EntreContos

Detox Literário.

Flat, Bum, Tlac, Tlec, Ronc, Funch, Cosci, Ram (Roselaine Hahn)

A tormenta estralou raios estressados no céu carregado de nuvens cinza-chumbo.

Cabum.  

A arrogância do salto do sapato invadiu o quarto.

Toc-toc-toc.

Ela cravou os olhos amuados na barriga gorda deitada na sua cama.  Ouviu grunhidos da boca semiaberta.

Ronc, ronc.

Cheirou odores de carniça. Pizza calabresa borbulhando em ácido gástrico.

Pum. Pum.

Bufadas femininas de nojo.

Bufuu. Eca.

− Acorda, Zé Elias!

Lençóis remexidos.

Flat, flat.

– O que foi, mulhé?

Bocejos.

Uaaaa.

Pigarros.

Ahaham.

Sequencia de peidos.

Pu-pu-pu-pummm.

− Levanta! Pega as suas coisas e vá embora.

O salto do scarpin deu rabanadas em volta da cama.

Toctoctoctoc.

Tossiu de nervosa.

Cof, cof.

− Cê bebeu? Ir pra onde? Eu moro aqui.

Mais bocejos.

Uaaaa.

Estalidos dos braços espreguiçados.

Tlac. Tlec.

“Não acredito que essa doida quer discutir a relação de novo, a essa hora. Droga, já são onze”.

Tic-tac-tic-tac.

“Mas puta-que-o-pariu, quando é que ela vai entender que não existe boa hora pra fazer mimimi”?

− Chega! Cansei do seu descaso, some da minha vida.

O vento morno do ar condicionado bafejou lufadas de desalento na alma dela.

Hufuuu.

− Deixa de ser besta, vem aqui deitar com o teu macho.

Coçou o saco.

Cosci, cosci.

Pensamentos libidinosos matinais navegaram na sua cabeça. Na de cima. A de baixo obedeceu ao alto comando para içar velas.

Cuchi-cuchi-cuchi-cuchi (Fantasias de sacanagem − tradução não autorizada).

− Deitar? Quase meio-dia, seu folgado.

Tic, tac, tic, tac.

– Eu já disse, vai embora!

− Não tô te reconhecendo. Cê tá descontrolada, já tomou o remedinho hoje? Por que não vai pra casa da mamãe esfriar a cabeça? E diz pra jararaca que eu mandei um abraço.

Soltou um silvo com a língua entre os dentes, fez cobrinhas no ar com o indicador e o médio arqueados.

Sisisi.

Risadas.

Ahahaha.

As cólicas intestinais espremeram as tripas dela, diante da ideia de jerico dele.

Grahm, crush.

Imaginou a provável reação da mãe ranzinza; anteviu a saliva e a sentença escorrendo na boca da matriarca: “Eu avisei que o imundice não prestava”. Sentiu arrepios do shifi- shifi que viria depois do blá-blá-blá. A velha tinha mania de chupar os dentes.

Zé Elias bufou.

Bufuu.

Coçou o saco.

Cosci, cosci.

Sentou na cama, esticou o dorso.

Tlac.

Estalou os joelhos.

Tlec.

Levantou.

Tum.

Arrastou os pés até o banheiro.

Slhac, slhac, slhac.

Abriu a porta.  

Rec.

Ergueu a tampa do vaso. Urinou na borda do sanitário.

Xiiiii.

Espremeu o restinho do creme dental como se esmagasse um pescoço.

Ploc.

A massa branca recheou a escova de dente. Escovou os dentes amarelados.

Rirrirriri, rish, resh, ronsh, rish, rish.

Cuspiu.

rointuf.

Fez gargarejos.

Goagoaragrara.

Ela sentou na cama. O edredom farfalhou.

Floc.

As unhas esmaltadas arranharam o lençol de cetim.

Ram, ram.

Fungou.

Funch.

Respirou fundo.

Unsc.  

Segurou a lágrima petulante, feito vaqueiro domando o chifre do boi. Estendeu o olhar à sacada envidraçada. O negrume da tormenta anunciada misturou-se à escuridão de uma vida a dois, sem dois. Levantou. Caminhou contando os passos.

Toc.  Toc. Toc.

Abriu a janela da sacada.

Grom.

A ventania gelada rodopiou a cabeça de vento e os cabelos castanho-chapados. Jogou um sapato no chão.

Tac  (Esse caiu de lado).

O outro.

Tuc (Esse caiu emborcado).

O corpo magrelo se empoleirou no peitoril úmido da janela.

Vlec, vlac, blom.

O Zé saiu do banheiro. Fechou a porta.

Rec.

Girou o pescoço até a sacada. Emudeceu. Deu um passo a frente.

Tum.

Outro passo, cambaleante.

Tu-m.

− Mulhé, tá louca? Desce daí. Vai te molhar.

− Chega! Tô cansada.

Ela olhou de revesgueio para o burburinho lá embaixo.

Automóveis nervosos.

Zum, bibip.

Homens apressados.

Tum, tum, tum.

Mulheres idem.

Toc, toc, toc.

Crianças esquecidas.

Snif, buá.

Cachorros perdidos.

Au, au.

Homens nervosos.

Zum, bibip.

Crianças apressadas.

Tum, tum, tum.

Mulheres perdidas.

Au, au.

Cachorros esquecidos.

Snif, buá.  

Automóveis idem.

Toc, toc, toc.

Cachorros nervosos.

Zum, bibip.

Homens esquecidos.

Snif, buá.

Automóveis idem.

Toc, toc, toc.

Mulheres apressadas.

Tum, tum, tum.

Crianças perdidas.

Au, au.

 

− Cansada de quê? Cê tem tudo.

Mais um passo, calculado.

Tu-m.

Parou a poucos metros da janela.

− Não chega perto, senão me atiro.

− Deus do céu! Desce daí.

Bufadas de ansiedade do Zé.

Fuuuu.

− Você nunca me deu valor, só quer saber da minha grana.

Não segurou mais. As lágrimas jorraram dos olhos enegrecidos de solidão.

Buá. Snif. Funch.

Ele cerrou os punhos, de maxilar atarraxado, doido de vontade de sentar a mão na cara dela.

Arghh.

− Que saco! Desce daí! Vai entrar nessas paranoias de novo?  

Buff.

Engoliu a saliva.

Glup.

– Desce benzinho, deixa de besteira, tá perdendo tempo com isso.  

Ela ergueu os olhos para o teto suplicando silêncio dentro da cabeça. Fixou o olhar na bolha azulada no forro. Ergueu o corpo. Flexionou os joelhos dobrados.

Clac.

− Para! Não se mexe! – Ele gritou com as bolitas dos olhos saltadas.

− Cansei.

− Amor, vem cá, eu vou mudar, juro!

Beijou os dedos cruzados.

Splash.

− Você já jurou mil vezes.

− Desce daí, mulhé, agora!  

Apertou os dentes amarelados-escovados. Grunhiu.

Grahhh.

Mulhé…acho que você nem sabe o meu nome, né, Zé Elias?

Ele arqueou as sobrancelhas num misto de dúvida e pavor.

Deu mais um passo.

Tum.

Faltava só um metro pra ele dar o bote. O suor escorria da testa vincada.

− Qual o meu nome? Fala desgraçado!

Pausa dramática. Sem sonoplastia.

 

− Amorzinho, desce, vamos conversar….

 

Siiiiiiiiuuuuu…….BUM!

 

Na calçada molhada, a multidão se aglomerou em torno de um corpo miúdo. Lá em cima, no sétimo andar, Zé Elias sussurrou num fiapo de voz seca:

− Nãoooo!!! Mulhéééé…..

 

Instantes depois, os sons do cotidiano suplantaram a tragédia.

Au, au, toc, toc, au, au, zum, snif, buá, bibip, tum, tum, au, toc, tum, bip, zum, snif, buá, toc, bip, tum, zum, buá, snif, au, bip, zum, tum, toc, snif, au, buá, au, au, au, au, bip, bip, bip, zum, zum, zum, buá, buá, buá, snif, snif, snif, tum, tum, tum, toc, toc, toc.   

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Nota do Autor: Todos os efeitos sonoros do texto foram testados em laboratório, inclusive o cuchi-cuchi.

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42 comentários em “Flat, Bum, Tlac, Tlec, Ronc, Funch, Cosci, Ram (Roselaine Hahn)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Mais um(a) autor(a) que se valeu das onomatopeias para justificar o experimentalismo, mas nesse caso eu não sei se ficou exagerado ou se não foi integrado de uma forma que tornasse a leitura mais fluída. Do jeito que ficou, em alguns trechos a leitura é interrompida abruptamente e a onomatopeia nem sempre faz sentido.

    Boa sorte no desafio!

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    A trama é simples mas funcionou. Eu consigo sentir o descaso do marido e a depressão da esposa. Não posso deixar de comparar com POW! SMACK… BANG! Em Cinco Atos. Lá o autor deixou o leitor mais livre na interpretação. Aqui você conduziu mais. Não é um defeito, mas alguns trechos ficariam bem apenas com as onomatopeias já que elas são explicativas por si. Acho que desta maneira o texto ficaria mais interativo. Ainda assim, é uma ótima experimentação.

  3. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Plunct, muito bom seu conto. Aqui as onomatopeias servem como um recurso a mais, talvez pra quebrar um pouco o clima pesado da vida da coitada. Ao mesmo tempo, em certos momentos, elas até dão um “nervoso”, como aquelas musiquinhas de filme de suspense. Pensei que a moça ia se salvar, vontade de sair nos tapas com aquele Zé! Enfim, gostei bastante! Muito bom!

  4. jowilton
    27 de abril de 2018

    Achei o conto médio. A trama é simples e o desfecho pouco impactante. O experimentalismo aqui, da forma que foi executado, enfraqueceu o texto ao invés de fortalecer, na minha opinião. Achei meio esquisito o aparecimento das anomatopéias depois do final de cada frase. O outro conto que as usou foi mais feliz. Achei que está bem escrito. Boa sorte no desafio.

  5. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Primeiro, parabéns pela foto! Talvez, a melhor do desafio, só comparável à loira suicida caída sobre o carro. Depois, devo dizer que o uso de onomatopeias foi um recurso bastante usado nesse desafio, sem demérito para o autor. Só achei que a história parece “costurada” por essas intervenções, e não conduzida por elas. E a frase final, a meu ver, quebra totalmente o clima. De qualquer forma, desejo sucesso a você!

  6. Cirineu
    25 de abril de 2018

    Um bom conto, porém me pareceu que o uso (válido) das onomatopeéias enquanto recurso experimental, juntamente com os diálogos, o restringiu um pouquinho, ao menos no que tange ao estado emocional da protagonista. O suicídio, ainda tomando por base o estado emocional da protagonista, não era o desfecho esperado, antes o seria um assassinato. Assim, soaria-me mais plausível que ela empurrasse o.companheiro pela janela do apartamento ao invés de se jogar. Aliás, relendo, não fica claro que ela se aproximava da janela (só cheguei a essa conclusão após reler o apelo do homem “amorzinho, desce, vamos conversar”). Novamente, um bom conto, mas que merecia ser previamente revisado a fim de receber recursos narrativos que transmitissem ao leitor toda a tensão e suspense do enredo.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de abril de 2018

    Assim como outro conto do Desafio, o trabalho nos traz onomatopéias. Porém, acho que esse trabalho aqui soube casar melhor o recurso. Temos uma trama, o uso não só de onomatopéias como também de uma escrita boa e ótimas construções.

    Parabéns! Gostei.

  8. Sabrina Dalbelo
    24 de abril de 2018

    Olá,

    Pontos positivos: as onomatopeias te levam a viver o que acontece no texto. A gente “ouve” muito mais um conto com essa estrutura.
    Outra coisa foi o dramalhão urbano, arquitetado para narrar a vida em comum (ou nem tanto) desse casal desajustado. Ficou legal.
    Mas o que achei muito bom mesmo foi a parte em que as onomatopeias saem do cronograma e se misturam na cabeça atordoada da “muié”, farta da sua vidinha comum e infeliz ao lado desse traste do companheiro dela.

    Pontos negativos: a trama tem conteúdo social (aborda violência doméstica), mas é bem singela. O fim não traz necessariamente nenhuma novidade, então ele não te pega, sabe?! E a nota do autor não ficou legal, tá.

    Boa sorte!

  9. André Lima
    23 de abril de 2018

    Um texto certamente inspirado pela obra “Construção”, de Chico Buarque. O conto tem seu lado forte na narrativa do cotidiano, na sutileza em descrever situações corriqueiras que vivemos e que, por mais simples que sejam, são carregadas de turbilhões de emoções. Essa certamente é a força do conto: embora tenha uma aura humorística, é possível sentir até mesmo a solidão de um dos personagens.

    Quanto ao humor, não me agradou. É caricato demais. Acho que essa dualidade do humor extremamente caricato (Peidos, falas exageradas, clichê) e o clima pesado da relação do casal não funcionou.

    Quanto a forma de contar a história: interessante. Um experimentalismo bem singelo, mas que se justifica (Não é apenas uma coisa solta).

    De todo modo, um bom conto. Parabéns pela criação e boa sorte no desafio!

  10. Renata Afonso
    23 de abril de 2018

    Oi, autor!
    um baita drama, com toques de comédia (na dose certa), contado de forma muito envolvente e criativa, através de onomatopeias.
    Bem escrito, criativo, senti uma empatia imediata com os (2) personagens, uma mulher que pelo jeito vem há tempos tolerando um sujeito chegado à boçalidade, em meio aos sons do cotidiano, bem colocados no conto – e um homem acomodado e, pelo menos pra mim, insuportável de se conviver, por razões várias.
    Pena que ela comete suicídio e o escroto (desculpe a palavra) cntinue vivinho da silva sauro.
    Parabéns, gostei muito! Boa sorte

  11. Ana Carolina Machado
    23 de abril de 2018

    Oiii. Achei o formato do conto muito interessante. Gostei da parte final quando os sons começam a meio que se misturar e as frases, tipo dos cachorros perdidos, que depois viram cachorros nervosos e a mesma coisa com os carros e as mulheres e crianças que estavam embaixo, esse momento serviu para mostrar meio que como os sons podem se juntar. Achei o final triste, mais triste foi o fato do namorado dela não saber nem o nome dela, era como se ela estivesse sozinha no relacionamento que era para ser a dois. Parabéns. Abraços.

  12. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Gostei bastante do seu texto,.obedeci os comandos e me deixei levar pelos sons, até os imitei involuntariamente. Acho que você fez um ótimo trabalho com as onomatopeias,foi preciso.

    O drama que é o plano de fundo funciona bem, fiquei com bastante pena da mulher…as descrições do ambiente dos sons, dos diálogos só deixou claro como a vida dela é uma bosta junto desse homem nojento…nossa, nem sabe o nome dela. Acho horrível quando vejo um homem chamando a mulher de mulher…mulher vem cá, mulher isso, mulher aqui…nossa, horrível.

    Uma pena ela ter se jogado, talvez isso tenha ficado um pouco destoante , fiquei esperando um final mais tragicômico… embora a sua nota final tenha feito o trabalho de que a última reação do leitor seja o riso.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio.

  13. Matheus Pacheco
    21 de abril de 2018

    Cara,, é bom, mesmo meu entendimento sendo quase nulo do texto, foi bom, muitas onomatopeias né?kkkk
    Mas sem brincadeiras agora, um bom conto, certamente experimental, muito bem trabalhado, um pouco confuso, tudo que a gente gosta.
    Abração amigo

  14. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Plunct!

    Me parece um retrato do cotidiano urbano com onomatopeias ao estilo radiofônico. Não sou do tempo das novelas radiofônicas, mas essas eram sempre tema de piada nos programas dos Trapalhões, Jô Soares e Chico Anísio, que via quando criança, de modo que me são familiares.
    Entretanto, assim como nos programas que citei, as onomatopeias me evocaram um conteúdo mais voltado ao humor, enquanto o diálogo entre os dois personagens ia em outra direção. E isso me gerou dificuldades na leitura, pois não consegui dissociar um do outro, e ambos se atrapalharam. O final trágico, inclusive, poderia ter vindo com o silêncio, deixando a morte “falar” mais alto.
    Analisando pelo prisma do experimentalismo, creio que o conto está adequado ao tema e a utilização de algumas onomatopeias foi muito legal. Eu particularmente gostei do momento em que automóveis, homem, mulheres, cachorros e crianças vão e voltam criando o burburinho, pois li com um aumento de velocidade e intensidade que emulou muito bem o que a moça deveria sentir ali na janela. Ficou realmente muito legal.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  15. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de abril de 2018

    Boa tardeee! Blz?

    Gostei! Apesar de tratar uma situação trágica, o conto é divertido.

    O uso da sonoplastia deu um algo a mais e conduziu o enredo, que normalmente seria um pouco monótono.

    Ri em algumas partes, especialmente no cochi cochi hahahahah.

    Mas o que mais me agradou foi a parte em que os sons começam a se misturar. Achei um tanto significativo. Não sei explicar exatamente o pq, mas aquilo que deu uma visão limpa doq acontecia na mente dela naquele momento.

    Gostei tbm dos sons do cotidiano suplantando o cadáver, no fim.

    Enfim, um enredo um pouco previsivel, mas que ganha bastante no bom uso das onomatopeias.

    Parabéns e Boa sorte!

  16. Catarina Cunha
    21 de abril de 2018

    Frase chave: “Segurou a lágrima petulante, feito vaqueiro domando o chifre do boi.“

    Um conto extremamente cinematográfico. A primorosa construções das frases dá a tensão necessária às onomatopeias, sem haver desgaste, sobra ou falta de sentido.

    A nota do autor realmente foi a cereja do bolo. Espero que o som do corpo se chocando com o chão não tenha sido testado muitas vezes ou estaremos diante de um assassino serial experimental. Rsrsrs.

    Um conto previsível, mas muito bom

  17. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Estória do final do final de uma relação, contada com o recurso a multimédia. A adequação ao tema está bem conseguida com o recurso às onomatopeias, mas a riqueza do conto vai mais além disso: a linguagem é correcta e a estrutura fechada não se prende com descrições desnecessárias. Sabemos da estória pelo que as personagens dizem e fazem. Só perde o conto pela sua previsibilidade.

  18. Thata Pereira
    20 de abril de 2018

    “Nota do Autor: Todos os efeitos sonoros do texto foram testados em laboratório, inclusive o cuchi-cuchi.” Melhor nota de autor que eu já li até hoje.

    É pecado achar essa história divertida? Alegrou minha manhã hoje. Também achei os diálogos muito bons. Comprei todos eles sem saber o que tornava a outra estratégica mais real: os diálogos em relação dos sons ou os sons em relação aos diálogos.

    Só teve uma coisinha que me incomodou: algumas frases tem os sons mais intercalados que outras. Não sei se é toque literário, mas é uma opinião pessoal, nem todos os leitores devem ter ligado para isso.

    Gostei muito.

    Boa sorte!!

  19. rsollberg
    19 de abril de 2018

    Fala, Pluct, plact, Zum.

    O conto segue o caminho da experimentação com os sons. Aqui, as onomatopeias estão presentes, porém, pontuando a história que é contada através dos diálogos. Como se estivessem em um estúdio, com um sonoplasta bem atarefado.
    Ao olhar o todo, é possível enxergar uma espécie de esquete sobre um casal em crise. De inicio mostra o desgaste da convivência, com todos os exemplos das intimidades desgastantes, em seguida entra nas questões mais sérias, para finalmente adentrar numa incompatibilidade de perspectivas bem visíveis.

    A levada de humor do conto é bem aproveitada, no entanto, no final ocorre uma quebra, transformando a comédia em tragédia. Recurso muito usado em algumas obras do Nelson Rodrigues..
    A linguagem direta, quase que telegráfica, ajuda a dar velocidade em um texto leve,mas quando requer certa empatia e imersão afasta essa conexão. Quando o autor resolve fornecer um pouco mais, funciona bem: “Segurou a lágrima petulante, feito vaqueiro domando o chifre do boi. Estendeu o olhar à sacada envidraçada. O negrume da tormenta anunciada misturou-se à escuridão de uma vida a dois, sem dois. Levantou.” Não por outra razão, creio que poderia existir uma alternância maior desses momentos. Afinal, está bem claro nessas poucas frases mais longas que o autor possui enorme talento para tal.

    Parabéns

  20. Luís Amorim
    18 de abril de 2018

    Um conto na mesma linha de outro, claro que apenas coincidência. Mas é um género de narrativa que não me agrada, mesmo que possa ser experimental. Não compraria um livro com o seu conteúdo nesta linha de narrativa. Neste enredo em questão parecem existir imensas desavenças conjugais e novamente com calão incorporado. Preferia que o texto fosse limpo desse pormenor.

  21. Anderson Henrique
    18 de abril de 2018

    A premissa do texto é boa, mas não é o primeiro que aparece neste desafio. É um texto leve, que vai arrancando algumas gargalhadas, apesar da reviravolta no fim. Algumas das sonoridades funcionam perfeitamente, outras me escaparam, o que considero normal devido à experimentação. Gostei do disclaimer final, que encaixa muito bem com o tom do texto. A passagem que mais gostei foi a dos sons cotidianos abafando o suicídio. É onde a crítica do texto aparece e funciona melhor. Aconteça o que acontecer, o mundo precisa seguir, não é mesmo? A combinação entre som e ação me pareceu repetitiva em alguns momentos, mas volto a dizer: tá experimentando, tateando para ver o que funciona ou não, é preciso ousar. O equívoco faz parte e é necessário. Os personagens me pareceram um tanto caricatos, mas é algo que o texto pede, proposital (confesso ter me identificado com o Zé em algumas passagens). O resultado foi positivo. Parabéns.

  22. iolandinhapinheiro
    15 de abril de 2018

    Olá, menino!

    Um conto muito simpático o seu, e que traz uma boa carga de identificação para o leitor. Explico: quem nunca conheceu ou namorou, ou foi casada com um Zé Elias da vida?

    O cara era um porco, um parasita, mas eu me peguei rindo do comportamento dele. Acho muito legal quando um autor consegue criar uma ligação, empatia, ou reconhecimento no leitor, ainda mais quando se trata de um conto tão pequeno quanto é o seu.

    Fiquei tentando acoplar as onomatopeias que vc colocou no texto às imagens correspondentes, e ficou bem engraçado.

    Infelizmente a sua história não veio livre de problemas. As ações da mulher (sem nome) pareciam muito mais as de uma pessoa que ia tanger o folgado com vassouradas para fora da casa, do que as de uma pessoa que ia se suicidar, mas… a história é sua.

    Também achei que a repetição das ações seguidas das onomatopeias roubou agilidade do texto, que sem tanta informação desnecessária teria ficado com uma fluidez perfeita.

    É a vida. Boa sorte e um abraço.

  23. Rubem Cabral
    9 de abril de 2018

    Olá, Plunct.

    Gostei do conto. É simples, mas divertido e dramático. O trecho em que a esposa hesita se jogar da janela e ouve-se a sinfonia de ruídos urbanos se misturando ficou muito bom. Contudo, parte do conto dá impressão de repetição desnecessária, pois algumas onomatopaicas são bem claras e não precisam de complemento narrativo.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  24. Ana Maria Monteiro
    5 de abril de 2018

    Olá, Plunct. Um conto muito sonoro, carregado de onomatopeias. Resultou bem e você não tem culpa de que exista outro que teve uma ideia semelhante. Não creio que seja bom para nenhum, colocar um de cada lado da balança para ver qual ficou melhor.
    Claro que algo assim, remete muito ao voyerismo auditivo. O que me deu ideia que podia ter ficado melhor seria cortar algumas explicações, tipo: Risada. Ah!Ah!Ah.
    Dão a sensação de estar e ler a dobrar. E não mudar de linha e trocar fazendo primeiro o som e depois a explicação, vou exemplificar:
    Zé Elias bufou.
    Bufuu.
    Coçou o saco.
    Cosci, cosci.
    Sentou na cama, esticou o dorso.
    Tlac.
    Estalou os joelhos.
    Tlec.

    Assim é como está.

    Parece-me que teria ficado melhor desta forma:
    “Bufuu”, Zé Elias bufou.
    “Cosci, cosci.” Coçou o saco.
    “Tlac.” Sentou na cama, esticou o dorso.
    “Tlec.” Estalou os joelhos.

    É só uma sugestão, pois existe realmente a sensação de duplicar a leitura uma vez que o som transmite o que já se leu, e assim fica mais a explicação após a percepção (e apenas quando necessária).
    Você é que sabe. Esta é apenas a minha opinião.
    A história, em si mesma, é comum, mas isso não lhe retira valor. É mesmo de pessoas e vidas comuns que se faz a estranha realidade.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Paula Giannini
    3 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Falar do cotidiano é sempre um desafio. Todos vivemos nele, no cotidiano, e é talvez essa rotina tão familiar a todos nós que transforme um texto sobre a tragicomédia do dia-a-dia em algo tão interessante. Vemo-nos nele, se não a nós, ao menos a pessoas que conhecemos bem de perto.

    Permeado pela onomatopeia a proposta do texto me parece ser a de trazer à luz tudo o quanto se ouve naquele local. Entre quatro paredes, entre aquele homem e aquela mulher. Uma estratégia que remete à intimidade, à vida a dois, bem como a quão cada mínimo detalhe do outro, quando se está em guerra pode fazer sentido (ou não fazer nenhum) e soar como que visto por uma lente de aumento. No caso aqui, por autofalantes, talvez.

    Parabéns por seu trabalho.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  26. Evandro Furtado
    31 de março de 2018

    Um conto muito interessante que pega o leitor. A história, que seria mediana, é impulsionada pela narrativa experimental a novos níveis. Torna-se mais interessante. Há um contraste cômico-dramático que torna as coisas ainda mais interessantes. Cria-se uma conexão com os personagens e, dessa forma, importa-se com seus dramas e seus dilemas.

  27. werneck2017
    28 de março de 2018

    Olá,

    Um texto tragicômico onde o humor permeia o drama, uma narrativa que diz respeito a um relacionamento desgastado de parte a parte e bem levado a termo. As onomatopeias poderiam ser melhor exploradas. Do jeito que está, elas são explicadas pela prosa que segue, o que faz perder um pouco do frescor e parecer uma repetição do que já está sugerido. No mais, um bom conto, ainda que o suicídio da personagem feminina no conto não me pareceu verossímil.

  28. Priscila Pereira
    27 de março de 2018

    Olá autor(a)
    Na minha opinião o experimentalismo no seu texto não está nas onomatopéias e sim em misturar um conto dramático com o humor aparentemente descabido das onomatopéias.
    Pra mim funcionou muito bem. Foi uma leitura estranha, uma coisa não casava com a outra, e por isso mesmo me impactou. Ficou um experimento muito bom. Imagino que até nas horas mais sombrias e angustiantes podemos sempre contar com coisas tão banaisve corriqueiras, cheias de humor.
    Parabéns e boa sorte!

  29. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A foto que ilustra o trabalho é linda!

    PONTOS NEGATIVOS = O texto acabou ficando muito maçante com a “sonoplastia” expressa pelo(a) autor(a). Tal recurso não agrega tanto valor quanto penso eu ter sido imaginado por seu(ua) criador(a).

    IMPRESÕES PESSOAIS = No início, a forma escolhida pelo(a) autor(a) passa uma ideia de uma história infantil; daquelas ilustradas para crianças (o que seria uma baita de uma sacação boa para o Desafio!), onde os “barulhinhos” fariam as vezes das imagens/desenhos. Contudo, ao avançarmos a leitura, e pelo próprio tema abordado no texto, vamos percebendo que a história é, na verdade, adulta. E triste.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Ir além da mera sonoplastia e transformar este experimento em um “livro em braile”, dando razão para cada um dos “pontinhos” expressos na superfície da leitura. Caso contrário, tornam-se apenas um efeitinho, tão importantes como o nome da ‘mulhé’ para o Zé Elias… Mas valeu a experiência! (Cosci, cosci.)

    Boa sorte no Desafio!

  30. Evelyn Postali
    23 de março de 2018

    Eu gostei do conto e apesar das onomatopeias tirarem uma parte do drama, acho que funcionou porque a questão da indiferença está aí, nas entrelinhas. Tantas coisas que não mudamos nunca. Tantos nomes esquecidos, tantas vontades perdidas. Acho que a reflexão que o texto trouxe foi muito pertinente. Não vi erro de escrita e minha leitura foi consideravelmente rápida.

  31. angst447
    20 de março de 2018

    Um bom experimento trazendo o contraste de uma divertida série de onomatopeias com um final que eu considero trágico. A escolha dos efeitos sonoros trouxe agilidade à narrativa e me correr até o final.
    Mulhé sem nome, tadinha dela. Mas afinal, qual era o nome da moça, hein?
    Um conto experimental sem dúvida, sem grandes novidades, mas bacana.
    Boa sorte!

  32. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Um conto interessante, eivado de humor pesado. Uma narrativa, sem dúvidas, que bem experimental na medida em que usa e abusa das onomatopeias. Uma história mais do que comum de um casal que já nem é mais casal, mas que se transforma (para mais) em seu desfecho com a solução final da “mulhé sem nome”. Gostei da maneira como você conduziu a história. Valeu mesmo a leitura do seu conto. Abraços

  33. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Um conto interessante, eivado de humor pesado. Uma narrativa, sem dúvidas, que bem experimental na medida em que usa e abusa das onomatopeias. Uma história mais do que comum de um casal que já nem é mais casal, mas que se transforma em seu desfecho com a solução final da “mulhé sem nome”. Gostei da maneira como você conduziu a história. Valeu mesmo a leitura do seu conto. Abraços

  34. Antonio Stegues Batista
    19 de março de 2018

    Gostei do conto, está dentro do tema, bem experimental. O problema que, mesmo num texto dramático, a onomatopeia não reforça o drama, ao contrário, o torna humorístico. Aliás, a onomatopeia é engraçada por natureza por ser uma coisa falsa, imitação do original.Portanto, não se pode dar o respeito necessário à cena de uma mulher que se suicida. Aliás, me parece que os motivos dela foram bem fúteis! Boa sorte.

  35. Fheluany Nogueira
    18 de março de 2018

    O texto me lembrou as antigas novelas de rádio, gibis e literatura infantil, a música de Raul Seixas e alguns filmes e desenhos animados (a maioria para crianças, que usam o mesmo recurso e, além do som, aparecem as onomatopeias na tela). Então, achei meio repetitivo, fez aquele cotidiano ficar mais vulgar do que já era. Curiosidade: o Zé Elias realmente não sabia o nome da “mulhé”?

    É um bom trabalho. Parabéns pela participação. Boa sorte no desafio. Abraço.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de março de 2018

    O pseudônimo do autor já me levou para “O carimbador Maluco” de Raul Seixas. “Plunct, Plact, Zum, não vai a lugar nenhum – Plunct, Plact, Zum, pode partir sem problema algum…”

    Texto bem escrito, que tem como eixo a rotina entediante de um casal. O autor recorreu à descrição dos efeitos sonoros. A fala, o diálogo, a ação, tudo era descrito. Em seguida havia o ruído resultante do ato. O leitor não é conduzido pela sonoplastia, ela só reforça o que já foi entendido. Diminuiu o encanto.

    A narrativa é crivada de frustrações, diálogos e pensamentos repulsivos, enfim, é um amontoado de desavenças somadas ao longo do tempo. O desfecho, propositadamente, foi muito violento. ELA poderia ter partido sem problema algum: “Toctoctoctoctoctoctoctoc…”

    Parabéns, Plunct, Plact, Zum!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  37. José Américo de Moura
    17 de março de 2018

    Uma boa história do cotidiano de um casal já saturado. Um homem barrigudo, um porco peidorreiro, daqueles que não levantam mais a tampa do vaso e faz xixi com a porta do banheiro aberta. A sonoplastia lembra uma radio novela de antigamente, gostei bastante, muito engraçado e com um final previsível, ninguém merece essa vida, os dois deviam ter se matado.
    Parabéns e boa sorte.

  38. Higor Benízio
    17 de março de 2018

    Bom retrato do cotidiano, texto divertido e que passa rapidinho. Senti que a narrativa caminhava para lugar nenhum, como se fosse só um retrato mesmo, aí, de repente, um suicídio. Achei isso meio forçado, poderia ser só um retrato mesmo, talvez funcionasse melhor

  39. Mariana
    17 de março de 2018

    Uma música tão alegre batiza o autor(a) de uma história tão triste, foi uma sacada curiosa.
    Aqui a sonoplastia não funcionou tão bem, acabou dando uma repetição para o enredo, como se as frases fossem duplicadas. Sugestão para o autor: assumir de vez essa questão de novela radiofônica. Seria interessante um conto que narrasse uma novela contando uma história.
    Sobre o enrendo, que raiva desse traste do Zé Elias! E o pior que existem tantos por aí… É interessante que o nome da personagem feminina não é dito em momento nenhum. O suicídio foi extremo, ela poderia ter se divorciado e ir viver a vida dela. No entanto, como compreender as decisões humanas, né? É um bom trabalho que merece ser ajustado. Parabéns e boa sorte no desafio.

  40. Fabio Baptista
    16 de março de 2018

    Aqui o experimental fica por conta das onomatopeias, assim como ocorre em outro texto do certame. Fazendo uma inevitável comparação, no outro texto acredito que o autor tenha obtido um resultado melhor pois, ali, todo o enredo é construído pelos sons, o que dá bastante margem à imaginação do leitor. Aqui, pelo contrário, o enredo é guiado de modo convencional, com frases curtas e diretas, os sons aparecendo logo em seguida de um modo redundante (“cachorros esquecidos, au au”) e acabaram tornando a leitura cansativa, infelizmente.

    O drama cotidiano é interessante, eu gosto desse tipo de cena, mostrando as esquisitices e o tédio do amor. A decisão da “mulhé” me pareceu um tanto radical, mas quem pode dizer que é inverossímil?

    Abraço!

    PS: Na hora do “qual é o meu nome?” lembrei do filme American Pie: “say my name, bitch! Say my name!!!”… “Michelle, Michelle…” huahuaa

  41. Paulo Luís Ferreira
    16 de março de 2018

    A novidade do experimental fica, (de leve) por conta da sonoplastia das novelas radiofônicas de outrora. Mesmo assim nem tanto, esta linguagem já foi em muito usada em literatura. O pior fica por conta do enredo, visto apresentar a personalidade de uma mulher tão débil; fragilidade que é de difícil possibilidade de se ver nos dias de hoje, onde ela só demonstra o extremo da submissão feminina, um tanto quanto inadequado para representar a imagem da mulher. Quando a mesma personagem, (tirando por base suas falas no princípio do conto) não abona atitude tão fatal para o desenlace do enredo.

  42. Angelo Rodrigues
    16 de março de 2018

    Caro Plunct,

    conto com sonoplastias.
    Uma mulher que cansada de ter ao seu lado um homem imprestável, ao resolver confrontá-lo, decide por se suicidar.
    E o Zé, ó, depois de tanta merda, fica vivinho da silva.

    Há um conto aqui no desafio que opta apenas pelas sonoplastias. O seu opta, como numa apresentação em Libras, repetir o que ocorre nas cenas liberalizadas.

    Não deixa de ser algo novo, mas… joga-me a ver o conto duplicado. Eu leio depois interpreto, como se, ao ler, não fosse capaz de imaginar o som das efemérides da vida do casal.

    Pra quem já passou dos 60 anos, remete a lembrar das novelas da Rádio Tupi, onde a sonoplastia tinha uma importância fundamental na gestação do ambiente onde a trama dos eventos aconteciam.

    Boa sorte no desafio.

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Publicado às 16 de março de 2018 por em Experimental e marcado .