EntreContos

Literatura que desafia.

Cumacanga (Paula Giannini)

cumacanga

“Lua, luar, toma o teu andar,

pega esta criança e me ajuda a criar,

depois de criada retorna a me dar,

lua, lua, luar, torna a teu andar”

 

Senta aqui, olha. Essa é a minha brincadeira preferida. Cinco-Marias. Eu vou colocar assim, está vendo? Cinco pedrinhas. Fui eu mesma quem escolhi. Uma por uma. Peguei lá na porta de casa. Eu gosto das branquinhas, as bem redondinhas. Assim não machuca a mão. Está vendo? Joga uma para cima e pega as outras, sem deixar essa aqui cair no chão. Eu sou boa nisso, viu? Não pode derrubar de jeito nenhum. Viu? Se cair, você perde o jogo. Gostou? Eu gosto! Eu gosto disso e de brincar de Mamãe. “Mamãe-Posso-Ir”, “, Mãe-da-Rua”……Mas dessas coisas não dá para a gente brincar. Não. Precisa ter mais participantes. E aqui não tem ninguém. Só eu. E você, claro.

 

“O que você tem?  

Saudades.  De quem?  

Do cravo, da rosa e de mais ninguém.  

Subi na roseira,  

desci pelo galho,  

fulano me acuda, senão eu caio.”

 

Viu só como eu sei pular? Eu pulo com um pé só. Viu? Olha que alto. Se tivesse uma corda é que ia ser divertido A gente ia cantar e pular. Mas tem que ter mais duas meninas pelo menos. Uma em cada lado da corda. Bom, uma só já dava. A gente amarrava a outra na ponta na árvore. Mas não tem. Não. Por isso que eu canto assim. Eu falo fulano. Fulano não é ninguém. É só modo de falar. As outras crianças não querem brincar comigo. As mães delas não deixam. Não. Eu sei. Eu finjo que não sei, mas sei. Eu escuto. Eu sou boa de ouvido. Eu escuto atrás da porta as coisas que a minha mãe fala. E o meu avô. Está vendo esse crucifixo aqui, no meu pescoço? É bonito? É para me proteger. Eu sou encantada, sabia? Sou. Mas não é de princesa. Não. Quando eu crescer eu vou virar a Cumacanga. Mas eu não quero. Não. Eu tenho muito medo, sabe? Muito. Mas eu não falo isso para a minha mãe, porque ela chora. E eu não quero que ela chore. Eu não gosto de ver ninguém chorando. E então eu fico assim, brincando com você, porque você não foge de mim. Você não chora. Nunca. E você não tem medo de mim.

 

“O sapo não lava o pé

Não lava porque não quer

Ele mora na lagoa

Não lava o pé

Porque não quer”

 

Eu adoro essa música. Minha madrinha me ensinou, porque eu tinha medo de sapo. Mas isso era antes. Tinha muito sapo lá no rio. Ela me ensinou a cantar para espantar o temor. Eu vou cantando e vou trocando as vogais. A, e, i, o, u. São as vogais. Entendeu? A sapa na lava a pá, na lava paca na cá… E com a letra e? Ele mere ne leguee, ne leve e pé peque ne que. Gostou? Minha madrinha sabe tudo. Ela que me deu o crucifixo. Para me proteger da tentação. Foi assim que ela falou. Porque lá na cidade dela, ela disse, ninguém fala de Cumacanga e nem de Curacanga. Não. Lá, menina assim que nem eu, que é a sétima filha mulher de uma família, não vira nem Cumacanga. Não. Lá eu ia virar é porco. Porca. Uma porcona enorme. Que come gente. Mas eu não quero. Eu não gosto. Eu nunca ia comer uma pessoa. Nunca. Porquinho eu já comi. O patrão do meu avô que matou e deu para ele no Natal. Mas não gostei. Eu não gosto de comer nenhum bicho que foi vivo. Eu tenho pena. Se for para eu virar encantada, se não tiver jeito, então eu prefiro virar a Cumacanga mesmo. Aí, meu corpo vai ficar em casa e minha cabeça vai voar e voar pelos ares, brilhando que nem um balão. Que nem a lua. Cumacanga também faz maldade. Mas eu não vou fazer não.  Eu prometo, olha! Não tem nem um dedinho cruzado aqui. Não. Tem menina que cruza o dedo para poder quebrar a promessa. Eu não.  Eu prometo de verdade.

 

“Mariquinha morreu ontem,

Ontem mesmo se enterrou.

Na Cova de Mariquinha,

Nasceu um botão em Flor!”

 

Bem-me-quer… Mal-me-quer… Viu? Deu bem-me-quer. Quer dizer que você me ama. Muito. E de verdade, sabia? Eu só não vou despetalar, porque a gente só tem essa florzinha. Uma só. E eu vou plantar para a minha irmã. Eu ouvi, sabia? Eu ouvi quando o meu avô disse que tinha jeito. Esse negócio de feitiço. De eu ser encantada. A sétima filha, sabe? A minha irmã mais velha precisava me batizar. Aí, era ela que ia ser a minha madrinha. É isso que as madrinhas fazem. Elas jogam água benta na cabeça das crianças. E as crianças são salvas. Igual à minha irmã. Ela está salva. Por isso que ela não pode jogar água na minha cabeça. Ela foi para o céu. Ela e as minhas outras irmãs. Todas. Só fiquei eu…Sozinha. Elas pegaram doença da lua.

 

“A água do coco é doce

Ela é boa de beber

Quem bebe a água do coco

Morrendo torna viver.”

 

Está vendo o meu vestido? Era da minha irmã. É bonito? Ela era linda. Quer ver uma coisa? Foi ela quem me ensinou. Olha esse cadarço. Vou tirar aqui do vestido. Minha mãe não liga, não. Ela amarra na minha cintura porque a Mariquinha era muito maior que eu, e assim o vestido não cai. Mas eu vou tirar só um pouquinho. O cadarço, claro. Você tem que passar a mão no cordão, assim. Viu? É cama-de-gato. Dá para fazer cada desenho lindo. Só com as mãos e o cordão. Mas não vai dar. Aqui só estamos eu e você. E você não tem mão. Não. Porque será que fizeram você sem mão? Mas não fica triste. Que para você, a mão não faz falta. Você é linda mesmo assim, com esse rasgadinho na perna que a minha mãe remendou. Minha mãe costura bem. Eu ia pedir para ela fazer uma mão de meia para você. Você ia querer? Foi ela mesma quem fez todas as roupinhas das minhas irmãs. Sozinha. Lavou no rio, com sabão de coco e perfumou com priprioca. Estava cheinho de sapo. Mas ela é corajosa. Não tem medo de nada. Ela disse que mãe é assim. Não pode ter medo de nada. E pendurou tudo no varal. Ficou lindo. Tudo branquinho. Igual minhas irmãs ficaram. Ela falou que era simpatia para a lua. Para ela não levar as minhas irmãs, sabe? Mas ela levou. Não gostou das roupinhas, acho. Quando a minha cabeça virar lua, eu não vou dar doença para ninguém. Não. Eu não gosto de ver as pessoas chorando. Me dá um nó aqui. Na garganta. Estranho, não é? Meu avô disse que esse nó é porque eu não gosto de falar disso.          

 

Dizei, senhora viúva,  

Com quem quereis se casar,  

Se é com o filho do conde,  

Se é com seu general,  

General, general.”

 

Olha lá o sol. Está se escondendo. Daqui a pouco a gente precisa ir. Se o ônibus não vier, vamos amanhã. Eu não gosto de escuro. Não. Eu gosto é de estrela. Eu acho lindo. Mas para ter estrela tem que ter escuro. Meu avô que fala assim. Ele diz cada coisa. Fala para eu não apontar para as estrelas porque nasce verruga no dedo. Ele devia gostar muito de estrelas quando era menino. Você já viu a mão dele? Mas ele não virou Lobisomem, nem Bruxa. A minha bisavó não teve sete filhos. Não. Ela só teve cinco. O meu avô era o quinto. Se fosse o sétimo, virava Lobisomem. E aí, ele ia ser igual a mim. Não. Eu nunca ia virar Lobisomem. Porque eu sou menina. Eu vou virar outra coisa. Coisas feias. Tem gente que diz que eu sou bruxa. Tem gente que chama boneca de pano de bruxa… Mas eu não tenho verrugas. Nem você. Não… Minha mãe não vai casar novamente. Tem gente que diz que ela namorou o padre. Mas é mentira. Falam porque o meu pai já foi para o céu, cuidar das minhas irmãs… Elas morreram, sabia? Mas ele não faleceu de lua. Foi de doença mesmo. Doença feia que ninguém falava o nome. Só diziam para eu brincar baixinho. Que o meu pai pegou aquela doença. Eles falavam assim… Aquela doença. Não sei qual era. Diziam e se benziam. Mas eu cantava alto, sabia? Ele gostava. Eu sei, porque ele sorria. Mas agora eu só canto baixinho, que é para ninguém fugir de mim. Da minha mãe.     

   

“Ó lua por aqui passaste
A graça da minha filha levaste
Hás de por aqui passar
A graça da minha filha hás de deixar
E a tua hás de levar.”

 

Olha a lua. Cheia. Minha cabeça vai ficar assim, sabia?  É bonito? Minha mãe diz que eu sou linda e que não é para eu ficar pensando nessas coisas feias. Mas eu penso. Por isso que eu quero fugir. Hoje. Se o ônibus chegar, claro. Meu avô falou que a condução passa por aqui. Mas não sei. Talvez ele tenha errado o horário. Não sei. Já viemos aqui tantas vezes. Talvez a gente devesse ir andando. De quem será aquela cabeça que virou lua cheia? Deve ser de uma menina muito linda. O corpo dela, a essas horas, está lá, em casa. Dormindo. Nem imagina o que a cabeça está fazendo agora. Tomara que não seja maldade. Você tem medo? Você não precisa ter medo de nada. Porque está aqui comigo e eu sou a sua mãe. Eu vou colocar você aqui, dentro da minha trouxinha. Viu? Para não apanhar luar… Talvez ela também tenha medo. A menina da lua. Talvez ela tenha levado minhas irmãs para ter alguém com quem brincar. Mas você não precisa ficar triste. Nem chorar. Eu protejo você. Aprendi com a minha madrinha. Ela é benzedeira. Me rezou pela frente e pelas costas. Bateu em mim com uma planta que ela pegou lá no Ver-o-Peso. Arruda. Até doeu. Mas só um pouquinho. Não era para machucar. Era só para fazer a benzedura mesmo. E deu certo. Acho. Eu não peguei doença da lua. Viu? Se a gente não fosse fugir, ela podia benzer você também.

 

“Um, dois, Feijão com arroz.

Três, quatro, tenho um prato

Cinco, seis, pulo uma vez.

Sete, oito, como um biscoito.

Nove, dez, olho meus pés.”

Essa cantiga me dá fome. Aí dentro deve ter um lanchinho. Viu? A minha mãe sempre coloca um lanchinho escondido na minha trouxa. Bacuri. Taperebá. Às vezes até beiju, que eu adoro. Ela sabe. Eu acho que ela coloca o lanchinho aí, porque ela adivinha que a gente vai fugir. E ninguém pode fugir de barriga vazia, nem escondido da mãe. Saco vazio não para em pé. É o que ela diz. Mãe sabe tudo. Eu acho. Você está com fome? Fome de comida? De farinha com açaí e peixe? E de colo depois da comida? Eu não gosto de ficar longe dela. Ela chora. Vai chorar muito quando eu fugir, sabia? Mas eu vou porque eu não quero que ela me veja virando porca. Não. Talvez seja até bom ser porquinha. Porquinhos tem companheiros, tem filhas. Eu vou ter cinco filhas. Sete não. Porque eu não quero que a minha filha chore. Nunca. Bebezinho chora, mas é de fome. Não é de tristeza. Nem de lua. Porque de lua, ele fica fraquinho e não consegue chorar. Só a mãe que chora por ele… Está escuro, não é? Eu acho que a gente podia voltar. Só hoje. Eu peço para a minha mãe costurar a sua mão com cinco dedinhos, para a gente brincar de Fura-bolo-e-mata-piolho. Você quer? Quer. Eu sei. Mãe sabe de tudo. E eu sou a sua mãe. E é por isso que a gente vai voltar. Viu? Não precisa ter medo. Amanhã a gente foge.

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88 comentários em “Cumacanga (Paula Giannini)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: a narrativa brinca com a mente do leitor conforme apresenta o monólogo da menina. O tom sobrenatural que o tema pode sugerir foi aproveitado nesse sentido. Há dois questionamentos que vão nos acompanhando no decorrer da leitura: o primeiro seria “o que, ou quem, é essa menina”; o segundo seria “com quem ela está falando?”. Particularmente, até metade do conto, achei que ela estivesse falando comigo, mesmo na parte de “não ter braços” – achei que poderia ser uma analogia à incapacidade do leitor de alterar o texto fisicamente. Terminei com a sugestão de que ela falava com um boneco de pano. Quando à primeira dúvida, até agora não tenho certeza sobre o que seria a menina, uma vez que as coisas são narradas da perspectiva dela (confusa como a de uma criança perdida). Questiono até se ela estava realmente viva.

    Apelo: é muito legal quando um conto te deixa com tantas pulgas positivas atrás da orelha. Creio que um conto possa confundir o leitor, tanto pela falta de técnica, quanto pela maestria – que é o caso aqui e me agradou bastante.

    Conjunto: fiquei incomodado, até um pouco receoso com essa narrativa. Me lembrou aqueles filmes de terror em que você ouve a criancinha falando só esperando para ver quando ela vai virar o Capiroto e sair tocando o terror. Felizmente, não chegou nesse ponto e o receio ficou só no meu psicológico.

    Parabéns e boa sorte.

  2. Evandro Furtado
    31 de março de 2017

    Resultado – Outstanding

    Que fofura! Essa capacidade de desenvolver personagem por meio de narrativa é invejável. São pequenas nuances que, quando juntas, conferem uma complexidade ao texto sem precedentes.

  3. Marco Aurélio Saraiva
    31 de março de 2017

    O seu conto é um amálgama de crendices, lendas folclóricas e cantigas antigas. Uma verdadeira ode ao folclore brasileiro em todas as suas formas. Foi fácil me imaginar como a bonequinha de pano da garota, ouvindo ela falar sobre a vida solitária, todos os dias, esperando o ônibus que a levaria embora chegar. Gostei de como ela acredita mesmo que vai virar alguma coisa ruim por ser a sétima filha da família. Essa ingenuidade – essa fácil credulidade – infantil é muito forte. Lembro que eu mesmo acreditava em uma série de histórias que me contavam, de monstro, de maldição, etc.

    A forma do conto atrapalhou um pouco. Gostei que ao menos você separou os parágrafos com as cantigas. As falas da garota chamam a atenção no início, mas do meio pro final já estão um tanto cansativas. As repetições e as expressões infantis são charmosas a primeira vista, mas depois começam a atrapalhar a leitura. “Você sabia disso? Sim, sabia? Eu sabia. Eu sempre soube. E aquilo, quer fazer? Quer? Eu quero.”. Muita repetição uma hora enjoa.

    A imagem que o conto conjura é muito bela. Uma menina no ponto, ignorada por todos, sonhadora, brincando com a sua boneca de pano que é, também, a sua única amiga. Viu tanta coisa nos seus poucos anos de vida: perdeu o pai e seis irmãs. Sua cabeça, ainda confusa, só quer fugir para que não dê mais trabalho para a mãe, que já sofre muito. “Mas quem sabe amanhã…”

    Parabéns. Muito bonito!

  4. Rubem Cabral
    31 de março de 2017

    Olá, Encantada.

    O conto é bem bonito e a menina narradora é muito meiga. Contudo, por você ter escolhido narradora-personagem, o “discurso” ficou meio postiço: não é a fala de uma menina. Têm palavras difíceis, está certinho demais, e isso incomoda um tanto.

    A adesão ao tema do desafio ficou muito boa e a qualidade da escrita é igualmente competente.

    Nota: 7.5

  5. Pedro Luna
    30 de março de 2017

    Não conhecia essa lenda e fui pesquisar. Gostei de identificar no conto detalhes da lenda que passaram batidos para mim na primeira leitura. O lance da irmã mais velha precisar ser a madrinha, por exemplo. Gostei da inserção da lenda na história, mas quanto ao resto, confesso que não consegui entrar na trama, de modo que não entendi bem. As rimas entre os parágrafos, por exemplo, não saquei a ligação do texto, ou se foi só um recurso estilístico mesmo. A menina estava falando com um boneco? Enfim, é um conto bem escrito, mas sua construção não me agradou tanto.

    • O, Pedro,
      Obrigada por ler e comentar.
      As quadrinhas, são brincadeiras infantis. Você nunca brincou na rua? Se morar em São Paulo, venha assistir meu espetáculo “Se Essa Rua Fosse Minha – Espetáculo de Brincar”, em cartaz em São Paulo. Lá estarão todas essas quadrinhas, para você brincar no palco com os atores. 😉
      Beijos
      Paula Giannini

  6. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Primeiro é preciso aplaudir a criatividade do autor, que buscou numa lenda regional pouco conhecida sua inspiração. Sim, é um texto que exige do leitor certa entrega, que o obriga a pesquisar, a ir além do que está escrito. Arrisco a dizer que a experiência só se completa para aqueles que vencem a preguiça e buscam saber mais. Dito isso, creio que o modo como foi contada a história é o maior trunfo do conto. O mito da cumacanga transpassado pelo monólogo de uma criança – que finge conversar com uma boneca – foi muito bem explorado, revelando aos poucos, e numa linguagem verossímil e bem articulada, um subtexto de tragédia e, por que não dizer, de esperança no futuro. Creio que o autor fez um ótimo trabalho não só pela maneira que escolheu para contar essa história, mas porque abordou um mito que poucos conhecem, garantindo o interesse e fugindo do óbvio.

  7. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Uma lenda que eu realmente desconhecia. A construção do ambiente, dos elementos que cercam, é muito bom. Porém, senti na construção do monólogo (ou solilóquio, não sei…) um excesso de perguntas retóricas (para a boneca ou para o leitor, não sei) que deixou o texto um pouco “soluçado”. Boa sorte no desafio!

  8. Bia Machado
    28 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (3/4) Não fluiu totalmente. Deu certo cansaço em alguns momentos. Uma prosa segura, porém, de quem sabe bem do jeito que quer que o texto fique.

    Construção das personagens: (2/3) – Narradora-personagem boa, que envolve. Fiquei um pouco indecisa quanto a pensar em sua idade. Será mesmo uma menina? Confesso que fiquei em dúvida.

    Adequação ao Tema: (1/1) – Sim, bem adequado.

    Emoção: (0,5/1) – Gostei, mas em alguns momentos bateu certo cansaço.

    Estética/revisão: (1/1) – A forma como a narrativa foi estabelecida, com os versos entre as partes narrativas acredito que tenha sido uma boa decisão. Não tivesse isso, o texto cansaria, muito. A parte narrativa, em grandes blocos, não sei se foi o melhor para o texto. Quanto à revisão, nada que me chamasse a atenção, a não ser uma vírgula ali, sobrando, no começo. Mas tudo bem.

  9. Iolandinha Pinheiro
    28 de março de 2017

    Uma escolha arriscada, esta sua, ir narrando a parte folclórica do texto através do diálogo verborrágico de uma menina. É só a pirralha falando e falando, como se tivesse encontrado um adulto para ouvir suas previsões sobre a própria vida e impressões sobre o mundo que a cerca, do meio para o fim, até as musiquinhas já estão perturbando o juízo da gente. Para mim, uma história boa tem que ser envolvente, por mais original que seja a trama, ou brilhante a escrita, se ficou chato, já era. Por essas e outras Crime e Castigo não tem vez para mim, me julguem. Entrei com todo ânimo no seu conto, saí entediada. Ainda assim, sorte no desafio.

    • Obrigada por sua leitura, Iolandinha.
      Fiz a escolha arriscada conscientemente. Se você procurar o histórico de meus contos nos desafios, perceberá que todos foram assim. Arriscados.
      Não vejo graça em apenas escrever algo fácil para ganhar. Afinal, o público aqui é de seletos leitores e escritores, não é?
      Muitas vezes dá certo, em outras não. Nesse aqui, colhi entusiasmadas notas 10, mas o oposto também ocorreu.
      Beijos e até o próximo.
      Paula Giannini

  10. Cilas Medi
    27 de março de 2017

    Um texto truncado, difícil de se ler e bem cansativo. Talvez se houvesse uma explicação sobre ela melhoraria, porque nem as ladainhas em verso salvou esse conto.

  11. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    A forma como fala e vê o mundo pare e realmente uma criança sem intenções malignas, apenas querendo ser o que é. Entretanto, achei as cantigas um pouco desconectas com o enredo o enredo sem proposito. A gramatica é muito boa e os detalhes também

  12. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma versão da lenda da Cucamanga, uma mulher, sétima filha, cuja cabeça sai voando do corpo, em noites de lua cheia, em algumas versões, pelo menos. Apesar de um certo truncamento narrativo, no fundo esta versão em boa parte se limita a contar a lenda praticmente sem acréscimos ou alterações. Acho que se era para contar a lenda original na história isso poderia ter sido feito de modo mais linear e claro, como está, ficou meio confuso, quem quiser conhecer a lenda a partir desta versão pode ficar sem uma visão clara do que se trata. Um pouco caótico, mas correto. Desejo Boa Sorte.

  13. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    A linguagem aplicada é um simulacro de discurso infantil e intercalar a prosa com versos causou um efeito interessante na leitura. A impressão que tive é de que essas canções são existentes e se o foram, terá sido uma escolha bem feliz. O conto é de despertar emoção, principalmente para quem sabe o que é a Cumacanga. É de apertar o coração ver uma menina tão inocente sabendo que se transformará em uma cabeça assassina (Como nas palavras dela: “Me dá um nó aqui. Na garganta.). O conto também terminou bem, levando a história de volta ao início como seu revés.

    • Oi, Elias,
      Que bom que leu e comentou.
      Sim, as canções fazem parte do folclore infantil brasileiro.
      Se quiser conhecer mais, caso more em São Paulo, está convidado para assistir meu espetáculo infantil. “Se Essa Rua Fosse Minha – Espetáculo de Brincar”.
      Beijos
      Paula Giannini

  14. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Encantada,
    A narração em primeira pessoa enriquece a passagem pelas brincadeiras de criança. Ponto positivo para essa passagem de uma par outra brincadeira, intercalando com a música e entremeada da fala da menina a divagar sobre a condição de sétima filha. Foi bastante criativo.
    É uma leitura bastante corrida e um texto sem qualquer erro de pontuação ou gramática, até onde eu tenha observado.
    Talvez algumas coisas não precisassem ser ditas.
    No mais, fez vir à tona as brincadeiras da minha infância e as crendices que ouvíamos quando os adultos ser reuniam para contar coisas.

  15. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Linda história de uma lenda que eu desconhecia totalmente.
    Gostei da forma (muito parecida com um outro conto desse desafio) de narrar em segunda pessoa. Não sei ao certo se captei quem é o interlocutor, mas parece ser uma boneca de pano que não tem mais os bracinhos.
    Até procurei alguma referência a essa boneca, mas não encontrei nada. Fica o mistério no ar. Parabéns.

  16. Elisa Ribeiro
    20 de março de 2017

    Uma abordagem criativa para o tema folclore misturando lendas, superstições, brincadeiras infantis, cantigas e crenças populares, tudo muito bem articulado pelo texto.. Embora a escolha pela narrativa como uma espécie de monólogo interior tenha tudo a ver com a proposta do conto, tenho que confessar que me cansou um pouco. Perco a concentração depois de alguns parágrafos com esse estilo de narrativa. Outro probleminha do conto também é a falta de ação que somada a um final pouco impactante, acabou me frustrando. Reconheço, entretanto, os méritos do seu texto, que receberá de minha parte uma boa nota. Sucesso!

  17. Fabio Baptista
    19 de março de 2017

    Em um curto espaço esse conto me trouxe diversas sensações, para o bem e para o mal. Primeiro, devido às cantigas (música de criança é sempre meio macabro hauahua) e à dúvida de “com quem ela está falando?”, senti uma estranheza, como num bom suspense/terror – pensei que seria o relato da menina se transformando em cumacanga (seja lá que for isso).

    Depois, confesso que as frases curtas e o “chove não molha” me deixaram um pouco entediado, a leitura cansativa.

    No final, quando “caiu a ficha”, voltei a gostar, não mais por uma expectativa do sobrenatural, pelo contrário… pela certeza de que era uma história muito humana.

    Abraço!

    NOTA: 8,5

    • Oi, Fábio,
      Você foi um mestre ao me causar os mesmos sentimentos que o conto lhe causaram.
      Suspense… Não gostou… Depois.. Ah! Até que ele gostou.
      Obrigada por ler e comentar.
      Beijos
      Paula Giannini

  18. Eduardo Selga
    18 de março de 2017

    O presente conto se iguala a “Todo o meu Pedaço” no fato de que sua maior relevância está na linguagem. Mais até, eu diria, que a bem construída personagem, na medida em que ela é estruturada por meio da linguagem, cujas características principais eu diria ser o uso da anáfora, que é uma repetição de palavras com efeito estético, por isso não é falha de construção; um competente uso da oralidade, que não soa forçado nem deslocado no contexto da narrativa; parágrafos extensos que, na verdade, são um bloco discursivo único, constituindo um solilóquio disfarçado formalmente pela inserção de estrofes de cantigas de roda. Bem construído, o solilóquio do conto é o diálogo da personagem com ela mesma, mas não pode ser chamado de monólogo interior por haver uma continuidade lógica no discurso, como se houvera um interlocutor, para o que contribui a boneca, uma espécie de falsa personagem que funciona como ponto de apoio para a protagonista. Na boneca repousa a grande quantidade de interrogações feitas pela personagem. Na verdade, perguntas retóricas, ou seja, feitas para serem respondidas por quem interroga.

    Há uma atmosfera fantasmagórica que se constrói no decorrer do discurso, reforçada pelo fato de todas as irmãs da protagonista estarem mortas, e provavelmente também a mãe. É bem possível, nesse contexto, que a menina esteja morta.

    Há um ponto sobre as oito cantigas que merece reflexão: afora em duas situações, elas não têm relação direta com o discurso empreendido pela narradora-personagem, anterior ou posterior à inserção das estrofes. Daí, se entendermos que é ela mesma quem canta, podemos concluir que, além de possivelmente morta, falta-lhe juízo. Mas existe outra possibilidade: as cantigas, mesmo as duas que mantêm a relação de que falei, podem não ser elocução da narradora-personagem, e sim inserções de um segundo narrador, impessoal. Funcionam como se fossem uma voz, eventualmente ouvida pela protagonista, ou epígrafes internas (exceto a primeira, que seria uma epígrafe posta em sua posição costumeira, embora centralizada e não à direita).

    • Eduardo Selga,
      Seus comentários são sempre um show a parte dentro dos desafios.
      Obrigada pelo carinho e pela atenção com que leu o meu trabalho.
      Beijos
      Paula Giannini

  19. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Emocionante este conto. Da pra sentir a tristeza de uma menina, que cresce ouvindo que ela vai virar uma Cumacanga.
    Ótimo conto, lindo, parabéns
    Destaque: “A gente amarrava a outra na ponta na árvore. Mas não tem. Não. Por isso que eu canto assim. Eu falo fulano. Fulano não é ninguém. É só modo de falar. As outras crianças não querem brincar comigo. As mães delas não deixam. Não. Eu sei. Eu finjo que não sei, mas sei. Eu escuto.”

    • Neusa,
      Enraçado como as mulheres entenderam melhor esse aspecto psicológico da personagem. Questão de estilo, talvez.
      Obrigada por seu carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

  20. Vitor De Lerbo
    16 de março de 2017

    A solidão da protagonista é latente, assim como sua inocência. Criamos empatia pela menina que não fez nada de errado, apenas foi a sétima filha. As cantigas deixam a história ainda mais terna.
    Boa sorte!

    • Oi, Vitor,
      Obrigada por seu comentário, simples, direto, e movido pela emoção, que é o que, no fim, queremos transmitir ao leitor.
      Beijos
      Paula Giannini

  21. mitou
    16 de março de 2017

    o conto me deixou curioso em relação ao mito mas não deixou claro,o que me decepcionou um pouco confesso. achei uma narrativa fraca, você usou a primeira pessoa, mas ficou muito intimista deixando a história confusa e sem inicio meio e fim

  22. marcilenecardoso2000
    16 de março de 2017

    A expressão folclórica está bem nítida no texto. Gostei demais da menininha narrando seu destino de forma leve, inocente, dando um ar de conformismo apesar da inteligência e sagacidade. Isso é bem a infância. ela dá opinião a respeito do que é fato mas que gostaria que não fosse, e se mostra determinada a fazer com que não seja. Deixa a lição de que podemos, sim, mudar nosso destino. Nota 9 (nove)

  23. M. A. Thompson
    16 de março de 2017

    Olá “A Encantada do Pará”. Parabéns pelo seu conto, mas não caiu totalmente no meu gosto. Eu gostaria de ser preso a narrativa nas primeiras linhas e isso não aconteceu, achei que faltou uma estrutura de conto melhor definida.

  24. G. S. Willy
    15 de março de 2017

    As cantigas e as crendices inseridas ao longo do conto ficaram interessantes, e mostra como nosso folclore é rico e diverso. Porém, o conto para mim careceu de história. Pareceu mais uma apresentação de diversos regionalismo sem levar a lugar algum. A escrita está ótima, mas algumas poucas vezes a voz da criança está adulta demais. Enfim, o ar de mistério que permeia todo o conto nos faz continuar atentos, mas o final não trouxe a resolução para ele…

  25. jggouvea
    15 de março de 2017

    Começando os trabalhos, esse é só o segundo que eu leio. Achei muito melhor que o primeiro, principalmente porque tem foco, apesar da estrutura não ser nada genial.

    O texto perde pontos na forma/linguagem porque, apesar de tentar construir um personagem popular, deixa filtrar na fala dele palavras que pertencem ao universo livresco (“participantes”, “vogais”, por exemplo), além de um rigor gramatical que o povo normalmente ignora. Mas não retirei muitos pontos disso, porque, a rigor, se você desconsiderar a correção gramatical, o tom da linguagem está quase justo.

    O ponto principal do texto, em minha opinião, é que ele escolhe um personagem, uma ideia, e a desenvolve plenamente, em vez de atirar para todo lado. O/A autor/a claramente sabe do que está falando. Ou pesquisou bem sobre o tema, ou este tema faz parte de sua formação. O que importa é que só é possível fazer uma boa história a partir de elementos que dominamos.

    O texto ganha pontos pela empatia da personagem, com a qual a gente pode facilmente se identificar.

    Notas:

    Introdução: 6.5 (o texto demora a esquentar)
    Enredo: 8.5 (é um bom tema mas não possui realmente um conflito)
    Personagens: 8 (ter apenas um personagem evita o dez)
    Cenário: 8.5 (há pouca descrição de cenário, mas ela é suficiente)
    Forma/Linguagem: 8.5
    Coerência: 10 (não há nenhuma contradição ou erro de estrutura)

    Média (ponderada): 8.53

  26. Roselaine Hahn
    14 de março de 2017

    Ah, e o estilo da narrativa, a voz do narrador, lembrou-me um certo Super-homem, num certo desafio de microconto….Será que eu te peguei, Clark kent?

  27. Jan Santos
    14 de março de 2017

    Tem algo de muito bizarro em utilizar cantigas infantis. Acho um recurso bem perturbador, muito eficaz em construir uma atmosfera inquietante, talvez por isso eu esperasse um final inquietante também, mas parte de escrever é frustrar o leitor de vez em quando, não é?

  28. Roselaine Hahn
    13 de março de 2017

    Olá Dona Encantada. Eu ODIEI o seu conto. É melhor que o meu, muito melhor que o meu. Essa gente da escrita tem o hábito feio e velado de sentir um certo desconforto quando lê algo digno de arrebatamentos. É inveja mesmo. A gente distribuí curtidas de sorrisinho amarelo. É como aquela piadinha: quero que todos os meus amigos tenham sucesso, desde que nenhum tenha mais sucesso do que eu. Buenas, dadas as devidas explicações para o meu azedume, vamos ao seu conto.
    . Gramática: de acordo com a norma culta; talvez, em algumas frases curtas, eu pontuasse diferente ou excluísse alguns “não”, mas entendo que foi recurso estilístico usado pelo autor, o que não comprometeu a lindeza do texto. Na frase “Aí, era ela que ia ser a minha madrinha”, fiquei na dúvida quanto a colocação desse advérbio de lugar.
    . Criatividade/adequação ao tema: nota dez para a adequação do drama infantil às brincadeiras do folclore popular.
    . Emoção: O conto causou-me emoção e empatia com os dramas da menina, cumprindo a principal função a que uma história se propõe (ou deveria): causar emoção nos leitores.
    . Enredo: A história começou como uma brincadeira de criança, inocente, meiga, e foi num crescendo a medida que a menina destrincha as suas perdas para a boneca de pano. Algumas frases dignas de nota, e de solidariedade à dor da menina. Também me encantou a simbologia numérica usada, do quinto filho, da maldição da sétima filha, as cinco-marias, é porque faço numerologia, e os números falam. Apenas uma dúvida de interpretação: todas as suas irmãs morreram, e há muitas referências ao número cinco, como a brincadeira das cinco-marias, a imagem das cinco bonecas mortas na foto, ao avô que era o quinto, o que me levou a imaginar que seriam cinco irmãs mortas, mas como ela era a sétima filha, faltaria a sexta, estou errada? Me esclareça ao final do desafio. Vai pro Pódium.

    • Querida Roselaine,
      Adorei sua crítica. Obrigada pela generosidade imensa.
      Sobre o caso dos 5, 6 ou 7, para mim, na imagem a sexta criança está no berço. Um natimorto, ainda assim um filho. O mesmo ocorre com a boneca, uma espécie de alter ego da menina, representando igualmente uma das crianças (a natimorta). Isso não passa no texto, é só um preciosismo da cabeça da autora.
      Beijos
      Paula Giannini

  29. juliana calafange da costa ribeiro
    13 de março de 2017

    Uau, q coisa linda o seu conto. Me emocionou pacas! Vc usa a linguagem de forma brilhante, a gente quase vê a menina falando aquilo tudo, linguagem infantil. Eu imaginei um lindo monólogo no teatro com esse texto. A gente vai descobrindo a história dessa menina aos pouquinhos, vai se transportando praquele lugar, árido, escuro, ao lado da menina e sua boneca de pano. Parabéns, vc escreve belissimamente!

  30. Anderson Henrique
    13 de março de 2017

    A estrutura do conto tá muito bacana, entremeada com as cantigas infantis. Não conhecia a lenda da Cumacanga e precisei pesquisar para me aprofundar no conto. O texto tá todo bem escrito, arrumadinho. Boa fluência e leitura agradável. Em relação ao conteúdo, o texto me deixou com uma leve expectativa durante a leitura, e o final foi surpreendente pois imaginava que fosse tomar outra direção. Bom texto.

  31. Bruna Francielle
    12 de março de 2017

    Tema; adequado à proposta

    Pontos fortes: A lenda. Essa eu não conhecia.. uma cabeça voadora que desprende do corpo durante a noite e vai aterrorizar as pessoas? É pra lá de interessante, a pessoa que inventou isso era muito criativa. Também gostei que foram lembradas as cantigas, não sei se são consideradas folclore, mas acho que de certa forma sim. Bem, eu não tenho certeza se entendi a história, provavelmente não, rs.. Mas no fim eu fiquei pensando que a narradora era uma criança que conversava com uma boneca de pano sem as mãos, e dizia que era mãe da boneca, ora, isso é muito comum na infância. Se foi isso, eu gostei sim.

    Pontos fracos: Mas a parte da morte das irmãs e das roupas brancas, já não consegui captar. Tem uma trama mais dentro da trama ainda ? É alguma outra lenda ? Enfim, ficaram perguntas sem respostas que me impediram de conhecer a história em sua plenitude.
    A narrativa está boa, delicada, porém chega uma hora em que se torna cansativa.

    • Querida Bruna,
      Obrigada por ler e considerar.
      Sobre a morte das crianças, sim. Abordei a tradição das benzedeiras. As crianças de certas cidades do interior, sem recursos, morrem cedo, de inanição, doenças, enfim, e em alguns lugares diz-se que morreu de lua. A primeira quadrinha é justamente a reza contra essa doença.
      Beijos
      Paula Giannini

  32. Rsollberg
    12 de março de 2017

    Uma das coisas mais bacanas do desafio é o aprendizado. Aqui, em especial, vamos ter oportunidade de conhecer lendas regionais desconhecidas pela maioria. Sem contar a releitura e as variantes das histórias mais famosas.

    Pois bem, não conhecia a Cucamanga e o conto foi muito feliz em saber apresentar o personagem. Obviamente, ele não esgota a lenda, tampouco revela tudo, deixando para o leitor a tarefa de procurar saber mais. Ponto positivo.

    O estilo adotado serviu muito bem ao conto, uma monólogo disfarçado de diálogo, onde temos a personagem interagindo o tempo inteiro e desabafando sobre sua vida. A estrutura também contribui, vez que, essas confidências são atenuadas pelo jeito da narrativa, onda as cantigas e as brincadeiras vão aliviando o tom mais sombrio do conto. A escrita é competente e não há nada que eu possa apontar.

    Parabéns e boa sorte!

  33. Marsal
    12 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: extremamente adequado, uma overdose de folclore.
    b) Enredo: Tive dificuldade em identificar um enredo propriamente dito. Não conhecia a lenda da Cumacanga e precisei recorrer a Internet para aprender um pouco mais sobre ela depois da minha primeira leitura. Então, li o conto novamente e me pareceu que as coisas fizeram mais sentido
    c) Estilo: O conto e’ extremamente estiloso e a escrita bastante peculiar. Acho que eu chamaria de prosa poética. Não e’ bem meu estilo favorito de leitura, tive muita dificuldade em me manter atento a narrativa em si enquanto lia, pois a narradora vai despejando uma quantidade enorme de conteúdos (alguns na forma de perguntas) e não da muito tempo para o leitor tirar suas conclusões ou digerir os conteúdos, já vindo com novas perguntas e afirmações. Por outro lado, gostei muito da alternância de rimas infantis com a narrativa em si
    d) Impressão geral: como expliquei acima, não e o meu estilo favorito de conto, mas com certeza um texto de alta qualidade. Boa sorte no Desafio!

  34. Antonio Stegues Batista
    11 de março de 2017

    O conto retrata bem a lenda de Cumacanga, a cabeça do lobisomem que sai do corpo nas noites de lua cheia para dar uma voltinha e assustar as pessoas. Gostei do enredo, mas as perguntas repetidas que a criança faz à boneca, ficou chato, enfadonho e há momentos que o tom infantil se torna exagerado e isso tirou o brilho da história.

  35. Fheluany Nogueira
    11 de março de 2017

    O mito da Cumacanga foi muito bem reproduzido, com a mesma técnica do texto anterior, um monólogo com interlocutor que nunca responde, aqui, porque é uma boneca de pano. Ficou bastante interessante que junto ao desabafo da menina amaldiçoada, fossem apresentadas uma série de brincadeiras tradicionais, portanto, também folclóricas.

    A leitura ficou meio entediante devido ao fluxo ininterrupto da fala, sem parágrafos e espaçamentos, apenas minimizado pelas letras das musiquinhas dos folguedos. Foi uma boa ideia reproduzi-las, assim como o “final feliz” da história com a menina desistindo de fugir de casa.

    A narrativa tem um tom melancólico, não só pela maldição da sétima filha, mas pela solidão em que a personagem vive e pela morte de tantas crianças. Quando falou em “doença da lua” pensou na epilepsia, na síndrome de Cushing ou em xeroderma pigmentoso?

    Parece-me que esta lenda do Pará e Maranhão é bem semelhante à da “Mula-sem-Cabeça” da região sudeste. Não conhecia e gostei muito, está bem escrito e fluente com as ressalvas já analisadas. Parabéns, abraços.

    • Oi, Fheluany,
      Obrigada pelo carinho de ler e comentar.
      Sobre a doença, dizer doença da lua é comum no interior do nordeste. A criança morre muito cedo, fraca de inanição e a benzedeira faz a reza da lua.
      Beijos
      Paula Giannini

  36. catarinacunha2015
    11 de março de 2017

    A visão infantil de seu inevitável e trágico destino deu leveza à narrativa em primeira pessoa. A introdução de belas cantigas e brincadeiras provocou uma lentidão no ritmo, arriscando desviar a atenção do leitor. Algumas pontas soltas no penteado poderiam ser evitadas. O subtendido não chega a surpreender. O texto é linear e bem escrito.

  37. Sandra Godinho Gonçalves
    10 de março de 2017

    Uma narrativa singela com a qual o leitor logo se identifica emocionalmente, utilizando as cantigas infantis, cria-se o universo que a protagonista vive criando a verossimilhança.

  38. felipe rodrigues
    10 de março de 2017

    O complicado de escrever um conto que busca emular a fala das pessoas com naturalidade, ainda mais com o limite de palavras, é cortar as frases repetidas, palavras iguais que geralmente usamos (seja para dar ênfase ou por simples mania que temos de repetir). Apesar de ter notado o cuidado do escritor em relação a isso, percebi muitas redundâncias, fatos contados duas vezes, coisas pequenas que cansaram a leitura. A história é rica e parece ter saído de uma pesquisa sobre o ser folclórico, que é bem marcante, visualizei diversas vezes a cabeça que voa por aí, com a beleza da lua, mas no geral o conto me deixou com uma sensação de ideia boa e forma errada de contar.

  39. Anorkinda Neide
    10 de março de 2017

    Que sensibilidade!
    Talvez tenha uma ou duas palavrinhas q poderiam se adultas demais para a menina dizer, mas não destoa em nada a profundidade delicada deste conto..
    Meus parabens pela ideia sensacional de abordar a lenda desta forma. Obviamente me pegou pelo meu coração de açúcar e marshmallow (ops,marshmallow num desafio folclorico nao, coração de maria-mole 🙂 )
    e tb obviamente me conquistou pela eficiência do texto, da condução dele e , até onde conheço, perfeição gramatical.
    Não estou participando, o que é uma grande pena, mas em alguns contos fabulosos não poderei deixar de inscrever os meus fervorosos elogios!
    Abração

    • Oi, Neide,
      Que bom que leu meu texto e comentou mesmo sem participar (que pena por isso).
      Obrigada pelo carinho de suas palavras.
      Beijos
      Paula Giannini

  40. Matheus Pacheco
    10 de março de 2017

    Esse texto remeteu ao que eu considero o real folclore brasileiro, que são as cantigas, porque os mitos são ou de origem européia ou de origem indígenas, as cantigas são, talvez, a maior miscigenação cultaral que podemos ter.
    Abração ao autor, e um ótimo conto.

  41. Priscila Pereira
    10 de março de 2017

    Oi Encantada. Que lindo o seu conto… ficou muito lúdico, cheio cantigas e versos populares e além disso tem a lenda da Cumacanga. Eu até consegui imaginar a menininha encantada e sua boneca brincando juntas… Está muito bem escrito e, para mim, é bem original. Ótimo trabalho. Parabéns!!

  42. Olisomar Pires
    10 de março de 2017

    Em primeiro lugar, parabéns pela pesquisa.

    O texto em voz única é cansativo, apesar de bem escrito.

    Há tanta informação e referências a serem buscadas que a coisa fica forçada demais.

    Parece que a personagem está perguntando para o leitor e o leitor não sabe responder e fica tudo tão vago.

    É um texto bonito, apesar de tudo, só não aprecio esse modelo.

  43. Fernando Cyrino
    10 de março de 2017

    Que conto mais legal. A história da menina encantada, a cumacanga, com a sua amiga imaginária a boneca. Gostei muito da maneira que você me foi conduzindo ao longo do enredo. Bacana também o seu cuidado com a língua e ao mesmo tempo a atenção para manter, o que não é nada simples e muito menos fácil, a linguagem infantil na história. Parabéns. Gosto das frases curtas. Elas funcionaram bem, dão um ritmo forte à narrativa. Como se fossem o toque de um tambor, talvez. Funcionou de maneira excelente também esses “nãos” entre pontos na fala da garota. No entanto outras repetições (até mesmo do não fora dessa perspectiva) eu achei que soaram um tanto pesadas. Que não deram o efeito que você pretendia ao texto. Dou dois exemplos: achei excessivas as repetições do “viu”. Teve uma hora, bem no começo do conto, que ele está frisado quatro vezes e essas vezes estão bem próximas. Também na frase “Eu fico aqui brincando com você porquê você não foge. Você não chora nunca e você não tem medo de mim. Ufa, mesmo em se tratando da fala da criança achei que o efeito dessa repetição (4 vocês em uma linha e pouco) não produziram um efeito bom. Sugeriria rever. Isto foi antes de “o sapo não lava o pé”… É isto. Um conto tão bonito, mas que sugeriria que ganhasse uns cuidados extras, umas buriladas para se tornar mais belo ainda. Parabéns pela sua história e pela maneira como você a trouxe para mim.

  44. angst447
    10 de março de 2017

    Ai, que coisa mais linda! Não sei se fico com medo da menina ou se levo para passear comigo.
    Claro que o tema proposto pelo desafio foi desenvolvido neste conto. Através de uma linguagem muito fluida, que beira à poesia, a narrativa cativa a cada palavra. A solidão da menina misturada a seus sonhos infantis comove e, ao mesmo tempo, me fez sorrir. Como não amar a menininha que pode virar uma porquinha ou lua cheia ou Cumacanga?
    Não encontrei falhas de revisão. Talvez, eu tivesse empregado uma vírgula aqui e ali a mais, mas isso é questão de ritmo e fôlego de leitura.
    Gostei de como você explicou, sem pesar no tom didático, a lenda da Cumacanga. Ficou muito sutil, misturado à fala da garotinha.
    Ótimo trabalho!

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .