EntreContos

Literatura que desafia.

Uma fábula em rimas: o tesouro da Cobra Vanderléia (Vocalista do Metálica)

À entrada se entreolhavam, temerosos, ponderavam: “é uma loucura! Sim, mas a glória é segura. ” E a dupla estarrecida, encarava, indecisa, o colosso à sua frente.

– E agora, Eduardo? – questionava, bobamente.

Pedra pura se erguia, poderosa e arredia, uma porta colossal. A dupla, estupefata, indecisa encarava um aviso teatral.

Tal alerta alteava a entrada da passagem, e explica ao leitor, que confuso com o autor, pergunta: “ei, qual o motivo desta viagem, qual é a da trovada?” Vamos lá, camarada, pra mensagem que era dada:

 

Contemple a entrada da Gruta da Picada

Visitante, meu amigo, os espaços que abrigo,

Transpassando esse portal

te reservam os perigos muito acima do normal.

Os tesouros desta gruta, que qualquer filho da puta,

ansiaria conquistar,

são guardados fielmente

por Vanderléia, a serpente,

Impossível de dobrar.

Bravos homens bem dotados,

altas pompas, altos brados

por aqui já aportaram,

majestosos, bem trajados,

seu orgulho aqui juraram.

Diante deste portal,

seduzidos pelos louros de uma vida real,

ignoraram o alerta

deste amigo casual.

Aqui vai o meu conselho

a quem possa merecer,

pois já vi o perecer

de incontáveis bravejantes.

Se a ganância é o que te move

e sedento por amantes

por dinheiro e por poder,

inicia a jornada, com suas armas, suas espadas

deveria compreender.

Vanderléia,

Rastejante, imortal, resistente;

diamante.

Magia, espada, chamas – sua escama ignora.

Ora,

não pode matá-la,

feri-la tampouco,

Mas certo é aquele

que procura encantá-la;

Ama poesia, prosa e canto,

rimai, porquanto.

 

– Caralho, Edu, tâmo ferrado! – exclamou Felipe, preocupado.

– Pô, bicho, rimar não é comigo… não tenho esses capricho, tá ligado meu amigo? – completou a sentença. Não fora uma boa rima, teria que melhorar, se quisesse no final, a recompensa conquistar.

Resumindo a história, porque ninguém merece blábláblá, a dupla acabou entrando, para ver no que ia dá. Um caminho assustador, que causava arrepios, bem no fim do corredor, um baú de arrancar elogios. A arca quadrada, 2 metros só de frente, emitia uma luz dourada…

– Caralho, esse tesouro vem com a gente!

– Pra casa sem ele não volto, essa cobra não guenta quá gente, e se ela vier pra cima, eu viro o próprio 50 cent (fifty cent) – habilidoso com palavras, o garoto flexionou, foi criando novas formas, de bancar o trovador.

– Uau, mal cheguei e tô arrasando. Vou daqui mandar meus salves…

– Cala boca, malandro, tu tá mais pra Dercy Gonçalves. E não vem fazer biquinho, a gente tem uma missão pela frente. Afinal, cadê a tal da cobra?

-Ssssshhhh, bom dia, gente.

A cena só não foi mais hilária pois a caverna estava escura, Felipe saltou e gritou: “ai meu deus, alguém me segura!”

Enquanto Edu levantava e massageava as dores da caída, procurando enxergar à volta, murmurou:

– Pra que lado fica a saída?

Envergonhado pelo escândalo, Felipe ignorou o amigo, analisava a situação, paralisado pelo perigo. Obviamente a cobra falava, mas que merda de lugar era esse? Quanto mais Felipe ponderava, menos achava que o tesouro valesse.

– Acho melhor a gente voltar, ir embora e desistir da ideia, nenhuma fortuna justifica esse lugar..

– Tarde demais, garotos. Prazer, Vanderléia.

Um arrepio percorreu sua espinha, sentia a escama fria e molhada, circulando por entre suas pernas; a cueca: encharcada.

Sem enxergar um palmo à frente, o garoto pressentia: “essa cobra passa de 5 metros, e é da grossura da minha tia.” Rindo por dentro da própria piada, procurava se acalmar, se até agora não atacara, certamente teria algo mais a falar.

E o garoto estava certo, pois a cobra era sádica, saboreou seu desespero, antes de acrescentar, dramática:

– Tenho algo a lhes propor, e vão ter que aceitar. Do caminho que escolheram, é impossível retornar. A porta pela qual entraram, só se abre pela frente, então a partir de agora, o caminho é evidente. Vocês têm só uma chance, pois já estou entediada, ou me deixam entretida…

– Madame cobra, já ouviu falar em piada? Lá da terra onde eu venho, sou famoso com a rapaziada. Já que gosta de umas rimas, vou leva-la à caminhada, nessa gruta aterradora, que tu chamas de morada – o garoto era bom, conduzia com leveza, com rimas habilidosas, entretinha com sutileza.

Lentamente avançavam, ao longo do corredor, 5 metros só faltavam, pra chegar ao salvador. Os garotos, já tranquilos, vislumbravam já seu ouro, enxergavam lá no fundo, a saída pro tesouro. Uma bela porta de mármore, enfeitava a passagem, correriam feito loucos, uma vez naquela margem.

E da cobra sorridente, já não mais se ouvia os silvos, gargalhava bem contente, aceitando os elogios.

– Que garotos adoráveis, uma pena devorá-los, pode ser que na passagem, eu conceda liberá-los.

O restante do caminho, foi deveras agradável, se apegaram a uma fera, a princípio execrável.

– Venha em frente, dona cobra, que nisso já sou treinado, toda sexta minha sogra, vem dormir no meu puxado – o rapaz já apelava, pras piadas mais banais, nem mesmo a sua sogra, escapou de seus jograis.

Até mesmo Eduardo, a princípio bem fechado, ia aos poucos se envolvendo, nesse enredo bem tramado. O percurso, afinal, de maneira surpreendente, divertido e visceral, agradou aos delinquentes. Poucos passos que faltavam, e a dupla encantada, finalmente nos degraus, terminaram a jornada.

– Aqui está minha riqueza, preciosa e querida, finalmente posso dá-la, de uma forma merecida. Todos outros que vieram, só causaram confusão, não rimavam e quiseram, me tirar com agressão. Vamos lá, não se acanhem, abram logo essa tampa, dentro dele tem guardado, o tesouro que me encanta.

Num êxtase total, os dois s’entreolharam, caminharam devagar, ambos braços se esticaram. O tranco era pesado, e a tampa ainda mais, mas a gana era tanta, pareciam animais. A caixa escancarada, e a surpresa apareceu. Contemplando o tesouro, Vanderléia enrubesceu, orgulhosa e satisfeita declarou no apogeu:

– Meus amigos, cá está, lhes entrego sem pudor, pois o prêmio da jornada, é a amizade e o amor. Mesmo escuro e temeroso, o caminho nos uniu, conhecemos uns aos outros, e a alma se abriu.

Os rapazes, aturdidos, abandonaram o local, após muitas despedidas, e convites pro Natal.  A princípio chateado, Felipe se alegrou, não ficara milionário, como sempre desejou. Mas um prêmio bem maior, ele havia conquistado, pois criara um valor, para sempre intocado.

Assim termino a história de meu encontro com a Léia, só contei muito por cima, pra vocês terem ideia, se quiserem atravessar, o caminho é penoso, mas a porta tá aberta, para quem for corajoso.

UMA FÁBULA SOBRE AMOR E AMIZADE COM UM POUCO DE COMÉDIA – FIM

 

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Informação

Publicado em 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1, Comédia Finalistas.