EntreContos

Detox Literário.

Programação (Fabio Baptista)

 

INICIO_DO_PROGRAMA

/*
Pessoal, como todos sabem, eu faço mais a parte de gerenciamento (e, quando muito, análise), mas agora, com essa reestruturação aqui no Céu (quem diria que a crise chegaria aqui, santo Deus), estou tendo que colocar a mão na massa. Ando meio enferrujado na codificação, principalmente nessas linguagens orientadas a objeto, bigdata e outras pataquadas que inventam pra vender certificação e cursos on-line. O último ser vivo que programei de cabo a rabo (literalmente) foi um dinossauro. Na época usei COBOL.
Bom, vou deixar pelo menos um esqueleto de especificação da vida do meu novo protegido na Terra (sim, vou ter que fazer jornada dupla como anjo da guarda) com algumas observações para os programadores terceirizados não fazerem cagada se guiarem melhor, ok?
@AUTOR: Gabriel Querubim
*/

Humano cadu = novo Humano();

cadu.nome = “Carlos Eduardo Alcântara”;
cadu.sexo = “M”;
cadu.nacionalidade = “brasileiro”; /* tá ferrado kkkkk */

/* Carlos terá uma infância padrão. Vai ganhar brinquedos educativos e apertões de bochecha no Natal, fazer escândalo no shopping por causa de brinquedos que serão sumariamente deixados de lado ao chegar em casa (ele terá uma predileção especial por brincar com tampas de panelas barulhentas e cestos de roupa suja). Vai assistir Backyardigans até todas as músicas grudarem na cabeça dos pais como um mantra hipnótico, não terá nenhum trauma relevante além de ser picado por aquela abelha que parecia ser tão boazinha, nenhuma doença muito grave, nenhuma queda potencialmente perigosa (o anjo da guarda dele é dos bons rsrs).
@COMPLETAR: Vou colocar o básico e quem pegar o código no turno da madrugada completa, por favor. Peguem leve com meu menino, ok? Sim, estagiário, esse comentário foi uma direta pra você.
*/

enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 3) {

____cadu.serAlimentado();
____cadu.terAFraldaTrocada();
____cadu.acordarChorandoANoite();

____cadu.idade++;

}

/* Vamos seguir com o curso normal classe-média-baixa-com-pretensões-de-ascensão: escolinha, primário, ginásio, colégio. Sem inventar muito. Sem colocar ele em classe de menino encapetado hiperativo que faz bullying e essas coisas. Também não quero que ele próprio seja uma peste criança sem controle e fique provocando quem tá quieto. O nosso Carlos Eduardo é um cara legal.
*/

enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 16) {

____cadu.irParaEscola();

____/* Alguns eventos de destaque na vida amorosa */
____se (cadu.idade IGUAL_A 13) {
________cadu.darPrimeiroBeijo();
____}

____se (cadu.idade IGUAL_A 15) {
________cadu.namorar();
________cadu.seDecepcionar();
________cadu.partirPraOutra();
____}

____cadu.sonhos++;
____cadu.idade++;
}

/* Agora uma escolha que definirá o curso na faculdade e o resto da vida do Carlos */
cadu.profissao = cadu.exercerLivreArbitrio(PROFISSAO);

/* Tá, eu sei que livre arbítrio é livre arbítrio e eu não deveria fazer isso que vou fazer aí embaixo, mas é que não quero meu Cadu se iludindo com coisa sem futuro, nem tendo que procurar segundo emprego, nem morando debaixo de ponte. Sim, sou superprotetor mesmo, julguem-me. */
se (cadu.profissao IGUAL_A PROFISSAO_ESCRITOR) {
____cadu.profissao = PROFISSAO_ADVOGADO;
}

/* Ah, nosso menino está se tornando um homem, que orgulho! */
enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 22) {

____cadu.irParaFaculdade();
____cadu.transar();

____cadu.procurarBicoPraPagarAFaculdade();
____cadu.chegarMortoEmCasaTodoDia();

____cadu.naoTerOpinioesRadicais(); /* Estranho, o compilador está dizendo que esse método não existe mais. Alguém dê uma olhada nisso depois, por favor. */

____se (cadu.idade IGUAL_A 20) {
________cadu.conhecerGarotaDosSonhos();
________cadu.levarSurraDeBuceta(); /* olha, confesso que eu dei risada quando vi o nome dessa ação, mas se eu pego o estagiário que fez um negócio desses, faço passar uma temporada lá embaixo, na fábrica de software do Lulu, pra aprender a não ser engraçadinho no serviço. Depois alterem isso aí, pelo amor de Deus… */
________cadu.seApaixonar(); /* Quem pode culpá-lo? rsrs */
________cadu.seDecepcionar();
________cadu.partirPraOutra();
____}

____cadu.sonhos++;
____cadu.idade++;
}

/* Nessa altura do campeonato, Carlão está achando que, uma vez terminada a faculdade, as coisas ficarão mais simples e a vida será bela e florida como os jardins de Versalhes num dia ensolarado de primavera…
Eu conto ou vocês contam? kkkkk
É, meu amigo… agora que o bicho começa a pegar.
*/

cadu.escutarFamiliaFalandoSobreConcursoPublico();
cadu.arrumarEmpregoComCarteiraAssinada();

enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 70) {

____cadu.trabalhar(); /* Se as leis trabalhistas mudarem de novo nesse meio tempo, atualizem o 70 ali em cima, ou coloquem logo uma constante ATE_MORRER */

____se (cadu.idade IGUAL_A 27) {
________cadu.conhecerUmaPessoaLegal();
________cadu.namorar();
____}

____se (cadu.idade IGUAL_A 32) {
________cadu.casar(); /* É, Carlão… enrolou a Fernanda o máximo que pôde, mas não teve escapatória kkkkk */
____}

____se (cadu.idade IGUAL_A 34) {
________cadu.cresceiEMultiplicaivos(); /* Pessoal, pra começar o nome dessa ação não termina no infinitivo (vamos seguir os padrões!!!) e, além disso, está um tanto antiquado, pra não falar outra coisa. Por que não dar nomes simples e intuitivos, tipo “terFilhos()”? Quem foi que programou essa mer Caramba, quanta honra usar uma ação programada pelo Criador em pessoa! Esse nome soou forte, bem bíblico e tal! #adorei */
____}

____cadu.sonhos−−;
____cadu.idade++;
}

/* Façam Carlos passar por crises existenciais (ele é um sujeito normal). Em muitos momentos vai ter o ímpeto de terminar o casamento, em outros tantos, terá vontade de trair a esposa (mas não vai trair porque… o nosso Carlos é um cara legal, lembram-se?). Mesmo aos trancos e barrancos, mesmo empurrando com a barriga (cada vez maior conforme passam os anos) a permanência num emprego que-não-traz-satisfação-mas-paga-um-bom-salário-pra-eu-comprar-coisas-que-não-preciso, mesmo com as inevitáveis perdas de saúde, motivação e propósito que aumentam na mesma proporção dos cabelos brancos, Carlos persistirá.
Até chegar a hora mais idealizada e aguardada durante uma vida:
*/

cadu.seAposentar();

/* Não vai demorar a perceber que esse era só mais um engodo. Sem a vitalidade de outrora, de que adianta todo tempo livre do mundo? Façam Carlos refletir (mas não de um jeito muito depressivo) sobre a vida enquanto assiste às pegadinhas do João Kléber nas noites de domingo, tentar preencher o vazio existencial com livros de filosofia e cruzadinhas de jornal, pensar se valeu ou não a pena ter trabalhado tanto, deixado de conhecer a Finlândia e desistido de ver a aurora boreal para juntar economias que agora só servem para comprar remédios, etc.
De um jeito ou de outro, onze anos vão passar voando, até o acidente. Nada muito dramático, ok? Um chão molhado, um escorregão, uma perna fraturada para sempre. Algo desse tipo. Sim, eu estarei lá com ele quando isso acontecer, mas, mais cedo ou mais tarde, os anjos da guarda acabam deixando alguma coisa passar, infelizmente.
*/

cadu.idade = 81;
cadu.terMobilidadeReduzidaEmDefinitivo();
cadu.sonhos = null;

enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 92) {

____cadu.serAlimentado();
____cadu.terAFraldaTrocada();
____cadu.acordarChorandoANoite();

____cadu.idade++;
}

/* Finalmente, a hora que ninguém escapa. Noventa e dois anos bem vividos, meu caro. Isso é mais do que a maioria consegue viver, mas, eu posso imaginar, ainda assim parece pouco. Muito pouco. A vontade de fazer tudo de novo falando mais alto do que o alívio de uma mente sã abandonando um corpo que nunca mais voltará a ser o mesmo. A pá de cal na vã esperança de que a medicina evoluísse mil anos em dois dias e revertesse o processo de envelhecimento. Ah, Carlos… você nunca deixou de ser aquele menino que gostava de brincar com formigas e abelhas, mas agora nós temos que ir, meu amigo.
Programem algo indolor para ele, ok?
No final, essa é a maior dádiva que alguém pode desejar.
*/

cadu.morrer();

 

FIM_DO_PROGRAMA

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46 comentários em “Programação (Fabio Baptista)

  1. Gabriella
    2 de maio de 2018

    Vou repetir oq um monte de gente falou ali embaixo: sensacional! Pode encerrar o programa pq não tenho mais nada a dizer, qqr coisa que diga a partir de agora será redundância do “sensacional”!

  2. ricardoescreve
    2 de maio de 2018

    Sensacional, Fábio! Muito inventivo, muito bem sacado! Parabéns

  3. Filipe
    29 de abril de 2018

    Muito legal, engraçado e divertido. Adorei o conto.

  4. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Como também sou programador recebi com bastante curiosidade a sua intenção de criar um texto como se fosse um código fonte do paradigma da orientação a objetos.

    A ideia das classes formando as características que o sujeito passaria a ter foram ótimas.

    Só não vou dizer porque não pensei nisso antes, porque eu nunca teria tido essa ideia.

    Ficou boa demais. Tenho até a impressão de que somos criados dessa forma, talvez não em Java, mas em uma linguagem dnaistíca que nos determina e pre-determina.

    Experimentalíssimo seu texto.

    Boa sorte no desafio!

  5. Cirineu Pereira
    27 de abril de 2018

    Imagino que seja muito difícil fazer literatura com linguagem coloquial e é o caso aqui, linguagem coloquial com algumas pinceladas de termos técnicos. Uma sátira emoldurada por um formato que nos remete às linguagens de programação. Ainda que mediano, um conto capaz de divertir o leitor, com alguma experimentação válida, é mais do que muitos (e inclusive eu) conseguiram. Parabéns.

  6. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Muito criativo o texto, parabéns. Dá para ler de uma vez só, com um sorriso nos lábios quase todo o tempo devido ao humor leve e sem “forçação de barra” para ficar uma coisa escrachada, me diverti imaginando o “funcionário” fazendo isso, rs… O “Lulu” meio que entrega o autor (a intimidade só cresceu após a publicação de certo livro), haha! Não entendo de linguagem de programação, mas parece que não passou nada na revisão. Parabéns novamente, um ótimo conto, que com certeza estará nas primeiras posições.

  7. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    A escrita é simples não simplória. Já tive que escrever alguns códigos e gostei bastante tanto da estrutura quanto dos comentários sobre as ações. É engraçado e é sutil. Destaco dois momentos: a ação cresceiEMultiplicaivos (difícil criticar o patrão, não é mesmo?) e o final sensível sem ser piegas. Se adequa perfeitamente ao tema. Seu conto é um dos meus preferidos.

  8. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Texto muitíssimo interessante, apesar de não ser exatamente a minha área, os recursos de programação e comentário foram uma sacada fabulosa! Autor, está de parabéns! Se não tem o encantamento esperado (a história acabou um pouco menos privilegiada que a forma de contar), é sem dúvida um texto marcante. Estará entre os melhores do desafio. Parabéns!

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de abril de 2018

    É um trabalho de um humor muito gostoso.

    A maneira de se contar a história ficou bem criativa. Não existem grandes construções ou grandes imagens decorrentes da escrita.

    É bem feijão com arroz em termos de requinte do vocabulário, o que é ótimo pela proposta.

    Gostei.

  10. Renata Afonso
    23 de abril de 2018

    Oi, Gabriel!
    Fantástico seu conto, achei extremamente criativo, bem escrito, no primeiro parágrafo pensei que fosse ter dificuldade com a leitura, mas não, vc domina a arte de envolver o leitor.
    Ri e chorei com a vida de Cadu, achei tão bom imaginar mesmo que um anjo nos acompanha (e acredito), achei hilária a parte em que o anjo risca quase td sobre o crescei e multiplicai-vos, depois se dá conta que foi digitado pelo próprio Deus e diz que foi ´timo rsrs, muito bom.
    Vivi e chorei com o envelhecimento e morte de Cadu, pelo que ele não viveu, mas quem age de forma diferente, não é?
    Olha, milhões de parabéns!! Contaço!

  11. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá, Gabriel.

    Muito bom seu conto, criativo, bem humorado e definitivamente muito experimental.

    Gostei da ideia de sermos programados desta forma, de Gabriel sempre muito generoso e cuidadoso, mas, não podendo ir além do que somos…até onde podemos ir… ao mesmo tempo que a gente pensa… Uai, as tragédias são programadas assim também? Vamos acreditar que ele não supervisionou e isso é fruto de estagiários que estão no andar errado rsrs

    Mas seguindo a sua linha de narração, o uso da linguagem de programação deu todo o diferencial ao texto, deu cor e mesmo não parecendo, uma certa leveza. Gostei de acompanhar a vida de Cadu.

    Parabéns , boa sorte no desafio!

  12. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Gabriel!

    Não entendo muito da linguagem de programação mas, levando em consideração que isso é uma vantagem (já que não sei apontar onde os códigos estão certos ou errados), posso dizer que esse é o meu conto preferido até agora.
    Muita criatividade envolvida aqui, num tema que não é propriamente novo. Achei o humor digno de um Monty Python, mas adequado à nossa realidade atual e nacional (a sacada da aposentadoria, por exemplo, foi ótima). Texto perfeito, humor acima da média num conto muito bem encaixado dentro do tema.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  13. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Echo “Enquanto programador, este texto foi uma boa experiência. Não sei se alguém que não saiba programar vai conseguir aperceber-se de todos os detalhes deste conto.”;

    Echo “Mesmo enquanto leitor, a subtileza e o humor fizeram-me sorrir um par de vezes. Na realidade a vida é assim. Um monte de obrigações e depois termina. É uma merda. Mas é uma merda ainda maior se não a apimentarmos e rirmos dela de vez em quando, do que este texto é um bom exemplo”;

  14. Rose Hahn
    20 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: De CPD;
    . Enredo: A TI no mundo dos Anjos;
    . Adequação ao tema: Programou a experimentação.
    . Emoção: Em COBOL, achei que nunca mais iria ouvir falar dessa tralha.
    . Criatividade: Indo na contramão da maioria, achei o texto muito explicadinho, o que não tirou o brilho da alta criatividade do autor.

    . Nota: se (dez.nota IGUAL_A TOP10) {
    sete.foradascabeça ();
    oito.temchance ();

  15. Thata Pereira
    18 de abril de 2018

    Fantástico!! Eu ia ler apenas um conto hoje, porque ainda tenho umas obrigações antes de dormir, mas não resisti. Experimental, claro, e muito criativo. Sobretudo, cativante. É bom de ler. E as cores e símbolos não atrapalham.

    E o mais interessante é que tem história ali, o autor poderia simplesmente iniciar com a programação de um novo humano, mas não: existe a crise no céu, Gabriel “quebrando o galho” depois de muitos anos após a programação dos dinossauros (parte que eu adorei).

    Legal! Que bom que Carlos é um cara legal, mas fiquei curiosa para ler a programação de um cara que não é legal. Não tem como burlar o sistema dos anjos?

    haha’ adorei o conto!

    Boa sorte!!

  16. José Américo de Moura
    17 de abril de 2018

    Cada vez mais interessante vão ficando esses contos, quando penso que não vão inventar mais nada me aparece esse aqui. O camarada programando uma vida do zero aos noventa anos. Nascimento e morte em linguagem de computador. Confesso que me assustei, mas a medida que ia lendo mais eu ia gostando, deve ser bom brincar de ser Deus.
    Parabéns e muita sorte no desafio

  17. rsollberg
    16 de abril de 2018

    Fala, Gabriel!

    Cara, confesso que quando vi essas letrinhas cor azul e essa linguagem de “computador” pensei na hora: PQP, la vem coisa chata”.(Ok, a culpa não foi minha, mas sim do meu programador axial).

    Pois bem, não demorou muito e meu pirronismo se desfez. Foi como assistir um filme fantástico que eu teria certeza que seria ruim só por causa de um gorilão albino. Seu conto é absolutamente sensacional. Original, absolutamente criativo e muito experimental. Certamente faria frente com o “google search” do Felipe se tivesse concorrendo.

    As duas camadas funcionam; as desventuras do Narrador, com suas observações impagáveis e a linear vida de Cadu. E as duas se conectam tão bem, que em determinado momento você está torcendo por Cadu e pelo Gabriel “torcendo” por Cadu. O humor está presente em todos os momentos e, como poucas vezes vi, funciona 99% das vezes. O trecho em que o programador espinafra o termo usado “cresceiemultipilcavos” é muito foda e cria uma empatia direta com o personagem, do tipo, “quem nunca”.

    O final é perfeito. Sim, não existe necessidade de plot twist, deux ex machinna e surpresas do tipo, Luke eu sou seu pai!. O desfecho é perfeito porque tem carga dramática e, com ela, reflexão. Uma mensagem de que a vida ordinária bem vivida é sempre uma dádiva.

    Parabéns e volte sempre!

  18. Anderson Henrique
    16 de abril de 2018

    A decisão de compor um texto usando linguagem de programação já seria interessante, mas mesclar com religião foi uma belíssima sacada. O texto tá bem escrito, irônico e experimental (eu acho até que compila!). Um grande concorrente do desafio. Várias pérolas como o parâmetro da aposentadoria que poderá ser alterado e a surra que o rapaz levou. Parabéns.

  19. Luis Guilherme Banzi Florido
    15 de abril de 2018

    Boa noiteee, td bem por ai?

    Cara, sensacional! Tá entre meus preferidos ate agora, se nao for O preferido! Amei.

    A escolha da forma foi muito feliz. Claramente você manja de programação, e usou muito bem. Programação costuma ser um negócio chato pra dedeu, então quando vi o título, me deu um medinho hahahaha. Confesso que pensei que seria uma leitura chata. Mas muito pelo contrário! A estrutura formal e técnica contrastou muito bem com o tom bem humorado do conto.

    Mas nao ficou só no bom humor, afinal, o conto traz reflexões filosóficas interessantes. Tem um tom de reflexão sobre as escolhas de vida e arrependimentos. Gostei.

    Enfim, belíssimo trabalho, gostei muito mesmo. Parabéns e boa sorte!

  20. Luís Amorim
    14 de abril de 2018

    Conto divertido com a novidade de ter linhas riscadas e censuradas num texto sarcástico com muita ironia, enfim uma forma de satirizar a sociedade actual. É bastante experimental. Os códigos estão talvez em excesso durante a narrativa.

  21. angst447
    13 de abril de 2018

    Conto bem divertido, criativo, experimental mesmo. Confesso que quando olhei por alto e vi toda essa coisa de TI, pensei que o texto seria chato. Claro que me enganei. UFA! As passagens riscadas, censuradas , tornaram tudo mais familiar, aproximando o leitor ao contexto apresentado. A vida de Carlos é comum, até certo ponto medíocre, mas quem de nós tem uma vida sensacional, fora dos padrões de segurança?
    Gostei bastante do seu experimento
    Boa sorte!

  22. iolandinhapinheiro
    13 de abril de 2018

    Olá, autor.

    Então, acho que a sua ideia para o desafio foi muito bacana. Transformou o céu em uma repartição pública e os anjos da guarda em funcionários da TI, rs.

    O texto tem humor, é criativo, está cem por cento adequado ao tema, achei bem engraçado (pela comparação com a realidade) as broncas no estagiário e os riscos que ele fazia nos relatórios onde havia a linguagem inadequada.

    Se o conto tem tudo para agradar por estes aspectos, a vida do Carlos Eduardo é a parte fraca do conto. Previsível, sem graça, sem empatia, sem acontecimentos importantes, nada dramático, nada que nos levasse a gostar ou torcer por ele. O autor só joga com as emoções no final da vida do Cadu, mas eu imagino que seja assim porque a ideia nem era focar na vida em si, mas em como ela era programada pelo seu anjo, pois o cerne do conto está neste trabalho, Cadu é apenas mais um trabalho entre tantos trabalhos realizados pelos anjos do céu.

    Não vi problemas gramaticais, e, mesmo com a vida sem tempero do rapaz, o conto conseguiu uma boa fluidez, sendo uma leitura agradável para mim. A ironia das fraldas no começo e no final da vida ficou boa e ao mesmo tempo triste. O fim de todos que conseguirem chegar à idade do Carlos é passar por estas coisas. Parabéns pela ótima ideia.

    Um abraço e sorte no desafio.

  23. Catarina Cunha
    13 de abril de 2018

    Frase reprogramável: “enquanto (cadu.idade MENOR_QUE 70) {
    ____cadu.trabalhar(); /* Se as leis trabalhistas mudarem de novo nesse meio tempo, atualizem o 70 ali em cima, ou coloquem logo uma constante ATE_MORRER */”

    Pegada pra lá de experimental, mas mantendo o nexo de causalidade da trama. O formato de programação deu um charme extra. Até as cores fizeram diferença ímpar no entendimento e na valorização de cada etapa do programa.

    As melhores partes são as autocensuradas. Kkkk.

    Parabéns pelo autocontrole e ousadia.

  24. Matheus Pacheco
    8 de abril de 2018

    ISSO, ISSO, cara eu adorei, sem brincadeira, esse sim representa o gênero experimental, tanto pelo estilo, quanto pelo humor colocado e pela sensação, talvez uma realidade, que a vida de Cadu continua sendo tão intricada na tecnologia que ela domina sua vida, ou talvez por trás das maravilhas digitais está uma mão divina que guia as novas ações dos homens, como dito no começo que a crise alcançou Deus e Gabriel teve que compensar isso.
    Abração ao Escritor.

  25. Ana Maria Monteiro
    3 de abril de 2018

    Olá Gabriel. Nota máxima em sentido de humor e experimentalismo. Como não percebo nada de programação, até fiquei satisfeita, pode estar tudo mal que eu só percebo mesmo o que você quis dizer. Uau! Normalmente é ao contrário: percebo perfeitamente o que está escrito mas ando às aranhas para tentar perceber o que o autor terá querido contar.
    Aqui percebi perfeitamente. Imagino que você tenha uma imensa capacidade de rir de si mesmo/a (diria que é uma dádiva divina se acreditasse em divindades).
    O mais fantástico foi ter escolhido o mais completamente normal entre os humanos e assim, sem arremedos fantasistas que atirariam o Cadu para longe, você o coloca bem junto de nós e, amiúde, até no lugar de quem lê. E, no final, com sorte, somos todos isso, não é?
    Comentar mais para quê? O meu favorito até ao momento. Tem tudo: o que rir, o que pensar, o que “mastigar” mais lentamente.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. werneck2017
    1 de abril de 2018

    Olá,

    O texto tem um ritmo que favorece a leitura, fluindo inteiramente até seu final. Tem um humor tácito, especialmente, nos solilóquios e na autocensura. Divertido, criativo, singelo, triste. Tudo ao mesmo tempo. E, se pensarmos que a vida do Cadu é normal e sem grandes reviravoltas, perguntamo-nos onde está a grandiloquência da narrativa? Porque a grandiloquência surge, isso é fato. A resposta é na maestria do autor em levar o leitor para uma seara tão humana quanto possível. Parabéns pelo conto original e criativo.

  27. Paula Giannini
    1 de abril de 2018

    Olá, autor(a),

    Tudo bem?

    Há poucos meses li o livro de um colega EntreContista, e, incrivelmente, as reflexões que fiz para o livro dele(a) valem para este conto aqui. Não sei se o(a) autor(a) é o mesmo, ou se somos nós a aprender a escrever uns com os outros. Rsrs

    Então, lá vai.

    É incrível como o(a) autor(a) consegue trazer para o clímax aquilo que há de mais humano em nós. Na aparente história de uma vida comum, simples história de um homem que vive dentro dos padrões médios, a capacidade de fazer o leitor refletir sobre sua própria vida. Ou, melhor ainda, sobre o propósito desta no mundo.

    A pirotecnia, bem vinda no desafio é, confesso, também bem vinda para mim, que adoro formatos estéticos diferentes. É ótima. Porém, ainda que não houvesse nada disso de números, e símbolos, e cores, e letras da programação, a trama seria certeira e, mais uma vez, com uma incrível força humana.

    Assim como no livro do(a) colega, confesso que certos trechos mexem com meu preconceito linguístico. O autor utiliza-se de um tipo de humor que, por vezes, tangenciam algo que me faz pensar. Isso é literatura de qualidade? É tão usual, tão descompromissado, tão… Parei. Logo eu que escrevi e atuo em Casal TPM. E a resposta é sim, é. Talvez justamente nesse humor, nesse modo leve de escrever, nessa maneira jocosa de brincar com os personagens é que resida a mágica da pena do(a) autor(a). Talvez justamente a naturalidade com que tudo é dito é que seja o caminho que prepara o leitor para o grande momento da catarse reflexiva do final, trazendo-o tão próximo dos protagonistas, que chega a dar a impressão de que somos íntimos de cada um deles.

    O conto me lembra um filme, do qual não me recordo nada. Talvez nem haja o tal filme, então, fica a dica, esse conto daria um excelente roteiro.

    Parabéns por seu trabalho.

    Beijos

    Paula Giannini

  28. Priscila Pereira
    30 de março de 2018

    Olá Gabriel,
    Antes de falar do seu conto, se for você quem está programado a minha filha, faça o favor de tirar aquele acordar chorando a noite logo, ela já tem quase três anos!!! Kkkkk
    Eu amei o seu texto! Muito criativo, divertido, gostoso de ler, com boas piadas, momentos de reflexão, o pacote completo! E tudo na linguagem de programação! Muito bom!
    Parabéns e boa sorte!

  29. Jowilton Amaral da Costa
    25 de março de 2018

    Conto muito bom. Bem criativo. Eu me formei em programação pelo SENAC no início dos anos noventa, enquanto cursava odontologia, em linguagem Dbase IV (acho que era isso, hahahaha). O trabalho de finalização do curso foi um programa para vídeo locadora kkkkkkk. Nunca exerci a profissão, mas, entendi um pouquinho dos códigos da lógica algorítmica incluídos no texto. Bem interessante a história, um anjo que programa a vida de um ser humano, o Eduardo, que era um cara legal hahaha, senti referências ao Legião aqui. E ele segue tendo uma vida meio moderrenta como a maioria das pessoas. Conto tem um teor cômico muito bem feito, com sarcasmos bem colocados. O final sendo igual ao começo nos lembra que tudo acaba onde começou. Boa sorte no desafio.

  30. Evandro Furtado
    25 de março de 2018

    A criatividade merece nota máxima por aqui. A ideia é bastante original e funciona. O autor consegue inserir um tom cómico pra criar empatia no leitor, simplesmente pra depois poder dar o golpe baixo. Apesar de todas as piadas, esse texto é carregado por uma tristeza inevitável.
    A história da vida do sujeito é muito bem balanceada, e é por meio daqueles códigos de programação (não sei o nome exato) que o autor eleva ou destrói a moral do leitor. Flutua-se entre rompantes de alegria e crises de tristeza, tipo a vida mesmo. Conforme se aproxima do momento da morte, dá uma deprê foda. Mais uma vez, um retrato.
    As escolhas, em termo de narrativa, são perfeitas. A escrita informal faz o leitor imergir no texto. Até se esquece do desafio, e dá uma tristeza quando acaba. Tipo a vida mesmo.

    Sabe o que isso significa, né?

    Ooooooooooooooooooooooooooooooooooutstanding!!!

  31. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A inovação, através do uso — criativo — de linguagens de computador e marcas de equipamentos um pouco mais arcaicos, também (como a boa e velha máquina de escrever).

    PONTOS NEGATIVOS = A ideia foi muito criativa, mas acabou custando um pouco caro na realização prática da mesma, pois retirou boa parte da atenção do leitor da história propriamente contada, forçando-o a deduzir os significados desconhecidos dos códigos de comandos tecnológicos. Isso quebrou um pouco (na verdade, bastante…) o ritmo da leitura.

    IMPRESÕES PESSOAIS = O texto (no sentido da história/enredo) está muito bem escrito e o tom jocoso consegue desviar, e até mesmo dirimir um pouco, do distanciamento imersivo causado pelos códigos de comandos intercalados na história. A sacação da idade avançada e da morte sem dores do protagonista também me pareceu uma boa ideia para fechar o conto.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Apostar mais na comédia (que dialoga diretamente com o leitor) do que no grau técnico da representatividade prática na grafia da ideia original, pois os códigos e formatações acabam afastando o leitor do ‘mergulho’ no enredo. Uma boa saída para isso, sem que a ideia original da programação fosse afetada, talvez, seria a utilização de imagens ilustrativas que dessem a ideia de uma programação, mas sem o incômodo dos sucessivos códigos nos blocos de texto. Penso em uma imagem de um monitor, por exemplo, daqueles antigões, que funcionasse como as margens do texto (onde estaria a história pura, sem cortes de formatação); trazendo a sensação de uma programação, mas sem a necessidade dos códigos travando o fluir da leitura.

    Boa sorte no Desafio!

  32. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Gabriel, caramba, que ideia criativa e que conto interessante você me traz. Tudo muito interessante mesmo. Ri muito dos textos riscados. Essa auto censura funcionou muito bem. Dizer mais o quê? Excelente conto, totalmente inserido no contexto experimental, parabéns.

  33. Sabrina Dalbelo
    19 de março de 2018

    O que achei?
    Eu me diverti pra caramba!
    Achei a ideia bastante original, que certamente se encaixa no tema, pela linguagem e pelo formato. A história em si talvez não seja experimental, o que, contudo, não lhe retira o aspecto de novidade e a boa criatividade.
    O texto flui, é bem escrito, o enredo é atrativo.
    Parabéns.

    • Sabrina Dalbelo
      26 de abril de 2018

      Oiii
      Só quero dizer que a história não precisa ser experimental, porque o formato é, e muito. Eu gostei bastante tá!? Meu comentário acima está meio desanimado, por isso vim reforçar. hehehehe

  34. Evelyn Postali
    19 de março de 2018

    Gostei da programação que o Gabriel deu para o Carlos. Uma vida bem vivida e uma morte bem morrida *risos*. Acho que todos querem isso. Gostei da estrutura do conto. Tem humor e isso é bem bacana. Acho que o experimental fica por conta das questões formais mostrando a linguagem de programação.

  35. Higor Benízio
    17 de março de 2018

    Uma dessas idéias geniais que eu nunca tenho… Tive contato com programação na faculdade, principalmente Fortran, foi legal demais ver um conto nesta estrutura. Excelente ideia, um dos melhores até aqui.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    17 de março de 2018

    Belo texto. Uma escrita alegre, suave, marota. Apaixonante! A fonte utilizada para a apresentação do trabalho é fantástica. Traz a memória, com traços saudosistas, de rascunhos antigos e, particularmente, fui remetida aos meus escritos da década de 80, quando utilizava minha velha máquina de escrever portátil OLIVETTI, de letrinhas miúdas, idênticas às do texto. Uma lindeza!

    Texto mesclado de dedilhadas filosóficas, cômicas, sarcásticas, ternas, divertidas, criativas, pessimistas em dosagem certa, enfim, uma miscelânea que deu certo. Muito certo! Brilhou!

    A “censura”, que são os trechos riscados, é o conteúdo mais instigante da escrita. Sempre que aparece, você relê o parágrafo. Bela sacada! Justamente nestes trechos, o leitor é fisgado e “filosofa”. Repensa.

    Estrutura inteligente: uma “programação” dentro de uma programação. Parabéns, autor!

    Gabriel Querubim, PELAMOR, cuide bem da programação da minha passagem, que também seja indolor, tá bom?!

    Parabéns, Gabriel, boa sorte no desafio!

    Abraços…

  37. Ana Carolina Machado
    16 de março de 2018

    Oiii. Achei o conto muito bem elaborado. A linguagem é leve e divertida.O modo como a história foi contada foi bem criativa, como se fosse realmente uma programação. E achei interessante o fato que no fim da vida do personagem meio que voltou para o começo, para quando era bebê e era alimentado e tinha a fralda trocada. Me lembrou de uma frase que ouvi certa vez que dizia que o idoso volta a ser criança. Parabéns e boa sorte.

  38. Antonio Stegues Batista
    16 de março de 2018

    Se dúvida, experimental! E um enredo muito bom, estrutura dos parágrafos, a estética ( texto também tem), a escrita, as frases, etc, tudo muito legal. Não ha o que sugerir ou apontar erros. Perfeito, uma boa ideia. Boa sorte.

  39. Rubem Cabral
    16 de março de 2018

    Olá, Gabriel.

    Um conto muito bom: bem divertido e bem sacado. Não foi excepcionalmente experimental ou criativo – eu já experimentei coisa parecida e já li coisa semelhante tbm -, mas o resultado foi muito bom em função do talento de quem escreveu: há humor leve, certa ternura e um tanto de tristeza tbm.

    O texto está muito bem escrito e os caracteres riscados com “censuras” foram bem divertidos. Penso que há, contudo, talvez um pequeno glitch na trama: se Gabriel só programou pela última vez na época dos dinossauros (e em COBOL) seria estranho o método “cresceiEMultiplicaivos” não ser conhecido por ele (pois crescer e se multiplicar não se aplica só aos humanos e de acordo com a mitologia do gênesis os dinossauros (não citados, mas são animais da terra, de qq forma) e os humanos teriam sido criados durante a “semana” da criação), ainda que fosse talvez à época uma rotina chamada por PERFORM no COBOL. E se a linguagem java-like apresentada aqui é nova feito comentado por Gabriel, não deveria então existir um método arcaico criado por Deus pessoalmente.

    Um conto excelente. Parabéns!

  40. Fabio Baptista
    15 de março de 2018

    Bom, preciso começar dizendo que te odeio, autor(a). Estava com uma ideia mais ou menos assim (seria algo bem mais genérico, sem entrar numa vida em específico como você fez) e dado o número de Entrecontistas programadores, queria terminar logo para não correr o risco de ter a ideia antecipada… então, imagina o quanto te xinguei quando vi esse conto publicado hauahuahua.

    Independente de me fazer voltar à estaca zero, você construiu um bom conto aqui. Os trechos de código comentados são bem engraçados, a piada do COBOL/dinossauro é ótima e a parte do compilador não reconhecer o método de não ter opiniões radicais foi uma boa sacada, assim como o chave de b#ceta HAAUAHUA.

    Fico na dúvida se não seria melhor ter colocado algo mais diferente na vida do Carlos. Talvez uma sequência de “if”s que qualquer que fosse o resultado acabaria na morte(). Tipo, não importa o que o cara faça durante a vida, vai acabar morrendo do mesmo jeito. Sei lá, foram coisas que pensei após a leitura.

    Uma leitura bem legal, num formato bem inusitado, 100% adequado ao tema.

    Abraço!

    PS: É melhor dar uma revisada naquele loop da faculdade, senão o pobre Carlão só vai transar uma vez por ano! 😀

  41. Mariana
    14 de março de 2018

    Eu não entendo de programação, mas o conto é extremamente acessível e gostoso de ler. Ficou legal e com uma pitada filosófica (a questão do que é ser humano, humano X máquinas). A história é a mais comum possível (o que não significa necessariamente algo ruim): a trajetória de um cara o mais comum possível, o favorito de um anjo (o que mostra uma falha de um ser divino, aspecto interessante do conto). O final é triste, mas não dava para esperar muito mais do cadu. Era isso mesmo, é isso o que nós somos. Fiquei pensando na minha programação… Enfim, atende ao quesito experimental e é um bom e acessível conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  42. Fheluany Nogueira
    14 de março de 2018

    Muito bom, texto sarcástico, irônico e divertido! O formato, os rascunhos riscados e os diálogos estão demais. Espero que este anjinho tenha sido o meu programador, tão protetor. A narrativa é experimental e moderna, no formato e no assunto (religioso, mas sob um prisma bem diferente), tem um tom filosófico-existencial e um fundo triste. Conseguiu sintetizar uma vida em um texto curto.
    Parabéns pela originalidade! Boa sorte no desafio. Abraço!

  43. Paulo Luís Ferreira
    13 de março de 2018

    Mais um bom conto se apresenta com as características do experimental, e ainda trazendo um muito bem humorado enredo. Acrescentando-se a isso uma inteligente sátira a triste condição-humana. Cujo conteúdo, de uma sacada inventiva hilária, ao partir de uma programação virtual para um ser humano na época da cibernética. Principalmente para os dias de hoje quando já estamos quase todos programados. Valendo lembrar que eu nada entendo sobre a linguagem computadorizada. Mas pelo pouco que entendo, deu para perceber o recado. Engraçado e competente trabalho experimental. Parabéns autor pela bela criação.

  44. Angelo Rodrigues
    13 de março de 2018

    Caro Gabriel,

    gostei do conto.
    Me fez lembrar os anos 90, quando passava as madrugadas programando rotinas para que pela manhã tudo funcionasse “nos conformes”.
    Na época era Clipper C480 (linguagem brasileira de médio porte) e Mumps. Depois Borland Pascal, Delphi e C (meio parecido com esse que você desenvolveu acima, mas já não lembro bem).
    Uma boa sacada usar /* …. * / como Comment para explicações. Boa sacada também usar orientação a objeto para ações durante o crescimento do Cadu.

    Achei, entretanto (parece que sempre tem um entretanto), um pouco pessimista o conto, bastante carregado de uma dirigida fatalidade, um certo derradeiro pessimismo.

    Boa sorte no desafio.

  45. André Lima
    13 de março de 2018

    Esse desafio para mim já é o mais legal de todos que presenciei. É muito bom ver contos enveredando por diversos caminhos, alguns nos emocionam, outros nos divertem, outros nos fazem viajar, outros ricos em conteúdos matemáticos ou tratando de biologia…

    … Mas principalmente todos MUITO criativos!

    E “Programação” é um conto que se encaixa perfeitamente nesse adjetivo. A sacada de narrar a vida de um ser humano como se fôssemos de fato PROGRAMADOS como um programa de computador, foi extremamente autêntica. Nunca vi nada parecido no mercado.

    “Programação” é outro conto que possui a força da experiência do vivencial, como já comentei em outro conto que não me recordo agora o nome. Aqui presenciamos situações do cotidiano, com referências a figuras pops como João Kléber, com a linguagem dos jovens de hoje em dia, como evidenciado no trecho genial onde se é IMPOSSÍVEL programar um adolescente sem opiniões radicais (Referência à polarização recente que nosso país sofreu e aos debates de jovens acalorados nas faculdades e na internet), mas também, e agora vai meu puxão de orelha, com algumas piadas bem clichês, que vemos repetidamente em alguns memes no facebook, como do “eu conto ou vocês contam?” sobre a faculdade.

    Embora a história de Cadu não seja nada muito bem elaborado, grandioso, a grande sacada do texto está na linguagem adotada, nos “diálogos” do narrador com os outros programadores. É muito divertido e criativo, certamente.

    Parabéns ao autor e boa sorte no desafio!

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Publicado às 13 de março de 2018 por em Experimental e marcado .