EntreContos

Literatura que desafia.

Se eu pudesse voltar atrás… (Marco Piscies)

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Tinham uma vida inteira pela frente, mas um acidente de carro trouxe o fim de tudo.

No hospital: ossos quebrados, trocas de soro e a descoberta de uma cumplicidade divertida. Após a baixa, cerveja e rodas de samba. Coxa com coxa. Lábios sobre lábios. Enfim, mão sobre mão: os anelares em regozijo com os novos adornos dourados.

Felizes lembranças longínquas.

Agora a cama tornara-se grande demais; havia um abismo entre os corpos insones. Os olhos a fitar o teto em silêncio escondiam um único pensamento:

De que adianta escapar da morte, se há tantas outras maneiras de morrer?

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92 comentários em “Se eu pudesse voltar atrás… (Marco Piscies)

  1. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Percebo que se trata de um texto carregado de metáforas…
    O casal morreu, não há mais relacionamento, pelo visto.
    Gostei da forma poética em que descreveu o fim.

    Boa sorte!

  2. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da abordagem, desse lance do cotidiano, relacionamento conjugal, e tal. Mas o começo me pareceu confuso, o que de fato aconteceu ao casal. Enfim, boa sorte!

  3. Andre Luiz
    27 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Um conto que tem seu valor, porém que não foge da vida cotidiana.

    -Construção(8,0): Acabei me perdendo no primeiro e último parágrafos. Para mim, ficou faltando algo no texto que deixasse tudo mais conciso, apesar de que a história principal do acidente parecer estar revelada.

    -Apego(7,5): Triste acontecimento, porém não me conectei.

    Boa sorte!

  4. Renato Silva
    27 de janeiro de 2017

    A primeira frase parece não bater com o restante do conto. Morreu um dos dois ou ambos sobreviveram? Quando um casal gosta de ficar juntinho, a cama costuma ser grande. Quando se evitam, a cama parece ficar pequena e começa a disputa pelo espaço (“Sai daí, que você está no meu lugar”). O texto é legal, as descrições são boas, você mandou bem. Só achei estranho algumas passagens que me deixaram confuso.

    Boa sorte.

  5. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Esse conto é prejudicado por alguns detalhes que o deixaram um pouco confuso. A minha interpretação vai no sentido de que as vezes as coisas nascem do nada, por acidente, ou então já existiam, mas afloram no calor de uma emoção muito forte, no caso o acidente. A partir daí, tudo é adrenalina, novidade, fogo. Depois de um tempo, a chama se esvai.

    Gostei do conto.

  6. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    Profundo! O modo como toda uma história é errada foi executado de modo brilhante. O jogo de palavras é incrível, abrindo caminho aos poucos para a nova situação que se descortina. Aqui temos também uma inversão de intensidade, pois o texto começa com uma velocidade ímpar de cenas e imagens, para no fim tornar-se introspectivo e dramático. Excelente!

  7. Jowilton Amaral da Costa
    27 de janeiro de 2017

    Bom conto. A felicidade do início do casamento é exacerbada por escaparem ilesos de um grave acidente antes do matrimônio. Depois o convívio e a pesada conclusão final, que compara um casamento desgastado com a morte. Gostei do tema e da forma como foi conduzido. Boa sorte.

  8. Tiago Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Um bom texto que procura nos fazer refletir. Apesar de ter conseguido passar bem sua mensagem, o texto não foi tão impactante quanto poderia ser. Faltou algo. Boa sorte no desafio.

  9. Sidney Muniz
    27 de janeiro de 2017

    S e eu não gostei de fato de algo, foi da imagem. Essa eu detestei, por mais que tenha sim a ver com o texto, apenas em relação ao acidente, entretanto o texto não trata disso, e sim de arrependimento e de relacionamentos.

    E u não tenho muito o que falar. É um conto que é até bem escrito, mas que não me convenceu em seu conjunto. Queria algo mais, nesse tipo de texto procuro uma emoção que não senti aqui. Entretanto a culpa não deve ser sua e sim minha, pois devo estar mais chato que o normal. Parabéns!

  10. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    27 de janeiro de 2017

    Olá Mike,

    Tudo bem?

    Sua verve é muito boa. Você desenvolveu um trabalho com palavras bem escolhidas. O conto tem poesia, e a paixão com que os personagens se entregam ao casamento é muito bem descrita, mesmo com tão poucas palavras.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  11. Gustavo Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Eu gostei muito, foi bem escrito, provavelmente vai para o meu top 20.

  12. Douglas Moreira Costa
    26 de janeiro de 2017

    A sua escrita é muito boa, gostei muito da narração, da descrição dos dias de farra e de como passou para o matrimônio e de tudo mais. A trama, no entanto, não passa nada mais. Parece que ficou perdida em algumas palavras faltantes. O final, apesar de ser bem escrito, parece solto, como uma frase que você quis colocar em algum lugar.
    Faltou uma conexão entre as partes do texto.

  13. Evandro Furtado
    26 de janeiro de 2017

    A estrutura narrativa, atuando no campo das metáforas, é muito bem construída. O desenvolvimento da trama, no entanto, deixa a desejar, com o final não contribuindo muito para causar impacto.

    Resultado – Average

  14. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    Um bom final mas o texto saiu meio confuso, escreves bem e a trama até pode ser boa, mas desenvolveste a história de um modo meio baralhado, talvez por quereres dizer muito e já estares no limite das palavras. Penso que tens aqui um bom conto para desenvolver já sem limites.

  15. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Entre as interpretações possíveis para esse conto, a que me faz mais sentido seria a de que o protagonista perdeu quem estava com ele no acidente e encontrou outra pessoa no hospital. O “fim de tudo” no primeiro parágrafo e “baixa” (no sentido de perda) do segundo parágrafo suportariam esse entendimento. Por outro lado, é possível que eles simplesmente tenham se conhecido através do acidade e a baixa seja em relação aos papéis do hospital. Há casos em que a multiplicidade de entendimentos agrega valor ao conto, quando ela é visivelmente intencional. Não tenho certeza se foi o caso aqui.
    Parabéns e boa sorte.

  16. krimer
    25 de janeiro de 2017

    Conto confuso sobre as dores de algo.

    Metade do tempo fiquei perdido.

  17. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Prezado autor@:
    Gostei da premissa da sua história, fazendo um paralelo entre o acidente e o casamento. E do desencanto dos dois, com a maneira com que as coisas se encaminharam. Acho que você soube dosar adequadamente a narrativa e a reflexão. Somente a palavra “baixa” me soou estranha. Seria a alta do hospital? Parabéns!

  18. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO de pé tapando o nariz para não entrar água. Não há risco, texto linear e dentro dos conformes. A frase final foi profunda como agulha de crochê no olho gerando certo IMPACTO existencial. Perdas, perdas…

  19. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    O que mais gostei foi do tom cômico, coisa que dificilmente se vê em histórias de casais. Parabéns e boa sorte.

  20. Fheluany Nogueira
    24 de janeiro de 2017

    A primeira frase cria a expectativa de que os personagens morreram no acidente, mas não; casaram-se e tiveram momentos de amor e alegrias. Agora estão separados e lamentam ter escapado da morte? O significado do título seria que era preferível ter morrido naquele acidente do que suportar a dor da separação? Bem pouco valor é dado à vida. Ficaram estranhas essas ideias ou, talvez, a construção da trama. Apesar disso, bom trabalho. Parabéns pela participação. Abraços.

  21. Fabio Baptista
    23 de janeiro de 2017

    Bom… mais um texto confuso no desafio. O que entendi: o casal se acidentou, escapou da morte e depois se casou. Com o passar do tempo, as coisas “esfriaram” no casamento.

    É meio contraditório com a primeira frase, pois ali dá a entender que morreram.

    Enfim… a reflexão até que é boa, mas infelizmente o jeito de contar não conseguiu dar o impacto necessário.

    Abraço!

  22. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Gostei principalmente da frase final, mas a primeira frase do texto me deixou em dúvida da ordem dos acontecimentos. Pelo que entendi do conto, eles escaparam da morte física, porém o relacionamento foi morrendo pouco a pouco. Se foi isso, ideia bem interessante. Valeu pela reflexão!

  23. Leo Jardim
    22 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): se conheceram no hospital, se apaixonaram, casaram e depois vivem o marasmo do casamento, é isso? Sei que muitos pensam nisso, vivem uma depressão de uma vida triste, mas não é motivo para preferir ter morrido.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): achei muito boa, a parte depois do hospital ficou muito interessante, com pouca palavras contou bastante coisa.

    💡 Criatividade (⭐▫): fala de um tema corriqueiro.

    ✂ Concisão (⭐⭐): usou bem as palavras disponíveis.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): não dá dizer que é um texto arrebatador, mas gostei dessa reflexão, apesar de achar um pouco exagerada.

  24. juliana calafange da costa ribeiro
    22 de janeiro de 2017

    boa sacada. A gente pensa q eles morreram, mas não, são apenas “mortos-vivos”. Ah, os dramas do casamento… Se pudesse, tinha fugido do altar como o Bentinho Machado, do conto Votos Eternos! Rsrs. Muito bom seu texto, o elemento surpresa é compensador, parabéns!

  25. Eduardo Selga
    22 de janeiro de 2017

    Estavam juntos no mesmo carro acidentado e, tendo escapado, desenvolveram relação amorosa e se casaram? Estavam em carros distintos no acidente e se casaram após terem sobrevivido? A depender dessas respostas o sentido da narrativa muda: No primeiro caso, seria a recuperação de um amor, que aos poucos se esvai; no segundo, o nascimento de um amor. Mesmo assim, não é mais importante um ou outro sentido quanto o fato de que, seja no primeiro ou no segundo caso, temos a morte desse amor por inanição.

    O tema é cansado, mas não está de todo exaurido. Aqui, por exemplo, a péssima qualidade do relacionamento leva ambos os personagens, por intermédio de um narrador que traduz os sentimentos deles, não à vontade de morrer ou fugir, e sim à inferência que já estão mortos, interiormente. De modo subliminar há a dedução de que talvez fosse melhor ter morrido antes, no acidente.

    Observe-se que não é uma revolta com o destino (se é que isso existe), ou com a instituição matrimônio. Antes, é uma reflexão conformada de seres conformados pela tristeza.E não é dela ou dele: é de ambos. Nisso, ao menos, estão juntos.

  26. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Não, não houve uma morte física. Pior, talvez: morte de amor, de sentimentos, de algo bom que nasceu de uma situação complicada e que se perdeu… Ou seja, morreu. Um bom jogo de palavras, que leva o leitor a pensar, e lendo apenas uma vez, ou se não se preocupar com “aquelas palavrinhas ali”, leva a compreensão para outro rumo. Muito bom!

  27. Anorkinda Neide
    21 de janeiro de 2017

    Quero crer que eles nao se conheciam antes do acidente, vieram a conhecer-se no hospital, casaram, tiveram um vida feliz..depois de muito tempo, o casamento desgastou e o pensamento é: se pudesse voltar atrás, queria ter morrido no acidente ao inves de ver o relacionamento morrer aos poucos? ahhh valha-me!
    e os anos felizes nao valeram nada? como disse o Leandro, acho.. divorcia e volte a viver, uai!
    talvez a interpretação correta nao seja esta, visto que o autor desabafou um incept, ae embaixo… mas azar.. hauhiua alias o desabafo está muito melhor escrito do que o microconto em si.
    abraço ae.

  28. andressa
    21 de janeiro de 2017

    Interessante a forma da narrativa, porém a comparação do fim do casamento com a morte um pouco pesado. Mas uma boa leitura! Boa sorte!

  29. Benjamim Boaventura
    21 de janeiro de 2017

    Reflexão mais do que válida no final. Parabéns.

  30. Priscila Pereira
    20 de janeiro de 2017

    Oi Mike, não sei se entendi totalmente o seu conto, está muito confuso, no primeiro parágrafo dá a entender que eles morrem, depois a história continua legal… mas será que comparar a morte do casamento com a morte física não é demais?? Desejo boa sorte para você!!

  31. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Ideia interessante. A forma de narrar direta e simples, original na escolha de certas palavras, a divisão dos parágrafos contribuindo para o movimento, começo, meio e um final rápido e bem trabalhado. Mas fiquei presa a um detalhe que, para mim, prejudicou um pouquinho o resultado final: no primeiro parágrafo, a expressão “fim de tudo” foi muito definitiva para o que na verdade continuou a acontecer e, no último, talvez um “ter escapado da morte” fosse mais coerente do que “escapar da morte”…

  32. Cilas Medi
    19 de janeiro de 2017

    Bem definida a tristeza após a morte de um(a) querido(a) parceira. A festa sempre será lembrada, mas, nesse caso, com a continuidade imersa em solidão. Bom conto.

  33. Srgio Ferrari
    19 de janeiro de 2017

    A comida de hospital tbm mata. O que não mata, né? Parece comercial do Governo Federal nos anos 90. Tipo aqueles DROGAS? NEM MORTO hahaha….afff…não pode ser um elogio essa comparação….ou pode?

  34. Felipe Alves
    19 de janeiro de 2017

    A primeira linha entrega a surpresa, mas mesmo assim há de se notar o foco do texto. Incrível jogo de palavras e retrato cotidiano. Boa sorte, até agora é um dos meus favoritos!

  35. Tom Lima
    19 de janeiro de 2017

    Fiquei confuso a maior parte do tempo. Reli algumas vezes e, parece, que um casal sofre um acidente( juntos ou separados não ica claro, mas prefiro pensar que separados e se conhecem no hospital), se aproximam durante a estadia no hospital, vivem juntos e felizes, por um tempo. Ai, quando o amor acaba, eles se perguntam se valeu a pena sobreviver. O que me faz ficar com raiva deles! 🙂

    Só ficou a impressão de que foi um pouco confuso demais, muito provavelmente por causa do limite de palavra, já que é uma ideia grande.

    Boa sorte.

    Abraços.

  36. Thayná Afonso
    18 de janeiro de 2017

    Descobri pelo menos duas possíveis interpretações, no início achei que um acidente pudesse tê-los unido e outro acidente tê-los separado (morte), mas seria muito azar, né? A outra possibilidade que imaginei é a de que o relacionamento foi se desgastando com o tempo, nesse caso, a morte seria metafórica. Só salientando que o título é redundante, mas gostei bastante do conto, muito bem escrito. Parabéns!

  37. Amanda Gomez
    18 de janeiro de 2017

    Olá!

    Olha, eu demorei um pouco pra entender o que realmente aconteceu aqui. Uma vez entendido (acho eu) eu não sei se curti muito, o personagem me irritou. Não me identifique com as dores dele. Sofreu um acidente, encontrou um amor, a vida passou o amor acabou é, ele volta a fita e se lamenta do que viveu e preferia ter morrido? Ou vive de lamentos… enfim.

    Bem, não me causou empatia. Embora tenha algumas construções legais es está bem escrito… as dicas jogadas ali e acolá e o leitor que trate de achá-las. Curti isso.

    Boa sorte no desafio.

  38. Felipe Teodoro
    18 de janeiro de 2017

    Oi!

    Um conto bem reflexivo e que conta uma história muito maior do que o imaginado quando se olha, antes de ler. É um resumo de vida ou vidas, é o olhar para trás e tentar reduzir todos os sentimentos em poucas palavras. Eu gosto dessa tentativa e dos pensamentos que ela nos trás, porém como enredo, sinto que as coisas ficaram um pouco corridas, claro que você tinha pouco espaço, mas me parece que falta organização aqui, nesse turbilhão de sentimentos. Outro ponto, será que a palavra correta para esse contexto é “escapar da morte”, acho que cabe uma reflexão não? Seguimos sobrevivendo a morte, mas morrendo de muitas outras formas.

    Parabéns pelo trabalho. E boa sorte no desafio.

  39. Mariana
    18 de janeiro de 2017

    Falou mais sobre o meu momento do que eu queria ouvir. Bom conto, muito bem escrito. Parabéns

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .