EntreContos

Literatura que desafia.

Semáforo (Wender Lemes)

semaforo

Faz calor, muito calor.

Sinal fechado, sanidade escorre pelos poros. O display de calçada, monótono e compassado, ora explicita minha urgência, ora mostra um embaralhado de segmentos. Termômetros que nunca funcionam, nem precisam. Faz calor, é óbvio!

– Vai um picolé aí, moço? – ignoro, fecho o vidro e espero. Ouço a criança riscando minha lataria.

Sinal aberto, as buzinas avisam – óbvias. Contorno o quarteirão, estaciono e desço.

O display, pasmo com a cena que se segue, atrasa-se alguns segundos. Olha para um lado, para o outro – ufa!!! Ninguém percebeu.

– Dois de limão, por favor.

-…?!

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91 comentários em “Semáforo (Wender Lemes)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom, recorte cotidiano, tom leve, sem nada de mortes ou viagens no tempo (como muito temos visto por aqui, rs). Boa sorte!

  2. Roselaine Hahn
    27 de janeiro de 2017

    Muito interessante o seu conto, dá margem para muitas interpretações, há quem não goste disso, eu particularmente gosto, finais abertos, o display como observador do cotidiano, ótima narrativa. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Gostei do conto. Boa sorte!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Me remete a um fato cotidiano, mudou o ritmo sobre vida e morte que vinha aparecendo até então. Boa sorte!

  5. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Adorei essa prosopopeia! Isso se o narrador for o Display, claro. A parte em q ele fala das crianças riscando a lataria e o pedido do picolé dão a entender isso…
    Gostei muito dessa originalidade!
    Boa sorte!

  6. Poly
    27 de janeiro de 2017

    Gostei do texto que retrata um pequeno recorte do dia-a-dia. Não entendi bem o título, se quem realmente ‘participou’ da história foi o relógio-termômetro (se bem entendi). Gostei da parte final em que o que vi foi um erro do relógio e o alívio do personagem, como se ao ver o mostrador de um relógio atrasado ele mesmo não esteja mais atrasado .

  7. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Celsius,

    Tudo bem?

    Gostei muito de sua fluência. O texto é um recorte do cotidiano, em tempos de calor extremo a nos cozinhar o cérebro.

    O display como observador da cena é muito bom, poderia até ser o narrador.

    Não sei se captei o todo da história, mas também não sei se havia algo para se captar, ou se você quis somente fazer um retrato do momento mesmo. Esses pequenos delays que temos no dia a dia em pleno verão e o caos da cidade grande.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  8. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Um bom conto. O calor tava tão brabo no conto que queimou mus neurônios. Primeiro eu achei que quem havia pedido os picolés de limão no final fora o display. indignado, naquele calorzão, vendo o cara dispensar a guloseima. Depois entendi que o display atrasou alguns segundos e aí o cara teve uma nova chance de se refrescar e pediu o picolé. Me perdi um pouco mas, gostei. Boa sorte.

  9. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Eu não vi nenhuma viagem no tempo, como a turma tá falando aqui. Mas teve viagem no tempo, o menino do picolé deve ter percebi algo. Aquela última “fala”, que apenas expressa uma grande surpresa, parece ser a do garota que não entendeu a do cara; primeiro ele se recusa a comprar um sorvete, depois ele do nada ou saiu de algum lugar que ele não percebeu. O conto tá bom, pena que eu não entendi. A minha reação após terminar de ler foi a mesma:

    ?!

    Boa sorte.

  10. Tiago Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Curti muito seu texto. Bem escrito e com ótimas descrições para nos passar a sensação do calor infernal. O display que retrocede um pouco o tempo caiu bem nesse contexto. Ele ficar pasmo com a cena que se seguiu me fez entender que talvez, quando desceu do carro, o cara pode ter brigado com o moleque e poderia acontecer o pior. O display retrocedeu e evitou isso. Muito bom, parabéns.

  11. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    O autor foi muito competente em criar a atmosfera infernal juntando calor, trânsito caótico e luzes insuportáveis. Tudo com muita dinâmica e simplicidade.
    Para arrematar o conto usou um recurso muito interessante ao não escancarar o que ocorre na cena. Nesse sentido, conseguiu despertar no leitor a curiosidade.
    Ao descrever a cena o autor foi muito feliz, fosse um filme a coisa toda seria fácil de ser feita, mas sem qualquer impacto. Por essa razão, penso o conto está acima da média e que até as repetições (provavelmente propositais) empurraram a história para frente, sem display.
    Parabéns.

  12. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    texto leve e sem grandes pretensões, de leitura interessante, mas que precisava de algo mais que a simples descrição que faz

  13. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Me parece que o display se tornou um objeto animado ao final do texto pra dar uma carga de sarcasmo ao texto, para enfatizar a cena que se passou ali (que eu sinceramente n sei se entendi. Achei que fosse uma morte. Ou só o cara comprando picolé msm), e se foi isso mesmo, eu gostei, é uma forma de dar mais ênfase aos elementos apresentados, eu costumo usar bastante.
    Quanto ao resto do conto, é bem fluido; Achei bem escrito e, até aquela ultima parte, não causa confusão. É um conto bom.

  14. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do modo como a narrativa se apresenta, o texto flui naturalmente e até criei empatia pelo personagem. Mas… Quando li pela primeira vez, entendi que o display tinha ganhado vida (oi?) e pedido os picolés. Nossa, viajei. Hahaha Então li alguns comentários e voltei ao texto. Ah, verdade, o lance dos segundos voltarem… parece que o personagem faz o tempo voltar de alguma forma, mas só pra comprar os picolés? Por que não comprou antes?

    A mudança de primeira para terceira pessoa creio que tenha sido apenas um erro de digitação (olha – olho), por isso eu havia pensando que era o display comprando picolé. Achei uma história criativa e divertida de se ler, e sua narrativa me seduziu.

  15. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Com certeza, não se trata de um autor paulista, ou o título deveria ser “Farol” rsrsrs. A propósito, a imagem do display se confundiu com a noção de semáforo, que é o sinal de trânsito, e trouxe uma certa dissonância cognitiva a esse burro leitor aqui… Mas eu gostei da narrativa, e principalmente da inversão da expectativa ao final da história. Parabéns!

  16. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Ola! A questão das perspectivas me deixou encucado nesse conto. Aparentemente, a partir do momento em que o protagonista desce do carro, acontece alguma coisa (não tenho certeza sobre essa teoria da viagem no tempo… não tenho certeza se saem todos vivos da situação, para ser sincero) e o foco muda do narrador personagem para um narrador em terceira pessoa, conforme comentaram, como uma mudança de câmeras em filmes. Creio que caberia algum tipo de separação ali, se foi esse o caso – não deixaria de ser um pouco confuso, mas organizaria melhor.
    Parabéns e boa sorte.

  17. Victória
    24 de janeiro de 2017

    Poxa, parece ser super interessante! Infelizmente, me junto ao pessoal que não entendeu de primeira – se for a ideia de viagem no tempo, muito legal… Pena que ficou confuso, né?

  18. Simoni Dário
    24 de janeiro de 2017

    Só faz sentido se for viagem no tempo mesmo. É interessante, palavras bem colocadas, autor criativo, mas ficou uma história meio insana, só para ter 99 palavras, sem grandes conteúdos. Não é ruim, é só o conto pelo conto.
    Bom desafio!

  19. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    E se não tivesse a foto, todos saberiam o que é display? Confusão a vista. Uma utilização arriscada, posto que não é denominação cotidiana de ninguém, creio. Então, começa mal por aí. Abrçs.

  20. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Pela ideia de atraso no relógio, há uma *pequena* sugestão que possa ser viagem no tempo. Mas até aí, em Arquivo X quando os relógios atrasam alguns minutos é sinal de abdução. Isso acabou ficando um pouco sem resposta. Gostei muito da ambientação do conto, de como usou o relógio da rua pra falar do calor. Achei muito boa! O desenrolar na verdade deu uma enrolada no final. Imaginei que ele simplesmente estacionou o carro e voltou pra comprar o sorvete, mas surgiram tantas teorias da conspiração que me perdi. O conto é em primeira pessoa e nesse momento me confundi um pouco: “O display, pasmo com a cena que se segue, atrasa-se alguns segundos. Olha para um lado, para o outro – ufa!!! Ninguém percebeu.”. Quem olha para um lado e para o outro? Parece que foi o display. Se for o narrador, a mudança para terceira pessoa foi um erro ou proposital? Pra passar a imagem de alguém de fora?

  21. Eduardo Selga
    24 de janeiro de 2017

    A narrativa comete alguns pecados que comprometem a sua legibilidade. Por exemplo, apesar de em todo o seu percurso ele não apresentar discurso que o insira no insólito, próximo ao desfecho, estranhamente, temos a informação de que o display, um objeto inanimado, olha para os dois lados da rua ou da calçada.

    Como todo o texto vem escrito em primeira pessoa, e nesse ponto passa para terceira. é possível que “olha para um lado, para o outro […]” seja falha de revisão. No caso, um escorreu altamente prejudicial à compreensão textual.

  22. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Celsius, aqui também faz um calor daqueles!

    Até ele contornar o quarteirão ficou bem claro, depois a personificação do semáforo espantado com o retrocesso dos segundos, me fez entender, assim como os demais, uma breve voltinha no tempo, não por apenas um picolé, mas para evitar o risco na lataria (ainda mais se for um DeLorean), afinal, para que resolver tudo no tapa, né? É só voltar no tampo rs

    Ou tava muito calor mesmo, e ele só imaginou voltar no tempo, se refrescar e evitar o arranhão.

  23. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    Um MERGULHO no mar talvez te ajudasse a recuperar a sanidade. A premissa do jogo com o tempo foi interessante, mas a execução deixou a desejar e IMPACTAR. uma atenção maior ao último parágrafo teria salvo vidas.

  24. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Ele consegue viajar no tempo!!

    Ao menos foi o que me pareceu. Ele estaciona e volta no tempo, arrependido (na verdade, mais irritado por ter sua lataria arranhada) e pede os picolés. Ou isso, ou o conto expressa a vontade que o protagonista tinha de poder fazer isso.

    O conto fecha com uma linha um tanto inútil, com reticências e exclamação-interrogação que não entendi o significado, a não ser o fato de expressar bem o meu semblante quando terminei de ler o conto, rs.

    O cotidiano (especialmente do Rio de Janeiro em dias recentes) é muito bem explorado aqui, desde o termômetro que não funciona até o desgraçado do motorista de trás que buzina pra avisar que o sinal abriu.

    Gostei da sua escrita. Ela flui bem e expressa bem a agonia do calor insuportável, especialmente quando você está dentro de uma lata sem ar-condicionado.

  25. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Vi os comentários, pra mim funcionou se a ideia for viagem no tempo mesmo.
    O cara desce do carro porque ia descer mesmo, chegou ao seu destino e , então volta.

    Eu até gostei, mas tenho problemas com viagem no tempo. Aqui, por exemplo, de repente ele esta de volta no carro? Fica estranho, e impossível dar sentido e explicações sobre isso com esse limite. Mas me pareceu a forma como se dá a viagem no tempo no jogo Life is Strange.

    Mas ainda apode ser a personagem, com a sanidade escorrida, imaginando o futuro quando vê o garoto vindo…

    Enfim, gostei.

    Abraços.

  26. Pedro Luna
    24 de janeiro de 2017

    Sem crueldade eu confesso que queria comentar apenas: “-…?!”, mas não farei isso.

    Bom, não posso dizer que entendi. Sei que algo aconteceu quando o cidadão contorna o quarteirão, envolvendo viagem no tempo (já que ele pede o picolé que antes havia negado), mas a ação com o Display bugou tudo e perdi o fio da meada. Não rolou.

  27. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    O começo esta bem escrito e me agradou bastante, mas depois me senti terrivelmente perdida. De qualquer forma, gostei muito do uso das metáforas. Calor às vezes é algo agonizante, gostei de como você descreveu isso. Boa sorte!

  28. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Faço coro com o pessoal que não entendeu. Fora isso, a metáfora sobre calor que engole, nesses infernos das grandes cidades, está muito bem escrito.

  29. Gustavo Aquino Dos Reis
    23 de janeiro de 2017

    Celsius,

    sinto muito, de verdade. Sanidade está escorrendo pelos meus poros enquanto tento, inutilmente, compreender a obra que você criou.
    Ela está bem escrita, com uma boa construção de frases.
    Porém, me faltou criatividade para imaginar o que se passa na cena.
    Falhei com você.

    Boa sorte.

  30. Evandro Furtado
    23 de janeiro de 2017

    Acho que perdi alguma coisa nessa trama. Me pareceu um pouco confusa no final. Gostei no entanto das metáforas utilizadas ao longo do texto.

    Resultado – Average

  31. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Esse foi o conto que comentei no grupo no Facebook. Não entendi patavinas, daí nos comentários vi uma sugestão sobre viagem no tempo.

    Relendo, com essa ideia de viagem no tempo na cabeça, até que faz algum sentido, mas, de qualquer forma, sendo isso ou não, apesar da boa cena cotidiana, acredito que o(a) autor(a) tenha falhado ao transmitir a ideia com clareza.

    Abraço!

  32. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Se aquele final for o display comprando picolé, merece essa nota rsrsrs

    -Construção(7,0): Gostei da ideia proposta, mesclando real e surreal com uma linha tênue. Eu alteraria alguma coisa no final da história para deixar claro que o display se levantou e pediu os picolés, visto que muitos não entenderam o conto. Tá, eu posso estar fazendo julgamento errado também e não ser nada disso…

    -Apego(7,0): Um conto que brinca com o leitor, principalmente porque não se sabe o que é real e surreal.

    Boa sorte!

  33. juliana calafange da costa ribeiro
    22 de janeiro de 2017

    Não entendi. O narrador é o cara do carro, narrando em 1ª pessoa. A cena se desenvolve muito bem até “Contorno o quarteirão, estaciono e desço.” Daí ocorre algo inusitado: “O display, pasmo com a cena que se segue, atrasa-se alguns segundos. Olha para um lado, para o outro – ufa!!! Ninguém percebeu.” Pergunta 1: Qual é a cena que se segue e faz até com q o relógio atrase? Pergunta 2: Quem está contando isso é o narrador. Se o narrador é o cara que desceu do carro, ele está vendo o display propositalmente atrasar o relógio? Pergunta 3: não fica claro quem é q pede os picolés. O narrador? O display q ganhou vida, atrasou o tempo rapidinho pra tomar 2 sorvetes? Não é tão impossível, já q o display estava até confuso pra mostrar quantos graus Celsius fazia naquele dia quente. Achei leve, divertido, clima de crônica dos nossos dias de verão. Mas o que me corta a onda é esse monte de dúvidas q ficam no fim (e parece até q o autor Tb ficou na dúvida, pois termina o texto com um “-?!”). Sugiro reescrever esse finalzinho, pra deixar um pouco mais claro seu foco narrativo e mais visível o seu desfecho. Parabéns.

  34. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    haha, bom final! Na primeira leitura, que foi rápida, não compreendi. Ou fiquei esperando mais, talvez, porém é um conto do cotidiano, que reserva uma boa surpresa para finalizar o conto. Confesso que ri imaginando a cena. Terá sido essa uma cena realmente acontecida? Depois me diz se é! No geral, uma boa leitura! 😉

  35. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Um display que viu um cara, sagaz, esperto e mau humorado com o calor, fazer um gesto digno, primeiro para aplacar a sede, depois para demonstrar que nem sempre vale a pena discutir erros alheios. Gostei do final. Parabéns! Boa sorte!

  36. Fheluany Nogueira
    21 de janeiro de 2017

    Pensei que o motorista havia estacionado para brigar com o moleque, mas não, queria mesmo era refrescar-se com os picolés… Surpresa! Só não entendi o papel do display. Falha minha. De qualquer forma um bom texto, que quebrou as filosofias, as reflexões sobra morte e vida; e, de gorjeta, deu uma lição de moral. Parabéns, abraços.

    Ops! Celsius, o pseudônimo, seria referência à unidade de temperatura?

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .