EntreContos

Literatura que desafia.

Fé Decadente (Judas)

Uma rajada de poeira fez com que tivessem que fechar os olhos. Estavam todos cobertos por panos, como as antigas tribos do deserto e, ainda assim, sentiam frio — mas era a fome que realmente incomodava. Quando voltaram a enxergar, viram uma imagem que lembrariam pelo resto de suas vidas: um homem vestido com um sobretudo de couro e óculos de aviador caminhava a poucos metros. Segurava na mão direita uma grande mala e, na outra, uma corrente. Encoleirado ao seu lado, um enorme javali caminhava tranquilamente.

— Parado aí — gritou um deles. Os demais, cerca de dez homens, empunhavam lanças, porretes e facas, em posição de ameaça. — Não pode entrar. O Sacerdote está no meio da missa.

Estavam cercados de prédios em ruínas e apenas uma estrutura parecia melhor conservada: tinha arquitetura antiga e uma grande cruz no alto.

— Finalmente — o homem respondeu com uma voz tão grave e áspera que parecia que as palavras haviam lutado numa guerra antes de finalmente conquistarem a liberdade.

— Finalmente o quê, velho? O que você quer? — perguntou aquele que parecia liderar.

— O Sacerdote — ele disse, como se fosse muito difícil fazê-lo. — Leve-me a ele.

— Acho que não entendeu. O Sacerdote está numa missa e ele não gosta de ser incomodado antes de acabar.

— Diga a ele que Pedro quer vê-lo.

— Já falei que não vou interromper — disse sem paciência. — O que você trouxe pra ele? O que tem aí na mala?

— Preciso mostrar a ele primeiro. — Ele parecia cansado e frágil, apesar da imponência de sua presença. — Leve-me ao Sacerdote.

— Acho que entrou areia no seu ouvido. Sua Santidade não vai te ver agora. Se quiser a sopa, aguarde o fim do sermão e entre na fila.

— “Sua Santidade”? — o velho estranhou.

— Ei, chefe — disse um outro membro do grupo. Eles já haviam aliviado a tensão e abaixado as armas. — Faz muito tempo que só comemos aquela sopa aguada e sem gosto. Um porco assado cairia bem, né? Ainda mais um gordinho assim. — Lambeu os lábios. A boca salivava tanto que escorria pelo queixo.

— É, chefe — concordou um outro, aproximando-se do javali com uma lança em punho  —, estamos morrendo de fome.

— Não toquem no animal — ameaçou Pedro.

— Velho, velho… — o chefe se aproximou. Tinha uma grande faca de caça na mão. — Você é um contra dez. Estamos todos armados. Não está em posição de pedir nada. — Encostou a faca no pescoço do javali. O animal se moveu inquieto. — Vamos combinar assim: você deixa o porco com a gente e nós deixamos você voltar para sei lá de onde veio.

O homem ergueu a faca com intuito de dar o golpe no pescoço do animal, mas o javali foi mais rápido e mordeu a outra mão de seu agressor, decepando três dedos. Ele urrou de dor e berrou:

— Matem os dois!

— Ninguém vai morrer aqui hoje — o velho disse, então.  Carregava na mão direita um revólver calibre 38. Havia retirado habilmente a arma do coldre que escondia por dentro do sobretudo enquanto todos observavam o ataque do javali. E, então, vendo o medo no rosto dos demais, repetiu: — Levem-me ao Sacerdote.

***

Caminharam por alguns metros e entraram na igreja. As paredes eram cobertas por tapeçarias rasgadas, que um dia deviam ter sido muito coloridas, mas agora figuravam todas na mesma cor de terra — aquela parecia ser a única que cor que restara no mundo. Sentados em bancos de madeira, dezenas de pobres coitados, vestidos de trapos e sujos até o último fiapo de existência. Em pé, no altar, sob um nicho onde o vazio dizia mais que a imagem santa que dali fora tirada, um homem de batina fazia seu sermão:

— E, então, o Senhor multiplicou os peixes para dar de alimento ao povo faminto. — Fez uma pausa dramática. — Assim como eu, inspirado por ele, multiplico os poucos nutrientes dessa terra morta na sopa que os alimenta. — Parou e respirou fundo. — Estamos vivendo o terrível Apocalipse, meus queridos, mas Ele me guiou para mantê-los vivos, no caminho da Luz e, em breve, os bons serão salvos.

O grupo de guardas guiando o velho se aproximou do púlpito. O Sacerdote olhou o chefe com raiva estampada na face e aguardou uma explicação pela interrupção.

— Vossa Santidade, este homem quer falar com o senhor — anunciou o chefe enquanto pressionava um pedaço de suas vestes contra a mão sanguinolenta. — Ele disse que se chama Pedro.

— O que houve com sua mão, Thiago? — o Sacerdote desceu do altar e segurou a mão do subordinado, que pingava em um gotejar escarlate.

— Foi o porco… — ele começou.

— Aquilo é um javali, não um porco — disse, como um pai que explica uma lição aos filhos pequenos. — Nunca tinha visto um? — Mantinha olhos fixos no ferimento e ignorava o velho.

— Não, Vossa Santidade — disse ele, de cabeça abaixada.

— Vá tratar essa ferida. Deixem-me com o homem e o javali.

— Mas, Vossa Santida…

— Não discuta comigo. Estarei seguro. Qualquer coisa, chamo vocês. — E levantou a voz: — Meu querido rebanho, infelizmente terei que interromper o sermão de hoje. A sopa será servida, podem ir para a fila.

Todos se levantaram em resmungos muito baixo e caminharam por uma porta lateral calmamente. E quando todos haviam saído, o religioso finalmente se dirigiu ao visitante:

— E, então, pai, como foi o passeio?

***

— O que foi isso, Matheus? Agora vive de explorar os famintos? — perguntou Pedro.

— Como assim explorar, pai? Estou mantendo eles vivos.

— Você virou uma espécie de líder desse povo. O Sacerdote, Sua Santidade… — disse com desdém. — Os trata que nem gado… ou rebanho, como mesmo diz. Esses guardas recebem alguma coisa para ficar lá fora no frio e na poeira?

— São voluntários. Fazem o que fazem por gratidão.

— Você os controla pela fome! — Pedro disse, indignado. — Era para divulgar a fórmula e não a usar a seu favor.

— Você me abandonou! — Matheus gritou palavras que estavam reprimidas há muitos anos. — Me deixou aqui sozinho para manter o seu sonho utópico!

— Utópico? Matheus, meu filho — chegou próximo, a um passo de um abraço, mas o outro recuou —, achei que você compartilhava da mesma compaixão que eu tenho pelas outras pessoas.

— Eu compartilho, pai…, mas de uma forma diferente. Estou fazendo o bem aqui.

Pedro parou e observou seu filho: estava grande, um homem feito. Barba bem aparada, roupas limpas e cabelos cortados. Nem parecia que viviam no mesmo mundo decadente.

— Eu encontrei um lugar — ele finalmente disse, após de um longo silêncio.

— Que lugar?

— Um refúgio. Depois de uma caverna. Lá existem árvores, frutas e animais.

— Foi lá que encontrou esse bichinho de estimação? — apontou o javali, que ouvia tudo com uma indiferença invejável.

— Achei ele ferido. O ajudei e agora ele me protege. Não fosse ele, não teria conseguido te encontrar.

— Muito grato, amiguinho — o sacerdote disse ao animal —, por trazer meu pai de volta. Graças a você, ele vai levar meu rebanho embora numa peregrinação insana à uma caverna misteriosa. — O javali arruou em resposta.

— Vim para levar nosso povo a um lugar em que possam prosperar. E não apenas sobreviver. — Respirou fundo. — Queria que você viesse conosco.

— Desculpe, pai, mas não vou. Nem mais ninguém.

Pedro acariciou o javali, pensativo e disse bem baixinho:

— Desde que cheguei, comecei a trabalhar com essa hipótese.

— A de que terá que voltar pro seu paraíso sozinho?

— Não, a de que terei de ir sem você. — Apoiou a grande mala no chão.

Matheus percebeu uma ameaça no gestou e gritou:

— Guardas! — O grupo de homens armados que haviam recepcionado Pedro entrou correndo na igreja, todos de lanças, paus e facas em punho. — Matem esse herege e seu animal de estimação — ordenou.

— Vossa Santidade, ele tem um revólver — disse o chefe, que tinha a mão esquerda enfaixada e ainda sangrando. — E o porco, quer dizer, o javali é uma máquina de matar.

— São dois contra dez. E duvido muito que a arma ainda funcione.

Nesse ínterim, os fiéis que assistiam à missa voltavam da sala onde a sopa seria servida e paravam para observar a cena inusitada. Não importa quão miserável e esfomeado é uma pessoa, a curiosidade quase sempre domina suas ações, Pedro pensou.

— Não preciso do meu revólver — respondeu o velho. A arma ainda estava guardada no coldre interno ao sobretudo. Em seguida, ele destravou as trancas da mala.

— Pare, pai! Você vai explodir a todos nós. Vai matar o seu povo — gritou o Sacerdote. Murmúrios correram por toda a igreja. Os guardas olharam o líder religioso com espanto. “Ele nos pediu para matar o próprio pai”, muitos deles provavelmente pensaram.

— Meus amigos — disse Pedro erguendo a voz pela primeira vez desde que chegou àquele lugar esquecido do mundo —, muitos de vocês devem se lembrar de mim ou pelo menos ter ouvido falar. Eu e meu filho Matheus, o seu Sacerdote, descobrimos como fazer uma sopa nutritiva usando o pouco de recurso que nos restou nesse mundo. — Um alvoroço tomou conta da igreja.

— Cale a boca! — gritou o Sacerdote. — Você nos abandonou. Só Deus sabe o quanto sofri para manter todos nós vivos nesses anos…

— Eu fui procurar um local onde pudéssemos viver uma vida de verdade… a sopa era só um paliativo.

— Não ouçam as palavras dele! Ele quer levar vocês a uma peregrinação que irá matar a todos. E nem temos como saber se o que ele fala é verdade. — Abriu os braços. — Infelizmente, meu rebanho, acho que meu pai enlouqueceu.

O povo estava dividido. Uma parte defendia líder religioso, um homem quase santo, que os alimentou todo aquele tempo. A outra queria se livrar daquela vida miserável rumo a um lugar melhor. Alguns, mais exaltados, berravam e brigavam entre si. Os guardas, atônitos, não conseguiam manter o controle da situação.

Pedro percebeu que o momento era delicado e abaixou para abrir a mala — precisava mais que apenas palavras. Muitos se assustaram sem saber o que teria ali dentro ou achando que era algum tipo de explosivo. O Sacerdote, decidido a dar um fim àquela situação, pegou a faca da mão do atordoado Thiago, o chefe da guarda, e correu na direção do seu pai, que estava distraído procurando algo na mala.

Desceu a faca com a força e o ódio que armazenou por tantos anos…

Mas não conseguiu atingir o objetivo. Pouco antes disso, sentiu uma dor muito grande no joelho direito. O javali — no desespero, ele havia esquecido do maldito animal — arrancara a rótula fazendo os tendões saltarem banhados por uma cachoeira de fluido vermelho.

Enquanto ele urrava de dor, seu pai retirava da mala uma grande garrafa de barro. Ele olhou para o filho com uma miríade de sentimentos, de tristeza a decepção, e disse:

— Eu trouxe água potável. Tem muito mais de onde tirei essa. — Abaixou e pegou na mala um pedaço de carne ressecada. — E comida também. Vocês nunca mais precisarão tomar a sopa novamente.

Entre celebrações e agradecimentos, Pedro ofereceu a cada um ali, um pouco da água limpa e um pedaço da carne, que mesmo dura tinha um sabor muito melhor que a sopa que tomavam diariamente.

— Quer um pedaço? — disse Pedro ao filho após alimentar os outros. Matheus estava no mesmo lugar onde caíra. Tinha um curativo improvisado no joelho, mas se mantinha imóvel. — Venha conosco. Podemos carregá-lo até o refúgio.

— Não preciso da sua caridade — respondeu quase num sussurro.

O velho pegou o revólver e apoiou ao lado do filho. Endurecido pelos anos vividos em um mundo em ruínas, chamou seu povo para iniciar a jornada de esperança de um mundo melhor. O javali, seu mais fiel protetor, ao seu lado, mas já não estavam sozinhos.

Olhou para trás pouco antes da igreja sumir na paisagem poeirenta. E constatou, triste, após ouvir um som surdo que ecoou em todos os lugares, que o revólver ainda funcionava.

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12 comentários em “Fé Decadente (Judas)

  1. Gilson Raimundo
    24 de maio de 2017

    Uma história linear, padrão, foi quebrada apenas pela revelação entre pai e filho. O tema da foto entrou para adequar o texto, pois em si o javali não teve importância alguma no texto, mas enfim, papel cumprido pois a história é convincente apesar de deixar dúvidas e reflexões.Qual a mágoa que este filho guardava que preferiu o fim do que seguir seu pai a caminho da redenção. … e cadê a receita da tal sopa de nutrientes. …

  2. Marco Aurélio Saraiva
    24 de maio de 2017

    Um bom conto! Com uma história fechada, que passa aquela sensação de grandeza, mesmo que expressa por apenas 2 mil palavras. A leitura é boa, mantém a atenção até o final, e não deixa buracos na trama.

    ===TRAMA===

    Gostei! A história de Pedro e Matheus é boa. Gostei de como você conseguiu contar muito apenas por mostrar as ações dos personagens, e os seus diálogos.

    O uso dos nomes bíblicos foi interessante, fazendo um paralelo óbvio com a bíblia, incluindo camadas de interpretação ao texto:

    Thiago foi um apóstolo tempestivo, o que caracteriza, também, a índole do guarda homônimo no conto (apesar de, no conto, o guarda ser um fdp, rs)

    A apóstolo Matheus era um cobrador de impostos, “explorando” o povo assim como o personagem Matheus do conto fazia. Na bíblia, Jesus pede para que Matheus largue a sua vida de “pecador” e o siga, ato parecido com o que Pedro faz com Matheus no conto. Este ato fica ainda mais forte por Pedro ser o pai de Matheus na sua história, tal qual Jesus é o Pai na bíblia. É claro que, na bíblia, Matheus aceita a missão, enquanto no conto ele prefere se matar. Isto diz muito sobre a ganância e o desespero que podem tomar conta da alma humana.

    Por fim, o apóstolo Pedro é o primeiro papa da igreja católica, representante de deus na terra. Foi ele quem tirou a orelha do soldado que tentava prender Jesus, assim como foi ele (ou a criatura que ele levava consigo, que, para mim, fazia parte dele) que arrancou os dedos de Thiago no conto. Ele é o pai que vem pra salvar o “seu povo” no conto, estabelecendo um paralelo óbvio do “papa” que lidera o seu povo para a salvação.

    ===TÉCNICA===

    Muito boa, mas há espaço para melhoria.

    O texto pede uma revisão mais cuidadosa, já que vi alguns artigos faltando em algumas sentenças.

    Os diálogos soaram apressados, talvez por causa do limite de palavras. Por exemplo, não há um preâmbulo entre o guarda sugerir que matem o javali, e Thiago decidir que fariam realmente isso. A aceitação é imediata: o preâmbulo fica na imaginação do leitor. Isso se repete na cena de dentro da igreja. São artifícios que temos que usar quando o limite de palavras é pequeno assim, especialmente para tramas grandiosas como essa, mas que acabam apressando demais a narração e atrapalham um pouco a experiência do leitor.

    De resto, porém, suas descrições são muito boas, e sua caracterização dos personagens e do cenário foi interessante. O número de personagens também é bom: três, sendo que um coadjuvante, o que é razoável para um conto deste tamanho.

    ===SALDO===

    Positivo. Os paralelos bíblicos são óbvios mas, mesmo assim, adicionam bastante ao enredo e ao significado da história. O fato de “estarem vivendo o armagedom” nos faz pensar que o fim dos tempos bem poderia ser daquela forma. A técnica falha um pouco na pressa, mas a história é interessante e acaba escondendo este detalhe.

    Parabéns!

  3. Gustavo Castro Araujo
    23 de maio de 2017

    É o típico caso de história maior do que o limite. A ideia do regresso do velho, depois do sucesso da busca por um refúgio, é muito boa. Nesse aspecto, seria natural que aquele que ficou – o filho – não desejasse alterar o estado das coisas, e assim manter-se no poder, mesmo entre miseráveis. A tensão entre pai e filho – um querendo partir e o outro ficar – seria o ponto alto da história, mas aqui exatamente isso ficou prejudicado, já que o sacerdote-garoto muda sua concepção em relação ao pai de modo muito abrupto. Por um momento, mostra-se contente com sua volta, mas no instante seguinte, quando fica sabendo da tal caverna, reage como uma criança mimada, querendo matar o próprio pai. Não ficou muito boa a essa transição; porém, com a ausência de limite de palavras, isso poderia ser contornado. Cito, como exemplo de trabalho bem feito, o clássico Ben-Hur: quando Judá, já famoso, retorna à cidade em que crescera e encontra o tribuno Messala, todo mundo sabe que o bicho vai pegar entre eles; no entanto, ambos têm tempo para celebrar a amizade que tinham na infância, e só depois deixam que as diferenças apareçam paulatinamente. É uma tensão construída aos poucos e por isso verossímil, que talvez pudesse ser bem aproveitada aqui. Da felicidade do reencontro, pai e filho passariam a divergir sobre o que fazer em relação ao povo, até que em certo ponto as diferenças se mostrariam incontornáveis. Acho que é algo que, bem trabalhado, enriqueceria o conto, eis que se estariam aprofundando os motivos de cada um para agir como agem. De todo modo, não dá para negar que mesmo preso ao limite, o conto tem qualidades, como a ambientação rica e bem descrita. Também destaco as boas frases e a construção do velho pai, com sua voz profunda (essa foi excelente). Enfim, um conto interessante, que clama – e merece – mais investimento.

  4. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Não sei… parece que li alguma história a la Stephen King que deu errado. Terminei o conto sem saber por que o Sacerdote fazia questão de manter aquelas pessoas sobre seu controle. O título e pseudônimo do autor são prenúncios do que leremos a seguir. O uso da doutrina cristã de forma deturpada, não é incomum em tramas pós-apocalípticas, o que torna tudo algo meio sem sal. Faltou emoção na maneira como as coisas se desenrolam. Tudo acontece tão direto e reto, que não me surpreenderia se esse fosse um dos primeiros textos produzido pelo autor. O que mais me surpreendeu em meio a isso, é a falta de uma pausa reflexiva entre personagens próximos, como na cena em que pai e filho entram em conflito e tudo segue como se nada tivesse acontecido. Ou então, a velocidade com que as pessoas se dividem ao apoiar o lado do pai ou do filho. Mas por outro lado, unir a imagem do tema a um cenário pós-apocalíptico, foi uma ideia pra lá de boa. Nesse contexto, o autor não se preocupou em reservar elementos sangrentos.

  5. Elisa Ribeiro
    23 de maio de 2017

    Olá autor. Uma boa premissa envolvendo um conflito entre pai e filho num mundo pós-apocalíptico. O enredo está bem organizado, a narrativa flui sem entraves, o tema do desafio está adequadamente representado. O conto, entretanto, soou-me um pouco esquemático, o que credito aos diálogos que soaram um pouco inconsistentes com a ambientação e os personagens. Um bom trabalho, no entanto. Boa sorte no desafio! Abraço.

  6. Evandro Furtado
    22 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: Aventura. O texto flutua em algum lugar entre Lawrence of Arabia e Ellery Queen. Essa infusão de elementos públicos também confere ao texto caráter especial. Tivesse algumas reflexões existencialistas, lembraria Paulo Coelho também.

    C: A história é bem amarrada, apesar de não ser brilhante. Bem parece um daqueles contos que fariam parte daqueles encadernados que eram vendidos nos anos 60 e 70. O tipo de história que você leria naquele fim de semana chato na casa dos tios. Entretenimento de boa qualidade.

    F: A narrativa é consistente. O uso da terceira pessoa foi, de fato, a melhor escolha. A construção dos diálogos foi a única coisa que me incomodou. Pareceram, em alguns momentos, informais demais para a atmosfera que foi construída.

  7. Ricardo Gnecco Falco
    22 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Só costumo marcar por aqui algumas passagens quando os erros (gramaticais/revisão) ultrapassam a barreira dos lapsos “normais”. Infelizmente, este trabalho careceu de um pouco mais de cuidado nesta área, deixando passar muitas situações que, certamente, após uma revisão mais apurada, não mais interferirão no fluir da leitura. Vamos aos entraves: “— Finalmente — o homem respondeu com uma voz tão grave e áspera que parecia que as palavras haviam lutado numa guerra antes de FINALMENTE conquistarem a liberdade.”, esta repetição/escolha da palavra grifada, utilizada na descrição da voz da personagem, poderia ter sido melhor realizada, optando-se por algum sinônimo, até porque a frase seguinte a este trecho começará, também, com a utilização da mesma palavra (finalmente). Outras passagens: “…aquela parecia ser a única que cor que restara no mundo.” , “…Matheus percebeu uma ameaça no gestou e gritou…” , “…Uma parte defendia líder religioso…” , “…Pedro percebeu que o momento era delicado e abaixou para abrir a mala…” etc. Talvez um pouco mais de calma antes de enviar o texto final consiga sanar boa parte destes lapsos em um próximo Certame. Contudo, o/a autor/a escreve bem e de forma a cativar interesse na leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Boa criatividade. Criação de um mundo pós-apocalíptico e embates psicológicos entre pai e filho.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100% adequado ao tema. Temos vestes, mala e javali.

    – EMOÇÃO
    Este quesito talvez tenha sido o mais sofrível, muito provavelmente devido ao limite de palavras imposto pelo Desafio. A tensão descrita e bem narrada entre os dois protagonistas pareceu-me desfrutar de pouco espaço para conseguir crescer e frutificar em uma sensação de embate que fizesse jus às raízes (estas sim) bem aprofundadas na história. Faltou espaço/tempo para que o leitor pudesse sentir a proximidade (e o poder do afastamento) com as personagens. Tudo acontece rápido demais, deixando o leitor meio que distante dos embates profundos entre pai e filho. Exemplo maior disso é a cena do ataque do javali ao filho de Pedro, que fica ali deitado no chão e esquecido, fazendo tudo soar como um filme em avanço rápido para um final que, trágico, não retumbe como deveria na alma do leitor.

    – ENREDO
    Talvez a história tenha sido planejada para um limite (bem) maior de palavras. O começo está até que com um ritmo bacana, mas já logo no primeiro ataque do javali, vamos sendo ‘empurrados’ para dentro de uma história que começa a demonstrar um crescente aperto com relação a proximidade do limite para seu fim. Há, sim, um começo, um meio e um fim, mas ao final ficamos com aquela sensação de termos participado de um festão bombástico, com dj’s, performancers, dançarinas, bar tenders, shows de bandas ao vivo, sorteio de brindes e queima de fogos de artifício. Mas, tudo isso dentro de um conjugado de 4 metros quadrados… Ou então quando vamos naquele rodízio ‘carézimo’ da cidade e metemos o pé na jaca; comemos porco, boi, frango, cordeiro, javali, jacaré, comida japonesa, polenta frita, farofa, maionese, pão de queijo… Ou seja, a história é ótima, mas não houve espaço suficiente para a… Digestão. Contudo, eu curti a leitura! 😉

    *************************************************

  8. Anorkinda Neide
    21 de maio de 2017

    Olá!
    Mais do que a historia em si, gostei de fazer a reflexão que esta analogia me levou… a sujeição a uma realidade de sobrevida e a esperança de um mundo melhor, pleno. As implicações psicológicas desta situaçao foram bem exploradas em detrimento do cenario todo q nao é explicado como chegou naquela situação, porquê e tal, isso nao foi necessário pq o enfoque é a analogia. Achei bem inteligente. e vc tirou leite de pedra pra introduzir nisto o homem com o javali! hehehe
    Os nomes de apóstolos acredito q foi por gosto pessoal (suspeito aqui da autoria 😉 ) mas nao que tenha alguma relação com os apóstolos realmente.
    Enfim, gostei da proposta e da execução, embora tenha sentido falta de um cadinho mais de emoção.
    Abraços
    ahh senti falta de uma crase em ‘ de tristeza à decepção’.

  9. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Judas…
    Gramática – Considerei bem construído, sem tropeços na linguagem. Não percebi erros. Então, a gramática é um ponto positivo na avaliação. Lógico, não é o ponto de maior valia, mas ler sem tropeços é algo que ajuda a gostar da história.
    Criatividade – Em um mundo caótico, o encontro entre pai e filho é o destaque. Gostei disso, apesar de não ser grande a tensão desse impacto.
    Adequação ao tema proposto – É aceitável a relação entre Pedro e o javali, muito embora não tenha a força que eu esperava.
    Emoção – É possível refletir sobre a manutenção da vida, sobre o domínio dos fracos, sobre a resistência à mudança. Os diálogos não são fortes, são críveis, mas talvez pudessem conter mais tensão.
    Enredo – Começo, meio e fim. Tem uma sequência coerente de ação, mas não é uma sequência que arrebata, ou extasia. Considerando o número limitador de palavras, está bem construído.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  10. angst447
    20 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado – homem estranho, mala e javali.
    O título “Fé Decadente” não revelou nada a mais do que a imagem escolhida nos trouxe à mente. A religião seria o pano de fundo da narrativa.
    Não encontrei falhas de revisão. Alguns pronomes foram empregados fora da norma culta, mas como fazem parte da fala dos personagens, não podem ser considerados erros.
    Sobrou um erro de digitação em “no gestou”> no gesto.
    O ritmo do conto é bom, a leitura flui bem devido aos diálogos que aceleram a narrativa. Prende a atenção e nos surpreende pela relação pai e filho, dentro de um clima todo dos doze apóstolos e uma ceia repetitiva de sopa.
    Final triste, mas com certo impacto.
    Boa sorte!

  11. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    O conto começou instigante ao ponto de me fazer continuar parágrafo a parágrafo, pois eu não consegui imaginar o que o velho com o javali pretendiam, se bem que ficou evidente a analogia com os doze apóstolos.

    Só que não colou a atitude do sacerdote que primeiro recebeu o pai tranquilamente, e dali a pouco já lhe demonstrava ódio e medo, como que já sabendo o que continha na mala.

    Mas no geral é um bom conto, o final não foi surpreendente, apesar de eu não o ter imaginado.

    Parabéns!

  12. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1. Tema: boa adequação.

    2. Criatividade: Muito boa. Sujeito retorna de peregrinação em busca de um lugar melhor para seu povo e encontra seu filho endurecido pela realidade.

    3. Enredo: Muito bom. A história se desenvolve bem, os personagens aparecem cadencialmente. O climax é bem criado e desfeito sem entraves.

    4. Escrita: Firme, sem tropeços notáveis ou dignos de nota. Os diálogos são bastante críveis.

    5. Impacto: Médio.

    Numa situação tão antagônica entre pai e filho, um pouco mais de emoção de ambos seria bem vinda. Pequenos intervalos descrevendo as dores de cada um, o abandono, a solidão do filho, por outro lado, a decepção do pai perante a transformação do filho. O comportamento de ambos é bom, mas soou mecânico.

    Boa sorte.

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.