EntreContos

Detox Literário.

Farsa do Filho da Mãe (Ana Maria Monteiro)

Local: Lisboa, Portugal, 2018

Personagens: O filho da mãe, monólogo.

Época: Primeira metade do século XXI

 

ATO ÚNICO

Um café, taberna, na obscuridade. O cenário é lúgubre, o mobiliário consiste em mesas e cadeiras de madeira. Na parede de fundo, um ecrã ocupa todo o espaço, sendo a sua função cénica, uma vez que servirá apenas como pano de fundo e acompanhamento ao desenrolar do monólogo. Distingue-se também um balcão com alguns bancos altos, o aspeto físico comum da típica taberna portuguesa. O ambiente humano é difuso, distinguem-se alguns vultos, percebe-se o isolamento.  

CENA I

Vê-se um homem sentado, sozinho, um chapéu e uma garrafa de vinho tinto sobre a mesa, um copo que segura com uma mão e um cigarro apagado na outra. Está em silêncio, o olhar perdido. Na parede, atrás dele, o ecrã emite https://youtu.be/qKi01rPexBI?t=83

Quando a música termina

 

O filho da mãe fala

(olhando o copo, cabisbaixo e como que falando para si mesmo)

Há gajos que têm um tal receio de se comprometer com a vida e falhar, que à conta disso só fazem é merda. Sei do que falo. Fui um deles.

E agora perdi-te, mãe.

Estou sozinho. Devia ter medo, talvez, mas só sinto raiva. Raiva, o que sempre senti, afinal.

Queria voltar atrás e fazer tudo diferente, ainda pior, se possível, mas assegurando-me de que desta vez não te perdia, não tão cedo ao menos.

Vivia isolado, mas não sabia o que era a solidão – tinha-te a ti, sempre. Agora não tenho. Sou só eu para um lado e tu para outro, caminhos paralelos que não se tocam.

Deixei-me ludibriar, fui arrogante, acreditei sempre que éramos invencíveis. E não fomos.

Agora não te tenho, não tenho nada.

Gostavas de saber o que achei do funeral? Pois bem, vieram os fantoches todos: as vizinhas, mais interessadas em contar as suas desgraças que em acompanhar alguém na sua; os amigos e conhecidos; os curiosos de sempre; e a familória toda, encabeçada, claro está, pelos manos, os teus outros filhos que há muito deixaste órfãos – só eu te interessava, só eu te movia. Eu, o rebelde, o “coitadinho”, aquele que achaste que precisava de ti e a quem te dedicaste em exclusivo. Mas foi vê-los ali, todos chorando – uns p’ra fora, outros por dentro.

(levanta a cabeça, olha em frente, a voz ganha ânimo e continua)

Ei-los todos, perfilados, estupefactos, circunspectos “comme il faut”.

Reunidos por dever, a reagir ao impacto que a notícia lhes causou.

E eu, sozinho, isolado, alheio a tudo o que dizem.

Idiotas comportados, bem-formados, abastados, acabados… Que me importa?

Fiquei sem ti, mãe.

E agora, haja o que houver, nunca mais estaremos bem.

(suspira, olha os sapatos, baixa a cabeça e recomeça)

Não sei como começou, se foste tu ou fui eu. Qual de nós quis primeiro apoderar-se do outro? Acredito que terás sido tu, eu limitei-me a aproveitar; sempre fui assim.

Sugaste-me a alma, velha! Alimentaste-te de mim e eu fui só a péssima sombra difusamente projectada do homem por quem, sem que o soubesses, suspiraste a vida inteira. Mas vinguei-me À GRANDE. E lixei-vos a todos bem lixados. A vocês e às vossas vidinhas de merda; gastei-vos, usei-vos, manipulei-vos, pedi-vos o dinheiro, tirei-vos a tranquilidade, envenenei os vossos casamentos. Desculpem lá manos, provavelmente limitei-me a seguir o único caminho que me era fácil, por onde conseguiria corresponder às expectativas da nossa querida mãe. Mas o primeiro e mais lixado fui eu.

Nasci igual aos outros: uma folha em branco, destinada a ser impressa de acordo com o alfabeto genético, sensorial e às socializações diversas. Competia-me, como a todos, fazer uso do lápis corrector e adaptar tudo isso a um molde próprio e único que me definiria. Mas não o fiz, fizeste-o tu por mim. Querias-me assim: perdido, abandonado por todos, ostracizado, desprovido de vontade, carente de apoio para tudo – precisavas de alguém que fizesse da tua omnipresença uma necessidade.

Parabéns, mãe! Conseguiste: não fui mais que uma marioneta da tua vaidade. “Santa Madre Teresa!”, – foi o que todos acharam de ti, na mesma medida em que se afastavam por não estarem para aturar as minhas fitas, mudanças de humor, desatinos, manipulações, o meu constante cravanço. Pois, explorei-vos a todos: económica e emocionalmente. Ia até ao limite e quando o ultrapassava desaparecia do mapa por algum tempo; somente o suficiente para regressar “arrependido” e disposto a procurar a ajuda especializada que vocês pagavam com dinheiro, suor e lágrimas (estas últimas só tuas) na esperança antecipadamente sabida como derrotada de se verem livres do crápula que eu me mostrava e poderem usufruir um pouco daquele a quem queriam amar.  

Mas “ai” de quem recusasse ajudar o menino, não era mãe? Tu assim o exigias. E desse jeito nos isolaste num universo só nosso. E como alimentaste a minha queda: “Tijolo com tijolo num desenho lógico”, enquanto meus “olhos embotados de cimento e lágrima”. Assim me condenaste ao ostracismo. Assim me conseguiste só para ti. Assim tiveste o que querias – alguém de quem foste proprietária e te conduziu directamente ao pedestal da inveja alheia e a um camuflado abismo interior. Santificado seja o teu nome. E que agora reboles no inferno onde nada te resta: nem o pai (que foi, seguramente, para local bem mais aprazível), nem os filhos (todos muito ocupados a tentar sobreviver à mãe que (não) foste), nem ninguém, porque há mais mundo além de ti. Dás-te finalmente conta disso? Ou nem assim?

 

CENA II

O ecrã passa: https://www.youtube.com/watch?v=Qjqq5jTkuN4. Segue-se um longo silêncio

O filho da mãe fala

(continua num tom neutro, fitando o vazio)

Mas antes de tudo fui menino, menino bonito dançando ao som duma música que deveria ter sido a minha. Mas tu estavas lá mãe – sempre. E precisavas ser indispensável a alguém – a mim, o “fraco”, o coitadinho, o que sempre culpava tudo e todos, o que não tinha cabeça nem equilíbrio para não se afundar a si mesmo (o velho também era fraco, mas bem longe de ser aquele por quem algum dia suspiraste. Também ele uma marioneta, mas sem brilho, sem o meu brilho feroz e aparentemente indomável. O teu marido, alguém que inconfessadamente desprezavas).

Coitado do pai! Foi só uma boa pessoa que poucos respeitaram, menos choraram e só os filhos amaram (até eu!). Mas isso faz parte da condicionante de ser filho, não é? Na prática foi apenas mais um que engoliste na voragem de quereres ser alguém acima de tudo e de todos, uma deusa inigualável, única, a quem todos admirariam e amariam.

Cedo percebi que os meus olhos ansiavam horizontes mais vastos. Queria a medida de todas as coisas, a experiência de cada emoção, o vibrar de tudo o que move o mundo. Queria os oceanos; navegá-los e distingui-los pelo sabor íntimo do sal de cada um. E não me interessavam os continentes pelos desenhos nos mapas; queria sabê-los como parte sua, como sangue que percorre, músculos que sentem e carne que sofre. De muita coisa fiz a minha ânsia. E parti, e voltei, e busquei, e era sempre o vazio. O vazio e o regresso. E tu de braços abertos, esperando o teu filhinho p’ró encheres com o teu amor – asfixiante, possessivo, doentio.

(a voz torna-se mais clara, quase em tom de desafio)

Tendo uma mãe como tive,

p’ra fugir ao desatino e evitar este apogeu

melhor fora procurar um caminho bem diverso.

Mas como podia assim, reunir o que era eu,

se me criaste disperso?

(bebe um golo e fitando o copo, retoma o tom normal)

Ah, o amor! O amor de mãe, de filhos, de adolescentes, de homens e mulheres. O tema favorito de escritores, poetas, músicos… que sabem eles? Procuram a resposta, tal como todos. Existirá uma fórmula?

Pensei encontrá-lo na Mila. Pobre Mila! Foi a primeira de muitas a quem esvaziei de esperança, de alegria, de fé no futuro. Mas deu direito a casamento e tudo! E a fotografias! Todos bem vestidos, engalanados a preceito p’rá ocasião de parecer feliz. Foi bonito, não foi? E acabou logo depois. Depois de muitas cenas e do primeiro filho que fiz.

Quem era eu para partilhar-me com outra que não tu? Fiz asneira atrás de asneira e ela desistiu de mim – como todas, como todos, para teu bem disfarçado gáudio.

E veio a Bela, e veio a Teresa e veio a Paula e as Marias, e as Lenas e todas as outras de que esqueci os rostos, os cheiros, as formas e até os nomes. Ah! Mas elas recordam-se bem de mim!

E voltei. E agora estou só. Fiquei sem ti, mãe!

(ganha novo ânimo e retoma o tom quase declamatório)

Foi uma vida suada, sofrida, lixada, gorada, fodida.

Fui um belo cabrão: mau filho, pior pai, nunca marido e jamais irmão.

Só eu me interessava, ninguém mais contava e fiz o que queria.

Mandava p’rá veia, chorava, berrava e ainda sorria.

Amava, usava e seguia em frente.

Partia, voltava, estava e esquecia, só eu era gente.

Mas tu estavas lá, era isso que interessava – a mim e a ti.

E embora não saibas, chorava às escondidas e por todos sofri.

CENA III

No ecrã, https://www.youtube.com/watch?v=bgsIrKPqLmk. Após a exibição do vídeo,

O filho da mãe fala

(bebe um pouco mais, enche de novo o copo e continua)

E também veio a fuga à escola e os trabalhos duros e distantes e, com eles, o álcool, os fumos, as drogas… e toda a espécie de comportamentos e vícios. E os meus regressos, e as curas e desintoxicações, as tentadas e as inventadas para sugar mais e mais dinheiro, que sempre usei para alimentar os meus vícios e prazeres. E tu sabias, sim, tu sabias. E, tal como eu, esticaste a corda até onde pudeste; eu, assegurando-me que me mantinha vivo e em liberdade e tu de que eu regressaria. E aguardavas… sabias que era uma questão de tempo até que me rendesse, que ganharias, que um dia voltaria para ti e seriamos só nós – não havia mais ninguém: abandonaram-nos ou afastámo-los, cúmplices nos nossos egoísmos. Tu dizias que era amor. Acreditavas nisso?

E vieram as consequências. Que escondemos, não foi? Há coisas de que não se fala, faz-se de conta que não existem, que não estão lá. Mas estão.

Esconder e esquecer foi cómodo para todos e continuámos como se nada fosse. E, tal como o amor, a vida é eterna enquanto dura. Enquanto dura, mãe. Mas tudo acaba, tudo tem um fim.

E agora perdi-te, mãe!

A quem vou ser necessário? A quem resta infernizar? Todos partiram há muito. Ninguém quer saber de nós. Fartaram-se e deixaram-nos entregues um ao outro – como querias, como finalmente me tiveste: quase indefeso, quase um bom filho, quase amando-te, quase o inconformista conformado, quase salvo (por ti, claro), quase tudo para o que não nasci, quase…

Onde estão todos? Onde estou? Onde estás, mãe?

Perdi o paradigma, o eixo sobre o qual me referenciava. Para quem serei agora o filho da puta?

Só há escuridão e vazio. Não vejo nada, não sinto nada, não sou nada.

(levanta-se entusiasticamente, coloca o chapéu e fala em tom quase apoteótico)

Levantem-se! Batam palmas!

A farsa chegou ao fim.

Tudo acaba neste mundo, já se livraram de mim.

Saio pois, por esta porta, eu que nunca fui ninguém.

P’ra vossa paz e descanso, jaz morto e apodrece, este grande filho da mãe.

(Tira o chapéu e senta-se acendendo o cigarro)

O ecrã emite https://www.youtube.com/watch?v=T2RK5ydwDIo.

(CAI O PANO)

Foto ilustrativa de Tommy Ingberg

1º vídeo: https://youtu.be/qKi01rPexBI?t=83: “Marcha Fúnebre para uma Marioneta” de Gounod, produzida e animada por Eric Fonseca e interpretada por The Boston Pops Oschestra

2º vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Qjqq5jTkuN4: O “Bolero” de Ravel, na performance de Jorge Donn, no filme “Les Uns et les  Autres” de Claude Lelouch.

3º vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bgsIrKPqLmk: João Villaret diz o “Fado Falado”, de Nelson Barros.

4º vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=T2RK5ydwDIo: Paulo Autran diz, “Poema em Linha Reta”, de Fernando Pessoa.

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90 comentários em “Farsa do Filho da Mãe (Ana Maria Monteiro)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    A ideia de usar o teatro como texto experimental me pareceu pouco arriscado, ainda mais quando se percebe que o autor (ou autora) tem um bom domínio da linguagem. Isso acaba reforçando a impressão de ele/ela não ter saído da sua zona de conforto.

    Existe um quê de experimentalismo mais no uso dos links do que da peça em si.

    Boa sorte no desafio!

    • Ana Maria Pires Monteiro
      28 de abril de 2018

      Olá, Thompson. Obrigada pela leitura e comentário. Um abraço.

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Excelente construção. Um monólogo permeado com algumas instruções cênicas. Poucas para não poluir o texto como um roteiro, mas o suficiente para levar o leitor para a experiência do teatro. As reflexões sobre o relacionamento mãe-filho tem um ar melancólico que se sustenta muito bem durante todo o conto sem cansar ou parecer repetitivo. A revelação da última frase é sutil e verdadeiramente surpreendente. Me fez ler novamente sob o novo ponto de vista.

    • Ana Maria Pires Monteiro
      28 de abril de 2018

      Olá, Amanda. Obrigada pelo seu comentário e leitura atenta. O desafio já terminou,mas não ia deixá-las em resposta. Um beijo.

  3. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Fiquei pensando se alguém usaria a linguagem teatral nesse desafio. O seu é bem dentro desse gênero e fico feliz que seja um texto de qualidade, pois quando criança e adolescente li diversas peças e gostava muito. Agora, adulta, a coisa ficou mais rara. Gostei muito, li de uma vez só e o que posso dizer é que veria essa farsa dramatizada, com certeza. Parabéns e boa sorte!

    • Ana Maria Pires Monteiro
      28 de abril de 2018

      Obrigada, Bia. O desafio já terminou,mas não ia deixá-la só a si sem resposta. Beijos

  4. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Primeiramente eu devo me desculpar pela pressa que este comentário está sendo escrito, correndo riscos de má interpretação dos contos ou erros gramaticais..
    Se tem uma coisa que eu gosta mais de proza é roteiros (sem ironia) e esse seu “estilo” me lembrou muito de uma peça/obra de um homem que conversou com o diabo em uma noite…esqueci o nome da peça e estou com um pouco de pressa para terminar os comentários, quando tudo estiver acertado voltarei e falarei melhor
    Adorei seu estilo, sua linguagem e o experimento.
    Abração

  5. Anderson Henrique
    27 de abril de 2018

    Olha, eu fiquei ali na platéia, ouvindo o monólogo, a voz empostada e característica do teatro. Gostei das invervenções que o texto sofre, ajudaram a criar todo o clima. Um texto bem construído, apurado. Parabéns.

    • Autor
      27 de abril de 2018

      Olá, Anderson. Obrigado pelo seu comentário. Sei que estamos a chegar ao fim, tudo é muito rápido neste momento. Mas o seu comentário foi muito agradável. Desejo-lhe a maior sorte no desafio. Um abraço.

  6. André Lima
    27 de abril de 2018

    É engraçado como com sotaque lusitano, até os xingamentos possuem um charme, haha.

    Aqui temos uma ideia interessante. É um monólogo, com um formato quase que se assemelha a um roteiro de teatro, mas com uma linguagem mais voltada à literatura. O diálogo não funcionaria num teatro, mas, ao mesmo tempo, dá ao conto um ar épico, como se fosse uma tragédia shakespeariana.

    É muito bem escrito, lento, arrastado, como um bom monólogo deve ser. As conjecturas, os pensamentos, os delírios são performáticos em demasia. É claro que, se o leitor esquecer que se trata de um desafio experimental e tentar ler com a mente do homem contemporâneo, não vai conseguir captar a essência do conto. A essência está justamente na experimentação da linguagem, no discurso atemporal, na caracterização exagerada das tragédias antigas.

    É muito bom o conto, é inteligente e estrategicamente sofisticado. Pegar uma ideia antiga e modernizar, sem fazer com que perdesse o charme, é um trabalho e tanto. E aqui tudo foi modernizado na medida correta, mantendo o tradicional também na medida certa.

    Parabéns pelo excelente trabalho e boa sorte no desafio!

    • Autor
      27 de abril de 2018

      Olá, André. Agradeço muito o seu comentário e leitura. Adorei ficar a saber que tenho o meu charme – nem que seja só na escrita é sempre agradável para a auto-estima. A sério, agradeço muito as suas palavras e fiquei muito feliz com elas. um abraço.

  7. Amanda Gomez
    27 de abril de 2018

    Olá, Filho da mãe.

    Sabe, a primeira vez que eu li seu conto eu interrompi no meu do caminho pois entendi que não estava lendo direito, você depende muito do leitor para este dar certo, eu não estava imersa na história e não quis estragar a experiência pois sabia que estava diante de um trabalho muito bom.

    Se o leitor não subir no palco junto com o personagem a leitura não terá valido a pena, agora eu fiquei, subi no palco, fiquei na plateia declamei seu texto como deve ser, e adorei. Um texto com uma técnica muito boa, uma escrita com um sotaque muito bem vindo, eu gosto tanto quando aparece esse tipo de escrita é muito agradável de ler.

    O personagem tem uma presença muito forte, a forma como ele conta sua vida deixa o leitor viajar nela com riquezas de detalhes, dá pra entender todo drama, todo relacionamento abusivo entre mãe e filho e em como eles sofrerem. Vemos como isso os moldurou como muitas vezes não tem conserto depois que se começa tanto errado… e chagamos até onde ele está agora, período e mal acostumado com a vida que levava,

    Enfim, um texto muito bem executado, pensado.

    Parabéns! Boa sorte no desafio!

    • Autor
      27 de abril de 2018

      Oi, Amanda. Estamos na recta final, não é? Uns correm para terminar, como você, e outros já não sabem o que responder, como eu. Agradeço muito o seu comentário e leitura e desejo-lhe a melhor sorte neste desafio. Um abraço.

  8. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Gostei do estilo dramatúrgico e das interações com imagens do Youtube. O sotaque de Portugal também deu ao texto um sabor especial, para nós, brasileiros. O estilo confessional do monólogo, se encenado, poderia tornar-se monótono quando encenado. Acho que faltam rubricas de interpretação, que inclusive poderiam mudar a entonação do texto. De qualquer forma, gostei deveras! Parabéns!

    • Autor
      27 de abril de 2018

      Olá, Daniel. Agradeço muito a sua leitura e comentário.Para ser encenado, falta muita coisa, mas para ser lido, quase sobra. E foi escrito para ser lido, com algum receio de estar a ir longe de mais na encenação, está a ver? No entanto, à medida que vou convivendo com esta história que inventei, cada vez me sorri mais a ideia de vê-la em palco. E você gostou deveras,como diz. Que mais poderia desejar? desejo-lhe a melhor sorte no desafio. um abraço.

  9. Ana Carolina Machado
    25 de abril de 2018

    Oiiii. Achei o conto muito bem elaborado e também achei interessante ele está em formato de peça, me lembrou de umas peças do Gil Vicente que li enquanto estava no ensino médio, principalmente de uma peça chamada O prato de Maria Parda, que é quase toda um monólogo da mulher que queria mais vinho. E ao chegar no fim da leitura entendi que a farsa que fala no título tinha como objetivo fazer o leitor acreditar que quem tinha morrido era mãe quando na verdade era o personagem, o filho, que fazia o monólogo(por isso que no fim fala que a farsa chegou ao fim e que eles tinham se livrado dele). Parabéns. Abraços.

    • Autor
      27 de abril de 2018

      Olá, Ana Carolina. Agradeço muito a sua leitura e comentário. E penso: nós, portugueses, devemos soar muito estranhos aos vossos ouvidos, habituados a uma linguagem bem mais informal. Sabe? é que eu nem consigo ler Gil Vicente 🙂 de arcaica que é a linguagem que ele usa. Ri-me imenso, no melhor dos sentidos, a ler que alguém teve a sensação de ler o Gil Vicente enquanto me lia a mim. Ainda bem que gostou.Um grande abraço.

  10. Renata Afonso
    25 de abril de 2018

    Oi, Filho da Mãe!
    Texto dramático, forte, sensível e bastante triste, e por incrível que possa parecer, tratando de um relacionamento um tanto quanto endeusado, mas que inúmeras vezes termina mesmo dessa forma, magoas, ressentimentos, pessoas que apenas se agarram umas às outras, por motivos os mais variados, enfim, uma pela de teatro pontuada por links do youtube que caem perfeitamente bem em cada cena.
    Amigo(a) lusitano(a), eis que gostei muitíssimo do vosso experimento, meus parabéns, boa sorte no Desafio!

    • Autor
      26 de abril de 2018

      Amiga de além-mar, eis que gostei muitíssimo do seu comentário, Renata. Que bom que gostou! Um abraço e boa sorte no desafio.

  11. Sabrina Dalbelo
    25 de abril de 2018

    Olá,

    Querido(a) autor(a), deixa eu te falar… me senti no teatro mesmo, viu!?
    Quanta mágoa, quanto ressentimento, quanto amor desperdiçado e, claro, quanta dependência.
    O tom teatral – que traz o instrumentalismo, a meu ver – está bem certinho.
    As falas são tristes e cheias de emoção.
    Teu texto trata de um assunto muito sensível: nossa relação de dependência maternal. Somos gratos à pessoa sem a qual não estaríamos nesse planeta, mas, ao mesmo tempo, carregamos mágoas e ressentimentos de “como tudo poderia ter sido diferente”, e essas mágoas nos mandam pedir colo justamente para ela.
    Ficou bem legal!
    Parabéns!

    • Autor
      26 de abril de 2018

      Olá, Sabrina. Que bom que você gostou. Sim, o tema é muito sensível, mas uma realidade de muitas mães e de muitos filhos, não necessariamente com estas consequências. Agradeço a sua leitura e comentário e desejo-lhe boa sorte no desafio. Um abraço.

  12. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de abril de 2018

    Completamente enfeitiçado com essa obra. Meus parabéns. Me emocionei tanto. E a apresentação do trabalho numa roupagem dramaturga foi muito acertado e experimental.

    Parabéns.

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá Gustavo. Se o meu conto o enfeitiçou, o seu comentário encantou-me. Que mais dizer? Obrigado. Um abraço.

  13. Thata Pereira
    24 de abril de 2018

    Esse monólogo me lembrou muito as aulas de semiótica. Todas as vezes que meu professor dizia “não existe essa de amor de mãe, porque se amor de mãe existisse, mães não abandonariam os filhos”. E esse texto é o exemplo muito claro do porque, muitas vezes, penso em não ser mãe. Ter um filho é algo muito complexo, porque posso criá-lo bem ou mal, mas a forma que escolhi para criá-lo interferirá para sempre na vida dele. Deixará marcas minhas nele, até o ponto de, talvez, ele ser uma extensão minha. Isso é cruel e não vou me estender, porque é complexo até mesmo de entender e, muitas vezes, de aceitar.

    Acho reflexões sobre essas necessárias, porque muitas vezes estamos presos no nosso mundo e não enxergamos com os olhos dos outros. Sempre costumo analisar o modo como uma pessoa age diante de algo comparando o ato com a sua criação ou com o ambiente no qual ele foi criado, as oportunidades que foram ou não oferecidas. Sempre achei aí as respostas. Daí eu acho um texto como esse não só bom, mas necessário.

    Eu até diria na vida real que devemos ouvir a mãe. Mas como é, espero, uma ficção, levo em consideração que o narrador esteja correto no que diz.

    Boa sorte!!

    • Autor
      24 de abril de 2018

      Olá, Thata. Agradeço sua leitura e comentário a que fui particularmente sensível. O tema que aborda é demasiado sensível para poder ser comentado aqui e sem levantar o anonimato. Falamos na próxima semana, ok? mais uma vez, agradeço. Um abraço.

  14. Priscila Pereira
    23 de abril de 2018

    Olá Filho da mãe,
    Que texto forte!! Por ter uma mãe muito diferente dessa aí, foi difícil de imaginar um relacionamento entre mãe e filho assim. Fiquei pensando em até que ponto uma pessoa pode estragar a outra e cheguei a conclusão de que nem tudo pode ser mudado, manipulado, a maior parcela de culpa das desgraças da vida recai sobre a própria pessoa e suas escolhas e atitudes, mesmo que outra pessoa a tenha levado a isso. Mimado. Foi como seu protagonista me pareceu.
    Ótima escrita! Ótimo conto!
    Parabéns e boa sorte!

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá, Priscila. Sim, não se compadeça, ele era mesmo um filho da mãe. Ótimo comentário. Agradeço muito e desejo-lhe boa sorte. Um abraço.

  15. Mariana
    23 de abril de 2018

    É um texto denso, exemplo de bela e forte frase: (…) Fiquei sem ti, mãe.

    E agora, haja o que houver, nunca mais estaremos bem. (…)

    Um texto sobre a mais complexa das relações, entre mães e filhos. Um homem, bastante antipático e desprezível (mérito do autor), fala sobre a morte de sua mãe, culpando-a pelos seus problemas e fraquezas. É interessante, a morta não estava ali pra se defender. A peça é aquele tipo de texto que tu pode ler 30 vezes,sempre terá uma nova perspectiva. Atende ao tema do desafio pelo formato e links, esses interessantes mas que quebraram a minha atenção. Autor, o seu texto já estava majestoso sem eles. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá, Mariana. Agradeço o seu comentário e leitura. Ao fim de tantos contos seguidos já estamos um bocado cansados, bem sei, e aí você não apanhou a frase final em que o Filho da Mãe revela que ele é quem realmente morreu. Acredito que esse pormenor dê uma releitura bastante diferente ao texto. Daí que, claro, ela não estava ali para se defender, estava com os seus outros filhos a chorar a morte do filho da mãe que acredita tê-la deixado no inferno em vida e vai desta para melhor, ele próprio, a rogar pragas a tudo e a todos,como sempre.
      Mas se mesmo sem esse pormenor você apreciou tanto,eu só tenho mesmo é que agradecer e agradecer e voltar a fazê-lo. Um abraço e boa sorte no desafio para si também.

  16. jowilton
    23 de abril de 2018

    Um bom drama. A escrita é experiente e o autor demonstra habilidade no trato das palavras. Devo confessar que qiase me cansei da leitura, muito por conra do lexico empregado na narrativa. Não acho original o uso de uma forma teatral para um conto. O personagem é mesmo um filho da mãe, para não dizer filho da “outra”. Vi referências ao Chico Buarque nesse seu malandro português, além das citação de dois versos da música construção. Ao terminar o texto me veio a mente um ditado popular que diz mais ou menos assim: “Por que me odeia? Se eu nunca te ajudei!”. . Boa sorte no desafio.

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá, Jowilton. Agradeço a sua leitura e comentário. Desconhecia esse ditado popular que refere, mas compreendo-o perfeitamente. E isso daria um tratado ou muitos contos sobre os conflitos interiores dos ajudados face aos ajudantes, necessariamente numa posição priviligiada relativamente à sua, e que muitas vezes gera sentimentos de ódio e revolta em lugar da suposta ou esperada gratidão. Então, creio que você afirmou que não me “odeia”, pelo contrário e creio que o sentimento de simpatia é mútuo. Um abraço e boa sorte no desafio.

  17. Rubem Cabral
    23 de abril de 2018

    Olá, Fliho da Mãe.

    Gostei bastante da sua peça de teatro. A experiência de ler e assistir os vídeos foi também um complemento interessante. Em alguns experimentos do tipo poder-se-ia perder com o acréscimo dos recursos de multimídia, mas como o seu texto revelou-se um pilar sólido, resultou em algo muito bom, com igualmente bom desenvolvimento de personagens, alguma poesia e excelente condução do texto, que é melancólico e desnuda sem pudores a alma do narrador.

    Parabéns! Gostei muito.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá, Rubem. Fiquei muito contente com o seu comentário e leitura. Gostei das suas palavras que agradeço e desejo-lhe a maior sorte no desafio. Um abraço.

  18. Catarina Cunha
    22 de abril de 2018

    Frase chave: “Há gajos que têm um tal receio de se comprometer com a vida e falhar, que à conta disso só fazem é merda.”

    Acho que o experimento aqui foi a forma de roteiro para teatro. Penso que, como roteiro de monólogo, falta dados para a ação.

    Gostei do tom dramático que me fez rir de toda essa “lavação de roupa suja”, como se diz por aqui. O vocabulário é riquíssimo e há um bom domínio estético da língua.

    Sugiro dar uma boa enxugada, pois alguns pensamentos estão repetitivos e prolixos. Isso tira a agilidade do texto. Embora isso pode ter sido exatamente o seu experimento, então está valendo.

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Olá, Catarina. Aqui também temos essa expressão, chamamos-lhe o “lavar de roupa suja”. E a frase chave é mesmo a que você apontou, uma vez que é a verdade que vai definir todo o destino do filho da mãe, como de tanta gente, não necessariamente pelos mesmos caminhos.
      Agradeço a sua leitura e comentário e desejo-lhe boa sorte no desafio. Um abraço.

  19. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Filho da Mãe!

    Veja bem, o texto está tão bonito, tão apurado, que as inserções de som e vídeo não fariam falta! Elas acrescentam ao conteúdo, mas não são exatamente obrigatórias. O texto sozinho já se sustenta, inclusive dentro do tema do desafio. Achei um trabalho primoroso!
    Embora seja mais um conto com acentuação melancólica, é legal notar o emocional do narrador em cada palavra, que vão da tristeza à raiva, da decepção ao inconformismo numa fração de caracteres. E nunca saindo da linha do conto, ou seja, tudo muito real e crível. O personagem, centro do conto, é uma âncora muito firme, que nos segura enquanto quer, e nos solta quando recolhido pelo autor. Achei muito bom.
    Eu tenho lá minhas críticas à inserção de elementos que me impeçam de ler o conto fora do computador. Aqui seria o caso se os vídeos não fossem apenas complementos. A história se desenvolve sozinha sem eles (e as notas explicativas no final ajudam bastante, também).

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Autor
      25 de abril de 2018

      Salve, Andre. Agradeço muito o seu comentário e leitura. Sim, pretendi que o conto (a parte escrita que é o que sempre está em causa num desafio desta natureza) fosse suficiente por si mesmo. Mas os links remetem para, quase, outros pontos de vista, e, se este conto fosse encenado em lugar de apenas escrito, eles teriam o efeito contrário: seriam extremamente agradáveis; isto além de serem o elemento experimental mais relevante e o que cria a adaptação ao tema do desafio.
      Uma vez mais, agradeço a sua atenção e participação. Um abraço.

  20. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de abril de 2018

    boa tarrrde, td bem??

    seu conto me deixou dividido. por um lado, temos uma excelente construção textual, impecável. a estrutura é otima, a escrita (gramatical e dominio do idioma) é excelente, o vocabulario é rico. o experimentalismo também saiu sob medida. a intertextualidade, com inserções dos vídeos, me soou muito bem. a ambientação do local, devido aos vídeos, ficou perfeita, consegui sentir o clima do ambiente.

    por outro lado, achei a leitura um pouco monotona e cansativa, talvez pela propria escolha de estrutura textual. o monotono acabou ficando um pouco arrastado.

    o enredo é interessante. trata da relação tóxica de mãe e filho que tantas vezes se constituem, destruindo não somente a vida de ambos, mas tudo ao redor. acredito que muitos, como eu, tenham lido pensando em famílias que conhece, e sentido pena de tais famílias. a familiaridade com que você expôs o assunto foi impressionante. fiquei me perguntando se você mesmo vivenciou essa situação de perto, com alguem da familia.

    enfim, um trabalho cuidadoso, que surpreende pela estrutura impecável, mas que acabou ficando um pouco cansativo pelo proprio estilo escolhido.

    parabens e boa sorte!

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, Luís. Muito obrigado pelo seu comentário e leitura. Quem de nós não conheceu já relações tão tóxicas quanto esta? Acredite que há imensas: entre pais e filhos, irmãos, marido e mulher, até entre amigos, por vezes. Nós, humanos, somos muito tóxicos, de que outra forma explicar o que fazemos ao planeta que nos acolhe?
      Gosto de escrever o que gosto de ler. E aprecio mais os clássicos, duros e pesados.
      Percebi que apreciou e agradeço por isso. Desejo-lhe a melhor sorte no desafio. Um abraço.

  21. Luís Amorim
    21 de abril de 2018

    Um enredo teatral em jeito de monólogo, muito bem escrito. Os vídeos com os seus links é que cortam um pouco a leitura mas entendo que tivesse de ser mesmo assim.

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Agradeço o seu comentário, Luís. Eu bem queria que os links entrassem directamente no conto, como em cena, mas essa parte ainda não se consegue. Virá o tempo, acredito.
      Obrigado de novo e um abraço.

  22. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Texto perfeito, com uma boa adequação ao tema. O experimentalismo acontece na escolha do formato de texto teatral e da utilização de elementos multimédia. Tecnicamente, é perfeito. A escrita é simples e elegante. O monólogo de um homem solitário, que sente falta da mãe possessiva a quem ele também infernizou a vida, é tocante. Ao ser testemunha do vazio em que se tornou a sua vida, não posso senão reflectir, enquanto pai, o que fazer para garantir que o mesmo não aconteça a um filho meu. É esta a minha grande preocupação e, enquanto a mantiver,vou saber que estou a ser um bom pai. A qualidade de um bom texto comprova-se pelas reflexões que provoca no leitor – sendo o presente texto um bom exemplo disso. O(a) autor(a) está de parabéns.

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, Jorge. Adorei o seu comentário e agradeço-lhe imenso por ele e pela leitura atenta e interpretação fidedigna. Para se praticar bem o exercício da parentalidade, não é necessário muito. A simples preocupação em fazê-lo da melhor forma possível é já uma garantia de que não se está a ir muito mal. Depois há os resultados, umas vezes melhor que outras,é mesmo assim. Felizmente,os filhos são pessoas, tal como os pais e também erram por conta própria. Somos fruto de muitos processos de socialização e ainda trazemos à nascença a nossa marca única, que se reflectirá sobre a forma como interiorizamos o que nos sucede ao longo desta caminhada que é viver. Mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser os únicos responsáveis por tudo o que somos.
      Este discurso veio a propósito das suas reflexões quanto ao ser ou não um bom pai. Acredito que seja. Mas enquanto acreditar que pode ser melhor, sê-lo-á. A insatisfação com nós próprios e com o mundo é a grande mola propulsora do desenvolvimento. Continuemos, então. Crescer e aprender são tarefas que não esgotam nem ocupam lugar.
      Agradeço uma vez mais, o seu comentário que, não é demais reforçá-lo, me deu imenso prazer. E desejo-lhe a melhor sorte no desafio.

  23. Autor
    20 de abril de 2018

    Olá, José Américo. Muito obrigado por sua leitura e comentário. Sabe uma coisa? Depois de terminar de escrever o conto (que inicialmente não estava sob a forma de teatro) também achei que gostaria muito de o ver em palco. Maiorzinho e bem interpretado, acho que dava sim. Mais uma vez obrigado e boa sorte no desafio. Um abraço.

  24. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Bom trabalho, o conto não soa pedinte e é bem bonito e envolvente. Aqui, os links ficaram meio deslocados, seria melhor se tivesse usado o recurso utilizado no conto Contagioso, aqui do desafio, onde um dos links é apenas a palavra “aqui”, sem coisas assim: youtube.w0ufbpwodcbwpoecn2, entende? Digo por estética mesmo, esse links longos e malucos no meio do texto acabam quebrando a imersão (por mais que is vídeos sejam bacanas). No mais, bom trabalho

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Higor. Agradeço a leitura e comentário atento. Tem toda razão quanto aos links ficarem esteticamente muito melhores como diz, mas sofro de alguma “infognorância” e não sei como se faz. Terei de aprender. Até lá, ficou como consegui. Importante mesmo,é que tenha gostado. Mais uma vez obrigado e boa sorte no desafio.

  25. Rsollberg
    20 de abril de 2018

    Fala, filho da mãe!

    Aqui o experimentalismo consiste em trazer o roteiro de uma peça de teatro para um desafio de contos. É muito interessante pois cria na cabeça do leitor duas imagens, a da história propriamente dita e a da a encenação dos atos. Nessa última perspectiva, com um pouquinho de imaginação, é possível visualizar o ator se movimentando pelo tablado e declamando o monólogo.

    A escrita é bem competente e segura, algumas passagens são soberbas, tal qual esta :encabeçada, claro está, pelos manos, os teus outros filhos que há muito deixaste órfãos – só eu te interessava, só eu te movia”, aqui em poucas linhas se diz muito, abrindo um leque de reflexões para o leitor, que poderá preencher as motivações que acompanham esse comportamento.

    O protagonista é uma figura rica em complexidade, é absolutamente real, tangível, palpável. Seu ressentimento pode ser sentido em cada linha ultrapassada. Encarei ainda um paradoxo onde não é possível definir de quem é a culpa originária, quem é o verdadeiro responsável pelo comportamento do oposto. A mãe, personagem oculto, é um apanhado de vicios, o relacionamento abusivo de amor, ódio e dependência mútua, coberto de obsessão, justamente seu principal alimento. Ainda que não tenha fala, ela tem voz eloquente sob a perspectiva do protagonista, lançando ao espectador uma sensação dúbia de rancor e compadecimento.

    Creio que foi Bertolt Brecht que disse que toda peça teatral não encenada é uma obra inacabada, ou seja, ainda não alcançou sua plenitude. Portanto, mãos a obra, autor!!

    Parabéns e volte sempre!

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá colega entrecontista. Agradeço muito o seu comentário e observações detalhadas. Efectivamente, este filho da mãe é um poço sem fundo de ressentimentos, um personagem simultaneamente (assim o tentei, pelo menos) execrável e algo fascinante.
      Levar a peça a cena era algo em que não pensei antes, mas agora me atrai. No entanto, além das dificuldades que decerto iria encontrar para isso, acho-a excessivamente curta para esse efeito.
      Uma vez mais, aceite o meu agradecimento e um abraço.

  26. Rose Hahn
    16 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Elegantérrima;
    . Enredo: Freud, meu alter ego, já dizia, a culpa sempre é da mãe.
    . Adequação ao tema: Nem a minha mãe faria melhor;
    . Emoção: Por conta do ecrã. Adoro palavras crocantes.
    . Criatividade: Shakesperiana.

    . Nota: Essa mesma que vc. está pensando, seu filho da mãe.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Rose. Agradeço imenso a sua leitura, comentário e avaliação. O seu era um dos comentários que aguardava com mais interesse devido à sua actividade e conhecimentos relativos ao funcionamento da psique. Então, que dizer? adorei lê-lo. Muito obrigado de novo. Um abraço.

  27. iolandinhapinheiro
    16 de abril de 2018

    Olá, autor!

    O experimentalismo aqui é explícito, pois nos deparamos com uma peça e ainda links para vídeos. A qualidade literária também. Não há dúvidas que o autor domina a língua e sabe criar uma história onde o mergulho no personagem (e que personagem!) foi o mais profundo neste desafio.

    O texto segue desfiando as nuances do caráter do narrador, um sujeito detestável, egocêntrico e que tenta justificar suas falhas atribuindo aos outros a responsabilidade por elas.

    Essa relação entre filho e mãe sempre precisa ter uma medida justa, a do amor, sem esquecer da individualidade. Eu sou uma mãe possessiva, quase desesperada, mas aprendi tardiamente a deixar que meu filho tomasse decisões em sua vida escolar, tenho consciência que atrapalhei a vida dele com a minha interferência, são as armadilhas do amor, afinal.

    Não é o tipo de texto que eu mais aprecio, digo que é até difícil de ler pela falta de fluidez, mas sei quando me deparo com algo muito bom, e foi este o caso do seu texto, então só me resta parabenizá-lo pelo feito, um abraço.

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, Iolandinha. Agradeço a sua leitura e comentário. Não se atormente quanto ao seu exercício da maternidade, o simples facto de se pôr em causa é logo indicativo de que não se terá permitido ir excessivamente longe. Os filhos são algo demasiado íntimo para que os pais (e as mães ainda mais, pois essa proximidade física nasce ainda antes do filho) consigam ter o distanciamento que seria desejável em tantos momentos.
      Agradeço os seus comentários e palavras. Um grande abraço.

  28. Evandro Furtado
    13 de abril de 2018

    Esse é, sem dúvida, o conto mais intenso do desafio. Permeado por diversos elementos externos, ele assume uma característica poderosa, adquire uma força imensurável. Ele ataca o sujeito, enfraquece o objeto, que se desfaz. É impossível manter-se inerte, imparcial, porque o conto machuca, o conto invade, ele provoca e ele tira o que tem de tirar. Ele brinca com a vida e tira sarro da morte. Ele coloca a mãe e a (e)namorada lado a lado, compara-as, mostra-as como iguais, e faz escolher. Ele toca fogo na sala, sai correndo, e deixa o leitor lá, a queimar.

    É indubitável.

    Ooooooooooooooooooooooooooooooooooutstanding!

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, Evandro. O seu comentário deixou-me sem palavras para agradecer devidamente. Fiquei feliz com a sua leitura e a interpretação quase física que lhe deu.Não poderia desejar mais. Um grande e agradecido abraço.

  29. Ricardo Gnecco Falco
    12 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A riqueza trazida à obra pelos belos e tocantes vídeos indicados no texto. O tom esfumaçado e escuro, compactuando com a densidade do enredo.

    PONTOS NEGATIVOS = Tratar-se de um monólogo. A falta de outras visões, ângulos e representações torna-se um inconveniente para o leitor acostumado a (ou esperando) encontrar um conto.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = É um belo trabalho. Sua riqueza reside, exatamente, no mergulhar da personagem por dentro de sua própria essência; encarando sua própria face oculta e ‘feia’. Contudo, levando em consideração o presente Desafio, penso que o autor ‘experimentou’ o próprio leitor, no que tange a aceitação, ou não, do mesmo com relação ao trabalho lido/analisado tratar-se de um conto e, sobretudo, um conto experimental.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Transformar a história teatral em um enredo literário, adaptando-a aos preceitos de um futuro desafio temático aqui do EC.

    Boa sorte!

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, Ricardo. Agradeço a sua leitura e comentário, bem como as sugestões, sempre bem vindas e motivo primeiro de participação. Vejo que discordamos quanto ao conceito de “conto”; para mim, desde que conte, é conto, neste caso em forma de roteiro teatral. Poderia sim, transformar num enredo literário, mas aí perderia grande parte da sua força que reside na voz que se declara em primeira pessoa e publicamente, e por esse motivo não alterarei o formato.
      Experimentar o leitor é algo que fazemos em tudo quanto escrevemos. Não, a parte experimental aqui reside na introdução de momentos multimédia, que, não fazendo parte, aportam outras informações complementares.
      Boa sorte no desafio. Um abraço.

  30. Ana Maria Monteiro
    8 de abril de 2018

    Olá, Filho da Mãe. O nome assenta-lhe bem. E nem depois de morto você deixa de brincar com os outros. Bem, logo no início, o primeiro vídeo mostra-nos bem quem é o morto e quem fica vivo, mas nem nos apercebemos e logo embarcamos na sua conversa. Depois dá-nos a visão que gostaria que tivéssemos de si: um menino que dança a sua dança, isolado, entre “uns e os outros” que seguem as suas vidas sem lhe prestar atenção. E por aí vai. Gostei muito.
    Vi só um problema: é provável que alguns comentadores não sigam os links e aí poderão não achar experimental.
    Para mim os links entrançaram naturalmente na história, completando-a e dando uma releitura a tudo o que é dito. Achei bastante experimental, até porque em livro não pode existir e em eBook não sei se existirá alguma coisa assim. Para uma leitura apressada, como por vezes é imperativo que algumas sejam, talvez um caminho mais óbvio tivesse outro alcance, mas você já é grandinho e nem o critico, até porque gostei muito assim.
    Só um parecer, se me permite: penso que o actor poderia estar nu (eu vi-o sempre nu) enquanto lia. Podia colocar o chapéu no final, mas a nudez seria um excelente complemento.
    Quando um texto é em português PT, sou incapaz de o ler sem pensar que uma ou outra palavra ficaria melhor em lugar de uma que leio, mas está muito bem assim.
    Um conto bem escrito, revisto, original e dentro do tema proposto. Gostei muito.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Ana. Agradeço a sua leitura e comentário. Você deu uma interpretação muito próxima da que tive ao escrever, mas quem nos lê em português PT, entende com outra facilidade, imagino. Gostei muito dessa dica de colocar o actor nu, é possível que no final altere esse pormenor, sim. Agradeço uma vez mais e desejo que o desafio também esteja a ser bom para si. Um abraço.

  31. Paula Giannini
    6 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Então é teatro… Um monólogo. Muito bom.

    A atmosfera do conto (do monólogo) como um todo lembrou-me, não se se você leu(se não, recomendo), Noites na Taverna, de Alvares de Azevedo. Aqui, como lá, temos um parasita, um pária a expurgar suas culpas. Ou melhor, talvez, apenas a confessá-las, como faz Macário, protagonista sem caráter do texto a que me refiro.

    Personagens amorais são um prato cheio em um espetáculo de teatro, são os anti-heróis, que nos incomodam, talvez por estarem, de certo modo, tão próximos a nós mesmos.

    O interessante é que seu Filho da Mãe, seu herói sem caráter, seu desviado confesso, ao se entregar à morte, não satisfeito com a vida de sangue suga, pretende, de algum modo, arrastar também a mãe para o lodaçal do inferno. Em sua acusação, ele faz a mea culpa, mas, também aponta o indicador à progenitora, também ela, vítima e carrasca de uma relação doentia.

    A construção do personagem é dúbia, funesta. De tão real, chega quase a ser palpável, cheira a cigarro, à bebida, ao azedume do vômito das bebedeiras em roupas sujas. E, ao passo que se confessa, ainda assim, o personagem mostra seu caráter doentio, ao se comprazer até mesmo da dor de ser o que é, declaradamente, culpado e sem culpa. Um psicopata.

    Gostei, igualmente, de suas respostas por aqui, mostrando que há mais dessa criação guardada aí em suas mangas.

    Quanto à carpintaria teatral, com seus vídeos, quando escrevo para o teatro, também vejo a cena como um todo, música, cenário, vídeos (se for o caso). Fica ao critério da direção (já partindo do pressuposto que você irá montar o espetáculo), a liberdade de utilizar ou não suas sugestões que, talvez, para mim (sempre friso que é para mim), pareceu mais uma estratégia de um Português a nos mostrar a riqueza e a beleza de sua cultura. Que aliás é maravilhosa. Sou neta de Portuguesa e o fado me fala à alma. Mas, não sei se essa pirotecnia seria necessária.

    Bem, o parágrafo cima é puro preciosismo meu, desabafo de uma leitora roubada de uma determinada atmosfera (cada leitor cria a sua), para adentrar em suas sugestões. Ainda assim, seu texto é irrepreensível. Muito bom.

    Parabéns pela dramaturgia-conto.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Paula. Devido à sua personalidade encantadora, à capacidade de comentarista, à sua actividade principal e ao formato que dei ao conto, o seu comentário era um dos que mais aguardava. Agradeço muito as suas palavras. Depois de levantado o anonimato, irei pedir-lhe alguns conselhos. Daqui até lá, desejo que o desafio lhe seja tão grato quanto a sua participação o faz e deixo-lhe um grande abraço.

      • Paula Giannini
        20 de abril de 2018

        Querido(a) autor(a),
        Embora eu não saiba se serei digna de tanta consideração. Será um imenso prazer conversar com você sobre seu conto/peça de teatro.
        Beijos
        Paula Giannini

  32. Fabio Baptista
    3 de abril de 2018

    Eu li esse texto e adiei o comentário. Daí reli e adiei de novo… bom, não posso deixar de comentar para sempre, então vamos lá. A verdade é que eu queria ter gostado mais dele. Está bem escrito, criou uma excelente atmosfera (foi possível “visualizar”, durante todo o tempo, um ator num palco escuro, meio esfumaçado, declamando o monólogo do filho da mãe), atendeu ao tema (não com um enorme novidade, mas atendeu)…

    Tudo isso somado, claro, garante uma boa nota dentro dos parâmetros do desafio, mas levando em conta aquele fator subjetivo que é impossível deixar de lado por mais que tentemos, devo dizer que não me foi uma leitura das mais agradáveis. Algo me travou aí no meio do caminho e, a despeito de todas as qualidades citadas, a leitura me foi arrastada praticamente do início ao fim.

    Vendo os comentários, fico feliz em perceber que os outros apreciaram, pois o conto é bom, afinal.

    Abraço!

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Fábio. Agradeço a sua leitura e impressões. Você gostou da atmosfera, conseguiu visualizar mentalmente, tudo isso me diz que o conto atingiu o objectivo desejado. Lamento que tenha travado, mas somos um grupo bastante heterogéneo e nada mais natural que agradar mais a uns que a outros, mais umas vezes que outras e, como diz, houve quem apreciasse e isso tem um sabor delicioso. Um abraço.

  33. Cirineu Pereira
    31 de março de 2018

    Gostei, ainda que talvez o enredo, ou o tema do discurso pudesse ser mais denso, mais centrado. Pareceu-me que o caráter “filho da mãe” é algo maternalmente hereditário, então provavelmente a própria genitora mereceria mais destaque e a relação mãe e filho se faria mais concreta aos nossos olhos. E quanto ao experimental, residiria tão somente não adição dos links? Em caso afirmativo, é tecnicamente válido, mas sobre mim ao menos não surtiu grande efeito. Parabéns, poréns à parte, continua um bom texto.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Cirineu. Agradeço a sua leitura e comentário. Sim, o experimental seria precisamente acrescentar o visionamento dos vídeos à leitura do texto que complementam, cada um deles sob uma certa perspectiva. Ler, ver e ouvir em simultâneo, pareceu-me bastante experimental, até porque não sei se existe algum ebook nesse formato, mas em papel não seria possível. Se o leitor não aprecia os vídeos ou se não os vê, isso já é algo que escapa ao autor. Como tudo o que escrevemos, não é? Há quem goste e quem não goste. Mau sinal é quando ninguém gosta; e se toda a gente gostar também é estranho.
      Mas a sua leitura e observações, deram-me grande satisfação e desejo-lhe a melhor sorte neste desafio, donde o que de mais importante levamos é a experiência enriquecedora de partilhar opiniões e ouvir as sugestões de quantos se abalançam a escrever, tal como cada um de nós. Um abraço.

  34. Rodrigo
    31 de março de 2018

    Apesar de não me identificar com a história e achar que seu conteúdo tem pouco sumo (até porque só lhe era permitido escrever até 2.000 palavras), eu até gostei. Essa é a minha opinião. Agora devo-lhe dizer amigo português, que os seus versos são elegantíssimos e belíssimos. Destaco este:

    Foi uma vida suada, sofrida, lixada, gorada, fodida.

    Fui um belo cabrão: mau filho, pior pai, nunca marido e jamais irmão.

    Só eu me interessava, ninguém mais contava e fiz o que queria.

    Mandava p’rá veia, chorava, berrava e ainda sorria.

    Amava, usava e seguia em frente.

    Partia, voltava, estava e esquecia, só eu era gente.

    Mas tu estavas lá, era isso que interessava – a mim e a ti.

    E embora não saibas, chorava às escondidas e por todos sofri.

    Continue!

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Rodrigo. Agradeço a sua leitura e comentário. Não terá sido o conto que mais lhe agradou (temos aqui para todos os gostos), mas nem por isso deixou de ser simpático e agradável em suas palavras e até fez alguns elogios que muito apreciei e de novo agradeço. Desejo-lhe boa sorte no desafio. Um abraço.

  35. Evelyn Postali
    28 de março de 2018

    Eu me arrepiei com o monólogo. Gostei dos links. Esse último é intenso. Amei a maneira como você estruturou o conto, como uma peça de teatro. Eu amaria ver esse monólogo no teatro. Acho que tem tudo a ver com o tema. Um discurso final de adeus, se é que se pode discursar no final sem levar em conta a mudez que a morte nos impõe. Não vislumbrei erros de escrita. Está tudo no lugar certinho.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Evelyn. Adorei que se tenha arrepiado, desculpe. mas foi um prazer ler essa afirmação. Afinal é o que todos pretendemos, certo? que os outros sintam alguma coisa quando lêem o que escrevemos.
      No final, se não nos prendermos ao que acreditamos ou não, tudo é possível. Ficamos mudos para os vivos, mas ficá-lo-emos de todo? E se pudéssemos, não teríamos todos um discurso final? Não sei, gosto de acreditar que tudo é possível. E gostei de dar voz a um morto incógnito.
      Mais uma vez, obrigado. Um abraço.

  36. werneck2017
    27 de março de 2018

    Olá,

    De fato, a frase final desfaz o engano induzido no início do texto. Não é a mãe a morrer, mas o protagonista:

    P’ra vossa paz e descanso, jaz morto e apodrece, este grande filho da mãe.

    Um homem que se deixou levar pelas carências e enganos de uma mãe que o tornou predileto, sabe-se lá porquê! Não há explicação para as afinidades com determinado genitor. Um conto em forma de peça de teatro bem escrita e bem levada a termo, ainda que a premissa não seja original. Um filho que se vê frustrado por ter mais alguém a quem iludir e de quem se aproveitar, um filho que é realmente um filho-da-mãe.

    • Autor
      22 de abril de 2018

      Olá, colega entrecontista. Agradeço a sua leitura e comentário. Nunca se sabe o motivo que leva tantas mulheres a terem relações doentias com os seus filhos, mas é o que não falta. E depois temos filhos da mãe como este. Um abraço.

  37. Angelo Rodrigues
    25 de março de 2018

    Caro,
    o *à partir* ao qual me referi está no meu comentário e não no se texto. O erro foi meu e não seu. Abraços.

  38. Antonio Stegues Batista
    23 de março de 2018

    Com certeza uma peça portuguesa, peça de teatro, quero dizer. O autor é português? Talvez sim, talvez não. Costumo dizer que o escritor não tem pátria. Mas algumas palavras do português de Portugal aí estão. Mas isso não importa. O texto está bem escrito, as lamentações do filho da mãe bem criadas, fortes, lúcidas. Mas achei que rodeou muito sobre um mesmo assunto, a relação dele com a mãe, com os outros foi pouco. O ruim num texto ou numa peça de teatro, é ver o filho xingar a mãe o tempo todo. A introdução dos videos me pareceu ter ficado fora da história, em termos de emoção/ação, ficou apenas como cenário. O resto está legal como experimental. Até rimou! Boa sorte.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, António. Agradeço a sua leitura e comentário. Não é só num texto ou numa peça de teatro que um filho a xingar a mãe soa mal. Em todo o caso, na história que me propus contar não havia lugar a mais que uma simples alusão a terceiros, excepto nos dois primeiros vídeos: o primeiro em que mostra o funeral e os acompanhantes, e o segundo que retrata a imagem que o protagonista tem de si mesmo – sozinho e isolado do mundo, dançando a sua dança própria, enquanto os outros estão cada um na sua e só o olham distraidamente de quando em vez.
      Mas claro está que se ler a história sem os vídeos, ela continua a ser possível, mas perde o experimental e grande parte do conteúdo. Um abraço.

  39. Regina Ruth Rincon Caires
    21 de março de 2018

    Belo texto! Escrita perfeita, construção inteligente, recursos apropriados. Dos melhores que li até agora. Desabafo denso, carregado de ódio, de palavras salpicadas de fel. Na narrativa, nada é alegre. Só lamentação.

    É a dor falada de um relacionamento patológico. Pura doença. As vidas se perderam em virtude de um Complexo de Édipo “mal resolvido”. Quando isto acontece, várias consequências horrorosas são carregadas. Comportamento submisso, inércia, dependência excessiva. Mãe incapaz de “separar” sentimentos, de impor limites a si e a seu filho, não sobra alternativa. Os dois adoecem juntos, ela deixa de ser mãe e passa a ser opressora e controladora, massacrando-o psicologicamente. O menino vai, então, replicar e generalizar a todas as mulheres o que vivenciou com a mãe. Quando este Complexo não é eliminado normalmente durante a infância, é certo que ele continue a atuar nas idades posteriores e venha a se manifestar sob a forma de vários sintomas horríveis durante a vida adulta. A psicologia forense relata quadros assustadores.

    A primeira reação, terminada a leitura do texto, é um julgamento também carregado de sentimentos não muito bons, uma espécie de revolta pelo marasmo do “filho”. Mas colocar fim a um relacionamento deste, sem a ajuda de profissionais, é impossível. Deve ser um sofrimento que beira o insuportável.

    Parabéns, Filho da Mãe! O seu trabalho ficou perfeito, consistente. Os recursos dos vídeos, densos, o bolero com sua melodia uniforme, de um único movimento, repetitivo, deram ainda mais coerência à narrativa. Baita equilíbrio.

    Adorei o seu trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Regina. Adorei ler o seu comentário inteligente e generoso, bem à sua imagem. Agradeço imenso e dou-lhe os parabéns por conseguir ser sempre tão gentil, sem no entanto deixar de dizer o que tenha para ser dito. É uma arte que não domino, mas continuo a tentar. Desejo-lhe também a maior sorte no desafio. Abraços.

  40. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Meu querido filho, que bacana ler a sua farsa. Estar sentado na penumbra desse teatro lisboeta a te assistir em seu entrevero, em sua prestação de contas fatal com a sua mãe. Ficou bonita a sua construção. Também lhe digo, Filho, que funcionou legal o artifício de usar os vídeo clips no écran dos fundos do palco. Isto me levou mais ainda à cena. O texto é denso, profundo como costumam ser delicadas as relações entre as mães possessivas e seus filhos queridos (e únicos). Bem, é isto. Parabéns pela sua obra. Daqui da poltrona, fico de pé, bato palmas fortes e grito “bravo”. Meu abraço.

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Fernando. Que bom que gostou. Agradeço imenso a sua leitura e as palavras que dedicou a mim e a este Filho da Mãe. Um abraço.

  41. Fheluany Nogueira
    20 de março de 2018

    A típica história do “filhinho da mamãe” (em duplo sentido!!). Interessante que não foi usado nenhum recurso novo: texto em formato de peça teatral, monólogo, cenário e marcação de movimento, vídeos em alusões a poemas, desenhos e balé (Valeu!); mas, no conjunto, temos algo novo e de qualidade. Parabéns pela ideia. Boa sorte no desafio. Abraço!

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Fátima. Obrigado pela sua leitura e comentário. Espero bem que esta história não seja tão comum quanto isso, sabe? Existem muitos, só um já seria em excesso, mas que se mantenham em minoria, é o que desejo. O recurso que considerei novo foi o de incluir os vídeos na leitura, pois cada um deles tem também uma função dentro da própria história que o narrador vai contando e não seria possível fazer esta leitura no tradicional formato de papel. Para mim, essa foi a parte explícita do experimentalismo; a implícita é só minha, uma vez que foi o aventurar-me por terreno desconhecido. Um abraço.

  42. angst447
    20 de março de 2018

    Primeiro conto que leio deste desafio experimental. Com sotaque lusitano, muito bem construído, elaborado com os requintes de uma bela peça de teatro. Um monólogo para poucos, um filho que se diz sugado, mas também sugador. Um filho da puta, sacana, mas que só é assim porque sua mãe foi uma puta com ele. Uma mulher que lhe deu a vida só para tomá-la depois. Interessante essa exposição de sentimentos contraditórios. Gostei!

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, Cláudia. Agradeço muito o seu comentário e as suas considerações. Sou seu fã. Espero que o desafio esteja a correr bem para si. Um abraço.

  43. Paulo Luís Ferreira
    20 de março de 2018

    Na personificação do filho frustrado, ou até mesmo covarde, por usufruir das benesses de uma mãe possessiva, e não ter mínima força para se desfazer do cordão umbilical, agora após a morte da progenitora fica a justificar ao estigma do alienado viciado, do “fraco”, do “coitadinho”, da mãe que abonava tudo para prejuízo dos outros todos, filhos e marido. Preferiu viver suprimindo vontades próprias e quando partia, voltava como o desejado filho pródigo a viver no bem disfarçado gáudio. Me parece ter sido este o mote do enredo, o qual muito bem desenvolvido, numa linguagem própria e muito bem realizada. Bom conto e condizente com a proposta do desafio experimental. Boa alusão a música “Construção” do Chico, e muito bom também foram às introduções do teatro de marionetes e o “Poema em Linha Reta”. Quanto ao Bolero de Ravel, à bem da bela representação não vi nenhuma, ou quase nenhuma, analogia com o enredo do texto. O mesmo não posso dizê-lo do “Fado Falado”, pois não o conheço. No mais um ótimo trabalho.

    • Filho da mãe
      25 de março de 2018

      Olá Paulo. Obrigado por seu comentário. Fiquei feliz por saber que gostou. Sabe? quem morreu fui mesmo eu e não a minha mãe, ainda que eu tenha tentado induzir a todos nesse erro. Mas, se reparar, logo no início, é o filho quem está a ser enterrado no marcha fúnebre e no final eu confessa, na minha última frase, quem é o morto. Eu fui mesmo um filho da mãe, acredite. Até ao fim e mais além. Repare no texto que encontrei do autor que encontrei sobre este assunto: “Que é isso?! Ele foi embora?
      Você descarregou e saiu, seu cobarde? (traduzindo para a linguagem que você entende: fez a merda toda e deu à sola, filho da puta?) Nem mesmo morto deixa a família em paz? saiba que, apesar da dor, a sua morte foi um imenso alívio para todos, um alívio que calam por vergonha. Mas sentem. Você foi realmente o filho da mãe mais completo que se possa imaginar: como se não lhe bastasse toda a desgraça que causou e provocou, o caos que espalhou à sua volta, as vidas que destruiu. Não, ao que parece não foi suficiente, ainda veio no final acusar tudo e todos armando-se em vítima, como sempre . Acha que alguém vai acreditar que você foi a alma solitária que baila sua dança em meio ao alheamento geral, como pretende mostrar nesse vídeo do Bolero? ou o “malandro” do Fado Vadio? Não, você não foi malandro, nem marioneta, nem sequer conseguiu ser, ao menos, ridículo, foi mesmo FDP. Pensa que a sua mãe vai agora ficar sozinha? não se iluda! Ela tem mais filhos – os seus irmãos não vos abandonaram, apenas se afastaram. Sim, você soube, como poucos, usar usar esse recurso de “com a verdade me enganas” e, mesmo aqui, disse muita coisa certa, o que não disse foi a mais verdadeira de todas: que você foi o verdadeiro e único arquitecto do seu destino.
      Muito bem! Já lhe fiz a vontade, contando a sua história por palavras suas. Agora desapareça de vez!
      Xiau, good bye, adieu, arrivederci, auf wiedersehen, hasta siempre. Adeus.”

      Até ao autor eu enganei, hein?

      • Paulo Luís Ferreira
        26 de março de 2018

        Parabéns Sr. Filho da Mãe! Pela façanha de esconder de si próprio a real identidade de sua personagem. Quem dera a nós mero leitores mortais desavisados, digo “nós” porque pelo que percebi, não fui só eu que não percebeu tal imbróglio, mas todos os colegas comentaristas também foram ludibriados, pois em nenhum deles vi citação sobre tal percepção desse entendimento, a não ser, claro! O espectro do autor que, ao meu ver, foi quem realmente morreu! Que em suas explicações ficaram mais indecifrável ainda. Meus pêsames e bom convívio com os seus aí do cemitério!

  44. Angelo Rodrigues
    20 de março de 2018

    Caro Filho,

    assim que vi que você apresentou um texto em forma de peça teatral, falei: taí, e eu tentando inventar coisas experimentais por aqui. Um monólogo, talvez mais próximo de um solilóquio.

    Achei excelente seu texto.
    A construção do monólogo foi bem conduzida, inclusive quando levou em conta o fato de que ele deveria, agora, ser lido em um computador, usando ferramentas externas para composição do cenário (filmes do YouTube). Se novo não é, com certeza bem vindo e oportuno ao texto.

    Uma peça que utiliza com bastante propriedade este recurso é O Escândalo Philippe Dussaert, de Jacques Mougenot, também um grande monólogo, onde o monólogo anda à partir do que é explicado na tela (no seu funcionando de forma subsidiária). Tão fantástico quanto aquele, está o seu texto.

    Durante a leitura fui me aproximando de lembranças comiserativas, como as do nosso caro Filho da Mãe. Bateu-me em cheio o belo monólogo de Pedro Block, As Mãos de Eurídice, que tantas vezes vi interpretado por Rodolfo Mayer (o curioso disso é que, há cinquenta anos, alguém ia até a televisão interpretar um monólogo).

    Filho da Mãe é, como tantos homens (e mulheres também), um Gumercindo Tavares em As Mãos de Eurídice, tão filho da mãe quanto. Pródigos em arruinar vidas alheias, ou dividir com o alheio a ruína de muitos.

    Entre tantas belezuras, vi lá um easter egg homenageando Chico Buarque (Construção). Legal isso.

    Grande texto. Boa sorte no desafio.

    • Angelo Rodrigues
      20 de março de 2018

      Escapou ali um à partir absolutamente impróprio, mas é do tempo em que partir ainda não era verbo…

      • Autor
        25 de março de 2018

        Obrigado por sua leitura e comentário, caro Angelo. Desconheço As Mãos de Eurídice, mas vou procurar com grande interesse, até porque o senti como um elogio. E também não conheço O Escândalo Philippe Dussaert, que igualmente procurarei. Agradeço as referências. Tem mais para me dar? foi a primeira vez que arrisquei escrever dentro do género e gostei. Apreciei muito a sua leitura e interpretação. Só este segundo comentário é que achei estranho, deve ter sido em relação a outro conto e regressou a este por engano penso, uma vez que não consta nenhum “à partir”. Um abraço. E boa sorte para si também.

  45. José Américo de Moura
    19 de março de 2018

    Eu gostaria muito de ver Marcelo Serrado no palco fazendo esse monólogo, com certeza seria um sucesso. Um filho que graças ao amor incondicional de uma mãe possessiva nunca chegou a lugar nenhum e teve uma vida cheia de amarguras e remorsos. Um conto triste mas muito real. Gostei muito, parabéns e sucesso

    • Autor
      20 de abril de 2018

      Olá, José Américo. Muito obrigado por sua leitura e comentário. Sabe uma coisa? Depois de terminar de escrever o conto (que inicialmente não estava sob a forma de teatro) também achei que gostaria muito de o ver em palco. Maiorzinho e bem interpretado, acho que dava sim. Mais uma vez obrigado e boa sorte no desafio. Um abraço.

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Publicado às 19 de março de 2018 por em Experimental e marcado .