EntreContos

Detox Literário.

Sangue vermelho como água (Magneto)

Eduardo, 27 anos de sobrepeso e calvície precoce, possuía o poder da invisibilidade. Não, ele não era uma experiência de laboratórios secretos ou um alienígena que foi mandado para a Terra. Era apenas um cara que conseguia não ser visto pelos outros. O seu dom surgiu por volta dos cinco anos de idade, quando passou a andar em casa sem ser notado pelos seus pais. Esses, por não enxergá-lo, discutiam na sua frente, bebiam e, certa vez, até sexo Eduardo presenciou. Que terror, para o menino, descobrir que o pai gostava de machucar a sua mãe. E, pior ainda, que a sua adorada mama reagia pedindo que o marido a ferisse com mais força. Naquela noite, após longos minutos observando a cena grotesca, o garoto voltou para o quarto entendendo o mundo um pouco melhor. Também prometeu a si mesmo parar de implorar para dormir na cama grande, ficou com nojo do que acontecia quando não estava confortavelmente aninhado ali.

— Fúlvio, cadê o Eduardinho?

— Sei lá, Dominique! Porra, tu é a mãe!

Nos raros momentos que o casal falava sobre o filho, o teor do diálogo era esse. Eduardo, enquanto isso, perambulava pelos cômodos. Pausava o videogame, abria a geladeira, comia o que queria e só aparecia para pegar o dinheiro do sorvete e do salgadinho. E a mãe não entendia como aquela criança, antes tão bonita, estava engordando tanto. Dominique era uma mulher que prezava a aparência, as fotos nas colunas sociais. Como ela posaria com um rapazinho obeso de adorno? Isso era humilhante, ela não engravidara para passar vergonha. Assim, o desprezo pelo filho crescia, até que a bela mulher encontrou a solução perfeita: despachar Eduardo para o melhor colégio interno da Europa. Seria um verdadeiro acontecimento, digno de ser ostentado em uma nota na Página do Tatata… Consequentemente, no decorrer dos preparativos, a madame apaixonou-se pela cria de novo, pois passou a cultivar a certeza de que, quando retornasse, o rebento estaria crescido, atraente e culto como um francês.

Eduardo embarcou faltando três dias para completar os seus nove anos de idade. Partiu sem medo, carregando somente duas grandes malas, os documentos para a mudança e mágoa pelo pai ter desviado dos seus abraços de despedida. No avião, tornou-se invisível. As aeromoças encaravam o assento dele como vago, e ele deu graças por conseguir fazer com que as mulheres azuis não o incomodassem enquanto olhava as fartas nuvens. Horas depois, desceu em Paris sem problemas, materializando-se para o representante da instituição escolar que o recepcionava com uma placa “Edduardu Leitão Vargas. – Brazil”. Iniciou-se então o segundo período da sua vida.

École du Sacré-Cœur. Naquele amplo edifício que abrigava os filhos de gente abastada o suficiente para pagar um abandono sem culpa, a invisibilidade foi útil para a sobrevivência de Eduardo. Bom, ele nunca foi popular. Durante os nove anos em que se arrastou pelos gelados corredores parisienses, não fez um amigo sequer. O mais perto que chegou foram as partidas virtuais com colegas da sala de música. Mas o contato restringia-se aos jogos, eles frequentemente passeavam e não o convidavam. Contudo, Eduardo sabia que não podia reclamar. Por passar despercebido, escapou dos roubos, humilhações e outras cortesias que os alunos dedicavam aos “latinos sujos” nas horas vagas. Do mesmo modo, a sua habilidade lhe permitiu ocupar o quarto 712 ao longo do tempo em que lá esteve. Fazia-se insignificante para os companheiros do cômodo, que acabavam tolerando o colega que raramente viam.

As francesas não souberam da existência do brasileiro, do dia que ele chegou até a noite que ele partiu. Eduardo esforçava-se para ficar o mais transparente possível cada vez que cruzava com um grupo de saias plissadas. Encarava as mulheres com enfado e uma pontada de repulsa, já que todas as fêmeas evocavam a sua mama. Sobre Dominique, ela pouco visitou o filho. Nas vezes em que foi, era uma desculpa para gastar o dinheiro do marido com compras internacionais. Surgia, destilava comentários ácidos sobre as espinhas ou a gordura do único fruto do seu ventre, hospedava-se em um hotel e abandonava Eduardo novamente na frente do computador. Quatro vezes repetiram-se esses eventos familiares. A quinta reunião foi impedida pelo incidente.

03 de abril de 2008. O dia da maioridade de Eduardo, o ano da sua formatura. Os pais não  desperdiçaram uma linha com parabéns, ninguém o cumprimentara. Estranhamente deprimido, já era noite quando o recém-adulto resolveu caminhar nas ruas próximas ao internato. Um misto de sentimentos o sufocava, ar e calçadas vazias talvez o ajudassem a entender os turvos pensamentos que assombravam a sua cabeça. O vulto caminhava silencioso, refletindo em sua solidão invisível, quando uma voz anasalada o assustou. Como alguém o enxergara?

— Bonsoir, chéri. Você tem fogo?

Sorriu. Aquele homem deformado, de trejeitos afeminados e nacionalidade indefinida rasgou a boca para Eduardo. Uma sensualidade quente, lasciva. Aquilo o enfureceu e ele, sendo mais forte, começou imediatamente a desferir socos e chutes na figura mirrada. Parou com o outro no chão, massa disforme jogada aos seus pés.

Quando Eduardo tomou consciência da gravidade do que fazia, procurou em volta para ver se o seu surto tinha sido testemunhado. Nenhuma alma o condenava, então fugiu. Correu, pegou a mochila, os euros e o passaporte, saindo do colégio como um fantasma. Amanhã ligaria para os pais. Falaria que teve uma iluminação, que o seu destino era se encontrar em um mochilão pelo velho continente etc. Sabia que, continuando longe, o dinheiro estaria garantido. E que, qualquer porém, o seu Fúlvio arrumaria advogados. Logo, menos de uma hora depois, andava pela avenida contrária a do acontecido, como qualquer homem apressado. Foi um alívio para a família a decisão de Eduardinho de permanecer fora do Brasil. Já ele acompanhou as folhas criminais por poucos meses. Abandonou o hábito por nunca ter sido noticiado assassinato ou espancamento na data do episódio. Ou seja, ainda era inocente para a lei. Entretanto, preso no seu exílio de juventude endinheirada.

Interior da França. Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Holanda, Turquia. Paraísos dos desejosos de viajar, mas que acabaram banais para os sentidos de Eduardo. Todos os pratos típicos tinham o mesmo gosto insosso na língua do rapaz. Banheiros e camas semelhantes, segredinhos sujos com pessoas que ele fez questão de esquecer o rosto. Nesse sentido, quando a Europa tornou-se insuportável, o único herdeiro da malharia Vargas cismou em experienciar ser um borrão imperceptível na Coreia do Sul. Com a anuência dos pais, Seul foi o seu destino.

Viveu alguns anos na luminosidade oriental e, lá, Eduardo quase foi feliz. Perdido naquela massa de cores, barulhos eletrônicos e ideogramas misteriosos, ele não precisava despender energia para tornar-se intangível. Computador potente, apartamento próprio, a paz do Starcraft. Enfim, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Faltavam cinco meses para os seus vinte e sete:

— Eduardinho, sou eu. O teu pai sofreu um AVC, o médico afirmou ser uma situação crítica.

— Nossa, mama. Que triste.

— Seu ensebado, é isso que tu vai me dizer? Eu aqui, desesperada, preciso que tu volte para o Brasil. A empresa não para, você me deve ajuda nos negócios. Um homem que nunca moveu os dedos gordos para trabalhar, tu é uma vergonha.

— Desculpa, mama. A senhora sabe, não sou administrador. Posso lhe transferir as minhas ações sem problemas. O papai não sente a minha falta mesmo, estou bem aqui. É isso.

— Sabe o que eu acho? É que eu pari um maricas, gordo incapaz. Tchau, seu viadinho. Vou ficar com o meu whisky, ele é mais útil.

Palavras piores que flechas. Gordo, incapaz ou ensebado tudo bem, maricas e viadinho é que atingiram fundo o seu peito. No dia seguinte, comprou a passagem para o Brasil. Trâmites de aeroporto, apertar os cintos e subir. Não perturbou-se em ficou invisível para as aeromoças, tinha se acostumado com as mulheres azuis após tantos deslocamentos aéreos. Desse modo, Eduardo passou o tempo no ar pensando: quando tinha perdido o interesse pelas nuvens? Tentou, mas não conseguiu se lembrar.

Chegada.

A mesma casa da infância, mas a impressão de escala reduzida. Aquilo doeu em Eduardo, que não cabia mais ali. De semblante fechado, a sua mãe o esperava na poltrona da sala de estar. Sem beijo de reencontro, exclusivamente um tapa que o filho pródigo aceitou de bom grado. Talvez não reagira pelo choque que teve com a velhice de Dominique. As inúmeras plásticas e procedimentos estéticos denunciavam a ação do tempo na mulher, deturpação cruel do efeito pretendido. O pai, acamado, vinculado ao quarto hospitalar que haviam montado para atendê-lo. Os olhos de Fúlvio miravam o vazio cada vez que o rebento acariciava a sua cabeça agora branca. Assim sendo, Eduardo parou de visitá-lo. Aborreceu-se de limpar a baba daquele homem que um dia temeu.

A contragosto assumiu a vaga na empresa. Engoliu o choro quando recebeu o crachá que o fez, oficialmente, uma marionete da sua mama:

— Bom dia, Eduardinho.

— O menino aceita um café?

Jamais “seu Eduardo”: os empregados gritavam silenciosamente o ridículo que ele era. O desprezo diário foi agravando a deterioração da mente do rapaz, que parou de discernir quando as pessoas conseguiam notá-lo. Era um poder fora de controle.

O estopim foi o pesadelo que repetiu-se exaustivamente nas madrugadas:

A noite do incidente. Entretanto, em vez de pedir fogo, o demônio sussurra algo incompreensível no ouvido de Eduardo.

Trinta e três vezes ele não compreendeu. Na trigésima quarta, a revelação do segredo. Acordou suado e feliz, desenvolvia um novo poder.

Alvorecer de 12 de julho de 2017.

Arrumou-se e foi trabalhar. Na hora do almoço, subiu até a cobertura da sede administrativa da malharia e saltou. Invisível para os celulares que brilhavam no asfalto, planou entre os edifícios e o azul do céu pelo resto da sua vida.

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48 comentários em “Sangue vermelho como água (Magneto)

  1. João Freitas
    15 de dezembro de 2017

    Gostei do conto acima de tudo pela escrita. Irónica, divertida e descontraída. Pode parecer mas não é nada fácil escrever assim.
    A história prometeu ao início mas não me cativou. Entendo o paralelismo entre o superpoder da invisibilidade e a invisibilidade figurada, mas o próprio superpoder acabou não sendo muito explorado, fugindo um pouco à essência do tema.

    Fiquei curioso acima de tudo de ver a sua escrita aplicada a outros contos.

    Obrigado por ter escrito. 🙂

  2. Thata Pereira
    14 de dezembro de 2017

    Achei a história bastante interessante, porque podemos interpretá-la de diversas formas e expor a nossa opinião sobre é também uma forma de conhecer a nós mesmos, que a estamos interpretando (nossa, deixa eu parar de filosofar e comentar o conto rsrs’).

    A última coisa que eu esperava era o suicídio, por isso não sei se me sinto feliz ou triste por ele ter aparecido. Comprei toda a construção do personagem ao longo da história e fui associando seus atos as duas experiências. Contudo, quando apareceu a agressão ao homem afeminado, passei a considerar duas coisas:

    – Primeira: as dúvidas de Eduardo com a própria sexualidade, uma vez que é muito normal as pessoas ignorarem/serem agressivas ou repudiarem seu espelho. Se é difícil olhar nos olhos das pessoas, imagina no seu próprio.
    – Segundo: que Eduardo era invisível e ele desejava ser invisível, quando foi finalmente notado, partiu para a agressão como uma forma de permanecer na zona de conforto.

    Comprei a primeira ideia a partir do momento que ele se sente ofendido quando a mãe usa os termos “viadinho e marica” para se referir a ele. Achei que isso se confirmaria no final e justificaria a insegurança do menino desde criança e a sua vontade de continuar sendo invisível.

    Também não dá para dizer que não era, porque o conto fica aberto quando as justificativas. Isso não é um problema para mim.

    O único ponto que me incomodou bastante foi essa fala:

    “— Sabe o que eu acho? É que eu pari um maricas, gordo incapaz. Tchau, seu viadinho. Vou ficar com o meu whisky, ele é mais útil.”

    A presença da palavra “Tchau” e a última oração tiraram a realidade do diálogo para mim. Eu substituiria a palavra por outro termo e a frase, se realmente necessária, coloria entre uma fala e Eduardo.

    Parabéns!!

    • Magneto
      14 de dezembro de 2017

      Agradeço o elaborado comentário. Você poderia me explicar melhor a sua sugestão? Sendo sincero, não entendi ela. Valeu

  3. Fheluany Nogueira
    14 de dezembro de 2017

    Superpoder: a invisibilidade, conseguir não ser visto pelos outros (metáfora para a apatia e a ausência da autoestima).

    Enredo e criatividade: Minha avó sempre perguntava aos filhos: “tem água nas veias?”, quando ficavam sem reação diante de problemas do dia-a-dia. Seu texto remeteu-me a essa lembrança, pelo título e pelo desenrolar da trama. A caracterização dos personagens foi encaminhada nessa direção, são anti-heróis, que somente prejudicaram a si mesmo e um ao outro. O clima no conto se inicia com uma indisfarçável nostalgia, um sentimento de inutilidade nas coisas e nos contatos humanos, acabando por chegar ao trágico.

    Estilo e linguagem se fundem com frases bem construídas, muita fluidez, apesar de exigir uma boa concentração do leitor para não se perder nos meandros filosóficos e sociais das entrelinhas.

    Apreciação:
    Gostei muito da ideia e de execução. Parabéns pelo trabalho! Abraços.

  4. Amanda Gomez
    13 de dezembro de 2017

    Olá!

    É um conto carregado de sentimentos, diz muitas coisas nas entrelinhas como já disseram, gostei dessa forma de contar a história, sem escancarar, o narrador não se sobrepôs ao protagonista, mesmo este, sendo apenas um instrumento de narrativa , apensar de ser triste a sua história não foi suficiente para torná-lo uma figura com algum carisma, o que se sente é empatia, pena…essas coisas.

    Acho que a o conflito se estendeu um pouco, a vida do garoto é ladeira a baixo, então cada cena era um golpe dramático a mais, e lá pelo meio já imaginei que terminaria em suicídio.

    Você optou pela desesperança da história, uma carga mais dramática, que gera comoção, eu preferia uma versão mais estimulante… positiva.

    Entendi que Eduardo era frustrado em todas as esferas de sua vida, usar a invisibilidade como algo piscicologico foi uma boa sacada.

    É um conto bom, mas é muito corta pulso rsrs, não conseguiu me cativar como gostaria.

    Parabéns, e boa sorte no desafio!

  5. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    A ausência de uma base para desenvolvimento de autoestima parece ser o mote desse conto. Eduardo tem um trauma que o tornou, de certa forma, misógino e homofóbico. Triste isso.

    Interessante a revelação do homem afeminado ser um demônio que, no fim de tudo, o faz se matar. Serviu como uma boa reviravolta para o final.

    É um história lamentável e infeliz a desse cara, com a questão do poder, transcrevido aqui como “ser invisível”, tratada de forma, digamos, ilusória e subconsciente, não vejo problema nisso, mas acho que o recurso ficou em segundo plano, não servindo à trama como deveria.

    PS.: Perdoe minha ignorância, mas não entendi o título. Se puder, explique-me pelo amor de Deus! rs

    Parabéns pelo trabalho!

    • Magneto
      13 de dezembro de 2017

      Olá, quando pensamos em alguém corajoso usamos a expressão “sangue nas veias”. Eduardo era uma pessoa apagada, aguada – logo o sangue dele era como água. Sobre o poder, não está escrito em lugar nenhum que é ilusório (nem que não é). Agradeço o comentário

      • Magneto
        13 de dezembro de 2017

        Sobre o mote do conto, é uma perspectiva interessante. Tentei escrever sobre a apatia e indiferença perante a vida, mas a questão da auto estima também é latente

      • Miquéias Dell'Orti
        13 de dezembro de 2017

        E aê Magneto,

        Assim que terminei o conto vi num dos comentários sobre sua explicação sobre o título. Muito bem elaborada, por sinal.

        Obrigado pelos esclarecimentos! 🙂

  6. Givago Domingues Thimoti
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Magneto

    Tudo bem?

    O conto tem uma pegada triste. Eduardo, filho de família abastada, é ignorado pelos pais, colegas… Enfim, por muitas pessoas.

    Infelizmente, achei a leitura muito truncada e a história, promissora no início, me decepcionou. Talvez tenha sido a passagem de tempo ou os diálogos que foram mal trabalhados, ao meu ver. A violência que Edu cometeu foi totalmente ignorada. Poderia ter sido trabalhada de uma melhor forma.

    O ponto positivo do conto fica com a escolha mais do que correta dos poderes de Eduardo e com o levantamento de questões interessantes como o mau trato e xenofobia.

    Boa sorte!

  7. Ana Carolina Machado
    12 de dezembro de 2017

    Oiii. Eu li o conto e fiz a minha interpretação: Acho que a invisibilidade do Eduardo poderia ser tanto fisicamente como na alma dele, talvez devido ao tratamento que recebeu durante toda a sua vida a alma dele tenha adquirido um aspecto sem vida. Ele se acostumou tanto a se tornar invisível ao invés de enfrentar as coisas de frente e lutar para ele era como uma forma de defesa, era acho que a única arma que conhecia, como foi o caso no colégio interno. Acho que para ele era impossível lutar. Acho que no fim ou ele realmente morre ou o voo que fala pode ser ele sentindo pela primeira vez no controle da vida dele, o planar pode ser no sentindo figurado de ter se colocado acima da opinião dos outros. Acho que talvez eu tenha viajado um pouco. Achei interessante relacionar o fato dele pegar comida escondida como ter engordado sem a mãe perceber, deu para compreender que o poder dele realmente existia. Parabéns pelo conto.

  8. Hércules Barbosa
    12 de dezembro de 2017

    Saudações

    o poder da invisibilidade neste texto é utilizado para mostrar como o garoto era tratado pelos pais: indiferença, pois ele era invisível aos olhos deles e também para o mundo exterior. Esse poder o protegeu de muitas adversidades mas também o privou de muitas emoções. A proposta do conto é muito boa, mas achei que poderia ser melhor desenvolvida a narrativa de forma que não parecesse uma colagem de eventos narrados. A riqueza financeira da família não conseguiu sanar a pobreza de afeto entre os integrantes da família. Essa mensagem passada pelo conto é muito significativa.

    Parabéns pelo trabalho

  9. Catarina
    11 de dezembro de 2017

    Fiquei encucada com o título. Achei que tinha algo errado. Mas na última frase entendi o jogo de palavras da morte com a transparência da água. Título genial.
    Gostei também da metáfora de que realmente algumas pessoas são invisíveis socialmente e, no caso de Eduardo, ele assumiu esse poder maldito como um autoflagelo.
    O Capeta cochichando no ouvido dele foi bem providencial. E o que ele teria falado? No mínimo o chamou de careca gordo.

  10. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2017

    A parte técnica está muito bem executada, frases muito bem construídas, tiradas inteligentes, uma fluidez de fazer inveja. Só encontrei um faltou no lagar de faltar, mais para o final.

    Eduardo é um bom personagem, com a característica interessante da homofobia (digo interessante no sentido de ser raro um protagonista assim, exige coragem do autor). Os pais também ficaram interessantes, com características próprias bem acentuadas. A trama, porém, não me cativou muito. As situações me pareceram só um apanhado aleatório, onde Eduardo ia e vinha ao sabor do vento até o voo final.

    Mas, no geral, foi uma leitura bem divertida.

    Abraço!

  11. Leo Jardim
    11 de dezembro de 2017

    # Sangue vermelho como água (Magneto)

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫):

    – achei que as coisas aconteceram sem muita relação, uma simples sucessão de fatos sem grande elo
    – não ficou muito bem desenvolvido o problema dele com os gays, ele tinha raiva a ponto de matar um, mas não entendi o motivo, nem as consequências
    – o assassinato também ficou muito solto, ele matou (sem motivo aparente) e nada demais aconteceu; não acrescentou nada à trama
    – a parte do poder dele não ficou claro se era uma invisibilidade mesmo ou uma metáfora para um cara comum, sem destaque
    – mesmo ele sendo cheio de traumas e problemas, não consegui me apegar ao Eduardo e, portanto, não entendi nem senti seu suicídio; a estrada dos fatos que levaram o salto foi muito tortuosa

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – boa, não peguei nenhum erro que travasse ou incomodasse a leitura, exceto este:
    – Não perturbou-se em *ficou* (ficar) invisível para as aeromoças

    💡 Criatividade (⭐▫▫):

    – elementos muito comuns (menino renegado pela família e com problemas de aceitação), sem algo mais forte para destacar
    – o poder, que seria o destaque, ficou em segundo plano

    🎯 Tema (⭐▫):

    – existe um poder: invisibilidade (✔), mas ele não é parte essencial da trama; o texto funcionaria de forma semelhante sem ele

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫):

    – o conto prende na premissa e tem seu auge no assassinado, mas acaba se perdendo sem conseguir amarrar tudo isso e, sem me afeiçoar ao protagonista, não senti sua morte

    Obs.: não entendi o título

    • Magneto
      11 de dezembro de 2017

      Olá
      O título se refere ao sangue de barata do protagonista sem vida. Quanto ao restante, talvez por falha minha, o texto vai em outro caminho (por exemplo, ele nunca soube se matou o homem ou não). Mas, como disse, de repente a ideia não foi o suficientemente clara. Abraço

  12. Iolandinha Pinheiro
    11 de dezembro de 2017

    Será que eu fui a única que sentiu empatia/pena pelo Eduardinho? Ele já nasce predestinado a ser o que foi, como filho de um casal tão ausente e fútil o menino não teve muita chance de ser um grande ser humano, e as suas desgraças continuam pela vida afora, sendo ignorado por todos na escola, nas viagens que fez, no emprego que teve. Deve ser uma solidão absurda. Estava tão desacostumado com a falta de atenção que na primeira vez que alguém o enxergou teve uma reação violenta.

    Eduardinho não era um cara legal, mas o mundo não foi legal com ele também. O personagem é bem trabalhado, a trama é coerente, o conto é muito fácil de ler, só encontrei um “ficou” no lugar de “ficar” neste trecho aqui “Não perturbou-se em ficou invisível para as aeromoças, tinha se acostumado com as mulheres azuis após tantos deslocamentos aéreos”, os pais podiam não ser tão completamente maus (porque ninguém é), e um final que eu achei um pouco rápido, mas não se preocupe com isso, a maioria dos contos postados também padece deste mal. Parabéns pelo seu conto, parabéns pela fluidez do texto. Um abraço e sorte no desafio.

  13. Andre Brizola
    10 de dezembro de 2017

    Salve, Magneto!

    A vida de Eduardo é realmente um disparate, teve tudo o que qualquer um gostaria de poder desfrutar (dinheiro, viagens, educação no exterior), mas o que parecia querer nunca conseguiu (ser amado pelos pais, ser notado pelo mundo). A apatia é o tema central, mas tenho dificuldade de apontar quem foi mais apático, Eduardo ou o mundo ao seu redor.
    Se a invisibilidade é real ou não (prefiro pensar que é real, pois de outra forma não seria um superpoder, certo?), Eduardo é um cara que paga pela forma como opta por se relacionar com o mundo, visto que não há iniciativa de sua parte. Aliás, há, mas é no intuito de se esconder cada vez mais. Ele se coloca em uma bolha, de modo que não poderia mesmo esperar outra resposta do ambiente.
    Eduardo se esconde do mundo, se mantém com o dinheiro da família, não produz, não contribuiu, não arrisca. É difícil de ter empatia por ele. Como não foi dito em nenhum momento que o problema poderia ser clínico, Eduardo queria ser aceito pelo mundo, mas não queria aceitar o mundo. Algo unilateral. Seu suicídio não chega a ser surpresa, pois é mais uma solução fácil.
    Como conto sobre uma pessoa com tal personalidade e comportamento, está tudo OK. Agora, se a ideia era mostrar a apatia do mundo ao seu redor, a rejeição ao garoto obeso e introvertido, entendo que houve falha na caracterização, pois não a encontrei. A leitura é razoavelmente simples, e não notei problemas com o texto. Mas gostaria de ver uma relação maior de Eduardo com seu superpoder (considerando que ele de fato existia).

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Magneto
      10 de dezembro de 2017

      Salve André!

      Eduardo foi vítima de si mesmo, apenas isso. Abraço

  14. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Magneto!
    Quem não gostaria de tornar-se invisível, nem que fosse apenas por alguns instantes?
    Eu gostaria.
    Na verdade, ainda preciso determinar o que faria. Tantas coisas…
    Eduardo se parece com muitos “gordinhos” que vimos por aí.
    Ele tinha muito a oferecer, bastava apenas as pessoas o enxergarem na beleza de sua alma.
    Sua mãe queria se ver livre de sua presença. Muito fácil se ter dinheiro e enviar o filho para longe e não a envergonhá-la. Omissão do pai?
    Fiquei presa em seus escritos do início ao fim.
    Gostei muito.
    Parabéns!

  15. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Pai ausente e uma mãe fútil. Fácil entender ele ter passado quase o tempo todo invisível. Eduardinho se tornou uma pessoa triste, acreditava mesmo ser ridículo ao ponto de não ter coragem de aparecer para as pessoas. Acompanhamos a sua jornada até o momento em que ele vitima da depressão e do sentimento de culpa colocou um fim ao sofrimento.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  16. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    A premissa da invisibilidade é algo muito interessante e, igualmente, permite uma série de caminhos e interpretações.

    Seu conto nos traz a história desse protagonista que, descobrindo-se invisível, tira proveito, de certa forma, dessa situação. Uma espécie de (anti)super-herói que, ao “aproveitar-se” de seu dom, prejudica a ninguém mais que a si mesmo.

    É interessante notar a forma como o autor trata seu personagem central. Ao passo que o homem-invisível leva uma vida mediana, ainda que abençoado com as graças de pertencer a classe A da sociedade, o mundo a sua volta parece correr da mesma forma. Assim, vemos o retrato de uma sociedade real e, ao mesmo tempo, quase nonsense. Uma sociedade que é, de certa forma, espelho de nossa própria.

    E, ao colocar o personagem como uma espécie de engrenagem desse sistema, o(a) autor(a) não nos traz um vilão, tampouco um herói.

    Costumo trabalhar muito com a empatia em meus textos. Gosto disso. O efeito aqui é contrário e me fez refletir sobre suas(e minhas) escolhas como escritor. Minha conclusão é a de que a opção é válida. Muito válida. Ao afastar o leitor do protagonista, o(a) autor(a) causa, justamente, esse tal efeito de espelho de uma fatia que é minoria, mas que existe em nossa sociedade, exatamente da forma como nos é mostrada.

    Como diria meu avô… “Pobre menino rico…”

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Magneto
      8 de dezembro de 2017

      Paula, gostaria de dizer que sou teu fã. Além disso, você dissecou o texto com uma precisão cirúrgica. Abraço.

      • Paula Giannini
        8 de dezembro de 2017

        Também devo ser sua fã. Só não sei quem você é! (Ainda) rsrsrs Beijos e boa sorte!

  17. Rafael Penha
    8 de dezembro de 2017

    Olá Magneto,

    Seu conto me pareceu uma história triste e sem muita vida. Esperava alguma evolução do personagem, ou pelo menos, mudança, aceitação ou total rejeição.

    1- Tema: Se adequa aos parâmetros do desafio, mas perverte-os, mostrando um superpoder que não existe. Boa sacada.

    2- Gramática: Simples e direta. Nenhum erro que me incomode.

    3- Estilo – A história é contada de maneira simples e sem o abuso de palavras desnecessárias. Não senti muito espaço para reflexão do leitor, apesar do poder jamais ser explicado, por não precisar

    4- Roteiro/ Narrativa – O texto me parece complicado de entender em alguns momentos. O personagem é até bem construído, mas as motivações dos pais são muito rasas para a magnitude que tomam. Algumas reações do protagonista também simplesmente não parecem se encaixar com sua personalidade.

    5- Resumo: Um texto interessante. Me parece uma metáfora para um homem gay que nunca se aceitou e sequer se descobriu. Não há arco de desenvolvimento do personagem, ele termina praticamente do mesmo jeito que começou. A metáfora da invisibilidade é muito bem colocada. Me levou a crer que houvesse mesmo o superpoder, até entender a história como um todo. Só precisa focar mais nos personagens.

    Grande abraço!

    • Magneto
      8 de dezembro de 2017

      Olá Rafael,

      Obrigado pelo comentário. Para esse desafio, resolvi trabalhar com algo que está me perturbando faz um tempo: a apatia, a indiferença pura e simples. Achei interessante abordar o assunto dentro da temática superpoder, que é tão fantástica e cheia de ação.

      Quantas pessoas possuem tanto, mas não fazem nada para sequer sair do lugar? Como pedras, permanecem presas nas mesquinharias das suas vidas. Evoluir dá trabalho e muitos não o fazem. A vida real é assim – para muitos, o que predomina é o tédio. Tenho consciência que foi uma escolha arriscada para um desafio (bom, leitores não são os meus patrões), mas acredito que já venci ao despertar essa sensação não agradável. Enfim, mais uma vez agradeço o gentil comentário,

      Magneto

  18. Arnaldo lins
    7 de dezembro de 2017

    Conto s/ um gordo traumatizado que acha que é invisivel? Fiquei no vácuo com isso. O cara era invisivel ou nao? Era só piraçao? Tudo brm, faz de conta que era invisivrl mesmo e burro tambem. Os pais do cara não combinam com os outros sinais, sao muito estranhos. No mais ta bem escrito, meio paradao, mas entrega u.a estoria.

    • Magneto
      7 de dezembro de 2017

      Fiquei curioso para saber a razão de burro, poderia me explicar?

      • Arnaldo Lins
        8 de dezembro de 2017

        O cara é invisível, meu… sonho de metade do mundo, mas fica todo bolado com lance de pai e mãe e boiola?

        Pra mim é burro.

  19. Estela Goulart
    7 de dezembro de 2017

    Olá, Magneto. O seu conto, antes de tudo, é triste. Aborda muito bem a realidade daqueles que simplesmente são esquecidos pela sociedade, reduzidos a nada. Nesse quesito, gostei bastante. Nenhum erro na parte gramatical que eu tenha notado, é bem escrito. No final, tive que ler diversas vezes, mas então entendi o tragicidade da história. É uma boa história, crítica, mas faltou algo que desse mais ânimo. Todo o rumo é equilibrado, mas não passa disso. Achei que teriam mais acontecimentos, mas caso eu esteja errada e não tenha entendido bem, fica a minha desculpa. Ainda sim, é bem legal. Parabéns e boa sorte.

  20. Luis Guilherme
    6 de dezembro de 2017

    Boa tarrrde, tudo bão?

    Gostei do conto.

    PRa começar, não entendi muito bem o título do conto rsrs.. Tanto que quando voltei pra comentar (to imprimindo os contos pra facilitar a leitura e nao saiu o titulo na impressao), eu nao tinha certeza de qual era, tive que ler o comecinho pra identificar.. rsrs

    Por outro lado, a imagem é ótima.Pelo visto foi você mesmo que desenhou, ou não?

    Sinceramente, não gostei muito da adequação ao tema. Veja bem, não to dizendo que não houve adequação, mas sim que não gostei muito de como foi adequado. Eu já previa que houvesse contos que abordassem o superpoder de uma forma mais mundana, utilizando-o como uma metáfora, na verdade. Porém, eu gostaria mesmo de ler contos que ousassem no campo do superpoder real, coisa que acho bem desafiadora.

    Dito isto: (apesar de preferir que o superpoder nao fosse uma metafora), eu gostei bastante da metáfora em si. Foi bem construida. O homem invisivel, acredito que um dos grandes males da humanidade hoje em dia, no que se refere à humanidade em si. Quantos invisiveis caminham por ai, não é? Triste realidade.

    O conto tá bem escrito, e o protagonista, bem construido. O final é a cereja do bolo. Realmente muito bom!

    No fim, um conto bem bom, a ponto de me fazer repensar a expectativa que eu tinha de superpoder e não afetar a nota no desafio.

    Parabéns e boa sorte.

  21. Felipe Rodrigues Araujo
    6 de dezembro de 2017

    A escolha metafórica do poder do protagonista foi interessante, mas não gostei dos personagens secundários, achei as características dos pais do garoto muito óbvias, com já vi em diversos outros contos e romances. Para mim, o sofrimento do gordinho pareceu meio caricatural, tirando um pouco da força dramática que o texto poderia ter.

  22. Rubem Cabral
    4 de dezembro de 2017

    Olá, Magneto.

    Gostei do conto. Os “poderes” são falsos, é claro, o que torna a leitura ainda mais interessante. Eduardo tem o poder de não ser notado pelas pessoas e vive uma vida de isolamento, refugiado nos games e confort food.

    O fato dele nunca ter se relacionado com alguém e ter sido algumas vezes chamado de mariacas e viado, além da agressão a uma travesti (?), leva-nos a crer que talvez ele seja um gay “no armário”. O encontro com a figura deformada e afeminada parece ter inspiração cristã, feito Cristo tentado por Satã no deserto. O final, apesar de chocante, é condizente com o restante da história.

    Ah, a escrita é muito boa, e os diálogos meio exagerados dão um ar de comédia meio absurda ao texto. O conto é uma crítica de costumes.

    Boa sorte no desafio e abraços!

  23. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Eu esperava mais do conto. Talvez porque criou expectativas. A questão de Eduardo ser invisível, de sentir-se invisível, fez pensar que ele faria algo diferente, para crescer como personagem. Esperava algo inusitado e não somente passasse pelas situações como alguém sem importância. O único momento mais tenso foi o encontro com o homem que pediu por fogo e a descoberta dele como o demônio. No fim, sua nova habilidade, a de planar sobre a cidade me pareceu um acontecimento aleatório. Creio que a trama ficou muito a desejar. A escrita é boa. Os personagens também, apesar de não terem me cativado muito.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Magneto
      3 de dezembro de 2017

      Olá. Não tentarei explicar o conto, mas a ideia dele é exatamente essa. Apenas explicando: planar pela cidade é um suicídio metafórico (ou não, vai saber). Sinto que não tenha agradado, abraço

  24. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de dezembro de 2017

    Edduardu Leitão Vargas tem o superpoder da invisibilidade. Metaforicamente, estratégia montada para seguir a vida, couraça adotada feito tatu-bola. Situação mais cômoda. É bom ser camaleão na selva (de pedra). Comportamento propício à aceitação, à resignação, à letargia, à indolência. Se eu tenho como sobreviver, vou fazer isso sem luta, sem enfrentamentos, sem deixar a minha zona de conforto. Texto extremamente sensível, que disseca a melancolia, que expõe a dor da exclusão, que transpira infelicidade. O personagem absorveu uma realidade enviesada de amor, de amizade, de sexo, de companheirismo. Fechou-se num universo solitário. Não sabe lidar com os prazeres da vida. Tudo se resume a afastamento, vergonha, nojo, abstinência, sublimação. O “demônio” destoou. Texto muito bem escrito, prende o leitor. Gostei do desfecho, sem saída.
    Parabéns, Magneto!
    Boa sorte!

  25. Priscila Pereira
    3 de dezembro de 2017

    Super poder: invisibilidade, não real, mas simbólica.
    Oi Magneto, gostei do seu conto, inicialmente não entendi o título, depois entendi ser pela falta de coragem de Eduardo, o famoso sangue de barata. Achei interessante você escrever sobre um super poder falso ( eu entendi que a invisibilidade não era literal e sim uma indiferença das pessoas com a aparência e a personalidade sem brilho do protagonista). Na verdade Eduardo se acostumou com essa indiferença e não fez nada para reverte-la. Seu único ato de indignação foi o causador de sua morte no final. Uma vida indiferente e apática. Ótimo conto. Parabéns e boa sorte!

  26. Renata Rothstein
    2 de dezembro de 2017

    Oi, Magneto!
    Poder da invisibilidade, daqui inicia-se o sofrimento invisível de Eduardo, o menino desprezado pelos pais, e que provavelmente acostumou-se a esse padrão, mundo afora.
    No caso, vi o super poder como fruto da imaginação e psicológico destruídos do rapaz.
    Tudo nele é doloroso, tudo é superlativo, um tipo melancólico, quase uma ostra. E, pelo que entendi, um homoafetivo reprimido, o que por duas vezes foi mostrado no conto: qando ele destroçou um “invisível”, e qdo a mãe proferiu várias ofensas, mas a que o ofendeu de verdade foi o “viadinho”.
    Muito peso para Eduardinho, que atormentado ao extremo com a presença dos pais, comete suicídio.
    Achei seu conto muito, muito bom, não vi erros, nada, apenas a questão do “latinos sjuos”, afinal, latinos tbm o são portugueses, espanhóis, franceses e italianos – certo seria latino-americanos sujos (mas nada demais).
    Boa sorte!

  27. Pedro Paulo
    1 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Passei algum tempo tentando entender onde o autor queria chegar, até que compreendi que o conto trata da jornada de Eduardo, marcada por exclusão, solidão e infelicidade, sentimentos entremeados com a dinâmica familiar dele, cuja riqueza desempenha fator preponderante para fazer a história andar, isto é, as viagens constantes que sempre afastam o protagonista de alguma coisa, inicialmente da família e depois da própria felicidade.

    Apesar de dar a entender que a leitura vai ser sobre a solidão da protagonista, o fim termina a história com uma tônica diferente. Sim, ainda estamos dentro da vida de Eduardo, mas a conclusão que o autor escreveu foi sobre a sua suposta “iluminação”, representada por pular do prédio no final. Embora o autor tenha conseguido escrever de maneira que ficasse realmente libertador, o impacto é pequeno, diferente do que deveria ser, dado a magnitude do fato. Acredito que o autor passou muito tempo em consolidar a vida infeliz do protagonista, sem dar muita atenção a possibilidade de libertação do mesmo, de modo que o último fato veio mais abrupto do que impactante.

    O conto acaba sendo quase inteiramente escrito nos fatos que se sucedem na vida de Eduardo, com os diálogos que aparecem servindo não aos personagens, mas às situações, o que deixa a dinâmica da família (a única do conto) desinteressante e utilitária, servindo apenas para levar de A a B. Apesar disso, quando Eduardo assume cargo na empresa, foi uma colocação interessante a que só o chamavam no diminutivo.

    A escrita é competente e ágil e o autor investiu bastante na personagem. O que eu coloco é, em resumo, que quis escrever tanto sobre a personagem que acabou sem dar importância à trama. A resolução foi uma tentativa de fazer da trama a história da libertação de uma vida de agonias, mas o impacto acabou diluído na sucessão de fatos.

  28. Fil Felix
    1 de dezembro de 2017

    Boa noite! Queria eu poder viver por aí, viajar, sem se preocupar com dinheiro…

    Muitas coisas acontecendo nas entrelinhas nesse conto. O protagonista possui o poder da invisibilidade e pronto. De início, o leitor precisa entrar na magia, pois não tem explicações. Não que sejam necessárias, claro. Há a questão do sexo: o trauma dele ao ver os pais transando; agredindo o “demônio afeminado” por, talvez, ter dado em cima dele; ter se irritado com a mãe, não por ser chamado de gordo, mas de maricas e viadinho (aliás, tem uns termos aí bem antiquados kkk). Ou seja, isso entrega um protagonista complexado com sua própria sexualidade.

    A ideia de invisibilidade brinca com àqueles excluídos, que ficam à margem da sociedade. Que não são ou não querem ser notados. Um tema que dá pra ir fundo, mas sinto que ficou na superfície. Apesar de colocá-lo como alguém tímido, fora do padrão de beleza, abandonado pelos pais e afins, não chega a ser cativante, porque não há sofrimento. Há um adolescente e, mais tarde, um homem conformado. Que se deixa levar. Que não se preocupa com dinheiro, já que tudo está pago. Não se preocupa com a aparência, prefere ficar invisível. Não se preocupa em amizade, em sexo, nada. Um momento e outro, como a cena que espanca, que o tira da zona de conforto, mas no restante é algo sem muitas reviravoltas. Mesmo a situação com o pai, ele fica meio de paisagem. Acho que isso tirou um pouco do brilho que poderia ter ao tratar da invisibilidade.

    • Magneto
      2 de dezembro de 2017

      Apesar de você colocar que prejudicou a qualidade do conto, o seu último parágrafo me deixou feliz: o cerne do texto é a apatia. Quando pensamos em heróis, pensamos em pessoas poderosas que “salvam” o mundo. No entanto, quanta gente com poder (e nem estou falando da invisibilidade) que deixa a vida, sua e dos outros, passarem. Que podiam fazer tanto e não fazem nada. A apatia, a indiferença é o mal do nosso século. Foi uma tentativa de subverter o tema (confesso que estava esperando uma boa quantidade de Vingadores genérico) que pode não ter dado tão certo, mas fico feliz em ter obtido essa indignação em alguém.

  29. Antonio Stegues Batista
    1 de dezembro de 2017

    Não entendi o motivo de Eduardo ser ridículo, ou porque os outros o achavam. Por seu jeito tímido, talvez. Ele já nasceu com o poder da invisibilidade, mas não tinha o de voar? O homem que ele chamou de demônio deu para ele esse poder? Quando o demônio da alguma coisa a alguém nunca é de graça. A invisibilidade não lhe deu grandes vantagens a não ser não ser visto, o que é meio fútil. Poderia ter feito outras coisas interessantes com isso. Achei algumas partes meio nebulosas, mas a ideia é boa e o final ficou excelente. Boa sorte.

  30. angst447
    1 de dezembro de 2017

    Olá, autor(a), bem-vindo(a) a mais um eletrizante desafio.
    O conto está dentro do tema proposto pela chefia. Muito bem escrito, personagem central bem caracterizado e com o poder da empatia. Gostei desse mocinho.
    O superpoder da invisibilidade, tão desejado e tão repelido. Uns querem o anonimato, outros preferem ser vistos (falem mal, falem bem, mas falem de mim). Eduardinho descobriu-se invisível, pois as pessoas preferiam ignorar sua presença e isso acabou sendo mais confortável para ele.
    Os diálogos saíram um pouco do tom da narrativa até ali. A princípio, mãe passou-me uma ideia de esse-menino-me-envergonha-mas-vamos-manter-as-aparências, para depois esculachar com o rapaz usando termos que não combinaram com a imagem que criei dela. Soou um pouco artificial para mim.
    Pensei que haveria uma ligação mais forte entre o incidente do espancamento em Paris e a voz que ouviu no final. Belo desfecho, melancólico, mas coerente com o resto da narrativa.
    Estrelinhas para você. Boa sorte!

    • Magneto
      1 de dezembro de 2017

      Olá.
      No diálogo final, ela está bêbada (whisky) e o “demônio” é como Eduardo chamava o homem que ele espancou. Agradeço a leitura e os apontamentos.

  31. Olisomar Pires
    30 de novembro de 2017

    Pontos positivos: o protagonista foi bem criado, marcado e esculpido com todos seus problemas; o último parágrafo ficou belíssimo.

    Pontos negativos: os diálogos, apesar de poucos, me soaram muito estranhos, destoam, as personagens dos pais ficaram um pouco caricatas em função disso.

    Impressões pessoais: um texto com vários ganchos que podem ser aproveitados: a solidão do gordo, o problema com o abandono, a violência de causa sexual…

    Sugestões pertinentes: pegar o espírito do último paragrafo para reescrever alguns parágrafos.

    E assim por diante: “escrever é cortar”, dizia o sábio. Logo, acho que uma revisão nesse sentido poderia ajudar muito o texto. O autor possui talento, seja bem vindo.

  32. Bianca Amaro
    30 de novembro de 2017

    Olá Magneto, tudo bem?
    Seu texto foi bem interessante. É um texto forte, e meio deprimente, mas diz sobre uma realidade que é vivida por muitos.
    Traz uma reflexão sobre como as más atitudes dos pais, como ignorar o filho ou trata-lo mal, prejudicam a saúde emocional da pessoa. Eduardo é um homem infeliz, a história mostra isso muito bem. E a “invisibilidade” do personagem combinou perfeitamente, mostrando que Eduardo sentia-se invisível. Além disso, mostra que, apesar de serem boas, viagens não são o suficiente para tornar uma pessoa feliz.
    Acompanhamos o personagem em sua vida, e vemos como sua realidade vai de mal a pior. E é realista: nesses casos, infelizmente, ocorre o suicídio.
    A imagem utilizada combinou perfeitamente com o texto. Amei o desenho.
    Uma história muito tocante, e usou o tema superpoderes muito bem.
    Parabéns pela história.

  33. Paulo Ferreira
    30 de novembro de 2017

    A princípio o conto passa por pretensioso, dando a entender que iria despontar uma grande trama, quando começa a fraquejar na narrativa, por esta não ter muita inventividade, ao tentar criar várias situações, cujos personagens não dão sustentação ao enredo. Outra coisa que marcou foi a forma ingênua de tratar o assunto sexo, (terá sido por tratar-se de uma criança presente, ou falta de ousadia mesmo?). Haja vista esta fala: “Que terror, para o menino, descobrir que o pai gostava de machucar a sua mãe. E, pior ainda, que a sua adorada mama reagia pedindo que o marido a ferisse com mais força”. Embora a ideia da invisibilidade seja um grande achado para se criar substanciosas ações e acontecimentos com teor emotivo, e ou, dramático, e ainda situações hilariantes. Senti falta de um melhor aproveitamento da ideia. Talento para isso, o autor demonstrou ter. Acredito que faltou um pouco de concentração, apenas.

  34. Angelo Rodrigues
    30 de novembro de 2017

    Caro Magneto,

    Superpoder da invisibilidade
    Imaginei que o autor quis uma fábula relativa ao abandono. Estar invisível, sentir-se invisível, sempre foi um caminho para os excluídos – dói menos..
    O conto está bem construído, salvo pela presença do “demônio” que sussurra: desnecessário, embora não faça feio.
    Latinos chamando brasileiros de “latinos sujos” torna apenas o “sujo” uma ofensa. Às vezes alguns esquecem quem são os latinos: espanhóis, romenos, brasileiros, franceses etc.
    Personagens construídos no tamanho necessário à extensão do conto.

    Parabéns pelo conto.

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Informação

Publicado em 29 de novembro de 2017 por em Superpoderes.