EntreContos

Detox Literário.

Helena e a roda gigante (Daniel Reis)

Ruídos, luzes e pessoas podem ser bem assustadores – principalmente quando tudo o que você tem são quatro anos de idade. Helena mantinha-se firmemente ancorada, da forma como era possível, apertando a mãozinha fria contra a pele seca e amarelecida pelos cigarros nos dedos do pai. Medo iminente: naufragar no movimento de uma multidão flutuante de rostos estranhos, desvelados parcialmente pelos fogos de artifício intermitentes. Procurou esquecer o temor e guardar o caminho tortuoso percorrido por entre barracas iluminadas, o cheiro de fritura e pipoca, os gritos de excitação dos meninos grandes nos brinquedos. Ela, tão pequenina, só guardou fragmentos flutuantes daquela noite quente. E o cheiro forte do perfume barato, que não disfarçava o suor do esforço de seu pai para sustentar, ao menos com o mínimo, no mínimo três: ele, a esposa e a filha – sem contar diversos vícios, defeitos e outras mulheres.

Pelo meio do povo, entre a pescaria de prendas, diversões e bebidas, conseguiram finalmente entrar na fila. Pai e filha à frente, a mãe sempre à distância, expressão inexpressiva no rosto. Chegaram ao guichê, o pai despejou uma porção de moedas contadas, uma a uma, em cima do balcão. Recebeu e guardou o comprovante, até entregá-lo, todo amassado, para o embarque, já na fila do brinquedo. Outro funcionário do parque estava responsável por receber os bilhetes, antes de abrir a grade de metal que protegia o acesso à cabine, com seu pequeno banco de madeira. Havia espaço para dois, mas apenas um ingresso foi entregue. Pai e filha, menor não-pagante, tomaram assento. A mãe assistiria a tudo ao nível do solo.

***

O bicho-brinquedo despertou aos poucos, espreguiçando metal contra metal, num longo guincho de porcas e parafusos. A ascensão era lenta e exasperante. De súbito, ficaram suspensos, logo após um pequeno tranco, a três metros e meio de altura. Sentada na ponta do banco, ainda segurando com força na mão de seu pai, a menina balançava as perninhas, nervosa. Um casal embarcou na próxima cabine, logo abaixo deles, e com o giro da manivela o operador pôs novamente o monstro em movimento. Assim foi, várias vezes: pequenas paradas, novas pessoas, seguindo-se o deslocamento brusco e curto de todo o conjunto da roda.

Após o embarque dos últimos passageiros, pouco mais de meia volta completa, Helena ainda se espantava: de longe, como eram pequenas todas as coisas e as pessoas que não conhecemos! O brinquedo acelerou de súbito e entrou em movimento. Sentiu um frio estranho na barriga, que foi crescendo, sensação incontrolável de um enjoo repentino. Tudo ficou em suspenso.

Pela primeira vez, Helena parou o tempo.

Lá embaixo, o mundo estava completamente congelado: fumaça das barracas, crianças em folguedos, pessoas espalhadas como formigas pelo chão. Mesmo a lua no céu e o vento que, até instantes, bagunçava seus cabelos, já não tinham movimento algum. Helena, assustada, procurou a mãe com os olhos, e só encontrou lá em baixo um pequeno ponto parado, como tudo ao seu redor.

Ao seu lado, o pai, um corpo inerte. Olhava absorto para bem longe, estagnado em um momento de preocupações inconfessáveis. Helena cutucou-o, bem de leve, mas ele nem deu sinal de vida. A menina não tinha condições de imaginar de onde viera esse talento de parar o tempo. Experiência repetida muitas vezes, em bons e maus momentos, durante toda a sua vida.

 

***

 

Helena estava concentrada em sala de aula, aprendendo a ler, quando uma das diretoras da escola abriu a porta e chamou a professora. Cochichou nervosa, e a outra assombrou-se com a notícia.

— Helena, querida, venha cá. A tia Mariane precisa conversar com você.

A menina, tímida, levantou-se e foi até a sala da diretora, de mãos dadas com ela.

— Hoje você vai para casa mais cedo, meu anjo.

Fez beicinho. Gostava de ficar na escola, até mesmo se esqueciam dela.

— Por favor, não chore. Vão explicar tudo, quando chegar a hora.

Quem veio buscá-la foi uma vizinha, amiga da família. Helena estranhou, mas foi embora com ela. Aquilo não era comum. A mulher, geralmente tão faladeira, passou o caminho inteiro sem dizer nada.

O movimento começava na porta de casa. Vários parentes, muitos dos quais ela nem conhecia. Quando entrou na sala, interromperam-se as conversas em voz baixa. Novamente, Helena sentiu que algo estava para acontecer, alguma coisa que ela não conseguiria entender nem controlar.

E teve certeza disso ao ver o caixão fechado, coberto com uma simples coroa de flores.

Helena extravasou a força inaudita, mais forte do que na primeira vez, na roda gigante do parque de diversões.

Uma onda de silêncio e solidão explodiu à sua volta.

Canários e pintassilgos que o pai mantinha em gaiolas de madeira, penduradas na parede do lado de fora, permaneceram completamente mudos e imóveis, equilibrados nas grades e poleiros. Como estáticos estavam os veículos na rua em frente à casa, a algazarra das crianças na vizinhança, os grilos e sapos no brejo próximo. O sol também estacionou, quase a pino. Helena precisou sair, atônita, caminhando sozinha e sem destino, pelo meio da rua. Era capaz de andar por entre os carros, sem ser atingida.  Adiante, no campo de futebol, dois times espalhavam-se pela várzea. A bola continuava suspensa no ar, quase atingindo a testa de um deles, bem em frente ao gol adversário.

Helena sentou-se no banco de madeira da praça. Mas, ali e por muito tempo, não seria capaz de chorar pela mãe atropelada. Nem encontraria um bilhete que explicasse o porquê de tudo isso.

***

Helena só aprendeu a controlar seu dom quando começou a ler. Percebeu que, se estivesse suficientemente concentrada na história, conseguiria parar o fluxo das horas e viajar pelo espaço, de várias maneiras.  Porém, com todos os outros seres estanques no tempo, somente ela vivenciaria aquela experiência incomunicável. O pai, por exemplo, continuaria absolutamente ausente, tornando-se, aos poucos, nada mais do que uma mancha borrada em movimento. Com apenas oito anos, Helena já tinha quase doze voltas em torno do sol.

***

Ao dominar a passagem do tempo, Helena também pôde observar muitas outras coisas espantosas: enquanto, para os outros, passava-se apenas um instante, para ela tudo poderia ser uma fração de eternidade. Podia deslocar-se mais longe, chegar antes, observar melhor as coisas que aconteciam, por todos os ângulos.  Seu dom também era seu castigo: viveria bem mais tempo no agora, e bem mais rápido do que qualquer outra pessoa na face da terra. Porém, seu talento nunca seria suficiente para deter ou reverter o fluxo dos acontecimentos.

E esse era o seu maior desejo: fazer a roda gigante girar ao contrário.

***

Helena saiu de casa com dezesseis anos, mas já tinha vivido quase vinte e tantos outros por dentro. Desentendeu-se com o pai, a quem não conseguia perdoar, e que também não era capaz de entendê-la. Decidiu viver de arte, única forma de existência na qual se é permitido parar o próprio tempo, para que outros continuem a viver.

***

Nos meses seguintes, passaram-se anos. Helena, sozinha, sentiu o movimento indesejado da roda gigante girando dentro dela. Mesmo que parasse tudo ao redor, aquilo continuaria a crescer: medo de não ser capaz de cuidar de outra pessoa. Por isso, tomou uma decisão urgente: seguir adiante e carregar apenas o peso do que não levaria consigo. Abandonou ali um pedaço dela mesma.

***

Já não disfarçava as mechas grisalhas e o remorso nas rugas, mesmo sendo, para o espanto dos outros, cronologicamente bem mais nova do que aparentava ser. Acreditavam que tivesse uma daquelas doenças raras, que aparecem nas notícias de televisão. Talvez estivessem certos nisso. Helena não dividia sua história ou falava sobre o seu dom com mais ninguém – para que tentar provar o sobrenatural a quem não vive cercado dele? Era algo simplesmente indescritível. Lamentava a impossibilidade de compartir e compartilhar-se, mesmo que isso pudesse trazer à outra pessoa a mesma intranquilidade que ela sentia em seus instantes de iluminação. Como naquele em que recebeu, finalmente, a resposta imediata que precisava.

Era um fim de tarde. Helena tinha muito o que pensar e decidir. Antes, sentiu vontade de observar, por alguns instantes além do normal, aquele céu estático, de quase pôr-do-sol. Fez-se novamente o silêncio absoluto. A ausência do movimento natural do tempo, dos pássaros e outros pequenos animais, a água gelatinosa do pequeno lago, tudo convidava a um relaxamento profundo. Deitou-se sobre o verde da grama, e pôs-se a admirar aquela tonalidade do céu, na transição progressiva entre o rajado azul mais profundo da noite, até o rubro colérico do sol de outono, pouco abaixo da linha do horizonte. Helena chorou como uma criança que vê quadro familiar, há muito tempo esquecido no sótão.

Sua atenção mudou de foco.  Algo estranho havia entrado em movimento.

À sua frente, uma menina tímida, talvez sete ou oito anos de idade. Observaram a mesma surpresa estampada nos rostos, reconhecendo-se mutuamente. A menina deixou um bilhete amassado nas mãos da mulher e correu para longe dali. Helena abriu o papel. Era o ingresso para a roda gigante de um parque de diversões que não existia mais.

Helena acordou nesse instante. E sentiu que estava na hora de deixar o tempo passar.

***

Como fazia todos os dias, entrou pela porta giratória e atravessou a sala de triagem do pronto-socorro, na qual dezenas de pacientes, imóveis em suas macas ou largados nos corredores, aguardavam indefinidamente o atendimento de urgência. Subiu três lances de escada, desviando de jovens residentes que fumavam escondidos. Dobrou à direita na ala pediátrica, e seguiu em frente, até chegar à Oncologia. Abriu a porta da enfermaria coletiva, com muito cuidado, como se pudesse incomodar mais a quem já tinha tanto incômodo. Enquanto o relógio na parede estivesse parado, o sofrimento seria só dela. Mas Helena compreendeu que era hora de aceitar que estava na hora. Sentou-se numa cadeira no canto, tirou o livro da bolsa e colocou o mundo em movimento. Simplesmente leu, em voz alta, a história de uma menina na roda gigante. E seu pai, ausente e deitado, estaria livre para descer do brinquedo, quando perdesse o medo. Quando sentisse que era o momento. Tudo a seu tempo.

Anúncios

45 comentários em “Helena e a roda gigante (Daniel Reis)

  1. Fabio Baptista
    30 de dezembro de 2017

    Eu li esse conto há uns dois dias e gostei bastante da técnica empregada, segura e consistente, demonstrando maturidade do(a) autor(a). As cenas do tempo parando são muito bem descritas e visuais (impossível não lembrar do Mercúrio nos filmes do X-Men). Porém, não havia entendido muito além do básico… a menina parava o tempo, mas ele continuava a correr para ela.

    Bom, mesmo na correria do último dia de comentários, a técnica apurada me instigou a ler novamente e consegui ver mais algumas nuances. Uma dúvida que eu tinha foi eliminada, por exemplo: por que ela ficava parando o tempo tantas vezes a ponto de envelhecer visivelmente aos olhos das outras pessoas? Agora interpretei que era para aumentar sua produção artística e ganhar a vida com isso.

    Alguns pontos, porém, permaneceram obscuros e aquelas quebradas ali no meio me saltaram ainda mais aos olhos. Quem era a menina no final? Na minha interpretação era ela própria. E também interpretei que de alguma forma o pai ainda estava preso lá na roda gigante em um fluxo temporal alternativo ou algo do tipo.

    Gostei da leitura, foi instigante, mas esses detalhes não explicados acabaram comprometendo a apreciação completa. Não que o autor tenha que explicar tudo, mas deixar totalmente no escuro também não é legal, na minha opinião.

    Abraço!

  2. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    7. Helena e a roda gigante (Miss Carriage):
    A PREMISSA, na qual está o dom de parar o tempo, aparece em outros contos, mas aqui ele tem uma característica diferenciada: esse tempo para e a menina não para, o que faz ela envelhecer. Não entendi direito se a menina que ela encontrou era ela mesma, a mãe ou até uma filha. A TÉCNICA é segura e coerente, apesar de em alguns momentos exagerada nos trocadilhos e repetições. Como APRIMORAMENTO, sugiro uma reescrita, eliminando pontos como o velório da mãe e explicando melhor quem era a menina que ela encontrou.

  3. Marco Aurélio Saraiva
    29 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Gosto muito de contos que brincam com o tempo. A ideia de manipular o tempo é fantástica para mim. Você soube explorar esta ideia muito bem no seu conto.

    Helena é uma personagem carismática ao seu jeito. Ela é quieta (no conto, os pouquíssimos diálogos presentes não são dela), porém compensa essa quietude com uma personalidade forte e decisões únicas quanto ao uso do seu poder.

    Achei excelente a escolha do superpoder. O fato dela envelhecer mesmo quando pára o tempo foi um detalhe fascinante e inesperado. Isso adicionou tantas dimensões à trama que nem sei numerá-las.

    O final foi bem confuso para mim. Por um momento, tudo o que eu consegui pensar foi que, enquanto o tempo estava parado, Helena vivia outra vida, onde todo o mundo estava parado e só ela se movia. Ela passou verdadeiros anos desta forma, desde a infância… provavelmente impedindo que o tempo passasse o suficiente para que o pai morresse (já que não pôde impedir a morte da mãe, que foi muito repentina). Porém, o encontro dela consigo mesma ainda está muito confuso na minha mente e não consigo chegar em uma explicação que faça sentido.

    =====TÉCNICA=====

    Sublime! Você escreve que é uma beleza. Só posso tecer elogios. É claro que, no meu lado mais pessoal, o seu estilo por vezes parece um tanto desnessariamente rebuscado para o meu gosto, mas sei que isso é algo mais ligado ao seu estilo e não a sua competência. Você demonstra claro domínio do português. Um dos contos melhor escritos do certame, com certeza.

    Um destaque:

    “Olhava absorto para bem longe, estagnado em um momento de preocupações inconfessáveis.”

  4. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Gostei muito da sua história, o que me deu alguns amargos de boca por conta de certas incoerências. E, não havendo espaço para um maior desenvolvimento, seria talvez boa ideia retirar a morte da mãe (numa manhã de escola é difícil que paralelamente tanta coisa suceda, incluindo a chegada de parentes, muitos deles, provavelmente distantes). O conto atende ao tema e está repleto de magia, então essas partes dissonantes afastam-nos dela sem que nada lhe acrescentem.
    Por exemplo, na primeira parte temos isto: “Pela primeira vez, Helena parou o tempo.”, logo seguido de: “ A menina não tinha condições de imaginar de onde viera esse talento de parar o tempo. Experiência repetida muitas vezes, em bons e maus momentos, durante toda a sua vida.”, se não alterar para: “Experiência que viria a ser repetida muitas vezes…”, parece uma contradição, na medida em que dá a sensação de que já sucedeu muitas vezes algo que, antes, foi dito que era a primeira.
    E também mais à frente: “Podia deslocar-se mais longe, chegar antes, observar melhor as coisas que aconteciam… Porém, seu talento nunca seria suficiente para deter ou reverter o fluxo dos acontecimentos.” Porque não? Ela podia mover-se no tempo parado, tanto que podia que o seu tempo decorria sobre si e ela envelhecia nesse durar. Então, se podia chegar antes, porque não mudar as coisas de sítio de maneira a que, consequentemente, aconteçam de outra forma? Não conseguia dar um pequeno empurrão à mãe e tirá-la da trajetória do carro? Em minha opinião, melhor seria não ter dito que podia chegar antes.
    Também a parte da gravidez, até porque excessivamente suposta e nada esclarecida, está ali a mais.
    Enfim, gostei, mas ficaria bem melhor retirando tudo o que não é pura magia. Aí, talvez fosse até o meu favorito; assim, ficou com pontas soltas, informação em excesso ou em falta e algumas contradições.
    Tudo isto não lhe retira em nada a excelente capacidade de recriar uma atmosfera carregada de magia e densidade, algo que não está ao alcance de poucos. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  5. Priscila Pereira
    28 de dezembro de 2017

    Superpoder: parar o tempo

    Olá Miss, que conto bonito!! Eu gostei bastante! Comparar a passagem do tempo a uma roda gigante foi muito inteligente. As descrições são interessantes e bonitas, o conto tem um ar insólito muito bom, como se brumas de surrealismo cercassem a realidade.. Kkk não sei explicar. A Helena é uma personagem muito boa, intimista… Está bem escrito e bem revisado. Parabéns e boa sorte!!

  6. Leo Jardim
    28 de dezembro de 2017

    # Helena e a roda gigante (Miss Carriage)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – a cena inicial, da roda gigante, é muito bonita, exceto por uns excessos de informação; em pouca quantidade ajudou a criar o clima, acabou ficando um pouco demais (a cena do pai comprando o ingresso, por exemplo)
    – quando o poder é apresentado, o conto fica muito bom; gostei bastante desse poder, mas gostaria de vê-la utilizando mais; as cenas do congelamento são lindas
    – achei muito boa a parte em que ela encontra consigo mesma; fiquei com a impressão que ela estava entregando o bilhete à mãe, que seria ela mesma mais velha?! Mas o texto não deu certeza disso, seria uma reviravolta muito boa
    – o trecho depois desse encontro não teve o mesmo impacto e acabou sendo broxante pra mim, pois não confirmou minha suspeita

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫):

    – muito boa, com uma escrita bonita e descrições vívidas
    – ao menos com o *mínimo*, no *mínimo* três (essa repetição não ficou boa)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – gostei do poder apresentado e da imagens do tempo congelado; não é totalmente novo, mas o usa com personalidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de parar o tempo (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – se aquela minha suspeita sobre ela ser a própria mãe tivesse se confirmado, seria a melhor reviravolta do desafio, mas o último parágrafo não só não explicou aquele encontro como acabou indo para um caminho melancólico que não me agradou tanto. Uma pena.

  7. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage, que conto bonito você me traz. Um conto pleno de melancolia da menina triste que parava o tempo, mas não tinha como interferir nele. Fazer a roda gigante da vida girar ao contrário. Um ponto de vista criativo, a partir da própria criança e, por isto, difícil de ser realizado. Tudo no seu lugar, um conto intenso e forte. Abraços de parabéns.

  8. Estela Goulart
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Miss. Seu conto provoca muitas indagações ao leitor. De início, não entendi muito bem o final. A história começou a ficar confusa. Talvez, por muita reflexão, tenha chegado a uns resultados bem legais. O superpoder bem se fala, está completamente bem adequado ao tema. Não encontrei tantos erros. Parabéns e boa sorte.

  9. Renata Rothstein
    27 de dezembro de 2017

    Oi, Miss!
    Que conto forte, reflexivo e filosófico vc nos traz…li e reli, por puro prazer de sentir cada detalhe narrado e imaginar as entrelinhas dos acontecimentos da vida de Helena.
    Talvez ela seja um pouco de cada, nessa roda gigante da vida….talvez nós todos sejamos, não é?
    Ótimo tudo.
    Quanto à parte técnica, nem preciso dizer que está excelente, né?
    Parabéns, boa sorte!
    Abraços

  10. Fil Felix
    26 de dezembro de 2017

    Um ótimo conto, gostei de como trabalhou o poder de parar o tempo, mas que ainda faz a protagonista envelhecer (característica que vi em outro texto no desafio), que dá mais realismo e complexidade à trama. Mesmo sendo curto, há vários pontos de destaque, principalmente pelo estilo narrativo. Em especial a cena da roda gigante, quando fala do ranger, dela se movimentando. A gente fica ansioso, pensando que ela pode cair a qualquer momento, sem esperar a cena seguinte. Também gostei do tom intimista, de como ela para o tempo e se volta a si. Eu mesmo queria ter esse tipo de poder, assim poderia fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas não queria envelhecer, não! Morro de medo! O momento em que ela se vê, ficou perfeito. Pra mim, teria acabado ali mesmo. O último parágrafo, não curti tanto.

  11. Sigridi Borges
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage!
    Conto belíssimo e que atendeu ao tema proposto pelo desafio: fazer parar o tempo.
    Quantas vezes esse superpoder poder ter sido o desejo de tantos?
    Interessante a analogia feita entre o relógio e a roda gigante. Gostei muito.
    Texto melancólico e cativante.
    Achei um pouco forçado o velório da mãe. Aconteceu tudo muito rápido enquanto a menina estava na escola. Será que ela parou o tempo nesse instante também?
    Mas…
    Parabéns pelo seu conto!
    Obrigada por escrever.

  12. Rubem Cabral
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage.

    Um conto muito bom, bem escrito e com uma personagem marcante. O loop ficou bacana também, ao entendermos quem é a mãe de Helena. Há passagens bonitas e o poder de Helena, que envelhece fisicamente toda vez que ela paralisa o tempo, é fascinante e diferente.

    A escrita é muito boa, com voos criativos e pequenas jóias de letras, incrustadas aqui e ali.

    A lamentar, somente, um pouco mais de história, pois o enredo poderia ter entregue um pouco mais de conflitos.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  13. Ana Carolina Machado
    26 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei bem interessante o conto. Achei legal que alguns pontos passaram a informação de forma bem sutil, nas entrelinhas, como aquele momento que diz : “Abandonou ali uma parte dela mesma”, esse trecho e os outros que vieram antes falam de quando a Helena deixou o filho de uma forma única e sentimental, pois mesmo tendo o deixado continuava sendo parte dela. Achei bem interessante a forma de narrativa escolhida, mas em alguns momentos me senti confusa, principalmente na parte final. Gostei muito da cena da roda gigante, da primeira vez que a menina parou o tempo. Gostei da cena da roda gigante também porque li há pouco tempo um livro do Stephen King chamado Joyland, um dos melhores momentos do livro se passa em uma roda gigante. Parabéns. Boa sorte.

  14. Catarina Cunha
    26 de dezembro de 2017

    A primeira frase está ótima. Dá logo a intensidade do quanto é frágil emocionalmente alguém tão novo.
    A cena da roda gigante, em que a menina descobre seu poder de parar o tempo, está muito bem construída; mágica até.
    Temos aqui um bom exemplo da arte pela arte, da grande capacidade de criar imagens além do que está escrito; como a própria narrativa aponta: “Decidiu viver de arte, única forma de existência na qual se é permitido parar o próprio tempo, para que outros continuem a viver.”
    Bom conto.

  15. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Literariamente falando, o conto é primoroso. Adotam uma estética que tem ampliado no Entrecontos seu número de praticantes. Ele trabalha com a palavra em seu nível artístico. Afinal isso é literatura, não apenas um relato de fatos que acontecem com alguém em algum lugar e tempo. Alguns exemplos do exercício da arte:

    “[…] expressão inexpressiva no rosto”. O que seria uma expressão sem expressão? É um rosto vazio, em que os traços faciais estão presentes, mas não dizem. É aquele estado de ausência da pessoa, transfigurado no rosto.

    Em “[…] seguir adiante e carregar apenas o peso do que não levaria consigo” há a mesma estrutura antitética da expressão anterior, com a beleza que isso costuma carregar. A personagem carrega, mas não leva; temos o peso do que não está com ela.

    “O bicho-brinquedo despertou aos poucos […]”: uma associação inaudita entre dois substantivos, sugerindo que a roda-gigante (com hífen) é viva.

    Contra esse tipo de manipulação da palavra é comum a seguinte crítica, nem sempre razoável: o texto é voltado para si mesmo, num hermetismo poético sem trama. Ao investirmos nesse tipo de observação, às vezes a gente se esquece de que alguns dos grandes contistas da Brasil e até do mundo escreviam e escrevem contos nos quais o que menos se destaca é o enredo, a exemplo de Clarice Lispector.

    Fácil entender a postura contrária à estética deste conto quando olhamos para contemporaneidade e vemos que ela exige uma literatura às pressas, que diga logo seu objetivo, que seja imediata. Ou seja, que não entre na subjetividade dos personagens e que as situações postas não sejam portadoras de plurissignificação, essa coisa tão desagradável a nos deixar em suspenso: terei interpretado certo, perguntamo-nos, pondo de lado a hipótese de que o certo pode perfeitamente ser mais de uma possibilidade. Eu trato um pouco disso em https://eduardoselga.wixsite.com/oimaginario/servicos, no artigo “A desaceleração de que o mundo precisa”.

    A narrativa situa-se num ponto limítrofe entre a representação fantástica e a realística. De um lado temos a informação de que Helena domina o tempo, esse elemento de nossa existência que não é concreto, e sim um conceito construído pelo ser humano para facilitar a existência em civilização. De outro, fica a dúvida: o narrador, ao dizer “Pela primeira vez, Helena parou o tempo”, é bem possível que ele esteja vocalizando a subjetividade da personagem; é provável que o tempo paralisado seja o dela, interno, pessoal. Um exemplo dessa possibilidade é “Com apenas oito anos, Helena já tinha quase doze voltas em torno do sol”. O movimento de translação (“voltas em torno do sol”) é o de sua subjetividade, de seu espírito que viaja no tempo.

    Temos e não temos o duplo. Com a mesma dinâmica do tempo, o duplo pode ser real ou pode ser percepção da protagonista.

    Acho que vale a pena prestar atenção nas figuras femininas da narrativa. A mãe é uma pessoa apagada, como se vê em “Pai e filha à frente, a mãe sempre À DISTÂNCIA […]” e “A mãe assistiria a tudo AO NÍVEL DO SOLO”. A própria protagonista, não obstante sua posição central na narrativa, tem uma atitude passiva diante da vida e da morte. Tanto que diante do caixão de sua mãe ela busca outro lugar para encontrar-se. Se bem que, verdade seja dita, o pai é bem mais apassivado que ela, donde se conclui que não há personagens ativos. Todos parecem vibrar em cores pastéis. Ainda assim, o conto brilha.

  16. Andre Brizola
    25 de dezembro de 2017

    Salve, Miss!

    Olha, gostei bastante do conto. Ele é bastante melancólico, mas é bonito e traz uma mensagem positiva no final das contas. O poder de parar o tempo já foi utilizado inúmeras vezes e em inúmeros formatos, mas aqui vi pela primeira vez um impacto mais realista em cima do efeito do poder em seu usuário. Ótima alternativa que ganhou muitos pontos comigo.
    Com relação à técnica empregada, acho que o estilo ficou adequado ao tom do conto. A melancolia foi realçada por frases bem encaixadas, como, por exemplo “e pôs-se a admirar aquela tonalidade do céu, na transição progressiva entre o rajado azul mais profundo da noite”. Acho muito legal essa adjetivação toda, e é isso que quero dizer com adequado. Muito bom.
    Eu só não gostei da citação ao jogo de futebol. “Adiante, no campo de futebol, dois times espalhavam-se pela várzea. A bola continuava suspensa no ar, quase atingindo a testa de um deles, bem em frente ao gol adversário”, ficou esquisito. São dois times espalhados, e a bola quase atingindo a testa de um deles. Seria melhor ter falado que eram jogadores espalhados pelo campo. Mas, eu, sinceramente, removeria tudo. É minha única crítica.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  17. Luis Guilherme
    25 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a), tudo bem por ai?

    Que belo conto!

    Sua escrita é muito segura, competente e de uma beleza estética gigante. Ah, e você utilizou muito bem das metáforas no texto, aumentando consideravelmente a qualidade da escrita.

    Tem passagens incríveis, como “O bicho-brinquedo despertou aos poucos, espreguiçando metal contra metal, num longo guincho de porcas e parafusos.” (vou até mandar essa frase nas melhores da Catarina, rsrs.

    Enfim, a leitura é agradável e fluida, e a história deslizou diante dos meus olhos. Parabéns!

    Mas devo dizer que no começo achei que tem alguns momentos em que você exagerou na descrição e acabou passando infos meio desnecessárias, como em:” Chegaram ao guichê, o pai despejou uma porção de moedas contadas, uma a uma, em cima do balcão. Recebeu e guardou o comprovante, até entregá-lo, todo amassado, para o embarque, já na fila do brinquedo.”

    Achei que o excesso de infos (afinal, é óbvio que ele guardaria o bilhete apenas até entregá-lo na fila), acabou criando uma sentença meio truncada, que não condiz com a leveza do restante.

    Claro que isso é detalhe e algo que só to apontando como algo que notei.

    Quanto ao superpoder, é incrível! Adorei! Ninguém mais pensou nele, pelo visto. E você o executou com muita competência, trazendo descrições muito boas dos momentos de tempo parado, e abordando também os prós e contras da capacidade. E acho que o “contra” foi algo cruel pra personagem, afinal, imagino a angústia de poder parar o tempo, mas não poder fazê-lo voltar e arrumar tudo que ficou pra trás, né?

    E acho que foi isso que fez com que a garota decidisse viver sozinha, não é? Isso deu um toque melancólico, preparando para o desfecho, que é lindo! Pelo que entendi, a menina decidiu parar de parar o tempo e deixar o pai seguir pro outro lado. É isso? Adorei!

    Só fiquei com uma dúvida: no momento em que ela se encontra com seu eu infantil, achei um pouco estranho, afinal, ela não tinha a capacidade de voltar no tempo ou avançar, certo? Isso quer dizer que ela só viu a menina com uma manifestação da própria mente, indicando sua percepção interna de que era hora de seguir adianta?

    Enfim, belíssimo conto! Parabéns, boa sorte e boas festas!

  18. Rafael Penha
    25 de dezembro de 2017

    Olá , Miss Carriage

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante mas um pouco cansativa em alguns momentos.

    3- Estilo – Um conto melancólico e, na minha opinião, um pouco extenso demais.

    4- Roteiro; Narrativa – Um enredo simples, que progride, mas acaba se perdendo em alguns pontos nos devaneios da menina. Um ou outro ponto me pareceram mal explicados, como o caixão na casa. O personagem evolui e amadurece, mas poderia ter narrado mais conflitos na vida da protagonista, e não tanto apenas reflexoes.

    Grande abraço!

  19. Pedro Paulo
    24 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Uma vida que não é passada em seu tempo natural, mas na solidão da própria protagonista, apresentada em uma história comovente. É chocante, de fato, mas eu senti falta de alguns elementos que talvez pudessem ter enriquecido a trama. Do mesmo modo (sem ousar dizer que estou certo), penso que algumas coisas poderiam ser cortadas. Acredito que os trechos que vão marcando o crescimento de Helena não funcionaram muito bem, embora apresentem o seu poder e demonstrem as consequências, penso que poderia ter sido feito de uma maneira melhor, uma vez que não há uma história progredindo por através deles, sua serventia sendo apenas para nos mostrar as decisões de Helena e como o poder está a afetando. O que falta aí é um apelo psicológico, com a personagem realmente podendo pensar a respeito da própria solidão e de suas decisões, talvez se pronunciar a respeito de alguma maneira. Sem isto, os fatos narrados ficaram um pouco insossos e artificiais, ali só para servirem de marco cronológico. A história acaba sendo sobre a vida da personagem, mas só sabemos o que acontece com ela, não sobre ela, realmente. O final, portanto, acabou me atingindo sem muito impacto, pois eu quase não entendi. Ela foi até lá e começou a ler uma história sobre ela mesma, ao que parece. Reli e entendi que ela fazia isso todo dia, mas não ficou muito claro se ela só ia ao hospital com o tempo parado ou se também ia e lia histórias. De todo modo, ficou meio confuso.

  20. Bia Machado
    24 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Muito bom, bem elaborado e executado de forma muito boa em quase todo o texto. Faltou-me uma compreensão maior para o final. O pai dela estava lá? Ainda não sei se foi isso, mas seja como for, ficou muito bonito de se ler. O momento da morte da mãe também não me desceu muito bem. Do momento em que ela saiu de casa para ir à escola e quando a foram buscar, a mãe já estava no caixão, no velório, mesmo tendo sido vítima de um atropelamento? Isso só se explicaria se a mãe estivesse no hospital há alguns dias por conta do atropelamento, mas ou perdi alguma coisa, ou isso não é informado ao leitor. Mas o restante compensa tudo.
    – Ritmo: 1/1 – Gostei do ritmo, da forma como as coisas foram evoluindo.
    – Personagens: 1/1 – Helena é uma personagem cativante, daquelas capazes de levar um conto inteiro, como o fez nesse texto.
    – Emoção: 1/1 – Gostei muito. Daqueles textos que, tendo que ler por obrigação, não se mostram um fardo, pelo contrário.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Sim, completamente. Aliás, que inveja, Heleninha, queria poder parar o tempo, mas pararia tantas vezes, creio eu, que envelheceria 10 vezes mais rápido que Helena… Pensando bem, melhor não ter, rs…
    – Gramática: 0,5/0,5 – Algumas poucas coisas a arrumar, que não me incomodaram nem um pouco.

    Dica: desenvolver melhor as diversas partes do texto, indo além do limite do desafio, da forma como está ficou bom, mas desenvolver um texto sem a amarra do limite imposto de palavras é sempre uma experiência muito boa.

    Frase destaque: “E esse era o seu maior desejo: fazer a roda gigante girar ao contrário.” (Nossa, esse também seria um poder e tanto… imagina só, voltar no tempo e tornar algumas coisas diferentes… Mas e o medo do “efeito borboleta”?)

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  21. Paula Giannini
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Mais que tudo, nesse conto, o que me chamou a atenção foi o planejamento do(a) autor(a).

    Antes de criar uma premissa de FC (e vamos imaginar que o conto faça parte desse gênero, pois para esta leitora aqui, sim), o(a) escritor(a) precisa dominar, se não todos, ao menos muitos dos aspetos e do modo de funcionamento do “universo” por ele(a) criado. Esse domínio é fruto de planejamento, e aqui é claro que quem escreveu o texto debruçou-se sobre as possibilidades do mundo de uma personagem com o dom de parar o tempo. Prova disso são os detalhes focados, como o envelhecimento da protagonista, por exemplo.

    Quem pensaria nisso? Ora, o tempo (ou quarta dimensão), é relativo. Se ele passa para uns, não o faz para outros, em um ambiente onde alguém consegue congelá-lo. Seria quase como a ideia da pessoa que viaja além da velocidade da luz. Quem fica envelhece mais que aquele que está na nave.

    O conto, entretanto, não se encerra em planejamento. Ao contrário, ele traz um tom onírico e dolorido, e, acredito, cheio de lacunas preenchidas na cabeça do (a) autor(a), que poderia dar vazão a um trabalho bem mais longo sobre a vida de Helena, a personagem que aprende que parar o tempo mas não resolve todos os aspectos de sua vida.

    Sobre a roda e o ciclo da vida, a metáfora é perfeita, lúdica.

    Fiquei pensando um pouco sobre a questão da filha que Helena rejeita e sobre a chave dada ao leitor ao dizer que a mãe da protagonista ficava afastada na cena do parque. Ao final, deparamo-nos com a entrega do bilhete da amassado. O mesmo bilhete, da mesma roda. Talvez aquela que ela julgou ser a mãe no parque, por ser tão parecida com a própria, seja ela mesma, só que adulta.

    Exagerei?

    Bom, fato é que o texto faz o leitor refletir. E isso é um grande mérito.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini.

  22. Felipe Rodrigues
    22 de dezembro de 2017

    Olá, Miss.

    Seu conto parte de um superpoder muito bom, é um tipo de magia que causa encanto, pois o tempo parado é algo bastante poético, é o não-tempo. Gostei do começo do conto, boa escrita e descrições interessantes, mas achei que em algum momento do meio para o final a história meio que perde o rumo, muito cortes abruptos temporais para um conto com limite de caracteres, deixando o bom começo meio esquecido. O conto me lembrou a série da Super Vick, que tinha o mesmo poder.

  23. Juliana Calafange
    22 de dezembro de 2017

    Adoro a analogia da roda gigante, com o tempo da vida. Vc escreve de forma tão fluida que a gente vai lendo e visualizando e sentindo tudo. Até o friozinho na barriga quando a roda gira.
    Só achei que precisava de um pouco mais de desenvolvimento no miolo do conto. Não falo em escrever mais, falo em escrever com mais concisão a parte do amadurecimento dela, desde a morte da mãe.
    O final é inteligente e surpreendente. Parabéns!

  24. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá. Gostei muito do seu conto. Vou lhe dar nota máxima, mas cada coisa a seu tempo. Primeiro, a forma subtil como está escrito faz com que a sua leitura seja um prazer. Sente-se a tensão ao longo do texto E não queremos deixar de ler, mesmo que o leitor fique com a sensação de querer algo mais desenvolvido.

  25. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá!

    O seu conto inspirou-me. Um dia também vou querer escrever um texto em torno de uma roda gigante se mo permitir.
    Aliás, um parágrafo de um romance que adoro envolve também uma roda gigante, em Sputnik Sweetheart do Haruki Murakami.

    Além de ser ótimo, é o estilo de texto que eu adoro ler e por isso posso dizer que eu sou o seu target. Bem escrito, de tom poético, com paragens no tempo. A roda gigante é um ótimo adorno ao seu texto e está sempre presente em toda a sua extensão, mesmo que no sentido figurado. Estou maravilhado, um dos melhores 🙂

    Parabéns e obrigado por ter escrito.

  26. Pedro Luna
    21 de dezembro de 2017

    Baita poder. A visualização dela andando entre as pessoas, os carros, ficou muito bom. Pode-se viajar sem muitos perigos (mas também lentamente). Eu queria.

    Quanto ao enredo, gostei, mas acho que ele começou mais pé no chão e terminou em algumas explosões metafóricas e oníricas que balançaram o valor final. O início é clássico, apresenta o poder, começa a contar a história, mas depois se apressa, a personagem acaba perdendo a construção porque muito rapidamente já envelhece. Além disso, o conto não deixa claro algumas coisas. Por exemplo, ela teve um filho, como essa passagem busca dizer? ” Helena, sozinha, sentiu o movimento indesejado da roda gigante girando dentro dela. Mesmo que parasse tudo ao redor, aquilo continuaria a crescer: medo de não ser capaz de cuidar de outra pessoa.” Eu acho que sim porque ainda surge uma criança no final. Mas provavelmente era ela em um sonho. Sinceramente achei meio confuso.

    Bom, é isso. Apesar de poético, achei que o conto começou seguindo um caminho fácil de ser lido, agradável, ritmado, e depois enveredou por um caminho mais complexo. Tanto é que nos primeiros parágrafos li sem dificuldades e já nos últimos comecei a precisar reler alguns para tentar entender. Não achei que ficou muito bem balanceado.

    Apesar disso, gostei de ter lido o seu conto. Achei maneiro.

  27. Higor Benizio
    21 de dezembro de 2017

    A entrada é muito boa, toda a construção da infância de Helena funciona bem, mas depois… Talvez uma passagem bem elaborada da vida adulta de Helena, com começo, meio e fim, funcionasse melhor, excluindo o que pareceu um resumão extremante (quase desnecessariamente) dramático. Recomendo o conto A árvore da vida, aqui do desafio, um conto que acerta em muitos aspectos que o do autor(a) erra.

  28. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de dezembro de 2017

    Outro conto em que o dualismo dom/maldição está presente. O superpoder de parar o tempo (para os outros).
    Texto muito bem escrito, claro, bem estruturado. Proporciona uma leitura fluente, sem qualquer entrave. Perfeita é a descrição das sensações causadas pelo movimento da roda gigante. As palavras retrataram exatamente o pavor quase paralisante que nos envolve quando sentimos os trancos, sons, paradas da danada da estrovenga e que ainda chamamos de “diversão”!
    Gostei desta frase: “Abriu a porta da enfermaria coletiva, com muito cuidado, como se pudesse incomodar mais a quem já tinha tanto incômodo….”.
    O autor é craque, entende do riscado.
    Parabéns, Miss Carriage!
    Boa sorte!

  29. Givago Domingues Thimoti
    20 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage!

    Tudo bem?

    Para mim, é difícil não gostar de uma personagem que se chama Helena. Amo de paixão esse nome.

    Enfim, vamos para as impressões sobre o conto.

    Gostei da história, porém, queria ter visto algo a mais. Faltou um acontecimento mais surpreendente. A escrita é fluída e muito bonita, o que demonstra talento da autora (ou autor).

    Parabéns e boa sorte!

  30. Iolandinha Pinheiro
    20 de dezembro de 2017

    Gostei muito deste conto. Essa sensação de estar parada num assento de roda gigante foi uma ótima sacada. Já aconteceu comigo várias vezes. Ficar lá no topo parada, com o assento balançando é algo que ninguém esquece. Dá aquele frio na barriga e a gente fica paralisada porque quanto mais se agita, mais o “trem” lá se mexe. Adorei as descrições perfeitas do ambiente, dos sentimentos, da parte sensorial, percebe-se que o autor é experiente e talentoso.

    Também achei bem legal que a menina envelhecesse ao fazer suas incursões nesta realidade paralela. Já vi isso em algumas ficções e acho que faz muito sentido.

    Tudo está muito bom neste conto. Parabéns pelo trabalho, e muita sorte no desafio.

    Beijos.

  31. Antonio Stegues Batista
    19 de dezembro de 2017

    Helena que tem o poder de parar o tempo. A ideia é boa, mas faltou trabalhar mais sobre o poder de Helena, que, para ela, parece não ter tanta utilidade. Não sei o que ela fez de útil para si mesma, ou para outra pessoas ao parar o tempo.A não ser no final e assim mesmo ficou meio nebuloso. Ela parava o tempo e as pessoas, mas ela se movimentava. Ou talvez ela se movimentava tão rápido que tudo ficava parado e por isso ela envelhecia mais depressa.Faltou ideias melhores, acho eu. Boa sorte.

  32. Fheluany Nogueira
    19 de dezembro de 2017

    Superpoder: parar o tempo.

    Enredo e criatividade: O poder da menina ficou muito bem sugerido pela metáfora da roda gigante parada. Há muitas informações dispensáveis à trama e, ao mesmo tempo, senti falta de um conflito, uma ação onde a habilidade fosse aproveitada.

    Estilo e linguagem: Texto bem conduzido com alguns jogos de palavras (“o mínimo, no mínimo”; “expressão inexpressiva”) , leitura fluente e agradável.

    Gostei da ideia e da execução, mas faltou um algo mais. Parabéns pela participação! Abraços.

  33. Edinaldo Garcia
    19 de dezembro de 2017

    Helena e a roda gigante (Miss Carriage)

    Trama: Embarcamos na estória de uma menina com o poder de parar o tempo. (É isso, eu acho)

    Impressões: Um conto muito bem escrito. Com belas frases, construções suaves com imagens bem elaboradas. O drama infantil já virou marca neste certame (nada contra e nem é demérito algum). A personagem é uma gracinha e suas experiências de vida são simples e gostosas. Uma vida regrada, sem excessos. Isso é o verdadeiro sentido de viver. A metáfora com roda gigante funcionou bem.

    Linguagem é escrita: É boa. Simples. Empurra a trama sem entraves. Gostosa de ler. Se houver erros me passou despercebido.

    expressão inexpressiva no rosto – esse período não ficou bom.

    Com apenas oito anos, Helena já tinha quase doze voltas em torno do sol. – Já este me botou uma grande interrogação na mente. Num primeiro momento achei genial esta construção, depois refleti: Ela tem o poder de parar o tempo, né? Embora continue envelhecendo, a Terra também deve parar, né? Logo ela não dá volta em torno do sol. Ela APARENTAVA ter dado ter doze voltas em torno do sol.

    Veredito: Excelente conto.

  34. Miquéias Dell'Orti
    18 de dezembro de 2017

    Oi 🙂

    O poder de Helena é muito interessante! Conseguir parar o tempo pode ser uma dádiva e uma maldição… como ocorre no caso dela, ao meu ver. Apesar de ter esse dom, o tempo, para seu próprio corpo, não parou… então ela acabou tendo uma vida, em termos de relações interpessoais, curta.

    A alegoria do tempo com a roda gigante foi uma escolha muito feliz… ficou ótima inserida na trama… gostei particularmente da frase “E esse era o seu maior desejo: fazer a roda gigante girar ao contrário.” … mostra o quanto seu dom, de certa forma, a afligia por não ter nada mais que pudesse fazer a não ser parar a roda.

    Gostei do estilo da narrativa, leve, chaga até a ser delicado em certos pontos. A única coisa da qual senti falta (como leitor) foi um uso, digamos, mais ativo do poder de Helena… esperava que ela utilizasse mais seus poderes em situações de maior risco do que simplesmente “observar, por alguns instantes além do normal, aquele céu estático, de quase pôr-do-sol.”… mas isso é mais um questão de gosto pessoal.

    Parabéns pelo trabalho!

  35. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    Um conto muito bem escrito, que começa apostando bem na relação entre pai e filha. Gostei bastante dessa construção e da metáfora do tempo parado com a roda gigante. No entanto, senti falta de um enredo mais concreto, de uma trama mais definida, em vez da história completa da protagonista. Creio que o limite de 2500 palavras é muito pouco para falar da vida toda da menina, de modo que um fio condutor menos abstrato serviria melhor para conectar o leitor com a garota. O conto tem várias frases bem inspiradas, que demonstram o domínio singular que o autor possui da escrita, mas, como eu disse, talvez tenha faltado algum investimento em algo mais corriqueiro, onde a menina pudesse, de fato, utilizar seu poder de parar o tempo – um poder, aliás, de causar inveja. Não deixa de ser um bom trabalho, em todo caso. Parabéns e boa sorte no desafio.

  36. Paulo Ferreira
    15 de dezembro de 2017

    É um conto que parece querer dizer muito, mas se complica pelo enredo cheio de informações, o que atrapalha e muito a compreensão. Os pretensos poderes são expostos aos borbotões, e sem muito sentido. São poderes adquiridos do nada sem nenhum porquê aparente. E, em verdade, não parece ser tanto poder, parece mais uma imaginação fértil de uma criança. Algumas sentenças me pareceram equivocadas, ou no mínimo estranhas; como estas: “ao menos com o mínimo, no mínimo três: / expressão inexpressiva no rosto. / A mãe assistiria a tudo ao nível do solo. / Com apenas oito anos, Helena já tinha quase doze voltas em torno do sol”. Entretanto a narrativa é muito bem conduzida e fluente. E a ideia do enredo é boa, acredito que faltou apenas um pouco de elaboração.

  37. Amanda Gomez
    15 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage!

    Puxa, eu estou aqui pensando se eu consegui encontrar todos os segredos escondidos nesse conto, a primeira leitura eu não tinha percebido por exemplo que ela tivera um filho, a qual abandonou. ( Ou entendi errado?) A menina no final da história era ela vendo a si própria ou a filha que deixou?

    Realmente o texto parece tal como o poder dela, um ritmo lento de pouco fluxo. Parece…. mas não é, tem bastante informações que foram jogadas de uma forma tão sutil que um leitor mais desatento não pescaria nada disso, ou eu estou pescando mais do que deveria.

    A escrita está muito boa, cada coisinha no seu lugar, um esmero que ficou bem notável, as cenas também são bonitas, a imagem dela na roda gigante e o mundo parado ao redor foi bonita.

    Eu vinha pronta pra dizer que eu senti um pouco a falta de ação, de movimento, mas.. não sei, acho que você escreveu como ela deveria ser mesmo, combina com a história e com a personagem.

    Tem algumas construções que exageram um pouquinho na tentativa de fazer um foreiro com as palavras, e cenas mesmo que soam um pouco inverosímel como a parte da morte da mãe, e do sol ( eu não entendi muito bem o que quis dizer com essa parte em especial)

    O final, eu entendi que o pai dela estava doente, e que ela parou o tempo para que ele não partisse, alás, foi o que ela fez a vida inteira, parou a si mesma. Achei interessante o fato do envelhecimento com essas paradas. Gostaria que fosse um tom a menos no drama, não há espaços para outras sensações, e o poder é muito bacana, daria pra ser fazer mais coisas, mas é apenas uma sugestão!

    Eu sinto que deixei bastante coisas passar, mas ainda assim foi uma boa experiência.

    Parabéns pelo trabalho, Boa sorte no desafio!

  38. Neusa Maria Fontolan
    15 de dezembro de 2017

    Uma coisa me incomodou muito. Quando a menina foi levada da escola pela vizinha e chegou em casa vendo o caixão da mãe, não me convenceu. Quer dizer que em poucas horas que ela esteve na escola, a mãe foi atropelada, deve de ter sido socorrida, morreu, passou pela pericia, foi avisado a todos os parentes e estes já estavam lá velando o corpo que já estava no caixão! Perdão, desculpe a brincadeira, mas acho que o tempo parou pra Helena na escola.
    Fiquei boiando em: “Com apenas oito anos, Helena já tinha quase doze voltas em torno do sol.” Além do poder de parar o tempo, ela tinha o poder de voar também? Ou foi eu que não entendi direito?
    Apesar disso eu achei um bom conto.

    Parabéns e obrigada por escrever

  39. Olisomar Pires
    14 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita belíssima. Suave e poética. O enredo é relativamente simples, mas foi adornado muito bem. Dor, angústia, resignação.

    Pontos negativos: pequenas e poucas repetiçoes fonéticas, mas que não retiram o encanto do texto, cito apenas como observação.

    Impressões pessoais: um texto tocante e não dramático (melodramático). Há sofrimento sim, mas de uma forma heróica.

    Sugestões: abrir o conto de modo que se entenda melhor as consequencias do poder..

    E assim por diante: Conto muito tocante (olha aí as repetições fonéticas) e que dá muito o que pensar.

    Parabéns.

  40. angst447
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Miss Carriage, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado. O superpoder de parar o tempo, ou de parar a si mesma no tempo.
    Algumas construções pareceram estranhas para mim, como por exemplo:
    ” expressão inexpressiva no rosto”
    ” era hora de aceitar que estava na hora”
    No geral, o conto está bem escrito e revela um tom melancólico, mas poético. Bonita a comparação da roda gigante com o rodar dos ponteiros no relógio. Pelo menos, eu consegui ver assim.
    O ritmo da narrativa é agradável, sem cortes ou pausas desnecessárias. A leitura flui com facilidade e nos leva por um corredor de sentimentos.
    Boa sorte!

  41. Bianca Amaro
    13 de dezembro de 2017

    Olá.
    Um texto interessante, explorando bem os superpoderes (parar o tempo) da personagem principal, com o passar do tempo.
    É bem dramático, provavelmente com o intuito de fazer o leitor chorar. Mas é bom.
    A narrativa é boa, usa boas palavras. Porém, em certos momentos do texto, a informação que era para ser passada ficou um pouco confusa. Tente escrever de maneira mais clara, talvez.
    O momento que a personagem se encontra com si mesma quando pequena foi muito interessante.
    Achei interessante combinar o superpoder de parar o tempo com as situações vividas por ela. Combinou perfeitamente com a personagem, com as situações que a personagem vivia, com o fato dela sentir-se presa ao passado. E algumas cenas importantes serem mostradas “pausadas” foi realmente interessante. Aumenta o impacto que a cena dá ao personagem, e permite que ele observe e analise a cena.

    Parabéns pelo texto, e boa sorte!

  42. Mariana
    12 de dezembro de 2017

    Olá,
    O texto é muito bonito e bem escrito, a autora conseguiu um estilo parecido com a personagem que defende: sóbrio e como se já tivesse vivido muito.
    A história é clichê, mas funciona. Aliás é clichê por dramas familiares serem universais, logo… A passagem “(…) Mesmo que parasse tudo ao redor, aquilo continuaria a crescer: medo de não ser capaz de cuidar de outra pessoa. Por isso, tomou uma decisão urgente: seguir adiante e carregar apenas o peso do que não levaria consigo. Abandonou ali um pedaço dela mesma. (…)” não ficou muito clara para mim: Helena abandonou um filho? Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Mariana
      12 de dezembro de 2017

      Ah, o poder atende ao tema proposto.

  43. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Uau! Tem tanta coisa para dizer que não sei como dizer ou como começar. Acho que a iminência da perda faz despertar em nós a exigência de um tempo estático para todo o sempre. O domínio do tempo não é senão o domínio de nosso próprio movimento na vida. Talvez o tempo não seja o elemento principal. Talvez nós sejamos as molas propulsoras. As que fazem a engrenagem da vida acontecer. Então, passado, presente e futuro se condensariam no sujeito e não no tempo, coisa que não se altera porque não é vivo e pulsante igual coração. Não creio que Helena parasse o tempo em si. Creio que ela parava sua própria vida. Talvez egoísta, talvez desesperada. Eu não notei erros de escrita, ou de ortografia ou construção. A leitura aconteceu de forma sequencial e sem interrupções. Gostei de Helena. Esse é outro conto que carrega poesia consigo.
    Parabéns!

  44. Angelo Rodrigues
    11 de dezembro de 2017

    Cara Miss Carriage,

    Superpoder de parar o tempo.

    Conto feito para te pegar lá no fundo e te fazer chorar. Outro entre tantos que li aqui. Mãezinhas chorosas, cânceres atacando a rodo e coisa e tal. Não consigo imaginar o porquê dessa associação entre algum poder especial e alguma desgraça especial.

    Bem, vamos ao conto. Notei a proliferação de minúcias que engordam o texto mas não fazem a trama andar. Frases longuíssimas e elaboradas quase como enigmas. Cito uma:
    “E o cheiro forte do perfume barato, que não disfarçava o suor do esforço de seu pai para sustentar, ao menos com o mínimo, no mínimo três: ele, a esposa e a filha – sem contar diversos vícios, defeitos e outras mulheres.”
    Só depois de uma segunda ou terceira leitura a frase fica compreensível. Talvez ficasse melhor separar as ideias contidas nesses frases, segmentando-as de modo a deixar clara a mensagem que se quer passar.
    Algumas aliterações também estão presentes, coisa como “expressão inexpressiva no rosto.”

    Recomendaria um enxugamento do texto retirando o excesso de dramaticidade, aumentando a trama, os conflitos. Acredito que o conto se torne bem melhor.

    Boa sorte com o desafio.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .