EntreContos

Detox Literário.

Cheiro de Bicho (Luís Fernando Amâncio)

Dos cinco sentidos, acredito que o olfato seja o menos explorado pelos humanos. O mundo é mapeado em construções visuais e sonoras, e nós o exploramos com toques e degustações. Só nos lembram do olfato para vender perfumes ou óleos hidratantes. É diferente com os animais, a maioria deles possui um faro superior ao nosso. Até um pequeno camundongo consegue localizar um pedaço de queijo melhor do que você. 

Para uma espécie que se considera o ápice da cadeia evolutiva, é uma constatação inconveniente. Mas não sei se somos assim tão superiores. Quer ver um homem se tornar um animal? Dê a ele acesso à internet.

São pensamentos que me acometem enquanto destravo a fechadura. É um apartamento no 14º andar de um prédio com varandas espaçosas e fachada com acabamento em cerâmica. Não é difícil entrar. Todo esquema de segurança possui falhas: porteiros trocam de turnos, câmeras têm seus pontos cegos, e portas, mesmo as mais tecnológicas, podem ser destrancadas.

Entro no apartamento e sou recebido por um pequeno Lulu da Pomerânia de pelagem caramelo. Ele late ofensivamente, exibindo seus dentes pontiagudos. Um latido estridente, tão patético quanto o seu diminuto porte. O guardião, porém, aceita com entusiasmo os petiscos que lhe dou. Em instantes, o animal está calmo e estende a barriga para que eu a acaricie. Adormece em seguida.

Gosto de cachorros. São parceiros, disciplinados e nutrem pelo dono uma lealdade rara nos humanos. Na minha opinião, é o bicho que mais se aproxima de saber o que é o amor. Mas é instinto: seu cão só aceita a humilhação do tapete higiênico pelo interesse da sua proteção. Gatos, então, estarão com você enquanto houver comida fácil.

O amor é o que nos faz humanos. Esse sentimento esquisito de querer tão bem ao outro, do coração até doer. Defender a pessoa amada de todos os males, possíveis ou meramente especuláveis. Mas quando nos tiram o amor, o que sobra?

Sobras é o que mais vejo na geladeira do apartamento. Há tupperwares coloridas em todas as prateleiras e eu as abro uma a uma. Couve-flor, brócolis, batata-doce, beterraba… A família se alimenta de forma saudável. Em uma vasilha, encontro carne cozida com batatas. A aparência é apetitosa. Fico na dúvida entre ela e um frango assado, mas prefiro a iguaria bovina.

Pego um prato na pia, retiro pesados talheres de metal no escorredor e monto uma porção para mim. Não acendo as luzes: na mão esquerda, carrego uma pequena lanterna. Evito chamar a atenção de algum vizinho, tento ser discreto. Apesar do ambiente pouco iluminado, encontro o display do micro-ondas e esquento meu prato. Abro novamente a geladeira. Uma cerveja seria o acompanhamento perfeito, mas não encontro nenhuma. Acabo me servindo suco de caixinha.

Levo meu prato e copo para a sala. Ali, entretanto, não há TV, companhia que estou procurando. Esqueci que famílias requintadas possuem duas salas, uma para receber visitas e outra para o televisor. A sala de estar é espaçosa, possui um sofá extenso, quadros e um espelho na parede, ao fundo. Encontro, em um móvel no canto, uma seleção de bebidas que me interessa.

A sala de TV fica ao lado da copa. Ligo o aparelho quase no mudo, ainda sem acender as luzes. Sentado no sofá, apoio o prato em uma almofada. Aposto que seria censurado se os moradores vissem a cena. É um sofá confortável. Definitivamente, eu conseguiria tirar uma boa soneca ali. 

A carne é boa, a empregada da família tem talento. Gosto da forma como ela usa ervas para temperar a comida, deixa o prato cheiroso. Meu olfato sempre foi mais aguçado do que o da maioria das pessoas. Por isso, fico divagando sobre a desvalorização do olfato. Comigo é o contrário, um bom aroma é muito excitante. Minha mulher não acredita, mas  foi a fragrância de chocolate do seu condicionador que inicialmente me atraiu nela.

Ela usava o uniforme da escola militar e conversava com uma amiga minha, a Alice. Não era um traje feito para ser sensual, pelo contrário, o tecido grosseiro bege e seu corte reto estavam distantes de serem elegantes. Mas, para moleques como eu, que estudavam numa escola onde o uniforme era calça jeans e camiseta branca, ver meninas com saia, ainda que na altura dos joelhos, era um oásis.

Thamires me explicou depois que saía ao sol com os cabelos recém-lavados para que secassem ainda mais encaracolados. Logo após ser fisgado pelo cheiro do condicionador, reparei nas suas panturrilhas firmes, que se afastavam, em passos decididos, de mim. Os seios, estufados na camisa toda abotoada, mereciam uma moldura.

– Sem chances – foi o que Alice me disse.

– Como assim? Eu só quero que você me apresente para ela.

– Você não faz o tipo dela. Ela é estudiosa, no colégio militar tem que ter boas notas. E, na boa, se ela quiser um namorado, vai escolher alguém melhor do que você.

Foram palavras ásperas, porém verdadeiras. Eu não teria chances. Não era um bom aluno, era pobre e feio. Eu não conseguiria muita coisa com a garota e, tampouco, na vida, se não me mexesse. Foi o que fiz.

Já que os estudos não eram o meu forte, arrumei emprego, numa serralheria do bairro. Dei sorte, encontrei pessoas boas e tive oportunidade de crescer na empresa. E, quando já estava quase me esquecendo da morena que motivara minha transformação, numa tarde de sábado, esbarrei com aquela fragrância de chocolate, no ponto de ônibus. Sem o uniforme, em um vestido florido, pude vislumbrar um pouco de suas coxas grossas. Ela estava deslumbrante.

Puxei conversa. Disse que a tinha visto com a Alice, perguntei sobre o colégio militar, coisas assim. Nem me lembro mais. Trabalhar levantou minha autoestima, eu me sentia mais habilidoso nas relações interpessoais. Tinha algumas histórias, mesmo que bobas, para contar. O trabalho braçal também fez com que me sentisse melhor com minha aparência, pois eu deixara de ser o garoto sedentário e fraco de pouco tempo atrás.

Nós nos encontramos em uma festa na praça do bairro, no dia de algum santo qualquer. Apesar de não termos tanto em comum, éramos jovens e isso era o suficiente para gostarmos um do outro. Se fechar os olhos, ainda me lembro do perfume que Thamires usava, tão nitidamente quanto do nosso primeiro beijo. Nunca houve outro igual.

O pequeno cachorro do apartamento está adormecido aos meus pés. “Pituco” é nome marcado na coleira. Então, caro Pituco, amor é uma coisa que você não vai conhecer. Talvez seja sorte a sua.

Como a carne com batatas enquanto o canal esportivo transmite uma partida de basquete. A mente, todavia, está perdida em lembranças. Limpo as mãos engorduradas nos braços do sofá. Saciado, é hora de explorar o apartamento, o que faço com o auxílio de minha inseparável lanterna. A pistola vai na cintura, afinal não estou aquiinvadi um apartamento para pensar no passado.

Embora a sala seja o ambiente mais requintado do apartamento, os outros cômodos também possuem móveis bonitos. Cheiro de madeira maciça. O quarto com cama de solteiro é do filho do casal. Há roupas esparramadas pelo chão e uma TV ainda maior do que a da sala. O videogame provavelmente é de última geração. Deve ter um bom preço. Na mesa da copa, encontrei um laptop ainda ligado. Vejo o logo da maçã em sua tela, outro item que deve valer um dinheiro razoável. Guardo os dois na minha mochila.

Chego, finalmente, ao quarto do casal. As roupas sobre a larga cama indicam que a mulher ficou em dúvida sobre qual traje usaria. Diante do espelho do banheiro, ela deixou algumas joias. Facilitou meu trabalho. Foram reprovadas por não combinarem com o modelito escolhido. Gosto de um par de brincos com uma pedra verde. Não conheço de joias, talvez sejam esmeraldas. Ficariam bem na Thamires. Na Thaís, então, os brincos ficariam maravilhosos. Por alguma loteria genética, nossa filha nasceu com olhos castanhos bem claros, semelhantes aos da minha avó. As joias e os eletrônicos certamente pagam os transtornos da invasão.

Volto para a sala. Aproveito o copo em que tomei o suco e me sirvo uma dose de uísque. Gosto de me sentir um cavalheiro que toma bebidas caras. Na mesa de centro, vejo um painel com várias fotografias. Fico olhando para elas. A família gosta de exibir registros de suas viagens pelo mundo. Todo o crescimento do garoto está documentado: do bebê gorducho em um café com a Torre Eiffel, ao fundo, até o início da adolescência, acariciando um golfinho, provavelmente na Flórida. 

O destino mais distante a que levei Thaís foi Ubatuba. Nunca saímos do estado de São Paulo. Na praia, na única vez, a menina estava deslumbrada:

– Olha, papai, a conchinha. Outra conchinha.

– Calma filha, eu já vou.

– O passarinho entrou na água!

– Cuidado com a onda, Thaís!

A menina estava imersa em descobertas, e eu tomando cervejas baratas. Só percebemos as tolices que cometemos quando é tarde demais. Não faltaram planos para outras viagens, sobretudo para o Nordeste, desejo de Thamires. Mas nunca nos organizávamos. Os eventos se sucederam aos atropelos. O namoro escondido, a aceitação reticente da família até a gravidez inesperada enquanto Thamires começava o curso de Direito.

Alugamos uma casa e, antes de nos prepararmos, Thaís nasceu, prematura. Foram semanas de plantão no hospital, esperando que aquele cisco de gente virasse um bebê. Quando tivemos alta e eu senti confiança para, pela primeira vez, segurar minha filha,  descobri que nada seria como antes. Meus braços trêmulos, aquele bebê tão frágil, nossa primeira troca de olhares. Se eu conhecera o amor com Thamires, com minha filha experimentei o sentimento em seu estado mais puro.

Começo a ficar irritado diante das fotografias. Não gosto desses estereótipos de pessoas perfeitas. A mulher é bonita, está muito bem. Deve ter disciplina com as aulas com o personal. O garoto se parece com a mãe, embora seus traços delicados comecem a sucumbir aos indícios da puberdade. Em algumas fotos, a família ganha a companhia dos avós da criança, ou de alguns amigos do casal.

Finalmente, há o pai. Seus óculos de Clark Kent reforçam a postura de bom homem. O cabelo cortado bem baixo, o sorriso de Monalisa, o porte de salvador da pátria. Sinto minhas veias pulsarem. Vejo a família em um barco. O casal se beijando na festa de casamento. O homem abraçando a esposa grávida.

Penso em minha família, tão bonita, ainda que não fôssemos fotogênicos. Nossas roupas são simples, não fazíamos viagens ou participávamos de eventos sociais, como a recepção no clube onde estão os donos do apartamento. Vivemos uma vida de privações, mas Thamires e, principalmente, Thaís, faziam todo o esforço valer a pena.

A menina veio parecida com a mãe, bonita e estudiosa. Para dar a ela as melhores condições, o futuro que eu nunca procurei – e do qual, de tabela, ainda desviei Thamires –, me esforcei para pagar um bom colégio. Trabalhava em todos os feriados, mas não recusava um livro para a menina.

Será que Lucca, o garoto das fotos, diz aos pais “eu te amo” todas as noites, como Thaís fazia comigo? E Suzana, a mulher que zela pela organização do lar e documenta sua rotina em stories do Instagram, é tão companheira como minha Thamires?

Como meu olfato é sensível, começo a sentir o odor que exalo pelos poros. Quando Thaís nos apresentou aquele seu colega branquelo, que prestaria vestibular para medicina, não notei a gravidade da situação. Estavam enamorados, era óbvio. Nada mais natural, minha filha era encantadora. Eu deveria, contudo, ter notado os dentes caninos sob o disfarce de cordeiro.

É tão fácil obter informações sobre as pessoas hoje em dia. Érico, o Clark Kent das fotos, apesar da carreira vencedora de empreendedor, também encontra tempo para expor sua vida nas redes sociais. Sua rotina de trabalho, seus horários, os eventos sociais… Está tudo lá. O endereço também foi fácil de rastrear.

Semanas depois de começar a sair com o mauricinho Geovane, minha filha ficou calada, com o olhar opaco. Pensamos, evidentemente, que o namoro havia acabado. Thaís se negou a dizer o que havia acontecido. Até que o vídeo começou a circular. Minha mulher tentou me poupar, só que ele me foi encaminhado tantas vezes que acabei assistindo. Minha filha, dopada, sendo violentada pelo namorado e por um amigo dele. Cinquenta e sete segundos que ainda me torturam, com minha filhaThaís sendo exposta em minúcias ginecológicas. No site pornográfico, o vídeo foi postado como “Novinha muito loca dando pra dois”.

Foi o começo do fim. Como se passaram alguns dias entre o estupro e a denúncia, o exame pericial não detectaria a substância que dopara minha filha. Ou seja, enquanto o processo corria em segredo de justiça, a opinião pública se lançou sobre nós como uma fera faminta. Minha filhaA garota, a vítima, foi sumariamente condenada pela sociedade.

Thaís abandonou os estudos, não saía mais de casa. Sob nossos olhos, definhava, sem apetite e sem vislumbrar uma saída para aquele linchamento público. Nunca a culpei por tirar a própria vida.

Meu suor aumenta. O cheiro também. Esperava que esses apartamentos chiques fossem mais arejados.

Quando a notícia do estupro foi publicada, os comentários na página eram abomináveis. Era como se eu visse minha filha ser violentada novamente. Escondidos por trás de avatares, com nomes genéricos, a civilização se revelava barbárie, destilando preconceitos raciais e de gênero contra minha filha. 

Com um avatar de touro, o “doutrinador moral” escreveu: “Eu vi o vídeo, ela estava gostando. Tem cara de puta, aposto q os caras não quiseram pagar e ela tah procurando fama. Foda é q daqui a pouco vem as feministas defender a santinha kkkk.”

Eu já disse, para ver um homem se tornar um animal, basta dar a ele acesso à internet. O “doutrinador moral” é o Érico, o dono do apartamento.

Por isso, estou aqui. Aguardando pacientemente a chegada do “doutrinador moral”, o típico cidadão pagador de impostos, que passeia com carro esportivo aos domingos. E, no anonimato da internet, desfere preconceitos e brutalidades. 

Nada trará minha filha de volta, eu sei. Mas é um alívio punir um filho da puta. Vou até a cozinha e procuro, nas gavetas, uma faca bem afiada. Só a pistola não seria suficiente. Demoro um pouco até encontrar a lâmina que provavelmente partiu a carne cozida que comi há alguns minutos. Está afiada.

Pressinto que eles estão chegando. O odor rançoso que exalo domina todo o ambiente. É cheiro de bicho, de besta fora de controle. Tiraram minha capacidade de amar, não podem exigir que eu seja humano.

Escuto a porta do elevador se abrindo. Posiciono-me. Eles estão chegando.

25 comentários em “Cheiro de Bicho (Luís Fernando Amâncio)

  1. M . A. Thompson
    15 de dezembro de 2019

    Um pai em busca de vingança pelo defloramento e exposição da filha aguarda no apartamento para uma vingança. A história sugere se tratar de um ladrão, mas depois descobrimos ser o pai em busca de vingança. Gostei da pegada e do suspense.

  2. Adauri Jose Santos Santos
    15 de dezembro de 2019

    Resumo: É a estória de um homem que invade um apartamento, no primeiro momento, parece que ele vai roubar o lugar. Depois de se alimentar e beber um pouco no local, o homem começa a observar as fotos dos donos do lugar e relembra fatos ocorridos com sua filha, revelando que o filho dos donos provocou a morte de sua filha. O homem (fera) quer vingança.
    Comentários: Boa estória, o enredo é bem trabalhado. Tem um desenrolar não muito diferente de outras estórias de suspense. Achei que faltou um pouco mais de dramaticidade em alguns trechos. O desfecho é bem legal, deixa margem para o leitor divagar sobre o final, isso é bom. Poucas falhas de revisão.

  3. Elisabeth Lorena Alves
    15 de dezembro de 2019

    Cheiro de Bicho
    Goblino Barril
    Resumo.
    Um pai ferido revê a história de sua vida enquanto espera para fazer justiça com as próprias mãos pela filha que foi dopada e violada e teve o momento exposto na internet.

    Comentário
    Texto terrível. Avassalador. E também oportuno dado os acontecimentos estarem sempre se repetindo.
    Não curto muito é a questão da falta de caráter do agressor virtual ser vista pelo narrador como um defeito estendido à pessoas que possuem valores diferentes, essa questão é meio “jornalística” e distante das pessoas que possuem uma visão mais conservadora sobre vida e sociedade. Nenhum conservador de verdade apoia a agressão à mulher e a covardia que acontece com a filha do Vingador.

  4. Ricardo Gnecco Falco
    15 de dezembro de 2019

    Resumo: pai abalado psicologicamente pelo estupro e suicídio de sua filha invade casa de um internauta que havia escrito uma postagem ofensiva no vídeo do estupro de sua filha, divulgado na internet, para se vingar.

    Impressões: texto bem escrito, com algumas poucas falhas de revisão, mas que não tiraram a fluidez da leitura nem a imersão do leitor na trama. Enredo bem conduzido, com (bom) uso de alguns chavões para buscar emocionar o leitor. Parabéns pelo bom trabalho!

  5. Thiago Barba
    13 de dezembro de 2019

    Pai de filha suicida espera no apartamento para matar homem que fala obscenidades de sua filha estuprada.

    Técnica: 4,0
    Criatividade: 4,5
    Impacto: 5,0

    Ótimo texto. Gosto como ele começa de maneira leve, num caminho bem-humorado e como ele se transforma. O final do texto não é esperado em momento algum por mim, tornando-o assim muito impactante. Ele tem alguns errinhos na revisão (não falo da parte onde é uma menção às escritas na internet, onde está escrito intencionalmente errado), com falta de espaços e pontuações, mas não tiro pontuação por isso, só alertando para uma conferida novamente no texto.
    Eu sinto em alguns momentos, principalmente entre parágrafos, uma quebra de ritmo do texto que me tira um pouco da leitura, tentando ressignificar a leitura com a nova informação dada. Essas quebras acontecem volta e meia. Entre o segundo e terceiro parágrafo, por exemplo, ficou estranho para mim. Tive que frear a leitura, pois parecia que não havia terminado o que se falava antes, e ao mesmo tempo a informação é tão nova que me tira do universo criado. Isso acontece mais vezes.
    Parabéns pelo texto, foi o primeiro do certame que me fez sorrir ao terminar a leitura e estar saciado de uma ótima leitura.

  6. Cicero G. Lopes
    12 de dezembro de 2019

    Resumo:
    Um homem invade um apartamento vazio a enquanto aguarda a chegada dos moradores, divaga sobre o passado e aos poucos, vamos conhecendo sua história e a motivação que o guiou até ali.

    Considerações:
    O autor faz a construção da história aos poucos, colocando luz aqui e alí e vai revelando, coisas, detalhes, deixando pistas pelo caminho que somente no final é que serão resgatadas. Boa escrita, grande técnica e domínio da narrativa. Só me restou uma pergunta: porque a vingança direcionada ao sujeito que julgou e não contra os autores?

  7. Gustavo Araujo
    12 de dezembro de 2019

    Ótimo conto. Daqueles que nos fazem pensar, nos fazem olhar para trás, medir nossos atos, escanear nossos propósitos. De início, talvez por causa do título, imaginei que o conto fosse a respeito de um animal, ou que um bicho narrasse sua vida por meio de metáforas, algo assim. Logo deu para perceber que se tratava de um ladrão. Aí veio a história, o motivo de ele estar lá naquela casa, daquela família. Bacana a maneira como você entremeou os fatos no presente (enquanto ele está na casa) e a história dele. São como capítulos alternados, que não deixam a atenção do leitor se esvair. Ao contrário, nos mantém ligados para saber, afinal, o que o sujeito quer. O lance do olfato serviu como fator diferencial, uma sacada de mestre que evita que o conto se afogue nos clichês que permeiam o gênero.

    O desenrolar da história serve, imagino, para o próprio autor fazer seu desabafo, destilar (no melhor sentido da expressão) sua indignação contra as “verdades” das redes sociais, seus pseudo-heróis e ainda-mais-pseudo-moralistas. Tal qual ocorre no fantástico “Bastardos Inglórios”, aqui dá-se vazão ao desejo — lá Hitler é morto numa emboscada, enquanto que aqui mata-se (ou se está prestes a matar) um filho-da-puta-moralista-de-cuecas-do-caralho. Quem nunca teve vontade de fazer isso? De deixa-se dominar pelo Capitão Nascimento e pelo Charles Bronson que se escondem em nosso âmago e fazer justiça com as próprias mãos? Bem, na vida real temos nossos freios, nossa moral, nossa ética. Mas na literatura estamos livres dessas amarras e, como Tarantino, podemos nos libertar e dar cabo desses seres abomináveis que infestam a internet.

    Quanto à parte técnica, não há o que apontar. Texto fluido, fácil de ler, com uma linguagem simples que casa bem com o personagem atormentado.

    Um conto foda, para dizer o mínimo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. jowilton
    12 de dezembro de 2019

    O conto narra a história de um homem que invade a casa de uma casa de família para se vingar do garoto que publicou um vídeo na internet em que ele, o garoto, e mais um amigo estupram uma garota. A menina violentada é filha do invasor.

    Contaço! Gostei bastante da história. A narrativa em primeira pessoa nos envolve completamente. A leitura é flui com facilidade e vamos descobrindo as poucos do que realmente se trata a história é acabamos por sentir toda a dor é ódio que envolve o narrador. O conto me pegou de jeito, sou pai de duas meninas, uma adolescente é, inevitavelmente, acabei me imaginando no lugar do protagonista, o que não foi nada agradável. Vi apenas uma palavra escrita errada, acho que o autor queria escrever “invadir” a casa e saiu uma outra palavra. No mais, um conto fodástico. Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Claudinei Ribeiro Novais
    12 de dezembro de 2019

    RESUMO: Conta a história de uma pai que, após saber do abuso que a filha sofreu por parte do namorado, resolve se vingar do abusador. Vai até o apartamento dele e o espera a fim de dar cabo à vingança. Enquanto está à espreita, começa a relembrar de uma série de episódios de sua infância e juventude.

    CONSIDERAÇÕES: O conto trata de um tema bastante recorrente nos dias atuais, sobre garotas que sofrem abuso por parte do namorado, da exposição nas redes sociais e sobre a opinião que o público acaba tendo sobre a situação.
    Sobre a escrita, gramaticalmente me parece ok. A transição de cenas me pareceu um tanto confuso, mas, talvez, fosse por eu estar cansado, não posso afirmar que de fato o seja. A linguagem empregada é simples sem, no entanto, se tornar pobre. Um ponto interessante foi a forma como o(a) autor(a) transcreve o comentário feito nas redes sociais, grafando o texto da mesma forma como estamos habituados a ler nas redes sociais, utilizando abreviações e escrevendo as risadas da forma mais usual nesses ambiente (kkkk).

  10. Rafael Penha
    10 de dezembro de 2019

    RESUMO: Narra a história de um homem invadindo um apartamento enquanto se perde em devaneios sobre a vida o amor e tudo mais. Enquanto isso, ele nos guia na história de sua família e a trágica morte de sua filha, motivo de sua invasão ao apartamento. Vingança.
    COMENTÁRIOS:

    Um conto excelente. O início leva o leitor para uma ideia de que o conto se tratará de algum tipo de roubo, perpetrador por um ladrão experiente, dada a sua tranquilidade. Sua forma de ver as coisas e de divagar enquanto está invadindo o local torna o personagem mais vívido, mais carismático, e quando ele começa a falar da história de sua filha, eu como leitor, já estava totalmente afeito a ele, a ponto de sentir a dor da morte de sua filha. Um excelente trabalho de desenvolvimento de personagem em tão curto espaço, mostrando ao mesmo tempo, repulsa e inveja por parte do protagonista.
    O enredo da história é interessante, indo de um simples assalto a um ato de vingança, mas achei sua motivação um pouco fraca. Se todo o ódio do protagonista fosse direcionado ao ex-namorado da filha, talvez seria mais verossímil, mas nada que estrague o conto ou tire o leitor da narrativa.
    A linguagem não é trivial, mas tampouco complexa, mantendo um agradável meio termo, o que anima a leitura e sua fluidez. O enredo me manteve atento do início ao fim, algo muito importante, na minha opinião. O principal ponto positivo foi a capacidade de me fazer sofrer quando narra o que aconteceu com a filha do protagonista, o texto foi muito certeiro ao gerar esse tipo de empatia ao leitor, o que não é fácil.

    Muito bom. Abraços!

  11. Paulo Luís
    6 de dezembro de 2019

    Olá, Sr. Goblino Barril, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: Um pai amargurado com uma tragédia em família, estupro com posterior divulgação pelas redes sociais, culminando com o suicídio de sua filha. Invade o apartamento da família do causador de seu infortúnio, com o intuito de fazer justiça. Enquanto aguarda a chegada dos proprietários, com muita calma bisbilhota o ambiente e até usufruindo de um jantar regado a bebidas, faz alguns furtos para simular um assalto? É a residência da família do estuprador. Entretanto, seu objetivo é fazer a justiça a seu modo.

    Gramática: A leitura flui muito bem, exceção alguns problemas de digitação como este a seguir: (aquiinvadi – Minha filhaA garota e alguns q em vez que)

    Comentário crítico: Um conto pungente, apesar de ser contado com muita leveza, delicadeza até, para tema tão pesado. Um enredo muito bem urdido, elaborado com esmero. Como é agradável ler um conto onde tudo é entendido, onde até o subentendido está bem explicado, ao contrário das narrativas com o pedantismo do hermético. É um conto forte. Um pai imbuído com o espírito de vingança tem como objetivo fazer justiça com as próprias mãos. Para tanto toma posse da residência para fazer sua retaliação. Para mim o único ponto negativo da trama: a apologia à justiça pelas próprias mãos, mas que, para quem sofreu a dor desse personagem, é mais do que justificável. Um grande trabalho, parabéns autor.

  12. Rosário dos Santoz
    3 de dezembro de 2019

    Resumo: Buscando vingança, um homem invade residência da pessoa que tinha postado um comentário extremamente revoltante sobre um vídeo de estupro de uma jovem.

    O que vi: História bem contada, com pontos de virada surpreendentes.
    O final é “completo”, apesar de aberto.
    Só o linguajar do protagonista que não parece se encaixar à sua condição social. (desculpe se isso pareceu preconceituoso).
    No mais, o conto está muito bom!
    Parabéns!

  13. Elisa Ribeiro
    3 de dezembro de 2019

    Homem tece reflexões enquanto invade apartamento de classe média alta tencionado vingar violência moral e física sofrida pela filha.

    Uma história bem contemporânea sobre violência física associada à exposição da vítima em meios digitais. É uma história bem triste e realista, mas lamentavelmente não senti muita verdade nesse narrador que se alterna entre ação e reminiscências. Talvez uma outra estratégia narrativa, a perspectiva da jovem Thais por exemplo, acrescentasse outras nuances à história além da simples vingança de seu pai, e me agradasse mais. O fato é que, desculpe, a narrativa não me cativou nem me convenceu.

    Como pontos positivos, destaco a correção gramatical e o final aberto que me agradou mais do que uma possível cena sangrenta no fechamento do texto.

    Um abraço.

  14. Pedro Paulo
    3 de dezembro de 2019

    “Mas para onde estamos indo?” Foi uma pergunta que me fiz enquanto lia as rememorações do protagonista ao ver as fotos de família, da casa que invadira. A princípio, o autor foi cuidadoso em nos dar pistas falsas, fazendo parecer que se tratava de uma invasão domiciliar, talvez de um roubo, com as conclusões do personagem parecendo indicar apenas a sua perspectiva analítica, presente desde o início do enredo. Como há um balanceamento muito bom entre as ações da personagem e suas lembranças e reflexões, a leitura se mantém em bom ritmo e é nas pequenas deduções que se percebe um profundo rancor. Isto é, embora tenha citado a internet no início e, em seguida, mencionado as redes sociais do pai do garoto, não é certo que tenha visto o Instagram de sua esposa, mas ainda assim fez um comentário sobre ela atualizar os stories todo dia, quase que de forma jocosa, uma vez que tudo o que observava vinha sendo os luxos da família. Frente às lembranças, uma relação de oposição foi se criando entre a família do narrador e a da casa invadida, um ressentimento que ainda seria de se esperar… por isso, quando se descobre a verdadeira ligação entre invasor e proprietários, o momento em que a vida que o protagonista vinha lembrando encontra a vida dos donos daquela casa, o conto toma outra proporção e se percebe tudo o que o autor magistralmente escondeu. O coração aperta, a tensão aumenta, a rápida virada de emoções perturba. O conto acaba. Muito bom.

    Boa sorte!

  15. Fabio Monteiro
    1 de dezembro de 2019

    Cheiro de Bicho

    Resumo: Um homem invade um apartamento onde vive uma pessoa que expos sua filha a imoralidade que viveu na internet. Ele o descreve como sendo um homem de uma família perfeita que vive uma vida com boas condições.

    Pontos fortes: Texto muito bem narrado. Pontuo a questão de explorar o sentido do olfato, levando o leitor a pensar nas características deste. Animais mudam seus cheiros dependendo do que estão vivendo. O próprio autor narra seu personagem com mudanças bruscas que mais o caracterizam como um animal ao final do que um ser humano.

    Ponto fraco: Aquele gostinho de quero mais. Fato. Eu não nego que queria vê-lo vingado. Sabendo das situações vividas, neste caso, me pareceu justo a tal invasão.

    Comentário geral: Cenário perfeito, narrativa bem descrita. Devo dizer que me apaixonei pelo então ladrão, assassino, ou seja lá o que for que pudesse surgir com um depois da história ter acabado.
    Vi pequenos erros na escrita “aquiinvadi”. Alguns locais com virgulas erradas e ausências de outras pontuações. Nada que eu considere relevante nas minhas analises, mas, chamo a atenção para a perfeição da história e o seu correto uso.

  16. Jorge Santos
    30 de novembro de 2019

    Este é um daqueles contos que se resumem facilmente, mas que incomodam profundamente, porque nada incomoda tanto como a constatação de uma verdade: a internet tem o poder de realçar o pior das pessoas. Neste caso em concreto, o pai de uma rapariga que foi violada e cujo vídeo foi publicado na internet pretende vingar-se de um homem que teceu comentários injuriosos.
    Enquanto pai, não duvido que a minha resposta não seria diferente, mas incidiria sobre quem publicasse o vídeo. A vingança pelo comentário é algo banal e serve apenas como motivação – ao fazer isso, o pai da rapariga está a colocar-se ao nível de quem injuriou.
    O conto serve também para descrever a diferença de classes – um eventual excesso de pedagogia: o que está em causa não é a diferença de classes, mas a estupidez de determinadas pessoas, e a estupidez é transversal a todas as classes sociais.
    De resto, gostei do ambiente do conto, da forma lenta e segura como o autor vai revelando os detalhes, sem cair na tentação de revelar tudo de uma só vez, o que prova a maturidade literária do autor.

  17. Cirineu Pereira
    24 de novembro de 2019

    Cheiro de Bicho

    Resumo:
    Cheiro de bicho, narrado na primeira pessoa, conta a história de um pai de classe baixa/média cuja filha é abusada sexualmente por rapazes de classe média/alta. Detalhe, o vídeo do ato é divulgado e a garota, humilhada, comete suicídio. O protagonista então resolve vingar-se de outro pai de família após o mesmo haver comentado o caso com maledicência nas redes sociais. Para tal, invade o apartamento vazio da família de seu antagonista e, armado, os aguarda em tocaia.

    Comentários:
    O autor(a) demonstra bom domínio do idioma e da técnica narrativa, abrindo o conto como quem sabe exatamente onde quer chegar, mas sem pressa em revelar ao leitor para onde está a conduzi-lo. Inicia com elucubrações sobre os sentidos, invade o apartamento como um mero ladrão. Conta sua história pintando a si mesmo como um cidadão de bem, deixando-nos temporariamente confusos sobre a transgressão corrente, tudo isso sem permitir que nos entediemos ou percamos o interesse para só então, ao final, nos revelar a que veio.
    Não obstante, penso que não foi feliz ao optar por narrar o conto em primeira pessoa e, menos ainda, no tempo presente, relatando os fatos no exato momento em que acontecem, como quem faz tudo de forma premeditada e extremamente consciente. Até porque nos soa um tanto incoerente que ele, o protagonista, tenha escolhido vingar-se de alguém que apenas fez comentários maldosos, ao invés de mirar aqueles que realmente violentaram sua filha.
    Ao meu ver, além dessa incongruência (nenhum ato contra os verdadeiros criminosos é citado), a narrativa peca pela falta de um caráter mais neutro e menos pessoal. O depoimento em primeira pessoa confere ao conto uma dramaticidade, ainda que mal disfarçada, bastante nociva. Da mesma forma, há no discurso um autoconvencimento e uma vaidade que beiram à pieguice e poderiam ter sido evitados por um narrador impessoal.

    Em números:
    Título e Introdução: 8
    Personagens: 7
    Tempo e Espaço: 8
    Enredo, Conflito e Clímax: 7
    Técnica e Aplicação do Idioma: 8
    Valor Agregado: 8
    Adequação Temática: 10
    Nota Final: 3,9

    Observação:
    As parciais, baseadas nos critérios, variam de 0 a 10, mas possuem pesos distintos na composição da nota final, que varia de 0 a 5.

  18. Luciana Merley
    19 de novembro de 2019

    Um homem invade um apartamento enquanto conta os motivos que o levaram até ali. Com o decorrer da narrativa, ele desvenda o fato trágico com sua filha e a relação desse fato com o ambiente em que ele está. Uma história de vingança em meio aos traços da nova realidade virtual.

    TÉCNICA
    Gosto desse desvendar da trama de modo gradual, com o aumento da tensão e do peso dos fatos como se subindo uma escada rumo ao desfecho. Entretanto, achei o começo bem desanimador e pouco revelador para um conto, exatamente por parecer-se mais com uma crônica ou um ensaio sobre a natureza humana. Outra coisa que a mim pareceu bastante vaga é o porquê ele comia na casa deles, tanto é que pensei ser ele um mendigo a princípio (ou seria pra obter a sensação de domínio?) Outro furo me parece ser o fato de ele já conhecer a casa, o cachorro, como se estivera ali em outras ocasiões (porquê?) Adquirira os hábitos e o planejamento de um psicopata?
    O meio do conto é o ponto forte, exatamente pelo desvendar gradual a que me referi antes. Já o final…(não acho que os finais devem ser sempre surpreendentes), mas esse poderia ter sido melhor trabalhado. A última frase realmente não finalizou o conto.

    CRIATIVIDADE
    Gostei do enredo e a abordagem da questão das redes sociais.

    IMPACTO
    A história é impactante. O desvendar gradual é muito interessante, mas poderia ser melhor no início e no final.

    Parabéns, boa sorte.

  19. Luis Guilherme Banzi Florido
    18 de novembro de 2019

    Bom dia/tarde/noite, amigo (a). Tudo bem por ai?
    Pra começar, devo dizer que estou lendo todos os contos, em ordem, sem saber a qual série pertence. Assim, todos meus comentários vão seguir um padrão.
    Também, como padrão, parabenizo pelo esforço e desafio!
    Vamos lá:

    Tema identificado: drama e/ou suspense

    Resumo: homem invade casa, aparentemente para cometer um assalto. Com a passagem do conto, descobrimos suas verdadeiras motivações: vingança pelo “linchamento digital” que a filha passou após ser estuprada.

    Comentário: cara, que grata surpresa esse desfecho! Valorizou 100% o conto, gostei bastante do final. Vamos por partes.

    Pra começar, devo dizer que o desfecho é indispensável pro conto, rsrs. Claro que isso é meio óbvio, uma vez que você já sabia do desfecho quando escreveu. O que quis dizer, é que o conto era meio comum, sem muita graça, até certo ponto. Porém, você teve o grande mérito de escrever de forma a deixar claro que havia algo no ar, algo de estranho que ainda não tinha sido revelado, o que manteve o interesse da leitura, um certo mistério no ar.

    Afinal, quem era aquele cara? Um bandido comum? Dificilmente! Algo me dizia que tinha um motivo pra ele estar ali.

    Achei interessante a forma como você foi humanizando o ladrão ao longo do conto, apresentando sua vida, suas paixões e sonhos, frustrações e alegrias, ao mesmo tempo que o aproximava de um animal, colocando seus instintos e capacidades como algo meio acima do humano padrão. Era uma humanização do animal-homem. hahahahaha

    No início, achei que o conto seriam apenas divagações de um ladrão, o que seria bem chato. Mas, ao final, tudo se encaixa muito bem.

    O conto deslancha absurdamente à partir do estupro da filha. Aliás, foi tudo bem triste, cara. Fiquei bem pra baixo enquanto lia, pq é algo que acontece o tempo todo, infelizmente. Já saí de vários grupos de whatsapp que os caras ficam compartilhando esse tipo de conteúdo, pq é algo terrível e que destroi a vida das vitimas. Normalmente, o tipo de discurso desses grupos, de pessoas de bem, bate perfeitamente com o que você descreveu no conto.

    Um realidade bem triste, e muitas vitimas realmente chegam ao suicidio. Seu conto é bem necessário! infelizmente, a internet está cheia dos “doutrinadores morais”, que você falou, e o linchamento virtual é muito real. Na maioria das vezes, esses mesmos doutrinadores morais são os que consomem revenge porn, e que destilam odio na internet. Foda…

    Enfim, o plot twist é fantástico, e valorizou todo o trabalho. O final é sensacional, e me arrepiou todo, enquanto lia.

    Gostaria só de ressaltar que, apesar da escrita muito boa, o conto possui alguns erros de revisão meio gritantes, como no trecho:

    !Como a carne com batatas enquanto o canal esportivo transmite uma partida de basquete. A mente, todavia, está perdida em lembranças. Limpo as mãos engorduradas nos braços do sofá. Saciado, é hora de explorar o apartamento, o que faço com o auxílio de minha inseparável lanterna. A pistola vai na cintura, afinal não estou aquiinvadi um apartamento para pensar no passado.”

    A frase final claramente é erro de revisão. Existe pelo menos mais um desse no conto. De qualquer forma, muito bem escrito, vale só uma olhada cuidadosa pra aparar essas arestas.

    Parabéns, excelente trabalho. Precisa de coragem pra tocar na ferida, assim.

  20. Priscila Pereira
    16 de novembro de 2019

    Nossa, Goblino… que conto forte! Precisa de uma revisão, tem algumas falhas na digitação. Olha, não esperava muito do conto, o começo está meio parado aí vai ficando cada vez mais interessante, e no final é um soco no estômago! Poxa vida, tô até agora impactada… 😦 E pesar que isso é tão comum me dá ainda mais dor no peito… A sociedade está cada vez mais abominável…
    Gostei do conto, parabéns por optar por um tema tão forte e executá-lo com tanta precisão. Boa sorte!

  21. Pedro Teixeira
    16 de novembro de 2019

    Olá, autor(a)! O conto é bem escrito. Há algumas poucas falhas de revisão. A reviravolta foi interessante pelo contraste entre as memórias dos bons tempos e o horror que se segue. Acho que a linguagem poderia soar mais natural, especialmente na segunda metade, em que senti falta de algo mais visceral, diante da situação exposta. Também me frustrou a revelação de que a intenção era punir o autor do comentário: acho que se o filho do casal fosse um dos estupradores e o protagonista buscasse vingança contra ele, o efeito seria mais impactante. Enfim, a escrita revela talento e a ideia é interessante, mas me parece que poderia se mais bem lapidada.

  22. Fernanda Caleffi Barbetta
    14 de novembro de 2019

    esqueci de avisar no comentário anterior que esta não é uma leitura obrigatória para mim neste desafio, por isso não há resumo. É apenas a minha breve impressão sobre o texto.

  23. Fernanda Caleffi Barbetta
    14 de novembro de 2019

    Apesar de acreditar que alguns animais amam mais que humanos, gostei bastante do seu conto. Muito bem escrito, vai nos envolvendo com a alternância entre a história do protagonista e a invasão do apartamento. Muito bom.
    Destaque para este trecho: ” O odor rançoso que exalo domina todo o ambiente. É cheiro de bicho, de besta fora de controle. Tiraram minha capacidade de amar, não podem exigir que eu seja humano”. Parabéns.

  24. Antonio Stegues Batista
    8 de novembro de 2019

    CHEIRO DE BICHO- Resumo- Homem que tem a filha violentada sai em busca dos culpados. Ele invade um apartamento e espera pelo morador para mata-lo.

    COMENTÁRIO – O enredo é simples, o argumento não é ruim, mas faltou um suspense maior. Quando se compreende o que está se passando, é só no final. Acho que o motivo do homem invadir o apartamento deveria ser revelado no início, assim geraria um suspense maior. A escrita é boa, construção das frases perfeitas, dando fluidez à leitura. Não entendi bem a história, o homem foi se vingar em quem fez o comentário na internet e não nos culpados pelo estrupo? Não entendi esse ponto, qual a prioridade do pai. Parece que o autor queria abordar o ódio gerado, em certos casos, por comentários inconvenientes na internet, feitos por usuários que permanecem no anonimato utilizando-se de perfis falsos. Algumas pessoas tornam-se feras, agem e fedem como animais.

  25. Fheluany Nogueira
    7 de novembro de 2019

    O invasor de uma casa luxuosa vai se apropriando de comida e objetos, enquanto divaga sobre diferenças sociais, reconstitui seu namoro, casamento e apresenta a filha. Ao final, o objetivo principal da invasão aparece: não é roubo. A filha foi vítima de estupro, o vídeo estava na internet e o dono da casa o comentou com maldade. A moça se suicidou.

    De início percebe-se técnica da imersão nas sensações do protagonista; até pensei que o texto seria uma crônica. Escrita ágil, voz narrativa segura, nas digressões e nas informações.

    A história apresenta uma série de situações identificáveis e o enredo traz um dilema simples, mas explorado de forma diferenciada, bem tramada. Há uma viagem imagética intensa, evocando emoções intensas, regadas pelo amor e pela paternidade, até a vingança. E ainda há uma dose de humor, quando se culpa a internet por tudo: “para ver um homem se tornar um animal, basta dar a ele acesso à internet”.

    Título, pseudônimo e narrativa estão amarrados e ajudam a entender as dicas das entrelinhas do texto. Estilo moderno e sutil, que esconde mais que mostra, produzindo uma atmosfera enigmática.

    Gostei, em especial, do “aquiinvadi”, com ares de termos jurídicos. De todo modo, é um texto competente, bem escrito, de certa maneira com boa dose de ousadia.

    Parabéns pelo trabalho consistente. Boa sorte na Liga. Abraço.

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Informação

Publicado às 1 de novembro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 4, R4 - Série A e marcado .