EntreContos

Literatura que desafia.

O Javali e eu (Amapola)

Não me recordo bem do acidente. Foi tudo muito repentino. E depois parecia que o mundo tinha desabado.

“Será que acabou?”

Acordei nesta espécie de floresta tendo ao meu lado um javali de olhar manso e curioso, e esta mala que, pelo conteúdo, já constatei que me pertence. O javali, aparentemente, também é meu – pelo menos não me larga, segue cada um dos meus passos.

Procuro uma saída há vários dias. A floresta é densa e sempre igual. Calculo que estou algures no sul de França; creio que sobrevoava próximo de Marselha na altura em que… sei lá, não sei ao certo o que aconteceu.

“Andarão a procurar-me? Levará muito tempo? Ou ficarei aqui para sempre?”

Pelo menos tenho algumas folhas de papel (estavam na mala), uma esferográfica e, ao que parece, um amigo. Caça pelos dois. Tem sido uma bela ajuda. É engraçado: vai buscar comida e traz, vem comer comigo. Há coisas que não consigo nem meter na boca (noto-lhe um certo desapontamento no olhar), mas outras até não são tão más quanto isso, enfim… não fosse ele e decerto já teria morrido de fome.

Faz-me lembrar a raposa da minha história (terá sido uma espécie de antevisão?). Ele vai e sei que regressa, tal como ela; e quando lhe sinto os passos começo a ser feliz. Depois chega e senta-se ao meu lado – sim, e cada vez mais perto. E diz-me coisas sem falar. E eu, lentamente, também lhe tenho contado tudo.

Depois caminhamos. Ele sabe que procuro os da minha espécie, sabe que quero regressar ao meu mundo. E acompanha-me.

Ontem improvisei uma espécie de trela e coloquei-lha. Ficou feliz. Só lhe faltou começar aos pulos. E então passámos a andar assim.

Quando paramos, e eu paro com frequência porque tenho problemas de ossos, ele senta-se comigo e tiro-lhe a trela, mas, desde que lha pus, só volta a andar quando lha ponho outra vez. Já lhe contei a história toda do Principezinho e ele ouviu com toda a atenção. Chamei-lhe raposa e pareceu-me ficar dividido: percebeu o elogio, mas não lhe agrada ser raposa. Por outro lado, quando lhe disse que eu próprio seria o principezinho vi-lhe no olhar (juro que vi!) um ar escarninho. Para ele, eu sou a sua rosa, não tenho dúvidas quanto a isso. Trata-me, ampara-me, adormece junto a mim aquecendo-me; protege-me muitas vezes dos perigos da floresta, algumas sem que eu saiba; trata-me, acarinha-me, mantém-me vivo.

É um javali adulto. Achou um bocado pateta a história do elefante engolido por uma jibóia. O olhar dele expressou-o bem, só lhe faltou dizer: “Percebe-se logo que nunca viste uma jiboia! E, provavelmente, nem um elefante.”

Não lhe expliquei. Para quê? Além disso nunca vi, realmente, uma jiboia. E também nunca tinha visto um javali. Pior de tudo: escrevi uma história de amizade antes de a ter realmente vivido.

Mas assim, sendo dois, somos seis: eu, Antoine, adulto, 44 anos, aviador, escritor nas horas vagas e perdido nesta floresta; ele, javali, adulto, e de profissão atual cuidador e amigo. E agora na minha perspectiva: eu de novo, o principezinho encontrado em mim e ele a raposa que me conquista e se faz conquistar; e a versão dele: ele, principezinho, dono e senhor do seu pequeno mundo onde encontrou uma rosa sensível e vaidosa (sim, sou vaidoso), que estima, trata e protege e eu, uma rosa linda (aos olhos dele, claro), frágil (muito mais do que gostaria de admitir) e efémera, profundamente efémera e carente.

E caminhamos. Caminhamos, paramos, comemos, dormimos e continuamos.

A noite na floresta é fria e cheia de ruídos que desconheço. Mas a presença dele tranquiliza-me e aquece-me. Ele cava uns buracos enormes onde cabemos os dois e depois vai pra lá e convida-me:

“Encosta-te, amigo, aconchega-te”, parece dizer-me. E eu aceito, entro e obedeço. Aninho-me nele e adormeço. Num sono sem sonhos, povoado de cheiros e sons que começam a ser-me familiares – e a entranhar-se-me.

Dos livros que escrevi, o Principezinho era o meu favorito. Falo no passado, não porque tenha deixado de ser o meu preferido, mas porque precisa de uns reajustes. Quando regressar vou alterá-lo para uma segunda edição (espero que essa segunda edição aconteça, nunca se sabe). O “meu” javali também tem que entrar na história, já não imagino a amizade e o companheirismo sem ele.

Há vários dias que não escrevo. Não sei quantos. Acho que estive doente (seguramente ainda estou). Sei que o javali tomou conta de mim, como lhe foi possível. Imagino que tenha ido além dos limites desse possível. Vejo que está exausto. Quando abri os olhos ele ali estava, como sempre, os seus olhos pareciam melancias e havia neles uma angústia do tamanho do mundo. Sorri-lhe, disse-lhe “Olá!” e o olhar dele iluminou-se como o sol e ganhou as cores do arco-íris.

Quis pôr-lhe a trela para continuarmos a minha procura pelo mundo “civilizado”, mas ele não permitiu. Com alguma dificuldade, levantei-me; mas ele permaneceu sentado. Fiz menção de começar a andar (doía-me cada bocadinho de mim), mas ele nada – não se mexeu. Compreendi. Não estou em condições de me meter de novo a caminho, estou demasiado fraco, preciso recuperar.

Sinto que lhe deveria ter dado um nome – decerto ele teria apreciado. Mas não o fiz nem o farei, para mim ele é javali, “O Javali”. Existem muitos, devem ser milhares ou milhões, mas ele é o único. Os outros são todos iguais; ele é meu, o que conversa comigo em longos silêncios dourados de entendimento.

Saiu de novo e regressou há pouco, trazia uma espiga de milho e um olhar guloso. Fiz lume como aprendi há muitos anos (bendito o dia!) e assei-a. Pareceu bastante surpreendido com o resultado mas, a avaliar pela forma como comeu, acho que adorou. De certeza que gostou mesmo, porque lhe dei mais uma parte da minha metade e ele não conseguiu resistir e aceitou. Achei deliciosa a mistura de culpa e brilho no olhar que lhe vi enquanto comia num ato de gula egoísta que ele considerou quase como uma prevaricação.

Passaram já quatro dias desde que acordei e o javali não me autoriza a seguir viagem. Não posso dizê-lo de outra forma. Ele, literalmente, não permite. O meu javali, meu guardião, minha raposa.

Sinto que estou pior. Não poderia, ainda que quisesse, prosseguir a caminhada. O javali está aqui, comigo, sempre. Só se ausenta para ir buscar mais comida. E de cada vez é mais rápido, menos criterioso até no que escolhe para trazer. Tem pressa. Noto-lhe a apreensão no olhar quando regressa. E o alívio quando percebe que respiro e estou vivo. Sorrio-lhe de todas as vezes (continuarei a sorrir-lhe enquanto puder – talvez morra comum sorriso no rosto).

O javali aprendeu a trazer-me água. Conseguiu montar um intrincado esquema de folhas e ramos e perde metade pelo caminho, mas traz-me a água. Água daquela sobre que escrevi no livro, da que sacia todas as sedes. A sua compreensão da história que lhe contei vai muito além do que eu lhe possa ter transmitido. É um conhecimento ancestral, que já nasceu com ele e não precisa de escritores para explicar.

À noite ele olha para o céu. Acha que vou morrer. E eu sei que talvez tenha razão – apenas não desisto de acreditar que posso regressar, apesar das dores, apesar da guerra, apesar de tudo… quero voltar. Além disso, também desejo completar a minha história. O meu Principezinho ficou incompleto, eu ainda não sabia nada do que estou a aprender. E se não regressar como é que vocês irão conhecer o javali? O meu javali. O que não precisa de palavras. O que só fala com os olhos e com o corpo? O amigo mais completo, sincero e leal que poderia imaginar?

Ele sabe que não poderei levar o corpo comigo, mas não está nem um bocadinho interessado em imaginar que eu poderei ser cada uma daquelas estrelas. Sabe que não, que serei apenas uma. Acredita que, se memorizar o céu, vai conseguir descobrir, depois, qual delas eu sou. Está confuso, o céu é diferente todas as noites. E eu não tenho coragem para lhe contar a verdade. Não tenho.

“Desculpa amigo, terás mesmo que aprender a amar as estrelas.”

“Tal como eu irei finalmente perceber que não interessa nada descobrir se a ovelha comeu ou não a rosa.”

Esquece o céu, esquece a história que te contei, o que acreditas que te ensinei: “só se vê bem com o coração”. Não é assim, amigo. Bem sabes. Foste tu quem mo mostrou e, se eu pudesse, iria explicá-lo à raposa. A verdade é diferente: “só se vê bem no coração”. Esquece tudo. Fecha os olhos. Vê no coração. Sim, amigo, aí. Onde me encontras, onde estou – onde me puseste.

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31 comentários em “O Javali e eu (Amapola)

  1. Iolandinha Pinheiro
    23 de maio de 2017

    Seu conto é lindo, suave, e seu javali é um gatinho. A história relacionada com o livro O Pequeno Príncipe consegue ter uma linguagem igualmente poética, doce… Eu, particularmente, não gosto do original, acho muito apelativo, bonzinho demais, mas foi uma experiência tão interessante o protagonista e o javali em sua comunicação espiritual discutirem sobre os elementos e personagens do livro, que acabei me rendendo. Também adorei a maneira como vc inseriu a figura tema em sua história. Quando vi a imagem pela primeira vez me lembrei na mesma hora eu associei ao aviador amigo do pequeno príncipe. Achei super bacana que alguém tenha feito esta associação também. Adorei o seu simpático javali, assim como o seu narrador, só achei que faltou algo marcante na sua trama. Assim como não curti o livro no qual vc se baseou, achei que o conto precisava de um “que”, um algo assim que não rolou, mas, não tenha dúvida, que eu gostei do seu conto e de você.

  2. Afonso Elva
    23 de maio de 2017

    Ó, não esperava esbarrar com Antoine. É muito engraçado ver o que a imagem do desafio conduz na cabeça de cada um. E olha que só li três textos! 🙂
    O texto está bacana demais. Gostoso de ler, e passa rapidinho. Juro que não é machismo (hoje em dia tem que avisar né?), mas sempre tive a imagem de uma mulher na cabeça, o tempo todo. O conto induz a isso. Se foi intencional, tudo bem, acho até que seria melhor que fosse uma mulher mesmo, poderia se chamar Antonia. Agora, se você Amapola, não queria isso, tome cuidado. Encaixar o tom da voz de um personagem pode ser uma tarefa dura 😉
    Só não gostei do “esquece tudo, amigo”, no final. Ficou meio confuso isso, afinal, acreditamos ouvir o principe gargalhando ou não? Espero que sim 😉
    Forte abraço

  3. Victor Finkler Lachowski
    23 de maio de 2017

    Um lindo conto, se adequou ao tema logo no início. ótima escrita, muito suave, bem fiel quanto a escrita do autor que homenageia, dando uma sensação de leitura muito rápida, quando cheguei no final eu pensei: Já?!?
    Foi muito criativo e não foi ao mesmo tempo, ao usar os personagens e frases de “O Pequeno Príncipe” você emociona o leitor. O ponto negativo pra mim (apesar de ter ficado emocionado), foi que fiquei com a sensação de que você poderia ter inovado em trazer conceitos e mensagens novas para serem associados ao autor e sua obra, tendo perdido a oportunidade de enriquecer a obra com ideias originais.
    Apesar da crítica considerei um excelente conto, Parabéns!

  4. eg5egerg
    23 de maio de 2017

    Um lindo conto, se adequou ao tema logo no início. ótima escrita, muito suave, bem fiel quanto a escrita do autor que homenageia, dando uma sensação de leitura muito rápida, quando cheguei no final eu pensei: Já?!?
    Foi muito criativo e não foi ao mesmo tempo, ao usar os personagens e frases de “O Pequeno Príncipe” você emociona o leitor. O ponto negativo pra mim (apesar de ter ficado emocionado), foi que fiquei com a sensação de que você poderia ter inovado em trazer conceitos e mensagens novas para serem associados ao autor e sua obra, tendo perdido a oportunidade de enriquecer a obra com ideias originais.
    Apesar da crítica considerei um excelente conto, Parabéns!

  5. Jose bandeira de mello
    23 de maio de 2017

    Autor(a), desculpe-me o efusividade…Mas seu texto esta um espetaculo! Digo que sua estoria caberia perfeitamente numa continuidade oficial do livro que vc usou como inspiraçao. Excelente os “os delirios” do protagonista, e sua relaçao com os
    amigos… Sempre na mesma linha de comprometimento, lirismo e inteligencia do aviador do primeiro livro. Linguagem segura e e aparentemente despretenciosa, sem no estanto ser…alias, longe disso. Parabens pela criatividade, elegancia no texto e desenvolvimento da trama. Eu adorei! Sucesso.

  6. Miquéias Dell'Orti
    22 de maio de 2017

    Olá.

    Com uma clara referência ao pequeno príncipe, seu texto traz uma carga sentimental muito forte. Gostei muito da relação criada entre o protagonista-autor e o javali. Uma bela homenagem e de construção delicada e triste. Parabéns.

  7. Olisomar Pires
    22 de maio de 2017

    1. Tema: adequação presente.

    2. Criatividade: Muito boa. O narrador seria o autor do livreto “O pequeno príncipe”. Desta feita, ele se perdeu em acidente e fez “amizade” como um javali.

    3. Enredo: A trama toda gira ao redor da inaudita relação entre a fera meiga e o homem ferido.

    No que se propõe, as partes de conectam, aliás, todo o texto é uma grande parte só. Ficou meio repetitivo a questão da ligação inexplicável dos dois seres.

    Exceto se recorrermos ao simbolismo ou se fosse implícito ou explícito ser uma fantasia do moribundo.

    4. Escrita: Poucos tropeços em um estilo óbvio de alcançar emoção. Conto ao modo reflexão.

    5. Impacto: baixo.

    É um texto bonito com suas elucubrações, mas falta-lhe a dureza da lágrima. Tudo é muito suave.

  8. Brian Oliveira Lancaster
    22 de maio de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Uma bela releitura de um clássico. O homem realmente parece um aviador (apesar de certas frases darem a entender que é uma mulher narrando). Achei que ninguém ia abordar isso; cá está. Uma atmosfera bastante singela, focada mais nos sentimentos do que na ação. É bom ler textos diferentes.
    G: Gosto de melancolia e convivo com ela todos os dias. O texto tem uma camada sentimental que agrada, entretanto possui alguns pulos temporais que tiram um pouco do brilho e coesão geral. Se o texto focasse apenas um evento, teria sido mais agradável. Já é uma leitura suave, faltou apenas uma melhor construção e montagem de ideias.
    O: Cuidado com as cacofonias (ex: “comer comigo”). A escrita flui e cativa (olha a referência aí). No entanto, senti falta de algo mais, além do monólogo. Ele poderia ser resgatado, ou talvez o javali se revelasse alguma miragem ou algo do tipo. Daria mais sentido e força ao tom de fábula.

  9. Catarina
    22 de maio de 2017

    INÍCIO denso e objetivo. Laçou o leitor no primeiro parágrafo e manteve a rédea curta.
    A TRADUÇÃO DA IMAGEM foi se solidificando com o crescimento da dependência física e mental do personagem. Lá pelo meio se torna repetitivo, batendo muito na tecla da “amizade incondicional”; o que soou forçado ao piegas. Mas quero crer ser uma escolha do (a) autor (a) para enfatizar o EFEITO da autopiedade subliminar. Atravessei o oceano atlântico por alguns minutos. Uma boa viagem.

  10. Rubem Cabral
    22 de maio de 2017

    Olá, Amapola.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Aqui não há do que se reclamar. Antoine caminhando pela floresta francesa, tendo o javali sem nome caminhando a seu lado.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    Não encontrei erros a apontar. O conto está muito bem escrito.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    A boa ideia de usar o misterioso acidente que causou a morte de Antoine de Saint-Exupéry, de misturar elementos de sua obra mais famosa, foi muito feliz. Antoine está bem desenvolvido, o javali é uma figura interessante também. A escrita é um tanto triste, mas tem certa poesia também.

    Enredo (coerência, criatividade):
    Gostei de quase tudo no conto. Apenas um ponto me incomodou: quando o javali trouxe uma espiga de milho. Pois, como bem sabemos, o milho não é natural da Europa, não ocorre em bosques e florestas. Então, necessariamente, este vinha de alguma plantação de alguma fazenda ou quinta, onde poderia haver socorro, principalmente pq ele não se encontrava em território inimigo. Achei estranho que Antoine simplesmente comesse o milho junto com seu amigo, que não tentasse descobrir onde o javali o obteve. Penso que substituir o milho por algo natural da floresta, tubérculos, cogumelos e até bolotas de carvalho, corrigiria o problema.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  11. elisa ribeiro
    21 de maio de 2017

    Olá Amapola. Seu texto me pegou. Minha preferência costuma ser por narrativas mais rápidas, com ação, menos intimistas, mas diante do seu texto me acalmei para saborear cada parágrafo, cada período. Talvez em parte devido ao seu português da matriz, nem tão diferente, mas muito elegante. Achei criativo e encantador o aproveitamento que você deu ao tema. O único senão do conto para mim é que a narrativa me pareceu demasiado feminina para um narrador em primeira pessoa do sexo masculino.No mais, foi uma prazer imenso ler o seu texto. Boa sorte no desafio! Abraço.

  12. Vitor De Lerbo
    21 de maio de 2017

    Uma bela homenagem a Antoine de Saint-Exupéry. As referências aos elementos da vida real, como sua morte em um local próximo a Marselha numa queda de avião durante a segunda guerra, dão ainda mais profundidade ao conto.

    Muito bem escrito, sem falhas.

    Interessante a montagem do autor, ligando a imagem, que em minha concepção é dura e até macabra, a algo belo.

    Assim como o Pequeno Príncipe, é uma história cheia de subtexto e analogias, o que exige grande habilidade do escritor e uma leitura mais atenta.

    Boa sorte!

  13. Roselaine Hahn
    21 de maio de 2017

    Olá Amapola, um conto bastante intimista com um javali, tiro certeiro, uma mistura do Pequeno Príncipe com a Culpa é das Estrelas, ganhou o meu coração. Não lembrava mais da história do Pequeno Príncipe, o que foi bom para manter o distanciamento e focar na sua escrita, bastante poética. Parabéns, belo conto.

  14. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Amapola,
    Gramática – Não senti dificuldade na linguagem apesar de perceber a diferença. Não vi nenhum entrave, nenhuma construção desastrosa, ou que pudesse provocar uma parada na leitura. É um texto bem escrito.
    Criatividade – Gostei de como usou a história do escritor como ponto de partida para a construção do conto. Creio que, dentro do desafio, esse é o conto mais sensível e poético que li até agora; um daqueles textos que deixam o coração derretido e a razão falhando porque faz alusão ao livro famoso reforçando o conteúdo sobre amizade, carinho e cuidado.
    Adequação ao tema proposto – Para mim, está totalmente de acordo com a imagem do desafio e vai além porque dá uma identidade real ao personagem da foto. Alguém que existiu de fato e que nunca foi encontrado, minando nosso imaginário.
    Emoção – Impossível não se emocionar com a construção da fantasia, do relacionamento entre o piloto e o javali. Os pormenores nos arrebatam e provocam emoções.
    Enredo – Começo, meio e fim. Final infeliz, mas crível. Finais infelizes são um inferno, não? Mas considerei adequado sendo o personagem alguém que não sobreviveu a uma queda de avião e desaparecido.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  15. Gilson Raimundo
    21 de maio de 2017

    Muito bem. Eu não gostaria de ter que comentar este conto. Acredite ou não, tenho o Pequeno Príncipe no armário do meu trabalho. Acho temerário quando tentamos fazer uma obra espelhada em outra. Pra mim o estilo ficou bem abaixo ( evidentemente por sermos amadores), porém não temos como evitar as comparações, muitas vezes o texto girou sem trazer novas informações, apanhou alguns pontos do texto original tentando dar-lhe uma nova roupagem, talvez se o autor não assumisse os méritos de Saint-Exupéry o conto seria mais atrativo.

  16. Jowilton Amaral da Costa
    21 de maio de 2017

    É um conto singelo, espelhado numa história famosa, cheio de metáforas e lições embutidas. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”. Não se preocupe, autor, você está livre dessa carente e inquisidora afirmativa, pois, o conto não me cativou. Boa sorte.

  17. Antonio Stegues Batista
    21 de maio de 2017

    Também li O Pequeno Príncipe, já faz tempo e não me lembro muito bem da história. As frases são excelentes e me parece que tem certa semelhança com as do livro de Antoine de Saint-Exupéry, de qualquer maneira, foi uma boa ideia dar uma suposta continuação da historia do livro.

  18. angst447
    21 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com muita delicadeza. O javali fazendo as vezes da raposa, a mala ali também aparece e Antoine sendo ele mesmo, um aviador. Missão cumprida.
    O título do conto é bastante simples, mas eficaz. Fez me lembrar de Marley e eu, outro texto que comove.
    Não percebi lapsos de revisão, levando-se em conta que se trata de um escritor lusitano, com suas expressões particulares.
    O conto revela uma bela história, uma hipotética continuação do que teria acontecido ao autor de O Pequeno Príncipe. Muito sensível a sua versão dos fatos, sua escrita revela sensibilidade e habilidade com as palavras.
    Boa sorte!

  19. Iris Franco
    20 de maio de 2017

    Nossa…cadê o lenço? Chorei, emocionou mesmo.

    Você tem uma sensibilidade única, poucos autores conseguem transmitir tanto sentimento em um texto.

    Acho que o único livro que me sensibilizou tanto foi o Meu Pé de Laranja Lima. Gosto do Pequeno Príncipe, mas o seu texto me sensibilizou mais, assim como o de Mauro de Vasconcelos.

    Parabéns, boa sorte!

  20. Milton Meier Junior
    20 de maio de 2017

    Apesar da estranheza de certas expressões lusitanas, é um excelente conto. Criativo, lírico, fluido e cativante. Gostei muito. Parabéns ao autor.

  21. Anorkinda Neide
    20 de maio de 2017

    Olá…
    talvez um tantinho de ‘exagero’ que o javali estivesse a olhar as estrelas sabendo q o amigo pra lá iria.. mas entra na delicadeza do personagem, um javali gentil e da mais bela amostra de amizade verdadeira.
    Muito bonito mesmo o teu texto, quando vi de quem se tratava e a confirmação com o nome Antoine, já me embargou a voz (leio à meia-voz). Tão bonito quanto triste, daquele jeito que faz o conto viver dentro do leitor e jamais ser esquecido.
    Parabéns pela sensibilidade.
    Abração

  22. Neusa Maria Fontolan
    20 de maio de 2017

    Uma linda história supondo o que aconteceu a Antoine de Saint Exupéry. É certo que seu corpo nunca foi encontrado depois do acidente com seu avião. Será que o javali o enterrou em um daqueles buracos que fazia? Não sei qual frase é mais bonita, a do autor do Pequeno Príncipe – “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. ou a sua variação – “só se vê bem no coração”. Esquece tudo. Fecha os olhos. Vê no coração. Sim, amigo, aí. Onde me encontras, onde estou – onde me puseste.

    Adorei o conto, meus parabéns.

  23. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de maio de 2017

    Não tem como não saber que se trata de um de nossos autores de além mar, só não sabemos qual… Fico muito feliz de poder ler o que escrevem nossos irmãos da CPLP! Isto posto, vamos ao conto. Gostei bastante. Essa idéia do Pequeno Príncipe também me passou pela cabeça quando tentava me inspirar na imagem tema. Mas jamais conseguiria escrever algo tão delicado e sensível como você fez. Eu tenho gatos de estimação e o amor que sinto por eles está descrito nas palavras do seu Antoine com relação ao javali. Gostaria muito de saber como sairia essa segunda edição do livro, caso ele tivesse sobrevivido. Muito bom, parabéns!

  24. Matheus Pacheco
    20 de maio de 2017

    Excelência a cada parágrafo, com uma pitadinha de tristeza ao fim, realmente algo que me deixou sem palavras, eu me senti muito mal pelo final, onde o javali foi deixado sozinho (novamente?) na floresta sem seu amigo.
    Eu realmente não tenho o que comentar sobre esta peça extremamente delicada.
    Abração ao autor.

  25. Olá, Amapola,
    Tudo bem?
    Então você também é uma flor, heim? Não uma Rosa. Mas Amapola.
    Recriar os momentos finais de Saint-Exupéry, após o acidente de avião, através da imagem do aviador com o Javali na figura do desafio, foi uma grande sacada e o texto em primeira pessoa colabora para que sua história se torne crível e, mais que isso, transporte o leitor para dentro de sua narrativa. Realmente acreditei que era Exupéry quem agonizava na floresta. Realmente me afeiçoei ao Javali e, mesmo sabendo do inevitável final, torci pela recuperação do personagem.
    Esquematizado como uma espécie de “relato de viagem”, o conto flui com leveza e muita fluidez. Um texto belo, utilizando as imagens desse livro maravilhoso e tão injustiçado (ao menos no Brasil, graças ao preconceito com as belas nos concursos de Miss) com maestria. Mais que isso, com o talento de um escritor que sabe como chegar ao leitor através do viés da emoção.
    Um belo trabalho. Parabéns.
    Boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini.

  26. Ana Monteiro
    20 de maio de 2017

    Olá Amapola. Mais uma portuguesa entre nós. Gostei do seu conto. Penso que deveria ter acrescentado uma explicação quanto ao personagem pois nem toda a gente conhece a história do Principezinho e ainda menos a do autor e isso poderá gerar alguma confusão em quem a ler. A nível de comentário vou seguir de próximo a sugestão do Gustavo. A sua utilização do idioma é muito semelhante à minha, mas não permitirei que as diferenças/semelhanças idiomáticas interfiram na pontuação final. Não encontrei grandes falhas gramaticais ou outras dignas de registo – além da que comecei por referir. Os personagens são verosímeis, a criatividade é boa e totalmente adequada ao tema proposto. O enredo poderia talvez ser mais rico, embora seja suficiente e emoção não faltou, de todo.

  27. Pingback: O Javali e eu (Amapola) | EntreContos | O LADO ESCURO DA LUA

  28. Luis Guilherme
    20 de maio de 2017

    Ola, amigo, tudo bem?

    Bem singelo seu texto! Gostei bastante da amizade entre homem e animal, foi bem transmitida e trabalhada.
    As referências ao pequeno principe ficaram otimas!

    Conseguiu utilizar bem uma obra prima pra valorizar os contornos da sua propria criação.

    Fiquei curioso sobre alguns detalhes, mas me contentei em apreciar o que se passava intimamente entre os personagens.

    Pelo jeito, temos um escritor lusitano habilidoso =)

    Parabéns e boa sorte!

  29. Marcelo Milani
    20 de maio de 2017

    Olá Amapola! O final do seu conto é emocionante “só se ver bem no coração” é uma visão para poucos e você a tem. Senti falta de conhecer o teu javali melhor. Já que eras teu você poderia até citar o nosso pequeno príncipe, mas acredito que você ficou muito preso ao conto que já foi contado. Você e seu javali são únicos, então procure sempre escrever com o teu coração. Queremos mais dele! Grande abraço e sucesso!

  30. Priscila Pereira
    20 de maio de 2017

    Oi Amapola, que delícia de texto!! Está tão delicado, tão terno, cheio de sentimento, sem ser piegas. A imersão no Pequeno Príncipe ficou maravilhosa. Perfeito o conto, parabéns!!

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.