EntreContos

Detox Literário.

Memento Mori (Bia Machado)

Quando descobrimos o que conseguíamos fazer, nem dormimos. Passamos grande parte daquela noite em claro, Lúcia revivendo todas as formigas e flores murchas recolhidas no quintal, onde tudo começou. Foi um grande presente de décimo aniversário, como se um ser supremo e poderoso nos desse uma compensação por tudo de ruim que acontecia com a gente. Algo como: “Vem cá, sua vida está uma porcaria? Então toma aqui esse poder de curar e reviver pra compensar”.

Tentávamos, horas mais cedo, um pouco depois do almoço, não ouvir a gritaria que vinha de dentro de casa. Nossos pais prometeram uma festa, mas é claro que nem nos animávamos com isso, pois como de costume, nada de comemorar, nada de presente, alegria, nada. Além do mais, quem apareceria na casa daquela família em que os pais só faltavam se matar? A discussão acontecia como tantas outras vezes, nada de novo. Resolvemos, então, nos distrair com caramujos, eram muitos naquela época do ano. Uma competição para ver qual ganharia a corrida, da goiabeira até a jabuticabeira.

— Você pisou em uma formiga, Luca! Não viu que ela levava uma folha enorme? Coitadinha…

O que isso me importava? Era apenas uma formiga. Quantas vezes, incontáveis vezes, matei formigas só para arrancar suas pernas e ver como ficavam ao microscópio, o único presente da minha vida toda, dado por meu pai, em um momento de remorso imenso, por um dente arrancado de mim antes do tempo?

Quando minha irmã colocou na palma de sua mão o inseto, ainda grudado à folha, fechou os olhos por um instante.

— Não me diga que tá rezando para a formiga? Vamos enterrar ela também?

— Você não tem coração, Luc… ai!

A formiga foi solta de forma repentina, indo ao chão e continuando seu caminho, levando a folha como se nada tivesse acontecido.

— O que você fez?

— Nada, Luca, juro. Só imaginei a formiguinha viva de novo. Aí acho que ela me mordeu.

— Vai ver ela tava viva ainda…

Para fazer outro teste, pedi que fizesse o mesmo com um besouro morto guardado há dias na minha caixinha de fósforo, levada sempre no bolso. Do mesmo jeito que a formiga, o besouro reviveu.

Com as flores, a mesma coisa, as folhas recuperando o viço e uma pequena raiz saindo dos caules, bastava apenas replantar. Saímos recolhendo tudo que era cadáver de bicho que encontrávamos pelo quintal.

— Luca, será que você também consegue?

— Não sei. Você é uma menina boa, já eu… — dei de ombros, falando em um tom bem sério. Eu não achava que merecia ter um poder. E se eu pudesse escolher, gostaria mesmo era de poder prever o futuro, assim saberia todos os resultados das próximas Megas da Virada e ficaria milionário. Levaria Lúcia e mamãe para bem longe de nosso pai e nunca, nunca mais o veríamos. Além disso, daria dinheiro a todas as crianças que fossem como nós, para que não dependessem mais de alguém que batia neles.

— Mas somos gêmeos. E se… Tenta, vai. Não seria bom?

Sim, seria, apenas para poder compartilhar de algo especial com minha irmã. Peguei novamente minha caixa de fósforos, onde ainda havia alguns cadáveres de formigas. Tentei fazer com todas de uma vez, segurando a caixinha aberta e mentalizando os insetos a andarem de um lado para o outro. Não deu certo. Fiquei decepcionado e justifiquei:

— Sou um menino muito mau, viu só no que dá pensar em coisas feias, em desejar o mal para outras pessoas?

Quando papai saiu de casa, batendo a porta e nem enxergando os próprios filhos parados no meio do quintal, corremos para dentro, procurando por mamãe, que chorava no chão do banheiro, o rosto colorido entre o roxo e o vermelho, além de sangue escorrendo de um ferimento acima da sobrancelha.

— Não quero que me vejam assim. Saiam, saiam… Vai passar.

Indo contra a vontade dela a abracei, calado, mas meus pensamentos eram um turbilhão: “De novo, não! Não quero que se machuque mais! Não quero que sinta dor! Por que você deixa isso acontecer? Não quero que sinta dor, não quero, sua dor vai passar, vai passar, vai passar…”

— Filho…

Minha mãe fez com que eu a soltasse e olhasse para seu rosto. Para o meu espanto e o de Lúcia, não havia roxo, vermelho, não havia mais sangue e nem dor. Ali estava o meu presente: poder de curar, de acabar com a dor.

Era um segredo só nosso. E era muito bom partilhar aquilo, ter algo só de nós três, mantendo papai de fora, sem nada saber. Era bom olhar pra ele e pensar: “Você não sabe de nada, seu inútil. E quando se machucar, não pense que vou te curar. Vou é rir por dentro, vou desejar que seja a pior dor que possa sentir.”

— Ei, garoto, que é que tá olhando? Que cara é essa de raiva?

— Nada, não. Só me lembrei de um menino na escola que vive ameaçando de bater nos meus amigos. Vontade de ir lá dar uma lição neles.

— Coitados desses seus amigos. Você não aguenta nem com uma mosca. Se for lá defender alguém, aposto que apanha. Tu é maricas. Puxou sua mãe, delicadinho demais. Já dá pra ver que não vai servir de muita coisa. Nem bonito é.

Se eu fosse bonito, segundo ele, logo teria mulheres dispostas a me bancar, me dar dinheiro. Mais uns cinco anos, o verme fazia as contas. Eu também fazia as contas. De quanto tempo levaria para eu perder a paciência e acabar com aquele cara. Foi naquela época que a vontade surgiu. E só foi aumentando.

Do que Lúcia mais gostava era de reviver borboletas.

— Assim elas podem viver mais — se justificou.

— Eu não acredito que um ser desses viva tão pouco. E se elas vivem apenas isso, não é porque têm mesmo que viver somente esse tempo?

— As coisas mais belas não deviam morrer. Deviam durar para sempre. O Padre Alfredo diz que os bons de coração vivem para sempre, mas não aqui, nesse mundo e nessa vida.

— E as coisas feias, ruins, as que só sabem fazer o mal não deviam nem nascer, Lúcia.

Depois de outras vezes em que tive que curar mamãe e também Lúcia de machucados feitos por aquele homem que se dizia nosso pai, quis saber quando iríamos embora daquela casa de uma vez por todas.

— Vocês ainda não conseguem entender, mas eu entendo o seu pai. Eu sei, sei que tudo está ficando melhor. Confiem em mim — pediu mamãe.

A briga do último dia de aula, quase dois anos depois, foi a pior de todas. Soubemos disso tarde demais. Eu precisava ir à escola, já que era quase certo de que ficaria de exame de Língua Portuguesa, História, Geografia, mas Lúcia não, as notas dela estavam fechadas desde o terceiro bimestre. Eu gostava apenas de Matemática, Lúcia se saía bem em tudo.

— É melhor que eu fique — Lúcia já tinha decidido. — Papai está com aquela cara de quem procura alguma coisa para brigar. Se mamãe precisar, estarei aqui…

— Fique no quintal. Só entre quando o papai sair. Assim você não vai se machucar também.

Já na rua, olhei para trás e vi Lúcia me olhando do portão.

Se eu soubesse que nunca mais veria minha irmã viva, não teria ido. De que serve o poder de cura quando a pessoa que amamos já não tem mais vida para ser curada? Por que eu não fiquei em casa? Por que não morri no lugar da minha irmã? Por que não fomos embora quando achamos que era o melhor a ser feito? Mudei de ideia: prever o futuro seria importante para evitarmos que as pessoas queridas, as mais especiais, fossem embora. E se não pudéssemos evitar, que estivéssemos ali com elas, que não morressem sozinhas, longe de nós.

Fui eu quem encontrou Lúcia e mamãe caídas no chão da sala. Achei que as duas estivessem mortas, mas quando os paramédicos chegaram, constataram que mamãe ainda respirava. Caminhei em direção a ela, repetindo na mente: “Não quero que morra, não quero que morra”, prestes a abraçá-la e curá-la em um impulso, mas fui impedido e aos poucos me resignei, pois em minha revolta algo me dizia que mamãe não merecia. Quantas vezes eu a tinha curado, para depois ela aceitar apanhar do meu pai, do mesmo jeito? Minutos depois, seu óbito foi registrado. Não me disseram o que aconteceu com minha irmã, o motivo de sua morte, mas pude ouvir aqui e ali coisas que me fizeram tremer.

… muitas fraturas, não é possível que um pai faça…

… estava completamente fora do lugar, nunca tinha visto isso…

Nosso pai não fugiu da condenação. Cumpriu todo o tempo de sua pena e saiu depois de dezoito anos. Não voltou para a casa onde morávamos, mas eu soube de seu destino por parentes.

Naqueles dezoito anos me arrastei em vida. Fui amparado por uma tia, irmã de minha mãe, alguém que era muito diferente dela. Formei-me em Medicina. E continuava curando as pessoas, fazendo disso o meu trabalho, realizado para ganhar meu sustento e também como uma forma de compensar por não ter conseguido fazer o mesmo por Lúcia. Meus pacientes não conseguiam entender como em pouco tempo conseguiam melhorar. Eu trabalhava na área pediátrica e cada menina me trazia uma lembrança de minha irmã.

Segundo os médicos, a morte de minha irmã foi instantânea. Minha culpa continuava sendo a de não ter ficado em casa. Como se eu pudesse evitar… Sim, eu poderia. Não há um dia em que não acorde perguntando a mim mesmo se eu poderia ter evitado e depois confirmando a mim mesmo, com toda certeza, que poderia. Sim, eu poderia, e repito isso várias vezes, diariamente.

Quanto ao abraço não dado em minha mãe, não consigo me culpar por isso. Às vezes tento, mas não consigo. Se eu não tivesse sido segurado no momento, ela poderia estar viva. Talvez sim, talvez não. Aprendi uma expressão latina, memento mori, que significa: “Lembre-se de que vai morrer”. Sim, todos têm a sua hora, não importa quando será, mas o encontro com a morte é um fato.

E foi por isso, foi pensando nisso, que resolvi finalmente visitar meu pai. De surpresa. Não durante as minhas férias, mas durante uma semana normal de trabalho. Seria na minha saída do plantão, antes mesmo de ir para casa dormir. Às vezes saía do hospital e ia direto para a praia, deitando na areia e ficando daquela forma por horas, só contemplando o céu.

Poderiam me perguntar depois se eu tinha como provar que estivera na praia enquanto meu pai era assassinado em Arraial do Cabo, distante três horas dali. E eu não teria, claro, mas juraria até o fim que a verdade era aquela e não me importava de ter que passar alguns anos na cadeia. A sorte estava lançada.

Quando finalmente nos encontramos, ele esboçou surpresa por alguns segundos, mas parecia saber o motivo de eu estar diante dele. Olhou para a minha mão direita, dentro do bolso e parecia saber o que eu segurava, disposto a usar a arma para concretizar meu plano.

— Vá em frente, rapaz. Já estou morto em vida mesmo. Um favor que está me fazendo.

Quem diria que sua maior fraqueza era de não ter a capacidade de ele mesmo dar um fim à vida, justificou dizendo que os pulmões já não funcionavam muito bem, tudo era uma questão de tempo, um acesso de tosse confirmou suas palavras.

E realmente era um morto em vida. Mais do que eu, muito mais. Nunca me senti tão vivo depois da morte de Lúcia. O lugar onde ele morava era o espelho da podridão que parecia minar de sua alma: apenas um quarto e sala, repleto de bugigangas e um odor de miséria, a miséria da alma, saindo por seus poros. Não duraria muito tempo.

Eu poderia curá-lo e não queria. E meu pai jamais saberia disso.

Retornei a Arraial do Cabo de tempos em tempos, sem manter contato com meu pai. Ficava apenas alguns minutos, diante do prédio, e também perguntava a algum vizinho sobre o homem do apartamento 21. Até que, na quinta ou sexta vez, já não me lembro, fiquei sabendo de sua morte.

Memento mori, afinal.

………………………………

Texto com correções realizadas pela autora em 31.12.2017.

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100 comentários em “Memento Mori (Bia Machado)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    30 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Gostei dos poderes de Lúcia e Luca e de como não há explicação para eles. A explicação nem sempre é necessária.

    O conto fala de uma história que me parece longa demais para as 2.500 palavras do desafio, mas tudo o que foi narrado aqui foi feito com muita técnica e esmero. Foi uma história bem contada, que aborda a passagem de muitos anos na vida de Luca, com um equilíbrio perfeito entre o Contar e o Mostrar. Eu sinto que talvez a história fosse mais interessante se você tivesse decidido narrar apenas uma parte da vida deles; um caso especial. Mas da forma que está, o conto também é excelente.

    Gostei do conflito interno de Luca por não ter abraçado a mãe para salvá-la. Ele era uma criança, e as suas decisões eram nubladas pela falta de experiência. Você narrou muito bem como o fantasma desta decisao em particular assombrou o resto da vida dele. Por fim, gostei também de como a vingança não foi uma decisão imediata. Ninguém toda tal decisão assim. No final, porém, pareceu uma das poucas saídas para Luca. Uma forma de cumprir a sua missão em vida; uma forma de fazer os espíritos da mãe e da irmã viverem em paz.

    =====TÉCNICA=====

    Sensacional. Sua escrita é bem acessível e, ainda assim, complexa a um nível agradável. O ritmo da narrativa é excelente, e a construção dos personagens de Luca e Lúcia é sensacional. O envolvimento com a leitura foi quase uma imersão total.

    Parabéns!

    • Alguém de Omelas
      30 de dezembro de 2017

      Agradeço pela leitura e comentário tão generoso, Marco. Boa sorte no desafio para nós, abração.

  2. Fabio Baptista
    30 de dezembro de 2017

    Um bom conto, escrito numa pegada inocente que se mantém mesmo nas crueldades. Eu gosto desse contraste, achei que foi bem aplicado aqui (não sei se propositalmente ou se já é o estilo do(a) autor(a)). Parte técnica sem ressalvas, leitura bastante agradável.

    Gostei também da trama, embora os poderes não tenham sido usados da maneira que eu gostaria de ver. Imaginei um fim trágico para a família, mas esperava uma combinação mais criativa, uma escolha a se fazer, algo do tipo. Algo diferente de ir à escola e encontrar a irmã (justamente a parte da dupla que podia poderia ressuscitar alguém) morta ao voltar.

    Depois desse ponto a história dá uma boa acelerada, até chegarmos ao confronto final. A decisão de não curar o pai acabou não tendo muito peso, afinal ele foi ali para matá-lo… seria muita surpresa (negativa) uma reconciliação de última hora. Talvez uma resolução mais ao estilo do filme do Constantine (onde o Constantine está indo para o céu e o diabo o puxa de volta para a Terra, curando o câncer de seus pulmões) ficasse mais legal… talvez curar o pai de uma doença que o mataria rapidamente para que o sofrimento com outra doença fosse perpetuado, sei lá.

    Pitacos à parte, ótimo conto!

    Abraço.

    • Fabio Baptista
      30 de dezembro de 2017

      Ah… esqueci de comentar. Não tenho restrições quanto a palavrões, mas aqui achei que não combinaram.

      • Alguém de Omelas
        30 de dezembro de 2017

        Caro Fabio, agradeço por suas observações. Você é o primeiro que fala dos palavrões, estava mesmo querendo saber como soaram, pois eles estão na construção do Luca. Boa sorte no desafio pra nós. Abraço.

  3. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    38. Memento Mori (Alguém de Omelas):
    A PREMISSA dessa história demorou, a meu ver, a se consolidar. O que era a relação entre dois irmãos gêmeos, com poderes bem definidos (reviver e regenerar) acabou sendo conduzido para a questão do abuso e violência paterno. A TÉCNICA, se não é chamativa, pelo menos conduz a história sem solavancos até o clímax, que é o reencontro e a decisão sobre a cura ou não do pai. Quanto ao APRIMORAMENTO, acho que o autor poderia seguir um outro caminho, que não fosse tão dramático quanto a morte de um irmão e a incapacidade do outro em evitar/revivê-lo/curá-lo, e enfatizar mais o que Lucia fez com o poder de cura depois de adulta. E o exagero de ter todos os ossos do corpo quebrados (são 206!), ficou muito saliente no trecho em itálico.

    • Alguém de Omelas
      30 de dezembro de 2017

      Olá, Daniel, confesso que nesse conto eu deixei a escrita fluir, fui escrevendo conforme a história foi surgindo e foi no último prazo, assumo o tempo que não tive para pensar e repensar essas questões da premissa. Sobre o aprimoramento, também recai na questão de eu não ter tido tempo para pensar em outro caminho. É aquela coisa da gente querer participar, do jeito que dá, mas confesso que quando pensei no texto o que me norteou foi isso, justamente o irmão que sobreviveu não tinha o poder de reviver, apenas de curar e queria esse conflito. Só acho que exagerei no drama, dei vazão ao que eu tinha pensado e mandei. Sobre a expressão de “quebrar todos os ossos”, sim, certamente ficou exagerado e não me dei conta. Essa parte terei que alterar, com certeza. Te agradeço pela leitura e pelas observações.

  4. Pedro Luna
    29 de dezembro de 2017

    Bacana o detalhe final, o filho que podia curar o pai mas não o quis. Foi um final interessante, bem melhor do que uma vingança da forma que todo mundo achava que seria.

    Gostei do conto. No começo forcei um pouquinho a cara por conta da criança pegar a formiga morta e tentar revivê-la do nada, só para descobrir o poder, mas é um detalhe minúsculo.

    A escrita é boa, os personagens são bacanas, o drama da violência doméstica que vive a família é um drama palpável e próximo. Tudo isso resultou num bom conto.

    • Alguém de Omelas
      30 de dezembro de 2017

      Agradeço por sua leitura e seu comentário, Pedro! Abraço e boa sorte no desafio pra nós.

  5. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Gostei muito do seu conto. Você escreve muito bem e conseguiu com extrema facilidade adequar o tema, criar empatia com o protagonista, antagonismo com o vilão, simpatia pela irmã, etc. O seu conto tem tudo o que um bom conto deve ter. O tema da violência doméstica está bem retratado, sem entrar em exageros nem em grandes e desnecessárias descrições. Ótimo! Todas as emoções de Lucas, absolutamente verosímeis e adequadas à sua personalidade. Só na parte em que a irmã e a mãe morreram, não está explicado de caras, o que é uma pena, pois temos que nos afastar de sequência que se tinha instalado a tão bom ritmo para responder à pergunta que nos surge: “Mas então não era a irmã que tinha morrido? Ah, foram as duas. Pronto, já entendi.” Não vi absolutamente mais nada que devesse ser mexido, está todo muito bem. O final também excelente. Claro, que fazer a não ser deixar o pai morrer por si, com muito mais sofrimento do que fazer-lhe o favor de o matar? Se o personagem fosse meu eu teria acrescentado que ele deu a conhecer ao pai o seu poder de cura, mas não o utilizou. Mas isso sou eu, que sou mazinha e não resistiria a esse pequeno toque de crueldade, o qual teria coroado a vingança na perfeição. Sei lá! Se alguém se vinga, é suposto que parte do prazer venha da sua vítima ficar a saber que exerceu vingança, imagino. Só uma dúvida: vi várias vezes a utilização de verbo reviver. Em Portugal, nós utilizamos reavivar, então vocês dizem mesmo reviver ou foi engano?
    Um excelente conto. Um ótimo autor/a. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

    • Alguém de Omelas
      29 de dezembro de 2017

      Olá, Ana Maria! Muito feliz por sua leitura e comentário! Sim, aqui dizemos reviver normalmente, mas sabe de uma coisa? Reavivar é mais bonito! Grande abraço e feliz 2018 pra você também.

  6. Ana Carolina Machado
    29 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei muito bom o conto. Os poderes dos gêmeos foram muito interessantes, assim como foi interessante ver a descoberta deles e a forma que eles o usavam. O Luca tinha o poder de curar e devido a dura realidade que ele vivia tinha que o utilizar para curar os ferimentos na mãe e na irmã. Ferimentos estes que eram feitos pelo próprio pai deles. E a Lúcia era um doce de menina fiquei muito triste dela ter morrido, foi mais triste porque o poder dela era o de reviver, então se tivesse sido o contrário ela poderia ter trazido o irmão de volta.Acho que a vida da menina foi como a vida de uma borboleta, como de um desses insetos que ela tanto amava reviver, curta mais impactou a vida do irmão. Acho que ela também era semelhante a esse inseto devido a delicadeza e a forma de tratar até mesmo o menor dos insetos. Mesmo depois de morta ainda vivia nas lembranças dele. Tanto que a presença dela é sentida por todo conto. O final dá a ideia que talvez depois de encarar o pai de frente, pai este que representava o passado de sofrimento, o Luca consiga finalmente segui em direção ao futuro, pois para seguir para o futuro é necessário encarar o passado. Boa sorte no desafio! Parabéns.Abraços.

    • Alguém de Omelas
      29 de dezembro de 2017

      Olá, obrigado por suas observações e sensações de leitora, fico contente com as reflexões causadas. Boa sorte no desafio pra você também.

  7. Leo Jardim
    28 de dezembro de 2017

    # Memento Mori (Alguém de Omelas)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – o início ficou meio travado, o segundo parágrafo tem tanta informação que tive que reler algumas vezes
    – o texto faz isso outras vezes, misturando ideias diferentes na mesma frase e invertendo-as, causando certa confusão, por exemplo: Depois de outras vezes em que tive que curar mamãe e também Lúcia de machucados feitos por aquele homem que se dizia nosso pai, quis saber quando iríamos embora daquela casa de uma vez por todas.
    – De que serve o poder de cura quando a pessoa que amamos já não tem mais vida para ser curada? (Travei aqui também; não tinha e entendido até então que ele só podia curar e só ela podia ressuscitar…)
    – enfim, apesar dos problemas apresentados, é um bom conto, um tanto previsível, mas com uma boa dose de emoção

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – fora os parágrafos e frases truncadas pela inversão ou acúmulo de informação, que já citei, achei uma boa técnica, com diálogos convincentes e cenas vívidas
    – *Do que* (O que) Lúcia mais gostava era de reviver borboletas (não Tenho certeza se está errado, mas não ficou bom escrito assim)

    💡 Criatividade (⭐▫▫):

    – acho que o conto acaba não acrescentando muito ao clichê de pai opressor que bate na esposa e filhos; é um tema triste, mas infelizmente comum

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – cura e ressurreição (✔)
    – no fim, os poderes acabaram sendo acessórios à trama, mas não descontei pontos, pois eles causaram as boas reflexões sobre usar ou não (memento mori)

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫):

    – acabei não tenho uma boa percepção do conto, talvez pelas informações travadas e estar perdido na melhor cena (a morte da mãe e irmã)
    – o fim ficou legal, mas fiquei na dúvida se ela matou o pai ou o deixou morrer sozinho (gostaria mais da segunda opção); não ter isso explícito baixou o meu impacto

    • Alguém de Omelas
      28 de dezembro de 2017

      “Do que” está correto. Quem gosta, gosta DE algo. Parece estranho, mas está correto, certo? Agradeço pelo comentário e desculpe qualquer coisa.

      • Leo Jardim
        28 de dezembro de 2017

        Concordo que está certo, mas ficou estranho então ficaria melhor se fosse evitado. Poderia ser, por exemplo: “Lúcia gostava mais de reviver borboletas.”

        Só lembrando que meu objetivo é sempre ajudar na revisão e no aprendizado, dividindo o pouco conhecimento que tenho no assunto. Estamos juntos na mesma árdua estrada. 😉

    • Alguém de Omelas
      29 de dezembro de 2017

      Leo, primeiro agradeço por ter voltado. Segundo, fiquei pensando: tirou duas estrelinhas do item e fez duas observações, ou seja, o uso do “DO que” me causou uma estrelinha a menos? Se estamos aqui aprendendo, os dois, juntos, você parece não estar disposto a perceber que o que usei é correto e tão aceitável quanto a sugestão que deu. Que eu aceito, mas que desde já te aviso que não mudarei. Literatura, ao meu ver, é isso. Escrever e trazer outras formas de ver algo para o leitor. Imagine-se lendo Guimarães Rosa e pensando: “do jeito que ele escreveu, ficou estranho, teria sido melhor se tivesse escrito assim ou assado”. Longe de mim me comparar a Guimarães, estou só ilustrando a coisa. Novamente, agradeço a oportunidade e de novo, desculpe-me por qualquer coisa.

      • Leo Jardim
        29 de dezembro de 2017

        Vamos lá:

        O uso do “do que” não fez o conto perder estrelas em técnica, quem fez isso foram as frases truncadas e cheias de informação.

        Mantenho o mesmo critério de avaliação há alguns anos. Tem falhas, eu sei, mas funciona bem na média. Resumindo esse quesito técnica, é mais ou menos assim: as 5 estrelas eu reservo para as técnicas que se destacam além da trama, deixam o texto gostoso de ler. 4 para aquelas que são muito boas, mas funcionam mais para mover a trama. 3 para aquelas que acabam travando ou truncando a leitura, prejudicando o andamento a trama. 2 para quando ocorre isso e ainda há erros ortográficos graves. 1 estrela eu só dei uma vez e guardo para qdo o texto é tão ruim que nem dá pra entender a história.

        Espero que tenha respondido sua dúvida. Um outro dia eu explico os outros quesitos.

        Grande abraço!

  8. Fil Felix
    28 de dezembro de 2017

    Bom dia! Gostei da simbologia da borboleta, que é um signo que curto muito, sua ligação com a transformação, que pode ser relacionada à evolução do personagem, que vai num crescente. Em relação ao tema, gostei das crianças descobrindo os poderes e por serem gêmeas, combinando que uma cura e outra revive, só estranhei um pouco a narrativa em relação à idade deles, que me pareceu mais velhos. Entendi que é narrada por ele já crescido, mas acabei estranhando.

    Em relação á história, o decorrer foi legal, com a construção do personagem, que cresce com mágoa do pai, mas tenta seguir a vida normalmente, ajudando os outros. Nesse sentido, não gostei do final por terminar meio “certinho”, digamos assim. Nem por ter ficado aberto, mas por não ter efetivamente feito alguma coisa, nem curado e nem matado o cara. Entendi que ele foi ao Posto 8, conhecido pelo público LGBT, indicando que ele possa ser gay e, assim, deixando o pai pra trás, finalmente saindo do seu casulo e podendo viver em paz (que é uma visão bem alegórica e bacana, parece que ninguém comentou sobre o Posto kkk), mas lá no fundo eu esperava ver sangue, ainda mais pelo início cheio de morte e renascimento, aí sim ir descansar na praia. Por um lado é interessante por fugir do estereótipo da criança que cresce perturbada, mas fico com a sensação de morrer na praia.

    • Alguém de Omelas
      28 de dezembro de 2017

      Olá, certinho acredito que seria ele ter curado o pai, o que não fez. Imagine Luca vivendo e sabendo que ele poderia ter curado o pai, o que não fez. Como ele se sentiria? Vingado? Em júbilo? Sobre o posto 8, coloquei-o por me dizerem que é um pôr do sol muito bonito, mas gostei muito da sua interpretação, apesar de ver que não me dará nota muito alta, valeu pelo comentário cheio de interpretações diferentes. Isso é bom. Obrigado.

  9. Fernando Cyrino.
    28 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas, o sofrimento infantil causado pelo abuso é fonte inesgotável de boas histórias e você demonstrou bastante competência ao surfar nessas ondas pesadas. Que dom incrível você arrumou para o casal de gêmeos, mas ao mesmo tempo quão terrível foi para Luca o fato de não ter revivido a irmã querida. Um conto bem redigido, há alguns detalhes que me passaram a impressão de que faltou mais tempo para os acertos finais, mas nada que atrapalhe demais a qualidade da sua escrita. Lembrei-me de um livro que me encantou à época que o li: O Menino do Dedo Verde. Gostei do final em aberto, passando para mim a decisão de que Luca irá curar, ou não o pai assassino. Abraços.

    • Alguém de Omelas
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Fernando, agradeço por seu gentil comentário! Realmente, corri contra o tempo pra terminar e enviar, certamente não estaria tão bom da forma como poderia estar, mas tive sorte nos comentários, me ajudaram bastante.

  10. Renata Rothstein
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém,
    Tudo bem?
    Li seu conto sentindo cada palavra, cada linha e cada pensamento que surgia com a leitura.
    Me coloquei no lugar de cada um dos personagens, do menino que descobre o poder de curar, passando pela mãe e pela irmã (chorei com a morte dela, logo a menina que dava tanto valor à vida, ao carpe diem), até o pai, assassino, que no fim do conto está livre, após cumprir sua pena.
    Luca levou uma vida produtiva, porém sem significado (conheço tanta gente assim…), tenho uma dúvida, mas coisa minha? Como ele estudou, quem deu um lar, condições, enfim, para isso? Afinal a família parecia um pouco isolada, mas, deixa pra lá.
    Alguém, vc escreve maravilhosamente bem, achei ótimo o ex-menino, atual médico não ter matado o pai, às vezes sportar uma existência agreste é o pior dos castigos mesmo.
    Excelente conto!
    Parabéns e boa sorte,
    Abraços

    • Alguém de Omelas
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Renata Rothstein, tudo bem comigo, sim, espero que com você também. Primeiramente agradeço por seu comentário, tão gentil e sincero. Sobre os pormenores do que aconteceu com o Luca após as mortes tristes, verdade, dei pouquíssimos detalhes. Primeiro, porque estava nas últimas pra terminar o conto e enviar, fiquei com medo de não dar tempo. E segundo porque, como não poderia detalhar muito, acreditei que essa parte não seria relevante para o que aconteceu. Mas estou fazendo uma versão estendida, rs, vou tentar postar após o desafio, junto com algumas observações pertinentes que o pessoal fez aqui. Mais uma vez, agradecido e boa sorte no desafio pra você também.

  11. Catarina Cunha
    27 de dezembro de 2017

    Gosto de títulos curiosos e este é um deles. O forte deste conto é a personalidade distinta de cada personagem. O menino principalmente, bem complexo. A trama é cheia de clichês, mas estes são trabalhados no detalhe, o que dá volume ao drama. Final aberto ou BUG? Não sei, mas é um bom conto.

    • Alguém de Omelas
      27 de dezembro de 2017

      Olá, Catarina, agradeço pela leitura e pelo comentário. Sobre o final, pareceu aberto para alguns (que bom), mas ele desiste e não cura o pai, o pai que morra do que tem que morrer. Memento mori.

  12. Sigridi Borges
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas!
    Seu conto atendeu fielmente ao tema proposto pelo desafio.
    Os gêmeos possuem cada um seu superpoder. Lembrei-me dos “Super Gêmeos-Ativar: Zan e Jayna”. Claro que os superpoderes não se parecem em nada com os irmãos de seu escrito…
    Gostei de como você tratou a amizade e a cumplicidade entre os irmãos.
    Uma família onde o pai bate e machuca esposa e filhos, infelizmente é uma triste realidade.
    Confesso que fiquei muito triste pela morte de mãe e filha.
    Interessante você ter deixado um final aberto, em termos. Senti que o rapaz não matou o pai. Gostei do desfecho.
    Texto bem escrito, leitura de fácil compreensão.
    Parabéns!
    Obrigada por escrever.

    • Alguém de Omelas
      26 de dezembro de 2017

      Olá, Sigridi. Eu que agradeço pela leitura e pelo comentário. Quanto ao final, senti da mesma forma que você. Grande abraço e boa sorte nesse desafio.

  13. Rubem Cabral
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém.

    Um conto regular, em minha opinião. Parte de uma premissa não muito criativa: pai violento, gêmeos com poderes, mãe passiva. Os poderes são interessantes e poderiam dar origem a algo original, mas penso que foram subutilizados.

    O plot de matar a Lúcia, que poderia ressuscitar alguém morto, pareceu-me conveniente… Achei a cena da morte estranha e apressada: todos os ossos quebrados? Como assim? Luca não a consegue salvar, mas, caramba, quem quebra todos os ossos de alguém?!

    O final também me deixou frustrado, embora seja bom não entregar simplesmente uma terrível vingança.

    Quanto às escrita, ela é boa e funcional. Os diálogos foram razoáveis, às vezes um tanto explicativos.

    Abraços e boa sorte no desafio!

    • Alguém de Omelas
      26 de dezembro de 2017

      Olá, Rubem Cabral. Agradeço pelos apontamentos. Escrevi o conto correndo no último dia e acabei não dosando algumas coisas, como o exagero de mencionar “todos os ossos quebrados”. Certamente irei rever isso. Obrigado pela leitura.

  14. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Para mim não está inequivocamente claro se o personagem matou ou não seu pai, e isso eu considero positivo no contexto da narrativa que a partir do início segue no sentido de ele ser, desde a infância, estereotipicamente homem (“Sou um menino muito mau […]”) e sua irmã seguir o protótipo da menina de bom coração (“Não sei. Você é uma menina boa, já eu…”). A narrativa, portanto, sugeria um caminho conhecido, que até certo ponto foi seguido, com a morte da menina boa pelas mãos assassinas do pai, o homem mau adulto. O desfecho, porém, foge um pouco do óbvio assassinato do macho adulto (pai) pelo macho filhote e sucessor (filho) ao manter isso como hipótese, não como certeza absoluta. Assim, o personagem pode ter decidido a “[…] praticar mais o tal do carpe diem”, sentindo certo alívio, por ter matado o pai ou exatamente pelo oposto.

    O personagem, alegoricamente, mantém-se em estado de crisálida (pupa) desde a morte de sua irmã até o instante em que mata (ou não) seu pai (“Nunca me senti tão vivo depois da morte de Lúcia”), com todo o imobilismo que esse estado implica (“Naqueles dezoito anos me arrastei em vida”). A partir do encontro com a figura paterna, o alívio que sente é, alegoricamente, a etapa seguinte à crisálida. Pena que borboleta viva tão pouco.

    Em “[…] matei formigas só para arrancar suas pernas ao microscópio […]” usar AO na regência de ARRANCAR está equivocado porque ARRANCAR AO significa conseguir algo como resultado de muito esforço. Acredito que deva ter faltado alguma palavra no trecho.

    Em “Foi NAQUELA época que AQUELA vontade surgiu” há uma assonância um tanto desagradável.

    • Alguém de Omelas
      26 de dezembro de 2017

      Caro Eduardo, muito agradecido por suas impressões a respeito do meu conto, gostei muito de sua visão que apenas somou. Bom saber também que para você o final é aberto, isso é bom. Sobre as correções gramaticais também agradeço. Na questão do trecho das formigas, realmente faltou um termo, aliás vários! Era para ser algo como “…matei formigas só para arrancar suas pernas e poder depois olhar ao microscópio como ficaram…”, mas ainda assim fico em dúvida se eu estaria correto. Esse NAQUELA/AQUELA foi mesmo de doer! Agradeço novamente pelo comentário gentil e pelos apontamentos, de grande valia.

  15. Priscila Pereira
    25 de dezembro de 2017

    Superpoder: reviver os mortos e curar

    Olá Alguém, eu gostei muito do seu conto!! Está bem escrito, gostoso de ler, com uma boa descrição, ótimos personagens.
    A narrativa da morte da Lúcia arrancou lágrimas dos meus olhos… Mas sei que infelizmente essas coisas acontecem muito mais do que queremos acreditar… Imaginei de verdade o estrago que isso fez na vida de Luca. Gostei muito do final, não gostaria de ver o Luca se transformando em um assassino, e não acho que ele tenha matado o pai, deixando de cura-lo, ele foi justo… Parabéns pelo ótimo trabalho e boa sorte!

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Querida Priscila, Rainha do Deserto. Que linda, você! Um poder de síntese enorme nesse seu comentário. Como conseguiu dizer tanto do meu conto em tão poucas linhas? Saiba que, sobre a morte de Lúcia, nossa, como foi difícil pra mim também. Obrigado por compartilhar essa sensação. E você, como mãe, eu não esperaria outra coisa, sobre essa questão da realidade ser tão dura. Mais uma vez, muito agradecido mesmo por seu comentário, por suas palavras. Feliz Natal e boa sorte nesse desafio!

  16. Luis Guilherme
    25 de dezembro de 2017

    Boa noiteeee, tudo bão?

    Caramba, que contão! Muito bom!

    Sua escrita é impecável, gramaticalmente, estruturalmente. Tem também uma beleza estética incrível. É muito poética, flui naturalmente, e a leitura pra mim foi como um bailar ou o bater de asas das borboletas, que você tanto citou.

    Não notei excessos, e a riqueza do vocabulário também foi marcante.

    E por aí segue com ótimos personagens, ótimos diálogos, muito reais e marcantes, e um excelente enredo.

    O mais interessante é que o superpoder aparece, de forma criativa e enigmática, mas não assume o protagonismo do conto, uma vez que os próprios poderes são “distribuídos” aos irmãos, mas de modo que cada um não possa usá-los no momento crucial. É quase como uma má-vontade do destino ahahahah.

    A personalidade meio sádica do garoto, causada pelos maus tratos do crápula do pai, foi bem construída. Porém, devo dizer que achei que estava um pouco exagerada pros 10 anos. Entendo que alguém que passa por maus tratos acaba amadurecendo antes da hora, mas achei a personalidade dele adulta demais pra idade. Por exemplo, o desejo de ganhar na mega sena, e os instintos meio assassinos do garoto. Achei tudo um pouco exagerado pra idade, e acredito que, se os gêmeos tivessem uns 15 anos no início da história, ficaria mais plausível.

    Claro que são opiniões pessoais, não que você tenha que seguir.

    Enfim, a personalidade dele se desenvolve muito bem, atingindo o ápice na morte da mãe, que poderia ter sido evitada, mas não foi, sem causar arrependimentos.

    A morte do pai foi bem construída e convenceu.

    Enfim, belo trabalho! Parabéns e boa sorte, boas festas!

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Olá, Luis Guilherme! Primeiramente, muito agradecido por ter gostado do meu conto a ponto de produzir esse comentário tão bonito e que me fez sentir já estar premiado, por tantas avaliações maravilhosas que meu conto produziu, a sua entre elas. Então, quanto à personalidade madura do garoto, não se esqueça que quem narra é o Luca adulto e ele não narraria de forma infantil. Então todas as reflexões do conto são do homem Luca, do adulto Luca. Então eu o construí de uma forma que, pensando aqui, ele não teria nem como nos diálogos evocar a linguagem infantil. Foi assim que pensei para construir a narrativa do Luca. Mais uma vez agradeço a você, inclusive pela oportunidade de poder refletir aqui sobre a narração do adulto Luca. Boas festas pra você também e boa sorte pra você nesse desafio.

      • Luis Guilherme
        25 de dezembro de 2017

        legal! Faz mto mais sentido pensar q eh o Luca adulto que narra! Nao tinha pensado por esse lado.

  17. Rafael Penha
    25 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante e fluida. Sem problemas de gramática que tenham me atrapalhado.

    3- Estilo – Um conto triste, mas bem trabalhado e bem descrito. A descoberta dos poderes foi um ponto alto na descrição aliado aos sentimentos do garoto.

    4- Roteiro; Narrativa – Um enredo não muito original, mas com seu toque no casal de irmãos. A personalidade dos dois é bem desenvolvida e evolui ante a terrível situação em casa, que tantas famílias devem passar. Achei o pai matar a mãe e a filha daquela forma um tanto brutal e inverossímil. O sentimento final, foi o típico heróis que se depara com o dilema da vingança.

    Resumo: Conto bem escrito, mas poderia ter envolvido mais os superpoderes dos irmãos na trama.

    Grande abraço!

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Olá, Rafael, tudo bem? Então, primeiramente te agradeço muito pelo comentário e pelas observações que fez, percebe-se sua leitura atenta. Sobre você achar a forma da morte da irmã e mãe brutal e inverossímil: concordo com a brutalidade e, creia, tentei suavizar da melhor forma possível, acreditando que era preciso que a coisa fosse brutal até para não contradizer a personalidade do pai, tão violenta. E de mostrar o quanto a mãe estava errada em achar que tudo ia ficar bem, tudo só ia melhorar. Quanto a ser inverossímil, preciso discordar. A realidade me mostrou, eu tendo trabalhado diretamente com uma população que presencia coisas até piores, que isso é infelizmente muito comum. Já acompanhei casos de crianças que foram estupradas, esquartejadas, queimadas por pessoas que só deveriam protegê-las. Essa é uma realidade onde infelizmente não há superpoderes que possam salvar as vítimas. Perdi as contas de quantas vezes quis fazer justiça com as próprias mãos, como dizem por aí, não chegando a matar, porque isso seria até pouco. Mas quantas vezes quis fazer o agressor-assassino-monstro sentir tanto ou mais dor ainda do que provocou às crianças, isso eu não nego e nunca negarei.

      Quanto a envolver mais os superpoderes na trama, tentei não sobrepor o simples uso dos poderes ao do enredo. Eu queria que os dramas familiares e o conflito existencial de Luca se sobressaíssem e assumo isso.

      Grande abraço e boa sorte pra você nesse desafio!

  18. Pedro Paulo
    25 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Em outros contos, vi a história ser introduzida com o momento em que a personagem reconhece o próprio poder. Alguns dos autores deram continuidades ao momento com outras demonstrações do poder em situações diferentes, a fim de expor seus pontos positivos e negativos, outros resolveram contar uma história só e específica, a partir dessa primeira cena que nos é revelado o poder. E alguns também acabaram deixando a cena deslocada no conto, sem abordá-la em outros momentos e a deixando expositiva, apenas para dizer: começou aí. Felizmente, este conto nos diz bastante coisa em seus primeiros momentos, quando a personagem descobre o próprio dom. Nessa primeira cena, aprendemos sobre as relações dessa trágica família: a oposição de caráter entre o protagonista e a irmã, com a qual partilha um amor mútuo; a relação com a mãe, que excede a maternidade e é a de vítimas conjuntas; e, enfim, a penúria que passam nas mãos do pai violento.

    Com essa primeira cena e os personagens bem delimitados, sabemos também dos poderes. Devo destacar o momento em que o protagonista acaba descobrindo o próprio dom e o revela para a mãe, entendendo que era um segredo só deles. Faz a relação deles ainda mais importante, pois eles só tinham um ao outro. Com isso, a morte da mãe e da irmã vem com um grande impacto, principalmente quando ele poderia ter evitado as mortes com o próprio dom.

    Felizmente, o autor fez dessa a sua história, sem estender muito depois daí, narrando o breve reencontro do protagonista com o pai e sem realmente nos dizer o que aconteceu, deixando claras as suas vontades assassinas e o seu intuito depois disso: viver tranquilamente. Eu jamais reclamaria de um final aberto, pois compreendi que a pretensão do autor foi nos situar o impacto de um trauma de infância na vida de um homem com dons especiais, um que nunca esqueceu o que aconteceu e que viveu esperando uma resolução para aquilo, até consegui-la. É um bom domínio da trama. Parabéns!

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Olá, Pedro Paulo, outro que se chama Paulo e que digo que o significado desse nome não combina com a análise que fez do meu conto. E por isso, só tenho a agradecer, muito, pelo que expôs aqui. Já é uma grande vitória, acredite. Fico muito grato pela leitura que fez da minha história e te desejo muito boa sorte nesse desafio.

  19. Paula Giannini
    24 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Embora estejamos em um desafio que nos convida ao fantástico, seu texto trata de um tema tristemente real.

    É triste pensar que a realidade pode ser bem mais dura que a ficção. Sim, há pais que fazem, com seus próprios filhos, o mesmo que houve com a pequena menina. Sim, há homens que matam a própria família e depois se entregam à pena. Sim, há crianças que brincam no jardim enquanto os pais se matam, não por omissão (pois isso sim seria inverossímil em uma criança) mas por não saber ao certo como lidar com a dualidade de o agressor ser, justamente, o que deveria (e em alguns momentos até é) ser o seu protetor. Já convivi com isso em inúmeras ocasiões, por conta de trabalhos com teatro infantil. É triste, é duro.
    O conto é muito bem conduzido e traz o poder (tema do desafio) para o personagem menino, trabalhando, justamente com um aspecto familiar a todos.

    O sentimento de impotência.

    Nada mais humano. Todos sofremos com esse sentimento em alguma passagem de nossas vidas, e a morte é o mais emblemático desses momentos. Estamos de mãos atadas diante de sua inevitabilidade. Quando somos abatidos por uma perda, sempre imaginamos ter o poder da cura, da reparação, e eis que o(a) autor(a), confronta o leitor com um protagonista que, mesmo possuindo um super poder, nada pode fazer diante da força da morte.

    Assim, percebe-se por trás das palavras, um(a) autor(a) consciente do que faz, do que quer.

    Sensação esta, reforçada, ainda, ao se chegar ao final do conto… O desfecho não poderia ser outro. Isso se chama coerência. Coerência com o título e com aquilo que ele quer dizer. Um dia todos a encontraremos. E com o pai, não seria diferente. Tudo que o filho fez foi não interferir em seu destino.

    Parabéns

    Desejo-lhe sorte no desafio

    Beijos

    Paula Giannin

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Cara Paula, o significado do seu nome não combina com você. Como alguém pode ser tão querido ao fazer o comentário sobre o texto de outra pessoa. Esteja certa, você me emocionou com tudo o que escreveu a respeito do meu conto. Poderia dizer que não mereço tanto, mas se agisse de tal forma eu desmereceria tudo o que escreveu. Só me resta a alegria de aceitar seu comentário e para isso não preciso que peça duas vezes. Agradeço pelo presente de Natal. Um grande beijo e também lhe desejo muita sorte nesse desafio.

  20. Felipe Rodrigues
    24 de dezembro de 2017

    O texto tem potencial para crescer, digo isso pois há uma história muito boa e personagens cativantes, mas senti falta de cenário, coisas e objetos marcantes que, embebidos pela ótima narrativa, pudessem trazer associações, sensações, pois aí tudo seria triplicado, tanto no que se refere à trama como à relação leitor e personagens. Também não há muitos diálogos e, os poucos que tem, poderiam parecer mais naturais. Enfim, bom conto mas que pode ficar melhor.

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Olá, Felipe, minha escrita costuma ser assim mesmo. Eu me atenho mais aos personagens que a descrições ambientais, cenários etc. Pelo menos acabo fazendo isso em contos, como se neles não houvesse muito espaço para isso. Acabo fazendo isso quando escrevo novelas ou romances. Talvez seja um tipo de controle meu, pois tenho a tendência a divagar sobre isso. Quanto aos diálogos, justifica-se por serem parte da lembrança do Luca, que é quem está contando a história, não acho que em uma lembrança ele pudesse dar tantos detalhes ou narrar diálogos de forma tão qualitativa. Mas agradeço muito pelo comentário, se for ampliar a narrativa, certamente seus questionamentos serão muito úteis. Boa sorte no desafio pra você.

  21. Bia Machado
    24 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Gostei muito. O conto me surpreendeu durante o desenvolvimento. Mesmo não fazendo a divisão, ele tem no mínimo três partes distintas.
    – Ritmo: 1/1 – Bom ritmo empregado, tanto que li de uma vez só. Uma passagem de uma parte à outra de forma coerente.
    – Personagens: 1/1 – Os irmãos me cativaram. Eles levaram o conto até o final. Mesmo com o que aconteceu à Lúcia, é impossível não sentir sua presença após o ocorrido, na lembrança tão viva do irmão.
    – Emoção: 1/1 – Simplesmente amei a história. Daqueles contos que eu gostaria muito de ter escrito.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Bem adequado.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que atrapalhasse a leitura.

    Dica: Pra mim, só uma: desenvolver um pouco mais a história, pois me pareceu ainda haver mais espaço para dar vazão a Luca e também para Lúcia sobreviver um pouco mais na história.

    Frase destaque: “E era muito bom partilhar aquilo, ter algo só de nós três, mantendo papai de fora, sem nada saber.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Cara Bia, agradeço muitíssimo pela análise, só de dize que gostaria de ter escrito o conto já me sinto feliz por ter feito isso. Sobre a dica, tentarei aplicá-la, pode estar certa disso.

      • Bia Machado
        25 de dezembro de 2017

        Obrigada pela resposta, Alguém! 😉

  22. Givago Domingues Thimoti
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas!

    Tudo bem?

    O conto é forte e muito bem escrito. Não notei nenhum erro gramatical. A construção dos personagens foi muito bem feita. Acredito que o personagem sofra da famosa Síndrome da Vítima, na qual a pessoa se sente culpada.

    Destaco o background do texto, em especial, a violência que as crianças sofriam. Muito boa a escolha.

    Parabéns e boa sorte!

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Caro Givago (esse livro me traz boas lembranças! E o filme também!), agradeço a você pelo comentário e por ter gostado de meu conto. Fica aqui também o meu desejo de boa sorte nesse desafio.

  23. Estela Goulart
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas. Primeiramente, o seu conto é muito interessante. Achei linda a relação entre os irmãos, e a morte da família do menino tocou no coração. Queria que ele pudesse curá-las, acho que por isso consegui sentir a raiva que ele tinha do pai. Não encontrei erros de português (mas não sou ninguém para falar disso, apenas acho) e se adequa ao tema. Parabéns e boa sorte.

    • Alguém de Omelas
      25 de dezembro de 2017

      Olá, Estela! Agradeço a você pelo comentário gentil. Também te desejo boa sorte no desafio.

  24. Andre Brizola
    22 de dezembro de 2017

    Salve, Alguém!

    Gostei do conto! os dois irmãos tem poderes semelhantes, mas com diferenças capitais. O foco em cima de Luca, que aparentemente já tem uma personalidade um pouco mais “desviada” foi uma escolha interessante. A decisão de não curar o pai tem raízes nesses indícios de personalidade, além da vingança pura e simples.
    A violência doméstica da família acrescenta dramaticidade ao roteiro, e ajuda a aproximar o personagem principal do leitor. Não vi excessos na parte dramática, entretanto. Há um equilíbrio interessante entre Luca criança, inocente mas já inclinado ao mal, e o Luca adulto, altruísta mas com a capacidade de matar já bem instalada.
    Como ponto baixo cito o final, um pouco confuso. Luca não quer curar o pai, sabe que o deixar doente é garantia de que ele sofrerá bastante até a morte, ouve de seu pai que o assassinato seria um favor, e ainda assim o mata? Achei realmente confuso.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Alguém de Omelas
      23 de dezembro de 2017

      Olá, Andre! Muito grato por seu comentário. Quanto ao final, já é o segundo que diz não ter entendido o que ele fez. Ele ia matá-lo, mas quando viu que o pai estava doente, desistiu, pois “memento mori”, ele morreria de qualquer forma. E como ele tinha o poder de curar, sim, ele o matou de alguma forma. O superpoder de Luca, caso não existisse, não faria diferença. De alguma forma, Luca jogou o bola para o destino. Vou rever essa parte aí, pra não deixar dúvidas disso. Valeu!

      • Alguém de Omelas
        23 de dezembro de 2017

        *jogou A bola

  25. Juliana Calafange
    22 de dezembro de 2017

    A ideia dos irmãos gêmeos com superpoderes complementares é muito boa. O começo do conto deixa o leitor curioso, querendo saber onde vai dar aquilo, eles descobrindo seus poderes e escondendo-os do pai violento.
    Mas depois, a meu ver, a história perde um pouco o foco. De repente ocorre essa morte da mãe e da irmã. A passagem é confusa, tive que reler para entender quem morreu, quem ainda estava viva, se ele se revoltou ou se resignou… Depois um salto no tempo para 18 anos depois, não fica claro se o Luca virou curandeiro ou se formou e medicina.
    O final também é confuso, a meu ver, não arremata bem o conto. Eu fiquei me perguntando: Ele então se vingou matando o pai após 18 anos e, depois dessa desgraça toda, foi ser feliz na praia no Posto 8? O que o tal ‘memento mori’ tem a ver com isso?
    Acho que o conto tem um problema de foco narrativo e de estrutura. O drama desse personagem também poderia estar mais bem elaborado, para provocar empatia do leitor.
    Boa sorte!

    • Alguém de Omelas
      22 de dezembro de 2017

      Olá, Juliana, tudo bem? uma pena que o conto não tenha provocado empatia em você. É aquela coisa, não dá para agradar a todos, compreendo perfeitamente. Sobre a passagem de tempo ser confusa, foi uma pena que sua leitura do conto tenha lhe passado isso. Vou dar mais atenção a isso, agora que alguém finalmente comentou a respeito, achei que não havia esse problema, pelos comentários anteriores. Sobre ficar claro ou não se ele se formou em medicina ou é curandeiro, bem… como assim? No conto Luca chega a comentar sobre seus pacientes, sobre o plantão no hospital, que ele costumava ir para a praia quando saía de um deles… Uma pena que você não tenha se atentado a esses detalhes, o Luca não seria frio a ponto de matar o pai e ir ao Posto 8. Ele foi para lá justamente porque desistiu da ideia. E é aí que está o “memento mori”, o pai vai morrer, é uma certeza, ele não precisaria fazer nada. Enfim, é uma pena ter que te explicar essas coisas, dá uma sensação de incapacidade em mim que você não imagina, por mais que os outros tenham compreendido diferente de você. Mas cada leitor é um leitor diferente para o autor. De qualquer forma, valeram as reflexões sobre foco narrativo e empatia.

  26. Higor Benizio
    22 de dezembro de 2017

    Toda a parte em em que as crianças vão descobrindo seus poderes foi muito gostosa de ler, muito bem feito. Mas de depois a sensação foi: “Ta bom, mas e aí?”, o conto passa e a sensação não vai embora. Um bom exercício pode ser dar um enxugada, dando-lhe uma “coluna vertebral” mais nítida.

    • Alguém de Omelas
      22 de dezembro de 2017

      Olá, Higor, agradeço pela dica e pelo comentário.

  27. Edinaldo Garcia
    22 de dezembro de 2017

    Memento Mori (Alguém de Omelas)

    Trama: Irmãos descobrem possuir poderes, mas ainda assim vivem a sina de um pai violento e sem escrúpulos.

    Impressões: Conto cujo carisma das personagens principais infantis já nos arrebatam nos primeiros parágrafos. Como não gostar dos gêmeos dóceis, maltratados pelo pai abusador e uma mãe fraca e resignada? O drama muito bem construído, sem apelos. Senti que faltou um pouco mais característica ao protagonista na fase adulta, pois, embora tenha crescido sua personalidade não difere muito de quando era criança – talvez se todos nós fôssemos assim o mundo seria um lugar melhor. “Então disse Jesus: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas’”. Mateus 19:14

    Linguagem é escrita: Muito boa. Não detectei erros e gostei bastante da fluidez.

    Veredito: Excelente conto.

    • Alguém de Omelas
      22 de dezembro de 2017

      Oi, Edinaldo, tudo bem, irmão? Então, primeiro te agradeço pelo comentário, muito gentil. A respeito da personalidade do Luca, tentei manter a mesma durante o conto todo, pois pensei: “é o Luca adulto quem narra a história”. Então pra mim até quando tinha a fala do Luca criança, era produzida pelo Luca adulto. Isso ficou meio estranho, explicando assim, não ficou? Acho que ninguém comentou sobre isso, mas você apontando isso eu já vou dar uma trabalhada melhor nessa questão. No mais, gratidão pelas palavras.

  28. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Curar ou não curar, eis a questão. Gostei do conto. A adequação ao tema é perfeita. O conto relata a história de dois irmãos que têm o poder de curar. Tem uma vertente real, a da triste violência doméstica. Neste capítulo, o conto cai num cliché – a violência devia estar mais contextualizada. Como em todo o bom conto que se preze, existe aqui uma transformação. A personagem aprende a lidar com os seus poderes, fazendo deles o seu modo de vida, algo que ainda não tinha visto neste desafio. Além disso, descobre que a melhor vingança para quem tem o poder de curar é, precisamente, não o fazer.

    • Alguém de Omelas
      22 de dezembro de 2017

      Olá, Jorge. Agradeço pelo comentário. Sobre a parte que ficou clichê, a violência que não ficou a seu ver tão contextualizada, assumo que queria deixar a coisa o “mais leve” possível, sem pesar muito a mão, quis colocar apenas o suficiente (o que pensei ser, pelo menos) para o leitor compreender a situação.

  29. Bianca Amaro
    21 de dezembro de 2017

    Olá Alguém de Omelas (pelo jeito gosta de Ursula K. Le Guin, não é?)!!

    Primeiramente, o parabenizo pelo texto que escreveu. É uma história triste, mas que (como grande parte das histórias tristes) trazem uma mensagem. Uma trama pesada, porém muito boa.
    Pelo que vi, você conseguiu muito bem criar personagens marcantes e situações envolventes e adequadas para eles. Foi o que achei. O leitor sente um ódio tremendo pelo pai, fica sensibilizado com a morte da irmã e consegue se colocar no lugar do personagem principal, entendendo as atitudes que ele tomou. Ao menos foi o que aconteceu comigo. Isso é talento puro, se quer minha opinião.
    A narrativa é boa, envolvente e flui livremente, sem precisar usar palavras difíceis que, em alguns casos, podem dificultar a leitura.
    Eu gostei de quando ele disse “Se eu soubesse que nunca mais veria minha irmã viva, não teria ido” e os questionamentos que ele teve (ótimos questionamentos, muito adequados para a situação). Isso deu um clima de mistério, o que faz você não conseguir parar de ler para entender melhor o que acontecerá a seguir.
    Foi realmente uma tragédia o que aconteceu com a irmã e a mãe. É triste pensar que coisas assim ocorrem na vida real, não só em contos… Pelo menos, o pai foi preso.
    Mostrar o sentimento de culpa do personagem também foi bem legal, é o que sempre ocorre com pessoas com superpoderes. Podem salvar a outros, mas não a quem eles amam.
    Mas teve uma coisa que eu não entendi muito bem. Em um momento do conto, mostra que ele queria livrar a mãe da violência do pai. Ok. Mas quanto ela iria morrer, ele fica com raiva dela e decide não salva-la? Como ele mudou de ideia tão rapidamente? Isso me confundiu um pouco.

    Mais uma vez, eu o parabenizo pelo seu texto e desejo boa sorte nesse desafio!!!

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Olá, Bianca! Sim, gosto muito dos contos da Ursula, esse sobre Omelas é meu preferido. Ainda não li nenhum romance dessa escritora, mas já estou me programando para isso. Agradeço por suas palavras gentis, ler seu comentário foi como estar recebendo um carinho. Lê-lo foi como um presente.

      Sobre a sua dúvida, ele tentou encostar na mãe para salvá-la, mas como ela estava na maca, foi impedido pelos médicos. Depois, com raiva dela, por tantas vezes ter pedido a ela que fossem embora e ela sempre amenizava a coisa, deixou a raiva falar mais alto e acabou atribuindo uma parcela de culpa da mãe na morte da irmã. Uma raiva não contida naquele momento. Desculpe por não ter ficado muito claro, mas sua dúvida servirá de parâmetro para eu saber onde preciso trabalhar mais o conto. Mais uma vez, obrigado! Boa sorte pra nós!

  30. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Gostei muito do seu conto, suportado por uma escrita fluída e descontraída. Você têm uma excelente capacidade de transmitir as emoções dos personagens. Eu de ler o seu conto senti também muita raiva do pai.
    Gostei de como criou um “herói” que ao contrário do habitual, não é bondoso ou complacente com todos. Ele tem também a sua sede de vingança, e que bem que soube no final do texto.

    Muitos parabéns pelo texto, e obrigado por ter escrito!

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Olá, fico muito grato por seu comentário, feliz por sua leitura. Boa sorte para nós nesse desafio.

  31. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de dezembro de 2017

    Menino, que conto denso! Que reflexão!
    Superpoder de gêmeos: curar/ ressuscitar animais e flores.
    Um retrato da realidade de filhos criados em ambiente de violência doméstica. Uma vida de medo, de insegurança, de fuga, de terror. E que, por mais que o tempo passe, a dor não cicatriza. Texto primoroso, o autor é craque, sabe tudo sobre linguagem. Escrita que ressoa no íntimo, que tira o sossego, mas que é feita de maneira singela, meiga. Pena que esta realidade não seja caso esporádico, esta é a vida de muitas crianças que nascem sem pedir. Chegam ao mundo em meio a famílias desestruturadas e precisam criar casca contra as dores. Inocentes.
    Parabéns, Alguém de Omelas!
    Boa sorte!

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Muito feliz com seu comentário, Regina. Não só pelos elogios, mas também pela reflexão, acho que esse texto é um dos que pede isso, essa discussão, uma interação em torno do que ocorre no enredo. Grato por compartilhar suas impressões. Boa sorte para nós!

  32. Antonio Stegues Batista
    20 de dezembro de 2017

    Achei um bom enredo, os dois irmãos que descobrem, ainda crianças, seus superpoderes. um de voltar a dar vida ao que já está morto, o outro, o poder de curar. Então, o foco da história é a tragédia familiar. O pai que mata a mãe e a irmã de Luca e ele não pode curá-las. O pai é preso e condenado, alguns anos depois, doente, o filho se nega a curá-lo e ele morre.O final não poderia ser outro.
    Mas em certos casos, a morte é liberdade para alguns homens maus. Castigo mesmo seria ele chegar aos cem anos sofrendo, encerrado num calabouço, sem ver a luz do sol. Boa sorte.

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Olá, Antonio, concordo com você, quanto a alguém ter que sofrer muito em troca do mal feito a outras pessoas. Não sou a favor da pena de morte, mas gostaria que esses criminosos do tipo sofressem na pele o que causaram a alguém. Sei que posso estar errado, mas é o sentimento que tenho. E espero que depois desse encontro com Luca, o pai tenha vivido um bom tempo ainda, sofrendo.

  33. Fheluany Nogueira
    20 de dezembro de 2017

    Superpoder: curar, reviver animais mortos (irmãos gêmeos).

    Enredo e criatividade: Ambientação e personagens bem construídos, o tema da violência doméstica e revolta dos filhos apresentados de forma verossímil e crível. O foco narrativo de primeira pessoa deixou entrever o lado positivo e negativo do protagonista, mostrando uma personalidade bem humana. O desfecho, para mim foi impactante, porque se o filho não atirou no pai, também não o curou com o seu poder — da mesma forma um assassinato.

    Estilo, linguagem e assunto bem amarrados. Texto forte, instigante, bastante emotivo, porém sem melodrama. O título e pseudônimo sugerem intertexto com a música e o conto e enriqueceram a trama. Li de uma só vez, sem tropeços. Gostei muito da ideia e da execução. Excelente trabalho! Abraços.

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Estou super contente com seu comentário, Fheluany, feliz por ter gostado, obrigado!

  34. Miquéias Dell'Orti
    18 de dezembro de 2017

    Oi,

    Gostei bastante 🙂

    O personagem Luca está muito bem construído. Sua personalidade rebelde, de adolescente mesmo, com aquela falta de paciência até comum diante das situações, um imediatismo que só quem é mais jovem tem de tudo acontecer. Ficou ótimo… e como seu estilo é simples e sem floreios achei que a forma como suas características foram expressas ficaram melhores ainda.

    Gostei do contexto abordado no enredo… muito interessante esse fato de que, às vezes, ter poder não importa muito quando você não consegue proteger os que ama (bem, pelo menos foi essa uma das principais características do enredo, para mim).

    Só não gostei de pagar a promessa da morte da mãe e da irmã antes do ato em si… acho que seria mais impactante narrar ele descobrindo sobre a morte da irmã do que antecipar isso na narrativa, mas… questão de gosto só… da forma como você expôs ficou muito bom.

    O final de certa redenção, principalmente por não ter findado com o pai, chegou a ser surpreendente (eu acreditava ferozmente que ele ia dar cabo do velho).

    Parabéns pelo trabalho!

    • Alguém de Omelas
      21 de dezembro de 2017

      Alô, Miquéias. Menino, muito feliz com seu comentário! Estava certo de que já tinha comentado, mas sumiu. Terá ido para o lixo? Enfim, grato pela análise. E quanto à antecipação da morte da mãe e da irmã, escrevi da forma como pensei. Se tivesse deixado para o dia seguinte, ou tivesse mais tempo para revisar, talvez não escrevesse dessa forma. Agradecido, mais uma vez.

  35. iolandinhapinheiro
    17 de dezembro de 2017

    Que conto triste, menino. Fico imaginando a frustração do garoto com a mãe e a irmã ao alcance das mãos e sem poder curá-las.

    Seu texto é lindo, fácil de ler, envolvente e intenso. Os personagens das crianças ficaram muito bem construídos. Não percebi nenhum erro gramatical. Houve uma perfeita adequação ao tema, o conto é fofo sem ser apelativo.

    O único porém é que eu achei o menino um pouco frio diante de toda a tragédia que se abateu sobre ele. Ainda assim um conto muito bom. Parabéns e boa sorte. melhores.

    • Alguém de Omelas
      17 de dezembro de 2017

      Olá, Srta. Iolandinha, fico agradecido por vosso comentário, pelas palavras. Serei eu realmente merecedor de tudo isso? Agradeço imenso, de verdade. Quanto ao porém: foi o que mais me incomodou também e isso acontece quando narro em primeira pessoa, fico pensando se estou de acordo com essa personagem, se consegui entrar “na pele”. E Luca me pareceu, já que ele narra tudo quando adulto, ainda um tanto amargurado com a coisa toda. Também tenho receio de ser melodramático demais. Mais uma vez, grato. E esse “melhores” no final do seu comentário, refere-se a quê?

      • iolandinhapinheiro
        17 de dezembro de 2017

        Eu ia escrever que o seu conto estava entre os melhores que eu li, mas acho que fui arrumar a frase e a esqueci, e o comentário foi publicado só com a palavra melhores. Perdão. Beijos.

    • Alguém de Omelas
      17 de dezembro de 2017

      Ah, sim, mais uma vez agradeço, minha jovem. Fizeste um escritor feliz hoje!

      • Iolandinha Pinheiro
        18 de dezembro de 2017

        Você deve gostar de Ficção Científica. O seu pseudo tem ligação com o conto – Aqueles Que Se Afastam de Omelas de Ursula K. Le Guin, não é?

    • Alguém de Omelas
      18 de dezembro de 2017

      Gosto muito de ficção científica. Da Ursula só li contos até agora, gosto muito desse em especial. Em breve vou ler “Os Despossuídos”, estou animado.

  36. angst447
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Alguém de Omelas, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.
    A linguagem empregada revela clareza e alcança o objetivo de retratar uma situação bem dramática. O que não falta neste texto é drama, mas sei que a realidade pode ser ainda pior do que o retratado aqui.
    O ritmo é muito bom, fazendo com que a leitura flua facilmente e a narrativa prenda a atenção.
    Fiquei curiosa quanto ao desfecho da relação pai e filho, mas não me surpreendi com a escolha do protagonista.
    Se houve falhas na sua revisão, deixei passar pois estava envolvida demais com a narrativa.
    Boa sorte!

    • Alguém de Omelas
      17 de dezembro de 2017

      Olá, Angst447. Fico demasiado agradecido por suas palavras. Saber que meu texto a envolveu de tal forma que não percebeu erros, deixando-o passar, é um grande elogio, estou envaidecido, mas decerto há coisas que deixei passar. Boa sorte para você também, minha jovem.

  37. Paulo Ferreira
    16 de dezembro de 2017

    Bastante interessante a temática do conto ao envolver problemas reais de violência doméstica com poderes juvenis. E o desejo de livrar a mãe da violência paterna. — o que transparece uma vontade real de todas as crianças que vivem esse problema em família —. Uma narrativa que evolui com destreza de quem escreve bem. O enredo é bom, mas achei pouco complicado o desfecho. As crianças têm um perfil bem construído, entretanto a mãe, e principalmente o pai, não ficaram a contento.

    • Alguém de Omelas
      17 de dezembro de 2017

      Muito grato por seu comentário, Paulo, anotado a respeito do desfecho, tentarei trabalhar nisso, agora sem pensar na questão do espaço, ou do prazo. Quanto ao perfil do pai e da mãe, não foi minha intenção deixá-los de forma vaga. Talvez se eu tivesse mais tempo, eles sairiam de outra forma, mas agradeço muito a observação. E só para constar, não fui eu quem negativou seu comentário. Mais uma vez te agradeço e boa sorte no desafio pra você.

  38. Neusa Maria Fontolan
    15 de dezembro de 2017

    A violência doméstica é algo que me traz recordações tristes. Tremo só em pensar.
    O conto está perfeito, menos na parte em que as crianças brincam no quintal enquanto a mãe apanha dentro de casa. O provável (e sei o que digo) seria eles estarem encolhidos, assustados e escondidos em um canto, só aguardando o pai sair.
    O conto é bom com boa fluidez.

    Parabéns e obrigada por escrever

    • Alguém de Omelas
      16 de dezembro de 2017

      Também tenho recordações muito tristes nesse sentido, Neusa. Quanto à reação das crianças, pode parecer estranho, mas pode acontecer. Vi isso muito quando fiz estágio na parte de Assistência Social, quando acompanhava as assistentes sociais que atendiam às denúncias que chegavam ao Conselho Tutelar. Não foi uma vez e nem duas que encontramos crianças brincando na rua e quando perguntávamos onde estavam os pais, diziam: “Tão ali dentro, mas não entra agora não, tio, espera acabar a briga”, muitas vezes o pai ou a mãe mandava eles saírem. Cada um reage à sua maneira a uma situação dessas e é marcado de forma diferente, que não podemos prever, ainda que pertencentes à mesma família. Grato pelo comentário e pelas palavras.

  39. Olisomar Pires
    15 de dezembro de 2017

    `Pontos positivos: leitura fluida, envolvente, texto limpo e direto. Personagens bastante críveis e próximos.

    Pontos negativos: um pouquinho dramático, mas entendo que nesses casos não tem como fugir dessa dramaticidade.

    Impressões pessoais: poderia ser algo que acontecesse rotineiramente.

    Sugestões: mostrar mais a decadência do homem.

    E assim por diante: um texto forte e um tanto triste em função da dura realidade retratada.

    Parabéns pela bela criação.

    • Alguém de Omelas
      16 de dezembro de 2017

      Agradecido pelo comentário, Olisomar. Só não entendi o item impressões pessoais. Agradeço pela sugestão, para quando não houver um limite como houve dessa vez.

      • Olisomar Pires
        16 de dezembro de 2017

        Referia-me ao poder de curar .

  40. Mariana
    15 de dezembro de 2017

    Uma história sobre família interessante, mostra que o perdão (para com os outros e para consigo) é bem mais complexo que uma palavra. O poder de cura, ao mesmo tempo o desejo de morte do garoto, também me fizeram pensar. A questão de relacionamentos abusivos é bastante complicada, mas como essa mulher poderia dizer que entende esse homem? Bom, como os colegas já colocaram, o autor criou personagens reais e isso é bem difícil. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

    • Alguém de Omelas
      16 de dezembro de 2017

      Pois é, Mariana, infelizmente a realidade mostra que a maioria das mulheres está disposta a perdoar, tem esperança de que tudo aquilo vai terminar. Posso te dizer porque infelizmente tive vários exemplos como esse na família. De tia, prima, madrasta, achar, tal qual aquela música “…daqui pra frente, tudo vai ser diferente…”. Ao menos não chegaram às vias de fato. Mas é triste.

  41. Gustavo Araujo
    14 de dezembro de 2017

    O que mais me atraiu neste conto foi a construção do protagonista. É alguém que possui não só qualidades, mas também defeitos, o que o torna dolorosamente real. A (inexistente) educação que recebeu, aliada à atmosfera violenta em que sempre esteve inserido justificam sua revolta, seu desejo de vingança, seu desprezo pelo pai. Quando o conto se iniciou e as crianças foram apresentadas – cada qual com seu poder – imaginei que o conto seguiria por aí, tratando da relação de irmãos com poderes especiais. Por isso foi uma surpresa gigante ver a menina morta, junto à mãe, ainda no meio do texto. Lembrou-me do “Psicose” do Hitchcock, em que a personagem principal morre no primeiro terço do filme. Bem, voltando ao conto, destaco também a maneira envolvente como o eu-leitor é tragado pelo texto e, principalmente o arremate bem estruturado, em que, a meu ver, o agora rapaz (ou homem) deixa de dar cabo do pai por acreditar que a vida dele cessará em breve, seguindo um curso natural – o que também pode ser entendido como assassinato, já que ele tinha a capacidade de curá-lo e não o fez. Enfim, um conto muito bom. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Alguém de Omelas
      16 de dezembro de 2017

      Agradecido pelo comentário, Gustavo, e pela generosidade na avaliação.

  42. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Somos todos mortais. Borboletas de asas partidas, e o título não só me remeteu a isso, mas a literatura barroca, a nos lembrar da dualidade que somos – bem e mal, certo e errado, sagrado e profano. Tem um pouco disso no seu texto. Gostei da construção dos personagens, apenas gostaria que Lucas surgisse como alguém que, nos 18 anos que se sucederam, tivesse se transformado em algo diferente, que houvesse algum crescimento dele como personagem. Contudo, está muito bom. De qualquer maneira o conto passou aquilo ao qual o autor se propôs. Eu não detectei erros graves na construção. O roteiro é bom, mesmo na parte dramática. Um pormenor… Sobre a vida das borboletas – mesmo sabendo que existem mais de 160 mil espécies no mundo – você pode considerar 2 semanas como um tempo bem definido – pouco mais, pouco menos.
    Boa sorte no desafio.

    • Alguém de Omelas
      11 de dezembro de 2017

      Cara Evelyn! Tens o nome de uma prima minha, muito querida. Sobre Luca, penso que cada um reage de alguma forma a essas coisas, à violência. Eu tinha duas formas de construí-lo, preferi acreditar que, após esse tempo todo e principalmente a partir do reencontro com o pai, algo mude nele. Que realmente valha o carpe diem. Sobre as borboletas, coloquei algo de minha infância ali. Quando criança, rezava a lenda que borboletas viviam apenas um dia. E certa vez eu e uma amiga quisemos comprovar isso, prendendo uma borboleta e aguardando 24 horas para ver se ela morria ou não. Mas depois de duas horas soltamos, ficamos com medo de realmente ser verdade e ela morrer por nossa causa. Era uma borboleta amarela, parecia até duas pétalas de flor coladas uma à outra. Sim, eu poderia pesquisar sobre o tempo de vida das borboletas (o que acabei não fazendo depois da infância, confesso) para o conto, mas preferi deixar exatamente assim, um “achismo” deles a respeito. Expresso minha extrema gratidão por seus apontamentos, tão fundamentados. Deixo aqui também meus votos de boa sorte nesse desafio.

  43. Angelo Rodrigues
    11 de dezembro de 2017

    Caro Alguém de Ornelas,

    Superpoder de curar, superpoder de reviver animais mortos.

    Seu conto, narrado em primeira pessoa flui bem, está bem estruturado e gostei da sua escolha em não dar a ele um final apoteótico. Um poder discreto.
    Aqui no desafio alguns contos falam de temática semelhante à sua, tratando de criancinhas desamparadas ou com poder.
    Bom que não tenha tomado alguma atitude mais descabelada matando o pai, compreendendo que a vida tem seu próprio curso.

    Boa sorte no desafio.

    • Alguém de Omelas
      11 de dezembro de 2017

      Caro Sr. Angelo,

      Ainda não li contos deste certame, realmente fiquei com medo de que estes poderes tenham sido utilizados por outros, mas história de super-herói não é meu forte. Geralmente quando penso em superpoderes, penso em heróis, histórias de aventura e de ação. Surpreendeu-me a vontade de escrever algo do tipo. Também não gosto muito de fixar minhas histórias tendo crianças como personagens principais, mas foi um exercício. Sobre meu pseudônimo, eu sou Alguém de OMELAS. Vivo na cidade imortalizada por Ursula K. Le Guin. Talvez justamente por isso costume fugir de contos com personagens infantis. Lembro-me daquela criança… Eu agradeço seu comentário.

  44. Amanda Gomez
    11 de dezembro de 2017

    Olá!

    Gostei bastante do seu conto, você conseguiu deixar ele bem redondinho, sem muitas lacunas, confesso que não visualizei bem a morte da irmã dele, ficou nublado, quebrar todos os ossos da filha..essa parte ficou estranha pra mim, perdoe-me se entendi errado.

    O texto em si é forte e carrega uma dose certa de emoções, cada uma com sua particularidade. O narrador é bem desenvolvido, sentimos empatia por ele. A situação em si infelizmente é muito comum no nosso mundo, quantos não estão passando por isso nesse exato momento? Quantas crianças que presenciam esse tipo de violência não gostariam de ter um superpoder para evitar, curar, desfazer. Isso me sensibilizou, e você soube usar o drama da história sem exageros ou que parecesse forçado.

    É importante seguir em frente e deixar que a vida cumpra seu destino, espero que a decisão de não curar o pai tenha libertado ele das dores do passado, e não que tenha se tornado mais um arrependimento. Acredito que não será.

    Parabéns pelo conto, Boa sorte no desafio..

    • Alguém de Omelas
      11 de dezembro de 2017

      Cara Amanda, que bom que gostou. Sinto-me agraciado com seu comentário, foi deveras construtivo. Saber que meu texto representou tudo isso para a senhora ou senhorita causa-me grande alegria. Eu bem queria escrever algo mais leve, com mais comicidade, mas foi essa a ideia que me surgiu e sinto-me realizado, ainda que não tenha sido minha ideia original.

      Sobre quebrar os ossos da filha, foi um ataque extremo de fúria do pai, infelizmente já presenciei coisa parecida, ainda bem que não chegando a óbito, mas a criança teve muitos, muitos ossos quebrados. E era o pai também. Tentarei reescrever esta parte, contudo, a fim de sanar quais dúvidas, talvez até suavizando um pouco.

      Sem mais,

      Alguém de Omelas.

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Informação

Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .