EntreContos

Literatura que desafia.

Cava buracos (Santiago)

Chove forte em Mata Virgem quando Uchoa e Delgado entram no bar do cantineiro Josiel e se deparam com um cemitério de mesas e cadeiras.

– Mas que porra – diz Delgado, tirando o chapéu. – Abriram uma zona aqui perto e não fiquei sabendo? Cadê todo mundo?

– Não faço a menor ideia – diz Josiel, debruçado sobre o balcão com a sua costumeira cara de insatisfação.- Com essa chuva devem estar entocados nas cabanas. Se não aparecer ninguém fecho mais cedo e também vou para o berço.

– Deixe de história, homem – Delgado senta em uma das mesas e indica para Uchoa fazer o mesmo. – Estamos aqui e queremos encher a cara. Traz a pinga. Beber quando chove tem um gosto especial, lembro de Santarém.

Uchoa grunhe, concordando.

Depois que Josiel põe na mesa os copos e a garrafa, Delgado mata uma dose e olha ao redor. Descobre o novatinho sentado ao fundo, na parte escura do bar, onde os lampiões mal iluminavam. Estava quase deitado na cadeira, olhando para o teto.

– Pensando ou dormindo, garoto? – grita.

O novatinho toma um pequeno susto e depois se endireita. Olha para os lados e nota os dois homens.

– Pensando na vida, camarada – grita como resposta.

– Pois venha beber com a gente, por minha conta. Vamos pensar na vida, juntos.

O novatinho levanta, se espreguiça e depois senta na mesa dos homens. Josiel traz mais um copo.

– O Uchoa aqui é mudo – explica Delgado, apontando para o sujeito grandalhão. – Um cachorro rasgou o pescoço dele quando era menino. Não se ofenda com o seu silêncio.

Uchoa ergue o queixo e mostra as cicatrizes.

– Santo Deus – exclama o novatinho. – Que estrago fez esse cachorro.

Delgado mata outra dose e dá um tapinha nas costas do amigo.

– Agora tem ódio dos bichos. Não pode ver um cão na estrada que chuta o coitado.

– Eu gosto de cães – diz o novatinho, com certo atrevimento. – Tinha um lá em Parintins. Aliás, meu nome é Fernando, mas me chamam de Cuíca.

– E eu sou Delgado. Você é de Parintins? Já estive lá para um serviço quando era rapaz. Como diabos veio parar nesse fim de mundo, garoto? No meio desse mato. E ainda mais tão moleque. Mal tem pelos na cara, menino.

– Precisei ir embora – suspira Cuíca. – Não tive escolha.

– Se eu fosse apostar o motivo, seria em dinheiro ou mulher, garoto – diz Delgado, com malícia. – Qual dos dois?

– Mulher – confirma Cuíca. – Me apaixonei pela pessoa errada, homem. Era filha de um figurão lá na cidade. Ainda levamos na surdina durante um tempo mas quando ela engravidou todo mundo ficou sabendo. O figurão descobriu que eu era filho de pescador e jurou arrancar os meus ovos. Precisei fugir. Meu pai me ajudou.

– E aí virou seringueiro.

– Sim, mas antes disso fui ajudante de pedreiro em Terra Vermelha e ajudante em um barco que rodava ali pelo Rio Urubu. Nunca fico por muito tempo em um mesmo lugar. Ainda me procuram, sabe? Depois descobri que precisavam de uns seringueiros em Mata Virgem e cá estou.

– Quando chegou, garoto? – pergunta Delgado, enchendo os copos. – Uma semana? Duas? Já deve ter se arrependido da fuga. Melhor ter os ovos cortados que ficar aqui enfurnado na mata, com esses mosquitos enormes e esse calor filho da puta.

– Cheguei faz uma semana – diz Cuíca. – Mas não acho tão ruim. De dia trabalho e a noite penso na vida, na minha morena e no meu bebê lá em Parintins, que nem cheguei a conhecer. Um dia volto lá para buscá-los, homem. Juro.

Um trovão ecoa lá fora. A cabana treme. Josiel, que cochilava no balcão, toma um susto e pragueja. Uchoa, ao lado de Delgado, cruza os braços e enfia a cabeça entre os ombros, temeroso. Cuíca ri.

– O que foi, Uchoa? Tem medo de trovão?

Uchoa começa a gesticular, afobado, fica de pé e finge que está cavando, depois faz uma careta e volta a se sentar. Cuíca confuso, mas divertido: o que está fazendo, homem? Não estou entendendo nada.

– Ele está preocupado – diz Delgado. – Chuva e trovão não são uma boa combinação aqui em Mata Virgem.

– Por quê? – pergunta Cuíca. – Por acaso as cabanas vão tremer e cair? O Urubu vai transbordar?

De repente Delgado fecha a cara, diminui o tom de voz.

– Ainda não conhece a lenda do cava buracos, Garoto? Ninguém te contou?

– Não. Ninguém contou nada. Cava buracos? Do que está falando, Delgado?

– É uma lenda que corre aqui por essa região. Você acredita em lendas, Cuíca?

– Só acredito no que posso ver, homem, e no amor que tenho pela minha morena. Mas me conte essa história, agora fiquei curioso.

Delgado enche um novo copo e faz um suspense. No balcão, Josiel presta atenção na conversa. A chuva castiga o telhado do bar com violência, como se quisesse forçar entrada. Uchoa coça a cabeça, incomodado.

– Tinha um coronel da seringa aqui na região – Delgado começa a falar. – Mandava em metade dessas matas. Não sei o nome dele, então nem me pergunte. Era meio cruel e louco, gostava de ir até as aldeias dos índios e atirar para cima, só para assustar os coitados. Nem os próprios funcionários gostavam dele, garoto, mas o sujeito era poderoso, valia a pena trabalhar para ele.

Cuíca acompanha atento, curioso.

– Tudo mudou quando a mulher desse coronel, que era meio maliciosa, fugiu com um seringueiro. O homem ficou louco, garoto, começou a falar em uma outra língua, andava nu no meio do mato, e até mandou trazer um javali lá da capital.

– Javali?

– Sim, um javali. Gordo, preto, umas presas enormes. E escuta essa, deu ao javali o nome da esposa. Está rindo, garoto? E piora. O coronel andava com o bicho para cima e para baixo. Segundo as camareiras que trabalhavam na casa, até dormia com o animal na própria cama. Tomavam banho juntos, comiam na mesma mesa. Completamente louco. Que bagunça fez essa mulher na cabeça do sujeito.

– Acredito, Delgado. A minha morena também bagunçou a minha – diz Cuíca. – Mas que história louca. E o que aconteceu com esse homem?

– Sumiu. Mandou os empregados embora, fechou os campos de seringa, vendeu tudo o que tinha em troca de dinheiro vivo e sumiu do mapa. Depois de um tempo virou mito, menino, falavam dele como se nunca tivesse existido. O louco do javali. As mães diziam aos filhos: se não se comportar, o louco do javali vai puxar seu pé a noite.

Uchoa assente, tenso.

– Entendi – diz Cuíca, após um novo gole. – Mas o que esse coronel tem a ver com a lenda do cava buracos que você falou? E que diabos de lenda é essa?

– Porque o coronel do javali apareceu, garoto – diz Delgado, sombrio. – E apareceu bem aqui, em Mata Virgem.

Cuíca franze o cenho, olha de Delgado para Uchoa, de Uchoa para Delgado. Ri.

– Ah, não, camaradas. Não sou tão novo assim para ter medo de uma lenda para crianças.

Uchoa se agita, balançando as mãos, e Delgado: mas é sério, garoto, ele anda por esse mato, vagando como um espírito. Às vezes os seringueiros dão de cara com ele nas noites de chuva. O coronel louco, usando uma capa de proteção contra a chuva, óculos estranhos, sempre cavando algum buraco para esconder uma pilha de malas com dinheiro. E pior, o javali está sempre ao seu lado, mas agora não é só mais um javali comum. Os olhos são vermelhos e solta fogo pelas narinas. E fala também, com voz de mulher, garoto. Não ria, é sério. Todo ano pelo menos três peões vão embora daqui as pressas, correndo, gritando: o louco, o louco do javali. Deixam os pertences e tudo. Juro. Os capatazes vasculham a mata, às vezes encontram buracos, mas nunca as malas, e nem vestígios. Duvidam da existência do louco, menino, mas eu não. Já escutei barulhos estranhos vindos do seringal, gritos, sussurros. Juro.

Cuíca não sabe o que dizer. Está com a vista embaçada, sente a embriaguez adormecer o corpo. As faces sérias de Delgado e Uchoa contrastam com o ridículo da história. O que queriam? Assustá-lo? Talvez o expulsar dali pelo medo? Ou tudo não passava de uma piada, uma brincadeira? Quer saber? Estava melhor no seu cantinho, pensando em sua morena. Esses seringueiros eram estranhos, melhor não dar muita trela.

– Ufa, que história – diz, se levantando meio tonto. – Você devia ser escritor, Delgado, já pensou na possibilidade? Gostei, gostei, mas estou com sono, camaradas, o dia foi duro, já me vou. Obrigado pela bebida.

Uchoa faz um gesto tentando impedi-lo e Delgado: fique, garoto, espere a chuva abrandar, é perigoso sair agora, vai que encontra o cava buracos?

– Não acredito em fantasmas e nem em javalis que falam – ri Cuíca. – Só quero minha cabana e minha redinha. Até amanhã, homens. Josiel.

Parte, e quando a porta é aberta todos se assustam com a força daquela tempestade, do vento louco que joga água bar adentro. Mesmo assim, Cuíca se vai. Delgado e Uchoa seguem bebendo em silêncio, Josiel cochilando no balcão. Na metade do segundo litro de cana, o sono também começa a  pesar sobre os dois seringueiros. Uchoa fecha os olhos, Delgado ouve a chuva: não vai parar tão cedo, melhor arriscar chegar a cabana. Amanhã cedo tem batente. Cutuca Uchoa, faz o sinal de que estão indo e manda Josiel pendurar tudo na conta. É quando escutam um grito, distante, sofrido, um verdadeiro grito de horror. Uchoa fica pálido e corre para se juntar a Josiel atrás do balcão. O cantineiro aperta uma flanela, os olhinhos percorrem todos os cantos. Delgado nem respira, leva a mão ao facão que carrega na cintura e tenta ouvir algo mais. Pensa: o novatinho, será? O tempo passa e nada. Reflete se deve ou não ir até lá fora, talvez alguém precisasse de ajuda. Mas… e se desse de cara com o cava buracos, o coronel louco e seu javali com voz de mulher? A chuva ganha ainda mais força e desiste. Olha para o cantineiro e sorri amarelo: nem a pau eu vou sair, Josiel, desce outra que vamos passar a noite aqui dentro.

**

Podem ouvir os pingos solitários na soleira e a luz do sol penetrando pelas frestas na madeira. Ouvem vozes também, muitas. Pronto, já podem ir embora, diz Josiel, furioso, dupla de covardes, cagões. Delgado e Uchoa saem de cabeça baixa, olhos ardendo de sono, pés tropeçando de uma leve embriaguez. Lá fora, o cheiro de terra molhada invade suas narinas. Descem o caminho de areia até o pátio, e já de longe avistam a roda de homens. Seguem descendo, apressados, passando por dois seringueiros que vinham conversando.

– Coitado, tão novinho. Por que inventou de andar sozinho tarde da noite e na chuva?

Se aproximam. Passam pela barreira de ombros e pernas, sai da frente aqui, sai do meio acolá, querem ver, ter certeza do que estão dizendo.

– Não tem nem duas semanas que chegou. Será mesmo que foi o cava buracos?

Delgado é o primeiro a ver. Sente nojo, medo, pena.

– Claro que foi o cava buracos. Quem mais teria sido?

Uchoa escancara a boca. Se pudesse falar, falaria.

– Um animal, uma onça. Sei lá.

– Não, homem, isso foi coisa do cava buracos, pode ter certeza. Cansou de apenas assustar e agora mata. Vamos dar no pé, seringar não tá com nada. Só nos exploram. E esse calor? Sinto saudade das mulheres, também. Que seringal é esse que não tem um puteiro perto?

Os dois se encaram. Uchoa balança a cabeça, desconsolado. Delgado suspira. Cava buracos que nada. Coitado do novatinho, afinal o encontraram.

– Que jeito de morrer, homem. E ainda lhe arrancaram os ovos.

– Sinistro.

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11 comentários em “Cava buracos (Santiago)

  1. Felipe Moreira
    25 de maio de 2017

    Pois é, Santiago. Seu conto é muito bom. Tem uma ambientação eficiente o bastante pra manter a atenção por todo o texto. Eu nem percebi quando cheguei no final. Desci um pouco a barra de rolagem pra ter certeza se era apenas isso porque estava apreciando a leitura. Tudo bem encaixado num conto bem compacto. Você aproveitou bem o limite de palavras a ponto de não usar tudo que dispunha.
    Os diálogos são a melhor construção da história, sem dúvida. Tudo cativou, ao meu ver. O final, arrebatador por quebrar a lenda num ponto e dar mais força a ela noutro. Isso foi muito bem empregado. Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  2. Olá, Santiago,
    Tudo bem?
    Você optou por construir um conto bem ao estilo de contação de causos. A localidade escolhida para ambientar a história, a construção dos personagens, tudo contribui para se criar uma atmosfera rural que transporta o seu leitor até o norte do país. Ao ler, me senti em meio a esse bar, ouvindo suas histórias de assombração.
    Sua narrativa é limpa e direta. Uma história com início meio e fim, levando o leitor a crer na lenda para, em seguida, revelar sutilmente que, na verdade, é o próprio ser humano o responsável pelas atrocidades que acontecem ao rapaz.
    Creio que o que dá fôlego ao folclore, lendas urbanas ou rurais, é justamente essa “fé” que o povo tem no mito. Quando algo acontece em uma determinada região, povoada por uma dessas lendas, aquilo que não se pode explicar, logo vira motivo para dar mais credibilidade à tal história. E assim estas se perpetuam. Todos têm um parente ou amigo que já foi pego pela aparição. No caso aqui, pelo Cava Buracos.
    Fiquei curiosa e fui pesquisar se a lenda existe. Não encontrei. Também fiz uma pesquisa rápida. Mas gostaria que você me tirasse a dúvida. Você criou a lenda? Ou encontrou relato em algum lugar? Seja como for, sua narrativa é muito boa. Só pergunto por mera curiosidade e vontade de conhecer (se for o caso), um pouco mais do folclore nacional.
    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  3. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Gostei. Mais um conto com tom regionalista que não me desagradou. A estrutura é redonda, não há do que reclamar. O clima de suspense foi aumentando progressivamente até o momento em que o rapaz sai do bar. Se a morte dele não fosse tão esperada, seria perfeito! Apesar de absurda, a lenda do cava buracos calhou mto bem pra história.

  4. Gustavo Castro Araujo
    23 de maio de 2017

    Um conto bem divertido, com jeitão de causo do interior. O forte aqui é a ambientação: deu para sentir o clima de suspense aumentando ao som da chuva lá fora, os cochichos reverberando no bar vazio. Gostei dos personagens – apesar do uso excessivo da palavra “garoto”, a cada fala de Delgado – cada qual com seus pecados. Mais bacana foi ver como o autor conseguiu conduzir a trama, mostrando que mesmo a solução mais óbvia pode ficar escondida e aparecer somente no fim, um voilà ao melhor estilo Shyamalan. Se não é um texto brilhante, daqueles que tocam o fundo da alma, é um conto muito competente, redondo, que entretém muito bem. O tipo de história que se pode contar em mesas de bar. Parabéns.

  5. Marco Aurélio Saraiva
    23 de maio de 2017

    Foi uma boa leitura. Engraçado que a princípio achei que seria previsível, mas me envolvi tanto com a história do cava-buracos que, quando o garoto saiu do bar na chuva, pensei “ah qual é, claro que vai dar merda”. Então, quando encontraram o garoto morto, pensei “ah, que previsível. É claro que era o cava-buracos”. Por fim, quando foi revelado que ele tinha sido finalmente pego pelos homens que o buscavam, me senti um trouxa. “Caí na do escritor direitinho!”. Você me apresentou uma verdade óbvia, então narrou uma história fantástica, tirando o meu foco para, no final, entregar novamente a história óbvia, me surpreendendo.

    Parabéns!

    ===TRAMA===

    Muito boa. Simples, poucos personagens e, como descrito lá em cima, muito bem bolada. É um conto propriamente dito, com início, meio e fim, e reviravolta no final. Foi bem divertido lê-lo!

    ===TÉCNICA===

    Não gosto muito de narrativas usando o presente como tempo verbal, mas você fez um trabalho muito bom com essa premissa. Sua escrita é muito boa: sucinta, simples e direta, mas não deixando nada a desejar e mantendo um ritmo constante, nunca arrastado. Seus diálogos são bons, por quê ajudam a desenvolver os personagens e a própria trama.

    Só achei muito ruim a sua decisão de variar nos estilos dos diálogos, que às vezes eram exibidos com travessão e, às vezes, no meio de um parágrafo, sem preâmbulos ou alguma sinalização que indicasse que eram, de fato, falas do personagem (como, por exemplo, abre e fecha “aspas”). Isto atrapalhou um bocado a leitura, tornando-a um pouquinho mais lenta e incômoda.

    Tirando este detalhe acima, não vi erros de gramática ou digitação. Sua revisão foi muito boa!

    ===SALDO===

    Positivo. Os diálogos misturados aos parágrafos incomodaram bastante, mas a boa história e o roteiro bem apresentado brilharam, eclipsando um pouco esse problema.

  6. Ricardo Gnecco Falco
    22 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    O/a autor/a escreve bem. Uma ou outra crase aqui e acolá faltando (ex: “…melhor arriscar chegar a cabana.”), mas nada que atrapalhe o fluir da leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Média… Criada uma lenda para a imagem da foto-tema, até que bem explicadinha, mas nada assim tão “Ohh…”. Gostei da ideia de serem várias as malas, e não apenas uma, como na ilustração original. Montar a história e as personagens nos confins do Brasil foi uma boa sacação.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. Roupas, mala(s) e javali. Tudo ali, direitinho. Com olhos de fogo ou não, o tema foi bem trabalhado.

    – EMOÇÃO
    Média… Talvez devido a própria descrença por parte do garoto Cuíca, o leitor também ouça toda a história da lenda sem dar muito crédito para a mesma. Mas o texto foi muito bem ambientado, com muita madeira, terra, chuva, trovões e ventanias. Todas estas manifestações da natureza trazem uma veracidade à narrativa que, mesmo sem impressionar, faz o leitor se aproximar da história. O final foi bem redondo, levando o leitor a relembrar do que lera no início; sinal de que o/a autor/a soube conduzir bem as pistas previamente dadas.

    – ENREDO
    Bem feito. O conto foi muito bem esquematizado e trabalhado pelo/a autor/a. Mesmo no pouco espaço disponível (pelo limite de palavras do Certame), as personagens, suas histórias e tempos narrativos foram bem delineados, gerando verossimilhança e projeção na trama por parte do leitor. A pista do desfecho da narrativa foi bem aplicada, também, sendo liberada na obra de maneira certeira, no momento certo, sem prejudicar o final da narrativa. Assim, mesmo sem grandes impactos, a conclusão da história atendeu ao requisito máximo das histórias curtas (Contos), que trata exatamente da surpresa/impacto (em maior ou menor escala) causado no leitor ao findar da leitura. Parabéns!

    *************************************************

  7. Evandro Furtado
    21 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: Terror regionalista. O autor consegue construir uma atmosfera interessante para que a história se revele. Coloca quatro sujeitos em um bar, isola-os com uma tempestada e torna um deles contador de histórias. Quando Delgado começa a falar, o leitor já está tenso, e conforme a história se desvela, pequenos arrepios percorrem a pele. Dá medo do tal Cava Buracos.

    C: A história é construída em vários momentos que se amarram perfeitamente entre si. O final, que de início parece previsível, apresenta uma reviravolta fantástica. O interessante é que o autor deixou a pista lá atrás, mas o leitor se esquece. Ele estava preso à história que foi contada, então o autor retoma o aspecto que passou desapercebido e entrega algo completamente inesperado.

    F: A narrativa em terceira pessoa confere o afastamento necessário que a história precisa, mas ter os acontecimentos narrados com o tempo verbal presente talvez não tenha sido a melhor escolha. Isso muitas vezes quebra a atmosfera sombria que cerca o texto, aproximando o leitor desnecessariamente. Fossem usados os verbos no passado, o conto ganharia um aspecto lendário e seria ainda melhor.

    Lembrando que essa é uma crítica construtiva, visando ajudar o autor na composição de seus próximos textos.

  8. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Santiago,
    Gramática – Eu observei alguns errinhos, mas nada muito comprometedor. Então, a leitura está ok com ou sem eles. Mas se puder, dá uma olhadinha nas construções também. Sempre ajuda.
    Criatividade – Gostei da ambientação, do clima que o conto tem. Inserir um personagem mudo também ajudou a simpatizar com o conto porque o deixou mais próximo da realidade. Não tenho lido muitas coisas com diversidade. Às vezes é difícil de encontrar, memo.
    Adequação ao tema proposto – Achei que ficou bem aquém do que foi proposto, apesar de ter um javali, e um sujeito estranho, mas no fim, não convenceu. Se tiver que considerar só isso, a avaliação fica bastante comprometida.
    Emoção – Nada de muita surpresa em termos de emoção. Não tem algo que espante, ou cause furor ou surpreenda.
    Enredo – Está ok, dentro de uma normalidade boa. Começo, meio e fim aceitáveis. Achei meio lugar comum essa coisa de fugir por causa de namoro proibido.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  9. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    Trata-se do que considero um conto redondinho, bem construído do início ao fim. O autor mandou bem na construção de um clima de lenda, apesar de o Cava Buracos não aparecer diretamente no conto, além de pairar a dúvida se foi ele mesmo que deu cabo do novato. Está bem escrito, gostei.

    Parabéns!

    • Marco Aurélio Saraiva
      23 de maio de 2017

      Acho que, no final, ficou óbvio que o garoto não foi morto pelo lendário cava-buracos, mas sim pelos capangas que o perseguiam para “tirar as suas bolas”.

  10. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1.Tema: levíssima adaptação, quase inexistente.

    2. Criatividade: Boa. Elemento fugidio que é encontrado por seus perseguidores.

    3. Enredo: Interessante.

    A trama é criada com a estória do garoto e dos homens supersticiosos, momento em que o javali aparece.

    Infelizmente, os personagens não contagiam. Ficou interessante a questão de um deles ser mudo, mas é só.

    A leitura é fácil e causa certa curiosidade, a qual não é plenamente satisfeita com o desenlace.

    4. Escrita: Muito boa. É firme e fluida. Os diálogos estão bem escritos, o ambiente chuvoso ficou muito bom.

    5. Impacto: Médio.

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.