EntreContos

Detox Literário.

Entrelinhas (Jack)

Um passo largo e outro meio, um longo e outro curto,  pular o meio-fio desviando da calçada de pedras inexatas, pretas, brancas, buracos preenchidos, outros nus. Asfalto liso, alívio antes da faixa de pedestre. Vou pelo meio da rua, sempre na contramão, de olho em quem vem e quem vai. Porta de vidro abre e fecha guilhotina automática corta, separa, dá e toma. Recuar e recalcular. Abre, ar condicionado; fecha, fica o bafo. Saltar o tapete, não errar o bote, frear na linha de partida, sabe ter a alma partida em pedaços. Meio fio de água na torneira. Trocar carrapeta. Piso de ladrilho hidráulico de temerosos losangos infinitos. Estanca com o desespero da morte eminente sob seus pés, seus réis, reais e imaginários fantasmas cotidianos.

Onde está a recepcionista Maria e meu tapete vermelho? Olha para trás e pensa em fugir, voltar para casa imediatamente ao conforto de seu carpete branco imaculado. A guilhotina, uma vez vencida, ameaça abrindo e fechando. Não há volta. Onde está Maria, pelo amor de Deus? Grita por seu cordão umbilical a ser estendido para que chegasse ao elevador em segurança. O que seria de mim sem você, Maria? Muito obrigado, Maria, você é uma boa alma. Devo comprar uma lembrancinha para Maria? Esquece imediatamente ao ver o elevador chegar e abrir a porta. Não entra. Chega de novo. Não entra. Uma moça embarca, ele inspira o pânico e se joga no fundo da caixa metálica com guilhotinas de aço. Ele pede para apertar o nono andar. Ela o faz com um sorriso simpático. Belos dedos, unhas longas, cabelos longos. Gosta de mulheres longas por ele ser curto e grosso. Diferenças boas e ruins. Pena ela tocar naqueles botões imundos, quanta meleca, perdigotos, vírus, bactérias, linhas de montagens imensas de fungos, ácaros se multiplicando para nos devorar. Pobre moça imunda contaminada. Pena. Teria filhos com ela se não fosse tão descuidada. Antes ela do que eu. Quase lá, quase lá. Sorte no piso liso hospitalar do corredor sem curvas, sem sustos de esquinas à sombra.

Na sala de espera se mantém de pé, embora tenham dois lugares disponíveis no banco de ripas de madeiras perigosamente paralelas. O que este casal está fazendo no meu sofá? Não sabem que ele está reservado para vítimas especialmente superiores?  Sempre desprezou o egoísmo sem justificativa. A culpa é dessa atendente esculturalmente provocadora, com seu sorriso de hiena, vestida num tubinho de toalha de mesa de cantina. Tem mulher que nasce bela para ser escrota com os homens. Não existe nada mais humilhante do que o ódio, uma declaração explícita de fraqueza. Não dirigiria a palavra àqueles olhos de pinguim. Hiena pinguim enrolada em toalha de mesa. Coloca o cartão no balcão olhando para os próprios sapatos. Odeia também cadarços. Precisava gritar o meu nome? Agora todos sabem quem é aquele babaca, que não usa cadarços, que odeia a atendente gostosa, que provavelmente sofre da coluna ou de hemorroidas porque tem cara de cu e não senta. Tenho certeza que vão me seguir até em casa e sofrerei um sequestro relâmpago. Entra com um profundo suspiro na sala inodora de paredes nuas. Agora sim. O doutor o recebe com uma gentil mesura. Ele me conhece, sabe que eu não gosto de toques protocolares. Todos não poderiam ser assim? Mas não, sempre tem um abusado complicando o rumo natural do Universo, dando tapinha no ombro, estendendo a mão ou  enchendo o mundo de paralelas e encruzilhadas infinitas. Ele sabe de tudo, de todos, ele usa a internet. Deve estar agora mesmo publicando minha vida toda nas redes sociais, sobre os remédios que tomo para não encher a cara e os da ressaca, os que tomo para dormir e para acordar e, principalmente os que tomo para não me matar e não matar a filha-da-puta da atendente dele.

Rumo ao divã, dia claro. Contaria, em detalhes, todas suas diversas superações encaradas naquela assustadora manhã. Calçada, asfalto, meio-fio, pedras portuguesas malditas, porta, guilhotina, tapete, caixão de aço, corredor, sala, banco de cela, presídio, atendente que precisa ser demitida sumariamente. Mas sobrevivera, estava ali, evoluído, encarando os fantasmas terrenos. Superando adversidades e tomando as rédeas paralelas de sua própria vida. Eu tenho o controle. Eu posso. Eu sou o cara. Coquetel de remédios muito bom, doutor. Tem que manter isso, viu?

Jogou-se no divã com a confiança de trezentos helenos. Deitou de lado e da nova capa do leito surgiram linhas que perfuraram sua carne como espadas afiadas. As listras se moviam feito serpentes, amarravam seus pés e subiam pelas pernas.

Para que tantas linhas? De ônibus,  de passe, de coser, de amarrar e, principalmente de dividir coisas que se multiplicam acima, abaixo, nos lados e vão pressionando até que a forca aperte o laço nas veias, dando nós nos fios elétricos do cabelo. A morte é uma linha de sutura na pele calejada. Não tocar a linha de transmissão. Acelera o passo, rápido. Não pega a linha circular, a vermelha e nem a amarela; fique no cinzento da linha do horizonte perdido. Linha tênue entre o estar cá e acolá não mais, jamais. Cuidado ao pisar. Queria escrever, mas como palavras formam linhas que se seguem, e quanto mais se escreve mais elas crescem e geram dúvidas, calúnias e mais medo; logo a pena seca. Olha a linha do trem, sem fim, amarrando esperanças em vagões sucateados cheirando a marmitas sonolentas. Sacolejo, sacolé, bala de tamarindo, soft, perdida e encontrada. Bala que na mesma noite que dá onda, que dá marola, também tira a linha da palma da mão. Muito cuidado com a linha coletiva da consciência, à noite pesadas correntes de âncora, ao meio-dia fio de seda entre os dentes. Mas todos pendurados na mesma forca da estatística linear.  Perdas cartesianas. Gráficos em ângulos obtusos contabilizam jazigos, ora rasos, ora floridos, alguns esquecidos, outros eternos, mas todos, absolutamente todos, presentes e paralelos.

O desespero encontrou uma estátua da deusa Kali e foi rasgando o inimigo a golpes de deusa. O ar encheu o consultório de plumas e penas. A serpente se remexia com o impacto. Morra! Morra, monstro! Uma picada da serpente no pescoço. Traíra! Murmurou olhando para o médico com a seringa em riste.

Despencou sobre o tabuleiro de xadrez.

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24 comentários em “Entrelinhas (Jack)

  1. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiii. Muito criativo e inteligente o texto ter sido sublinhado, isso dá a ideia de que o texto todo está entre linhas. Foi interessante como a narrativa entra na mente do personagem, acompanhar ele e ver como as coisas simples do dia dia eram um tipo de ameaça, um desafio para ele . Parabéns. Abraços.

  2. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Olha, não foi fácil! Acho que li e depois reli umas duas vezes, isso desde que o conto foi postado. Não sei se isso aconteceu por causa do sublinhado, quem sabe?
    Pior do que ler um texto inteiro em caixa alta! XD E no fim, gostei muito da narrativa. Tudo a ver o pseudônimo, com certeza teve inspiração no filme com o Jack Nicholson. Sim, é experimental e bem escrito dentro dessa proposta de abordar o TOC. Vivemos realmente entre linhas. Gostei bastante, mesmo. Parabéns!

  3. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Jack!

    Há um mérito muito grande em pegar a simples (para quem está lendo, não para quem está indo) ida de uma pessoa ao psiquiatra e transformar tudo em um conto bem escrito e divertido. Sim, divertido, pois embora seja possível pegar antipatia pelo personagem, também é igualmente possível se reconhecer em algumas manias do pobre maluco e acabar sendo levado pelo fluxo da leitura sem perceber direito para onde estamos indo. E, de repente, acaba; tamanho ideal para tal proposta.
    O que mais gostei no conto é que ele funciona mesmo sem os sublinhados. Entendo que eles estejam ali acrescentando um detalhe extra. Mas, de verdade, são até desnecessários. O texto já seria o suficiente, pois carrega sua dose de experimentalismo no conteúdo.
    Não tenho o que reclamar. É bem escrito, interessante e dentro do tema!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  4. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Tentei ler nas entrelinhas deste texto, Jack, mas o sublinhado no texto cansou. Gostei da línguagem directa e ritmada, profundamente alegórico. O texto parece um trava-linguas, texto que se destina a ser lido rapidamente como desafio para que o leitor fique baralhado. Eu fiquei algo perdido com algumas das imagens e o sublinhado fez com que desistisse de um texto que parecia ter muito para oferecer. Mesmo assim, foi dos melhores textos do desafio. Parabéns.

  5. Priscila Pereira
    21 de abril de 2018

    Olá Jack,
    Que texto fantástico! Eu amei!
    O universo das loucuras me agrada muito, e seu texto mergulha de cabeça mesmo na loucura do protagonista! Tudo muito bem descrito, visual, agoniante. O texto todo sublinhado foi uma tortura pra mim, minha vista embaralhava toda hora… Kkk acho que sua intenção foi essa né, dar um vislumbre para o leitor do desconto do personagem.
    Parabéns e boa sorte!!

  6. angst447
    20 de abril de 2018

    Olá, autor, tudo bem? Espero que esteja bem, tratando do seu TOC com calma.
    Você me fez lembrar do meu conto (desafio Cinema, acho) Em Três Tocs, que escrevi inspirada no filme Melhor Impossível, com Jack Nicholson e Helen Hunt.
    As linhas paralelas, o texto sublinhado, tudo enfatiza a angústia e o desespero do personagem.
    As palavras não surgem por acaso, sem cuidado. Percebe-se que foram escolhidas uma a uma para formar o quadro que possa transmitir a experiência do transtorno psíquico.
    Experimento aprovado.
    Boa sorte!

  7. Higor Benízio
    19 de abril de 2018

    Uns dos mais legais que li até o momento. Charmoso, cheio de frases atraentes e bem elaboradas, boas construções de cenas e figuras. Um texto de “verdade”, eu diria. Até gostei do “entrelinhas”, e de ter sublinhado o texto, mas nem seria preciso, não fez muita diferença visto que o forte é a narrativa.

  8. Paula Giannini
    19 de abril de 2018

    Olá Autor(a),

    Tudo bem?

    TOC. Por incrível que possa parecer, o transtorno é um paralisante de almas e vidas muito mais frequente do que imaginamos. Conheço pessoas que precisam realizar os tais rituais inerentes da doença. Elas estão ao nosso lado e, muitas vezes, nem percebemos. Conheço gente que desmaia no elevador, no metrô, que não pode ser tocada, ou, que não pode ser tocada só de um lado… Pessoas que desligam a chave geral da casa centenas de vezes, que não bebe em copos que outros possam ter tocado, e por aí vai. São muitas. Convivi por meses com uma menina em uma sala de roteiristas, nunca imaginei aquilo por que ela estava passando, a não ser quando me contou, após o término do grupo. TOC, assim como Síndrome do Pânico e outras variantes causam muito dor ao portador e aos que convivem com eles.

    Sobre o conto em si, já de cara, deparamo-nos com a estética “entrelinhas”, com os parágrafos escritos com frases sublinhadas, o que, certamente, desencadearia o transtorno naqueles que possuem ojeriza a linhas paralelas, por exemplo. Ao nos deparar-nos com este tipo de preocupação estética por parte de quem apresenta o texto, temos a certeza de um trabalho cuidadoso, pensado e estruturado de modo a fazer da criação algo coerente do título ao ponto final.

    O pseudônimo, inspirado no ator que faz um famoso filme sobre o transtorno (ele, ator, aliás, também portador do deste mal que assola tanta gente em nosso século), talvez funcione aqui como um lembrete para o leitor, uma sinalização do assunto que virá abordado a seguir.

    O conto, além da boa premissa, traz uma trama ágil, que faz com que o leitor não se perca em devaneios durante a leitura, mantendo interesse e curiosidade durante todo o desenrolar do enredo, acompanhando a agonia do paciente que é, ao final, levada ao extremo.

    Parabéns pelo trabalho.

    Sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  9. iolandinhapinheiro
    19 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Durante todo o tempo em que li seu conto me lembrei de um filme estrelado pelo Jack Nicholson chamado Melhor Impossível. Se fosse possível seguir o fluxo de pensamentos do personagem naquele filme, certamente que o roteiro ia ser muito parecido com o formato que vc adotou.

    O transtorno Obsessivo Compulsivo dá azo a excelentes obras, pelo seu caráter peculiar e muitas vezes engraçado do comportamento de seus portadores. Particularmente eu acho bem triste esta condição.

    Gostei das construções que vc criou para traduzir o estado do personagem.

    Sem dúvida alguma um conto experimental.

    Parabéns e muito boa sorte.

  10. Mariana
    16 de abril de 2018

    Uma torrente de pequenos pensamentos, aqueles mesquinhos, vergonhosos e que guardamos no fundo da nossa cabeça, para que mais ninguém saiba o quão falho somos.O final, com o tabuleiro de xadrez, seria uma referência ao Sétimo selo? Gostei muito, mesmo. É um texto que merece releitura, por sua grandeza complexidade banhada de insana pequenez. Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. Cirineu Pereira
    15 de abril de 2018

    Muuuuuito bom! De tirar o fôlego. Dos que li até aqui, o mais adequado ao quesito “experimental”. Quase tudo já foi dito e eu concordo com o parecer da maioria dos leitores. Gostei particularmente verborragia que resulta em alternância narrativa entre o personagem e o narrador onisciente. Novamente, muito bom e provavelmente só poderia ser batido por uma revisão do próprio conto que, não obstante tantas qualidades, pare-me ter sido concebido num rompante fluxo de consciência sem direito a uma revisão mais profunda e demorada que resultaria, por exemplo e talvez na exclusão dos parágrafos? Enfim, Parabéns!

  12. Evelyn Postali
    15 de abril de 2018

    Eu li e reli para ver se concatenava algumas ideias. Cheguei a pensar que terminaria como o personagem – sendo nocauteada por uma injeção de sedativo. É uma viagem. Pura viagem. Não sei se é isso, mas me pareceu estar na cabeça de alguém com muitas perturbações. Claro, experimental, do começo ao fim. Muito rápido por conta das frases curtas. E sutil, pelo sublinhado.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    10 de abril de 2018

    Fodástico! Narrativa veloz e envolvente, as frases mais curtas geram a ansiedade necessária para traduzir a condição do personagem. A técnica é excelente, não percebi nenhum erro, até porque estava encaixotado na estória e nas “sublinhas”. Ótima técnica, ótima criatividade, alto impacto. Boa sorte no desafio.

  14. José Américo de Moura
    9 de abril de 2018

    Uma narrativa muito louca de um louco varrido que procura o divã de um psicanalista. A doença do século o stress, a depressão que se não for cuidada leva a loucura a depressão. Muito bem conduzida por um grande escritor que sabe prender a atenção do leitor.

    Boa sorte.

  15. Regina Ruth Rincon Caires
    8 de abril de 2018

    Que narrativa alucinante, rica, bem escrita pra caramba, arrasadora!

    Começar um domingo com um presente deste, meu Deus!

    Adoro narrativas que contam distúrbios, transtornos, que falam de quadros tão comuns entre nós. Cara, com muita coisa que li no seu texto, tive a impressão de que o meu pensamento estava sendo registrado. Fobias, sensações de desconforto, ideias que chegam aos borbotões, sem nexo (para os outros), vontades, desejos. O autor é mestre da escrita.

    A “análise poética” tecida com a simples palavra “LINHA”, arrematando a narrativa, é das melhores coisas que já li nestes desafios. Coisa de gente grande!
    Abaixo, para grifar (o que já aparece grifado no texto), algumas pérolas do que li. Afora o epílogo… Genial!

    “…frear na linha de partida,…”

    “Meio fio de água na torneira. Trocar carrapeta.”

    “Estanca com o desespero da morte eminente sob seus pés, seus réis, reais e imaginários fantasmas cotidianos.”

    “Grita por seu cordão umbilical a ser estendido para que chegasse ao elevador em segurança.”

    “Sorte no piso liso hospitalar do corredor sem curvas, sem sustos de esquinas à sombra.”

    “Não existe nada mais humilhante do que o ódio, uma declaração explícita de fraqueza.”

    “Ele me conhece, sabe que eu não gosto de toques protocolares. Todos não poderiam ser assim?”

    “ Eu tenho o controle. Eu posso. Eu sou o cara. Coquetel de remédios muito bom, doutor. Tem que manter isso, viu?” (Putz!)

    “Jogou-se no divã com a confiança de trezentos helenos. Deitou de lado e da nova capa do leito surgiram linhas que perfuraram sua carne como espadas afiadas. As listras se moviam feito serpentes, amarravam seus pés e subiam pelas pernas.”

    “Muito cuidado com a linha coletiva da consciência, à noite pesadas correntes de âncora, ao meio-dia fio de seda entre os dentes.”

    Parabéns, Jack! Que lindeza de trabalho!

    Quando crescer, eu quero escrever como você!!!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  16. Rose Hahn
    8 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:
    . Escrita: Tresloucada;
    . Enredo: Bicicleta descendo morro abaixo sem graxa nas correias;
    . Adequação ao tema: Totalmente lelé das ideias, vai pro Top10;
    . Emoção: Engasguei com a bala Soft.
    . Criatividade: Claustrofóbica.

    . Nota: Essa mesma que vc. imagina, convencido!

  17. Antonio Stegues Batista
    7 de abril de 2018

    A leitura foi alucinante, como um trem sem freios! A linha foi como que o chão, os trilhos onde corre, dando a sensação de que iria descarrilhar a qualquer momento. As palavras que formam a frase, mesmo parecendo sem lógica, fazem conexão com os sentimentos do personagem. Assim nos é mostrado a loucura dele. Muito bom.

  18. Ricardo Gnecco Falco
    7 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = Muito bom o seu trabalho! Confesso que fui meio que enlouquecendo junto com a leitura. Os sublinhados ultrapassaram sua função de ‘efeito’ (forma) no texto e foram me fazendo sentir como que enclausurado no meio delas; enclausurado entre as linhas. Entrelinhas no Entrecontos… (rs!) Me fez lembrar de um filme bem engraçado, com o Jack Nocholson, chamado “Melhor é impossível” (As Good as It Gets, de 1997, do diretor James L. Brooks). Se não assistiu, vale a pena. #ficadica!

    PONTOS NEGATIVOS = Sabe que eu não encontrei nenhum…? Ia dizer que faltou um “experimentalismo” um pouco mais visível, mas seu trabalho faz O LEITOR experimentar. E experimentar nada menos, nada mais, do que a própria loucura de seu personagem. Loucura isso, não? (rs!) Rolou até elogio no campo destinado aos pontos negativos…

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Ri. Ri muito em algumas partes (como em: “Agora todos sabem quem é aquele babaca, que não usa cadarços, que odeia a atendente gostosa, que provavelmente sofre da coluna ou de hemorroidas porque tem cara de cu e não senta.”). Muito bom! Uma escrita ágil, dominadora e, ao mesmo tempo, forçosamente claustrofóbica; quase gerando sussurros na mente de quem vai lendo. E tal efeito aqui é conseguido devido ao ótimo domínio de pena que você demonstrou neste trabalho. Tem que ser fera para conseguir isso. E, além de fera, você não apenas criou (descreveu) muito bem uma fera mental como também quase a libertou, jogando-a na mente do leitor; invadindo seus pensamentos. As várias quebras narrativas de pessoa, muito bem pinceladas pelo texto, resultaram em um trabalho primoroso. Parabéns pelo seu dom! Ou loucura…

    SUGESTÕES PERTINENTES = Sei lá… Tomar um lexotan, praticar ioga, virar vegano… Mas, seja o que for, continue escrevendo, Napoleão!

    Boa sorte no tratamen… digo, Desafio! Parabéns!

  19. Fheluany Nogueira
    6 de abril de 2018

    Entrelinhas é, em sentido literal, o espaço entre duas linhas ou o que se escreve nesse espaço; em sentido figurado é aquilo que está implícito ou subentendido. No conto pareceu-me ter os dois significados: as linhas traçadas e um desabafo de uma pessoa, que de início tive a impressão que sofria de TOC, depois percebi que era um jogo de palavras (gostei do jogo com os vários sentidos da palavra “linha”) e metáforas para o seu desajustamento. Um conteúdo bastante pessimista, um texto bem escrito e estruturado.
    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio. Abraço.

  20. Paulo Luís Ferreira
    6 de abril de 2018

    Eu já tive a oportunidade de conviver com a loucura, um ex-cunhado, na década de 1990. (Quando fui ameaçado de agressão com uma faca e no outro dia ser acordado com um afetuoso abraço de desculpas. De vê-lo arrancar a TV da tomada e atirá-la do 3º andar, sem antes, deixar de avisar para os de baixo, para sair de sua direção. E avisar que a estava jogando fora porque a TV havia ficado muda e não estava mais mostrando as feições; ou de acordar a todos na madrugada, desesperado, pois o Brasil estava sendo invadido por manadas de elefantes e rinocerontes africanos, estes vindos pelo mar, pelo céu, os selenitas em fuscas iluminados estavam invadindo o planeta mágico). Estes são os verdadeiros maluco beleza! Tão desesperado e tão ciente de suas clausuras existenciais. Os borbotões de não sentidos numa permanência constante do juízo que roda, que gira em torno do tudo e do nada. E tantas imagens dilaceradas. Ora numa linha reta, ora em redemoinhos. A visão clara das absurdas e contidas opressões. O devaneio das imagens e a plena realidade das coisas. O senso crítico mais do que aguçado, grita os horrores do real. Uma frase me chamou a atenção de tanta clarividência: são parentes, ou é o próprio? Pelo menos na fala são idênticos (Tem que manter isso, viu?) ks, ks, ks… Que os loucos me perdoem pela idiota comparação. Belíssimo trabalho.

  21. werneck2017
    6 de abril de 2018

    Olá,

    O texto é um fluxo de consciência que enreda o leitor nos meandros de pensamentos de um protagonista perturbado. Imagens fortes , tormentos também. Belas metáforas. Nosso mundo é um imenso tabuleiro de xadrez onde somos peças de engrenagens sofrendo com nossos defeitos, ou doenças. Muito bom. Boa sorte no desafio

  22. Angelo Rodrigues
    5 de abril de 2018

    Caro Jack

    seu conto fala de um cara que vaga no mundo vivendo suas inconformidades. Nas entre linhas (entre os sublinhados), estão suas agonias. Legal isso.
    Estou escrevendo após a segunda leitura, com horas entre uma e outra. Tomei fôlego e voltei.
    Um cara como o reportado com certeza precisa correr sobre trilhos. Os sublinhados são os trilhos por onde transitam as inconformidades do personagem, apoiado neles, regrado, seguro.
    Tudo é uma temeridade, inclusive as portas, que não são portas, mas iminentes guilhotinas que se abrem e fecham, que podem cortar, separar; tampouco o elevador, que é uma claustrofóbica caixa de aço – e por aí vai.
    Difícil saber dessas coisas sem um dia tê-las vivido. Grande simulação.
    Um tormento: tudo é grande, tudo é feio, tudo é efetivamente um problema. E nada melhor que um trilho por onde transitar, firme e seguro, cheio de garantias.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  23. Ana Maria Monteiro
    5 de abril de 2018

    Olá, Jack. Já li, mas comento depois. Sabe? Fiquei preocupada com alguns pormenores aí. Acho melhor conferir a minha sanidade.
    Fui e voltei. Parece que sou saudável, pelo que pude constatar na pesquisa do google (serão essas pesquisas saudáveis?). Afinal, “de médico e louco, todos temos um pouco”. É. Há manias meio estranhas que se manifestam às vezes. Mas não tenho TOC, nem esquizofrenia, nem sou depressiva. Não me importo de tocar, não me horrorizam os germes e bactérias. Nada disso, apenas tristemente normal (perante isto é que vou entrar em depressão).
    Estou a escrever e é verdade que “palavras formam linhas que se seguem, e quanto mais se escreve mais elas crescem e geram dúvidas”.
    Um texto muito fora da caixa, que vai ao encontro do tema solicitado. Você percebe do assunto ou fez pesquisa sobre.
    Gosto de ler sobre distúrbios mentais e raramente eles surgem, como aqui,na primeira pessoa.
    Imagino que seja mais ou menos assim; em alguns casos, claro.
    O ritmo está adequado e só percebi a razão do sublinhado quase a meio (às tantas sou é burra. Ou estaria pouco atenta?).
    Cuide-se. Pode entrar no elevador e sentar-se onde quiser, somos imunes a quase tudo. Da próxima vez, converse com a moça, tenha filhos com ela, sejam felizes – ou infelizes, que importa?
    O conto está muito bem montado e escrito. Atende ao desafio e é pertinente. Que mais posso dizer sem me perder em meus pensamentos?
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. Fernando Cyrino.
    5 de abril de 2018

    Olá, Jack, sua escrita, esse narrar a partir de um fluxo intenso e profundo de consciência me trouxe Joyce à lembrança. Bacana isto. Você me traz esse dia transtornado, obviamente, na vida de um homem envolvo em seus traumas, pavores e alucinações. Um homem abraçado pelo TOC, pelas raivas e pela sua imaginação alucinante. Gostei do que me apresentou. Algumas imagens ficaram muito boas e ressalto esta que, ao meu ver, representa bastante bem o pano de fundo da sua história, a morte: “Sacolejo, sacolé, bala de tamarindo, soft, perdida e encontrada. Bala que na mesma noite que dá onda, que dá marola, também tira a linha da palma da mão.” E por falar na dona da foice, que de tão comum deixou de ser surpreendente aqui no nosso Rio (tenho a impressão de que você seja daqui, Jack), considerei bem legal que tenha feito esse elogio a ela chamando-a de “eminente” e, sutilmente, brincando com a sua proximidade iminente. Afinal, a partir da loucura do seu personagem, seu conto todo pode ser visto a partir da metáfora dela, desse despencar no tabuleiro de xadrez, para ser guardado em jazigos que são “absolutamente todos, presentes e paralelos”. Parabéns pelo seu belo conto, tem muita coisa a ser explorada nele, mas paro por aqui, até para que não te gere cansaço e acabe por transferir para mim a raiva que sente da recepcionista. meu abraço de parabéns.

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Publicado em 4 de abril de 2018 por em Experimental.