EntreContos

Detox Literário.

Omníricon ou O Livro das Revelações (Daniel Reis)

Sentado no sofá de espera do consultório, Harry Mantovan folheava lentamente uma revista fútil sobre os ricos e famosos. Espalhados à sua frente, na mesinha de centro, outros exemplares mais antigos da mesma publicação pareciam tão desperdiçados quanto ele. À exceção da recepcionista, Harry estava sozinho ali. E, sem qualquer motivo aparente, sentia-se também confuso. Não conseguia entender a angústia difusa, a vontade de sair correndo; mesmo que fisicamente capaz, parecia estar bloqueado em sua vontade por uma apatia incomum.

Já deveria estava acostumado aos exames laborais periódicos; afinal, não era a primeira vez que passava por eles. Em contrapartida, era mais do que adequadamente remunerado e tinha privilégios bastante exclusivos em seu emprego. Mas não conseguia lembrar-se de nenhum motivo específico para gostar desse exame, ao qual os raros selecionados para trabalhar na equipe criativa da Omníricon eram obrigados a se submeter.

Esforçava-se para não desperdiçar sua imaginação no decote generoso da moça da recepção, e nem prestar atenção demais ao indiscreto balançar das pernas cruzadas dela. Com o sapato de salto alto que balançava, a jovem acompanhava o ritmo das músicas que jorravam das caixas de som espalhadas pelo ambiente.

Num dos seus deslizes indiscretos, Harry percebeu que a recepcionista também disfarçava alguns olhares a ele, de curiosidade. Qual seria a dela? — a imaginação viajava. Como os dedos escorrendo por entre seus cabelos longos, rosto abaixado, a moça fingia conferir horários marcados numa agenda. Cada um em seu lado da sala, ambos concentravam-se em suas distrações — ela, em suas fingidas anotações; ele, folheando fatos absolutamente desinteressantes sobre seus desconhecidos. Harry acabou por fechar a revista ao perceber, de relance, seu nome listado na coluna “dicas de leitura”.

A campainha do intercomunicador soou e a jovem levantou-se, dirigindo-se até a sala de consultas. Retornou dali a instantes, convidando o paciente a entrar.

Ao vê-lo se aproximar, resolveu tomar coragem e a iniciativa de dizer: — Sr. Mantovan, sou MUITO fã da série “Desventuras de Amor”. Poderia, por favor, autografar seu novo livro para mim?

Mesmo com a sofreguidão latente no tom de voz da moça, Harry percebeu nela, mais do que o prazer, a voracidade em conhecê-lo de uma leitora pelo menos vinte anos mais jovem do que o autor. Harry considerou mais prudente preencher a dedicatória utilizando um tom curto e impessoal. Após conferir disfarçadamente o nome da moça no crachá, escreveu com letra tremida na folha de rosto, logo abaixo do título: “Para Mégara, com carinho. H. Mantovan”. Devolveu o livro fechado à jovem, que retribuiu com um sorriso e um piscar de olhos, abrindo passagem para que ele pudesse entrar em sua consulta.

******

O doutor Euristeu H., psiquiatra, aguardava-o sentado atrás da escrivaninha em madeira de lei, absorto na análise de uma alentada pasta com os exames do funcionário. Seus óculos de lentes fundo-de-garrafa mantinham-se em equilíbrio instável, quase deslizando pela ponta do nariz. Harry pediu licença para sentar-se à sua frente. O médico acedeu, com um gesto, e em seguida fechou o calhamaço para analisá-lo pessoalmente e com atenção. Após alguns instantes desconfortáveis, iniciou:

— Sr. Harry Mantovan, seja bem-vindo. Como vai?

— Bem, eu acho, muito obrigado.

— Por acaso se lembra de mim?

Harry sentiu-se confuso, mas preferiu não arriscar:

— Sinceramente, não.

— Ótimo, muito bom. Então, esta é a nossa primeira consulta laboral aqui na Omníricon, não é?

O tom de voz do médico soou bastante curiosa.

— Sim, senhor. Mas, por favor, me chame de Harry.

— Pois bem, Harry. Você sabe que este procedimento periódico está previsto no seu contrato de trabalho e é realizado anualmente, correto?

— Sim, isso mesmo.

— O senhor tem dormido bem?

— Somente o necessário, conforme o Manual do Empregado.

—Percebo, seu trabalho tem exigido bastante dedicação. Antes de continuarmos, preciso fazer algumas perguntas de praxe. A primeira delas: você se considera realizado com o seu trabalho?

— É claro, doutor. É o emprego dos sonhos, não é mesmo?

O Dr. H. compreendeu a ironia; mas não fez um esforço algum para mostrar os dentes amarelados.

— E em qual tarefa está designado atualmente?

—Produção de Conteúdos Sabrinescos.

— Suas histórias têm sido bem aceitas por esse público, não é?

— Doze delas foram publicados este ano, ao que parece. Algumas até em fascículos. E, dentre elas, pelo menos duas acabaram aproveitadas em telenovelas ou minisséries, não tenho certeza.

— E nos anos anteriores, como foi a sua produção?

Sentiu uma certa confusão mental.

— Sinceramente, eu não consigo me lembrar.

— Tudo bem. Harry. Existe uma preocupação da Omníricon em garantir que nossos profissionais estejam sempre renovados, entregando os seus melhores trabalhos e cientes das responsabilidades contratuais. Vamos ser francos: alguns detalhes dos seus exames indicam desvios entre os termos do seu contrato de exclusividade e sua prática profissional.

Harry Mantovan não compreendeu aonde o médico queria chegar.

— Harry, estamos somente nós aqui, e a relação médico-paciente exige absoluta discrição. É minha obrigação, antes de tudo, saber: por acaso, você deixou de nos contar alguma história fora do normal?

— Não, que eu saiba…

O psiquiatra balançou a cabeça e olhou diretamente nos olhos de Harry, tentando intuir sinceridade na resposta dele. Após um breve silêncio, separou a página avulsa da pasta de exames e apresentou-a a Harry.

Eram imagens suficientemente nítidas para mostrar detalhes bizarros.

— Reconhece isso? — perguntou o Dr. H.

— Não faço a mínima ideia do que seja — Harry insistiu.

O psiquiatra perdeu a paciência:

—Sr. Mantovan, seja honesto: por que não reportou esta narrativa surreal, fora de contexto no seu trabalho, e que surgiu reiteradamente em seus sonhos criativos?

A mente de Harry o havia traído no Exame de Inconsciência.

******

Se eu já tivesse visto algo como aquilo antes, com certeza, não teria me esquecido. Mas aquilo ficou registrado nas Fotoampliações Relatoriais, exames toxicológicos obrigatórios do inconsciente, como sendo algo meu. Diversas vezes a mesma cena, em vários ângulos, datas e horários, como se fossem multas pelos meus excessos oníricos. Provas de inconformidade armazenadas nos servidores de registro, tão logo detectadas pelos equipamentos do Controle de Produção de Narrativas.

Em todas as imagens, sempre um homem de meia-idade, barba curta e grisalha, caminhando em meio à bruma esmaecida, sobre folhas típicas dos bosques de clima subtropical úmido. Vestia um sobretudo de couro grosso, com golas largas levantadas ao redor do pescoço, também protegido por um cachecol negro. Sua fisionomia permanecia oculta pelos óculos e o capacete de aviador da Primeira Guerra Mundial.

Ainda mais intrigante era o que ele trazia consigo.

Em sua mão direita, uma mala de viagem maltratada, modelo quadrado e antiquado, com acabamento de rebites grosseiros na lateral. À esquerda, algemado em seu pulso por uma corrente de aço, um javali selvagem.

Ainda que fosse considerado prisioneiro, o animal seguia olimpicamente indiferente, em seu orgulho indomado. Cabeça erguida, com suas presas afiadas apontando para o alto, como se não estivesse convencido de quem realmente era o indivíduo subjugado naquela parelha.

Dr. H. interrompeu:

— Você sabe que essa narrativa não é sua. Ela é uma profecia. Uma visão de futuro, repetida em nível inconsciente. E temos de ir até o fim com ela.

Harry sentiu medo do que estava por vir. De novo. E mais uma vez.

 

******

Deitado de costas sobre o aço gelado, prestes a ser engolido pela Máquina de Ressonância Cognitiva, Harry Mantovan sentiu um leve tremor em seu corpo com o movimento do equipamento em direção ao tubo. Sua cabeça posicionou-se exatamente na intersecção entre as marcas de foco do canhão de frequências, enquanto as luzes ambientes do recinto apagavam-se. Ao lado, na sala de controle, o Dr. H. conduzia sozinho a sessão. Conforme ampliava a frequência da vibração sonora binaural emitida pelo aparelho, o efeito estroboscópico dos leds laterais sincronizava-se ao batimento cardíaco do paciente. Harry entrou num transe profundo o suficiente para imergir no sonho, mas ainda assim continuou lúcido e consciente de tudo à sua volta, como se estivesse trabalhando em uma nova história de sucesso comercial para a Omníricon.

******

Meus dedos congelam com o frio da manhã. Através das lentes dos óculos, embaçadas, vejo imensas árvores coníferas que se estendem até o céu — margeando a estrada, todas elas parecem voltar seus olhos para baixo, como se estivessem observando quem quer que ouse se aventurar naquele caminho.

Dr. H. apertou o botão de talkback do equipamento de intercomunicação. Sua voz, metálica e distorcida, ecoou pelo sistema interno de som da Máquina de Ressonância Cognitiva.

Nâo tenha medo, Harry, essa é uma projeção. As árvores que você vê no caminho são os escritores do passado, seus ídolos, personificados como figuras opressivas, que inibem sua capacidade narrativa. O que mais você consegue ver?

A mala na minha mão direita pesa bastante, mas não é um volume impossível de carregar. Na esquerda, acorrentado, o javali parece dócil; não oferece resistência à caminhada, apenas observa indiferente, enquanto paramos um momento para descansar. Vou aproveitar e colocar essa mala no chão. Devo tentar descobrir o que tem nela, Doutor?

Continue, Harry, vamos adiante…

A fechadura parece estar com defeito. Está difícil de abri-la, com a outra mão, algemada ao javali… Consegui! Caiu tudo… são livros! Dezenas deles…

Hum… que interessante. Acredito que essas são as histórias que você não quer compartilhar com ninguém. Narrativas às quais você tem muito apego, ou então receio de entregar à Omníricon para comercialização. Elas pesam bastante, porque você não quer se desvencilhar delas. Mas nada o impede, já que a mão algemada é a outra…

O javali agora está avançando e chafurda pelo chão, parece procurar alguma coisa. Ele me arrasta em frente, pelo caminho… a mala ficou para trás; os livros, também. Estou quase correndo, tentando acompanhá-lo. Ele praticamente me arrasta pela corrente. A algema queima o meu pulso…

— Deixe-se levar pelo seu lado irracional. Ele está procurando sentido para esse sonho e, quem sabe, produzindo uma nova história. Siga em frente com ele, Harry. O javali está em busca de trufas…

Estamos saindo da floresta agora. À nossa frente, uma praia gelada e deserta. O javali fuça a areia em diversos pontos, cada vez mais excitado. Agora, parou quase à beira-mar. Começou a cavar…

— Estamos quase lá, deixe que ele continue…

Acho que ele encontrou alguma coisa…. preciso ver de perto. Parece um brinquedo… não, é parte de uma boneca. O braço! É de uma criança! E tem outras duas na mesma cova, são três meninos! Estão queimados! E há uma mulher abraçada a eles. Todos mortos! O javali está dilacerando o que restou dos corpos…

Neste ponto, o Dr. H. entendeu que já tinha o suficiente e acionou o modo eletroconvulsoterapia. Foi assim que, recém-extraída dos sonhos de Harry Mantovan, a narrativa incendiou-se irreversivelmente da memória de seu verdadeiro autor. E passou a fazer parte, como única e exclusiva propriedade intelectual, da coletânea de contos de horror da Omníricon, apresentados a você, caro leitor, nesta nova edição revista e ampliada, que agora está em suas mãos.

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56 comentários em “Omníricon ou O Livro das Revelações (Daniel Reis)

  1. Wilson Barros
    23 de junho de 2017

    Bela imagem trabalhada no Photoshop, mais uma vez revelando o autor cuidadoso e meticuloso que você é. O conto que inspirou essa história não é de Philip K Dick, é “Dreaming is a private thing” (“Sonhar é Assunto Particular”), do livro já clássico “A Terra tem Espaço” de Isaac Asimov (mais uma vez seu inspirador). Aqui o tema foi aprofundado e foi criada uma trama bem mais intrigante, com um enredo mais definido. O estilo, como sempre, é profissional. E mais uma vez um sério candidato ao título. Parabéns.

  2. Fil Felix
    23 de junho de 2017

    Geralmente nao gosto muito dos contos que trazem referência ao desafio ou algo assim. Então fiquei um pouco com o pé atrás. Mas a escrita está muito boa e fluida, ocorre sem entraves e traz coisas bem interessantes. Há um quê de Vannila Sky, a máquina dos sonhos e o controle sobre o inconsiente. Escrevo muito sobre sonhos, acabei gostando bastante da narrativa com o javali, explorando os símbolos como numa sessão de psicanálise. Muito bom.

  3. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: Adequado, ainda que a imagem esteja num sonho, e não como cena da história. Porém, apresentou uma interpretação bastante interessante de seu significado.

    ASPECTOS TÉCNICOS: o texto tem algumas “rugosidades”, precisa de um polimento, principalmente na cena entre o médico e o paciente.

    EFEITO: um texto bem escrito, com final inesperado. Por isso, ganha pontos. Boa sorte!

  4. Rubem Cabral
    23 de junho de 2017

    Olá, Jarvas.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Boa adequação: javali, homem encasacado, mala, mata, corrente.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O texto está muito bem escrito. Não notei erros por apontar.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    Harry é interessante, embora o doutor seja um tanto genérico. Os diálogos estão bons, a narração vai além de informar, gerando algumas construções muito boas.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O enredo é o ponto alto do conto, é o seu diferencial. Brinca com metalinguagem, cria uma espécie de cenário distópico, quebra a quarta parede. Apenas senti que talvez se pudesse desenvolver Harry de uma forma melhor, de forma a ganhar a empatia do leitor.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  5. Bia Machado
    23 de junho de 2017

    Desenvolvimento: Esse é daqueles contos que eu: 1) termino a leitura sorrindo; 2) sinto invejinha branca por não tê-lo escrito. Teria você, autor, bebido na fonte do P. K. Dick? Se não, parece! O conto me levou do início ao fim e gostei de tudo.

    Personagens: Cativada estou, rs. E gostaria de poder acompanhar Harry em uma história maior ou em mais uma aventura por esse mundo que é um tantinho amedrontador para quem escreve. o.O

    Emoção: Gostei muito, não há como negar.

    Adequação ao tema: Sim, está adequado. O javali tem um papel quase figurativo, a meu ver (poderia ser qualquer outro bicho), mas tá ok.

    Gramática: Se havia erros, não percebi. Parabéns!

  6. Raian Moreira
    23 de junho de 2017

    A imagem tema com esse mockup ficou bem legal, parabéns.O Harry é um coitadinho, perdido no mundo, isso mostra que você quis despertar empatia no leitor, mas acho que o desafio impõe limites que impossibilitam isso.
    A ideia deste conto é bem original, está bem escrito. Bem fluido e sem erros gramaticais.
    Gostei bastante, boa sorte.

  7. Pedro Luna
    22 de junho de 2017

    Conto com pegada Vingador do Futuro. Explora a picaretagem futurística no ramo das histórias. Gostei do conto, da leitura como um todo, apesar de o Harry Mantovani ter mais nome que presença de palco. É um personagem que fica do início ao fim e acabamos sabendo pouco dele. Enfim, o mistério em relação a invasão da cabeça do personagem sustenta o conto. O único ponto, minúsculo, que acho bom ser revisto é uma parte do diálogo:

    “— Sim, senhor. Mas, por favor, me chame de Harry.”

    Ele demorou muito para pedir ao doutor que o tratasse informalmente. Essa sugestão deveria vir logo após a primeira fala do doutor.

    Bom conto.

  8. Andreza Araujo
    22 de junho de 2017

    A leitura flui que é uma maravilha, o nível de mistério prende o suficiente para que acompanhemos a narrativa com certo entusiasmo. Muito criativa a sua versão para a imagem tema do desafio.

    Desde a cena com o médico, fica claro que há algo de errado com a empresa, que parecia fazer algum tipo de lavagem cerebral com seus funcionários (pois o protagonista sequer se lembra do médico, mas ficou subentendido que eles já haviam se esbarrado).

    O final é bom, temos a certeza de que a empresa roubava ideias de seus funcionários, mas achei a cena da praia meio deslocada (mesmo sendo fruto da mente do homem), e a última frase do conto achei completamente desnecessária, foi um “plus” bem sem graça na minha visão. Detalhe: o início é meio sabrinesco, foi proposital? Kkkk Excelente texto, fácil de ler, criativo, bem desenvolvido.

  9. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: a organização do conto é feita partindo de um evento cotidiano/banal para uma imersão no mundo em que a escrita é produzida em massa de um jeito bem peculiar. Isso leva a um interesse crescente, que se torna sólido no decorrer da narrativa. O tema é abordado como sonho e sua presença ali parece-me crucial – embora seja um evento destacado.

    Aspectos subjetivos: não direi que me apeguei emocionalmente ao protagonista, nem sei se era a intenção. Ao tornar externo o psicológico de Harry, é quase como se o tornasse um personagem raso, impessoal. A construção dele não pertence mais a ele, mas à trama. Ao contrário do que possa parecer, acho isso muito proveitoso – leva o diálogo texto/leitor a um patamar incomum.

    Compreensão geral: disse que não me apeguei ao protagonista, mas acabei sentindo as indiretas, me identificando um pouco com ele e com o mundo que criou para ele. Penso que mudei muito como escritor depois que comecei a praticar com mais frequência. Criei alguns hábitos, fui adquirindo outros por comodidade, e olho para textos do início achando que perdi a faísca de criatividade que me movia antigamente. Seu conto me levou a essa reflexão. Não sei em que ponto o que chamamos de amadurecimento passa a ser um modo de repressão.

    Parabéns e boa sorte.

  10. Victor Finkler Lachowski
    22 de junho de 2017

    Olá autor/a.
    Seu conto possui uma narrativa diferenciada, reformula as histórias de leitura de sonhos, a estória em si não é complexa, mas é criativa e conduz bem. A narrativa é o ponto alto do conto.
    O desenvolvimento do personagem é mediano, não cheguei a sentir muita emoção pelo protagonista.
    A adequação ao conto é bem estranha, não senti bem inserida no conto.
    Um conto narrado de maneira brilhante e bem escrito.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  11. Lee Rodrigues
    22 de junho de 2017

    Minha primeira impressão não foi lá das melhores, senti falta daquela ambientação ligada diretamente ao cyberpunk ou Neuromancer – mas isso não foi falha sua, eu que viajei querendo mais que a sua proposta –, por outro lado, comecei a notar outras qualidades como um ambiente mais realista com pequenos detalhes tecnológicos e até proféticos.

    Quando os personagens dialogam o fazem de forma natural, nada de conversas voltadas para explicar algo ao leitor, fazendo jus ao formato sem se perder em longas narrações e contextualizações, tudo é colocado de forma orgânica. Dentro destes diálogos há uma certa crítica aos padrões tidos como normais e que, muitas vezes, seguimos sem questionar.

    Notei, talvez, uma certa analogia à uma “ética hacker”. O protagonista não é lá essas coisas, mas existe uma ambientação e discussão que remete muito ao cenário que temos hoje: matizes ideológicas e provas obtidas de forma ilícita, o consumo de conteúdo multimídia, a maneira como se tenta uniformizar os estilos de escritas, estigmatizando o que não se encaixa nos ditos padrões comercias.

    A premissa é simples, mas a narrativa é grandiosa, de maneira a enredar o leitor no que mais se aventurar a escrever.

    Quanto ao final, não me agradou muito. Mas, é bem cabível ao limite de palavras. No mais, fiquei muito satisfeita. Por favor, Jarvas, traga mais histórias neste formato, nosso meio carece deste tipo de material.

  12. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Jarvas,
    Que história interessante! Meus parabéns! Gostei especialmente de como você conseguiu conduzir a narrativa na parte do sonho guiado pelo médico. Ficou muito legal e não ficou nada confuso, o que já vale pontos para você. A frase final foi um excelente arremate para o conto, foi surpreendente para mim e totalmente alinhada com o contexto da história. Muito interessante.
    Achei contudo que ficou faltando um pouco mais de contextualização de quando e onde eles estão. Talvez tenha sido em função do limite de palavras do desafio, mas eu gostaria de saber mais detalhes sobre esse mundo interessante que você criou. Meus parabéns!

  13. Sabrina Dalbelo
    21 de junho de 2017

    Olá autor(a).
    Isso é “pensar fora da caixa”!
    Parabéns, seu conto ou essa introdução/prefácio de uma série de livros, é muito bem escrita, é demais!
    A imagem foi descrita de uma forma muito criativa.
    A narrativa é boa, a leitura segue sem entraves, a trama é atrativa.
    Eu assisti ao conto, pois ele é bem imagético.
    Parabéns!

  14. catarinacunha2015
    20 de junho de 2017

    INÍCIO bem envolvente. Apesar de não gostar de títulos indecisos. A TRADUÇÃO DA IMAGEM está protocolar. O que mais gostei aqui foi a metáfora sínica. Estamos tão policiados em nossas criações que quase viramos máquinas de reprodução em série. Só por ter subvertido a ordem e gerar o EFEITO do questionamento criativo, já valeu a caminhada.

  15. M. A. Thompson
    19 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: boa.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): nada que eu tenha percebido ou comprometesse a leitura.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): bons, você foi bastante feliz nessa parte. Os nomes soam estranhos se tratando de um conto escrito por brasileiro, mas é uma opinião particular, não um descrédito.

    * Enredo (coerência, criatividade): um conto criativo, entre os mais criativos do Desafio. A coerência patinou um pouco mas considerando ser um Desafio em que muitos escreveram as pressas só para garantir seu lugar, está bastante adequado.

    De um modo geral foi um conto muito bom e valeu a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  16. Gilson Raimundo
    18 de junho de 2017

    O único clichê que não aprecio é o uso de nomes estrangeiros visando dar pompa a um conto que por si próprio pode brilhar. Uma empresa sugadora de idéias mantém seus funcionários sempre criativos buscando oferecer ao público o que lhes convém. O confronto é subliminar, se passa mais na mente do escritor, o fim abrupto não condiz com o resto criativo do enredo ( no mínimo as pessoas da praia poderiam ser seus familiares sempre deixados em segundo plano).

  17. Luis Guilherme
    16 de junho de 2017

    Uau, adorei!

    Boa tarde,amigo autor, cê tá bão?

    Cara,que ideia interessante! Gostei bastante, mesmo.

    A técnica utilizada tirou seu conto do lugar comum, e consegui destacá-lo num universo de 60 javalis.

    O título já me despertou a curiosidade, e o esmero com a imagem de capa também me fizeram criar boas expectativas.

    E o conto entregou o que prometeu. A forma como a história é contada, a intertextualidade demonstram um carinho grande na escrita. Transformou um enredo comum numa bela obra.

    O texto flui bem, cativa e prende, gerando curiosidade.

    Não notei problemas gramaticais.

    Enfim, bela obra, interessante e curiosa, cativante!

    Parabéns e boa sorte!

  18. Jowilton Amaral da Costa
    16 de junho de 2017

    Achei um bom conto. Muito bem escrito, nem criativo e a leitura fluiu bem. O enredo tem uma pequena falha, o homem chega para a consulta e entendemos que ele sempre a faz, por conta do que o narrador nos conta, já na companhia do médico ele diz que é a primeira vez. Acabei desconfiando que a memória dele era apagada depois de das sessões. A parte científica também me deixou um pouco confuso, não entendi direito sobre como funcionava a máquina que lia os sonhos. O final também não me empolgou muito.A boa escrita e criatividade alavancaram o gosto pelo conto. Boa sorte.

  19. Brian Oliveira Lancaster
    16 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Inusitada mistura de Inception com Total Recall. Tem uma aura estranha, bem como diz o título, bastante onírica. Flui muito bem, apesar de termos mais técnicos. A metalinguagem está bem aplicada, principalmente no fim – só acho que aquela explicação poderia estar mais destacada do restante.
    G: Gostei da imagem. Realmente, daria uma ótima capa de livro. Esse é daqueles textos que causa uma sensação mista: embora tenha gostado do enredo e clima, bem como o excelente início, faltou algum conflito maior que motivasse a leitura até o fim. Vemos apenas uma parte de sua vida e acaba ali, com um aviso onisciente ao leitor, quebrando um pouco a “magia” apresentada nas cenas anteriores. É um texto cotidiano meio fantástico futurista – e quando isso é estabelecido desde o início, fica implícito que algo maior deve ocorrer, como, por exemplo, o médico ser engolido pelo sonho do protagonista ou não passar de delírios (podia ter pelo menos trocado telefones com a atendente). Não é regra, mas a atmosfera tem um escopo grandioso demais para terminar apenas com “isso é um pedaço que foi para o livro. Fim.”.
    O: Escrita firme, segura e eficaz. Com termos técnicos de fácil assimilação.

  20. juliana calafange da costa ribeiro
    15 de junho de 2017

    Muuuito bom seu conto! Que história incrível vc tirou dessa imagem-tema! Olha, se vc não tem formação em psicologia, digo que vc devia tentar se enveredar por esse seu dom natural… rsrs As correlações q o Dr. H. faz entre as imagens no sonho e a psique do paciente são ótimas! O peso da mala, o javali como o seu lado “irracional”, são uma grande sacada! O final é absolutamente sensacional, surpreendente, e arremata perfeitamente essa história de “suspense científico-psicológico surrealista” (acabei de criar esse gênero literário, rs) que vc criou. Tem uns errinhos de revisão, mas todos passáveis. Pra mim, é sério candidato ao título! Parabéns!

  21. Cilas Medi
    15 de junho de 2017

    Pronome átono: …ambos concentravam-se em suas distrações (se concentravam)
    Já deveria estava acostumado…. = já deveria (estar) acostumado aos exames…
    Excelente narrativa, criatividade em alta, sem mais erros aparentes. Cumpriu com galhardia o desafio, nos levando a um plano secreto de como as grandes editoras tratam os seus representados. Uma crítica mordaz e furiosa de como se processa a exploração intelectual. Parabéns, caro Jarvas e sorte.

  22. Leo Jardim
    14 de junho de 2017

    Omníricon ou O Livro das Revelações (Jarvas Lins)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o preâmbulo foi muito legal, mesmo que um pouco longo. Na parte em que eu descobri que ele era responsável por “Produção de Conteúdos Sabrinescos” eu ri alto e passei vergonha no metrô. A parte da remoção do sonho começou a perder a força e o final ficou sem impacto, pois aconteceu exatamente o que eu esperava: removeram à força a boa ideia de conto não-sabrinesco que ele teve.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei muito boa, sem erros, praticamente profissional. O autor brinca com as formas de escrever e de ganhar dinheiro com a escrita de livros “populares” e faz isso com muita propriedade.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): esse universo onde autores devem escrever o que vende e não o que deseja, com intervenção se necessário, é bem legal.

    🎯 Tema (⭐⭐): a imagem-tema seria algo que vive na imaginação do autor.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): ganha pontos por ter me feito rir na primeira parte. O final, como já comentei, não tem muito impacto.

  23. Ana Monteiro
    13 de junho de 2017

    Olá Jarvas. A sua história está muito bem montada e conduzida. Então vamos aos parâmetros de avaliação: Gramática, quase lá. Uma ou outra falha na revisão que os demais comentaristas decerto já terão apontado; Criatividade, top. Que mais poderia dizer sobre isso?; Adequação ao tema, total. A fota está lá toda, até nos pormenores e nota-se bem que não foi introduzida à força, ela é realmente a chave da história; Enredo e emoção é onde se afasta um pouco, ou seja: tem enredo, muito, e bom, emoção nem tanto, senti pouca. Até foi retratada, particularmente de início, mas não deu para chegar a sentir. Enquanto leitora fiquei um pouco desiludida com a descrição do sonho roubado pela editora. Creio que o conto teria ganho no seu todo e na parte da emoção se não revelasse o sonho e nos deixasse essa curiosidade sobre o que seria. Não pense que estou a desmerecer o seu conto, pelo contrário, é muito bom. Está entre os meus favoritos e daqueles a que melhor nota final darei. Parabéns e boa sorte.

  24. Antonio Stegues Batista
    12 de junho de 2017

    Infelizmente o enredo não me impressionou, escrever livros a partir de sonhos induzidos por uma máquina, não acho que seja fascinante, de qualquer forma é apenas ficção. Algumas frases tem palavras mal colocadas, principalmente nos primeiros parágrafos, adjetivos inadequados no que se refere às impressões entre Montovan e a recepcionista.O conto tem certa semelhança com estilo dos contos de Philip K. Dick, mas com certeza ele colocaria algo muito mais contundente no final, uma realidade paralela, por exemplo…

  25. Priscila Pereira
    11 de junho de 2017

    Oi Jarvas, achei bem legal o seu conto. Quanta imaginação!! Gostei da estória, bem sinistra essa intromissão nos sonhos das pessoas… está bem escrito, fluído, gostoso de ler. Parabéns e boa sorte!

  26. Fabio Baptista
    11 de junho de 2017

    O texto está muito bem escrito, com boa gramática e uma pegada bem FC. Acho que no fundo essa história é uma distopia e lembrou um pouco os contos do desafio x-punk (que, aliás, foram muito bons), com essas empresas dominando os pensamentos e tal.

    A trama, no entanto, não conseguiu me fisgar. Acho que esse lance de saber que é um sonho já me tirou parte do gosto, porque daí você já pode esperar que aconteça qualquer coisa, sem muita consequência para o “mundo real”.

    A qualidade da escrita acabou carregando a história nas costas e garantirá a boa nota, mas a verdade é que eu não gostei muito do conto, infelizmente.

    – folheando fatos absolutamente desinteressantes sobre seus desconhecidos
    >>> essa frase ficou bem legal! 😀

    – É o emprego dos sonhos, não é mesmo?
    >>> só numa segunda leitura foi possível captar como essa resposta foi boa

    – Produção de Conteúdos Sabrinescos
    >>> kkkkkkkkkkk

    – aonde o médico queria chegar
    >>> onde

    Abraço!

  27. Rose Hahn
    11 de junho de 2017

    Adorei o seu conto e a forma com que abordou a imagem do desafio. Muita criatividade nesse cabeção, Jarvas. Quero ler a nova edição da Omníricon, ou será a revista dos sonhos? Os diálogos do tipo : — O senhor tem dormido bem? — Somente o necessário, conforme o Manual do Empregado, me lembrou do filme cult Brazil do Terry Gilliam, com a crítica a uma sociedade burocrática, assim como 1984. Aquilo que não agrega a trama pode ser excluído para deixar a história mais robusta, com maior enfoque no enredo propriamente dito. No caso da parte do flerte com a recepcionista, não agregou, poderia ter dado um chega prá lá na moça, aproveitar o espaço em branco para investir mais na cena do Harry com o médico, trabalhar mais a psiquê do protagonista, das histórias ocultas, da revista sabrinesca. De qualquer forma, gostei muito, parabéns pela escrita. abçs.

  28. Iolandinha Pinheiro
    10 de junho de 2017

    Olá, autor:

    Vamos lá, encontrei vários elementos da Mitologia Grega, todos associados ao mito de Hércules, sendo eles – Mégara, a sua Esposa, Eristeu, que lhe transmitiu (sob o comando de Hera) os famosos doze trabalhos, e o Javali de Erimanto (o terceiro trabalho de Hércules, que consistia em trazer o animal vivo até Eristeu).

    A impressão que eu tive foi que essas lembranças que o Harry Mantovan tinha. se referiam a alguma espécie de culpa, pois me pareceu que em uma reencarnação anterior ele havia sido o próprio Hércules. Quem conhece Mitologia Grega, sabe que Hércules enlouqueceu e assassinou a própria esposa e os filhos. Inclusive, no fim do conto, o personagem encontra três corpos de crianças abraçado ao corpo de uma mulher – sua esposa e filhos, portanto.

    Na contramão deste raciocínio, o conto tem referência aos livros do Harry Potter, e aí eu penso, teria o Javali de Erimanto alguma ligação com o livro Animais Fantásticos e onde habitam? Essa parte ficou bem nebulosa para mim. Adoro decifrar contos, mas o seu me deixou um pouco no vácuo.

    Gostei do nome da empresa Omníricom (de onírico – relativo aos sonhos), gostei do uso de uma piada interna do Entrecontos em seu conto, esse negócio de contos sabrinescos, mas precisaria de mais tempo e informações para montar este quebra cabeças inteiro. Abraços e boa sorte.

    • Iolandinha Pinheiro
      10 de junho de 2017

      A empresa faz com que o autor perca as lembranças em sua máquina, talvez tenha como objetivo transformar Harry em alguém mais superficial e tolo, para que escreva histórias igualmente sem profundidade. Ou talvez queira se apropriar do que exista de rico na cabeça de seus funcionários. Vá saber. Abraços.

      • Iolandinha Pinheiro
        13 de junho de 2017

        Li de novo o fim do conto e a resposta estava lá. A empresa roubava o conteúdo dos sonhos do cara. Putz, estou me sentindo uma jumenta.

  29. Fátima Heluany AntunesNogueira
    10 de junho de 2017

    O horror aqui não está na morte das criancinhas, mas na empresa apropriar-se do inconsciente do escritor. Que futuro! A trama lembrou-me a série “Black Mirror”, que também explora o conflito perigoso entre a natureza humana e a tecnologia de ponta. O texto é bem estruturado, a ideia bastante criativa, a imagem-tema está bem inserida no contexto, os personagens estão bem construídos, mas a história não me comoveu.

    Observei alguns pequenos desvios gramaticais, nada que prejudique a fluência do leitor até o fim.

    É um trabalho muito bom. Parabéns pela participação. Abraços.

  30. Afonso Elva
    8 de junho de 2017

    Quebrou a “quarta parede” digamos assim, de um jeito inesperado e criativo.Seu conto foi um aprendizado, fico muito grato. Mostra que as possibilidades são infinitas, como as músicas num violão. Agora imagina se fosse assim, hehe, ia dar muito menos trabalho: “pluf, ta pronto o livrinho”
    Forte abraço

  31. Givago Domingues Thimoti
    7 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Alto.
    Criatividade: Alta… Muito alta.
    Emoção: Por mais que tenha tentado passar uma mensagem, o texto não conseguiu me tocar. Acho que o texto ficou muito diluído e faltou aquele típico aviso ou ensinamento de uma história distópica.
    Enredo: O enredo têm algumas falhas. A ideia é em si, boa, mas a técnica deixou a desejar.
    Gramática: Um ou outro erro. Uma revisão cairia bem.

    PS: Alguém poderia me explicar o que é “sabrinesco”?

    • Anorkinda Neide
      8 de junho de 2017

      Olá, garoto do nome bonito!
      Essa é uma palavra que juntamente com a palavra chub, ‘nasceu’ dentro do grupo de escritores que aqui participam, então quando chega alguém novo, fica boiando na piada interna.
      Sabrinesco é o adjetivo usado para contos românticos um tantinho apimentados. Em referência aos livrinhos Sabrina, dirigidos às mulheres dos anos 70, 80.

      • Givago Domingues Thimoti
        20 de junho de 2017

        Obrigado pela reposta, Kinda! Acho que você elogiou meu nome na última vez que participei de um desafio. Então, mais uma vez, obrigado! KKKKKKKKKK

    • Sabrina Dalbelo
      21 de junho de 2017

      Não sou eu, tá!? hahahahahhaha
      que fique claro!

  32. Vitor De Lerbo
    6 de junho de 2017

    Uma história criativa e distópica. O modo de operar dessa empresa nos leva a pensar no que está acontecendo no resto do mundo.

    Gostei da utilização da imagem; a mala representando o peso da racionalidade do autor e o javali funcionando perfeitamente como uma analogia à selvagem irracionalidade e criatividade do homem, que trabalha com histórias.

    O final metalinguístico também é interessante.

    Alguns erros textuais acabaram passando pela revisão.

    Boa sorte!

  33. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Uma empresa que controla seus empregados da área de criação de forma tão intensa que lhes exige conhecimento, trabalha e confisca até os próprios sonhos. Quanta criatividade esta sua. Um conto bacana e que tem uma fluidez tranquila. Não gera sobressaltos e nem solavancos de quebra mola. Você tem um domínio excelente da narrativa. Gostei mesmo do seu conto, o curti bastante. Parabéns a começar pelo pseudônimo. Grande tirada esse Jarvas Lins.

  34. Claudia Roberta Angst
    5 de junho de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do seu conto pareceu-me bem enigmático. Fiquei curiosa quanto as revelações.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma peculiar, o sonho roubado que se transformaria em livro. Estão lá os elementos da imagem, inclusive o ambiente ao redor.
    Pouca coisa escapou da revisão e nada que tenha atrapalhado a leitura.
    O começo pareceu-me mais fácil de seguir, depois me atrapalhei um pouco com as informações se acumulando. Esse clima ficção científica + terror não me agrada tanto, mas reconheço que o autor tem talento ao lidar com o assunto.
    O final (do sonho extraído) é bem horripilante e acho que a intenção era essa mesma. Claro que você não poderia poupar as criancinhas, né? 😛
    Boa sorte!

  35. Anorkinda Neide
    4 de junho de 2017

    Olá, autor(a)
    Bem, vc escreve otimamente, eu nao esbarrei em erros de meu conhecimento, o texto flui e é bem organizado. A ideia é boa pra quem gosta deste gênero, mas não me impactou (talvez por eu não curtir o gênero) de qualquer modo, achei que os acontecimentos foram um tanto quanto ‘calmos’.
    A narrativa de uma consulta, a partir dela temos uma visao do universo dos personagens, está tudo ok, mas não sei, não curti.
    Não gostei do tal doutor ir analisando parte a parte o sonho, pareceu um chato dando pitaco, se alguem se mete assim nos meus sonhos, eu sento a mão!
    E ele deu uns pitaco furado… pelo que o javali nao estava procurando trufas e sim corpos 😛 Dae me frustrei ali, querendo saber mais sobre aquelas pessoas carbonizadas..mas pelo jeito, só comprando o livro…hehe
    Boa sorte ae e abração

  36. Elisa Ribeiro
    4 de junho de 2017

    Olá Jarvas. Um enredo inteligente e surpreendente, acima da média até o momento. No começo quis torcer o nariz com as cenas clichês, meio filme B, e o nome dos personagens, mas logo entendi que era proposital. Para o meu gosto, há em alguns momentos um excesso nas descrições e notei uma ou outro lapso de revisão. Notei uma pequena incoerência no comportamento do Harry. A principio ele parece estar retornado para um exame ao qual já está habituado e depois afirma ser a primeira vez. Nada entretanto que tenha atrapalhado o prazer de ler o seu conto. Parabéns e sucesso no desafio! Um abraço.

  37. Felipe Moreira
    3 de junho de 2017

    Excelente esse conto. Muito criativo e o que mais fugiu da interpretação da imagem do desafio. Sensacional.

    “Cara, isso é muito black mirror”. haha

    A narrativa é bem trabalhada, o diálogo entre Harry e o Dr. H é muito bem formulado porque conduz a história sem cair em tédio. Na verdade, tem o efeito oposto. No entanto, pra mim, melhor ponto do texto é a ideia, como foi trabalhada e moldada pra caber dentro do limite de palavras. Meu preferido até aqui.

    Parabéns pelo seu trabalho, Jarvas. Boa sorte no desafio.

  38. Neusa Maria Fontolan
    2 de junho de 2017

    Sinistro, meu! A criatividade transbordou aqui.
    Por um momento pensei que a mulher e os meninos mortos em seu pesadelo, fossem sua esposa e filhos, e tendo a mente apagada não se recordava, mas sonhava. Como saber, né?
    Conto bem escrito e de fácil entendimento
    Meus parabéns
    Gostei.

  39. Jorge Santos
    1 de junho de 2017

    A ideia por detrás de Omnicron é tenebrosa. Pensar que uma empresa possa querer ser proprietária dos nossos sonhos e pesadelos é imaginativa. Parece algo saído do livro 1984, de Orwell. Se a ideia é boa, já a execução deixa algo a desejar. A narrativa é frágil, sem ritmo e pouco coerente. No início, ele afirma-se habituado a exames, e depois afirma ser a primeira vez. O autor referia-se eventualmente ao primeiro exame com aquele médico em especifico, mas não me parece que tenha ficado bem explicito.

  40. Milton Meier Junior
    1 de junho de 2017

    dois pequenos erros de revisão que eu percebi, mas nada que atrapalhe a leitura, que é fácil e fluida. o enredo é muito criativo, fora de qualquer expectativa, e por isso prende a atenção do leitor até o fim. um conto bem original. parabéns!

  41. Ah! Adorei a imagem. 😉

  42. Olá, Jarvas,
    Tudo bem?
    Você criou um conto muito interessante, gostoso de se ler, criativo e, mais que isso, obviamente simpático a todos por aqui. Afinal, somos todos escritores e criadores, não é?
    Associar o Javali, a mala, o aviador e tudo o mais da imagem com uma história sobre um escritor foi uma ideia que chegou a me ocorrer, confesso. Mas associar tudo isso à crítica às grandes editoras, à exploração do artista pela cultura de massa e ainda levar os personagens a um cenário futurista de ficção científica, foi uma ideia de alguém que realmente pensa “fora da caixinha”.
    No início do texto, sentimos um certo estranhamento, com aquela história de exames obrigatórios da empresa e tudo o mais. Depois, essa sensação volta ao entendermos que seu personagem principal é um escritor. Mas o todo vai se amarrando e criando tensão suficiente para manter seu leitor com você. Atento e interessado.
    Um belo trabalho.
    No mais, só me resta deseja sorte no desafio e dizer que me diverti muito com sua criação.
    Beijos
    Paula Giannini

  43. Marco Aurélio Saraiva
    25 de maio de 2017

    Muito interessante! Quanta criatividade! Nunca li algo parecido. Muito bom!

    ===TRAMA===

    A trama deste conto é diferente de tudo o que li até agora. Que ideia genial: a escravização dos criativos, o monopólio das ideias. Uma distopia onde é exagerado o conceito de “invasão de privacidade”, chegando à extração das próprias ideias das pessoas.
    É um conto fechado, mas que nos introduz a um mundo amplo, que dá espaço para infinitos outros contos. Parece um episódio de Black MIrror! (hahaha que frase clichê).
    Há certo tom de comédia no conto, bem velado, mas que vem na especialidade do personagem (escrita de contos sabrinescos, rs rs) e na própria ironia da trama: somos todos escritores aqui, lendo um conto sobre um escritor que tem vendeu suas ideias à empresa que o contratou. É como se você tivesse vislumbrado um enredo para a trama com o javali mas nunca conseguiu completá-lo, então, ao pensar em uma alternativa, veio à mente o “roubo das ideias”, encaixando tudo.

    Não sei se me fiz entender, mas de qualquer forma: gostei demais. Parabéns!

    ===TÉCNICA===

    Você escreve incrivelmente bem, com muita tranquilidade e harmonia, como se escrever fosse apenas natural. Todo o texto é muito fácil de ler, com belas construções e palavras bem escolhidas. Não avistei erros. É uma leitura fluida, divertida e interessante.

    ===SALDO===

    Muito positivo! Um dos melhores que li até agora.

  44. Gustavo Castro Araujo
    24 de maio de 2017

    Muito bom o conto. Narrativa fluida, fácil, que prende o leitor desde as primeiras linhas. Excelente a construção do personagem e melhor ainda a premissa apresentada: uma empresa aproveita-se dos sonhos-narrativos de autores criativos e os lança no mercado, como best-sellers garantidos. No fim, uma premissa que teimava em permanecer escondida é retirada a fórceps. A ambientação ajuda muito no mergulho nessa realidade distante – mas que talvez esteja mais próxima do que imaginamos, pois não se desconhece a apropriação intelectual que as grandes editoras exercem atualmente – transportando o leitor para a mente confusa de Harry. Destaco ainda os nomes dos personagens e fico aqui matutando se houve algum tipo de homenagem ou inspiração especialmente escondida. Como senão, apenas o final. Creio que a história merecia um arremate à altura da construção anterior, e até acredito que essa era a intenção do autor, mas o limite é implacável e, pelo jeito, a solução foi terminar com uma espécie de Deus-ex… De qualquer forma, é um belo trabalho, certamente superior à maioria dos contos do desafio, revelando um autor criativo e que sabe entreter. Parabéns!

  45. Evandro Furtado
    24 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: Um horror distópico. O conto se passa em uma sociedade na qual a cultura é controlada por uma grande corporação (ao menos a literatura). O autor transgride todas as premissas, inclusive o uso da imagem, transformando em algo novo e inesperado. Parece haver elementos de The Lobster em sua composição.

    C: Todo o background é muito bem desenvolvido sem que o autor perca tempo em explicá-lo. Ele nos dá a história e, a parti dela, o mundo no qual acontece é revelado ao leitor. Os personagens são satisfatórios dentro de suas funções dentro da trama.

    F: A escrita é coesa, com uma narrativa bem estruturada. Ao final, o autor quebra a quarta parede, mas isso não fere o conto, pelo contrário, contribui dentro do contexto do enredo. Os diálogos são muito bem estruturados e as descrições precisas. No fim, a impressão é de uma narrativa muito bem cadenciada.

  46. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Que história inesperada. O título foi bem escolhido, a trama é original, a estrutura está perfeita e o desenvolvimento é sutil. Um detalhe ou outro acabou passando sem que eu entendesse sua finalidade, mas nada que incomode a leitura. A maneira como as explicações do universo criado para o conto me agradou bastante. Existe um flerte com questões editoriais, que me fez pensar por quais experiências o autor teria passado para elaborar tudo isso.

  47. Ricardo Gnecco Falco
    22 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Algumas bobeirinhas que passaram na revisão: “Já deveria estava acostumado aos exames…” , “Como os dedos escorrendo por entre seus cabelos longos, rosto abaixado, a moça fingia conferir horários…” , “…não fez um esforço algum…” , entre outras. Vale uma olhada com mais calma agora, após o envio para o Desafio, para o texto ficar 100%.

    – CRIATIVIDADE
    Muito boa. Quase uma viagem de ácido… Rs! (só imagino que seja assim, tá?) Curti a onda (oops!) e gostei da história (incluindo os nomes das personagens). Fez com que ficasse a pensar sobre de onde vem aqueles livrinhos que vemos nas bancas de jornais espalhadas por todo o globo terrestre… E o final muda um pouco do rumo dessa idiossincrasia. Gostei!

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100% adequado. Tem javali, mala e trajes (mesmo que “estilizados”, ou “fashions”) 😉

    – EMOÇÃO
    Na medida certa. O/a autor/a nos leva pela mão e nos coloca na pele do protagonista Harry, dentro daquele consultório. Depois, diante do médico. Depois, dentro da máquina de metal e, por último, dentro da ‘outra’ máquina…

    – ENREDO
    Redondinho. Uma empresa de criação de histórias em série (um tipo de “Hogwarts” da, digamos… literatura.) que chama um de seus funcionários (Harry!) para uma avaliação de rotina, com intuito de medir não apenas sua produtividade, mas também estabelecer que diferentes ‘gerências’ se sobreponham entre seus funcionários, atrapalhando ou interferindo no correto funcionamento de sua força de trabalho. Eu curti! Parabéns a/ao autor/a!

    *************************************************

  48. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    21 de maio de 2017

    Ao bater o olho na imagem e no título, minha imaginação foi remetida a Lovecraft e ao Necronomicon, não sei por quê.

    Vamos lá. A ideia deste conto é bem original, está bem escrito. Só que a figura do homem e do javali não se encaixaram bem no conto, como que não acrescentando nada ao enredo. Está certo, é a tal da profecia, que não pode ser revelada e tal. Porém este argumento é tão fraco… Mas, pelo sim pelo não, gostei da leitura, e por mim vale uma boa pontuação por causa da ideia.

    Parabéns.

  49. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Jarvas Lins,
    Gramática – Encontrei alguns errinhos, mas eles não interferem na leitura. O texto é fluído, sim, mas é lento em algumas partes.
    Criatividade – Ao intercalar o sonho com a realidade em uma máquina de extração vamos de encontro a uma ficção científica leve, acredito eu, e me fez lembrar de alguns filmes que preciso rever.
    Adequação ao tema proposto – Não sei. Senti que ficou diluído no enredo, apesar de a história estar bem escrita e prender a leitura.
    Emoção – Eu não diria que não desperta emoção. A sequência final com o javali fuçando a areia é muito repugnante. Mas não é impactante como um todo. Ele está bem escrito e só.
    Enredo – É bom, mas os personagens poderiam ter mais densidade. O Harry me pareceu pouco centrado e os diálogos poderiam ter um tom mais sombrio, mesmo sutilmente.
    Amei o pseudônimo.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  50. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1. Tema: Boa adequação;

    2. Criatividade: Muito boa. Sujeito é submetido a testes que trazem narrativas literárias para empresa que o contratou;

    3. Enredo: A estória é bem contada e centra-se no aspecto extrativo do talento do autor.

    O personagem principal, Harry, parece perdido o tempo todo, confuso e amedrontado. Inseguro, talvez. O que é bom para o contexto do conto.

    O médico é irrelevante para o conteúdo e o fato de ser a primeira consulta ou que o escritor tenha esquecido dele confunde o leitor.

    4. Escrita: Sem notas gramaticais de erro importantes. Estilo fluido e de fácil entendimento.

    Entretanto, não é um texto dinâmico ou que conquista. A situação é mostrada tendo Harry como protagonista, mas poderia ser qualquer outro escritor. Não houve empatia com o personagem, a meu ver.

    Impacto: Médio.

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .