EntreContos

Detox Literário.

A paixão segundo Isaura S. (Jorge Santos)

1

Apenas um passo para selar o seu destino, Isaura olhou para baixo, a cara banhada em lágrimas. Calem-se! Gritou. Mas ninguém ligou, à excepção de um menino que passava na rua e que puxou pela mão da mãe, espantado por ver uma mulher nua na varanda do oitavo andar.

2

Tenho um segredo, Tomás. Contei-lhe. Não há segredos quando se ama. Lembro-me desse momento. Tremia como nunca tremi na vida. Dependia da sua resposta. Lançar-me-ia no abismo. Morreria vezes sem conta. Abraçaria o demónio que vive dentro de mim, aquele cuja voz silenciava todas as noites com medicamentos. O demónio observava, como sempre. Eu sabia. O olhar era feito de fogo como o sol. A face, negra como a noite. Um abismo. Já o olhar de Tomás era o mar onde me queria perder para sempre. Diz. Fala, Tomás. Quero casar contigo, disse ele, por fim. Depois, tirou-me o vestido e possuiu-me ali mesmo, em cima da mesa da cozinha.

3

Tenho um segredo, Tomás. Deixa-me contar-to ao ouvido e sentir-te o coração a rebentar com a novidade. Dentro de meses seremos três. Escolhemos nomes. Belmiro e Delfina. João e Maria. Pedro e Inês. A felicidade desenha-se a traços rasgados.

4

Ele chora. Onde estás, Tomás? Porque demoras? Ligas-me de longe. Concordámos assim. A vida não dá tréguas. Perguntas como eu estou. Digo que estou bem. Minto-te. O Rui tem um ano. Nem isso. Não pára de chorar. Digo que estou bem. Minto-te. As vozes não param. Rodeiam-me. O demónio não me larga desde que tomei a decisão de parar com os medicamentos. Era necessário, para sermos três. Minto-te quando me ligas, Tomás. O demónio grita-me aos ouvidos, numa voz estranhamente doce.

Onde estás, Tomás?

5

O homem, de alma endurecida pelo tempo, senta-se à frente do computador ultrapassado, numa sala cinzenta. Num movimento lento, usando dois dedos apenas, escreve o relatório da ocorrência. À sua frente tem uma capa de cartolina cinzenta. Duas fotografias. Fosse ele mais novo, teria derramado uma lágrima, mas há muito que as secara. E continuou a escrever. Uma letra de cada vez. A cada letra que escreve, um pedaço da sua alma desaparece. O demónio, escondido no canto, bate palmas, deliciado.

6

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, eu te baptizo, Rui Délio Simões. Na igreja, o demónio não entra. Espera por eles à saída. Pisca o olho a Irene, que carrega o filho recém-baptizado ao colo. São velhos conhecidos. Ela sorri-lhe. Um sorriso de cumplicidade que o marido ignora. O demónio dança.

7

O Rui irrompe do seu corpo. Três horas de intenso suplício que terminam num choro ininterrupto que anunciam a sua chegada. Amo-te filho, diz ela, numa linguagem universal, silenciosa, usada desde o início dos tempos para celebrar o contrato entre as mães e os filhos.

8

Onde estás, Tomás? Sinto a armadilha. Regressa, rápido! Peço-te, repetidas vezes, mas troças de mim. É mais importante o que estás a fazer. Talvez. Eu prometo ser forte. As vozes aumentam, cada vez mais. Ele espreita, cada vez mais próximo. Volta, Tomás.

9

O polícia pára. Sai para a pequena varanda do seu gabinete. A cidade maltrata-lhe os ouvidos. Tem saudades da terra que deixou para trás. Ali não havia relatórios para preencher nem fotografias para lhe atormentar as noites. A paz e a serenidade envolve-o num bucólico abraço maternal. Fuma o seu cigarro. Tenta esquecer, mas não consegue.

10

Dona Alda sorri com a novidade da filha. Uma novidade ansiada. Um profundo céu azul depois da tempestade. Tomás é-lhe apresentado quinze dias depois. Um rapaz visivelmente apaixonado, capaz de fazer a filha feliz.

Ele sabe. Não há mentiras, desta vez. Não vai ser mais um homem que vai deixar a filha a chorar na noite.

Isaura vai ser feliz. Alda agarra-se a uma fé inabalável, enquanto reza o terço no banco da Igreja.

11

Rui. Vai chamar-se Rui. Em honra do falecido pai de Isaura. Esse foi o dia mais feliz na vida de Alda, apenas superado pelo dia em que, pela primeira vez, teve o neto no colo.

No canto do quarto de hospital, o demónio observava, abanando a cabeça, com um olhar sarcástico nos seus olhos de fogo.

12

Um-dó-li-tá-quem-está-livre-livre-está.

Ignorando o facto de que o filho tinha acabado de ser gerado, ela dança nua na cama, repetindo a cantilena que costumava cantar na escola. Tomás aprecia a cena deitado na cama, tão nu como ela, de cigarro aceso na boca e pénis ainda erecto.  

És doida.

Mas isso já te tinha dito. Sou uma doida feliz. O resto não importa.

Devo ter medo da tua loucura?

Sim. Mas prometo que todos os teus dias serão diferentes. Tens medo?

Não. Diz-me. Tu sabes. Aquilo.

Queres que te fale dos meus demónios? Comecei a vê-los quando me tornei mulher. Um, em especial. Não é muito grande. Do teu tamanho, talvez. Parece um homem virado do avesso, com as entranhas à mostra e com pêlo espalhado pelo corpo. Os olhos são feitos de fogo e a sua face é sempre diferente. Por vezes, nem face tem.

Ele está aqui, agora?

Não. Ele não aprecia ver sexo. – Mentiu Isaura, aninhando-se contra ele. Tomás abraçou-a da forma terna que a costumava fazer esquecer dos seus problemas.

13

A caixa de comprimidos estava cheia. Peguei nela. O demónio berrava aos meus ouvidos. O Tomás tem outra. Eu sei. Sinto. Ele está fora há quinze dias. Persegue o seu sonho. Mentiras. Eu sei. Liga-me todas as noites, diz que me ama. Mas quem ama não está fora de casa durante um mês. Ele tem outra. Eu sei. Fodem todas as noites no quarto imundo do hotel de terceira classe que a empresa lhe arranjou em Madrid. É para o bem deles, disse ele.

Mentiras.

Peguei na caixa de comprimidos e atirei-a para o lixo.

O demónio estava a meu lado. Sorriu.

Vamos brincar, disse-me ao ouvido.

Vai-te foder, filho da puta. Cheiras a enxofre, berrei, a chorar. O vizinho de cima protestou. Vai-te foder também.

E também tu, Tomás. No quarto ao lado, o Rui começou a chorar.

14

Isaura sentou-se no cadeirão da sala, comprado no Ikea. Pegou no filho como se este fosse de porcelana. O bebé sorriu-lhe. Ela encostou-lhe a sua pequena boca ao seio. Ele começou a sugar, sôfrego, como sempre. Ela sentiu-se feliz, completa. O Tomás chega do trabalho. Beija-a e beija também a moleirinha do filho.

Temos de falar, Isaura.

Ela viu-lhe no olhar as más notícias. Tinha sido convidado para outro departamento, mas necessitava fazer uma formação de um mês em Madrid. Era importante, disse ele.

Isaura concordou com ele. Era importante. Ela ficaria sozinha com o filho. Ocultou dele o abismo que se abriu perante ela. Vislumbrou todos os seus demónios. Teria força para os combater, sozinha?

Mudou o filho de posição e ofereceu-lhe o outro seio. O filho olhou para ela, os olhos parecendo duas pequenas fogueiras.

15

Isaura está rodeada de demónios. Fazem uma roda, dançando enquanto cantam uma cantilena infantil.

Um-dó-li-tá-quem-está-livre-livre-está.

Isaura fecha os ouvidos. Não ouve o filho que berra nem os protestos do vizinho de cima.

16

O Tomás está com outra, eu sinto. Fodem todas as noites. Sinto-lhe na voz quando fala comigo ao telefone. Vou deixar de atender. O Rui não pára de chorar. Ele tem um demónio. Não posso deixar que ele entre no meu corpo. Não posso deixar que ele se alimente do meu leite. Vou vencer e ser feliz. Sem o Tomás. Ele traiu-me, eu sinto.

A minha mãe está farta de ligar. Vou para longe, para onde ela não ouça o choro do neto. Implora para que a vá visitar. Ela mal consegue andar. São tudo mentiras. Vejo-me ao espelho. Quem és tu, pergunto, ao meu reflexo? Sou o demónio, responde o meu outro eu.

17

Tomás olha para o relógio. Estava farto de ouvir falar de pormenores técnicos sobre o novo software da empresa. O coração estava em Lisboa. Não devia ter saído. No intervalo da formação, mandou uma mensagem a Isaura.

Amo-te.

Depois, levantou-se e foi falar com o seu superior.

Si, Tomás. No hay problema.  La família primero.

Estava resolvido. Regressava a casa no primeiro voo disponível.

Lá fora, a tempestade fazia-se sentir. O vento rugia. O demónio dançava, feliz.

18

Um-dó-li-tá.

Isaura dançava, nua, à volta do berço do Rui, que não parava de chorar. Aproximou o seio da sua boca, mas voltou-o a tirar, abanando a cabeça. Não, isso é o que ele queria. O demónio está dentro dele e quer entrar dentro do meu corpo. Quer-me matar, gritou ela. Eu não vou deixar, berrou, ainda mais alto.  

19

Gelado de morango. É o meu preferido.

Limão, prefiro limão, Isaura. Morango parece coisa de adolescente.

E depois? Eu ainda sou uma adolescente.

Tens 26 anos e um curso de professora de matemática.

Nunca vou ensinar. Teria pena dos meus alunos. Sou demasiadamente instável. Sou um demónio.

São eles que ficam a perder. Antes um demónio devastadoramente atraente de 26 anos do que um tarado sexual de 50.

Bom dia, o que desejam? Pergunta a funcionária da geladaria.

Dois gelados de morango, por favor, diz Isaura, com um olhar de provocação para Tomás.

20

O polícia terminou o relatório. Acendeu um cigarro. A loucura humana não parava de o espantar. Sentiu-se agoniado.

21

A sala estava cheia de demónios. Gritavam em uníssono. Ela juntou-se ao coro. O Rui berrava. Isaura aproximou-se do telemóvel. Viu a mensagem de Tomás.

Amo-te.

Mentiroso. Todas as mentiras do mundo começam pelo amor.

O amor é uma mentira.

Uma farsa.

Eles vêm atrás de mim.

Querem matar-me.

Eu sei.

Eu sinto.

Os demónios sabem.

São a minha família.

Eu sou um deles.

O Rui quer a minha morte.

Não pára de chorar.

Há uma solução, diz o demónio.

A almofada?

Sim.

Pega nela.

Sim.

Faz força.

Sim.

Mais.

E agora?

Agora, saboreia o silêncio, diz o demónio, um segundo antes de desaparecer.

Isaura ficou parada, no meio da sala. O filho estava finalmente quieto e ela podia descansar.

Sorriu, a olhar para ele.

Parecia um anjo.

Lindo.

Quieto.

Demasiadamente quieto.

Isaura ficou em pânico.

Abanou-o, uma e outra vez.

Gritou por ele.

O bebé não respirava. Pegou nele. Abanou-o.

Ajudem-me, gritou.

As lágrimas escorriam-lhe pela cara.

As forças escorriam-lhe do corpo. Nada sobrava, apenas o suficiente para abraçar o corpo do filho.

Ouve vozes.

Batem à porta. O vizinho chamou a polícia.

Isaura abre a porta da varanda.

Vinte metros abaixo, as pessoas tornavam-se insectos, indiferentes aos dramas dos outros. Indiferentes ao drama de Isaura.

No meio delas, Isaura vê demónios. Primeiro, apenas algumas dezenas, depois centenas. Todos com os olhos de fogo postos nela, uma mulher nua com o filho nos braços, à beira do abismo. Chamam por ela.

Isaura hesita. A polícia entra no apartamento.

 

23

Faltava apenas uma hora de formação. Tomás olhou para a mala já feita, encostada à parede, Dentro de uma hora pegaria nela, apanharia um táxi para o aeroporto e regressaria a casa, de onde nunca deveria ter saído. Sentia uma estranha angústia.

A funcionária entrou na sala. Pediu para falar com ele.
Tomás percebeu instantaneamente que o seu mundo acabara.

24

O polícia releu o relatório.

Isaura Délio Simões, 28 anos. Esquizofrénica.

Causa do óbito: traumatismos múltiplos causados por queda de um oitavo andar.

Rui Délio Simões, um ano de idade.

Causa do óbito: asfixia.  

25

Na solidão do seu apartamento vazio, Tomás bebeu mais um gole de whisky. Era agora a sua única companhia, sem contar com o demónio que, divertido, o observava no canto.

Um-dó-li-tá.

Quem está livre.

Livre está.

26

És minha.

Sou teu.

Na saúde e na doença. Para sempre.

Tomás e Isaura selaram a sua união perante Deus e o mundo. Trocaram juras perpétuas, numa fome insana que mitigaram na privacidade dos corpos. No exterior da igreja um demónio, adormecido há muito, acordava, surpreendido com tanta felicidade.

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43 comentários em “A paixão segundo Isaura S. (Jorge Santos)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Segundo texto que leio no desafio em que a doença mental é usada como pano de fundo para as divagações mais loucas e absurdas, sem perder a credibilidade ou soar inverossímil.

    Parabéns por isso.

    Boa sorte no desafio!

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Gostei da não linearidade do texto. Traz um pouco da esquizofrenia da personagem para a escrita também. O enredo foi muito bem trabalhado com uma escrita muito boa. Gostei como você desligou a figura do demônio da Isaura em algumas passagens. Isso me faz refletir de como as doenças psiquiátricas e mentais são algo que, mesmo ignorados, estão sempre a espreita. Será Tomás o próximo a ser acometido? Quanto ao tema do desafio, senti algo de experimental sim.

  3. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    S. Tomas, que conto foi esse? Fazia tempo que eu não lia uma história tão forte como essa, levada dessa forma. O experimental fica por conta da estrutura, inclusive da não separação entre falas e narração. Tem muito texto que não gosto de ler, não consigo ler, desisto de ler por causa disso. Mas aqui não senti dificuldade alguma. Fui presa na narração, como se tivesse parado de respirar ao iniciar e só voltado a fazer isso com o término do conto. Eu não sou fã e textos com demônios, não me agradam. Mas esse foi apavorante pra mim. E além de tudo tem a questão da esquizofrenia. Leio muito sobre isso, por minha sogra ser. Ainda bem que é controlada a dela, por ser paranoide. A de Isaura já tende à psicose.

    Sobre a esquizofrenia gostaria de fazer umas observações: a esquizofrenia é geralmente detectada cedo. Ela não costuma se manifestar após certa idade. Mesmo que ninguém leve a pessoa ao médico e diagnostique isso, a pessoa tem os sintomas, que podem ser confundidos a princípio com distração extrema, vivendo no mundo da lua, depois evoluindo para algo como “ter um parafuso a menos, não bate muito bem”, depois “é meio louquinho, né?”, e vai chegar uma hora em que só os remédios vão dar jeito para a coisa, se não ficará fora de controle, como foi o caso da Isaura. E aí é que eu fiquei pensando: na idade em que ela estava, já deveria ter sintomas. Já deviam achá-la com um pino a menos. E se no atestado de óbito havia o termo esquizofrenia, é por alguém saber disso. Então como a deixavam sozinha? Aliás, acredito que o termo esquizofrenia não poderia constar de um atestado de óbito, mas sim o que fez com que ela morresse, tipo politraumatismo. Só essa parte achei meio incongruente, por conta do que já pesquisei e ouvi de médicos, em virtude da esquizofrenia de minha sogra.

    Mas parabéns, um ótimo trabalho!

  4. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Primeiramente eu devo me desculpar pela pressa que este comentário está sendo escrito, correndo riscos de má interpretação dos contos ou erros gramaticais..
    Vemos aqui uma pecada trovadoresca, romantista, naturalista, e muitos outros istas literários… apesar de eu estar com o tempo cortado para escrever este comentário e espero discutir melhor depois, seu texto foi excelente pela mescla e quebra da harmonia da leitura.
    Abração ao autor.

  5. Anderson Henrique
    27 de abril de 2018

    Um conto de muitas qualidades. Gostei do ritmo, das quebras e das passagens de tempo. Tudo encaixado e no lugar. Uma carga dramática pesada, bem construída. O assunto é muito particular para mim, pesado, difícil de lidar. Parabéns pelo conto.

  6. André Lima
    27 de abril de 2018

    Esse certamente é um dos contos com a maior carga emocional do desafio. Eu o achei completamente experimental!

    Já disse em outros comentários que adoro repetições (Quando são bem usadas). Aqui, as repetições aumentam o clima quase que agoniante e obsessivo-compulsivo. É excelente. A estratégia de utilizar essa estrutura de frases mais diretas e de recortes também contribuiu bastante para o clima.

    A trama é boa, bem construída. É um dos meus contos preferidos do desafio. Mais uma vez vemos a loucura sendo construída de forma racional.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    A história tem um crescendo impressionante e inevitável. A dicção clara e reconhecível d´além-mar também cria a imersão no cenário. Porém, considero que o experimentalismo ficou um tom e meio abaixo do esperado, e que o capítulo 25 poderia ser suprimido (Tomás bebendo whisky no sofá). Boa sorte!

  8. Renata Afonso
    25 de abril de 2018

    Muitíssimo bem escrito, o conto traz a história triste de Isaura, jovem esquizofrênica que tem o quadro aparentemente agravado pela gravidez e pós-parto.
    A agonia da doença é bem representada ao falar das vozes e pal presença de um demônio em especial, que acompanha, junto às vozes, a trajetória da moça.
    A forma com que é narrado, com capítulos dando impacto ao texto, traz o experimentalismo esperado.
    Triste e real, gostei muito.

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de abril de 2018

    A paixão segundo

    O conto tem todas as grandes qualidades: escrita formidável, enredo bem amarrado, apresentação e conteúdo. Meus parabéns! Infelizmente, não atendeu o recorte do Desafio. Faltou experimentar mais. Fazer com que o leitor saia da sua zona de conforto. Essa é a minha humilde opinião.

  10. Sabrina Dalbelo
    24 de abril de 2018

    Olá,
    Eu gostei bastante. O experimentalismo, para mim, está no conteúdo, nas repetições (demónios) que acabam por encaixar na revelação de que Isaura, como se percebia, não batia bem da cuca.
    E quem bate, não é?!
    Mas fica claro que Isaura tinha uma doença muito séria, tratada com muito respeito pelo narrador(a), o qual vai construindo, com a inclusão das percepções distorcidas da personagem Isaura, o fim que ela alcança.
    Essa frase diz muito do texto: “Quem és tu, pergunto, ao meu reflexo? Sou o demónio, responde o meu outro eu.”
    Muito legal.
    Particularmente, eu (mas aí sou “eu”) teria encerrado o texto na morte da criança ou, no máximo, na de Isaura, mas de forma aberta. Informações e desenvolvimento da história depois disso são dispensáveis, no meu ponto de vista.
    O texto me conquistou. Parabéns!

  11. Thata Pereira
    24 de abril de 2018

    No começo pensei que a mãe tinha tido depressão pós-parto e isso, para mim, seria uma grata surpresa, pois a única vez que vi a literatura tratar disso foi em uma biografia e, ainda assim, sem profundidade. Quando foi revelada a esquizofrenia o conto saiu daquele lugar incomum. Isso não é um problema, mas quebrou aquela minha expectativa.

    Apesar de no começo imaginar a depressão pós-parto, quando li sobre a esquizofrenia comprei a ideia, porque o conto passa essa loucura. É fácil adentrá-la. O maior primor do conto.

    Experimental? Não sei. Depende do autor, do que ele considerou experimental aqui, não vou me atentar a isso.

    Boa sorte!!

  12. Ana Carolina Machado
    23 de abril de 2018

    Oiii. Achei o conto muito bem elaborado, ele é como um quebra- cabeça que vamos montando aos poucos. Ele é como um mergulho na mente da Isaura, desde o começo, devido a imagem do conto também, sentimos que algo de ruim vai ocorrer, pensei que ela fosse fugir com o filho para algum lugar, pensei que naquela cena em que o policial ver as duas fotos pensei que fosse como um cartaz de desaparecido, pois o número de pessoas com algum transtorno mental que somem é muito alto, porém o final do conto se mostrou ainda mais triste. Parabéns. Abraços.

  13. Rubem Cabral
    23 de abril de 2018

    Olá, Tomás.

    Um bom conto! Gostei da técnica de entrecortar o texto com idas e vindas no tempo. Enxerguei o recurso da narrativa não-linear como o principal elemento experimental, embora tal recurso não seja lá muito inédito.

    É um conto de horror bastante intenso, eficiente e triste também. Imagino que dada a instabilidade mental da Isaura foi um pouco estranho que ela houvesse ficado sozinha, mas dadas as condições de trabalho do marido, penso que isso seria possível. Achei a história bem arquitetada e que houve também bom desenvolvimento de personagens.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  14. angst447
    22 de abril de 2018

    O conto prende a atenção logo no início e mesmo o leitor já sabendo qual seria o final da protagonista, isso não tira o tom de suspense da narrativa.
    A linguagem traz o acento lusitano e o impacto de frases curtas. Eu gosto, acho que o recurso funciona bem para tramas policiais e de terror. De tirar o fôlego.
    O ir e vir da narrativa não atrapalhou a compreensão, muito pelo contrário, segurou um pouco mais o suspense. Triste que não poupou a criancinha, mas tudo bem. Custava a moça ter dado algo para o bebê comer (com um ano, com certeza, não se alimentava apenas do leite materno).
    Enfim, um ótimo conto que me fez parar de respirar por alguns segundos.
    Boa sorte!

  15. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá,

    Seu conto tem uma intensa carga dramática, é difícil de ler em alguns momentos, a narrativa entrecortada deixa a ambientação ainda mais contundente. Gostei bastante disso.

    Os personagens são densos, muito bem apresentados. Isaura é muito real, a gente fica no impasse no que acreditar- se é loucuras da mente ou de fato algo sobrenatural. As descrições estão excelentes, sobretudo as cenas dos demônios que estavam sempre fazendo algo ao fim de cada parágrafo, não sou de me assustar com leitura mas o clima de terror funcionou bem comigo.

    Agora sobre a questão do experimento fica aquela sensação de , será? Porque esse tipo de narrativa com flash, quebras de parágrafos, mudança de tempos é algo absolutamente comum pra mim. Mas aí é que tá né? Pra você pode não ser e o texto de fato foi algo experimental.

    Salvo essa ressalva o texto é ótimo, parabéns pelo trabalho..

  16. Luis Guilherme Banzi Florido
    22 de abril de 2018

    olá, amigo, tudo bem?

    belo conto! o clima tenso e pesado permeia toda a narrativa, muito tem pontuado pelas divisões. devo dizer, porém, que não acho que as divisões, que foram muito oportunas, tenham sido o suficiente para considerar o conto experimental o suficiente, pra mim. sei lá, me pareceu uma narrativa comum, ainda que muito boa.

    mas isso é minha opinião, apenas. voltando ao conto: o enredo é ótimo, ainda que de desfecho um pouco previsível. o autor soube manter o clima tenso, prendendo a atenção até o fim. mesmo prevendo o desfecho, fiquei interessado na leitura até o término.

    a escrita é segura e competente. não tenho muita condição de avaliar a gramática, uma vez que trata-se de um conto lusitano, mas me pareceu muito boa.

    enfim, um conto muito bom, um tanto claustrofóbico (me senti preso dentro da mente maluca da protagonista), mas que ao meu ver careceu um pouco de experimentalismo.

    boa sorte e parabens!

  17. Catarina Cunha
    22 de abril de 2018

    Frase chave: “ Sou o demónio, responde o meu outro eu.”

    Vejo o experimento nestas frases secas e curtas, e também no ir e vir no tempo alucinado, com mudanças bruscas de cena. E a densidade do capeta, sempre rondando o texto, foi uma técnica arriscada, pois poderia deixar o conto cansativo. Mas comigo funcionou por ser uma história muito forte.

    Só perdeu uns pontinhos por causa dessa explicação no 24. Tirou a beleza do experimental. Já estava claro que mãe e filho tinham morrido e que ela sofria de uma doença mental. Rotular foi uma forma de quebrar o encanto do leitor.

  18. jowilton
    22 de abril de 2018

    Um bom conto. Tenho um familiar bem próximo que foi diagnósticado com esquizofrenia. Teve um dia que ele saiu de casa em Aracaju e foi parar em Fortaleza, andano pela estrada e pegando carona. Os demônios deles, esquizofrênicos, falam muito mais alto do que os nossos. O texto é bem escrito, a narrativa e a trama combinam com a loucura de Isaura. O impacto não foi tão alto, já que supomos desde o início como será o fim da história. Boa sorte no desafio.

  19. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Tomás!

    Gostei das idas e vindas do roteiro, que me causaram uma impressão ainda maior da loucura na cabeça de Isaura. Essa descontinuidade, se bem utilizada, acaba gerando textos mais complexos, mas sem deixar que o enredo fique em segundo plano. E acho que você conseguiu isso, mexer com a linha do tempo, sem deixar de apostar numa trama consistente.
    Fora uma troca de nomes (que eu sinceramente não sei se foi proposital), não vi nenhuma grande falha na narração. É tudo muito ágil, muito visual, até. Acredito que esteja bem encaixado dentro do tema do desafio.
    A conclusão do conto é um pouco óbvia, entretanto. A morte da criança e o suicídio parecem ser anunciados bem antes no texto, e não nos causa choque. Mas não se trata de um problema, realmente. No geral fiquei satisfeito com a leitura!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  20. Luís Amorim
    21 de abril de 2018

    Conto com frases curtas e um enredo onde a loucura e alguns demónios estão sempre presentes. Não o vejo como sendo de terror, apesar dos demónios. Os espaços temporais intercalados, do passado para o presente e vice-versa dão força ao enredo.

  21. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, Tomás. Gostei do seu conto, escrito em português de Portugal. Foi algo complicado seguir a linha da narrativa, mas a linguagem simples simplifica a leitura. É estranha a alteração do nome da personagem Irene/Isaura, bem como a constante repetição do elemento do demónio se torna excessivo e torna a leitura num exercício penoso. Também o excessivo carácter negativista podia ter sido relativizado – além de que o desfecho se torna previsível. Mesmo assim, é um bom texto. Parabéns.

  22. Rsollberg
    20 de abril de 2018

    Fala, Tomás.

    Legal ver um conto com uma pegada de terror nesse certame.
    A estrutura fragmentada com a alternância dos narradores deram agilidade para a história. É possível sentir a angustia da personagem tendo que sobreviver com seus demónios.

    A tensão crescente até o inevitável desfecho contribuiu muito para concentrar toda a atenção do leitor.

    A escrita é direta, indo direto ao ponto. Confesso que em determinados momentos senti falta de frases mias inspiradas, mas isso é apenas uma questão de gosto.

    Parabéns!

  23. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Um conto charmoso e bem escrito. Gostei particularmente da imagem do primeiro parágrafo, é ali que temos que ganhar o leitor, e me ganhou. Como crítica, talvez contínuos entre os cortes no texto funcionassem melhor, mantendo o leitor mais perto, e um final menos previsível também. O forte mesmo foi a narrativa charmosa.

  24. iolandinhapinheiro
    16 de abril de 2018

    Olá, autor.

    Este recurso de quebras da sequência me é muito familiar, e a atmosfera de suspense sobre o que vai acontecer me seduz.

    A história mergulha na mente perturbada de Isaura, dando algumas pistas sobre origem de sua insanidade. Os problemas fossem de ordem mental ou espiritual da moça se agravam após o nascimento do filho, e se agigantam com o afastamento do marido.

    O final é quase previsível, mas isso não tira o brilho da obra que mostra o seu esmero a cada frase.

    Sempre é bom encontrar contos com tintas de terror por aqui.

    Um abraço e muita sorte no desafio.

  25. José Américo de Moura
    15 de abril de 2018

    Um conto muito bem bolado pelo nosso patrício com uma narrativa firme, uma história de amor, sexo e paixão que tem um fim tão trágico. Durante a minha leitura eu torcia para que o final fosse feliz, mesmo sabendo que tudo indicava que haveria uma tragédia.

    Gostei muito, parabéns e boa sorta no desafio

  26. Rose Hahn
    14 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Bagual (tradução: porreta; em Portugal acho que é “lacrou”);
    . Enredo: Denso e tenso, emoções à flor da pele. Considerei excessiva o emprego da palavra “demónio”.
    . Adequação ao tema: Em parte. O experimentalismo ficou por conta do céu e o inferno, indo e vindo.
    . Emoção: “Todas as mentiras do mundo começam pelo amor”. Verdade.
    . Criatividade: Excelente contista.

    . Nota: Quem conta um conto experimental, aumenta um ponto. Sorry!

  27. Mariana
    14 de abril de 2018

    É um texto aterrador, realmente faria bonito no desafio terror. Senti pena de Isaura, ao mesmo tempo, indignação por ela não tomar os seus remédios. Esquizofrenia não é brinquedo, pobre do pequeno Rui nessa tragédia…. O personagem do policial, acostumando com as tragédias me tocou bastante também. A fragmentação dá o tom experimental a tão triste trabalho. Enfim, um bom texto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  28. Evandro Furtado
    14 de abril de 2018

    Sem dúvidas, uma história maravilhosa, muito bem estruturada e que prende o leitor do início ao fim. Também gostei da não-linearidade. Ela não é ofensiva e não tira nada do enredo, muito pelo contrário, contribui para a construção de um suspense que ajuda na história.

  29. Ricardo Gnecco Falco
    12 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = As frases curtas escolhidas pelo autor para formar os parágrafos. Os parágrafos curtos escolhidos pelo autor para formar os ‘capítulos’ ou partes. Isso trouxe agilidade à leitura. Parabéns!

    PONTOS NEGATIVOS = O idioma (Português PT) utilizado pelo autor, que mesmo sendo parecido com o nosso (Português BR), deixa o texto com um jeitão diferente do utilizado aqui, causando estranheza. Também não gostei da forma (relato) com a qual o autor decidiu construir seu texto, afastando o leitor (pelo menos este leitor aqui) da história contada.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Uma história sobre loucura e crime. Final triste e trágico. Não consegui me afeiçoar com a história narrada e nem com as personagens apresentadas. O final não me impactou tampouco, embora o texto possua um começo, um meio e um fim bem delineados.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Senti falta do experimentalismo solicitado neste Desafio para os trabalhos concorrentes.

    Boa sorte no Desafio!

  30. Ana Maria Monteiro
    8 de abril de 2018

    Olá, Tomás. Achei o seu conto muito bom. Não sei o suficiente sobre doenças mentais (mas lamento) para saber de que mal Isaura padece: bipolaridade, stress pós-parto, esquizofrenia, outro? vou mais pela esquizofrenia, que se revela quase sempre cedo e tende a extremos.
    A alternância de tempos assentou bem. A história é boa e está muito bem escrita e revista. As partes funcionam cada uma como um todo e isso é a chave que permite a sua aleatoriedade, conseguida, como já referi, com muito êxito.
    Alguns entenderão (até eu) que não é assim muito experimental, mas isso em nada lhe retira o valor intrínseco e um certo experimentalismo, talvez na dose certa (já li aqui alguns que exageraram nessa dose e o resultado desses ficou muito aquém).
    Acho incrível que mais do que um comentador tenha entendido que este conto encaixaria no tema “Terror”. Onde vêem o terror? isto é mesmo assim! A vida é assim e não é nenhuma história de terror.
    Não sei. Parece-me notar comentadores “estratégicos”, que usam os comentários como jogadores dum qualquer “Big Brother”. Isso desilude-me.
    O conto é bom, está bem escrito e revisto (só passou a tal Irene e mais uma palavra ou outra apenas porque, num texto em português PT – até nos meus, acredite – sempre encontro uma palavra que ficaria melhor assim ou assado. Preciosismos. ) e atende ao tema proposto numa medida adequada.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  31. Paula Giannini
    7 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Adoro histórias contadas com quebra de linearidade da linha cronológica. Ao iniciar pelo final, o(a) autor(a) lança o leitor em um precipício junto à sua personagem central. Gosto disso na literatura, no teatro, no cinema.

    Durante a leitura, o que é ótimo, esqueci desse negócio de avaliação e de ser, eu mesma, uma escritora, e fui capaz de aproveitar a trama como quem assiste a um filme na tela. Uma trama de loucura, esquizofrenia, possessão, ou, quem sabe, de tudo isso junto.

    O ponto alto da narrativa, a meu ver, é o fato de que, mesmo sabendo o que vai acontecer (ou ao menos intuindo), o leitor torce para que o(a) autor(a) reverta suas escolhas e salve a todos em um final feliz. Salvando família, casamento, bebê, tudo. Isso demonstra o ponto de envolvimento em que o(a) autor(a), claramente alguém que sabe o que faz, consegue lançar o seu leitor, No caso eu. 😉

    Parabéns por sua verve.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  32. Fabio Baptista
    2 de abril de 2018

    Conto muito bom que certamente faria bastante sucesso no desafio de terror. Bem escrito, com personagens densos, criando uma ótima ambientação de desespero e loucura. O demônio, no fim das contas, era real… e esse último parágrafo é mais assustador do que parece a primeira vista.

    A se comentar na parte técnica, apenas a curta extensão de alguns “capítulos”, que deixaram o texto fragmentado em demasia.

    A questão do experimental não me convenceu totalmente. Textos fragmentos com idas e vindas no tempo não são assim tão incomuns. Nesse quesito o texto não trouxe o ar de novidade que garante pontos adicionais.

    Mas, com exceção a esse pequeno grande detalhe vinculado a esse desafio especificamente, ótimo trabalho.

    Abraço!

  33. Evelyn Postali
    1 de abril de 2018

    E um conto com muita intensidade. Dramático quase que ao extremo, a ponto de me fazer parar de ler em alguns momentos porque sou meio fraca para algumas coisas. Emoções que vão aflorando na medida em que leio e que me deixam muito p*** da vida. Essa coisa da loucura… Eu senti a tensão e também a tristeza. Está muito bem escrito e foi muito inteligente fazer esse quebra-cabeça com os parágrafos.

  34. Cirineu Pereira
    31 de março de 2018

    Gostei da aleatoriedade cronológica a pintar o caos típico do estado mental da personagem. Não encontrei sentido, ou utilidade na numeração dos parágrafos. É um bom conto, não obstante a narrativa não tenha sido eficaz em me introduzir aos cenários e enredo e este é o ponto fraco, ao meu ver.

    É aceitável enquanto “experimental”, mas talvez a opção por um narrador-observador tenha empobrecido o conto no sentido de que um narrador-protagonista provavelmente nos brindaria com uma “loucura mais viva”, cumprindo com muito mais eficácia o caráter experimental do tema. Boa sorte.

  35. werneck2017
    27 de março de 2018

    Olá, Tomás.
    Seu conto nos traz o universo da loucura, corroborada pelos parágrafos propositadamente fora de ordem que parecem nos instigar com seus flashbacks. O português lusitano é cuidadoso e nos presenteia com bela linguagem. Chamo a atenção para uma linha:

    . A paz e a serenidade envolve-o num bucólico > A paz e a serenidade envolvem-no num bucólico

    Uma estória de tantos que nos envolve pelo sofrimento humano, sem misericórdia e sem perdão. Um bom conto.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    26 de março de 2018

    Parabéns, Tomás! Que primor de conto!

    Você conseguiu transformar a narrativa no mesmo mundo pandemônico que o transtorno mental provoca. A esquizofrenia é justamente este mundo tormentoso em que a instabilidade emocional funciona feito gangorra, e, que, muito frequentemente, avança para uma montanha-russa totalmente desenfreada.

    Há delírios, ausências, alucinações. O “diabo” está sempre à espreita. O “demônio” (transtorno) adormece, mas nunca morre. Não há como diferenciar o real do imaginário. A desestruturação psíquica é generalizada.

    O seu texto é assim, sem ordem aparente. Mas não deve ser modificado para ter sentido e encanto.

    Parabéns, amigo lusitano, o seu trabalho é um presente para todos nós, leitores. Narrativa densa, ácida, de construção criativa e perfeita, linguagem apurada. O enredo é instigante, envolvente. Um presente!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    Entre muitas belezuras que li:

    “O demónio observava, como sempre. Eu sabia. O olhar era feito de fogo como o sol. A face, negra como a noite.”

    “Fosse ele mais novo, teria derramado uma lágrima, mas há muito que as secara. E continuou a escrever. Uma letra de cada vez. A cada letra que escreve, um pedaço da sua alma desaparece. O demónio, escondido no canto, bate palmas, deliciado.”

  37. Antonio Stegues Batista
    24 de março de 2018

    Períodos temporais intercalados não é novidade. Também escrevi alguns contos assim. Mas esse enredo é muito bom e ficou legal a estrutura do texto, as frases curtas, diretas, fortes e vivas. É um conto de terror experimental, sem dúvida. Boa sorte.

  38. Priscila Pereira
    22 de março de 2018

    Olá amigo estrangeiro!

    Eu gostei muito do seu conto! Eu ia voltar e reorganizar os parágrafos por ordem cronológica, mas depois de ler o texto todo achei melhor ficar com essa impressão de flashbacks, esse vai e vem no presente e passado foi o que deixou o conto mais instigante.

    A trama muito me interessa, sempre gostei do universo da loucura, e está muito bem relatado aqui. Mesmo sabendo o desfecho, eu torci para outro fim… Quem sabe o pai chega a tempo de salvar o filho… Mas não, a vida nem sempre tem final feliz mesmo.

    Você notou que a Isaura vira Irene em algum parágrafo? Demorei pra perceber que eram a mesma pessoa…

    Ótimo conto, parabéns e boa sorte!!

  39. Fheluany Nogueira
    21 de março de 2018

    O texto está construído como um jogo de quebra-cabeças, com pequenos parágrafos (peças) de formatos desiguais, que têm de ser ajustados uns aos outros para com eles se formar uma trama. A história é forte, intensa. A esquizofrenia ficou, poeticamente, caracterizada pela metáfora dos demônios e com o título remeteram-me a Clarice Lispector. Não sei se pelas dicas do texto, já pela metade da leitura fiquei esperando o assassinato do bebê, seguido de suicídio; assim o desfecho não me trouxe um impacto maior. Mas, gostei bastante do texto e deve ter sido uma experiência instigante executar esse bom trabalho. Parabéns pela ideia. Boa sorte no desafio. Abraço!

  40. Angelo Rodrigues
    21 de março de 2018

    Olá, Tomás,

    belo conto. Trama bem trabalhada. Como quase todos os trabalhos bem elaborados em literatura, este te empurra a seguir adiante, não sem antes, diante das fartas possibilidades construtivas, buscar mais concentração para que a compreensão mais profunda seja bem agarrada.
    Um puzzle bem elaborado. Daí a dificuldade inicial. Como em um lago revolto, é preciso deixar acalmar as águas para ver a profundidade e o fundo. Então passeei em seus parágrafos sequencialmente numerados: uma pista-falsa para uma lógica errática e não linear. Interessante.
    Uma coisa, entretanto, dá uma pista (quase inevitável): lá estavam os remédios que se foram ao lixo, demônios, outros demônios. Sofreria, Isaura, certamente, de transtorno bipolar. Extremos seguidos de extremos, ora doces, ora amargos, tal como aqueles que alternam o uso de tais remédios.
    Penalizou-me o pequeno Rui.

    Belo trabalho.

    Boa sorte no desafio.

  41. Paulo Luís Ferreira
    21 de março de 2018

    Fiquei em muito a procura do experimental neste conto, com muito custo vi uma pitada nos parágrafos numerados, os quais transitam entre o passado e o presente. Mas não é muito, pois muito já vi desta fórmula. Entretanto um belo e inteligente enredo com a trama muito bem trabalhada. O autor demonstra grande domínio da forma literária, usando-a com maestria, impecável. Quanto à trama, uma tragédia familiar dentre as tantas que abundam pela sociedade, entre quatro paredes, nos íntimos das relações e nas esquizofrenias individuais. O conto nos trás uma densa carga dramática em seu desfecho. Do qual achei um tanto pesado. Mas, um trabalho muito bem urdido.

  42. Tomás
    21 de março de 2018

    Obrigado pelo seu comentário, Fernando. De facto, foi tanta a preocupação com o experimentalismo que acabei por confundir A Escrava Isaura com a Casa de Irene. Uma simples confusão de novelas pela qual eu me vou penitenciar ao longo do desafio. Abraço.

  43. Fernando Cyrino.
    21 de março de 2018

    Olá, Tomás, que conto denso e triste você me traz. Obviamente que o título e o tema me fizeram lembrar da Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector. Isaura sofre, como a personagem clariciana, dificuldades consigo mesma, identifica-se de forma doentia com o marido, plasma-se nele e à sua ausência termina assediada, ainda mais pelos seus demônios. Conto-lhe que apreciei muito esta história trazida de além mar. O conto, posto assim entrecortado, indo para adiante e retornando ao passado/presente, funcionou muito bem. Os parágrafos curtos e secos aumentaram a tensão na história, deixando-a mais interessante e me prendendo à leitura. Os demônios da esquizofrenia terminaram por tomar conta da nossa heroína, como já era esperado, quem sabe um pouco mais de sutileza houvesse causado ainda melhor e maior impacto… O experimentalismo vejo-o na forma, com os parágrafos numerados, mas estando de forma não linear. Tomás, depois dê uma olhada, pois que apareceu uma Irene (em 6) no seu conto, quem sabe, ela não tenha sido trazida por algum desses demônios que de tanto atazanarem Isaura terminaram por leva-la à solução final – e terrível – do abafamento do filho e do salto para o vazio. Valeu o conto, valeu a sua experiência. Grande abraço.

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Publicado às 20 de março de 2018 por em Experimental e marcado .