EntreContos

Detox Literário.

Conta Conjunta (Carol Camargo)

Casais confusos, conforme conversam, contornam caminhos convencionados. Crises cotidianas conduzem convívios conturbados. Caprichos contraditórios, cobiça, capital, critérios característicos. Convertidos: competição. Confusões conduzem clemências, consecutivamente.

— Depois daquilo, diligencia-se?

— Sabe, sempre sacrifiquei-me.

— Desaforado!

— Sabe separar sublimes sentenças.

Constantemente cômico: chateava-a. Casais comuns, contestando confuso convívio. Crises custam caro.

Criaram coragem. Conversaram criticamente.

— Dias deslocam-se… devia distanciar-se. Destruímo-nos.

— Soluciona sozinha situações somadas?

— Desvelo-me desejando desenlaces. Desisti.

— Seus sonhos, sumiram?

Concordou. Cobiçava se casar. Contudo, continuava cansada.

— Sinto-me sombreado.

Chorou, clamou calma. Corrigiriam contratempos conjuntamente.

Cogitaram conciliação. Consumiram ciclos. Caso concluído:

— Deficiência de discurso.

— Súpero sofrimento.

Ciciaram.

— Direcione-se. Deixo-o desenvolver-se, distanciando-me.

— Sempre serei seu.

Cambiar-se-iam. Criariam correntes contrárias. Contudo, circunstâncias congêneres chegariam. Continuariam conservando-se conflitos caseiros.

— Somos seres… somos seres…

Cambaleou. Compungida, cedeu.

— Defeituosos?

— Sim.

— Defendemos desígnios… desígnios…

— Singulares.

Constrangidos, coraram. Contemplaram-se.

Completavam-se.

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35 comentários em “Conta Conjunta (Carol Camargo)

  1. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Adoro aliterações, rs. Elas me soam como conjuntinhos de roupas da mesma cor, rs. Muito criativa a ideia de dar uma letra inicial a cada personagem e ao narrador. Sério, que criatividade! Parabéns por isso. E claro, atende ao propósito do desafio.
    Agora, confesso que pra mim algumas construções ficaram meio sem sentido. Não
    foram muitas, mas algumas ficaram. Isso comprometeu um pouco o meu ritmo de leitura, tentando encaixar, conectar melhor as coisas, porém reafirmo que está de parabéns. E foi uma leitura bem divertida, que valeu a pena.

  2. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Carol!

    Sábia decisão em deixar o conto curto. A aliteração (mesmo com a alternância entre algumas letras) pode gerar um cansaço no leitor (sem falar na dificuldade em continuar o texto com cada vez mais palavras…).
    Temos aqui uma cena do cotidiano, basicamente um diálogo entre mulher e homem, cônjuges, frente a dificuldades conjugais. A simplicidade do enredo acaba sendo obrigatória dentro da forma escolhida, então temos que observar a qualidade com que essa simplicidade foi tratada. E acho que aqui você acertou, pois embora irreal (visto a aliteração), os diálogos são bonitos e sensíveis.
    É possível encontrar diversas críticas, e acredito que alguns comentários devem caminhar nessa direção. Prefiro me ater ao fato de que você utilizou uma técnica difícil, que poderia ter arriscado o enredo, e conseguiu moldar um conto bonito e elegante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  3. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiiii. Achei muito interessante como a letra C foi usada para escrever todas as palavras do conto, deve ter dado trabalho pesquisar tantas palavras com C. E a narrativa também foi muito boa e criativa. Até a imagem escolhida se encaixou muito bem no objetivo do conto. Parabéns. Abraços.

  4. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de abril de 2018

    Boa tarde! Td bem?

    Um conto que se constrói sobre a temática do desafio de forma impecável. Imagino o trabalho que deu pra escrever.

    A separação das letras deu um toque especial! Até pq passa a impressão de duas pessoas que nao conseguem se comunicar na mesmo língua.

    Por outro lado, o enredo ficou um pouco carente, e toda a qualidade do conto se apoia na estrutura e vocabulário. O enredo excessivamente simples acaba não sendo marcante.

    Ainda assim, um bom trabalho, cuidadoso e primoroso na técnica.

    Parabéns e Boa sorte!

  5. Catarina Cunha
    21 de abril de 2018

    Frase chave: “Crises cotidianas conduzem convívios conturbados. “

    O experimento, deveras trabalhoso, está impecável. O narrador em “C”, ela em “S” e ele em “D” foi uma sacada muito inteligente para dar personalidade a cada um. O domínio do vocabulário sem grandes repetições, e sem se render aos artigos, me causou admiração e invejinha.

    Trama simples, mas muito bem executada.

  6. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Parabéns. O seu é o tipo de texto que eu nunca vou conseguir escrever. A construção está soberba. A separação das vozes (narrador e cada um dos membros do casal) consegue-se de uma forma criativa e que só por si permite aprofundar ainda mais o dramatismo do texto. Como podem chegar a um consenso duas pessoas que não falam a mesma letra? Parabéns ao autor e à autora. Muito bem conseguido.

  7. Thata Pereira
    20 de abril de 2018

    Senhor, ainda bem que a gente não fala assim. Realmente, concordo com os colegas quando dizem que soa bastante teatral, mas o tema do desafio é experimental, não é? Muitas vezes o experimental e irreal ou é tirar o outro da zona de conforto.

    Mas eu achei um erro. Curioso como a mente da gente acaba se acostumando com as letras e algumas coisas passam desapercebidas. Não sei se foi a intenção ou não do autor deixá-lo lá, mas “Cobiçava SE casar”, alguém invadiu o espaço do narrador.

    O grande feito do conto é ser pequeno. Foi muito necessário para que a história não ficasse cansativa. Aliás, há uma história. Amarrar isso deve ter sido difícil.

    Boa sorte!!

  8. Rose Hahn
    19 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Obsessiva
    . Enredo: Apesar das limitações do caça-palavras, o autor conseguir montar uma história coerente.
    . Adequação ao tema: Capacitado conforme criação congruente.
    . Emoção: “Súpero”. Aumentou o meu vocabulário.
    . Criatividade: Alta.

    . Nota:

    D F L J Ó K M Z
    A C J O I T O H
    M X Ã N G U M X
    Z D I O V B C U
    D E Z N L K P W
    B S E T E J D G

  9. rsollberg
    19 de abril de 2018

    Fala, Carol!

    Tarefa árdua dizer tanto com tantas amarras, um exercício de fazer, refazer, substituir, para que tudo faça sentido. Nesse texto, creio que o experimento de começar todas as palavras com a mesma letra foi levado ao extremo, pois não há qualquer conectivo, pronome, artigo, etc.

    Os diálogos entre Sandro e Daniela destoaram um pouco, porque além de inteligíveis em alguns momentos, também ficaram um pouco teatrais. Sei lá, me remeteu a alguma peça do século passado, onde fazemos um esforço sobrenatural para decifrar cada fala. Não pelo conteúdo, que pode ser complexo ou não, mas sim pela forma não usual.

    A história é singela, os percalços de uma relação são fontes inesgotáveis para o escritor. Essas perspectivavas vezes conflitantes, vezes convergentes, tão humanas, tão ordinárias de apelo universal, quase sempre funcionam.Aqui não foi diferente.

    O tamanho do texto é um grande acerto do autor, pois não cansa o leitor diante do recurso usado. Acaba em pleno fôlego.

    Parabéns

  10. Anderson Henrique
    19 de abril de 2018

    Uma proposta que se repetiu em outro texto (não, não acho que seja um problema, mas vale a observação do fato). Eu gostei. Achei que o autor conseguiu ser sucinto e passar a mensagem. Gosto da estrutura, mas foi justamente a experimentação do tautograma em diálogos o que roubou minha leitura, pois eu não consegui “comprar” a conversa. Pareceu-me artificial, sabe? O texto tá aí, tá bem escrito, o recado tá dado, mas não sei se comprei a verossimilhança. A interna funciona, mas minha cabeça ficou brigando com o tempo todo com a outra maldita. Vou voltar e reler antes de fechar minha nota. Abs!

  11. Luís Amorim
    18 de abril de 2018

    A utilização de palavras começadas pelas mesmas letras, 3 no caso, consoante fosse o narrador ou as duas personagens, nunca poderia dar um texto muito longo. Isto por causa dessa limitação nas palavras. Mas apesar de curto, este texto tem um enredo coerente e agradável de ler.

  12. Cirineu Pereira
    15 de abril de 2018

    Gostei. É conciso, cotidiano. Aprecio particularmente os temas cotidianos com os quais o leitor facilmente se identifica. É um conto e se há pobreza de enredo, há opulência de experimentalismo. Missão bem cumprida. Boa sorte.

  13. iolandinhapinheiro
    15 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Aplausos pela dificuldade em trazer para nós um conto em tautogramas perfeitos! Poxa, e a história tem lógica, sequência, dramaticidade…

    Realmente é experimental e muito bem urdido. Fiquei lembrando de mim e da Neusinha, brincando de escrever microcontos com palavras começadas com a letra P.

    O conto em si não conquista muito pela trama, mas dentro da proposta do autor, ele está sem defeitos. Só tenho a desejar boa sorte no desafio.

  14. Rubem Cabral
    9 de abril de 2018

    Olá, Carol.

    Gostei do conto! Bacana como vc conseguiu contar a história usando esse recurso de usar palavras começando com a mesma consoante. Os diálogos não pareceram reais, mas ainda assim resultaram positivos; pareceu-me que eu assistia uma peça de teatro.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  15. Mariana
    8 de abril de 2018

    É um conto curto, intrincado em uma primeira lida. No entanto, quando dá-se a chance ao trabalho, temos uma narrativa fluida sobre um relacionamento (tão particular e, ao mesmo tempo, tão comum). Usar mais de uma letra mostrou-se acertado, pois cansaria o leitor. Mas, no fim, esse é um fator que importa. Enfim, parabéns e boa sorte no desafio.

  16. Ana Maria Monteiro
    5 de abril de 2018

    Olá Carol. Um conto que parte da premissa de usar sempre uma mesma letra inicial. Foi boa ideia ter usado três diferentes consoante se tratava de um dos protagonistas ou do narrador: tornou a leitura mais ágil (na medida do possível) e perceptível, também, já que sabemos sempre quem está a dizer o quê.
    Muito bom que, dentro da limitação imposta por este tipo de experimental, conseguiu dizer coisas muitas sérias e com todo o sentido.
    Talvez existam casamentos sem crises. Talvez. Acredito que existem pessoas tão rasas que nunca colocam nada em causa, nem lhes ocorre, é assim e pronto.
    Não vou discutir isso aqui. Esta crise conjugal está muito bem colocada e explorada, dentro, repito, das limitações que a opção exigiu.
    Mas repare: se tem escrito este mesmo conto fora do experimental, o mais certo seria ele ser muito mal aceite – noto que neste grupo, a normalidade de cada dia provoca um certo tédio entre os comentadores. Que fazer? é mesmo assim.
    Em minha opinião, atendeu ao tema e conseguiu fazer um excelente trabalho.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  17. Paula Giannini
    3 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Menos é mais. A máxima vale muito para arte, para literatura. Em seu conto, quase um micro, o(a) autor(a) nos traz uma briga de casal, que indo além da desavença em si, nos conta muito da história dos protagonistas.

    Utilizando como experimento a escolha de palavras iniciadas em c (narrativa), s (protagonista masculino), d (protagonista feminina), o(a) autor(a) consegue conduzir o leitor ao universo desses dois, que vivem a dualidade de todo e qualquer casamento. Eles não se suportam mais, mas se amam, mas não se suportam, mas se amam. Se completam na vida, nas falas e na literatura.

    Interessante notar que, de algum modo, o trabalho soa quase como uma crônica-conto. Talvez seja a similaridade com a vida de todos nós.

    Parabéns por seu trabalho.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  18. Evandro Furtado
    1 de abril de 2018

    Não vou bater na tecla da comparação com o outro conto porque não acho que venha ao caso. Aliás, acho que a estratégia é um pouco diferente aqui, porque o autor, de fato, deteu-se em utilizar apenas palavras que começassem com letras específicas, e, ainda assim, criar uma trama coerente, o que é difícl pra caralho. No entanto, acho que a história não tem tanto poder para dar aquele próximo passo. A trama faz sentido, mas nada além disso. E não tenho certeza se isso é suficiente.

  19. Fabio Baptista
    29 de março de 2018

    Pela batida de olho que dei nos comentários da galera, todos já falaram sobre a inevitável comparação com o conto STOP, que utiliza o mesmo experimental de iniciar todas as palavras com a mesma letra.

    Aqui, porém, acredito que o(a) autor(a) tenha sido mais feliz em suas escolhas. A alternância de letras conforme o personagem ou narrador e, sobretudo, a dinâmica de diálogo DR, acabou me cativando mais.

    Apesar dos óbvios exageros teatrais para encaixar as palavras com a letra certa, o diálogo me soou verossímil, o que foi bacana.

    Abraço!

  20. werneck2017
    28 de março de 2018

    Olá,

    O primeiro conto do certame utiliza essa mesma técnica, então o ‘experimental’ aqui não inovou. E apesar de se utilizar a letra C para o narrador, D e S para os protagonistas, a leitura ficou truncada com um quê de artificial. Pessoalmente, a narrativa aqui não ficou fluida e o texto se tornou cansativo.

  21. Higor Benízio
    25 de março de 2018

    Acho que algo quase intangível em relacionamentos acabou se mostrando evidente, não sei nomear, mas é um mérito do autor(a). Talvez toda a confusão, ou a necessidade de encontrar a palavra certa na hora certa e no tom certo. A escrita tem se ápice quando conseguimos preservar no texto a essência daquilo que estamos tratando na narrativa, o que, repito, acontece aqui de um jeito inesperado. Grato por não ter esticado desnecessariamente o texto, o tamanho também está excelente.

  22. Fil Felix
    24 de março de 2018

    Boa tarde! Um dos primeiros contos do desafio utiliza desse mesmo método, de usar a mesma letra pra iniciar as palavras. A diferença é que aqui são blocos temáticos, com os parágrafos em C e os diálogos em S, D… Deve ter dado um trabalho e tanto criar e procurar tantas palavras, formar frases. Porém sinto que o conto não atravessa muito a outra página, trazendo um conflito de casal, sem tanto aprofundamento, com história e técnica caminhando um tanto separados, literalmente, nessa Crise Conjugal.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A ousadia por parte do(a) autor(a). É muito difícil encontrar e usar tantas palavras que se iniciam com a mesma letra E que formem sentido(s) às frases e diálogos. Foi um trabalho muito bem-feito. Parabéns!

    PONTOS NEGATIVOS = A lógica limitação imposta pela escolha do experimental método. A leitura, como não poderia deixar de ser, sofre com a ‘falta’ (mas é bom lembrarmos que esta falta é proposital) de artigos, preposições, adjetivos etc. O texto não flui como um texto comum; mesmo porque a proposta deste trabalho é exatamente não ser um texto comum.

    IMPRESÕES PESSOAIS = Gostei bastante do resultado. Como escritor, sei o quanto é difícil dar um (ou vários) sentido(s) a um texto formatado assim. Vi outro trabalho (mais lá para o início) que arriscou-se pelo mesmo caminho, escolhendo palavras que começassem com a mesma letra; mas naquele o(a) autor(a) não conseguiu obter o mesmo êxito que aqui foi, sim, conquistado. E com muito esmero!

    SUGESTÕES PERTINENTES = Pensar em outra proposta para ousar/experimentar em um Desafio onde a grande maioria dos leitores analisará com pressa as obras (como é o caso aqui; uma comunidade virtual; um site/blog na internet), pois o texto, mesmo tendo sido muito bem trabalhado (isso deve cansar horrores para ficar assim tão bem-feito!), não flui bem em sua leitura (como não poderia deixar de ser!), afetando, creio eu, as notas finais dos julgadores por causa, exatamente, deste detalhe.

    Boa sorte no Desafio!

  24. Priscila Pereira
    23 de março de 2018

    Oi Carol,
    Seu texto deve ter dado muito trabalho! Parabéns pela determinação de arriscar um caminho difícil que pode ser pouco apreciado.

    Eu tive que ler várias vezes para captar tudo que você quis dizer, as nuances, cada palavra continha um significado especial para o entendimento do conto. Eu gostei do resultado! No fim, mesmo com as diferenças, eles se completavam. De certa forma podiam ser felizes!

    Muito bom! Parabéns e boa sorte!

  25. Evelyn Postali
    23 de março de 2018

    Esse texto tem o tamanho certo e, apesar do primeiro parágrafo não causar boa impressão – ao menos em mim – o restante do texto é primoroso e nos fala de algo fundamental: das semelhanças, similaridades, da nossa necessidade do outro, de entender o outro, de buscar o outro como igual, mesmo sendo diferente. A reflexão está enxuta, mas não está rasa. Gosto disso.

  26. José Américo de Moura
    22 de março de 2018

    Me pareceu um casal discutindo constantemente a relação. Uma relação onde o amor é o que menos importa, casal desse tipo não sabe o que é o amor no máximo conhecem a paixão. Uma forma interessante e rápida de escrever um belo conto.

    boa sorte.

  27. André Lima
    22 de março de 2018

    Eu achei o texto extremamente interessante. Quando iniciei a leitura, pensei que seria o mais do mesmo: “lá vem aquela ideia de palavras da mesma letra inicial de novo”, mas não, essa técnica tem uma razão de ser. O final é simplesmente genial!

    Temos aqui um texto que trata da singularidade. Sim, da individualidade, da personalidade, mas, em contraponto, também trata da necessidade do ser humano (ser social e político) de se relacionar, de se ~completar~ com outro, daí o título, daí a forma como o texto acabou.

    O conto é bom porque tem uma crescente. Primeiro nos são apresentados os personagens com suas características: um fala apenas com a letra S, outro apenas com a letra D, enquanto o narrador só utiliza a letra C. No meio, há uma crise entre o casal, que até cogitam a separação, mas, no fim, perceberam que precisavam das habilidades do outro. Isso fica evidente quando um começam a completar a fala do outro. E essa necessidade é o próprio conceito de humanidade, de Mercado.

    Eu simplesmente adorei o conto. Ele é do tamanho exato, tem uma forma bacana que inova (Não é simplesmente um conto com uma letra inicial) e uma trama bem legal, que encaixou perfeitamente na forma escolhida.

    Parabéns pelo resultado e boa sorte no desafio!

  28. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Carol Camargo, cá estou eu a me debruçar sobre o seu conto. A primeira reação, preciso lhe dizer, amiga, não foi muito positiva, sabe? Fica legal um parágrafo assim com o uso de uma só letra, mas o texto todo eu senti que se tornou um tanto quanto carregado. A repetição, ao invés de ajudar, trouxe peso para a leitura e isto não é bom, você sabe. O enredo é legal, bem simples, mas a forma eu achei que, mesmo sendo experimental (e nesse ponto você cumpre o que se pede no desafio), ficou a me dever. Daqui posso imaginar o seu esforço em escrever um conto desse jeito e isto é mais do que louvável, minha amiga. Fica com o meu abraço.

  29. angst447
    20 de março de 2018

    A linguagem como estrela principalmente, um jogo usando frases com a mesma letra formando um diálogo um tanto diferenciado. Sorte que o conto é curto como convém a uma boa brincadeira. Se alongado, perderia a graça. A narrativa em si é um tanto vazia de significado, já que o autor se ateve ao significante. Criativa sua construção de elementos frasais, mas cuidado para não tornar o experimento maior do que o deleite do leitor (ou o seu próprio). 🙂

  30. Paulo Luís Ferreira
    19 de março de 2018

    Este tipo de exercício é bom para se fazer para si próprio, nas caladas da noite, e em silêncio, para não perturbar nem com o aranhar da caneta no papel, visto ser de tão difícil degustação auditiva. O enredo em si também não diz muito, então se juntando uma coisa com a outra não iria dar em boa coisa mesmo. Mas valeu pela perseverança e obstinação de manter-se fiel ao critério do desafio.

  31. Antonio Stegues Batista
    19 de março de 2018

    Outros atores usaram a mesma ferramenta para construir seus contos. É verdade que da trabalho escrever um texto começando com uma letra, mas achei cansativo demais, inclusive é até chato para ler. Não nego que está dentro do tema, mas não vejo o conteúdo como arte literária, apenas uma estrutura diferente. A história poderia ter sido melhor, mas faltou emoção na construção das cenas Boa sorte.

  32. Fheluany Nogueira
    18 de março de 2018

    Que texto trabalhoso! Buscar palavras com a mesma letra que caibam no sentido desejado… A trama é simples, o texto é curto, mas ficou interessante. Difícil ler um texto sem os instrumentos gramaticais. Parabéns pela experiência. Sorte. Abraço.

  33. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de março de 2018

    Confesso, com carinho, com cuidado, certa confusão caçando compreensão do conto.

    Por menor que seja, é muito difícil escrever um texto com palavras iniciadas por apenas uma letra. Um verdadeiro quebra-cabeça. Para trabalhar com aliteração, decididamente, não tenho o mínimo preparo.

    É um início, o autor tenta lidar com isso. É muito difícil fazer leitura despretensiosa, por simples prazer. Um texto trabalhado desta maneira exige uma leitura que soa ritmada, faz um som martelado. Não causa deleite, a leitura fica ajuizada, cerceia a imaginação.

    Está dentro do tema exigido pelo desafio, admiro o autor pelo trabalho cuidadoso.

    Parabéns, Carol Camargo!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  34. Angelo Rodrigues
    18 de março de 2018

    Cara Carol,

    Um dos problemas das sucessivas aliterações em textos como seu, é a tendência ao desaparecimento dos conectivos, quase ausência de preposições e pronomes, assim como a abundância de substantivos e verbos comandando ações, o que o levou a discursos diretos, com os personagens agindo por intermédio dos verbos.

    Não é mal, mas estranho, dado que ninguém, no mundo real, assim o faz, obrigando a que o texto seja amplamente “virgulado”, um pouco cansativo por conta disso, onde as frases não ganham qualquer recorrência a suplementos cognitivos.

    Bem, mas não estamos no mundo real, estamos no mundo “experimental”.

    Curiosamente a ideia da aliteração parece que toma impulso aqui no desafio. Salvo engano meu, é o terceiro ou quarto entrecontista que usa tal recurso.

    Achei curiosa a escolha, imaginando que o texto, inteiro, discorreria sobre aliterações baseado na letra C, mas, após o primeiro parágrafo tudo mudou. Melhor assim. Nosso “ouvido surdo” se cansa com a monotonia das repetições aliternativas com base no mesmo tom fonético.

    A história contada não é má, mas, não sendo má, é simples, quase ingênua. E onde residiria, então, a experiência?, o tônus?

    Boa sorte no desafio.

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Publicado em 18 de março de 2018 por em Experimental.