EntreContos

Literatura que desafia.

Mistério: Assassino, de quem Morreu? (Conde de Lautrémont)

Como se percebe, pelo título, o enigma desse aterrorizante crime não é o criminoso, mas a vítima. Afinal quem enfim morreu, nessa estrambótica trama?… Embora valha ressaltar, não se martirize por isso, pois a história é feita de gente morta e o futuro de gente que vai morrer. E é isso o que iremos investigar com todo escrúpulo, mas como todo bom suspense, comecemos pelo começo.

Eu precisava passar um fim de semana na casa de minha mãe. Já estavam insuportáveis as cobranças. Se bem que estava mesmo devendo, pois há bem pouco tempo eu não passava mais do que um fim de semana sim, outro não, sem visitá-la. No mínimo ia aos domingos para almoçar. Mas naqueles últimos seis meses a coisa ficara difícil. E tudo por causa da Luzia. Luzia chegava ao meu apartamento logo as sextas-feiras à noite. Sai do trabalho e fazia ponte direta. Era um grude. E só voltava na segunda pela manhã. Isso, porque eu a deixava bem na frente da agência onde ela era articulista de criação. (Função que, cá comigo, não sabia nem do que se tratava). O fato é que Luzia estava tomando todo o meu tempo dos fins de semana. Era teatro, restaurante e cama na sexta. Cama no sábado o dia inteiro; à noite cinema ou um show de rock, restaurante e cama. No domingo, cama até as dez horas com breakfast e jornal na bandeja, almocinho caseiro, mais cama, e à tarde vernissage, na volta, pizza e cama. Não necessariamente nessa ordem. Muito embora, a cama estivesse em qualquer uma das ordens. Quando eu falo cama, subentenda-se sexo, sexo e mais sexo. E quando falo sexo, falo de sexo vigoroso, forte! De frente, de lado, de bruço, de pé, de falo, língua e dedos. Dedos dos pés e das mãos. Orelha, lóbulo, nuca, joelhos e profundezas das entranhas. Luzia era o tipo da garota três gês, ou seja, “garota gata gostosa” Acrescentando-se ao rótulo o adjetivo “assanhada” com direito a todas às acepções da palavra.

      Pois bem, foi neste entretempo que eu fui esquecendo de mamãe. E sem nenhum propósito. Apenas a tal ocupação descrita acima, o conúbio com a citada dama. Quando dei por mim estava devendo quase seis meses de fidelidade filial. E por que não dizer, saudade maternal. A roupa que minha mãe tanto esperava para que eu levasse para ela lavar nos fins de semana já havia virado uma baita conta na lavanderia. E Luzia consumindo meu ser e meu corpo… Coitado de mim, pobre indigente do sexo… Estava um trapo, ultimamente vivia em frangalhos.

      Nos últimos dias mamãe não parava de me azucrinar o juízo. Ora por telefone ora por telegrama fonado. (E-mail, nem pensar. Computador para Ela era o demônio em forma de máquina). Por fim, em um sábado, tomou coragem e bateu em minha porta. Na exata hora em que eu e a Luzia estávamos no bem bom. (Bem bom pra Ela, pra mim um suplício). Tocou a campainha tantas quantas vezes eu nem sei. Até que, mesmo exaurido e extenuado do sexo selvagem de Luzia, criei coragem arranjei forças buscadas não sei onde. Acredito que à base de pensamento positivo, e aproveitando o ensejo para me livrar daquele leito eletrificado e da companhia inebriante, devastadora e insaciável chamado Luzia. Levantei-me e caminhei cambaleante até o olho mágico da porta. A surpresa não foi pouca, quando com a nesga do olho espremido contra o outro, o da porta, vi aquela cara grande distorcida; ou deformada? Cheia de indignação de minha mãe. Mais que depressa olhei para Luzia e insinuei que Ela se fizesse de dormindo embaixo dos lençois. Abri a porta. E num espalhafato de falso entusiasmo abracei-a e gritei… Mamãe!… Mamãe! (Não. Primeiro gritei depois abracei). O que foi motivo de galhofa por parte de Luzia umas horas depois na cama, quando me disse cochichando ao meu ouvido; lambendo e mordendo o lóbulo de minha orelha, nunca ter visto coisa tão hipócrita quanto aquela minha efusiva e falsa manifestação emocional, não mais que racional. Comentários à parte mamãe viera me relatar uns acontecimentos nos últimos dias em sua casa.

        Tratava-se de umas pisadelas no telhado da casa durante a noite. Motivo que a deixava assustada. Eram pisadelas fortes, rangiam como porão de navio preste a naufragar, parecia que ia rachar o telhado a qualquer instante. Em outros momentos era um som surdo como patadas fofas de urso. Falava mamãe dramaticamente horrorizada; e acrescentava: precisava urgentemente que eu fosse passar uns dias em sua casa para descobrir aquele mistério. Em sua opinião: (dava outra versão dos fatos, agora cheia de sentimentalismo), só podia ser bandidos. Ou, no mínimo, algum homem interessado em sua pessoa. Aproveitando de ser Ela, uma senhora desprovida de guarda, de proteção. Pois estava esquecida pelo único e desalmado filho. Um ingrato. Mas não havia de ser nada. Deus haveria de lhe prover forças para suportar tanta injúria, e enfrentar com altivez, tamanha coisa assustadora. O que lhe preocupavam eram os nervos, pois estavam num estado deplorável. Por qualquer motivo entrava em pânico, chorava à-toa. Já não era a mesma mulher de quando o filho morava com Ela. O que Ela pedia mesmo, (intimava) era que eu fosse ficar uns dias com Ela. Mais tarde, na cozinha, quando fazia uma sopa de ossobuco com tutano e legumes, pois estava me achando meio anêmico, amarelo opaco como uma papoula murcha. E acrescentou: onde já se viu! Um filho abandonar a mãe por uma lambisgóia dessas!… (Ainda bem que a Luzia não estava por perto, senão a coisa ia ficar vermelha. Pois quando se pisa nas patas de uma gata como a Luzia, sem querer, Ela faz leão morrer de cócegas só balançando o rabo em seu focinho).

      Só com muito tato consegui apaziguar os ânimos de mamãe e fiz com que Luzia batesse um papo ameno com Ela. Depois de um longo monólogo de mamãe e algumas vírgulas de Luzia, mamãe concordou que Luzia poderia ficar comigo em sua casa. (Desde que dormíssemos separados, Luzia no quarto dos fundos e eu no sofá). Claro que concordamos; pois o que é a noite!, se não o manto do profano e o acalanto da luxúria, bálsamo para o espírito e consolo da triste carne! Porém, também ditei minha cláusula: que a nossa permanência seria só para elucidar e resolver o imbróglio. Marcamos para o outro final de semana.

Assim concordado assim feito. No final da semana seguinte fomos nós, Eu e a Luzia, de mala e cuia para a casa de mamãe. Como todo e sempre mamãe estava de mau humor. Por mais nítido esforço que fizesse para se mostrar agradável, era flagrante seu estado de sem sal e sem açúcar. E para isso Luzia era craque. Fazia que não era com ela. Monta e desmonta a cozinha, arria as panelas dos armários para fazer pipoca. Põe CDs no som, (os dela, que trouxe) dança, canta. Mamãe resmunga uma coisa, Ela se faz entender com uma outra incongruência qualquer e uma risada. E acrescenta: A senhora é muito engraçada!, gostaria que minha mãe fosse como a senhora.” Mamãe por sua vez desembuchou com toda empáfia que Deus lhe deu um muxoxo: “Te esconjuro!…” E fez com o polegar direito três cruzes: uma na testa, outra na boca, a última no peito. E para persignar-se por completo, completou: “Vade retro!… Livrai-nos Deus, Nosso Senhor, de tamanha blasfêmia. Amém!”

      O sábado se foi, chegou à noite. Luzia aproveitou para desarrumar mais um pouco a cozinha fazendo uns petiscos para acompanhar os filmes que havíamos alugado, os quais seriam regados a vinho enquanto assistíssemos. Lá pelas tantas a mamãe se pronunciou mais uma vez com seu péssimo humor. “Vocês vieram aqui para vigiar a casa ou fazer festa? Desse jeito não vai aparecer ninguém!” “Ah, a senhora quer que apareça alguém, hã!… Eu disse. “Eu quero que você dê um fim nisso!” Respondeu Ela ainda mais raivosa.

      Fomos dormir. Luzia no quarto dos fundos e eu no sofá. Tudo como fora ditado pela eminência, sua senhoria, minha progenitora. Para em seguida ser desditado por nós, segundo um bem bolado que armamos para o meio da noite logo após os primeiros roncos da velha senhora. Lá fora a noite estava gélida e fustigada pelos ventos.

       Logo que os uivos da noite se fizeram ouvir através dos ventos soturnos, e nosso enrosco no sofá, ressoou gemidos abafados. No telhado dava-se início o desvendar do enigmático mistério. Depressa nos desplugamos e nos posicionamos em nossos respectivos postos. Ouvimos com grande atenção passo a passo os ruídos vindos de sobre o telhado. Eu e Luzia de vassoura e rodo nas mãos, trepados em cima de cadeiras cutucando as telhas de baixo para cima, dando início a um bulício genérico numa desesperada correria por parte do famigerado “delinquente”. O suficiente para acabar com os roncos da mamãe. Que, sem tino, corria de um lado para o outro dentro do quarto ensandecida. Paramos. Demos um tempo a nossa primeira sessão de massacre. No entanto, lá em cima, algo se debatia em pavorosa agitação. O que seria aquilo? Seria bicho? Assombração? Ou, segundo mamãe, alguém interessado nela? O pior de tudo isso foi quando a coisa acalmou e quietou-se, e mamãe em extrema ansiedade acendeu as luzes da sala e num misto de constrangimento, consternação e estupefação sem contar a contenção para não abrirmos uma escandalosa gargalhada pela pura cena de nonsence em que Eu e a Luzia exibíamos para a mamãe. Pois, estávamos pelados, de vassoura e rodo nas mãos em cima das cadeiras, estáticos e nus como manequins em sótão de loja. Mamãe mumificada, paralisada; com os olhos esbugalhados, dura e fria como estátua de cemitério. Todo seu pudor fora afetado, desmoronara, queimara-se diante nossa indecência. No ímpeto, o primeiro impulso foi taparmos nossas genitálias com a vassoura e o rodo. Inútil, ficamos mais ridículos ainda. De tanto aperreamento deixamos a postura de manequins e passamos a fazer mil piruetas numa estapafúrdia coreografia como se estivéssemos dançando o samba do crioulo doido na tentativa de ora esconder a bunda, ora esconder o pau, Eu; Luzia, os peitos e a xana. Em meio a esse estardalhaço mamãe correu para a cozinha em estado de choque. Quanto a nós, nos vestimos e fomos para fora da casa verificar “in loco” o desmascaramento da coisa mandada. Tudo quedado e tranqüilo, só o farfalhar das folhas de uma ameixeira soava no quintal quebrando a paz da serena madrugada. Lá dentro da casa, o soluço escandaloso de mamãe quebrava o encanto da noite dando um ar fantasmagórico ao misterioso clima de terror de filme de terceira categoria. Só faltava cair um nariz, uma orelha ou uma mão do telhado. Mas não, tudo acalmara mesmo, restava voltar para dentro de casa, arrumar uma boa desculpa para tentar consolar a mamãe, dormir e esperar o domingo acordar e verificar o real acontecido. Entrei na casa com falta de ar e esbaforido, como se estivesse, como Hércules, acabado de realizar um de seus doze trabalhos. Ou mesmo a cara do Davi após a vitória sobre Golias. No mínimo, com cara de espanador quando acaba de tirar o pó dos móveis, saciado. E, como um furacão, passei pela sala direto para a cozinha, e falei em bom tom: “Pronto!… Tudo acabado, acabou-se o mistério, o intruso se mandou”. Mamãe tentou com a fala balbuciada, entrecortada por soluços de um falso choro, perguntar: “O que foi?… O que era?…” (soluço) “Isso eu não sei mamãe, o que sei é que o bicho ou qualquer que tenha sido a coisa escafedeu-se… sumiu”. “Eu não acredito!… (soluço) Não acredito!… (soluço) Quero só ver amanhã… (soluço) preciso ver pelo menos o rastro desse cão”. Falou a mãe mais enfezada do que nunca. “Não mamãe, o cão não era… no muito era um urso. Não passa disso, eu garanto”. Eu disse, enchendo-a de confiança. “Vamos ver… (soluço) vamos ver”. Completou ela em tom de sentença. Acredito ter sido esta a fala a que desencadeou todo o processo dos acontecidos daquele dia. E qual foi o significado disso tudo, o leitor há de me perguntar. Muitos foram os tropeços que sofri em minha vida errante, entretanto nenhum tão vil quanto aqueles presságios em que vivenciei, aos quais faltou uma explicação derradeira que agora, você leitor exige. O destino é mesmo um grande tecelão dos nossos infortúnios; no entanto, e de forma mais geral, costuma-se terminá-los contrariando todas as leis da natureza da vida e com uma falta indecorosa de consideração para com algum dos partícipes do enredo e trajetória de nossas vidas. Acontece, porém, que tenho cá comigo um trunfo para quando descreverem meus culpados atos, os quais me isentarão dos prováveis remorsos e a inevitável condenação celeste.

      Aqui eu vou dar um breque neste relato por um ou dois parágrafo para que vocês leitores entendam no melhor sentido o título dado a este engodo ou embuste em que me meti. Na verdade é uma confissão, que a priori peço não comecem por julgar-me partindo do título. Pois, de cara serei taxativo. Não sou masoquista. Tampouco assassino! Já cometi várias sandices, menos matar, Isso não!

      Entretanto, como é de ciência, a alma humana sempre serviu de alojamento para atos vis, tanto quanto aos nobres. Na ocasião dos fatos ocorridos afluía dos meus sentidos a mais profunda e arraigada vontade do meu ser. Tudo o que é mais latente em um criminoso se tornara em mim, inexorável. Nem um resquício, nenhuma fagulha, uma atitude mínima de nobreza não acudiu a mim em socorro da vítima. Algo muito estranho me consumia, possuía-me com uma força descomunal.

      Foi assim que transcorreu aquela interminável meia hora, pela qual me ocupara na manhã daquele fatídico domingo de maio. Todo o meu bom senso e bom mocismo estavam degringolando como uma geléia escorrendo por entre os dedos.

      Após estes profanos pensares sobre e alma humana pulei da obscena e improvisada cama numa ansiedade que aflorava os nervos. Como um Sherlock Holmes, saí a investigar os arredores da casa acompanhado de minha cara Sra. Watson, (era elementar) em busca de algumas pegadas, alguns galhos quebrados do roseiral, com os quais mamãe orlava o caminho de pedra-seixo que cortava o jardim até o portão de entrada. Qualquer vestígio que fosse. Claro, não chegamos a uma total perscrutação dos detalhes, pois nos faltava o indispensável pó de pirlimpimpim para os devidos apuros das possíveis digitais. O cheiro de jasmim e damas-da-noite ainda impregnava o ar que sobrara da noite serenada. A aflitiva curiosidade aumentava a cada passo dado em sentido a alguma pista. Num estalo lembrei-me de um ocorrido na hora do furdunço da noite passada, no corre corre do telhado e nas estocadas das vassouras antes de acontecer o silêncio total. Quando houve um baque, o barulho de algo que caia. “Um corpo que cai”. Bendita lembrança acorreu-me Hiticock! Estas pistas já eram por si só irrefutáveis e evidências a toda prova.  Mas onde?… Aonde caíra esse corpo? Rodeamos a casa no sentido das calhas, observando as laterais. Nada encontramos. A situação estava ficando desesperadora, quando Luzia, afastando-se um pouco de mim, aborrecida com minha lerdeza foi fazer uma inspeção por conta própria nas dependências da lavanderia. De repente um grito numa mistura de êxtase e histeria; era a Luzia completamente abismada. Imóvel, com as mãos premindo as faces, amassando o rosto. A fisionomia completava o olhar de pavor, cujo foco era um balde plástico de cor roxa ao lado do tanque de roupa. Corri em seu socorro. O fim daquele suplício e a minha salvação me chegaram de onde menos esperava. Lá estava o motivo de tanta arenga. Dentro do balde agitava-se, usando todos os recursos possíveis para escapar da armadilha da morte na qual houvera se metido. (Ou caído, melhor dizendo).

      Um rato guabiru daqueles enormes, da espécie rattus rattus.  Mesmo sem pesar, pelo tamanho, daria para imaginar seu peso. Dois quilos, dois quilos e meio? Não sei. A certeza que eu tinha era a de que ele cavara sua própria cova. Decretara sua sentença. Debatidiço, lutava em centímetros cúbicos de água de sabão numa alucinada tentativa de fuga pela parede escorregadia do balde. Se ele escolhera sua forma de morrer, não sei. Porém, eu dei o veredicto e decretei a sentença.

      Só faltava executar a pena com os devidos critérios e requintes por mim estabelecidos. E logo pus em prática. Aos poucos fui adicionando mais água com sabão no balde enquanto

assistia impassível o condenado se estrebuchar numa desesperada contenda com a morte tentando galgar o plástico liso do fatídico recipiente. Nunca tivera tendências para o sadismo, como já disse. Entretanto, naquele dia extrapolei, saciei toda minha repugnância pela humanidade, pelos deuses, os semideuses, os heróis, os ídolos, os santos, os anjos, os políticos e todos os vermes, na figura daquele desinfeliz. Naquele instante só restava uns poucos milímetros de focinho fora da água. Acredito que o miserável já não enxergava nem uma pata além do focinho. Mesmo assim, porque forçava as pontas das patas, dançando numa pirueta infernal o balé da morte. Agora respirava o máximo que podia em agoniada subida à tona para em seguida dá grandes golfadas de espuma de sabão. Quando o vi mergulhar em seu último estertor de morte. As bolhas de sabão flutuaram e ele não mais emergiu.  Diante desse quadro, pincelado de crueldade, regozijei-me. Foi a glória!

      É claro, fora um crime sem nenhuma vantagem, apenas o livrar-me de mamãe e da aporrinhação de tê-la ao telefone ou na porta de minha casa com seu mórbido mau humor. No entanto o que havia de mais torpe em mim houvera se extinguido. Será!?…

      Com esta espontânea e inquisitiva indagação investiguei minuciosamente todos os recantos do meu espírito; e concluí que o pior estaria por vir.  Pois o que aflorou de minha impoluta alma foi uma exclamação de espanto e horror… Aquele sórdido e medonho rato seria a mamãe? Meu Deus!…

Enfim se tratara de uma astuciosa trama matricida cheia de sofismas? Uma elaborada trama, mas sem os erros típicos dos passionais?…  Todavia, premeditada com esmerada arquitetura? Ao fim de tudo, do desfecho do hediondo e sórdido crime, dormi com o delicioso carinho das garras aveludadas e o melodioso som do rom rom de Luzia…  E a incógnita.

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34 comentários em “Mistério: Assassino, de quem Morreu? (Conde de Lautrémont)

  1. M. A. Thompson
    22 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    É sobre um sujeito muito apegado a mãe (ou a mãe a ele), que ao arrumar uma xana deixa de visitar a mãe com a frequência que fazia. A mãe aparece sem avisar, conta uma história sobre ruídos estranhos em sua casa e na semana seguinte o casal parte para lá, na esperança de resolver o mistério: um rato gigante.

    O QUE ACHEI
    Um conto muito bem contado, principalmente por ser em português europeu e pouquíssima coisa ser incompreensível. Apesar de a imagem escolhida já telegrafar que o suspeito seria um rato, eu esperava que isso não se confirmasse, mas acabou sendo. O título não fez muito sentido, pode ser que faça sentido para os portugueses ou para os outros comentaristas.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Justamente por ser escrito em português europeu não posso considerar erro o que não sei se é. Mas acredito que em “só podia ser bandidos” teve mesmo um lapso de concordância, não entendi por que “Ela” aparece com inicial maiúscula no meio da frase (em Portugal é assim?) e se “à-toa” com hífen é assim que se escreve por aí.

    O Terror está presente?
    Não. Suspense e comédia.

    Foi um dos que mais me agradou?
    Foi sim, pena que não é terror.

    Boa sorte no Desafio.

  2. Luiz Henrique
    21 de outubro de 2017

    Apesar da grita geral, dos críticos de plantão, sob a alegação de que este conto não seja terror, e não é mesmo, no sentido estrito da palavra, mas venhamos e convenhamos um senhor conto de suspense, e por que não, de um terror sutil: alguém aí já se imaginou com uma mãe daquelas, e ainda por cima demonstrar aquela grandeza de afeto e carinho, tempo e disposição para encarar sua intragável rabugice, levando na esportiva e no bom humor? Em verdade, quem morreu mesmo foi o rato, mas, e aquele terrorzinho subalojado no íntimo das pessoas, aquela mãe não seria digna de um balde com água de sabão, no mínimo, para limpar suas maledicências? E falando-se de enredo e construção de narrativa: é um verdadeiro exercício de invencionice, com detalhes e nuances da trama, extraída com maestria, uma aula em descrição literária. É verdade que há alguns tropeços e atropelos gramaticais, coisa que nenhuma releitura não conserte. E para o governo de todos, num concurso literário a maior valia é a inventividade e a escrita em si, a gramática fica para os copidesques e revisores da vida. Estes estão sobrando pelas editoras. Afinal de contas, em nenhum dos contos aqui representados, não há nenhum analfabeto funcional, não se viu aqui nenhum “nós vai” nem “hoje fazem dez dia”. Em minha opinião não passou de um descuido rasteiro, inimaginável que o digníssimo Conde Lautrémont, O grande autor dos “Cantos de Maldoror”, não saiba discernir um “dá” de um “dar”. Se pudesse minha nota seria Mil, com “M” maiúsculo mesmo.

  3. iolandinhapinheiro
    19 de outubro de 2017

    Outra comédia por aqui, gostei! O seu protagonista é cheio de personalidade e um incansável amante. Seu texto, inclusive, não deixa margem para a imaginação do leitor, tão abundantes são os detalhes. Se fosse um lápis já teria usado o estojo inteiro, né? Benzadeus!

    Gostei de várias partes do seu conto, vc escreve muito, em todos os sentidos. Minha mente já estava atopetada de tantos detalhes sobre cada pequeno lance do seu conto. Terror mesmo não vi nenhum, mas fiquei sabendo de cada posição, pensamento, e ação do cara, da mulher do cara, da mãe do cara e do ratão. Quase que morro sem ar.

    No mais tenha cuidado ao usar o verbo dar e não confundir a hora de usar dá ou dar, ok? E eu tenho o pesar de informar a você que eu morri com seu “Hiticock”, e ele que está morto, morreu de novo.

    Beijos, amigo. Seu conto desopilou meu fígado e embaralhou meu juízo.

    Sorte.

  4. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Não sei. Esse é um conto que eu não percebi o terror. Então, vou considerar o terror o elemento inexistente. Parágrafos muito longos e ideias muito repetidas. Acho que isso cansou a leitura, apesar das frases estarem bem construídas. Talvez se eliminasse algumas, o texto ficaria melhor. Também não sei, porque também escrevo assim e tenho que cortar tudo e mais um pouco. A história é boa. Boa sorte no desafio.

  5. werneck2017
    14 de outubro de 2017

    Olá,

    A leitura de seu texto é fluida, agradável. Não vou me estender muito quanto à inadequação ao gênero proposto, uma vez que a narrativa volta-se mais ao humor que ao terror, ainda que você tivesse elementos para criar essa reviravolta na história, afinal, ele se vê consumido pela mãe e pela namorada. Não teria pensado em revidar a uma ou outra um só instante? Isso sim teria criado momentos de tensão e de humor negro.
    O texto apresenta um linguajar apurado, mas muitos erros de gramática, dos quais cito alguns que não foram listados anteriormente:
    contenda com a morte tentando galgar o plástico liso do fatídico recipiente. > contenda com a morte, tentando galgar o plástico liso do fatídico recipiente.
    Após estes profanos pensares sobre e alma humana pulei da obscena > Após estes profanos pensares sobre e alma humana, pulei da obscena > como uma geléia escorrendo > como uma geleia escorrendo
    Na verdade é uma confissão > Na verdade, é uma confissão,
    que vocês leitores entendam no melhor > que vocês, leitores, entendam no melhor
    por um ou dois parágrafo > por um ou dois parágrafos
    trepados em cima de cadeiras cutucando as telhas > trepados em cima de cadeiras, cutucando as telhas

  6. Lolita
    12 de outubro de 2017

    A história – Homem que possui relação conturbada com a mãe arranja uma namorada. A matrona pede ajuda em um caso que ocorre em sua residência – afinal de contas, quem morreu? A ideia é interessante, quando começou esperava algo no estilo Norman Bates, o que não se concretizou.

    A escrita – Afetada, com muitos adjetivos. O narrador parece ser alguém muito ansioso, colocando todos os problemas e frustrações para fora. O estilo combina com a ideia apresentada, mas admito que foi um pouco truncado para ler o texto. Gostaria de ter conhecido melhor Luzia (a luz na vida do personagem principal) e a mãe, até para também entender o lado da mesma. Por fim, destaco uma frase que gostei bastante: a história é feita de gente morta e o futuro de gente que vai morrer.

    A impressão – É um conto divertido, com um estilo particular. No entanto, o terror não veio. Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Lucas Maziero
    11 de outubro de 2017

    Como o parágrafo inicial mesmo diz, após a leitura fica-se na dúvida de quem morreu, a mãe ou o rato; porém, usando mão do óbvio, o próprio texto indica que foi o rato. Para o caso de se criar uma dúvida, deveria ter sido narrado de forma subjetiva.

    Parece-me mais um conto de comédia do que de terror, muito embora eu já disse nos comentários que todo bom terror tem que haver um pouco de comédia, bom humor, enfim (não que eu seja entendido no assunto, mas como temos que dar nossa opinião…).

    Percebi no texto o uso equivocado de preposições; falta vírgula, ponto final; e falta conjunção também, ao longo do texto. Vale a pena reler e sanar esses defeitos gramaticais.

    O conto em si, deixando de lado o gênero a que deva pertencer, é muito interessante. O modo de narrar é eloquente, em outras palavras há um dinamismo que acaba suprindo a força da ideia, que no caso foi bem fraca. Aqui se ateve muito ao sexo, o que gerou um fastio e nos faz pensar em Cinquenta tons de cinza, e numa comédia erótica. Como um todo não gostei do conto, mas gostei sim de partes separadas, ou seja, alguns momentos valeram a leitura.

    O protagonista demonstrou se importar com a mãe, uma prova é a sua preocupação em não poder dar a atenção que ela merece.

    Parabéns!

  8. Roselaine Hahn
    10 de outubro de 2017

    Caro autor, vc. se prestou a escrever algo com no mínimo 3000 palavras, empenhou-se em participar do desafio, e isso já é louvável. Estamos aqui, no mesmo barco, para dar o nosso suor na escrita e receber a análise pelos nossos esforços, mas que pode não corresponder às nossas pretensões, porém faz parte do aprendizado, e quanto mais estivermos abertos a isso, melhor preparados estaremos para o próximo. Buenas, vc. deve estar mesmo é querendo saber da minha análise, e não de toda essa chorumela (alguém colocou essa palavra na análise de um texto meu, achei bacana, tô copiando). Pois essa foi uma das impressões que tive ao ler o seu conto, com todas as cenas da Luzia e sexo, e mais sexo, e mãe, e…cadê o terror? A imagem despretensiosa e o 1o. parágrafo idem, já criam uma expectativa contrária ao suspense, terror, horror, etc… Vc. manda bem na seara do humor, um texto leve, ri em diversas passagens, porém fugiu ao tema proposto do desafio. A narrativa carece de uma boa correção, principalmente em relação a pontuação, ponto e vírgulas e estruturas das frases. Vejamos algumas passagens:
    “Falava mamãe dramaticamente horrorizada; e acrescentava: precisava urgentemente que eu fosse passar uns dias em sua casa para descobrir aquele mistério”. Entendo que o uso da vírgula seria mais correto ao invés de ponto e vírgula, pois o narrador continuou na narrativa sobre a mãe.
    “sai do trabalho e fazia ponte direta”. – Saía do trabalho…
    “Cama no sábado o dia inteiro” – vírgula depois de sábado.
    “criei coragem arranjei forças buscadas não sei onde”.- vírgula depois de coragem.
    “vi aquela cara grande distorcida; ou deformada? Cheia de indignação de minha mãe”.- vírgula ao invés de ponto e vírgula.
    “Assim concordado assim feito” – vírgula depois de concordado.
    – Noncense – Nonsense
    Alguns parágrafos muito longos tendem a dispersar o leitor e o entendimento da trama. Por outro lado, achei digno de nota as frases abaixo, pena, como já disse, não estarmos no desafio comédia.
    “A surpresa não foi pouca, quando com a nesga do olho espremido contra o outro, o da porta…”.
    “E num espalhafato de falso entusiasmo abracei-a e gritei… Mamãe!… Mamãe! (Não. Primeiro gritei depois abracei)”.
    É isso, espero ter contribuído, sorte no desafio, abçs.

    • Conde
      11 de outubro de 2017

      Olá, Roselaine!
      Grato pelas dicas e as lisonjas, seguirei à risca, não tenha dúvida. A ideia foi essa mesma que você detectou. Ouvir críticas, e ou, se louvores, que sejam bem vindos. Assim como o seu. Era o que eu tinha para o momento. Salientando que alguns erros por você apontados foram erros de digitação. (os … as vírgulas ,,, os ;;;. Pois, sou um pobre indigente catalomilhográfico.

  9. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Que deliciosa comédia termino de ler. Ri demais das cenas. Seu conto teria sido um dos vencedores do desafio passado. Pena que tenha chegado atrasado. Muita criatividade, uma construção bem bacana da mãe e da Luzia insaciável. Muito pouco erro, nada digno de nota. Parabéns pelo seu conto. Pena que não posso dar uma nota melhor, considerando não estar a sua narrativa dentro do que considero como terror. Lamento… Abraços.

    • Conde de Lautrémont
      8 de outubro de 2017

      Caro, Fernando, grato pela lisonja, não se preocupe pela nota. Eu já sabia que não haveria chance como conto de terror, no máximo como suspense, mas era o que eu tinha para o momento e sem tempo para criar outro a altura. Só em ser lido, já valeu!

  10. Fheluany Nogueira
    6 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – A adolescência retardada deixa o protagonista dividido entre o conforto (com a mãe) e a libertinagem (com a namorada, que, aliás, tomou boa parte da trama!). O mote até que é interessante, mas…

    Terror e emoção – Texto divertido e bem construído. Uma comédia. A ilustração, o título, as piadas, a ambientação, nada contribuiu para o clima de medo.

    Escrita e revisão – Alguns deslizes que não chegaram a prejudicar a leitura e a compreensão do texto.

    O pseudônimo seria homenagem ao escritor uruguaio-francês, de literatura fantástica?

    Bom trabalho. Abraços.

  11. Angelo Rodrigues
    6 de outubro de 2017

    Caro Conde,

    Difícil localizar o seu conto no universo do Terror, salvo por você tratar sistematicamente de três terríveis e diabólicas entidades: ratos, namoradas e mães.
    Oh, Deus! Namoradas! Ratos! Mães!
    Acho que seu texto corre bem, boa veia humorística, mas, notei um certo alongamento acerca da namorada e sua voracidade pelo sexo. Daqui, de longe, lendo seu texto, fiquei me imaginado lembrar de sexo após ver um filme pornô, ou seja, pensando em nunca mais fazer sexo na vida. Mas isso passa, claro, sempre passa.
    Recomendo – que terrível da minha parte – dar uma olhada na Internet quando a dúvida surgir acerca de coisas de pouco domínio, por exemplo: Hiticock, quando é Hitchcock, e por aí vai. Não custa muito.
    Se posso dar uma dica, não comece um texto pondo em dúvida o que vai escrever, por exemplo, dizendo que vai escrever algo sobre SUSPENSE quando o tema é TERROR. E nem termine-o fazendo perguntas que o leitor não é capaz de responder. Imagine: se o autor não sabe, por que o leitor deveria saber? Acabei meu texto com uma pergunta. É fácil errar.

    Boa sorte e obrigado por compartilhar seu conto conosco.

    • Conde de Lautrémont
      7 de outubro de 2017

      Caro,Ângelo, primeiramente, grato pelas dicas e lisonjas. Quanto ao “Hiticock”, acredite! Foi na internet, onde fui buscar tal informação, devo ter caído numa arapuca. fazer o quê né, acontece! Sobre o conto: não é mesmo um terror. Era o que eu tinha para o momento. Mas valeu pelas críticas recebidas.

  12. Miquéias Dell'Orti
    6 de outubro de 2017

    Olá cara,

    Correndo de risco de ser repetitivo (mas já sendo), não consegui fazer um paralelo do seu conto com o gênero terror, mas senti uma veia de comédia bastante forte na sua história (me tirou até uns sorrisos algumas vezes).

    Apesar de estar fora do tema, a história é muito boa, a trama é bem elaborada e eu particularmente gosto desse estilo com poucos diálogos (desde que o escritor saiba fazer isso, coisa que você soube trabalhar de forma bacana esse aspecto).

    Minhas objeções: seu estilo como um todo me deixou um pouco confuso em certas passagens, por exemplo na parte em que que o personagem principal conversa com a mãe depois do “acabou-se o mistério”. Não entendi muita coisa desse trecho, acho que é a estrutura que você usa que me deixou com essa sensação, não me adaptei muito bem a esses parágrafos super longos e, por vezes, truncados 😦

    No final há uma tentativa de manter um suspense que não colou por conta das (ótimas, por sinal) tiradas de humor, que (infelizmente) quebraram toda e qualquer tensão que você tivesse a intenção de passar.

    Outro ponto é a revisão de algumas partes do texto, que podem deixá-lo muito melhor, por exemplo: “dar um breque neste relato por um ou dois parágrafoS…”; “… para em seguida DAR grandes golfadas de espuma de sabão”, entre outras passagens.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Luis Guilherme
    5 de outubro de 2017

    Boa noite, amigo, tudo bem?

    Esse desafio me eh particularmente especial, pois amo o genero terror.

    Antes de comentar seu conto, dei uma olhada nos outros comentários, pois imaginei que todos fossem falar a mesma coisa que eu: nao tem absolutamente nada de terror no conto. Como ja foi muito reforçado isso, nao vou insistir no assunto.

    Dito isso, falando sobre o conto: o enredo eh legal, e traz um mistério interessante. Gostei particularmente do final, que traz à tona a relaçao conturbada do filho com a mae, alem de revelar um lado sadico (mesmo que ele negue veementemente) do protagonista. Senti q a namorada ajudou a manifestar isso no rapaz.

    Porem, acho q a escrita ficou muito confusa, atrapalhando um pouco a compreensão mais clara do conto. Com ctza, com uma atençao maior a escrita e no desafio adequado, teriamos um conto bem legal.

    Parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      5 de outubro de 2017

      Ah, so queria acrescentar que notei uma veia de comédia ai! Invista nisso, vai se dar bem.

  14. Ana Maria Monteiro
    5 de outubro de 2017

    Olá Conde. Você quis participar no desafio e fez muito bem,mas na pressa esqueceu de ver o tema, ou leu o do edital anterior, não sei. Pois. O tema era terror. Um conceito que, embora lato, compreende, no mínimo, algo um pouco sinistro.
    A meio da leitura desisti de procurar o terror: viesse o que viesse, já nada poderia retirar a este conto a etiqueta de comédia.
    Tropecei uma ou duas vezes na gramática, também um pouco de falta de revisão que deixou passar um dá onde deveria ser dar. Enfim, umas coisas assim, de pouca importância.
    Entendo que o Ela em letra maiúscula tenha sido usado no sentido de mostrar a importância que ela dá a si mesma e pretende que os outros sintam também, mas não ficou claro. Já na frase em que o Eu aparece maiúsculo, entendi que foi para estabelecer o paralelo com Luiza, mas não funcionou; precisava pontuar de forma diferente.
    O conto é divertido e imaginativo, mas essa de não saber quem é o morto, não dá. O morto é um rato, a mãe não caberia dentro de um balde.
    Essa interrogação gera um nonsense por demais impossível de engolir, até em comédia.
    Tudo isto não impediu que me tenha divertido a ler a sua história. Foi realmente um prazer. Uma pena mesmo que tenha esquecido o tema, até porque uma mãe prepotente como essa daria pano para mangas.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  15. Evandro Furtado
    5 de outubro de 2017

    O conto, em si, não é ruim, mas possui problemas dentro do contexto do desafio. A questão maior aqui é a ausência do terror. Com excessão do mistério de quem pisa no telhado, não há nada que faça parte do gênero. O tema, por exemplo, que seria a relação entre mãe e filho, é tratado de forma cômica. Bem, os personagens, de forma geral, o são. Em relação à estrutura, encontrei apenas alguns problemas de pontuação, mas eles vão rareando conforme o texto avança.

  16. Paula Giannini
    1 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto tem uma “pegada” de crônica. Tem humor, mesmo se tratando de terror. Uma espécie de terror leve, mas, ainda assim o é. Ao menos para o rato, ao menos para a mãe, obrigada a aturar esse filho “envelhescente”.

    A figura do homem que se recusa a amadurecer por completo, dependendo da casa da mamãe para lavar suas roupas é algo recorrente em nossa sociedade contemporânea. Gostei do modo como você construiu esse personagem que, ao passo que não quer perder as regalias da casa da mãe, tampouco quer abrir mão da própria vida e da mulher que o consome (literalmente) em paixão.

    O ponto alto, para mim, foi o momento em que o rato é morto dentro do balde de água e sabão. Por incrível que pareça, para esta leitora aqui, foi um momento tenso. Todos temos os nossos fracos e o meu são os animais. Mesmo os tão temidos ratos me inspiram piedade. Assim, a narrativa de como o protagonista deu cabo à vida do animal, construiu em meu imaginário uma autêntica cena de terror. Ao menos para o roedor, assim foi, com uma morte digna de requintes de crueldade.

    Pensando na figura morta no balde, imagino se, para o personagem, o bicho significaria a imagem da “mamãe” dentro dele. Ou se, de algum modo, o que ele mata é sua infância, sua necessidade adolescente de depender de sua progenitora para tudo em sua vida. Talvez, com essa atitude, o rapaz tenha apenas adentrado na vida adulta com um tipo bizarro de “iniciação” que ateste a sua masculinidade. Talvez, cometendo tal ato, ele imagine que, a partir desse momento, será, finalmente, digno de respeito.

    Parabéns pelo trabalho.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  17. Regina Ruth Rincon Caires
    1 de outubro de 2017

    Narrativa que discorre, insistentemente, sobre uma convivência rançosa entre mãe e filho, daquelas relações “não te aguento, mas não te largo”, e que segue por um caminho sem chegada.
    Poucos deslizes gramaticais que podem ser sanados numa rápida revisão.
    Quando o autor deu um “breque” no relato, pensei: agora vem uma surpresa horripilante! Não sei a razão, mas, de imediato, veio à mente a frase do meu professor de Direito Penal ao abrir a primeira aula: “Todo indivíduo é um assassino em potencial”. Aguardei o início de um desfecho com muito suspense, com terror. Não veio.
    Enfim, vejo um texto com estilo sem qualquer compromisso.
    Boa sorte, Conde de Lautrémont!!!

  18. Antonio Stegues Batista
    1 de outubro de 2017

    ENREDO: Homem e namorada vão passar fim de semana na casa da progenitora, para descobrir o que está causando barulho no telhado, um rato que ele julga ser a mãe. Seria legal se não fosse cômico. Muitas coisas atrapalharam. Fraco.

    PERSONAGENS: Divertidos, cômicos, agitados, até certo ponto, fúteis, já que é uma comédia e não um drama.

    ESCRITA: Boa na construção de palavras, ruim no exagero de descrições,nas frases bem construídas, mas desnecessárias, com muitos adjetivos que só prolonga o vazio de informação. Para a morte do rato foi dedicado um parágrafo com 264 palavras, tornando-se óbvio que para alongar o texto.

    TERROR: Não senti. É um grande erro combinar comédia com terror. Aliás, o tema comédia já passou. Se entendi bem, ele matou o rato e metaforicamente, matou a mãe, ou seja, nunca mais iria visitá-la. Ou não?

  19. Andre Brizola
    1 de outubro de 2017

    Salve, Conde!

    Como outros colegas já apontaram, de fato o maior problema aqui é falta do elemento que faria o conto ser classificado como terror, objeto do desafio. É uma pena, pois Ela se desenhou como o elo de ligação entre o seu texto e o gênero, e ficou muito bem caracterizada. Fiquei esperando isso se desenrolar, mas não aconteceu.
    Eu não sou muito afetado pela qualidade gramatical do texto. Entretanto, certos erros não me passam despercebidos e me impedem de ir adiante nessa imersão literária. Alfred Hitchcock é um mestre do suspense, e foi citado como tal. Errar seu nome gerou uma dissonância enorme. E é uma coisa que seria facilmente resolvida.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  20. Pedro Teixeira
    1 de outubro de 2017

    O texto é divertido e no geral bem escrito, mas confesso que não vi nenhum terror aqui. Há certo suspense, que também não dura muito tempo. Tenho a impressão de que se encaixaria melhor no desafio passado. Em relação à grafia, notei um “nonsence” ali, na verdade se escreve “nonsense”. Os outros problemas que vi no texto já foram muito bem apontados pelos colegas, especialmente pelo Selga.

  21. angst447
    30 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está um pouco aquém do do tema proposto pelo desafio. A imagem escolhida para ilustrar o texto já denuncia uma vocação voltada para o suspense temperado com humor.

    E (estilo) – O estilo aponta para uma linguagem coloquial, sem amarras, sem seguir um determinado padrão.

    R (revisão) – Algumas falhas, mas nada que tenham interrompido minha leitura.

    R (ritmo) – No geral, o ritmo é bom, mas em alguns parágrafos há um certo “ralentar”. Talvez fosse interessante cortar alguma repetição de ideias, deixando-as subentendida.

    O (óbvio ou não) – O terror passou longe do óbvio. Não senti medo, talvez um nojinho por causa do rato.

    R (restou) – A dúvida quanto ao ser assassinado: rato ou mãe?

    Boa sorte!

  22. Rafael Soler
    30 de setembro de 2017

    Achei interessante a ideia de se abordar o assassinato de forma inversa ao que estamos acostumados: precisamos saber quem morreu, e não quem matou. Os problemas do protagonista com sua mãe, que são aprofundados no último ato, também são bem interessantes. Se esses dois conceitos fossem abordados por um viés mais psicológico, com um terror pesado envolvendo um possível matricídio, o texto seria interessantíssimo.
    Mas, apesar das ideias utilizadas, achei que o conto caiu mais para uma comédia do que para o terror, o que contradiz a proposta do desafio.

  23. Eduardo Selga
    30 de setembro de 2017

    Não se trata de terror, vamos combinar. Assim como “Eu e os outros”, é bem humorado, diferenciando-se deste por haver algum suspense e a demonstração de sentimentos mal resolvidos. Aliás, o ódio contra a mãe, que aflora na morte do rato, daria um ótimo conto de terror, como todos os recalques que Freud explica. Infelizmente, a despeito de o personagem demonstrar ironia e pouco afeto em relação à mãe, esse caminho não foi privilegiado, em detrimento de boas cenas de um humor divorciado do Desafio e de algum suspense.

    Afora isso, o conto tem problemas em sua construção formal. Eu destacaria a divisão dos parágrafos. Na literatura há dois caminhos básicos a seguir, em se tratando do tema: ou se divide segundo a lógica redacional de destacar ideias diferentes, mas que pertençam a um mesmo construto, ou se divide conforme uma lógica interna do texto. Por esse modo é possível haver parágrafos bem extensos, apesar de, segundo os manuais de redação, deverem ser separados.

    Acontece que neste conto os dois métodos foram usados, o que de certa maneira “suja” o texto do ponto de vista formal. O parágrafo iniciado em “Logo que os uivos […]” e terminado em “[…] celeste”, a considerar as regras de redação deveria ser fracionado em várias partes. Não o foi porque possivelmente o(a) autor(a) considerou um bloco único de assunto. Porém, os três últimos parágrafos também estariam incluídos nessa forma de organização, mas estão separados.

    O texto por vezes é redundante. Vejamos o seguinte trecho: “No domingo, cama até as dez horas com breakfast e jornal na bandeja, almocinho caseiro, mais cama, e à tarde vernissage, na volta, pizza e cama. Não necessariamente nessa ordem. Muito embora, a cama estivesse em qualquer uma das ordens”. A redundância está no fato de que, sendo explicitado que a cama estava presente em todos os momentos citados, desnecessário se torna dizer “Muito embora, a cama estivesse em qualquer uma das ordens”.

    Outro exemplo é “Quando eu falo cama, subentenda-se sexo, sexo e mais sexo”. Não me refiro à repetição da palavra “sexo”, pois nesse caso há o efeito estético de ressaltar certo cansaço do protagonista diante da parceira fogosa demais para ele. A questão é que, no contesto, cama só pode ser sexo, portanto é redundante chamar a atenção do leitor para o óbvio. Teria ficado melhor uma reconstrução do trecho, de modo que a demonstração do cansaço do personagem se desse de outra forma.

    Ao menos em duas passagens há problemas no uso dos verbos. Em “Sai do trabalho e fazia ponte direta”, a presença, no mesmo período, do presente e do pretérito imperfeito; em “[…] ressoou gemidos abafados” o correto seria RESSOARAM.

    Em “como se estivéssemos dançando o samba do crioulo doido na tentativa de ora esconder a bunda, ora esconder o pau, Eu” a posição do ´pronome pessoal é muito infeliz, prejudica o sentido da oração.

  24. Olisomar Pires
    29 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: um suspense sobre algo na casa de alguém.

    Escrita: fraca. Há tantos pequenos erros que a leitura se trava a todo momento. Não é possível creditar essas ocorrências à simples falta de revisão, infelizmente.

    Construção: o estilo descompromissado não combina o gênero “terror”, muitos parenteses explicativos, informações desnecessárias, enfim, não desenvolvi empatia. Lamento, mas o importante é escrever sempre.

  25. Zé Ronaldo
    29 de setembro de 2017

    Cara, texto sublime! De uma escrita de gente grande, bem elaborado, bem tramado, bem engendrado. As digressões da personagem-narradora são fenomenais, lembrou-me Machadão ou Nabokov. Muito bom mesmo.
    A forma de escrita lembrou-me também os romances policiais detetivescos, onde a personagem-narradora era sempre a figura de um policial ou um “private eye”, ficou muito bacana isso também.
    Chego a chutar que a intenção do autor foi a de elaborar um “terrir”, que não afasta o terror contido no texto, em tese. O problema aqui é que teve mais “rir” do que “te”, o “terror” ficou afastado em um canto, de castigo, apenas pela parte da “criatura” que fazia os ruídos e do “gran finale”, no mais foi apenas suspense e humor.
    Mas, olha, cara, o texto é por demais primoroso, muito bom mesmo. Parabéns.

  26. Edinaldo Garcia
    29 de setembro de 2017

    Escrita: Excelente qualidade literária. Períodos muito bem construídos. Lembrou-se, posso até estar exagerando muito, Machado de Assis, pelos diálogos com leitor, pelas reflexões usando certo eruditismo. A autor é um escritor de mão cheia.

    Terror: Esse para mim é o maior suspense do texto. Quem irá a achar o terror! Eu não encontrei. Criou-se em determinado momento uma tensão sobre o quem ou o quê estaria em cima da casa, mas foi tão pouco trabalhada que ficou para segundo plano. O tom de humor prevaleceu por todo texto e isso tirava qualquer coisa que, mesmo distante, se aproximou do tema. Cogitaram ser um urso? Eu fiquei confuso, pois parece ser ambientado no Brasil devido até mesmo as características dos cenários, as plantas citadas, a personalidade dos personagens. Em relação aos pronomes pessoais com letra maiúsculas, eu vi sua explicação para o Fábio e me convenceu, mas teve um momento que esse “Ela” se referiu a Luzia (talvez um errinho mesmo). E em outra ocasião aparece um Eu maiúsculo depois de uma vírgula. Nada que seja defeito ao texto, que por sinal, incrivelmente escrito, só não se encaixou no tema.

    Nível de interesse durante a leitura: É muito bom. O texto é muito bem escrito. Se tivesse focado no terror certamente seria candidatíssimo ao título.

    Língua Portuguesa: Ótima. Quase uma prosa Machadiana simplificada, sem o tom de ironia tão comum a ele.

    Veredito: Isoladamente o texto está excelente, mas não é terror (acho que repeti isso trocentas vezes). Digamos assim, fui numa sorveteira num dia quente de verão e me serviram uma pizza bem gostosa.

  27. Fabio Baptista
    28 de setembro de 2017

    Mais um conto muito bem escrito – aliás, o nível do Entrecontos parece mais alto do que nunca! – só notei um deslize de revisão em um “dá” já no final.

    Porém acabou deixando o terror em segundo ou terceiro plano.

    Sim, há uma expectativa, um suspense criado sobre a origem do barulho no telhado da mãe (o Ela com E maiúsculo foi uma referência a Deus?), mas ele é precedido por um clima muito despojado, de relatos das peripécias sexuais e tal. E mesmo durante a investigação, que poderia ser o ponto alto de terror do conto, entram as piadas (são boas as metáforas, tipo o dos manequins em sótão de loja) e acaba quebrando o clima.

    Confesso que não sei se entendi muito bem a incógnita do final… matando o rato ele acha que simbolicamente matou a mãe (no sentido de se livrar da presença indesejável dela), é isso?

    Eu gostei do conto, foi uma leitura agradável, sim. Nos outros desafios nunca fui muito de pegar muito no pé em relação a tema, mas aqui vem sendo inevitável, infelizmente.

    Abração!

  28. Nelson Freiria
    28 de setembro de 2017

    Caro autor(a), com esse título, essa imagem toscamente elaborada e esse primeiro parágrafo, é mto difícil acreditar que um conto de terror virá a seguir. E o que se segue é um texto bastante humorado, assim, é esperado (e necessário) uma reviravolta que transforme isso em terror. Entretanto não é o que acontece, aí fica difícil…

    Se fosse um conto para o desafio passado, eu diria que dava para cortar muitos detalhes que não precisamos saber e que tornaram a leitura de uma história tão simples, num prato sem fundo de uma sopa sem sal.

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Publicado em 28 de setembro de 2017 por em Terror.