EntreContos

Detox Literário.

Todas as Vozes da Minha Pia (Catarina Cunha)

 

— Bom dia, Pedro, como tem passado? Pelas olheiras e a cara amassada não muito bem. Eu já te avisei para não encher o pote, com aqueles teus amigos da faculdade,  até a lua dormir. Tudo vagabundo e você, o único empregado, pega a marola dos caras e só leva caixote. Agora olha aí o estrago: ressaca, sono e cartão de crédito topado. Teus amigos vão dormir até o meio-dia e você vai adernar até o metrô e trabalhar feito um zumbi. Vai ficar em frente ao computador batendo perna nas redes sociais, com o word aberto piscando na barra de ferramentas, só esperando o chefe passar para trocar de tela. E esse bafo? Bota creolina no enxaguante bucal se não  essas bactérias vão fazer uma festa rave aí dentro. Depois não reclama de afta e deficit cognitivo. Não acredita? Então onde estão seus óculos? Dá uma olhada na geladeira, gaveta de carnes. Você não tem a menor possibilidade de dar certo. Babaca.

( Preciso desenvolver meu pensamento lateral, criando  originalidade de forma simples, ou essa pia vai me matar.  Então se eu pegar uma marreta de borracha e der uma surra nessa pia, a energia cinética gerada me devolverá porrada em dobro. O que me trará o reconfortante consolo do autoflagelo. Talvez a forma linear seja mais prática. Simplesmente desinstalo a pia e vendo pela internet. Com o dinheiro faço mais merda com a minha vida.)

— Você achou mesmo que, me vendendo para um hotel pulguento, se livraria de mim? Eu tinha esperança que essa cabecinha conseguisse fazer o mínimo de sinapses neurais através de processos  mnemônicos. Você precisa lembrar onde escondeu os seus sonhos. Pense nas palavras-chave: revolução, amor, livro e objetivo.

(RALO! Meus sonhos escoaram pelo ralo. Devem ter ficados presos no cano. Posso chamar o zelador, dizer que está entupido. Não, melhor não. Ele vai pegar aquele arame gigante e cutucar meus sonhos até que não reste nem um cochilo. Vou retirar e serrar o cano para liberar meus sonhos sem danos.)

— Não se esqueça de fechar a água, Pedro, ou verá os seus sonhos espalhador por todo o prédio, descendo pelas escadas ou, pior, pelo fosso do elevador onde serão eletrocutados e destruídos definitivamente.  Você criou todas essas barreiras mentais e ideológicas, agora acha que vai abrir a caixa de Pandora com uma obra no banheiro? As paredes, Pedro, nas paredes. Seus sonhos estão enterrados nas paredes que você construiu, quando abandonou a banda de rock do ensino médio e o grupo de teatro da praia. Quando trocou as redações dos jornais pelo formalismo jurídico. Quando seus desejos passaram a valer menos do que o extrato bancário.

(Odeio esses azulejos brancos. Odeio essa cortina cinza, odeio tudo aqui. Vou quebrar tudo, não desistirei de meus sonhos. Aguentem firmes, eu estou chegando para resgatá-los!)

(…)

O zelador recebeu uma estranha reclamação contra o som vindo do apartamento do tímido advogado.

—  Que barulho é esse Dr. Pedro? Fazendo obra a esta hora?

— Não, obra não. Comprei uma bateria.

19 comentários em “Todas as Vozes da Minha Pia (Catarina Cunha)

  1. Givago Domingues Thimoti
    23 de dezembro de 2018

    Olá!

    Tudo bem?

    O conto tem uma pegada leve, sobre uma pia que julga as escolhas de vida do Pedro. É diferente, mas não me conquistou

    Tem uns errinhos gramaticais ali e acolá. Talvez tenham escapado de uma revisão mais apurada.

    No mais, é isso. Parabéns pelo trabalho!

  2. jowilton
    23 de dezembro de 2018

    O conto narra a estória de Pedro que escuta sua pia lhe dar lição de moral como se fosse sua própria consciência ou mesmo sua mãe.

    É um conto/crônica legal. Ao meu ver, mais crônica do que conto. OiÉ divertido, tem boas sacadas e está bem escrito. Não é nada muito surpreendente mas entretém bastante e a leitura é fluida. Sinceramente, achei que meu conto fosse ganhar deste aqui na rodada passada, acabou perdendo de dois a um, por isso vou me vingar. Huahuahua Hua. Brincadeira. Boa sorte no desafio.

  3. Gilson Raimundo
    19 de dezembro de 2018

    Após outra noitada, Pedro ainda sob o efeito da ressaca tem que encarrar os preparativos de mais um dia monótono de trabalho. Quando vai lavar o rosto tem um profundo dialogo com sua pia, ela o lembra dos sonhos deixado de lado e da necessidade de aproveitar melhor seus dias. Pedro, decide então dar outro rumo a seu destino.

    Um conto bem curtinho que dá o seu recado. No primeiro paragrafo apresenta uma linguagem bem popular, desafiadora, depois se torna mais culta em tons de aconselhamentos. A pia chama a tenção de seu interlocutor e depois passa a influência-lo. O desfecho foi bem impactante.

    Boa sorte no desafio.

  4. Das Nuvens
    18 de dezembro de 2018

    Cara Senhorita Louça

    Resumo: história contada em diálogos subjetivos entre uma pia e um rapaz. Quem é o protagonista? Ao final, talvez levado pelas ponderações da pia, que diz a ele que deve reaver seus sonhos, o rapaz resolve comprar uma bateria. A vida segue.

    Comentários: um conto curto e fácil de ler. Sem abalos construtivos, o conto segue revelando o que diz a pia e o que reflete o rapaz acerca de sua vida. Uma virada rápida faz o rapaz optar por comprar uma bateria e dar, talvez um rumo ao sonho que teve na juventude.
    Embora construído sobre o inusitado protagonista (?), uma pia, o conto não chega a revelar uma trama ou alguma profundidade, remetendo a que o problema todo pelo qual ele passa, seja resolvido pelo óbvio: reviver na idade adulta um sonho da juventude: compra uma bateria.
    Quando comecei a ler fui remetido imediatamente ao livro O Banheiro (La salle de bain), de Jean-Philippe Toussaini, de 1985, Editora Nova Fronteira, que foi prometido como “A maior novidade na literatura francesa…” e acabou por não dar em nada. Nele o protagonista resolve passar a vida dentro de um banheiro, em sua banheira… e a história segue sem grande interesse.
    Não foi esse o caminho do conto, que foi rapidamente arrematado por uma decisão tomada por ele, o protagonista (?).
    Notei alguns problemas que passo a relatar:
    — “…cartão de crédito topado…”. Equivaleria a “noto topo” dos créditos ou, ao invés, “estourado”? Não entendi;
    — “… seus sonhos espalhador por todo…”, talvez fosse “espalhados”;
    De resto tudo legal.
    Acredito que a simplicidade de uma narrativa seja bastante relevante na construção de uma ideia que se transforma em texto. Aqui, no seu texto, não obstante ter sido muito legal traçar um diálogo entre uma pia e um rapaz, me pareceu que tudo ficou carente de uma construção mais firme, talvez mais humorada, ou mais azeda talvez, ainda que, embora pudesse ser rápida, como foi, deixasse um final menos simples do que acabou tendo.

    Boa sorte no campeonato.

  5. Ricardo Gnecco Falco
    16 de dezembro de 2018

    Resuminho: Tímido advogado encara o ralo de sua pia no começo de mais um dia “útil”, pós-chutação de balde com amigos da facul e, em meio à ressaca braba, reflete sobre sua vida, culpando-se pelas escolhas que, então, percebe terem sido feitas de forma errada, focando em uma pseudo-estabilidade financeira ao invés da estabilidade emocional e da plenitude pessoal. Não se sabe ao certo se o protagonista comprou mesmo uma bateria e retornou ao caminho trilhado apenas em sua juventude, ou se, aproveitando o desejo imediato de resgate de seus sonhos, transformou os objetos de seu banheiro em bumbos, caixas, pratos e ton-tons…

    Impressões pessoais: Um texto bem gostoso de se ler e que remete ao passado, resgatando sentimentos, sonhos e experimentações repletas de saudosismo e jovialidade. Eu gostei!

    Parabéns pela obra e boa sorte no Desafio. No daqui, e no da realidade da vida também…

    Abrax,

    Paz e Bem!

  6. Virgílio Gabriel
    16 de dezembro de 2018

    Este é o segundo “conto” que leio, que me soa mais como auto-ajuda. Nele, um advogado conversa com a pia – provavelmente uma espécie de amiga imaginária -, criada em sua mente, para lhe jogar na cara que ele escolheu ganhar dinheiro, ao invés de realizar seus sonhos juvenis. No fim, escuta a pia, e compra uma bateria.

    Confesso que como auto-ajuda, me soou interessante e criativo. Mas para um desafio de contos, se torna uma disputa desleal. Há alguns errinhos de pontuação e troca de letras, mas na correria para participar, eu entendo a falta de revisões – também passei por isso no meu conto.

    Desejo boa sorte, pois valorizo uma criatividade diferenciada.

  7. Matheus Pacheco
    11 de dezembro de 2018

    Resumo: O conto narra a história de um homem “frustrado” com sua vida, que deixou que seus sonhos escorressem pelo Ralo de sua pia e que em um monólogo conseguiu refletir seu estado atual, deixando tudo se espalhar pela pia.
    Comentário: Cara, que triste esse conto, faz realmente pensar que isso pode acontecer com qualquer um. sentir o choque de realidade que toda sua vida foi desprovida do próprio sonho e pela mesma pessoa que o sonhou é algo que poucos suportam.
    Ótimo conto e um abraço.

  8. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2018

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo

    Em uma crise existencial, o protagonista, de ressaca da balada e da vida, conversa com sua pia. Uma espécie de alter-ego-psicóloga que o aconselha a seguir seus sonhos.

    Meu ponto de vista

    O texto tem uma pegada muito interessante, que me remete a crônicas ou textos do estilo “Comédia da Vida Privada”.

    Impossível não se identificar com Pedro, com a urbanidade do texto, com os conflitos do personagem.

    Alicerçado sobre uma metáfora muito interessante, a premissa escolhida pelo autor, nos faz enxergar as vidas escoando pelo ralo, a dicotomia sonho X cotidiano, e, mais que isso, como nossas frustrações se refletem em pequenos detalhes de nosso dia-a-dia. Um azulejo que incomoda aqui, uma pia pingando ali, e nos vemos no caos da confusão de nossas escolhas pessoais, ou, como no caso do conto, nossas não escolhas.

    Parabéns por seu trabalho.
    Desejo sorte no campeonato.

    Beijos
    Paula Giannini

  9. Ana Maria Monteiro
    8 de dezembro de 2018

    Observações: um bom conto em que o autor espelha todas as frustrações (tão comuns) de um adulto jovem e de sucesso. Ps: Tem a palavra “espalhador” onde quis escrever “espalhados”.
    Prémio “Faço mais barulho p’ra não me ouvir”

  10. Fernando Cyrino.
    5 de dezembro de 2018

    Olá, Senhorita Louça, cá estou eu curtindo o seu conto. Trata-se verdadeiramente de uma narrativa gostosa de se ler. Uma história bem leve e, sem dúvida que bastante criativa. O advogado, o nosso herói Pedro (ou não é nada disto e a história somente comporta uma heroína e essa carrega o nome de Pia). vai lavar o rosto, fazer a sua higiene diante da pia e a danada, inconveniente e até mesmo debochada, começa a funcionar como a sua (do Pedro) consciência crítica. O conto termina com o zelador indagando sobre estranhos barulhos acontecidos e o Doutor a lhe dizer que havia adquirido uma bateria. Bem, começando pelo final (epa). Achei que você, minha amiga, poderia ter explorado mais o fecho do conto. A pegada aí não me pareceu forte. Quem sabe também, Senhorita Louça, você não poderia ter investido mais um pouco nos cutucões à consciência do Pedro, senti que aí havia uma bela oportunidade de você trabalhar. O conto está bem redigido, senti falta de algumas vírgulas, mas nada que prejudicasse a leitura e compreensão. Repetições de palavras também não ajudam (paredes, dormir). Resumindo, um conto bacaninha, leve e gostoso, mas que poderia ter se tornado ainda melhor, caso a Senhorita Louça houvesse investido mais nele, o tivesse mais desenvolvido em seu miolo e criado mais no seu fechamento. Receba o meu abraço fraterno, Fernando.

  11. Antonio Stegues Batista
    5 de dezembro de 2018

    TODAS AS VOZES DA MINHA PIA
    É a história de um advogado estressado com a vida moderna, que tem a ilusão de que a pia do seu banheiro conversa com ele.

    A escrita é muito boa, gostei da fala da pia, dos diálogos. O final não ficou ruim, porém, não foi nada surpreendente. É uma história bem interessante, embora não seja original, pois existem outras histórias onde objetos falam com o protagonista. E, também objetos que criam vida, como é o caso de um conto de Stephen King, onde uma máquina a vapor cria vida e sai pela rua atacando as pessoas. De qualquer forma, gostei da história da pia, só achei que seria melhor se fosse algo sobrenatural e não a imaginação do homem.

  12. Nathiely Feitosa
    2 de dezembro de 2018

    Olá, escritor!
    Primeiro, parabéns pelo conto!

    Gostei bastante da ideia, a forma como o diálogo é colocado no conto é uma ideia bastante criativa. O que as vozes dizem soam bastante existencialistas, o que, para mim, é um ponto muito, muito positivo.
    A escrita é fluída, simples, porém, com alguns termos mais específicos, que causou uma quebra no meu fluxo de leitura (mas acredito que isso seja mais subjetivo), o que não descaracteriza a criatividade e a ótima escrita do texto, que tem um final inesperado e bom. Adoro quando o texto me surpreende com um final imprevisível.
    É isso. Parabéns mais uma vez, ótimo texto!

  13. Evandro Furtado
    29 de novembro de 2018

    Um texto curto, mas bastante profundo. É basicamente um cara conversando com a pia do banheiro dele. Surrealista o suficiente pra mim. A pia fala pra ele dos sonhos que abandonou. Ele compra uma bateria.

    O autor apostou em um tiro rápido, tom de anedota, inclusive. É claro que o miolo do texto tá cheio de reflexões interessantes, impulsionadas, inclusive, pela qualidade da linguagem empregada. Isso também relaciona-se com o caráter do personagem e sua formalidade profissional. Ou seja, conteúdo e forma estão amarradinhos como deve ser.

  14. Sidney Muniz
    28 de novembro de 2018

    Resumo:

    Pedro é um cara frustrado que viu todos seus sonhos irem pelo ralo, e sua frustração é tamanha, mesmo se dando bem financeiramente, ele não tem a felicidade que queria, quando desejava ser bateirista de uma banda ao invés de advogado… e por aí vai até ele correr atrás de seus sonhos!

    sonhos espalhador por todo o prédio – espalhados

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 5 – É bom demais, muito criativo mesmo!

    Construção dos Personagens: 4 – Em pouco tempo você consegue passar muito do personagem e de sua consciência.

    Narrativa: 3,5 – Achei que não deu pra ver muito, mas convence.

    Gramática: 5 – Não vi nada de mais!

    Originalidade: 5 – O texto é muito original, curto, mas original!

    História: 2 – Aqui não temos algo tão interessante, apenas uma pessoa frustrada em não fazer o que gosta decidindo enfim correr atrás de seus sonhos.

    Bom conto!

    Total de pontos: 24,5 pts de 30

  15. Gustavo Araujo
    28 de novembro de 2018

    Resumo: Diante da pia do banheiro, advogado passa por um momento de auto-conhecimento.

    Impressões: conto curto, mas que dá o recado. Quem nunca deixou-se perder em devaneios na pia, na privada, no banho, imaginando que a vida poderia ou deveria ser de outro jeito? É nos momentos mais inesperados que nos confrontamos com nossas próprias verdades inconvenientes. Às vezes, esse confronto é desolador, quando nos damos conta que estamos num caminho completamente errado – o que parece ter sido o caso aqui neste conto. Enfim, uma narrativa que mais se aproxima de uma crônica, de uma gostosa crônica, mas que não chega a ser marcante. Bem escrita, é verdade, e de certa forma criativa, mas não o suficiente para se destacar. Um pouco mais de viagem e ousadia cairiam bem. De todo modo, parabéns e boa sorte no desafio!

  16. Leandro Soares Barreiros
    28 de novembro de 2018

    Após uma noite de diversão com os amigos, um homem sofre um momento de reflexão sobre as escolhas de sua vida, personificada em objetos espalhados por seu banheiro. Durante sua epifania, decide resgatar a pessoa que queria ser, quiçá deixando de lado quem se tornou.

    Gostei muito da história, é curta, mas com bastante originalidade. As associações entre os objetos no banheiro, os ditados populares e o sentimento do narrador humano acabaram se encaixando muito bem.

    Sonhos indo pelo ralo, espelhando refletindo quem se tornou, muros na mente que foram construídos e precisam ser derrubados… muito bom.

    Em um texto beeeem curtinho temos um ótimo exemplo de construção de personagem, sabemos quais eram seus sonhos, o que ele se tornou, o gosto amargo que fica na boca quando pensa sobre os amigos que não têm empatia com sua situação.

    Notei um erro bobo de digitação que em nada atrapalha o texto. Vou apontar apenas para que você corrija no original.

    ” ou verá os seus sonhos espalhador ”

    Bom trabalho e boa sorte!

  17. Wilson Barros
    22 de novembro de 2018

    Fluxo de consciência através do diálogo de Pedro, insatisfeito com o rumo que a vida tomou, com sua pia. A pia reclama das bebedeiras dele; ele pensa em vendê-la; ela diz que ele não conseguirá se livrar dela assim; Pedro se ressente do desaparecimento dos sonhos “pelo ralo” e decide “serrar o cano” para liberá-los; a pia informa que ele desistiu dos sonhos quando desistiu da banda; no final ele explica ao zelador que comprou uma bateria.
    A técnica utilizada é a do monólogo interior, usando a pia muito inteligentemente como um interlocutor, para captar o fluxo de consciência. O método das associações é onipresente, inclusive assistido pela pia, que sugere as palavras “revolução, amor, livro e objetivo” para direcionar o fluxo. O autor decide resgatar seus sonhos, quebrando tudo. Ao final, fica a dúvida se ele quebrou a pia, ou o cano, ou as paredes, ou se o barulho que está fazendo é de uma bateria que comprou.
    O conto é interessante, ao estilo Ulysses de Joyce, tendendo para o onírico do “Finnegans Wake”. Inclusive creio que o autor poderia ter continuado até as duas mil palavras, estava indo muito bem. Essa é a sugestão que faço, continuá-lo. Ulysses tem mais de mil páginas nesse ritmo.
    Erros:
    espalhador >> espalhados

  18. angst447
    21 de novembro de 2018

    RESUMO: Pedro, rapaz que desistiu dos sonhos para seguir uma carreira mais rentável e estável, depara-se com as vozes vinda da sua pia – uma espécie de consciência. O tom da pia falante é de crítica debochada, provocando Pedro a rever suas escolhas de vida. Os sonhos aprisionados nas paredes do banheiro, ou perdendo-se pelo ralo. No final, compra uma bateria resgatando o adolescente que um dia havia participado de uma banda de rock.
    ————————————————-
    O conto é curto, quando me dei conta, já havia terminado a leitura. Achei a ideia da pia/consciência bem esquizofrênica, mas interessante. Saiu do clichê do espelho que revela a verdade. Melhor mesmo ser a pia, que recebe toda a água suja do rosto, das mãos, do amanhecer do cara com ressaca.
    A linguagem é coloquial, caindo para o lado da gíria, o que tornou o texto mais atual e moderno. Há um certo tom de lição de vida no final – e quase fica a pergunta – quanto você está recebendo para desistir dos seus sonhos?
    O ritmo do conto é muito bom e o tamanho impede que o leitor se canse da narrativa. O final surpreendeu de forma leve, pois quando esperava uma quebradeira ensadecida, o cara vai lá e compra uma bateria. Os vizinhos incomodados que se mudem.
    Só encontrei uma falha que me pareceu mais de digitação do que de revisão – erá os seus sonhos espalhador > sonhos espalhados
    Boa sorte na Copa.

  19. Iolandinha Pinheiro
    21 de novembro de 2018

    Olá, autor! Conto curto sobre um cara que ouve vozes vindas da pia, que na verdade são uma espécie de grilo falante hiper crítico, ou seria toda a culpa que ele mesmo sente por não ter investido em seu sonho de ser escritor, de fato ele é advogado (esse conto é sobre a minha vida?).

    Ninguém pode dizer que este conto não seja criativo. Não é todo dia que uma pia monologa sobre a sua vida tripudiando sobre os seus fracassos. A coisa que chegou mais perto de parecer com a sua obra, foi o filme O Cheiro do Ralo, em que o cara se confrontava com o pulha que era e se identificava com o odor nauseabundo que saía do buraco do ralo. O conto é bem escrito, tem um humor suave, e uma perspectiva pessimista mas que não nos deixa deprimidos. A fluidez é boa, os poucos personagens fazem a sua parte, onde a pia brilha mais que o protagonista humano. O seu conto não tem pontos negativos mas também (para mim) não foi aquele tipo de conto conto empolgante que faz a gente vibrar.

    Cruze aí os dedinhos que agora eu vou votar.

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Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .