessantes no que diz respeito a violência contra os idosos, o que demonstra um caráter ambíguo a personalidade da personagem. Aprofunda bastante os questionamentos morais a cerca dela. A transformação pela qual passa o protagonista é uma reviravolta no roteiro, sem cair no clichê de “e tudo ficou bem”. Parabéns entrecontista, seu conto é muito bom.

    Notas de Leila Carmelita
    – A Gata de Luvas – 4,0
    – A Hora da Louca – 4,5
    – A Onça do Sertão – 3,6
    – A Pecadora – 5,0
    – App Driver – 1,0
    – Estantes – 5,0
    – Famaliá – 3,5
    – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada – 5,0
    – Lágrimas e Arroz – 1,0
    – Muito Mais que Palavras – 1,5
    – Na casa da mamãe – 3,5
    – O Legado da Medusa – 4,5
    – O que o Tempo Leva – 1,8
    – O Regresso de Aquiles – 4,0
    – O Vírus – 2,5
    – Suplica do Sertão – 5,0
    – Trilátero Ourífero – 4,5
    – Uma História de Amor Caipira – 1,0

    Contos favoritos:
    Melhor técnica – Estantes
    Mais criativo – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada
    Mais impactante – A Pecadora
    Melhor conto – Suplica do Sertão

  15. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de novembro de 2019

    Resumo
    Danilo, artista plástico, recebeu em um mesmo dia duas notícias muito ruins, um comentário negativo sobre suas obras e o rompimento do relacionamento amoroso com Joyce, ocorrências que o fizeram alugar uma cabana em um lugar tranquilo para passar um tempo. Lá, ele pintou uma nova coleção de telas e combinou com o dono de uma galeria a exposição delas. Antes de deixar a cabana, Danilo saiu para sua caminhada matinal e encontrou entre as árvores uma mulher usando uma correntinha com uma pedra verde, que o encaminhou a uma casa que havia sido parcialmente destruída por um incêndio. No local ele encontrou a correntinha que a mulher misteriosa usava e uma pasta com duas telas, uma com a imagem da mulher e outra com a imagem da medusa. Conseguiu o contato da pintora que tinha assinado as obras, Isadora, e foi até sua casa. Lá encontrou a sobrinha da pintora, que era a analista de arte que havia denegrido sua imagem, Violeta. Suspeitando que Violeta batia em Isadora, Danilo se negou a entregar as telas, dizendo que iria chamar a policia. Ele entrega a corrente a Isadora enquanto Violeta pega uma arma. Com a juventude recuperada, Isadora impede a sobrinha de matá-lo e se transforma em medusa, colocando fogo na casa. Danilo acorda em um hospital, desfigurado pelo fogo. Um dia, uma moça vai até ele e lhe entrega a corretinha, que o faz voltar a sua forma anterior, antes do incêndio.

    Comentário
    Estranhei o fato de o texto ser bem escrito e, ao mesmo tempo, possuir tantos erros gramaticais básicos.
    Acredito que haja um exagero de tramas, muitos acontecimentos em um conto curto. Ficou um pouco confuso entender qual o objetivo do texto, qual a trama principal.

    Esta parte me incomodou: “avistei alguém entre as árvores. Era uma mulher jovem, usando um vestido bege e uma correntinha com uma pedra verde no pescoço.” – quando vc escreve avistei, dá a impressão de que a pessoa está longe, mas ai vc diz que ela usa uma correntinha (algo pequeno) que poderia ser visto somente mais de perto.

    Esta parte me soou estranha também – “Percebi que havia algo mais na rachadura. Meti o braço e puxei devagar. Era uma pasta de couro marrom, coberta de poeira e teias de aranha.” – rachadura dá a impressão de algo pequeno, não um espaço no qual caberia uma pasta de couro com duas telas dentro… pode ser que caiba, mas soou estranho.

    evitei de (tirar o de) me olhar num espelho
    escreveu desta vez. – abri (Abri) a revista na página do artigo e li
    Danilo Giordano regrediu ao primitivismo “. É claro que não gostei – a pontuação neste trecho ficou confusa.
    Quando Joyce tomava uma decisão, não tem (tinha) nada nesse mundo que a faça (fizesse) desistir. Ou assim: Quando Joyce tomava (toma) uma decisão, não tem nada nesse mundo que a faça desistir.
    O barulho de carros na rua, (tirar a vírgula) atravessava as paredes.
    Me levantei da cama – levantei-me
    As paredes fuliginosas que restavam em pé, (tirar a vírgula) indicavam que houve (ficaria melhor havia ocorrido) um incêndio no local.
    usava os cabelos presos num coque e (colocar vírgula aqui, caso contrário, parece que o cabelo também está no pescoço) no pescoço,
    E era a mesma mulher que eu vi (havia visto) na mata ainda há pouco.
    encontrei na Wikipédia, (ou tira esta vírgula ou coloca outra antes de na Wikipedia) informações
    passaram a serem (ser) administrados
    Seria Isadora, (tirar a vírgula) a mulher que eu vi na mata?
    Já haviam (havia) se passado muito tempo
    Teria agora, (ou tira esta vírgula ou coloca outra antes de agora) 84 anos
    Me identifiquei – identifiquei-me
    haviam se passados muitos anos – haviam-se passado
    Os cabelos, agora grisalhos, opacos e secos caindo sobre os ombros, o rosto enrugado precocemente, (tirar a vírgula) lhe davam uma aparência de mais idade.
    tinham cicatrizes, talvez provocado (provocadas)
    Isadora abriu os olhos e (vírgula) ao ver a sobrinha, soltou um gemido
    Valéria colocou (os) dois quadros sobre
    coloquei nas mãos de Isadora, (ou tira esta vírgula ou coloca outra antes de nas mãos) a correntinha
    Percebi na expressão dela, (ou tira esta vírgula ou coloca outra antes de na expressão) a cobiça, o triunfo.

  16. Regina Ruth Rincon Caires
    23 de novembro de 2019

    O Legado da Medusa (Danilo Giordano)

    Resumo:

    A história de Dan (pintor Danilo), Joyce (namorada), Douglas (proprietário da galeria de artes), Violeta (Valéria – crítica de arte e sobrinha de Isadora), e Isadora Rochester (pintora do autorretrato e de Medusa). Intriga perfeita. A narrativa tem início com Dan hospitalizado, com queimaduras, e termina com a “magia” da total recuperação dele através do colar de Isadora.

    Comentário:

    Conto muito bem elaborado. Trama perfeita, engenhosa, não deixa qualquer ponta sem nó. O leitor fica refém. Intrigante. Traz fantasia pura, daquelas que catam a gente e levam para voar por minutos. Como leitora, viajei. Quanto à escrita, há deslizes constantes com a flexão do verbo “haver”. E incomoda a colocação pronominal (caso oblíquo) no início da frase. Esse oblíquo começando oração é deselegante quando não encaixado no contexto. A narrativa é perfeita, toda estruturada, amarrada, “lógica”. A criatividade do autor é espetacular, fiquei encantada. A descrição é tão perfeita que o leitor está na sala, vê as marcas roxas no corpo da tia, tem vontade de socar Valéria. Texto muito bom.

    Parabéns, Danilo Giordano!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  17. angst447
    19 de novembro de 2019

    RESUMO:
    Danilo Giordano, pintor, recebe uma dura crítica de Violeta Gilliard. Ao mesmo tempo, termina o seu relacionamento com Joyce. Aluga uma cabana no meio de um bosque, buscando ter boas inspirações para pintar e esquecer Joyce. Douglas Barney, proprietário de uma galeria de artes, fica entusiasmado com as novas pinturas de Danilo e propõe uma exposição. Caminhando por uma trilha, avista uma mulher jovem, usando uma correntinha com uma pedra verde no pescoço. . Procurando a mulher, chega aos escombros de uma casa numa clareira. Encontra na lareira uma correntinha de ouro, com um pingente verde e também uma pasta com dois quadros pintados à óleo, um de uma mulher jovem, muito bonita, com a mesma corrente com a pedra verde. E era a mesma mulher que el havia visto na mata, Isadora Rochester, que sofre com o mal de Alzheimer, e tem seus bens administrados pela sobrinha, Valéria Souza Aguiar da Silva. Danilo descobre que Valéria é a crítica Violeta Gilliard e entra em contato. Nota manchas roxas nos braços e numa das faces da senhora e fica desconfiado que a sobrinha bate na tia. Isadora, já com o colar no pescoço, muda de aparência, seus cabelos se transformam em serpentes e de seus olhos saem raios flamejantes que atingem o peito da sobrinha. O fogo se espalha pelo ambiente, e Danilo só acorda no hospital, Recebe uma visita, e pelo tato, percebe que era uma correntinha com uma pedra facetada: o colar de Isadora! Será que era ela? Coloca o colar no pescoço, e logo sente uma energia revigorante. Suas cicatrizes somem, se sente forte e bem-disposto. Fica feliz em se ver sem ferimentos, normal novamente. Só estranha os calombos doloridos na cabeça e não eram cabelos…

    AVALIAÇÃO:
    Conto que mistura suspense, mitologia e terror. Narrativa bem construída que prende a atenção, com o clima de mistério.
    Os personagens estão bem caracterizados e cumprem bem o seu papel, convencendo o leitor. Os detalhes – quadros, colar, os nomes, tudo parece se encaixar, embora o autor não se atenha em produzir um contexto muito verossímil. A transformação de Isadora em medusa, por meio do colar, traz o toque de mitologia à trama. E o final deixa em aberto o destino de Danilo, que também parece se transformar na medusa.
    O ritmo do conto é bom, pois conduz o leitor pelo fio de suspense. A leitura flui fácil, sem apresentar entraves quanto à interpretação.
    Não encontrei falhas de revisão importantes.

    Parabéns por participar desta última rodada do desafio 2019. Feliz Natal e um 2020 cheio de saúde, paz e prosperidade.

  18. Angelo Rodrigues
    8 de novembro de 2019

    O Legado da Medusa
    Resumo:
    Homem desiludido com a vida recolhe-se a uma cabana no mato. Encontra um fantasma. Segue esse fantasma. Encontra pertences de uma pintora que imaginava morta. Vai até ela para lhe entregar o achado e lá encontra a crítica de arte que o havia esculachado. Ao entregar o talismã à velha na cadeira de rodas, descobre que o talismã tinha poderes. A velha vinga-se da sobrinha má, uma verdadeira bruxa. A confusão se generaliza. O cara vai parar num hospital e recebe, ele mesmo, o talismã da velha. A partir daí o bicho vai pegar: ou ele vira o diabo ou vira a medusa.

    Comentários:
    Caro Danilo Giordano,
    Conto de viés sobrenatural.
    Gostei do conto. Tem desenvolvimento regular, sem dificuldades de leitura. A trama, ainda que com desvios desnecessários, está bem amarrada, conduzindo ao final sobrenatural proposto pelo autor.
    Não é uma temática nova, mas, ainda assim, retomando clichês, está bem desenvolvido.
    Recomendaria ao autor trabalhar melhor as escolhas dos nomes. Muitos deles estrangeiros sem necessidade, dado que perturba um pouco a localização dos eventos [exterior ou por aqui mesmo].
    Atente um pouco mais para as questões do mercado de arte, que ficaram um pouco deslocadas da realidade, da realidade. Talvez o melhor a fazer, quando não se tem o trato exato sobre os eventos, é generalizar, sem descer a detalhes que, por falta de conhecimento exato, ficam um pouco frouxos.
    No conto há questões que ficaram pendentes. A velha, renovada, dá a Danilo seu amuleto, que, de posse dele rejuvenesce, o faz recuperar de suas feridas. Até aí tudo bem. Mas o que acontece com a dona original do amuleto? Será que ela abriria mão de o ter. E mais, após Danilo tirá-la daquele suplicio que passava com a sobrinha do mal, que motivo a levaria a presenteá-lo com o amuleto que lhe traria algum problema: chifres, cobras como nos cabelos da medusa? Ter o colar seria uma maldição? Interessante. Coisas que precisariam ser melhor trabalhadas dando ao conto um pouco mais de profundidade.
    No que diz respeito à escrita propriamente, notei algumas inconsistências, que reporto, parte delas, logo a seguir:
    “…Quando Joyce tomava uma decisão, não tem [tinha] nada nesse mundo que a faça [fizesse] desistir…”
    “…leva-los [levá-los]…”
    “…passaram a serem [ser]…”
    “…Já haviam [havia] se passado…”
    Boa sorte no desafio.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 1 de novembro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 4, R4 - Série B e marcado .