EntreContos

Detox Literário.

Caninos (Wender Lemes)

O tamborilar da chuva pela calha de metalão funcionava como um marcador para a gaita de Tomás. Ia preenchendo os intervalos distribuídos pela goteira com a melodia que lhe vinha à mente. Buscava na memória um compasso por vez, e eles chegavam sem muito esforço. Ainda assim, a letra lhe parecia distante, disforme, quase um farol de carro na neblina.

“Into this house we’re born…”

A barba áspera e os esparsos fios grisalhos na cabeleira negra faziam-lhe parecer mais velho do que realmente era. Talvez houvesse algo mais ali que contribuísse com essa impressão: uma brisa fria que entrou pelas frestas do tempo – entre um ano e outro dos quase quarenta que alcançara – e carregou sua vontade de viver. Tinha o porte arqueado de um touro ancião. Escondia os músculos de um, também.

            Sentia-se incomodado naquela noite. A morte do pai lhe afetara tanto? Sua atenção era sugada pelas pequenas piscinas de água barrosa que se formavam do lado de fora da varanda. Sentia-se só, ainda que não completamente. A mala largada aos seus pés lhe fazia companhia. Aquela mala… toda mala é uma promessa de futuro, exceto aquela.

***

            – Hoje você vira homem, seu moleque frouxo! Onde já se viu?! Medo daquela praga!

            Era impossível dizer quem ladrava mais alto: o pai de Tomás, ou os cães no fundo da caminhonete. O garoto olhava de um lado para o outro, via as gotículas de saliva sendo atiradas ao vento, fúria líquida, o rancor de criaturas plenamente amargas e violentas.

            – Pai, não é medo… eu não quero ver… – suas súplicas não tinham peso algum, abafadas pela algazarra das feras.

            – Entra na porra da caminhonete!!! – gritou Francisco, enquanto empurrava o filho aos solavancos para a cabine. Seus dedos ficaram marcados no braço franzino como se o garoto fosse feito de argila.

            – Pai! – tivesse demorado um segundo a mais para recolher o rosto, Tomás perderia alguns dentes na porta do veículo.

            Ver o pequeno reduzido a um cisco no banco do passageiro causava um misto de sensações contraditórias em Francisco. Cólera, satisfação, poder, amargura, justiça pela mulher que dera a vida para meter no mundo um bostinha como aquele. Enquanto isso, o pequeno se represava como podia. Chorar seria pior.

            – Moleque dos infernos…

            O monstro metálico seguiu pela estrada de terra distribuindo doses inexatas de poeira e fumaça.

***

            A fazenda era uma grande mancha esverdeada em formato de bota no sul de Goiás, com um pequeno buraco marrom na sola, a que chamavam de “Sede”. Todo aquele espaço ainda seria muito se vinte famílias resolvessem ocupá-lo, mas, com a chuva torrencial se derramando por todos os lados, Tomás sentia-se apequenado, restrito.

“Into this world we’re thrown…”

            Não conseguia dormir, acordara com a cama encharcada em suor na última tentativa. O fantasma do progenitor lhe assombrava o sótão da inconsciência, preferia ficar na varanda então. Os faróis apagados da caminhonete do lado de fora o encaravam como um olhar curioso. Você vem ou não? E uma enxurrada de memórias ingratas passava por sua mente confusa.

            Permanecia ali, absorto, contemplando-se.

***

            – Pai! Não mata! É só um porco! – os cães de caça latiam e se sufocavam ao tentar avançar sobre a presa, enquanto o homem os segurava com a firmeza de uma rocha.

            – Um porco?! Já viu um porco com esses caninos? –o animal jazia ensanguentado, sem forças. Seu olhar vidrado fazia Tomás tremer – tinha a garganta seca, as mãos úmidas.

            – Solta ele, pai!

            – Cala a boca! Quer levar pra casa?! Vou te trancar com esse filho da puta no seu quarto e quero ver onde vai parar essa piedade de merda. Você tem que aprender, um dia vai ser você no comando da fazenda. E como vai ser, Tomás? Vai ter pena de todo mundo também? Vai criar javali na plantação?

            – Eu não vou ficar na fazen…

            Antes que pudesse terminar a sentença, Tomás foi atirado ao chão com um baque surdo. Sentia o maxilar dormente e seus olhos ardiam. Francisco o observava de cima, o punho ainda estendido e, por um momento, o garoto achou que fosse atiçar os cães sobre ele também.

            – Você vai aprender, Tomás – a voz do homem ganhou tons soturnos, muito piores que a gritaria anterior.

            – Pai…

            Francisco soltou as correntes sem tirar os olhos do filho e seus cães avançaram sobre a presa como se fosse um gigantesco pedaço de bacon.

            Os grunhidos desesperados do javali dilaceraram o silêncio da mata. Tomás tentou desviar o olhar, tapar os ouvidos, gritar junto, mas era tarde. Esmaeceu-se.

***

            Quando deu por si em seu pesadelo, horas antes, estava totalmente paralisado sob um sólido teto verde, cercado de troncos, cipós e outros contornos mais volúveis. Não portava amarras, mas padecia de uma completa ausência de forças. À sua frente repousava a mala, com seu aspecto duvidoso. Ouviu um clique quando seu fecho se abriu, então veio a tão conhecida voz:

            – Sentiu minha falta, filho?

            Com muito esforço, conseguiu discernir a silhueta do homem saindo de dentro daquele diminuto espaço. Vestia-se como um aviador das antigas e, não bastasse o contorcionismo desempenhado, alcançou ainda o disparate de tirar um javali acorrentado pelo pescoço de dentro da mala.

            – Claro que sentiu minha falta, ora essa. Seu pai também estava com saudades, do lado de cá. E olhe só quem eu encontrei: nosso velho amigo, Bulldog! Sabia que era esse o nome dele? Bom, talvez eu tenha inventado agora. Foda-se o nome dele, é só um porco, não é?!

            Tomás tentava empurrar a memória daquele animal de volta para os confins dos traumas de infância, mas ele se aproximava cada vez mais. Ainda tinha o mesmo olhar vazio dos quase-mortos.

            – Não faça isso filho, não nos ignore! Onde foi parar sua piedade?! – Francisco removeu os óculos e o sobretudo de couro que envolvia-lhe o corpo. Tomás pôde entender a razão de usá-los: não trazia nas cavidades da visão as usuais esferas, mas dois buracos negros que mais pareciam divisar as bordas do universo. De sua pele escurecida, semidecomposta, brotavam vermes e pastosidades.

            – Percebe? Eu vejo tudo como realmente é, filho! Eu sou como tudo realmente será!

Quase podia sentir o bafo úmido do javali, tão perto ele estava agora. Suas presas agitavam-se perigosamente tentando alcançar alguma parte macia do seu corpo. Na corrente que o impedia de atacar, tensa como um cabo de aço, equilibravam-se seus temores mais antigos. O pavor é uma criatura atemporal.

“Like a dog without a bone… An actor out alone…”

– O que é que você disse mesmo quando Bulldog estava na sua posição? – um sorriso macabro surgiu na face sem olhos, então proferiu pausadamente: “Solta. Ele. Pai.”. E soltou.

Tomás sentiu suas vísceras sendo despejadas pelo chão. Queria desesperadamente gritar, mas a garganta também estava imobilizada pela maldição do pesadelo.

Acordou encharcado do que pensou ser seu sangue, mas era apenas suor.

***

A lembrança do “sonho” veio acompanhada de calafrios. Desejou afogar aquelas imagens no pântano mais fundo que pudesse encontrar. Isso lhe forneceu o primeiro impulso para deixar o aconchego da varanda.

Apanhou a mala com certo esforço e deu um passo para fora – deixando a tempestade engolir seu corpo. Dali em diante não havia obstáculos. O javali estava morto. O progenitor estava morto. A fazenda estava morta. No dia seguinte, os funcionários encontrariam sua Sede vazia, exceto pela rubra obra de arte em que a cozinha se transformara.

            Tomás jogou a mala na caçamba da picape, sem muito jeito, já não importava. O líquido viscoso começou a minar do fundo dela, como de uma ferida aberta. Os restos do que um dia foi Francisco dissolviam-se com assustadora facilidade no temporal.

            Dentro da cabine, surpreendeu-se ao sintonizar a rádio local e descobrir que ela reproduzia um refrão tão familiar. Com a partida rumo ao pântano, intercalada pela tradicional chiadeira e pelo ronco do motor, ouviu a voz de Jim Morrison entoar:

“Riders on the storm… Riders on the storm…”

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52 comentários em “Caninos (Wender Lemes)

  1. Bia Machado
    23 de junho de 2017

    Comecei a ler seu texto impresso, foi um dos que levei para ler na escola enquanto meus alunos faziam o simulado, rs. Mas não consegui ir muito adiante. Esse tema mexe comigo demais. Em vários momentos relembrei de alunos que tive, aqueles muito, muito complicados de se lidar, com histórico que quase beira a isso. E acho que você conseguiu transmitir muito bem essa questão. Tive raiva desse pai ao ler. E os trechos da música do The Doors só contribuíram. Parabéns!

  2. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    Caninos (Catioro)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: sim, a imagem faz parte da narrativa.

    ASPECTOS TÉCNICOS: não vi grandes problemas técnicos na escrita, apenas senti que o enredo começou por uma vertente, depois enveredou para outra, depois degringolou em um terror gore, daí era só um sonho, ou não… sei lá, entende?

    EFEITO: parece que o autor começou a escrever sóbrio e quando o aditivo “bateu” a história se transformou em outra coisa…

  3. Fil Felix
    23 de junho de 2017

    Acho que não é a primeira vez que vejo uma referência do Morrison num conto dos desafios, espero que não seja o mesmo autor! A história passeia pelas lembranças e emoções do protagonista, culminando talvez num crime. É interessante trabalhar com memórias da infância, pois geralmente elas costumam sumir com o tempo, principalmente as mais traumáticas. Ou ocorrer o contrário: marcarem a consciência pra sempre. A divisão com as músicas não achei tão interessante esteticamente, por conta dos parágrafos e intervalo entre elas serem bem pequenos. Alguns detalhes foram bem narrados, como o javali agonizando ou a pancada que levava quando criança. Muito legal.

  4. Lee Rodrigues
    22 de junho de 2017

    Caro autor, que bom que eu me aventurei a uma segunda leitura, doutra forma não teria percebido a predominância do tempo psicológico, onde o fim é o começo e flui de acordo com as emoções.
    Também não havia gostado das frases de música separando alguns parágrafos, mas a concepção mudou, elas deixaram de me incomodar para fazer parte do contexto.

    É claramente um Conto Psicológico, onde o fator principal são as lembranças e sentimentos do personagem que, desencadeiam uma viagem para o interior e, ressuscitam dramas existências.

    O enredo não segue a ordem natural dos acontecimentos, já que o tempo das emoções não é linear.
    Talvez, a narrativa em primeira pessoa conseguisse nos aproximar mais do drama, contudo, a empatia brotou nos diálogos, mas o laço poderia ter sido mais forte.

  5. Raian Moreira
    22 de junho de 2017

    Olha, o espaçamento dos parágrafos ficaram irregulares, uma falha bem boba, mas é normal de cometer, visto que o word altera isso (também sofri com isso e fui prejudicado. )
    Mas acima de tudo, o texto foi bem escrito, história original e criativa, apesar de o assunto trauma com pais agressivos ser um tema comum, você abordou de maneira não antes vista;
    Boa sorte, e sempre participe dos desafios aqui !

  6. Wilson Barros
    22 de junho de 2017

    Belo começo, artístico, musical. Riders on the storm encaixou perfeitamente como trilha sonora. Ficou bem vívida, bem real, a maldade do pai. Na verdade, o conto me pareceu não apenas inspirado na música, mas a própria música do doors. Muito interessante, tipo uma ópera. O estilo do autor é daqueles de quem sabe o que está fazendo, o velho “ficar no ar o que aconteceu realmente”, mas bem conduzido.
    Cara, eu gosto muito de meus colegas e os respeito também, mas me sinto na obrigação de falar algo, como uma reflexão. Eu noto que muitas vezes alguém fala que não ficou claro isso, não ficou claro aquilo. Eu só, digamos assim, peço um momento de reflexão, e analisem se realmente um conto tem que explicar tudo quer acontece.
    Moral da história: Se você der uma carona ao aviador, sua família morrerá.

  7. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: não notei problemas graves quanto à parte ortográfica. A organização das ideias, a princípio, parece um pouco confusa. Creio que as peças se encaixam melhor quando vemos completo da vida de Tomás.

    Aspectos subjetivos: a imagem/tema leva a duas ou três possibilidades mais comuns. A primeira seria a interpretação realista, transportando os elementos para algo dentro do possível/cotidiano; a segunda perpassa o impossível/improvável, dividindo-se entre o absurdo e o sobrenatural; a terceira e mais abrangente seria o onírico, escolhido aqui. O sonho/pesadelo contempla qualquer vertente (inclusive as duas anteriores).

    Compreensão geral: os caninos assumem mais de um sentido, se espalhando pelo conto. Podem se referir aos cães, utilizados para a caça do javali, aos dentes protuberantes do próprio animal, ou mesmo ao trauma, que abocanha o psicológico do protagonista e se mantém aguerrido de tal forma que o faz voltar às origens tanto tempo depois.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Catioro,
    Um belo conto o seu, terrível para o pequeno psicopata que você criou na base da porrada, mas para conto ficou bom! Hehehehe.
    Achei que a história está bem escrita e que você conseguiu inserir a imagem do desafio no pesadelo do menino. Ficou legal. Pensando agora, essa seria uma das melhores alternativas para se encaixar a foto do desafio em algum contexto: um sonho. Mas já li mais de 40 textos nesse desafio e acho que o seu foi o primeiro que usou esse recurso. Muito interessante.
    Gostei da trama e achei o final bastante interessante. Parabéns!

  9. Sabrina Dalbelo
    20 de junho de 2017

    Olá autor(a),

    Eu gostei muito.
    A história é muito bem escrita.
    Eu posso sentir o grande trauma que Tomás sofreu convivendo com o seu rude, tempestuoso e agressivo pai.
    Não imaginei, até chegar ao final do texto, que Tomás teria coragem o suficiente para matá-lo, e ainda acomodá-lo dentro da mala. Vejam o que a raiva enrustida, o ódio semeado e frutificado pode causar… é…
    Destaque para teu vocabulário: muito bom!
    Eu quero mostrar a lindeza dessa construção: “O garoto olhava de um lado para o outro, via as gotículas de saliva sendo atiradas ao vento, fúria líquida, o rancor de criaturas plenamente amargas e violentas.”
    “Fúria líquida” -> isso não é para qualquer um. É coisa de mestre!
    Um grande abraço

  10. Fabio Baptista
    20 de junho de 2017

    Terceira vez que leio esse conto e terceira vez que fico sem saber direito o que comentar. Bom, vamos lá… eu gostei da escrita, a parte técnica está legal, conseguindo narrar com clareza e criar boas imagens (ou nem tão boas assim, dependendo do ponto de vista) na cabeça do leitor.

    A trama do pai opressor já é batida, mas eu não ligo muito pra isso. Quem nunca se utiliza de clichês que atire a primeira pedra. O importante é saber trabalhar bem o tal do clichê e aqui até acho que o autor obteve sucesso, mas alguma coisa, alguma bendita coisa que não sei definir muito bem o que é (daí a dificuldade de comentar) acabou me desagradando.

    Acho que foi uma combinação dessas frases da música intercaladas, com a parte de pesadelo, com esse final meio abrupto, sem definir muito bem se era uma continuação do pesadelo ou um corte para a realidade num tempo indeterminado. Enfim… separadamente essas partes estão boas (menos as frases em inglês), mas algo não se encaixou.

    De todo modo, leva boa nota pela escrita.

    Abraço!

  11. Antonio Stegues Batista
    20 de junho de 2017

    A escrita é muito boa, leitura agradável, o enredo nem tanto. Não gostei muito da mudança brusca do tempo na história e no final, o filho matar o pai após tanto tempo depois de um trauma. Como eu não falo inglês, não entendi aquelas frases em inglês fazendo a divisão de parágrafos. Se houvesse uma tradução pelo menos, seria um ponto a favor. O leitor não é obrigado a saber de tudo!

  12. Rubem Cabral
    20 de junho de 2017

    Olá, Catioro.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Estão no conto todos os elementos da imagem-tema: homem, mala, javali, mata.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O conto está bem escrito e bem pontuado.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    Personagens bem desenhados, descrições ricas e com boas metáforas (o pesadelo está muito imagético), diálogos corretos.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O enredo parte de algo que já vimos muitas vezes: pai-repressor, filho-sensível, violência, dilemas morais. Contudo, a habilidade do autor conseguiu contornar o que seria um clichê e entregou algo mais denso, e mais mórbido também. O resultado, como um todo, foi muito bom.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  13. catarinacunha2015
    18 de junho de 2017

    INÍCIO com ambientação imediata. O estilo é meio soturno, o que me agrada muito. A TRADUÇÃO DA IMAGEM em forma de pesadelo, a forma como foi construída, demonstrou controle total da trama. Sou monoglota e não gosto de outras línguas, principalmente de ter de recorrer ao tradutor para entender o que leio; logo perde pontos.
    EFEITO de encontrar um pequeno diamante no oceano.

  14. M. A. Thompson
    18 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: satisfatório com méritos por não usar o lugar comum da descrição literal, adotada por alguns dos colegas participantes.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): muito boa, parabéns. Até os diálogos que não me atraem em contos curtos, nesse me agradaram.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): considero satisfatório considerando se tratar se um Desafio e nem sempre temos tempo para trabalhar o texto, apesar dos comentários de alguns participantes sugerindo o aprofundamento na personagem (ou ‘no’ se preferir). Fica a dica para a reescrita se houver.

    * Enredo (coerência, criatividade): criatividade acima da média em relação aos demais contos do desafio e o melhor desfecho entre os contos analisados até agora.

    De um modo geral foi conto muito bom e valeu a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  15. Felipe Moreira
    16 de junho de 2017

    Belo trabalho, Catiorro. Achei o título muito bem empregado, porque ele reflete mais coisas do que o próprio nome. Remete também ao trauma, à influência do tempo, do drama familiar. Gostei do trabalho. Está escrito duma maneira eficiente, os diálogos fortes.

    Tomás emite fácil suas ondas emocionais para quem está lendo, mas por vezes alguns traços me pareceram um pouco rasos. No entanto, não atrapalharam em nada ao trabalho. Está de parabens.

  16. Victor Finkler Lachowski
    16 de junho de 2017

    Um conto muito bem narrado, denso e compreensível.
    O único ponto negativo é a falta de aprofundamento no personagem, entendemos o que acontece, porém, creio que o final faria mais sentido com alguns exemplos a mais.
    A música do The Doors ajudando a narrar o conto foi uma sacada excelente, a atmosfera é bem construída e interiorana.
    Bem criativo, bem narrado e bem ambientado, só faltou mais aprofundamento. O autor é muito habilidoso.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  17. Andreza Araujo
    16 de junho de 2017

    As partes da trama foram bem construídas e intercaladas de modo correto, e o leitor não se perde mesmo com saltos temporais ou alternância entre pesadelo e realidade.

    Apenas senti falta de um maior aprofundamento do protagonista, pois não consegui enxergar as duas faces do filho, é como se o final fosse um pouco forçado. Eu quero dizer que não vi motivação no comportamento dele que sugerisse tal revolta (mesmo perto do final, pois se isso fosse explorado antes o final não seria uma surpresa). Um conto muito bem narrado, certamente.

  18. Pedro Luna
    13 de junho de 2017

    É incrível como a medida que ia lendo o conto veio em minha cabeça “pai bruto violento e filho problemático, de novo?”. O mais engraçado é que já escrevi um conto sobre isso também, aqui no EC. Bom, pelo menos os elementos sinistros que vem com o pesadelo e o final estilo “seven” levam a trama além dos clichês da violência paterna comum e intrigam. O que mais gostei no conto é que ele é bem contado, tudo é fácil de ser visualizado. O saldo de leitura foi bem positivo.

    ps. Não gostei dos trechos da canção intercalando o conto. Nunca consegue me atingir, esse recurso estilístico.

  19. Cilas Medi
    13 de junho de 2017

    Um bom conto, disciplinado, coerente e com um leve toque de sobrenatural nos sonhos/pesadelos de um futuro assassino. Foi esse o entendimento, espero ter acertado nessa conclusão. Atendeu perfeitamente o desafio, deixando claro o estilo firme do autor, conhecedor de como acalentar o desejo dos leitores por uma boa aventura. Parabéns. Sorte no desafio que espero ajudar a vencer.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    12 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Contexto forte, mais pé no chão, com uma boa reviravolta. As partes em inglês têm seu charme, e entendi tudo, mas para quem não está acostumado, perderá um pouco da essência transmitida. Já vi outros utilizarem essa saída, contudo, aqui cabe bem a questão da figura ser um pesadelo. Encaixou direitinho.
    G: Um texto bastante melancólico, com um final nas entrelinhas bastante macabro. Acho que ganha pela surpresa da construção. Vem numa curva suave até o leitor ser jogado contra a montanha, literalmente. Tem aquele estilo de história do interior e capta bem a atmosfera opressiva de lugares isolados. Pelo que pude perceber ao final, a fazenda não ficou para ninguém, o que dá a entender que logo tudo se transformará numa grande floresta – lotada de javalis.
    O: A escrita flui bem, e apesar de conter muitos saltos temporais, o enredo se mantém coerente.

  21. Gilson Raimundo
    10 de junho de 2017

    Conto dentro do proposto pelo desafio, traz os pesadelos que mostram uma realidade que moldou o carater do filho assassino, pois o pai sempre o culpou da morte da mãe e descontou nele suas frustrações. No fim ele se viga e parte numa tentativa de abandonar seus temores.

  22. Olisomar Pires
    10 de junho de 2017

    1. Tema: Adequação presente com variações.

    2. Criatividade: mediana. Sujeito completamente desequilibrado mata o pai.

    3. Enredo: As partes do texto se conectam muito bem e desfilam tranquilamente.

    O narrador não é onisciente, inclusive faz perguntas sobre o estado de espírito das personagens, ele apenas conta o que vê ou deduz algo. O que é bom sob certo ângulo, pois abre possibilidades de interpretação ao leitor.

    Não entro no mérito do comportamento das personagens, se o que fizeram foi certo ou errado, nem seus motivos ou reações.

    Entretanto, sou obrigado a dizer que a aparente causa explorada pelo autor para o assassinato do pai é frágil: o moleque era doido e pronto, ele mataria o pai de qualquer maneira, independente do comportamento paterno, o qual, diga-se de passagem, pelo que foi narrado, não é tão incomum ou absurdo assim.

    4. Escrita: Muito boa. Firme, fluida, contagiante. Belas imagens. Particularmente gostei da fazenda em formato de bota com a sede marrom.

    A qualidade do autor é evidente. Um belo texto com amarras, costuras metafóricas, que fazem um bom conjunto.

    5. Impacto: alto.

    Mais pela qualidade da escrita. Aqui vem a questão se a linguagem é mais importante que o conteúdo.

    Nesse caso, para mim, fico com a linguagem.

  23. juliana calafange da costa ribeiro
    9 de junho de 2017

    Adorei seu conto! A forma como vc construiu a trama nos mantém ligados na história o tempo todo. Os personagens são muito bem construídos, com escolha esmerada e precisa das palavras.
    A imagem-tema é um terrível pesadelo, que se encaixa perfeitamente na cena real, do protagonista menino e seu pai doente.
    A “trilha sonora” ilustra muito bem as passagens do conto (eu até li uma 2a vez com a música ao fundo, funciona mesmo!). O final bem arrematado. Grande candidato ao pódio! Parabéns!

  24. Afonso Elva
    8 de junho de 2017

    “Aquela mala… toda mala é uma promessa de futuro, exceto aquela.”, muito bom. hehe, morte no caso né? Dividir o texto em quadros, pode prejudicar a atmosfera, mas aqui funcionou muito bem. Só a coisa do pai truculento etc que já é muito batida, talvez outros traumas funcionassem mellhor.
    Forte abraço!

  25. Luis Guilherme
    8 de junho de 2017

    Uaaauu mtas palmas pra vc! Q contaço!

    Boa noite, miguxo.

    Bom, me perdoe pelos prováveis erros de escrita, sou péssimo digitando no cel.

    Vou te dizer q seu conto eh meu preferido ate agora. Tem todos os elementos pra excelente: sucinto, excelente escrita, envolvente, deliciosa. Enredo interessante e bem conduzido, curioso e que prende, e conclusão magistral.

    Gramática tbm me pareceu impecável!

    Parabenssss

  26. Claudia Roberta Angst
    7 de junho de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do conto é sucinto e bastante impactante. Aprovado.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado, sem dúvida. Temos até a mala recheada de pai “à passarinho”. Medo!
    Não encontrei furos na sua revisão. Acho que nem me dei ao trabalho de procurá-los, já que a linguagem me hipnotizou e segui assim.
    O final da narrativa me surpreendeu. Não estava esperando por tanto sangue e vingança. Quanto ódio nesse coraçãozinho! Mas pelo menos a criancinha foi poupada? Não, acho que não.
    O ritmo do conto é muito bom, mantém o suspense até o final. Leitura flui fácil e quando vi já estava mergulhada no clima psicológico denso.
    Boa sorte!

  27. Elisa Ribeiro
    7 de junho de 2017

    Olá autor. Se fosse um desafio de terror talvez eu estivesse mais preparada para a história que você me trouxe. Vamos a ela. O principal problema é que achei as motivações que você deu no conto para o patricídio cometido pelo personagem ficaram frágeis e superficiais contribuindo negativamente para o impacto emocional do conto. De positivo no seu conto, as cenas muito críveis e os diálogos. Algumas falhas na revisão não comprometeram o ritmo da leitura. Boa sorte no desafio. Um abraço.

  28. Iolandinha Pinheiro
    6 de junho de 2017

    Então. Gostei muito do título do seu conto, criei expectativas sobre ele, hoje chegou o momento de ler, e agora passo a dar meu veredito. Não gostei do seu conto tanto quanto achei que gostaria. A linguagem é bacana, o autor constrói links interessantíssimos, como o barulho da chuva no metal usado como um metrômetro para marcar o compasso da flauta. As piscinas formadas no quintal pela chuva, o pai contendo os cachorros antes de açulá-los contra o javali ferido. A colocação do javali com o pai no pesadelo do filho também foi um jeito criativo de inserir a imagem, e também a explicação do uso dos olhos (pois o pai já não tinha olhos nas órbitas), parabéns por estas escolhas. Mas mesmo a escrita sendo uma beleza, achei o conto meio solavancado. O corte entre a lembrança e o pesadelo não me agradou, a aparição aparecer com vermes pelo corpo foi uma tentativa de gore que ficou apenas apelativo e desnecessário, mas o que realmente me incomodou foi o garoto ter esperando tanto tempo para se vingar do pai. A medida que o tempo passa, mesmo ainda sendo guardadas as más lembranças, os sentimentos, todos eles: medo, vergonha, ódio, amor… vão se esmaecendo no pano do dia a dia. Então a introdução deste crime, desta vingança a frio, mais pareceu um recurso para introduzir dramaticidade ao texto, recurso este, inclusive, desnecessário, já que existia a cena da morte do javali. Seria muito mais eficiente se ele chegasse para o enterro do pai depois de ter fugido da fazenda quando ainda era bem jovem e se martirizasse pela alívio do seu opressor ter partido. Todo filho que odeia os pais se sente culpado, mas eu já estou saindo da análise do seu conto. A ideia foi muito boa, mas a execução foi feita com falhas. Abraços e sorte no desafio.

    • Iolandinha Pinheiro
      7 de junho de 2017

      Revisando o meu comentário: Pelo uso dos óculos e não dos olhos. A aparição aparecer, não, substitua por o “fantasma” aparecer. Ter esperando, não, substitua por “ter esperado”

  29. Fátima Heluany AntunesNogueira
    5 de junho de 2017

    Conflito baseado em relações familiares é quase um clichê em filmes e textos: o pai culpa o filho pela morte da mãe, considera-o fraco e este quer vingança por toda uma vida sem amor e muita opressão. Porém, aqui está carregado de emoção, com uma boa trilha sonora e a imagem-tema, revestida de onirismo e simbologia e um desfecho de terror.

    É trabalho de qualidade, um dos favoritos. Parabéns pela participação. Abraços.

  30. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Um conto bem bonito. Uma história densa e profunda de dor e que vai mesclando em doses bem interessantes o sonho e a realidade. O filho a se libertar do pai bruto e opressor, mas que se descobre preso a ele. Achei um tanto excessivas, mas se trata aqui de um problema meu e a minha dificuldade com o terror, as imagens que você faz da morte. Mas, desconsidere este ponto, eis que há muita gente que aprecia por demais esta parte. Um bom conto você me traz. Parabéns.

  31. Ana Monteiro
    5 de junho de 2017

    Olá Catioro. O seu conto é muito bom. Está bem escrito e sem erros ou atropelos. Você domina a arte de usar as palavras para o que quer fazer delas. De tudo, na escrita, isso é o mais difícil: que as palavras obedeçam o nosso desígnio. Quanto à criatividade, está presente. O seu conto cria e recria uma história dentro/fruto de outra história: causa e consequência, ação e reação, o passado e o presente; e faz isto com mestria. A imagem que dá origem ao conto está lá, não sendo o seu centro, mas desenha-se completa. Emoção e enredo: tem mais emoção que enredo, apesar da presença de ambos, mas a emoção ganha porque é forte e rainha do conto. É um conto de emoção, todo ele. O protagonista desde sempre é uma vítima emocional (muito mais ainda que física) dum pai que não o merece e o culpa pela morte da mãe (o mais provável é que para a mãe tenha sido uma sorte morrer em lugar de continuar, como decerto continuaria a viver com aquele homem e a sofrer sabe-se lá o quê). Penso que ele tardou muito em regressar para fazer a catarse, mas provavelmente precisou desse tempo para se construir até que nada mais faltasse para enfim colocar um ponto final (matar o pai e esquartejá-lo) e libertar-se. Parabéns!

  32. Jowilton Amaral da Costa
    5 de junho de 2017

    Conto muito bom. A narrativa é muito bem feita, entremeada com os versos do Morrison, o que proporcionou um belo clima ao conto. Confesso que quando ele abriu a mala e viu o pai saindo de lá, trazendo o javali, fiquei meio frustrado, achando que o conto partiria para o fantástico sem mais e sem menos, mas, era só um sonho. Fui pego de surpresa no fim. Mesmo a mala sendo citada desde o início do conto, em nenhum momento imaginei que dentro dela poderia estar o corpo do pai de Tomás. Boa sorte.

  33. Roselaine Hahn
    3 de junho de 2017

    Olá Catioro, muito bom o seu conto, melancólico, senti raiva desse pai. Raiva=emoção. Ponto positivo pra vc. O ajuste de contas do filho justifica a decadência do mesmo explicitada no início, não há filho que sobreviva a tamanho peso, Jim Morrison ficaria orgulhoso de vc. E por fim, senti repulsa da vingança do rapaz. Repulsa=emoção. Mais pontos. Sucesso no desafio, abçs.

  34. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    3 de junho de 2017

    Apesar de todo o ressentimento que Tomás nutria pelo pai — e a partir do episódio da caça ao javali deu pra entender que a criança Tomás levava uma vida aflitiva por ser malquisto pelo pai –, não podemos mais considerar Tomás adulto como uma pessoa piedosa. Na verdade, em vez de simpatizar com ele, tive-lhe repugnância, e toda carga emotiva que se criou se desfez por esse ato vingativo cometido contra o pai. Tomás tornou-se tão ou mais monstruoso do que Francisco. Então não é possível se afeiçoar a tal personagem, e toda essa solidão que ele carrega, bem a mereceu no final. Aliás, a música que melhor lhe cabe no final deveria ser:

    Brain Damage, Pink Floyd

    “The lunatic is on the grass
    The lunatic is on the grass
    Remembering games and daisy chains and laughs
    Got to keep the loonies on the path…”

    Só que duvido que Tomás se mantenha na linha, já é tarde para ele (hehehe).

    Parabéns!

  35. Olá, Catioro,
    Tudo bem?
    Então é “Riders On The Storm” a trilha sonora que você utilizou escrevendo esse conto aqui? Também gosto de escrever com trilha. Cada trabalho meu tem sua trilha própria.
    Você, no entanto, foi além. Escreveu o conto inspirado na trilha que ouvia. Uma música que fala de solidão, de ser deixado para trás, sem nada e sem ter para onde ir, que é o que, no final das contas, seu texto também fala. De abandono. De solidão.
    Mais que isso, você convida seu leitor para que este pegue uma carona em sua trama.
    Não posso imaginar um lugar mais solitário que o de uma criança que não tem em quem confiar pois, seu próprio pai é o agressor. O pai do protagonista o agride física e psicologicamente, causando danos tão profundos que o levam a crer que somente matando o pai, conseguirá matar a fazenda, a memória, a herança genética e maldita, e, o terror dentro de si. Ledo engano, ao cair em tal armadilha o protagonista se iguala ao progenitor de muito mais formas do que imagina. Bela premissa.
    Tenho repetido por aqui que a imagem do desafio nos levou a lugares bem estranhos e isso não foi diferente com você. Dentro da mala que você criou, havia o corpo ensanguentado do pai do personagem. Um conto de horror, e que não fez concessões quanto ao que colocaria no papel. Há cenas de violência fortes e há poesia nas palavras, criando-se uma estética que somente a arte pode dar ao terror.
    Um belo trabalho.
    Parabéns por seu talento.
    Boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  36. Evandro Furtado
    2 de junho de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O drama construído a partir da relação pai e filho é muito interessante. Talvez a extensão poderia ter sido maior. A violência é usada com propósito,

    C: Como já mencionado, o desenvolvimento poderia ter sido prolongado. Parece haver espaço para tal. Ainda assim o enredo é bem amarrado, com claras definições de começo, meio e fim.

    F: A narrativa é excelente. Diálogos bem marcados, descrições precisas, ótimo uso das figuras de linguagem.

  37. Neusa Maria Fontolan
    1 de junho de 2017

    A morte em vida que Tomás se encontra é notório. Seu pai, Francisco, conseguiu suprimir tudo que pudesse ter algum valor ao filho. A agressividade foi tanta que Tomás voltou para matá-lo, em uma tentativa de se livrar do pesadelo que se tornou sua vida.
    Bom conto
    Meus parabéns.

  38. Priscila Pereira
    1 de junho de 2017

    Oi Catioro, seu conto é muito triste… imagino que tipo de monstro um pai tem que ser para tratar um filho assim… tudo que se trata de violência fisica ou moral em crianças me deprime muito, e você conseguiu me deprimir… é um talento para poucos conseguir despertar emoções tão fortes nos leitores com tão poucas palavras. Parabéns!!

  39. Marco Aurélio Saraiva
    1 de junho de 2017

    Caramba ein… contaço!

    ===TRAMA===

    Excelente. Curta, mas impactante. As memórias de Tomás que o atormentam desde sempre são narradas aqui, a saber, todas as que têm relação com o trauma que seu pai impôs sobre ele. O que dá a entender aqui é que foram anos de tormentos como aquele – a morte do Javali e o abuso físico que testemunhamos no conto são apenas uma pequena parte do que o garoto Tomás sofreu.

    Isso acabou culminando no desenvolvimento de uma personalidade homicida, caindo no desfecho fatídico: Francisco assassinado, Tomás insano. Aqui fica a minha única pequena frustração no que diz respeito ao enredo: eu esperava uma redenção de Tomás, talvez por vê-lo sofrer tanto, e por você ter conseguido criar um vínculo Tomás-Leitor muito forte. Vê-lo tornar-se um assassino e “partir para o pântano” (com a suigestão de que se mataria por lá) foi triste.

    Mas… nem todos têm a oportunidade de serem felizes.

    ===TÉCNICA===

    Perfeita. Você escreve muitíssimo bem – tão bem, que não há o que comentar. Frases belas, pensamentos interessantes, leitura fluida.

    Muito bom!

    ===SALDO===

    Muito positivo. Um dos melhores do certame!

  40. Vitor De Lerbo
    31 de maio de 2017

    Ótima mescla de presente, passado, pesadelo e música. As linhas de Morrison aparecem nos momentos exatos do enredo.

    Texto irrepreensível. A imagem do desafio foi apresentada de maneira bastante criativa.

    A mala é um signo para viagem, o que, de fato, o filho proporcionou ao seu pai. A última viagem de todas. Riders on the storm.

    Boa sorte!

  41. Evelyn Postali
    30 de maio de 2017

    Oi, Catioro,
    Gramática – Sem qualquer nota com relação à escrita. Não encontrei erros porque a leitura me prendeu do começo ao fim.
    Criatividade – Impactante, eu diria. Eu gostei da inserção da música. Gostei da dramaticidade das lembranças. Provoca várias reflexões à medida que se vai lendo. A questão da afirmação, da coragem, do crescer igual ao pai, de cuidar do legado do pai. Está bem desenvolvido.
    Adequação ao tema proposto – A imagem está lá, diluída no texto.
    Emoção – Como eu disse: impactante pelo conflito intenso entre pai e filho e pelo final.
    Enredo – Começo, meio e fim interligados, pelos flashbacks. Gostei dos diálogos do começo.
    Boa sorte no desafio.
    Abraços!

  42. Milton Meier Junior
    30 de maio de 2017

    um bom, conto, com uma forte carga emocional e psicológica, alternando entre o pesadelo e a realidade. a inserção dos trechos da música também é bem oportuna. muito bem escrito e bastante criativo. parabéns!

  43. Gustavo Castro Araujo
    29 de maio de 2017

    Um conto com forte pegada psicológica – algo que me agrada. Lembranças e pesadelos se misturam diante da visão de um pai opressor e violento, cujos atos são traduzidos no episódio com o porco/javali ante ao olhar impotente do protagonista/criança. Confesso que antevi o final lá pela metade, dada a natureza irascível do pai somada à introspecção do menino. Essa percepção, contudo, não tornou o conto menos interessante. Na verdade, se pensarmos na história como algo fechado, este texto se destaca como algo redondo, eficaz. No entanto, não posso deixar de pensar que havia espaço para mais, o que deixa a sensação subjacente de que o autor poderia ter ido além. De todo modo, é um ótimo trabalho. Parabéns!

  44. Jorge Santos
    29 de maio de 2017

    Conto escrito numa linguagem irrepreensível, muito emotivo. Alguma confusão na conclusão e durante o sonho (não seria antes pesadelo?). O autor é eficaz na sua descrição de um rapaz que sofre maus tratos por parte do pai. Conseguimos sentir a sua frustração. Este conto usa uma música como elemento condutor. Podemos, portanto, dizer que teve banda sonora – bem escolhida, por sinal. Conclusão: o autor sabe escrever, tem mestria a descrever sensações.

    This is the end, my friend…

  45. Sick Mind
    28 de maio de 2017

    Conforme o final se aproximava, a desconfiança do que aconteceria apenas ficava mais forte. Mas isso não me incomodou, mas tirou um pouco do impacto. Usar trechos da música foi uma maneira interessante de acrescentar um clima na história sem precisar de mtas palavras. Erros, se tinha, nem notei.

    Não entendi como esse diálogo se liga ao texto:
    “Eu sou como tudo realmente será!”
    Me pareceu deslocado dos acontecimentos.

    Não há problemas com a estrutura, mas confesso que preferia ler esse texto dividido em apenas três partes: A reflexão inicial, as lembranças de Tomás e o desfecho.

  46. Mariana
    26 de maio de 2017

    Uou, que conto. Gosto de histórias que subvertem fórmulas do tipo “filho reencontra pai, o amor fala mais alto e eles se perdoam”. A utilização dos versos da canção do doors deu ritmo para a narrativa, que correu fluída apesar da tensão crescente. A amargura de Tomás é sólida, bem como a do pobre (sim, eu senti pena dele) Francisco. Muito bom mesmo, meus mais sinceros parabéns.

  47. Eduardo Selga
    26 de maio de 2017

    Muito eficiente a narrativa ao abordar o trauma de infância do protagonista, e o quanto isso produz imagens no fundo da psique a ponto de transbordar. Para essa eficácia contribui muito um elemento rítmico, partes da letra da canção de Jim Morrison. E é rítmico não por ser canção, mesmo porque só podemos assim denominar se houver, unidas, letra e música, o que evidentemente não é o caso: o ritmo ocorre pelo fato de trechos da letra surgirem de quando em quando, ilustrando as etapas da narrativa. Considerando que o conto é diminuto, ainda mais efeito causa o recurso usado, na medida em que os espaços entre cada interferência da letra da canção são curtos, o que faz reverberar mais e melhor o sentido do uso dos versos.

    O trecho “o javali estava morto. O progenitor estava morto. A fazenda estava morta” é um recorte que consegue, por assim dizer, traduzir o conto em certo sentido, pois é de morte que ele trata. E não apenas o javali, o progenitor e a fazenda estavam mortos: também o personagem, metaforicamente e desde a infância. A atitude violenta e autoritária do pai consegue assassinar no menino não apenas a ternura por Francisco, como também a vontade de gerir a fazenda, como era a vontade paterna. Não o faz porque o ódio a Francisco não permite, e a propriedade é uma espécie de continuação desse pai terrível. Por isso deixa a fazenda morrer.

    É curioso observar que o discurso do pai é truculento quando vivo e sarcástico enquanto lembrança traumática do menino. Por que não mantém a truculência? Ora, a manifestação sarcástica é uma projeção da mente traumatizada de Tomás, após ter esquartejado o pai. O sarcástico, na verdade, é ele, Tomás. Além disso, não podemos esquecer: o protagonista pretende a todo custo descolar-se da herança paterna, o que não é possível, pois o sarcasmo é também truculência verbal, embora noutro nível. Ademais, o pai conseguiu introjetar a violência no filho, a ponto deste partir para o esquartejamento. Ou seja, a herança permanece.

    A presença de elementos líquidos também é muito reveladora. Isso ocorre em três casos, pelo menos: a tempestade, o pântano e o sangue.

    Em dado momento, ao pegar a mala, Tomás permite “a tempestade engolir seu corpo”, e o verbo usado é perfeito no contexto. De fato, ele é engolido e digerido por algo maior que ele, envolvente, que se impregna em seu corpo psíquico e altera sua identidade, assim como a chuva torrencial se impregna em nosso corpo físico e por alguns instantes parecemos outros, verdadeiros “pintos molhados”.

    O pântano é o inconsciente do protagonista, pastoso, obscuro. Não à toa ele deseja “[…] afogar aquelas imagens no pântano mais fundo que pudesse encontrar”, e posteriormente leva o corpo esquartejado do pai para um pântano. Na verdade, leva para si próprio, na medida em que o pântano representa seu inconsciente.

    O sangue, elemento ligado simultaneamente à pulsão de vida e à pulsão de morte, assume significado macabro no conto, pois é equiparado à tinta com a qual o protagonista criou uma “obra de arte” na cozinha: o esquartejamento de seu pai. Ou seja, a truculência é uma peça artística.

  48. Ricardo Gnecco Falco
    24 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Texto bem escrito. Não encontrei nada que representasse qualquer entrave na leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Boa. Transformar a emblemática imagem que serve como tema para o Certame em uma visão de sonho foi bem interessante. Saiu da mesmice. Gostei da plasticidade da cena, com a abertura da mala e o surgir dos dois: homem e javali. Ficou bem legal a escolha e a execução. Transformar o protagonista (herói) no vilão, ao final, foi bem sacado também. Gosto de contos que utilizam-se desta máxima. Surpreendeu na medida certa. Tirou, é claro, um pouco do tom poético dos primeiros parágrafos, mas quem se importará com poesia diante de um personagem que mata o próprio pai…?

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. E muito bem feito.

    – EMOÇÃO
    Na medida certa. Final perfeito, como uma narrativa deste Gênero DEVE terminar. Parabéns.

    – ENREDO
    Filho que sofreu bastante bullying nas mãos de um pai violento retorna à fazenda da família para o que parece ser o acerto de pendências imobiliárias após a morte do pai. Na sede da fazenda onde viveu (e sofreu) quando criança, vai recordando dos conflitos passados até que chega o desfecho da história, quando descobrimos que ele retornara à fazenda para exatamente assassinar o próprio pai. *** Medo desse personagem… :O

    *************************************************

  49. Anorkinda Neide
    23 de maio de 2017

    Olá! Adoro esta música, estranhamente a conheci qd me pediram um poema inspirado nela rsrs
    O texto é bem feito, muito bem colocado, não vi erros, os sonhos são vívidos e claros e acredito q foi por causa deles q o rapaz voltou para matar o pai. Confesso q frustrei um pouco, achei q havia sido uma morte natural e q evocava toda a infância traumática, mas vc quis com q ficasse mais forte ainda o teu conto. é seu direito! hehehe
    O resultado é este, um conto forte! Mexe com nossas emoções, vc soube lidar com isso muito bem e explorar a imagem proposta muito bem tb.
    Parabens
    Abração

  50. Leo Jardim
    22 de maio de 2017

    Caninos (Catioro)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): pelo que entendi, ele matou o pai, né? Só não ficou claro no texto o motivo dele ter demorado tanto pra fazer isso… o trauma que tinha do velho foi na infância. Por que ele, com 40 anos, decidiu ir na fazenda, matar o pai e colocar o corpo numa mala? Afora isso, gostei da forma como as linhas temporais foram se intercalando, só faltou mesmo um melhor tratamento do desfecho, na minha opinião.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): bom chaveamento de linhas temporais e as inserções de trechos de Riders on the Storm bem encaixadas foram o destaque do conto.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): apesar de trauma com pais agressivos ser um tema comum, a forma abordada e o sonho deram ares de novidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): a imagem-tema apareceu num sonho. Achei uma saída mais fácil que outros colegas que quebraram a cabeça (eu incluído), mas não vou descontar pontos por isso.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): a revelação final causa um impacto ao trazer um fato novo, mas logo depois me causou dúvida, pois acabou que não ficou bem explicado. Ainda assim, achei um bom conto.

  51. Givago Domingues Thimoti
    21 de maio de 2017

    Gramática: O espaçamento dos parágrafos ficou irregular. Não sei se isso foi causado por erro do site ou por erro do Word (ou qualquer coisa que o autor use). Obviamente, não é uma coisa que prejudique o conto. Eu não achei erros gramaticais, entretanto, eu não sou lá o mestre do português. Criatividade: Aqui, eu queria destacar dois pontos. Primeiro, gostei da ideia de colocar trechos da música “Riders On The Storm” do The Doors. Passei horas ouvindo essa música por causa do Need For Speed 2 (eu sei que foi meio irrelevante, mas tudo bem). O segundo ponto é relativo as mudanças de plano. Hora é um flashback, hora é um pesadelo. Eu, particularmente, gosto dessa estratégia e acho que foi feita bem.
    Adequação ao tema proposto: Bem condizente com a imagem proposta.
    Emoção: O conto contém uma forte carga emocional, principalmente no início. É possível sentir, na maior parte do texto, a angústia do Tomás.
    Enredo: Um homem (Tomás) que, por vezes, relembra, outras sonha com momentos nada agradáveis vividos com o pai (Francisco). Como foi destacado acima, eu gostei da troca dos planos. E o conto termina com um baita de um plot twist.
    Parabéns!

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .