EntreContos

Detox Literário.

Encomenda (Daniel Reis)

– Distribuidora Central, boa tarde.

– Boa tarde. Por gentileza, eu gostaria de falar com um consultor.

– Pois não, em que posso ajudar?

– O caso é o seguinte: acabei de fazer minha revisão periódica e o prognóstico não foi exatamente bom.  Creio que vou enfrentar o procedimento de substituição em, no máximo, quinze ou vinte ciclos.

– E qual seria sua necessidade específica, senhor?

– Quase certo que vou precisar, no mínimo, de um rim e um fígado. Mas seria bom também reservar um pulmão e um coração, para a eventualidade…

– Só um minutinho. Vou consultar a disponibilidade desses itens aqui, no nosso sistema.

(…)

– Alô? Pronto, senhor. Já acessei o banco de dados. Qual é a sua biotipia, por favor?

– Sou biótipo 7324, 576 ciclos de idade. Altura 173, massa total 83 e ½.

– Já passou pelo procedimento antes?

– Não, primeira vez.

– Tudo bem, então. Só mais um instante, por gentileza.

(…)

– OK. No momento, senhor, não há nada cadastrado em estoque que seja compatível com o seu biótipo. Mas está prevista a chegada de um novo lote de organismos vivos daqui a, mais ou menos, dois ou três ciclos…

– Esses alienígenas, que estão chegando, são compatíveis com o meu procedimento?

– Veja bem, não temos como garantir com 100% de certeza. Depende muito da disponibilidade de espécimes na área de captura. Claro que podemos encomendar uma varredura específica, mas nunca se sabe o que vai ser possível encontrar…

– E quanto custaria, assim, sob encomenda, um organismo compatível para retirada dos órgãos?

– Pelo valor de tabela, senhor, conforme suas características, considerando manutenção em cativeiro por cinco ou seis ciclos de observação depois das vacinas, e sem incluir os custos do procedimento de abate e remoção, o valor fica em torno de 940 centenas de gramms. Mas, se o senhor tiver pressa para a retirada dos órgãos e preferir a conservação criogênica, há um adicional de 17,5% nesse valor, à vista. Vamos fechar então, senhor?

– Hum… espere um pouco, preciso pensar melhor…

– É uma oportunidade ótima, senhor. Não quer aproveitar a chance agora?

– Me diz uma coisa: qual é o prazo de garantia desses órgãos?

– A Distribuidora Central oferece a todos os seus clientes, senhor, desde que comprovado o uso indicado, boas condições ambientais, prática de atividades físicas moderadas e ingestão periódica da medicação contra rejeição, uma garantia integral de até 120 ciclos para rins e fígado, e de até 100 ciclos nos pulmões e coração.

– Mas eu andei pesquisando por aí e vi que a concorrência oferece entre 150 e 130 ciclos de garantia para esses órgãos. Vocês têm como, pelo menos, igualar essa condição?

– Senhor, nosso preço já é o menor dentre todas as Distribuidoras autorizadas. Temos um grande número de equipes de captura mobilizadas, o mais amplo mapeamento de códigos genéticos alienígenas e somos a única empresa do mercado que mantém um programa de responsabilidade socioambiental permanente, por meio do Projeto Sofrimento Mínimo no Abate, e providenciamos destinação certificada dos resíduos resultantes de nossas operações. Infelizmente, o prazo de garantia dos órgãos depende muito da origem dos alienígenas, e como nós temos uma grande variabilidade, nem sempre é possível garantir a validade. Mas, diga uma coisa, aqui entre nós, qual é o preço que as concorrentes estão oferecendo ao senhor?

– O preço de vocês, sem dúvida, está bem mais em conta do que outros, por aí. Mas seria bom também contar com uma garantia estendida…

– O senhor pode ficar tranquilo. A Distribuidora Central segue rigorosos padrões na captura dos alienígenas, remoção e aproveitamento dos órgãos, e por isso observamos um número quase desprezível de devoluções e trocas…

– Mesmo assim… acho que eu preciso um pouco mais de tempo…

– Se o senhor não se importa, e como esta ligação está sendo gravada, eu gostaria de pedir formalmente o seu contato. Acho que é possível falar com meu supervisor, com mais calma, e daí retorno com uma contraproposta em, no máximo, 0,035 ciclos.

– Não sei, acho que prefiro ligar mais adiante…

– Senhor: não posso garantir essas mesmas condições por muitos ciclos. Vamos aproveitar esse contato e negociar?

– Bom…. Meu código é FJHSLKJDI022234. E o contato, GDUSK0987364I. Aguardo a sua contraproposta, então.

– Obrigado. Nós, da Distribuidora Central, estamos aqui para ajudá-lo e retornaremos assim que possível, tudo bem?

– Sim, tudo bem.

– Mais alguma coisa, senhor?

– Não… quer dizer… não, por enquanto. Não.

– Por favor, permaneça na linha para responder a uma enquete rápida sobre o nosso atendimento. A Distribuidora Central agradece sua ligação. Tenha uma boa tarde e até mais.

(…)

– Alô?

– Alô.

– Falo com FJHSLKJDI022234?

– Sim, sou eu.

– Aqui é o Consultor da Distribuidora Central, está lembrado? Nós conversamos há uns ciclos atrás…

– Estranho, seu número não aparece registrado aqui como sendo da empresa…

– É que eu estou falando de um aparelho não-rastreável. Compreende?

– Hum, acho que sim…

– Pois é… pelo seu tom de voz, no final daquela nossa conversa, senti que o senhor esperava um “algo a mais”, que a nossa companhia não pôde oferecer…

– Espere um minuto. Você tem certeza de que está falando de um aparelho não-rastreável?

– Tenho certeza, fique tranquilo. Como o senhor já deve ter ouvido por aí, existem algumas “ofertas alternativas” que nós, consultores especializados…

– Sim, alguém me falou sobre esse mercado. Mas eu não sabia como entrar nisso. Qual seria a oferta?

– Pelo que eu anotei, em princípio, o senhor apresenta prognóstico de rim e fígado, certo?

– Isso mesmo. Mas já queria garantir também o coração e um pulmão…

– Pois veja. O senhor deve saber que esses alienígenas têm um ciclo de desenvolvimento diferente do nosso, e a disponibilidade dos órgãos deles depende da sorte de encontrarmos, na natureza, o doador certo para o cliente certo…

– E daí?

– Daí que eu tenho esta proposta: alguns conhecidos, amigos de amigos meus, mantém um plantel muito bom, exemplares custodiados com registro no governo e todas as vacinas em dia. Mas já que a reprodução em cativeiro foi proibida para prevenir a superpopulação, não dispõe no momento de nenhum espécime totalmente compatível com o seu caso. Porém, existe um jeito deles ajudarem a resolver o seu problema: basta selecionar no criadouro os dois alienígenas mais indicados conforme mapeamento genético do seu biótipo, e os colocarmos em reprodução assistida. Cancelamos o registro oficial da fêmea, como se fosse uma perda eventual, e a isolamos durante toda a quarentena de gestação. Depois, é só providenciar o desaparecimento da matriz, imediatamente após a extração dos gestados. Sem despertar suspeitas.

– E em quanto tempo isso poderia ser feito?

– Questão de dois, dois ciclos e meio. Se tudo der certo, conforme nossas experiências anteriores, poderemos obter as células-tronco de um dos alienígenas recém-nascidos, e desenvolver tecidos regenerativos de rim e fígado. Isso, em praticamente um terço do tempo estimado para o processo convencional de busca, seleção, captura e extração dos órgãos de um alienígena selvagem. Assim, muito em breve, um rim e um fígado novos vão estar em suas mãos. Ou, no caso, implantados em seu organismo…

– Mas e o coração e pulmão?

– Para esses órgãos, não há como cultivar tecidos regenerativos. Mesmo com a compatibilidade de um dos recém-nascidos, ainda precisaríamos esperar o desenvolvimento dele – algo em torno de 12 a 15 ciclos – antes de proceder a extração definitiva dos órgãos.

– Certo, então. E qual é o preço final disso tudo?

– 200 centenas de grams por rim e fígado; 500 centenas de grams pelos dois, mais coração e pulmão.

– Só isso? Na entrega?

– Não, na encomenda. Em espécie.

– Se for assim, tudo bem. Mas, caso não dê certo, vocês restituem o pagamento?

– Infelizmente, não. O que podemos garantir ao senhor é o fornecimento de outra ninhada de alienígenas em, no máximo, 2,5 ciclos, pelo mesmo valor contratado. E veja só: além de mais barato, leva bem menos tempo do que o senhor teria de esperar por uma só entrega na Distribuidora Central. Vamos fechar negócio, então?

– Quanto ao prazo de garantia dos órgãos?

– O senhor conseguiu uma oferta do mercado de 150 ciclos, não é? Acho que, como serão produzidos aqui mesmo, em cativeiro, dá para manter o mesmo prazo da concorrência, sem problema algum.

– Em todos?

– Sim, em tudo!

– Acho que assim está melhor. Vamos fazer negócio.

– Excelente. O senhor não vai se arrepender.

– Espero que não.

– Pode ter certeza, amigo! Nós, que já conquistamos reputação neste segmento, fazemos questão de seguir o lema fundamental da profissão: “quaisquer que sejam as necessidades vitais dos clientes, sabemos que é para isso que os nossos humanos estão aí –  para dar, sempre, o que têm de melhor em si”.

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Sobre Fabio Baptista

33 comentários em “Encomenda (Daniel Reis)

  1. Fil Felix
    13 de outubro de 2018

    Bom dia! Um conto bem interessante. É difícil vermos uma narrativa toda por diálogo, geralmente fica cansativa ou se perde (e muitos não conseguem escrever diálogos sem parecerem artificiais, eu mesmo não gosto muito de arriscar). Aqui não aconteceu isso, há uma fluidez no texto e, por se tratar de uma ligação, o foco está na transação e não nas características dos envolvidos, do ambiente, nem nada disso. Ponto pela escolha do estilo. A questão alienígena e o tráfico de órgãos ficou legal, gostei também da inversão de papéis ao final.

  2. Daniel Reis
    12 de outubro de 2018

    Prezado Autor: inicialmente, esclareço que, neste Desafio, dividi a análise em duas etapas – primeira e segunda (ou até terceira e quarta) leitura, com um certo espaçamento. Vamos às impressões:

    PRIMEIRA LEITURA: a princípio, uma história similar a outras deste desafio – incluindo a inversão de expectativa entre quem é o alienígena. Gostei do formato escolhido, de diálogo telefônico, diferente de todas as outras.

    LEITURAS ADICIONAIS: na segunda leitura, me incomodou um pouco a fala final – poderia ser mais curta e direto ao ponto. No mais, mantive a mesma impressão da primeira vez.

    Desejo a você, e a todos os participantes, sucesso no desafio e em seus futuros projetos literários!

  3. Marco Aurélio Saraiva
    10 de outubro de 2018

    Curti o seu texto ! Tirando o final que ficou um pouco “capenga”, o conto inteiro é instigante e te faz querer saber cada vez mais. Isso somado a uma escrita muito fluida e em um estilo muito diferente, com doses certas de humor muito bem colocadas. O conto me fez lembrar, inclusive, este filme que está nos cinemas agora: “Buscando…”

    A trama desenvolvida é muito boa. Foi uma pena que o final não ficou à altura. Percebi que você tentou deixar uma frase de impacto na última sentença do conto, mas ela não foi tão impactante quanto deveria. Meio que dá a entender que tudo era uma inversão: a conversa inteira foi entre dois “ETs” e os “alienígenas” que eles cultivavam em cativeiro eram os humanos. Meio clichê mas até que valeria a pena explorar esse lado não fossem tantas coincidências com o nosso mundo durante todo o conto, o que faz o final parecer um pouco forçado. Ele também soa repentino: tinha tanta coisa a mais para falar! Será que este “mercado paralelo” que ele contratou valeu a pena? Será que ele não foi ludibriado? E o pior: você ainda tinha umas 1600 palavras para explorar diversos caminhos que esta trama que você criou comportaria.

    Resumindo: conto muito bem escrito e inovador, instigante, com o único pecado no fechamento muito rápido e um pouco forçado.

  4. Rafael Penha
    9 de outubro de 2018

    Olá Ann,

    PONTOS POSITIVOS: O tom jocoso de uma ligação para telemarketing é sensacional. O detalhamento e a conversa são extremamente vívidos, verossímeis. O autor parece ter se esforçado para criar mais do que o que o conto mostra. Não percebi erros que me atrapalhassem na escrita.

    PINTOS NEGATIVOS: Creio se tratar mais de algo pessoal, mas não gosto quando extraterrestres são tratados exatamente como humanos, mas apenas com uma “casca diferente”, então, o enredo em si nçao me agradou, apesar de ter sido bem executado. O final tambem não foi surpresa, desde o início já fica na cara que eles caçam e matam humanos, talvez isso precise ser repensado no texto para ficar mais sutil.

    Um conto bem legal, irônico, fluido, mas peca em humanizar demais seres não-humanos.

    Grande abraço!

  5. Priscila Pereira
    8 de outubro de 2018

    Oi Halley, seu conto me lembrou muito o filme Não me abandone jamais. Você já viu? Então, o mais interessante do seu texto é a estória por trás dessa conversa esdrúxula e no final (não sei se todos notaram) deixa claro que os aliens de onde são retirados os órgãos são os humanos… nossa! Muito bom! E tem mais, li as falas do atendente de telemarketing com a voz enjoada deles…kkk
    Parabéns! Muito criativo e original!
    Boa sorte e até mais!

  6. Fabio D'Oliveira
    8 de outubro de 2018

    Acho justo esclarecer como avalio cada texto. Eu tento enxergar a essência do escritor e de sua escrita. Eu tento sentir o que o escritor sentia ao escrever. Eu tento entender a mensagem do conto. Eu tento mergulhar naquela história que o autor quis passar. Apenas ler o que está ali, apreciar o que foi oferecido, procurar entrar na história. Assim como todo bom leitor. Mas mantenho a atenção e meu sentido crítico. Então, já peço desculpas por qualquer coisa que fale que te cause alguma dor. Um texto que criamos é como um filho.

    – O que vi: Diálogos, apenas diálogos. Muito bem escrito, dando certa verossimilhança, principalmente quando se trata do comprador. Não dá pra definir o estilo do autor, tampouco a narrativa, mas fica claro que o autor é muito bom no que faz. Provavelmente, isso se reflete nas outras questões da escrita. Parabéns para ele!

    – O que senti: É um conversa intrigante, mas a grande quantidade de informações soltas pelo vendedor acabou me afogando um pouco. Perdeu, de certa forma, sua naturalidade. E, quando o vendedor assumia a conversa, o conto passava a ser mais artificial, pois o autor aproveitava esse momento para indicar as entrelinhas dos alienígenas. Mas não vejo como poderia ser diferente, levando em consideração a estrutura do texto e sua abordagem. Foi uma leitura agradável, sim, com algumas travadas, mas agradável.

    – O que entendi: Um diálogo entre vendedor e comprador, revelando um pouco sobre o comércio de órgãos da sociedade em que estão inseridos. Bem simples e sem surpresas. O maior atrativo é a forma que o autor escolheu para conduzir a história e isso compensa a falta de originalidade. É criativo, pois conseguiu dar verossimilhança para o o mundo que criou. Poderia ser uma história bem maior, mas o conto está bem redondo e funciona por si mesmo, o que é excelente. É um ótimo trabalho, no geral. Um dos melhores do desafio, até agora!

  7. Dônovan Ferreira Rodrigues
    7 de outubro de 2018

    Olá, autor.
    Muito bom cara… muito bom mesmo.
    Direto, simples e crítico (o que, em geral, é uma das ferramentas históricas da ficção científica).
    Os diálogos estão excelentes, MUITO verídicos. Dá pra acreditar em cada palavras, no modo de falar, nas interjeições. O conto também e universal e atemporal o que o torna mais e mais bonito. Você não tentou encher de firula literária, poesia ou beleza algo que realmente não cabia, Muito legal de verdade. Parabéns.

    Algumas anotações:

    Começo foda, já na ação. Sem enrolação… já deixa curioso.

    “E quanto custaria, assim, sob encomenda, UM ORGANISMO COMPATÍVEL PARA RETIRADA DE ÓRGÃOS?” Talvez fosse legal não FALAR assim com todas as letras. Deixa no ar para o leitor. Talvez fique mais legal se não falar. O leitor, nesse ponto já socou os esquemas.

    “– Daí que eu tenho esta proposta: alguns conhecidos, amigos de amigos meus, mantém um plantel muito bom, exemplares custodiados com registro no governo e todas as vacinas em dia. Mas já que a reprodução em cativeiro foi proibida para prevenir a superpopulação, não dispõe no momento de nenhum espécime totalmente compatível com o seu caso. Porém, existe um jeito deles ajudarem a resolver o seu problema: basta selecionar no criadouro os dois alienígenas mais indicados conforme mapeamento genético do seu biótipo, e os colocarmos em reprodução assistida. Cancelamos o registro oficial da fêmea, como se fosse uma perda eventual, e a isolamos durante toda a quarentena de gestação. Depois, é só providenciar o desaparecimento da matriz, imediatamente após a extração dos gestados. Sem despertar suspeitas”. Aqui eu tenho algumas observações.

    1 – Mas já que a reprodução em cativeiro foi proibida para prevenir a superpopulação; nesse caso talvez a fala fique um pouquinho didática demais, como se explicasse para um leitor. O interlocutor ao telefone já sabe provavelmente já sabe sobre as leis anti-superpopulação, fazendo com a explicação direta do problema faça a coisa soar meio deslocada. Talvez fosse melhor uma coisa mais… “Mas já que a reprodução em cativeiro foi proibida… você, não é? Toda aquela coisa sobre ética e superpopulação”… talvez dê um ar menos formal, despojado, livre e fluido. Mas, isso é só uma opinião e gosto pessoal. Posso estar enganado.

    2 – Ele entrega o jogo assim? E se esse cara for um policial?

    3 – Seres com tecnologia o suficiente para fazer o que estão fazendo… será que não teriam-na o suficiente para baratear os custos extraindo o DNA do indivíduo alienígena e produzindo o órgão com o DNA correto in vitro? Só ma duvidazinha que passou pela minha cabeça, mas nada que atrapalhe o rolê total da obra.

    Acho que é isso…
    Não, pera.

    O final também ficou foda. “dar o que tem de melhor em si”. Nice demais.

    Parabéns.

  8. Amanda Gomez
    6 de outubro de 2018

    Olá,

    Caramba, seu conto é muito bom!

    Tem várias camadas, criativo, causa uma imediata identificação com o leitor, e a história por trás, apesar de apenas ser demonstrada por diálogos se torna rica, instigante… e assustadora. Fui lendo e me sentindo super estranha por está lendo algo totalmente absurdo contada de uma forma tão comum, natural… muito bom mesmo.

    Gostei dos diálogos, do tom profissional da atendente, da forma como geralmente é o cliente. Algo banal como plano de fundo para algo gigante. Que mundo é este que ele está vivendo? que ano será? Como aconteceu esse tipo de avanço? Ficam vários questionamentos , e não tem problema o leitor buscá-las sozinho.

    Parabéns!!

  9. Emanuel Maurin
    5 de outubro de 2018

    Gosto de narrativa com diálogos, no meu ver da mais vida a história. Mercado de órgãos e um comprador reclamando do preço, ficou engraçado, ainda o representante da empresa defendia seu trabalho dizendo que a empresa é socioambiental, toda empresa inescrupulosa faz esse mesmo tipo de publicidade. Muito bom.

  10. Mariana
    4 de outubro de 2018

    Realizei duas leituras para esse conto. A primeira me deu uma sensação de tédio, porém, na segunda, minha cabeça explodiu. Com uma narrativa de diálogos simples, quase seca, o autor trabalha a questão da indiferença na sociedade, corrupção e várias outras camadas. Excelente! Gostei muito das medidas criadas, mostrou preocupação com os detalhes. Parabéns e boa sorte no desafio!

  11. Bruna Francielle
    4 de outubro de 2018

    Um dos melhores contos do certame na minha opinião.
    Foi criativo e entretivo. A leitura não cansou.
    Também conseguiu ser altamente verossímil, foi como ler duas ligações reais.
    Acredito que o acréscimo do sentimento de indecisão e dúvida do cliente foi chave para o efeito de verossimilhança. Acompanhamos com interesse para saber se o cliente vai ou não vai contratar o serviço.
    Outro fator chave foi a forma como os funcionários conversaram com o personagem, sempre o chamando de sr. e falando de forma profissional.
    O enredo é inesperado e nada clichê, executado com precisão.
    Seu conto foi um bom achado aqui. Parabéns

  12. Jorge Santos
    2 de outubro de 2018

    O nome do conto diz tudo. A narrativa descreve o processo de uma encomenda. Esta é a forma mais simplista de rotular este conto. Só falta dizer que é das histórias mais macabras que tenho lido aqui. É uma alegoria à forma insensível como lidamos com outras espécies de animais, tratando-as como mercadorias. Também aqui os alienígenas não são mais do que mercadorias, matéria prima para a indústria farmacêutica. Gostei da ideia.

  13. jggouvea
    1 de outubro de 2018

    Gostei demais deste conto. É um desses casos em que a forma da narrativa influi bastante no conteúdo — e isso é bom. Notei uma certa tocada à la Philip K. Dick que abrilhantou o texto sem lhe tirar o estilo próprio do autor.

    O texto somente se encaixa no desafio porque o autor usou deliberadamente a palavra chave (“alienígenas”), mas eu acredito que essa não foi sua intenção original. Prefiro não especular, mas acho que esses alienígenas vêm de bem mais perto do que achamos.

  14. Fabio Baptista
    29 de setembro de 2018

    – um rim e um fígado novos vão estar em suas mãos. Ou, no caso, implantados em seu organismo
    >>> kkkkkkk

    Gostei bastante do conto. A ótima técnica não tem muita oportunidade de aparecer apenas nos diálogos, mas consegue dar ritmo ao conto e fazer a leitura fluir, prendendo a atenção o tempo todo.

    As tiradas de telemarketing ficaram excelentes, impossível não se identificar com algumas situações e frases prontas. Quando o consultor liga para o cliente oferecendo uma oportunidade “por baixo dos panos” é o ponto alto do conto, pois ali dá aquela curiosidade gostosa de saber qual será a sacanagem (no bom sentido… não, péra…). Lá no começo eu já imaginei que seria uma inversão e os alienígenas fornecedores de órgão os humanos (na mesma pegada do conto Alienação), mas isso de modo algum comprometeu a experiência. Só o momento da revelação, o último diálogo, não me agradou muito, soou algo meio colocado à força para dar a surpresa.

    Muito bom!

    Abraço.

  15. Paula Giannini
    24 de setembro de 2018

    Olá Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto aposta no formato dramático para desenvolver a trama. Gosto disso. Venho do teatro e a semelhança à dramaturgia me agrada muito. Um bom texto com diálogos rende grandes histórias, não é mesmo?

    A interessante distopia criada a partir da premissa é extremamente crível e até já foi tratada em filmes e livros. É interessante notar que o(a) autor(a) focou em um momento chave da premissa propriamente dita, a negociação. O momento entre se encomendar um órgão cultivado em um ser-humano vivo, passando pelo preço, garantia, até o instante de se fechar, efetivamente, o negócio. O modo como os protagonistas tratam o que é negociado é um grande trunfo. Aqui há algo mais do que simplesmente uma atitude fria, o que ocorre é algo trivial, como se uma troca de roupa, como se estivesse a comprar e vender um par de óculos.

    A sensação que fica é de um estranhamento que vai conduzindo o leitor com grande interesse até o final da trama.

    Parabéns por escrever.

    Beijos e boa sorte no desafio.

    Paula Giannini

  16. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Esse texto lida com a inversão de uma maneira bem divertida. Pareceu um daqueles episódios malucos de Futurama. Tem suas ironias, suas criticas embutidas e uma jogada de telemarketing certeira. É bem cotidiano em seu cerne, mas o ar cômico traz novidade à mesmice. O desenvolvimento é um tanto simples demais, mas entendo que isso é “culpa” do uso exclusivo de diálogos. O fim não recompensa muito, pois já dá pra sacar o que está acontecendo desde o início. Poderia encerrar com uma oferta mais absurda, talvez, pois a sutileza da “mercadoria” estava bem implícita.
    T: Como o conto é formado apenas por diálogos, não encontrei nada que me incomodasse. Está bem dividido e flui suavemente.

  17. Miquéias Dell'Orti
    17 de setembro de 2018

    Um conto feito em sua totalidade por diálogos. Ficou muito bom!

    A narrativa é fluida, o background é ótimo (no começo a gente fica instigado em saber qual é a desses alienígenas que servem de repositório de órgãos) e tudo flui em conversas muito verossímeis, pelo tom das conversas entre cliente e atendentes. Muito parecido com uma chamada de telemarketing que fazemos casualmente.

    O final (que teve um plot muito bem feito, ao meu ver) foi uma surpresa bacana e fechou a história com chave de ouro. Realmente não esperava que seriam alienígenas, acho que justamente por conta do comportamento tão “humano” dos personagens.

    Parabéns!

  18. Fheluany Nogueira
    15 de setembro de 2018

    O comércio de órgãos por dinheiro é assunto bastante explorado em filmes e textos. É ilegal e a maneira adequada de combater o tráfico, é um assunto de muito debate. Agora, haver um criadouro de seres diretamente para essa reposição de órgãos, que esses seres sejam alienígenas e que esses aliens sejam terráqueos em outro planeta — muito criativo, original, inteligente. O autor soube adaptar uma questão importante de nossa civilização ao tema do Desafio, com muita verossimilhança. Parabéns!

    A técnica de construção do texto também ficou bem adequada — apenas duas conversas ao telefone — uma dentro da legalidade e outra do tráfico. Só faltou o “aperte 1 para …; 2, para…,”.

    Leitura agradável, fluente, interessante, que vai despertando a curiosidade para ver no que vai dar.

    Trabalho excelente. Abraço.

  19. Higor Benízio
    12 de setembro de 2018

    Muito bom. Não é fácil fazer com que um atendimento maluco desses soe tão natural. A leitura não causa estranheza em nenhum momento, e também não trava. Além de muito criativo o método “alternativo” no conto para a venda destes órgãos, até isso pareceu plausível. Não tenho pontos negativos para apontar, parabéns.

  20. Ricardo Gnecco Falco
    11 de setembro de 2018

    Olá, Leonard Cohen! Tudo bem? Acabei de atender… Digo, de ler o seu conto e gostei bastante! É sempre muito gostoso participar de uma história contada toda ela na forma de diálogos; muito bem elaborados aqui, diga-se de passagem… O enredo vai se mostrando, assim como as características das personagens e praticamente conseguimos “ver” a história se desenrolando na nossa frente, de forma fluída e prazerosa. Confesso que consegui visualizar a ‘surpresa’ do final já ali pelo meio do conto, pois com o desenrolar dos acertos entre as personagens o arremate final ficou telepático… (rs!) São os bônus e os ônus de se utilizar apenas de diálogos para contar a história. Mas, reafirmo, o conto ficou muito legal e gostoso de ser lido! Parabéns pelo trabalho; obrigado por compartilhar a sua história com a gente, e boa sorte no Desafio! Saudações hallelujahistas,
    Paz e Bem!

  21. iolandinhapinheiro
    10 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Olha só: eu detesto textos feitos apenas com diálogos, mas o seu está tão bem escritor, fluído, interessante, bacana demais que eu adorei! Que conto bom, mano! O tipo de comunicação de canal de vendas ficou muito bem feito, e a gente vê as criaturas conversando, imagina até o fone no ouvido do vendedor como se trabalhasse num telemarketing alienígena do mal.

    Apesar de terem uma conversa muito parecida com uma negociação entre humanos, eu matei logo que os humanos seriam o “gado” de onde se extraíam os órgãos. Acho que depois de ler tantos contos na vida, a gente acaba decifrando as surpresas antes que elas aconteçam, mesmo assim, todavia, eu achei legal a sua iniciativa em surpreender.

    Dá um negócio ruim na gente ver que a gente faz a mesma coisa com os nossos animais, né? Usa como comida, aproveita os órgãos para substituição, pele, chifres, um horror. Nos ver na mesma situação é chocante.

    Outra coisa que achei legal foi vc ter criado um “mercado paralelo de órgãos” dentro do ambiente alienígena, para vc ver como a malandragem e a corrupção não são prerrogativas só nossas.

    O que dizer mais? Parabéns pela criatividade e execução do seu texto! Parabéns e sorte.

  22. Evandro Furtado
    9 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – A premissa é espetacular, muito original que torna a história bastante interessante. Soma-se a isso a maravilhosa reviravolta no final;
    – O tipo de escrita é bastante agradável, sendo constituída por diálogos simples que engajam o leitor na leitura, entretendo-o durante toda a duração;
    – A forma como o tema foi inserido, e já destacado anteriormente, é muito original. Além disso, o autor faz uso de alguns elementos científicos (não necessariamente verídicos, mas nesse caso, verossímeis) para contribuir na composição do gênero;

    Balanço Final: Very Good

  23. Anderson Roberto do Rosario
    7 de setembro de 2018

    Um conto que fica em torno de conversas telefonicas. Negociação de orgãos, depois o final nos revela que os alienígenas usados neste bizarro trafico de órgãos são os humanos, embora a suspeita seja semeada durante o transcorrer da conversa com o telefonista da companhia. Eu entendi que o tempo de um ciclo talvez seja um ano, me corrija se estiver errado, rs. Também fiquei curioso. Gostaria de ter mais informações sobre as condições de vida desses alienígenas (humanos) raptados e o planeta para o qual eles foram trazidos. Ou quem sabe a própria terra pode ter sido colonizadas pelos alienígenas parasitas. Enfim, boa sorte no desafio.

  24. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá, Halley. O texto não foi exatamente o que eu esperava. Esperava que você fosse explorar mais a forma como a distribuidora trata os alienígenas, mas tudo bem, pois o conto se ateve apenas à conversa telefônica. Também não me senti muito impactado em saber que os aliens, na verdade são humanos, pois dá pra ver pelo jeito como as pessoas ao telefone falam que eles não são humanos. Minha única curiosidade foi saber quanto vale um ciclo. Boa sorte.

  25. Evelyn Postali
    2 de setembro de 2018

    Gostei demais desse conto só com diálogos. É uma construção diferente e eu gosto de coisas diferentes. Eu creio ser bem difícil escrever utilizando só diálogos e dando à trama verossimilhança. Eles deixaram a história ágil, bastante ritmada. Gostei muito disso.
    Com relação à escrita… Impecável, porque não percebi erros. Se tiver, outros apontarão. Minha leitura foi bastante corrida, no sentido de não para por causa de estruturas frasais difíceis ou mal escritas. Contos com estruturas muito complicadas, no meu entender, não apenas cansam, mas chamam pouco a minha atenção depois dos primeiros parágrafos.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  26. Antonio Stegues Batista
    1 de setembro de 2018

    Eu gostei. Os diálogos ficaram bem naturais e não senti falta de descrições.Confesso que não esperava que o final fosse aquele. Achei que o cosmo era cheio de alienígenas e nós, humanos, eramos os senhores do universo. Só que não, nos tornamos “peças”, como no tempo dos escravos, objetos de compra e venda. Peças para abate, como gado! Ideia macabra! Mas uma boa ideia, um bom conto, simples e direto e com um bom final. Boa sorte.

  27. Claudia Roberta Angst
    31 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto baseia-se em conversas que realmente acontecem no dia a dia. Empresas que fazem de tudo para vender o seu produto, oferecendo as melhores condições de pagamento e facilidades tentadoras. Telemarketing de alienígenas?
    Enfim, a premissa do conto é bem criativa e dinâmica. Boa parte da fluidez da narrativa deve-se ao fato desta se constituir somente de diálogos. Uma boa sacada, mas tem os seus riscos, pois a trama pode ficar um pouco empobrecida por falta de outros recursos de linguagem.
    O importante é que a leitura foi bem agradável e divertida.
    Boa sorte!

  28. Wilson Barros
    31 de agosto de 2018

    O tópico de substituição de órgãos tem origem em vários contos de Asimov, como o Homem Bicentenário, Fundação, etc. A maldade surgiu nas histórias dos clones criados para este fim, no livro “A Rebelião dos Clones”, de Evelyn Lief, que veio a público na superprodução “A Ilha”, com Ewan McGregor e Scarlett Johnson. Aqui os clones foram substituídos por alienígenas, uma ideia criativa. Os diálogos estão bons, interessantes, parecem mesmo aquela lenga-lenga que a gente ouve nas operadoras. A inversão humano-alienígena foi uma constante nesse desafio, por isso a gente já esperava o final, mas tudo bem. A primeira vez que isso foi tentado foi no conto “Youth” de Asimov. Na verdade, o conto ficou bom, ágil, dinâmico.

    Sugestões:

    Chamou-me atenção a frase “Porém, existe um jeito deles ajudarem a resolver o seu problema”. É um erro que eu vivo apontando, no trabalho, para alunos e todos de uma maneira geral. Essa contração não pode ser feita aqui, apesar da opinião de alguns gramáticos revolucionários. Principalmente porque alguém sempre vai achar errado, mesmo que já tenha caído no comum. O certo é “existe um jeito de eles ajudarem”. No mais, poucos erros encontrei, parabéns.

  29. Sarah Nascimento
    30 de agosto de 2018

    Olá! Isso sim que eu chamo de originalidade!
    Sua história ficou maravilhosa! Essa ideia de um atendimento parecendo empresa de cartão de crédito ou coisas assim, ficou muito legal! Parabéns pela criatividade!
    Achei interessante a explicação dos procedimentos para obter os órgãos que o cliente precisava, as vantagens que a empresa oferecia, todas essas informações passadas de um jeito que não ficou cansativo. Gostei principalmente do retorno da ligação, achei que era uma armadilha quando falaram que o número deles não era rastreável. Mas o melhor foi a revelação final de quem eram as criaturas selvagens que seriam capturadas!
    Não tenho o que apontar como ponto negativo, parabéns, seu conto está excelente.

  30. Pedro Paulo
    30 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    A casualidade é o ponto alto deste conto. Contando somente com diálogos, conseguiu imbuir a banalidade da conversa, embora se falasse da captura, do massacre e violação de cadáveres de seres humanos. De fato, outro ponto positivo que deu um mistério prazeroso à leitura foi a omissão dos “alienígenas” em questão até o final, em que se acha graça, mas também se estremece com a confirmação de que toda aquela logística cruel se referia a nossa espécie. Também soube escrever os diálogos não só os deixando naturais, mas também dando a entender a trivialidade da qual se tratava aquela “transação”, da mesma maneira que… bom, eu sei que você sabe: da mesma maneira que gado. Chego a suspeitar… és vegetariana, Halley? Não importa.

    No constante pechinchar que toma o tempo das ligações e na consistência do sistema por detrás da transação, houve um ótimo emprego do humor negro que não apagou o aspecto visceral do conto. Parabéns!

  31. Marques Juliano
    30 de agosto de 2018

    Halley, gostei da forma de seu texto. A história bem criativa. Não tenho pontos negativos, gostei . Muito interessante parabéns.

    • Fabio Baptista
      30 de agosto de 2018

      Prezado participante, favor embasar melhor os seus comentários.

      Obrigado.

  32. Alessandro Diniz
    29 de agosto de 2018

    Oi, Halley! Achei o texto interessante. Mas só isso. Me senti realmente falando com um atendente por telefone. Seu português é muito bom e vc escreve de maneira simples. O texto é claro, limpo, fácil de ler. Não senti nada, não vi nada de novo. acho que vc planejou soar comum, como uma ligação corriqueira para uma empresa qualquer. Não sei.

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Informação

Publicado em 29 de agosto de 2018 por em Alienígenas.