EntreContos

Literatura que desafia.

Entrevista no Museu (Fernando Cyrino)

Gravando? Estou nervosa, não acreditam? Só mais uns segundos para baixar a tensão. Quem diria, não é? Cinquenta anos de estrada e assim aflita. Estivesse no palco seria mais simples. Sei dominar uma plateia. Provocar dores na barriga, destroncamentos dos maxilares, saltos acrobáticos de dentaduras, xixis incontinentes de tanto gargalhar. Mas aqui me pedem um depoimento pessoal. Falar de mim é complicado.

Sempre fui reservada. Vocês riem. Essa mulher parecendo liberada, e que alguns chegam a considerar escrachada, usa do humor para evitar que os olhares caiam sobre ela. Uma amiga dizia que, ao contrário de tanta gente “livro aberto”, eu sou um daqueles “lacrados a cadeado”. Ai, que gravaram essas bobagens? Vocês vão apagar esses troços, não vão?  

Estou livre para tratar do que quiser e só me farão perguntas em último caso, não é assim? Não mediram o risco que correm de não sair nada que preste após a edição. Ah, acham graça? Pois minha vida, assim começo, ao contrário da profissão, está mais para a tragédia.   

Sou Cláudia e pensava que a razão de ser desse nome fosse a atriz italiana. Isto até que uma professora me afiançou que ele significa manca. Falou desse jeito, como reforço da carga de bullying que eu carregava. Passei a sentir ódio do meu nome. Ao falar com mamãe ela me garantiu que, por essa época, nem conhecia a Cláudia Cardinale. Que o motivo de ter me batizado assim era outro. Este achei pior. Muito depois, ao conhecer a vida da xará, constatei que era mesmo impossível que ela fosse a inspiração. Era garotinha quando nasci.     

Esperem, não me esqueci, vou lhes contar o motivo do nome. Uma cigana indicara para a velha que barriga pontuda, como era a dela, significava homem. Enxoval de menino e o danadinho ganhara até nome, adivinhem qual? Isto mesmo, Cláudio. Na frustração só trocaram o “o” pelo “a”. Cigana para reclamar? Partira há tempos para enganar grávidas de outras paragens.   

Nunca fui bonita, mas se a natureza não me propiciou beleza, nos quesitos talento e inteligência ela não regateou. Estão fazendo gozação com essa minha afirmativa? Modéstia comigo não cola. Uma coisa que praticamente ninguém sabe: sou engenheira civil, algo raro naqueles tempos. Na turma de quarenta marmanjos só duas mulheres. Ouvidos ficaram cansados de escutar que ao nascer uma menina, Deus lhe perguntava: “quer ser bela, ou engenheira?” Precisa dizer mais? Nunca exerci a profissão e não foi por falta de querer, mas porque os machistas diziam que não seria capaz de controlar peões de obra.   

Tornei-me artista por acaso. Uma amiga se inscreveu para um teste no teatro de revista. Era assim que se chamavam as comédias musicais daqueles tempos. Muita dança, mulheres sensualizando de pernas de fora e, no entremeio, críticas aos costumes e política. Textos picantes e, ao me recordar de alguns, reparo que hoje pareceriam inocentes. Donzelas não andavam sozinhas, ainda mais para se ir a um lugar daqueles. Teatro era local de fama duvidosa. Em casa, inventamos umas desculpas e no meio da tarde tomamos o bonde.

Se a tal era a outra engenheira da turma? Vocês me fazem rir. Claro que não. Eliana era uma moça bonita, cabelos longos, muito pretos, seios grandes e quadris largos. O que esperam, eu jamais lhes concederei: nem sob tortura opinarei se ela era burra. Resumo da história: minha companheira não foi escolhida.

Como não nos mandavam embora, ficamos por lá assistindo ao ensaio de outra peça. Nessa revista treinavam o momento de entrada em cena da mãe de uma dançarina. Avental, pano branco amarrado na cabeça e, brandindo uma vassoura ela, possuída de zelo materno, invadia o palco. Seu intuito era o de libertar a filha do teatro de revista, que ela considerava como um antro de perdição. A escalada, uma atriz madura, faltara e o diretor cumpria tal papel. Várias repetições e parecia evidente que ele não gostava da maneira como a mocinha escapava das vassouradas. Na plateia, somente nós duas e ele – vejam como é o destino – se dirigiu a mim. Queria que eu fizesse a mãe: entrar, correr, fingir umas cacetadas e desaparecer na outra banda do palco. Assim, ele poderia orientar melhor a cena. Evidente que disse não.   

Será que o diretor me achou velha e feia, gente? Só sei que o gajo insistiu tanto, que o não inicial virou sim. Claro que em seguida quis recuar, mas era tarde. O contrarregra me entregou a roupa da personagem, uma vedete me ajudou a arrumar o pano na cabeça e estava pronta. Ao chegar a hora, bateu o pânico. Arrependida, relutava em sair da coxia protetora. Como não me decidia e um atraso colocaria tudo a perder, fui lançada ao palco por um assistente. Gritei um “seu desgraçado” e no embalo do movimento parti ridícula, aos tropeções, atrás da filha.  Sentado na plateia o velho diretor, meio surdo, ouvira outra coisa. “Muito engraçado” foi o que escutou. Então a mãe, que no script, deveria entrar empertigada e sair calada, ganhou uma fala. Repetimos a cena algumas vezes e não precisei mais ser empurrada. A cada versão ele gostava mais do que eu ia criando. Ao final estava claro que adorara a minha performance. Convidou-me e no impulso da desempregada, louca para ganhar algum dinheiro, disse sim. A faltante perdeu o emprego.   

Nos tempos de escola maldavam dizendo que Deus requeria a opção das menininhas entre a beleza e a engenharia. Por esta época Ele me apresentava nova questão: “permanecer na família, ou partir para o desregramento das artes?” Vocês não imaginam o que passei. Até meu pai, de quem jamais recebera atenção, apareceu a me nomear de doidivana, afirmando que se eu mantivesse aquela decisão, ele deixaria de me considerar como filha. Achei graça, pois que há muito não o via como pai. Sem apoio, fiz as trouxas e passei a morar com as meninas.     

Estreamos e vi que aquilo era o que eu sabia fazer bem. A cada récita ia acrescentando mais um ou dois cacos ao meu papel. Em pouco tempo a minha personagem havia crescido. Tornara-se a antagonista daquele enredo simplista. Um ano depois e minha foto constava nos cartazes, meu nome era grafado em letras grandes. Aquilo era muito louco: eu atraía público. Papai surgiu querendo uma rebarba no meu sucesso. Foi então que tive a certeza de que havia vencido. A partir da terceira peça já dava os meus pitacos na elaboração do texto e mesmo na direção das cenas.

E olhem só o que esta conversa me fez recordar. Já gozava de certa fama quando ganhei um papel a “la Capitu”. Teria traído o meu marido? Para um caso assim a dúvida era irrelevante. Exigia-se que a “honra do macho” fosse lavada pelo sangue. Para a cena final uma bexiga com caldo vermelho, à base de anilina, era posta aqui entre os seios. O ponto a ser tocado para me encharcar daquele líquido gosmento. Ocorria a estreia e eu lá, prontinha para morrer. Fiz um movimento brusco ao abrir os braços e aconteceu o acidente, a bexiga saltou. Ao invés de o homem vir para cima de mim, ele correu, vociferando, atrás da bola a quicar no chão: “não fuja, coração maldito, meu punhal fará justiça à sua traição”. Aquilo era pior do que a mais escrachada comédia pastelão. Só que o povo adorou e daí por diante a peça terminava não com a minha morte, mas com o assassinato da bexiga traidora.  

Presumo que tomaram conhecimento do rumor, de que tive caso com um dos maiores políticos da República. Afirmo-lhes que jamais me relacionaria com um tipo vil como aquele. Homem corrupto e metido a besta. O pilantra achava que seu poder lhe propiciava privilégios. Impertinente, quanto mais ele dava em cima, maior se tornava o meu nojo.    

Acuada e mulher sozinha, o que significava quase sem direitos, pedi ajuda a um colega também discriminado, por ser gay e efeminado. Já que a justiça se mostrava incapaz de alcançá-lo em suas falcatruas, iríamos executar a nossa vingança em nome do povo. O salafrário mandava bilhetes, flores, ligava para o teatro diariamente, insistindo para que fosse à sua garçonnière. Combinamos de eu me negar a ir até ele, chamando-o ao meu apartamento com a história de que meu marido viajara. Ele se disse surpreso com o fato de eu ser casada. Mas como já tinha fama de reservada a mentira passou e, seco em mim como estava, ele topou.

Na tarde agendada, a campainha tocou e lá fui eu atender, fazendo cara de grande aflição. O ministro metido num jaquetão de seis botões, risca de giz, a deixá-lo ainda mais velho. Cabelos acaju, meio ralos, parecendo pintados há pouco. As mãos ocupadas pelo ramalhete de rosas vermelhas e o excessivo Dom Pérignon. Fiz que não queria que entrasse, mas forçou a porta, fechando-a atrás de si com o corpo. Fingindo desespero lhe contei que a viagem do meu esposo abortara e que o cujo acabara de chegar. O homem, pálido, quase deixou cair a preciosa garrafa. Neste momento o meu parceiro, esforçando-se para parecer bem másculo, chegou me perguntando quem era a nossa visita. Ao se deparar com o homem famoso, fingiu estar orgulhoso da sua presença. Convidou-o a que se assentasse e o picareta, numa falta de assunto de dar dó, a explicar que só passara para um rápido cumprimento, eis que morávamos próximos ao prédio da sua mãe. Meu companheiro, sarcástico, prosseguiu: “está levando a champanhe, mas se esqueceu do balde de gelo. Quer levar o nosso?”   

Eu aqui relembrando a vida. E, melhor ainda, gostando. Sabem que ao abrir o convite de vocês eu larguei um palavrão? Dar depoimento para o Museu da Arte Cômica me passou o cheiro de prévia para obituário jornalístico. Daí que liguei para o meu doutor a lhe perguntar se ando bem. Vai que corram boatos de que estou na ponta da tábua? E fofoca, não nos esqueçamos, costuma ter um fundo de verdade. Ainda mais nesse caso, em se tratando de alguém cujo interessado é um museu.

O quê? Não acredito que o tempo tenha se esgotado. Não se deram conta de que a hora corria tão rápida? Pois não é assim, fugaz, a vida? Vocês todas jovens e eu com meus setenta e cinco anos a relembrar quando também era moça. Estar aqui me rejuvenesceu. E não me venham reclamar que falei quase nada da vida pessoal e que era esse o principal objetivo da entrevista. Contei sim, dei até furos de reportagem. Mas se acham mesmo, combinemos então que na outra encadernação, após mais cinquenta anos de carreira, centenária como humorista, virei até aqui para novo bate papo. Então estarei não como livro fechado, mas totalmente aberto. Uma bela brochura, cheia de fotos e textos sobre a minha intimidade. Nossa, passamos tanto tempo juntas e não utilizei um só palavrão. Vamos encerrar com eles?

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29 comentários em “Entrevista no Museu (Fernando Cyrino)

  1. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Olá, Virginia!

    Seu conto é um relato e vida, de trabalho… de aventuras. Talvez esse formato de narrativa não tenha funcionado muito bem para o gênero comédia. As partes que tem o humor, que seriam engraçadas ganham um distanciamento, como se fosse algo longe… eu não me familiarizei com essas cenas, não consideraria comédia, em todo caso.

    Nada que diminua, porém, a qualidade do texto, que parece ser bem sincero, intimo até.
    Mas é isso, parabéns pela participação.

  2. Roselaine Hahn
    26 de agosto de 2017

    Corrigindo, “considero que o lance da bexiga”….e…”mas considerei importante ler”. (Bola fora corrigir a escrita dos outros e escrever errado, né?!).

  3. Roselaine Hahn
    26 de agosto de 2017

    Vírginia Lane, uma bela homenagem às vedetes do teatro de revista, no tempo em que não havia o funk das popozudas. O seu conto é bom, não é exatamente uma comédia, acho que funciona mais como uma crônica. Sem maiores problemas gramaticais, somente o tempo verbal da frase “donzelas não andavam sozinhas, ainda mais para se ir a um lugar daqueles. Teatro era local de fama duvidosa. Em casa, inventamos umas desculpas e no meio da tarde tomamos o bonde”, ficaria melhor “inventávamos e tomávamos”. Considero o lance da bexiga na peça foi o ponto alto em termos de comédia.Não pontuei o seu texto, não era do grupo no qual eu tinha que ler, mas considero importante ler para fins de prestigiar o trabalho de todos. Sorte aí, abçs.

  4. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Muito bom o texto, prende a atenção. bem escrito e técnico. Parabens

  5. Davenir Viganon
    16 de agosto de 2017

    A forma da narrativa na primeira pessoa não atrapalharia seu conto se houvessem diálogos que permeassem a narração da Cláudia, mas o que temos é apenas contado e não mostrado. Apesar de ter gostado da estória e da personagem, não consegui me envolver. O encontro com o deputado tinha um bom potencial humorístico mas passou como se fosse uma cena planejada antes de ser escrita e não executada de fato no conto.

  6. Pedro Luna
    16 de agosto de 2017

    Bom, essa biografia da personagem foi abordada com um tom leve, mas não enxerguei muitos elementos de comédia. Não me pareceu muito divertido (excluindo a cena do coração saltitante..kk), e no lado crítico, acho que ele pisou um pouco fora da linha. As referências ao machismo soam óbvias demais, e ao modo vandalizado como os outros enxergam as artes, também. No que vejo por comédia crítica, as coisas precisam ser sutis, ou exageradamente escrachadas. Ficar no meio termo deixa as coisas meio mornas.

    Na realidade, não posso dizer que foi interessante ler sobre a vida dessa personagem. O texto é bem escrito, isso é inegável, mas faltou alma pra essa abordagem de trazer ao leitor acontecimentos da vida de alguém. Então não gostei muito por isso.

    Abraço

  7. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Olá Virgínia!
    Esse comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Então, o conto é bem interessante, bem escrito, tem até um charme, mas não achei divertido. Esperava mais toques de humor. Mas mesmo assim é um ótimo texto. Parabéns e boa sorte!!

  8. Bia Machado
    16 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – O texto funciona como conto, claro, mas sinceramente não foi nada mais além de uma leitura. Não me divertiu e não me surtiu efeito algum, para dizer a verdade.
    Personagens – 1,5/3 Sinto muito, mas a expressão que me vem à mente é “um tanto
    entediante”. Essa atriz não me cativou nem um pouco em sua narrativa.
    Gosto – 0,5/1 – Não gostei muito. Foi uma leitura ok.
    Adequação ao tema – 0,5/1 – Para mim não está totalmente adequado. A impressão que dá é que tentou, sim, mas não consegui ver comédia em lugar algum do texto.
    Revisão – 1/1 – Nada que eu tenha notado, fora do lugar.
    Participação – 1/1 -Parabéns por ter participado.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  9. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Pensei que o conto era da Claudia Angst, que usava um acento à guisa de disfarce. Frases de efeito, como “usa do humor para evitar que os olhares caiam sobre ela”, cimentaram bem o conto. O conto me pareceu mesmo uma mistura da vida das “vedetes” do “teatro rebolado” Virgínia Lane e Dercy Gonçalves, juro. O Político que se relacionou com Virginia Lane, se não me falha a memória, foi Getúlio. Apesar dos boatos, eu ainda não tinha confirmado que Dercy Gonçalves era formada em engenharia, confirmei agora – Virgínia Lane estudava direito. Mais adequado ao tema, que é comédia, não poderia estar, já que é de duas comediantes que trata. A cena da bexiga, inclusive a bela frase, valem o conto. Muito bom, parabéns.

  10. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Virginia,
    No caso, como leitor, só achei um pouco de informações a respeito de um possível conto que deveria ser de comédia. Falar sobre uma possível comédia é bem diferente de fazer a própria, nos insultando um pouco com todo esse momento de entrevista que não esclarece, afinal, onde está a graça.

  11. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    15 de agosto de 2017

    Lane,

    você tem uma escrita muito boa. Invejável. As frases foram construídas com esmero e o refinamento de cada linha salta aos olhos.

    Quanto ao enredo, infelizmente, não me cativou. Não falo aqui por conta da comédia e sim por conta da narrativa….

    Seu trabalho é perfeito gramaticalmente, mas faltou algo que não consigo precisar. Não sei. Para mim foi como se fosse um depoimento muito bem escrito de um personagem. Apenas isso. Faltou aquela pitada de sal necessária.

    Mas, claro, é apenas a minha opinião.

  12. Ricardo Gnecco Falco
    15 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2,5

    Sim, o texto está muito bem escrito. A opção pelo uso da primeira pessoa foi quase uma obrigação, na verdade; e ficou perfeita para a história. A cadência do texto e o estilo da escrita também trouxeram um charme a mais para o trabalho. O artifício da repetição das perguntas, para que o leitor entenda o diálogo ocorrido fora de seu alcance aqui dentro da história foi bem utilizado e, equilibrado, não sobrou gordura, deixando excessos apenas para o emocional do monólogo. Parabéns pela técnica!

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2,5

    Sim, bastante criativa. Se entendi corretamente ao final, tratava-se da Dercy Gonçalves, certo? Também, se não tiver sido esta a sua intenção, autora, o que importa agora é o que o seu leitor decidiu que fosse; então… Tratando-se (para mim) desta conhecida atriz, a opção pela não utilização de palavrões durante sua entrevista foi uma sacada bem bolada, pois trouxe uma carga emotiva para o final da obra, como se fosse um tapa de luva de pelica, gritando na nossa cara: “Olha só…! Ela não era apenas uma velha de boca suja…!” E este fechamento, para um conto, (o famoso “Ohhhh!”), acrescido de uma carga dramática, é o melhor que se pode desejar…

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 2

    Então… Olha o dilema: se, acima, a carga dramática rendeu-lhe pontos, aqui… Pois é. 😉 Mas vou descontar somente um pontinho, pois gostei do trabalho.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Noops… Mas curti muito o seu texto. Parabéns!

    ——-
    7
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  13. Pedro Paulo
    14 de agosto de 2017

    Muito bem escrito, esse conto nos imerge na vida de Claudia, uma artista de teatro, uma viajante, uma senhora de idade. E essas são informações que já pegamos no primeiro parágrafo, onde também ficamos sabendo que a história será um relato contado pela própria Claudia a outras pessoas que a escutam e dão carta branca para seja lá o que ela quiser contar.

    Nos parágrafos seguintes a história começa e o modo como as informações são ordenadas e contadas deixam o relato convincente e verdadeiramente intimista, cativando a leitura e o interesse pela personagem, em uma brilhante dominância da narrativa. Portanto, foi um conto prazeroso de ler.

    No entanto, quando se trata de fazer comédia, o conto não é muito bem-sucedido. A própria personagem define a própria história como uma tragédia e, facilmente convencido de estar lendo um autêntico relato de uma pessoa real, é como estar no lugar das pessoas que a entrevistam e posso me ver impressionado com a trajetória da Claudia. Eu sorriria o tempo todo e ficaria impressionado e triste com as coisas que ela teve que passar, talvez até risse de alguma de suas histórias, como o coração saltitante da peça que participou, mas isso é só. Desse modo, mesmo estando muito bem escrito, não é a melhor comédia.

  14. Luis Guilherme
    14 de agosto de 2017

    Ola, amigo, tudo bem?

    Um conto autobiográfico, provavelmente ficticio, interessante. A personagem tem um certo carisma, o que torna sua historia agradavel.

    O conto parece se basear num recorte, apenas parte de um todo maior. A vida dela parece tao interessante q pouco pôde compartilhar no tempo q lhe foi dado.

    Voce conseguiu aproveitar ben o espaço. O enredo me deixou concentrado do inicio ao fim.

    Enfim, belo conto, nao notei erros importantes, nada q tenha prejudicado. O humor, em si, nao eh o ponto forte do conto, pra mim.. Tem um quê divertido, mas acho q podia ter sido mais ressaltado . questao de opiniao.

    Parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      14 de agosto de 2017

      Ah, ia esquecendo: a cena da bexiga eh a melhor! Hahaha mt boa

  15. Catarina Cunha
    14 de agosto de 2017

    O texto poderia ser mais divertido, já que a personagem, uma vedete comediante engenheira, prometia passagens hilárias. Mas a narrativa é séria e controlada.

    Auge: “Essa mulher parecendo liberada, e que alguns chegam a considerar escrachada, usa do humor para evitar que os olhares caiam sobre ela.” – Profunda a frase. O humor chama a atenção para o personagem e não para o autor ou ator.

    Sugestão:

    Dar mais dinâmica através de diálogos diretos e enxugar o texto.

  16. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Um relato confessional envolvente de uma atriz de teatro de revista, narrado em primeira pessoa, como se fora uma entrevista. Alguns episódios levemente cômicos da vida da artista, na minha opinião, não sustentam a categorização do texto como comédia ou mesmo humor.

    A personagem está convincente. O relato, entretanto, não me soou como uma entrevista, pareceu-me artificial, não refletindo uma hipotética fala natural da artista.

    No mais, o texto está bem escrito e revisado e a experiência de leitura foi bastante agradável.

    Parabéns pela participação.

  17. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Conto com arco narrativo completo, mas algo confuso. O tema está lá, mas numa forma discreta – não é um texto de comédia, se bem que tenha alguns apontamentos de comédia.

  18. Givago Domingues Thimoti
    13 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Mais ou menos adequado. Foi um conto mais dramático do que uma comédia.
    Criatividade: Média.
    Emoção: O impacto foi médio. Por um momento, não pareceu uma comédia.
    Enredo: Faltou algo mais engraçado nesse enredo.Sem querer se meter (mas já se metendo) faltou algo como, por exemplo, na hora que o colega gay da personagem fingisse que fosse o marido dela para o Ministro, os dois se reconhecerem de outros casos (eles podiam ter tido um caso).
    Gramática: Não notei nenhum erro.

  19. Gustavo Araujo
    10 de agosto de 2017

    É um texto bonito, sensível até, sobre uma ex-vedete que lembra, divertida, de seus dias de glória. Percebe-se que a nostalgia permeia todo o texto, impregnando as linhas com certo lirismo, apesar das passagens engraçadas que a protagonista traz a lume. Não sei, exatamente, se o conto corresponde a uma comédia ou a uma espécie de homenagem a velhos artistas. Como disse, há certa melancolia embutida nessa biografia, algo que nos faz – nós, leitores – escutar (ou ler) o depoimento com um sorriso entristecido, como aqueles que reservamos aos nossos avós, quando os ouvimos contar histórias de dias há muito passados. Nem sempre achamos engraçado, mas rimos assim mesmo porque sabemos que essa demonstração de alegria irá deixá-los felizes. Fato é que a protagonista aqui parece se divertir bastante ao relatar suas memórias. Certamente, se eu fosse seu entrevistador, acabaria rindo também, ainda que guardasse, no fundo, escondidinho, um pouco de pena por saber – e ver que ela também sabe – que seus dias mais brilhantes não irão se repetir. Visto desse modo, o conto revela-se belíssimo, pois como no poema de Robert Frost, o período mais belo do dia é o alvorecer, deixando ao resto das horas apenas a possibilidade de recordá-lo. Enfim, achei o conto muito bom, mas não acredito que possa entendê-lo como comédia. É um drama, seguramente. Um belíssimo drama.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    9 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Contexto interessante, abordando a arte em si. Textos em primeira pessoa são um desafio, pois os diálogos geralmente são cortados. Aqui, a autora(or) se saiu bem, pois as perguntas ficam um tanto implícitas assim que a personagem narra sua vida. É um risco, pois muita coisa fica na imaginação. Mas também está fácil de entender, não vi grandes problemas nesse sentido. – 9,0
    A: Um conto que consegue ser carregado e leve ao mesmo tempo. Tem seus momentos de bom humor, e foca nas “origens” da comédia. Mas, apesar das descrições insólitas e divertidas, o texto pareceu-me uma “tragicomediancolia”. A parte melancólica e as tragédias do cotidiano se sobressaem, mesmo sem querer. – 7,0
    C: O tom intimista ajuda muito, mesmo tendo apenas uma personagem. Seus trejeitos se sobressaem nos diálogos indiretos, uma habilidade que poucos conseguem transmitir na hora da escrita. Tem ótimos detalhes que resolvem muita coisa da personalidade da narradora. – 8,5
    U: A palavra “gajo” entrega a autoria além-mar, mas, como um todo, está muito bem escrito, com certo ar austero e um pouco de noir. A leitura flui bem, apesar dos estranhos espaços da formatação.. – 8,5
    [8,2]

  21. Fheluany Nogueira
    7 de agosto de 2017

    Uma comédia de personagem, tipo stand up. A protagonista do conto é uma mistura das maiores musas do teatro de revista nas décadas de 40 e 50: Virgínia Lane e seu romance com o presidente Getúlio Vargas e Dercy Gonçalves, celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de palavras de baixo calão. Ambas foram expoentes do teatro de improviso. A construção da personalidade, na trama, ficou bem definida, mas o conjunto está bem pouco criativo, parece mais inspirado em pesquisas como a entrevista em “Aventuras na História” de Virgínia Lane. Algumas frases foram inspiradas e engraçadas, o texto está bem escrito e a leitura é fluida e prazerosa.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  22. Bruna Francielle
    7 de agosto de 2017

    tema: razoavelmente adequado

    Pontos fortes: a comédia se deu por conta da visita do ministro, não fosse essa cena talvez eu teria mais dúvidas se o tema está adequado ou não. Achei a ideia diferente, uma entrevista com uma atriz de idade. Acho que nunca havia visto um conto sobre isso até então. Gostei das memórias dela sobre um tempo que era ainda pior pras mulheres, do preconceito que ela passava e tudo mais.

    Pontos fracos: Porém, confesso que a primeira vista não me empolgou muito. Não sei se caso eu visse esse conto em outro lugar, que não o desafio, a sinopse me interessasse a ponto de ler o conto. A ideia foi diferente, mas não muito interessante, apesar de haver vários pontos interessantes no relato.

  23. Antonio Stegues Batista
    7 de agosto de 2017

    Me pareceu uma crônica muito bem escrita, com ótimas frases, um bom enredo. Na minha opinião, palavrão não é nada engraçado. É um hábito e um cacoete muito feio. Já pensou fazer uma dissertação de mestrado cheio de palavrões? Então, para isso a platéia é outra. Palavrão não enriquece a obra de arte que é a arte de escrever. O seu texto ficou muito bom.

  24. Olisomar Pires
    6 de agosto de 2017

    Desconsiderem a última frase do comentário anterior a esse sobre uma possível nota menor. Reli o conto. O texto é muito bom e divertido de certo modo.

    Não posso desconsiderá-lo como comédia.

    Parabéns ao autor.

  25. Eduardo Selga
    5 de agosto de 2017

    Comparando com o primeiro conto desse grupo que eu li, “Violeta sem Flor”, percebe-se o quanto faz diferença a utilização de uma linguagem adequada à comédia. Lá, apesar de muitos tropeços nesse item, o tom de oralidade ajudou a construir uma atmosfera humorística; aqui, sinto uma tonalidade pesada, que não favorece a comédia. Se fosse um “falso sério” o caso seria outro, exatamente oposto, mas aqui a personagem está formal em demasia, o que arrasta o conto. Parece que o(a) próprio(a) autor(a) se deu conta disso, e no desfecho diz “nossa, passamos tanto tempo juntas e não utilizei um só palavrão. Vamos encerrar com eles?”, como que para rachar um pouco a construção sisuda.

    Não estando, em minha opinião, bem adequada a linguagem à comédia, as cenas têm dificuldade em serem condutoras da hilaridade. A principal cena, a da atriz com o politico, se noutra roupagem, poderia render mais, inclusive se a opção narrativa tivesse sido pelo discurso direto, o que talvez implicasse a reconstrução de toda a estrutura textual.

    Esse trecho me pareceu estranho: “até meu pai, de quem jamais recebera atenção, apareceu a me nomear de doidivana, afirmando que se eu mantivesse aquela decisão, ele deixaria de me considerar como filha”. É que se o pai da personagem-narradora nunca lhe dera atenção, ela não deveria espantar-se com a atitude dele, como fica implícito em “até meu pai”.

  26. werneck2017
    5 de agosto de 2017

    Olá,
    Com relação à gramática o texto está perfeito. Um vocabulário adequado, sem erros gramaticais, com coesão e coerência.
    Com relação à criatividade, o texto me parece bastante rico em detalhes sobre uma atriz de teatro de revista contando suas peripécias, um arsenal de boas situações.
    Com relação à adequação ao gênero, pareceu-me comédia. No entanto, o vocabulário me pareceu formal demais para um gênero que é despretensioso e informal por natureza. Apenas nesse quesito, acho que não foi apropriado o suficiente para suscitar maior emoção ao leitor.
    Quanto ao enredo, muito bem escrito e dirigido, o desfecho poderia ser melhor trabalhado também.
    Minha note é 8.

  27. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Um belo conto. Uma personagem fantástica. Entretanto, me parece que o tema não se fez presente, talvez eu não tenha entendido bem.

    O texto é bem escrito, sem dúvida. Emotivo e cativante. Mas algumas cenas cômicas do passado da atriz não são suficientes para classificá-lo como conto de comédia.

    Só por isso darei um nota menor.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .