EntreContos

Literatura que desafia.

Vida Roubada (Veridiana)

Tinha pouco mais de sete anos. De espírito curioso, ávida de saber de detalhes, de descobrir as entranhas até mesmo de inutilidades, Glorinha era um corisco que campeava por todos os lugares da vila. Descompromissada, solta feito borboleta no ar, não tinha parada. Comia aonde se arranchava. Na casa de uma tia, de uma conhecida, da avó. Dependia do cheiro vindo da cozinha, exalado das panelas de ferro sempre aquecidas pelas lenhas em brasa de velhos fogões. E, se lhe desse na telha, se tivesse essa inspiração, por ali dormia.

Tininha era a amiga predileta. Não era tão livre, tão espraiada, mas era perspicaz, matreira. E se entendiam. Tininha vivia numa casa colada à oficina do pai, marceneiro. Um ambiente com cheiro de madeira, poeira de madeira, zumbido de serra, plaina, tupia e a batucada ensurdecedora dos martelos. Todos, ali, conversavam quase que só no grito. Convívio caótico, mas tudo fluía, seguia o ritmo normal. Quase não havia estoque de móveis acabados, tudo era feito de acordo com as encomendas, dentro do prazo.

Glorinha era inebriada por aquele burburinho. Os olhos curiosos ficavam presos na tupia estridente que entalhava relevos e torneava madeiras. Com mãos mágicas, o operador incrustava desenhos que davam nobreza ao móvel. Sempre era alertada para ficar longe, o maquinário oferecia risco, temerário seria andar por entre eles. Fazia-se de surda. Consequentemente, o trabalho tornava-se ainda mais cuidadoso quando ela estava por perto.

O pai de Tininha era o mestre. Capaz de realizar qualquer fase do processo de criação, ele era o único que lidava com vidros e espelhos. Usava o horário de almoço dos empregados para efetuar os cortes. Precisava de concentração, de esmero, tudo era milimétricamente analisado. Dispunha a lâmina de vidro sobre a extensa mesa de madeira, e, com mãos firmes, deslizava o esquadro, a régua e um instrumento que lembrava um pincel de ponta dura, terminado em filete. Dizia sempre que aquele objeto era de extremo valor, era um diamante e ficava guardado no cofre. Se era mesmo valioso ou não, só ele sabia. E, num bailado de mãos, as peças eram delineadas, cortadas, separadas. Completariam cristaleiras, guarda-comidas, penteadeiras, portas de guarda-roupas. O que dava gastura, arrepiava os pelos dos braços, bulia com o sossego de Glorinha, era o atrito da lâmina de diamante em contato com o vidro. Aquela esfregação, aquele sibilo gerava um desconforto, um ranger de dentes, um aperreio! Colocava as mãos nos ouvidos, comprimia os braços com toda a força, mas mesmo assim, arrepiava.

Ficava um bom tempo ali, acompanhando todos os movimentos do pai de Tininha. Tudo parecia acontecer com excessiva lentidão, como se um preguiçoso operador de câmera girasse o filme. Lentamente, compassado. Tininha não tinha o menor interesse. Saía com a mãe, não se importava em deixar a amiga só, não compreendia a razão de tanto fascínio.

Certo dia, Glorinha estava assim, deslumbrada, quando chegou um carregamento de tecidos. Achou estranho, não sabia que ali se utilizavam panos. Eram fardos roliços, cobertos por uma rala camada de algodão cru. Percebeu que os tecidos eram roxos e brancos, com estampas douradas. Não perguntou nada, só observou. Os homens levavam os fardos para um depósito, nos fundos. Não entendia: como não havia percebido aquele cômodo quase na divisa com a outra rua?

A curiosidade fazia-lhe cócegas. Pior. Levava as pernas para o lado do depósito. Parecia que havia magneto naquelas paredes, estava atraída.  Deslizava, feito enguia, por entre as madeiras empilhadas. Não queria ser abelhuda, era uma inquietação que brotava não sabia de onde, era uma sede de desvendar. Se não fizesse isso, sofreria com comichões, parecia que o corpo estava sendo tocado por espinhos, coçava…

Aproveitando que os homens terminavam a negociação, e estando a porta do depósito escancarada, esticou o pescoço. Com o sol açoitador do meio do dia e a claridade excessiva do lado de fora, o interior do cômodo mostrava uma negrura contrastante. Glorinha precisou firmar a vista para divisar alguns contornos.

Ficou petrificada. Não conseguia acreditar, não conseguia mover as pernas, nem os braços, nem a cabeça! Fechou os olhos. Foi o único recurso que a livrou daquela visão. Precisava sair dali, precisava se recompor, pensar. As pernas pareciam de chumbo, mas a agonia falou mais alto. Mirou a saída que a levaria à rua. Condicionou-se, seria por ali o escape. Como vento, chispou.

A noite já ia adiantada e ela ainda rolava na cama. Como nunca atentou para isso?! Tantas pessoas morriam por ali, quantos velórios, quantos enterros. Como nunca percebeu de onde vinham os caixões?! Era dali, daquele depósito. Apenas meio quarteirão da sua casa! Por que Tininha nunca lhe contara?!

E a manhã a pegou assim, de olhos secos, assustada. Toda aquela peraltice que sempre a acompanhara, agora, como um elevador desgovernado, acomodou-se na base do fosso. Não queria tratar de morte, não sabia lidar com isso. Não era a morte que a afligia, era o lidar com o morto.

Havia perdido as contas de quantas vezes sentira horror quando, por um estranho costume das famílias, via os mortos dentro do caixão na escadaria da velha igreja. Expostos à luz do sol, posavam para uma última foto. Comportamento sinistro. Uma cena impactante. Aqueles corpos sem vida, a caminho da sepultura, de peles amarelas, esverdeadas, de feições distantes das que apresentavam em vida, ali, exibidos e assim retratados para a eternidade. Na casa de Glorinha, estas fotografias ficavam guardadas por anos e anos, na gaveta do criado-mudo. Lá ela não mexia, a inquietação que a movia tinha compromisso sério com a vida. A morte, nem de longe, ocupava lugar.

Tomava café e pensava. Por que isso a incomodava tanto? Será que outras crianças também ficavam abaladas quando o assunto era a morte? Por que isso não afetava a vida de Tininha, por que a amiga ficava alheia a tudo isso?

Decidiu. Voltaria lá, ao depósito. Queria olhar os detalhes, na claridade. Aqueles esqueletos trançados de madeira, amontoados junto às paredes aparentavam a finalidade, mas estavam incompletos. Queria voltar lá…

E voltou.

A porta e as janelas estavam abertas, dois homens trabalhavam. Um rolo de tecido roxo estava aberto. A estampa dourada era formada por meias-luas e estrelas. Combinação funesta. Vários cortes de tecidos descansavam sobre a cadeira e o serviço era coordenado entre os dois empregados. Sobre uma mesa de tábuas fixadas em cavaletes, o corte de tecido aberto abraçava o trançado de madeira.

Glorinha apavorou-se com a fragilidade daquilo, com a falta de conforto para o corpo que ali seria colocado. Sobre ripas de madeira, sem qualquer acolchoamento. Era apenas madeira e pano. Muita crueza. Assustador.

E o trabalho seguia. As laterais do tecido eram erguidas, devidamente esticadas, cuidadosamente dobradas e começava a saraivada de grampos. Um repicar de metal na madeira. Som tétrico. Talvez ecoasse triste porque a alma de Glorinha estava sombria. A morte não combinava com a vivacidade que corria pelo seu corpo. Chocava, calava – não havia encaixe.

Não entendia a insistência em ficar ali, vendo aquilo tudo que a afligia, que tornava seus momentos tão atormentados. Tinha o mundo lá fora, longe de tudo isso, aguardando de braços abertos as suas travessuras. E ficava grudada naquela cena, acompanhando a montagem daquele caixão, perplexa, pasmada.

Forradas as duas partes, os homens voltaram para o acabamento. Franjas douradas, iguais aos enfeites dos uniformes da fanfarra, das roupas das balizas. Até o encanto dos enfeites acabou ali. Tudo triste. Diante do seu olhar, o dourado nem conservava o brilho.

Ficou ali por um longo período. Nem se deu conta de que mais de cinco urnas foram aprontadas. Os pensamentos, lentos, sem cor, incômodos… Tudo era o mais genuíno desconforto. A posição em que estava, o barulho da serra, da plaina, as batidas do martelo, o grampeador… Ah! O barulho do grampeador…

Caminhou sem rumo. Sem gosto.

As noites ficaram sofridas. A proximidade com o depósito passou a assombrá-la. Assustava-se com pequenos barulhos, com o ranger do telhado, com o som do vento. Puxava as cobertas até o nariz, e fechava os olhos. Quando o pavor apertava, não conseguia se mover. E suava, as roupas ficavam grudadas no corpo.

Como Tininha não se abalava sabendo que dormia na casa que ficava ao lado do depósito, dormia ao lado de uma pilha de caixões?! Como isso não lhe tirava o sono, não lhe trazia pesadelos?!

Glorinha, agora, andava devagar, o cheiro gostoso do torresmo vindo da panela da casa da avó já não avivava a salivação, não mais trazia aquele desatino nas pernas, aquela lepidez. Sentia-se esquisita.

Não tinha prazer em visitar Tininha, aqueles barulhos não mais aguçavam a sua curiosidade, não queria mais saber de detalhes. Os olhos não queriam buscar encantos.

Na semana seguinte, passando pela calçada, percebeu que a frente da casa da amiga estava sendo modificada. Foi retirado o alpendre e um salão estava sendo erguido. Não era grande.

Nem teve vontade de saber a razão da reforma. Na verdade, não queria entrar ali, não queria ver a oficina, não queria nada. Nem mesmo encontrar a amiga.

E as noites continuaram tenebrosas. Medos, pensamentos ruins, barulhos assustadores, coberta até no nariz, suor, rigidez no corpo, desconforto do corpo e da alma.

Logo o salão ficou pronto. A parede da frente era toda de vidro, uma vitrine. Interessante. O pai de Tininha certamente colocaria ali os móveis mais bonitos fabricados na oficina. E daí?!

Na casa, todos perceberam a mudança de Glorinha. A mãe, de poucas palavras, tratou de correr na farmácia e ministrar uma dose de vermífugo. Deviam ser as bichas que tiraram a força da menina. Só podia ser isso.

Não adiantou.

Voltando da padaria, a noitinha chegando, de longe avistou a vitrine iluminada. Lâmpadas azuladas. Cruzou a rua para olhar mais de perto os móveis expostos. Atemorizada, sentiu um frio percorrer todo o corpo. Não havia móveis. Havia caixões. Roxos, brancos, crucifixos na parede, coroas de flores de papel, suportes com velas. Iluminação embaçada, parecendo o céu da noite. Triste, mórbido. Esforçou-se para seguir de volta para casa. Estava estranha.

Naquela noite, teve vontade de chorar. E chorou. Quis a mãe ao lado da cama até que conseguisse adormecer. Os pesadelos a sacudiam. O corpo, mesmo suado, tiritava. A mãe afirmava que era reação provocada pelo lombrigueiro.

E as crises de tristeza foram ficando cada vez mais acentuadas, mais frequentes. Glorinha teve a alegria sugada de maneira abrupta, sem aviso. Repentinamente o amor pela vida lhe fora roubado, sem qualquer explicação, não houve preparo, ninguém sabia como lidar com aquela tristeza.  

Tentava levar a vida, tentava se agarrar às mínimas tarefas para nortear a ideia. Sempre que passava pela rua da oficina, Glorinha não mudava de calçada. Evitava a vitrine, mas tinha a sensação de que havia alguém atrás, colado a ela. Alguém a seguia. Sentia o respirar, sentia o toque. E corria, desesperada, corria. A mesma sensação a acompanhava dentro de casa. Gritava para que a mãe a socorresse. Virou fixação.

Definhava a olhos vistos. Perdera a cor, o viço, o lume do olhar. Nada tinha encanto, não via cores na vida, não via cores nos sonhos. E nem queria ver. Andava muito pouco, comia por comer, bebia por beber, quase não falava. Não tinha vontade. Mas pensava. O cansaço que a avalanche de pensamentos lhe trazia era um fardo insuportável. Pensamentos estranhos, lúgubres, densos. Cheios de medo, de sensações perturbadoras. E as convulsões chegaram. Violentas, insanas. E com elas, os delírios.

Aterrorizava-se com os bichos enormes que imaginava subindo pelas paredes, gritava, tremia de pavor. Somente o abraço forte da mãe a acalmava. Precisava daqueles braços que a entrelaçavam como uma camisa-de-força de puro amor.

E as benzedeiras foram procuradas, as rezas, os banhos de azeite, as novenas, os despachos… Onde se escondera a Glorinha serelepe?! Seria coisa de almas passadas? Seria castigo?

Mergulhada no medo, no pavor, falava da morte, dos espíritos que a seguiam, da aparição do avô, morto havia dois anos, ao lado da cama, dos caixões, dos defuntos.

Não melhorava. E sofria.

Alguns anos se passaram. A única medicação indicada era tranquilizante, vários, dos mais fortes. Com altas doses, Glorinha ficara alienada, via e ouvia de maneira distante, olhar perdido. As vozes produziam eco, assustavam. Jovem e esguia, vivia entre o quarto e o banheiro, tudo lhe era trazido às mãos. As convulsões continuavam, os delírios duravam dias.

Numa noite, em meio a uma tempestade, aterrorizada com o barulho dos trovões, totalmente destrambelhada, escapou pela porta dos fundos e ganhou a rua. Corria, chorava. A chuva torrencial escorria pelo corpo, os pés descalços espalhavam a grossa lama pelas pernas. Correu muito, sem rumo. A mãe, exausta, quando percebeu a ausência da filha, saiu à procura, enfrentando a chuva fria. Já era dia quando se encontraram, encharcadas. Choraram, abraçadas. Não cabia reprimenda, só choro.

Depois daquela noite, a saúde da mãe esvaiu-se pelos dedos. Febre, tosse, dores. Prostrou-se. E não arribou. Depois de muitas complicações, muita luta, partiu. E Glorinha ficou com o pai.

A situação caminhava para o insustentável. O pai era um homem despreparado para a lida com a filha. Precisava sair para trabalhar. De início, os parentes tentaram ajudar, mas diante da rotina violenta, dos seguidos ataques convulsivos, dos comportamentos mórbidos, do converseiro espalhado aos quatro cantos da vila de que se tratava de demência da menina, logo a ajuda minguou. Então, o pai não teve alternativa. Procurou o serviço do hospital da região. Glorinha foi encaminhada, finalmente, para o Hospital e Colônia do Juqueri, em Franco da Rocha. Naquele mês de setembro, ela havia completado 21 anos.

No começo da internação, o pai a visitava anualmente. Sempre a encontrava totalmente debilitada, cheia de hematomas, desmazelada. Havia muita reclamação dos cuidadores de que ela era de difícil trato, agressiva. As visitas foram minguando. A cada encontro ela conversava menos, às vezes parecia nem conhecê-lo, e, por fim, as visitas cessaram. Glorinha havia envelhecido rapidamente, nem completara trinta anos e perdera todos os dentes, os cabelos ralearam, perderam o viço. Os dentes lhe foram arrancados para que as mordidas fossem evitadas. O corpo era um fiapo, cicatrizes profundas nos braços, nas pernas. Os olhos esbugalhados deixavam evidente que passava constantemente por sessões de eletrochoques. Devia sofrer convulsões violentas e, naquele tempo, o procedimento terapêutico era esse.

Ficava horas e horas sentada sobre as pernas, não se espantava com o sol, parecia estátua. Os medos, que não a abandonaram, continuavam atormentando, os mortos a perseguiam, as visões a enlouqueciam. O pátio, lotado de confinados em delírio, loucuras reclusas, cada qual com sua mania, aquela desordem de gentes e sons dissonantes, a desesperança que queimava feito o sol… O desfecho era sempre o mesmo. Choro convulsivo, gritos, chamamento pela mãe, esperneadas, chutes, socos, e vinha a contenção, a picada no braço. Finalmente, jazia estrebuchada no chão. Depois de algum tempo, era levada pelos capas-brancas. Penúria exposta.

O que teria havido?! O que teria acionado o gatilho daquela mente, por que tudo ficou tão confuso, para onde foi a lucidez de Glorinha? Será que ela pensava nisso? Será que o tino a torturava em algum momento?

Não tinha amigos, aliás, ali não havia amigos. Quando chegavam ali, além das roupas arrancadas, dos cabelos raspados, dos nomes apagados, as pessoas ficavam coisificadas, desalmadas, perdiam a humanidade. Alienados, incapazes para o exercício da cidadania, presos perpétuos. Uma verdadeira casa dos mortos. Imagem e odor do abandono, prisão de louco. Aquele lugar tirava o caráter humano da pessoa. Deixava de ser gente, virava lixo humano. Na mais pura violência trazida pela segregação, ali ficavam os indesejáveis. Nada mais.

O transtorno chegou ao limite. Ao limite dos cuidadores. A colônia tinha uma superlotação insólita, tornou-se, além de todos os horrores, um dos porões da ditadura. “Pacientes” eram desovados ali, aos montes. Não eram doentes, eram presos políticos, mas, depois de serem jogados em celas fétidas, recebendo tratamentos desumanos e inadequados, tornavam-se pacientes cronificados, cadáveres adiados. Passavam a fazer parte do circo de horrores, tornavam-se aberrações ambulantes.

Glorinha, ausente, nem de longe podia imaginar tudo aquilo. Louca entre os loucos enclausurados, nunca soube o significado da palavra ditadura, e nunca saberia. Vitimada, moída por ela, sem qualquer fiapo de juízo, tinha apenas a mudez dos inocentes. Acostumada à masmorra, nem pensava em liberdade. Ou será que pensava?!

Os horrores do holocausto que deixaram o mundo perplexo, cenas que ficaram tatuadas nas retinas da humanidade, ali, naquele insignificante pedacinho de chão, aconteciam diariamente. Além dos milhares de açoitados, poucos souberam. Perto de todos, no quintal de casa, mas invisíveis.

Para Glorinha, só restaria um procedimento, o mais radical utilizado naquele tempo. O ápice da crueldade humana. Era sabido que poucos doentes sobreviviam a ele, mas seria feito.

Foi numa manhã de setembro; Glorinha estava prestes a completar mais um ano de vida. Acordou atordoada, recebeu uma picada, colocaram-na sentada em uma cadeira de madeira, prenderam seus braços e pernas com panos. Muito diferente da camisa-de-força de amor que a mãe usava. O médico entrou na sala, trazia um pinça gigantesca nas mãos, terminada em colherinhas laminadas. Sem anestesia, sem qualquer preparo, o instrumento foi fincado na órbita ocular, entre o olho e a sobrancelha, e extirpou-se a parte frontal do cérebro. Aquele atrito do metal com o osso lembrava o ruído do grampeador. Ah! O grampeador…

Depois da dor lancinante, nenhuma lembrança ficou.

Levaram, no pedaço de cérebro que lhe foi retirado, a imagem e o carinho da mãe, a saudade de Tininha, os medos, os amores, o resto de juízo.  Ali aconteceu a morte da subjetividade, dos desejos. Morrera em alma. Morrera na essência. Nada lhe sobrou, nem a fala.

Glorinha foi lobotomizada naquele dia de primavera. A infecção não a fez sucumbir. Apesar das febres brutais, do quadro de putrefação, do abscesso, do sangramento tenebroso, do vazamento do olho e do perdimento da vista, ela sobreviveu. Se é que houve sobrevida depois daquilo. Os medos a deixaram, as visões, a ojeriza pela morte e pelos mortos, os defuntos, tudo desapareceu, subitamente. Comia por comer, bebia por beber. E dormia.

Pelos registros, ela morreu em 1975, não recebeu visitas nos últimos vinte e cinco anos. Ninguém reclamou o corpo. Foi enterrada no cemitério privativo, espaço reservado aos corpos vindos do Asilo dos Alienados do Juqueri.

Enfim, a morte lhe reservara privacidade.

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33 comentários em “Vida Roubada (Veridiana)

  1. M. A. Thompson
    21 de outubro de 2017

    Antes de qualquer coisa, obrigado por nos presentear com essa pequena amostra do seu trabalho.

    Gostaria de apresentar o critério de votação que usarei no Desafio “Terror”.

    Por ter participado já leva um ponto e mais um ponto por cada item a seguir:

    [ ] Gramática e ortografia aceitáveis?
    [ ] Estrutura narrativa consistente (a história fez sentido)?
    [ ] O terror está presente?
    [ ] Foi um dos contos que mais me agradou?

    Dito isto, vamos a análise:

    O CONTO
    Você escreve muito bem e a maioria dos comentaristas concordam com isso. O conto é sobre uma garotinha que descobre ser vizinha de uma fábrica de caixões e com a inauguração de uma funerária, ela passa a dar sinais de distúrbio mental. A coisa piora, já adulta é internada, vive os horrores dos hospícios da década de 1970 por aí e termina abandonada, morta e enterrada. Fora a lobotomia que sofreu.

    O QUE ACHEI
    É uma história que causa aflição sem sombra de dúvidas. Eu gostaria de ver melhor resolvida a descoberta da fábrica de caixão. Poderia, por exemplo, falar que havia uma loja ou depósito vazio ao lado e certo dia começou a ter movimento. Do jeito que ela foi de uma fábrica a outra não ficou muito crível.

    Da mesma forma perdeu-se tempo falando detalhes da fábrica em que o pai trabalhava, porque deu a entender que ali ocorreria alguma coisa e não teve nada a ver.

    Você fui muito boa(bom) em criar o suspense diante da sala escura, mas a descoberta da sala não me convenceu e o que havia lá só assustou a menina. Esperava algo mais tenebroso, mas entendo que uma criança ver uma sala escura repleta de caixões não deve ser agradável. Relevei.

    Justamente por este motivo, de ter uma sala com tantos caixões e ela com toda a curiosidade nunca ter visto, penso se esta parte foi bem resolvida. Acho que não.

    GRAMÁTICA E ORTOGRAFIA
    Impecáveis.

    O Terror está presente?
    Sim. O terror psicológico em um crescente.

    Foi um dos que mais me agradou?
    O conto é muito bom, mas não foi o que mais me agradou por conta do já exposto.

    Boa sorte no Desafio.

  2. Fil Felix
    20 de outubro de 2017

    Bom dia! Gostei bastante deste conto, que pode ser dividido em dois momentos. O primeiro, onde temos a perda da infância da garotinha ao ver a loja de caixões; e o segundo, com sua internação. Nessa primeira parte é possível perceber uma linha muito legal onde discute a infância, as coisas que podem afetar os mais jovens. A protagonista fica impressionada, acho que mais que isso. Foi como um obsessor sobre ela, a acompanhando por toda a vida, sugando sua energia e sua sanidade. Algo mais espiritual.

    Já a segunda parte tem ares jornalísticos, quase que uma crônica. Tem esse contraste, o fantástico vs o verídico. Mesmo assim, me identifiquei com ele. Uns anos atrás teve uma exposição com desenhos feitos pelos internos do Juqueri no MASP, até cheguei a fazer um artigo sobre eles e desde então peguei um certo gosto pelo assunto. E no texto traz muito bem a ideia de como o manicômio agia naquela época, não apenas com aqueles com algum distúrbio psicológico, mas também com todos os indesejados e excluídos da sociedade. Quando cita a alienação, tem um outro ponto interessante: a perda da identidade. Ao colocar todo mundo num só lugar, rasparem-lhe a cabeça, tirarem o nome e todos com a mesma roupa ou nus, perde-se aquilo que nos diferencia. Torna-se um ninguém. Acaba sendo apagado da sociedade e não somente, como acontece com a protagonizada: também se apaga sua história. O abandono que surge disso.

  3. Gustavo Araujo
    19 de outubro de 2017

    Um conto muito bem escrito. Dá para perceber a fonte, o terrível (no bom sentido) livro da Daniela Arbex, Holocausto Brasileiro. A impressão que tive foi de um conto telegráfico, como se a autora tivesse a intenção, desde o início, de narrar a atmosfera horrenda dos manicômios que existiam no Brasil, para onde eram despachados todos os indesejáveis, homens e mulheres. Bem, nada contra o telegrafismo em si – eu mesmo já o usei algumas vezes – mas acho que a história ganharia em suspense se o drama vivido por Glorinha no Juqueri fosse contado de modo paralelo ao seu problema com os caixões. O que quero dizer é que a narrativa ficou muito linear para o meu gosto. Prefiro tramas que se vão se encaixando pouco a pouco até formar o todo, como pontas de uma corda que se encontram no fim do laço. De todo modo, não dá para negar que a autora sabe contar uma história, especialmente sob o ponto de vista infantil. O drama de Glorinha, com a descoberta da funerária é, por isso, o que o texto tem de melhor, pois revela criatividade e sensibilidade. Não que isso falte à parte da internação, mas é que lá, no manicômio, a realidade soa mais conhecida, infelizmente. No geral, contudo, um bom trabalho. Parabéns.

  4. iolandinhapinheiro
    18 de outubro de 2017

    Olha só, mulher: concordo com tudo o que disseram aí em relação a sua escrita, que me pareceu firme, densa, bem detalhada, ambientações cuidadosas que inserem o leitor na trama. O problema aqui é que eu li, li, li e quando a menina abriu o depósito eu pensei assim: a-há! Hora do fight! Agora será revelado um segredo escabroso, o mundo vai cair, o conto vai ter seu mistério revelado e tal e tal. E aí eu vejo que a menina ficou impressionada com caixões empilhados. Seria legal se alguém a enterrasse viva ou coisa que o valha, mas do jeito que o conto andou eu me senti bem frustrada, porque não me pareceu convincente criar tanto drama por uma visão que me pareceu banal demais para gerar tanto impacto.

    Não quero ser chata, mas acabo sendo. Fiquei assim com cara de quem recebe meia como presente de natal, apesar de ser uma meia bem bonita e cara, não era isso o que eu queria receber.

    Pois é. Não me queira mal, vc é uma grande escritora. Sorte no desafio.

  5. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Um conto muito bem escrito. A leitura é feita de uma forma ininterrupta. Não considerei verificar erros porque eles me pareceram inexistentes. Uma personagem intrigante, firme na construção. Porém, não consegui encontrar um terror ‘aterrorizante’, aquele que eu buscava, ou talvez essa proximidade com o real que é um terror muito mais palpável tenha frustrado a espera. Boa sorte no desafio.

  6. Luiz Henrique
    14 de outubro de 2017

    Redação muito boa, sem problemas gramaticais. Um enredo muito bem desenvolvido. Flui em consonância com o tema, só achei um pouco exagerado em relação causa/efeito da questão motivadora, pela tamanha tragédia psicológica por tão pouco. E também achei a primeira parte, (até a idade adulta da protagonista muito longa. No mais é um bom conto. Parabéns!

  7. K.W König
    13 de outubro de 2017

    Enredo: Tratasse de Glorinha, que curiosa viu uma produção de caixões e ficou louca com o passar do tempo… Um salto no tempo (que me deixou confuso). Mas com 21 foi internada… Morreu sozinha em 1975.

    Tema: Não me pareceu terror, na minha opinião é de certa forma um conto de insanidade e nada mais.

    Considerações: O autor(a) tem um grande dom pra escrever, mas sinto que para mim a linha do tempo acabou ficando confusa, mas, parabéns, boa sorte.

  8. Lolita
    11 de outubro de 2017

    A história – A autora trata com maestria sobre um trauma infantil. O que é tão banal para uns pode ser aterrorizante para outros, essa é uma sacada interessante da história… No que considerei como segunda parte, o leitor é levado ao horror dos hospícios. Impossível não lembrar do livro Holocausto brasileiro, que relata sobre os terrores do Hospício de Barbacena. Uma chaga na história do país.

    A escrita – Veridiana possui um estilo único, inconfundível. Ter uma marca é bom, mas escapar dela pode ser algo a ser trabalhado pela autora. Gramática, ritmo e construções impecáveis, como sempre.

    A impressão – Tristeza de saber que tantas vidas foram roubadas exatamente dessa mesma forma. Parabéns e boa sorte no desafio

    • Lolita
      11 de outubro de 2017

      Ah, esqueci de destacar a beleza dessa questão

      Será que o tino a torturava em algum momento?

  9. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Olá, Veridiana, você me traz uma história intensa que, de maneira interessante, tem início de maneira leve. Sim, este seu recurso ficou bem legal, trouxe primeiro a alegria para ir inserindo a morte – a partir da descoberta dos caixões – na nossa pobre heroína (epa, melhor triste protagonista). Há umas coisas na sua narrativa que me chamaram a atenção. Por exemplo a ligação que você faz entre a história de Glorinha com a experiência terrível que ia acontecendo no país onde ela se encontrava inserida (o nosso). A cena da lobotomia está bem narrada, terrível. Uma curiosidade minha. É que pelo que sabia, o destino desses corpos nessas absurdas fábricas da morte, eram as faculdades de medicina. Por isto achei interessante você me trazer o enterro. Muito bacana mesmo a sua história. Parabéns.

  10. Lucas Maziero
    8 de outubro de 2017

    O conto começa com descrições ricas de um cotidiano infantil, do cotidiano de Glorinha, cheia de curiosidade pelo que a cerca e muito sensível a tudo que vê e conhece. Tudo foi pintado de modo a criar uma balança que pesa o antes e o depois, para nos fazer refletir no horror da degeneração da mente, ou do espírito, como preferirem.

    Está claro que a visão do caixão, e consequentemente a ideia da morte, a imaginação girando em torno dessa trivialidade, dessa organização da vida pós morte, mexeu de modo irreparável com a consciência de Glorinha, e é precisamente aí onde o terror começa.

    Narrado de forma eloquente, primeiro nos preparando para o que viria a seguir e depois nos chocando. Gostei, apesar de ser mais uma história de loucura e declínio, esta aqui está diferente, com novas cores. Está bem escrito.

    Enfim, se Glorinha sentiu com intensidade, se Glorinha apercebeu-se de tudo que lhe acontecia após o enlouquecimento, não sabemos; mas podemos entrever muito pelo que foi contato, e o horror está aí, ao nos colocarmos no lugar de Glorinha. Seria terrível. Bom conto.

    Parabéns!

  11. Rose Hahn
    8 de outubro de 2017

    Caro autor, o enredo carece de uma maior sustentação. O drama de Glorinha em relação aos caixões, e isso ter se tornado o motivo da perdição da sua vida, ficou meio capenga, acho que talvez se ela tivesse visto a mãe, alguém próximo num caixão, sei lá, teria causado maior concisão na narrativa. A cena da lobotomia foi chocante, ponto alto do conto. Carece de correção o “perdimento da vista”, correto é perda da vista. Essas foram a minhas considerações em relação ao texto, e a cada nova história nós nos construímos melhor, objetivo dessa laboratório do EC, grande aprendizado se estivermos abertos a isso. Quanto a sua escrita, que é um fator de grande impacto na avaliação dos textos, encontrei uma escrita muito madura, vc. usou de uma linguagem simples e direta, fluída, que tenho certeza será bem canalizada para as técnica estruturais da construção das histórias. Quem conta um conto, aumenta um ponto. A cada novo conto, mais pontos pra vc. autor. Abçs.

  12. Angelo Rodrigues
    5 de outubro de 2017

    Olá, Veridiana.

    Achei o seu conto bem narrado, intenso. Construções bem resolvidas. Gostei bastante, particularmente pelo vigor narrativo.
    Algumas observações, se me permite:
    – A narrativa inicial acerca dos destemperos de Glorinha ficaram meio que alongados demais. Já havia compreendido o que se passava com ela acerca dos caixões e mesmo assim a narrativa com “explicações” não cessou. Seria prudente saber quando a mensagem havia sido passada e encerrá-la.
    – No início da leitura, tive a impressão de que as meninas eram exatamente meninas, talvez dez ou doze anos. De repente, ela surge com vinte e um anos, lá, bem distante do início do texto. Acho que deixar claro quem eram as meninas, logo de cara, seria mais justo com o leitor.
    – Um trecho curioso: “No começo da internação, o pai a visitava anualmente.” Fiquei curioso quanto a esta construção, dado que só mais tarde é sabido que ela envelhece no hospício. E mesmo assim, acho que a construção fragiliza o texto pois dá um contorno temporal que o leitor ainda não tem ideia de qual seja.
    – Talvez o mais importante e que me deixou um pouco sem saber como resolver: Um texto, óbvio, por mais absurdo e inventado que seja, sempre carecerá de verossimilhança para credibilizá-lo junto ao leitor. Uma boa maneira de fazê-lo é vinculando a narrativa ao mundo real, pelo menos em parte. Mas quando você associa o fato de que arrancaram os dentes de Glorinha, que deram nela eletrochoques e coisa e tal, associando isto a um local real (Hospital Psiquiátrico do Juqueri), fiquei me perguntando se eu deveria ou não acreditar na sua narrativa, se houve excessos ou equívocos narrativos. Não havendo a mais absoluta certeza de que esses eventos eram mesmo reais naquela instituição, melhor seria localizar as dores de Glorinha em um local fictício, onde a verossimilhança não fosse posta em dúvida. A literatura realmente informa que o H. P. do Juqueri, no passado, pôde ser comparado a um campo de concentração, mas como você não localizou o texto no tempo, há que considerar que hoje Juqueri implantou programas de recuperação da cidadania de seus internos. Mas isto são considerações muito pessoais quanto ao jogo das verossimilhanças textuais

    Boa sorte e obrigado por compartilhar seu texto.

    • Angelo Rodrigues
      5 de outubro de 2017

      Acrescentando, pois me escapou na análise acima:
      – Sei que no início do texto as meninas têm cerca de sete anos. Falo da narrativa saltando dessa idade para vinte e um anos, quando é internada. O tormento com os caixões, pelo que entendi, durou esse período, dos sete aos vinte e um (?).
      – Falo ainda da questão temporal onde tudo ocorre no Juqueri. Sei também que ela faleceu em 1975, mas veja, eu, o leitor, só fico sabendo disso no último parágrafo.

  13. Luis Guilherme
    5 de outubro de 2017

    Boa tarde, amigo, tudo bem?

    Esse desafio me toca em particular, já que adoro o gênero, portanto estou bem ansioso pelo que vem por aí.

    Dito isto, vamos ao seu conto:

    Olha, inegavelmente você tem uma qualidade literária enorme, e o conto é pesado e denso. Porém, achei que ficou mais próximo do drama que do terror, uma vez que senti muita pena da protagonista e em nenhum momento senti nada próximo de medo ou angústia.

    A história é bem construída, porém achei que acabou se arrastando um pouco, com detalhes desnecessários em excesso, não sei. É como se ficasse muito tempo preso em alguns detalhes não tão importantes, depois acelerasse bastante, e depois freasse de novo.

    Além disso, achei exagerada a reação da garota diante dos caixões. Achei pouco justificado o trauma extrema que ela sofreu, destruindo-a psicologicamente. Talvez por isso, não tenha conseguido me envolver totalmente com a historia.

    Por outro lado, tem momentos muito bons, como a cena da lobotomia, que foi bem forte. As referências aos abusos da ditadura também foram tocantes, ainda mais numa época de repressão que eu particularmente ainda não havia vivido, e que considero preocupante.

    Enfim, o conto é bom, mas talvez seria ainda melhor em outro tipo de desafio, já que, baseado no tema, comecei a leitura esperando o terror, e acabei não encontrando, o que tirou um pouco do sabor, pra mim (vale lembrar o que falei logo no começo: terror é algo que mexe comigo).

    Ainda assim, parabéns e boa sorte!

  14. Ana Maria Monteiro
    4 de outubro de 2017

    Olá Veridiana. O seu conto está muito bem narrado e tem momentos de escrita brilhantes. Gostei particularmente da sensibilidade demonstrada em certos momentos, como este: “Será que o tino a torturava em algum momento?”. uma excelente interrogação que me fiz já muitas vezes,particularmente perante a demência senil.
    Também apreciei, logo de seguida, este parágrafo: “Não tinha amigos, aliás, ali não havia amigos. Quando chegavam ali, além das roupas arrancadas, dos cabelos raspados, dos nomes apagados, as pessoas ficavam coisificadas, desalmadas, perdiam a humanidade.”, o coisificadas e o desalmadas, este usado num sentido completamente diferente do que costuma ser dado à palavra, encaixou como uma luva feita por medida (ainda que talvez ficasse ainda melhor substituindo a palavra humanidade por identidade, já que me pareceu que era disso que falava).
    Lamento apenas, e já percebi que não sou a única, a falta de consubstanciação no “gatilho” que desperta o problema; ver caixões não é suficiente, nem para uma mente (e tudo até aí indica o contrário) onde a doença mental já germine. Talvez se, associada a essa visão tivesse acrescentado algum facto aterrador como o pai de Tininha a executar uma dança macabra com algum defunto, qualquer coisa assim já seria melhor, além de dar sentido a uma narrativa anterior, bastante extensa, quanto à profissão desse personagem.
    Assim, a causa perdeu em verosimilhança. E o terror não vem em momento algum. Algum horror, é certo, nas práticas hospitalares, mas mesmo esse fica leve.
    Neste desafio entendi, para efeito de nota, não destrinçar muito entre terror, horror e suspense. Desde que exista algum deles, já considero adequado ao tema, mas ainda assim, houve pouco.
    Quanto ao mais e é que realmente interessa, a sua escrita é segura e de excelente qualidade e você sabe muito bem como conduzir uma narrativa.

  15. Fheluany Nogueira
    3 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Trama instigante, o perfil da protagonista sofre uma reviravolta interessante, mas a loucura me pareceu infundada. Talvez genética, um abuso…

    Terror e emoção – Na primeira parte da narrativa, cheguei a questionar onde o/a autor(a) chegaria, mas a tensão cresceu e na lobotomia atingiu o clímax. Enfim, a introdução ficou espichada em relação ao fundamental — o sanatório e o tratamento.

    Gostei muito da condução da narrativa por sugerir horror sem implicar o sobrenatural. O horror plausível é muito mais impactante do que o fantástico.

    Escrita e revisão – Texto bem escrito, construções frasais bem elaboradas.

    Parabéns pela criatividade. Muito bom trabalho. Abraços.

  16. Evandro Furtado
    3 de outubro de 2017

    Confesso que, de início, o conto me incomodou um pouco. Achei a narrativa demasiadamente carnavalesca e, por consequência, colorida demais para um conto de terror. A história, tampouco ajudava, tendo quase nada do gênero. Então avançou-se. A morte tornou-se pauta, sendo adornada pela loucura como tema secundário, e então, a narrativa, que até então prejudicava, tornou-se brilhantia. O conto ganhou consistência. O confronto de Glorinha com a morte amadureceu, assim como ela envelheceu. E a forma como a morte foi constantemente apontada durante o conto, se não foi aterrorizante, incomodou. Ela vem na forma do caixão, depois da mãe. O hospício também é lugar de morte e a própria Glorinha morre pelo menos três vezes no texto. Há a morte da inocência, a morte da consciência e a morte do corpo. Aliás, estou ouvindo David Bowie agora, Life on Mars, e adorna perfeitamente o conto como se o destino quisesse que fosse de ouro o ponto final. Não me resta nada a não ser entregar um OOOOOOOOOOOOOOOOOOUTSTANDING!!!

  17. Paula Giannini
    1 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    A doença mental e, mais que isso, os tratamentos empregados na “cura”, tem um lugar especial no gênero terror. A imagem da clínica para doentes psiquiátricos é, sem sombra de dúvidas, apavorante. Um dos arquétipos do gênero. Não à toa, os grandes clássicos do horror, antigos ou modernos, lançam mão dessa premissa sem parcimônia. O mais recente (para mim, como espectadora) foi a segunda temporada de American Horror Story. Muito bom, mesmo para mim, que não sou muito fã do gênero.

    Bem, mas vamos ao conto.

    Seu texto se subdivide em duas partes distintas entre si. A primeira com a menina e sua infância traumatizada pela funerária vizinha, e, a adulta, na clínica psiquiátrica, sofrendo os horrores de um tratamento que beira a tortura. Ou melhor, que é de fato tortura.

    Confesso que, assim como outros por aqui, durante a leitura, cheguei a me perguntar onde você estava guardando o terror. Ora, a menina, embora assombrada por caixões, é protagonista de uma narrativa leve, quase lúdica. No entanto, e é para isso que serve o comentário, para que possamos refletir sobre o que foi lido, entendi onde você queria chegar (e chegou, ao menos para mim). Para a criança, principalmente uma com maior sensibilidade, a morte é algo deveras apavorante e o caixão, símbolo do fim de todos nós, pode, sim, ser algo extremamente traumático. Por que não? Cada um de nós tem seus pontos sensíveis e para sua protagonista, a visão dos ritos funerários foi insuportável.

    O que me chamou muito a atenção em seu texto, foi o modo como você foi construindo o terror, apertando aos poucos o parafuso do medo, iniciando de modo brando (e infantil como a protagonista) e piorando aos poucos, ao passo que ela também amadurecia ou crescia.

    A parte da lobotomia foi, para mim, o ponto alto do trabalho. Não só pelo terror em si, muito bem construído por sinal, mas, pela beleza filosófica que você conseguiu imprimir ali. Ao levarem um pedaço de seu cérebro, levaram as poucas memórias de amor de Glorinha, seu passado e, consequentemente, o que restava de sua identidade.
    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  18. werneck2017
    1 de outubro de 2017

    Olá, Veridiana!

    Um conto bem escrito, sem dúvida e uma história de horror real porque trata da própria loucura humana. Achei a segunda parte mais bem contada que a primeira, trazendo junto uma tristeza pelo destino da personagem. Acredito que se houvesse um encontro com um corpo dentro do caixão teria surgido maior impacto e que poderia explicar melhor o trauma de Glorinha. Além dos erros citados pelos colegas, saliento mais um:

    trazia um pinça gigantesca nas mãos > trazia uma pinça gigantesca nas mãos

    No mais, muito bom! Boa sorte!

  19. Andre Brizola
    30 de setembro de 2017

    Salve, Veridiana!

    Gostei muito do conto, sobretudo pelo tom de tristeza que vai se instaurando conforme a progressão. O que Glorinha passa em sua vida é terrível, e a cereja podre no bolo é a lobotomia, procedimento asqueroso que serve pra nos lembrar que a nossa medicina já foi um negócio assustador.
    O texto é impecável, e a leitura, mesmo sobre algo tão triste, flui fácil e agradável. E estilisticamente também me pareceu bem independente, sem se apegar a influências de autores clássicos dentro do estilo.
    Acredito que você poderia ter dado um pouco mais de foco na lobotomia, pra criar um momento de maior tensão, ou de angústia no leitor. Trata-se de um momento tão horrível na sequencia de acontecimentos que poderia ter dado um toque extra de terror pro conto. Mas fora isso, eu não mudaria nada.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  20. Antonio Stegues Batista
    30 de setembro de 2017

    Enredo: Menina alegre com a vida, fica traumatizada ao descobrir uma fábrica de caixões. Fraco.

    Personagens: Achei meio inverossímil, meio forçado o motivo que a levou a ficar doente, só em ver os preparativos para acomodar o defunto. Achei estranho também, ela aceitar com tranquilidade a morte da mãe e os preparativos para o sepultamento. Faltou essa parte. Poderia ter descrito essa parte, para “reforçar” o seu trauma, aliás, poderia ter começado com isso.

    Escrita: Excelente. Boas descrições do ambiente, das ações. Muito lúcida a escolha das palavras para compor as frases. gostei muito. Não há exageros, floreios demais. A descrição do manicômio corresponde a realidade, inclusive, se não me engano, a imagem que ilustra o conto é de uma das pacientes ali internada. Muito bom.

    Terror: Médio. Uma visão horrível de degradação humana e os brutais meios primitivos para a “cura” dos alienados de antigamente. Boa sorte.

  21. Pedro Teixeira
    30 de setembro de 2017

    O autor ou autora tem talento: é um texto muito bem escrito, bem revisado, com várias construções inspiradas.
    No que se refere à trama em si, começa bem, desenvolvendo com habilidade o perfil da protagonista. Mas depois os fundamentos para o desenvolvimento da psicose me pareceram fracos. Talvez isso pudesse melhorar se houvesse menção a um caso ocorrido na família antes, ou a questão da morte do avô fosse mais explorada… Tenho a impressão de que uma narrativa não linear também poderia colaborar para esse efeito. Ou a trama exige um formato mais longo, como uma novela ou noveleta.
    Quanto à existência de terror , não penso que elementos sobrenaturais sejam necessários para que o texto seja enquadrado nessa classificação. A narrativa traz um horror real, que foi explorado de maneira inteligente.
    O resultado é um conto pra lá de interessante, com potencial para se tornar algo maior.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    29 de setembro de 2017

    Narrativa fluente, de início morno. Deslize que pode ser corrigido com uma rápida revisão. Terror não há. Vi um medo mais acentuado, um pavor. O texto prende a atenção quando fala sobre a vida no manicômio. Na história, o autor deixou uma desconexão entre o surto psicótico e a internação. Deveria haver uma fundamentação mais convincente, uma explicação mais detalhada da doença, do surgimento, do agravamento. Acho que o texto deveria ter sido mais trabalhado. Merece ser.
    Parabéns, Veridiana!

  23. Eduardo Selga
    29 de setembro de 2017

    A narrativa vai da florescência da personagem à sua morte, passando pelo que me parece a parte mais interessante do texto: seu apagamento como sujeito no mundo, durante o período de internação no Juqueri. Essa parte da narrativa entendo ser bem superior ao que a antecedeu, tanto em termos de construção textual quanto de potencial para o terror.

    Ao narrar seu período de internação, lobotomia e morte, conseguiu-se um bom nível de tensão, o que entendo não ter ocorrido até a narrativa chegar a esse ponto. O destaque dado à infância e à marcenaria foi demasiado enquanto introdução àquilo que entendo ser o principal -a internação.

    Em dado instante o narrador coloca a seguinte interrogação: “O que teria acionado o gatilho daquela mente, por que tudo ficou tão confuso, para onde foi a lucidez de Glorinha?”. A resposta não é dada, talvez para deixar a encargo do leitor o estabelecimento do elo entre os caixões e seu abalo psíquico.

    Esse recurso, a lacuna narrativa, é perfeitamente válido e usual, mas acredito que na primeira parte da narrativa a ambientação não ajude a estabelecer um motivo forte o bastante para o causar o abalo permanente. É comum a criança ter medo de caixão e morte, mas é algo que se dilui ou se sublima ao longo da vida. Se com a personagem o processo não foi esse, algo mais havia. Contudo, a ambientação criada não indica o quê.

    A narrativa apresenta um ritmo marcado predominantemente por médios e curtos períodos, o que ganha especial impacto narrativo na parte do Juqueri, como podemos ver em “Aquele lugar tirava o caráter humano da pessoa. Deixava de ser gente, virava lixo humano”. Aqui, a sensação do sombrio e do desumano é potencializado pelas frases curtas.

    Outro recurso usado é a referência aos sons, sem ser onomatopeia. Eles são parte importante da memória da personagem e da construção imagética da narrativa (“Aquele atrito do metal com o osso lembrava o ruído do grampeador. Ah! O grampeador…”). Esse elemento, se utilizado mais intensamente, poderia ampliar a atmosfera de tensão.

    Em “DE espírito curioso, ávida DE saber DE DEtalhes, DE DEscobrir as entranhas […]” há um excesso de DE.

    Em “Comia aonde se arranchava” o correto seria ONDE.

    Em “[…] perdimento da vista […]” , o correto seria PERDA, porque PERDIMENTO é sinônimo de PERDIÇÃO, palavra que carrega consigo um peso moralista incabível no texto.

  24. angst447
    29 de setembro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio. Um terror baseado nos nossos medos mais profundos – a loucura, o isolamento, a violação do nosso corpo e dignidade.

    E (estilo) – Estilo claro, limpo, mas com construções bonitas e bem imagéticas. Tipo do conto que me faz pensar que eu poderia ter sido a autora (só por pura inveja, mesmo).

    R (revisão) – Só percebi um único engano:
    Comia aonde se arranchava > Comia ONDE se arranchava

    R (ritmo) – Ritmo muito confortável. Nem precisou dos meus queridos diálogos para acelerar a narrativa. A trama prende a atenção sem forçar. A leitura flui facilmente, sendo muito prazerosa.

    O (óbvio ou não) – Não sei se afinal sou a autora mesmo deste conto…rs.. mas antevi quase tudo: a oficina dos caixões, a vitrine com os artigos funerários, a lobotomia no final (neste caso, lembrei-me de um filme sobre uma atriz que foi lobotomizada). Portanto, para mim, nenhuma grande surpresa. Mas o óbvio mais importante foi o talento do(a) autor(a).

    R (restou) – Sobrou respeito e admiração pelo seu talento! E uma pena enorme pela vida desperdiçada da Glorinha.

    Boa sorte!

  25. paulolus
    29 de setembro de 2017

    Um primor de redação; limpa e objetiva no que diz respeito ao seu desenvolvi-mento, bem escrita e em concordância com a norma gramatical. Quanto ao enredo, porém, fica difícil compreender como uma pessoa se abale tanto pelo fato de se deparar com uma fábrica de ataúdes funerários. Ser causa de tão grande transtorno psicoemocional? (Mas isto é factível, pois se trata de uma ficção, é o que menos importa). A temática muito bem desenvolvida, condizen-te com o tema terror. Pois este se perpetua até os extremos. Inteligente e im-pactante; configurando, assim, como um autêntico conto do gênero, e dos bra-vos, digno de um Edgar Allan Poe. Meu ponto final nesta breve análise crítica é: muito bom! Você têm o muito que voar Veridiana, sobre os vastos campos deste modo de literatura. Parabéns e boa sorte. Uma reflexão: apesar de tratar-se de uma criança ou pré-adolescente a autora trata a personagem como se adulta fosse até quase a metade do conto; e o período em que se desenvolve a doença está muito longo)

  26. Rafael Soler
    29 de setembro de 2017

    Primeiramente, os pontos positivos foram: o ótimo uso da gramática e a construção da protagonista. Embora tenha achado o motivo de sua loucura meio fraco, gostei muito de como foi narrada a degeneração de sua mente. A parte final, no sanatório, também foi muito bem escrita, passando bem os horrores que aconteciam naquele local.

    Talvez pelo fato do texto ser inteiro escrito do ponto de vista de um narrador que não faz parte da história, achei o ritmo bem lento, chegando a criar uma barriga no meio da narrativa. E considero que o terror poderia ser mais forte em alguns momentos.

    É uma boa história, mas faltou, na minha opinião, um tempero a mais.

    🙂

  27. Fabio Baptista
    28 de setembro de 2017

    O conto está bem escrito. Li ontem no celular e só estou comentando agora, não me lembro se houve algum deslize de revisão. Se houve, não foi nada gritante, como podemos ver rsrs.

    Até a metade, eu estava pensando “putz, mais um conto fora do tema, ou com um conceito de terror bem diferente do meu” – a tal história de ver os caixões sendo feitos não me convenceu em nada e até voltei algumas partes para ver se tinha perdido algum elemento sobrenatural ali.

    Porém, quando o cenário muda para o Juqueri, o verdadeiro horror é revelado. Toda a descrição do abandono, com as visitas rareando pouco a pouco, dos “tratamentos” (sobretudo a lobotomia) e da degradação do corpo, foram muito bem executados, causando pena, asco, espanto e… medo! Claro, não o medo típico de filme de terror, de algum espírito diabólico ou de alguém mascarado correndo atrás de você com uma peixeira na mão, mas aquele calafrio ao imaginar “puta que pariu… e se eu caísse num lugar desses?”.

    Humano, demasiado humano. Precisa mais pra aterrorizar?

    Muito bom!

  28. Edinaldo Garcia
    28 de setembro de 2017

    Escrita: Boa. Boa qualidade literária. Gostei dos uso das palavras.
    Enredo: De um modo geral, eu particularmente não gostei, há períodos muito bons como quando ela entra na clínica e é relatado os horrores que acontecem ali (essa parte ficou primorosa), mas quando lembramos que a personagem principal foi parar naquele lugar apenas porque viu caixões sendo feitos, é absurdo; não me convenceu nada. E olha que parecia ser uma garotinha cheia de vida e nenhuma pré-disposição à loucura. A cena dos aparelhos da mercearia não tiveram impacto algum. O autor descreve as construção do caixão como se fosse uma cena de terror, e na verdade não o é. Pelo menos para mim não me causou efeito algum.

    Terror: Só a parte do sanatório que foi muito bem feita e se enquadrou perfeitamente ao tema, só não gostei da justificativa de a personagem ter ido parar ali. Imagina se tivesse uma melhor explicação para ela ter surtado? O autor sabe escrever. Só não foi muito feliz no início do enredo. Quero ler mais textos dele/dela.

    Nível de interesse durante a leitura: O começo foi muito bom, adorei a personagem, e isso é bom no terror, pois comecei a me preocupar com ela. A cena da construção dos caixões foi sonífera. A parte final a narrativa voltou a ser interessante.

    Língua Portuguesa: Comidinha sem gosto.

  29. Nelson Freiria
    28 de setembro de 2017

    Há muitos detalhes sobre o funcionamento do maquinário e dos negócios da marcenaria, o que me fez perguntar “Aonde o autor(a) que chegar com isso?”. Quando finalmente é revelado um dos produtos da oficina, os caixões, acompanhamos Glorinha entrar em parafuso. Entretanto o terror ficou limitado ao desenvolvimento da loucura da personagem, ele não se espalha pelo conto, não atinge o leitor lhe causando medo, mas sim comiseração. Acho que o maior empecilho acabou sendo esse, pois a gramaticalmente não vi qualquer dificuldade, pela condução do conto dá para perceber que o autor(a) sabe desenvolver mto bem personagens, a história tinha elementos capazes de gerar terror, só faltou ele aparecer no conto.

    Infelizmente personagens secundários, como a Tininha, acabaram sendo descartados após certa parte do conto. Os momentos no hospital psiquiátrico acabaram sendo puramente dramáticos, jogando para longe toda a atmosfera que havia sido construída até ali. Achei estranho que ninguém tenha conseguido conversar com a menina enquanto ela começava a se sentir mal pelos caixões, ou sequer conseguiram elaborar uma ideia do que poderia tê-la infligido tanto espanto.

  30. Zé Ronaldo
    27 de setembro de 2017

    O texto é bem interessante: a ótica do que gera o terror do ponto de vista de uma criança. Isso é muito interessante, pois criança tem medo de um monte de coisa que, se formos ver melhor, não causa terror nenhum. Demorei um pouco para sacar o terror na história. Essa relação do terror infantil é uma carta especial aqui: estamos esperando algo que aterrorize adultos, nunca pensaríamos na possibilidade do que assusta uma criança e, venhamos e convenhamos, esquifes são, realmente, assustadores para crianças, por remeterem à morte, ao fim.
    Enxerguei apenas um equívoco gramatical, logo no início: “(…) Comia (a)onde se arranchava,”.
    O texto tem uma fluência bacana, mas incorre em um problema, para mim, o que prejudicou, e muito, o texto: a partir do ponto em que se tratou de reportar a vida no manicômio, deixou de ser terror. O texto começa a arrastar correntes, perde a razão de ser dele. Se houvesse parado na chegada dela ao hospício e fim, aí, ainda se carregaria a aura de terror. Para mim, foi o tropeço que custou todo o texto.
    O texto é bom, a ideia, impecável! Parabéns!!

  31. Olisomar Pires
    27 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: garota entra em estado psicótico e é internada em hospital, onde fica até morrer.

    Escrita: boa. À exceção do primeiro parágrafo que me pareceram destoar do restante, a leitura é fluida.

    Construção: é um conto triste em função das desventuras da protagonista, mas não localizei o terror. Sentimos empatia pela personagem e pensamos em como tudo é sofrido e injusto, mas medo não há.

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Informação

Publicado em 26 de setembro de 2017 por em Terror.