EntreContos

Detox Literário.

Esse Lugar Já Está Cheio (Nig)

Quando Elisângela me disse seus sintomas fiquei surpreso. Já era a quarta pessoa na semana que vinha ao consultório reclamando de dores de cabeça, e na semana anterior atendi outros três casos. Uns dias antes ouvi os outros médicos do hospital conversando sobre diversos pacientes com o mesmo sintoma, uma dor de cabeça que não vai embora, mas ignorei porque não achei que fosse grande coisa.

Perguntei a ela, se estava se alimentando bem, se estava bebendo água, o de sempre, e ela disse que não tinha feito nada fora do normal. A dor surgira do nada e não ia embora nem com remédios. Receitei alguns outros remédios e recomendei repouso. Estava claro que não era algo errado com ela, já que várias outras pessoas aparentemente também apresentavam os mesmos sintomas.

Quando deu o horário, fui almoçar com o Lucas e aproveitei para comentar o caso.

– Sabe que já atendi umas vinte pessoas com dor de cabeça só essa semana?

– Eu já atendi trinta.

– Hahaha. Mas é estranho, não acha?

– Provavelmente é a fumaça de novo. Esses merdas dizem que vão dar um jeito, mas nunca fazem nada.

Eu e Lucas viemos parar em Miraflores da mesma maneira. Abriram vagas para o hospital local e como quase ninguém quer vir morar no fim do mundo, foi fácil conseguir a vaga. O salário é muito bom, coisa que contou muito para nós, jovens recém-formados, para virmos para cá, mas a cidade em si é horrível. É quase toda coberta por campos de cana, e como a modernidade ainda não chegou aqui a colheita é feita à moda antiga; primeiro eles tacam fogo no canavial e depois os peões vão se metem dentro do mato e cortam a cana no facão. A fumaça da queimada é horrível e há um número anormal de pessoas com câncer na cidade. Mesmo eu já tive um ataque de tosse uma vez e já me peguei pensando que talvez não tenha sido uma boa ideia vir para cá.

Terminando o almoço, Lucas voltou para o hospital, e eu fui para a Casa São Bento, um asilo que eu visitava umas duas vezes por semana para ver como ia a saúde dos idosos. A primeira coisa que faço quando chego é conversar com Maria, a mulher que trabalha lá.

-Como vai hoje? – Perguntei.

– O de sempre ‘dotô’. – Ela tinha um sotaque estranho, que eu não conseguia identificar. Ela dizia que era do interior e que tinha vindo morar com uma tia, também idosa. Chegou, se não me engano, um pouco antes de mim.

Mas eu não ia ao asilo só porque era meu trabalho. Sempre gostei de idosos. Prefiro conversar com eles do que com gente da minha idade. Dona Helena era a mais fofa. Sempre que eu apareço ela me abraça e pergunta como vai a vida. Hoje, quando cheguei, não a vi no pátio. Falei com os outros idosos e estava tudo normal. Quando já estava quase terminando a visita, perguntei a Maria onde estava dona Helena. Ela me respondeu que a velhinha está muito indisposta e que há dias vem sofrendo com uma dor de cabeça terrível. ‘Que surpresa’, pensei.

– Será que posso vê-la?

– Não sei ‘dotô’. Acabei de dar um remédio para ela e acho que agora ela tá dormindo.

– Tudo bem então. Obrigado.

Quando estava saindo ouvi uma voz.

-Já tá cheio, sabe!?

Era o Orlando. Um dos inquilinos do asilo.

– Seu Orlando. Tudo bem? Não vi o senhor aí.

Ele era conhecido por ser o mais ranzinza de todos naquele lugar. Não gostava de companhia e estava sempre xingando alguém.

– Não ouvi o que o senhor disse.

Ele era tão recluso que às vezes eu ia ao asilo visitar os idosos e sequer o encontrava no pátio com os outros. Uma vez fui vê-lo no quarto e ele me enxotou de lá a gritos e xingamentos. Nada diferente do que se espera dele.

– Disse que esse lugar já tá cheio.

Naquele momento ele pareceu a personificação do Mestre dos Magos, falando sem dizer nada. Esperei um pouco para ver se ele desaparecia por trás do banco também.

– É mesmo? Como assim?

Apesar do jeito misterioso, essa era a primeira vez que eu estava conversando de verdade com ele, então não quis perder a oportunidade.

– Já tem muita gente nesse lugar.

Esperei ele continuar, mas ele não parecia querer dizer mais nada. Fiquei olhando para ele, mas ele nem parecia me ver mais ali, olhando para as árvores.

– Tenha um bom dia e um bom descanso, Seu Orlando.

Não podia ficar lá ouvindo um velho louco divagar o dia inteiro.

 

Nos dias seguintes, tudo continuou normal. Os pacientes continuavam indo e vindo e aqueles estranhos casos de dor de cabeça iam ficando cada vez mais frequentes. Àquela altura, os casos já tinham virado notícia nas redondezas e muitos médicos estavam preocupados. A prefeitura mandou trazer remessas de remédios mais fortes, como tentativa de melhorar a situação. Decidiram não atacar a causa óbvia do problema, pois sem a colheita de cana a cidade simplesmente pararia.

E, assim como a cidade, eu também não podia parar. Passados alguns dias, voltei ao asilo São Bento e tive a triste notícia que Dona Helena estava pior do que antes. Fui vê-la. Ela não tinha febre alta, mas estava delirando. Falava lentamente, pois o simples esforço de pensar já lhe fazia doer a cabeça. Dizia que de noite via luzes no quarto e pessoas andando por todos os lados do quarto. Disse a ela que precisava descansar, e ela dizia que se continuasse ali as pessoas voltariam na noite seguinte. Ao sair, recomendei alguns remédios para ajudá-la a dormir.

Antes de ir embora, converse com os outros idosos e, para meu alívio, estavam todos bem. Quando estava no pátio, vi o Seu Orlando sentado no mesmo banco da última vez.

– Olá, Seu Orlando. Como vai?

– Olá, ‘dotô’!

– E então, como o senhor está?

– Bem. O mesmo de sempre.

– Que bom. Yenha um bom dia. – E me virei para ir embora.

– O ‘senhô’ viu a Dona Helena?

Na mesma hora parei. Não me virei de volta imediatamente, pois, por algum motivo, lembrei da nossa conversa na última visita. Que velhinho estranho aquele.

– Sim. Fui ao quarto dela. É uma pena seu estado.

– O que ela tem?

– Não sei ao certo. Acho que são só pesadelos que ela anda tendo.

– …

Ele ficava lá parado me olhando com uma cara de quem tinha algo a dizer, mas que simplesmente não estava a fim. Me virei para ir embora de novo.

– Os outros dizem que ela ficou louca.

Mas o que que há com esse velho hoje?! Sempre que eu tento conversar, ele me manda embora, mas hoje não me deixa ir e ainda por cima com esse papo furado.

– Acho que não. Dona Helena sempre foi muito boa da cabeça.

Não queria ser mal-educado a ponto de deixar o velho falando sozinho, então falava qualquer coisa só para sair dali.

– Por que será que pegaram ela?

Que saudade da época em que ele me ignorava.

– Como assim?

– Eles.

– Eles quem seu Orlando?

– As pessoas que vêm aqui.

– Que pessoas?

– As pessoas que vão no quarto dela de noite.

Meu Deus. Outro.

– Eu não pareço louco pra você, não é ‘dotô’?

Talvez ele tenha visto minha cara de incredulidade.

– Eles também já foram visitar o senhor?

– Então acredita em mim?

– Acredito. – Menti.

– Os outros velhos desse lugar acham que também sou louco. – Na verdade, já achavam isso bem antes dessa história, mas não quis interrompê-lo. – Tentei avisá-los, mas ninguém me ouve.

– E quem são essas pessoas?

– Não sei. Provavelmente cientistas que aproveitam que nós não temos muito tempo de vida e fazem experiências na gente.

Nesse momento tive que virar o rosto rapidamente para esconder um sorriso que eu não conseguia conter.

– E já foram visita-lo?

– Já. Mais de uma vez.

Resolvi ficar lá conversando com ele para ver até onde ia a imaginação daquele senhor. Faz tempo que não ouvia uma boa história.

– Sério?!E que tipo de experiência fizeram com o senhor?

– Tentaram abrir minha cabeça, mas como tenho a cabeça dura, não conseguiram.

Dessa vez foi difícil segurar o riso e tive que fingir uma tosse para mascarar as risadas.

– Mas seu Orlando, isso é muito grave.

– Sim. E como não conseguiram nada comigo, foram atrás da Helena.

De repente a cara do velho Orlando ficou branca como papel e ele não falou nada, com um semblante de medo no rosto. Quando percebi, estava olhando para Maria, que passava por nós pelo pátio. Somente depois de um tempo que ela desapareceu pelos corredores Seu Orlando falou de novo, quase em um sussurro.

– Ela tá com eles.

– A enfermeira?

Fiquei surpreso com a reação do velho Orlando. O medo no seu rosto parecia de verdade.

– A enfermeira? – Perguntei de novo, ainda mais incrédulo do que na primeira vez.

– Ela sempre abria a porta para eles entrarem. – Outro sussurro. – Entrava antes deles, falava ‘Podem vir!’, e ia embora antes de eles começarem.

Fiquei um tempo olhando para o velho. Se fosse em qualquer outra situação, diria que era só mais uma tentativa de fazer uma piada, mas olhando os olhos do velho, podia ver claramente que ele realmente estava com medo.

Fiquei perturbado com aquela situação e inventei qualquer desculpa para ir embora.

– Seu Orlando, foi ótimo conversar com o senhor, mas já tenho que voltar para o hospital. – Na verdade, naquele dia, Lucas ia ficar de plantão e eu poderia ir para casa. Mas qualquer mentira era válida para me livrar dali.

 

Quando saí o céu já estava escurecendo. Por um lado, estava preocupado, pois os casos de dores de cabeça não paravam de aumentar, mas por outro, não conseguia parar de achar graça do velho Orlando. Não queria rir de um pobre senhor que já não está mais com a cabeça no lugar, mas não pude evitar.

Chegando no prédio eu que eu morava, o porteiro, Alberto, falou comigo.

– Boa noite patrão. Chegou cedo.

– Sim. Hoje não vou passar a noite no hospital.

– Que bom. E como vai o trabalho?

– Tudo em ordem. Mas recentemente estão acontecendo muitos casos de dor de cabeça. Não sei porquê.

– Sério?! – Ele pareceu interessado. – Não tem nenhuma ideia?

Me surpreendi com aquele súbito interesse dele.

– Deve ser a fumaça das plantações. – Respondi sem pensar, pois aquele olhar me deixou um tanto quanto desconcertado.

– Sim. Acho que o senhor está certo. Deve ter uma causa natural pra isso. Acontecem tantas coisas estranhas nessa cidade.

Fui para o meu quarto ainda surpreso. Alberto começou a trabalhar no prédio praticamente na mesma época em que eu cheguei aqui. A dona do lugar me disse que ele tinha vindo de outra cidade apenas alguns dias antes de mim. Mesmo passando por ele todos os dias, aquela era a primeira vez que trocávamos mais de uma ou duas palavras e ele parecia tão interessado.

Como estava cansado, não demorei muito a dormir. Mas no meio da noite acordei, ou não tenho certeza se foi um sonho. Foi muito real, mas ainda assim parecia que eu estava dormindo.

Acordei com uma luz na janela. Mas aquilo era muito estranho, pois o prédio em que eu morava era o mais alto das redondezas e não havia nenhuma luz alta o suficiente para entrar pela minha janela por aquele ângulo. Parecia que a luz estava bem ao lado do meu quarto. Ficou um tempo daquela maneira, cintilando, até que sumiu, não por ter sido apagada, mas parecia que tinha ido embora. Algum tempo depois, não sei dizer quanto, a porta do meu quarto abriu. Mas quem mais poderia ter a chave? Logo depois uma sombra entrou no meu quarto. Mas não senti medo. Estava sonolento demais para sentir medo. A sombra veio para perto de mim, quase cobrindo a cama inteira. Depois, voltou para a porta. ‘Podem vir!’, e de repente o quarto ficou mais escuro. Um conjunto de outras sombras se somou à primeira. Quando vi, as sombras estavam todas à minha volta. Estavam todas ao lado da cama, e, nesse instante, pude ver melhor seus rostos. Eram rostos estranhos. Não conhecia nenhum deles. Exceto um. Por um instante, num relance muito rápido, Alberto parecia ser um deles, a mesma sombra que abriu a porta e chamou os outros. Só lembro que estava com muito sono, quase não conseguia manter os olhos abertos. Acordei no outro dia e não havia nada diferente no quarto. Não conseguia me lembrar exatamente do sonho, pois estava com uma baita dor de cabeça.

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Sobre Fabio Baptista

21 comentários em “Esse Lugar Já Está Cheio (Nig)

  1. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    21 de setembro de 2018

    Conto muito simpático. Bem escrito, com poucos problemas de estrutura, quase todos certamente resultantes da pressa de finalizar a obra para o concurso. Merecerá de mim uma nota alta. A única coisa que reparei é que os personagens não são muito críveis. O Orlando, o paciente que vê os “enfermeiros” é apenas um rabisco de personagem, que não tem reações reais. O protagonista me parece, também, um tanto esquemático e a sua relação com o outro doutor me pareceu forçada. Esse conto funcionaria melhor se houvesse apenas três personagens: O narrador, Orlando e Helena. Talvez um quarto personagem que fosse “o enfermeiro” e que mereceria uma interação. Porém, essa seria a minha maneira de escrever o conto, não posso impor isso ao autor. Gostei do conto como está.

  2. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um suspense bem curioso. Gostei da temática clássica de hospital para loucos. O texto estabelece um problema e o resolve no final, sendo bastante objetivo. É claro que a conclusão fica em aberto, mas o autor resolveu focar apenas na parte principal. Neste caso foi bom, pois não deixa o texto arrastado. Também gostei da verossimilhança, sem nada muito absurdo dentro do contexto. Tem cara de experiência do governo, mas também pode ser encarado como uma experiência alienígena, caso típico do gênero.
    T: Há alguns probleminhas, como tempos verbais inconstantes e frases não tão bem construídas, mas convence como um todo. Fiquei muito curioso ao final do “looping”. Lembrou um pouco O Enigma de Andrômeda, onde o problema se resolve sozinho.

  3. Fabio Baptista
    17 de setembro de 2018

    Anotações durante a leitura:

    – Sabe que já atendi umas vinte pessoas
    >>> Acima ele havia falado em 4. Entendo que tenha exagerado o número propositalmente para “se gabar” com o amigo, mas curiosamente o 20 parece um número mais adequado para asituação.

    – como a modernidade ainda não chegou aqui
    – A primeira coisa que faço quando chego
    >>> certos trechos fazem parecer que a narrativa está no presente, outros no passado. Melhor uniformizar.

    – Ela tinha
    >>> cacofonia

    – Não podia ficar lá ouvindo um velho louco
    >>> Essa atitude foi meio contraditória com o discurso do personagem até então

    – converse com os outros idosos
    >>> conversei

    – Yenha um bom dia
    >>> Tenha

    – Mas seu Orlando
    >>> Mas, seu Orlando

    – no prédio eu que eu morava
    >>> em que

    – Boa noite patrão
    >>> Boa noite, patrão

    ————–

    Impressões finais:

    A parte técnica é prejudicada por alguns erros de digitação/revisão e, principalmente, pela confusão de tempos verbais. Não há nada grotesco do tipo misturar os tempos na mesma frase, mas existe uma oscilação que poderia ser limada. Com exceção a isso, é uma narrativa simples e gostosa de ler, o conto flui rápido.

    Minha primeira impressão com a história foi “putz, que final abrupto”, mas pensando melhor depois de tomar um fôlego, talvez tenha sido o melhor caminho encerrar ali mesmo, deu ao conto um jeitão de causo. Foi interessante a criação do mistério em relação à dor de cabeça (apesar de ser um sintoma muito comum). A parte do asilo me pareceu meio deslocada, acho que tudo poderia se desenrolar no hospital mesmo, com um dos pacientes contando sobre as apariçoes noturnas ou algo do tipo. E o título não se justifica muito… pensei que era um plano para reduzir a população (bom, talvez seja).

    Mas, no geral, foi uma leitura agradável.

    Abraço!

  4. Fheluany Nogueira
    11 de setembro de 2018

    Uma boa dose de suspense, trazido pelas dores coletivas de cabeça. Trama simples, mas interessante, que lembra alguns filmes antigos de gênero: Cocoon (1985), pelos personagens idosos, a trama alegre e que traz reflexão e é cativante; Os Invasores de Corpos (1978), pelas alterações de comportamento nos moradores da cidadezinha, que os alienígenas vão substituindo. Gostei do final, somente com a sugestão de que o doutor também teria sido substituído. Se a história não é original, está de roupa nova.

    Narrativa fluida, leitura prazerosa, bem ambientada. Algum erro de digitação, e no trato com os tempos verbais. Achei que os extraterrestres são pouco explorados, assim como as relações com os humanos.

    Parabéns pela participação. Fez um bom trabalho. Abraço.

  5. iolandinhapinheiro
    9 de setembro de 2018

    Eu gosto muito quando as coisas ficam “no ar” para que o leitor crie seus próprios caminhos. Há muitas obras com este argumento, sendo que algumas delas trazem a solução – como no filme Os Outros, o seu deixa a certeza de que estava acontecendo algo, mas a dúvida quanto ao que seria.

    O enredo é bem simples, uma vez que a trama toda se resume a uma atividade envolvendo seres (pessoas ou alienígenas) que estavam fazendo algo com os locais que provocava fortes dores de cabeça, tudo gira em torno disso e é apenas isso.

    Quando vi que o conto estava chegando ao final eu fiquei um pouco frustrada, esperava que o médico fizesse algum tipo de investigação e se não desvendasse os fatos nos deixasse pistas para que nós, seus leitores, o fizéssemos. A opção por fazer o protagonista cair no mesmo problema e nada mais deixou o sentimento de algo inacabado.

    A escrita é simples, direta, fluída, sem problemas.

    Um abraço, sorte no desafio e se resolver fazer a continuação, por favor me avise.

  6. Higor Benízio
    4 de setembro de 2018

    O conto não encanta, nem no seu enredo e nem na narrativa, ambos sem grandes surpresas. Alguns pontos poderiam ter sido melhor aproveitados; uma conversa com um velhinho ranzinza, por exemplo, poderia ser bem mais interessante do que foi. Algumas construções não soaram muito bem, um exemplo é “… mestre dos magos…” , isso assusta o leitor. Alguns problemas com o tempo verbal também causam estranheza. Enfim, recomendo o conto “Fatality” que apesar de ter, assim como seu conto, uma narrativa comum, e um enredo tão simples quanto, consegue trazer o leitor para dentro da situação, justamente pela naturalidade dos diálogos (o que não aconteceu aqui. De todas as situações em que o narrador diz ter “segurado o riso”, nenhuma teve graça).

  7. Evandro Furtado
    4 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – O paralelismo nos tempos verbais é um probleminha. Em um mesmo parágrafo, encontramos verbos no passado e no presente e isso causa um estranhamento na leitura;
    – O texto acaba e deixa o leitor frustrado porque a vontade é que a história continue;

    Pontos Positivos

    – Há um clima de apreensão muito bem construído. Gostei de como os aliens foram representados, meio Invasion of the Body Snatchers;
    – A história é interessantíssima e, como disse anteriormente, deixa gostinho de quero mais. Acho que isso daria um ótimo material pra um romance (se for o caso, lembra de mim e manda um cópia).

    Balanço Final: Very Good

  8. Alessandro Diniz
    30 de agosto de 2018

    Oi, Nig! Eu gostei do conto. Sua forma de escrever é simples e clara. O surto dor de cabeça dá o ar de suspense do início, que é estimulado pelos idosos sendo visitados, e é também a dor que fecha a estória. Achei bem legal. Essa parte não significa nada: “– …”. ficou estranho no meio do texto. Mas entendi o que você quis passar, pois também escrevo. Vc poderia ter usado isso: – Hum… Esta parte ficou estranha: “Fiquei olhando para ele, mas ele nem parecia me ver mais ali, olhando para as árvores.”. Ficou parecendo que o médico é quem estava olhado para as árvores. Esse comentário soou um pouco estranho também: “– Na verdade, já achavam isso bem antes dessa história, mas não quis interrompê-lo.”. Achei que fosse o velho falando ainda, até chegar no fim da frase. Talvez se vc tivesse escrito: – Não quis interrompê-lo, mas, na verdade, já achavam isso bem antes dessa história. Seu português é bom. Não encontrei erros, senão um ou outro de digitação. Tipo: “Yenha” = Tenha. No geral é um bom conto. Boa sorte!

  9. Bruna Francielle
    29 de agosto de 2018

    TEMA: Se este conto não estivesse inserido num desafio com o tema “Alienígenas”, talvez a presença deles na história tivesse passado batido pra mim, de tão pouco explorados que foram.

    INTERESSE PELA HISTÓRIA Alto

    PONTOS POSITIVOS: Narrativa fluída. Escreve bem. Texto fácil de ler.
    Dá para se sentir próximo dos personagens.
    Gostei do sotaque colocado em alguns dos personagens. Como demonstrado na fala “dotô”. Isso ajudou na ambientação da história.

    PONTOS NEGATIVOS: Alguns erros de escrita. Ex.: “vão se metem ”
    Escreve bem, mas acho que o enredo do conto está um pouco incompleto. Os alienígenas são pouco explorados (quase nada) e o personagem Orlando e a outra idosa ficaram como pontas soltas. Acho que ficaria melhor se a situação deles tivesse tido uma resolução.
    Por exemplo: o Orlando mostrava medo da enfermeira. Essa situação poderia ter sido mais explorada, e ter sido dado algum tipo de fim para ela.
    Não entendi o motivo do título e da fala do Orlando: “Esse lugar já está cheio”. Cheio? De gente? Não sei se coube bem no contexto.
    Também não sabemos que tipo de experimentos foram esses realizados nos personagens.

  10. Evelyn Postali
    29 de agosto de 2018

    O conto está bem escrito. Não reparei em nada de muito complicado. Algum erro de digitação, talvez. A leitura fluiu e foi agradável.
    A história deixa um pouco de lado os alienígenas para explorar a reação das pessoas. Gostei disso, apesar dela se manter sempre num mesmo patamar. Não houve crescimento da ação do protagonista, nem da trama em sim. O texto seguiu, do começo ao fim, de uma maneira morna. Não falo isso de forma negativa, mas uma dose de emoção ali, no meio, poderia fazer toda a diferença. Talvez essa parte escrita possa ser o começo de um texto maior onde o protagonista reage a toda essa situação.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  11. Rafael Penha
    27 de agosto de 2018

    Olá, Nig

    Um conto interessante, com uma linguagem fluida e uma narrativa instigante. A tensão e curiosidade crescente manteve meus olhos grudados na história. Senti uma influencia Lovecraftiana forte, e o mistério insolúvel fez parte do charme, dando verossimilhança ao conto.

    PONTOS POSITIVOS:
    O tom de mistério é o grande catalisador da história. Um enredo simples e direto. Dialogos naturais e o final aberto (ou fechado) sem muitas explicações é excelente para nos introduzir na história e tornar a experiencia muito mais real.

    PONTOS NEGATIVOS:
    Apesar de ter sido bem explorado, o enredo do estranho que chega numa cidade onde coisas estranhas acontecem é extremamente batido, então o conto perde um pouco na originalidade. Apesar da tensão ser interessante, a dor de cabeça dos habitantes, introduzida desde o inicio do conto, já deixa claro que há uma atividade fantástica ou alienígena acontecendo na cidade e, todo o decorrer do conto até o fatídico fim, só vem a confirmar o que o leitor já sabia no início. Então, é uma boa história, mas não há evolução da trama para o leitor. Ela começa de um jeito, e termina do mesmo.

    Um conto bem escrito, bem sucedido no suspense e tensão a que se propôs, com um ponto que sempre acho crucial: verossimilhança. Entretanto, a história andou mas não evoluiu, o personagem investigou (involuntariamente), mas não concluiu, e o final chegou mas não “reviravoltou”, que é o que se aguarda nesse tipo de história. Mas ainda assim, uma história muito boa.

    Grande abraço.

  12. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    Escrita sim, como já foi dito. Um suspense que não tem a intenção de explicar nada, mas deixar aquele mistério no ar. Acho que faltou explorar mais o contato dos alienígenas com as pessoas, principalmente os idosos, me lembrou aquele filme sessão da tarde: Cocoon. Um contato pelo menos, relatado, nós daria esse gostinho, além de nos apresentar algum aspecto da raça alienígena, a qual não sabemos nada a respeito. Essas são minhas observações. É um bom conto. Gostei especialmente do final. A suspeita de um sonho deixa claro que a mente cética do médico não se iludiria a toa. Ele não acredita, embora o leitor saiba que aquelas dores de cabeça e todos os relatos de pessoas não poderiam ser todos apenas coincidência. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Nig
      26 de agosto de 2018

      Olá, Anderson. Obrigado pelo comentário. Não explorei muito o contato com os alienígenas pois queria criar um pouco de mistério, no sentido de que ninguém na cidade sabe o que está acontecendo. Abs.

  13. Antonio Stegues Batista
    26 de agosto de 2018

    A escrita é simples de boa leitura e compreensão, frases bem construídas, diretas sem rebuscamentos desnecessários. Alguns errinhos de digitação. O enredo também é simples, influência alienígena causando dor de cabeça, mas a narrativa é forte e os diálogos salvam o texto. Os personagens foram bem criados, cada um com sua personalidade própria. Resumindo; um bom conto. Boa sorte no Desafio.

    • Nig
      26 de agosto de 2018

      Olá, Antonio. Obrigado pelas palavras.

  14. Pedro Paulo
    25 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    A premissa aqui é a pequena cidade em que “há algo de errado”. Não é uma novidade, mas abre para diversos caminhos a seguir. Como é comum, o conto também apresenta uma personagem que vem de fora e, portanto, acaba tardando a desconfiança que poderia ser a sua salvação ao achar que se trata só da falta de costume. O fato curioso que interliga protagonista e o “algo de errado” da cidade é as dores de cabeça frequentes que aparecem no hospital. Depois, encontra-se com um idoso que sabe a verdade e, como é comum desse tipo de pessoa conhecedora, jaz “desacreditado” no asilo e na cidade, sem poder realmente fazer algo a respeito. Daí, fica a dúvida do grau de verdade que estaria nos dizeres do idoso, o que o nosso protagonista poderia investigar, alinhando o enredo diretamente ao encontro do conflito, daquele “algo de errado” com a cidade. Infelizmente, o conto se encerra com o protagonista sendo experimentado pelos alienígenas. O “infelizmente” não se refere ao fato de ter um “final infeliz”, mas porque acredito que nunca houve uma expectativa alta do que aconteceria. Desde o começo fica evidente o envolvimento das alienígenas com o mistério da cidade e então se especula sobre o seu propósito, mas em nenhum momento se sinaliza sobre algum esclarecimento disto e acabei desinteressado pelo que aconteceria. Além do mais, não vejo motivo para o protagonista ter sido experimentado se ele “perseguia” uma pista errada. Enfim, acredito que o enredo poderia ter explorado uma demonstração mais interessante da influência alienígena na cidade, que o protagonista poderia ser mais ativo e que os aliens em questão poderiam ter sido mais centrais. Boa sorte!

    • Nig
      26 de agosto de 2018

      Olá, Pedro. Tentei não deixar os alienígenas muito à mostra para criar um certo mistério. O mesmo em relação ao propósito deles. Obrigado pelo comentário.

  15. Wilson Barros
    24 de agosto de 2018

    Esse estilo de enredo sempre me atraiu, desde o filme “O Exército do Extermínio” de George Romero até “Invasão”, com Nicole Kindman e Daniel Craig. Ou o delicioso conto “Sussurro nas Trevas” de Lovecraft. O miniconto aqui parece estar a altura dos mestres, ainda que falte espaço para mais aprofundamento. O conto é cheio de ganchos, o Alberto, a Dona Helena e o “Podem Vir” arrepiante. Não notei grandes erros estruturais de sintaxe (só um “prefiro do que”), ou de estilo, ou ortográficos, apenas um errinho de digitação aqui e ali. Achei hilária a comparação com o Mestre dos Magos, vou adotar aqui no trabalho. Tem gente aqui na repartição que fala qualquer tolice incompreensível naquele tom solene. Parabéns,foi muito boa a diversão.

    • Nig
      24 de agosto de 2018

      Olá, Wilson. Obrigado por ter lido o conto. Não conhecia essas referências que você citou, mas com certeza vou lê-las agora. Também adoro esse tipo de enredo. Quanto aos erros peço perdão, como essa é uma das minhas primeiras vezes escrevendo foquei mais em tentar manter a história interessante, mas vou prestar mais atenção a isso das próximas vezes. Abs.

  16. Sarah Nascimento
    23 de agosto de 2018

    Olá! Muito boa a sua história! Gostei desse mistério todo ao redor da cidade, o fato dela ser bem no interior. Você foi falando os detalhes importantes aos poucos e ficou um conto muito bom de ler.
    Eu tinha certeza que o médico tinha visto o rosto do Orlando no meio dos outros rostos naquela noite, ou ele ou a senhora Helena, coitada. Ter sido o Auberto faz mais sentido mesmo.
    Uma ótima ideia colocar sempre alguém conhecido para trazer os aliens, por exemplo, com o final do conto provavelmente o médico seria o próximo a deixar os aliens entrarem no hospital.
    Uma dica que eu te dou, pois eu faço isso sempre quando escrevo, é tomar cuidado com o tempo dos verbos. Se é passado tem que ficar todos no passado, alguns trechos do texto tem verbos no presente e não é bom misturar eles assim.
    E eu tenho uma teoria! Acho que os aliens instalam chips para monitorar o funcionamento do cérebro das pessoas, por isso elas tem dor de cabeça. Risos. Sim, eu adoro essa ideia assustadora.
    Parabéns, o seu conto está excelente!

    • Nig
      24 de agosto de 2018

      Olá, Sarah. Obrigado pelos comentários e pela dica com os verbos. Vou ficar atento a isso quando escrever de novo. E que bom que gostou da ideia de usar as pessoas conhecidas, pensei nisso para passar a ideia de proximidade dos aliens, mesmo que eles não estejam lá fisicamente. Agradeço mais uma vez por ter lido o conto. Abs.

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Publicado em 23 de agosto de 2018 por em Alienígenas.