EntreContos

Detox Literário.

Memórias (fragmentadas) dadaístas (Ana Carolina Machado)

Materiais para a aula de artes:

*Tesoura sem ponta

*Papel

*Folha de jornal ou revista

Atividade que será feita pela turma: Poema Dadaísta

*

Sonhou novamente com aquele bocado de palavras que não conseguia organizar de uma forma que fizessem sentido. Eram fragmentos que flutuavam na forma de pequenos pedaços de papel de colorido onde as palavras estavam escritas. O interessante dos sonhos era que tudo nele parecia ter sido desenhado pela criança que ele foi um dia.

Com suas mãos ele conseguia pegar algumas palavras aleatórias. Mesmo sem conseguir entender o que as palavras significavam ou a ordem delas sabia que elas eram de grande importância. Não sabia como, mas sabia.

Já estava acostumado com esses sonhos que começaram logo após ele começar a trabalhar no escritório e deixar de lado seu hobby de pintar.

Logo que despertou olhou para o relógio que tinha ao lado de sua cama.Viu que ainda teria um pouco de tempo antes de o despertador tocar. Ótimo. Resolveu voltar a dormir.

No novo sonho, para sua surpresa, ao invés de palavras, via uma folha branca flutuando em sua frente. Sentiu o cheiro de infância vindo da folha, assim como sentia nos papéis coloridos. Pegou-a. Sua mente voltou para aquela época boa.  O papel em questão era um aviso que a sua professora do primário anexou na sua agenda. Sobre os materiais para a aula de artes. Amava as aulas de artes, lembrava de todas com nitidez, foi por causa delas que quis ser pintor. E essa do papel tinha um lugar especial em seu coração porque foi o seu primeiro contato com a matéria.

Desse sonho acordou com uma sensação boa no coração. Durante todo o resto do dia pensou naquela aula de artes, porém a ideia veio somente enquanto lia o seu jornal no intervalo de almoço. Em uma das manchetes identificou palavras que viu em seu primeiro sonho da noite. Separou a folha e ao chegar em sua casa recortou as palavras que lembrava, as que pensava lembrar que encontrou na notícia e as semelhantes. Recortou algumas separadas e outras juntas. Depois de recortadas as dobrou com cuidado, colocou todas em um copo e as embaralhou. Retirou quatro palavras de forma aleatória, que nem havia aprendido quando era criança:

Em um primeiro momento a frase não fez sentido nenhum, mas depois de um tempo começou a refletir sobre o final. Lembrou de quando ouviu: “Você não faz arte de verdade”. Ele e com certeza a criança pintora que morava dentro dele queriam mudar esse “Você não”. Pegou as outras palavras novamente:

A nova frase não fez sentido nenhum, por mais que pensasse não conseguia encontrar, mas se pegou pensando na arte abstrata que costumava pintar. Algumas vezes as pinturas tinham um sentido mais profundo, mas outras era apenas tinta espalhada de uma forma a aleatória. Igual as frases também.De qualquer forma a primeira frase valeu pelas duas.

Pegou as palavras que faltavam, como estava com muito sono, colocou todas em uma frase só. Essa aparentemente fez ainda menos sentido que a primeira. As únicas palavras que faziam algum sentido para ele eram “estudantes” e “espelho”. Seriam os dois “da” referência ao dadaísmo? Não sabia, assim como não sabia o porque do “olá”, devia ser apenas a palavra que sobrou.

Ele era estudante quando teve o primeiro contato com o mundo das artes. O seu eu criança estaria feliz com as escolhas dele? Se olhasse no espelho agora veria o mesmo brilho no olhar que ele tinha naquela época? Que tinha ao pintar seus pequenos quadros? Não, veria uma cara de sono. Foi dormir.

Adormeceu logo que se deitou e sonhou um sonho diferente. Não havia palavras ou papéis flutuando. Nem cheiro de nostalgia da infância. Notou logo que estava deitado no fundo de uma estrutura semelhante com uma caixa desenhada.  Como das outras vezes o cenário e sol que brilhava no céu pareciam parte dos desenhos dele criança. Levantou-se e resolveu olhar para fora da pequena caixa e ao fazer isso ouviu uma voz infantil dizendo:

-Olá.

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43 comentários em “Memórias (fragmentadas) dadaístas (Ana Carolina Machado)

  1. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Gostaria de começar parabenizando quanto a adequação ao tema e a escolha e execução do estilo dadaísta. Infelizmente o conto não me fisgou. Enxergo muita qualidade nele. Existe um enredo com o qual o leitor consegue se identificar e explicita o dadaísmo sem ser didático. Quando terminei de ler fiquei com a sensação de que deveria ter gostado mais. Faltou algo. Minha sugestão: coloque mais impacto a cada conjunto de frases recortadas. Uma urgência crescente nas reflexões propostas culminando no mesmo final.

  2. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Desculpe-me por isso mas achei o conto fraco e sem algo que eu pudesse identificar como experimental. O uso de imagens para ilustrar as tentativas de interpretar a sonharia não são o suficiente para torná-lo experimental.

    Boa sorte no desafio!

  3. Cirineu Pereira
    27 de abril de 2018

    Primeiramente, encontrei alguns problemas gramaticais que não comuns para escritores mais experientes. Há problemas de pontuação e tempo verbal entre outros. A narrativa é regular, linear, quase infantil e não creio que isso seja propositado. Aqui nada motiva o leitor senão a esperança de ser surpreendido, a expectativa de que um conflito se apresente, de que talvez o experimentalismo se revele, sim, porque ilustrações por si só não têm nada de experimental.

  4. Ana Carolina Machado
    27 de abril de 2018

    Oiiii. Achei o conto bem interessante e tem um ar de nostalgia. O conto é como se fosse um quebra-cabeça de memórias e sonhos fragmentados que vão se unindo um pouco a realidade do pintor sonhador, mas apesar dessa união das duas realidades o conto poderia ser um pouco mais longo e ter uma história um pouco mais profunda, depois que ele se encontrar com a criança interior dele. Abraços.

  5. André Lima
    26 de abril de 2018

    O texto é bom, segue a linha do non-sense, mas achei pouco atrativo. Faltou um grande evento na narrativa, algo que fizesse com que tivéssemos a vontade de ler até o final…

    É um tema que pode ser melhor explorado. Sonhos, objetivos, vida real… Tudo isso tem uma carga emocional enorme que ficou de lado. O conto tem uma aura amigável, doce, quase que saudosista, mas fica por aí. O autor demonstra ter habilidade, por isso acho que não aproveitou bem a força que possui.

    Boa sorte no desafio e parabéns pelo conto!

  6. Sabrina Dalbelo
    26 de abril de 2018

    Olá,
    Eu achei muito legal, bem construído e arquitetado.
    A história de fundo é bastante interessante, de como lidamos com nossos sonhos e frustrações. A questão de nossa profissão estar aliada ao que sonhamos ou desejamos para nossa vida é um grande ponto.
    Até quando nos permitiremos? Até nos reencontrarmos, não é!?
    – Olá!

    Parabéns. Vi experimentalismo e gostei!

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Gostei do making of da história, como um poema dadaísta. O universo de sonho e dúvida é envolvente, e o twist final do uso da palavra sobrante foi muito bem arquitetado. Parabéns, autor, sucesso!

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de abril de 2018

    Eu achei de uma intenção genial. Sensível, com uma premissa muito interessante.

    O conto tem pontos de excelência, mas precisa ser lapidado.

    Autor(a), você tem um diamante em mãos e isso pede uma atenção mais esmerada.

    No mais, parabéns!

    Salva de palmas, sinceras palmas, por você ter lembrado do Dadaísmo.

  9. Priscila Pereira
    24 de abril de 2018

    Olá Sonhador Urbano,
    Tenho que dizer que nunca havia ouvido falar sobre poema dadaísta… Acho que o ensino aqui na minha cidade está atrasado…
    Seu conto mostra um adulto que acabou não seguindo os sonhos da infância e um sonho o leva a meditar sobre isso… É bonito, faz pensar.
    Parabéns e boa sorte!

  10. Renata Afonso
    23 de abril de 2018

    Olá!
    O conto, bem escrito e bem estruturado, é certamente experimental.
    Pintor frustrado revive momentos da vida enquanto compara com seus momentos da infância, no final vemos uma saída, qdo ele decide sair da caixa, provavelmente fluindo melhor seu dom.
    Eu não sei explicar, mas esperava mais do seu conto, e não aconteceu, ou não vi.
    Meus parabéns e boa sorte!

  11. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá, Autor!

    Eu não sei se não alcancei o seu conto ou ele não me alcançou… a leitura foi uma expectativa de que algo grande iria acontecer em algum momento, se aconteceu passou despercebido por mim. Acredito que o grande problema do texto em si é a narrativa, as repetições de ideias e palavras, isso deixou a leitura muito truncada, eu tropecei várias vezes nas palavras por conta disso, pois queria ler de forma fluida mas não deu.

    Pesquisei um pouco sobre deidaismo e não cheguei a um denominador comum fazendo uma comparação com o seu texto. Pode ser um problema só meu e seu conto guardar coisas incríveis que infelizmente não consegui assimilar.

    O conto não funcionou muito pra mim, mas parabenizo o autor pelo trabalho, espero fazer uma nova leitura também pra vê se essa impressão muda.

    Gostei dos recortes, da disposição do autor de fazê-los.
    Boa sorte no desafio.

  12. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Sonhador!

    Trata-se de um conto bastante interessante, com pontuações gráficas que dão uma requintada no texto, sem deixar que a mente do leitor se afaste demais do enredo. Aliás, mostrar os recortes por imagem talvez tenha sido a grande sacada aqui, pois é como levar o leitor para fora do texto, sem que o texto deixe o leitor. Gostei bastante.
    O enredo é algo reflexivo, e tive pelos menos duas interpretações mais claras do conteúdo. Fui com a versão de que os sonhos levaram o personagem a um redescobrimento daquela criança que queria ser artista, culminando com o encontro entre adulto e criança dentro do sonho. Isso daria um início, talvez, à redescoberta do prazer da arte. Não sei se a intenção era essa, mas me pareceu a mais interessante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  13. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Conto bem construído, com imagens que complementam a história. Tal como o título indica, são imagens fragmentadas do tesouro pessoal e intransmissível que são as nossas memórias de infância. O conto joga com essas lembranças e com a importância que tinha a imaginação. Enquanto crescemos perdemos a inocência e ficamos obcecados em ver lógica em tudo. O conto termina em aberto, e não vejo mal nenhum nisso. Ficou subentendida a presença de uma segunda personagem, talvez o filho da personagem principal. O choque de gerações está implicita de uma forma elegante.

  14. Rose Hahn
    20 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Pueril;
    . Enredo: Pintor frustrado deveria ter lido sobre Carl Jung e a interpretação dos sonhos ;
    . Adequação ao tema: Em parte, por conta dos recortes;
    . Emoção: “Você não”. Crenças limitantes que aceitamos como verdade.
    . Criatividade: Tem potencial para sonhos mais altos.

    . Nota: Se levar alguns “Não” nesse desafio, não desista dos seus sonhos, caro escritor.

  15. Catarina Cunha
    20 de abril de 2018

    Frase chave: “Você não faz arte de verdade”

    O sofrimento do bloqueio criativo, o autoflagelo, fazendo suas vítimas. Embora o desenvolvimento do texto seja aparentemente descuidado e simplório, gostei muito da premissa. Não sei se por limitações minhas, achei que o dadaísmo poderia ter sido mais explorado com o jogo de palavras. Um pouco mais de ousadia textual caberia muito bem nesta boa ideia.

  16. José Américo de Moura
    18 de abril de 2018

    Olá Sonhador Urbano, gostei de ver o quanto você ainda sonha com com o sonho que tinha quando criança. é muito gostoso a gente sonhar como se ainda fosse um menino na escola. A sua vontade de ser um pintor sempre estará em seu pensamento. Vá em frente e boa sorte.

  17. Bianca Machado
    18 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————
    .

    O título engana um pouco. Eu achava que a loucura seria maior, por causa dele, rs… O texto é bem bonito e instigante, mas a sensação que tive é a de que fiquei esperando por algo que não veio. Ao mesmo tempo, não posso deixar de dizer que
    foi uma leitura agradável, que poderia ser até mais longa, que certamente não iria
    ser cansativa, mas achei o experimental meio que contido.

  18. Jowilton Amaral da Costa
    18 de abril de 2018

    A experimentação foi bem executada. A escrita é simples, a narrativa tem algumas repetições, como os outros falaram, enfraquecendo-a um pouco. As reminiscências contadas na história não me empolgaram muito, Boa técnica, Boa criatividade, baixo impacto. Boa sorte no desafio.

  19. Thata Pereira
    18 de abril de 2018

    Eu recordei muito minhas aulas de semiótica e psicologia da comunicação enquanto lia o conto. Talvez as crianças são os seres mais complexos e inteligentes que existem nesse mundo, simplesmente pelo fato de que não foram completamente dominadas pela escola social. Esse contraste entre o que se era e o que se é é complexo. Talvez ficasse perdido caso o conto se estendesse, acho que tem o tamanho ideal.

    O que me passa, particularmente, é que podemos aprender bem mais com o que não faz sentido do que com o que faz. E muitas coisas não fazem sentido quando somos crianças, coisas que vamos descobrindo por nossa própria conta. A partir do momento que vivemos de sentido significa que fomos moldados, ensinados a pensar. Não há arte que sobreviva a esse limite social, prévio e cruelmente determinado.

    Boa sorte!

  20. Mariana
    17 de abril de 2018

    A criança que você foi teria orgulho de quem você é? Um conto que trabalha, a partir do dadaísmo, com as memórias infantis e com a desvalorização da arte – o sonho colorido contrasta com a realidade cinza. Uma bela homenagem ao movimento, que atende ao proposto pelo certame. Só irei fazer coro, como colocaram – seria 10 se o trabalho fosse apresentado todo a partir das colagens. Mas é um bom trabalho.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  21. Rsollberg
    17 de abril de 2018

    Fala, Sonhador!

    Como o próprio título informa, o conto traz memórias fragmentadas de um protagonista que aproveita o mundo onírico para reviver dias felizes, onde ainda não havia recebido o veredito de “Você não faz arte de verdade”. As colagens e o paralelo com o dadaismo deram ritmo ao conto, na verdade, mais que isso, deram um entendimento da linguagem e uma interpretação nesta ótica.

    A história traz muita reflexão acerca das “escolhas” que fazemos e a repercussão, em toda nossa vida, ainda que muitas vezes de forma inconsciente; por sonho, por atitudes descabidas, por melancolia sem razão aparente.

    Meu “porém” não vai para mensagem, mas sim para usa execução. Em determinados momentos a pontuação (ou sua ausência )ficou bastante confusa como: “Mesmo sem conseguir entender o que as palavras significavam ou a ordem delas sabia que elas eram de grande importância”. Outro ponto que também é importante destacar é a repetição de palavras, especialmente em um texto tão curto. Sei que pode parecer preciosismo em uma primeira lida, mas realmente não é. A repetição bem usada reforça a ideia, contudo, usada sem função enfraquece a narrativa, pois o leitor deixa de dar o merecido destaque.

    Por fim, vale ressaltar que o tema esteve bem presente na obra.
    Parabéns!

  22. Anderson Henrique
    17 de abril de 2018

    Lembrar do Dadaísmo em um desafio experimental foi perfeito, era justamente o que o movimento propunha: uma experiência que rompesse com os modelos estabelecidos. O texto é curto, mas tá bem encadeado e com uma mensagem aberta. O espelho foi bem escolhido: reflete, mas pode distorcer a imagem. Parabéns.

  23. Luis Guilherme Banzi Florido
    15 de abril de 2018

    Boa noiteee. Td bem por ai?

    Gostei!

    O conto é simples e rápido, mas Tem uma mensagem interessante e bons conceitos.

    Sobre a estrutura, me lembrou uma vez algo que vi no face. “Como criar um poema dadaista”, e o método era bem parecido. De imediato seu conto me remeteu àquele dia, que foi uma experi3ncia legal. Boa técnica!

    O enredo é interessantíssimo! Fiquei viajando nas doideira dadaístas, é bastante preso à leitura. A forma como o acaso e os aspectos psicológicos do personagem de entrelaçam me agradou bastante, até mesmo pq gosto bastante do tema sonhos.

    Enfim, bom trabalho! Um texto de leitura agradável e com reflexões sobre escolhas e caminhos que seguimos durante a vida.

    Parabéns e boa sorte!

  24. Luís Amorim
    15 de abril de 2018

    Um conto agradável de ler, onde os sonhos convivem com aspirações sem lógica de serem alcançadas. Joga com o Dadaísmo, o que é um ponto bem diferente neste concurso. Pena algumas repetições de palavras o que com uma revisão mais cuidada, teria resultado numa apresentação melhor do conto.

  25. iolandinhapinheiro
    14 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Parabéns pelo conto!

    Eu acompanhei o seu texto tentando descobrir algo além da simplicidade gritante por quase todo ele, digo quase todo porque o final me surpreendeu abrindo um leque de possibilidades para desvendar aquilo que de fato estava ocorrendo.

    O homem com suas memórias preso na caixa aberta por uma criança depois que ele acordou… .

    Seria aquela criança uma representação dele mesmo? Seria ele mesmo a parte do sonho de uma criança qualquer? Ou ele era a projeção do futuro de alguém? Será que há algo, algumas mensagens subliminares que os leitores não conseguiram captar?

    A última parte deu um up bem legal e me instigou a procurar respostas, isso é muito bom. No mais a gramática está ok, o conto tem uma boa fluidez, o texto é gosto de ler.

    Um grande abraço e sorte no desafio.

  26. Matheus Pacheco
    8 de abril de 2018

    E ai? tudo bem? as imagens imagino que foram o próprio autor que tirou certo? Eu posso estar pedindo algo que seja realmente dificil, mas seria muito legal que o conto inteiro fosse nesse estilo de imagem, com as frase montadas por recortes…Mas né…
    ótimo conto e um abraço ao escritor.

  27. Rubem Cabral
    5 de abril de 2018

    Olá, Sonhador Urbano.

    Então, achei o conto mediano. Enxerguei o experimental nas imagens e nos recortes, mas não me liguei muito à trama, que para algo que deveria trazer mais de nonsense e dadaísmo, trouxe pouco de tais elementos. Gostaria de conhecer melhor o ex-pintor, que ele tivesse mais camadas, que o jogo de palavras fosse mais provocativo…

    Abraços e boa sorte no desafio.

  28. Ana Maria Monteiro
    3 de abril de 2018

    Olá, Sonhador. O seu conto é simples e curto, ainda assim bem experimental. Mais do que as palavras evoca sentidos e memórias.
    Mas, no que aparenta ser um exercício de experimentação quase casual, a chave está logo no início, na frase: “Já estava acostumado com esses sonhos que começaram logo após ele começar a trabalhar no escritório e deixar de lado seu hobby de pintar”.
    Não irei pelo dadaísmo que a base sobre a qual se ergue a construção, prefiro a parte onírica, essa sim, bastante significativa. Pois que, como sabemos, o sonho serve-se de qualquer ponto de partida para nos fazer olhar dentro de nós. Muito antes de nós, Freud foi o primeiro a falar sobre o assunto e, mais tarde e profundamente Jung e depois tantos outros.
    Então que história li? resumo: o protagonista sente-se profundamente frustrado desde que abandonou a sua arte e optou por uma vida comezinha no escritório, mas que lhe garante o sustento. Começa a ter estes sonhos que mais não são que chamadas de atenção interiores alertando-o para a distância que está a criar entre si e a pessoa que se levanta todos os dias para ir trabalhar. No final, aparece o derradeiro sonho em que, após perceber que não se cumpriu enquanto pessoa (“O seu eu criança estaria feliz com as escolhas dele? Se olhasse no espelho agora veria o mesmo brilho no olhar que ele tinha naquela época?”), há como que uma chamada ao despertar do id. Penso que estar dentro da caixa é paralelo à posição fetal, levanta-se (como que nascendo) e do lado de fora tem uma voz infantil (a criança que foi) que o cumprimenta: “Olá”.
    Nunca é tarde para sermos quem somos, não é mesmo?
    Isto foi o que li. Posso ter-me falhado redondamente em relação ao que escreveu. Você é que sabe. Eu li isto o que resumi e gostei.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  29. werneck2017
    1 de abril de 2018

    Olá,

    O conto parte de uma boa premissa: o dadaísmo, o non-sense. Ao final, o protagonista encontrou sentido no que parecia sem-sentido. O encontro com o menino que ele foi um dia, com o sonho de ser artista e que ficou pelo caminho, esquecido, despejado na alma até que transbordou em sonhos. Acredito que faltou uma revisão para evitar elementos repetidos, vírgulas etc. Acredito também que a ideia devesse ser mais trabalhada, de forma a criar um conflito mais pungente e melhor delineado. Assim o desfecho não soaria tão abrupto ou tão insosso. No mais, um bom texto.

  30. Paula Giannini
    1 de abril de 2018

    Olá, autor(a),

    Tudo bem?

    Ao desorganizar o mundo, o artista consegue, de alguma forma, (re)organizá-lo de modo a fazer com que o resultado de sua arte imprima sentido a ele mesmo e a seu público.

    Uma frase aleatória pode, sim, fazer muito sentido para aquele que a lê. Isso é algo utilizado em psicologia, não só com frases-dadaístas, mas com desenhos que, na verdade, nada mais são que manchas em um papel.

    Desse modo, para mim, como leitora, o sentido de seu conto se dá na narrativa ao passo que o artista dialoga com sua infância, mais que isso, com seu desejo infantil de se tornar um artista, ou, ainda mais, com a realização de que todo artista é (ou se comporta – ou se sente) uma criança, no momento de sua criação.

    Dentro da caixa, palavras. Dentro dela, também, uma infância de brincadeiras. A criança do artista. Ande cada um de nós.

    Parabéns por seu trabalho.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  31. Fabio Baptista
    27 de março de 2018

    Então… após uma passada rápida pelos comentários e uma pesquisa (igualmente rápida) sobre dadaísmo no Google, concluí que o texto foi bem feliz na execução da proposta nonsense.

    Eu não gostei… acho que a ideia poderia ser bem melhor explorada (trazer algum sentido no sem sentido, ou um sem sentido menos abrupto e mais legal, não sei), mas dento da proposta experimental do desafio, tenho que reconhecer que funcionou, atendendo ao tema e gerando algo diferente.

    Abraço!

  32. angst447
    27 de março de 2018

    Um texto interessante que mistura a poesia das memórias infantis com sonhos e o ilógico. O Dadaísmo surge como pano de fundo com o seu nonsense ” Somos contra todos os sistemas e a ausência deles é o melhor sistema” (Manifesto Dadá).
    Gostei da brincadeiras das palavras soltas e da caixa que nada mais era o cubo, um dos símbolos do Dadaísmo. Dadá é o cubo e a mãe em certas regiões da Itália.
    Como já citado pelos colegas, há repetição de algumas palavras, mas o ritmo da narrativa é bom e a leitura agradável. No entanto, achei o final um tanto abrupto e fiquei com ara de ” e daí?”. De qualquer forma, este é um bom conto experimental. Boa sorte!

  33. Evandro Furtado
    27 de março de 2018

    Achei bacana trazer de volta essas memórias. Acho que a grande maioria aqui vai se identificar com isso, lembrar dos tempos de escola e tudo. Gostei que você tenha inserido os exemplos das tentativas, mas me incomodou que não tenha uma versão final.
    Outro problema é o enredo em si, que não apresenta um fechamento. Encerra-se sem se encerrar, e não é que haja um final aberto, simplesmente não há final. Atualizei meu navegador, inclusive pra ver se não havia algum problema.
    A narrativa não apresenta problemas, é bem consistente e bem competente.

  34. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A ousadia do(a) autor(a) em criar um trabalho “fora da caixinha” (com duplo sentido aqui, como vemos no final da história).

    PONTOS NEGATIVOS = A falta de uma revisão mais aprimorada, pois muitos problemas de pontuação (principalmente falta de vírgulas) e repetição de palavras, como nos exemplos abaixo:
    “Mesmo sem conseguir entender o que as palavras significavam(,) ou a ordem d‘elas’(,) sabia que ‘elas’ eram de grande importância.” ; “…esses sonhos que ‘começaram’ logo após ele ‘começar’ a trabalhar no escritório…” ;

    IMPRESÕES PESSOAIS = Foi uma ótima e criativa ideia trabalhar com os ‘recortes’ das palavras e das fotografias. Contudo, o trabalho perdeu um pouquinho de seu impacto devido ao não aproveitamento por parte do(a) autor(a) destes mesmos recursos apresentados. As palavras, frases e formações poderiam ter sido melhor trabalhadas, buscando surpreender os leitores, pelo menos, ao final da história.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Reescrever a história, cuidando para não adocicá-la demais. Um amarguinho aqui, outro azedinho acolá, são sempre muito bem-vindos para tirar os leitores do conforto de suas poltronas.

    Boa sorte no Desafio!

  35. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Sonhador Urbano, sua história carrega muita delicadeza e poesia. Vi-me criança, relembrei-me daqueles tempos em que ficava brincando a experimentar letras e palavras. As imagens funcionaram bem na sua “contação” da história. No entanto, senti falta de um maior desenvolvimento no enredo. Sim, achei que havia espaço para criar mais, para realizar experimentos maiores e isto me deixou com um sentimento de que podia ter sido ainda melhor. Bem, mesmo assim, que legal que tenha me trazido sua experiência. Obrigado. grande abraço

  36. Evelyn Postali
    19 de março de 2018

    Eu já fiz esse exercício dadaísta algumas vezes em sala de aula e o resultado sempre foi uma surpresa. Acho que não-sentido da coisa toda faz sentido. Conhecer também é brincar. Viver também é brincar. Amei relembrar coisas a partir do texto. A linguagem é bacana, o enredo tem coerência.

  37. Higor Benízio
    17 de março de 2018

    Podia ter explorado mais essas colagens ai, que dão margem pra fazer muita coisa. É um bom conto, mas fica aquela sensação de que poderia ter sido mais, mais tudo. Mais profundo, mais poético, mais significativo, mais experimental e por aí vai.

  38. Regina Ruth Rincon Caires
    17 de março de 2018

    As últimas leituras (dos contos do desafio) estão trazendo uma suavidade prazerosa. Este texto continua na sequência. Simples, ingênuo, aveludado. É um começo, traz nostalgia aos que estão na estrada há muito tempo, com pés calejados, e que ainda não aprenderam.

    Texto lúdico, trabalhado, cuidado, com “cheiro de infância”. O autor enveredou-se pelas linhas do dadaísmo (que não conheço), mas sei que foi um movimento que pretendia fazer (e fez) uma anarquia nos estilos (“ABAIXO OS ESTILOS CLÁSSICOS E TRADICIONAIS”).

    Neste texto, o autor brinca com as palavras (literalmente), e faz referências amiudadas a um amor “frustrado” pela pintura.

    Uma frase nostálgica:
    “Se olhasse no espelho agora veria o mesmo brilho no olhar que ele tinha naquela época?”

    Parabéns, Sonhador Urbano, vamos lá!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  39. Antonio Stegues Batista
    17 de março de 2018

    Sei que o Dadíismo foi um movimento artístico iniciado durante a Primeira Guerra Mundial. A palavra significa “non sense”, “sem sentido”. Então, a ideia do conto é boa, mas ficou meio fraca, quase sem sentido. As frases são simples e não criam imagens marcantes como deveriam ser as cores de uma pintura abstrata, por exemplo. A palavra “que” é muito repetida, aconselho evitar repetições de palavras num mesmo parágrafo, ou muito próximo. Uma palavra repetida diversas vezes, se torna um pensamento desagradável martelando o cérebro do leitor. No restante, ficou legal, incluindo as figuras no texto. As palavras “que nem”, estão certas, mas eu usaria outra no lugar, “igual”, por exemplo, é mais “elegante”. Boa sorte.

  40. Pedro Luna
    16 de março de 2018

    Um bom texto. Trata da questão dos sonhos e de como eles podem torturar uma existência, lembrando do passado, motivando questionamentos sobre o rumo da vida, as escolhas de outrora. A escrita é boa, direta, porém achei o texto um pouco simples, digo, não traz um diferencial, algo que marca (as imagens com as palavras recortadas deram um toque bacana, mas a qualidade das imagens podia ser melhor, ficou meio trash, então o efeito delas não foi tão forte). Mas analisando ele sem pensar nos concorrentes, foi uma boa leitura.

  41. Fheluany Nogueira
    14 de março de 2018

    Texto doce, repleto de sensibilidade, estilo seguro. O Dadaísmo, como pano de fundo, trouxe-lhe riqueza cultural, os recortes deram-lhe um formato diferenciado. E, como já comentaram por aí, todo traz em si uma experiência nova, mas, para ser experimental deve trazer novas formas de produção, até onde a criatividade alcance. O conto está bem estruturado, personagens construídos com carinho, é uma boa história. Parabéns pela participação. Abraço!

  42. Paulo Luís Ferreira
    14 de março de 2018

    A equipe do EntreContos estão mesmo de parabéns por tema tão bem selecionado para este desafio, pois a cada conto que lemos é de uma surpresa imensa, tirando alguns entreveros, o que já era de se esperar, visto ser tal tema de grande abrangência linguística tanto em forma como em conteúdo. A verdade é que em sua maioria os demais são realmente de grandes qualidades em ambas as formas. Não estou falando só deste trabalho que acabo de apreciar, mas de tantos outras já opinados. Este, por exemplo, é de uma qualidade peculiar, pois além do experimentalismo que ele traz em si, o conteúdo é experimental por excelência, o “Dadaísmo”. Acho eu, que o autor poderia viajar um pouco mais além, visto o tema dar vasto pano pras mangas do Dadaísmo. Entretanto o suficiente para maravilhar com tema tão absurdamente pueril e ao mesmo tempo lógico. Belo trabalho.

  43. Angelo Rodrigues
    14 de março de 2018

    Caro Sonhador Urbano,

    conto ingênuo, tem um pouco de fabular.
    Recomendo a leitura, por exemplo, de Liudmila Petruchévskaia (particularmente o livro Histórias e contos de fadas assustadores), ou mesmo Hermann Hesse em sua fase mais lúdica ou fabular, ou ainda, Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de todas as idades, selecionados por Harold Bloom (Verão-Inverno-Primavera-Outono”).
    Minha recomendação não é mais que uma dica para formação literária.
    Seu conto tem a forma doce da memória, da simplicidade da surpresa.
    Isso é uma tendência que imagino deva ser explorada.

    Toda escrita é uma experiência. Seu conto transita estritamente nesse viés. Não sei se tem íntima aderência à proposta do desafio.

    Mas vamos em frente.
    Grande abraço e boa sorte no desafio.

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Publicado às 13 de março de 2018 por em Experimental e marcado .