EntreContos

Literatura que desafia.

O homem que sabia javalês (Johnny Weisswurst)

O dia mal abrira seus olhos remelentos, nem sacudira ainda as estrelas bêbadas e retardatárias por debaixo do lençol malva do horizonte, e já socavam a minha porta e apertavam a campainha, como se o sagrado direito ao descanso dominical houvesse, após as reformas em curso da CLT, sido revogado. Ou refogado, com cebolas – eu sonhava talvez com um bom bife.

Piranhorras que me escalavrem a boceralha! – esbravejei ao pular da cama, num arroubo de criatividade estivadora. — Dá pra esperar um segundo, criatura?! – berrei, enquanto abria uns seis trincos e posicionava a corrente do pega-ladrão. Olhei através do olho-mágico e não acreditei: só enxergava o peito de alguém encasacado, a cabeça estava certamente uns trinta centímetros acima. Tinha que ser o Rui Girafales. Escancarei a porta, bufando.

— Caraca, Rui. Não são nem cinco da manhã e… – dei um pulo para trás. — Que porra de porco é esse? Tá maluco?!

(Mais do que o costume, quis dizer).

Apesar do prognóstico da Maju na véspera, de tempo bom e trinta e poucos graus, Rui vestia um sobretudo que ia até os tornozelos e uma toca de couro de aviador da Primeira Guerra, com óculos combinando. Trazia um porco preso à uma coleira cheia de luzinhas de natal e uma mala.

— Não é um porco, seu repetente em biologia elementar que só tinha interesse no funcionamento dos aparelhos reprodutores e que punha gelo debaixo do saco com medo de ficar estéril usando aquelas cuecas de lycra – ele levou as mãos à cabeça, irritado. — Isso é um Sus scrofa scrofa, obviamente. Uma javalina européia. O nome dela é Ermengarda Porciúncula. E estamos aqui, é claro, para salvar o mundo!

Eu devo ter ficado amuado por quase um minuto, ruminando, absolutamente catatônico. Golpe baixo falar do lance do gelo…

— Vamos com isso, Fabinho – ele se dirigiu a mim (muito prazer) – faça um daqueles cafés 100% arábica que você esconde no fundo do armário e arruma uns legumes orgânicos pra Emmy… Vou te explicar tudo!

Rui abaixou a cabeça e cruzou o portal sem sequer limpar as botas no capacho. Ermengarda suspirou e se sentou solene no tapete da sala, os olhos castanhos e doces mirando-me como quem dissesse: “Tá esperando o quê?”.

***

Conheci o Rui quando eu tinha quinze e ele catorze, na escola. O garoto já tinha mais de um e noventa, mas era tão magro e tímido que ganhou apelidos carinhosos ainda no primeiro dia de aula: espanador da lua, vira-tripa, Professor Girafales. Eu já sofria um tanto de bullying também, justamente por ser o menor da turma e por ser, digamos, alguns tons mais escuro que a média daquele caro colégio particular. Achei que ficar amigo do varapau pudesse me render, então, alguma proteção.

— Não vai rolar – ele me disse.

— O quê? – perguntei.

— Não vou ser agredido pra te defender: sou grande, mas sou de paz. Não acredito em solução de conflitos através do uso de força bruta. É muito cro-magnon, tá sabendo? Não foi assim que chegamos ao topo da cadeia alimentar.

Eu sorri e depois caí na gargalhada. O nerd branquela e cheio de espinhas me olhava sério, e depois começou a rir também.

— Ninguém fala assim, não é? Minhas interações sociais de tão raras ainda são muito mecanizadas. Preciso ensaiar mais. Eu sou o Rui, e você?

— Fábio, mas todo mundo me chama de Fabinho.

— Pensando bem, mudei de ideia. A gente faz assim então, Fabinho: você pode ser meu tradutor e eu posso ser seu blefe.

— Blefe? Feito em jogo de cartas?

— Sim, eu não vou bater em ninguém, mas posso ser uma ameaça velada, uma espada de Dâmocles sobre a cabeça dos inimigos. Em troca, você me ensina a falar como os outros garotos falam. Então? Topa? É um típico win-win.

Eu não tinha a mais pálida ideia de quem era Dâmocles, e win-win soava à comida chinesa, mas cuspi na palma da mão e a ofereci para um aperto.

***

Sentamos à cozinha enquanto a Bialetti silvava sobre o fogo. Emmy comia pepinos, maçãs e nabos que haviam me custado um olho e o caldinho do outro na feira natureba. Rui sacara a touca e os óculos. Os cabelos pareciam desconhecer a existência de pentes e escovas e xampus.

— Você tem tomado os seus remédios? – indaguei. Eu não precisava de rodeios, embora tivesse receio de soar preconceituoso. — Foi algo que as vozes te contaram? É por isso que você tá vestido assim e arrumou essa javalina?

— Tenho tomado sim. Nunca mais escutei as vozes – ele parecia meio ofendido.

— Olha, você já esteve aqui em casa uma vez por causa das câmeras e microfones invisíveis, que a NSA instalou na sua casa. O seu telefone grampeado, seu computador hackeado. O governo, os conspiradores, a rede de tráfico de órgãos…

— Eu tinha dado um tempo nos remédios, você sabe. Eles “matam” a minha criatividade, droga! Fica um vácuo… Q.I. de 210 e esquizofrenia não formam uma dupla dinâmica, garoto prodígio! – ele riu amarelo. — Escuta, Fabinho. Eu estou aqui justamente pra ter a opinião de alguém em que eu confie. Eu quero saber se estou certo ou se enlouqueci de vez. Se eu estiver certo, teremos que agir rápido. Do contrário, tenho que marcar uma nova consulta com meu psiquiatra. Pode me escutar?

— Tá, tá, tá, tá… tá! – eu brinquei, mas Rui não sorriu como costumava fazer. E começou a falar.

***

Sabe, no meu tempo livre, fora do LNCC, eu programei um worm que fica monitorando notícias em quatro idiomas diferentes e em tempo real na internet. O algoritmo é sofisticado, e tenta relacionar eventos através de palavras-chave, e compila os resultados numa base de dados armazenada num grid de servidores que eu tenho em casa. 24 por 7. Virou um hobby, uma cachaça, não é assim que as pessoas normais dizem? Tenho então 100 terabytes de lixo, constantemente renovados.

Nunca consegui nada de muito interessante em um ano de monitoração: três cães Malamutes do Alasca que fugiram de casa na mesma semana e na mesma cidadezinha em Alberta, Canadá. Os cachorros se chamavam Ringo, Paul e John e eram irmãos, é claro. Uma torrada, uma janela suja de suco de manga e um tronco com a mesma imagem de Jesus com os braços abertos, reportados por duas meninas de nome Helena e uma chamada Helen. Esse tipo de coisa…

Então, faz uns meses que o programa identificou outro padrão fora da curva de Bell. Meu sinal Wow! Esbarrou no caso de várias fazendas produtoras de carne de javali no sul do Brasil que tiveram todos os animais roubados, em períodos de onze dias exatos entre cada roubo. Aparentemente, sempre às onze da noite. Um produtor do Chile também sofreu o mesmo infortúnio. Às onze da noite também, mas no horário de Brasília. Uma câmera de segurança filmava um dos seus chiqueiros. Num momento, cinquenta animais dormindo sobre a palha, um segundo depois, estática!

OK, eu sei que podia ser só coincidência, fruto do trabalho duma mística gangue de ladrões de javalis com pretensões numerológicas, mas… Não sei exatamente o porquê, algo… Um gatilho… Hã… O onze. Lembra quando eu criei uma fixação por esse número? Uma das teorias das Cordas, Teoria-M, fala de onze dimensões necessárias para integrar a Física Quântica e a Relatividade Especial. Na época em que cismei com isso, criei centenas de programas, tentei relacionar onze constantes universais à frequência do ruído de fundo do Big Bang. Base numérica onze, feito no livro do Sagan. Pi, Planck, Limite de Chandrasekhar. Não me olha assim, cacete! Sim, eu sei que extrapolei, porém tudo foi fruto da instabilidade gerada pela minha condição.

Um grande “e se?” se formou na minha mente, me cutucando, não deixando dormir. E eu reprogramei meu inteligente verme digital. Descobri no dia de cada roubo, perdida no oceano de bits da rede, uma imagem estranha e única e oriunda de um endereço IP inválido. Um círculo, meio torto e cheio de rebarbas, e dois traços negros e toscos no centro. Cada arquivo de imagem, contudo, tinha tamanho ligeiramente semelhante, mas não idêntico. Poderiam ser mensagens codificadas, não?

Decodifiquei e gerei imagens a partir dos arquivos, veja, são, são 121 espaçonaves! Parecem açucareiros gigantes voando próximos a Saturno. Havia áudio também, escute: “Slaaaark Tzyorkmal Rrrdoshi Flushta Pilodon…”. Tem muito mais, abaixo dos 20 Hz.

***

Os sons estranhos acordaram a javalina, que roncava contente, depois do caro lanchinho. O animal começou a grunhir, nervosamente.

— Você entendeu? – Rui apontou. — Os javalis são uma ameaça porque eles podem compreender o idioma dos invasores e devem ter a aparência d’alguma espécie predadora deles! Creio que os invasores enviaram algum batedor de outra raça para removê-los. Eu, eu não consegui criar um tradutor para a língua alienígena, porém consigo compreender mais que rudimentos do javalês da Ermengarda, que pode escutar num espectro mais amplo: “Ataque radioativo. Hora sagrada. Chuva de polvos e turmalinas. Coordenadas…”. Veja: são as coordenadas de 121 grandes cidades, incluindo a nossa. 11 vezes 11! Daí eu estar vestindo esta minha roupa forrada de chumbo à prova de radiações alfa e beta, daí a Ermengarda, que eu comprei duma fazenda antes que esta fosse roubada na semana passada, que pode ser o último espécime vivo na Terra. Tenho outra roupa na mala, pra você. Comida liofilizada e contadores Geiger também. Os invasores temem os javalis. Irão atacar hoje, às onze da manhã! Mas, com o auxílio da Emmy, podemos enviar uma mensagem ameaçadora!

— Um blefe?! – perguntei, escondendo as lágrimas nos olhos.

— Sim! Sim! Como eu fui um dia o seu blefe. Eu estou louco, Fabinho? Isso tudo faz algum sentido?

Meu Deus! Ele está muito pior! Era tudo delírio, é claro, embora fosse um delírio com certa organização impressionante, dentro de sua lógica absurda. Rui era um bom amigo, sempre o foi. Certa vez, quando fiquei desempregado e fui despejado, me cedeu um sofá na sala de sua casa e me sustentou por mais de um ano. Nunca me cobrou o favor, jamais sequer comentou. Era meu dever conduzi-lo de volta à realidade, porém de forma suave, sem ofender sua enorme inteligência.

— Isso pode fazer sentido – eu comentei. — Mas como você pretende transmitir a mensagem, Girafales?

Rui sorriu e expirou, aliviado. Sacou um notebook da mala.

— Precisamos enviar uma imagem com o conteúdo codificado conforme o padrão deles – ele sacou uma foto de Ermengarda com o celular. — Eles temem os javalis, logo isso seria uma boa imagem. Que horas são?

— Minha nossa! Quase nove horas! O tempo voou.

— Só faltam duas para o ataque radioativo! Já devem ter passado pelo cinturão de asteróides, segundo meus cálculos.

Rui agachou-se, fez carinho na cabeça da javalina, que vocalizou satisfeita e lhe lambeu a mão feito um cão mansinho. Ele grunhiu então coisas estranhas ao ouvido do animal, que prestava muita atenção.

— Prepare-se para gravar, Fabinho! Meu celular, senha 1111. Agora!

O gorducho suíno levantou-se e começou então a gemer algo ininteligível, por quase dois minutos. Soava tão bizarro quanto o áudio que Rui disse ter criado a partir dos arquivos capturados por seu worm.

Ele transferiu a foto e o arquivo de áudio para o notebook. Depois de alguns minutos executando programas na linha de comando, mostrou-me a foto da javalina em preto-e-branco, dentro de um círculo tosco e com algumas ranhuras aleatórias.

— A imagem, deve ser enviada ao endereço IP inválido – ele informou.

— E agora?

— Agora?! Paciência!

***

Subimos até o terraço do meu prédio. Os ponteiros do relógio se aproximavam da hora fatal e eu vestia a roupa anti-radioativa que o Rui me trouxe. Emmy estava a postos, caso precisássemos de um tradutor emergencial. Então, observávamos o horizonte: à espera de um dos 121 açucareiros colossais, pronto para nos destruir com uma chuva de polvos e turmalinas radioativos.

— Se acontecer o pior, Rui. Saiba que eu sou muito grato por…

— Ah, cala a boca, seu punheteiro!.

E esperamos, e esperamos. E, talvez, além da órbita da Terra, açucareiros gigantes dariam meia volta naquele instante, apavorados, diante da imagem hedionda, insuportável, duma javalina.

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17 comentários em “O homem que sabia javalês (Johnny Weisswurst)

  1. Givago Domingues Thimoti
    25 de maio de 2017

    Gramática: Exceto pela frase final, que ficou muito truncada, a escrita está impecável.
    Adequação ao tema proposto: Bem adequado.
    Emoção: Um texto divertido e leve. Quanto mais eu lia, mais eu esperava que desse tudo certo!
    Enredo/ Criatividade: Para mim, o grande ponto do conto é criatividade do autor, que conseguiu extrair de uma imagem sombria uma história de amizade e companheirismo.

    Parabéns!

  2. Gilson Raimundo
    24 de maio de 2017

    Uma história infanto-juvenil ao estilo coleção vagalume, os acontecimentos e a parceria entre os protagonistas evidenciam o estilo jovem lembrando aqueles acordos anti-bulling que também se vê em séries americanas que podem ou não dar certo (Todo mundo odeia o Cris). Tem alguns termos que me fizeram rir, vc trabalhou bem as explicações científicas não as deixando monótonas, o fim em aberto era esperado, verdade ou vozes na cabeça. Acho que nem o autor poderia explicar. Achei o final seco, estava perfeito até à última frase, mas tive a impressão que algo não combinou.

  3. Leo Jardim
    24 de maio de 2017

    O homem que sabia javalês (Johnny Weisswurst)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): mesmo não se levando tanto a sério e sem grandes acontecimentos (as coisas terminam como começaram), é uma leitura muito divertida, bem encaixada e com personagens marcantes.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei muito boa, ótimos diálogos, e construção de personagens. Ri bastante com algumas tiradas, em especial essa: “Golpe baixo falar do lance do gelo” 😀

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): só mesmo uma mente louca e criativa para inventar esses personagens e essa história de invasão alienígena e javalis.

    🎯 Tema (⭐⭐): eu dificilmente veria alguém como o Rui Girafales naquela imagem, mas o autor viu e tá valendo.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): como já adiantei, eu ri alto com esse texto e é muito bom quando isso acontece. O final é um pouco esperado e sem clímax, mas que se dane isso: o que havia acontecido até ali valeu a leitura e, consequentemente, deixou o meu dia melhor.

  4. Felipe Moreira
    23 de maio de 2017

    Olá, Johnny.

    O que me cativou no seu conto não foi necessariamente a criatividade, como foi citado várias vezes pelos colegas, mas sim a segurança na sua linha narrativa. O texto é bem escrito, sem medo de ser divertido no teor ideal ao que o enredo pede, e uma verossimilhança eficaz dentro do que foi proposto, porque, sim, seu texto foi longe. Não sei se o classificaria como ficção cientifica.
    Ele tem um escopo diferente no início e vai se abrindo, ficando até um pouco difuso, deixando na minha leitura a preferência na relação de amizade mesmo.

    Mas no geral, é muito bom. Parabéns pelo trabalho e pela dosagem de humor.

  5. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Admiro a coragem do autor em desenvolver algo com esse enredo, mas peço desculpas por não rir de suas piadas, apesar de todos os absurdos jogados em um caldeirão de javalis e alienígenas. Exceto pelos cansativos diálogos de Girafales, gostei do texto, principalmente por mascarar algumas informações com ares científicos. Se não fosse por Girafales ser “louco”, eu recomendaria a ele apenas abrir o Facebook e ele teria acesso as mesmas notícias e outras ainda mais chocantes.

  6. Gustavo Castro Araujo
    23 de maio de 2017

    Claro que a criatividade chama a atenção, além da maneira fluida, fácil e interessante como o texto se desdobra. A explicação pseudo-científica é muito bem feita, conferindo verossimilhança à história que, de outro modo, pareceria sem pé nem cabeça. Além disso, o conto é divertido, rendendo boas risadas pelo uso do inusitado sem parecer forçado. Todas essas são qualidades relevantes, porém não diferem de muitos outros textos que rolam por aqui. Na verdade, o que faz este conto especial, ao menos para mim, é o substrato de amizade entre os personagens, algo que não se conta explicitamente, mas que se mostra nas entrelinhas. A relação entre eles é muito bem explorada, profunda em sua simplicidade, sobressaindo-se uma espécie de lealdade, de confiança à toda prova, mesmo quando um sabe que o outro está errado. É impossível não lembrar de algo parecido em nossas próprias vidas… Quantas vezes não nos vimos obrigados a concordar com um amigo, a acreditar em seus disparates pelo simples motivo de que gostamos dele, porque devemos a ele nossos mais nobres sentimentos? Às vezes algo pode parecer absurdo, mas pelo amor fraterno que nutrimos por quem o profere, terminamos por cerrar fileiras, não importam as consequências. Isso fica muito claro neste texto. Açucareiros gigantes pilotados por alienígenas que temem javalis invadirão a Terra. Ou não. É improvável, é impossível, é loucura, mas pelo meu amigo eu monto guarda e fico na espera. Tenho alguns amigos assim e o texto me fez lembrar deles. Acertou o alvo direitinho. A maior qualidade de um escrito é essa: mexer lá no fundo. Parabéns pela façanha.

  7. Fabio Baptista
    23 de maio de 2017

    Já devo ter lido uns 12 contos aqui do desafio, é começo ainda, mas já estava ficando preocupado (pensando que minha rabugice havia atingido níveis alarmantes) por não encontrar um texto do qual tivesse gostado de verdade.

    Bom… achei.

    A escrita é muito boa, a história é divertida, muito criativa (talvez criativa até demais), o relacionamento dos amigos é peculiar e bem construído. Achei só um pouco forçado o jeito de falar do Girafales (por mais nerd que seja, não imagino alguém falando daquele jeito).

    O final dá uma quebrada, mas acho que mais pela construção da frase (muito quebrada) do que pelo anti-clímax em si.

    Parabéns!

    Abraço.

  8. Marco Aurélio Saraiva
    22 de maio de 2017

    Apesar do final meio “broxante”, por ter deixado tudo no ar, gostei muito da leitura. No fim, entendi que o tema aqui é a amizade entre os dois personagens. A forma como Fábio lida com a condição mental de Rui, e entende os seus lados positivos e negativos. Ao mesmo tempo, a amizade sincera de Rui para com Fábio, e como ele salvou o amigo em uma época difícil.

    ===TRAMA===

    É difícil pescar inicialmente, mas a verdade é que a trama aqui não é justamente sobre uma invasão alienígena, e sim sobre uma amizade criada, inicialmente, por necessidade, mas que cresceu para um companheirismo verdadeiro. E o conto explora esta amizade muito bem.

    Esta temática fica clara quando a origem da amizade entre os dois personagens é narrada. Inicialmente, esta narrativa não era necessária, mas colocá-la no texto nos deu uma ideia melhor da ligação entre eles, e de como um cuida do outro, como verdadeiros irmãos, apesar das diferenças gritantes entre si (tanto físicas quanto mentais).

    Não sei por quê, mas o personagem de Rui me lembrou muito o Alan Turing interpretado por Benedict Cumberbatch no filme “O Jogo da Imitação”

    ===TÉCNICA===

    O conto é muito bom de ler. Você tem inquestionável habilidade com a escrita, somada a um tom cômico que deu fôlego à história. Eu ri por diversas vezes ao ler as piadas e referências espalhadas pelo texto.

    Não vi erros. Revisão excelente, leitura fluida e com bom vocabulário. Não tem o que reclamar!!

    ===SALDO===

    Muito positivo. Foi uma leitura agradável, com aquela mensagem que é sempre boa de absorver: amizades fortes duram para sempre, e são, muitas vezes, mais fortes do que laços familiares.

    O final “broxante”, como citei acima, fica em segundo plano, quando se olha o conto por este ângulo.

    Parabéns!

  9. angst447
    22 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do conto revela criatividade e bom humor. Ponto pra você!
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso: homem com roupas estranhas, javali (javalina), mala e clima javaleístico.
    Nota-se extrema habilidade com as palavras, originalidade e atenç

    • angst447
      22 de maio de 2017

      Continuando…
      e atenção com a escolha de imagens e expressões. Aliás, que imagem bacana você escolheu.
      A história envolvendo dois amigos é contagiante. A parte da explicação do Rui, achei meio cansativa, mas porque envolve assuntos que não me são interessantes. No entanto, gostei do final, da cumplicidade dos dois, da compreensão de Fabinho e acolhimento do seu amigo doido-de-pedra.
      Desconfio da autoria, estou quase certa que é do…
      Boa sorte!

  10. Olá, Johnny,
    Tudo bem?
    Seu conto, além de divertido, é ousado. Fico aqui imaginando o fotógrafo que criou a imagem, lendo este seu texto. Certamente ela iria se perguntar de onde veio tanta criatividade. Você deve ser um nerd, assim como o seu personagem. (rsrsrs)
    Bem, deixando de lado a brincadeira, seu título é perfeito, bem como a imagem escolhida. O texto é muito bem escrito e, apesar de representar o gênero besteirol, nota-se toda a pesquisa por trás do trabalho.
    Por incrível que possa parecer, os dois amigos aqui representados são mais críveis do que se imaginaria no início. A vida real pode ser muito mais estranha que a ficção. Conheço alguns personagens vivos com teorias de conspirações e extraterrestres. Eu tinha uma tia que jurava que os ETs assistam-na fazendo amor com o namorado.
    A narrativa na primeira pessoa foi uma escolha excelente e a Javalina como centro da ação, porém totalmente passiva é o ponto alto da trama na minha opinião. Essa escolha mostra um autor seguro de suas opções, consciente do que quer fazer com é de seus personagens, mais que isso, com sua história.
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  11. Ricardo Gnecco Falco
    21 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Está boa. Pareceu-me, já de cara, tratar-se de alguém que a domina bem. Não notei erros que impactassem no fluir da leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Gostei muito desta brincadeira que o/a autor/a fez aqui: “— Vamos com isso, Fabinho – ele se dirigiu a mim (muito prazer) – …”. Traz uma jovialidade ao trabalho e também denota uma coisa que muitas vezes não nos damos conta quando estamos escrevendo (e lendo!) uma história: o prazer de escrevê-la. Essa simples brincadeira traz a sensação de que o/a autor/a está adorando escrever o que está escrevendo. Funciona como um ‘atestado’, um ‘joinha’ de facebook, um selo de autenticidade do sorriso que o próprio autor está tendo neste exato momento em que escreve (escreveu) esta passagem. É o aceno do autor para você (nós!), o leitor. Aqueles parênteses funcionam como um “Parem as máquinas!”, pois ali dentro daquelas conchas não tem mais história, enredo, personagens… Por mais que possa parecer o ‘Fabinho’ da história, ali é o/a próprio/a autor/a acenando (em carne e osso) para você; dando um “olá!”, dizendo: “Divirta-se! Assim como eu estou me divertindo aqui, na ‘pele’ do Fabinho!”. Muito legal! 😉
    A história imaginada é bem criativa, misturando seres alienígenas, invasões, guerras interplanetárias (contra um vilão bem pouco visto em filmes do gênero) e o eterno limiar entre a inteligência e a loucura. Parabéns!

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    Tá tudo aí: roupas, mala e — claro — o javali (no caso, “a” javali).

    – EMOÇÃO
    Foi uma boa sacada do/a autor/a a escolha pelo tom mais jocoso, mais leve. O trabalho me trouxe bons momentos durantes sua leitura e gostei de toda a ‘roupagem’ (alienígenas, complôs intergalácticos etc.) dada à obra para, em sua essência, tratar de uma forma sensível e madura aquela que dizem ser a mais pura e verdadeira forma de amor: a amizade.

    – ENREDO
    Um despertar abrupto que, no decorrer da leitura, vai explicando aos poucos e de forma bem gostosa todas as características marcantes de cada uma das duas personagens dessa história: dois grandes amigos, do tempo do colégio. E, sobretudo, do real significado da verdadeira amizade. Gostei!

    *************************************************

  12. Evandro Furtado
    21 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O conto é, basicamente, uma comédia nonsense, com pitadas de ficção científica. O cenário e a atmosfera são, ambos, bem construídos. O autor foi capaz de criar todo um background para que a história se desenvolva. As piadas também são muito bem dimensionadas.

    C: A história é boa, assim como o são os personagens. A relação entre ambos é bem desenvolvida e o flashback para contar como se conheceram é bem colocado. Existe complexidade na trama, mas o autor não se perde. Explica muito bem todo o absurdo que ronda esse mundo maluco. O final, infelizmente, desapontou um pouco. A resolução não é boa o suficiente. O autor evitou um pouco um conflito mais profundo.

    F: Os diálogos são o ponto alto da narrativa, sendo que eles são a principal forma encontrada pelo autor de distinguir a personalidade dos personagens. A narrativa em terceira pessoa é bem balanceada, apresentando um senso de unidade na linguagem empregada.

    Lembrando que essa é uma crítica construtiva, visando ajudar o autor na composição de seus próximos textos.

  13. Marcelo Milani
    21 de maio de 2017

    Grande Johnny que conto show de bola! Ri muito aqui e me diverti com os personagens. A história está redondinha com inicio, meio e fim. os personagens casam muito bem e o flash back explicando a amizade dos dois casou muito bem. Malditos alienígenas que querem nosso mundo! Ainda bem que temos a Emmy e a internet kkkk – Ta no meu top dez!

  14. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    OI, Johnny Weisswurst,
    Gramática – Rebuscada, eu achei, no princípio. Depois, a coisa fluiu e eu me acostumei. Nada de erros, nada de entraves. Gostei de como as palavras foram crescendo e se solidificando.
    Criatividade – É um conto diferente com toda a certeza. Tem esse humor em alguns pontos e, no geral, faz com que a leitura se torne leve. Gostei da construção da amizade entre eles. Emmy é uma gracinha. Então, nesse quesito, tem louvores, aqui.
    Adequação ao tema proposto – Ficou bom, dentro do tema.
    Emoção – Eu ri em algumas partes. Nada exagerado. Não é um humor intenso. É leve e deixou eu saborear essa relação de amizade estranha, mas sincera, de uma maneira bem solta.
    Enredo – Coerente, apesar de tresloucado. Começo, meio, fim. Boas descrições e bons diálogos.
    Amei a imagem! Ela é engraçada e tenebrosa.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  15. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    Um conto inteligente, muito bem escrito e de um bom humor compatível com a história, a começar pela imagem engraçada e do título, sem falar nos nomes dos personagens. O que mais posso dizer de relevante sobre este conto de ficção científica? Só mais uma coisa: gostei de tê-lo lido. E gosto de finais que nos permitem continuar a história.

    Parabéns!

  16. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1. Tema: Boa adequação, ele pode ter buscado ou andado com o bicho no mato onde o comprou.

    2. Criatividade: excelente: sujeito acredita em ataque alienigenas em função do perigo dos javalis para os mesmos.

    3. Enredo: Muito bom.

    A conexão entre personagens ficou muito bem demonstrada, criou o vínculo e eles conquistam.

    A lógica do devaneio (se assim o fosse) é clara e sedutora. O conto está bem fechadinho nesse ponto.

    A trama é muito bem conectada e os aspectos psicossociais dos elementos dão o ar de credibilidade, aguardamos ansiosos o desenlace do texto, quase torcendo para que dê tudo certo.

    4. Escrita: Muito boa. Firme e fluida.

    5. Impacto: Alto.

    O texto é divertido, mas apesar da comicidade da situação, passa certa apreensão ao estilo “e se for verdade”.

    Parabens ao autor.

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Publicado em 18 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.