EntreContos

Detox Literário.

O Cortejo Fúnebre do Boto Azul – Conto (Fil Felix)

Ave-Maria, cheia de graça…  O senhor é convosco…

As beatas, arrastando seus vestidos pesados de brim, como graúnas desconfiadas, começavam a cercar o leito da pequena Laura. Bendita sois vós entre as mulheres e Bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus… A poeira amarga do sertão sobre os móveis. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores… Seu Carlos Alberto, o pai de Laura, chorava num canto, inconformado com a doença que não tardaria a levar sua filha. Sequer possuía forças de expulsar os abutres agourentos da casa. Agora e na hora de nossa morte. Amém. Nunca gostou de esquenta-bancos, principalmente as solteironas e viúvas da cidade, mas concedeu ao pedido de Lurdinha, sua irmã, que fora a mãe que a enferma nunca teve, em recebê-las, para que alma e corpo ganhassem alívio espiritual.

Ajoelhadas ao redor da cama, enquanto as rezadeiras e Lurdinha davam início à Divina Misericórdia, uma das beatas levantou e chamou seu Carlos para um particular, na cozinha. Os dois deixaram os aposentos da menina, sem que ninguém percebesse. Irmã Dulcinéia, como era conhecida, parteira e benzedeira de mão cheia em Agreste, não fez rodeios:

– Seu Carlos, sua garotinha está partindo… não podemos fazer muita coisa por ela. Mas o senhor pode! Vá, visite Comadre Flor, como te falei antes. Ela já operou verdadeiros milagres por estas terras…

– Não visitarei casa de quenga nenhuma! – Interrompeu, num surto. – Minha Laura merece mais que isso! Se Deus quis assim, que descanse em paz. – Desatou-se a chorar, escorado numa das cadeiras gastas da cozinha. – Me desculpe, Irmã… mas tudo isso é crendice.

– Toda crendice tem seu fundo de verdade, seu Carlos… Sabem o que dizem por aí? Que Comadre Flor é uma santa! Já curou cobreiro, bucho quebrado e mau-olhado. Até mesmo bicheira, já ouvi dizer que ela tira. E nem dinheiro cobra! Pense! Há de ser uma santa, por baixo daquelas linhas tortas. Não custa tentar, seu Carlos. Vá…

Irmã Dulcinéia, nonagenária, tentou levantar com algum esforço o homem à sua frente, que certamente era meio século mais jovem, mas percebeu ser inútil ao vê-lo perdido em seus próprios pensamentos, fitando o vazio no chão, e voltou para os aposentos de Laura. Talvez pelo chacoalhar dos terços ou pelas frases repetidas à exaustão da ladainha, seu Carlos levantou e, enxugando os olhos, soube que nada perderia se fosse conversar com Comadre Flor. Ao contrário, sua filha só teria a ganhar, se as crenças fossem verdadeiras. Decidiu visitar o randevu Casa das Rosas. Passou no quarto, antes, dirigindo o olhar à Irmã, que logo entendeu o recado e abriu-se em sorriso.

Deixando a residência, seu Carlos atravessou a praça da Concórdia e subiu pela ladeira da Conceição. A Casa das Rosas não ficava tão longe. Teve que desviar duas ou três vezes dos inúmeros bonecos e fantasias sendo confeccionados pelos habitantes da vila, espalhados pela rua. Em poucos dias o Agreste seria dominado pelos papangus. Festança que Laura amava e não perdia uma, sempre se divertindo ao tentar descobrir as pessoas por detrás das máscaras. Ficava encantada e ao mesmo tempo assustada com as cores, os sorrisos vazios e os olhos vazados. Uma época rica na região, de grande movimentação turística. Mas que, naquele momento, só trazia lembranças a seu Carlos, que caminhava cada vez mais rápido, o coração batendo forte na esperança de poder fazer algo.

Ao alcançar o portão escarlate do casarão, parou para recuperar o fôlego. Em nenhum momento exitou. Bateu duas vezes, quando foi atendido por uma rapariga de olhos verdes que, se fosse mais novo, certamente o teriam hipnotizado feito esmeralda aos garimpeiros. Sem delongas, disse que gostaria de conversar com Comadre Flor. A moçoila, porém, ria e dava de ombros, o bolinando. Madame Flor não atende pé-rapado, dizia. Surtando mais uma vez, ele a forçou contra a parede. É assunto de vida ou morte. Como se proferido a palavra cabalística, ela abriu a porta e o deixou entrar. Já que é assim, ela terá muito prazer em atendê-lo, completou.

As paredes rubras o escandalizavam. O cheiro de fumo no ar o enjoavam. Sempre soube que Comadre Flor, além das moças, também vendia e alugava todo tipo de pessoa, objetos e animais, além dos entorpecentes. Mas nunca quis acreditar. O casarão, desde sua infância, era cercado por mistérios e crendices, cujas origens ninguém mais se recordava. A linha entre o que era verdade e o que era inventado pelo povo ocioso da cidade já não existia mais. Mulheres de colo farto desfilavam de um canto ao outro, brancas, negras, vermelhas e amarelas, o provocando, rindo baixo. Subiu as escadas, ainda acompanhado pela primeira dos olhos de pedra preciosa, quando foi deixado à própria sorte em frente à uma porta surrada, diferente das demais, que ele prontamente abriu e entrou, ainda sem jeito, sendo recebido por uma voz rouca e pesada.

***

O quarto era banhado por incensos dos mais diversos, que se misturavam à fumaça que saia do cachimbo de bambu da mulher deitada no canto. Ela, de cabeleira farta e negra, os olhos grandes feito jabuticabas, o lábio tragando o ópio, o fitava e ria. A cada tragada, um olhar de desconfiança para cima dele. Um longo minuto de silêncio perdurou entre os dois, abafado pelas texturas das almofadas espalhadas sobre os tapetes coloridos.

– Soube que sua pequena está partindo… – Ela começou. – Algo degenerativo, sem cura… Sabe o que significa? – O olhar de desconfiança transformou-se em deboche.

Claro que sei, não sou ignorante! Por isso estou aqui. É minha última tentativa. – Num ato de desespero, seu Carlos dobrou os joelhos em sinal de súplica à cigana.

Deixe disso, homem. Levante-se… Te direi algo. Certamente já conhece a lenda do boto, não? – Enquanto falava, encostou o cachimbo sobre um tamborete ao lado, retirando de um dos bolsos do vestido uma caixinha dourada. – O boto cor-de-rosa. Um animal que sai das águas do rio, se transformando num belo rapaz, invadindo as festas e seduzindo as jovens. Conhece, por certo? – De dentro da caixinha, retirou um punhado de ópio seco e passou a amassá-lo com os dedos, já bastante encardidos pela prática.

– São crendices que contam por aí. – Seu Carlos apenas concordou, seco.

– Sugiro que abra mais sua mente, seu…?

– Carlos. Carlos Alberto. – As fumaças dos incensos e do cachimbo penetravam cada vez mais em suas narinas. Comadre Flor levantou-se e, pela primeira vez, seu Carlos percebeu que atrás da estranha mulher havia uma outra porta.

– Estamos bem longe da Amazônia, bem longe do boto cor-de-rosa galanteador. Mas, para sorte sua e de sua filha, os fundos da Casa das Rosas dá para o rio Marajá, como bem sabe. É lá que temos um outro tipo de boto… o nosso boto azul. Seu sangue é imaculado e seu coração, milagroso. É o remédio para a doença de sua menina. E esta porta o levará até o rio. Mas há um preço, claro… – Ela tragou lentamente seu cachimbo, liberando uma fumaça triste e cálida, queimando a erva recém esfarelada. – Já estive em seu lugar, certa vez. Numa situação semelhante, seu Carlos. O desespero. A agonia de ver quem ama partir, sem poder fazer nada… Deseja mesmo iniciar essa caçada?

– Você realmente encontrou um boto azul? Nunca vi, mas se for ajudar Laura, sou capaz de arrancar o coração até de onça ou jacaré. Só me diga como e o que quer em troca.

– O como é fácil. Atravesse a porta e caminhe pelas vitórias-régias. Cante ao boto azul e ele certamente surgirá. – Sem fazer cerimônias, Comadre Flor puxou o trinco da porta secreta, revelando uma paisagem exorbitante, saturada por verdes, azuis e amarelos, seja na mata tropical que se via ao fundo, pelo lago que criava um rastro bem ao meio ou pelas penas das aves, voando longe. De um outro bolso do vestido tirou um pequeno gancho, também dourado. – Leve isto e me traga o coração da criatura. Mas lembre-se… rosa ou azul, o boto é um ser de instintos carnais.

***

Seu Carlos certamente não estava mais no Agreste. Preferiu não questionar a realidade ao seu redor, com a fé de que realmente veria o boto azul. Com a porta para a Casa das Rosas ficando para trás, foi adentrando pela floresta tropical, pisando com cuidado o terreno úmido, chegando à margem do rio que cortava a vegetação. Parou para observar os inúmeros peixes que corriam pela correnteza leve, quando reflexos de todas as cores mergulharam e emergiram das águas translúcidas. Botos de todas as cores, exuberantes. Seu Carlos, maravilhado, correu os olhos diversas vezes por toda a extensão do rio, com o coração quase vindo à boca. É verdade. Pensava. Posso salvar minha filha.

Começou desabotoando a camisa, em seguida esvaziou os bolsos e tirou as botas, deixando tudo no chão. Colocou o gancho dentro das calças e passou a se aproximar do rio. A água, para sua surpresa, não estava gelada, mas numa temperatura ambiente. Neste caso, do ambiente agrestino. Confortável. Rapidamente o rio lhe cobriu a cintura, com todo tipo de peixe multicolorido passando ao seu redor. Sapos sobre as vitórias-régias continuavam seu coaxar. As aves sobrevoavam todo o ambiente, numa sinfonia única, como se sua presença ali fosse natural. Não era um intruso, apesar de se sentir como um. Foi quando avistou o boto azul. Com o olhar atento, porém temeroso, contraiu os lábios e passou a assobiar, agachando-se, ficando submerso até o pescoço.

Ele, claramente, não sabia o que fazer. Lembrou de Comadre Flor pedindo que cantasse ao boto. Mas imaginou que falar, ou até mesmo se aproximar muito, poderia assustar tanto o espécime azul quanto os seus outros primos. Optou por tentar ser visto. Ser notado, de maneira diferente e discreta. A estratégia surtiu efeito, quando o boto fixou o olhar sobre ele, emitindo sons estranhos, se misturando aos assobios, e nadando em direção ao seu corpo submerso. Conforme se aproximava de seu Carlos, o animal passava de uma forma marinha para uma forma humana, revelando-se um rapaz do corpo ciano, olhos azuis como a noite, lábios cobaltos e os pelos eriçados, prussianos, como uma obra de arte. O que o diferenciava do outro homem, além dos tons azuis, eram duas fendas que surgiam em sua testa e a ausência de cabelo.

O boto também se agachou, ficando na mesma altura do intruso. Apenas as cabeças à vista. Seu Carlos sentiu os dedos macios da criatura passando pelo seu corpo e fechou os olhos. Não sabia ao certo como agir, apenas que não podia demonstrar algum medo. Os animais sentem o medo no ar. Pensava. Mas não era mais um animal que estava ali, na sua frente. Também não era gente. O que era? Seria assassinato se o matasse? Receberia algum castigo divino? Uma vida inocente por outra? As dúvidas lhe passavam tão rápidas quanto os peixes pelo rio. Pensou em Laura cercada pelas graúnas e abraçou o boto.

Me perdoe… Sussurrou. E então tirou o gancho de dentro das calças e o cravou na barriga da criatura, que grunhiu de dor, olhando-o fundo nos olhos, mas sem revidar, tentando apenas escapar, se debatendo. Seu Carlos forçou o gancho, segurando a vítima com a outra mão. Elevou a arma, rasgando a pele e banhando o rio com sangue azul Klein. Seu Carlos não conteve as lágrimas ao perceber o que havia feito, mas focou os pensamentos em Laura. Fincou o gancho no peito do boto, que aos poucos estava voltando à sua forma marinha, retirando seu coração e voltando às margens do rio.

Enquanto calçava as botas e vestia a camiseta, o sangue do animal escorria pela correnteza leve, criando inúmeros cristais de água-marinha sobre a superfície, gerando poças azuis em meio à água esverdeada. As aves enlouqueciam, os sapos saltavam para fora das vitórias-régias, os demais botos emitiam sons pavorosos. O intruso havia sido notado. Por todos. E correu em direção à porta da Casa das Rosas, que permanecia lá, imponente em meio a floresta. A abriu, entrando num só solavanco, reaparecendo nos aposentos de Comadre Flor, com o suor misturado à água desconhecida. Bom trabalho.

O peso da realidade o fez cambalear, caindo sobre o tapete do quarto, deixando o coração do boto escapar de suas mãos. Com a visão turva, não conseguia distinguir as figuras ao seu redor. Pronto para a segunda parte do pagamento? Ouvia, sem poder responder. Comadre Flor pegou o coração aos seus pés, dando-lhe uma mordida. Finalmente. Deu outra mordida, maior e mais faminta que a primeira. Sinto muito, mas é eu ou você, seu Carlos. Terá sua chance no futuro… A mulher arrancou um pedaço do coração com as unhas e forçou o homem caído a comê-lo, pondo-o em sua boca e impedindo-o que a abrisse. Seu Carlos sentiu o universo inteiro girar, faixas de todas as cores o rodearam, culminando num grande borrão branco. Desmaiou.

***

Comadre Flor deixou seus aposentos, saindo da Casa das Rosas sem ser incomodada. Nenhuma moça a interrompeu ou sequer percebeu sua saída. Desceu pela ladeira da Conceição e atravessou a praça da Concórdia, entrando na residência da pequena enferma, sendo recebida por Irmã Dulcinéia. E então, seu Carlos? Conseguiu? Falou com ela? Mas a senhora não recebeu resposta alguma. Comadre Flor tratou de expulsar todas as rezadeiras, fechando as portas e janelas da casa. O homem enlouqueceu de vez, escutara de uma delas. Ao ter certeza que não permanecia mais nenhuma visita no lugar, sentou ao lado de Laura e a fez comer o que sobrou do coração do boto. É pro seu próprio bem… Seu pai deu duro por isso.

Na outra parte da cidade, na Casa das Rosas, seu Carlos começava a despertar, recobrando a consciência, o cheiro de ópio voltando a penetrar suas narinas. Esfregando os olhos com as palmas da mão, na tentativa de desembaçar a vista, percebeu que algo estava diferente. Observou as mãos, os dedos encardidos, e entendeu. Chorou em silêncio, sentindo que sua filha não mais estava no colo da morte. Não sabia, porém, que agora ela teria seu próprio papangu.

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9 comentários em “O Cortejo Fúnebre do Boto Azul – Conto (Fil Felix)

  1. Juliana Calafange
    11 de julho de 2017

    Muito bom, Fil!!! Eu entrei de cabeça na sua história. Porque vc constrói tão bem a trama, com o ‘timming’ certinho, faz a gente embarcar junto com o protagonista na sua aventura pra tentar salvar a filha. Quem não faria o mesmo?
    No caminho para a Casa das Rosas, a figura do papangu aparece como um presságio. (Eu, pessoalmente, adoro o papangu. Passei os melhores dias da minha infância no nordeste e tenho até foto agarrada no colo de um! Meus primos que eram nascidos e criados lá chorando de medo e eu amando o e ansiando pela visita do papangu… rs) A porta secreta é uma ferramenta muito bem utilizada no conto, que nos leva a um universo totalmente diferente de onde estávamos até então. E essa é a primeira reviravolta do conto. A segunda, como o Gustavo já comentou, é quando o Carlos não sucumbe aos encantos do boto azul. E o final… arrebatador! Eu teria dado nota 10 no desafio do folclore! Parabéns!

  2. Paula Giannini
    11 de julho de 2017

    Olá, Fil Felix,
    Tudo bem?
    Muito bom.
    Seu conto me pegou de jeito. Adoro cultura popular e achei incrível a inserção dos papangus na trama.
    O final, “Não sabia, porém, que agora ela teria seu próprio papangu”, arremata o trabalho com maestria. Uma sutileza com a mascarada, a troca de identidade de Comadre Flor e seu pai.
    Parabéns por mais um belo conto.
    Beijos
    Paula Giannini

  3. Gustavo Araujo
    11 de julho de 2017

    O texto revela sua grande qualidade no momento em que faz do leitor cúmplice dos dilemas de Seu Carlos. Se não existe ateu quando o avião sofre turbulência, não há quem não sucumba às crendices quando uma doença atinge aquele que se ama. Nesse sentido, a transição para o universo fantástico ganhou um ótimo contexto, mostrando-se por isso mesmo até natural. Muito bacana também a descrição desse universo onírico povoado por botos de todas as cores. Sinceramente, fiquei imaginando – e até torcendo – pelo momento em que Seu Carlos sucumbiria ao amor, ou melhor, aos encantos do boto azul. O conto seguiu por outro caminho, igualmente interessante, com a transmutação do protagonista, algo inesperado, mas construído com competência. Enfim, uma ótima concepção que certamente teria sido muito bem avaliada no desafio sobre folclore. Parabéns!

  4. Eduardo Selga
    10 de julho de 2017

    A presente narrativa se insere na estética do discurso do insólito, designada genérica e muitas vezes equivocadamente de “fantástico”. Duas marcas dessa estética marcam presença no texto: o portal e a transfiguração.

    O primeiro recurso costuma ser usado na intenção de pontuar uma mudança de tempo e/ou espaço inverossímeis do ponto de vista da representação realística. No conto, esse recurso se faz representar pela porta que a rezadeira abre atrás de si, dando acesso a um espaço muito distinto do meretrício. Seria também um outro tempo? Talvez, mas as demarcações textuais não permitem certeza, principalmente porque a rezadeira afirma que atrás da casa corre o rio que banha a cidadezinha.

    O espaço decerto pertence a outra lógica, porque sua característica básica é ser muito pictográfico, ao invés dos outros espaços por onde a narrativa flui. Inclusive, ele é construído de tal forma que quase nos induz a crer que não se trata de um texto verbal e sim visual. Nesse sentido, temos uma narrativa eficiente.

    A importância do pictórico vai além da demarcação espacial: entendo haver um peso simbólico. Senão, vejamos: o boto lendário, sedutor de mocinhas e mulheres, tem sua pele rosada. E sabemos que estereotipicamente atribui-se a cor rosa ao elemento feminino.

    Pois bem. No conto, o boto possui tons de azul, supostamente uma “cor masculina”. E o que faz o nosso boto? Tenta seduzir o protagonista, numa passagem rápida que, assim entendo, poderia render mais. Se não nesse, talvez noutro conto.

    Outra característica do insólito, como disse, encontramos na transmutação presente no conto. As personagens usadas apenas para composição, portanto secundárias, enxergam a rezadeira como se fosse o protagonista. No entanto, o narrador deixa claro que se trata apenas da percepção dessas personagens, não um fato (será mesmo?). Também as “pessoas” da “casa de tolerância” enxergam -na da mesma forma.

    No início do conto foi usado um recurso que, se fosse retomado no fim, teria contribuído sobremaneira para o efeito de unidade discursiva. Refiro-me ao entremeio de reza católica com a narrativa.

    • Fil Felix
      12 de julho de 2017

      Oi, Selga! Demorei quase 4 meses pra retomar e terminar o conto, tem razão sobre a unidade. Teria sido melhor, mesmo, se fechasse com o estilo do início. Mas acabei perdendo algumas coisas que estavam na mente, lá no começo, virou um pequeno Frankenstain, como apelidei. Uma delas seria a cena sexual entre o Carlos Alberto (que peguei do Carlos Alberto Riccelli!) e o boto, mas achei um tanto pesada haha

      Interessante comentar sobre o portal, nunca tinha parado pra pensar dessa maneira. E sobre o insólito e o fantástico, eu geralmente costumo colocar tudo (+ a fantasia) num mesmo balaio, poderia fazer um artigo (se já fez, me indique!) sobre essas características e o que as diferem, seria ótimo! Como minha formação é toda visual, fico feliz que to no caminho certo de transpassar isso pra um texto.

      • Eduardo Selga
        12 de julho de 2017

        Inspirou-se no Ricelli, aquele ator muito mais ou menos que fez “Ele, o boto”? O seu personagem ficou melhor, no meu ponto de vista, pois ele não é mais ou menos.

        Quanto a ficar pesado, em se tratando de um desafio, talvez ele não fosse mesmo amplamente aceito, o que seria ruim se sua intenção é podium. No entanto, noutros espaços, como aqui na área off, esse quebra-molas tem menor volume e, considerando as possibilidades do personagem, talvez valesse a pena ampliar o espaço dele.

  5. Olisomar Pires
    9 de julho de 2017

    Ótimo conto. Descrições muito realistas que nos transportam imediatamente. A angústia do personagem é palpável. A história se enriquece com a troca dos corpos.

    Texto que nos prende do início ao fim, ansiosos pelo desfecho e mesmo depois deste, realizado a contento, ficamos a pensar na sina triste da nova vida do “seu” Carlos.

    Muito bom. 🙂

  6. Evelyn Postali
    9 de julho de 2017

    Fil Felix…
    Estou encantada aqui com as descrições precisas e nos momentos certos. Eu circulei por esse pedaço de país e vislumbrei os arredores e as entrelinhas. Seu conto é muito bom. Começo, meio e fim entrelaçados, sem pontas soltas. Gostei de como o personagem travou essa batalha silenciosa, no meu entendimento, e da agonia que provocou durante a leitura, até o final que, se foi previsível, o foi porque não deveria ou poderia ser diferente. Muitas vezes um ótimo conto, não é aquele que surpreende o tempo todo, mas aquele que nos faz pensar durante a leitura, que nos faz mergulhar nos sentidos, e no sentido do conteúdo. Realmente foi uma pena não o ter lido no desafio, mas para ler coisas da mitologia e do folclore nacional, para mim, não tem hora.
    Abraços!

  7. Antonio Stegues Batista
    8 de julho de 2017

    Gostei da história, embora o final fosse previsível do meio para o fim. Ficou legal as descrições da cidade, dos costumes e moradores. Achei alguns errinhos que não incomodaram muito a leitura: a palavra exitar (ter sucesso em alguma coisa) o certo é hesitar ( vacilar, incerteza). Nota: 8.

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Publicado às 8 de julho de 2017 por em Contos Off-Desafio e marcado .