EntreContos

Detox Literário.

Líquida Impermanência (Aly & Ninja)

Observa tudo em volta. Pessoas normais, cobertas pelo pó cotidiano que as torna banais, à beira da mediocridade. Algumas se destacam por um brilho momentâneo de beleza, uma energia juvenil que escapa ao tédio habitual. Outras apenas desfilam o ostracismo imposto pelos anos de labuta.

Acerta os óculos no rosto, empurrando o arco sobre o nariz. O acessório ainda a incomoda. Não sabe agora se sua escolha foi a mais apropriada, mas segue assim por falta de opção.

Olha para a mesa atolada de papéis, algumas pilhas de arquivos ainda em papel. Não encontra sentido naquele retrocesso intelectual e repudia a precariedade do sistema ali adotado. Dedilha com agilidade as páginas já manchadas pelo tempo ocioso, sublinhando as passagens mais importantes. Registra as alterações feitas no texto e aponta o terceiro lápis do dia.

É o início de 1975, um ano vazio de expectativas. Uma lentidão de acontecimentos reflete-se na parede envidraçada ao fundo. Ela estreita os olhos procurando alcançar uma paisagem mais aprazível do que as cabines apertadas dos outros revisores. Suspira ao notar a presença de Augusto. O rapaz exibe um sorriso embaraçado enquanto apresenta mais um lote de papéis.

– Outro manuscrito?

– Dei uma olhada e este me pareceu bastante promissor.

– Você diz isso de todo texto que me entrega e até hoje não encontrei uma única linha que valesse ser lida.

Augusto resmunga algo ao depositar a pilha de papel na mesa da colega que age como se fosse sua supervisora. Acostumado à rabugice e às exigências literárias absurdas, ignora seu olhar reprovador. Apesar da irritante atitude que beira à indiferença, Augusto admira a notável capacidade de análise. Sem dúvida, uma profissional de gabarito, embora estranha. Bem estranha.   

 

* * *

Ao chegar em casa, liga o televisor e se depara com uma reportagem sensacionalista acerca de um tal de Urias Teller. Há mesmo seres bem crédulos neste mundo. O que faz esse sujeito além de entortar chaves e revirar os olhos? A plateia, no entanto, delira com os gestos ilusionistas do homem transformado em astro da noite para o dia.

Vai para a janela e abre o vidro, tentando inspirar o ar que lhe parece desde sempre pesado demais àquela hora da noite. Desiste de tomar fôlego e apenas assiste as horas caírem sobre os telhados das construções ao longe. Experimenta algo semelhante à saudade de casa, uma nostalgia que tinge seus pensamentos de um tom melancolicamente lilás. Tonterias!

Decide trabalhar mais um pouco já que o sono lhe é coisa desconhecida. Abre a pasta com o manuscrito recebido e finalmente se permite relaxar,  acomodando-se na poltrona de couro gasto. Posiciona-se em frente ao aparelho de TV. Ainda estão falando sobre o poder paranormal daquele israelense de nome bastante estranho. Tudo muito estranho, mas tanto faz. Desliga a televisão e estica as pernas sobre o pufe alto de vinil vermelho.

Mais um romance de algum estreante. O autor parece ser bastante jovem pela linguagem empregada e pelos vários erros espalhados já no início da narrativa. Não é decerto um trabalho brilhante, nem tampouco o bestseller tão aguardado pela editora. No entanto, ela sabe apreciar a audácia de indivíduos que se intitulam escritores.

 

* * *

 

Os primeiros parágrafos são mais do mesmo. O tema parece mesclar memórias pessoais com algum tipo de ficção científica. Seres de outras galáxias misturam-se a outros personagens com características mal definidas. O autor parece desejar camuflar um enigma que só deve ser desvendado no final do livro.  

O desenvolvimento do romance mostra-se raso, seguindo uma premissa que interessará certamente a um grupo específico de leitores. Um desfile de clichês sobre extraterrestres, manifestando-se em cada capítulo. Se o autor possui algum talento, soube camuflá-lo sem despertar qualquer suspeita.

O enredo poderia ser resumido em poucas palavras: um plano para capturar alienígena falha quando o alvo principal é alertado pelo recado de um poeta morto. A criatura descobre a trama e elimina os inimigos.

O autor detém-se na caracterização de um único personagem, destinando-lhe o papel de protagonista. Sem nome, presume-se que seja um alienígena disfarçado em uma profissional das letras, perita em textos antigos, principalmente os relacionados à poesia.

Ao ler a introdução da personagem no enredo, sente um desconforto, quase um constrangimento ao se familiarizar com a protagonista que assume aos poucos também o papel de narradora.

Circula expressões que parecem carecer de lógica ou qualquer sentido. A repetição de palavras também testa sua paciência. Nem de longe, é um texto baseado em uma ideia original. Ao contrário, trata-se de uma concepção já testada à exaustão. Apesar disso, reconhece que leitores, muitas vezes, deixam-se seduzir por aquele tipo de abstração, imaginando uma realidade distante, redesenhada em constelações enigmáticas. O desconhecido sempre guarda o mistério, tornando-se o ingrediente mais instigante de toda a literatura.

Ela sente dificuldade de admitir, mas a leitura revela mais do que a simples reprodução de falas à maneira do sensacionalismo que o tema abordado permite. Há ali a estilização das peculiaridades de seres mantidos sob uma aura de fantasia.

O título O Recado do Poeta Morto implica o propósito de ressaltar a ideia do relacionamento homem/alienígena com a imortalidade. Assim, o poeta, elemento inanimado pela própria condição, adquire características paranormais. Há na construção das frases e imagens um processo de metamorfose dos elementos ditos extraterrestres, que os promove além dos limites do humano, chegando mesmo ao ideal sagrado.

Ela percebe a real intenção do autor: enriquecer a estrutura do romance, carregando-o de significado mítico. Avalia o desdobramento da história em duas perspectivas paralelas: a da protagonista e a desenvolvida a partir do recado do poeta morto.

Não é difícil concluir que a ausência de nomes é intencional. Ela sabe que a atribuição errônea de um nome pode facilmente destruir um personagem bem estruturado. Nomear significa atribuir uma realidade, enquanto que suprimir denominações altera esta mesma realidade.  

São sete os inimigos da protagonista: três agentes da polícia, dois investigadores do FBI, um perito vindo da NASA e o próprio poeta morto. Ela reconta os personagens, seguindo a citação de suas aparições no desenrolar da trama. Sim, são sete.

Sete são também as ciências naturais, as virtudes, os pecados capitais; assim como são sete os sacramentos, as notas musicais, os gênios persas e os arcanjos judaico-cristãos. A pirâmide surge como elemento espacial, relacionado ao número sete em sua construção aparente, ou seja, sua base quadrada  e seu perfil triangular somam sete projeções.

Nos parágrafos seguintes, os mais extensos, e talvez por isso, os mais cansativos, a Terra passa a ser descrito como mãe Gaia. O planeta surge do Caos, fornecedor da matéria sem forma à espera de posterior organização. O caos não revela apenas desordem e confusão, mas sim a possibilidade de tudo. A manifestação terrena dá-se da condensação desta matéria encontrada pelos corredores do universo.

Ao final do romance, o poeta ressurge e canta, desafiando os limites da finitude humana. Contudo, suas palavras não apenas nomeiam o intangível, mas vêm do próprio sagrado, da proximidade com outros mundos ainda desconhecidos. A narradora repassa a fala ao poeta que, ao assumir a falta de qualquer defesa dos sete elementos, empreende uma volta às origens, à terra natal, na busca da morte como momento de sagrado reconhecimento.

Então, ela se dá conta. Há uma identidade mascarada no recado do poeta. Os erros ortográficos espalhados de forma aleatória seguem uma constante precisão como se precisassem esconder algo além da autoria das palavras. A ênfase na descoberta do sagrado, do mistério por trás da caça aos alienígenas, tudo possui uma assinatura. Alguém querendo enganá-la sem saber que ela jamais se prestaria a isso. Não dessa forma.

 

* * *

– Está aí o seu grande bestseller, Augusto. – diz com a voz rouca, quase tímida.

– Bacana, não? – pergunta ele, meio em dúvida se dever se alegrar ou ensaiar uma dissimulação.

– Para quem gosta desse tipo de absurdos, claro. Uma leitura bastante desafiadora, eu diria. – responde mantendo o mesmo ar indiferente de sempre.

– Não gostou mesmo ou simplesmente não quer dar o braço a torcer? – Augusto tenta camuflar o despontamento que escorre pela sua garganta.
– Você poderia fazer melhor. – conclui já desviando o olhar para a pilha de encadernações sobre sua mesa. – É o que acho.

Ele de repente cora, provocando um contraste surreal da pele do pescoço com o alvo tecido da camisa. As veias parecem se preencher com um volume anormal de sangue ou lava envenenada.

Ela pisca o olho esquerdo e devolve o calhamaço de papel a Augusto.

Segue pelo corredor, parando em frente à grande janela que dá para uma sucessão de arranha-céus. Lança um olhar para os lados e então não mais se contém.

– Chega de tudo isso. – É tudo o que diz.

Puxa o cabelo no alto da cabeça como se fosse iniciar um novo penteado. Suas mãos trabalham com destreza para o alto. O cabelo desprende-se do tampo craniano, a pele segue espessa e líquida, formando uma espiral ascendente.

O rosto desaparece e o corpo já descarnado mistura-se ao redemoinho cintilante que se agiganta diante dos olhares incrédulos. Há um princípio de histeria logo abrandado pelo espanto geral que não deixa dúvidas sobre o fantástico momento.

– Que Urias Teller, o quê! Isso sim é paranormal… – Alguém comenta ao fundo da sala.

Ela despede-se sob aplausos, deslizando pela esquadria, atravessa o vidro. Líquida impermanência, transforma-se em espetáculo aos olhos hipnotizados pela imponderável realidade.

A luminosidade crescente incide na capa do manuscrito jogado sobre a mesa de Augusto. Nota-se a marca indelével de batom e uma anotação feita em vermelho. A caligrafia inconfundível desmancha-se em letras desenhadas com acentuadas linhas longitudinais.

Embora interessante, uma história bastante inverossímil. É preciso um pouco mais para me enganar, meu querido. Tente novamente, posso até gostar.

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Sobre Fabio Baptista

20 comentários em “Líquida Impermanência (Aly & Ninja)

  1. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um texto bem imaterial, que abusa das metalinguagens. É bem cadenciado e criativo no que se propõe, apesar de quase se perder nas inúmeras divagações. É melancólico, expressivo e entediante – gostei! Não ficou bem claro se o que presenciamos ao fim é real, ou apenas mais uma de suas fantasias mentais. Difícil manter o pé na realidade com esse texto. Senti firmeza apenas na parte do escritório. Um alienígena agente literário também leva o troféu Bizarro com sobra de votos.
    T: O que dizer? Suave. Complexo. Etéreo. Só não leva a nota máxima pela subjetividade excessiva.

  2. Miquéias Dell'Orti
    16 de setembro de 2018

    Olá.

    Esse foi um dos contos com a escrita mais beirando a perfeição que li até agora. Você tem um estilo muito bonito, magistral. Dá gosto de ler.

    Escrever no presente também foi uma decisão acertada, deu um charme a mais na narrativa (pra mim, pelo menos, rs).

    Todos esses elogios me entristecem pelo fato de eu não ter tido a imersão que gostaria na história. Quando você entrou na análise textual pela protagonista a leitura se tornou cansativa, fazendo-me querer correr até a ação novamente. Não sei ao certo se isso ocorreu por conta do meu eu-leitor, que estava no automático quanto a textos carregados com ação, mas fiquei com essa impressão.

    Depois, no desfecho, o final me soou num tom de absurdo acima do que eu esperava, com essa saída “sob aplausos” da alienígena. Se eu entendi corretamente, o enredo do livro revisado era um espelho da realidade e um aviso de Augusto para a alienígena, então não havia porque ela fechar com essa saída espalhafatosa.

    No mais, o trabalho em si é peculiarmente original e muito bem elaborado.

    Parabéns.

  3. Fheluany Nogueira
    13 de setembro de 2018

    Alienígena camuflado em uma editora é muita criatividade. Parabéns pelo hábil uso da palavra, pelo estilo peculiar, e pela sátira, pelo tédio em relação aos terrestres.

    A ambientação está muito bem construída, aliás, o livro que a alien analisa, na narrativa lembra “Pampini”, escrito pelo ilusionista citado — Uri Geller (que se mostrou um ficcionista de amplos recursos ao estruturar a obra em torno do estranhíssimo personagem criado e desenvolver uma história extremamente original, repleta de drama, aventura, erotismo e intriga internacional). Esta parte, ao meu ver, ficou muito estendida e sem propósito, enquanto o epílogo, quando o disfarce é desfeito, ficou apressado.

    Parabéns pelo bom trabalho. Abraço.

  4. iolandinhapinheiro
    9 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Estou lendo os contos na sequência em que foram remetidos e chegando ao seu, posso dizer que até o momento é o conto com a escrita mais segura e bela que eu li. Fica evidente que o autor domina o idioma e sabe criar cenários com detalhes ricos.

    A história é diferente, a parte que trata de alienígenas passa suave pela trama até o impactante final,e se mistura com reminiscências que nos remetem a como era a vida em 1975, o que posso dizer com segurança porque nasci em 68. Até do Uri Geller entortando garfos vc falou, só escreveu o nome dele de outra forma (proposital?).

    Infelizmente, ainda que provido de elementos que me agradam quanto à forma, o seu conto não conseguiu me empolgar. Seu protagonista era uma criatura entojada, antipática e esnobe. Tem destes personagens que mesmo sendo maus, exercem algum fascínio sobre nós, mas o seu não me gerou nenhuma empatia, ou mesmo vontade que ele se desse mal, rs. Isso, claro, não vai influenciar na nota que darei se conseguir chegar a comentar até o último conto no final do prazo.

    Sei lá, fiquei com a impressão de ter montado um quebra-cabeças em que faltam tantas peças de encaixe que o desenho final carece de sentido.

    É isso, fica aqui o elogio sobre a sua linda escrita, com uma trama mais trabalhada teríamos um conto perfeito.

    Beijos e sorte no desafio.

  5. Higor Benízio
    9 de setembro de 2018

    “… para capturar alienígena…” Faltou coisa aí. Se a mesa ka estava atolada de papéis, não vejo razão para dizer que os arquivos ainda são de papel. Basta arquivos. No mais, acho que começar o conto com um clichê cansativo destes (marginalização da rotina e de pessoas comuns) é um tiro no pé, ninguém aguenta mais isso, ainda mais quando não tem razão que não ele próprio, sem evocar grandes reflexões. O tema do desafio tem pouco ou nenhum protagonismo, e arranca -lo daí não mudaria nada, me parece um texto adaptado, que poderia esperar uma oportunidade melhor. A narrativa não é ruim, e apenas acompanha-la sem grandes surpresas não seria ruim, mas o autor(a) optou por improvisar um final sem pé nem cabeça. Acho que foi um potencial desperdiçado.

  6. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá. Interessante como uma simples leitura pode despertar sentimentos tão intensos, mas não consegui entender muito bem o que foi que ela leu que causou aquilo. Talvez tenha comparado aquilo a sua própria realidade. Parabéns e boa sorte.

  7. Evandro Furtado
    7 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Talvez tenha faltado evidenciar um pouco mais o tema. Não estou dizendo que o conto se encontra completamente fora, mas sinto que a questão Alien não implica diretamente na trama, poderia ser retirada sem maiores consequências;
    – Achei a história um pouco simplista. Apesar de haver um certo intimismo na forma como a protagonista lida com o problema, não me tocou enquanto leitor;

    Pontos Positivos

    – A escrita é espetacular, não apenas em relação à completa ausência de erros, mas também por possuir um estilo próprio, único, com construções bastante interessantes de caráter quase poético.

    Balanço Final: Average

  8. Evelyn Postali
    2 de setembro de 2018

    Tem uma narrativa que flui e a construção das frases é primorosa. Maturidade e elegância no trato com as palavras e no objetivo: chegar ao final sem deslizes.
    Gostei muito de seu texto. Essa ideia de uma alienígena entre nós, disfarçada de editora, ou revisora textual é muito boa. Deu um ar diferente para o que já tinha lido.
    Eu confesso gostar demais da ideia de não estarmos sozinhos nesse planeta e de estarmos com extraterrestres entre nós. Parece fantasioso, mas nem tanto se pensarmos ser uma raça arcaica, pouco desenvolvida e deveras presunçosa. Enfim…
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  9. Nilza Amaral
    30 de agosto de 2018

    Gostei , concordo com os comentário acima

    • Fabio Baptista
      30 de agosto de 2018

      Prezada participante, esse tipo de comentário não será aceito. Favor embasar melhor o seu “gostei / não gostei”.

      Obrigado.

      • Aly & Ninja
        30 de agosto de 2018

        Ela já havia comentado o conto. Decerto, houve uma confusão alienígena.
        Atenciosamente,
        Aly & Ninja.

  10. Bruna Francielle
    29 de agosto de 2018

    TEMA: sim

    INTERESSE PELA HISTÓRIA alto

    PONTOS POSITIVOS: Nota-se claramente a habilidade do autor em escrever histórias. A narrativa do conto está acima da média quando comparada aos concorrentes.
    Boas descrições, capazes de fazer o leitor visualizar cenas sem dificuldade.
    O conto é narrado sem pressa, no entanto não é uma leitura vagarosa, mas fluída.
    Usando a técnica de mostrar e não narrar, conseguiu criar um relacionamento singular entre a alienígena e Augusto

    PONTOS NEGATIVOS: Apesar de extremamente bem escrito, o conto não tem muita “graça” ou “propósito”. Parece faltar uma finalidade. Talvez se houvesse alguma finalidade, o conto poderia assumir um aspecto mais memorável.
    Diria que é uma história sem graça contada de forma habilidosa e técnica. O autor poderia usar essa habilidade para criar histórias com maiores propósitos do que esta. Alguma coisa que faça o leitor pensar ou que passe alguma mensagem maior, pois há técnica para isso.
    Na parte: “Sem dúvida, uma profissional de gabarito, embora estranha. Bem estranha. “, senti falta de ser apresentado algum motivo para o Augusto achar a mulher estranha.

  11. Wilson Barros
    29 de agosto de 2018

    No começo, a alienígena mostra que no seu planeta as coisas eram mais avançadas, algo que já atingimos em parte hoje. Achei isso bem instigante. Ela chama o uso de papéis de um retrocesso intelectual, mas em 1975, na Terra, era desse jeito mesmo, não existia o kindle ainda.
    Uri Geller, além de entortar colheres, escreveu um romance intitulado “Pampini”, em que um ser de outra galáxia vem à terra encarregado de uma missão. São as aventuras de Nonomine, um alienígena capaz de se transformar em luz azul-turquesa, ou em vapores refletidos, e que ingressa na Terra penetrando um corpo adulto. O famoso e polêmico paranormal, nesse romance, mistura cientistas, estadistas, guerra fria, sexo e mulheres lindas em uma história bastante simpática. Menciono “Pampini” porque achei muito parecido com o livro que a alienígena lê no conto. Acho que nunca entendi direito o livro do Geller, mas o do conto é bastante claro.
    Aqui temos um conto onde não há erros gramaticais, o que facilita muito a leitura. O estilo do autor é cáustico, mordaz, como a maioria dos escritos modernos, e também para retratar o pensamento da alienígena. O conto chama a atenção pela riqueza e profundidade. Muito bem feito, parabéns.

  12. Alessandro Diniz
    29 de agosto de 2018

    Oi, Aly & Ninja! Gostei muito do conto. No começo já imaginei que fosse um alienígena infiltrado, por causa da descrição forte da sociedade. Mas logo me desviou a atenção, quando você mostrou o personagem principal mais parecido com humano. funcionou bem. O clima de tédio também ficou claro, o dia a dia enfadonho. Eu via as cenas em preto e branco enquanto lia. E um ambiente sombrio, como de escritórios antigos. gostei muito do jeito que vc escreve tbm. É limpo e bonito. Sem muitos detalhes, mas com profundidade, tanto nos cenários como nos personagens. O fim foi bem surpresa. Pensei que o alienígena estivesse só no manuscrito. Não entendi muito bem ao que ela se referia na parte final. Achei que o manuscrito fosse do Augusto. Português perfeito. Parabéns!

  13. Pedro Paulo
    27 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    O início insinua a precedência alienígena da protagonista, mas o enredo não chega a desenvolver o mistério. No lugar disso, acompanhamos a perspicácia da personagem ao ler uma obra. A perspectiva analítica foi muito bem escrita, dando a impressão de ser uma resenha crítica. Em razão do que havia sido apresentado antes, fiquei tentando encaixar a obra que ela avaliava dentro do conto, buscando a “mensagem secreta”. Imaginei se não haveria algo escondido na obra que escaparia ou no mínimo surpreenderia sua incontestável análise metódica ou se de algum modo voltaríamos à possível origem alienígena dela. Na leitura em si, a primeira menção à protagonista achar algo especial na obra é logo no final, quando encontra algo a mais no recado do poeta morto. Quando volta à editora, entendi que Augusto teria escrito o livro para comunicar que sabia ou no mínimo suspeitava do seu segredo, o que foi até interessante ao situar o rapaz como um desafio à personagem, cuja astúcia parecia insuperável. Apesar disso, o conto não deu tempo o suficiente para incluir alguma expectativa na possível investigação de Augusto, de modo que o último diálogo entre os dois tenha dado apenas um gostinho do que poderia ter sido mais explorado. É sempre chato ver uma perseguição em que uma das partes está “sempre um passo à frente” e por isso foi interessante ver o rapaz surpreendê-la, ainda que ela não reconhecesse. É uma pena que tenha se perdido muito tempo escrevendo sobre a análise dela em relação à obra, pois com o pouco desenvolvimento a revelação final não teve grande impacto, encerrando a história de maneira anticlimática. Boa sorte!

  14. Antonio Stegues Batista
    27 de agosto de 2018

    Esse conto me fez lembrar do filme, Sob a Pele, de Jonathan Glazer, com Scarlett Johansson. É sobre uma alienígena que se disfarça de humano. É um filme incomum para quem gosta de.filme diferente. Esse conto também tem uma alienígena disfarçada. Um conto escrito por quem entende da escrita, que tem capacidade de análise de textos e tem potencial para demonstrar a teoria das idéias. É minha modesta opinião. O roteiro é magnifico, mas algumas frases não soaram bem. É o que eu também acho, principalmente no início, mas vou ignorar essa parte. Gostei e disso tenho certeza. Boa sorte.

  15. Nilza Amaral
    27 de agosto de 2018

    A principal característica deum conto éa sua sintese e a sua dinâmica.Seu conto é interessante mas me lembra fluxo de consciencia.Outra qualidade especial de um conto é que o inverosssímel pareça verossimel.A idéa que fica é que tudo não se passa de uma história talvez aceita pelo editor.

  16. Rafael Penha
    27 de agosto de 2018

    Olá, Aly

    Um conto bastante original e com um final impensável.

    PONTOS POSITIVOS:
    A histporia em si é bastante original. Gostei disso num certame que estamos vendo muitos clichês. A narrativa não é fácil, mas tampouco cansativa. Tem um tom elegante e despretensioso. O trabalho de revisor; editor me pareceu muito bem descrito, a personagem demonstrou uma atividade pedantemente humana, o que lhe aprofundou e muito. A forma alienígena, apesar de ter alguns paralelo, me pareceu única, bastante original,

    PONTOS NEGATIVOS:
    Se haviam pontos a serem descobertos e conectados no conto para descobrir que a protagonista era um ser alienígena, o enredo não me pareceu competente o bastante para transparecê-los, mantendo o mistério, pois de fato não percebi nada. Talvez apenas quando um personagem relatava sobre a estranheza. Entendi que os fatos paranormais pelo mundo poderiam vir de seres similares à redatora, mas o texto não aponta isso, então, posso estar errado. O enredo é simples, mas serviu para lancar a histporia adiante. O final, bastante abrupto, não me pareceu um final bom, mas tampouco foi ruim.

    Uma história ímpar, mas a meu ver, carente de mais nexos causais.

    Um grande abraço!

  17. Sarah Nascimento
    27 de agosto de 2018

    Olá! Sua história ficou ótima! Gostei desse ar indiferente da personagem principal e você usa as palavras muito bem para descrever a atmosfera ali no trabalho dela, em casa e como ela mesma se sente.
    Gostei também desse manuscrito misterioso que ela recebe e como tudo isso está ligado a personagem, ficou uma ideia bem original.
    O final foi bem impactante, ela “se desfazendo” na frente do pessoal do trabalho. Não esperava por essa.
    Só não entendi como o escritor queria enganá-la? Quer dizer, não entendi especificamente o que ela achou que era essa “enganação”.
    Parabéns pelo seu conto!

  18. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    Um texto bem desenvolvido. A capacidade de descrição e narração, tornando o texto poético e ao mesmo tempo bem descritivo, faz com que o leitor aprecie com beleza as imagens que o texto passa.
    Destaco a frase:
    “Vai para a janela e abre o vidro, tentando inspirar o ar que lhe parece desde sempre pesado demais àquela hora da noite. Desiste de tomar fôlego e apenas assiste as horas caírem sobre os telhados das construções ao longe. Experimenta algo semelhante à saudade de casa, uma nostalgia que tinge seus pensamentos de um tom melancolicamente lilás. Tonterias!”

    No entanto, algumas deficiências no texto me deixaram incomodado, como a falta de nexo na história do manuscrito lido pela revisora, principalmente no que diz respeito ao poeta morto. A ligação misteriosa entre a revisora e Augusto nos deixa curiosos e uma pista qualquer contida no texto é quase imperceptível. Sugestões de que ele saiba sobre o segredo dela nos dá a entender sua história e uma semelhança com a vida da própria revisora.

    As metáforas usadas como comparação precisam ter força e na comparação serem convincentes com relação aquilo a que estão sendo comparadas. Não vi força suficiente nesta sua parábola, nem a semelhança com a comparação lava envenenada:
    ” As veias parecem se preencher com um volume anormal de sangue ou lava envenenada.”

    É isso. Foi um conto muito agradável de ler. Parabéns e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado em 26 de agosto de 2018 por em Alienígenas.