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Van Gogh, a Vida – Steven Naifeh e Gregory White Smith – Resenha (Gustavo Araujo)

Quem quer que tenha passado pela Terra nos últimos 90 anos deparou-se em algum momento com um quadro de Vincent van Gogh. A Noite Estrelada, os Girassóis, o Quarto em Arles, os trigais, os autorretratos (a lista é enorme) encontram-se entre as imagens mais icônicas, mais adoradas, mais valiosas e mais admiradas em todo o mundo, mesmo para quem nunca passou perto de uma galeria de arte.

Muito da fama de Van Gogh decorre de sua vida turbulenta, da fama de pintor enlouquecido, de visionário, alguém que foi reconhecido como gênio somente depois da morte trágica por suicídio.

Mas, para além dos clichês, quem foi realmente Van Gogh?

Steven Naifeh e Gregory White Smith, vencedores do Pulitzer com a biografia de Jackson Pollock, resolveram desnudar o homem por trás do gênio em uma obra colossal chamada simplesmente “Van Gogh, a Vida”, maravilhosamente traduzida por Denise Bottmann.

Por mais de uma década os autores reviraram as cartas que Vincent escreveu ao irmão Theo, aos pais, aos amigos e a outros pintores – uma correspondência gigantesca, felizmente preservada no Museu Van Gogh, em Amsterdã.

Pelo exame desse material, Naifeh e White Smith conseguiram reconstruir a existência de Van Gogh de uma maneira inigualável, à luz não só dos fatos que o tornaram famoso, mas também em face de tudo que o influenciou, desde a História (assim, maiúsculo), passando pela literatura, pelas artes, pela religião, pela geografia, enfim, por todos os fatores que moldam a passagem de qualquer ser humano por este planeta.

Acompanhamos assim os tenros anos de Vincent em Zundert, na Holanda, como primogênito do pastor Theodorus van Gogh (Dorus) e de Anna Carbentus. Vincent, o garoto isolado, que escolhe a solidão como ferramenta para chamar a atenção dos pais, o menino que gosta de colecionar insetos, que aprecia longas caminhadas pelas charnecas em meio à lama, às poças, ao barro e às árvores retorcidas.

Logo surgem os irmãos, em especial o pequeno Theo, com quem Vincent estabelece uma relação muito próxima, de proteção, de companheirismo, de cumplicidade. Theo, que estará com ele até o fim.

Ainda jovem, Vincent é mandado para o internato em Zevenbergen, onde se sente abandonado pelos pais. A partir daí, nasce um sentimento que mistura revolta e anseio por reconciliação, de retorno redentor ao seio familiar, o que nunca ocorrerá. Vincent é isolado também na escola, é o esquisito, o temperamental, o aluno de quem ninguém deseja ser amigo ou se aproximar. Volta para casa, mas sua recepção está longe de se parecer com o retorno do filho pródigo. Passando pela adolescência, consegue, por influência de um irmão de Dorus, um emprego na sede londrina da afamada empresa Goupil, gigante que comercializa reproduções de obras de arte. O comércio, porém, não é para Vincent. Ele é honesto demais para isso.

Talvez buscando a aprovação dos pais, especialmente de Dorus, lança-se a uma empreitada religiosa: quer ser pastor, espalhar a palavra de Deus. Para tanto mergulha profundamente — como aliás, fará em relação a qualquer atividade a que se dedique — na doutrina, nos preceitos religiosos, nos dogmas, decorando e reescrevendo capítulos inteiros da Bíblia, interpretando-os à sua maneira única. Sua intenção pode ser nobre, mas as congregações e as universidades o rejeitam. Sem escolha, busca o trabalho missionário nas minas da região do Borinage, na Bélgica, uma reprodução fiel do romance “Germinal” do escritor Émile Zola, aderindo à miséria, entregando tudo o que tem, roupas, dinheiro, comida, qualquer conforto, àqueles enegrecidos pelo carvão, vítimas do inferno. Mesmo assim é rechaçado. É um estrangeiro, um fanático, uma pessoa a ser mantida à distância.

Entre idas e vindas a casa dos pais, que agora vivem em Etten, Vincent desperta para as artes, o desenho e a pintura. Influência de Theo, que ganhou um emprego de negociante de arte na Goupil. Theo, que cumprirá o destino que um dia fora reservado a Vincent. Theo, o bom Theo, o filho exemplar, o irmão responsável.

Vincent, por sua vez, alimenta o desejo de reconciliação, de construir uma família perfeita. Em dado instante, tenta persuadir a prima Kee Voss a desposá-lo. Kee é sete anos mais velha que ele, tornou-se viúva há pouco, tem um filho de oito anos, mas não guarda o mínimo desejo de ceder aos apelos de Vincent. Sua insistência nesse objetivo só é refreada pela intervenção de Dorus e do pai de Kee. Vincent está arrasado.

Brigando novamente com os pais, muda-se para Haia. Theo passa a sustentá-lo financeiramente, remetendo boa parte de seu próprio salário para que o irmão se dedique à profissão de pintor. Não satisfeito, Vincent tentar cooptar Theo para que se torne um artista também, para que abandone as facilidades burguesas, para que se dedique ao que há de mais nobre na vida. Como em tantos momentos de seus 37 anos de existência, manipula, reinterpreta ideias, coloca palavras suas na boca de Theo, coloca-se como vítima. Quer, enfim, reviver com o irmão a cumplicidade que tinham quando crianças. Quer resgatar com ele os melhores momentos de sua vida — ou de suas vidas, como diz.

Usando pessoas comuns como modelos para seus trabalhos, resolve acolher em casa uma prostituta de nome Sien Hoornik, para desespero de Dorus e Anna Carbentus. Sien dá a luz a um filho, que Vincent passa a considerar seu. Tem, enfim, sua família.

Entre desenhos à carvão e pinceladas com aquarela, sua arte se desenvolve. Theo prefere ignorar a relação espúria do irmão. De todo modo, não consegue vender nenhum de seus quadros.

Vincent está entusiasmado, porém. Estabelece relações com outros pintores, iniciando farta correspondência, especialmente com Anthon von Rappard. As cartas são inicialmente cordiais, sedutoras, em que Vincent se comporta como nós, quando desejamos conquistar um novo amigo; contudo, logo passam para o tom agressivo, com contestações e ofensas sobre estilos, referências e objetivos da arte. Rappard terá paciência, mas no longo prazo não resistirá às mudanças de humor de Vincent. Logo se afastarão.

Em certo momento, Sien e Vincent também se distanciam. A pobreza obriga Sien a voltar à prostituição. A relação chega ao fim. Vincent decide voltar a viver com os pais, agora no Brabante do Norte, em Nuenen.

O sempre desejado retorno festivo a casa, tampouco se realiza desta vez. O gênio difícil de Vincent, que parece se radicalizar, o mantém como um pária. A certa altura, Anna cai doente e ele passa a cuidar dela. Nasce a esperança da normalidade, mas isso não se concretiza.

Theo ainda contribui para o sustento do irmão, busca incentivá-lo, faz sugestões sobre seus quadros. Quem sabe o tipo de culpa que Theo alimenta dentro de si? Vincent apaixona-se pelos matizes do carvão. Seus quadros são escuros, negros, fechados. É quando concebe “Os Comedores de Batatas”, após semanas e semanas de trabalho intenso. Como sempre. Theo tenta convencê-lo a usar cores, da maneira como fazem os impressionistas, o que pode viabilizar as vendas, mas Vincent descarta a ideia, considera o impressionismo desprezível e seus protagonistas, pintores indolentes.

Vincent tem um apetite sexual voraz. Nesse ponto, sua influência sobre Theo se fez sentir. Não raro, foram atingidos por doenças venéreas. Talvez tenham sífilis — um segredo que os mantém ainda mais unidos.

Em Nuenen Vincent envolve-se com uma mulher de família, que se apaixona por ele. São flagrados em contato íntimo, o que colabora ainda mais para que se afaste do convívio com outros moradores. Certo dia Dorus morre. A mãe, Anna, culpa Vincent: Dorus morreu de desgosto. A relação familiar se deteriora a ponto de ninguém em Nuenen suportar o pintor louco. Sem opções, Vincent muda-se para a Antuérpia.

Com o onipresente auxílio de Theo, matricula-se na Academia de Belas Artes. Quem sabe conseguirá desenvolver seus dons em uma ambiente voltado para esse fim? Impossível. A maneira ensandecida como desenha e pinta assusta os professores e os demais alunos. Camadas e camadas de pinceladas raivosas, frenéticas jogam tinta pelo chão. Vincent não consegue, simplesmente não consegue desenhar como os outros. Sua mão falha, sua atenção é insuficiente. Às discussões acaloradas se seguem brigas e ameaças. Impossível adaptar-se à escolástica.

Em março de 1886, muda-se para Paris, para o apartamento de Theo na rue Lepic. São novos tempos. Há certa alegria no ar. Vincent está junto do irmão. Cúmplices, companheiros. Como nas charnecas de Zundert.

Vincent segue pintando, enchendo as paredes do apartamento com seus quadros. Conhece os artistas que se apinham nas margens do Sena, no Moulin de la Gallete, em Mont Martre. Nomes como Renoir, Monet e Cézanne lhe soam mais familiares. Conhece Jonh Peter Russel, Émile Bernard, Toulouse-Lautrec. Na loja de tintas de Julien Tanguy, é apresentado a Paul Gauguin. Trocam ideias, conversam, discutem, vão a bordéis. Gauguin é dotado de um magnetismo irresistível. Tornam-se amigos — ao menos aos olhos de Vincent.

Ainda que desdenhoso a princípio do movimento impressionista, abandona as tonalidades soturnas e sucumbe às cores vivas de Monticelli e de Delacroix e, mais adiante, à influência de Seurat e Signac. Adere, também, ao “japonismo”, estilo em que se sobressai a simplicidade, todavia carregada por pinceladas rápidas e curtas.

Theo quer se casar com Johanna Bonger. Talvez por isso Vincent decida mudar-se para a cidade de Arles, na Provença.

Adaptado à atmosfera límpida da cidade, passa a produzir trabalhos entusiasmados. Sim, seu humor é o melhor possível. Tudo parece ao alcance de sua infatigável perseverança. Sua sorte tem sido ruim, mas tudo há de mudar. Seus quadros se tornam vivos, intensos, repleto de cores vivas. Pinta as ruas de Arles, seus bares e cafés, o Ródano sob a luz das estrelas, as pessoas, o carteiro, a dona do Café.

Em dado momento, aluga uma casa e a pinta completamente de amarelo — a Casa Amarela. Quer transformá-la numa espécie de comunidade de pintores e artistas.

Seu desejo é que Emile Bernard, Theo e Gauguin se juntem a ele. Gauguin responde sim à oferta (muito mais por conta dos interesses financeiros prometidos por Theo) e, depois de incontáveis adiamentos, finalmente chega a Arles. A convivência entre os dois, porém, não há de durar. Ambos têm opiniões muito diferentes sobre mulheres, livros, técnicas de pintura e paixões. Discutem por tudo, nutrem ciúmes e críticas um pelo outro. Mas, ainda assim, a devoção de Vincent pelo amigo permanece intacta. Gauguin se cansa e ameaça ir embora. Vincent se desespera. Quando a promessa se cumpre, Vincent, mais uma vez sozinho, num acesso de fúria, talvez influenciado por “O Horla”, de Guy de Maupassant, decepa a própria orelha esquerda, entregando-a em seguida, embrulhada em papel ensanguentado, à prostituta favorita de Gauguin, na esperança, talvez, de que o pacote nefasto chegue ao amigo, como um recado, como um sinal de arrependimento.

Vincent é internado num hospital em Arles. Theo aparece para vê-lo, para confortá-lo, mas a visita dura apenas um dia. Vincent continua pintando mesmo ali. Quando retorna à Casa Amarela, encontra-a fechada. Os vizinhos não o querem de volta. Assinaram uma petição pública exigindo das autoridades sua partida.

Seu destino é a pequena vila de Saint Rémy, mais propriamente o hospício de Saint Paul, onde por vontade própria se interna, às expensas de Theo, naturalmente. Mais uma vez isolado e sozinho, repensa sua existência, observa o céu e as cores dos campos, as árvores e aqueles que o cercam à distância. Vincent os pinta a todos. É ali, em Saint Rémy, que concebe alguns de seus quadros mais geniais, como “A Noite Estrelada”.

Contudo, seus ataques de loucura se tornam mais e mais intensos. Pode ser epilepsia, mas também podem ser efeitos da sífilis no cérebro. Há momentos em que precisa ser sedado, envolvido em camisa de força, impedido de alcançar seus materiais de pintura para não comer as tintas. Nas janelas de recuperação, pinta os jardins, as fachadas do hospício, para então mergulhar novamente no escuro, num devir incessante de delírios.

Em Paris, o crítico de arte Albert Aurier descobre seus quadros. Encantado, cria o mito que se perpetuará pela eternidade: do pintor louco que quebrou os paradigmas com quadros incomparáveis. Vincent é informado por carta sobre o artigo escrito por Aurier, mas o rechaça. Desconfia da fama, do sucesso comercial, dos personagens criados pelos interesseiros. De mais a mais, não quer incomodar Theo. O irmão se casou com Jo. Tem um filho, de nome Vincent. Como ele.

Aparentemente recuperado e com o devido incentivo por parte de Theo, muda-se para Auvers-sur-Oise, próxima de Paris. É ali que morrerá.

Em Auvers, diz Theo, Vincent poderá prosseguir com sua pintura, que o ajudará a recuperar-se plenamente. Produz quadros e mais quadros. Apenas um será vendido enquanto ele viver. Como em Arles, dedica-se às cenas da cidade, aos campos ao redor, às pessoas, aos objetos.  Há até um médico, um certo Dr. Gachet, que fora pintor na juventude, que pode se tornar seu amigo. Por que se iludir? A relação, como tantas outras, não há de se consolidar.

Certo dia, com um ferimento provocado por um tiro na barriga, Vincent chega a seu quarto na estalagem Ravoux. Vai à cama. Os médicos não conseguem remover a bala. Theo chega de Paris, alarmado. Permanece ao lado do irmão conversando, tentando acalmá-lo, tentando convencer a si próprio de que não, não é tão grave assim. Trocam ideias, deixam que a quietude se assente, voltam a falar. Riem, choram. Recordam a infância. Com o avançar das horas o inevitável se assoma. As palavras rareiam, o silêncio torna-se impenetrável. Por fim, na madrugada, Vincent se vai.

É enterrado naquele dia no cemitério ao fundo da igreja de Auvers.

Voltando a Paris, Theo inicia uma campanha ensandecida para tornar conhecida a arte do irmão. Quer organizar exposições, mostras. Quer, talvez, aplacar qualquer sentimento de culpa que possa atingi-lo. Seus esforços, porém, o levam ao limite. Assim como irmão, Theo também está sucumbindo aos estágios mais avançados e tenebrosos da sífilis. Morrerá num hospício, isolado em uma cela de paredes acolchoadas, consumido pela loucura, menos de um ano depois da partida do irmão. Jo, a viúva, se encarregará de enterrá-lo ao lado do Vincent, na igreja de Auvers.

Toda essa história não decorre apenas da transcrição das cartas que Vincent, Theo seus amigos e parentes trocaram entre si. Naifeh e White Smith vão muito além disso. Traçam um perfil psicológico impressionante de Vincent, denotando a influência que recebia de tudo e de todos que o cercavam. Conseguem explicar como a insanidade levou-o a produzir suas obras mais impressionantes. Nesse aspecto, formulam descrições literalmente fantásticas sobre a técnica de pintura empregada por Vincent, não raro acompanhadas do sentimento poético que evocam, não deixando o leitor se esquecer de que tudo decorreu da mente de um homem atormentado. A ocasião em que pintou a “Noite Estrelada”, aliás, merece um capítulo só para si, constituindo-se, sem dúvida alguma, em um dos pontos altos do livro, pois revela o amálgama da genialidade, da loucura, da tristeza, do desespero e da solidão de Vincent.

O final do livro, que trata da chegada de Vincent a Auvers-sur-Oise e sua morte logo em seguida, é exposto como peça de dissertação. Isso porque o Naifeh e White Smith procuram desmontar a versão corrente de que Vincent utilizou uma arma para atirar em si mesmo. Como detetives, defendem que o caso tratou-se de homicídio, praticado por jovens inconsequentes que, como ocorria em tantos lugares, nutriam predileção por atormentar o pintor esquisito. Essa versão, aliás, foi adotada pelo recente filme “Loving Vincent”, conhecido no Brasil como “Com Amor, Van Gogh”.

Se há uma crítica a fazer com relação à biografia é que, apesar de monumental, não há muitas informações sobre a fama póstuma de Van Gogh. Apesar do artigo entusiasmado de Albert Aurier, a imagem que temos de Vincent só começou a se formar muito depois, graças ao empenho de sua cunhada, Johanna Van Gogh-Bonger, que publicou as cartas que ele e Theo trocaram entre si. Jo organizou exposições e manteve contato pessoal pelas décadas seguintes com diversos museus e negociantes de artes. Esses dados não estão no livro, tendo Naifeh e White Smith optado por se restringir do nascimento à morte de van Gogh enquanto pessoa.

De qualquer maneira, a obra de Naifeh e White Smith é obrigatória para qualquer pessoa que goste de artes, que goste de História, que aprecie anti-heróis, que tenha uma queda por personagens fracassados, por gente de verdade, por superações. É um livro longo, mil e duzentas páginas, muitas, muitas ilustrações, que exigem entrega por parte do leitor, mas que oferece um mundo fantástico em troca, não só por permitir o acompanhamento, passo a passo, da vida tortuosa de van Gogh, mas também por oferecer um olhar sobre o mundo de sua época – assustadoramente parecido com o que temos hoje.

Confesso que terminei o livro com aquele sentimento de perda, um buraco no peito. Levei cerca de três meses para ler ler tudo, inclusive as informações no site do livro na internet, à exceção de suas infinitas notas referenciais. Não contente, busquei mais dados no site do Museu van Gogh e em outro, que contém todas as cartas escritas e recebidas por ele. Isso porque de certa forma me afeiçoei às pessoas: não só a Vincent, claro, mas também a Theo e a Jo. Até mesmo a Dorus. Enfim, terminei a obra já com aquele sentimento de perda, de luto, de saudades dos personagens, do contexto, da época.

Em suma, é um livro que convida ao mergulho espiralado de uma noite estrelada. De muitas noites, aliás. Mas que valem cada segundo. Boa jornada.

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7 comentários em “Van Gogh, a Vida – Steven Naifeh e Gregory White Smith – Resenha (Gustavo Araujo)

  1. Sidney Muniz
    17 de abril de 2019

    Sabe, é algo muito profundo, irei ler mais umas vezes com calma, pois quando se gosta de algo, tanto quanto gostei, precisa-se degustar mais…

    Acho que até sexta devo comentar com mais calma.

    Dá vontade de conhecer mais, sou leigo!

  2. iolandinhapinheiro
    7 de abril de 2019

    Há muito o que dizer sobre esta resenha, de como ela nos faz conhecer detalhes da vida deste pintor genial, de como ela consegue despertar um sentimento de empatia pelo homem amargurado, infeliz, presa da própria loucura e desprezado que ele foi, e o peso desta condição que, se de um lado tornou sua vida miseravelmente atribulada, de outro fez dele um artista único, com o seu olha enviesado sobre a realidade, e a expressão desta gama de sentimentos+sensações em suas magníficas telas.

    Esperei muito por esta resenha, Gustavo, e o motivo disso é que Van Gogh é, e sempre foi, o meu pintor preferido. Descobri o seu talento ainda menina, quando meus pais compraram a enciclopédia Delta Larousse, e receberam um tomo sobre pinturas como brinde, por engano, já que minha mãe havia optado pela bíblia.

    Passava tardes inteiras manuseando aquelas folhas, completamente mesmerizada pelas obras que seguiam uma linha do tempo desde a arte rupestre até a pintura contemporânea. O contato com aquele novo mundo era puro deleite, e, mesmo seduzida pela riqueza realista da pintura de Da Vinci, foram as telas do pintor holandês que roubaram para sempre o meu coração.

    Ter contato com este universo me permitiu apurar meu gosto não apenas para as artes plásticas, mas para tudo o que havia de belo em música, literatura, cinema, arte; tudo aquilo que nos alimenta a alma.

    E o fim desta história? Mamãe acabou recebendo a bíblia que havia solicitado, e o abençoado representante da enciclopédia deixou o livro de arte conosco também. Mesmo que tivéssemos que devolvê-lo, Van Gogh já teria mudado definitivamente a minha vida. Assim como a personagem de Clarice Lispector no conto que mais gosto dela, aquele livro havia sido a minha “felicidade clandestina”.

  3. Jean Paul
    6 de abril de 2019

    A fragilidade humana e o poder da sensibilidade.

  4. Jussara Castro Araujo
    6 de abril de 2019

    Meu filho, esta resenha é um verdadeiro presente de Páscoa à todos teus leitores, ou àqueles que apreciam a arte, gostam de ir além do que a pp obra sugere.
    Fantástico mergulho na vida e obra de Vicent Van Gogh. Eu adorei, agora ainda mais… Parabéns pela lucidez, envolvimento afetivo com que mergulhaste neste pequeno livro de 1.200 páginas, pelos 3 meses seguindo as conturbadas perturbações mentais que sofreu durante sua vida. Bjs

  5. Adriana Rodrigues
    5 de abril de 2019

    Com essa resenha… ficou o desejo de conhecer os personagens além do mito .

  6. Andréia
    5 de abril de 2019

    Depois da profundidade da resenha, vamos às mil duzentas páginas então. Já conhecia sua história por meio da exposicao que tive oportunidade de ver la no museu. A convivência dele com outros pintores que eu gosto, e o fato do irmão sustenta-lo por muitos anos, para mim, mostra um pouquinho da complexidades desse maravilhoso artista., meu preferido.

  7. Emanuel Maurin
    5 de abril de 2019

    Achei interessante a vida dele descrita por você em sua resenha, não imaginava que ele interagia com tantos artistas de primeira grandeza, nem que sua loucura foi por causa da sífilis. Cara, eu não entendo nada de artes, mas o meu pintor predileto é o Van Gogh, gosto de gente doida e acho que ele era uma especie de coringa. Era perturbado, inteligente, amado e polemico.
    Obrigado por partilhar.

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Publicado às 5 de abril de 2019 por em Resenhas e marcado , , , , .