EntreContos

Detox Literário.

De Arabel os Dias de Naomir (Paulo Luis Ferreira)

“Diante da vastidão do tempo
e da imensidão do universo,
é um imenso prazer para mim
dividir um planeta e uma
época com você”.
(Carl Sagan)

 

Ontem fui à festa na casa de minha amiga Naomir. Revelo: não gostei do que vi quando lá cheguei.

No centro da sala
O relógio de pêndulo
Marcava as horas
Sem precisão,
Se era zero
Toava doze vezes
O carrilhão.

 

Um grupo de pessoas cantavam Ave-Maria outros tantos respondiam ora-pro-nóbis. Os círios acesos queimavam cheiros de alfazema, mirra e jasmim, inebriando o ar. Os petiscos foram poucos, acabaram logo. Desci às escadas do décimo quarto andar ensimesmado e naquela postura atordoada cheguei ao rés do chão. As ruas estavam molhadas. Opaca. A madrugada era de cinzas; os paralelepípedos salpicados de lantejoulas, confetes, serpentinas e areia prateada; o sinal fechado e o trânsito parado. Entrei no carro. Os faróis dos autos contrários incandesciam minha mente que, por si, contra-brilhavam lembranças do dia em que vi Naomir sendo rainha do mar. Liguei o rádio…

Da última vez em que estive com Naomir ela estava só. Quase não havia luz na sala. As persianas estavam fechadas. Apenas fachos de luz reverberavam. Sentei-me ao seu lado às apalpadelas e ficamos ali na penumbra. Então ela disse: espera Arabel vou fechar a janela, não quero que os vizinhos nos ouçam. Então ficamos naquela tênue luz de uma claridade diluída, enquanto a fumaça de seu cigarro dançava loucas acrobacias nos raios que transpassavam as frinchas da janela. Ao contrário dos aviões que de sua fumaça só desenham rastros.

Tomamos chá em porcelanas que não eram chinesas. Naomir ligou a vitrola. Do disco soou uma bela canção. O espaço enlevou-se numa súbita nuvem de incenso nepalês. E a melodia a invadir nosso ser. Naomir sentou-se em meu colo e olhando-me com ternura, abraçou-me forte e satisfez mágoas contidas e prazeres instintos. Quando senti a pressão doce de sua mão vieram, então, os êxtases; e entre espasmos soluçamos de gozo. A sonolência tomou conta de nós. Enquanto lá fora, na noite, piscavam em volta de grandes letreiros, concomitantes luzes de neon. Do transe despertamos em sobressalto. E num lapso de tempo Naomir abriu uma caixa de papelão coberta com papel crepom, de onde saíram poemas e fotografias que fiz para ela…

Areia branca e parda, molhada,
Molhada dos pés ao cabelo por dentro do vestido;
Molhada e úmida, nua e crua…

 

Quando do primeiro sangue de teu sangue
Diluímos na areia de tantas praias…
          E vimos duas luas, uma no céu, outra no mar…

          Em nossas bocas o grito paralisado no ar…
          E como um querubim tentas-te abrir as asas para voar,
         Mas eras pássaro de uma asa só…
         Oh quanto precisavas da minha…

O quarto iluminou-se, a manhã chegou…  

        No outro giro do dial tocava mais uma bela canção…

        A primeira vez que nos vimos foi minha amiga quem me encontrou. Estávamos na escuridão. Acabávamos de atravessar um longo corredor advindo das gretas da terra. Ela vinha do Leste eu do Oeste. Encontramo-nos no centro do vazio num silencioso mês de vinte e nove dias. Então ela tocou-me no rosto e eu no rosto dela. Nesse instante ela me disse: eu estou aqui Arabel. Então eu disse: eu também estou Naomir. Findas estas poucas palavras nos entregamos a um abraço calado…

Quando deitei beijos em todo seu corpo até sua vulva fecunda

Para o sexo altear.

Que irrequieta,

Contorcia-se, deflagrando odores.

 

Então entre suas pernas naveguei

E meu lamento derramei em seu ventre.

Assim ficamos,

Saciados e emudecidos no deserto de nossas almas

Num silêncio cavo.

Após esta dormitação

Nos prometemos sermos os servos

De nós mesmos…

 

A canção dizia: “Imagine um mundo melhor…” Então imaginei um milhão de pássaros voando e gorjeando. Lembrei-me de minha amiga quando cantava…

 

Furaro os óios do Assum Preto
Pra ele assim cantá mió…”

Ferros cravei em meus tormentos.
Opacas lembranças de meu pensar.

 

Uns três meses depois nos encontramos, de tardezinha, ao cair do sol. Quando do banco da praça avistamos as pessoas a nos observar como se fossemos gente de outros mundos.

Ah se soubessem que somos apenas pó.

Antes de começarmos a conversar tomamos sorvete de limão branco coberto com calda de pitanga.

Adentramos um bosque cheio de vivos ares. Folhas voavam já pensando em que infinito pousar.

Caminhamos pelas alamedas com os passos contados, pisados, leves.

Enquanto as árvores vigiavam as estátuas caladas, assistíamos embevecidos as andorinhas em torvelinhos à nossa volta. Estávamos alegres e felizes. Tão felizes que ao olharmos o horizonte lá no recôncavo da abóbada celeste contemplamos uma flor em seu silêncio, e respiramos profundamente, e passeamos pelo vento, as mãos dadas, (emprestadas) e esquecemos os ideais estudantis, porque as metralhadoras também silenciam com salinas em suas engrenagens…

Busquei outras canções pelo dial…

Era carnaval: arlequins misturavam-se a índios, alienígenas, homens de lata, personagens da literatura universal. Os dom-quixotes, sancho-panças, marlamés, centuriões, cleópatras, leões, leopardos, lobos bons e maus entressachavam-se por entre os carros, as pessoas, pelas calçadas, destino à avenida e aos bailes…

O rádio estava de difícil sintonia…

Reminiscências de outro carnaval trouxeram-me minha amiga em sua original fantasia de máscara veneziense que, num baile vesperal entre pierrôs e colombinas, deslumbrou outros tantos dançarinos com seus passos prestidigitadores e esvoaçantes pelo salão.

Essas recordações aparecem-me sempre emaranhadas e esmaecidas. Nada se organiza em minha memória. Então pego seu retrato e olho-o com zelo, observo que meia metade, um quarto daquilo que houvera sido, já está retraçalhado pela traça. E percebo que não tenho mínima capacidade de pensar sobre Naomir. É quando um grande remorso e uma dor tomam conta de minhas entranhas, então choro convulsivamente a melancólica lembrança. O sussurro de suas doces palavras, durante a noite, já não é o suficiente para consolar meu espírito que sofre tantas inquietações.

Assim como num mesmo sobressalto ressoa do rádio a dolorida canção “Blowin In The Wind”

  

“Quantos caminhos
 Um homem deve andar
 Pra que seja aceito como um homem

 Quantos mares
 Uma gaivota irá cruzar
 Pra poder descansar na areia

Quanto tempo
As balas de canhões explodirão
Antes de serem proibidas

*The answer my friendis blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

Quantas vezes
Deve um homem olhar pra cima
Para poder ver o céu

Quantos ouvidos
Um homem deve ter
Para ouvir os lamentos do povo

Quantas mortes
Ainda serão necessárias
Para que se saiba que já se matou demais

*The answer my friend
Is blowing in the wind
The answer is blowing the wind

Quanto tempo
Pode uma montanha existir
Antes que o mar a desfaça

Quantos anos
Pode um povo viver
Sem conhecer a liberdade

Quanto tempo
Um homem deve virar a cabeça
Fingindo não ver o que está vendo

*The answer my friend
Is blowing in the wind
The answer is blowing in the Wind”

 

*(A resposta meu amigo
Está soprando no vento
A resposta é soprar ao vento)

 

Sua forma frágil e imperatriz de ser; seus devaneios e sua mansidão, o pacato do seu olhar. Há nas minhas lembranças estranhos hiatos. Fixaram-se, ao mesmo tempo, coisas insignificantes e extraordinárias. Depois vem um esquecimento quase que total. Nesse instante imploro aos deuses que devolvam minha Naomir. Mas eles nada me dizem como resposta. Eu sei desta impossibilidade, então volto a cair em um pranto ainda maior e durmo numa inconsolável tristeza.

E sonho estar sentado numa estação de trem com os transeuntes fazendo comentários maldosos sobre minha pessoa:

— Está vendo ali?…          

— Estou. Mas, será que está chorando mesmo ou é impressão minha?

— Está chorando, sim!

— Coitado!…

E quando acordo estou mais triste ainda.

Mais uma vez nos encontramos. Desta vez nada dissemos de nós, nem nada fizemos. Era manhã de um sábado rosicler em um bosque de folhas secas, verde-musgo. Folhas do passado estavam ali, mortas. Estagnadas, deitadas no chão úmido. Nosso vulto caminhava cabisbaixo por entre os jequitibás. O passo lento, sombrio, taciturno. Naomir nada falou, apenas murmurou:

“O médico disse-me para que eu tomasse estreptomicina.”  

Eu olhei para as folhas mortas e larguei uma lágrima sem que minha amiga visse…

Nesse instante, então ela pegou de minha cabeça e como uma relíquia a depositou em seu ombro e, sussurrando ao meu ouvido, em tom metafísico e transcendental predisse-me que a morte da geometria estava próxima e que o mundo já tinha data certa para seu fim. Para que eu não me assombrasse nem entristecesse. E disse-me entre soluços:                                

Quero, Pois Então, Que Tomes
Minha Cabeça
Em Tuas Mãos
E Faças Comigo
O Que For De Teu
Desejo
Até A Morte.

 

Quando no céu de nossas bocas
Desmoronaram castelos de areia…
Não havia mais canção.

 

Mas uma emissora dizia notícia: “Na Maternidade da Luz ventres se abrem; outras vidas nascem…”

 

         Uma réstia de luz
         Iluminou minhas lágrimas finais.
         Começo e fim…

 

         Apago o som do rádio. O conta-giros do motor acelera alucinado rumo ao cais do porto. O carro voa com as quatro rodas no ar para o mergulho abismal.  

Numa tela incolor uma canção sem melodia borboleteou no bosque escuro e no cais do porto:

 

De Arabel os dias de Naomir.
Nossa imagem consumida
Sem passagem.
Paisagem dolorida.
Perdemos o instante.  
Reencontrar:
Naomir para o céu…  Arabel para o mar…
Andar, andar Naomir…                                                     

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64 comentários em “De Arabel os Dias de Naomir (Paulo Luis Ferreira)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Sua narrativa em alguns pontos me fez lembrar momentos parecidos da minha própria existência, em que a saudade, a paciência e a solidão foram minhas companhias.

    Vou considerar como experimentalismo a inserção de citações e trechos de letras, criando esse diálogo condutor da narrativa.

    Boa sorte no desafio!

  2. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Gostei da narrativa, firme, segura e ao mesmo tempo delicada, com sutileza, embora em alguns momentos tenha sentido certo cansaço, mas nada que tenha me impedido de ler o conto de uma vez só. Um final de emocionar, porque é claro que eu queria que fosse feliz, mas pena, nem sempre é assim. O experimental aqui, em minha opinião, fica em segundo plano, mas tudo bem. Obrigada por escrever.

  3. Cirineu Pereira
    27 de abril de 2018

    Achei o enredo muito regular, não identifiquei um conflito central a conduzir a estória. E a narrativa, assim, em primeira pessoa, direta (não obstante as figuras de linguagem), sempre no pretérito, deu à narrativa ritmo de causo. A inserção de poemas e letras de músicas valida o caráter experimental do texto, mas é tão pouco original que parecem estar ali “por obrigação”. Enfim, desculpo-me por soar amargo e, talvez, pouco construtivo. É possível que, mais que tudo, o estilo não tenha me agradado.

  4. Ana Carolina Machado
    27 de abril de 2018

    Oiiii. O conto transmite bem o sentimento de saudade que o Arabel sente, o sentimento pode ser sentido em cada palavra. Gostei dos momentos em que foram citados versos ou trechos de músicas, esses momentos serviram como uma forma de meio que expressar de outra forma como era profunda a relação que eles tinham e como disse transmitir o sentimento que ele sentia, ela era amiga dele mais eles tinham uma relação mais íntima e intensa do que uma simples amizade. Parabéns. Abraços.

    • Ana Carolina Machado
      27 de abril de 2018

      Me esqueci de acrescenta uma coisa. Era como se de alguma forma a alma deles tivessem conectadas, como disse um envolvimento mais profundo.

  5. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Acima de tudo senti sinceridade no seu conto. Pode parecer estranho, mas história de amor trágicas e mais ainda se tratando de prosas poéticas podem se enveredar por alguns caminhos tortuosos onde as emoções são exploradas em excesso e se tornam algo artificial. Apesar de longo a única parte que achei cansativa foi a letra de “Blowin In The Wind” que apesar de ter seu valor para a narrativa, quebra muito o ritmo. É triste e ao mesmo tempo sublime que você não me entregou um final feliz. Melhor ainda entrega-lo nas entrelinhas sem uma descrição fria e cruel do destino dos personagens. Quanto ao tema, seu texto infelizmente não evocou essa experiência.

  6. Sabrina Dalbelo
    26 de abril de 2018

    Olá,
    Eu gostei.
    É um texto experimental porque sua leitura se traduz em sensações ao leitor.
    Acompanhamos a trama, com a relação entre os dois personagens e também acompanhamos a atmosfera, ambientada pelas poesias / músicas que o narrador vai largando no decorrer… e tudo se funde.
    Parabéns, o texto é de uma sensibilidade muito bonita e está bem escrito.
    Um abraço!

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    No caso do seu texto, acabei lendo os comentários e tenho que concordar com o André Lima que me pareceu uma relação homoafetiva entre duas mulheres, também. Não pelo nome, mas pela descrição da relação sexual. Uma coisa que me preocuparia, caso eu fosse o autor, seria com a utilização de letras de músicas – comecei um trabalho assim e acabei desistindo, de tanta dor de cabeça que teria para liberar os direitos de uso. Uma dica, só. O nível de experimentalismo é razoável, mas a história por si se sustenta. Sucesso no desafio!

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de abril de 2018

    Uma prosa poética experimental.

    Como não haveria de gostar? Amei!

    A escrita salta aos olhos, o storytelling bem-feito, a carga elevada de sentimentalismo.

    Palmas, palmas, autor(a)

    • Aramir
      24 de abril de 2018

      Olá, Gustavo! Muito grato pelos aplausos! E palmas pra você também. Felicidades no certame.

  9. André Lima
    23 de abril de 2018

    Tem uma dúvida que está me martelando. Eu fiquei com a impressão, enquanto lia, que se tratava de uma história sobre um relacionamento homoafetivo (Duas mulheres). O nome “Arabel” não é comum, pesquisei, e vi que mulheres possuem esse nome. Minha suspeita foi reforçada no trecho “Quando do banco da praça avistamos as pessoas a nos observar como se fossemos gente de outros mundo”, onde pensei que o autor estava narrando pessoas preconceituosas observando o casal homoafetivo.

    Porém, na parte final da história:

    “E sonho estar sentado numa estação de trem com os transeuntes fazendo comentários maldosos sobre minha pessoa:

    — Está vendo ali?…

    — Estou. Mas, será que está chorando mesmo ou é impressão minha?

    — Está chorando, sim!

    — Coitado!…”

    “Coitado”, referem-se a Arabel como homem. E aí embolou minha cabeça haha. Gostaria, então, do esclarecimento do autor acerca dessa minha dúvida, pois isso muda todo o sentido da minha interpretação e, portanto, da minha crítica.

    • Aramir
      24 de abril de 2018

      Caro André, como pode você ter se confundido, há em várias passagens a clareza de tratar-se de um homem e uma mulher. Atente para essas dicas: “Quando do primeiro sangue de teu sangue diluímos na areia de tantas praias…” (O amor virginal, as primeiras relações sexuais de uma moça) “Então entre suas pernas naveguei. E meu lamento derramei em seu ventre”. (O coito homem/mulher). Talvez o fator complicador seja o sentimento, (espirituoso) feminino de Arabel, mas em nenhum momento há nuances de que ele seja mulher. E também um outro fator causador desta falsa impressão seja a forma em prosa/poética, onde não cabe um linguajar mais contundente. Entretanto, o tema como está contado cabe perfeitamente pelo anglo visto por você, nada impede esta possibilidade, afinal de contas, depois de finalizada pelo o autor, a obra é pública, ficando ao dispor do livre arbítrio do leitor. De qualquer forma muito grato pela sua atenta leitura. Quem sabe relendo, visto por esta outra ótica fique mais claro para você. No mais, grato pela atenção. E boa sorte no seu trabalho.

      • André Lima
        24 de abril de 2018

        Tens toda razão, autor(a)! A confusão fui eu quem fiz e por conta do nome Arabel.

        Então, já que tenho a resposta, vai lá a crítica:

        O conto é extremamente moderno e sofisticado. Utiliza uma narrativa recheada de metáforas e poesias, mas na medida certa. Quando se conta uma história de amor, deve-se ter muitos cuidados, pois pode-se cair no clichê ou na narrativa piegas, mas não foi o caso aqui. Os personagens são bem construídos e o final é interessante. Não temos um felizes para sempre, mas temos um dado de realidade quase cruel.

        O experimentalismo é bem sutil, mas extremamente suficiente.

        Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

      • Aramir
        25 de abril de 2018

        Belíssima análise, André. Você sim, foi sofisticado e elegante em sua apreciação. Muito grato. E muita sorte para você também no certame.

  10. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá Aramir!

    Seu texto é bastante sofisticado, ele todo é voltado para a linguagem e forma, através de escritos bem intimistas e prosa poética. Eu confesso que não consegui assimilar a história em si, apesar dela parecer até bem simples, um casal desafortunado que vivem fora da caixinha… perdas, enfim, a história comum escrita de uma forma bem desenhada e pensada.

    Não conseguir sentir o experimentalismo, pois narrativas assim não é incomum, ao contrário tem sempre muitas delas nos desafios, talvez eu tenha esperando por algo mais fora do padrão, ou assim como em outros contos se demoram para chegar ao ápice eu tenha esperado um efeito surpresa nos momentos finais do texto.

    O texto é longo, e mesmo que se tente acompanhar com as mesma disposição todo o encanto da poesia, no fim, acaba cansando um pouco.

    É um bom trabalho, algo que dificilmente eu conseguiria fazer.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Aramir
      23 de abril de 2018

      Olá, Amanda! Pra mim, o Experimental está em conduzir um drama humano de amor e morte numa linguagem poética, e sem, no entanto especificar estes dois grandes sentimento da alma humana. No mais, cada um entende como lhe cai ao espírito. Grato pelos pontos que lhe agradou.

  11. Renata Afonso
    22 de abril de 2018

    Magnífico conto prosa poética experimental…uau, Aramir, vc escreve demais, e com tanta leveza, técnica, classe e sensibilidade que eu senti aqui uma espécie de tristeza, mas uma tristeza nostálgica, creio que a citação de Carl Sagan logo no início, trazendo a reflexão do encontro de almas e corpos, o conto alcança o objetivo de fazer o leitor mnergulhar no universo de vida, de um breve período de vida entre Arabel e Naomir.
    O fim, uma morte por doença, outra morte, suicídio, até mesmo essa parte foi carregada de emoção.
    Parabéns!! (e seu estilo me é familiar…mas não tenho ctz rs)
    Abraços

    • Aramir
      23 de abril de 2018

      Olá, Renata! Quanta alegria em encontrar pessoas assim, como você, que sabe tão bem expressar os sentimentos. E sem desprezar da razão. E é por isso que o mundo ainda vale a pena. Meus cordiais sentimentos a sua leveza e candura. Muita boa sorte para você também!
      Abraços.

  12. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Aramir!

    Toda essa mescla de prosa, poesia e música ficou muito bonita. Curiosamente, Bob Dylan está aqui novamente no desafio, trazendo sua música folk a mais um conto melancólico e direcionado à solidão e tristeza.
    Assim como um relacionamento, o conto tem seus altos e baixos. Mais altos que baixos, entretanto (um relacionamento feliz, diria eu). O texto é agradável demais, com certo requinte, mas de fácil compreensão, deixando a emoção das palavras surgir facilmente. E esse é o principal aspecto que me atraiu aqui. Seria muito fácil mover o conto numa direção mais poética ainda, mas também mais hermética, atrapalhando um pouco essa interação entre leitor e texto. Achei que o equilíbrio foi perfeito.
    Por outro lado, achei que certas passagens soaram cansativas, e atrapalharam um pouco o ritmo da leitura. A letra de Dylan é um desses casos, ainda mais com a alternância entre os idiomas. Deixou a leitura um pouco cansativa. Um trecho menor da letra tivesse tido o resultado que se esperava, talvez? Não sei dizer, mas a minha impressão é essa.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  13. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    lá, Aramir. Gostei do texto, que se enquadra na prosa poética onde o tema é o amor. Nota-se o sentimento de perda, a angustia e a ansiedade, tão típicos deste género literário. Só não encontrei a adequação ao tema, o que não impede que o texto tenha qualidade (a qual poderia ser melhorada com a revisão de algumas partes).

  14. Rose Hahn
    20 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Rebuscada;
    . Enredo: Um contoema;
    . Adequação ao tema: Em parte, pela construção poética adequada à narrativa, o que sabemos, não é de todo novo;
    . Emoção: Muitas frases poéticas, mas vou ficar com Bob Dylan.
    . Criatividade: Sem dúvida.

    . Nota: “Está soprando no vento”.

  15. José Américo de Moura
    19 de abril de 2018

    Um conto maravilhoso, muito triste, que me fez chorar muito e muitas foram as vezes que, enquanto lia voltava o rádio para ouvir essa bela canção de Bob Dylan, que eu conhecia mas nunca tinha visto a tradução.Eu que já fiz um conto sobre uma namorada morta só me emocionei, parabéns pela bela história e pela escolha da música de fundo. Um presente para mim, vou guardar para sempre, será com certeza meu conto favorito.

    obs: Demorei a ler esse conto por achar que ele seria um porre, grata surpresa, obrigado Aramir. Foi um presente para mim, vou guardar para sempre, será com certeza meu conto favorito.

    Sucesso, grande escritor

    • Aramir
      20 de abril de 2018

      Oh, José! Com tantas lisonjas assim, quem vai chorar sou eu. Sinceramente quem muito se emocionou fui eu. Muito grato mesmo, de coração, por tão sincera emoção.

  16. Thata Pereira
    18 de abril de 2018

    Quando o autor citou Bob Dylan eu automaticamente fui obrigada a parar e colocar a música. Acho que vai me acompanhar na noite de estudos hoje. Grata.

    Nem preciso dizer que isso colaborou ainda mais com a melancolia com a qual o conto foi escrito. O que casa perfeitamente com a história. Três junções perfeitas: a escrita, a história e a referência musical. Não consigo ler ouvindo música, mas nesse caso ela foi conduzindo a leitura, como se tivessem nascido juntos e fossem feitos um para o outro.

    Aliás, começou com uma citação que eu sou completamente apaixonada. Sempre falava isso para os meus namoradinhos na escola (acho que é por isso que eles fugiam de mim rs’).

    Não sei se o conto pode ser considerado experimental, mas não estou me apegando a esse detalhe. A poesia entre os parágrafos talvez. Principalmente porque não vejo isso agrandando muitos leitores aqui.

    Como disse, houve uma sintonia perfeita entre a história, a escrita e a música de fundo. Difícil conseguir isso, hein!

    Boa sorte!!

    • Aramir
      18 de abril de 2018

      Oh, Thata! Quanta gentileza em seu comentário, estou muito grato. Você tocou num ponto em que realmente eu havia aventado enquanto produzia o texto; em colocar um link da música para que o leitor se dirigisse a ela, entretanto naquele momento eu achei que seria abusar da paciência do leitor, o que para minha surpresa, me deparei com uma enxurrada de links com este propósito em tantos outros contos subsequentes. Mas que seja, o que está, assim seja como ficar. ks,ks,ks… E mais uma vez grato de coração. E muita sorte para você também!

  17. Priscila Pereira
    17 de abril de 2018

    Olá Aramir,
    Quanta beleza, quanta delicadeza em se tratando da morte da pessoa amada! Bom, foi isso que eu entendi… Arabel está saindo do velório de Naomir, é na loucura da dor vê, ou melhor, revê toda a sua história com ela, não aguentando o peso da ausência da pessoa amada ele se joga, com o carro e tudo no mar para se juntar a ela. Entendi direitinho?
    Gosto de imaginar como deve ser uma dor assim. Esse aspecto da vida me atrai. Os grandes sofrimentos… E as loucuras advindas deles. Acho que sou meio doida…kkk
    Enfim, eu gostei muito mesmo do seu conto! Parabéns e boa sorte!

    • Aramir
      17 de abril de 2018

      Claro, Priscila! entendeu direitinho. Grato pelas lisonjas ao meu escrito! E boa sorte para você também. E quem é essa Katitinha linda, aí do seu lado? Não precisa responder já sei que se trata de uma filhota! Mande mil bjs pra ela!

      • Priscila Pereira
        17 de abril de 2018

        É minha filha Raquel, linda, não é? Kkk
        Obrigada pela gentileza!!

  18. Rsollberg
    16 de abril de 2018

    Fala, Aramir!!!

    Muita trapaça citar Carl Sagan logo de início, esse cara é um fofo!
    Mas então, de forma proposital, acredito, a frase do epílogo combina com toda a estória desenvolvida.

    O autor se esmerou em criar um ambiente rico, descrevendo em detalhes a atmosfera, e nesse sentido logrou êxito, pois conseguiu criar uma sinestesia ímpar, especialmente no encontro mais tórrido com Naomir. Em certo momento, chegou a me lembrar Henry Miller, bem mais recatado, obviamente.
    As referências foram bem usadas, exceto, em minha opinião, escrever a letra toda de Blowin in the wind (como experimento, poderia sugerir que os leitores ouvissem enquanto estivesse lendo determinado trecho, poderia colar inclusive um link, assim criaria ainda mais sensação de pertencimento ao mundo criado, sugestão apenas). John Lennon igualmente casou com a trama.
    O fato dos personagens serem um tanto quanto herméticos também serviu muito bem a proposta do conto, faz o leitor avançar procurando respostas e preenchendo lacunas.
    Creio que o único diálogo não contribuiu muito. E, diferentemente do que o protagonista alega, tampouco foram maldosos, ao contrário, soaram como compadecidos.
    A imagem escolhida (ou feita) deram mais charme pra coisa toda.

    Parabéns!

    • Aramir
      17 de abril de 2018

      Eita, cara! Que belo e elegante comentário. Em muito fiquei grato e lisonjeado. Ao contrário do colega logo abaixo que não entendeu nada e desceu a lenha.

      • Aramir
        20 de abril de 2018

        Retificando: o nome não deixa claro se F ou M. Fica o “Cara” como significado de dois gêneros, oquei?

  19. Anderson Henrique
    16 de abril de 2018

    Um hediondo revés se apossou de minha enérgica consciência ao passar por estas infindáveis linhas. Tropeçava a todo calamitoso momento. Tentava regressar, mas novamente o espírito partia, tentando evadir-se de tão atordoante aprisionamento. Sentia-me soterrado pela excessiva adjetivação que encontrava no aglomerado de palavras. Recordei do romantismo, das tantas dores de tantos poetas que para escapar de solitário sofrimento, condenavam mentes incautas a semelhante tortura. E devassas descrições encontrei, que de tão ultrapassadas e caricatas, fazem corar: “soluçamos de gozo”, “deitei beijos em todo seu corpo até sua vulva fecunda”, “E meu lamento derramei em seu ventre” e etc.. Tentei abandonar qualquer inclinação radical, não julgar que um matéria tão rebuscada larga em desvantagem nesta disputa de poéticos corcéis. Não, não fiz, mas falhei em encontrar o equilíbrio que o formato exige. Encontrei o pernóstico, o excessivo, o sufocamento: “Então ficamos naquela tênue luz de uma claridade diluída, enquanto a fumaça de seu cigarro dançava loucas acrobacias nos raios que transpassavam as frinchas da janela”. Experimentação há, mas não joga quaisquer traços de novidade sobre campos já tão visitados.

    • Aramir
      17 de abril de 2018

      Caro Andersom, ao contrário do seu esnobismo, para não dizer, e ao mesmo tempo dizendo, seu cabotinismo e pretensioso conhecimento literário, em nada usei de pernosticismo, assim como você tratou meu texto. Toda sua verborragia mais pareceu uma ânsia de dizer o indizível, ou aquilo que não sabe expressar com palavras, mas com a ranzinza dos incautos. Estou acreditando que o cidadão tomou o bonde errado. Este aqui é o bonde das sinceras e bem ordenadas avaliações. Mesmo aqueles de sentido críticos adversos, o fazem com elegância. E nunca menosprezo. Mas, como de tudo se tira proveito, ao contrário do seu entendimento. Grato pelos desditos.

  20. jowilton
    16 de abril de 2018

    O conto é bastante sentimental e conta uma história de amor com um fim trágico. Nada de original. O texto está bem escrito, cheio de poesia. A escrita poética usada está um tom acima do meu gosto pessoal, o que me incomodou durante a leitura. Boa técnica, média criatividade, baixo impacto. Boa sorte no desafio.

  21. Luis Guilherme Banzi Florido
    15 de abril de 2018

    Boa noite, tudo bem?

    Olha, sendo totalmente sincero, Achei que o Conto ficou demasiadamente longo, e acabou ficando cansativo.

    Mas vamos começar do comeco: o ponto alto do conto eh a linguagem poética e a escolha esmerosa das palavras. O seu domínio do idioma é impressionante, e o vocabulário é rico e abrangente.

    Porém, achei que o enredo ficou um pouco em segundo plano, e você acabou dando mais atenção à construção estrutural e visual, que ao enredo em si. Isso tornou um pouco cansativo o texto.

    Acho que se fosse mais curto, seria muito melhor.

    A estrutura do conto, por outro lado, é interessante. A contraposição de prosa e poesia me agradou bastante. Sempre apoio a inserção poética no decorrer do conto. Acho que caiu bem.

    Enfim, um conto estrutural e esteticamente muito belo, mas que perde um pouco pela falta de ritmo, tendo se estendido além do necessário.

    Ah, o fim é muito Bom! Tráfico e belo. Parabéns e Boa sorte!

  22. Luís Amorim
    14 de abril de 2018

    Um conto numa prosa bastante poética. Uma bela história de amor mas sem o experimentalismo pedido. Um texto talvez demasiado longo.

  23. iolandinhapinheiro
    13 de abril de 2018

    Lembrei de uma poesia que aprecio muito ao ler o seu conto. Ismália de Alphonsus de Guimaraens. Ela também via uma lua no céu e outra no mar, como a sua Naomir.

    Um conto sobre amor e saudades, onde o autor entremeia poesia com poesia (pois a parte da prosa é extremamente poética) e leva ao leitor para a intimidade de um relacionamento cheio de contrastes.

    Creio que tudo: alternância de estilos, o contraponto entre a alegria do carnaval com a tristeza do luto, as cores e os degrades de cinza é feito propositadamente pelo autor para trazer uma experiência de perda para o leitor, para que ele mergulhe e se identifique com os sentimentos de Arabel, uma vez que eles próprios se transformam ao longo da trama.

    O texto é elegante e muito bem escrito, só não é perfeito por conta da quebra da fluidez, tanto pelos cortes constantes para a introdução das poesias/músicas e pelo texto arrastado em alguns momentos.

    Tive que fazer um segundo comentário porque mandei o outro incompleto.

    Um abraço e sorte no desafio.

  24. iolandinhapinheiro
    13 de abril de 2018

    Olá, Aramir.

    Lembrei de uma poesia que aprecio muito ao ler o seu conto. Ismália de Alphonsus de Guimaraens. Ela também via uma lua no céu e outra no mar, como a sua Naomir.

  25. angst447
    12 de abril de 2018

    Um conto escrito em prosa poética. Pronto! Já vão dizer que é meu.
    Levei um tempo para entender o enredo, pois me perdi no labirinto da poesia. Recortes de um romance que chega ao fim sem ter muita chance de felicidade.
    O conto me fez pensar em Dama das Camélias, em Romeu e Julieta, e ainda em Pierrot e Colombina.
    Texto denso, que se arrasta um tantinho algumas passagens, mas tira o ar do leitor. Experiência única. Boa sorte!

  26. Mariana
    12 de abril de 2018

    É um conto bonito, extremamente elegante. Um amor ao longo do tempo, com belos pemas contando os (des)encontros de Arabel e Naomir. “Blowin In The Wind” é a minha canção favorita do Dylan, ela ser mencionada me agradou bastante. Enfim, um conto que me tocou com todo o seu lirismo. A única questão é que a mistura de prosa e poesia não é algo que caiba bem em experimental, mas, enfim, nada que prejudique ou diminua a qualidade. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Ps: A imagem escolhida é de muito bom gosto, combinando com a história e o estilo do trabalho.

  27. Catarina Cunha
    12 de abril de 2018

    Frase absoluta: ““Ah se soubessem que somos apenas pó.”
    A densa narrativa em forma de prosa poética me cativou. A passagem de Bob Dylan achei desnecessária e desconforme com o estilo do conto. O carnal domínio de vocabulário vi como experimento muito mais intimista do que formal. A trama é simples, até porque não é o foco. Cabe uma enxugada em algumas partes repetitivas. Os poemas estão belíssimos. Bom trabalho.

  28. Matheus Pacheco
    8 de abril de 2018

    Como as pessoas conseguem fazer comentários tão grandes? sem brincadeira eu fico verde vendo isso…Mas seguindo ao texto, é muito bonito, tem uma linguagem tão bem usada para prosa e bem “adaptada” para um tom poético, isso não é uma critica mas eu não algo tããããooo experimental no conto.
    Abração amigo, ótimo conto.

  29. Rubem Cabral
    4 de abril de 2018

    Olá, Aramir.

    Um conto bonito, fazendo bom uso de prosa poética. Há algo por revisar, vírgulas e alguns erros menores. Penso que na citação de “Blowin’ in the wind” houve certo excesso ao trazer quase que a letra inteira da canção.

    Entendi que a história começa no velório da moça, que tinha tuberculose, e que o amante se joga no mar com carro e tudo no final.

    Quanto à adesão ao tema do desafio, creio que o conto passou meio de raspão. Não é completamente convencional, visto que prosa poética e mistura de poesia e música à prosa não são tão comuns, mas não chega a trazer algo de muito novo.

    De qq forma, foi um belo conto, com certo erotismo e construções frasais interessantes.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  30. Ana Maria Monteiro
    3 de abril de 2018

    Olá Aramir. Um belo texto, numa prosa poética que embala. Está muito bem escrito apesar de ter faltado uma revisão final que deixou escapar algumas coisas de que outros comentaristas já falaram ou apontaram. Além dessas, notei esta: “tentas-te”, creio que você queria usar o verbo no passado e seria “tentaste”. Não tem grande importância, mas vale a pena corrigir depois.
    Se é experimental? muito, muito, não será. Mas continua a ser. Pelo menos o suficiente.
    Quanto à história, achei pouco (ou muito) explorada nas diversas vertentes, já explico mais adiante.
    E a primeira parte, da festa na casa da amiga, não entendi. Problema meu, talvez, mas não entendi. No final, o conto acaba com Naomir tendo ido para o céu (quando? o conto de início fala da festa de ontem em casa dela) e Arabel a caminho do mar.
    Então este conto dividiu-me um pouco na medida em que por um lado tem a leveza duma borboleta, melodia, poesia, beleza, tanta coisa boa; e por outro, a história em si é algo confusa.
    Em minha opinião penso que se você não se tivesse preocupado em contar uma história com princípio, meio e fim teria resultado melhor (alternativamente, seria a parte de explicar melhor esta que comento). É estranho ser logo eu a dizer isto,uma vez que sempre cobro a existência de história. Mas estamos no experimental e que belo ficaria este conto na forma de prosa/poema de amor que existiu sem antes nem depois. Até os nomes dos personagens são belos.
    A sério, faça essa experiência, nem que seja só para si: a prosa/poema de amor sem história, só sentimento. Vai ficar lindo. Aliás, já está lindo, mas ficará melhor.
    Pensei no amor de Romeu e Julieta, essa imagem lírica, quase um arquétipo dos amores impossíveis ou impossibilitados.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Naomir
      3 de abril de 2018

      Prezada Ana Maria,
      Antes de tudo, meus sinceros agradecimentos por tão bem esmerada análise e apreciação de meu conto, incluindo os apontamentos sobre a gramática. (repararei com muito apreço). Quanto ao não entendimento do início do conto, (vou tentar explicar): Arabel, realmente, foi à festa na casa de sua amiga Naomir, entretanto lá chegando não havia festa, mas velório. Pessoas cantavam Ave-Maria e outras respondiam ora-oro-nóbis, (os petiscos existem tanto em festas como em velórios). Ele desce às escadas ensimesmado. Ao entrar no carro advêm lembranças aos borbotões. Lembrando que em seu último encontro, ambos estavam muito tristes, Naomir fora desenganada pelo médico, o paliativo seria a estreptomicina, (um elemento apenas mitigante). Ele, já percebendo a perda querida, deixa cair uma furtiva lágrima, a qual pensa ele, que Naomir não percebeu. Quando ela, então, põe sua cabeça em seu ombro e o acalenta. Por fim, Naomir morre no alto do 14º andar, (para o céu) Arabel atira-se ao mar, com carro e tudo. (para o mar). (Seus encontros não são constantes, mas esporádicos, e quase todos eles nos carnavais. Foi uma paixão de carnaval que se tornou em amor profundo. Dando real sentido ao pensamento Senequiano, quando diz que o “Amor não se define, se sente”. Espero ter clareado um pouco o não entendido. Com respeito ao experimental, eu ainda acredito muito na máxima do grande “Velho Chacrinha”, quando diz que, “Nada se cria tudo se recria”, é o que eu tento fazer, minimamente recriar aquilo que talvez saiba fazer, outra fórmula eu não sei se saberia dar conta. No mais, boa sorte para você também, no evento.

      • Aramir
        3 de abril de 2018

        Ratificando o pseudônimo: Aramir

      • Aramir
        3 de abril de 2018

        Agora retificando, não “ratificando” Ks, ks, ks,.. (Aramir)

  31. werneck2017
    1 de abril de 2018

    Olá,

    Um texto muito bem escrito, que tem um cuidado no trato com a linguagem, ainda que uma última revisão tivesse de ser feita. Uma pungente história de amor que tem um final trágico para os amantes. À propósito, a estreptomicina, fármaco usado no tratamento da tuberculose, não é simples de ser administrado como o texto faz supor. No Brasil, ao se saber portador de tuberculose, o paciente é direcionado pelo médico que diagnosticou a doença a um posto de saúde próximo do local de sua residência onde o remédio é distribuído: cartelas contadas com remédios para apenas 15 dias. A cada 15 dias, o paciente novamente se dirige ao posto, onde o paciente é pesado. O ganho de peso confere legitimidade, sabem assim se o paciente está tomando o remédio a contento. Como vê, não é algo simples e o tratamento dura 6 meses.

    Dito isso, suponho que a poesia e a prosa poética assumem o elemento experimental do conto, o que não denota originalidade na forma ou no conteúdo.

    No mais, um bom texto. Boa sorte no desafio.

  32. Paula Giannini
    31 de março de 2018

    Olá, autor(a),

    Tudo bem?

    Eu vejo seu conto como vislumbres de um amor de carnaval. O tempo passa e, ano após ano, o casal se encontra. Se ama. Assim, com o passar do tempo, eles mudam, a paixão muda, mas o amor/amizade, parece romper essa barreira.

    Assim como o casal, carnaval, costumes e entornos, vão também cambiando, o que transforma toda a narrativa (para mim) uma grande metáfora da vida dentro do tempo passante.

    “Quanto tempo
    Pode uma montanha existir
    Antes que o mar a desfaça”

    A música é linda, a citação mais que pertinente e o trabalho muito interessante e gostoso de se ler.

    Parabéns por seu texto.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Aramir
      31 de março de 2018

      Grato fico eu, Paula; por tão bela apreciação e esmero na compreensão do conto.

  33. Fabio Baptista
    27 de março de 2018

    Então… é fato que o tema do desafio exige um pouco mais do leitor. Um pouco mais de paciência, de desapego aos conceitos de bom e ruim, um pouco mais de esforço para buscar significados, para interpretar além do texto escrito.

    Eu juro que estou tentando, mas em alguns casos, como infelizmente é o caso do presente texto, fiquei tão perdido que não consegui extrair muita coisa que pudesse me agradar. Algumas imagens criadas são bonitas, sim. Algumas poesias são boas. Mas sobre o que era o texto, qual era a trama? Eu li duas vezes e não sei responder. O experimental acabou só deixando tudo muito confuso.

    Não gostei, desculpe.

    Abraço!

  34. Evandro Furtado
    24 de março de 2018

    Um dos grandes perigos desse tema é perder-se no experimentalismos. Creio que, nesse conto em particular, há certo exagero nisso, e acaba por criar uma dificuldade na leitura em certos momentos.
    A trama começa confusa e desafia o leitor a se habituar a ela, o que é, sem dúvida, um ponto positivo. Seria um problema se, mesmo essa habituação não fosse suficiente. Mas é. O enredo se torna consistente e torna possível a compreensão, revelando uma simplicidade carregada de sentidos.
    A narrativa é consistente, mas logo no comecinho há alguns problemas com a concordância, sobretudo referente ao número (singular/plural). Mesmo isso, no entanto, some quando se aproxima do final.

  35. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A poética apurada e a riqueza imagética das cores, sons e cenários (praias, blocos carnavalescos, guerras…).

    PONTOS NEGATIVOS = A ausência de uma audácia que elevasse a leitura até o patamar do experimentalismo, conforme pedido neste Certame.

    IMPRESÕES PESSOAIS = O texto está muito bem escrito; o(a) autor(a) sabe como tecer suas ideia e conduzir o leitor em meio à riqueza da Poesia apresentada. Contudo, achei que o(a) mesmo(a) preferiu esconder-se por trás da poética existente na obra a perfurar suas paredes e elevar sua obra para o universo “fora da caixinha” do convencional.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Ousar mais. Talvez, sair do conforto dos formatos já dominados para, conforme o tema deste Desafio, descobrir-se além dos próprios domínios. Contudo… Foi um belo texto. Parabéns!

    Boa sorte no Desafio!

  36. Aramir
    20 de março de 2018

    Caro, Fernando. Grato pelas lisonjas ao meu texto. Tão lírico quanto o conto. Uma dúvida quanto a sua observação de não haver algo que o surpreendesse. Você não achou em seu suicídio em nada inesperado? Bom, isso pertence a forma de ver de cada um.

  37. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Aramir, cá estou eu debruçado sobre a sua história de amor. Um conto bem contado, você, sem dúvidas, domina a arte de contar histórias. Gostei desse seu experimentalismo (pelo menos quero considerá-lo assim) de inserir poesia no seio da história. Poesia que ocorre não somente de maneira explícita, mas também implicitamente, eis que todo o conto está bastante envolto em linguagem carregada de lirismo. Algo a melhorar foi que achei que o enredo ficou me devendo algo. A história está, no meu modo de ver, bastante linear. Sim, está muito bem contada, mas senti a falta de alguma novidade não somente na forma mas também no conteúdo. Falta de haver, nos meandros da sua narrativa, algo que me surpreendesse, me arrebatasse, enfim . grande abraço

  38. Evelyn Postali
    19 de março de 2018

    Encantei-me lendo as poesias, a lembrar de músicas, a refletir sobre os temas. A união da narrativa conseguiu tornar homogêneo o texto todo. Não dá para separar, em alguns momentos, o que é da narração e o que foi colagem. Acho que funcionou muito bem. Também tem a questão da escrita. É fluída, acessível, tem movimento, ritmo.

  39. Higor Benízio
    17 de março de 2018

    Bom conto. Relações são assim mesmo, viajam em cenários de sonho e na maioria das vezes perdem o veio da realidade. Só achei que o autor (a) prolongou demais o texto, fica bem cansativo em alguns momentos. Cabe uma enxugada.

  40. Regina Ruth Rincon Caires
    17 de março de 2018

    “Ontem fui à festa na casa…” Quase comecei a cantar, ainda me lembro! É do meu tempo! Composta pelo Erasmo e gravada pelo Trio Esperança!

    Texto mesclado, prosa e poesia aparecem em vários encaixes trabalhados pelo autor. A narrativa, uma história de amor, embora ambientada em época de carnaval, traz um teor sombrio, tudo é cinza, taciturno, enevoado. Escrita sorumbática. Conto muito bem escrito, o autor tem domínio total de linguagem. Cumpre o desafio de ser experimental, possui uma estrutura diferente, criativa.

    Parabéns, ARAMIR!

    Boa sorte!

    Abraços…

  41. Antonio Stegues Batista
    15 de março de 2018

    Um texto cheio de poesia. Na poesia, as palavras tecem quadros surreais, não importa sua imagem, igualmente é a prosa poética que dá para fazer experimentalismo. Aqui foi o que aconteceu. Então, o experimental no conto está apenas na poesia, o que não é nada original. Faltou algo novo na história. Boa sorte.

  42. Fheluany Nogueira
    14 de março de 2018

    A técnica de composição mistura diversos trechos e estilos em remixes literários. É um texto rico e de qualidade, agradável na leitura, bom ritmo e um enredo bem simples: amor, morte e convenções sociais.
    A inovação, em prosa, está na limitação de formatos, na imposição de critérios prévios ou na construção de jogos de linguagem, significado ou mesmo de seleções aleatórias. No caso da poesia, a experimentação atual está no uso de um novo suporte/material. Nesse conto, a narrativa apenas flutuou entre prosa e poesia, mas não se pode negar que essa mescla é uma experiência.
    Gostei do pseudônimo, contração de (Ara)bel e Naomir(mir).
    Parabéns pela ideia! Boa sorte no desafio. Abraço!

  43. Paulo Cezar S. Ventura
    13 de março de 2018

    Poxa! Um belo conto em que navegas entre poesia e narrativa. Eu li até o momento apenas três contos, esse foi o quarto e, sem dúvida, o melhor dos quatro. Se o nível continuar subindo desse jeito eu vou ficar numa sinuca de bico: como manter o alto nível presente até o momento? Eu ainda tenho uma dúvida sobre o tema “experimental”, o que é experimental? Primeiro, eu gostei do conto, segundo, a linguagem, o uso de poemas entrecontos, citações, seria isso experimental? Não sei. A pergunta é para saber também como escrever.

  44. Paulo Luís Ferreira
    12 de março de 2018

    Definitivamente o nível dos trabalhos aqui apresentados subiram a temperatura da qualidade, depois dos ais e dos uis dos “contos” travestidos de números. Visto este, “De Arabel…” Enfim um conto com espírito e cara, corpo e alma de um conto, no sentido estrito da palavra. Um trabalho bastante aprazível de se ler. Um enredo um tanto escamoteado em sua experimentação, quando trata do amor e da morte, sem, no entanto explicitá-lo. Enveredando pela prosa poética, (ou o poema em prosa?), na forma e em conteúdo. Denotando o real sentido do amor, aquele que aclama a essência do pensamento senequiano, quando diz que o “amor não se define, se sente”. E muito menos dando crédito aos sacerdotes, em suas cerimônias casamenteiras, quando exige dos noivos a lealdade na saúde e na doença até que a morte os separe. Mas que fica apenas nas hipócritas formalidades. Não que nada disso já não tenha sido dito, ou feito, mas vale como uma tentativa de experimento.

  45. Angelo Rodrigues
    12 de março de 2018

    Caro Aramir,

    um conto legal. Navega numa viagem lúdica e amorosa entre Arabel e Naomir.
    Se tenho dúvidas em dizer que seu conto, ainda que bom, transita fora do veio experimental, tenho pudor, também, em dizê-lo fora desse prumo: escrever será sempre uma experiência, e, se não no todo, ao menos no pessoal.

    Gostei da pegada MixLit com apropriações externas de textos.
    Alteração entre prosa e poesia ficou bem.

    Algumas coisas, independente de estar ou não nos trilhos (que trilhos?), pedem observação e carinho. Cito algumas

    Algumas rimas verbais empobrecem as poesias; melhor não haver rimas quando elas mais parecem cacofonias;

    “Os faróis dos autos contrários incandesciam minha mente que, por si, <> lembranças…”. Revisão de concordância.

    Algumas frases alongam o texto e não resolvem a trama:
    “Ao contrário dos aviões que de sua fumaça só desenham rastros.” Quem desenham?
    “Tomamos chá em porcelanas que não eram chinesas.” Relevância? Chinesas ou não?
    “E num lapso de tempo Naomir abriu uma caixa de papelão coberta com papel crepom…” Relevância?

    “Nos prometemos sermos os servos”, onde o auxiliar fica no infinitivo.

    De resto, tudo legal.

    Boa sorte no desafio.

    • Angelo Rodrigues
      12 de março de 2018

      Onde ficou um , deveria haver um “contra-brilhavam”. O Software comeu a palavra.

E Então? O que achou?

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Publicado às 12 de março de 2018 por em Experimental e marcado .