EntreContos

Detox Literário.

João e Maria (Afrânio Siqueira)

O garoto de quinze anos estava apaixonado por Maria. 

Estudavam na mesma classe e das vezes que voltavam da escola  vinham juntos. Maria morava mais a frente, depois da casa de João. Ali se despediam, sem cerimônia, e ela seguia seu caminho. Certo dia a irmã de Maria que estudava em outra classe voltou junto com seus colegas, iam terminar um trabalho. O grupo de colegas voltavam da escola e quando passavam pela casa de João, ao se despedirem, Maria o convidou para ir até sua casa, assim, também poderiam estudar para as provas que estavam chegando. Já passava das vinte e duas horas. João entrou e avisou aos seus pais que voltaria antes da meia noite.

Os pais de Maria eram separados e as duas irmãs escolheram por morar com o pai. Naquela noite ele não estaria em casa. 

Sua irmã e seus colegas ficaram estudando na mesa da cozinha e Maria levou João para juntos  estudarem no seu quarto. Como não havia escrivaninha, os dois sentaram na cama e puseram-se a estudar.

Maria tinha os cabelos encaracolados que desciam até os ombros e quando caminhava fazia-os balançar; de rosto pequeno e redondo combinava com os olhos amendoados e negros; seus lábios carnudos gostavam do batom maravilha. Costumava usar blusas que destacavam seus seios, deixando-os altos e volumosos. De pernas torneadas eram vistas por causa da pequena saia que costumava usar. Era extrovertida e rápida nos gestos, mascando chicletes constantemente. 

João era magro, usava óculos e o rosto marcava a presença de espinhas.  Seu tipo era de rapaz preocupado com os estudos. Ele sempre admirava sua colega, mas nunca teve coragem de dizer da sua paixão por ela. Agora que estavam sentados um ao lado do outro sentia que as batidas do seu coração havia mudado e sua paixão aumentava. 

Não conseguia prestar atenção naquilo que estudava, seus olhos eram desviados  contemplando a garota. Se movia para que seu corpo tocasse o dela. Era uma sensação de prazer. O momento era bastante propício,  o quarto, a cama, a porta fechada e o contato dos corpos o impulsionava a querer dizer algo, tocá-la, beijá-la e a declarar seu amor por ela. Quando Maria o olhava para dizer algo sobre a matéria que estudavam, ele  contemplava aquele rosto meigo e ao mesmo tempo sensual. Quantas vezes sonhou por aquele momento e agora ela estava só para ele. Sentia ser impossível a menina não estar sentindo o mesmo que ele. As pernas nuas encostadas nas dele, sentia o calor com uma maciez umedecida. Seus cabelos encaracolados o tocavam no rosto e seu perfume inebriante o deixava tônico e extasiado.  

Mas como ele iria começar? Deveria tocá-la com as mãos? Beijá-la? Dizer algo?

Estavam ali juntinhos sem imaginar a quanto tempo e não queria que esse tempo não terminasse nunca. Aquele momento era o maior presente que já tivera em toda a sua vida. Ele agora a adorava, era a divindade de um anjo ao seu lado.

A menina de súbito levantou-se e disse que iria tomar água. Ao chegar na cozinha viu que a irmã e seus colegas já não estavam mais ali. Foi até o quarto da irmã e lá também não estavam. Talvez tivessem acabado os trabalhos ou decidiram deixar para outra hora.Mas e a irmã? Onde estaria? 

Ansiosa por saber que estava sozinha com João, voltou para seu quarto e sentou-se agora ainda mais junto do colega. João notando seu silêncio e seu modo maroto, criou coragem e conseguiu passar a mão nas pernas da menina, acariciando-as. Sentiu  a pele arrepiada e puxando para mais perto de si deslizava as mãos por aquele corpo macio e delicado. Cheirava e beijava seu pescoço e a sua nuca sentindo o perfume de uma paixão tão desejada.  

Seus beijos tocou aquela boca carnuda e rosada, avermelhada pela paixão onde as mordidas de amor faziam a garota ser possuída, ainda mais com os beijos de língua que ele proporcionava. 

João olhou para aqueles seios redondos e pôs-se a cariciar com sua boca,  puxava com delicadeza o decote da blusa aumentando aquela maçã carnuda de tamanho e fulgor, era macio e perfumado, quanto mais o menino os beijavam mais ela os faziam aparecer, sentindo-se totalmente fora de si quando seus beijos chegaram aos mamilos, que estavam duros e estridentes. 

Maria sabia que não poderiam ir além. Suas vontades não paravam ali, apesar da dificuldade de conter aquela emoção e da insistência de João, então ela voltou o decote da blusa e tentou sair das garras do menino. 

O tempo havia passado sem que tivessem notado e ao sentirem a presença da irmã…

As horas chegavam perto da meia noite. despediram-se e João voltou radiante para casa. Tinha experimentado o paraíso. As batidas de seu coração ainda eram de maneira estridente. 

Noutras noites voltavam de mãos dadas da escola. Tudo era novo e segredo para ambos. Sempre que sozinhos contemplavam seus momentos de amores. Estavam apaixonados.

As férias chegaram e agora ficava mais difícil de se encontrarem. Na primeira semana das férias, em uma noite João conseguiu despistar e ir até a casa de Maria, mas chegando lá encontrou tudo apagado. Por várias noites fez o mesmo  e sempre não havia ninguém. Estava muito triste e chateado por não a encontrar.

No final daquela semana quando voltava do futebol passou e viu movimentação na casa da menina. Entrou e tudo estava arrumado para a mudança. O pai de Maria havia perdido a casa em uma complicação financeira e as irmãs agora iriam morar com a avó em outro estado.  

Eles se abraçaram e choraram a situação e foram obrigados ali a se despedirem.

 Não poderia estar acontecendo aquilo! Como iriam se encontrar agora, um tão distante do outro!

O semestre se iniciou e João não se conformava com a perda. Trocaram cartas por algum tempo, depois, a distância foi fazendo com que a frieza tomasse conta da paixão.

Ninguém ficou sabendo, nem seus pais nem seus amigos. Guardaram segredo de tudo, mas firmaram um juramento que um dia eles se encontrariam e reacenderiam aquela chama de amor.

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Informação

Publicado em 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série C.