EntreContos

Detox Literário.

O Javali e eu (Ana Maria Monteiro)

Não me recordo bem do acidente. Foi tudo muito repentino. E depois parecia que o mundo tinha desabado.

“Será que acabou?”

Acordei nesta espécie de floresta tendo ao meu lado um javali de olhar manso e curioso, e esta mala que, pelo conteúdo, já constatei que me pertence. O javali, aparentemente, também é meu – pelo menos não me larga, segue cada um dos meus passos.

Procuro uma saída há vários dias. A floresta é densa e sempre igual. Calculo que estou algures no sul de França; creio que sobrevoava próximo de Marselha na altura em que… sei lá, não sei ao certo o que aconteceu.

“Andarão a procurar-me? Levará muito tempo? Ou ficarei aqui para sempre?”

Pelo menos tenho algumas folhas de papel (estavam na mala), uma esferográfica e, ao que parece, um amigo. Caça pelos dois. Tem sido uma bela ajuda. É engraçado: vai buscar comida e traz, comemos juntos. Há coisas que não consigo nem meter na boca (noto-lhe um certo desapontamento no olhar), mas outras até não são tão más quanto isso, enfim… não fosse ele e decerto já teria morrido de fome.

Faz-me lembrar a raposa da minha história (terá sido uma espécie de antevisão?). Ele vai e sei que regressa, tal como ela; e quando lhe sinto os passos começo a ser feliz. Depois chega e senta-se ao meu lado – sim, e cada vez mais perto. E diz-me coisas sem falar. E eu, lentamente, também lhe tenho contado tudo.

Depois caminhamos. Ele sabe que procuro os da minha espécie, sabe que quero regressar ao meu mundo. E acompanha-me.

Ontem improvisei uma espécie de trela e coloquei-lha. Ficou feliz. Só lhe faltou começar aos pulos. E então passámos a andar assim.

Quando paramos, e eu paro com frequência porque tenho problemas de ossos, ele senta-se comigo e tiro-lhe a trela, mas, desde que lha pus, só volta a andar quando lha ponho outra vez. Já lhe contei a história toda do Principezinho e ele ouviu com muita atenção. Chamei-lhe raposa e pareceu-me ficar dividido: percebeu o elogio, mas não lhe agrada ser raposa. Por outro lado, quando lhe disse que eu próprio seria o principezinho vi-lhe no olhar (juro que vi!) um ar escarninho. Para ele, eu sou a sua rosa, não tenho dúvidas quanto a isso. Trata-me, ampara-me, adormece junto a mim aquecendo-me; protege-me muitas vezes dos perigos da floresta, algumas sem que eu saiba; trata-me, acarinha-me, mantém-me vivo.

É um javali adulto. Achou um bocado pateta a história do elefante engolido por uma jibóia. O olhar dele expressou-o bem, só lhe faltou dizer: “Percebe-se logo que nunca viste uma jiboia! E, provavelmente, nem um elefante.”

Não lhe expliquei. Para quê? Além disso nunca vi, realmente, uma jiboia. E também nunca tinha visto um javali. Pior de tudo: escrevi uma história de amizade antes de a ter realmente vivido.

É um javali adulto. Achou um bocado pateta a história do elefante engolido por uma jibóia. O olhar dele expressou-o bem, só lhe faltou dizer: “Percebe-se logo que nunca viste uma jiboia! E, provavelmente, nem um elefante.”

Mas assim, sendo dois, somos seis: eu, Antoine, adulto, 44 anos, aviador, escritor nas horas vagas e perdido nesta floresta; ele, javali, adulto, e de profissão atual cuidador e amigo. E agora na minha perspectiva: eu de novo, o principezinho encontrado em mim e ele a raposa que me conquista e se faz conquistar; e a versão dele: ele, principezinho, dono e senhor do seu pequeno mundo onde encontrou uma rosa sensível e vaidosa (sim, sou vaidoso), que estima, trata e protege e eu, uma rosa linda (aos olhos dele, claro), frágil (muito mais do que gostaria de admitir) e efémera, profundamente efémera e carente.

E caminhamos. Caminhamos, paramos, comemos, dormimos e continuamos.

A noite na floresta é fria e cheia de ruídos que desconheço. Mas a presença dele tranquiliza-me e aquece-me. Ele cava uns buracos enormes onde cabemos os dois e depois vai pra lá e convida-me:

“Encosta-te, amigo, aconchega-te”, parece dizer-me. E eu aceito, entro e obedeço. Aninho-me nele e adormeço. Num sono sem sonhos, povoado de cheiros e sons que começam a ser-me familiares – e a entranhar-se-me.

Dos livros que escrevi, o Principezinho era o meu favorito. Falo no passado, não porque tenha deixado de ser o meu preferido, mas porque precisa de uns reajustes. Quando regressar vou alterá-lo para uma segunda edição (espero que essa segunda edição aconteça, nunca se sabe). O “meu” javali também tem que entrar na história, já não imagino a amizade e o companheirismo sem ele.

Há vários dias que não escrevo. Não sei quantos. Acho que estive doente (seguramente ainda estou). Sei que o javali tomou conta de mim, como lhe foi possível. Imagino que tenha ido além dos limites desse possível. Vejo que está exausto. Quando abri os olhos ele ali estava, como sempre, os seus olhos pareciam melancias e havia neles uma angústia do tamanho do mundo. Sorri-lhe, disse-lhe “Olá!” e o olhar dele iluminou-se como o sol e ganhou as cores do arco-íris.

Quis pôr-lhe a trela para continuarmos a minha procura pelo mundo “civilizado”, mas ele não permitiu. Com alguma dificuldade, levantei-me; mas ele permaneceu sentado. Fiz menção de começar a andar (doía-me cada bocadinho de mim), mas ele nada – não se mexeu. Compreendi. Não estou em condições de me meter de novo a caminho, estou demasiado fraco, preciso recuperar.

Penso que lhe deveria ter dado um nome – decerto ele teria apreciado. Mas não o fiz nem o farei, para mim ele é javali, “O Javali”. Existem muitos, devem ser milhares ou milhões, mas ele é o único. Os outros são todos iguais; ele é meu, o que conversa comigo em longos silêncios dourados de entendimento.

Saiu de novo e regressou há pouco, trazia uma espiga de milho e um olhar guloso. Fiz lume como aprendi há muitos anos (bendito o dia!) e assei-a. Pareceu bastante surpreendido com o resultado mas, a avaliar pela forma como comeu, acho que adorou. De certeza que gostou mesmo, porque lhe dei mais uma parte da minha metade e ele não conseguiu resistir e aceitou. Achei deliciosa a mistura de culpa e brilho no olhar que lhe vi enquanto comia num ato de gula egoísta que ele considerou quase como uma prevaricação.

Passaram já quatro dias desde que acordei e o javali não me autoriza a seguir viagem. Não posso dizê-lo de outra forma. Ele, literalmente, não permite. O meu javali, meu guardião, minha raposa.

Sinto que estou pior. Não poderia, ainda que quisesse, prosseguir a caminhada. O javali está aqui, comigo, sempre. Só se ausenta para ir buscar mais comida. E de cada vez é mais rápido, menos criterioso até no que escolhe para trazer. Tem pressa. Noto-lhe a apreensão no olhar quando regressa. E o alívio quando percebe que respiro e estou vivo. Sorrio-lhe de todas as vezes (continuarei a sorrir-lhe enquanto puder – talvez morra com um sorriso no rosto).

O javali aprendeu a trazer-me água. Conseguiu montar um intrincado esquema de folhas e ramos e perde metade pelo caminho, mas traz-me a água. Água daquela sobre que escrevi no livro, da que sacia todas as sedes. A sua compreensão da história que lhe contei vai muito além do que eu lhe possa ter transmitido. É um conhecimento ancestral, que já nasceu com ele e não precisa de escritores para explicar.

À noite ele olha para o céu. Acha que vou morrer. E eu sei que talvez tenha razão – apenas não desisto de acreditar que posso regressar, apesar das dores, apesar da guerra, apesar de tudo… quero voltar. Além disso, também desejo completar a minha história. O meu Principezinho ficou incompleto, eu ainda não sabia nada do que estou a aprender. E se não regressar como é que vocês irão conhecer o javali? O meu javali. O que não precisa de palavras. O que só fala com os olhos e com o corpo? O amigo mais completo, sincero e leal que poderia imaginar?

Ele sabe que não poderei levar o corpo comigo, mas não está nem um bocadinho interessado em imaginar que eu poderei ser cada uma daquelas estrelas. Sabe que não, que serei apenas uma. Acredita que, se memorizar o céu, vai conseguir descobrir, depois, qual delas eu sou. Está confuso, o céu é diferente todas as noites. E eu não tenho coragem para lhe contar a verdade. Não tenho.

“Desculpa amigo, terás mesmo que aprender a amar as estrelas.”

“Tal como eu irei finalmente perceber que não interessa nada descobrir se a ovelha comeu ou não a rosa.”

Esquece o céu, esquece a história que te contei, o que acreditas que te ensinei: “só se vê bem com o coração”. Não é assim, amigo. Bem sabes. Foste tu quem mo revelou e, se eu pudesse, iria explicá-lo à raposa. A verdade é diferente: “só se vê bem no coração”. Esquece. Fecha os olhos. Vê no coração. Sim, amigo, aí. Onde me encontras, onde estou – onde me puseste.

 

…………………………………………………

Posfácio:

Antoine de Saint-Exupéry foi um piloto e escritor francês, cuja obra mais conhecida é “O Principezinho” (“O Pequeno Príncipe”, no Brasil). Ele morreu supostamente em 31 de Julho de 1944, quando o avião que pilotava se despenhou junto à costa francesa de Marselha – o seu corpo nunca foi encontrado.

Esta, apesar de ficção, é uma história possível tal e qual como está descrita.

No conto, Saint-Exupéry, num estado quase moribundo, terá experimentado, com um javali, a vivência da história publicada no ano anterior à sua morte. É comum que animais mamíferos adoptem outros mamíferos de espécie diferente da sua, quando os vêem em necessidade. O porco é um animal muito semelhante ao cão, em termos do seu relacionamento com o homem. E entre um porco e um javali, a diferença está apenas em alguma selvageria. O animal não fala em momento algum, e além dos seus atos (perfeitamente possíveis), as intenções e emoções são interpretadas pelo autor, o que também é plausível. A história termina mal, mas não poderia ser diferente.

Texto atualizado em 25/06/2017

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67 comentários em “O Javali e eu (Ana Maria Monteiro)

  1. Ana Monteiro
    24 de junho de 2017

    O meu obrigada a todos os comentadores e participantes. Não quis, durante todo o período de leitura interferir esclarecendo, pois considero que quando escrevemos algo, tampouco podemos ir atrás de cada leitor desfazer as suas dúvidas.
    O autor escreve e, ao publicar, assume o que escreveu.
    A plena compreensão do meu conto implicava o conhecimento da obra de Saint-Exupéry, “O Principezinho”, bem assim como o recordá-la e ainda saber das circunstâncias da sua morte.
    É pedir muito. Mas foi o que a imagem me suscitou e o que entendi escrever, esperando, com algum êxito manifestado no resultado, que, independentemente desse conhecimento não existir, o conto pudesse valer por si mesmo.
    Antoine de Saint-Exupéry foi um piloto e escritor francês, cuja obra mais conhecida é precisamente “O Principezinho”. Ele morreu supostamente em 31 de Julho de 1944, quando o avião que pilotava se despenhou junto à costa francesa de Marselha – o seu corpo nunca foi encontrado. Ou seja, no domínio da adivinhação sobre o que efetivamente terá sucedido, esta história é possível.
    E é possível tal e qual como está.
    Saint-Exupéry, num estado quase moribundo, poderia perfeitamente ter vivido com um javali a história que escreveu no ano anterior à sua morte. É comum que animais mamíferos adoptem outros mamíferos de espécie diferente da sua, quando os vêem em necessidade. O porco é um animal muito semelhante ao cão, em termos do seu relacionamento com o homem. E entre um porco e um javali, a diferença está apenas em alguma selvageria. O animal não fala em momento algum, e além dos seus atos (perfeitamente possíveis), as intenções e emoções são interpretadas pelo autor,o que também é possível.
    Para os que lamentaram o final da história, apenas posso esperar que, ao ler esta explicação, compreendam porque não poderia ter sido outro.
    Um último apontamento, várias pessoas manifestaram estranheza por o texto ser escrito “no feminino”. Eu sou mulher, é certo, mas Saint-Exupéry tinha uma escrita que se poderia também considerar bastante feminina. Por essa razão, não sei se houve ou não falha minha uma vez que tentei aproximar-me da sua forma de se expressar.
    A dois ou três irei responder em particular a situações particulares apenas para não tornar este texto mais longo. No entanto, o meu agradecimento é dirigido a todos.
    Li contos muito bons, outros não tanto. Alguns proporcionaram-me verdadeiro prazer. Não votei de acordo com o meu gosto pessoal, mas sim pelo todo. Procurei levar em consideração a qualidade da escrita e a adequação ao tema.

    Foi um grande prazer participar nesta aventura. Não sei se repetirei, por diversos motivos, mas foi uma experiência gratificante e inesquecível.
    Uma vez mais, obrigada a todos os que aqui me acompanharam.

  2. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    O Javali e eu (Amapola)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: sim, a foto inspirou o autor a interpretá-la e, com base nela, criar essa homenagem ao autor do Pequeno Príncipe.

    ASPECTOS TÉCNICOS: a narrativa é segura, e ainda que calcada numa homenagem a outra história e outro autor, tem seus méritos próprios. É claro, ainda depende que o leitor conheça a outra obra para sua análise intertextual, mas sustenta-se como obra de fantasia por sua própria conta e risco.

    EFEITO: particularmente, não gosto muito de fanfic – o que quase, eu disse quase, aconteceu aqui. Mas a habilidade e a verve poética do(a) escritor(a) lusitano superou meu preconceito. Como acho que o sei? O Principezinho, diz-se em Portugal, é o título desse livro.

  3. Felipe Moreira
    23 de junho de 2017

    Um belo conto. Tem uma abordagem filosófica interessante, essa linha poética com um propósito de trazer à luz verdades em formas de dúvidas. É bonito, é bem escrito e criativo, sutil ao transformar o javali numa metáfora; trazer o autor Exupéry a esse seu ambiente foi interessante.

    Li esse conto ouvindo Vivaldi. Calhou de dar certo.

  4. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Muito bom, Amapoula! Muito bom!
    Gostei mesmo. Confesso que a idéia para o meu conto também surgiu da história do pequeno príncipe (aquele cara da foto tem muita cara de aviador, não é?).
    Achei muito bem escrito. As frases são primorosas e de uma poesia singular. Gostei especialmente de como você conseguiu dar emoção para o javali, apenas com olhares e atitudes.
    A única coisa que me fez não te dar um 10 foi o início. Achei que a ideia do “acordei aqui, com uma mala, um javali e etc” ficou meio puxada da cartola, faltou um pouco de sustentação. Mas isso em nada desmerece o seu trabalho. Gostei mesmo, sinceramente. O final foi muito bonito e bem emocionante. Parabéns!

  5. Andreza Araujo
    21 de junho de 2017

    É um texto delicado e com nuances de emoção em várias construções. Recentemente fiz uma “releitura dinâmica” do livro que você homenageia com seu conto, e digo que Exupéry ficaria contente com sua versão. A leitura é incrivelmente fácil, destaque para as frases simples, que me fizeram pensar novamente no livro em questão, como quando o protagonista diz que tem “problemas de ossos”.

    O final é triste como na história do principezinho, e igualmente bela. Uma cena simples, mas certamente eficaz. Penso que seria um aviador que, durante a guerra, sofreu um acidente aéreo, sobrevivendo por certo tempo numa floresta, com a ajuda do amigo javali.

    Saldo positivo, leitora feliz.

  6. Evandro Furtado
    21 de junho de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O conto tem uma atmosfera fantástica e se sustenta ante uma referência. Essa pode ser uma grande vantagem ou desvantagem diante da perspectiva. No meu caso, aplicou-se a desvantagem, já que a referência me é desconhecida.

    C: A relação entre homem e javali é tênue, inocente, mas bonita. É de uma singeleza e sutilidade únicas.

    F: A narrativa em primeira pessoa me parece bem linear, sem grandes problemas ou grandes méritos.

  7. Pedro Luna
    20 de junho de 2017

    Apesar de não ser fã de O Pequeno Príncipe, achei muito criativo você trazer para o conto o autor e ainda fazer um link entre o seu drama real e a imagem do desafio. Eu tenho um conhecido que iria pirar de alegria ao ler o seu conto, tenho certeza. Quanto ao conto, é mais um que utiliza a figura do Javali como metáfora para o psicológico, pelo menos foi isso que me pareceu. A leitura fluiu para mim de forma bela, mas por vezes me peguei lendo parágrafos e achando apenas bonito, sem pescar as intenções. Também o modo como o texto foi distribuído o fez soar como se tivesse muito mais que as duas mil palavras do desafio, mas de modo cansativo. Não tenho a sensibilidade que esse conto pede.

  8. Lee Rodrigues
    19 de junho de 2017

    Para além da jornada psicológica do personagem, o conto narra o comportamentos e a delicada relação que se cria em circunstâncias onde o ser humano passa por profundas reflexões, e pode alcançar uma espiritualidade que tende a desenvolver quando distante das turbulências do mundo que consideramos civilizado.

    O enredo me trouxe a memória, de forma forte, o drama de Chuck Noland, que também, devido a um acidente aéreo em que viajava a trabalho é levado a buscar meios de sobrevivência. Na história uma bola de vôlei da marca wilson veio a se transformar num personagem de destaque. Aflorando emoções quando se revelava a carência afetiva na solidão Noland, sempre alimentando esperanças de voltar à civilização.

    Aqui, o autor consegue o mesmo efeito do filme, prender a atenção com apenas um personagem humano. A solidão e o sofrimento foram relevantes para que viesse a personificar um fiel e inseparável companheiro num Javali.

    “Exupéry” entra desviando o olhar, e torna de forma habilidosa o enredo mais doce, cuidadosamente recebe a identidade do autor, deixando para trás a marca do “náufrago”, para crescer nas suas particularidades, ainda, sem perder o foco da singularidade irrefutável da natureza humana.

    A narrativa é fluida, a imagem do desafio foi construída em sua totalidade.

    . “conversa comigo em longos silêncios dourados de entendimento.”

    ** Queria ter tido a sensibilidade para criar essa frase.

    “Esquece o céu, esquece a história que te contei, o que acreditas que te ensinei: “só se vê bem com o coração”. Não é assim, amigo. Bem sabes. Foste tu quem mo mostrou e, se eu pudesse, iria explicá-lo à raposa. A verdade é diferente: “só se vê bem no coração”. Esquece tudo. Fecha os olhos. Vê no coração. Sim, amigo, aí. Onde me encontras, onde estou – onde me puseste.”

    ** Isso encheu minha alma de ternura!

  9. Givago Domingues Thimoti
    19 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto:
    Criatividade: Altíssima
    Emoção: Achei o final meio arrastado, mas o resto está muito bom
    Enredo: Gostei das referências ao Pequeno Príncipe. As frases são muito bem construídas. Acho que o final ficou meio arrastado e confuso, mas, só uma opinião minha.
    Gramática: Confesso que algumas palavras me incomodaram; “desde que lha pus” é um exemplo. Não sei se está certo ou se é correto no português de Portugal . Fora isso, acho que o texto está livre de erros

    Parabéns!

    • queromesmo
      24 de junho de 2017

      Obrigada, Givago Domingues. Sim, a frase é perfeitamente correta em português de Portugal. Imagino que muitas outras o tenham “arranhado”, tal como nós ficamos “de cabelos em pé” com construções frásicas vossas. Mas está correto, sim.

  10. Marco Aurélio Saraiva
    19 de junho de 2017

    ===TRAMA===

    Este sim, é um exemplo de texto filosófico / metafórico bem feito. Há uma sequência de fatos, narrados de forma clara, mas abertos à interpretação. De onde, de fato, o piloto caiu? De seus voos na guerra, ou de um patamar elevado na vida, aonde jamais conseguirá voltar?

    Seu javali era um animal, ou era um amigo companheiro? Uma esposa? Um amante?

    Sua doença era física ou amorosa? Sua morte foi literal, ou apenas a narração de uma transição; o início de uma nova fase?

    Gosto de textos assim, que falam muito com poucas palavras. Este é um conto para ler e reler e reler, cada vez pensando em um assunto diferente.

    Gostei das referências ao pequeno príncipe. Notei que você fez várias outras referências à outras obras, mas estas não peguei por não ter lido.

    ===TÉCNICA===

    Sublime. Clara e metafórica ao mesmo tempo, com palavras escolhidas com cuidado para instigar a dúvida e o esclarecimento. Belas construções frases, e uma excelente revisão. Leitura bela e suave. Foi um texto excelente de ler!

    ===SALDO===

    Muito positivo!

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .