EntreContos

Detox Literário.

O Segredo do meu Dentista (Mbombo Ya Nguxi)

Quatro horas da manhã e já não consigo dormir, estou com uma dor terrível no lado direito da boca, tão incomum, parece estar a vir do cimo dos dentes e bem perto das gengivas, fazem alguns dias que tenho tido dores ligeiras no mesmo local. No sábado passado deduzi que tenha sido lesão provocada por aquela escova de dentes comprada na cantina do vizinho ao lado. Ao anoitecer, passei no supermercado e comprei a melhor que eles tinham. Hoje estou aqui, volvido três dias as dores continuam, agora ainda mais intensa. Antes de ir para a cama tomei dois analgésicos, uma perda de tempo, de nada resultou, parou as dores por algumas poucas horas e voltou logo de madrugada quando eu mais precisava dormir.

Há tanto que venho adiando a visita ao dentista conforme recomendações do meu pai. Levantei da cama e retirei o pijama. O clima parecia estar a aquecer, deve ser da dor, o INAMET alertou que teríamos quase dezoito graus a noite. Retirei da comoda o meu short noturno favorito, coloquei meus pés nas chinelas e fui pegar algumas folhas de hortelã e gengibre para bochechar.

– minha avó dizia que ajudava na dor de dente – meditei

Minha família havia trocado de clínica dentária fazia algum tempo, dentre as pessoas da família eu e Paulinho, meu irmão caçula, somos os únicos que ainda não tivemos passagem por lá.

Depois daquele processo todo (tutorial da minha avô), voltei na cama e fui fazendo tempo, uma hora depois, peguei no telefone, retirei a minha agenda, procurei nos contactos o número da clínica.

– Sim senhora, Jana Kuenda, vinte e cinco anos de idade, será a minha primeira consulta sim! – Clarifiquei ao call center, marcando a minha consulta logo no horário das oito da manhã.

Peguei um táxi rapidamente, aproveitei o tempo para não me atrasar, é uma via curta, Sao Paulo à Kinaxixe, meu local de residência e o endereço da clínica. Cheguei ao local, conferi a placa “Clínica Gold Dental, a arte de cuidar da saúde dos dentes”, empurrei a porta de vidro fumado com alavancas em metal dourado e tiras de porcelana no canto.

Cumprimentei a recepcionista que parecia uma modelo de publicidade de pasta de dentes, estava sempre a sorrir e com os dentes tão brancos que me deu vergonha de abrir a boca perto dela.

– Trabalhar nesta área tem suas vantagens afinal – meditei no silêncio.

– aguarde um pouquinho senhora Kuenda, o médico acabou de chegar, ele e seu assistente estão a prontificar o consultório. Pode sentar ali por favor?

Proferiu, apontando para um sofá duplo de couro castanho com uma TV em plasma pendurado a vista. Estive a conferir a decoração a volta enquanto esperava, quadros com ilustrações de dentes e suas descrições, fotografias de médicos e pacientes todos em ambiente de paraíso, verdes e saudáveis, pessoas que foram pagas para sorrir na foto daqui e dali. Sorri como uma idiota quando pensei nisso.

O lugar parecia mesmo requintado e perfumado com a melhor pasta de dentes do mundo, o aroma era na sua maioria de plantas que emanavam um ar bem afrodisíaco.

Em meio as minhas teorias de conspiração ouvi o meu chamado e fui dirigida ao consultório número nove.

Entrei no consultório e fui recebida calorosamente pelo médico e seu assistente.

– Olá senhora Kuenda, sou o Doctor Yami e esse é meu assistente Hélio Canjila. Teremos muito gosto em observa-la e ajudar no que for preciso.

O médico parecia ser muito alegre e acolhedor, com seus cabelos grisalhos nos cantos, naquele corte-escovinha cheio e sua batina de trabalho bem engomada cobria até boa parte da perna, o assistente apresentava-se vestido de igual modo, sentei-me para onde fui indicada e conduzida pelo gentil médico assistente, de seguida o Doutor sentou-se ao lado do seu computador de mesa em plasma moderno digitando meus dados e fazendo registo do meu depoimento. Perguntou se trazia comigo o relatório médico da clinica anterior, respondi negativamente.

– Ok, vamos partir do princípio que é a primeira consulta da tua vida, vou pedir um raio-x completo e logo vemos o que está a fazer-te confusão – Disse

– Primeiro, preciso que levantes e suba naquela cama para fazer uma observação rápida no céu da boca – ordenou apontando para uma cama alta e cheia de dispositivos robóticos.

Tentei fazer como recomendado mas a altura da cama dificultava- me o processo, um metro e sessenta centímetros da minha altura não me eram favoráveis.

– A desvantagem de ser baixinha – meditei no silêncio

Sem dar por isso, aquele Doutor Matulão, segurou-me com seus braços e pousou-me por cima da maca, aquele movimento chamou minha atenção, senti-me meio constrangida e envergonhada com a minha fraca capacidade mas ao mesmo tempo me senti protegida por aquele homem. Deu para perceber o quanto é forte e firme, embora forrado naquela bata, senti a firmeza dos seus músculos, não posso deixar de mencionar o aroma discreto do perfume dele.

Aquele médico deve ter mesmo classe.

Por outro lado, ele e o seu assistente ficaram na gargalhada, fruto da minha reacção enquanto fui levada a cama. Sem querer também ri da minha desgraça.

– Eu sendo eu!

Enquanto estava a ser observada, com a boca aberta e suspensa entre aparelhos, luzes e outros materiais que auxiliavam o processo fiquei observando o homem a minha frente nas vestes de médico. Seus dois primeiros botões semi-abertos no peito, a divisão do corpo marcado era notável. O senhor aparentava estar acima de quarenta anos, e com muito boa forma. Sua pele negra cheia de brilho e aquele queixo quadrado, olhos castanhos dava uma aparência sublime ao seu rosto.

– Um deus médico! – meu subconsciente refutou.

O assistente parecia ser muito mais jovem que eu, sempre bem prestativo e parece que conhece muito bem o seu trabalho. Reparei na rapidez que fazia ao executar os pedidos do médico, um jovem promissor, daqui a algum tempo vai ser o médico principal de certeza.

– Muito bem senhora Kuenda, vamos retirar todo o teatro e te deixar livre – proferiu o médico

Após remover tudo, fiz um gesto olhando para o médico e com os braços erguidos pra cima dando a entender que queria ser posta novamente no chão. Ele sorriu educadamente, segurou-me delicadamente e pousou-me na cadeira.

– Não se acostume com isso senhora Kuenda – Advertiu ironicamente

-Por favor trate-me por Jana, eu gostaria que me chamasse pelo nome – Insisti olhando firmemente para ele.

– Perfeito então, Jana. Portanto, temos um dente que deverá ser extraído nos próximos dias, vou passar algo para a dor, quando estiveres ligeiramente sem dor então faremos a extração, por enquanto preciso confrontar os resultados do raio-x – Rematou.

O dia de extracção chegou, vesti-me de forma mais esportiva possível, não estava com vontade e nem com ânimo para fazer milagres, retoquei um baton pink leve e passei um lápis terminando por dar um toque no meu perfume sobre o pescoço. Segurei minha bolsa da cor do baton para combinar, retirei o telemóvel do cimo da banca, coloquei os fones no ouvido e segui meu caminho.

Como sempre fui agendada para as primeiras horas da manhã, cheguei cedo na Dental Gold, confirmei na recepção e fiquei a aguardar a chamada no local habitual. Entrei no consultório após a chamada e fui recebida calorosamente igual a vez passada.

– Benvinda Senhorita Jana, espero que esteja bem-disposta.

– Deixa lhe assegurar que o procedimento que utilizamos é das tecnologias mais avançadas, a menina não vai sentir nada – proferiu o médico em forma de propaganda.

Seu assistente preparou as condições e fizeram os procedimentos sem algum incidente fora do comum.

– Tornei-me órfã de um dente, que desgraça! – meditei enfurecida com a triste perda.

O médico passou uma medicação e recomendou que voltasse sete dias depois para o controlo.

No mesmo dia a tarde senti algumas dores, telefonei directamente para o mesmo, havia recebido seu cartão-de-visita logo depois da cirurgia.

– Sim menina Jana, é natural que sintas dores, por favor pode dizer se esta a tomar os analgésicos conforme indiquei?

– sim, exactamente como o senhor recomendou

– Muito bem, se até amanha a dor estiver intenso volte a uma consulta de emergência, estarei lá.

Aquele senhor têm a voz mais grave que eu já ouvi, ao telemóvel parecia ainda bem mais grave e rouca, parecia aquelas gravações de anúncio de filme romântico. Era realmente agradável de se ouvir.

Após uma semana, eu estava a sentir-me perfeitamente bem, resolvi marcar a consulta de controlo logo a seguir.

Chego na clínica, depois de tomar um bom banho de sol, as tantas me arrependia de ter agendado a consulta de tarde, deveria ter feito nas primeiras horas como noutros dias, mas em fim, não vale chorar pelo leite desperdiçado.

Entrei no consultório e me deparo somente com o médico, sem seu assistente, desta vez vestido de uniforme azul-escuro, bem justo de mangas curtas. Os músculos bem visíveis, o braço do Senhor médico que parecia ter a idade de meu pai mas com tempo de sobra pra viver num ginásio eram enormes. Não posso deixar de mencionar a saliência do peito dele naquele uniforme e para fechar as contas colocou um par de óculos brancos. Estou pasma com tamanha masculinidade num só homem.

– Menina Jana? A senhora está aqui? Tudo bem?

– Desculpa Doutor, esta tudo bem sim. Vejo que o senhor está sozinho hoje.

– Sim, meu assistente teve uma emergência, mas tudo bem hoje vai ser só rotina, consigo me virar.

Reparei que estava a usar um anel de noivado, fiquei ligeiramente chocada, estranhamente aquilo caiu-me mal, sem perder tempo questionei.

– O senhor é casado?

– Viúvo, perdi a esposa faz algum tempo, mas eu uso aliança ainda assim.

Depois de ouvir aquilo senti-me uma pessoa horrível, odiei ter perguntado, ao mesmo tempo fiquei triste por ele, pela perda.

– desculpa…

– Não faz mal, já faz algum tempo.

O silêncio jazia naquele breve espaço de tempo, fiquei nervosa e constrangida, sem saber como me portar naquele momento.

– Podemos começar? Precisa de ajuda para subir no teu lugar favorito?

– Sim por favor – respondi sua ironia com um sorriso

Colocou seus braços fortes em mim e deitou-me naquela cama. Enquanto ele ajustava os recursos fechei os meus olhos.

Decidi passar a operação toda de olhos fechados, alguns minutos depois de ter iniciado o processo, senti que ele estava a aproximar seu rosto muito próximo do meu, coisa de milímetros, queria abrir os olhos para confirmar mas mantive-me imóvel, sustive a respiração e notei que ele chegou bem perto do meu pescoço, inalando o aroma do meu perfume, sua respiração parecia disfuncional ou acelerada, eu podia ouvir os sons dos movimentos de entrada e saída de ar. Afastou devagarinho os aparelhos da minha cabeça, mantive meus olhos fechados, e as batidas do meu coração aumentavam gradativamente.

Queria abrir os olhos e perguntar se já tinha terminado, outra parte de mim temia que estragasse o momento. Aos poucos eu queria que ele fosse mais, mais profundo, que me tocasse de verdade, que me invadisse.

Momentos depois senti ele se afastar, ganhei coragem, abri meus olhos, e impedi que aquele momento repentino de intimidade entre nós escapasse. Segurei na sua cabeça atrevidamente, voltei a puxa-lo delicadamente em minha direcção, baixinho supliquei quase em sussurro.

– Continue por favor!

Ele beijou minha boca suavemente, respondi com o mesmo carinho e delicadeza. Pediu licença, retirou-me da cama especial que era mais alta e levou-me à outra ligeiramente baixa e sem aquelas peças robóticas para atrapalhar as coisas dos mais crescidos.

– Aqui é bem melhor – proferiu baixinho

Retirou carinhosamente os botões da minha bata, fez subir o top, posicionou minha cabeça mais para cima para livrar-me das duas peças, deixou meu peito completamente descoberto. Beijou minha boca, retribui segurando minhas duas mãos no seu pescoço. Fez sinal para eu ficar completamente suspensa sobre a cama, beijou meu queixo pequeno, percorreu o pescoço e o cimo do peito, beijou devagarinho e suavemente meus seios, senti a magia da sua ternura vindo do seu toque, daquelas pegadas fortes. A temperatura dos seus lábios queimava a parte mais aguçada dos meus mamilos já erectos.

Percorreu parte do abdómen com seus beijos, desceu para lá do umbigo, enquanto isso sua mão direita invadia a parte mais íntima do meu jardim. Baixou ligeiramente meus colants depois de desabotoar o calção por cima e foi directamente no meu clitóris completamente humedecido. Foi retirando a lingerie até a parte do ténis, desamarrou os atadores e deixou-me completamente sem roupas. Ganhei coragem, pus-me sentada na cama, segurei seu peito e fui desatando os botões do seu uniforme, retirei a batina, sua camisa interior também, fiquei a me deliciar de cada milímetro daquele peito enorme, beijando cada pedaço. Ele voltou a deitar-me devagarinho na cama, baixou sua cabeça e levou sua boca a dar um passeio suave na minha região pubiana.

– Quanta safadeza doutor! – Malicias e ironias dentro do meu eu.

Me entreguei naquele banho de tesão, estava louca e pronta para a próxima etapa, ou partíamos pra isso ou então eu executava um orgasmo mesmo naquele processo, fiz sinal de que precisava ser penetrada e degustada, não aguentava mais, as caricias eram tantas que estavam a tornar-se numa tortura. Livrei-me rapidamente do cinto dele, retirei a roupa que cobria aquele volume todo, segurei o malandro que estava ansioso para saltar em cima de mim, suguei de forma rápida parecendo uma ninfa maníaca amadora. O homem na minha posse gemia perdidamente. Momentos depois, elevou-me para seu colo, ergueu minhas pernas pra cada um dos lados do seu corpo e fez-me uma penetração desajeitada. Senti uma dor ligeira mas soube ainda melhor, aquele intercalar entre a dor e o prazer estremeceu minha alma, gemi bruscamente, ordenei que continuasse com mais delicadeza. Fez sinal para mudar de posição, segurei nas barras da cama robô virando de costas, inclinei a cabeça ao lado olhando para o artista, inclinei ligeiramente para a cama deixando meu traseiro para ser penetrada naquela bendita posição, por fim, ordenei que utilizasse o melhor que tinha nas mangas.

Após estarmos saciados ele deitou sua cabeça sobre meu peito, fomos meditando e aproveitando aquele momento agradável que tínhamos acabado de viver naquele consultório.

 

Minutos depois, colocamos nossas roupas, consertei meu cabelo e meu rosto para não ser notada ao sair. Recolhi meus acessórios e voltei os fones aos ouvidos. Ao pé da porta, ele deu-me um beijo demorado, sorriu para mim e nos despedimos em mimicas.

Havia recebido uma mensagem quando cheguei em casa, um lindo texto sobre o que tínhamos acabado de fazer. Levei algum tempo a responder, no final eu disse que todo aquele sentimento era recíproco.

 

Sempre detestei ir ao dentista, agora estou totalmente mudada em relação a isso.

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Informação

Publicado em 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série C.