EntreContos

Literatura que desafia.

A Felicidade (Abel)

Fitou, da sacada, a curiosa imagem. O homem, de aspecto curioso, cruzava a avenida em meio à multidão. O som de cuícas e tambores lhe incomodavam. Talvez, incomodasse ao outro também.

Trazia na mão direita uma mala, na mão esquerda uma sineta, que, presa por uma corrente, permitia que trouxesse consigo seu animal de estimação: um javali. As pessoas rondavam-lhe, gargalhando, pedindo-lhe para que parasse para tirar fotos, segurasse o animal para que as selfies saíssem perfeitas e pudessem, logo, ser compartilhadas em alguma rede social. O homem atendia a todos os pedidos sem alterar sua expressão. De qualquer forma, o capuz e os óculos escuros não permitiam que pudesse ser feito algum tipo de julgamento em relação ao seu caráter.

Da sacada ele viu o homem partir, sumindo no horizonte, em meio à multidão. A avenida, no entanto, continuava cheia. Os foliões fazendo festa.

Exausto, ele voltou para dentro de casa.

– Por que você não vai? – perguntou Ricardo. – Deixa de ser antissocial.

– Tá todo mundo lá. – disse Luíza.

– Eu não quero gente, dá pra me deixar em paz?

Os outros o olharam inconformados. Não compreendiam que, para ele, tudo aquilo constituía uma tortura inimaginável. Os gritos, os risos, a música alta, quando passavam por seus ouvidos, transfiguravam-se em algum outro som, desprovido dos significados que o restante do mundo lhes dava.

Os outros finalmente desistiram. Mesmo depois de terem saído, batendo a porta atrás de si, como se ele tivesse cometido algum tipo de crime, continuou ali, sentado na poltrona, alternando sua atenção entre as batidas do ponteiro do relógio que vinham da cozinha e o zumbido que o ar condicionado fazia. Por mais entediantes que pudessem parecer, à primeira vista, abafavam o barulho pior que vinha lá de fora.

Voltou a pensar sobre o homem com o javali. Que sujeito peculiar, teve para si. Quanto mais pensava sobre aquela figura, mais estranheza ela lhe despertava. Carregava consigo uma extravagância mórbida, diferente de tudo que já havia visto em sua vida.

Cansado de seus próprios pensamentos, ligou a televisão.

Passado o Carnaval, as pessoas retornaram à sua rotina habitual. Seus rostos voltaram a se converter nas carrancas nada convidativas do cotidiano.

No caminho para o trabalho trombou com um sujeito. Pediu desculpas, mas tudo que obteve como resposta foi um resmungo e um olhar mal-encarado. Durante todo o dia, o único gargalhar que ouviu partiu de um grupo de pedreiros depois de um deles ter lançado algum comentário sexista a uma moça que passou por perto.

Passou o Domingo assistindo Faustão e percebeu que sua vida estava muito errada. A noite ia se aproximando quando encontrou o amontoado de discos esquecidos no espaço entre a estante e uma parede lateral. Talvez terminar o dia ouvindo Tom Jobim pudesse lhe conferir, de algum modo, a esperança de dias melhores. Fechou os olhos e cantarolou junto.

Tristeza não tem fim

Felicidade, sim

Não esperou pelo Fantástico.

O fato de nunca ter gostado de festas sempre o afastara do restante dos amigos. Aquilo o incomodara no início, mas, com o tempo, passou a preferir assim. Agora, a visita de outros o chateava.

Pensava no que se tornaria quando chegasse aos cinquenta. Com trinta e cinco já se sentia velho e cansado, como se o que a vida lhe pudesse oferecer não fosse o bastante.

Naquela noite, agarrou um casaco e saiu de casa. Andou pelas ruas mal iluminadas de seu bairro. Por alguns minutos, imaginou-se o personagem de algum filme noir. Às vezes queria que o mundo fosse preto e branco. O excesso de cores incomodava seu senso estético.

Encontrou uma espelunca aberta. Um velho banguela cantava alguma canção perdida de Cartola. O vibrato que colocava no fim de cada verso passou a irritá-lo a partir do segundo refrão. O que há de errado comigo? Tudo me irrita.

Preocupado, no mês passado havia visitado um psicólogo. Mas não havia nada de errado com ele. Nenhum sinal de depressão ou algo do gênero.

– Você é só uma pessoa melancólica. – disse o doutor. – Algumas pessoas são assim. Gostam de ouvir músicas tristes, preferem os dias de chuva aos de sol, o inverno ao verão. Dizem que, inclusive, esse tipo de pessoa costuma viver dez anos mais do que o restante.

– Dez anos a mais de tristeza, doutor? Será que valem a pena?

Cogitou a possibilidade de consultar um segundo profissional, mas tinha decidido que encontraria um modo de passar por aquela fase por conta própria.

Bateu a mão do balcão e pediu um copo de conhaque. Uma mulher de meia idade, cheia de manchas na pele, lhe serviu em um copo aparentemente sujo. Ele bebeu em uma golada. A garganta ardeu e ele pediu uma segunda dose. Decidiu encontrar no meio daquela solução etílica a cura de suas dores.

Pensou no que lhe fazia feliz. Nunca conseguira se envolver em um relacionamento duradouro. As coisas iam bem nas primeiras semanas e depois tudo se perdia. Nunca conseguira amar a alguém mais do que amava a si próprio. Os amigos costumavam lhe dizer que, em uma relação, era preciso se fazer sacrifícios. Se um dia eu me sacrificar por alguém, que seja por mim mesmo.

Gostava particularmente de música. Quem sabe reformasse a banda que montara no colégio? Então lembrou-se que o guitarrista havia morrido em uma overdose de LSD, o vocalista estava preso por bater na namorada e o baterista agora era pastor de uma igreja. Por mais preso que pareça, parece que sou o único que continua livre.

Os dois copos foram suficientes para lhe deixar tonto. Pagou a conta e voltou aos tropeções para casa. Deitou na cama e apagou, sem resolver nada.

Encontrou o homem sentado em um banco de praça no final de uma quinta-feira. Não havia nem sinal da fantasia e muito menos do javali. Disposto a quebrar a monotonia de seu mundo, aproximou-se para uma conversa.

O sujeito não parecia muito mais velho do que ele e demonstrou-se demasiadamente simpático. Descobriu que ele, tampouco, gostava do carnaval, e que só esteve lá, naquele dia, por conta de uma aposta que perdera para colegas da empresa. Descobriu também que ele se sentava todo final de tarde naquele mesmo banco para observar o pôr do sol e que, a única razão de não ter percebido, ainda, era porque possuía a terrível mania de andar com os olhos fixados no chão.

Sem saber por que, passou a acompanhar o homem em suas contemplações ao anoitecer. Teve com ele longas conversas filosóficas. Falaram sobre a crise dos mísseis e o programa espacial russo. Discutiram a relação que Hemingway e García Marquez tinham com o comunismo e como isso afetava a sua prosa. Analisaram Eisenstein e cantarolaram Sabu. E finalizavam o dia comendo um Big Mac.

Recebeu a notícia da morte do homem na manhã de uma segunda-feira. Aquilo o atingiu de forma inesperada.

Foi ao velório e se espantou. A família pertencia a uma religião diferente e, enquanto o cadáver permanecia lá, exposto para quem quisesse ver, cantavam e dançavam e riam. Aproximou-se do caixão e olhou para o morto. Tinha a mesma expressão dos finais de tarde que passaram juntos.

– Tinha câncer em estado terminal. Ninguém da família sabia. – disse uma velha se aproximando. Estendeu-lhe uma bandeja com pedaços de carne empanada. Pegou um pedaço e mastigou bem.

– Gostoso. – disse, com os dentes ainda sujos. – É carne de que?

– De javali. – disse a velha, e se afastou.

Ele arregalou os olhos. Depois soltou uma gargalhada. Alguns rostos o contemplaram por alguns segundos, mas depois voltaram suas atenções para outro lugar. Ele voltou a olhar para o morto e ele pareceu estar sorrindo.

– Eu não sei qual o seu segredo. – sussurrou debruçando sobre o corpo. – Mas que funciona, funciona. – Apertou a mão do cadáver e se virou.

Naquela tarde, assistiu ao pôr do sol sozinho, no mesmo banco de praça.

Sentiu-se, estranhamente, feliz.

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27 comentários em “A Felicidade (Abel)

  1. Anorkinda Neide
    24 de maio de 2017

    Quanta implicância com os emoticons.. rsrs eu passei por eles como se fossem xizinhos ou listrinhas, qualquer coisa.. hehe
    Bem, autor(a)
    eu fiquei esperando um maior sentido sobre o encontro com o amigo do por-do-sol e seus encontros filosóficos. ao final, apenas a lição d e moral de que naõ se deve ser melancolico se vc nao tem uma doença terminal, nao me agradou.
    Nem vi que graça teve a carne de javali.
    Aliás, senti falta do javali, ele apareceu só para fazer a cena proposta pelo desafio, mas quem era? de onde veio? pra onde foi? pq foi cozido?
    mais os pontos que a galera já citou me fizeram me afastar do teu conto, mas o texto é bom, sem erros maiores e a leitura fluiu legal.
    Boa sorte, abração

  2. Iolandinha Pinheiro
    24 de maio de 2017

    Olá, Abel. O que dizer? Não vi erros em sua escrita, o conto tinha começo, meio e fim, o javali e o homem de sobretudo estavam lá. Os emoticons para mim foram indiferentes, nem me chamaram a atenção, só achei bobinhos. Os problemas começam porque noventa por cento do conto foi consumido com a descrição dos dias monótonos do protagonista. O tédio estava incrustado no homem, e embora eu ache importante que o texto venha com a construção do personagem, entendi que houve um exagero do autor com a criação de vários quadros para ressaltar esta característica, o que fez com que o conto ficasse repetitivo e enfadonho. Também mostrou a fraqueza do enredo, que se resumia, basicamente, a mostrar o quanto o cara era chato, que ele viu um estranho puxando um javali, e que o reconheceu (!!) tempos depois, fazendo amizade com ele perto do final de sua vida (do estranho). Não havia uma função para a existência do javali, talvez o autor tenha sido malvado fazendo a família do morto matar o bicho de estimação dele tão logo este tivesse falecido. Se fosse um cachorro entregariam para a carrocinha. Não há muito o que falar, então vou desejar sorte para você no desafio.

  3. Afonso Elva
    23 de maio de 2017

    Abel, vou te contar que sou doido para por emoticons nos meus textos mais descompromissados, ou mesmo textos mais leves ou mais sagazes . Existem frases em que sinto falta de fechar com um 😉 ; ainda mais se estou conversando com o leitor. No seu texto por exemplo, imagina um 🙂 , depois do “Sentiu-se estranhamente feliz”? Seria muito bom.
    Gosto de emoticons, não vão demorar a aparecer em textos no futuro (inclusive nos meus), legal você ter usado.
    Seu texto cumpre a tarefa de entreter, e tem um final na medida. Gostei dos retratos que foi fazendo ao longo do texto, e ainda mais do fato de não encher o mesmo de clichês que são esperados em textos deste tipo (apesar de ter alguns bens batidos). Só atento quanto algumas passagens. Ao meu ver, certas coisas (nem que seja uma palavra), podem destruir a fluidez e naturalidade do texto. Um exemplo aqui foi a palavra “SEXISTA”, ela simplismente congela a leitura, como se o autor mudasse a voz de uma hora para outra. Isso também acontece com a palavra “ETÍLICA”. Existem também alguns pontos desnecessários, não vou me estender muito nisso, só tenha em mente que alegorias são quase sempre um tiro no pé, cuidado!
    E antes de eu ir embora: cuidado com a palavra “HAVIA”, ela é danada, e enrola todo mundo, digo por experiência própria.
    Forte Abraço 😉

  4. Victor Finkler Lachowski
    23 de maio de 2017

    Um conto bom e moderno
    Gramática: não encontrei erros de gramática, linguagem normal e ritmo um pouco lento, estilo de escrita mais parecido com crônica;
    Criatividade: Ok, é cheio de críticas sociais e muito irônico, porém não é original, achei bacana o final e humor negro;
    Adequação ao tema proposto: gostei, coloca a ambientação da foto no clássico “sozinho no meio da multidão”
    Emoção: não emociona, faz refletir, o tom monótono e bidimensional dos personagens não dá a profundidade necessária para se sentir triste.
    Enredo: Não é original, ritmo lento e ligeiramente cansativo, porém é reflexivo e cheio de ótimas críticas.
    Nos presenteie com mais obras suas caro(a) Autor(a).

  5. Jose bandeira de mello
    23 de maio de 2017

    Texto agil, rapido e moderno. Com alusoes ao cotidiano, transmite uma interessante critica a sociedade pseudo alegre, de pouca reflexao e que toma conta do mundo atual. Penso que essa estoria, se nao tivesse que estar atrelada a um homem com um sobretudo, uma mala e um javali, poderia ter um desenvolvimento muito mais interessante, dada a facilidade que o autor(a) demonstrou para desenvolver seu texto. Congratulo-me com o autor(a)…parabens..e desejo sinceramente sucesso.

  6. Rubem Cabral
    23 de maio de 2017

    Olá,Abel.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    A imagem está no conto: homem de sobretudo caminha com javali na coleira.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    Não encontrei erros a apontar. O conto está muito bem escrito.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O conto soou mais como crônica, de alguém meio melancólico e pessimista. O narrador é bom, os diálogos idem, as descrições também o são.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O conto resultou um tanto monótono às vezes. O enredo é muito simples, e o homem com um javali é quase um personagem secundário. A morte do homem ao final e servirem carne de javali no funeral não foram escolhas que me pareceram muito boas. Embora o final de redenção tenha fechado bem a história, afinal, o sujeito do javali teria bons motivos para a tristeza, mas encarava a vida com otimismo.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  7. Olisomar Pires
    22 de maio de 2017

    1. Tema: presente com alterações;

    2. Criatividade: Normal. Sujeito chato faz um novo amigo que morre em seguida.

    3. Enredo: No geral as partes se conectam e a estória é bem desfiada.

    Quase uma crônica, é um texto p reflexão com alguma pitada de humor negro.

    Duas observações no texto não combinam : “Que sujeito peculiar” – quem diz isso dessa forma ? e a outra é “comentário sexista” feita pelo narrador ou seria a voz do autor ?

    4. Escrita: não notei erros que tivessem atrapalhado a leitura.

    5. Impacto: baixo.

    O melhor lance foi a carne de javali, talvez nem seja o mesmo que apareceu antes, mas leva a essa indução, no demais, é tudo muito “sofrimento” sem causa.

  8. Mariana
    22 de maio de 2017

    Olá. Começo destacando os emoticons, pode parecer um detalhe bobo, mas ficou deslocado do texto e até um pouco debochado. Fora que, aqui é uma questão pessoal, tenho sérios problemas com essas caras sorridentes e infantilizadas.
    Também aponto a questão de que faltou um tanto de coesão entre as partes do conto, precisei de duas leituras para acompanhar o encadeamento dos fatos. Por fim, ressalto que gostei da cena carnavalesca e que o final me deixou com vontade de conhecer mais sobre a família do homem com o javali bem como o melancólico narrador. Contudo, acredito que a fugacidade que perpassa os personagens e a escrita foi intencional e, sim, funcionou para a proposta.

  9. Lee Rodrigues
    22 de maio de 2017

    Eu tô rindo aqui – com os emoticons – mas meu coração diz que é errado. Rs

    Abel, se a escrita fosse mais madura, eu diria que é obra de um fanfarrista querendo arrancar risos e estranhezas, mas acredito que não seja o seu caso.

    Olha, lendo os comentários, você vai perceber que a questão dos emoticons não é apenas porque estão representando uma carinha alegre, enquanto o enredo é o oposto, porque você poderia ter usado bonequinhos com carinha triste e o efeito seria o mesmo, eles roubariam a atenção do seu conto.

    “Os outros o olharam inconformados. Não compreendiam que, para ele, tudo aquilo constituía uma tortura inimaginável. Os gritos, os risos, a música alta, quando passavam por seus ouvidos, transfiguravam-se em algum outro som, desprovido dos significados que o restante do mundo lhes dava.”

    Nesse parágrafo você dá início ao conflito do seu persona, e eu realmente gostei do que mostrou, mas na construção do parágrafo seguinte você começa da mesma forma que esse:

    “Os outros finalmente desistiram…” Veja, apenas na minha opinião, e a minha opinião não é regra, mas acredito que ficaria melhor se substituísse “os outros” por “Os colegas” finalmente desistiram…

    “Passado o Carnaval, as pessoas retornaram à sua rotina habitual. Seus rostos voltaram a se converter nas carrancas nada convidativas do cotidiano.”

    Rotina, habitual, cotidiano são palavras que exprimem praticamente a mesma coisa, talvez, dando uma “facada” no “habitual”, esse curto parágrafo ficasse menos redundante.

    Ainda que de leve, seu conto tem adequação da imagem, sim. Não exatamente como o quadro, porque esse é o seu Javali, num dia pousando para selfies, e no outro, bem rsrs deixa o pessoal ler para descobrir.

    Seu enredo tem alma, tem carga dramática, percebe-se a sensibilidade no que tange a criação da personalidade a ser explorada, mas é que às vezes, aquilo que a gente tem em mente, na hora de passar para o papel, não sai com a mesma voz que imaginamos. Seu conto é uma pepita de ouro, lapidar vai doer um pouco no seu ego, mas creia, vai valer a pena.

  10. Jowilton Amaral da Costa
    22 de maio de 2017

    Achei o conto estranho, remeteu-me mais a uma crônica do que a um conto, e também é melancólico — gosto de contos neste tom —, no entanto, a junção da história de vida do homem triste com o homem do javali, que também era triste, se deu de uma forma pouco verossímil, ao meu ver. Ficou tudo meio que juntado às pressas, e a ligação entre eles não me convenceu. Enfim, a história não me pegou. Boa sorte.

  11. Brian Oliveira Lancaster
    22 de maio de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Diferente, com certeza. O protagonista (bicho) é secundário nessa abordagem, mas tem um papel importante ao fim – mesmo que um triste fim. Transformar a imagem em algo mais comum, como carnaval, foi uma boa sacada. A tal busca pela fórmula da felicidade traz um clima diferente, quase depressivo. Gostaria de saber mais da história do homem e seu javali. Faltou um pouco da essência geral.
    G: “Passou o Domingo assistindo Faustão e percebeu que sua vida estava muito errada.” Essa frase é ótima. O texto é bem construído, melancólico e cativa, mesmo com sua premissa simples. No entanto, gostei mais da atmosfera do que da solução em si. A pessoa mal conhecia o homem; não sei se teria uma epifania em seu enterro (ou mesmo interesse de ir lá).
    O: Cuidado com a repetição de palavras/verbos seguidas (ex: curiosa/curioso). E cuidado com as rimas, se não forem intencionais (javali, ali, si), como em textos mais poéticos. Mas o restante flui muito bem e deixa ao final uma sensação de ‘a vida como ela é’.

  12. catarinacunha2015
    22 de maio de 2017

    Um INÍCIO forte ao incluir a imagem em um clima carnavalesco. O primeiro parágrafo tem repetição de palavras como “curiosa” e “curioso”, “incomodavam” e “incomodasse”. Parece besteira, mas numa narrativa curta cada palavra precisa dizer a que veio e ter seu valor individual.
    Texto dividido por “emoticons”? Poderia ser uma estrela, ou uma flor, ou três pontinhos? Mas o bonequinho está rindo, o que não combina com o texto. Achei desconexo e prejudicial.
    TRADUÇÃO DA IMAGEM embaçada. Se o javali não tivesse voltado em forma de empanadas no velório nada teria sentido. Mas aí reside a inteligência do conto. A divisão em pequenos capítulos deu pausas fluidas. Gostei. Fora os infelizes emoticons; claro.
    Fim com EFEITO de ressaca de conhaque. Dá logo onda e te derruba. Mas só no dia seguinte vai entender o que aconteceu.

  13. Vitor De Lerbo
    21 de maio de 2017

    O texto está bem escrito, mas parece que a imagem do homem com o javali foi inserida rapidamente, apenas para se encaixar no desafio. A piada do final, com a carne de javali, é muito boa.

    Dois pontos ficaram estranhos para mim: como o protagonista reconheceu o homem do javali, já que ele o viu apenas da sacada e, nessa ocasião, o futuro morto estava com capuz e óculos escuros; e como ele recebeu a notícia da morte desse homem.

    São pontos fáceis de se contornar e, se isso for feito, penso que o conto irá evoluir.

    Boa sorte!

  14. Roselaine Hahn
    21 de maio de 2017

    Oi Abel, achei o conto narrativo demais, descritivo demais; fugiu da proposta do javali e se perdeu nas reminiscências de um sujeito melancólico, uma história centrada em explicar as tristezas do personagem; algumas cenas não convenceram, faltou a chamada verossimilhança, como o encontro com o homem do javali, a notícia da sua morte, alguém que ele conhecia somente da rua, e também não me convenceu a estranha mudança da melancolia para a felicidade. Bem, na verdade, senti falta do javali. Mas não desanime, continue lapidando a sua escrita,

  15. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Abel,
    Gramática – Algumas coisas poucas ao longo da escrita. Palavras repetidas. Umas coisas de construção.
    Criatividade – Não consegui entender muito bem essa coisa toda. Perdão. Talvez tenha sido a mudança de uma cena para outra, de um momento para outro.
    Adequação ao tema proposto – Eu até consideraria a imagem na primeira parte, mas ela não apareceu depois. Foi apenas uma imagem efêmera no conto. Sem muita consistência.
    Emoção – O conto poderia ter passado uma mensagem sobre vida, sobre passagem de tempo, mas não solidificou qualquer traço de qualquer emoção. Eu diria que ficou faltando algo para que isso acontecesse. Talvez pelo limite de palavras. Isso poderia ter enveredado para algo bem maior.
    Enredo – Eu vejo problemas com o roteiro. As partes meio soltas, sem uma ligação de fato.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  16. Gilson Raimundo
    21 de maio de 2017

    Uma história bem rápida que segue na contra mão das outras, a presença do javali parece alienígena ao conto que possui um enredo bem diferente do aludido pela figura apresentada, o autor foi bem ousado e confesso ter esperado que no final o tema se encaixasse de uma forma espetacular. Não aconteceu.

  17. Antonio Stegues Batista
    21 de maio de 2017

    O conto conta a história de um homem triste com a própria vida. É um sujeito mal-humorado, anti-social, mas o texto não aborda com clareza, ou firmeza, esse aspecto do personagem. Ficou tudo muito vago e o final foi meio estranho. Parece que a história foi adaptada para combinar com a imagem-tema.

  18. braxit
    21 de maio de 2017

    Valeu como exercício reflexivo. Apesar de um ou outro problema, existe muito potencial no texto.

  19. Iris Franco
    20 de maio de 2017

    Oi, tudo bem?

    Bom, vamos lá. Não gostei dos emoticons no meio do texto, quando eu estava me envolvendo com a história aparecia um emoticon. Acredito que tinha alguma intenção estilística, mas não gostei.

    Faltou “amarrar bem os parágrafos”. Utilize mais as conjunções para ajudar na coerência do texto.

    Mas a ideia é bem legal, nós reclamamos muito da vida sem termos motivo. Acredito que foi isso que fez o rapaz rir no final: enquanto se preocupava com os outros e a agonia da solidão, o senhor que tinha câncer, um grande motivo para cair em depressão, vivia muito mais do que ele.

    Bom é isso, boa sorte!

  20. Olá, Abel,
    Tudo bem?
    Seu conto tem um potencial incrível. Quase uma crônica, as reflexões do personagem têm um tom que lembram os autores que mantinham colunas sobre o universo masculino em grandes jornais. Rubem Braga, talvez.
    A narrativa se sustenta por si só e, para ser sincera, a única ponta solta em seu trabalho foi Justamente o Javali. Não que eu ache que este seja o “Desafio DO Javali”. Não é. É o desafio da imagem. Aquela imagem que tem um homem e um Javali, como em seu texto. Então por que essa ponta ficou solta? Não sei. Talvez por não haver a necessidade do bicho para que a história sobrevivesse.
    Um bom texto, talvez deslocado da brincadeira, mas, ainda assim, cheio de potencial.
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  21. Neusa Maria Fontolan
    20 de maio de 2017

    O tema entrou meio que forçado aí, não é? Apenas o cotidiano de uma pessoa que cultua a tristeza, nada mais que isso.
    O final não me ficou claro. Porque a morte do javali resultou em uma gargalhada e também resolveu todos os problemas do rapaz?
    Valeu pela leitura, um abraço.

  22. Milton Meier Junior
    20 de maio de 2017

    Devo concordar com os comentários gerais. Acho que o tema até poderia render uma boa história, outra história, mas o cara com o javali ficou parecendo forçação de barra.

  23. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de maio de 2017

    Abel, você precisa desenvolver muito mais seu conto, seu estilo, sua gramática… Vc repete palavras e expressões em excesso. Há muitos erros, uso incorreto de pronomes, etc. Uma revisão podia resolver isso. Mas acho q antes de uma revisão de gramática ou ortografia, vc precisa revisar o conto como um todo. As informações são jogadas ali, sem cuidado. Muitas vezes a história fica ininteligível ou inverossímil. Vc não usou a imagem como tema, também acho que vc tentou encaixá-la num texto que não tinha nada a ver. Não sei se faltou tempo pra você reler e mexer no seu conto, mas fica a sugestão de que o faça, pois a sua idéia central, parece interessante. Mas carece inclusive de uma certa pesquisa sobre o problema do seu protagonista. Eu, enquanto leitora, gostaria de poder me envolver mais no assunto, mas fica difícil. Por exemplo, quando você fala que o psicólogo disse que não havia nade de errado com ele, nenhum sinal de depressão, ele só era uma pessoa melancólica. Melancolia e depressão são sinônimos… Então esse psicólogo do seu conto devia ter o diploma cassado… O final também, pra mim, foi totalmente ininteligível. Ou seja, o arremate não funcionou. Acho que o conto merece ser reescrito

  24. Ana Monteiro
    20 de maio de 2017

    Olá Abel. O meu comentário não é o primeiro e constato que a minha reação não difere muito das anteriores. mas, ainda assim, um pouco. Antes de avançar mais: precisa de revisão. Tem palavras e locuções que se repetem desnecessariamente. A história não é adequada à proposta feita – mas é boa. Essa viagem de um homem ao interior de si mesmo e a sua desadequação ao mundo, tem muito por onde explorar. Acho que foi criativo e do ponto de vista emocional também vai muito bem. Pena que o javali está mal encaixado e o estranho homem que o acompanha estejam mal encaixados. Não se preocupe, então, com a pontuação final que vai obter. Refaça a história, esqueça a foto, revise bem e, no final, terá melhor resultado que muitos de nós.

  25. Matheus Pacheco
    20 de maio de 2017

    Então brother, tem umas coisinhas no texto que me incomodaram um poquetinho… tipo, havia coisas no texto que não era precisamente necessárias nele, tipo certas descrições e até uma parte do Bic mac…Sem contar as carinhas, mas isso não vem ao caso.
    Abração ao autor.

  26. Luis Guilherme
    20 de maio de 2017

    Olá, amigo, tudo bem por ai?

    Olha, sinceramente não me senti muito envolvido pela história. Me pareceu um apanhado de situações meio desconexas, e o tema foi meio que colocado à força, como se você já tivesse a história toda pronta e só tivesse adaptado ao tema.

    Também achei que muitos dos acontecimentos só passam, sem acrescentar muito, como os amigos do começo.

    Dei risada sozinho com as carinhas separando os trechos hahahah. Não sei bem qual a intenção, mas achei criativo.

    Enfim, no todo, infelizmente não me conquistou, mas mesmo assim, parabéns e boa sorte!

  27. Priscila Pereira
    20 de maio de 2017

    Oi Abel, sua estória tem vários problemas. Para mim, parece que você não escreveu a partir da imagem e sim adicionou a imagem em um texto semi pronto (posso estar enganada, claro). Como ele reconheceu o honem do javali? Ele só viu de longe e o homem estava de óculos e gorro, seria praticamente impossível. As carinhas separando as partes do texto não combinam com o teor mais melancólico… Desejo boa sorte pra você!

E Então? O que achou?

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.