EntreContos

Detox Literário.

A Felicidade (Evandro Furtado)

Fitou, da sacada, a curiosa imagem. O homem, de aspecto curioso, cruzava a avenida em meio à multidão. O som de cuícas e tambores lhe incomodavam. Talvez, incomodasse ao outro também.

Trazia na mão direita uma mala, na mão esquerda uma sineta, que, presa por uma corrente, permitia que trouxesse consigo seu animal de estimação: um javali. As pessoas rondavam-lhe, gargalhando, pedindo-lhe para que parasse para tirar fotos, segurasse o animal para que as selfies saíssem perfeitas e pudessem, logo, ser compartilhadas em alguma rede social. O homem atendia a todos os pedidos sem alterar sua expressão. De qualquer forma, o capuz e os óculos escuros não permitiam que pudesse ser feito algum tipo de julgamento em relação ao seu caráter.

Da sacada ele viu o homem partir, sumindo no horizonte, em meio à multidão. A avenida, no entanto, continuava cheia. Os foliões fazendo festa.

Exausto, ele voltou para dentro de casa.

– Por que você não vai? – perguntou Ricardo. – Deixa de ser antissocial.

– Tá todo mundo lá. – disse Luíza.

– Eu não quero gente, dá pra me deixar em paz?

Os outros o olharam inconformados. Não compreendiam que, para ele, tudo aquilo constituía uma tortura inimaginável. Os gritos, os risos, a música alta, quando passavam por seus ouvidos, transfiguravam-se em algum outro som, desprovido dos significados que o restante do mundo lhes dava.

Os outros finalmente desistiram. Mesmo depois de terem saído, batendo a porta atrás de si, como se ele tivesse cometido algum tipo de crime, continuou ali, sentado na poltrona, alternando sua atenção entre as batidas do ponteiro do relógio que vinham da cozinha e o zumbido que o ar condicionado fazia. Por mais entediantes que pudessem parecer, à primeira vista, abafavam o barulho pior que vinha lá de fora.

Voltou a pensar sobre o homem com o javali. Que sujeito peculiar, teve para si. Quanto mais pensava sobre aquela figura, mais estranheza ela lhe despertava. Carregava consigo uma extravagância mórbida, diferente de tudo que já havia visto em sua vida.

Cansado de seus próprios pensamentos, ligou a televisão.

Passado o Carnaval, as pessoas retornaram à sua rotina habitual. Seus rostos voltaram a se converter nas carrancas nada convidativas do cotidiano.

No caminho para o trabalho trombou com um sujeito. Pediu desculpas, mas tudo que obteve como resposta foi um resmungo e um olhar mal-encarado. Durante todo o dia, o único gargalhar que ouviu partiu de um grupo de pedreiros depois de um deles ter lançado algum comentário sexista a uma moça que passou por perto.

Passou o Domingo assistindo Faustão e percebeu que sua vida estava muito errada. A noite ia se aproximando quando encontrou o amontoado de discos esquecidos no espaço entre a estante e uma parede lateral. Talvez terminar o dia ouvindo Tom Jobim pudesse lhe conferir, de algum modo, a esperança de dias melhores. Fechou os olhos e cantarolou junto.

Tristeza não tem fim

Felicidade, sim

Não esperou pelo Fantástico.

O fato de nunca ter gostado de festas sempre o afastara do restante dos amigos. Aquilo o incomodara no início, mas, com o tempo, passou a preferir assim. Agora, a visita de outros o chateava.

Pensava no que se tornaria quando chegasse aos cinquenta. Com trinta e cinco já se sentia velho e cansado, como se o que a vida lhe pudesse oferecer não fosse o bastante.

Naquela noite, agarrou um casaco e saiu de casa. Andou pelas ruas mal iluminadas de seu bairro. Por alguns minutos, imaginou-se o personagem de algum filme noir. Às vezes queria que o mundo fosse preto e branco. O excesso de cores incomodava seu senso estético.

Encontrou uma espelunca aberta. Um velho banguela cantava alguma canção perdida de Cartola. O vibrato que colocava no fim de cada verso passou a irritá-lo a partir do segundo refrão. O que há de errado comigo? Tudo me irrita.

Preocupado, no mês passado havia visitado um psicólogo. Mas não havia nada de errado com ele. Nenhum sinal de depressão ou algo do gênero.

– Você é só uma pessoa melancólica. – disse o doutor. – Algumas pessoas são assim. Gostam de ouvir músicas tristes, preferem os dias de chuva aos de sol, o inverno ao verão. Dizem que, inclusive, esse tipo de pessoa costuma viver dez anos mais do que o restante.

– Dez anos a mais de tristeza, doutor? Será que valem a pena?

Cogitou a possibilidade de consultar um segundo profissional, mas tinha decidido que encontraria um modo de passar por aquela fase por conta própria.

Bateu a mão do balcão e pediu um copo de conhaque. Uma mulher de meia idade, cheia de manchas na pele, lhe serviu em um copo aparentemente sujo. Ele bebeu em uma golada. A garganta ardeu e ele pediu uma segunda dose. Decidiu encontrar no meio daquela solução etílica a cura de suas dores.

Pensou no que lhe fazia feliz. Nunca conseguira se envolver em um relacionamento duradouro. As coisas iam bem nas primeiras semanas e depois tudo se perdia. Nunca conseguira amar a alguém mais do que amava a si próprio. Os amigos costumavam lhe dizer que, em uma relação, era preciso se fazer sacrifícios. Se um dia eu me sacrificar por alguém, que seja por mim mesmo.

Gostava particularmente de música. Quem sabe reformasse a banda que montara no colégio? Então lembrou-se que o guitarrista havia morrido em uma overdose de LSD, o vocalista estava preso por bater na namorada e o baterista agora era pastor de uma igreja. Por mais preso que pareça, parece que sou o único que continua livre.

Os dois copos foram suficientes para lhe deixar tonto. Pagou a conta e voltou aos tropeções para casa. Deitou na cama e apagou, sem resolver nada.

Encontrou o homem sentado em um banco de praça no final de uma quinta-feira. Não havia nem sinal da fantasia e muito menos do javali. Disposto a quebrar a monotonia de seu mundo, aproximou-se para uma conversa.

O sujeito não parecia muito mais velho do que ele e demonstrou-se demasiadamente simpático. Descobriu que ele, tampouco, gostava do carnaval, e que só esteve lá, naquele dia, por conta de uma aposta que perdera para colegas da empresa. Descobriu também que ele se sentava todo final de tarde naquele mesmo banco para observar o pôr do sol e que, a única razão de não ter percebido, ainda, era porque possuía a terrível mania de andar com os olhos fixados no chão.

Sem saber por que, passou a acompanhar o homem em suas contemplações ao anoitecer. Teve com ele longas conversas filosóficas. Falaram sobre a crise dos mísseis e o programa espacial russo. Discutiram a relação que Hemingway e García Marquez tinham com o comunismo e como isso afetava a sua prosa. Analisaram Eisenstein e cantarolaram Sabu. E finalizavam o dia comendo um Big Mac.

Recebeu a notícia da morte do homem na manhã de uma segunda-feira. Aquilo o atingiu de forma inesperada.

Foi ao velório e se espantou. A família pertencia a uma religião diferente e, enquanto o cadáver permanecia lá, exposto para quem quisesse ver, cantavam e dançavam e riam. Aproximou-se do caixão e olhou para o morto. Tinha a mesma expressão dos finais de tarde que passaram juntos.

– Tinha câncer em estado terminal. Ninguém da família sabia. – disse uma velha se aproximando. Estendeu-lhe uma bandeja com pedaços de carne empanada. Pegou um pedaço e mastigou bem.

– Gostoso. – disse, com os dentes ainda sujos. – É carne de que?

– De javali. – disse a velha, e se afastou.

Ele arregalou os olhos. Depois soltou uma gargalhada. Alguns rostos o contemplaram por alguns segundos, mas depois voltaram suas atenções para outro lugar. Ele voltou a olhar para o morto e ele pareceu estar sorrindo.

– Eu não sei qual o seu segredo. – sussurrou debruçando sobre o corpo. – Mas que funciona, funciona. – Apertou a mão do cadáver e se virou.

Naquela tarde, assistiu ao pôr do sol sozinho, no mesmo banco de praça.

Sentiu-se, estranhamente, feliz.

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56 comentários em “A Felicidade (Evandro Furtado)

  1. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    A Felicidade (Abel)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: sim, desde o começo, a imagem é determinante para os rumos da história.

    ASPECTOS TÉCNICOS: apesar do tema, depressão, a narrativa é leve para o leitor; a escolha das palavras e construção das frases é bastante racional e objetiva, sem rodeios. A trama, em si, não guarda muitas surpresas, é quase certo o desfecho; mas não decepciona, por tentar ir para outro lado.

    EFEITO: pareceu um esboço de uma história, aprofundada nos personagens, principalmente no protagonista.

  2. Felipe Moreira
    23 de junho de 2017

    Oi, Abel. Gostei da história, achei um tanto pertinente. Acho que também porque uma vez assisti uma palestra do Leandro Karnal em que ele fala, com humor machadiano, sobre essa questão. Não deixa de ser uma crítica social. É interessante e você conseguiu adequá-la ao tema.
    Leva alguns parágrafos até enxergarmos o real objetivo texto, a apresentação do javali é meteórica no contexto e soa como se a história fosse se perder, mas até que caminha com certa segurança. As referências, citações, também são bem empregadas.

    O uso inadequado das vírgulas em alguns pontos incomodou um pouco.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  3. Leo Jardim
    22 de junho de 2017

    A Felicidade (Abel)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): bonita, singela e introspectiva. Acho que esse psicólogo que o protagonista frequentou estava errado: ele realmente tinha algum grau de depressão. Encontrou no velhinho um amigo e uma forma de enxergar a felicidade. Acho, porém, que a trama está um pouco gorda, com excessos. Algumas cenas e informações pouco acrescentam à trama.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): boa, uma narrativa em primeira pessoa eficiente, com boas reflexões. A pontuação do diálogo, porém, está incorreta. Acredito que esse artigo pode ajudar: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

    💡 Criatividade (⭐▫▫): um assunto um tanto batido. Infelizmente não vi muita coisa que tornasse esse único.

    🎯 Tema (⭐▫): a imagem-tema está presente, mas sem importância para a trama. Fosse qualquer outra fantasia do velho, não mudaria a história.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei do texto, tem uma boa reflexão. Não entendi o funeral do velho e a religião da família dele, acho que podia ter explicado melhor para melhorar a mensagem no final. Ainda assim, um final bonito.

  4. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Abel,
    Meus parabéns! Que história bonita. Acho que gostei especialmente porque me identifiquei muito com o seu personagem principal: na idade, na ojeriza a grandes aglomerações de pessoas, na vontade de permanecer recluso. Essas características tricotaram muitas carapuças aqui em casa. (e acho que a irritação também).
    Gostei da relação que você conseguiu estabelecer entre os dois personagens e de como isso foi se desenrolando ao longo da história e de como o seu personagem principal foi mudando ao longo da narrativa. Gosto de ver transformações em personagens, dá uma sensação de profundidade, que não estamos diante de um robô ou de uma história para crianças. Gostei.
    Contudo, achei o início um pouco lento. Talvez a sua intenção fosse exatamente essa, para transparecer a melancolia na vida do personagem. Para isso funcionou, mas como leitor cansou um pouco.
    Gostei da ideia de servirem javali no velório, mas não consegui identificar a relação desse fato específico com nenhuma religião que eu conheça.
    Bem, como eu disse, meus parabéns.
    Um abraçao!

  5. Andreza Araujo
    21 de junho de 2017

    Achei um conto bem diferente, no começo a gente lê sem saber onde o autor quer chegar, não sabe se é algum tipo de crítica ou desabafo, mas continua a ler e quando percebe está gostando da narrativa.

    Achei a entrada do personagem com o javali meio abrupta, talvez deslocada, mas depois ele volta a fazer parte do enredo de um modo que se encaixa. Te sugiro olhar com mais cuidado para as repetições de palavras, caso não tenha sido proposital. Logo de cara ver um “imagem curiosa” seguido por “aspecto curioso” e na frase seguinte um “incomodavam” depois “incomodasse” foi bem chato de ler, parecia que o texto iria ficar em looping até o final. Mas isto não ocorreu, felizmente.

    Algumas aliterações também me incomodaram, como “foliões fazendo festa”. É um texto que trata do cotidiano de um personagem introspectivo. Apesar de me causar certa estranheza num primeiro momento, o final casou bem.

  6. Marcelo Milani
    19 de junho de 2017

    Gostei da história, o dia a dia do personagem central foi bem descrito, mas o final ficou esperando um final inesperado.

  7. Givago Domingues Thimoti
    19 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Médio
    Criatividade: Alta
    Emoção: Acabei não gostando muito do conto. Não senti muita empatia pelo personagem e nem mesmo entendi direito o final. Qual o segredo do falecido?
    Não se importar muito?
    Enredo: Pelo que eu apontei acima, achei o enredo fraco. Embora tenha ótimas construções, os emoctions deram uma ideia de ironia que eu não achei muito engraçada.
    Gramática: Não notei nenhum erro.

  8. Marco Aurélio Saraiva
    19 de junho de 2017

    ===TRAMA===

    É um conto diferente, que fala sobre a solidão, e sobre o fato de ser naturalmente solitário. É um conto que fala sobre aceitar a você como realmente é, sem querer mudar. Fala sobre aprendermos a tirar o melhor de nós, encontrar o bom mesmo no que é visto como ruim, no caso, a solidão e a melancolia.

    O homem com o javali era um igual. Mas ele, já no final da vida, entendia como se comportar com toda aquela monotonia. Alguns simplesmente nascem assim. Gostei de como você pôs isso durante a conversa com a psicóloga.

    ===TÉCNICA===

    Muito boa. Sem erros. Sua escrita passou exatamente o sentimento que você queria passar: toda a monotonia do personagem, e toda a sua solidão. Palavras e frases curtas, cheias de um tom meio depressivo, meio hipnotizante. Não vi erros. Foi uma boa leitura!

    A separação dos trechos que não faz muito sentido: um emoticon sorrindo?? Teria que ser um emoticon triste! rs rs

    ===SALDO===

    Muito positivo!

  9. Pedro Luna
    18 de junho de 2017

    Oi, terei de ser sincero e dizer que não achei a história essas coisas todas, não tem passagens memoráveis e achei o personagem do homem do javali bem forçado,e sua relação com o protagonista também. Estava melhor quando o conto focava apenas no triste personagem.

    Bom, quanto a ele, foi sim a melhor coisa do conto. É por isso que esse texto vai ganhar pontos comigo. É que a aura de melancolia atingida aqui foi muito boa, o personagem convence como um ser melancólico e averso a alguns costumes sociais. Muitos, inclusive eu, vão se identificar com ele em algum aspecto. Esse clima bad feeling que faz parte da vida na terra me fez gostar da leitura, mesmo não achando a trama boa.

  10. Sick Mind
    17 de junho de 2017

    “Passou o Domingo assistindo Faustão e percebeu que sua vida estava muito errada.”
    Só por essa frase o conto já venceu o concurso.

    O tema não desempenha bem uma função em meio a isso tudo que é esse conto, mas está ali marcando presença. A melancolia domina todo o ritmo da história, reservando apenas uma mudança para o final. Mas o que conta nesse tipo de narrativa, é mais a reflexão que ele proporciona, como uma beleza implícita esperando para ser captada.

  11. Raian Moreira
    16 de junho de 2017

    Com uma boa narrativa, seu texto causa empatia no leitor, excelente.
    Tem alguns problemas, parece que a estoria tem situações desconexas, parece algo semi pronto que foi adequado ao tema, mas de maneira bem elaborada.
    Texto separado pelos rostinhos ficou fofo, mas não fez sentido devido ao tema, mas você aprende a logica com o tempo.
    A adaptação ao tema ficou a mais diferente que já vi , quem imaginaria colocar o javali como uma fantasia de carnaval ?

  12. Bia Machado
    15 de junho de 2017

    Eu não sei explicar, mas essa personagem principal me soou até simpática. Fui solidária com seus sentimentos rs. A narrativa é ok, mas não sei se foi a melhor forma de contar essa história. Da forma como está, pra mim foi meio complicado de compreender algumas partes, onde senti que realmente “boiei”. O que me chateou um tanto mais do que eu queria foi ver que o javali estava bem tímido no enredo. Não brilhou, tadinho. Pra mim ficou meio que deslocado, até. Ele merecia um espaço maior. As divagações foram interessantes, mas ver como homem, mala, corrente e javali apareceram no início, como se dissesse: “vou usar logo o que preciso e pronto, depois sigo do jeito que der”. Peço desculpas por pensar dessa forma. Digo que gostei, reafirmando que foi uma leitura que não me desagradou, mas terminei com a sensação de que podia ser melhor. Um bom conto, no geral.

  13. Elisa Ribeiro
    14 de junho de 2017

    Olá Abel. Seu conto me lembrou um daqueles filmes franceses super realistas, onde não acontece nada e quando termina te deixa aquela sensação de que havia alguma mensagem cifrada que você não conseguiu compreender. Um sujeito depressivo reencontra um homem que vira no carnaval fantasiado com a imagem do desafio com quem aprende o segredo da felicidade – sentar-se em um banco da praça para ver o por do sol. Enredo estranho é o que posso te dizer. Achei uma boa saída colocar nossa desafiadora imagem do desafio como uma fantasia de carnaval. A narrativa fluiu sem entraves. Há alguns lapsos de revisão e um excesso de vírgulas que eu não usaria. Parabéns pela participação! Abraço.

  14. Wender Lemes
    14 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e meu entendimento sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: quanto à ortografia, notei apenas uma brecha de revisão no início, que não atrapalhou a leitura. A narrativa flui com naturalidade, sem propor muito, mas com competência. A proposta estética também é relativamente comum.

    Aspectos subjetivos: o conto aborda a imagem do tema, mas ela não é propriamente o tema do conto. Pode-se dizer que o tema aqui tende mais para o próprio título: a felicidade. Dentro dessa proposta, nota-se a criatividade ao explorar um tipo incomum de felicidade, em situações igualmente incomuns.

    Compreensão geral: e o que é a felicidade, no final das contas? O conto causa estranheza em muitos aspectos. Um dos motivos para isso é justamente fazer-nos questionar uma concepção comum de felicidade. Acompanhamos o protagonista em sua rotina melancólica e seguimos a mesma reflexão que o corrompe. A infelicidade não é um problema do mundo (que pouco se importa com o protagonista), nem um problema dele (que pouco se importa com o mundo). A infelicidade está no meio do caminho, em buscar o contentamento nos lugares errados, pelas razões erradas. Achei que o “homem do javali” se mostraria uma versão futura do protagonista, dada a empatia que os dois demonstravam entre si – acho que eu estava errado.

    Parabéns e boa sorte.

  15. Wilson Barros
    14 de junho de 2017

    O conto encaixou como uma “cunha” no tema. As mesmas frases belas, o velho banguela… tenho uma novidade para todos: isso realmente aconteceu, foi com o campeão mundial de xadrez Alexandre Alekhine. Para quem é fã do cara, como eu, é um soco.. Grande pequeno conto, parabéns…

  16. Cilas Medi
    13 de junho de 2017

    Uma concordância com o substantivo que passa batido para o entendimento. O principal é sempre o enredo e a criatividade. Um conto estranho, com figura mórbida e que leva um sentido de prazer para um futuro próximo com base na morte, sempre certeira, para alinhavar a vida com precisão. A morte do estranho, festejada com a carne do amigo garantiu um pouco de alegria para mim, um leitor não muito afeto a esse tipo de conto. Surtiu efeito para uma nota melhor.

  17. maziveblog
    13 de junho de 2017

    Com a permissão do autor, ai vai o resumo do conto: Certo dia, no carnaval, um homem solitário e tímido conhece um homem exibicionista e popular. Depois, descobre o homem popular e exibicionista não era popular nem exibicionista, que era até parecido com ele. Ficaram amigos. No fim, o homem que não era nem popular nem exibicionista morre. Quando descobre a causa da morte do amigo, o homem tímido e solitário descobre que era triste por nada, que não tinha motivo para ser triste.

  18. rsollberg
    12 de junho de 2017

    Fala, Abel.

    O mérito do seu texto é justamente a simplicidade, ele não apresenta maiores pretensões estéticas, filosóficas ou criativas. Na ralidade, ele surge quase como uma crônica, o que é interessante por foge do lugar comum das histórias com ações frenéticas e mundos distópicos.

    No que diz respeito a adequação, não estou exigindo muito vez que uma imagem não pode ser interpretada de modo tão restrito, nesse sentido, ainda que de passagem rápida, a referência está presente.

    Gostei da leveza com que o autor trata o tema, essa passagem chamou minha atenção:”Sem saber por que, passou a acompanhar o homem em suas contemplações ao anoitecer. Teve com ele longas conversas filosóficas. Falaram sobre a crise dos mísseis e o programa espacial russo. Discutiram a relação que Hemingway e García Marquez tinham com o comunismo e como isso afetava a sua prosa. Analisaram Eisenstein e cantarolaram Sabu. E finalizavam o dia comendo um Big Mac”.

    Senti falta de um fio condutor mais definido. Contudo, o ar lacônico funcionou em alguns momentos.

    Parabéns

  19. M. A. Thompson
    11 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: achei forçada, mas existe a adequação.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): nada que comprometa a leitura.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): satisfatório.

    * Enredo (coerência, criatividade): um pouco disperso, poderia ser mais criativo e dar mais destaque aos protagonistas.

    De modo geral foi um bom conto.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  20. Fabio Baptista
    9 de junho de 2017

    Olha, eu não sei se captei tudo. Provavelmente não. A escrita é simples e não traz muitos atrativos estéticos, mas narra tudo com muita clareza. Acho que o problema foi que com as cenas isoladas meio que não consegui formar um todo.

    Mas, da parte que consegui entender, eu gostei. Acredito que tenha retratado bem o sentimento de isolamento e pra mim foi muito fácil criar identificação com o personagem, porque sou meio assim. Esses dias estava até pensando sobre isso e acabei ficando com uma música do Nofx na cabeça (Soul Doubt). Enfim… voltando ao conto, essa parte que narra o sujeito recluso é muito boa, mas achei o vínculo com o cara do javali meio forçado (ou não entendi muito bem o significado).

    As duas frases finais são bacanas, mas, justamente devido a esse meu não entendimento completo, não trouxeram o impacto que poderiam trazer.

    – algum comentário sexista a uma moça que passou por perto
    >>> isso ficou muito “empoderado”… talvez falar qual foi a cantada teria surtido um efeito melhor

    – E finalizavam o dia comendo um Big Mac.
    >>> boa! kkkkk

    Abraço!

  21. Claudia Roberta Angst
    5 de junho de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título é simples e utópico, talvez. Afinal o que é a felicidade?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma bem sutil, mais como pano de fundo do que outra coisa. Mas a imagem está aí e pronto.
    Os colegas já apontaram algumas repetições de palavras. Recorro a um dicionário de sinônimos que cato no Google mesmo quando não consigo encontrar outra palavra para o que quero dizer. Repetições empobrecem a narrativa e travam a leitura, infelizmente.
    A sua história tem um tom melancólico perfeitamente compatível com o estado do rapaz. Gostei do desenvolvimento quase filosófico do conto.
    O que não entendi muito bem foi a mudança de humor do protagonista no final. Por causa da carne de javali?
    Boa sorte!

  22. Gustavo Araujo
    5 de junho de 2017

    A meu ver é um conto bacana, simples, que fala das coisas que realmente importam na vida. Não permite, contudo, digressões mais profundas, ou melhor, deixa essas digressões por conta do leitor, como se o convidasse a preencher lacunas deixadas em aberto propositalmente. Penso que as frases curtas contribuem para com essa sensação de superficialidade. Não acho que isso seja necessariamente um defeito; é, antes de tudo, uma questão de estilo, mas é inegável que um discurso mais longo faz com que o leitor navegue de modo mais atento, por vezes até imergindo nas palavras, extraindo-lhes o verdadeiro significado. A amizade que o protagonista e o homem desenvolvem poderia ter sido um pouquinho mais explorada – afinal, havia bastante espaço para isso. Do jeito que ficou, pareceu tudo muito rápido, acelerado e até mesmo forçado. Quero dizer com isso tudo que há muito material bom aqui. Talvez seja o caso de trabalhá-lo um pouco mais. É isso.

  23. Fernando Cyrino
    3 de junho de 2017

    Uma narrativa muito legal. Você conseguiu me prender com a história que está contada de uma maneira leve, e bem concatenada, sem que se me fossem provocados sobressaltos na leitura. Achei bastante criativa a saída pelo carnaval e a aposta na empresa. O homem que não gostava de carnaval se fantasia com o javali. Também apreciei o final da história. Ficou bem bacana. Um belo conto, parabéns pela sua obra.

  24. Ricardo Gnecco Falco
    3 de junho de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Algumas repetições de palavras e ideias: “…a [curiosa] imagem. O homem, de aspecto [curioso]…” , “…e [pudessem], logo, ser compartilhadas (…) óculos escuros não permitiam que [pudesse] ser feito…” , “…Por mais preso que [pareça], [parece] que…” , ” . É, eu sei que na hora em que escrevemos nada disso aparece. E muito menos na hora que revisamos. Pois é exatamente por este motivo que isso se chama “vício de linguagem”. Como conseguir fugir deles? Eu só consegui de um jeito: Primeiro, passei a deixar os textos recém terminados “de molho”, me afastando deles por algum tempo; de preferência o máximo que der. Então, depois, conseguindo reconhecer aquelas palavrinhas que eu mais repetia por costume nos textos (o Word ajuda muito nisso, com a ferramenta “buscar palavras”), eu as substituía por sinônimos (o Word, novamente, é ótimo para isso também). Com o tempo, fui identificando as minhas manias (meus vícios) e, ciente deles, sanando-os. É chatinho de fazer, mas dá bons resultados! E você escreve muito bem, autor/a! Vale a pena este esforço! 😉

    – CRIATIVIDADE
    Muito boa. Gosto de (e escrevo muito sobre) temas do cotidiano. A observação do entorno em nosso dia a dia e do detalhe dos detalhes… Achei muito bacana, portanto, a abordagem que você deu ao conto. Tudo parece leve, simples, até mesmo banal; só que não… Rs! Agora, colocar a imagem temática do Certame em meio ao Carnaval… Isso sim foi um tiro certeiro da imaginação! Parabéns! 😉

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    120%. Acho que encontrei a melhor adaptação para a imagem-tema do Desafio. Show de bola!

    – EMOÇÃO
    Perene. Aquele sentimento que fica, mesmo depois da leitura. O conto inicia aos poucos, nos mostrando por alto as sutilezas que irá posteriormente abordar, com maestria, através de uma pegada mais filosófica e cujo domínio de pena foi perfeito por parte do/a autor/a. Muito bom!

    – ENREDO
    Rapaz em momento da vida onde a melancolia ficou mais notada, fazendo-o “Não esper(ar) pelo Fantástico.”, conhece um tipo de alma gêmea, com a qual faz amizade e, por um curto período, sente a completude da vida; até a realidade, novamente, revelar-se o mais irônico dos simulacros por todos nós experimentados.

    *************************************************

  25. Fil Felix
    30 de maio de 2017

    Boa noite! Alguns pontos do seu conto acabaram pulando e talvez ofuscando alguns outros. A história em si é interessante, mostrar o contraste entre o cinza mórbido e depressivo das cidades contra o colorido e festivo dos carnavais. Eu particularmente gosto muito dessa temática. A batalha do protagonista pra superar isso, indo de encontro com a outra figura. Porém, senti que algumas coisas ficaram meio estranhas. A imagem surge de maneira literal e poderia ser facilmente cortada, aparecendo só como a comida ao final. As citações ao Fantástico, Faustão e cia. não combinaram com a temática mais “séria”. Outros termos também se encaixam nessa situação, como “comentário sexista”. Muito formal. Cantada soaria esteticamente melhor. Tive a impressão da narrativa ficar nesse conflito de “narradores”.

  26. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    28 de maio de 2017

    Um conto de fácil leitura, mais ou menos bem escrito. A figura do homem e do javali passaram como sombra pela história. Ao meu ver, poderia ter equilibrado os acontecimentos e não se focado tanto no psicológico do tristonho; por conta desse desequilíbrio, ficou um pouco artificial a relação entre ele e o homem do javali. Mas claro, sabemos que o limite de palavras é pouco e não tem como se aprofundar tanto, seja nos acontecimentos, seja no eu dos personagens. O final me passou uma mensagem de que, apesar dos pesares, a vida tem de ser levada aceitando os absurdos, como o demonstrou a risada do tristonho ao saber que a carne era do javali. Pois, que absurdo maior que este do que transformar um animal de estimação (acredito que o javali o era) em comida?, ainda mais em um velório!

    Parabéns!

  27. Sabrina Dalbelo
    27 de maio de 2017

    Olá autor(a),

    Eu gostei!
    Senti um humor mórbido e pude ver a tristeza comum da modernidade: da depressão, da falta de inteligência interpessoal, das atitudes superficiais e da solidão que sentimos em meio ao todo.
    Talvez tu nem tenhas intencionado inserir todas essas sensações, mas elas brotaram em mim.
    É um conto que trouxe a ideia do desafio para os dias atuais, ainda que tenha remetido o enredo muito pouco (quase nada) à imagem proposta.
    A história mostrou a capacidade do autor(a) para redigir contos contemporâneos.
    Apenas para constar, retirou um pouco o brilho da atmosfera criada a confusão que a falta de identidade dos personagens criou ao leitor.
    É que confunde ler “o homem” e depois “o homem”. Fica difícil saber a qual deles a parte do texto se refere.
    Um abraço,

  28. Fheluany Nogueira
    27 de maio de 2017

    O texto me pareceu um desabafo que mais se encaixaria como crônica, pelo enredo simplista. O narrador, as descrições, os diálogos convencem, no entanto a imagem-tema apareceu de forma bem forçada e o homem com o javali é um personagem secundário.

    A coerência do texto ficou prejudicada em dois aspectos: o posterior reconhecimento do homem do javali apesar da touca, óculos, avistado de longe e a notícia da morte.

    O texto merece uma revisão de linguagem: repetição de palavras, rimas internas, regência verbal (“O som de cuícas e tambores lhe incomodavam. Talvez, incomodasse ao outro também” — verbo transitivo direto, no sentido de causar incômodo a; importunar, por exemplo). Pequenos detalhes que não comprometem o conjunto do trabalho que agrada.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  29. Jorge Santos
    26 de maio de 2017

    Durante o carnaval, um homem deprimido observa outro homem que passa a rua com um javali. Fica curioso. Posteriormente consegue falar com ele. Discutem literatura de autores comunistas e acabam a comer fast-food (gostei da ironia). No passo seguinte, há um facto mal inexplicável: ele é informado da morte do outro homem. Esta passagem deveria ter tido outro desenvolvimento com a introdução de uma terceira personagem que faria a ponte entre as outras duas personagens. Dito tal como aparece no conto, é estranho e inverosímil. Durante o velório, ao perceber que está a comer a carne do javali que acompanhara o falecido, o homem deprimido tem uma crise de riso. O riso não cura a melancolia nem tem nada a ver com a felicidade. É uma reacção momentânea. Não se revela a razão da transformação do homem que estava deprimido e é aqui que reside a fragilidade do conto, que está escrito numa linguagem simples, que necessitaria de alguma revisão.
    PS: tanto quanto sei, a overdose de LSD pode, nos casos mais graves, provocar coma, não a morte.

  30. Anorkinda Neide
    24 de maio de 2017

    Quanta implicância com os emoticons.. rsrs eu passei por eles como se fossem xizinhos ou listrinhas, qualquer coisa.. hehe
    Bem, autor(a)
    eu fiquei esperando um maior sentido sobre o encontro com o amigo do por-do-sol e seus encontros filosóficos. ao final, apenas a lição d e moral de que naõ se deve ser melancolico se vc nao tem uma doença terminal, nao me agradou.
    Nem vi que graça teve a carne de javali.
    Aliás, senti falta do javali, ele apareceu só para fazer a cena proposta pelo desafio, mas quem era? de onde veio? pra onde foi? pq foi cozido?
    mais os pontos que a galera já citou me fizeram me afastar do teu conto, mas o texto é bom, sem erros maiores e a leitura fluiu legal.
    Boa sorte, abração

  31. Iolandinha Pinheiro
    24 de maio de 2017

    Olá, Abel. O que dizer? Não vi erros em sua escrita, o conto tinha começo, meio e fim, o javali e o homem de sobretudo estavam lá. Os emoticons para mim foram indiferentes, nem me chamaram a atenção, só achei bobinhos. Os problemas começam porque noventa por cento do conto foi consumido com a descrição dos dias monótonos do protagonista. O tédio estava incrustado no homem, e embora eu ache importante que o texto venha com a construção do personagem, entendi que houve um exagero do autor com a criação de vários quadros para ressaltar esta característica, o que fez com que o conto ficasse repetitivo e enfadonho. Também mostrou a fraqueza do enredo, que se resumia, basicamente, a mostrar o quanto o cara era chato, que ele viu um estranho puxando um javali, e que o reconheceu (!!) tempos depois, fazendo amizade com ele perto do final de sua vida (do estranho). Não havia uma função para a existência do javali, talvez o autor tenha sido malvado fazendo a família do morto matar o bicho de estimação dele tão logo este tivesse falecido. Se fosse um cachorro entregariam para a carrocinha. Não há muito o que falar, então vou desejar sorte para você no desafio.

  32. Afonso Elva
    23 de maio de 2017

    Abel, vou te contar que sou doido para por emoticons nos meus textos mais descompromissados, ou mesmo textos mais leves ou mais sagazes . Existem frases em que sinto falta de fechar com um 😉 ; ainda mais se estou conversando com o leitor. No seu texto por exemplo, imagina um 🙂 , depois do “Sentiu-se estranhamente feliz”? Seria muito bom.
    Gosto de emoticons, não vão demorar a aparecer em textos no futuro (inclusive nos meus), legal você ter usado.
    Seu texto cumpre a tarefa de entreter, e tem um final na medida. Gostei dos retratos que foi fazendo ao longo do texto, e ainda mais do fato de não encher o mesmo de clichês que são esperados em textos deste tipo (apesar de ter alguns bens batidos). Só atento quanto algumas passagens. Ao meu ver, certas coisas (nem que seja uma palavra), podem destruir a fluidez e naturalidade do texto. Um exemplo aqui foi a palavra “SEXISTA”, ela simplismente congela a leitura, como se o autor mudasse a voz de uma hora para outra. Isso também acontece com a palavra “ETÍLICA”. Existem também alguns pontos desnecessários, não vou me estender muito nisso, só tenha em mente que alegorias são quase sempre um tiro no pé, cuidado!
    E antes de eu ir embora: cuidado com a palavra “HAVIA”, ela é danada, e enrola todo mundo, digo por experiência própria.
    Forte Abraço 😉

  33. Victor Finkler Lachowski
    23 de maio de 2017

    Um conto bom e moderno
    Gramática: não encontrei erros de gramática, linguagem normal e ritmo um pouco lento, estilo de escrita mais parecido com crônica;
    Criatividade: Ok, é cheio de críticas sociais e muito irônico, porém não é original, achei bacana o final e humor negro;
    Adequação ao tema proposto: gostei, coloca a ambientação da foto no clássico “sozinho no meio da multidão”
    Emoção: não emociona, faz refletir, o tom monótono e bidimensional dos personagens não dá a profundidade necessária para se sentir triste.
    Enredo: Não é original, ritmo lento e ligeiramente cansativo, porém é reflexivo e cheio de ótimas críticas.
    Nos presenteie com mais obras suas caro(a) Autor(a).

  34. Jose bandeira de mello
    23 de maio de 2017

    Texto agil, rapido e moderno. Com alusoes ao cotidiano, transmite uma interessante critica a sociedade pseudo alegre, de pouca reflexao e que toma conta do mundo atual. Penso que essa estoria, se nao tivesse que estar atrelada a um homem com um sobretudo, uma mala e um javali, poderia ter um desenvolvimento muito mais interessante, dada a facilidade que o autor(a) demonstrou para desenvolver seu texto. Congratulo-me com o autor(a)…parabens..e desejo sinceramente sucesso.

  35. Rubem Cabral
    23 de maio de 2017

    Olá,Abel.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    A imagem está no conto: homem de sobretudo caminha com javali na coleira.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    Não encontrei erros a apontar. O conto está muito bem escrito.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O conto soou mais como crônica, de alguém meio melancólico e pessimista. O narrador é bom, os diálogos idem, as descrições também o são.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O conto resultou um tanto monótono às vezes. O enredo é muito simples, e o homem com um javali é quase um personagem secundário. A morte do homem ao final e servirem carne de javali no funeral não foram escolhas que me pareceram muito boas. Embora o final de redenção tenha fechado bem a história, afinal, o sujeito do javali teria bons motivos para a tristeza, mas encarava a vida com otimismo.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  36. Olisomar Pires
    22 de maio de 2017

    1. Tema: presente com alterações;

    2. Criatividade: Normal. Sujeito chato faz um novo amigo que morre em seguida.

    3. Enredo: No geral as partes se conectam e a estória é bem desfiada.

    Quase uma crônica, é um texto p reflexão com alguma pitada de humor negro.

    Duas observações no texto não combinam : “Que sujeito peculiar” – quem diz isso dessa forma ? e a outra é “comentário sexista” feita pelo narrador ou seria a voz do autor ?

    4. Escrita: não notei erros que tivessem atrapalhado a leitura.

    5. Impacto: baixo.

    O melhor lance foi a carne de javali, talvez nem seja o mesmo que apareceu antes, mas leva a essa indução, no demais, é tudo muito “sofrimento” sem causa.

  37. Mariana
    22 de maio de 2017

    Olá. Começo destacando os emoticons, pode parecer um detalhe bobo, mas ficou deslocado do texto e até um pouco debochado. Fora que, aqui é uma questão pessoal, tenho sérios problemas com essas caras sorridentes e infantilizadas.
    Também aponto a questão de que faltou um tanto de coesão entre as partes do conto, precisei de duas leituras para acompanhar o encadeamento dos fatos. Por fim, ressalto que gostei da cena carnavalesca e que o final me deixou com vontade de conhecer mais sobre a família do homem com o javali bem como o melancólico narrador. Contudo, acredito que a fugacidade que perpassa os personagens e a escrita foi intencional e, sim, funcionou para a proposta.

  38. Lee Rodrigues
    22 de maio de 2017

    Eu tô rindo aqui – com os emoticons – mas meu coração diz que é errado. Rs

    Abel, se a escrita fosse mais madura, eu diria que é obra de um fanfarrista querendo arrancar risos e estranhezas, mas acredito que não seja o seu caso.

    Olha, lendo os comentários, você vai perceber que a questão dos emoticons não é apenas porque estão representando uma carinha alegre, enquanto o enredo é o oposto, porque você poderia ter usado bonequinhos com carinha triste e o efeito seria o mesmo, eles roubariam a atenção do seu conto.

    “Os outros o olharam inconformados. Não compreendiam que, para ele, tudo aquilo constituía uma tortura inimaginável. Os gritos, os risos, a música alta, quando passavam por seus ouvidos, transfiguravam-se em algum outro som, desprovido dos significados que o restante do mundo lhes dava.”

    Nesse parágrafo você dá início ao conflito do seu persona, e eu realmente gostei do que mostrou, mas na construção do parágrafo seguinte você começa da mesma forma que esse:

    “Os outros finalmente desistiram…” Veja, apenas na minha opinião, e a minha opinião não é regra, mas acredito que ficaria melhor se substituísse “os outros” por “Os colegas” finalmente desistiram…

    “Passado o Carnaval, as pessoas retornaram à sua rotina habitual. Seus rostos voltaram a se converter nas carrancas nada convidativas do cotidiano.”

    Rotina, habitual, cotidiano são palavras que exprimem praticamente a mesma coisa, talvez, dando uma “facada” no “habitual”, esse curto parágrafo ficasse menos redundante.

    Ainda que de leve, seu conto tem adequação da imagem, sim. Não exatamente como o quadro, porque esse é o seu Javali, num dia pousando para selfies, e no outro, bem rsrs deixa o pessoal ler para descobrir.

    Seu enredo tem alma, tem carga dramática, percebe-se a sensibilidade no que tange a criação da personalidade a ser explorada, mas é que às vezes, aquilo que a gente tem em mente, na hora de passar para o papel, não sai com a mesma voz que imaginamos. Seu conto é uma pepita de ouro, lapidar vai doer um pouco no seu ego, mas creia, vai valer a pena.

  39. Jowilton Amaral da Costa
    22 de maio de 2017

    Achei o conto estranho, remeteu-me mais a uma crônica do que a um conto, e também é melancólico — gosto de contos neste tom —, no entanto, a junção da história de vida do homem triste com o homem do javali, que também era triste, se deu de uma forma pouco verossímil, ao meu ver. Ficou tudo meio que juntado às pressas, e a ligação entre eles não me convenceu. Enfim, a história não me pegou. Boa sorte.

  40. Brian Oliveira Lancaster
    22 de maio de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Diferente, com certeza. O protagonista (bicho) é secundário nessa abordagem, mas tem um papel importante ao fim – mesmo que um triste fim. Transformar a imagem em algo mais comum, como carnaval, foi uma boa sacada. A tal busca pela fórmula da felicidade traz um clima diferente, quase depressivo. Gostaria de saber mais da história do homem e seu javali. Faltou um pouco da essência geral.
    G: “Passou o Domingo assistindo Faustão e percebeu que sua vida estava muito errada.” Essa frase é ótima. O texto é bem construído, melancólico e cativa, mesmo com sua premissa simples. No entanto, gostei mais da atmosfera do que da solução em si. A pessoa mal conhecia o homem; não sei se teria uma epifania em seu enterro (ou mesmo interesse de ir lá).
    O: Cuidado com a repetição de palavras/verbos seguidas (ex: curiosa/curioso). E cuidado com as rimas, se não forem intencionais (javali, ali, si), como em textos mais poéticos. Mas o restante flui muito bem e deixa ao final uma sensação de ‘a vida como ela é’.

  41. catarinacunha2015
    22 de maio de 2017

    Um INÍCIO forte ao incluir a imagem em um clima carnavalesco. O primeiro parágrafo tem repetição de palavras como “curiosa” e “curioso”, “incomodavam” e “incomodasse”. Parece besteira, mas numa narrativa curta cada palavra precisa dizer a que veio e ter seu valor individual.
    Texto dividido por “emoticons”? Poderia ser uma estrela, ou uma flor, ou três pontinhos? Mas o bonequinho está rindo, o que não combina com o texto. Achei desconexo e prejudicial.
    TRADUÇÃO DA IMAGEM embaçada. Se o javali não tivesse voltado em forma de empanadas no velório nada teria sentido. Mas aí reside a inteligência do conto. A divisão em pequenos capítulos deu pausas fluidas. Gostei. Fora os infelizes emoticons; claro.
    Fim com EFEITO de ressaca de conhaque. Dá logo onda e te derruba. Mas só no dia seguinte vai entender o que aconteceu.

  42. Vitor De Lerbo
    21 de maio de 2017

    O texto está bem escrito, mas parece que a imagem do homem com o javali foi inserida rapidamente, apenas para se encaixar no desafio. A piada do final, com a carne de javali, é muito boa.

    Dois pontos ficaram estranhos para mim: como o protagonista reconheceu o homem do javali, já que ele o viu apenas da sacada e, nessa ocasião, o futuro morto estava com capuz e óculos escuros; e como ele recebeu a notícia da morte desse homem.

    São pontos fáceis de se contornar e, se isso for feito, penso que o conto irá evoluir.

    Boa sorte!

  43. Roselaine Hahn
    21 de maio de 2017

    Oi Abel, achei o conto narrativo demais, descritivo demais; fugiu da proposta do javali e se perdeu nas reminiscências de um sujeito melancólico, uma história centrada em explicar as tristezas do personagem; algumas cenas não convenceram, faltou a chamada verossimilhança, como o encontro com o homem do javali, a notícia da sua morte, alguém que ele conhecia somente da rua, e também não me convenceu a estranha mudança da melancolia para a felicidade. Bem, na verdade, senti falta do javali. Mas não desanime, continue lapidando a sua escrita,

  44. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Abel,
    Gramática – Algumas coisas poucas ao longo da escrita. Palavras repetidas. Umas coisas de construção.
    Criatividade – Não consegui entender muito bem essa coisa toda. Perdão. Talvez tenha sido a mudança de uma cena para outra, de um momento para outro.
    Adequação ao tema proposto – Eu até consideraria a imagem na primeira parte, mas ela não apareceu depois. Foi apenas uma imagem efêmera no conto. Sem muita consistência.
    Emoção – O conto poderia ter passado uma mensagem sobre vida, sobre passagem de tempo, mas não solidificou qualquer traço de qualquer emoção. Eu diria que ficou faltando algo para que isso acontecesse. Talvez pelo limite de palavras. Isso poderia ter enveredado para algo bem maior.
    Enredo – Eu vejo problemas com o roteiro. As partes meio soltas, sem uma ligação de fato.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  45. Gilson Raimundo
    21 de maio de 2017

    Uma história bem rápida que segue na contra mão das outras, a presença do javali parece alienígena ao conto que possui um enredo bem diferente do aludido pela figura apresentada, o autor foi bem ousado e confesso ter esperado que no final o tema se encaixasse de uma forma espetacular. Não aconteceu.

  46. Antonio Stegues Batista
    21 de maio de 2017

    O conto conta a história de um homem triste com a própria vida. É um sujeito mal-humorado, anti-social, mas o texto não aborda com clareza, ou firmeza, esse aspecto do personagem. Ficou tudo muito vago e o final foi meio estranho. Parece que a história foi adaptada para combinar com a imagem-tema.

  47. braxit
    21 de maio de 2017

    Valeu como exercício reflexivo. Apesar de um ou outro problema, existe muito potencial no texto.

  48. Iris Franco
    20 de maio de 2017

    Oi, tudo bem?

    Bom, vamos lá. Não gostei dos emoticons no meio do texto, quando eu estava me envolvendo com a história aparecia um emoticon. Acredito que tinha alguma intenção estilística, mas não gostei.

    Faltou “amarrar bem os parágrafos”. Utilize mais as conjunções para ajudar na coerência do texto.

    Mas a ideia é bem legal, nós reclamamos muito da vida sem termos motivo. Acredito que foi isso que fez o rapaz rir no final: enquanto se preocupava com os outros e a agonia da solidão, o senhor que tinha câncer, um grande motivo para cair em depressão, vivia muito mais do que ele.

    Bom é isso, boa sorte!

  49. Olá, Abel,
    Tudo bem?
    Seu conto tem um potencial incrível. Quase uma crônica, as reflexões do personagem têm um tom que lembram os autores que mantinham colunas sobre o universo masculino em grandes jornais. Rubem Braga, talvez.
    A narrativa se sustenta por si só e, para ser sincera, a única ponta solta em seu trabalho foi Justamente o Javali. Não que eu ache que este seja o “Desafio DO Javali”. Não é. É o desafio da imagem. Aquela imagem que tem um homem e um Javali, como em seu texto. Então por que essa ponta ficou solta? Não sei. Talvez por não haver a necessidade do bicho para que a história sobrevivesse.
    Um bom texto, talvez deslocado da brincadeira, mas, ainda assim, cheio de potencial.
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  50. Neusa Maria Fontolan
    20 de maio de 2017

    O tema entrou meio que forçado aí, não é? Apenas o cotidiano de uma pessoa que cultua a tristeza, nada mais que isso.
    O final não me ficou claro. Porque a morte do javali resultou em uma gargalhada e também resolveu todos os problemas do rapaz?
    Valeu pela leitura, um abraço.

  51. Milton Meier Junior
    20 de maio de 2017

    Devo concordar com os comentários gerais. Acho que o tema até poderia render uma boa história, outra história, mas o cara com o javali ficou parecendo forçação de barra.

  52. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de maio de 2017

    Abel, você precisa desenvolver muito mais seu conto, seu estilo, sua gramática… Vc repete palavras e expressões em excesso. Há muitos erros, uso incorreto de pronomes, etc. Uma revisão podia resolver isso. Mas acho q antes de uma revisão de gramática ou ortografia, vc precisa revisar o conto como um todo. As informações são jogadas ali, sem cuidado. Muitas vezes a história fica ininteligível ou inverossímil. Vc não usou a imagem como tema, também acho que vc tentou encaixá-la num texto que não tinha nada a ver. Não sei se faltou tempo pra você reler e mexer no seu conto, mas fica a sugestão de que o faça, pois a sua idéia central, parece interessante. Mas carece inclusive de uma certa pesquisa sobre o problema do seu protagonista. Eu, enquanto leitora, gostaria de poder me envolver mais no assunto, mas fica difícil. Por exemplo, quando você fala que o psicólogo disse que não havia nade de errado com ele, nenhum sinal de depressão, ele só era uma pessoa melancólica. Melancolia e depressão são sinônimos… Então esse psicólogo do seu conto devia ter o diploma cassado… O final também, pra mim, foi totalmente ininteligível. Ou seja, o arremate não funcionou. Acho que o conto merece ser reescrito

  53. Ana Monteiro
    20 de maio de 2017

    Olá Abel. O meu comentário não é o primeiro e constato que a minha reação não difere muito das anteriores. mas, ainda assim, um pouco. Antes de avançar mais: precisa de revisão. Tem palavras e locuções que se repetem desnecessariamente. A história não é adequada à proposta feita – mas é boa. Essa viagem de um homem ao interior de si mesmo e a sua desadequação ao mundo, tem muito por onde explorar. Acho que foi criativo e do ponto de vista emocional também vai muito bem. Pena que o javali está mal encaixado e o estranho homem que o acompanha estejam mal encaixados. Não se preocupe, então, com a pontuação final que vai obter. Refaça a história, esqueça a foto, revise bem e, no final, terá melhor resultado que muitos de nós.

  54. Matheus Pacheco
    20 de maio de 2017

    Então brother, tem umas coisinhas no texto que me incomodaram um poquetinho… tipo, havia coisas no texto que não era precisamente necessárias nele, tipo certas descrições e até uma parte do Bic mac…Sem contar as carinhas, mas isso não vem ao caso.
    Abração ao autor.

  55. Luis Guilherme
    20 de maio de 2017

    Olá, amigo, tudo bem por ai?

    Olha, sinceramente não me senti muito envolvido pela história. Me pareceu um apanhado de situações meio desconexas, e o tema foi meio que colocado à força, como se você já tivesse a história toda pronta e só tivesse adaptado ao tema.

    Também achei que muitos dos acontecimentos só passam, sem acrescentar muito, como os amigos do começo.

    Dei risada sozinho com as carinhas separando os trechos hahahah. Não sei bem qual a intenção, mas achei criativo.

    Enfim, no todo, infelizmente não me conquistou, mas mesmo assim, parabéns e boa sorte!

  56. Priscila Pereira
    20 de maio de 2017

    Oi Abel, sua estória tem vários problemas. Para mim, parece que você não escreveu a partir da imagem e sim adicionou a imagem em um texto semi pronto (posso estar enganada, claro). Como ele reconheceu o honem do javali? Ele só viu de longe e o homem estava de óculos e gorro, seria praticamente impossível. As carinhas separando as partes do texto não combinam com o teor mais melancólico… Desejo boa sorte pra você!

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .