EntreContos

Literatura que desafia.

De lobos e ovelhas (Olisomar Pires)

lobo

Se  escrevo nesse momento, é por genuíno receio de perder a memória e com ela, os fatos. Os anos se atropelam e, em sua inércia, arredam quase tudo, por isso, mais que exorcismo de algo ruim, relembro os eventos que me perseguem,  justamente,  para imantá-los numa cápsula.

Aristocrata e herdeiro legítimo de grande fortuna, casei-me com a jovem Ofélia;  ela, apesar de bastante tímida, provinha de família riquíssima do interior do país; Enquanto estudei, conheci, mergulhei, em águas europeias,  grande parte de minha vida, Ofélia cresceu  nas fazendas brasileiras, claro que sob instrução de tutores particulares, naquele intuito de senhorinha bem educada.

Por um desses enredos de ópera, a vida nos uniu e unidos em matrimônio, agradamos às nossas tradições, o que nos bastava por muito tempo.

Pouco mais de seis meses após a cerimônia, convidaram-nos, seus pais, para que os visitássemos  na província das Minas Gerais.

Hei de confessar que a idéia não me agradou, de pronto. Passar um mês ou mais em companhia de pessoas incultas era algo que não me apetecia. Porém, Ofélia, com sua meiguice, olhos de tamarindo e carinhos insuspeitos, convenceu-me  sem muito esforço.

À data prevista, embarcamos e partimos. Deixamos o  Rio de Janeiro e ainda que esta fosse um fraco arremedo de Paris, era cidade que muito me cativava com seu potencial para o belo e costumes civilizados, uma sociedade com  futuro maravilhoso.

Ofélia se divertia na novidade  do  comboio em linha férrea  que nos conduzia.

A paisagem entrevista pelas janelas do transporte ferroviário  era a de tempos ancestrais onde o homem era projeto e respirava,  apenas,  a mata exuberante em puras cores tonalizadas, com seus segredos e sussurros.

Nosso destino inicial era a capital vizinha – Ouro Preto – dali iríamos para a propriedade de meu sogro, uma delas.

Ao chegarmos à estação, duas coisas me chamaram o cuidado imediatamente: a simplicidade quase inocente do lugar, diria eu que não passava de uma vila,   e  o grande número de negros, aos montes, aqui e ali, com suas roupas em remendos e o medo da liberdade forçada nos olhos.

Para minha surpresa, eles não se animaram com nossa presença, sequer nos olharam, exceto um,  de grande compleição, vestido de forma simples, porém distinta, o qual, assim que nos mirou, encaminhou-se resoluto ao nosso encontro. Estando a alguns passos, dirigiu-se, alegremente, à minha esposa:

– Sinhazinha ? – ele chamou.

Ofélia, ainda observando o movimento da pequena estação, alterado pelo desembarque dos demais passageiros, virou-se para a voz:

– Jerônimo, que saudade – ela exclamou num grande sorriso e foi ao negro, passando os braços em volta do seu pescoço num abraço profundo.

As pernas me faltaram. Não podia acreditar em tal comportamento e agradeci por ter recusado o pequeno almoço servido há pouco, meu estômago não o conteria.

– Venha, Jerônimo, venha conhecer meu senhor e marido – ouvi Ofélia ordenar, (ordenar não), convidar.

– Álvaro, este é Jerônimo, um antigo amigo de nossa casa e meu protetor favorito – ela  disse, como se estivesse apresentando a mim um diplomata de alta estirpe.

O negro, notando minha óbvia repulsa, apenas pronunciou:

– Uma honra conhecê-lo para o servir, senhor.

Depois dessa modesta fala, embora a janicefalia  seja  condição inata do preto, por motivo de sobrevivência, o juízo me foi sendo restabelecido, as coisas pareceram voltar à normalidade e simplesmente perguntei, em tom objetivo,  se todas as providências haviam sido tomadas para nosso traslado final.

O negro confirmou  e, apresentando uma incomum competência para a raça, rapidamente nos colocou a bordo de uma ampla sege, muito bem construída, bonita e cara, em tons de roxo-rei. Duas parelhas de belos e fortes cavalos aguardavam o comando.

Uma vez acomodados, ordenei a partida. O cocheiro e o negro estalaram os chicotes e nos movimentamos para a fazenda dos pais de Ofélia.

No vazio e confortável espaço da sege, olhávamos para fora o tempo todo, pois até sairmos da cidade não trocamos palavras. Eu ainda estava admirado com a amizade de minha esposa com um serviçal de cor. Para evitar discussões, foquei minha atenção nas casas que víamos, nas pessoas que se afastavam para nos dar passagem e por fim, na vegetação que crescia a nossa volta.

Por duas ou três vezes fizemos  intervalos à margem do caminho, momento em que Ofélia conversava docemente com o negro, para meu desgosto instantâneo.  Ele aparentava ter a idade do pai dela ou mais (quem saberá?), comportava-se com gentileza e falsidade, julgava eu.

            Na última vez, o cocheiro alertou que não nos demorássemos, pois que a noite se avizinhava e consigo trazia perigos consideráveis.

Voltamos à viagem,  Ofélia entrou a falar de sua infância e aventuras, ela sabia como me envolver. E conseguiu. Rimos muito de muitas coisas e quase tudo ficou agradável.

Sem perceber, já estávamos de fronte à sede da propriedade. Uma excelente e grande construção, com dois pisos, pintada nas cores azul e branco. A família de Ofélia, seu pai e mãe, dois irmãos, alguns convidados desconhecidos para mim e uma boa dúzia de criados nos aguardavam sair  da diligência.

Fomos muito bem recebidos. Ofélia parecia ter vindo do Santo Sepulcro, tamanho o entusiasmo com que fora tratada pelos seus e, novamente, pelos subalternos. Todos, sem exceção, a abraçaram, alguns com lágrimas nos olhos. Nunca havia presenciado nada parecido antes.

Posteriormente fui informado  de que os hóspedes eram um padre, o chefe político local e um professor.

Depois de instalados, nos reunimos para o jantar na enorme sala da casa. Um lauto banquete, eu diria – o exagero é característica nestes rincões.

– Ainda bem que chegaram antes do anoitecer – disse o pai de Ofélia à mesa – estávamos muito preocupados, parece que minha nova carta adiando o convite não os alcançou – complementou entre dentes  de nervosismo.

– Realmente não nos chegou – eu disse constrangido – qual o motivo para não virmos?

– Um assunto complicado, meu genro, talvez seja apenas precaução – respondeu sem convicção,  olhando para o padre, como se pedindo auxílio.

– Senhor Álvaro, no mês passado, uma família inteira foi atacada não muito longe daqui, eles foram pegos de surpresa, houve apenas um sobrevivente – relatou o padre.

– Em função disso, todos da região andam temerosos – atalhou o político.

– Presumo, então,  que o assassino esteja à solta, entretanto, notei que somos muitos aqui, provavelmente haverá armas suficientes para nossa defesa – falei eu, em tom superior.

Os presentes, incluindo Ofélia, já com mais informações que eu, pelo que pude perceber, se entreolharam desanimados.

– Não é uma questão de armas, meu caro – falou reticente o Professor – lutamos contra uma força sobrenatural. Visto que é um homem culto, deve ter ouvido falar de licantropia.

Minha face deve ter se transformado numa máscara cômica, pois ouvi muitos risos por todo o ambiente, inclusive dos negros que nos serviam. Claro que eu conhecia a história  – homens virando lobos ou monstros – Mas o quê, em nome de Deus, o mito grego estava fazendo no interior do Brasil ? – perguntei.

Continuou o mestre:

– É uma história mundial, em cada parte do globo há relatos semelhantes sobre essa estranha metamorfose, mudam-se alguns detalhes. Aqui não é diferente. Talvez seja novidade nos grandes centros, mas no restante do país é cultura enraizada há muito, apoiada por fatos e testemunhos – acrescentou.

Entre divertido e irônico, provoquei:

-Então estamos todos com medo de que um ser mítico,  meio gente, meio bicho, nos ataque na noite ? A propósito, pelo que me lembre, é preciso  uma lua cheia para a receita dar certo – disse gracejando.

– E a teremos hoje – respondeu o pai de Ofélia, muito sério – por isso mesmo, após a refeição, todas as portas e janelas serão trancadas. Elas foram reforçadas no último mês, com duplas e até três travas, todos da fazenda foram orientados e ajudados a fazer o mesmo em suas moradias, alguns mais próximos ficarão conosco na sede.

– Isso é realmente necessário ? – Não seria melhor se caçássemos tal monstro ? – Já participei de diversas excursões com abate de animais muito poderosos – eu insisti.

– O senhor subestima um poder cruel – falou o negro que nos conduziu.

– Entendo. As tolas crendices africanas contaminaram a todos, não me admira que tal coisa ocorresse, observei que são tratados como iguais por esta família, bem como não me surpreenderia se um deles fosse a besta-fera, visto que não passam de animais em essência.

Captei sorrisos de condescendência após minha fala, e um ou outro revirar de olhos, como se estivessem a zombar de mim. Tolos.

Finda a refeição, já com o sol baixo, os demais foram lacrar a casa, eu e Ofélia buscamos nosso quarto no andar de cima.

Após algumas horas entediantes, adormeci para acordar sobressaltado, pareceu-me ter ouvido vozes no quarto. Ofélia não estava ao meu lado. Abri a porta  e desci para o térreo.

Todos estavam reunidos na sala principal, sob a luz de candeeiros, muito quietos, cheirando o tempo, como se diz.  Ofélia me avistou descendo as escadas e acenou-me para que não dissesse palavra. Fiz o que pediu e me juntei ao grupo.

Todos os homens estavam armados em mãos, alguns traziam facas à cintura.

Quando estava para perguntar o que ocorria, deu-se um urro magnífico no pátio da fazenda. O barulho surpreendeu-me, a ponto de meus pêlos se eriçarem. Ofélia se encostou mais em mim.

Num sussurro, meu sogro  dividiu-nos em grupos, alguns para a frente da residência, outros para os fundos, outros ainda para o andar superior. Não vi o negro de Ofélia nem o padre em lugar algum.

As mulheres foram enviadas à despensa na cozinha, um cômodo bem mais reforçado que os outros, Ofélia foi em amparo à sua mãe. Tocou-me vigiar a porta principal, uma simples garrucha me foi concedida.

Durante algum tempo, nada se ouvia.  

Na intenção de ver lá fora, aproximei-me da porta em busca de uma fresta, porém, nesse instante, algo se arremessou contra a mesma com uma força descomunal. A madeira tremeu em seus batentes e se não fossem as travas  firmemente presas nos ganchos de ferro, acredito que ela teria caído de imediato.

Os demais vieram às pressas para o local onde eu estava, visto que ali fora escolhido como ponto de ataque por nosso inimigo.

Ele” então começou a arranhar a peça inteira, de alto a baixo. Podíamos ouvir as lascas sendo arrancadas.  A continuar assim, em pouco tempo, teríamos um buraco na porta e estaríamos à mercê daquilo que nos acuava.

Foi quando reconheci a voz de Jerônimo, gritando:

– Coisa maldita, monstro do inferno,  estou aqui, veja, venha me pegar!

Ele provocava a criatura, tentando tirá-la da varanda. Ouvimos passos do animal (ou o que fosse) se retirando.

               Alguns segundos  depois e a sala foi preenchida por um uivo excruciante, um tiro deflagrado, barulho de luta, gritos de agonia e dor, carne rasgada e mais nada.

O pai de Ofélia ameaçou abrir a porta para ir em socorro a Jerônimo, mas foi impedido pelos demais à custa de bons argumentos e força necessária.

Até amanhecer ficamos ali, estáticos. As mulheres choravam, trancadas e protegidas.

Quando a luz do sol banhou a todos, saímos cautelosos. Vimos que os demais moradores da fazenda também apareciam. Dois corpos jaziam estirados a poucos metros da varanda – um deles era Jerônimo, eviscerado totalmente, seu sangue no chão, tão vermelho, lembrava o contorno do continente.

O outro cadáver, branco, magro e nu, era de um jovem. Em seu peito a adaga brilhante que Jerônimo tinha consigo desde que o vi. O político o reconheceu como sendo o caçula e óctuplo filho  do juiz geral  da província, primeiro homem da linhagem.

Encontramos o padre escondido em seu quarto, depois de arrombarmos a porta.

Fomos embora logo após o funeral bastante concorrido do bravo herói, não havia sentido em ficarmos, prometemos voltar em outra oportunidade.

Agora, quase cinco anos depois, estamos em Paris com nosso filho, Jerônimo; ele tem três anos e quer  muito conhecer o Brasil rural de sua mãe. Um dia, quando tudo tiver ares de fantasia e simples folclore para nós, voltaremos.

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55 comentários em “De lobos e ovelhas (Olisomar Pires)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: mais do que a criatividade ao explorar o tema, aqui se destaca o domínio das palavras, assim como a construção do protagonista narrador como legítimo e anacrônico esnobe filho da mãe. A trama é relativamente simples, mas nos envolve com facilidade no suspense do lobisomem mineiro.

    Apelo: foram muitas palavras descrevendo a viagem de trem e o jantar e poucas descrevendo um final tão cheio de reviravoltas. Outra questão que ficou meio indigesta para mim sobre o encerramento foi tirar da cartola um oitavo filho de um juiz geral para ser o lobisomem, talvez coubesse citá-lo antes ou atribuir a identidade a outro personagem mais importante (friso, isso não é uma falha do conto, apenas cito o que me agradaria como leitor).

    Conjunto: embora o final, ao meu ver, tenha decaído um pouco comparado ao restante do conto, foi uma leitura prazerosa.

    Parabéns e boa sorte.

  2. Bia Machado
    30 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (3/4)
    Construção das personagens: (3/3)
    Adequação ao Tema: (1/1)
    Emoção: (0,5/1)
    Estética/revisão: (1/1)

    Este foi um conto do qual tirei um ponto da fluidez porque em alguns momentos me desanimou um pouco o ritmo empregado. Gostei, em grande parte dele, mas não de todo, por isso o meio pontinho a menos no item “Emoção”. O final também podia ter sido mais bem elaborado. Bom trabalho!

  3. Ricardo de Lohem
    30 de março de 2017

    Olá, como vai? Uma clássica história de caçada ao lobisomem, muito agradável de se ler, eu me senti num filme antigo da Universal, aqueles com Lon Chany Jr. Pena que o final decepciona. Parece que o autor não dosou bem as proporções de cada parte da narrativa, não se lembrou que tinha no máximo 2000 palavras, pois quando começa a ficar bom, o conto termina abruptamente, deixando muito coisa não desenvolvida, e uma terrível sensação de vazio e frustração. Adorei a gravura que você usou: o deus Tyr colocando a mão na boca do lobo Fenrir. Já usei muito essa imagem, adoro mitologia nórdica, Fenrir é uma ótima inspiração para histórias de lobos monstruosos e lobisomens. Terminando, um conto que poderia ter sido muito bom, mas o final fraco acabou tornando-o apenas regular. Desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário. Não me surpreendo que você tenha identificado a gravura, apenas confirma sua erudição.

      Infelizmente, o final abrupto foi uma necessidade ou teria que reescrever muita coisa que já havia sido reescrita. Bateu um cansaço. 🙂

  4. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sim, devido a presença do lobisomem, embora o clima do conto lembre mais o lobisomem europeu de “The Wolfman” do que a versão brasileira desta lenda universal, como o próprio autor coloca. O autor parece ter tentado desfazer este clima e torna-lo mais brasileiro com a menção a elementos próprios de nossa historia.
    b) Enredo: o enredo e’ simples. A narrativa foi capaz de me prender bem. Gostei do suspense e do fato de que o autor leva o leitor a suspeitar do padre, ate o ultimo instante, para finalmente revela-lo inocente. Achei um pouco estranho introduzir um personagem novo (o filho do juiz) no ultimo minuto do texto e revelar que era ele o monstro.
    c) Estilo: no geral achei o conto bem escrito. A narrativa em primeira pessoa foi bastante adequada aqui. A leitura flui bem.
    d) Impressão geral: um bom conto, sem duvida. Enquanto o lia, parecia estar assistindo a um filme. Boa sorte no Desafio!

  5. jggouvea
    29 de março de 2017

    Gostaria de parabenizar este auctor pela sua capacidade de emular, ainda que parcialmente, o estylo narrativo do seculo XIX. Em seu lugar eu teria complementado isso graphando todas as palavras conforme a antiga orthographia etymologica, o que daria um effeito ainda mais sensacional ao texto. Porém isto seria apenas um preciosismo de minha parte, e talvez fizesse algum leitor fazer com o cenho a única coisa para a qual esta palavra serve (há!).

    É uma narrativa economica, como precisa ser, dado o limite de palavras, e por isso fica um pouco esquematica. Mas naõ ha soluções de continuidade e todos os personagens se comportam como deveriam, excepto, talvez, a Ophelia. A se lamentar somente o estylo epistolar que foi usado aqui. Talvez fosse mais productivo optar por outra estrategia.

    Agora vamos ás notas:

    Media arithmetica 9,87
    Introducçaõ 9,5
    Enredo 9,5
    Personagens 10,0
    Scenario 10,0
    Linguagem/Forma 10,0
    Coherencia 10,0

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário. idéia interessante sobre a grafia das palavras. Quem sabe numa próxima oportunidade. Sugestão anotada.

  6. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Bom conto. O suspense criado foi muito bom, crescendo paulatinamente e (bem) amparado no modo de narrar do protagonista, algo aristocrático, distante e de certa maneira arrogante. Não apreciei muito o final, porém. Achei um tanto telegráfico e adequado demais à proposta. Talvez a culpa disso seja do limite do desafio, ou da expectativa criada em função do desenvolvimento. Outra coisa que me fez torcer um pouco o nariz foi a surpresa do narrador com a quantidade de negros em Ouro Preto, considerando que ele vinha do Rio de Janeiro… De todo modo, é um bom conto e que deverá ser bem avaliado pelo pessoal, eu inclusive.

    • Olisomar Pires
      3 de abril de 2017

      Obg pelo comentário e observações.

      A surpresa do personagem com a quantidade de negros se dá em função de que estão em grandes grupos e perdidos. Veja que a Lei Áurea havia sido aprovada há pouco, nos termos do conto – “liberdade forçada nos olhos”.

      Ele estava acostumado com negros, mas trabalhando ou ocupados, pelos menos, acho que é isso que o personagem pensava. 🙂

  7. Marco Aurélio Saraiva
    29 de março de 2017

    Um conto muito bem escrito, em um estilo único que emula muito bem o estilo de escrita da antiguidade. Você soube descrever muito bem os trejeitos da época e a forma de pensar dos personagens. Em poucas linhas, conseguiu aprofundar Ofélia, o personagem principal e Jerônimo. Um feito e tanto.

    O conto foi muito interessante. Um suspense rápido, que mantém a atenção do leitor até o final, num clímax de tensão. Apenas achei uma pena que o lobisomem fosse um personagem desconhecido e nunca citado anteriormente no conto, mas a criação do mistério foi muito boa.

    Seu estilo é bem autoral, mas o seu uso das vírgulas me incomodou em diversos lugares. Alguns parágrafos são grandes frases sem pausas finais, apenas vírgulas para separar as ideias. Pode ser questão de estilo mas, para mim, atrapalhou um pouco a leitura.

    De resto: um excelente conto! Faltou um pouquinho de “sal”, talvez mais originalidade, mas de qualquer forma uma excelente leitura. Parabéns!

  8. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    A linguagem, um pouco “embolorada”, com cheiro de José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo, é correta para a proposta do conto. O único senão, na minha opinião, é a coda, o pós-clímax, que ficou um tanto corrido. Boa sorte!

  9. Cilas Medi
    27 de março de 2017

    Um conto bem definido, detalhado, mostrando, com precisão, o olhar maldoso e orgulhoso de um bem-nascido contra um valoroso e assertivo serviçal. Pode-se ver o local, pela descrição detalhada e um final esperado, com um pequeno suspense quando da afirmação da ausência do padre e do negro da Ofélia. O homem desprezado e até humilhado, mesmo em pensamento, em um conto – quase que uma referência e obrigatoriedade – sempre é o de melhor índole, etnia à parte. O autor não conseguiu fugir dessa mesmice, como um resgate a respeito da escravatura.

  10. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Incrível, é o que define este conto. O enredo é totalmente convidativo, a ambientação está perfeita. Os sentimentos do protagonista são tão bem descritos que chegam a ser palpáveis. O ataque da fera é eletrizante e a decisão de não mostrá-la acertadíssima. Traz a mente as agruras que as famílias deviam sentir quando tais folclores eram mais presentes na mente e cotidiano das pessoas. Perfeito.

    • Olisomar Pires
      3 de abril de 2017

      Obg pelo comentário. Que bom que tenha gostado e noto que chamou a atenção para um ponto interessante: a realidade do folclore nas mentes mais antigas.

  11. Bruna Francielle
    27 de março de 2017

    tema: adequado

    pontos fortes: “Encontramos o padre escondido em seu quarto, depois de arrombarmos a porta.” Eu ri, essa parte foi boa. Não só essa como várias, aliás. Está aí um conto que eu gostei, me prendeu a história e até mesmo gostei de o ler, coisa que nem sempre acontece. A narrativa foi bem feita, usando palavras dos velhos tempos, o que a deixou com grande realismo, combinou bem com o pano de fundo da história. Conseguiu dar uma personalidade forte pro protagonista narrador, e a narração dele fez despertar sentimentos, coisa que é bastante legal na ficção, quando você gosta ou odeia um personagem, está mexendo com o leitor. No caso desse protagonista, tinha vezes nas falas ou pensamentos dele que dava um certo odiosinho, mas fico feliz que no final ele nomeou o filho dele de Jerônimo.

    Pontos fracos: Talvez o exagero em santificar e enobrecer o personagem do Jeronimo. Durante toda a narrativa era como se ele não tivesse um defeito sequer, e não tem como não ligar isso com ele ser negro. Esse maniqueísmo de branco versos negro tirou um pouco a qualidade do conto, pois tinha um enredo, personagens e ambientação legais, porém ficou tudo em segundo plano para tratar do embate “branco versos negro” e vice-versa. Ficou a impressão que tudo foi feito apenas para esse objetivo.

    • Olisomar Pires
      2 de abril de 2017

      Obg pelo comentário.

      Não vi tanto maniqueísmo, afinal, a família de Ofélia era branca. Jerônimo sacrificou-se sem que saibamos os verdadeiros motivos, ele gostava tanto da família ? parece que sim, mas pode ser outra coisa…rsrs

      Infelizmente o tamanho do conto não permitiu entrar em mais detalhes.

  12. rsollberg
    26 de março de 2017

    E ai, Pastor!
    Gostei da leitura!

    Esse tom de confidência ao narrar, num estilo meio Poe, combinou bastante com a história. Tem aquele ar do “Coronel e o Lobisomem”, mas com uma pegada menso cômica e muito mais tensa.
    O protagonista é muito bem construído, uma daqueles personagens que você ama odiar. Sua voz é sentida logo nas primeiras linhas. Sua história, a meu ver, fica mais importante que a do próprio lobisomem, com um final com uma ótima redenção. O autor soube aproveitar o curto espaço, a escrita é muito dinâmica. Com mais espaço, os outros personagens poderiam ser melhor desenvolvidos e a identidade da própria criatura melhor aproveitada, gerando muito mais impacto.

    Para não dizerem que só falei de flores, não curti muito os diálogos. Em determinado momento os achei muito explicativos. Nesse, por exemplo, parece que o autor está até alertando os leitores, numa possível crítica na escolha do tema: “É uma história mundial, em cada parte do globo há relatos semelhantes sobre essa estranha metamorfose, mudam-se alguns detalhes. Aqui não é diferente. Talvez seja novidade nos grandes centros, mas no restante do país é cultura enraizada há muito, apoiada por fatos e testemunhos”. Sei lá, mas pareceu.

    De qualquer modo, um conto bem bacana, acima da média do desafio.
    Parabéns!

  13. Iolandinha Pinheiro
    26 de março de 2017

    Gostei muito do seu conto. Bem ambientado, uma linguagem e preconceitos condizentes com a época em que se passa, personagem principal muito bem construídos, uma imersão no texto bem feita, clima de suspense, fluidez… Apenas o fim ficou meio desinteressante. O filho do juiz, coitado, só apareceu para ser o lobisomem, depois foi morto e a história foi para o buraco. Apesar desta decepção, o conto em si e o seu desenrolar foram muito felizes, terá boa nota no final. Abraços.

  14. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Um dos contos mais interessantes do desafio. O autor trabalha bem a relação da visão europeia e brasileira sobre a escravidão no Brasil, o que compensa muito bem o nosso conhecido lugar-comum do “dotô” insensível às crendices. A apresentação das personagens é de provocar empatia e todo o desenrolar da história se dá de forma fluida. A ausência de uma boa reviravolta não é de fazer muita falta.

  15. Vitor De Lerbo
    24 de março de 2017

    Uma boa história e que apresenta uma leve transformação na visão de mundo do protagonista no final. A tensão é palpável no momento do ataque, sinal de que o momento foi bem estruturado.
    Boa sorte!

  16. mitou
    24 de março de 2017

    o conto tem uma estrutura boa , uma história redonda, com inicio meio e fim , e personagens cativantes. senti muita dó da morte do jerônimo. gostei como a narração foi feita , foi bem inteligente.

  17. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Pastor,
    História bem contada. Alguns pormenores na gramática – pontos, vírgulas, letras maiúsculas -, mas nada comprometedor. Cenário bem descrito, enredo claro, diálogos simples e eficazes, ação crescente.

  18. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Olá,

    Muito bacana sua narrativa. Gostei principalmente do personagem principal, carregado de preconceitos.

    Só achei meio estranho ele mudar tão drasticamente de opinião no final, depois que o cara foi pra cima do lobisomem. Pela forma com que ele se portava, nem um evento desse porte o faria mudar esse seu traço, em minha opinião.

  19. juliana calafange da costa ribeiro
    23 de março de 2017

    Gostei muito da maneira como vc conduz o conto, parece aqueles contos clássicos de terror do século XIX. Vc consegue manter o suspense até o final, mas é justamente lá q o conto perde a força, com um final apressado e previsível. Sugiro reescrever esse final, buscando surpreender mais o leitor. Parabéns!

  20. Olá Pastor,

    Acho que você é de Portugal, pois não? O “pequeno almoço” não provado entregou sua origem. 😉

    Bem, vamos ao conto.

    Você optou por uma estrutura clássica, um texto de época, bem ao estilo de antigas histórias de terror. Um estilo que casa muito bem com o clima da lenda que resolveu abordar. Um mito, como você mesmo citou no trabalho, conhecido mundialmente, com suas inúmeras variantes através dos séculos e das diferentes culturas.

    Sobre o enredo em si, percebi que você frisou bastante o preconceito racial do narrador. Entendi que o antigo escravo foi sublimado como um herói ao se entregar para a morte, mas não percebi a catarse. Ou melhor algo que transformasse o preconceito de seu personagem para melhor (ou mesmo para pior). Essa foi uma escolha sua como autor, mas como leitora, fiquei na expectativa.

    No mais, você escreve muito bem.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  21. Evandro Furtado
    23 de março de 2017

    Resultado – Good

    Apesar de ficar europeia demais em alguns momentos, a narrativa precisa e a trama pra lá de interessante concedem ao texto um caráter especial. Percebi também a fantástica habilidade do autor na construção de personagens por meio de nuances na narrativa.

  22. Elisa Ribeiro
    22 de março de 2017

    Adorei seu conto. Muito bem escrito, narrativa que escorrega, boa ambientação, personagens muito bem construídos e convincentes. Achei sua abordagem para o tema do desafio sutil e elegante. Falar sobre os aspectos peculiares da nossa formação como nação e das repercussões disso em nossa cultura popular foi brilhante. Assim que descobrir quem você é virarei sua fã. Parabéns pelo ótimo conto!

  23. Rubem Cabral
    22 de março de 2017

    Olá, Pastor.

    Este conto deixou-me dividido. Há algumas frases bem construídas e o narrador-personagem funciona bem a maior parte do tempo. Há, contudo, também alguns erros estranhos, como frases iniciando com maiúsculas após ponto-e-vírgula e algumas confusões de emprego de palavras, feito “óctuplo” x “oitavo”, por exemplo.

    No todo, um bom conto.

    Nota: 7.5

  24. Eduardo Selga
    21 de março de 2017

    Racismo em personagem contemporâneo tem o condão de induzir o leitor à sensação de legitimidade, como se esse comportamento fosse algo natural porque é do tempo presente.

    A mesma atitude, se posta em um personagem do séc. XVIII, não tem exatamente o mesmo efeito, dado que o racismo se encontra contextualizado não apenas no tempo, mas também pelo fato de o personagem em questão ser um “aristocrata e herdeiro legítimo de grande fortuna”, ou seja, alguém cujas origens remontam aos portugueses escravocratas. Aliás, no tempo ficcional do enredo, há escravos.

    Ao dizer isso não digo que o racismo seja coisa do passado (infelizmente não o é), mas o efeito receptivo pode sugerir isso. Nos leitores mais empedernidos, no entanto, o efeito pode ser exatamente o oposto: a confirmação de que o racismo de hoje é um fenômeno natural, tanto que desde séculos atrás ele existe firme e forte.

    Isso me faz lembrar a discussão que houve e há acerca de certas passagens da obra de Monteiro Lobato: o fato de ser racismo contextualizado retira-lhe o caráter deletério? Seria legítimo não demonstrar o racismo entranhado na sociedade brasileira de modo pestilento à época do autor do “Sítio do Pica-Pau Amarelo” por causa do politicamente correto?

    Talvez com o intuito prático de criar contraponto dramático, talvez para dialogar com o politicamente correto, o(a) autor(a) criou a personagem Ofélia, que pertence à linhagem de personagens femininas da Literatura Brasileira que se opõem ao status quo, mas não de modo ostensivamente político, e sim com a suavidade socialmente atribuída às mulheres. É o caso de Madalena, de São Bernardo (Graciliano Ramos), por exemplo.

    A presença de Ofélia estabelece uma questão: considerando que sua classe social era a mesma do protagonista, que ela “[…] provinha de família riquíssima do interior do país” e era tutelada “[…] naquele intuito de senhorinha bem educada”, sua postura muito mais humana em relação aos escravos não seria um indício de que o racismo e as discriminações de um modo geral não têm relação com as diferenças entre as classes sociais e sim com a “maldade humana” ou com a educação do indivíduo?

    Todos estamos sujeitos às radiações do tecido social, somos inevitavelmente atingidos por elas, a partir do que duas atitudes básicas são possíveis: ou o indivíduo se rende e se comporta nos ditames das regras implícitas da sociedade, ou se opõe, e há diversos graus de oposição. Ora, a mulher, mesmo rica, estava à margem de uma sociedade masculinamente organizada. Logo, para ela era mais fácil enxergar outra minoria, os escravos, com olhos solidários. Não que fosse uma regra sua ocorrência (muito mais fácil acontecer no texto literário), mas era um elemento facilitador.

    Curioso é observar o quanto o discurso é manipulado conforme o interesse do enunciador. O protagonista, muito mergulhado “[…]em águas europeias […]”, demonstra evidente desprezo pelas crenças populares, ainda que de algum modo tenha origem na Grécia, considerada o berço da civilização, conforme o viés positivado pelo qual o Ocidente interpreta esse termo. Contudo, sua postura é outra quando o interesse é sequestrar a humanidade do outro, atitude essencial para justificar a escravidão e o racismo. Ele diz, em relação aos escravos tratados “como iguais”: “[…] não me surpreenderia se um deles fosse a besta-fera, visto que não passam de animais em essência”. Ora, se ele supõe, ainda que sarcasticamente, ser possível algum escravos transformar-se em lobisomem é porque ele de algum modo acredita na criatura folclórica, ou, atitude pior e canalha, ele usa um discurso no qual não leva fé para reforçar seus estereótipos preconceituosos.

    No trecho “os anos se atropelam e, em sua inércia, arredam quase tudo […]” verifica-se o uso pouco comum, e correto, da palavra INÉRCIA. Do ponto de vista da Física, é uma propriedade que faz com que os corpos não alterem seu repouso ou seu movimento, a menos que algum corpo ou força atue nesse sentido. Assim, se “os anos se atropelam” e “arredam quase tudo” o significado da palavra inércia é o da Física (os anos não param), não o do senso comum, ligado à indolência. Essa fuga eu considerei muito positiva.

    Entendo que em “[…] ouvi Ofélia ordenar, (ordenar não), convidar” a construção adequada seria OUVI OFÉLIA ORDENAR (ORDENAR, NÃO: CONVIDAR).

    Em “uma honra conhecê-lo para o servir, senhor” o correto seria SERVI-LO, SENHOR.

    Em “[…] já estávamos de fronte à sede da propriedade” o correto seria DEFRONTE.

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário.

      As críticas gerais ao suposto racismo nas obras de Lobato não me parecem sinceras. Estariam ligadas mais a uma agenda atual do que preocupação verdadeira com os fatos.

      O tema é complexo: há pessoas boas racistas, há pessoas más que não são racistas.

      • Eduardo Selga
        1 de abril de 2017

        Sim, o tema é complexo, mas não acredito nas categorias “pessoas boas” e “pessoas más”, no sentido de a humanidade ser dividida em dois blocos distintos e que não se mesclam. As pessoas são, simultaneamente, boas e más, não necessariamente na mesma dosagem. Nesse contexto, o racismo perpassa todos nós, em diversas medidas. A diferença é que há os que o naturalizam, consideram-no absolutamente legítimo e inevitável, e há os que têm consciência dele e conseguem emudecê-lo, depurando-se enquanto sujeito.

        Quanto ao Lobato, a questão foi levantada nos círculos pertinentes por uma questão política, inserida no contexto de valorização dos direitos civis, que de umas décadas para cá ganhou vulto no Brasil. Por ter sido essa a motivação, encontramos argumentos políticos, mas também argumentos mais sólidos.

      • Olisomar Pires
        1 de abril de 2017

        Exato, professor.

  25. Anderson Henrique
    20 de março de 2017

    Um bom conto de terror. Clima sinistro, a cadência crescente. Achei que o final destoa do início, que tem um tom trágico de quem deseja contar uma história bizarra para que ela não seja esquecida. A conclusão, contudo, deixa claro que o protagonista deseja que a história se torne um simples lenda, coisa que ninguém acredita.

  26. Fabio Baptista
    19 de março de 2017

    Conto muito bom, narrativa em forma de relato ao estilo Poe, conduzida com muita segurança. A história não apresenta muita novidade, mas aqui é aquele caso em que o simples bem feito se mostra a melhor alternativa.

    Eu só trocaria “negro” por “preto”, acho que combinaria mais com a linha de pensamento da época e do personagem (embora depois do episódio ele tenha mudado, a ponto de batizar o filho com o nome do negro).

    Gostei bastante!

    Abraço!

    NOTA: 9

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Muitíssimo grato por suas observações.

      Pensei mesmo em usar “preto”, mas depois entendi que o racismo do protagonista não tinha um viés violento e decidi por manter “negro”, algo mais distante, não sei se me entende.

  27. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Pensei que o lobisomem fosse o padre.
    Jerônimo se sacrificou para salvar a todos e com isso tapou a boca de Álvaro acabando com sua arrogância. Conto bem escrito e de fácil leitura. Parabéns.
    Destaque: “As pernas me faltaram. Não podia acreditar em tal comportamento e agradeci por ter recusado o pequeno almoço servido há pouco, meu estômago não o conteria.”

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário. Também gosto deste trecho.

  28. G. S. Willy
    17 de março de 2017

    O conto é muito bem escrito, e trás para os dias de hoje a realidade das narrativas de antigamente, com o racismo velado, ou nem tanto, as palavras bem escolhidas para as descrições e diálogos e a ambientação no interior brasileiro, quase um folclore por si só. O único problema na escrita que encontrei foram os incontáveis espaços duplos, numa busca rápida deu mais de cinquenta e isso me incomodou bastante ao longo da leitura.

    Mas falando em folclore, o tema do desafio, ele ficou a desejar. É discutível se lobisomem é folclore brasileiro ou apenas uma importação européia adaptada, e se realmente é algo nosso, o homem não viraria num lobo, já que não temos lobos por aqui. Mesmo que não tenhamos visto o ser em si…

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário. Quanto aos espaços, terei mais cuidado.

      Nós temos o lobo-guará, embora nas lendas contadas pelo interior, o bicho-lobisomem seja narrado como um cachorro grande, até mesmo um porco gigante. Já ouvi versões assim.

  29. marcilenecardoso2000
    16 de março de 2017

    Conto coeso, encaixado. Linguagem ao alcance do leitor, mesmo sendo narrado por pessoa culta. Título apropriado, retrata bem a intenção de separar os bons dos maus. chegou despretensiosamente, mas cumpriu bem o propósito do folclore, que é o do levar a lenda adiante. Parabéns ao(à) autor(a).

  30. Antonio Stegues Batista
    16 de março de 2017

    O conto é sobre a história de um lobisomem, que ataca uma fazenda no interior de Minas Gerais sem época definida, século XIX provavelmente. A escrita é muito boa, o enredo nem tanto. Como disse o personagem, lobisomem é um mito grego, não tem origem no folclore brasileiro. A historia é simples, sem grande surpresas.

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg por suas observações.

      A data é definida pela citação de Ouro Preto como capital de Minas Gerais, a liberdade forçada dos escravos e o transporte ferroviário iniciante, ou seja, no fim do século XIX, pouco depois de 1889.

      Apesar de não ser originário do Brasil, o folclórico lobisomem é lenda de conhecimento comum no interior do país, como disse um dos personagens. Eu próprio, ainda criança, ouvia meus avós falarem do lobisomem, bicho que matava crianças e comia suas fraldas.

  31. M. A. Thompson
    16 de março de 2017

    Olá “Pastor”. Parabéns pelo seu conto. Você me conquistou logo nas primeiras linhas em algo que senti falta na maioria dos contos que analisei: uma boa abertura. Sucesso.

  32. Pedro Luna
    16 de março de 2017

    Primeiro vou dizer logo que gostei. Bom, as partes que achei um pouco fracas foram o desconhecimento do personagem quanto a afeição da esposa aos criados negros. O seu susto revela que ele não tinha a menor ideia daquilo, então não fiquei muito convencido do poder da relação do casal. Entretanto, tudo bem, é possível que o homem não soubesse desse lado da esposa. Sinceramente, se eu fosse reescrever mudaria isso. Agora, ainda nesse aspecto, o fim do conto remete ao começo, pois o casal faz uma homenagem a jeronimo. Bom, o protagonista me soou bem racista e sinceramente, a situação com o lobisomem não me pareceu motivo suficiente para ele deixar de lado isso e permitir que o filho tivesse o nome do negro. Afinal, ele caiu de paraquedas naquela história, o lobisomem não chegou a ameaçar diretamente a ele e a esposa, e ele mostrou que não se importava com a familia inculta dela, então não acho que a situação o fez rever seus conceitos. Isso tudo é minha opinião.

    Quanto ao que achei positivo: o clima na casa após a chegada do casal foi bem bacana, e os diálogos no jantar foram elucidativos e ajudaram a criar um mistério. Depois, o ataque da fera também foi escrito de modo fácil de visualizar. Portanto, apesar de alguns detalhes na narrativa, me foi uma boa leitura. Parabéns.

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pelo comentário e observações acurada.

      A afeição de Ofélia só apareceu com os “seus” negros, digamos assim.

      O racismo do protagonista era algo mais “intelectual”, veja que ele não força autoridade ou entra em desavença, apenas diz o que pensa e é zombado por isso, mas não se incomoda tanto.

      O nome dado ao filho não significa, necessariamente, que ele se tornou menos racista, até porque é um nome cristão, além do quê, vimos que Ofélia tinha grande poder de persuasão sobre ele.

  33. Roselaine Hahn
    15 de março de 2017

    Seu Pastor, a escrita polida do seu conto remeteu-me à Jane Austen, imagina só, Jane Austen no folclore brasileiro. Como a narrativa é em 1a. pessoa, o tom da escrita foi fiel às características do personagem, um aristocrata almofadinha e arrogante, ou seja, pude perceber a voz do escritor, e isso é um grande mérito. Algumas escorregadas na pontuação nos 1os. parágrafos que me fez desfocar da história, mas a narrativa interessante superou pequenos deslizes. Fui pro tio Google, desconhecia as palavras: Janicefalia, sege e licantropia. Muito boa a frase “Ofélia parecia ter vindo do Santo Sepulcro, tamanho o entusiasmo com que fora tratada pelos seus”. Acertou em cheio no final, na remissão dos pecados do protagonista e na sua humanização, bem como, a redenção da figura do negro. Parabéns, vai pra minha lista Top.

    • Olisomar Pires
      6 de abril de 2017

      Obg pelo generoso comentário. Só não faz isso com a Jane. Gosto do estilo dela, quase simplista e ingênuo, mas muito forte nas lições.

  34. catarinacunha2015
    15 de março de 2017

    Como assim? : “embora a janicefalia seja condição inata do preto, (…)” Olha, fiquei bolada imaginando o negão com duas cabeças. Esquecendo esse detalhe esquisito, que não entendi, gostei da pegada “machadiana”. Ficou original o vocabulário de época. A personalidade do narrador é marcante e dá a tônica do conto, sem dúvida um trabalho primoroso com grande apelo aos detalhes e imagens bem fixadas.

    • Olisomar Pires
      1 de abril de 2017

      Obg pela observação.

      “janicefalia” também é ou era usada no sentido de “duas-caras”, falsidade.

  35. Fheluany Nogueira
    15 de março de 2017

    Narrativa envolvente. A trama é bem trabalhada, vem crescendo de forma suave, as cenas são bem descritas e quando se pensa “cadê o folclore?”, surge a ação. Os pontos foram conectados solidamente.

    O personagem central foi bem construído e, no prólogo, lembrou-me Jacinto, de Eça de Queirós, “A Cidade e as Serras“, dividido entre Paris e uma região agrária e tradicionalista. Um conto de época com estilo, conteúdo e linguagem bem casados, leitura fluida e agradável, título sugestivo. É um dos contos de que mais gostei até agora. Parabéns! Abraços.

  36. Priscila Pereira
    15 de março de 2017

    Oi Pastor, gostei da sua história do lobisomem mineiro. Está muito bem contada e ambientada. Os personagens são fortes e bem estruturados (te digo que me deu muita raiva o racismo do protagonista). Ótimo conto! Parabéns!

  37. angst447
    13 de março de 2017

    Olá, autor!
    O conto, pelo que entendi, aborda( já no finalzinho) a lenda do lobisomem – licantropia. Portanto, o objetivo de respeitar o tema proposto pelo desafio foi alcançado.
    Não encontrei falhas relevantes quanto à revisão. Apenas estranhei a expressão”o caçula e óctuplo filho”. Não seria oitavo filho? Ou a mulher teve oito filhos de uma só vez?
    Infelizmente, o enredo, prejudicado pelo ritmo arrastado da narração, não conseguiu prender minha atenção. Algumas passagens da primeira metade do conto pareceram-me explicações desnecessárias. O ideal seria focar mais na figura folclórica do que na história do casal.
    Boa sorte!

  38. Felipe Rodrigues
    12 de março de 2017

    O protagonista foi muito bem elaborado, seu ar provençal, certo de todas as coisas e irônico chega a dar nojo mesmo, o que é muito bom. Gostei do clima da história, da embientação e principalmente dos diálogos. Somente esperava um pouco mais do final, achei que, mesmo tendo sido salvo pelo escravo, o duquezinho iria continuar achando-o uma criatura desprezível. Bom conto.

  39. Matheus Pacheco
    12 de março de 2017

    Cara, desenvolvimento excelente do texto, com a primeira lenda que contaram.
    Contando com o suspense e uma pitada de terror nas descrição.
    Abração amigo…

  40. Fernando Cyrino
    10 de março de 2017

    Você sabe narrar a história de maneira tal que me prendeu do início ao final do conto. Bacana demais isto. Achei o final do seu conto de lobisomem mineiro um tanto abrupto demais. Tentarei me explicar. É que esta mudança de comportamento do narrador, o marido aristocrata de Ofélia se dá de maneira muito rápida. O seu racismo exacerbado muda tanto que seu filho ganha, de repente, o nome de Jerônimo. O mesmo do negro, o assassino do branco lobisomem. O preto protetor da sua mulher, de quem ele até há pouco só conseguia sentia asco. Achei que poderia haver um processo de transição aí nessa transformação. Ficou-me a impressão, quem sabe, do número de palavras que não poderia ser ultrapassado ter forçado tal solução? Ou mesmo, quem sabe, você se viu premido por questões de tempo, em ter que enviar o conto pois que o prazo fatal se aproximava? abraços de parabéns.

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .