EntreContos

Detox Literário.

Xadrez de Estrelas (Wilson Barros)

 

 

1

 

– Isso não é modo de resolver um impasse – o General Li, chefe da segurança da embaixada da Terra junto a Marte, soltou a mão sobre a mesa. – O que eles precisam é de uma conveniente rajada protônica, para compreender que nos devem respeito.

O General tinha 86 anos, mas em uma época cuja expectativa de vida era 120, isso pouco pesava. Artur Nipongo, o embaixador, vinte anos mais novo, considerava o General competente e dedicado, ainda que ranzinza. Respirou fundo e recomeçou:

– General, o acordo foi celebrado, e demandou um semestre de negociações. Mas se o senhor deseja minha opinião, apoio plenamente a proposta dos Atores de Pfhengar (Nipongo pronunciou corretamente o nome do órgão máximo marciano). Isso poupará a todos de uma guerra.

– E onde ficam os conceitos de justiça e de dignidade? O asteroide Xantos pertence-nos. Chegamos antes deles, e precisamos do Urânio de lá. Não há necessidade de negociações.

– Os marcianos dizem o contrário. Seu embaixador alega que há dois anos, em 2040 pela nossa contagem, eles enviaram uma nave para lá.  

– Mesmo assim, esse acordo é ridículo, Artur. Decidir a posse de Xantos através de uma disputa de três partidas entre os campeões de xadrez dos planetas é um disparate.

– Para nós, General. Todavia, bem ao estilo dos marcianos. Eles valorizam o intelecto, e consideram a superioridade enxadrística a mais importante.

O general tentou outro ângulo:

– E veja a injustiça da coisa… As regras adotadas serão as do xadrez deles. Na academia aprendi o jogo, participei de torneios com sucesso. Mas isso que eles chamam de xadrez é… alienígena!

– Realmente – Artur Nipongo concordou. –Entretanto, eles nos concederam um mês para aprender as regras. E para o bem da economia terrestre, espero que nossos enxadristas consigam.

 

2

 

Tai-Xiang, tricampeã mundial de xadrez, arremessou o tabuleiro em direção a Magnus Carlsen, seu treinador. Ele se desviou e o objeto espatifou um dos espelhos do Clube de Xadrez de Formosa.

– Um mês! Um mês para estudar regras criadas em um manicômio!

– Acalme-se, Xiang, você não estará sozinha.  Uma equipe de Grandes Mestres está analisando as partidas dos marcianos.

Xiang pestanejou. Toda ela era delicada, de uma beleza majestosa, como uma estatueta Ming de 18 anos de idade.

– Os tabuleiros marcianos são compostos de cinco cores, e não duas! E eles têm cinco peças chamadas “construtores”, que deslizam pelas casas coloridas, no lugar dos nossos bispos!

– Quem move bispos pelas casas brancas e pretas como você, Xiang, movimenta “construtores” por outras cores facilmente.

– E seus quatro reis? – A lisonja de Carlsen preocupara Xiang mais ainda. – Se um deles levar xeque-mate os outros podem pagar seu resgate e libertá-lo.

– Mero detalhe, Xiang – Magnus incentivou-a.

– Seus “gatunos do deserto”, que substituem nossos cavalos, ficam cansados e saltam cada vez menos com o decorrer do jogo. Por isso devem descansar periodicamente. E só podem ser capturados pelos “mercenários vulcânicos”. No lugar de proteger o rei com o nosso “roque”, eles usam a “intrigueira”, que semeia discórdia entre as quatro “esposas” de um rei contrário.

– Isso revela o espírito machista deles. Fico pensando se…

– No lugar dos peões, alma do nosso jogo, há sinistros “anões alados”, que podem voar, nadar e pegar carona com os “gatunos”. Isso é xadrez ou videogame? – Xiang percorria a sala, derrubando móveis imprudentes que interrompiam seu trajeto.

– Especialistas disseram que é xadrez, fizeram um acordo e aí você entra. Mas não é obrigada a aceitar – Magnus estava perdendo a paciência. – Nesse caso, a vice-campeã, Layla Verantova, disputará contra o campeão marciano, daqui a um mês.

Xiang estacou, estupefata, voltando-se para Carlsen.

– Aquela tonta? Se eu não conseguir vencer um marciano, você acha que ela dá para o começo?

– Só estou dizendo o que vai acontecer caso o medo leve você a desistir.

Xiang avançou em direção a Magnus, que recuou para fora do seu alcance.

– Desistir… medo.. alguma vez, na vida… Ora, vá procurar seus mestres e pergunte se descobriram alguma ponta por onde se pegue esse xadrez de hospício. – Xiang olhava ao redor, em busca de algum objeto para enfatizar sua ordem. Quando finalmente encontrou um vaso compatível ele já deixara a sala, sub-repticiamente.  Xiang tinha braços delicados e media apenas um metro e sessenta. Mas um Grande Mestre reconhece o momento adequado para uma retirada estratégica.

 

3

 

Os dez melhores jogadores da Terra analisavam o material fornecido. Todos eram “Grandes Mestres”, o título mais cobiçado por qualquer enxadrista.

Diariamente, Carlsen recebia um arquivo que repassava com Tai-Xiang. A campeã mundial contemplava aquilo de olhos arregalados, e meneava a cabeça, desanimada.

Transcorrido quase um mês, Xiang assimilara todos os princípios do xadrez marciano. Foi realizado um torneio entre os Grandes Mestres. Ela foi a incontestável vencedora, mas isso seria suficiente contra o experiente campeão marciano?

– É o melhor que podemos fazer – ela voltou-se para Magnus e suspirou. – Vamos preparar-nos para a viagem.

 

4

 

O Grande Exibitório Marciano era um cubo de alumínio transparente, polido como uma lente, de modo a ampliar várias vezes seu interior. No centro reluzia um tabuleiro colorido, coberto por peças multicores. Das arquibancadas os espectadores teriam uma visão magnífica do jogo que ia começar.

Um alto-falante anunciou, primeiro no idioma marciano e depois em inglês, a “visitante, suprema campeã do mundo dos terráqueos, Tai-Xiang”.

Xiang adentrou o exibitório, dirigiu-se a uma cadeira e sentou-se. Alguns marcianos olharam-na curiosamente. Outros a saudaram, erguendo o braço direito, cumprimento padrão marciano. A maioria pareceu indiferente, mantendo-se na expectativa.

O alto-falante soou novamente: “Netah Griz, campeão supremo da Irmandade Marciana”. Griz entrou no cubo, o braço direito levantado, ao som da gritaria dos marcianos.

Os marcianos pertenciam ao gênero Homo, mas não ao Sapiens. Em 2031, quando houvera os primeiros contatos, antropólogos dos dois planetas, maravilhados, estabeleceram várias teorias sobre uma origem comum entre os seres dos “mundos irmãos”. A semelhança entre os marcianos e os Neandertais fora base para inúmeras especulações.

Netah Griz era o estereótipo do Neandertal. Cabelos e barba compridos, vermelhos. Cabeça volumosa, nariz curto e largo.  Muito musculoso. A diferença ficava por conta da altura. Griz media mais de dois metros, e parecia o gigante Golias ao cumprimentar Xiang, tomando sua pequenina mão entre as suas enormes, em uma deferência ao costume terrestre.  Netah sentou-se também.

Xiang acionou o relógio e realizou seu lance inicial, movendo um anão alado. O Neandertal fitou-a, aparentando surpresa com alguma tolice logo no começo. Xiang ignorou-o, acostumada a guerras de nervos. Netah deu de ombros e concentrou-se na partida.

Os lances seguiram-se até o médio jogo.  Griz movia as peças rapidamente, parecendo confiante. Xiang tentava parecer à vontade.  A plateia contemplava-os em silêncio, interrompido apenas por comentários em voz baixa, para o espectador ao lado.

O cronômetro marcava cinquenta minutos quando Netah desferiu violento ataque contra um dos reis de Xiang.  O campeão marciano enviou uma tropa de três gatunos, dois construtores e cinco anões através do setor aquático do castelo azul. Xiang decidiu que poderia reduzir o golpe provocando intrigas entre as rainhas adversárias. Netah pareceu preocupado e incluiu um mercenário na retaguarda.

Fiel a seu estilo audaz, Xiang atacava. Um dos seus reis parecia extremamente vulnerável e ela decidiu abandoná-lo. Tratou, porém, de angariar pontos para o resgate. Distraiu-se, e não percebeu que outros dois reis corriam perigo. Logo, estarrecida, percebeu que seus castelos estavam infestados por anões alados. Mais dez minutos se passaram. Agora só lhe sobrava um rei.

Xiang, entretanto, obtivera a soma necessária para resgatar um dos reis sequestrado. Cercou, então, o monarca restante com defensores, e corajosamente iniciou a perigosa jornada até o castelo azul. Entrementes, Netah espalhava armadilhas pelo caminho.

Os construtores de Xiang aproximaram-se do fosso. Anões alados de Netah, a pé ou montados em gatunos, perfilavam-se na defesa conhecida como “canais rubros”. Os Grandes Mestres terráqueos haviam aperfeiçoado um ataque contra essa formação. A campeã terrestre iniciou a neutralização do exército de Netah Griz.

O marciano pensou por alguns minutos e respondeu com a manobra prevista pelos terrestres. Xiang, aliviada, capturou os anões. Finalmente o exército de Xiang penetrou o castelo. Ela estudou a situação.

Seu rei sequestrado estava na situação de sian-sian, que ocorre quando o resgate demora além do tempo estipulado. Portanto, não poderia ser libertado. A manobra do campeão marciano não passara de uma armadilha. Além disso, pelas regras marcianas, seu último rei remanescente também entrava em sian-sian.

– Sian-sian-agrou! – Netah Griz sentenciou. A expressão equivalia ao “xeque-mate” terráqueo.

Toda a plateia do anfiteatro levantou-se e bradou “Netah Griz”, os braços direitos levantados. Enquanto o som ensurdecedor reverberava, o campeão levantou-se e deixou o exibitório, braços erguidos e mãos unidas. Xiang permaneceu sentada por alguns instantes, os olhos entornados, antes de ir embora.

 

5

 

O salão reservado na “Hospedaria Intermundos” fervilhava de comentários mal-humorados dos Grandes Mestres terrestres. Como não previram a manobra do marciano? Debruçados sobre um tabuleiro, analisavam a tática de Netah Griz. Eventualmente jogavam a culpa do desastre uns nos outros, evitando olhar para Carlsen, que mantinha uma sinistra expressão no rosto.

A porta abriu-se e Xiang entrou. Todos silenciaram. Xiang ignorou-os e dirigiu-se ao frigobar. Apanhou uma garrafa de água e saiu. Após um instante de espanto, os mestres voltaram a discutir, acaloradamente.

Xiang tomou o elevador para o terraço. Foi direto para um dos mirantes e contemplou, melancólica, a imensa planície, que escurecia à medida que caía a noite.  Subitamente sentiu o peso de um asteroide sobre os ombros. Encolheu-se instintivamente, era jovem demais para tanta responsabilidade. Olhou ao redor e notou alguém movimentando peças em um tabuleiro.

Era um terráqueo e parecia idoso.  Alguns enxadristas tinham vindo da Terra na nave de turismo Red Channel, para assistir sua derrota. Xiang aproximou-se e constatou que ele reproduzia sua partida. Ao lado do tabuleiro repousava um par de óculos antiquados.

O terráqueo deu-se conta de sua presença e pôs os óculos:

– Ah, é você! Estava analisando o jogo de hoje! Emocionante!

– De forma positiva para uns e negativa para outros.

O terráqueo sorriu. Seu rosto emanava uma espécie de bondade plácida.

– O importante é competir, não?

– Essa frase é permanentemente contestada pelos derrotados. Especialmente quando há asteroides em jogo.

– O governo da Terra deve acreditar muito em você para ter aceitado esse acordo.

– Em face dos acontecimentos, provavelmente deveriam ter desconfiado.

O idoso terráqueo posicionou melhor seus óculos.

– Ora, não foi tão mal assim. Notei uma nítida superioridade sua. Ainda restam duas partidas.

– Superioridade? Netah tratou-me como uma gatinha!

– Nem tanto. Você poderia facilmente ter refutado a manobra que ele lançou.

– Como?

O terráqueo apontou-lhe o tabuleiro.

– Observe com atenção os gatunos de Netah.  

Xiang olhou cuidadosamente. Súbito levantou os olhos brilhantes.

– Estavam cansados demais para lutar!

– Precisamente.

– Como não percebi? Foi tudo um blefe! A vitória estava ao meu alcance!

Xiang sentou-se junto ao terráqueo, desanimada.

– Não creio ter inclinação para essa modalidade de xadrez. Por muitos anos a Terra terá que adquirir Urânio de Marte.

O terráqueo pensou por um momento.

– Talvez não seja assim. Creio ter localizado o problema.

– Qual?

O terráqueo levantou-se.

– Vamos até aquele mirante.

Xiang acompanhou-o.

A noite caíra inteiramente em Marte. A Planície emitia uma fosforescência vermelha. O terráqueo apontou para Fobos e falou:

– Ele diminui a cada dia seu raio orbital. Segundo os astrônomos, um dia aproximar-se-á demais de Marte e será despedaçado pela influência gravitacional.

Xiang achou aquilo sinistro, mas nada falou. O terráqueo prosseguiu:

– Por muitos anos pensou-se que não havia vida aqui. Ninguém poderia supor que seres inteligentes conseguiriam viver em cavernas subterrâneas. O cérebro humano funciona através dessas analogias, que muitos denominariam “preconceito”.

– O xadrez – prosseguiu – reflete nosso modo de pensar, nos componentes lógico, emocional e estético, desde a origem da humanidade. Encontramos fragmentos de placas, possivelmente destinadas a alguma variedade do jogo, datados de um milhão de anos.

– O xadrez tradicional, porém, originou-se na Europa e espalhou-se pelas Américas. A cultura ocidental considera extravagante tudo que não faz parte dela.

– Quando afastamos o insatisfatório, tornamo-nos incapazes de ver o óbvio. Os humanos não percebiam uma civilização abaixo das rochas marcianas. Você desaprova as regras do xadrez deles. Isso obscurece sua visão tática.

– O que confirma – concordou Xiang, em um lúgubre tom – o que já lhe disse. Seria mais sensato desistir imediatamente.

– Voltemos ao tabuleiro – propôs o velho terráqueo.

– Veja – ele arrumou as peças cuidadosamente. – Essa é uma antiga cilada. Observe como os mercenários reúnem-se e capturam, um a um, todos os gatunos – o terráqueo movia as peças pausadamente sobre o tabuleiro, como uma dança de salão.

– Interessante – murmurou Xiang. – Como não me mostraram isso antes?

– Veja essa delicada “dança”, onde as esposas envolvem todos os reis adversários – o terráqueo demonstrou a jogada para Xiang.

– Adorável! –ela bateu palmas, entusiasmada.  – Onde aprendeu isso?

– Oh, tenho por hobby jogos exóticos.

– Mostre-me mais.

O tempo passou. Fobos prosseguia sua dança suicida no céu, enquanto o terráqueo exibia jogadas encantadoras.  A uma distância invisível, o embaixador Artur Nipongo perguntou:

– Quem é ele? Algum Jedi?

– Pedi um relatório completo à Terra – garantiu o General Li. – Amanhã saberemos.

 

6

 

Haveria um intervalo de dois dias até a segunda partida. Pela manhã, no restaurante da “Hospedaria”, Xiang lançou algumas frutinhas em sua bandeja e percorreu o salão com os olhos. Localizou o terráqueo em um canto, girando uma xícara distraidamente entre os dedos. Dirigiu-se para lá e sentou-se frente a ele. Engolindo o desjejum, falou.

– Gostaria que fizesse parte de minha equipe. O treinamento começa em uma hora, no salão dourado do terceiro subandar.

O terráqueo pensou por um instante:

– Você acredita que eu seria útil?

– Evidente. Ninguém conhece o xadrez marciano com você.

– Desconheço o aspecto competitivo. Apenas admiro sua beleza esmerada.

– Você me ensinou a gostar desse jogo. Nada pode ser mais competitivo que o entusiasmo.

O terráqueo decidiu:

– Se é o que deseja, estarei lá.

 

7

 

Na sala reservada ao treinamento, percebia-se uma curiosa segregação.  Em uma das extremidades, os Grandes Mestres inventavam armadilhas para o campeão marciano. Na outra, Xiang sorria fascinada, enquanto o velho terráqueo reproduzia fantásticas “fábulas”, como eram conhecidas as jogadas do xadrez marciano. Todas tinham nome, como “Casamento em Deimos”, “Meteorítica”, “Lava Gasosa”.

Magnus Carlsen, entre os dois grupos, lançava olhares preocupados para os mestres, que não mais ocultavam seu ciúme rancoroso.

Transcorrida uma hora, a exasperação dos Grandes Mestres chegou ao limite. Todos se levantaram e partiram em busca do embaixador.

Foram encontrá-lo saindo da central telefônica. Nipongo carregava um envelope fechado. Imediatamente principiaram sua algaraviada.

– Protestamos…

– Um insulto…

– Ele não tem títulos…

– Exigimos…

Finalmente, o embaixador falou:

– Esperem. Acabamos de receber informações da Terra. Vejamos quem ele é.

Nipongo abriu o envelope e principiou a ler. Parou, surpreso, na primeira linha. Levantou os olhos, com um brilho divertido.

– Parece que ele tem o mesmo direito que vocês de estar aqui.

Apontou para o nome do exótico terráqueo, no início do relatório. Ao lado aparecia o inequívoco GM, que todos sabiam ser a abreviatura de Grande Mestre.

 

8

 

Dizem que o décimo primeiro campeão mundial de xadrez, o americano Bobby Fischer, arrasava os adversários devido a sua inamovível autoconfiança.  Foi uma Xiang desprendendo segurança que se apresentou no exibitório para a segunda partida contra Netah Griz.

 Desde os primeiros movimentos o público marciano notou que ela se apaixonara pelo jogo. Xiang, como os grandes campeões, não mais buscava apenas vencer, mas sim a beleza antes de tudo.  

Ela atacava com movimentos magníficos. O campeão de Marte defendia-se apenas. Inesperadamente, o Grande Mestre marciano atacou com seus anões alados. A manobra era pérfida, e ele, triunfante, fitava Xiang. Os terráqueos empalideceram. Ela estava perdida. Dir-se-ia que um asteroide pendia sobre as cabeças dos presentes.

– Sian-sian-agrou! – ouviu-se. Era Xiang quem falava. A campeã terráquea vingara-se do engodo da primeira partida. Netah fitava, estupefato, o tabuleiro.

Educadamente, a plateia marciana aplaudiu.  Os terrestres davam enormes pulos, na baixa gravidade de Marte.

Subitamente, ouviu-se um brado assustador:

– Siah-seng-sedrar! – Berrava Netah Griz, enquanto recolocava as peças na posição inicial.

Para qualquer jogador o significado era inequívoco. O marciano queria decidir, naquele mesmo momento, a disputa. Xiang nem piscou. Os dois iniciaram a terceira e última partida.

Muitas batalhas foram perdidas por grandes estrategistas, simplesmente porque o orgulho levou-os a prosseguir em condições desfavoráveis.  Em que momento começou a queda de Napoleão, senão quando ele obstinou-se na invasão da Rússia, naquele horrível inverno de 1812?

Em menos de quinze minutos terráqueos, um desorientado Netah Griz sucumbiu novamente à genialidade artística de Tai-Xiang, doravante denominada “campeã suprema de dois mundos”. Xantos pertencia definitivamente à Terra.

 

9

 

O banquete de encerramento terminara. Na mesa, ao lado de Xiang, sentara-se o “Auditor dos Atores de Pfhengar”, autoridade máxima de Marte. Do outro lado da campeã ficara o terráqueo desconhecido. Carlsen, mais ao lado, fingira não ter ciúmes.

O General Li acendeu um charuto. O embaixador perguntou-lhe:

– Afinal, General, quem era esse enxadrista? Por que os outros Grandes Mestres não o conheciam?

– Ele é Grande Mestre – respondeu o General –, mas não em competições. Ele se dedica a composições artísticas, espécies de puzzle cujo objetivo é desafiar e entreter. Para ele, o xadrez é simplesmente uma arte. Às vezes ele cria novas regras, novos protagonistas e tabuleiros diferentes.  

– Então é isso! – disse Nipongo. – Para ele, o xadrez marciano é somente outra invenção!

– E menos mirabolante que as criações dele – concluiu o General, com uma baforada gigantesca.

– Para sorte da Terra. A propósito, General, Xiang será condecorada com o “Totem da Águia”.

– Requisitou um para o “compositor” também? Você viu como ela é…

– Boa ideia. Vejo que nossa convivência tornou-o um hábil diplomata.

 

FIM

Ao príncipe das ilusões,

Mestre dos Mestres Compositores,

PETKO ANDONOV PETKOV!

Dedico este conto,

Feliz 2042!

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Sobre Fabio Baptista

30 comentários em “Xadrez de Estrelas (Wilson Barros)

  1. Alessandro Diniz
    13 de outubro de 2018

    Oi, Haroldo! Eu gostei imensamente do seu conto. Me diverti muito com o xadrez marciano e achei fantástica sua ideia. O seu português é perfeito. A fluidez do texto é deliciosa. Gostei muitíssimo da ideia de o jogador marciano ter preferido jogar a terceira partida naquele mesmo dia, logo em seguida. Um trabalho esplêndido. Apenas aqui, não entendi porque você separou estes parágrafos: “– O xadrez tradicional, porém, originou-se na Europa e espalhou-se pelas Américas. A cultura ocidental considera extravagante tudo que não faz parte dela.
    – Quando afastamos o insatisfatório, tornamo-nos incapazes de ver o óbvio. Os humanos não percebiam uma civilização abaixo das rochas marcianas. Você desaprova as regras do xadrez deles. Isso obscurece sua visão tática.”. A princípio fiquei confuso se era o terráqueo falando ou se era Xiang. Tive que ler mais de uma vez. Aqueles parágrafos poderiam estar junto do anterior, sem perda da beleza do seu texto e evitando confusão. Mas, de qualquer forma, seu trabalho é fantástico. Parabéns!

  2. Amanda Gomez
    13 de outubro de 2018

    Olá,

    O último conto que leio e pra mim o melhor do desafio com certeza! Sensacional! Preciso que o autor depois do certame revele-se e me ensine a jogá-lo. Tem o dever de colocá-lo em prática rsrs mesmo que muito dele depende da imaginação, é um xadrez RPG, duas misturas maravilhosas!

    Mas vamos a história, Já de cara achei interessante a proposta de como decidir o impasse sobre os planetas, um duelo de Xadrez, só que a moda marciana. Então você nos apresenta a Xiang que já de cara mostra uma personalidade forte, me cativou. Então vem as regras que é uma das partes que mais gostei, as peças, os movimentos, tudo tão absurdo e tão criativo, fiquei de verdade com vontade de jogar.

    Fiquei com a sensação de que haveria BOs no decorrer no conto, alguém trapacearia, não seria resolvido dessa forma, mas fiquei feliz que correu tudo bem, mesmo sentindo pena dos Marcianos por terem perdido, sou team alienígenas.

    As descrições das jogas foram ótimas, você fez uma ambientação incrível a imersão foi um sucesso.

    Enfim, adorei. Parabéns pela criatividade, originalidade e pelo inegável talento em contar histórias!

  3. Daniel Reis
    12 de outubro de 2018

    Prezado Autor: inicialmente, esclareço que, neste Desafio, dividi a análise em duas etapas – primeira e segunda (ou até terceira e quarta) leitura, com um certo espaçamento. Vamos às impressões:

    PRIMEIRA LEITURA: a história já cai matando na Ficção Científica, com guerra declarada entre marcianos e humanos. Mas a ideia de resolver a parada num jogo de xadrez com regras próprias foi muito interessante, parece até episódio do antigo Além da Imaginação. Não entendi a dedicatória do final.

    LEITURAS ADICIONAIS: na segunda leitura, me chamou a atenção o papel do Grão Mestre, uma espécie de Yoda (ou Miagy) escondido para ajuda-lá. E a imaginação do autor para criar as regras e manobras. Parabéns!

    Desejo a você, e a todos os participantes, sucesso no desafio e em seus futuros projetos literários!

  4. Bruna Francielle
    12 de outubro de 2018

    Confesso que até mais da metade do conto, eu estava “torcendo o nariz”, em especial ao “capítulo 4” onde uma partida de um jogo desconhecido é descrita minuciosamente em longos parágrafos. De fato, absolutamente nada emocionante ou cativante.
    Mas passei a apreciar o conto nas últimas partes. Aos poucos, ele foi ficando “aceitável”.
    Sinto que o conto carece de ambientação. Pode ter sido um dos motivos pelos quais eu não me senti “envolvida” pelo conto até quase seus capítulos finais.
    Um ponto positivo foi seu conto ter me feito pesquisar coisas.. por exemplo, esse totem de águia (seja lá o que for) parece existir mesmo. Talvez eu busque entender do se trata.
    Eu não sei se houve uma intenção de associar o xadrez as estrelas, porque acho possível a existência de uma conexão.
    Quase gostei do seu conto no final, quando parecia estar subtendido que o terráqueo desconhecido era algo além de um terráqueo.. Mas um outro ser que criava jogos em diferentes “mundos”. Não pareceu depois ser o caso. 😦

  5. Fil Felix
    11 de outubro de 2018

    Boa noite! Tem vários aspectos no conto que me levaram a gostar muito dele. Começando por pegar o xadrez, que adoro, como “arma” de combate entre os mundos. Uma ideia interessante e fora do comum. Nos lembrar de travar as boas guerras com o intelecto e beleza artística, algo que é estranho a nós humanos (e demonstrados no conto). Uma outra coisa foi o xadrez marciano ter ficado no campo da imaginação. Há, sim, a nomeação das peças e alguns detalhes, mas a maneira como é jogado, o formato das peças, do próprio tabuleiro, entre outras coisas, ficaram pra nossa imaginação. O que é ótimo, também. Dando um gostinho de 1001 Noites. Um outro ponto interessante é ter utilizado nomes chineses (ou seriam japoneses?), fugindo dos títulos americanizados. Um conto bonito e inteligente, gostei bastante!

  6. Miquéias Dell'Orti
    10 de outubro de 2018

    Olá.

    Gostei demais do seu conto! Tem uma pegada leve, de leitura rápida, da qual gosto bastante. A trama é bem trabalhada, simples e com um tom cômico na medida certa, o que facilita ainda mais a leitura (não deixando arrastada em momento nenhum).

    Gosto muito de xadrez e o uso do jogo nas decisões “diplomáticas-intergalácticas” me agradou bastante. E haja criatividade para criar regras desse xadrez marciano!
    Nota: Indo de encontro ao “todo dia um aprendizado diferente”, hoje descobri uma nova palavra: sub-repticiamente. Obrigado, Autor!

    E parabéns pelo trabalho!

  7. Pedro Paulo
    9 de outubro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    Este é um conto ágil, principalmente quando se avalia como muito do enredo é tratado nos diálogos, rapidamente nos apresentando aos personagens, às suas personalidades e ao conflito em que estão inseridos. Paralelo a isso, as descrições foram eficientes e mesmo onde eu considerei que a leitura seria aborrecedora, na descrição das regras marcianas, fez bem em nos situar, dado que só dessa maneira nós conseguimos nos empolgar com as descrições do desenrolar do jogo, sentindo a sensação de perigo, os riscos bem palpáveis e, doravante, a pressão sentida pela protagonista compartilhada com o leitor.

    Paralelo à qualidade literária, a temática está totalmente de acordo e considero uma abordagem inovadora. O aspecto aproveitado aqui é a diferença entre as culturas, mas o objeto pelo qual se percebe essa distinção é o tabuleiro de xadrez. Aproveito para destacar um apelo especial, dado que jogo xadrez desde garoto, tendo competido diversas vezes quando era mais novo. Um jogo que nunca perderá a minha admiração e que senti bem captado em seu sentido filosófico, no conto. Então apesar do sentido geral do enredo não ser tão chamativo, essa disputa entre Terra e marcianos, surpreende a maneira como tratou a disputa, singular do início ao fim. Parabéns!

  8. Delane Leonardo
    8 de outubro de 2018

    Olá, Haroldo de Campos! Quanta ousadia! Gosto de gente destemida. Sem falar que a ideia de poder resolver um conflito de tamanha dimensão usando apenas o intelecto me encantou. Para mim, sua narrativa foi bem estruturada e a escrita bem elaborada. Os trechos mais difíceis foram em que se relataram os jogos, pois tornou-se mais lento e solicitou muita abstração para quem não entende nem de xadrez terráqueo. Haja criatividade para criar um jogo marciano! Rsrsrsrsrsrs. Parabéns pelo texto e pela criatividade!

  9. angst447
    7 de outubro de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto prima pela criatividade ao associar o tema alienígena com o jogo de xadrez. Uma modalidade bastante exótica esta dos marcianos. Não entendi bem as regras, pareceu-me que elas nem eram tão importantes, então segui o fluxo da fantasia.
    O texto está bem escrito, com alguns rebuscamentos que considero desnecessários, mas de maneira geral, a leitura flui bem. Os diálogos agilizam a narrativa, o que torna a leitura mais prazerosa.
    Algumas passagens arrastaram-se um pouco, o que dispersou minha atenção em certos pontos da trama.
    Gostei da protagonista que é descrita como uma mulher de aparência delicada e atraente, mas que acima de tudo é inteligente e bastante perspicaz. Beleza não exclui inteligência, nem o contrário acontece.
    Boa sorte!

  10. Evelyn Postali
    7 de outubro de 2018

    Um xadrez intergaláctico é uma ideia bem diferente, muito diferente. Gostei da criatividade. Gostei de como você foi desenvolvendo as jogadas, mostrando de forma rítmica crescente, ma non troppo, o desfecho final. Em alguns parágrafos ficou um pouco lento, mas não é demérito. Muitas vezes, precisamos deixar acontecer.
    É um conto muito bem escrito, de leitura agradável. Escolher o xadrez foi algo positivo. Um jogo que não deveria ficar de fora da escola.
    Boa sorte no desafio. Abraços.

  11. Dônovan Ferreira Rodrigues
    5 de outubro de 2018

    Ola, autor? Beleza?

    Bom, vamos lá.
    Em primeiro lugar eu gostaria de dizer minhas épocas de enxadrista se foram há alguns anos, então talvez eu simplesmente não seja capaz de manjar dos rolês desse conto.

    Em segundo…
    Achei os diálogos um pouco… hm… forçados. Como se o modo com o qual a palavram fluem do papel não fosse o modo como eu esperaria sair de alguma boca no mundo real.

    Outro rolê é que… bom, quando vi que as regras do xadrez iam ser explicadas eu “automaticamente” pulei essa parte. Tipo… ainda que eu a lesse, isso não afetaria a minha compreensão da beleza da escrita ou da narração. Fui logo pra ver quem ia ganhar por, bom, posso estar enganado, de com força, mas no meu entendimento explicar as regras não faz a história caminhar, nem desenvolve os personagens nem acrescenta beleza à forma do texto.

    Agora… anotações…
    “– Acalme-se, Xiang, você não estará sozinha. Uma equipe de Grandes Mestres está analisando as partidas dos marcianos” Um exemplo do que, na minha opinião que pode estar errada, eu falei sobre os diálogos. Não consigo ver alguém proferindo essas palavras e alguma situação parecida com essa.

    “Toda ela era delicada, de uma beleza majestosa, como uma estatueta Ming de 18 anos de idade”. TOP. Muito bom cara, descreve o personagem de maneira majestosa com duas linhas.

    – Adorável! –ela bateu palmas, entusiasmada. – Onde aprendeu isso?” Aqui talvez ela tenha mudado de humor muito rápido não? Ou talvez ela ame tanto xadrês e tabuleiros que a alegria a inundou rapidamente. De qualquer forma, se for o segundo caso, talvez fosse legal explanar mais do amor dela pela arte… talvez… quem sabe.

    “Fobos prosseguia sua dança suicida no céu”. Nice demais também. Tipo… o medo seria aniquilado?

    “– Pedi um relatório completo à Terra – garantiu o General Li. – Amanhã saberemos”. Nessa parte eu fiquei meio assim… pq… faz tempo que nem sinto o cheiro de tabuleiro, mas… estão deixando ela demonstrar jogo e aprender xadrez com um desconhecido? No planeta rival? Isso não parece um pouco de insensatez? Sei lá… posso estar falando merda, mas dos avisos que meus amigos davam se eu resolvesse um dia entrar em um é não ir lá e fazer partidinha rápida com desconhecido.

    “– Você me ensinou a gostar desse jogo. Nada pode ser mais competitivo que o entusiasmo”. Outro ponto onde não enxergo alguém usando essas palavras.

    Parabéns, perdão pelo texto longo mas eu espero, de verdade mesmo, que ele seja visto somente como razão de lapidação e progresso.

    Tudo de bom sempre, pessoa.

  12. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2018

    Acho justo esclarecer como avalio cada texto. Eu tento enxergar a essência do escritor e de sua escrita. Eu tento sentir o que o escritor sentia ao escrever. Eu tento entender a mensagem do conto. Eu tento mergulhar naquela história que o autor quis passar. Apenas ler o que está ali, apreciar o que foi oferecido, procurar entrar na história. Assim como todo bom leitor. Mas mantenho a atenção e meu sentido crítico. Então, já peço desculpas por qualquer coisa que fale que te cause alguma dor. Um texto que criamos é como um filho.

    – O que vi: Escrita fluida e simples, o que facilita a compreensão total do conto. Narrativa deliciosa. Não encontrei nenhum erro e li tudo de uma vez. Alguns contos desse desafio já me cansaram muito nos primeiros parágrafos, mas esse não causou nenhum tipo de cansaço: na verdade, causou um bem-estar raro que aparece somente quando termino de ler algo muito bom. Parabéns!

    – O que senti: Gosto de histórias mais intimistas, mas isso não faz com que vire a cara para contos voltados à situações, temas específicos e mundos, onde o foco está fora dos personagens que vivenciam tudo. Esse é um dos raros contos que me prendeu até o final da história, mais pela situação do que pelos personagens. Tudo me pareceu perfeito, apesar do enredo meio batido e não muito brilhante (a ideia em si foi boa, mas a forma como foi executada foi levemente clichê, como a aparição do mestre e a reviravolta súbita no final). Aí está o maior trunfo do autor: sua criatividade. Engana-se quem acredita que o criativo é aquele que cria apenas coisas originais. O bom criativo é aquele que consegue criar novas coisas, remodelar antigas ideias de forma agradável e até construir uma boa narrativa. O autor sabe fazer isso muito bem.

    – O que entendi: Uma crise política e economia. A forma de resolver tudo: uma partida de xadrez marciano. A protagonista é temperamental, mas muito boa no que faz. Perde, inicialmente, mas ganha as duas últimas partidas com a ajuda de uma Grande Mestre na Arte do Xadrez. Basicamente, é isso. A maior falha do conto é apresentar uma variação do xadrez de forma rasa, deixando o leitor perdido na parte descritiva dos jogos. Não há uma explicação das regras do jogo. Ele é jogado ali, algumas regras são mencionadas (de forma meio superficial), mas o tabuleiro não é explicado, sendo impossível visualizá-lo, ou as habilidades especiais de algumas peças (o uso de armadilhas foi uma surpresa e ficou a dúvida de como era usado e quais as condições de usá-las). A mudança rápida da atitude da protagonista também me pareceu pouco crível. Fora isso, que são detalhes pequenos, o conto está excelente!

  13. Jorge Santos
    3 de outubro de 2018

    Olá vejo este conto como uma homenagem ao mundo dos jogos, desde os jogos tradicionais, dando especial relevo ao xadrez, aos jogos de cartas contemporâneos e jogos de vídeo ou videogames, como dizem no Brasil. Todo o conto pode ser visto como uma paródia a este mundo, um exemplo do que pode ser visto numa exposição de cultura pop como a famosa comic con. Em termos linguístico, achei o conto correcto. A estrutura é algo arrastada. O conto prende o leitor que espera pelo desenlace do desafio, mas oferece pouco mais do que isso.

  14. Fheluany Nogueira
    30 de setembro de 2018

    O enxadrismo é esporte, arte, ciência organizado com campeonatos, torneios, ligas e congressos em nível nacional, internacional e, agora, interplanetário. Premissa certeira; mesmo não sendo novidade a trama em que um jogo ou luta para disputar algo de valor, em que o protagonista começa perdendo, mas alcança a vitória final com a intervenção de um Grande Mestre, que aparece repentinamente, mas é mais capaz do que todos os outros.

    O conto é leve, fluido, bem-humorado e vai além ao mostrar não apenas a disputa pelo urânio, no jogo há mescla de xadrez e videogame (com regras complicadas). É mostrado ainda o comércio entre planetas, formas de recrutamento, referências históricas e do cinema, antropologia, a briga de egos, uma lição de comportamento (deve-se conhecer e amar algo, para conseguir vencer), reconhecimento de valor, descrições detalhadas, vocabulário especial (“sub-repticiamente”, por exemplo) e, por último a homenagem a PETKO ANDONOV PETKOV, mestre internacional e juiz da FIDE para composições, nascido em 1942 — um emaranhado de elementos que deram origem a uma distopia rica e bem desenvolvida.

    As dicas vão para uma pequena revisão gramatical, para o excesso de explicações e detalhes que tornaram o ritmo mais lento, mas não prejudicaram a criativa composição.

    Parabéns pelo excelente trabalho. Gostei muito. Abraço.

  15. Sarah Nascimento
    27 de setembro de 2018

    Olá! A primeira coisa que quero dizer é: que regras difíceis! Meu pai, eu não entendo nem o xadrez normal. Admiro quem sabe e gosta de jogar, e sou fã de quem sabe fazer estratégias. Imagine esse xadrez aí descrito no texto? Deus me livre, risos.
    Mas adorei a ideia de um jogo de xadrez decidir o futuro de algo tão importante quanto quem será o dono do asteróide e do urano contido nele.
    Puxa, a primeira partida parecia uma guerra no tabuleiro, não que não seja uma guerra se a gente analisar o jogo normal de xadrez, mas esse negócio de anões alados, armadilhas, castelo azul e tal, deu um ar bem mais incrível.
    Pena que a moça perdeu a primeira partida.
    Outro ponto que achei interessante foi as jogadas terem nomes, parabéns, esses detalhes ficaram bem legais.
    Fiquei feliz que a moça tenha vencido as partidas seguintes!
    O seu conto ficou muito bom, gostei bastante de ler, ele tem trechos mais tensos, emocionantes e dá pra sentir essa responsabilidade que a Tai-Xiang carrega.
    Suas descrições na parte do mirante ficaram ótimas e gostei da figura desse homem aparecendo para ajudar a garota a entender melhor o jogo.
    Eu não entendi nada das jogadas citadas no texto, mas isso não é culpa sua autor, risos, e mesmo sem entender isso eu achei um texto muito bem escrito e interessante. Outro ponto que foi legal, foi quando aquele grande mestre fala que por muito tempo os humanos pensaram que não havia vida em Marte, pois estavam subestimando a inteligência de um povo para viver em cavernas subterrâneas. É legal ver a mudança no jeito da Tai-Xiang jogar e como isso foi proveitoso para o planeta Terra. Além do que eu citei sobre as jogadas, acho que não tenho nenhum ponto negativo a apontar no seu texto.

  16. Rafael Penha
    25 de setembro de 2018

    Olá, Haroldo

    Um conto extremamente original, mas peca um pouco no ritmo.

    PONTOS POSITIVOS: A temática é original e criativa. A narrativa do jogo de xadrez é emocionante, apesar de ser um jogo desconhecido para nós. A protagonista é vívida e realística. A gramática está excelente, sem nenhum problema que tenha me incomodado.

    PONTOS NEGATIVOS: Apesar da boa história, o ritmo me pareceu bem lento,

  17. Wilson Barros
    25 de setembro de 2018

    Conto muito interessante, fiquei bastante envolvido com a ideia da “Batalha interplanetária”. O estilo é claro, lembrou-me Clarke e Asimov, e não encontrei erros de português. Os personagens foram bem elaborados e o ritmo fluiu bem. O tom às vezes coloquial, humorístico e às vezes profundo proporcionou uma boa alternância. As cenas foram atraentes e vívidas, e gostei das citações históricas. A ideia de “Xadrez Arte” me pareceu inspirada. O enredo, algo feminista, foi bem elaborado. Bom conto, parabéns.

  18. Paula Giannini
    25 de setembro de 2018

    Olá Autor(a),

    Tudo bem?

    Você ousou apostar na criatividade, aliada à lógica para criar seu conto. Ao ver a belíssima imagem escolhida para ilustrar o trabalho, me peguei pensando quem inspirou o que? O conto a procura de uma imagem que o representasse ou a pintura ao texto? Tendo a imaginar que a segunda opção seja a verdadeira.

    Claramente o autor, se não é um jogador/admirador do xadrez, ao menos é um belo pesquisador. Alguns escritores, roteiristas sobretudo, defendem o jogo como um excelente exercício para a organização, o foco, e até mesmo a capacidade criativa, e, concordo com eles.

    É interessante notar que, aqui, o(a) autor(a), além de criar um conto, foi além e criou toda uma estrutura de regras para um novo jogo bem à semelhança de vídeo games e, talvez, do RPG. Um jogo que, além de envolver as regras da lógica, traz o lúdico para o tabuleiro.

    Questões como honra, respeito, amizade e coragem, são claramente as camadas que constroem a protagonista e seu amigo mestre enxadrista, tecendo um trabalho fiel à linguagem que busca, quase uma homenagem, também, ao Japão. 😉

    Parabéns por escrever.

    Beijos e boa sorte no desafio.

    Paula Giannini

  19. Evandro Furtado
    25 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – A ambientação é muito bem feita, com ótimas descrições em relação à cultura alienígena apresentada. O contraste também é muito interessante quando apresentadas as modalidades de xadrez. Pelo que percebi, a homenagem é feita a um compositor de xadrez específico, mas ante a imagem inicial do terráqueo, não pude evitar pensar naquele personagem de curtas da Pixar.

    Balanço Final: Good

  20. Victor O. de Faria
    21 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Ora se não temos um enxadrista escritor por aqui. Surreal e genial. Como apreciador do jogo em questão, achei muito criativas as novas regras. Me lembrou do papel-pedra-tesoura-spock-lagarto do Sheldon. Não sei por que, talvez pela imagem, mas imaginei um bando de pessoas com perucas reais correndo para lá e para cá num castelo retrofuturista, atemporal, fora do espaço-tempo conhecido. Só por provocar essa sensação já vale muito. Infelizmente, a parte em que as jogadas são descritas, cansou um pouco. Poderiam ser resumidas como foi feito na segunda partida. Apostar no humor caiu bem ao contexto. Dificilmente levaríamos a história a sério se não fosse assim.
    T: Bem escrito, com diálogos convincentes e suaves. A parte da dedicatória soou deslocada, mas perdoa-se devido à palavra “fim” vir antes. Só não é meu preferido porque textos melancólicos me “arrastam” bem mais.

  21. Fabio Baptista
    19 de setembro de 2018

    Anotações durante a leitura:

    – sub-repticiamente
    – aproximar-se-á
    – inamovível
    – Dir-se-ia
    >>> lugares onde a excelência na escrita deu uma travada, ou por ir além do meu parco vocabulário, ou por me lembrar do Michel Temer.

    – Vamos preparar-nos para a viagem
    >>> Nunca sei com certeza quando é obrigatório colocar o “nos” depois ou antes, mas, de todo modo, o diálogo soaria mais natural com “nos preparar”

    – quando houvera os primeiros contatos
    >>> Assim como comentei em outro conto, tenho certa implicância com o mais-que-perfeito. Aqui acredito que poderia ser facilmente trocado por “ocorreram”.

    – Seria mais sensato desistir imediatamente
    >>> Essa oscilação da Xiang me causou estranheza. Por menos que gostasse do jogo, ela estava empolgada segundos antes, quando conseguiu ver que poderia ter vencido a partida.

    – Quem é ele? Algum Jedi?
    >>> Então, aqui eu interpretei que foi uma brincadeira, mas devido ao tom do conto, minha primeira interpretação foi literal (que os Jedi existiam nesse universo). É rabugice minha, claro, mas tentaria deixar mais claro que era piada: “quem é aquele se achando o Jedi?”, ou algo do tipo.

    ———————–

    Impressões finais:

    Conto sensacional. Uma técnica clássica, perfeitamente executada. Lembrei de um conto do Clarke (ou seria do Asimov?) em que um terráqueo experimenta uma sensação marciana e acaba tendo uma “overdose” de sentidos que fizeram todas as coisas perderem a graça depois.

    Algumas coisas não se explicam muito bem, tipo: por que os terráqueos aceitaram esses termos, sem ao menos tentar negociar que as partidas fossem “meio a meio”? (xadrez normal e marciano). Os marcianos não perceberam o lance da órbita? (isso, aliás, poderia até ser limado sem grandes perdas). Mas esses detalhes não chegam a ser furos, somente pontos que ficaram mais acelerados para o principal da história fluir.

    Achei surpreendente o modo como os movimentos do xadrez foram descritos sem que se tornassem entediantes. E minha atenção ficou presa o tempo todo, na expectativa de quem seria o vencedor.

    Não entendi muito bem essa dedicatória final, mas nada que comprometa.

    Parabéns!

    Abraço.

  22. Priscila Pereira
    18 de setembro de 2018

    Olá Haroldo, posso dizer que você foi muito feliz na escrita desse conto. Tinha tudo pra dar errado, xadrez marciano com muitas regras extras, poderia fazer com que o texto ficasse enfadonho e maçante, mas você conseguiu se livrar dessas coisas e entregou um conto muito interessante, fluido, gostoso de ler, muito criativo e original, parabéns!
    Procurei no Google o nome para quem você dedica esse conto e achei um homem búlgaro que tem um canal no YouTube com alguns vídeos dele tocando piano que são sensacionais, não sei se era pra ele a sua dedicatória…kkk provavelmente não, mas foi legal pesquisar e descobrir.
    Boa sorte! Até mais!!

  23. Antonio Stegues Batista
    15 de setembro de 2018

    Foi muito criativo a descrição do xadrez marciano, como um jogo de vídeo game, foi fácil entender a evolução dos movimentos. O xadrez imita uma batalha, cada adversário cria seu plano de ataque e defesa, elabora cada movimento minuciosamente. A principal ferramenta para derrotar o adversário é o intelecto, a sabedoria, o raciocínio e aí entra também as artimanhas, a sutileza dos movimentos, os engôdos. Ficou muito bom o enredo, os personagens, nomes, etc. Uma boa história, uma boa ideia. Boa sorte.

  24. iolandinhapinheiro
    11 de setembro de 2018

    Olá, autor

    Eu jogo xadrez, e o seu conto com cores, movimentos, peças completamente novas me confundiu um tanto, ainda assim eu prezo o esforço e a criatividade que teve para introduzir tudo isso em um conto sem afogar os leitores com regras.

    O texto é bem elaborado e criar uma contenda entre planetas decidida através de um jogo de xadrez foi bem inventivo. Gostei do cenário a la “Star Wars” que vc colocou. Os personagens iniciais não tinham muita força, e o conto realmente ficou gostoso de ler com a introdução do Grande Mestre, que agregou valor até à própria Xiang que se tornou mais simpática com a chegada dele.

    Não gostei da quantidade de personagens que o conto trouxe, mas entendo que a história exigia. Recomendaria que no futuro vc transformasse o seu conto em algo maior e pudesse investir mais nos personagens chave e um pouco nos muitos coadjuvantes.

    Vi um problema de colocação pronominal, mas foi só. Sorte no desafio, amigo

  25. Caio Freitas
    8 de setembro de 2018

    Gostaria de parabenizá-lo pela criatividade. Para criar toda essa nova dinâmica no xadrez você também deve ser um apaixonado pelo jogo. Gostei de quando você falou que os marcianos buscam a beleza e não apenas vencer. Só fiquei com vontade de saber mais sobre o velho, mas pela restrição no tamanho do conto isso não foi possível, infelizmente. parabéns e boa sorte.

  26. Marco Aurélio Saraiva
    6 de setembro de 2018

    É um conto delicioso de ler. Sua escrita é perfeita, com um estilo leve e fluido, palavras e revisão corretas, tudo no seu devido lugar. Há personagens bem desenvolvidos, tensão, apreensão… tudo o que é necessário para o desenvolvimento de um bom conto!

    Não há muito a falar do seu conto senão que é uma história muito bem contada e, com certeza, um dos melhores do desafio. Só tenho que concordar com o José Geraldo: a parte final era desnecessária.

    De resto, a trama é bem conduzida, há um clímax, uma mudança de status-quo e um desenvolvimento óbvio de Xiang, muito bem feito. As explicações fazem muito sentido; a sua imaginação é incrível.

    Realmente… parabéns!

  27. Ricardo Gnecco Falco
    6 de setembro de 2018

    Saudações, Haroldo! Terminei de ler o seu conto agora e, caso soubesse jogar, iria procurar na internet alguma partida de xadrez para disputar com alguém. A narrativa é bem descritiva e, como poder-se-ia dizer, até mesmo ‘técnica’. A tensão entre os personagens da história ficou bem perceptível, o que é um ponto positivo para o trabalho, visto tratar-se de um jogo de tabuleiro. Contudo, e talvez também pelo fato de eu não saber bulhufas sobre a dinâmica deste jogo, devido o enredo abordar tal tema durante praticamente toda sua duração, não consegui imergir na história, a ponto de sentir-me confortável com a leitura; como seria de se esperar devido ao bom domínio da Língua demonstrado. Assim sendo, resta-me apenas parabenizá-lo pela obra e agradecer-lhe por tê-la compartilhado por aqui, mesmo confessando não ter curtido (ou aproveitado) a viagem como gostaria de ter feito. Desejo-lhe boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  28. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    4 de setembro de 2018

    O melhor conto dos que li até agora, único que não tem erros óbvios, que nos distraem durante a leitura, único que não tem trechos frouxos, mas “sequestra” a atenção do leitor até o fim.

    E ali, no fim, está o que julgo ser o único erro do autor, e nem é muito grande, não compromete, mas poderia ser mudado para melhorar. A dedicatória ficaria melhor em epígrafe, para não parecer tão forçada.

    De resto, parabéns por me ter feito imaginar um jogo novo e inimaginável, e em apenas 2912 palavras. J. K. Rowling usou bem mais que isso para descrever um xadrez bruxo que é bem mais próximo do xadrez normal.

  29. Anderson Roberto do Rosario
    1 de setembro de 2018

    Conto bem escrito, impecável do ponto de vista gramatical e quando ao estilo. O único erro que notei nem é digno de nota. Meus parabéns. O que consideraria negativo é a trama, embora você descobre muito bem os diálogos, as descrições, enfim. Ficou um único fio condutor, os jogos e o destino dos dois lados do conflito. Senti falta da mitologia criada em torno disso tudo. Uma referência a um Jedi remeteu logicamente à StarWars, mesmo que fosse em tom de troça da parte que o mencionou. Então quis ver os marcianos interagindo mais no meio disso tudo. É hilário quando vemos alienígenas, marcianos, no caso, agindo como nós terráqueos. Enfim, foi um bom conto, reafirmo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  30. Emanuel Maurin
    1 de setembro de 2018

    O ponto alto de seu conto é a criatividade, nesse quesito você esta de parabéns. Achei a historia envolvente, encontrei os ambientes e gostei da descrição dos personagens, mas me perdi no jogo marciano. Outra coisa que achei bacana foi a disputa de um bem através de um jogo, muito legal essa sua sacada. Enfim, gostei do que li, principalmente do desfecho.

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Informação

Publicado em 1 de setembro de 2018 por em Alienígenas.