EntreContos

Detox Literário.

Encomenda (Halley Ann Luya)

– Distribuidora Central, boa tarde.

– Boa tarde. Por gentileza, eu gostaria de falar com um consultor.

– Pois não, em que posso ajudar?

– O caso é o seguinte: acabei de fazer minha revisão periódica e o prognóstico não foi exatamente bom.  Creio que vou enfrentar o procedimento de substituição em, no máximo, quinze ou vinte ciclos.

– E qual seria sua necessidade específica, senhor?

– Quase certo que vou precisar, no mínimo, de um rim e um fígado. Mas seria bom também reservar um pulmão e um coração, para a eventualidade…

– Só um minutinho. Vou consultar a disponibilidade desses itens aqui, no nosso sistema.

(…)

– Alô? Pronto, senhor. Já acessei o banco de dados. Qual é a sua biotipia, por favor?

– Sou biótipo 7324, 576 ciclos de idade. Altura 173, massa total 83 e ½.

– Já passou pelo procedimento antes?

– Não, primeira vez.

– Tudo bem, então. Só mais um instante, por gentileza.

(…)

– OK. No momento, senhor, não há nada cadastrado em estoque que seja compatível com o seu biótipo. Mas está prevista a chegada de um novo lote de organismos vivos daqui a, mais ou menos, dois ou três ciclos…

– Esses alienígenas, que estão chegando, são compatíveis com o meu procedimento?

– Veja bem, não temos como garantir com 100% de certeza. Depende muito da disponibilidade de espécimes na área de captura. Claro que podemos encomendar uma varredura específica, mas nunca se sabe o que vai ser possível encontrar…

– E quanto custaria, assim, sob encomenda, um organismo compatível para retirada dos órgãos?

– Pelo valor de tabela, senhor, conforme suas características, considerando manutenção em cativeiro por cinco ou seis ciclos de observação depois das vacinas, e sem incluir os custos do procedimento de abate e remoção, o valor fica em torno de 940 centenas de gramms. Mas, se o senhor tiver pressa para a retirada dos órgãos e preferir a conservação criogênica, há um adicional de 17,5% nesse valor, à vista. Vamos fechar então, senhor?

– Hum… espere um pouco, preciso pensar melhor…

– É uma oportunidade ótima, senhor. Não quer aproveitar a chance agora?

– Me diz uma coisa: qual é o prazo de garantia desses órgãos?

– A Distribuidora Central oferece a todos os seus clientes, senhor, desde que comprovado o uso indicado, boas condições ambientais, prática de atividades físicas moderadas e ingestão periódica da medicação contra rejeição, uma garantia integral de até 120 ciclos para rins e fígado, e de até 100 ciclos nos pulmões e coração.

– Mas eu andei pesquisando por aí e vi que a concorrência oferece entre 150 e 130 ciclos de garantia para esses órgãos. Vocês têm como, pelo menos, igualar essa condição?

– Senhor, nosso preço já é o menor dentre todas as Distribuidoras autorizadas. Temos um grande número de equipes de captura mobilizadas, o mais amplo mapeamento de códigos genéticos alienígenas e somos a única empresa do mercado que mantém um programa de responsabilidade socioambiental permanente, por meio do Projeto Sofrimento Mínimo no Abate, e providenciamos destinação certificada dos resíduos resultantes de nossas operações. Infelizmente, o prazo de garantia dos órgãos depende muito da origem dos alienígenas, e como nós temos uma grande variabilidade, nem sempre é possível garantir a validade. Mas, diga uma coisa, aqui entre nós, qual é o preço que as concorrentes estão oferecendo ao senhor?

– O preço de vocês, sem dúvida, está bem mais em conta do que outros, por aí. Mas seria bom também contar com uma garantia estendida…

– O senhor pode ficar tranquilo. A Distribuidora Central segue rigorosos padrões na captura dos alienígenas, remoção e aproveitamento dos órgãos, e por isso observamos um número quase desprezível de devoluções e trocas…

– Mesmo assim… acho que eu preciso um pouco mais de tempo…

– Se o senhor não se importa, e como esta ligação está sendo gravada, eu gostaria de pedir formalmente o seu contato. Acho que é possível falar com meu supervisor, com mais calma, e daí retorno com uma contraproposta em, no máximo, 0,035 ciclos.

– Não sei, acho que prefiro ligar mais adiante…

– Senhor: não posso garantir essas mesmas condições por muitos ciclos. Vamos aproveitar esse contato e negociar?

– Bom…. Meu código é FJHSLKJDI022234. E o contato, GDUSK0987364I. Aguardo a sua contraproposta, então.

– Obrigado. Nós, da Distribuidora Central, estamos aqui para ajudá-lo e retornaremos assim que possível, tudo bem?

– Sim, tudo bem.

– Mais alguma coisa, senhor?

– Não… quer dizer… não, por enquanto. Não.

– Por favor, permaneça na linha para responder a uma enquete rápida sobre o nosso atendimento. A Distribuidora Central agradece sua ligação. Tenha uma boa tarde e até mais.

(…)

– Alô?

– Alô.

– Falo com FJHSLKJDI022234?

– Sim, sou eu.

– Aqui é o Consultor da Distribuidora Central, está lembrado? Nós conversamos há uns ciclos atrás…

– Estranho, seu número não aparece registrado aqui como sendo da empresa…

– É que eu estou falando de um aparelho não-rastreável. Compreende?

– Hum, acho que sim…

– Pois é… pelo seu tom de voz, no final daquela nossa conversa, senti que o senhor esperava um “algo a mais”, que a nossa companhia não pôde oferecer…

– Espere um minuto. Você tem certeza de que está falando de um aparelho não-rastreável?

– Tenho certeza, fique tranquilo. Como o senhor já deve ter ouvido por aí, existem algumas “ofertas alternativas” que nós, consultores especializados…

– Sim, alguém me falou sobre esse mercado. Mas eu não sabia como entrar nisso. Qual seria a oferta?

– Pelo que eu anotei, em princípio, o senhor apresenta prognóstico de rim e fígado, certo?

– Isso mesmo. Mas já queria garantir também o coração e um pulmão…

– Pois veja. O senhor deve saber que esses alienígenas têm um ciclo de desenvolvimento diferente do nosso, e a disponibilidade dos órgãos deles depende da sorte de encontrarmos, na natureza, o doador certo para o cliente certo…

– E daí?

– Daí que eu tenho esta proposta: alguns conhecidos, amigos de amigos meus, mantém um plantel muito bom, exemplares custodiados com registro no governo e todas as vacinas em dia. Mas já que a reprodução em cativeiro foi proibida para prevenir a superpopulação, não dispõe no momento de nenhum espécime totalmente compatível com o seu caso. Porém, existe um jeito deles ajudarem a resolver o seu problema: basta selecionar no criadouro os dois alienígenas mais indicados conforme mapeamento genético do seu biótipo, e os colocarmos em reprodução assistida. Cancelamos o registro oficial da fêmea, como se fosse uma perda eventual, e a isolamos durante toda a quarentena de gestação. Depois, é só providenciar o desaparecimento da matriz, imediatamente após a extração dos gestados. Sem despertar suspeitas.

– E em quanto tempo isso poderia ser feito?

– Questão de dois, dois ciclos e meio. Se tudo der certo, conforme nossas experiências anteriores, poderemos obter as células-tronco de um dos alienígenas recém-nascidos, e desenvolver tecidos regenerativos de rim e fígado. Isso, em praticamente um terço do tempo estimado para o processo convencional de busca, seleção, captura e extração dos órgãos de um alienígena selvagem. Assim, muito em breve, um rim e um fígado novos vão estar em suas mãos. Ou, no caso, implantados em seu organismo…

– Mas e o coração e pulmão?

– Para esses órgãos, não há como cultivar tecidos regenerativos. Mesmo com a compatibilidade de um dos recém-nascidos, ainda precisaríamos esperar o desenvolvimento dele – algo em torno de 12 a 15 ciclos – antes de proceder a extração definitiva dos órgãos.

– Certo, então. E qual é o preço final disso tudo?

– 200 centenas de grams por rim e fígado; 500 centenas de grams pelos dois, mais coração e pulmão.

– Só isso? Na entrega?

– Não, na encomenda. Em espécie.

– Se for assim, tudo bem. Mas, caso não dê certo, vocês restituem o pagamento?

– Infelizmente, não. O que podemos garantir ao senhor é o fornecimento de outra ninhada de alienígenas em, no máximo, 2,5 ciclos, pelo mesmo valor contratado. E veja só: além de mais barato, leva bem menos tempo do que o senhor teria de esperar por uma só entrega na Distribuidora Central. Vamos fechar negócio, então?

– Quanto ao prazo de garantia dos órgãos?

– O senhor conseguiu uma oferta do mercado de 150 ciclos, não é? Acho que, como serão produzidos aqui mesmo, em cativeiro, dá para manter o mesmo prazo da concorrência, sem problema algum.

– Em todos?

– Sim, em tudo!

– Acho que assim está melhor. Vamos fazer negócio.

– Excelente. O senhor não vai se arrepender.

– Espero que não.

– Pode ter certeza, amigo! Nós, que já conquistamos reputação neste segmento, fazemos questão de seguir o lema fundamental da profissão: “quaisquer que sejam as necessidades vitais dos clientes, sabemos que é para isso que os nossos humanos estão aí –  para dar, sempre, o que têm de melhor em si”.

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Sobre Fabio Baptista

18 comentários em “Encomenda (Halley Ann Luya)

  1. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Esse texto lida com a inversão de uma maneira bem divertida. Pareceu um daqueles episódios malucos de Futurama. Tem suas ironias, suas criticas embutidas e uma jogada de telemarketing certeira. É bem cotidiano em seu cerne, mas o ar cômico traz novidade à mesmice. O desenvolvimento é um tanto simples demais, mas entendo que isso é “culpa” do uso exclusivo de diálogos. O fim não recompensa muito, pois já dá pra sacar o que está acontecendo desde o início. Poderia encerrar com uma oferta mais absurda, talvez, pois a sutileza da “mercadoria” estava bem implícita.
    T: Como o conto é formado apenas por diálogos, não encontrei nada que me incomodasse. Está bem dividido e flui suavemente.

  2. Miquéias Dell'Orti
    17 de setembro de 2018

    Um conto feito em sua totalidade por diálogos. Ficou muito bom!

    A narrativa é fluida, o background é ótimo (no começo a gente fica instigado em saber qual é a desses alienígenas que servem de repositório de órgãos) e tudo flui em conversas muito verossímeis, pelo tom das conversas entre cliente e atendentes. Muito parecido com uma chamada de telemarketing que fazemos casualmente.

    O final (que teve um plot muito bem feito, ao meu ver) foi uma surpresa bacana e fechou a história com chave de ouro. Realmente não esperava que seriam alienígenas, acho que justamente por conta do comportamento tão “humano” dos personagens.

    Parabéns!

  3. Fheluany Nogueira
    15 de setembro de 2018

    O comércio de órgãos por dinheiro é assunto bastante explorado em filmes e textos. É ilegal e a maneira adequada de combater o tráfico, é um assunto de muito debate. Agora, haver um criadouro de seres diretamente para essa reposição de órgãos, que esses seres sejam alienígenas e que esses aliens sejam terráqueos em outro planeta — muito criativo, original, inteligente. O autor soube adaptar uma questão importante de nossa civilização ao tema do Desafio, com muita verossimilhança. Parabéns!

    A técnica de construção do texto também ficou bem adequada — apenas duas conversas ao telefone — uma dentro da legalidade e outra do tráfico. Só faltou o “aperte 1 para …; 2, para…,”.

    Leitura agradável, fluente, interessante, que vai despertando a curiosidade para ver no que vai dar.

    Trabalho excelente. Abraço.

  4. Higor Benízio
    12 de setembro de 2018

    Muito bom. Não é fácil fazer com que um atendimento maluco desses soe tão natural. A leitura não causa estranheza em nenhum momento, e também não trava. Além de muito criativo o método “alternativo” no conto para a venda destes órgãos, até isso pareceu plausível. Não tenho pontos negativos para apontar, parabéns.

  5. Ricardo Gnecco Falco
    11 de setembro de 2018

    Olá, Leonard Cohen! Tudo bem? Acabei de atender… Digo, de ler o seu conto e gostei bastante! É sempre muito gostoso participar de uma história contada toda ela na forma de diálogos; muito bem elaborados aqui, diga-se de passagem… O enredo vai se mostrando, assim como as características das personagens e praticamente conseguimos “ver” a história se desenrolando na nossa frente, de forma fluída e prazerosa. Confesso que consegui visualizar a ‘surpresa’ do final já ali pelo meio do conto, pois com o desenrolar dos acertos entre as personagens o arremate final ficou telepático… (rs!) São os bônus e os ônus de se utilizar apenas de diálogos para contar a história. Mas, reafirmo, o conto ficou muito legal e gostoso de ser lido! Parabéns pelo trabalho; obrigado por compartilhar a sua história com a gente, e boa sorte no Desafio! Saudações hallelujahistas,
    Paz e Bem!

  6. iolandinhapinheiro
    10 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Olha só: eu detesto textos feitos apenas com diálogos, mas o seu está tão bem escritor, fluído, interessante, bacana demais que eu adorei! Que conto bom, mano! O tipo de comunicação de canal de vendas ficou muito bem feito, e a gente vê as criaturas conversando, imagina até o fone no ouvido do vendedor como se trabalhasse num telemarketing alienígena do mal.

    Apesar de terem uma conversa muito parecida com uma negociação entre humanos, eu matei logo que os humanos seriam o “gado” de onde se extraíam os órgãos. Acho que depois de ler tantos contos na vida, a gente acaba decifrando as surpresas antes que elas aconteçam, mesmo assim, todavia, eu achei legal a sua iniciativa em surpreender.

    Dá um negócio ruim na gente ver que a gente faz a mesma coisa com os nossos animais, né? Usa como comida, aproveita os órgãos para substituição, pele, chifres, um horror. Nos ver na mesma situação é chocante.

    Outra coisa que achei legal foi vc ter criado um “mercado paralelo de órgãos” dentro do ambiente alienígena, para vc ver como a malandragem e a corrupção não são prerrogativas só nossas.

    O que dizer mais? Parabéns pela criatividade e execução do seu texto! Parabéns e sorte.

  7. Evandro Furtado
    9 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – A premissa é espetacular, muito original que torna a história bastante interessante. Soma-se a isso a maravilhosa reviravolta no final;
    – O tipo de escrita é bastante agradável, sendo constituída por diálogos simples que engajam o leitor na leitura, entretendo-o durante toda a duração;
    – A forma como o tema foi inserido, e já destacado anteriormente, é muito original. Além disso, o autor faz uso de alguns elementos científicos (não necessariamente verídicos, mas nesse caso, verossímeis) para contribuir na composição do gênero;

    Balanço Final: Very Good

  8. Anderson Roberto do Rosario
    7 de setembro de 2018

    Um conto que fica em torno de conversas telefonicas. Negociação de orgãos, depois o final nos revela que os alienígenas usados neste bizarro trafico de órgãos são os humanos, embora a suspeita seja semeada durante o transcorrer da conversa com o telefonista da companhia. Eu entendi que o tempo de um ciclo talvez seja um ano, me corrija se estiver errado, rs. Também fiquei curioso. Gostaria de ter mais informações sobre as condições de vida desses alienígenas (humanos) raptados e o planeta para o qual eles foram trazidos. Ou quem sabe a própria terra pode ter sido colonizadas pelos alienígenas parasitas. Enfim, boa sorte no desafio.

  9. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá, Halley. O texto não foi exatamente o que eu esperava. Esperava que você fosse explorar mais a forma como a distribuidora trata os alienígenas, mas tudo bem, pois o conto se ateve apenas à conversa telefônica. Também não me senti muito impactado em saber que os aliens, na verdade são humanos, pois dá pra ver pelo jeito como as pessoas ao telefone falam que eles não são humanos. Minha única curiosidade foi saber quanto vale um ciclo. Boa sorte.

  10. Evelyn Postali
    2 de setembro de 2018

    Gostei demais desse conto só com diálogos. É uma construção diferente e eu gosto de coisas diferentes. Eu creio ser bem difícil escrever utilizando só diálogos e dando à trama verossimilhança. Eles deixaram a história ágil, bastante ritmada. Gostei muito disso.
    Com relação à escrita… Impecável, porque não percebi erros. Se tiver, outros apontarão. Minha leitura foi bastante corrida, no sentido de não para por causa de estruturas frasais difíceis ou mal escritas. Contos com estruturas muito complicadas, no meu entender, não apenas cansam, mas chamam pouco a minha atenção depois dos primeiros parágrafos.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  11. Antonio Stegues Batista
    1 de setembro de 2018

    Eu gostei. Os diálogos ficaram bem naturais e não senti falta de descrições.Confesso que não esperava que o final fosse aquele. Achei que o cosmo era cheio de alienígenas e nós, humanos, eramos os senhores do universo. Só que não, nos tornamos “peças”, como no tempo dos escravos, objetos de compra e venda. Peças para abate, como gado! Ideia macabra! Mas uma boa ideia, um bom conto, simples e direto e com um bom final. Boa sorte.

  12. Claudia Roberta Angst
    31 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto baseia-se em conversas que realmente acontecem no dia a dia. Empresas que fazem de tudo para vender o seu produto, oferecendo as melhores condições de pagamento e facilidades tentadoras. Telemarketing de alienígenas?
    Enfim, a premissa do conto é bem criativa e dinâmica. Boa parte da fluidez da narrativa deve-se ao fato desta se constituir somente de diálogos. Uma boa sacada, mas tem os seus riscos, pois a trama pode ficar um pouco empobrecida por falta de outros recursos de linguagem.
    O importante é que a leitura foi bem agradável e divertida.
    Boa sorte!

  13. Wilson Barros
    31 de agosto de 2018

    O tópico de substituição de órgãos tem origem em vários contos de Asimov, como o Homem Bicentenário, Fundação, etc. A maldade surgiu nas histórias dos clones criados para este fim, no livro “A Rebelião dos Clones”, de Evelyn Lief, que veio a público na superprodução “A Ilha”, com Ewan McGregor e Scarlett Johnson. Aqui os clones foram substituídos por alienígenas, uma ideia criativa. Os diálogos estão bons, interessantes, parecem mesmo aquela lenga-lenga que a gente ouve nas operadoras. A inversão humano-alienígena foi uma constante nesse desafio, por isso a gente já esperava o final, mas tudo bem. A primeira vez que isso foi tentado foi no conto “Youth” de Asimov. Na verdade, o conto ficou bom, ágil, dinâmico.

    Sugestões:

    Chamou-me atenção a frase “Porém, existe um jeito deles ajudarem a resolver o seu problema”. É um erro que eu vivo apontando, no trabalho, para alunos e todos de uma maneira geral. Essa contração não pode ser feita aqui, apesar da opinião de alguns gramáticos revolucionários. Principalmente porque alguém sempre vai achar errado, mesmo que já tenha caído no comum. O certo é “existe um jeito de eles ajudarem”. No mais, poucos erros encontrei, parabéns.

  14. Sarah Nascimento
    30 de agosto de 2018

    Olá! Isso sim que eu chamo de originalidade!
    Sua história ficou maravilhosa! Essa ideia de um atendimento parecendo empresa de cartão de crédito ou coisas assim, ficou muito legal! Parabéns pela criatividade!
    Achei interessante a explicação dos procedimentos para obter os órgãos que o cliente precisava, as vantagens que a empresa oferecia, todas essas informações passadas de um jeito que não ficou cansativo. Gostei principalmente do retorno da ligação, achei que era uma armadilha quando falaram que o número deles não era rastreável. Mas o melhor foi a revelação final de quem eram as criaturas selvagens que seriam capturadas!
    Não tenho o que apontar como ponto negativo, parabéns, seu conto está excelente.

  15. Pedro Paulo
    30 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    A casualidade é o ponto alto deste conto. Contando somente com diálogos, conseguiu imbuir a banalidade da conversa, embora se falasse da captura, do massacre e violação de cadáveres de seres humanos. De fato, outro ponto positivo que deu um mistério prazeroso à leitura foi a omissão dos “alienígenas” em questão até o final, em que se acha graça, mas também se estremece com a confirmação de que toda aquela logística cruel se referia a nossa espécie. Também soube escrever os diálogos não só os deixando naturais, mas também dando a entender a trivialidade da qual se tratava aquela “transação”, da mesma maneira que… bom, eu sei que você sabe: da mesma maneira que gado. Chego a suspeitar… és vegetariana, Halley? Não importa.

    No constante pechinchar que toma o tempo das ligações e na consistência do sistema por detrás da transação, houve um ótimo emprego do humor negro que não apagou o aspecto visceral do conto. Parabéns!

  16. Marques Juliano
    30 de agosto de 2018

    Halley, gostei da forma de seu texto. A história bem criativa. Não tenho pontos negativos, gostei . Muito interessante parabéns.

    • Fabio Baptista
      30 de agosto de 2018

      Prezado participante, favor embasar melhor os seus comentários.

      Obrigado.

  17. Alessandro Diniz
    29 de agosto de 2018

    Oi, Halley! Achei o texto interessante. Mas só isso. Me senti realmente falando com um atendente por telefone. Seu português é muito bom e vc escreve de maneira simples. O texto é claro, limpo, fácil de ler. Não senti nada, não vi nada de novo. acho que vc planejou soar comum, como uma ligação corriqueira para uma empresa qualquer. Não sei.

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Informação

Publicado em 29 de agosto de 2018 por em Alienígenas.