EntreContos

Detox Literário.

Ensaio Sobre a Natureza Morta (Fil Felix)

Giovanni puxou as cortinas púrpuras e pesadas que cobriam a única janela do apartamento, abrindo as persianas de alumínio, deixando o sol afável da manhã banhar o cômodo. Havia um leve odor de mofo ali, misturado ao perfume das camélias, lavandas e jasmins espalhadas pelo chão, em vasos pequenos de plástico e em maiores, de barro. Os raios solares iluminaram as trepadeiras que subiam e desciam pelas paredes, uma grande e esparramada congéia florida e um tímido, porém abusado, amor-agarradinho surgindo num canto e noutro. Um cômodo sem eletrodomésticos ou móveis, com exceção de uma estante de metal, bastante desgastada, ao lado da janela, onde o amor-agarradinho queria, a todo custo, se enrolar, carregada de vasinhos de violetas, claro. O piso, um tapete de gramíneas.

Era o primeiro dia da primavera na pequena flora que, cada vez mais, se tornava não somente lar, mas também parte de Giovanni. Seus dedos, agora rugosos e acastanhados, tocaram o para-peito da janela, sentiu na face a brisa matinal, como se o próprio Apolo passasse por ali em sua carruagem dourada. Gostaria de sorrir, porém o reflexo no vidro da janela mostrava um rosto na mais pura paisagem. Sua pele, antes desbotada, aos poucos cedera lugar à uma casca de coloração parda. Seria de pinheiro ou de cerejeira? E como as marcas de expressão se confundiam com os veios da madeira, se estava triste ou feliz, era difícil de dizer. Ou notar.

Havia um medo em seu interior, de perder-se em si mesmo. Cada dia mais isolado, mais planta que homem, começou a lembrar dos velhos tempos, de como podia andar pelos calçadões da cidade, bronzear a pele, comer e beber, de beijar os lábios de Ariel. As memórias, antes multicoloridas, tomavam um rumo verde e musgoso, com as lembranças escorregando pelo lodo de sua mente. Na época, os médicos não sabiam o que fazer. Era algo em seu DNA, uma doença rara. Ou seria um dom? A mídia o tratou como O Incrível Homem-Árvore. De alguma maneira, suas células sofreram uma mutação, gerando cloroplastos, criando uma fina parede celular. Primeiro perdeu o apetite: bastava uma caminhada sob o sol para dar-se por satisfeito. Em seguida veio a pele, migrando de branca para um verde-esmeralda, depois um verde-oliva, endurecendo e formando uma casca. Já não saía de casa, os amigos o abandonou, assim como os familiares. Aberração. Era o que ouvia. Até ser esquecido. Pela mídia, pelos amigos e pela família.

Menos Ariel, que continuava ao seu lado. Com tantas coisas diferentes e inusitadas ocorrendo mundo afora, Ariel até achou, à sua maneira, que Giovanni ganhara um charme carismático em tons de verde. Antes isso que, como passava na televisão, ganhar deformidades no corpo, espinhos brotando do rosto, excesso de gordura e tantos outros efeitos colaterais que vinham assolando a população. Mas, com o tempo, também Ariel não aguentou mais. O amor que sentia por Giovanni foi substituído por um sentimento de zelo e preocupação. Não era mais namorado, mas quase um jardineiro quando as primeiras flores nasceram nas costas do Incrível Homem-Árvore. Ariel, aos poucos, percebeu que não dormia mais com um corpo quente e pulsante, da pele macia. Dormia com qualquer outra coisa. Giovanni, entre o humano e o vegetal, virou alguma coisa. Isolou-se em seu apartamento, herdado da mãe que morrera quando ainda era adolescente. O pai, que já não aceitava o filho enquanto pessoa, tão pouco o considerou mais quando o deixou de ser. Ah, sim… o medo de Giovanni? Sua chaga aberta: o receio de perder o pouco que ainda lhe restava de humanidade.

Seu pai, o senhor Adalberto, entregou o apartamento ao filho. O preferia ver confinado, que como estrela de algum circo qualquer, manchando o nome da sua família. E ali, no pequeno imóvel, abandonado à própria sorte, Giovanni nunca mais saiu. Houve um dia, durante os primeiros anos de cárcere pessoal, onde seguia sua rotina usual, seu banho de sol matutino, observando pela janela do sétimo andar a rua lá embaixo, as pessoas normais andando de um lado ao outro, em que avistou Ariel cruzando a esquina da Dom Pedro com a Aguiares.

Além da aparência, Giovanni também desenvolveu uma sensibilidade maior a outros vegetais, podendo sentir qualquer planta, flor ou árvore em centenas de metros. Logo conseguiu manipular suas próprias células, se transformando com o passar das estações, com seu corpo florindo na primavera e murchando no outono. Em seguida aprendeu a manipular também as plantas ao redor. E naquele momento, vendo seu outrora grande amor passando pela rua, cruzando a Dom Pedro com a Aguiares, ele pôde sentir seu perfume amadeirado, lá longe. Pensou em florescer o grande ipê que ficava na frente da Madras: sua árvore preferida; como um presente. Mas seria espalhafatoso demais. Uma pequena rosa brotando do canteiro que estava prestes a atravessar, então? Precisava demonstrar que ainda sentia saudade, que sentia sua falta. Que sentia. Que ainda estava lá, na kit do sétimo andar. Mas como um adolescente apaixonado despedaça uma bela margarida, pétala por pétala, Giovanni sentiu. Ariel atravessou a rua. Bem me quer… Um outro homem, bonito e esguio, o acompanhava com o olhar, na calçada da Aguiares. Mal me quer… Será que Ariel viria prestar-lhe uma visita? Bem me quer… Não. Ariel e o estranho, ao se cumprimentarem com beijos, seguiram caminhando de mãos dadas, sentido contrário ao edifício. Mal me quer.

Depois desse dia, pouco sentiu. Deixou sua depressão criar raízes e dominarem o ambiente, suas flores cresceram e exalaram os melhores perfumes jamais fabricados. Não comia nem dormia, vivia de luz e água. O Incrível Homem-Árvore, que de incrível sobrara pouca coisa, não percebeu o passar dos anos, parou de contar seus próprios ciclos sazonais. Já naquele episódio em que viu Ariel na rua, percebeu, mas sem muita clareza nas ideias, os fios brancos na fronte do ex-amante, contrastando com sua pele negra. E anos, talvez décadas, se passaram depois disso. Ninguém mais no prédio conhecia o morador do 703. O condomínio e demais contas, todas pagas pelo pai, um dia começaram a atrasar.

Giovanni, em suas divagações, não sabia se o pai, o senhor Adalberto, ainda estaria vivo. Nem se Ariel continuava de mãos dadas com o estranho na rua. Sua mãe estava viva? Não sabia informar. Feito Dorothy, deixou-se perder no campo de papoulas, tragando o ópio da amargura e soltando a fumaça da solidão que cercava seus dias, no mormaço do pequeno quarto-flora.

Os delírios e devaneios na janela foram interrompidos por um baque seco na porta. Era Ricardo, o novo zelador do prédio, a fim de ver o que acontecia no quarto aparentemente abandonado e que cujos vizinhos reclamavam da quantidade de erva daninha vazando das paredes para os corredores e demais ambientes.

***

Ricardo usava uma camisa de algodão. 100% algodão, segundo a etiqueta. E Giovanni sabia que era verdade. Podia sentir o penteado dos fios, que mesmo lavados e tingidos, ainda exalavam seu cheiro peculiar, tão natural para ele. O segundo baque na porta o assustou, fazendo-o sair da janela, se encolhendo no canto da estante. No terceiro baque, Ricardo arrombou a porta e foi golpeado por uma onda de calor e cheiro forte, que ele não podia distinguir do que era, mas tinha certeza que era cheiro de coisa verde.

Ao ver a quantidade de plantas e flores no pequeno apartamento, Ricardo caminhou quarto adentro com cuidado, pisando firme, porém devagar, receando algum bicho saltar de algum lugar. Sua visão percorreu as paredes com a congéia e o amor-agarradinho, o chão repleto de grama e vasos de plantas e flores, passando pela janela aberta, iluminando o ambiente, chegando na estante desgastada, onde uma casca de alguma árvore havia sido jogada ali. Ou seria um pedaço de tronco? Ricardo observou com maior atenção a forma amarronzada à sua frente e se aproximou com curiosidade.

O intruso notou a forma tremer. Giovanni, por mais que perdera seus órgãos humanos há tempos, continuava como um ser vivo. Ou alguma coisa viva. E por instinto, assustou-se ao receber o toque quente da ponta dos dedos de Ricardo. E tudo seguiu-se muito rápido: a malha de algodão da camisa se contorceu e encolheu, forçando o peitoral e costelas de Ricardo, comprimindo o tórax, espremendo os órgãos. O estranho tentou rasgá-la, mas era como se estivesse viva, e uma expressão de dor e pavor estampava seu rosto.

Ricardo caiu ali mesmo, sobre a grama que cobria o piso. Giovanni, em seus momentos de lucidez, percebeu que matara o homem. Que nada poderia ser feito. Teria chorado, se ainda houvessem lágrimas em sua casca. Dia após dia, o corpo em decomposição e estendido na grama tinha seus nutrientes sugados pela vegetação ambiente. Cedo ou tarde viriam bater na porta de seu apartamento novamente, que foi cuidadosamente colocada de volta e reforçada com uma congéia violenta.

Mas além da morte, Giovanni também percebeu que não estava mais só. E como Deus criara Adão do pó da terra, Giovanni passou a trabalhar no corpo de Ricardo. Uma leve lembrança de Ariel pairando sobre sua cabeça, que o levou a criar camadas de ébano, moldando-o feito barro, dando-lhe um novo corpo e o nome de Lírio.

A princípio, a ideia funcionou. Lírio era uma extensão de Giovanni, apesar de não parecer. E, sendo assim, podia fazer pequenos movimentos, produzir flores e exalar um odor amadeirado, que traziam novas lembranças. Giovanni admirou sua criação, tocando-a no rosto. Era primavera, e diversas flores douradas brotaram em seu corpo acastanhado, enquanto em Lírio surgiram flores brancas, em contraste com a pele de ébano. Um aroma doce no ar, com uma leve brisa vindo da janela aberta, que fez circular o pólen liberado dos estames das flores douradas, que pousaram sobre todo o apartamento, entrando no gineceu das flores brancas.

Um belo e suculento fruto cresceu desse amor monóico, despencando e ganhando nova morada sobre a grama. A primavera foi chegando ao fim e, com ela, também a animação de Giovanni. Lírio não era consciente, não podia ser. E o Incrível Homem-Árvore não suportou, nesse caso, a própria companhia, que o entristecia cada dia que abria a janela e os novos raios solares de um verão causticante iluminavam sua criação, agora largada num canto do quarto, algo inanimado, um quadro de natureza morta. Assim, ele nunca mais abriu a janela.

Sem sol, seu corpo murchou e se descontrolou, com as plantas lutando pela sobrevivência, forçando as paredes em busca de luz. Em pouco tempo, a tristeza de Giovanni quebraram porta, janela, parede e cresceu por todo o seu andar, dominando o elevador e expandindo para cima e para baixo, desordenadamente. Sem noção do tempo e alienado, ele se fechou num casulo de algodão, bem ao centro do quarto, e deixou que seu corpo sucumbisse ao prédio.

***

E mais uma vez foi pego de surpresa por outro som. Não de um baque seco à sua porta, mas o barulho de sirenes ao fundo. Sentiu, lá longe, em seu corpo, agora extenso e volumoso, cortes a machadada. Galhos sendo arrancados e quebrados. A “Praga do Edifício Meireles” era a nova manchete que dominava a mídia. De como um estranho acontecimento, provavelmente algum remanescente mutante, que vinham sendo exterminados, brotava de um dos quartos: uma vegetação densa que se alastrou rapidamente, quebrando a estrutura do prédio, que ameaçava desabar, arrebentando tubulações e a fiação subterrânea, com os moradores desesperados sendo retirados pelos bombeiros.

Quando os golpes de machado cessaram, Giovanni sentiu o calor da solução dos homens, o fogo consumindo partes de seu corpo na rua e nas laterais do edifício. Encolhido no casulo de algodão, abafado pelo calor das chamas, os veios de madeira em seu rosto se confundiam com veios d’água. Pelo instinto vegetal, ele sentiu uma coleção de pequenos cactos que Dona Quitéria mantinha em sua raque, no décimo e último andar. Sua dona, que os adorava, havia sido salva pelos bombeiros e suas escadas gigantes. E os cactos, em união à mente de lodo de Giovanni, passaram a crescer e inchar, estourando ao não caberem mais no cômodo, deixando toda sua água vazar pelo chão e penetrar as rachaduras criadas pelas trepadeiras, irrigando andar por andar, até chegar ao sétimo, pingando sobre o casulo.

A Praga do Edifício Meireles logo se tornou um caos escarlate. Décadas após sua primeira transformação, o processo de mutação de Giovanni chegara ao fim, com a transcendência de sua carne e sangue, os desejos e prazeres da alma humana, se transmutou em flora e uniu-se ao ambiente. Em meio às chamas, não era mais planta que homem. Era apenas planta, sendo devorada pelo fogo, que a tudo dizimou, deixando um cheiro de pinheiro queimado no ar. Ou seria de cerejeira?

***

Uma multidão cercou o prédio, quando as chamas cessaram, e observaram as milhares de pétalas de margaridas, violetas, jasmins, camélias e girassóis sobrevoando o céu do bairro, com suas pontas chamuscadas, espalhadas pelo crepitar do fogo. Uma multidão encantada pela beleza das cores, mas aterrorizada com o vazio negro do sétimo andar, totalmente queimado. Um homem, em particular, observava com atenção a cena. O resto de flores e plantas e cascas de madeira espalhadas ao redor do Edifício Meireles  lhe trouxeram lembranças, quando reparou na estranha semente redonda, escura como a noite, à sua frente. O homem a pegou e colocou no bolso. Ao chegar em casa, a plantaria num vaso de barro, deixando no parapeito da janela onde, na primavera seguinte, iluminado pelo sol e pela paixão de Apolo, nasceriam os mais belos jacintos que jamais existiram.

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48 comentários em “Ensaio Sobre a Natureza Morta (Fil Felix)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    30 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Gostei muito desse conto! Um história muito envolvente e extremamente criativa. Gostei do “superpoder” que mais parece uma maldição. Estou gostando de como, neste desafio, a galera fugiu do conceito “super-herói”. Boa parte dos contos – o seu incluso – narra o que seria de uma pessoa comum que acaba de saber que tem um poder sobrehumano. E, no caso de Giovanni, ele simplesmente… existiu. Não resolveu tornar-se aliado com as plantas do mundo para combater o mal. Simplesmente criou raízes tal qual a planta que era, e viveu.

    Gostei das suas sacadas como, por exemplo, a passagem do tempo percebida de forma diferente por Giovanni, dada a sua longevidade. Ou a parte em que ele tentava decidir se Ariel ainda gostava dele, entrelaçada com pétalas de “bem-me-quer, mal-me-quer”. Em certo momento achei estranho ele ter conseguido matar o zelador com apenas algodão, mas lembrei que parte do seu poder era alterar a estrutura celular das plantas, então a cena ficou mais clara.

    E o final! A semente foi um final arrebatador. Muito bem bolado.

    =====TÉCNICA=====

    Sua escrita é fanscinante, cheia de nuances interessantes. Você escreve mutitíssimo bem. Infelizmente notei uma quantidade não-ignorável de falhas de digitação, geralmente erros nos gêneros das palavras. Nada de muito grave, mas que merece uma revisão. De resto, o seu conto tem um ritmo excelente, uma atmosferá “verde” muito interessante, e um níve literário altíssimo.

    Parabéns!

  2. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    Gostei. O conto é dos mais diferentes do desafio. Lembrei de um episódio de greys anatomy que minha ex me obrigou a assistir onde tinha um cara com aquela doença do homem elefante, acredito, com a pele transformada em uma casca bizarra, e ele tinha uma companheira, que não estava mais aguentando viver com ele daquela forma. Esse teu conto passa essa melancolia da condição do coitado do cidadão, aprisionado e isolado. Também tem momentos bizarros, como quando ele mata o cara e por conta da solidão, começa a “trabalhar” no corpo. É o efeito da solidão, e acho que o autor o passou da forma correta. Aqui não se trata exatamente de um poder, mas de uma verdadeira maldição. Curti a leitura.

  3. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    39. Ensaio sobre a natureza morta (Amorphophallus titanum):
    A princípio, reconheci na PREMISSA desse conto o texto Homens-Árvore, que mandei para o Desafio Microcontos. Porém, o autor soube levar a ideia muito adiante, colocando o que era uma alegoria como uma condição própria do protagonista, ainda que não tenha exatamente a capacidade de um superpoder. A TÉCNICA é soberba, muito bem construída, e o texto realmente envolve o leitor, até a conclusão, com a semente e o jacinto. Como APRIMORAMENTO, tenho pouco ou nada a oferecer ao autor, senão meu desejo de sucesso no desafio.

  4. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophallus titanum. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    O seu conto é muito original e tem a capacidade de apelar aos sentidos do leitor, o que demonstra uma excelente técnica. Quase senti cheiro e toque, além de visualizar tudo perfeitamente. Só me interroguei sobre quem terá fechado de novo a porta do apartamento e deixado o corpo de Ricardo. Todo o texto está carregado dum tom poético e triste e a parte de ele ver Ariel com outro homem, o seu coração que primeiro festeja e em seguida soçobra é tocante. Notei alguns problemas gramaticais, nada que uma revisão não resolva. Infelizmente, não vi qualquer poder, antes uma capacidade que mais não foi que uma espécie de doença e assim, não consegui enquadrá-lo bem no tema do desafio. Mas isso não lhe retira a beleza e carga que contém. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  5. Ana Carolina Machado
    28 de dezembro de 2017

    Oiiii. Achei o conto muito bom. O que mais gostei no conto é como a narrativa faz a gente sentir empatia pelo Giovanni. Faz o leitor sentir toda a dor do isolamento e solidão desse homem que virou planta . Acho que o mais triste é que mesmo que ele pudesse manipular as plantas e tentar criar uma companhia como foi o caso com o Lírio, continuava só, pois ele era o único que tinha consciência e sentimentos. Outra coisa que gostei muito é da beleza do conto, tudo é narrado de uma forma meio poética, principalmente o final das pétalas de rosas chamuscadas. E eu acho que o homem que pegou a semente no final pode ser o Ariel. Parabéns pelo belo conto. Boa sorte!

  6. Leo Jardim
    28 de dezembro de 2017

    # Ensaio Sobre a Natureza Morta (Amorphophallus titanum)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – início muito lento, com muitas descrições não funcionam muito bem em contos curtos
    – crueldade da Ariel marcar encontro tão próximo à quitinete de Giovanni :)**
    – fora essas anotações que fiz durante a leitura, gostei bastante da trama, que acaba crescendo depois da desilusão
    – ele cria um companheiro, mas nem esse é suficiente, ampliando ainda mais sua depressão
    – a cena final é triste e bonita, mas não cheguei a perceber quem era o tal homem que plantou a semente; era alguém importante ou apenas um qualquer?

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫):

    – a capacidade descritiva do autor é excelente: as imagens criadas são bastante vívidas, quase reais
    – em alguns momentos, porém, esse excesso de descrições incomodou um pouco
    – a tristeza de Giovanni *quebraram* (quebrou) porta

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – um poder não totalmente novo (homens virando planta), mas achei a abordagem criativa

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de manipular plantas e se tornar uma
    – o conto também tangencia a existência de outros mutantes, definindo a origem do poder

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – o final é bonito e o tom intimista agradou bastante; o impacto só não foi maior porque terminei com uma dúvida em relação ao homem e à semente (seria legal se ele acabasse renascendo)

  7. Fernando Cyrino.
    28 de dezembro de 2017

    Olá, Flor Cadáver (melhor escrever em português mesmo, né?). Um belo conto de amor você me apresenta. Mais que belo o amor se faz triste na sua história. E nesse caso tão triste porque o nosso herói, pouco a pouco se transmutando em vegetal, vai perdendo todo amor humano. Já havia ficado para trás o da mãe morta, em seguida o pai que também o matou em vida e, por fim, até o seu namorado Ariel (achei interessante a escolha do nome do amante: Ariel é um nome que tanto pode ser usado por homens quanto por mulheres) o abandona. Um conto que me trouxe a metáfora da solidão humana levada a extremos. De tão solitário o homem se abandona às plantas à sua volta. Imagino aqui quantos homens e mulheres árvore temos presos em nossos Edifícios Meireles de aqui e acolá. Creio que estou diante de um dos melhores contos do desafio e nesse sentido só tenho uma coisa a lamentar. Trata-se do fato de você não ter tido tempo de realizar uma boa revisão na escrita. Uma pena, eis que isto me obriga a tirar meio pontinho do seu lindo conto. Abraços de parabéns.

  8. Amanda Gomez
    27 de dezembro de 2017

    Olá!

    Poxa, adorei o seu conto. Estou um pouco avessa a contos melancólicos ou filosóficos , mas o seu me ganhou. É uma história tão triste….e tão bonita também.

    A trajetória do personagem foi escrita com detalhes vivos, literalmente. Gostei que o autor foi direto ao ponto, não ficou rodeando, simplesmente contou com detalhes o curioso caso do Homem Árvore rs.

    A leitura apesar de bem floreada, literalmente, nao me cansou, ao contrário, gostei dos mínimos detalhes, a visão dessas cenas foi algo bonito de ver em minha mente.

    O final, é triste, intenso e ao mesmo tempo muito sutil.

    Não tem muito o que dizer, a impressão que tenho é que o autor está muito dentro dessa história. A expressividade foi quase autoral de tão honesta que pareceu.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio!

  9. Renata Rothstein
    27 de dezembro de 2017

    Oi, Amorphophallus (bela flor, li sobre no Google 🙂 ) ,
    Tudo bem?
    Belo conto, gostei demais da conta mesmo.
    Inicialmente, não considerei propriamente que Giovanni tivesse um superpoder, e sim uma doença, ou “praga”.
    A beleza das descrições – essa beleza que há na tristeza e na solidão – permeiam todo o conto, e com o avançar dos anos, o abandono, a quase loucura de Giovanni, a reclsão obrigatória, depois de uma vida humana excluído da própria família, devido à orientação sexual….ufa, a carga dramática aqui é bem pesada, mas contada por você ficou lúdica.
    Giovanni enfim morre – é assassinado – para renascer no lar daquele que amou. Meio Fênix.
    Um pouco de esperança, afinal.
    Precisa de uma revisão, os colegas certamente já apontaram….
    Enfim, belo conto, desejo boa sorte no Desafio,
    Abraços

  10. Rubem Cabral
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophallus.

    Gostei do conto. A transformação do Giovanni e seus poderes lembraram-me um pouco o Monstro do Pântano.

    Foi interessante acompanhar a estranha síndrome, a perda da humanidade, a falta de empatia das pessoas, etc.

    Acho que faltou um pouco mais de enredo, talvez. Houve pouco ocorrendo, fora o mergulho no vegetal, a passagem do tempo…

    A escrita foi boa, mas gostaria de descrições mais sensoriais e ricas, pois o personagem tinha potencial para tal. Há um tanto por acertar, mas não comprometeu em linhas gerais.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  11. Estela Goulart
    27 de dezembro de 2017

    Olá. Seu conto foi potencialmente melancólico. Nós podemos sentir o sofrimento do personagem na sua eterna solidão, acho que também pelas suas ótimas descrições. Porém, senti que o conto poderia ser um pouco mais curto, mas mesmo assim é uma boa historia. Parabéns e boa sorte.

  12. Catarina Cunha
    27 de dezembro de 2017

    Belo título que envolve totalmente o conto. Sim, um conto extremamente descritivo, mas isso faz parte da personalidade do personagem. A solidão tão latente que as plantas à sua volta criam vida. É a sua família. Lembrei do filme Náufrago e seu companheiro Wilson (uma bola de vôlei). Gostei também da forma como a loucura vai envolvendo o homem paralelo ao crescimento das plantas.
    Bom trabalho de pesquisa.
    Cabe uma boa revisão e uma enxugada também para ficar redondo.

  13. Priscila Pereira
    26 de dezembro de 2017

    Superpoder: se comunicar e controlar as plantas

    Oi Autor, você teve uma ótima ideia e apostou alto nas descrições, que ficaram bárbaras mesmo… tudo é muito sensorial, pode-se quase ver o apartamento do homem árvore, pode-se quase sentir o cheiro das plantas, suas descrições estão fantásticas mesmo!! O enredo é bem construído, as sensações e sentimentos do protagonista estão muito bem contados, os personagens são fortes e bem estruturados. Gostei bastante! Uma revisão detalhada vai corrigir alguns probleminhas de gramática, já apontados. Parabéns e boa sorte!!

  14. Sigridi Borges
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophallus!
    Confesso que seu conto deixou-me com uma sensação ruim. Senti muito pela vida de Giovanni. Não que isso tenha tirado todo o potencial de seu escrito. Pelo contrário. Você descreveu de forma tão perspicaz que quase cheguei a sentir o cheiro de dentro daquele cômodo.
    Imaginação muito boa e escrita de acordo. Só não tive muita certeza do superpoder.
    De acordo com os comentários e com suas explicações, percebi que era o poder de manipular vegetais.
    Sugiro tomar mais cuidado com erros de concordância. Eles me incomodaram um pouco.
    Obrigada por escrever.

  15. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    É triste sentir-me obrigado a descontar pontos de uma bela narrativa como esta, que usa bem um conhecido mote da literatura fantástica – o homem que paulatinamente se transforma em vegetal –, em função de estar mal escrita do ponto de vista gramatical, o que empanou a beleza da percepção do texto em seu todo.

    O cenário inicial do conto funciona como a representação imagética do microuniverso solitário do protagonista. Observado isoladamente, esse cenário é até bonito, por causa da profusão de flores, mas na verdade é como se fosse um cemitério com apenas um sepultado – o protagonista. Ele, no decorrer do conto, vai se incorporando ao cenário e trazendo para este um novo corpo – o zelador. Por sua vez, o funcionário do prédio, devidamente morto e transformado em planta, serve para matar as intensas saudades que o protagonista sente de seu ex-namorado.

    Muito bonita e simbólica a cena em que pétalas das mais variadas flores passeiam pelo céu do lugar “[…] com suas pontas chamuscadas, espalhadas pelo crepitar do fogo”.

    Simbólico porque o protagonista é claramente adepto do amor romântico, acerca do qual comentei em “A lenda de Joconda”, e um de seus muitos símbolos é a flor. Quando temos uma “explosão” delas – antes trancadas no microuniverso do protagonista – motivada pelo fogo é possível deduzir que o amor, em suas múltiplas nuanças, está machucado, embora voe. Nesse sentido, é interessante observar, antes do trecho a que me refiro, o personagem “brincando” de bem me quer-mal me quer, que se faz normalmente com pétalas, mas que no conto é apenas mentalizado quando o personagem vê ou imagina ver o “ex” caminhando pela rua.

    O sentimento não está, porém, morto, pois no desfecho há uma semente de jacinto, colhida possivelmente pelo ex-companheiro do protagonista.

    O(a) autor(a) poderia ter escolhido outra planta que não o jacinto, mas por que sua escolha recaiu sobre ela? Como é possível perceber a existência de uma preocupação com o simbólico, dificilmente a escolha foi casual.

    Se formos à mitologia grega, temos que Jacinto era um jovem amado por divindades masculinas, o que amarra o viés homoafetivo do conto.

    Alguns erros, em minha opinião fatais:

    A grafia é CONGEIA, não CONGÉIA; é PARAPEITO, não PARA-PEITO.

    Em “[…] os amigos o abandonou […]” o correto é O ABANDONARAM.

    Em “O pai, que já não aceitava o filho enquanto pessoa, tão pouco o considerou mais quando o deixou de ser” o correto é TAMPOUCO.

    Em “E ali, no pequeno imóvel, abandonado à própria sorte, Giovanni nunca mais saiu” o correto é E DALI.

    Em “[…] se transformando com o passar das estações […]” o coreto é TRANSFORMANDO-SE.

    Em “Houve um dia, durante os primeiros anos de cárcere pessoal, onde seguia sua rotina usual […]” o ONDE deve ser substituído pelo QUANDO.

    No trecho “Em pouco tempo, a tristeza de Giovanni quebraram porta […]” o correto é QUEBROU.

    Em “[…] começou a lembrar dos velhos tempos […]” o VERBO é PRONOMINAL (LEMBRAR-SE).

    Em “[…] aos poucos cedera lugar à uma casca de coloração parda […]” NÃO HÁ SINAL INDICATIVO DE CRASE.

  16. Luis Guilherme
    25 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a), tudo bem por aí?

    Uau, que contaço! Muito bom, mesmo!

    O enredo é forte e criativo, o superpoder, então, nem se fala! Adorei.

    Sua escrita é incrível, prendeu minha atenção do início ao fim. Com construções frasais muito boas, e uma dose ideal de metáforas, o conto esbanja beleza estética e meio poética. Aliás, que sequência! Faz uns 3 contos que comento isso, seguidos.

    Sua capacidade descritiva também é enorme, pois as situações são vívidas e pulsantes.

    O enredo, apesar da carência de personagens ou acontecimentos, é excelente e me conquistou. Enfim, gostei de tudo.

    O conto é criativo demais, e conta com um ar melancólico que irriga (pra não fugir ao tema do conto rsrs) toda a história. Senti uma tristeza pela situação de Giovanni enquanto lia.

    O fim é maravilhoso. Triste, mas muito belo. Fiquei com pena do pobre homem, mas a tristeza maior foi pelo paralelo que tracei enquanto lia, da situação de Giovanni com a natureza. O homem trata a natureza como se ela estivesse invadindo e transtornando, como se ela não estivesse apenas ocupando seu espaço e semeando sua beleza e vida em sua forma multifacetada, né?

    Nossa, viajei longe, agora, rsrs.

    Por fim, queria apenas destacar algo que me incomodou um pouco. A gramática estaria impecável, se não fosse por repetidos erros de concordância verbal que me deixaram meio confuso, rsrs. Confuso pois todo o resto está impecável. Contei pelo menos uns 6 erros nesse quesito, dos quais marquei dois para exemplificar:

    – “Uma multidão cercou o prédio, quando as chamas cessaram, e observaram as milhares de pétalas de margaridas” – a multidão observada.

    – “Em pouco tempo, a tristeza de Giovanni quebraram porta, janela” – a tristeza quebrou.

    Claro que esses erros de modo algum tiram o brilho do conto, mas achei válido ressaltar pois são recorrentes. Acho que é algo a se rever no conto.

    Enfim, belíssimo conto, muito muito bom, encantador. Parabéns, boa sorte e boas festas!

  17. Pedro Paulo
    25 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Que belo conto, colega! Admiro o seu cuidado com a linguagem e, principalmente, com a elaboração de imagens arrebatadoras. Houve um momento com erro de concordância verbal (que não achei no texto agora) e alguns trechos em que vírgulas deveriam ser retiradas ou colocadas. De toda maneira, não me distraiu do cenário imersivo que nos trouxe com o apartamento em que repousava Giovani.

    Em alguns momentos, fiquei preocupado com o rumo da história, pois pensei que talvez o superpoder não fosse ser abordado, parecendo mais como uma mutação trágica e inoportuna da qual o personagem seria vítima passiva, mas então o protagonista começou a mostrar como ele interagia com a sua nova forma, demonstrando poderes e capacidades sobrenaturais. Felizmente, o autor também não resumiu o conto a memórias aleatórias da personagem, aproveitando-se desse artifício para ajudar a trama, como uma explicação do seu isolamento e de sua resignação. Portanto, a história não se trata das memórias dele, mas dos estágios avançados de mutação que o acompanham até a sua morte. Eis como tomo a história: a morte de Giovani, contada para nós com o desenrolar de algumas memórias que explicam a solidão triste e esverdeada da personagem.

    Outro mérito do conto é propor a mutação da personagem como algo que evolui gradativamente, com ele sempre a desenvolver novos poderes e nos fazendo esperar pela próxima descoberta. Seu domínio sobre as demais plantas já havia impressionado, mas o encontro com o síndico e aquilo que fez com o corpo dele em seguida foi realmente surpreendente, com espaço para divagações escatológicas da personagem, que entendeu o cadáver como o seu próprio Adão. Houve uma morbidez que é inescapável às relações comuns da natureza e que se encaixou muito bem neste conto, dado que a humanidade de Giovani fica cada vez mais perdida em seu novo ser. Felizmente, o autor não parou por aí e nos deu as cenas do casulo e do incêndio, mostrando que os poderes de Giovani poderiam ter atingido um potencial inimaginável se ele tivesse os orientado. Pensar que algo naquela proporção foi devido a mero descontrole nos faz pensar: até onde ele iria se bem quisesse?

    Não é algo que o limite de palavras permite e o autor provavelmente contou uma história muito melhor ao encerrar com o fim do “Incrível Homem Planta”. É um conto lírico, bonito por natureza, literalmente falando. Parabéns!

  18. Rafael Penha
    25 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophaullus

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Um texto bem trabalhado, mas com alguns probleminhas de concordância aqui e ali, que realmente incomodam. Apesar de trechos bem construídos e criativos, precisa de uma revisão mais atenta

    3- Estilo – Uma narrativa triste e rica. Condisse bem com o texto passado. Aliado a um bom conhecimento vegetal, formou uma visão em vívida do drama do protagonista.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa triste e envolvente. A leitura conseguiu me trazer e fazer sentir o drama de Giovanni. Apesar da excelente descrição de sua vida-planta, alguns pontos ficaram obscuros pra mim e precisariam ser melhor descritos, como a morte de Ricardo. O autor optou por seguir pela direção poética e romântica do conto.Enquanto eu enxerguei algo mais terrível. Entretanto, ainda assim, o enredo é bom e a história evolui até o triste final.

    Muito bom.
    Grande abraço!

  19. Paula Giannini
    24 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Quando há pouco mais de um ano entrei para o grupo, imaginando, como disse nosso amigo Jorge Santos, ser um José Saramago, ou melhor, uma Clarisse Lispector, ainda não imaginava que logo descobriria que não era nem um, nem outro. No EC encontramos contos de um nível por vezes tão alto, que a qualidade destes nos confronta com nossa necessidade de aprender sempre, mais e mais.
    Este conto, para mim, é um desses casos.

    Seu texto é instigante, e alheio a qualquer tipo de camada ou referência que ele possa conter (e contém) seu trabalho causa no leitor (ao menos assim foi comigo), uma sensação quase física, instigante. Um comichão no cérebro, um estranhamento bom, puro deleite da literatura que vai além da história contada e presenteia o leitor com o tecido das palavra em uma trama sofisticada e bela.
    Aqui, deparamo-nos com Kafka, com Garcia Marques e até com “Tibério Vilar”, em Saramandaia (a versão moderna) e, ainda que não tenhamos lido ou assistido nada desses autores, ainda assim viajaremos na incrível história dessa sua metamorfose homem-vegetal.

    A trama é, em si, fascinante e na medida que um bom conto deve ter. O início da descoberta do ser diferente, o desenvolvimento progressivo da mudança, o afastamento dos entes queridos, o tempo passando, o esquecimento, a solidão e o fim daquilo que, se agigantando acaba caindo no esquecimento e assim, ninguém mais se recorda dele como um humano.

    O que há de humano nele, no entanto, está ali, pulsante, e não se perde mesmo no fim da metamorfose.

    Se for para dar um senão, palpite de leitora chata, talvez a morte do zelador não precisasse de uma camisa “puro algodão”. Rsrsrs Talvez aqui o(a) autor(a) tenha pesado em algo do tido, “para ser um super poder detectável no desafio, o protagonista terá de manipular tudo o quanto há de vegetal á sua volta”… Isso, no entanto trata-se apenas de um preciosismo bobo, de uma leitora boba e que ficou rendida (acredito que mais uma vez e em mais de um desafio) por sua verve.

    Parabéns

    Desejo-lhe sorte no desafio

    Beijos

    Paula Giannini

  20. Bia Machado
    24 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Que baita enredo! Melhor que esse, só a premissa do “O Incrível Homem que Encolheu”, ou o do filme “A Mosca”, fazendo um paralelo.
    – Ritmo: 1/1 – Eu li de uma vez só. Acho que fui sendo absorvida. Na sua narrativa, eu podia sentir o cheiro das plantas. Viajei? Acho que sim, e isso é bom.
    – Personagens: 1/1 – Giovanni, sou sua fã. Que triste uma vida como a sua, me peguei pensando o que poderia ser feito para amenizar sua solidão e sua dor.
    – Emoção: 1/1 – Amei o conto.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Seja superpoder, ou doença, ou anomalia, não importa. Ele tinha o poder de controlar as plantas, não tinha?
    – Gramática: 0,5/0,5 – Algumas coisas precisam ser arrumadas, mas também não me distraíram da narrativa. Parabéns!

    Dicas: Fazer uma revisão para sanar essas coisas que passaram batido, talvez na pressa de enviar.

    Frase destaque: “Uma leve lembrança de Ariel pairando sobre sua cabeça, que o levou a criar camadas de ébano, moldando-o feito barro, dando-lhe um novo corpo e o nome de Lírio.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  21. Felipe Rodrigues
    23 de dezembro de 2017

    Parece uma mistura de Shyamalan com Cronenberg, acho que a mistura entre os dois seria algo perto disso. Gostei de como a solidão de Giovanni foi representada pela transformação em vegetal, uma analogia à solidão em um mundo que se come vivo, ao progresso desvairado que parece abocanhar a tudo. A exclusão do protagonista, social, acaba por representar a inadequação, e as metamorfoses que ocorrem no apto. são devido ao sofrimento que isso causa. Um homem que se funde ao colchão, à cadeira solitäria, ao jardim inteiro. Visto que, dentro deste âmbito o personagem, e o conto todo, emanam o desprezo pelo diferente, achei inadequada a relação deste com a mídia, elevando-o a uma espécie de aberração de freak show, um ponto negativo, e que tira o gosto do leitor em observar tal criatura na jaula, se todos conhecem ele deixa de ser meu. O final que se corrompe a sanar mil duvidas tambem não me agradou, mas nem por isso o conto deixa de ser uma maravilha.

  22. Givago Domingues Thimoti
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophallus Titanum!

    Tudo bem?

    Por mais que eu seja um fã do drama, não gostei muito do conto. Depois de um certo tempo, o tom melancólico ficou demais para mim e eu quase dei graças a Deus quando Giovanni morreu.

    O excesso de descrições tornaram a leitura pesada. Ainda assim, é um conto muito bonito e criativo.

    Parabéns e boa sorte!

  23. Higor Benizio
    22 de dezembro de 2017

    Um belo trabalho, uma prova de que uma narrativa de qualidade, pode sobrepor a falta ou a “pequenez”, digamos assim, de um enredo. O “100% algodão”, assusta, cuidado com isso. Me lembrou os contos do Kafka, caso o autor(a) não conheça, fica a dica.

  24. Edinaldo Garcia
    22 de dezembro de 2017

    Ensaio Sobre a Natureza Morta

    Trama: Homem se isola quando descobre que está se transformando numa floresta.

    Impressões: É um conto belíssimo. Como boas imagens visuais, como as letras criam as cenas em nossa mente é realmente encantador. Sentimos o drama da clausura, de ser diferente, rejeitado e abandonado, mas em contrapartida entendemos o lado daqueles que não sabem lidar com o novo, o ser humano anômalo surgido sem explicação.

    Outro ponto que gostaria de ressaltar é a forma natural como foi elaborado a homossexualidade do protagonista, sem apelações, exageros desnecessários, vitmizando uma situação que, convenhamos, está CHATA PRA CARAMBA. Se você diz não gostar do Pablo Vittar, por exemplo, ou não concorda com arte que estimula a pedofilia ou a sexualização infantil, é chamado de homofóbico, fascista, nazista, sexista, eletricista, dentista, ista e ista… Aff. A cena dele olhando o amado na rua é muito boa e tocante.

    No final é revelado que há mais mutantes no mundo, me parece que a palavra é “renascimento”. Sabe, eu achei desnecessário, mas o conto não é meu, é seu.

    Linguagem é escrita: Ótima. Boa poética. Leitura fluida e agradável.

    Observações:
    se enrolar, carregada de vasinhos de violetas, claro – esse “claro” ficou estranho, eu não entendi a que se refere.

    os amigos o abandonou – abandonaram.

    Em pouco tempo, a tristeza de Giovanni quebraram porta – Eu entendi que quem quebrou foram os galhos citados no período anterior, mas ficou errado a concordância.

    Veredito: Um excelente conto.

  25. Andre Brizola
    22 de dezembro de 2017

    Salve, Amorphophallus!

    É um conto bastante singular, com um misto de terror, pois o homem está se transformando em algo inumano, e drama, visto que Giovanni aos poucos vai perdendo sua ligação com o mundo, embora a consciência ainda esteja lá, buscando a janela com o pouquinho que vai lhe restando da humanidade.
    Gostei demais da utilização da sinestesia, para nos levar para dentro do apartamento. A caracterização do local, junto com a boa quantidade de elementos sinestésicos funcionou muito bem! Dava para imaginar os fachos de luz do sol alcançando ramos e raízes, e sentir aquele cheiro de mato impregnado em locais fechados a muito tempo. Muito bom mesmo.
    É legal observar que enquanto se transforma em planta, Giovanni se depara com a habilidade de controlar outras plantas, e o uso de forma contida, Isso aí habilita o conto para o desafio, no meu ponto de vista. Talvez o conto não seja sobre o superpoder, mas ele está lá, de fato.
    Trata-se de um enredo criativo, bastante fora do padrão que percebi neste desafio. Com certeza conseguiu se destacar.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  26. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá amorohophallus-titanum. Ou “flor cadáver”, como é o seu nome comum. O seu conto foi um dos mais criativos que encontrei nos desafios EC em que participei. Só isso é um indicador da qualidade do conto. Além da criatividade, gostei da linguagem e do ritmo da narrativa, que nos faz sentir na pele a transformação gradual da personagem.

  27. Juliana Calafange
    21 de dezembro de 2017

    Gostei muito do seu conto. Me lembrou as coisas do Cortázar. Muito criativa e bela a sua história. A ideia do Homem-Árvore é muito interessante, poética. Também me lembrou aquele personagem da saudosa novela Saramandaia, aquele velho que criava raízes sentado em sua cadeira. É mais um conto aqui do EC que eu gostaria de transformar em roteiro… permite?
    Muitos parabéns e boa sorte!

  28. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá!

    Acima de tudo, um conto criativo, bem escrito, e diferente do usual. Através da sua escrita consigo visualizar bem vivas as imagens até surreais que criou no seu conto. Pensando na história, não era fácil escrever o dito conto.
    Não consta no leque dos meus favoritos mas reconheço que é mais devido a gosto pessoal, pois não encontro nada de errado no seu conto e estou seguro que vai ser o favorito de outros entrecontistas.

    Parabéns e boa sorte!

  29. Regina Ruth Rincon Caires
    21 de dezembro de 2017

    Bonito, muito bonito. Tocante. Um indivíduo que por amor às plantas, por ter o poder de manejar, manipular, interagir com os vegetais, transformou-se em árvore. E a narrativa é linda, tem a mesma beleza das flores. A descrição do ambiente é tão incrivelmente feita que o leitor chega até mesmo a se desviar de galhos, de pencas de flores, é capaz de sentir cheiros, de enxergar diferentes tons de verde. E sente o musgo, a aspereza da casca da árvore. É, a narrativa é coisa de mestre. Conto melancólico, graciosamente criativo. Tem a linguagem da beleza. Enredo muito original. De uma excentricidade ímpar. A escrita carece de uma revisão, alguns acertos.
    Tudo é muito lindo. Amei!
    Parabéns, Amorphophallus titanum! (Misericórdia, que pseudônimo! Só copiando e colando…)
    Boa sorte!

  30. Antonio Stegues Batista
    21 de dezembro de 2017

    Gostei da história. Um enredo muito bom, homem que se transforma em vegetal. Ele amava tanto as plantas que acabou se transformando numa árvore, conservando ainda sua consciência e adquirindo o poder de influenciar os vegetais. A estrutura está muito boa, embora tenha ocorrido alguns erros, como em
    “para-peito” (parapeito) e também excesso de virgulas. Uma frase, por exemplo, tem mais de 40 palavras!
    O resto ta perfeito, a história começa com pouca força, mas fica interessante no correr da leitura, até um final, que não podia ser outro. Excelente! Boa sorte.

  31. Fheluany Nogueira
    20 de dezembro de 2017

    Superpoder: a transformação do personagem em vegetal e a manipulação das outras plantas.

    Enredo e criatividade: A trama está na força da palavra — descrições, metáforas, comparações, sinestesias são belas e de qualidade. Não é uma história com entrecho e desenvolvimento linear, mas uma articulação ficcional à maneira surrealista, na qual se provoca mais um estado de espírito do que uma realidade narrativa de combinações estáveis.

    Estilo e linguagem se casaram bem, o Realismo Fantástico foi bem explorado. O leitor sente toda a alteração no corpo e na vida do protagonista, a ambientação é outro ponto alto do texto, tudo em tom melancólico e de resignação. O título e o pseudônimo complementam o texto. O subtema do homossexualismo é apresentado de forma sutil, verossímil e delicada.

    O texto carece de uma revisão na concordância, no uso de tempos e modos verbais. Gostei muito da ideia e da execução. Ótimo trabalho! Abraços!

  32. Miquéias Dell'Orti
    20 de dezembro de 2017

    Oi,

    Bonito conto! Com descrições bem elaboradas e uma história muito criativa sobre
    um homem com o poder de se tornar e controlar uma planta (ou uma flora inteira).

    Ao ler seu conto, lembrei uma ótima história que li na Antologia da Literatura Fantástica, de Borges e alguns outros ótimos autores argentinos, que transcreveram para a língua nativa deles as histórias que gostavam. Nesse conto, um homem sofre um acidente em sua carruagem e, caído em um matagal num caminho esquecido, se funde aos poucos com a vegetação e com a terra, tornando-se parte dela. A ideia do seu conto me pareceu ter a mesma perspectiva dessa historia, inclusive com o final corroborando para essa união entre o homem e o vegetal.

    Coitado do homem-árvore, seu último vestígio de humanidade desapareceu junto com seu amor não correspondido… por sorte o final, apesar de um pouco triste, deu a intenção de um recomeço.

    Parabéns pelo trabalho!

    • Miquéias Dell'Orti
      20 de dezembro de 2017

      Lembrei o nome do conto que li nessa antologia. Chama-se “Ser pó”, de Santiago Dabove.

  33. Mariana
    18 de dezembro de 2017

    Vou confessar que encarei o texto como sendo de horror – a mutação do homem em árvore, a pele se modificando etc me apavorou. Você escreve de uma forma muito densa e instigante, nem reparei nos possíveis erros. Giovanni tinha mãe? Enfim, parabéns pelo ótimo conto perturbador e boa sorte no desafio

  34. iolandinhapinheiro
    17 de dezembro de 2017

    O seu conto é, no mínimo, criativo. Uma história insólita sobre um homem que vai perdendo a natureza humana e se transforma em árvore. Assim como o Gustavo, eu também aprecio muito boas descrições, e as suas ficaram ótimas. Elas vão além do que se vê mas invadem nossas narinas, roçam o nosso tato, parabéns por isso.

    Quanto à parte gramatical, preste atenção nos tempos verbais. O verbo perder conjugado em tempo pretérito mais-que-perfeito que não cabe nesta frase: “Giovanni, por mais que perdera seus órgãos humanos há tempos, continuava como um ser vivo.” É melhor usar por mais que houvesse perdido seus órgãos humanos…

    Também notei um erro de concordância aqui: ” Já não saía de casa, os amigos o abandonou, assim como os familiares. Aberração.” Quando for revisar substitua por – Os amigos o abandonaram. Acredito que aqui foi só um deslize de digitação.

    Seu texto é muito original, poético e delicado. Eu gostei. Parabéns, menino.

    Beijos,

    Iolanda.

  35. Paulo Ferreira
    16 de dezembro de 2017

    Kafka que se cuide com sua Metamorfose, pois o morphophallus titanum, veio para competir à altura. Belíssimo conto, não fosse a Metamorfose diria ser um enredo inusitado e, portanto, primoroso. — sem o deixar de ser — Com o adendo de uma escrita poética e belamente narrada, culminando num desfecho fantástico. Como já disse em minha citação a outro conto deste mesmo desafio, o — “Joconda”, que também trabalha com este belo estilo literário —, quando disse que o insuperável, Jorge Luís Borges, advertiu certa vez que a literatura Fantástica foi a linguagem preferida dos escritores do mundo inteiro, em todos os tempos, e que o realismo não passava de “uma excentricidade recente”. — E se o Borges disse isso quem se habilita a discordar? —, Acrescentando-se a tudo isso a temática do homossexualismo, — incluindo a analogia das plantas unissexuadas, — e suas agruras com o preconceito, não bastasse o da sociedade, tão intolerável, mas também por um pai estúpido, foi o que me passou. E toda essa desenvoltura esboçada com extremas minúcias. Um conto criativo, intenso e suave ao mesmo tempo; exuberante.

  36. Neusa Maria Fontolan
    15 de dezembro de 2017

    Gostei do conto.
    O poder de Giovanni não está em sua transformação, isso deve ser uma maldição, praga ou doença, ou tudo junto. O poder está em se comunicar e manipular as plantas. Pena ter acabado em fogo, mas de um jeito ou de outro um dia teria de acabar.
    Parabéns e obrigada por escrever

  37. Olisomar Pires
    15 de dezembro de 2017

    Pontos positivos; boas descrições e ambientação muito satisfatória. Enredo interessantíssimo, conduzido de forma singular, ora mostrando a solidão, ora a esperança de um ser que não se definiu ou está completamente confuso em várias a´reas da vida.

    Pontos negativos: poucos equívocos na escrita.

    Impressões pessoais: o texto remete, simbolicamente, ao afastamento do ser humano em relação a outros e a amores desfeitos. É grande a possibilidade de interpretações.

    Sugestões: em atenção ao tema, e acho que foi atendido, ainda que ligeiramente, explicitá-lo mais, de forma a não existir dúvidas.

    E assim por diante: belo conto, delicado e sensível.

  38. Gustavo Araujo
    14 de dezembro de 2017

    O conto investe pesado nas descrições, o que me agrada bastante. Ambiente, personagens, até mesmo as ações, tudo é passado de forma minuciosa, colaborando para com a ambientação do texto, algo que, neste tipo de narrativa, é imprescindível. Quase pude sentir o cheiro das plantas, da árvore, das flores, enfim, todo o universo criado em torno do nosso Homem-Árvore. Talvez não se trate de um poder, mas de uma espécie de doença ou mesmo de uma maldição, mas esse enquadramento é irrelevante a meu ver. O protagonista é alguém que exala solidão, alguém que se vê transformando, admirando o mundo exterior – e um antigo amor que não voltará – pela janela. Essa sensação de isolamento foi muito bem explorada, sobretudo no trecho em que o novo síndico, Ricardo, chega ao apartamento e termina morto, para depois ser convertido, ou utilizado, melhor dizendo, para que outra planta, uma outra parte de Giovanni floresça. Bem, não tinha como terminar de modo diferente. O Homem Árvore tomou conta do edifício e terminou seu ciclo, ainda que alguém tenha levado suas sementes para um novo lugar. Vida que segue. Enfim, um conto muito bom – ainda que precise de um tantinho de revisão – que me agradou bastante. Parabéns e boa sorte no desafio.

  39. angst447
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Amorphophallus, tudo bem?
    Primeiro fui procurar a imagem da flor amor-agarradinho e me encantei. Adoro flores, plantas, a flora toda. Por isso mesmo, gostei tanto do Homem- árvore, Giovanni. Depois fui pesquisar sobre o seu pseudônimo e me deparei com a flor cadáver… Caprichou nas escolhas, hein?
    Conto bem escrito, principalmente quanto à descrição do personagem e do ambiente que o cerca. O ritmo é um tantinho lento como a espera pela primavera, mas não chega a cansar.
    Pouca coisa escapou da revisão como:
    “(…) a tristeza de Giovanni quebraram” > QUEBROU
    ” O resto de flores e plantas e cascas de madeira espalhadas ao redor do Edifício Meireles lhe trouxeram lembranças” – não está errada a concordância, mas o emprego de ” o resto de flores” logo no começo nos dá uma sensação de ser tudo parte deste resto – resto de flores, de plantas, de cascas… o que pediria o singular no lugar do plural.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso e muito estilo.
    Boa sorte!

  40. Bianca Amaro
    13 de dezembro de 2017

    Olá!
    Gostei muito do seu texto. O superpoder é de se conectar com as outras plantas, senti-las, e ir, com o tempo, se transformando em uma planta. Estou certa? A explicação para esse poder também foi interessante, usando a genética a seu favor.
    Durante toda a leitura, não consegui parar de pensar no Groot, de Guardiões da Galáxia.
    Apesar de ser triste, eu gostei do final. Foi bem interessante.
    E, sinceramente, eu me apaixonei pela sua narrativa. Usou belas palavras para descrever cenas simples, o que me deixou maravilhada. Admiro muito quem tem o talento, o superpoder de fazer isso.
    O título caiu muito bem no texto, assim como seu pseudônimo.
    Porém, eu não compreendi muito bem a última cena. Estou enganada ou a semente era o que restou do homem-planta? E quem era aquele homem? Estou viajando demais?
    De qualquer forma, meus sinceros parabéns pelo seu texto, e boa sorte!

  41. Evelyn Postali
    13 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Fiquei surpresa com o conteúdo e também com o pseudônimo. A flor cadáver… Ela é linda. Não importa o nome popular. E o conto é lindo apesar de não encontrar superpoder. Há uma transformação, mas superpoder… Muito tênue a percepção dele. Eu considero superpoder, nesse caso, a capacidade dele se conectar com as plantas e usar as características delas para seu benefício ou para continuar a desenvolver suas transformações, apesar de não ter certeza ainda disso. É uma bela fantasia urbana. Lembrou-me dos contos de fada, inserido, obviamente, na contemporaneidade. Gostei demais de como você desenvolveu a história. Gostei da linguagem. Ela me lembra dos clássicos. Tão bem elaborada, mesmo quando excessiva. A trama é tão linda! Eu estou dividida com a avaliação. Porque o conto é muito bom, mas não quero fugir da avaliação que fiz com os outros. Saia justa. Ensaio sobre a natureza morta é um título que resume bem esse conto. Duas mortes – a da natureza humana e a da natureza propriamente, que foi no que Giovanni se transformou.
    Boa sorte no desafio.

    • Amorphophallus titanum
      13 de dezembro de 2017

      Oi, Evelyn! Fico feliz que achou bonito o conto! Quanto ao poder, é esse mesmo de se conectar e manipular plantas. A Flor-Cadáver é interessantíssima, o fato dele ser tão exótica e rara, florindo pouquíssimas vezes na vida, algo tão passageiro. Tentei unir com a sensação das naturezas mortas, Ao poder, me inspirei aqui.

      http://powerlisting.wikia.com/wiki/Plant_Manipulation

      • Evelyn Postali
        13 de dezembro de 2017

        Eu gostei muito dele, mesmo! Também usei esse site como uma das fontes de pesquisa.

  42. Angelo Rodrigues
    12 de dezembro de 2017

    Caro Amorphophallus Titanum

    superpoder. Acompanhei a discussão acerca do superpoder e não me convenci de que haveria ali algo titanicamente superpoder. Achei-o realmente limítrofe. Pode ou não pode ser. Mas acho que isso não importa muito. É algo meio livre.

    Achei o conto legal, bem escrito, com ritmo compatível com o tema desenvolvido. Tem um tom triste como triste seria o caro Giovanni.

    Peca aqui e ali pelo uso de termos que excedem a necessidade de leitura, descendo a minúcias que me pareceram desnecessária para empurrar a trama, algo, às vezes, um pouco enciclopédico ou apenas exagerado, como “100% algodão, segundo a etiqueta.”, além de outras.

    Conheço a pintura que ilustra o texto e ela tem como título “Vaidade das Vaidades! Tudo é Vaidade!”, de Adriaen van Utrecht. Achei, então, que o texto tomaria esse caminho, mas isso não aconteceu. Não há realmente traços de vaidade em Giovanni.
    O mesmo se deu com o nome do Contista, Amorphophallus Titanum, que não passa de ser a Flor-Cadáver. Essa sim, talvez tenha correlação com o texto apresentado. Legal isso.

    Algumas inserções achei que poderiam não ter sido feitas, como a Dorothy do Mágico de Oz e a senhora que morava num dos andares. São “personagens” que aparecem e desaparecem como ilustrações e não empurram a trama, ilustram apenas, e num conto tão curto, mais vale gastar palavras tocando o enredo.

    Seria interessante rever o trecho: “Em pouco tempo, a tristeza de Giovanni QUEBRARAM / QUEBROU a porta,…”

    No mais, creio que o texto foi bem.

    Boa sorte no desafio.

  43. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2017

    É um conto triste e bonito. Apesar de algumas coisas terem me incomodado, no geral eu gostei do resultado.

    Primeiramente, falando sobre a escrita, acho que o autor acertou no tom, meio lúdico, meio melancólico, só tendo pesado um pouco a mão nos adjetivos e metáforas exageradas… isso colocou um pouco mais de açúcar do que o necessário.

    O superpoder aqui é discutível, não sei se atende o tema por completo… o cara vira árvore, mas ele isso não me parece necessariamente um poder. Seria se ele se tornasse algo tipo o Groot, com superforça ou algo assim. Do jeito que foi apresentado, ficou mais com cara de mutação do que outra coisa. Daí até vem o questionamento – pra ser superpoder, precisa ter alguma utilidade?

    Bom, deixando o tema e os adjetivos um pouco de lado, eu curti a narrativa. Me fez lembrar do triste “O Homem Elefante”, sobre a questão do isolamento e também da pegada filosófica de Monstro do Pântano.

    No final, fiquei com impressão que o homem era o pai, mas o texto deixa isso no ar. Nesse caso, acredito que seria melhor explicitar a identidade.

    Abraço!

    • Amorphophallus titanum
      11 de dezembro de 2017

      Fábio, obrigado pelo comentário. E aproveitando que é o primeiro e já citando o tema, o superpoder do Giovanni é manipular vegetal e, aos poucos, estar se transformando em um. Monstro do Pântano, Hera Venenosa, Groot, são outros personagens que partem do mesmo princípio, só não utilizei pra combate. Mesmo mutação, ela pode gerar poderes que são úteis ou não (vide vários X-Men haha). Valeu!

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Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .