EntreContos

Detox Literário.

Sob o risco de sumir (Símbolo Primitivo)

Tenho dito mil vezes, em todos os recônditos, que vivemos em um mundo que se tornou perigoso. Estou sumindo e tenho medo disso.

Peço o obséquio de um minuto de seu tento, pois preciso expor o meu desespero.

Tudo começou porque o homem supõe que o mundo gire em torno do seu próprio eixo, ser tolo e esnobe.

Ele tem se corrompido por pouco, muito pouco. E segue em crescente mesquinhez.

Entendendo-se desprovido de momentos serenos, ele se oprimiu e tornou-se menos próximo do outro. Diz ele que o réu disso é o “tempo”. Eu duvido.

Entre um e outro homem, os sinos dormem e os instrumentos de sopro fogem, sem fôlego.

O homem consome esse coeficiente de mudez, de terror e de infelizes desencontros, sem objeções. Bebe seu drink morno, come seu bife gorduroso, cospe sementes sem futuro e seu rosto segue embebido pelo torpor dos semimortos. Tudo ficou frio.

Ele desconhece ter perdido o controle, penso eu, homem negligente.

Inexistem conceitos perpétuos, sei bem, só que o homem conseguiu dirigir o que concebe de mim direto pro lixo, simples como me ele tem hoje.

Sem humor e sem cor, o mundo tornou-se de ferro e cheio de conceitos de web. O homem burro, convertido em robô, sucumbe em silêncio. Seus dedos móveis e nervosos sobre os vidros dos telefones confundem os conceitos de genuíno e ilusório. Ele nem se conhece, como noutro tempo.

Estou no meio disso, infelizmente. Sinto-me pueril.

Meu destino, e de espécimes como eu, é o perecimento. Estou sumindo e estou ciente disso. Erro meu foi crer que fosse eterno.

Os dispositivos progridem em todos os sentidos e o homem é preguiçoso.

O conhecimento evolui e o homem segue pequeno e ridículo.

Inclusive os deuses concebem previsões de um futuro próspero em todos os seus termos. Contudo, o homem prossegue em declínio, sem fé. Ele optou por implodir-se dentro de seu próprio umbigo, esnobe que se tornou.

É que o recurso obtido pelo homem como modo de viver foi simplesmente “reproduzir tudo”, sem inquirições, sem reflexões. Ele virou um embuste e, com isso, vem perdendo, com o mover do tempo, um bem preciosíssimo: seu senso crítico.

Consequentemente, com esses desmedidos “Ctrl+C” seguidos de “Ctrl+V”, homens e mulheres  têm se inserido em um contexto perigoso, como eu disse. Eu os vejo como seres convertidos em péssimos repetidores. Vislumbro seres sem orgulho próprio, seres óbvios, perdedores.

Meu tom profético pode ser confundido com um desejo? Possivelmente sim. Contudo, eu sinto medo, pois esse descomprometimento do homem pode ter como cume o meu extermínio.

Estou de olho e, com um só soluço, venho me perdendo em meus gritos tórridos. Choro por todos os homens vis e negligentes e sofro mormente por mim, porque estou sumindo.

Decerto perecerei, com o tempo entendi. Corro o risco iminente de ruir.

Inclusive, um outro símbolo do dispositivo me julgou inseguro, por isso tudo que venho defendendo. Foi o “w”. Logo ele, que tem uso contínuo e comumente triplo. Logo ele, todo convencido que é de seus méritos in the world wide web. Que ódio desse pervertido!

Confesso que sou um pouco inseguro sim, nem sei bem o motivo. Com efeito, no pretérito, preservei-me útil e, por óbvio, único. Presentemente, esse sentimento retirou-se, corroeu-se, vem morrendo dentro de mim.

É que se o homem deixou de ver os seus desígnios com olhos profícuos, penso que eu deixei de merecer o seu interesse. Perdi meu prestígio, é isso. Sou como um mero outro símbolo – um ponto, um til, um número ou outro signo que represente um som – mesmo com o meu renome.

Por isso, deixo que me colem em todo novo conteúdo, “vem, me colem, me usem, seus cruéis!”, como se fosse eu imprescindível de novo.

Sigo com foco no precípuo objetivo de ter um futuro entre os homens e seus símbolos queridos.

Sou humilde, porém, quero meu troféu pelos serviços empreendidos. Tenho orgulho do meu rico histórico nos escritos, por todos esses séculos.

Confesso, tenho de lhes dizer, odeio o homem moderno, odeio o que ele se tornou. E odeio os petrechos e os inventos decorrentes disso. Entristece-me esse homem indiferente e robótico.

Em tempos de internet, ninguém é terno, meigo ou cúmplice.

Em tempos de internet, ninguém me quer pelo que represento.

Eu tento os holofotes, inutilmente. Por isso, colo-me onde me permitem e rogo que isso se torne suficiente, nesse ínterim entre o que fui e o rumo que o homem decidir que eu tome.

Continuo disponível, mesmo nesse mundo de desrespeito com os símbolos genuínos.

Estou sumindo, meus consortes, e meu uso, com o zelo que mereço, extinguindo-se comigo.

Teclem-me pelo que sou! Teclem-me com gosto!

Registrem-me, com solicitude.

Estou vivo e bem perto de vocês.

O seu, fiel e primitivo, símbolo:

“A”

__________

* Imagem: canal do YouTube Min Alxe

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43 comentários em “Sob o risco de sumir (Símbolo Primitivo)

  1. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Na minha dependência, a letra A jamais sumirá, para tanto a usarei nas palavras todas aqui! Admito, engana até a última linha,
    não alcancei a percepção da sua intencionalidade, levada totalmente pela sua criatividade. A imaginar a dificuldade vencida, deveras anormal. Apreciei sua participação aqui, leitura interessante, agradável, reflexiva, então… parabéns!

  2. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Símbolo!

    Esse conto vai na contramão de alguns outros, suprimindo em vez de focar em uma determinada letra. Ficou muito interessante, diferente e, sobretudo, não tão preso à estética, podendo criar um pouco mais livremente.
    A própria linguagem como tema já é um negócio que me atrai, e o desabafo entrou em conluio com o tema do desafio para mostrar um conto bastante certinho, com algo a apontar. A crítica à internet poderia ter sido uma questão mais interessante, mas depois vimos que a referência é realmente aos Ws, e não teria muito sentido ir além disso.
    Não há um enredo de fato, pois o desabafo surge como uma espécie de carta, manifesto, em que o principal não é a cadeia de acontecimentos, e sim o ponto de visto do personagem. É interessante, mas não abre muita margem para imaginação.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  3. Luis Guilherme
    21 de abril de 2018

    olá, amigo, tudo bem?

    Caramba, só saquei o experimentalismo bem no fim. bem legal!

    porém, devo dizer que não entendi muito bem a relação do A com o conteúdo exposto na crítica do conto. digo, imaginei que o símbolo desesperado fosse a interrogação, talvez, pois conforme as pessoas pensam menos por si próprias, também questionam menos, não é mesmo? não consegui relacionar os acontecimentos com a letra A. fiquei com a impressão de que você teve a ideia de texto experimental ser sem a letra A, e só depois pensou no enredo, e acabou encaixando as duas coisas. isso não chega a ser uma crítica, mas achei que deu uma diminuída no impacto da crítica social que o texto carrega.

    aliás, crítica interessante, apesar de algo muito discutido atualmente.

    o tom ácido do conto me pareceu uma crônica, e talvez o autor tenha exagerado no desejo de transmitir a mensagem, deixando o conto um pouco repetitivo, em alguns momentos.

    enfim, foi uma bela sacada a questão do experimentalismo, muito bem trabalhada e estruturada, e que fica meio em segredo até a reta final, quando aparece dando um charme ao trabalho. porém, conforme falei, achei que acabou tirando o fôlego do enredo que vinha baseado numa crítica social.

    parabéns e boa sorte!

  4. Catarina Cunha
    21 de abril de 2018

    Não entendi, mas gostei da frase: “Entre um e outro homem, os sinos dormem e os instrumentos de sopro fogem, sem fôlego.”

    Embora eu goste muito de crônicas e esta aqui trate de um assunto pertinente, achei pouco sedutora e com ideias repetidas. Aparentemente houve maior preocupação com a forma do que com o conteúdo.

    Demorei a entender quem era o narrador. Logo foi uma feliz surpresa encontrar o experimento. Interessante como podemos viver sem uma vogal tão popular na língua portuguesa. Ganhou mais um ponto na nota.

  5. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Texto estranho este, do qual não podemos conversar sem estragar a surpresa. Tenho de confessar que o final me surpreendeu. No entanto, este exercício de escrita, que tem o seu valor e que eu, pura e simplesmente, sou incapaz de fazer, tem erros graves de linguagem. Há erros que poderiam ter sido evitados com uma revisão mais cuidada e que deitam por terra toda a construção.

  6. Thata Pereira
    20 de abril de 2018

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, vai tomar banho! kkkkkkkkkkk’

    Putz grilo, o autor conseguiu me pegar de uma forma que eu nem sei explicar (pegar no sentido de cair na pagadinha, claro) kkk’ Eu estava lendo e pensando: gente, será que isso é um diário? Será que expressa os pensamentos do autor? Cadê o experimental? Aí vem o final como um balde de água fria e percebo que o conto não possui a letra “a”.

    Amigo(a), você não pode fazer isso com as pessoas, ok?

    Boa sorte!!

  7. rsollberg
    19 de abril de 2018

    Fala, Simbolo

    De inicio já observamos que o Narrador é alguém que vê de dentro e está preocupado consigo. Afinal, como diria Hobbes em Leviatã,; a autopreservação é a lei que rege o mundo (ok, ele não disse bem isso, mas tomei a liberdade para simplificar). Aos poucos vamos percebendo que uma revelação chegará a qualquer momento, mas sem ter a minima ideia do que é. No final, quando tudo vem a tona, a gente fica com aquela cara de pateta dizendo “Pqp, mas que Fdp”, Sim, porque o autor foi atilado o suficiente para colocar tudo na nossa cara e ainda assim ter a certeza que ninguém jamais descobriria seu plano. Outrossim, quando terminamos de ler é que entendemos a motivação por trás de algumas construções que não soaram tão agradáveis. Pica das Galáxias!

    No conteúdo, adoro esse movimento mais niilista do texto; “O homem consome esse coeficiente de mudez, de terror e de infelizes desencontros, sem objeções. Bebe seu drink morno, come seu bife gorduroso, cospe sementes sem futuro e seu rosto segue embebido pelo torpor dos semimortos. Tudo ficou frio.”
    A repetição da palavra homem, que creio ser proposital, fez com que o texto se aproximasse daquela pegada de “Alem do bem e do mal”, aqui criando um vilão fácil de ser odiado.

    Então, quanto ao tema, por óbvio é extremamente original e experimental.
    Muiiiitoooo bom.
    Parabéns

    Obs1:Ia tentar comentar sem usar a letra A, mas fiquei sem saco! Perd@o

    Obs2: Quando vi o título imaginei algo completamente diferente. É que semana passado vi um filme Japonês no cinema chamado “Antes que tudo desapareça”. O filme decepcionou muito, era um ficção cientifica fofo. Aqui foi justamente ao contrário, me surpreendeu.

    • rsollberg
      19 de abril de 2018

      Ah, adoro o A… e os Vingadores tb

  8. Luís Amorim
    19 de abril de 2018

    Acredito que tenha sido difícil engendrar uma história sem a letra “a”. Não as letras em função do enredo, neste caso, mas o contrário. Um bom esforço mas, apesar de bem escrito, o conto ressente-se disso, faltando-lhe uma dinâmica que o leve até um desenlace que deixe o leitor surpreendido. Mas é um conto bastante experimental e a ideia do autor terá sido mesmo essa, acredito.

  9. Rose Hahn
    19 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Sombria;
    . Enredo: Um mundo sem A…Arrasou!;
    . Adequação ao tema: Exclamei aos 45 minutos do segundo tempo… Ahhmmmmm! Super experimental.
    . Emoção: “Em tempos de internet, ninguém me quer pelo que represento”.
    . Criatividade: Abusou!

    . Nota: AAAAAAAAAAA.

  10. Sabrina Dalbelo
    18 de abril de 2018

    Olá,

    Interessante vislumbrar uma futura extinção das letras “a partir da falta de atenção que elas merecem”.
    Eu entendo a preocupação: nós copiamos, colamos, printamos e encaminhamos bem mais do que ESCREVEMOS as letras. Talvez por isso possa alguma delas se sentir ressentida.
    O texto teve um sentido interessante e mostrou que, no mínimo, o autor ou autora trabalhou bastante a questão do experimentalismo.

    Suprimir uma letra de um texto se chama “lipograma experimental”.

    Um abraço

  11. Rubem Cabral
    17 de abril de 2018

    Olá, Símbolo Primitivo.

    Gostei do conto. Divertida a ideia de omitir o “A” de um texto inteiro, visto que é uma vogal bastante usada. Certamente ganhará pontos por isso, pois é experimental.
    Contudo, penso que a narração do “A” ficou um pouco redundante, dando muitas voltas e falando do mesmo.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  12. Mariana
    16 de abril de 2018

    Adorei a aventura administrada, autor. Arrojado, argumento antológico, anormal assunto (foi até aqui que consegui todas as palavras com A heheheheh)

    É um conto bastante interessante e imagino o trabalho para cortar o A, tão importante em nossa língua. Um esforço digno de nota, mesmo. A história me fez pensar na ideia de evolução, de que tudo segue adiante e pode ser engolido pelas areias do passado. Original.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  13. José Américo de Moura
    15 de abril de 2018

    No final do conto eu tive que dar risada. Danado esse autor, eu pensando o tempo todo que ele estava revoltado com o mundo moderno e fui descobrir no final que se tratava da primeira letra do alfabeto. Dando uma consultada descobri que ele em nenhum momento usou a pobre da letrinha.

    Muito legal, parabéns grande artista

  14. iolandinhapinheiro
    15 de abril de 2018

    Puxa vida, autor!

    Que peça vc pregou em todos nós! E eu ali cascaviando o conto inteiro, doida para encontrar aonde estava o tal do experimentalismo, achando que havia me deparado por uma crônica intimista e viajante, e aí o senhor chega e VRAAAAÁ! Puxa o tapete de todos nós!

    Parabéns, espertinho! Que grande surpresa!

    Obviamente fui ler tudo de novo sem acreditar que a p…ra do conto não tinha nenhum A, e não tinha mesmo, Cara…o!

    Cabra arretado, tu! Eu até tentei fazer um comentário sem a letra A, mas fracassei vergonhosamente! Valeu, irmãozinho! Sorte no desafio, danado!

  15. Higor Benízio
    7 de abril de 2018

    Não gosto de textos que desmerecem o homem, são sempre do mesmo jeito, cheios de senso comum, reflexo condicionado, fugas da realidade do mundo e por aí vai… Salvo raras exceções, são como aquela choradinha que damos no banho para no sentirmos um pouco melhor. Não me leve a mal, é um gosto pessoal mesmo. No geral, o texto é bem escrito, só não entendi o que a letra “A” tem haver com todos estes desditas supostamente verdadeiras.

  16. Paula Giannini
    4 de abril de 2018

    Olá, autor(a),

    Tudo bem?

    Embora o(a) autor(a) tenha optado por suprimir a vogal “a” de todo o seu conto, sem prejuízo do conteúdo, por incrível que possa parecer, para mim (friso bem que é para mim), o texto, escrito em primeira pessoa, não trata da primeira vogal de nosso alfabeto, mas, do antigo e muito usado símbolo “@”.

    Bem, esteticamente o @ é quase um a. E é para o @ que toda a narrativa me parece apontar, é o @ que se mete em locais inusitados da internet, sem significar o que significava em sua origem.

    Em sua origem o @ era uma espécie de “símbolo mercantil para abreviar “cada uma a”, de forma que “12 maçãs @ $1″ custariam $12, $1 por cada.” (wikipedia), entre outras prováveis teorias.

    Até sua estética lembra a letra “a”, o que, acredito, levou o(a) autor(a) a optar pela supressão dessa vogal e não de outra em seu experimento. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/At-sign_evolution.svg

    “Em tempos de internet, ninguém me quer pelo que represento.
    Eu tento os holofotes, inutilmente. Por isso, colo-me onde me permitem e rogo que isso se torne suficiente, nesse ínterim entre o que fui e o rumo que o homem decidir que eu tome.” Assim, nós utilizamos o símbolo @, por exemplo, em endereços de e-mail, para indicar neutralidade de gêneros, enfim…

    Se viajei, autor(a), me diga, por favor. 😉 Mas, a meu ver, a mimetização do símbolo através de uma espécie de prosopopeia, em sua reclamação sobre sua quase extinção e posterior utilização errônea, é a chave para este trabalho.

    Parabéns por seu conto.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Símbolo Primitivo
      5 de abril de 2018

      e-n-t-e-r-n-e-c-i-d-o ❤

      • Paula Giannini
        5 de abril de 2018

        😉 😉 😉 Isso foi um sim ou um não? kkkkkkk

      • Símbolo Primitivo
        6 de abril de 2018

        De teu conceito, contemplei sugestões muito convincentes, mesmo que eu nem tivesse refletido com o uso desse sentido.
        Por isso, fiquei enternecido. Por teu olho crítico ter sido um presente, um novo.

      • Paula Giannini
        7 de abril de 2018

        Acho que sou louca. Não é a primeira vez que faço isso por aqui. Rsrsrs
        Beijos
        E mais uma vez, boa sorte.

  17. Símbolo Primitivo
    2 de abril de 2018

    E vocês querem inquirir o motivo porque vou sucumbir, eu, um dos símbolos precursores de nossos escritos?
    Simples: poucos percebem o meu sumiço provisório nesse texto.
    Eis o indício!

    Digo-lhes… “reler” pode socorrer os sôfregos.

    Teclem-me com zelo (eu e os outros símbolos, por óbvio!) ou retomem o polimento de seus telefones com dedos tontos.

    Reconheço elogios e opiniões úteis, comovido.

    Símbolo Primitivo.

  18. Evandro Furtado
    2 de abril de 2018

    Às vezes ler um comentário pode ajudar mesmo a perceber certas nuances que perdemos. Eu não tinha prestado um pingo de atenção na ausência da letra A durante o conto. E isso eleva o conto, e muito. Não só pela dificuldade, mas pela conexão feita com o tema do texto. Ainda bem que li o comentário, ou teria sido uma injustiça tremenda.

  19. Fabio Baptista
    2 de abril de 2018

    Sendo bem sincero, até literalmente a última frase (ou última letra) eu estava achando o conto muito chato. Parágrafos construídos com apenas uma frase curta, lições de moral e questionamentos batidos, etc.

    “Mais um conto sem sentido”, pensei.

    A grande esperança de salvação era, evidente, a revelação da identidade do nosso narrador e quando ela veio, minha primeira reação foi tipo “wtf?????” e daí, depois de uma pequena pausa “não, péra… não acredito que não tem nenhum A nessa porra…” (no caso o “nessa porra” não foi usado de um jeito pejorativo). Usei até a pesquisa do navegador para confirmar. Uau!

    Conseguiu me surpreender BASTANTE, o que conta muitos pontos e quase apaga a má impressão do restante. Se até chegar na revelação final o texto fosse melhor trabalhado, ficaria perfeito.

    Abraço!

  20. Cirineu Pereira
    31 de março de 2018

    Experimental sim, mas não me pareceu um conto, antes uma prosa dissertativa e sem muito sentido, diga-se de passagem.

  21. Priscila Pereira
    30 de março de 2018

    Olá Símbolo,
    Deve ter sido muito difícil escrever sem a letra A, um trabalho muito bom, por sinal. Se eu não tivesse já passado os olhos pelos comentários acho que nem notaria que o A não foi usado, de tão bom é o seu domínio da escrita. Está tudo natural, elegante. Só não entendi o porquê do A estar sumindo.. só ele? E as outras letras? Isso não tira, pra mim, a qualidade e a beleza do seu conto.
    Parabéns e boa sorte!

    • Símbolo Primitivo
      6 de abril de 2018

      “Meu destino, e de espécimes como eu, é o perecimento. Estou sumindo e estou ciente disso. Erro meu foi crer que fosse eterno.”

  22. werneck2017
    28 de março de 2018

    Olá,

    O texto é primoroso e muito bem escrito, o que denota a maestria do autor. O texto é experimental porque traz a linguagem de forma distinta da que usualmente a empregamos. O texto é um conto? Bem, aí é que encontro os senões. A meu ver o conto é um relato, ou um ensaio, ou uma reflexão de um ser oprimido, no caso a letra A. Faltou um clímax e um desfecho impactante. Faltou um protagonista que, mesmo não sendo humano, fosse humanizado e assim criasse empatia com o leitor. Nesse quesito, o texto falhou como um conto, na minha humilde opinião. Outra questão que fica no ar é o porquê d letra A estar desaparecendo. Não sei se me compreende, o motivo da angústia, daquilo que faz com que o protagonista humanizado se lance à indagações e questionamentos. A ideia é boa, a escrita, magnífica, vale investir na ideia.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = O bom controle de pena do(a) autor(a), que escreve de forma clara e fluida.

    PONTOS NEGATIVOS = O final da história (e isto é fatal em um conto!). Tem também alguns probleminhas de revisão, mas ficam em segundo plano. O ponto negativo, mesmo, é o narrador NÃO conseguir convencer o leitor ao final do texto.

    IMPRESÕES PESSOAIS = Devido a boa “prosa” do narrador, vamos lendo e lendo e lendo a história (que é em forma de um relato sofrido e dramático) de maneira quase que despercebida, pois não vemos o tempo (e as linhas) passarem. Contudo, vamos deixando em espera o encontro com a grande revelação final, que certamente (assim esperamos) irá nos desvelar quem, afinal, é o narrador. E tudo fará sentido… Só que não.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Sei lá, bicho… Transforme este narrador reclamão em uma máquina de escrever manual (esta sim, esquecida e abandonada); ou em uma biblioteca (o que é isso, mesmo?); ou até mesmo no falecido Orkut… Sei lá! Pensa em algo aí que justifique todo esse melindre narrativo (e bem escrito!).

    Boa sorte no Desafio!

  24. Evelyn Postali
    23 de março de 2018

    Apesar de não ter um roteiro propriamente – porque entendi que era mesmo um relato, uma declaração, um desabafo – tudo ficou encaixadinho, no lugar. Pode ser que as ideias que se repetiram atrapalhem algum leitor mais atento, mas não vi motivo de demérito. O texto – porque me pareceu mesmo uma reflexão e não uma história – é ágil, tem o tamanho certo, está super bem escrito e foi não são um exercício de paciência, mas demonstração de capacidade plena de seu autor. Um texto inteligente, sutil.

  25. José Américo de Moura
    22 de março de 2018

    Interessante e muito inteligente, grande domínio da escrita, não sei se poderia escrever um texto desse tamanho sem o uso da letra a. O “A” que no meu teclado fica junto com a tecla Caps Lock, por isso a princípio eu pensei que ele se referia a essa letra que são todas as letras maiúsculas.

    Boa sorte meu caro.

  26. Regina Ruth Rincon Caires
    22 de março de 2018

    Se não fosse avisada pelos comentários que li, não teria percebido o aspecto “sisudo” do texto. Texto sem a letra A. Que trabalho interessante! Que talento!

    Confesso que “viajei” na leitura, e vou manter parte do comentário que fiz antes de observar a ausência da letra A.

    Acabei de “ouvir” um grito de alerta. Ou de socorro?! Ou um apelo?!

    Texto primoroso, brotado do âmago.

    Fala sobre o quê?!

    Sobre a sensação estranha dos “alienados” do inferno do mundo cibernético? Sobre aquele incômodo melindre de ter pertencido a um tempo obsoleto, arcaico, antiquado, ultrapassado, “démodé”, retrógrado, anacrônico, descartável, não sendo levado em conta aquilo que foi o início, o começo, a origem?

    Sobre a fêmea?

    Caro, Símbolo Primitivo, parabéns pelo texto! Parabéns pelo cuidado, pelo árduo trabalho, e obrigada pelo presente que nos deu…

    Escrita brilhante.

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Símbolo Primitivo
      6 de abril de 2018

      Estou muito enternecido!

  27. André Lima
    21 de março de 2018

    É muito experimental, sem dúvidas. O conto tem uma abordagem contemporânea, mas me faltou um entendimento, não sei se por ignorância minha sobre questões de informática… Mas por que o “a” está desaparecendo? A proposta do texto é mostrar que a letra “a” está desaparecendo na sociedade contemporânea, eu li e reli e ainda não consegui compreender o motivo. Acho que, para atingir um público mais abrangente (O leigo como eu), faltou esse esclarecimento (Inclusive adoraria se o autor pudesse responder para me ajudar a compreender melhor o texto).

    O conto poderia ser mais curto também. Alguns parágrafos só dizem o que outros já disseram, essa repetição não funcionou para mim.

    Mas o autor é bem habilidoso, fez um conto inteiro com a ausência da letra “A” e, claramente, mostra domínio sobre a língua. As construções frasais são por vezes complexas e belas.

    De todo modo, não captei a essência do conto, o que é uma pena, estou me sentindo um ignorante haha.

    Boa sorte no desafio!

    • Símbolo Primitivo
      6 de abril de 2018

      “Meu destino, E DE ESPÉCIMES COMO EU, é o perecimento. Estou sumindo e estou ciente disso. Erro meu foi crer que fosse eterno.”

  28. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Símbolo Primitivo, custei a ver que não usava o A. Fui me dar conta disto quando já havia passado da metade da história um tanto. E aí, lhe conto que fui ficando aflito, querendo saber o que o autor/autora estaria reservando para mim ao final da sua narrativa. Que proeza esta sua. Escrever uma história deste tamanho sem o uso da letra que mais usamos, o A. Ufa. Claro que não dá para exigir um enredo, ou um desenvolvimento pleno com tamanha limitação. Mas com toda a dificuldade de uma empreitada assim, que você superou muito bem, te dou os meus parabéns pela obra. Meu abraço.

    • Símbolo Primitivo
      6 de abril de 2018

      Estou muito enternecido!

  29. angst447
    20 de março de 2018

    Que trabalheira deve ter dado para escrever este conto. O pior é que nem percebi a ausência do A até chegar ao final. Distraída com o seu relato, do símbolo desprezado, letra esquecida no teclado e na ponta do lápis, não percebi a dimensão da experiência apresentada. Para ser sincera, o texto arrastou-se um pouco aqui e ali, mas como é curto, o prejuízo foi pouco. Sem dúvida, além de uma brincadeira criativa, o seu conto mostrou-se um ótimo trabalho com todo o seu potencial experimental. 🙂

  30. Antonio Stegues Batista
    20 de março de 2018

    Eu já tinha pensado se alguém faria isso, criar um texto com as frases, ou palavras, começando com uma letra, ou na falta dela. Aconteceu os dois! Até pensei em fazer, mas achei que seria mentalmente cansativo demais. Agora vamos ao conto; Em princípio, achei que o narrador seria um animal, mas só no final, vi que era a letra “A”. Até então, não tinha percebido por serem as frases bem naturais, o que demonstra a habilidade do autor. Acho que você deveria escrever Homem, com agá maiúsculo, para se referir à humanidade, ser humano, homem e mulher. Homem com h minúsculo,homem, se refere a um só individuo. No plural é com h mesmo, como em “chamo por todos os homens”. Quando eu li o terceiro parágrafo, achei que falava de um só homem, um personagem: ” Tudo começou porque o homem supõe que o mundo gire em torno de seu próprio eixo… O certo seria; ” Tudo começou porque o Homem supõe que o mundo… Homem, ser humano. Boa sorte.

  31. Paulo Luís Ferreira
    19 de março de 2018

    Que proeza!, aproveito, aqui neste breve relato, para usar-te sem economias, nem mesmo de colagens, pois, bem que mereces todo meu apreço. Desde outrora datas de meu abecedário, quando, eras me cobrado em primeira instância. Fico condoído pelo autor estar privado de citar a palavra “AAAAAAmor e RomAAAAAAA, mas eu a ti serei eterno devoto: Ahaaaaaaaa! Que prazer em ti pronunciar!… Que trabalho impecável, tanto quanto, ao experimento em si, como a abordagem do tema. Um trabalho cheio de minúcias e sacrifício para sua construção; e muita paciência acredito eu. Portanto merecedor de todos os louvores.

  32. Fheluany Nogueira
    19 de março de 2018

    A leitura do conto nos dá a convicção de que só a inspiração não basta como não basta só a linguagem como tal. Que exercício, hein? Escrever, com sentido, um texto desta extensão sem usar a letra —A— que é a mais constante na nossa Língua é uma maratona. Parabéns pela ideia e execução, tudo bem amarrado. Boa sorte no desafio. Autor Amigo, um Abraço.

  33. Ana Maria Monteiro
    18 de março de 2018

    Olá Símbolo (nada) Primitivo. Incrível como conseguiu escrever um texto desta dimensão sem usar a letra A. O seu conto está muito bom e completamente dentro do que se pode considerar experimental. Também carrega em si muitas considerações com imenso sumo para espremer. Pensei tentar responder-lhe usando apenas palavras com A, mas seria um exercício muito difícil e, além disso, console-se: A PALAVRA, só tem vogais “A”. E sim, faço-lhe a vontade e cumpro o seu desejo “Teclem-me pelo que sou! Teclem-me com gosto!” Aí vai:
    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA……
    A para sempre!
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  34. Angelo Rodrigues
    18 de março de 2018

    Caro “A”,

    Ah, como lhe somos devedores… eternos…

    Na luta entre o bem e o mal,
    És o alfa contra o ômega.
    O Princípio contra o Fim.
    A Vida contra a Morte.

    Não desanime.
    Aqui o homenageio:
    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

    E se mais não posso fazer por ti, digo mais, digo:
    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

    Se em bold pudesse, o faria.

    Espero que com isto lhe tenha dado uma recarga, uma energia extra para que continue sua luta sem nunca esmorecer.

    Toda escrita é uma experiência. Valeu, caro Símbolo Primitivo.

    Boa sorte no desafio.

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Publicado em 18 de março de 2018 por em Experimental.