EntreContos

Detox Literário.

Tiro Certeiro (Jorge Santos)

 

A casa estava praticamente às escuras. Desorientado, Antunes percorre o corredor no silêncio da noite. Ouve um barulho. O coração dispara. Um homem mascarado surge do nada e aponta-lhe uma arma. Acorda agitado, mais uma vez. Já tivera aquele sonho no hospital e não conseguia descortinar o seu significado, como era hábito nos sonhos. No seu caso, no entanto, era mais do que isso: os médicos tinham-no informado de que teria problemas causados pelo traumatismo craniano que sofrera. Não se sabia se esses mesmos problemas seriam definitivos. Aliados às outras sequelas físicas, o diagnóstico era simples: ele, Diogo Antunes,  43 anos, investigador privado, divorciado e falido, estava uma merda.

Pegou na garrafa quase vazia que tinha debaixo da cama. O whisky queimou-lhe a garganta, mas era a única forma que tinha de conseguir pensar. Estava no seu minúsculo apartamento que lhe servia de escritório. Não tinha luz nem água. Estava a um ponto de ser posto na rua: seria mais um mendigo na população de sem-abrigo de Lisboa. Pelo menos já conhecia alguns.

Levantou-se penosamente. Arrastou-se para o quarto-de-banho onde usou a água de um balde para se lavar. O plano para aquele dia era simples. Usar o saldo que ainda tinha no telemóvel para ligar aos clientes que lhe deviam dinheiro. Contactar amigos.

Amigos?

A palavra provocava-lhe o riso. Enquanto estivera internado só fora visitado por um tio que vivia afastado. Estar sozinho no mundo tinha uma vantagem: podia sempre saber com o que podia contar. Sentou-se à secretária e começou a telefonar. Uma e outra vez. O saldo diminuía assustadoramente. Tinha apenas dinheiro para mais uma chamada. José Calado era um industrial do ramo do calçado que desconfiava que a mulher o estava a trair. Diogo aceitou o serviço e descobriu que Inês Calado, mulher deslumbrante, ex-modelo, tinha, efectivamente, um amante. O estranho, neste caso, foi que o amante desaparecera do mapa pouco tempo depois de Diogo descobrir.

Marcou o número. Esperava ouvir uma voz masculina, mas em vez disso ouviu uma voz sedutora.

– Sim?

– Daqui fala Diogo Antunes, sou um conhecido do senhor José Calado. Será que poderia falar com ele? É um assunto privado.

– Eu sei, Diogo, mas o meu marido não pode atender. Por favor, não volte a ligar para este número.

– Mas… – tal como ela ameaçara, a ligação telefónica foi cortada, deixando-o bastante confuso. Ela sabia? Ele tinha a certeza de ter falado com Inês Calado, a quem perseguira durante uma semana. Sabia tudo sobre ela. Tinha-se apaixonado secretamente pela morena alta de olhos negros profundos que enfeitiçavam qualquer homem. Ele conhecia-lhe a voz.

Ela sabia?

Diogo meditou sobre o assunto e depois abanou a cabeça. Tomou a decisão de falar com José Calado. Era a sua única hipótese de ganhar dinheiro. Foi no carro que o tio lhe tinha emprestado até ao Carregado, onde ficava a sede da empresa de José Calado. Ali, pediu na recepção para falar com ele. A menina pareceu surpreendida e informou-o de que José Calado estava numa viagem prolongada aos Estados Unidos. Abatido, Diogo regressou a Lisboa. Havia ali qualquer coisa que não estava bem, pensou, enquanto o motor do carro resmungava pelo caminho.

Parou num café. Carregou a bateria do telemóvel e acedeu à internet da rede WIFI. Pediu um café e um pão com queijo enquanto pesquisava nas redes sociais. Tal como pensava, José Calado não tinha viajado. Ninguém sabia do seu paradeiro e Inês Calado tinha assumido temporariamente o seu cargo nas empresas.   

Um homem menos desesperado teria desistido, mas Diogo Antunes não o fez.

– Posso falar consigo? – perguntou Diogo à funcionária da empresa que o tinha atendido. Ela tinha pouco mais de vinte anos, um aspecto quase angelical e estava genuinamente surpreendida – afinal, não era todos os dias que um desconhecido a abordava no corredor dos congelados no supermercado.

– É o senhor que perguntou pelo Sr. Calado? Não contava vê-lo aqui.

– E eu contava vê-lo a ele naquele dia. Posso pagar-lhe o café?

Ela aceitou. Sentaram-se no café que ficava no mesmo quarteirão do supermercado.

– Por que razão o procura?

– Posso ser franco consigo? É uma questão de vida ou morte. Da minha vida ou morte. Ele contratou-me para seguir a esposa e nunca me chegou a pagar.

Ela abriu muito a boca.

– Parece mais surpreendida do que eu esperava.

– Posso estar a fazer confusão, mas o Sr. Calado enviou o cheque para um investigador privado. Foi de uma conta privada, mas eu tenho acesso. A D. Inês nunca soube disto e também nunca contei à polícia. O Sr. Calado pediu-me para guardar segredo absoluto, mas não sei se fiz bem. Ele continua desaparecido, a polícia já esteve em todo o lado. Pode ser importante.  

– Precisava da cópia do cheque.

Ela acedeu. Combinaram no mesmo café, no dia seguinte. Trazia um envelope fechado.

– Encontre-o, por favor. Não consigo trabalhar com a D. Inês. O Sr. Calado era um bom patrão.

Diogo não prometeu nada. Abriu o envelope e leu a cópia do cheque. Conhecia bem a empresa Silva Esteves. Eram concorrentes dele. A data do cheque era posterior ao serviço que Diogo lhe tinha prestado.

Ele tinha-lhe pago a eles, mas não a ele. Diogo tentou ignorar esse facto. A cabeça doía-lhe terrivelmente. Voltou para casa e tomou um analgésico com mais uma dose de whisky. A última. Atirou a garrafa vazia para o lixo. Tentou pensar. O que ia fazer a seguir era perigoso, mas viver era um risco. Foi a pé até à Silva Esteves para poupar o combustível do carro, era noite cerrada e tinha começado a chover. Diogo levava a gabardina cinzenta escura do seu kit de detective, como costumava chamar-lhe a ex-mulher. Ela tinha umas piadas interessantes, que agora contava a outro.

Abriu a porta da entrada com uma gazua. Subiu as escadas internas. Já tinha estado ali antes, mas nunca à luz da lanterna. Entrou no arquivo e vasculhou até encontrar o que procurava, uma pasta com o nome “José Calado”. Tirou fotografias a todos os documentos com o smartphone e saiu.

A fotografia mostrava Inês Calado a sair de um restaurante com um homem de barba e bigode. Tinham evidente cumplicidade, mas o homem não era o amante que Diogo tinha descoberto. Leu os relatórios. Além da fotografia, eles não tinham descoberto nada. O homem era hábil a evitar deixar vestígios. Um autêntico fantasma. Quanto mais lia, mais Diogo ficava intrigado. Na prática, tinha voltado à estava zero. Só havia uma pessoa que poderia saber do paradeiro de José Calado: a própria esposa. Ninguém lhe conseguia tirar da cabeça de que ela deveria estar implicada no seu desaparecimento. Decidiu segui-la, como faziam nos filmes em Hollywood. O problema é que a realidade do investigador privado era bem menos romântica do que nos filmes. Ele nem dinheiro tinha para se alimentar em condições. Foi com todo o esforço e dedicação que seguiu Inês Calado até ao ponto de lhe conhecer todas as rotinas, nunca descobrindo o misterioso amante. Para todos os efeitos, Inês Calado era uma esposa devota de um marido desaparecido. Repartia o seu tempo entre a empresa, a casa e a igreja onde ia regularmente. Aqui e ali ia ter com amigas a um salão de chá da baixa.

Diogo estava nas últimas, tal como o depósito do carro. Seguiu Inês num sábado à tarde. Ela saiu de Lisboa, passou por Sintra e foi para norte, junto à costa. Ele não tirava os olhos do ponteiro do combustível. Tinha a certeza de que teria de voltar a pé. Não se importou com isso. Se fosse necessário voltaria à boleia, não seria a primeira vez.

A casa ficava no meio do nada, a poucas centenas de metros de uma costa com mar revolto e falésias profundas. A chuva não parava. Diogo parou o carro e seguiu a pé. Caiu um relâmpago que iluminou a casa. Ele espreitou pela janela. No interior, Inês parecia estar sozinha. Diogo deixou-se ficar à chuva. Lá dentro, Inês olhava para o smartphone e parecia divertida. A certa altura, levantou-se, aproximou-se da garrafeira, encheu dois copos e Diogo deixou de a ver. Seria o amante? Seria José Calado? Diogo tirou a pistola da algibeira e destravou-a.

– Isso é para mim? – Perguntou Inês Calado. Ela estava a dois metros dele, com dois copos na mão. A água colava-lhe a roupa ao corpo, o olhar era sensual, irresistível. Chamava por ele como um demónio do inferno. O que é que ele tinha a perder? Aceitou o copo e seguiu-a para o interior da casa.

Ela mostrou-lhe no smartphone a imagem das câmaras de vigilância do exterior. Enquanto ele tinha estado à chuva, ela tinha-se divertido à sua custa.

– O Zé comprou-me esta casa pelo meu aniversário. É o meu refúgio. Fazes-me companhia?

Na mesa da sala havia uma travessa de carne fumegante.

– Estava à minha espera.

– Está como sei que gostas.

Diogo olhou para a carne e reconheceu que ela estava certa. A cada passo tinha um deja vu, aquela sensação incómoda de se sentir que estamos a viver uma situação já vivida. Ele já tinha estado ali.

– Pareces surpreendido, Diogo. Deixamos as perguntas para depois? Estou cheia de fome.

Jantaram. Ele abriu uma garrafa de vinho que sabia ser caro. Olhou para a parede em frente enquanto abria o vinho. Aquela era a parede que via no seu sonho e tinha um espelho. Ao ver a sua imagem reflectida descobriu que o ladrão que via no sonho era ele próprio. Lentamente ia desenrolando toda a história.

– Eu matei-os. – Concluiu Diogo.

– O Inácio era um imbecil que julgou que me podia chantagear. Ninguém sente a falta dele.

– Eu fiz-te um favor.

– Tu fizeste-nos um favor, amor. Tenho pena de que não te lembres.

Ela levantou-se e aproximou-se dele. Fizeram um brinde e beijaram-se. Ele envolveu-a nos seus braços e pegou nela.

– Eu sei o caminho. – Disse ele, subindo as escadas com a cabeça dela encostada à sua. Pelo caminho, revivia o que tinha acontecido. Ele, com uma máscara na cabeça, a fazer-se passar por um ladrão. Subiu as escadas, percorreu o corredor com a arma na mão. Abriu a porta e ali estava José Calado, que dormia ao lado de Inês. Ele apontou a arma à cabeça do industrial e disparou.

Ele tinha matado José Calado. Depois tinham desfeito o corpo num tanque de ácido na garagem, tal como tinham feito antes com Inácio. A cabeça doía-lhe. Sentia um misto de confusão e arrependimento. O que é que isso interessava quando se tinha a mulher dos nossos sonhos a olhar para nós como Inês Calado olhava para Diogo Antunes? Ele cedeu completamente à tentação, ignorando todos os sinais de aviso. Fizeram amor como dois animais no cio. Quando, finalmente, se deram por satisfeitos, ela adormeceu nos braços dele.

– Bom dia, amor.

Era já de dia. Diogo estava apenas coberto pelo lençol branco, deitado exactamente no mesmo sítio onde morrera José Calado. Era tudo claro na sua memória, especialmente o que acontecera depois. Mas nada disso interessava. Inês sorria-lhe e isso faria dele o homem mais feliz do mundo, não fosse a arma que ela lhe apontava à cabeça.

– Foste tu que provocaste o meu acidente. – Disse Diogo, surpreendentemente calmo.

– Não podiam haver pontas soltas. Eu consegui o que queria, livrar-me de um homem que eu odiava profundamente. Tu foste uma peça no puzzle, uma peça que ele próprio me enviou. A pessoa mais idiota que eu alguma vez conheci. Não é à toa que estás falido, Diogo. E nem sabes da aflição que me causaste quando sobreviveste ao acidente. Eu droguei-te. Depois foi só destravar o carro e fazê-lo cair na ravina. Mas tu sobreviveste, apenas com problemas de memória como numa novela de segunda categoria. Agora, tudo vai ficar resolvido. – Diz Inês, com o olhar carregado de ódio.

O tiro ecoou no quarto. O corpo nu de Inês tombou inanimado no chão. O tiro certeiro que Diogo disparara com a arma escondida por baixo do lençol.

– Sim. Já está tudo resolvido, amor.

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16 comentários em “Tiro Certeiro (Jorge Santos)

  1. Amanda Gomez
    21 de dezembro de 2018

    Olá!

    A história de um detetive particular que se vê com problemas de saúde, além de perda de memória e sonhos estranhos. Recorda-se que um industrial chamado José calado lhe deve dinheiro por ter investigado a esposa. O homem desaparece misteriosamente. Diogo ao poucos vai se lembrando do que aconteceu, apaixonara-se pela mulher e cometeu crimes em nome dessa paixão. Matou José calado, no fim ela se coloca contra ele, aprontando-lhe uma arma, mas Diogo é mais rápido.

    ————-

    Olá, Cherloque!

    Você conseguiu manter o mistério durante o texto, só fui pensar nesse desfecho quando as coisas começaram a acontecer. Essa demora pode ter sido um tanto prejudicial pois o conto teve muitas indas e vindas atrapalhando um pouco a fluidez. Nada muito grave.

    A história é interessante, talvez tenha faltado um pouco mais de profundidade nos personagens, a parte da revelação ficou um pouco confusa. Os motivos da mulher não foram expostos também. Eu gostei do conto foi uma leitura agradável. Parabéns!

  2. Antonio Stegues Batista
    19 de dezembro de 2018

    Tiro Certeiro.
    é a história de um detetive endividado que é contratado por um empresário para investigar se a esposa o traia. O detetive sofreu um acidente e por isso não se lembra de certas coisas, até descobrir a verdade quando se encontra com a mulher do empresário.

    O enredo é interessante, a escrita é simples, mas nem por isso ruim. O texto poderia ser melhor se as descrições fossem mais detalhadas, a ambientação soturna, como a chuva caindo, o detetive molhado, chapinhando sob a névoa com seus conflitos interiores. Uma atmosfera sombria acho que daria mais valor ao conto. O final, com o detetive matando a mulher friamente, não surpreendeu, mas também não foi ruim. Enfim, é uma boa história, mas me pareceu que faltou algo mais.

  3. Givago Domingues Thimoti
    18 de dezembro de 2018

    Tiro Certeiro

    Caro(a) autor(a),
    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!
    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.
    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor
    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.
    RESUMO: O conto narra a história do investigador Diogo Antunes e o desfecho, com ares de tragédia e vingança de seu romance com Inês.

    IMPRESSÃO PESSOAL: Gostei do conto, embora a principal força de uma história policial seja a surpresa na revelação do vilão e isso não ocorra nessa história.
    Particularmente, gostei bastante da vilã Inês. É uma daquelas vilãs clássicas do gênero, que sabe usar sua inteligência para conseguir o que deseja. Se um dia o(a) autor(a) quiser investir em um romance policial, você já tem uma ótima personagem para se trabalhar.

    ENREDO: O enredo segue a cartilha de uma história policial. É verdade que não tem nenhuma inovação, mas, ainda assim, a narrativa é capaz de prender a atenção do leitor.

    GRAMÁTICA: Confesso que não encontrei erro gramatical.

    PONTOS POSITIVOS:
    • Uma vez, num desafio do próprio site EntreContos, resolvi investir numa história com pegada policial. Não deu certo e um dos motivos que foi apontado por uma participante (tenho dúvidas à cerca de quem seja) é que o gênero policial precisa de mais palavras limites para ser um bom conto policial. Na ocasião, salvo engano, eram 3000 palavras (bons tempos). Acho que, se esse não for um bom conto, está muito próximo de conquistar esse nível.
    • Inês é uma ótima personagem.
    PONTOS NEGATIVOS
    • O desfecho do conto foi previsível.
    • É um tanto clichê. Claro, clichêfobia à parte, foi um clichê bem trabalhado
    • Pena não ter mais espaço para escrever. Acho que seria muito bom entender como Diogo e Inês se relacionaram. Quem sabe rola um livro? (Quero um exemplar!)

  4. Fabio D'Oliveira
    15 de dezembro de 2018

    Tiro Certeiro – Cherloque Puarô

    Resumo: Diogo está falido, tanto financeira quanto moralmente, com pesadelos terríveis, por causa de um tramatismo craniano, e na merda. Corre atrás de contatos que lhe devem, mas um, em especial, lhe atrai. Assim começa sua investigação atrás de um ex-cliente desaparecido. Aos poucos, as coisas se encaixam e Diogo descobre a verdade: ele estava passando por problemas de memória e estava envolvido no desaparecimento do senhor Calado. Depois de uma noite de sexo selvagem, um tiro certeiro fecha a história. Esse é o fim.

    Não poderei falar muito sobre a escrita, pois não domino o Português de Portugal, mas posso afirmar uma coisa: você escreve bem. Algumas falhas de digitação, que foram deixadas pela pressa ou desleixo (como a parte do “retornou à estava zero”, que acredito que deveria ser “retornou à estaca zero”), mas nada demais.

    O maior problema, ao meu ver, é o desenvolvimento do enredo e os personagens. Preste atenção: não estou falando do desenrolar da narrativa, que é bem feito, mas aos acontecimentos que levaram ao derradeiro tiro certeiro.

    Olhe bem: tudo acontece de forma teatral, com o autor liberando o caminho para Diogo alcançar a verdade, sem muito realismo e complexidade. Por exemplo, ele consegue informações com a funcionária de Calado de forma extremamente fácil. Simplesmente chega nela, fala algumas coisas e pronto; ignorando várias coisas, como uma possível negativa dela, como suspeitas e etc. É possível, sim, que ele consiga algumas informações de forma fácil, mas quando tudo é fácil demais, sem dificuldades, acaba se tornando algo pouco verossímil. A realidade é constituída se imprevistos. A revelação da verdade também é assim: ele chega no lugar, transa com.a mulher e pronto, tudo volta pda cabeça dele.

    No fundo, é um conto policial que quase não carrega a essência policial, da boa investigação, das incríveis reviravoltas, do mistério, do suspense. E um fator que contribui para isso são os personagens. Não são complexos. São meros esteriotipos do gênero. Pouco instigantes e originais. O investigador bêbado e na merda, a vilã sedutora e cruel, os peões que são descartados e retratados como otários. Enfim, falta autenticidade neles.

    Acredito que esse conto precisaria de muito mais desenvolvimento para funcionar. Situações de reviravoltas, pistas falsas, personagens mais autênticos. Do jeito que está, é bem medíocre, infelizmente.

  5. Das Nuvens
    11 de dezembro de 2018

    Caro Cherloque Puarô

    Resumo: Homem é atormentado por lembranças que não distingue a origem. É um detetive. Está falido. Parte em busca de recuperar seus ganhos fazendo reviver um contrato com um (suposto) marido traído. Depara-se com o fato de que suas lembranças decorrem de suas ações reais, em passado recente. Ele é um assassino a mando de seu amor, a mulher que foi contratado para seguir. Ela, por seu turno, o vê como o cara que cumpriu seus propósitos (que seria de matar seu amante e seu marido). Ela, então, tenta mata-lo e ele é mais rápido que ela no gatilho que estava sob lençóis.

    Comentários: um conto que começa com uma pegada noir de um detetive com suas (possíveis?) alucinações. Tem logo de início frases curtas e decisivas, que se vão perdendo ao longo do texto, quando o autor volta a dar ao texto uma construção normalmente fluida.
    Bem escrito, sem frases-enigmas ou dificuldades de compreensão. Evidenciam-se as ausências do gerundismo, nos remetendo ao outro lado do Atlântico.
    Um conto com vieses bastante esperados, onde é sabido que toda curva para à direita se segue de outra à esquerda (afinal, isso aqui não é um círculo), num sistema enrola-desenrola, sem erros construtivos.
    Interessante, embora não tenha um enredo novo ou inove na construção narrativa: um detetive falido, uma mulher esperta, um marido rico, embora trouxa, uma virada e alguém acaba morrendo…
    Um texto bom de ler, ao final.

    Boa sorte no campeonato.

  6. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2018

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Resumo

    Em estado de quase amnésia, um detetive frustrado e falido, ao tentar cobrar um de seus clientes, descobre uma trama onde ele próprio está envolvido como vítima manipulada e assassino.

    Meu ponto de vista

    Com uma pegada de policial, um belo texto noir, onde a trama, muito bem elaborada, mantém o leitor atento e curioso.

    Com um desenho intenso, o(a) autor(a) cria um conto cheio de reviravoltas e surpresas, ao colocar o protagonista, ora no papel de inocente desavisado, ora no de “bandido”, ora no de investigador propriamente dito, ora no de vítima de um complô armado por uma mulher sedutora, e, por fim, no do assassino, em um final preciso e certeiro.

    Parabéns.
    Desejo sorte no campeonato.
    Beijos
    Paula Giannini

  7. Marco Aurélio Saraiva
    8 de dezembro de 2018

    Apesar da série de clichês, o conto é muito bom, daqueles que me prenderam do início ao fim. Uma leitura agradável, misteriosa e que tem início, meio e fim, incluindo um clímax muito bem colocado. É uma história pensada, que me deixou um sorriso no rosto e uma sensação muito boa de que havia gostado do que tinha lido.

    Sua técnica é excelente. Sua narrativa é bem realista e sóbria. As descrições são sucintas e diretas, e mesmo os seus lapsos loucos de tempo (quando um dia se passa no pular de uma linha) a história funciona maravilhosamente bem. É um Thriller interessante e que tenho certeza que agradará mesmo aos que não são fãs do estilo.

    Parabéns!

    PS: Belo nome de autor, hahahah!

  8. Ana Maria Monteiro
    8 de dezembro de 2018

    Observações: Uma história policial leve e bem montada, num estilo jovem e despretensioso. É muito menino. Se fosse menino e menina teria terminado diferente, já que uma menina vê logo que nada está resolvido, uma vez que o problema inicial de Diogo se mantém e continua sem dinheiro.
    Prémio “Clube do Bolinha”

  9. Catarina Cunha
    7 de dezembro de 2018

    O que processei disso tudo aí: Um detetive desmemoriado, depois de um acidente, tenta lembrar porque está na merda, embora não lembre que o fez. Quando lembra que matou o patrão para ficar com a esposa dele, quase é morto por ela, mas acaba matando-a.

    Título: Não muito certeiro

    Melhor imagem: “ Ao ver a sua imagem reflectida descobriu que o ladrão que via no sonho era ele próprio. “

    Impacto: negativo. A impressão de que já li este conto antes me incomodou profundamente. A história daria um bom trailer se fosse melhor escrita. O estilo não está sedimentado. O uso da mera descrição dos acontecimentos em detrimento do desenvolvimento da trama, não me agradou. Peço desculpas. Estranho achar que já li este conto. Boa sorte.

  10. Pedro Paulo
    2 de dezembro de 2018

    RESUMO: Diogo Antunes é um investigador privado solitário, falido e acometido por problemas de memória. Na busca de resolução de seus problemas financeiros, decide por ir atrás de um antigo caso pelo qual não foi pago. A busca o leva ao mistério do desaparecimento do seu empregador e do aprofundamento de sua investigação à esposa do mesmo, uma digníssima femme fatale, que o ludibria e depois revela que o manipulara em todo o caso, inclusive ao planejar o seu assassinato. Antes que essa viúva negra possa concretizar esse fatal primeiro intento, Diogo a surpreende com um tiro, matando-a, ao mesmo tempo em que soluciona o mistério do caso e de suas próprias confusões.

    O CONTO: É evidente que o autor, desde o pseudônimo escolhido às menções que as próprias personagens fazem à condição da situação e do protagonista, quis brincar com o gênero policial, imbuindo em sua narrativa aspectos clássicos da dessas história detetivescas, com o aspecto precário do detetive, uma rede de vários mistérios e, claro, uma personagem feminina sedutora e ameaçadora que envolve o personagem não só sexualmente, mas também na forma do desafio do seu intelecto.

    Não sou um leitor assíduo das obras policiais, mas reconheço que o autor sobre empregar esses fatores muito bem e, indo além na análise, o que mais me chamou a atenção foi a agilidade da narrativa, econômica e fluida para indicar a sucessão de fatos e a circunstância cada vez mais desfavorável de Diogo, demarcada pelas descrições acertadamente secas que são feitas a respeito das suas finanças, da sua alimentação e de suas condições de transporte. O autor demonstrou um excelente domínio da narrativa!

    Com isso, a revelação final foi mesmo bombástica, conseguindo alinhar a narrativa a pontos que tinham sido citados inicialmente e construindo na personagem de Inês uma figura verdadeiramente ameaçadora. Eu não sei se posso atribuir um aspecto meio “forçado” a esse envolvimento tão profundo de Inês com todos os aspectos da situação de Diogo, mas viradas desse tipo também me parecem comuns ao gênero e, dessa forma, talvez tenha sido um efeito metalinguístico buscado pelo autor, que quis orientar sua narrativa em consonância com o gênero escolhido. Assinalo ainda que a graça desse gênero, dentre outros deleites, é justamente que está sempre a nos surpreender.

    A DISPUTA: Estou sorrindo. Nas últimas avaliações que fiz, inevitavelmente decisivas, reclamei pelo fato de que a temática livre favorecia que cada conto tivesse a sua própria proposta, em abordagens livres por parte dos autores… dessa vez, a combinação favoreceu o confronto entre dois contos de temáticas parecidas, ainda que com abordagens diferenciadas. Dessa maneira, a disputa se faz ainda mais acirrada e justa. Vejamos:

    Ambos os contos estão dentro do gênero de histórias de investigação policial, ironicamente cada qual reutilizando narrativas “tradicionais” desse gênero em perspectiva contemporânea. É notório que cada autor quis fazer essa reverência à sua maneira, de uma maneira mais indireta em “Tiro Certeiro” ou com algo mais evidente em “Um Caso de Consciência”. Digo isso porque em Tiro, Cherloque deu preferência a aproveitar o “estrutural” da trama policial, com a vida precária do investigador, a rede de mistérios e a femme fatale. Já no Caso, Faulkner trouxe Holmes tal como ele é para um mistério contemporâneo, com uma contextualização sucinta e precisa que escapa do particular que demarca “Tiro”.

    Ambos são contos muito bem escritos que fizeram total proveito das abordagens escolhidas. Para esta disputa, minha escolha fica com “Um Caso de Consciência”, por eu achar que foi mais ousado ao não se manter só no “estrutural” das histórias de Conan Doyle (o que também segue, na fórmula do enredo e na concepção das personagens), mas sendo logo direto e trazendo Holmes como um dos protagonistas. Meus parabéns a ambos os autores e desejo sorte nos confrontos que virão!

  11. Gilson Raimundo
    29 de novembro de 2018

    Diogo, investigador falido é contratado par seguir a esposa adultera de um industrial bem rico, no entanto, ele fica fascinado por ela que o envolve em uma trama mirabolante onde seu marido e seu amante são mortos para que a ambiciosa esposa fique com tudo. Após servir aos interesses de Inês ela tenta matá-lo sem sucesso. Ele retorna sem memoria tendo pesadelos no hospital até se encontrar com a mulher e reviver os fatos.

    Por ser um autor estrangeiro, não me apegarei ao estilo da escrita na hora de votar.
    A história é bem padrão detetive americano (Dick Trace), poderia ter valorizado um pouco mais o cenário português dando uma nova visão à trama detetivesca. A reviravolta não foi impactante pois as dicas estavam presente o tempo todo, desde o começo foi possível perceber a cumplicidade dele com a mulher, pensei até que era ele o único amante, também visualizei no investigador a figura de Bruce Willis em “Sin City a cidade do pecado”, as fortes referencias diminuem a originalidade.
    Boa Sorte no desafio.

  12. Sidney Muniz
    26 de novembro de 2018

    Resumo:

    Vamos ao resumo, um detetive perde a memória “parcialmente” em um acidente, está em um caso tentando descobrir se a mulher de um empresário tem um amante, no desenrolar do texto descobrimos que na verdade o empresário é assassinado e quem matou o mesmo foi ele, que teria sido seduzido pela mulher, e esta que teria provocado o acidente dele quando o drogou… Mais ou menos isso.

    Gramática:

    quarto-de-banho
    desconfiava que a mulher o estava a trair. – estava o traindo… da forma que colocou , em minha opinião, deslocou do tom da narrativa. Talvez seja um português escrevendo, pode ser?

    Carregou a bateria do telemóvel e acedeu à internet da rede WIFI – Do celular e acessou a internet… sei lá, talvez seja minha falta de costume, mas não curto a forma como está escrito. Essa de fato é uma desvantagem para você.

    Posso falar consigo – contigo

    contava vê-lo – esperava

    Ela abriu muito a boca. – Ela ficou boquiaberta…

    Ele tinha-lhe pago a eles – Ele tinha pago a eles. ou Tinha-lhes pago…

    Gabardina – gazua – Não conhecia as palavras, obrigado pela apresentação!

    Tirou fotografias a todos – Tirou fotografias de todos

    Na prática, tinha voltado à estava zero – estaca

    como faziam nos filmes em Hollywood – achei desnecessário isso, para mim tirou a qualidade da cena. Deixaria apenas: Decidiu segui-la. Fica bem mais impactante e real.

    Estou dando nota para o conto antes de ler o concorrente.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 2 – Acho que o título não pega a essência do texto, que ao meu ver é muito mais que o tiro certeiro, e nem mesmo tem um jogo de palavras com a trama desenvolvida.

    Construção dos Personagens: 4 – Bons personagens.

    Narrativa: 3 – Infelizmente a narrativa não me empolgou o bastante, mas é preciso entender que o autor tem muita habilidade, o problema é que o português utilizado nesse caso causa muita estranheza, é como se pegasse um texto em inglês e pedisse o google para traduzi-lo para que eu lesse… não é a mesma coisa. Sinto muito.

    Gramática: 3 – O problema maior não é o autor errar, mas o português utilizado prejudica em alguns pontos até a coerência da construção para o leitor.

    Originalidade: 2 Bem, quanto a originalidade, na verdade não achei original, acho que já assisti alguns filmes desse estilo, onde o detetive não se lembra de algo devido a uma amnésia e quando se lembra ele estava envolvido… Um exemplo é o bom filme “Os desconhecidos” com Jim Caviezel!

    História: 4 – Ainda que não seja original a história é muito bem construída, então isso é um ponto para o escritor que conseguiu conduzir bem a trama.

    Total de pontos: 20 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

    Responder

    • Sidney Muniz
      26 de novembro de 2018

      Soma errada… buguei! 18 pts né!

  13. Wilson Barros
    22 de novembro de 2018

    Detetive tem problemas de memória. Contratado para confirmar se a mulher tem uma amante, confirma. Segue a mulher do cliente até uma casa na costa e ela o convida para entrar. A memória do detetive volta e ele lembra que matou o marido e o amante. E que a mulher tentou matá-lo e ele sobreviveu, com perda parcial de memória. Ela tenta matá-lo e ele atira antes.
    O conto entretém, parece com os filmes americanos de suspense. O estilo do autor é apropriado para contos policiais, bem fácil e leve. Há poucos erros de português, o que facilita a leitura. Os personagens estão bem delineados e apresentam a famosa “coerência nas atitudes”, a que se referia Hemingway. O espaço é muito espremido para um conto policial, sem dúvida, e ocorrem algumas incongruências, como a secretária aceitar imediatamente um café. O forte aqui, no entanto, é a diversão, para quem gosta de contos policiais, e tenta resolver o mistério.
    Frase de destaque: “Ela tinha umas piadas interessantes, que agora contava a outro.”
    Erros:
    Quarto-de-banho >> quarto de banho (banheiro no Brasil; em Portugal banheiro é o que chamamos de salva-vidas aqui)
    Não podiam haver pontas soltas >> Não podia haver pontas soltas
    Obs: o acento agudo está correto em palavras como telefónica, que têm dupla grafia: telefónica/telefônica, demónio/demônio, etc. Em Portugal é mais usado o agudo.

  14. angst447
    21 de novembro de 2018

    RESUMO: Diogo Antunes, investigador particular, se vê às voltas com a confusão mental decorrente de um acidente sofrido. Descobre que outro investigador havia sido contratado e pago por José Calado que desejava saber se estava sendo traído pela esposa Inês. No final, Antunes recorda ter se envolvido com Inês e que impulsionado por ela, cometeu dois assassinatos: Calado e o outro investigador que estava chantageando a moça. Inês usa Antunes para se livrar tanto do marido como do chantagista, e se prepara para eliminar também o amante, mas quando este, ao perceber sua intenção, age rápido e dispara um tiro certeiro. Caso resolvido.
    —————————————————————————————————————
    Notei logo o sotaque lusitano, o que sempre me agrada, pois considero um elemento que traz charme ao texto.
    Também gostei de logo perceber que se tratava de uma trama policial, com clima noir e muito suspense envolvido.
    O conto possui um bom ritmo, sem deixar que o interesse do leitor se enfraqueça ao longo da narrativa. A leitura corre sem entraves, sendo favorecida pelo tom de suspense e pela boa caracterização de personagens.
    O final surpreendeu-me de forma positiva, sem deixar pontas soltas ou alguma dúvida quanto o destino dos personagens.
    Quanto à linguagem, nada vi que mereça revisão; se houve alguma falha, não percebi.
    Boa sorte na Copa!

  15. Iolandinha Pinheiro
    21 de novembro de 2018

    Olá, amigo lusitano. Temos aqui um conto de mistério envolvendo detetives e adultério, pois bem, vamos ao resumo: Detetive falido tem sonhos repetidos com um ladrão que lhe aponta uma arma. Tendo sobrevivido recentemente a um acidente de carro e estando quebrado, decide ir atrás de um seu cliente chamado José Calado, que parece ter desaparecido sem deixar vestígios, no intuito de receber honorários. A medida que o conto se desenrola ficamos sabendo que a mulher do cliente tem dois amantes e também era amante do próprio detetive (!!!) e que foi ele, o narrador, que matou o marido da mulher e ainda um homem chamado Inácio. Mas quem é Inácio? O amante um, o amante dois ou apenas um chantagista que não era amante? O detetive acaba se encontrando com a mulher do cliente, e consegue se lembrar da sequência de fatos, inclusive que a tal mulher havia tentado matá-lo provocando um acidente depois de fazê-lo matar o marido dela e o chantagista Inácio.

    O conto é interessante, o fato de ter rolado mistério me atrai ainda mais, a fluidez ficou um tantinho comprometida pelo excesso de personagens e por eu não conseguir descobrir quem era o Inácio. Gramática lusitana sem problemas que eu tenha detectado. Uns toques de ironia muito divertidos que emprestaram um charme à narrativa. O conto poderia ter rendido mais até chegar ao deslinde, e a mulher nao precisava de mais de dois amantes, o cara de barba só veio bagunçar o coreto (seria ele o Inácio?).

    Vou agora ler o seu concorrente e dar o meu veredito, beijos!

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .