EntreContos

Detox Literário.

Poá (Shay Soares)

 

Vânia Muscato e sua inteligência artificial (IA) PK857 foram as autoras de Se Fôssemos Outros, livro lançado no Ciclo 349 que contém, para surpresa de todos (inclusive de Vânia), um método real de viagem temporal. 

Aparentemente Vânia tinha em seu inconsciente fragmentos de uma linha de raciocínio que deram para a IA uma direção que culminou na criação da fórmula. A veracidade do método foi indicada pela física Meinnia Oskerch, leitora assídua de Vânia, que ficou curiosa com uma fórmula tão detalhada numa obra artística.

As autoridades ainda não se manifestaram sobre o assunto. O livro já estava circulando e havia alcançado cerca de 500 exemplares quando teve sua distribuição suspensa. Apesar de não haver qualquer indicação de pessoas ficando offline para tentar experimentos, é importante ressaltar que uma simples alteração temporal pode afetar completamente nossa realidade.

Para os interessados na experiência de viagem no tempo indicamos o Simulador Vetron 1997.

“Hmmm… uma matéria real, uma ação de marketing do livro, uma autopromoção da cientista ou apenas uma propaganda do simulador?” – pensou Poá fechando o jornal e se recostando.

Deixou o olhar ir ao longe. A praia do pôr do sol era sempre assim: o mar calmo,  pequenas ondas quebrando, a brisa leve carregada de sal, o sol cortado pelo horizonte e as nuvens roxas colorindo o céu. Poá reconhecia todas as características. Essa era sua praia preferida, sem as bugigangas modernistas, sem os detalhamentos irreais, apenas mar e areia.

Fechou os olhos e sentiu o calor do sol, o cabelo sendo acariciado pelo vento. Ângela estava atrasada, a surpresa seria ela realmente aparecer. Não sabia muito bem o porquê de a ter chamado, foi a lembrança da risada dela quem enviou a mensagem. Poá apenas aceitou que uma parte dele precisava vê-la. Estendeu as mãos alongando seus braços, as nuvens roxas servindo de fundo para o espaço entre seus dedos. Ouviu o som de bolinha de chiclete, Âng havia chegado.

– Não achei que fôssemos nos ver tão cedo – ela falou sem olhar na direção dele, se sentando na espreguiçadeira ao lado.

– Bom – respondeu Poá em tom incerto – fazem uns 80 anos.

– Exatamente.

Apesar de esperada, a indiferença de Ângela doía. Ele entendia o porquê, ninguém melhor do que ele para saber, mas isso não tornava mais fácil. 

– O que aconteceu? Por que você me chamou? – ela quis saber.

– Eu não tenho certeza. – ele hesitou – Quando a gente se separou…

– Quando você foi embora – ela o corrigiu.

Poá procurou abrigo no olhar dela, mas Ângela encarava o mar.

– É, – ele continuou – eu me sentia vazio. Procurei várias coisas, simuladores, – ele a viu revirar os olhos – não sabia o que faltava, então simplesmente fiquei procurando alguma outra coisa. Alguma que fizesse algum sentido… Aí um dia entrei na comunidade de VP.

– VP, vidas passadas? – ela respondeu olhando-o pela primeira vez, baixou os olhos quando encontrou os dele – Nossa Poá, isso é muito zoado. 

– Eu também achava, você sabe, mas sei lá. 

– Você simulou?

– Por quarenta anos… na minha VP como refugiado em 1953. Mais 15 como fazendeiro e…

Ângela fez um movimento pedindo para que ele se calasse. Ela não falou de imediato, teve vontade de chorar, por alguma razão sentiu que aquilo era responsabilidade dela. Sempre soube que Poá era um pouco nostálgico, mas nunca havia pensado que fosse acabar assim.

– Quarenta anos é muito tempo – disse por fim.

– Achei que nem oitenta fossem – respondeu Poá num esboço de sorriso.

Ela não correspondeu a tentativa de brincadeira. O cabelo dela ficava avermelhado contra o sol, essa era uma das coisas preferidas dele. Não o cabelo em si, mas ela atestar que era exatamente igual ao verdadeiro. Poá achava graça na inocência dela em acreditar naquilo, nenhum cabelo muda de cor na vida real. No fundo achava que ela sabia disso, mas fingia que não. A voz de Ângela o puxou para a conversa novamente:

– Há quanto tempo você está nessa praia? Nesse pôr do sol?

Poá se remexeu, a reação que sabia que ela teria com a resposta o envergonhava. Não queria ver a decepção no rosto dela, antes que pudesse evitar acabou dizendo:

– Vou ir offline.

Ângela se sobressaltou ao lado dele.

– Como assim?!?! – disse se virando e estendendo a mão.

O toque dela fez um leve calor se alojar no meio do peito de Poá. Era a primeira vez que ele sentia alguma coisa em muito tempo. Os olhares se encontraram, os dois sentiram um rebuliço na boca do estômago. Afinal, oitenta anos não eram suficientes.

– Você não pode fazer isso! – ela disse com certo desespero, estava aflita – Não tem nada lá! Poá!

Era possível ver que Ângela ainda se preocupava. Mas ele não podia ter certeza, até onde sabia, aquilo tudo poderia ser ajustado pela máquina. Ela vendo nele um pouco mais de dor e ele vendo nela um pouco mais de compaixão.

– Não tem nada para mim aqui, Âng. Isso tudo, – disse levantando e apontando ao redor – nada disso faz sentido para mim. Eu não consigo me livrar do pensamento de que nada disso aqui é real, até onde entendo você pode nem estar aqui.

Ângela abriu a boca para responder, mas foi interrompida:

– Você vai falar o quê? Que não é assim?! Mas é assim, você, LITERALMENTE, pode ser apenas fruto da minha imaginação – deu uma risada ansiosa – Essa praia nem existe! Você talvez nem exista mais! Ou pior, talvez exista e a gente nunca se conheceu de verdade! Talvez você seja apenas um aglomerado de códigos que a porra dessa máquina criou a partir das minhas preferências. Não dá! – ele conteve a voz exaltada e terminando quase num muxoxo – Você sabe, eu não consigo.

A demonstração foi suficiente para Ângela recordar as brigas. Ela entendia, realmente aquilo tudo era uma realidade forjada pela máquina, mas ninguém ligava, cada um podia viver exatamente o que queria, inclusive uma simulação de vida offline. Mas aquilo não bastava para Poá, ele era diferente.

– Quantos anos você tem offline?

– Meu corpo é novo, uns 22 anos… Em condições de reabilitar – encarou as mãos – Tem mais pessoas lá fora Âng, não sou o único.

Aquilo era difícil.

– Você não sabe isso – ela contestou – de acordo com você mesmo, não se pode ter certeza de nada. Tudo o que falam sobre comunidades offline pode ser mentira. Para eles é muito mais fácil ter a gente aqui. Ninguém sabe o que acontece com quem vai offline, P, você sabe disso.

– Eu preciso ir, não tenho ninguém aqui, não consigo ter alguém… Não tenho nem você – percebeu que ela segurava as lágrimas – Nada disso tem a ver com você, você foi a melhor coisa que podia ter acontecido comigo. Sou eu. Você sabe que sou eu. – pensou por um momento – Realmente espero que você exista. 

Ela se levantou e se aproximou. Os dedos procuraram abrigo no peito dele, mas ele a afastou.

– Sinto sua falta – ela falou – mas não vou tentar te convencer a ficar, nós dois sabemos que não tenho mais nada para te dar. Espero que encontre o que procura.

Poá ouviu o chiclete estourar, ela havia ido. Quis chorar, mas não conseguia, ele estava quebrado. Pensou em ir para casa, mas não havia nada lá também.

– Ordem de sistema – chamou.

– Boa tarde Poá, estou à disposição – respondeu a assistente.

– Iniciar protocolo de saída do modo de realidade virtual.

– Protocolo iniciado, aguarde extração.

 

——— 

 

Sub OrderComand ()
______‘ extrair conteúdo
__Machine answer to System
______‘ protocolo recebido
__Answer = InputBox (Prompt:= extrair conteúdo)
______‘ protocolo válido, sem pendências legais
__Machine status:
______‘Protocolo ativado. Consciência desconectada.
__Machine order:
______‘Preparar para despertar.
__End If
End Sub

 

——— 

 

Poá acordou apertando os olhos contra uma forte claridade, tentou colocar a mão para proteger, mas os braços não estavam respondendo, estavam pesados e meio descontrolados. Aos poucos o quarto foi escurecendo e quando finalmente Poá conseguiu abrir os olhos notou que uma mulher o observava da ponta da cama. Ela sorriu:

– Como você está se sentindo? Consegue falar?

Poá tentou responder que sim, mas percebeu que não conseguia formar nenhuma palavra. Ouviu a máquina ao lado da cama apitar mais rapidamente marcando seus batimentos.

– Está tudo bem – continuou a mulher – isso é normal. Seu corpo esteve inerte por anos, o tempo de reabilitação será de alguns meses e você vai recuperar todas as suas funções motoras. Me chamo Verona e sou quem vai te acompanhar durante esse processo, ok?

Poá assentiu.

– Você tem interesse em usar um leitor de pensamentos para se comunicar – Verona nem precisou terminar a frase, ele já recusava com a cabeça – Certo, combinado. Vou chamar o César aqui, que vai te acompanhar durante a sua alimentação nesse mês. Nós vamos começar com comidas mais simples, para que o seu corpo se habitue a processar alimentos. Cada pessoa tem uma reação diferente, mas espere por vômitos, rejeições, cólicas… – ela percebeu o olhar assustado de Poá – você leu sobre o processo de reabilitação antes de solicitar, né? 

A expressão dela ficou repentinamente zangada com a resposta negativa dele, baixou os olhos para o tablet e começou a resmungar enquanto preenchia informações sobre Poá. Se dirigiu para a porta sem sequer voltar a olhar para ele:

– Vou mandar alguém vir aqui para te explicar sobre o processo de reabilitação, depois volto com a sua programação.

 

————————–

 

– O que você escolheu? – perguntou um garoto mais ou menos da idade de Poá.

– Fazenda, me falaram de uma vila, no sul de Mosaico. Você? – o garoto não expressou reação.

– Peguei um estágio na Máquina, sou engenheiro técnico, tenho 53 ciclos de experiência.

– Uau. E você só conseguiu um estágio? 

– É, são 75 para efetivar. Vou fazer 5 anos aqui e depois volto online para terminar.

– Hm… – Poá estava lutando para achar alguma coisa para responder, mas foi salvo pela entrevistadora.

– Poá? – ela chamou.

 

————————-

 

O ônibus parou em frente a uma estrada de terra. Poá foi o único que desceu ali, olhou para os lados procurando alguém que o tivesse vindo buscar, não encontrou ninguém. Se convenceu de que ali as pessoas tinham seus próprios afazeres, que aquilo era importante para ele, mas que para os outros aquele era só um dia comum. Em nenhum momento admitiu a leve frustração que sentiu.

O chão era úmido e às árvores que ladeavam a estrada se tornavam cada vez mais densas, em pouco tempo de caminhada não era mais possível ver o céu. O ar preenchia muito mais do que qualquer outro que já tivesse inspirado e a cada passo o alvoroço no estômago aumentava, uma inquietação. Aquilo era novo.

Apesar do frio, o suor começou a se formar na nuca, a terra úmida se transformou em lama. Mesmo tendo estudado o caminho, não havia contado com a lama, ou com o frio, ou com a fome. Ainda faltava uma boa parte do trajeto e ele já estava exausto.

Chegou muito mais tarde do que havia previsto, já era a hora da penumbra. Talvez tenha sido o cansaço, ou a luz, mas a cidade não parecia ser o que ele esperava. Ninguém pareceu notá-lo. Se dirigiu a um senhor que pesava sacos de batatas:

– Olá, com licença – o homem levantou os olhos para Poá e assentiu com a cabeça num cumprimento mudo – estou procurando por Júbi.

O homem voltou a atenção para as batatas e foi falando: 

– Ai, que essa hora ele não vai querer falar contigo não, ô. Faz assim ó, umas quatro casas pra frente e tu vai ver a Hospedaria do Romora, ele sempre recebe quem chega da máquina. Aí umas oito o Júbi aparece lá.

– Hospedaria da Romora?

– Isso, umas quatro casa – disse o senhor gesticulando a direção.

A hospedaria era, na verdade, um bar com alguns quartos nos fundos. Todo o lugar, inclusive o próprio Romora, pareciam uma taberna saída de algum filme antigo. O quarto era grande e vazio, o banho foi gelado e Poá fez um grande esforço para ignorar a cama e ir ao bar esperar por Júbi.

Passava um pouco das nove quando Romora apareceu no balcão, não dirigiu nenhuma palavra à Poá, se contentou em secar os copos já secos com um pano sujo. O bigode cobria a cara do homem que usava uma regata surrada. No último copo puxou uma cachaça para servir, antes que terminasse o sininho da porta de entrada soou.

– Sempre pontual – resmungou Romora satisfeito.

Júbi se aproximou do bar, a careca combinava com a pança saliente sob a camisa listrada. Beibericou a cachaça levemente e fez um careta.

– Então você é o novato – disse encarando o copo.

Poá demorou a perceber que se tratava dele, foi o olhar fixo de Romora quem o alertou.

– S-Sim – gaguejou, saindo do transe involuntário – Sim, sou Poá. 

– Poá? Hm – Júbi tinha um ar cético – E o que você acha que vai encontrar aqui, Poá? 

– É… – de repente sentiu que não sabia conversar – Hã… Acho que… sei lá, eu sentia que as coisas na realidade da máquina eram um tanto… vazias…

– Hm… Sei… Bom – disse elevando o tom – amanhã te levo na tua casa e te mostro as terras lá – terminou a bebida e bateu com o copo no balcão, como que em despedida.

A casa era pequena, ficava no meio da  colina e naquele momento as vacas pastavam ao redor. O cheiro de estrume estava forte e ardeu as narinas de Poá. Júbi mostrou as marcações da terra e foi embora, ninguém queria muita conversa por ali. Não pela primeira vez, Poá se perguntou se havia feito a escolha certa.

Os dias foram avançando, cada vez mais longos e solitários. Café, coberta e um olhar para o horizonte viraram o dia-a-dia. Vez ou outra uma ida à vila para trocar alguma coisa por outra, raramente trocava alguma palavra. 

Numa manhã cinzenta foi que viu. Lá embaixo na estradinha de barro, vinha uma figura de vermelho caminhando contra o vento. As mãos abraçando o corpo, numa tentativa de afastar o frio. Um rebuliço o tomou, quando percebeu já gritava:

– Ângela?!

A mulher levantou o rosto e sorriu para ele. Era Ângela, era? Involuntariamente Poá correu em direção à ela, sem acreditar que aquilo realmente estivesse acontecendo. Quando a alcançou a segurou pelos braços, decidindo o quão real aquilo era. Abriu e fechou a boca várias vezes, numa tentativa falha de dizer alguma coisa. Ângela só ria das reações dele.

– Eu sei, eu sei – ela disse – loucura, né?

– Mas o quê… – ele começou sem conseguir terminar.

– Fui te procurar – ela respondeu quase gritando para que a voz vencesse o vento – naquele dia, depois daquela conversa. Eu fui te procurar pra te dizer que não queria que você fosse.

As palavras alavancaram um turbilhão de sentimentos felizes e confusos em Poá, quando se deu conta ele estava chorando, estava feliz como não lembrava. Se abraçaram, os cabelos de Ângela batendo no rosto dele, avermelhados contra a luz do sol. 

“No fim ela tinha razão, o cabelo que ela usava na máquina era igual ao verdadeiro” – pensou Poá, sem perceber que aquela frase se tornaria uma dúvida que o perseguiria pelo resto da vida.

Anúncios

21 comentários em “Poá (Shay Soares)

  1. Renan de Carvalho
    15 de setembro de 2019

    Um usuário de realidade virtual, após um encontro com uma antiga paixão, resolve se desconectar e viver a vida real, passando pelos processos do desligamento, as reintegrações de sua nova Vida no campo, até o dia que encontra sua paixão, também no mundo real.

    Conto bem escrito. Um parênteses no tempo que permite no fim a dúvida de escape real ou não. Intrigante.

  2. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Homem vive numa realidade virtual, mas resolve sair dela, quando sai, ao se deparar com sua amada também lá fora, tem dúvidas se realmente saiu.

    Envia a ideia para a Produção do Black Mirror (rs). Adorei muito o texto e fiquei um bom tempo pensando se este não era o meu conto preferido deste certame, como ele não está ali figurando entre os meus escolhidos, você já sabe que o seu é o segundo. 😉
    Não tenho muita crítica ao que fazer, até as separações nos textos que o pessoal do Entrecontos tem o mal costume de fazer, neste texto está quase OK. Discordo um tanto de fazer a separação da última parte do conto, mas como é feita com apenas um sinal, um tanto diferente das outras separações, OK, mérito na diferenciação.

  3. tikkunolam90
    15 de setembro de 2019

    Resumo: Como o escapismo é uma das características mais comuns do ser humano, parte da humanidade se refugiou num mundo online. Poá, seguindo contra a corrente, sempre sentiu-se vazio com aquilo tudo, percebendo a falta de realidade em tudo. No final, abandonou tudo, seu amor e o conforto da Máquina, aventurando-se no mundo real e offline. No final, o vazio permaneceu, como sempre, mesmo tendo um breve lapso de alegria ao ver o amor na porteira da fazenda.

    É o melhor conto dessa certame…

    De certeza!

    FC de qualidade, com ambientação sólida, e leves tons de Sabrinesco, sem aquela fusão deformada que alguns tentaram no desafio em geral (incluindo meu conto, hahaha).

    Além disso, e de uma escrita leve e cativante, você abordou uma questão atemporal, dando universalidade para o conto. O vazio existencial. E fez isso com propriedade. Cada pequena frase, cada grande palavra, nota-se que o personagem busca por algo que não sabe o que é, idealizando aquilo que está longe, igual fazemos em nossa realidade, desde sempre, do Egito Antigo ao tempo contemporâneo.

    Há muita informação nas Entrelinhas. Senti que o mundo e como ele funciona na realidade que criou precisava de um pouco mais de desenvolvimento para deixar a história perfeita, acredito que o limite não tenha sido justo com isso, mas conseguiu trabalhar muito bem dentro da limitação. Não criou subtramas desnecessárias, focando-se no que importa.

    Realmente, merece todos os meus parabéns! Obrigado por essa leitura!

  4. Leo Jardim
    15 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: num mundo onde quase todos decidem viver em uma realidade simulada, Poá opta por ser desconectar e viver a vida offline. Depois de passar muito perrengue que ele não passava na simulação, finalmente reencontra a mulher que era apaixonado na simulação e não sabia se era de verdade. Viveram, então, uma vida sem nunca ter a certeza se era real ou não.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): esse é um daqueles casos clássicos de muita história para pouco espaço. A trama é enorme e o universo criado é bastante rico, mas creio que ficou um pouco disperso dentro do ensaio filosófico que o texto proporciona sobre o que é real e o que é simulado.

    As cenas são bonitas e bem descritas, principalmente a da praia, mas acabaram ocupando espaço (palavras) demais. A parte inicial, por exemplo, com o texto em itálico, chegou a acrescentar alguma coisa? Ela fala sobre viagem no tempo de pessoas que ficaram offline, mas houve essa viagem no fim? Fiquei com isso na cabeça e não consegui chegar a uma boa conclusão no fim. Acho que ficou meio perdida.

    ▪ “sem perceber que aquela frase se tornaria uma dúvida que o perseguiria pelo resto da vida” – a frase que encerra o conto é muito boa, porque acabou me fazendo remexer na cadeira: ele nunca saberia, afinal, se aquela era a vida real mesmo ou uma simulada.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): é boa, com boas descrições de cena. Precisa trabalhar melhor para cortar as gorduras (em textos curtos, nada deve sobrar) e em alguns poucos deslizes de pontuação.

    ▪ – Eu não tenho certeza. – *Ele* hesitou (pontuação no diálogo)

    ▪ __End If (tem um erro de compilação aqui, um end if sem if 😁)

    ▪ No último copo *vírgula* puxou uma cachaça

    ▪ antes que terminasse *vírgula* o sininho da porta de entrada soou

    ▪ Quando a alcançou *vírgula* a segurou pelos braços

    Obs.: Sobre pontuação no diálogo, escrevi um artigo explicando a regra mais comum: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

    🎯 Tema (⭐⭐): FC [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): é um universo rico, mas aquilo que o conto apresenta não chega a ser tão diferente de outros semelhantes.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): a impressão geral é boa, a frase final, como já disse, faz pensar. No todo, porém, achei o texto meio confuso e denso. Ou seja, um bom conto, mas que pode ficar ainda melhor.

  5. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 A história de um jovem que viveu por muito tempo em uma realidade virtual, e cansado disso resolve voltar para a vida normal ficando offline. Aos poucos ele tenta se habituar a nova vida e algumas frustrações. No fim ele tem uma surpresa de encontrar um amor da realidade virtual na real.

    Enredo🧐 Um enredo simples mas muito bem executado. Escrita agradável com uma boa ambientação e belas descrições. O personagem é verossímil, o mundo apesar de não se falar muito dele, está claro pro leitor. Futurista com pessoas imersas em uma realidade virtual onde outras vivem offline. Apesar de a frase final deixar em dúvida se realmente existe uma vida fora da simulação. Talvez eu tenha deixado algo passar…

    Gostei 😁👍 Gostei do Poá, de Ângela… da forma como foi construída as paredes dessa história, o retorno à vida normal e os passos que o levariam até a certeza que fez a coisa certa ou não.

    Não gostei🙄👎 De não ter certeza se entendi a história rsrs o começo é confuso, fala sobre viagem.. ai o final deixa a entender que talvez ele não tenha ficado ‘’ off’’

    Impacto ( (😕😐😯😲🤩)😯 Não é uma leitura com surpresas e reviravoltas, mas tem um ritmo agradável, cria-se algumas expectativas e estas não são frustradas.

    Tema (🤦🤷🙋)🙋 Está bem sci-fi.

    Destaque📌 “Sub OrderComand ()
    ______‘ extrair conteúdo
    __Machine answer to System
    ______‘ protocolo recebido
    __Answer = InputBox (Prompt:= extrair conteúdo)
    ______‘ protocolo válido, sem pendências legais
    __Machine status:
    ______‘Protocolo ativado. Consciência desconectada.
    __Machine order:
    ______‘Preparar para despertar.
    __End If
    End Sub” Achei isso bem….verossímel.

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) =🙂 Um conto que cumpre o que propõe, bem escrito e interessante.

    Parabéns!

  6. Elisa Ribeiro
    14 de setembro de 2019

    Um FC sabrinesco muito light. Achei o enredo interessante e a história está bem contada. Ao terminar fiquei me perguntando qual a necessidade da Vânia Muscato, do livro escrito por ela e da Meinia Oskerch para a trama, o que me forçou a reler o começo do conto. A conclusão que cheguei foi de que a começo seria uma espécie de reforço da ambiguidade do final. Só que nesse caso, acho que seria interessante retoma-lo (as personagens ou o livro) mais próximo ao final, para evitar essa sensação de personagens/acontecimentos desconectados da trama.
    O casal jovens e a forma leve e romântica de mostrar o romance entre eles deram um ar juvenil à trama o que, a meu ver, valorizou o seu trabalho.
    Um abraço.

  7. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    Poá, após uma decepção amorosa, decide sair da realidade virtual em que as pessoas vivem. Ao se desligar da máquina, passa a viver uma vida pacata na fazenda e o amor lhe dá mais uma chance.

    CONSIDERAÇÕES
    O diálogo entre os dois personagens é muito bem descrito e carismático. No meio desse diálogo é introduzido a condição de vida das pessoas nesse âmbito, sem parecer didático, pelo contrário, parecendo natural para os personagens. O protagonista não parece evoluir, entretanto. Levando a dúvida se ele estava cansado da vida online ou se apenas não queria viver naquele lugar sem o amor de Ângela.
    As descrições são boas e fácil de visualizar, porém, em um momento é usado o termo “saída de algum filme antigo” que me causou uma confusão, pois o que significa um filme antigo naquela realidade? Filme da nossa época? Da época que consideramos antigo? Filmes do futuro, pois eles estão mais no futuro ainda? Somente esse momento me faz sair da suspensão da descrença e foi algo bem rápido. Fora isso, a maneira como a sociedade é apresentada e articulada no início do conto é bem interessante. Essa construção é um dos pontos fortes do conto.
    A narrativa é bem interessante, mas parece prometer mais do que oferece. O início é dado de forma a criar expectativas sobre o conflito existencial do protagonista e que isso revela uma contradição nessa vida virtual, além da que é exclamada por ele no fim da discussão com Ângela. Mas a narrativa termina de uma maneira previsível: talvez ele não tenha saído da realidade virtual. A motivação do protagonista parece se diluir logo quando ele passa para a suposta realidade.
    O texto segue um ritmo bom, sem problemas de fluidez.
    NOTA 4,2

  8. Elisabeth Lorena
    12 de setembro de 2019

    Poá (V.M.)
    Conto Ficção Científica
    Resumo: Em uma realidade paralela vivida no mundo virtual um homem resolve desistir de suas experiências de vida e viver offline. Sua decisão é contestada por uma mulher de seu passado, por quem ele ainda nutre sentimentos. Após retomar sua vida na terra, acaba tendo uma nova oportunidade com ela.

    Comentário
    Geral
    Estrutura: O relato sobre a escritora Vânia e sua inteligência artificial, como introdução é desnecessário e cria um equívoco narrativo, pois anuncia a viagem no tempo como uma possibilidade recente, porém Poá já vai fazer uma, afinal planeja voltar a viver offline e para isso voltar aos seus pouco mais de 20 anos.
    Linguagem. Sem surpresas. E alguns erros pontuais com o uso pronominal “lhe por te/tu”, excesso de “você” em alguns diálogos, problemas comuns no ambiente de fala que não foram retirados da narrativa na edição: “Fui te procurar – ela respondeu quase gritando para que a voz vencesse o vento – naquele dia, depois daquela conversa. Eu fui te procurar pra te dizer que não queria que você fosse.”
    Rama: Apesar do deslize com a Introdução, a trama entra nos eixos no Desenvolvimento.
    Desenvolvimento: Detalhado, com apresentação dos fatos de forma gradual.
    Foco Narrativo: Terceira pessoa.

    Poá é um Conto sobre uma viagem iniciática, um trânsito para a maturidade que parte da idade avançada na realidade virtual para a juventude da vida offline. Dado a idade do retorno há ainda muita ansiedade e preocupações em Poá que se estabelecem na descrição de sua rotina:
    “Os dias foram avançando, cada vez mais longos e solitários. Café, coberta e um olhar para o horizonte viraram o dia-a-dia. Vez ou outra uma ida à vila para trocar alguma coisa por outra, raramente trocava alguma palavra.”
    Enquanto viagem de conhecimento, não há um inimigo exterior a vencer a não ser a desorientação vital e os próprios medos de uma vida adulta, ou seja, vencer a si mesmo. O Conto começa sem explicação de como se deu a viagem inicial e não faz falta pois o retorno mostra como aconteceu.
    As personagens são seres concretos, sem laços externos além dos que entre ambos tanto no mundo virtual como no real. E essa falta de vínculos é o que determina a escolha da nova vida em uma fazenda, sem proximidade com parente ou amigos para o qual tenha que explicar a ausência.
    O contraste entre as realidades distinta que seria o ponto alto da narrativa é pouco trabalhado, infelizmente: o sentir o novo espaço com odores e calores, diferente do anterior programado e limpo. Esse contraste aparece em alguns pontos da narrativa: “Apesar do frio, o suor começou a se formar na nuca, a terra úmida se transformou em lama. Mesmo tendo estudado o caminho, não havia contado com a lama, ou com o frio, ou com a fome. Ainda faltava uma boa parte do trajeto e ele já estava exausto.” Há ainda a cena descrita do copo limpo e seco sendo enxuto com o pano sujo e depois surge a percepção do olfato no ponto há em que mostra o incômodo de Poá: “O cheiro de estrume estava forte e ardeu as narinas de Poá.”
    O Conto pode ser classificado em primeiro plano como de Ficção Científica e como pano de fundo temos a viagem iniciática que tem até um Final feliz, afinal, a mulher, Ângela, também desiste de viver online e vai atrás dele. Em tempo, pano de fundo, porém importante.
    Sucesso no embate.

  9. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: A maioria das pessoas no mundo (futuro) vivem online em um programa onde a consciência vive em um mundo construído artificialmente. Um homem, Poá, não consegue encontrar paz neste mundo e decide sair dele. Ao voltar à sua vida verdadeira (offline), vai morar num lugar isolado. Quando menos espera, Ângela, um grande amor da vida dele, vai ao seu encontro.

    Olá, V.M. Achei seu conto bem escrito. Algumas passagens (metáforas e comparações) foram muito bem construídas e gostei do resultado como em: “foi a lembrança da risada dela quem enviou a mensagem”; “as nuvens roxas servindo de fundo para o espaço entre seus dedos”.

    Achei interessante a descrição do desassossego do personagem principal. Aquela famosa sensação de incômodo e não pertencimento, bastante presente nos dias atuais e principalmente em histórias que têm por tema ficção científica, um plano futurístico.

    Gostei da fuga do personagem do mundo artificial. Me fez lembrar de Matrix. Também teve um que do romantismo, que é a reclusão do personagem para o campo, o afastamento da cidade e a busca de encontrar a essência de continuar vivendo. O que me fez lembrar de algumas obras de Eça de Queiroz.

    Gostei do resultado! Parabéns!

  10. Estela Goulart
    11 de setembro de 2019

    Poá vivia uma realidade simulada quando, depois de uma conversa com Ângela, decide voltar à realidade. Lá começa a trabalhar num terreno dado por Júbi. Quando reencontra a mulher.

    Bastante superficial, mas interessante. Alguns momentos ficaram vagos, muito rápidos. Eu não sei ao certo, mas podia ter dado ênfase em alguns parágrafos ao invés de outros. Ficou confuso em alguns sentidos. Talvez pudesse ter trabalhado melhor na composição do conto.

  11. Fernando Cyrino
    9 de setembro de 2019

    Olá, V.M. você me traz uma ficção científica com uma viagem no tempo. Num mundo futuro se vive de forma triste e vazia e Poá busca uma vida diferente e simples num passado atávico. Volta e, de novo, vai se entediando com o que vive até que chega por lá, vinda também do mundo no qual viviam, podendo ser real, ou não, a mulher que ele um dia havia abandonado. E então Poá fica feliz novamente. Achei que a sua história tem um enredo bem legal. O argumento é interessante e rico. Mas mesmo assim, achei que ficou me faltando algo. Foi como que se a história tivesse perdido algum parágrafo… Bem, reli, refleti e continuei com a mesma sensação. Deve ser um problema meu. Um bom argumento, uma boa história e algo parece estar faltando para gerar mais emoção, mais encantamento, talvez. Também senti, V.M. que o seu conto merece, por conta de alguns pequenos detalhes, de uma última revisão. Receba o meu abraço.

  12. Luis Guilherme Banzi Florido
    6 de setembro de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 45 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: homem se cansa da realidade virtual em que vive, pede a extração, é realocado a trabalhar numa fazendinha, e reencontra a amada, agora no mundo real. Ou será que não? heheheh

    Comentários:

    Gostei!

    Um conto bem interessante, que capturou minha atenção logo de cara, com aquela propaganda do simulador. Depois disso, toda a forma como o conto foi construído ajudou a manter o interesse e valorizou o excelente tema. Pelo menos excelente pra mim, que adoro essa temática. Surpreendentemente, acho q é só o segundo ou terceiro conto com tema meio matrix que vejo no desafio. Imaginei que haveria mais.

    Enfim, você trabalhou super bem um tema que já é muito bom, naturalmente.

    O ambiente depressivo do protagonista ficou bem visível, e as angústias de uma vida falsa permearam todo o texto. De que adianta a vida eterna e sem dificuldades ou desafios, no fim? imagina 80 anos separado da pessoa amada, sem nem mesmo saber se ela é real?

    Essas angústias de poá chegaram ao ponto de fazê-lo optar pela vida real, com suas dificuldades e sua limitação.

    O reencontro do casal, no fim, ainda que previsível, ficou muito bom. Acho que o final aberto ajudou muito nisso, pois, de outra forma, seria um final um pouco sem graça, já que bastante previsível.

    É claro que o final aberto, nesse tipo de história, também é previsível hahaha. Jamais, nessas histórias, é possível saber o que é real, e o que é falso. Talvez, a própria possibilidade de sair do sistema seja algo programado, dando a impressão de liberdade que não existe.

    No fim, será que a liberdade realmente existe, ou estou programado pra questionar isso, aqui? Hehehehe

    Um ponto alto do conto são as excelentes descrições! Você é muito bom nisso, e as passagens são bastante visuais. Parabéns. Destaco especialmente a frase: “as nuvens servindo de fundo para o espaço entre seus dedos”. Adorei”

    Existem alguns errinhos gramaticais ao longo do conto, como crase e concordância, além de uma ou outra pontuação. Nada comprometedor. Exemplo: “Fazem uns 80 anos” => “Faz uns 80 anos”.

    Enfim, muito bom, gostei! Parabéns e boa sorte!

  13. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá, V.M, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: Em um futuro distante, Individuo ler matéria de jornal, durante pôr-do-sol na praia, sobre certo lançamento de um livro, enquanto aguarda chegada da ex-mulher. Entretanto, tudo se entrelaça em um relacionamento em realidade virtual e off-line, (ou irreal) como se ambos fosse um programa computadorizado?

    Gramática: Nada perceptível de muito grave. Exceção a este, “fazem”(Faz) uns 80 anos. Seria o correto.

    Comentário crítico: Uma ficção científica de um futuro bem distante? Ou um simulacro das relações atuais em rede? Sinto informar, mas não tenho nenhum, ou quase nenhum, entendimento ultra-científico, mais ainda quando se trata das ciências da cibernética. Mais ainda quando esses relacionamentos se entrelaçam entre o real e o virtual. Como a passagem para o lugarejo, a pensão, o bar. Não entendi em nada essa transposição. Portanto, minha análise quanto a esta temática será um tanto sem grandes fundamentos. Mas de certa forma posso dizer que gostei bastante da forma como foi conduzido o enredo. Em vista disso, minha análise ficará apenas na subjetividade do entendimento da história em si.

  14. Evandro Furtado
    4 de setembro de 2019

    A história de um sujeito que vive em uma realidade virtual. Depois de muito tempo ele resolve sair dela.

    O conto, sobretudo no que se refere à sua narrativa, é um pouco confuso. Eu confesso que alguns trechos não deixam claros se estamos vendo um flashback ou se a narrativa é linear mesmo. Isso acaba por prejudicar um pouco o impacto causado ao leitor, já que é preciso ficar voltando em trechos anteriores para rever o que está acontecendo.

  15. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de agosto de 2019

    Muito bonito o seu conto. Parabéns. Conseguiu unir FC e romance, e ficou muito bom. Essa parte, em especial, me arrepiou: “– Fui te procurar – ela respondeu quase gritando para que a voz vencesse o vento – naquele dia, depois daquela conversa. Eu fui te procurar pra te dizer que não queria que você fosse.”

  16. Poá

    Em um futuro aparentemente distante, seres humanos vivem em vidas virtuais, em simulações que reproduzem todas as sensações do real. Durante um pôr do sol, Poá encontra Ângela, por quem aparenta ser apaixonado. Não se veem há 80 anos. Ele a comunica de que irá para o offline. Âng fica preocupada, tenta mudar sua ideia, mas Poá está certo do que quer. Poá volta para o offline, seu corpo é jovem e ele inicia os procedimentos para se adaptar. Ele vai para uma fazenda chamada Mosaico. Segue sua vida em uma pequena casa no meio de uma colina. Passam-se dias longos e solitários até que surge Ângela, para sua alegria. Aparentemente, ela veio até ele na vida offline. Mas um detalhe em seu cabelo faz Poá colocar em dúvida se, de fato, não está em mais uma simulação.

    Estamos diante de uma boa ficção científica. Penso em bons filmes que abordam futuros assim, como “A Origem” ou mesmo “Matrix”. Mas não digo isso para comparar o texto aos filmes, ou diminuir sua originalidade. O fato de me lembrar de filmes só confirma que é um texto bem embasado no que entendemos por ficção científica e que lida com temas que a humanidade projeta para seu futuro.
    Achei que algumas vírgulas foram mal utilizadas, coisa pouca, mas como todos os textos que li até aqui estão impecáveis nesse aspecto, faço essa ponderação. Não é uma história de muita ação, convenhamos, mas isso não é algo que abale seu mérito. Faltou, talvez, aprofundar na relação entre os personagens principais, desenvolver melhor os personagens. A parte dos comandos, para mim, é dispensável, bem como a propaganda no início. Mas acho que isso é mais questão de gosto. De um modo geral, é uma história muito bem contada e com um final bem elaborado.

    Originalidade: 5
    Domínio da escrita: 4
    Adequação ao tema: 5
    Narrativa: 4
    Desenvolvimento de personagens: 4
    Enredo: 4

    Total: 4,3

  17. Antonio Stegues Batista
    18 de agosto de 2019

    POÁ

    Resumo:

    Um homem vive anos num mundo virtual. Ele conhece Ângela, que também acessa a realidade virtual. Saindo da simulação, ele vai para um lugarejo destinado aos que voltam à vida real e lá encontra Ângela. Porém, no fim e ao final, ele acaba desconfiando que ainda continua no simulador.

    Comentário:

    Achei uma boa história, embora o argumento não seja original, pois já assisti a filmes parecidos, por exemplo; 13° Andar, um mundo simulado onde os personagens acreditam que são reais e também, Westworld, série da HBO. Mas gostei do conto, foi bem escrito e bem pensado. Tive a impressão de que a praia descrita fica em Portugal, não sei porque. Será uma de minhas vidas passadas?
    A única coisa que não gostei foi do nome do personagem, Poá. Será que tem alguma coisa a ver com Porto Alegre?

  18. Gustavo Araujo
    14 de agosto de 2019

    Resumo: Poá é alguém que vive numa realidade virtual, tendo Ângela como uma espécie de amiga/confidente/amante. Contudo, Poá está cansado e decide abandonar aquela realidade, ainda que a separação de Ângela o faça ter pensamentos sobre até que ponto isso vale a pena. Contudo, lá vai ele. Acorda no mundo real e readapta-se. Ao chegar ao local que seria sua casa, um rancho, e lá instalar-se, recebe a visita de Ângela.

    Impressões: o enredo flerta com o clichê de Matrix, com a saída de Poá da realidade virtual em que vive. Apesar disso, gostei do modo como foi trabalhado. A insegurança do despertar, o vacilo, o arrependimento ameaçador – de fato, tudo isso toma conta da gente quando estamos à beira de uma decisão de impacto. Nesse ponto, a conversa inicial entre Poá e Ângela se revela muito boa, pois lhes confere uma humanidade tocante e verdadeira.

    Criei expectativa sobre o que aconteceria quando ele acordasse do lado de cá e isso, de certa forma, atrapalhou minha experiência. Talvez devido à limitação de palavras, achei que tudo avançou de forma abrupta, com muitos personagens e situações se desenrolando. Entendo que sejam necessários, mas acabou ficando meio atropelado. Enfim, quando Poá recebe Ângela o conto termina de forma competente, mas não impactante. Isso porque, a meu ver, faltaram elementos que pudessem demonstrar o apego ou a saudade que ele sentia da Ângela virtual – e que agora se materializava no campo real.

    De todo modo, é um conto bem sacado, original até, e que convida, especialmente por conta do início, a um breve mergulho no psicológicos dos personagens, algo que me atrai. Parabenizo o(a) autor(a) e desejo boa sorte no desafio.

  19. Pedro Paulo
    13 de agosto de 2019

    RESUMO: Poá se cansou da realidade virtual em que vive e procurou a única pessoa que talvez se importasse, Ângela. Apesar do ressentimento, houve outras emoções quando ele explicou que iria off-line. Houve constrangimento em sua jornada ao off-line, mas nenhum sentimento pesou mais do que deixá-la para trás e, por isso, não sentiu nada que não felicidade ao descobri-la que ela foi procura-lo em seu rancho.

    COMENTÁRIO: Há dois méritos no conto: estabelecer seu cenário em ficção científica e nos apresentar os personagens convincentemente, engajando o leitor no drama do protagonista. Para tanto, as descrições, sucintas, mas bem feitas, revelam de pouco em pouco a virtualidade da vida das personagens, agilidade narrativa que também aparece quando Poá acorda e ele tem o contato com a sua receptora e depois uma breve conversa com um outro recém-acordado. Com esses trechos, um contexto mais consistente foi apresentado para embasar o mundo virtual das personagens, como uma espécie de otimização de tempo adjacente à realidade. Uma boa parte do conto é entregue à conversa de Angela e Poá, que ao mesmo tempo que estabelece o cenário, também nos dá a relação dessas personagens e a sua importância.

    Como esses são os dois elementos mais fortes no conto, o que sucede a saída de Poá para o off-line acaba sendo uma espécie de promessa, o diálogo anterior tendo construído uma expectativa a respeito. O desfecho, portanto, embora verdadeiramente conclusivo e satisfatório, não chega a ser impactante. Mas, o que se entende é que esse não foi o propósito da autora. Afinal, o que se vê é um enredo que convida à reflexão sobre o que faz da vida ser significativa e como, às vezes, não se precisa de nada mais do que a companhia certa. Como muito se dedicou ao cenário e às personagens, acho que a autora poderia ter tentado incluir um pouco mais desse material introspectivo, na forma dos pensamentos da personagem ou mesmo nos diálogos.

    Boa sorte!

  20. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: Poá acaba de ler uma matéria sobre um método de viagem no tempo em seu tablet. Em meio a divagações sobre o tema, ele se encontra com sua amada Ângela na praia. Para poá, aquela realidade virtual já não atende mais as suas necessidades, as relações pessoais são artificiais. Ele sente a necessidade da realidade. Estaria ele disposto a abandonar o seu amor para ter uma experiência de vida real?

    Comentário: O conto começa com uma pegadinha, mas o livro não tratará de viagens no tempo, abordando a questão das realidades virtuais e sua interferência nas relações interpessoais. Nesse caso, amorosa. O meio do conto é um drama antipático e só melhora após a saída de Poá da realidade virtual, o autor usa conceitos de informática, muito legais de passagem. Realmente ficou muito crível. Após o período de reabilitação, o personagem vai para o mundo real, que não sabemos como funciona, mas que apenas recebe os recém-saídos da realidade virtual. O final é melancólico e nos deixa com um ar cético. Recomendo ao autor estudar quando e onde pôr vírgulas nos diálogos e quando por palavras maiúsculas e minúsculas, o texto ficará melhor após isso. Sugestão de correções: Que não é assim?!, Quê? Não é assim?!; mas que para os outros aquele, mas que para os outros, aquele; umas quatro casa, umas quatro casas; Beibericou a cachaça levemente e fez um careta; bebericou a cachaça levemente e fez uma careta; direção à ela, direção a ela.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  21. Higor Benízio
    7 de agosto de 2019

    Poá e Ângela vivem numa espécie de “Matrix”, quando ele decide sair e viver na realidade, numa fazenda de interior. Ao final, Ângela surpreende Poá ao ir atrás dele na realidade.

    Quem são Ângela e Poá nesta realidade virtual? Qual a relação entre eles e a profundidade dela? Sem isso, o final fica frio e banal. E foi o que acabou acontecendo.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .