EntreContos

Literatura que desafia.

CTRL-X (Daniel Reis)

img_0276

CTRL-X (Narcopunk)

Nanocomprimidos nucleares revestidos (50 mg).

A embalagem pode incluir entre 28 e 31 unidades, de acordo com o mês de referência para distribuição do lote.

 

COMPOSIÇÃO

Cada nanocomprimido do CTRL-X (50 mg) contém:

−  Dietilamina acetílica sintética: 48 mg (equivalente ao extrato de 0,03% da concentração da pasta-base original);

−  Excipiente q.s.p.: fosfato de cloro tri-hidratado, neoglifosato, corante laranja crepúsculo fluorescente, peróxido de titânio e outras substâncias diversas, todas sob patente restrita e de distribuição exclusiva pelos Ministérios de Segurança Nacional (Forças Armadas, Ministério do Controle e do Ministério da Saúde e Epidemias). Direitos reservados. Qualquer tentativa de análise ou reprodução deste composto químico por indivíduo não-autorizado representa um ato de lesa-pátria.

 

INDICAÇÕES

CTRL-X deve ser administrado, compulsoriamente, para supressão e controle de sentimentos, sensações e experiências pessoais armazenadas no córtex pré-frontal. Seu efeito consiste no recorte químico de blocos (chunks) de memórias individuais recorrentes, comportamentos socialmente inadequados, episódios de rebeldia ou outras intercorrências como demonstrações de inquietude, incompreensão ideológica ou questionamento da doutrina previamente estabelecida.

Uma vez iniciado o tratamento, a continuidade no uso do CTRL-X pelo paciente torna-se obrigatória até o fim de sua vida útil; o consumo não pode ser suspenso sem autorização, por escrito, e somente será recomendado após avalição de um especialista governamental devidamente credenciado junto aos Ministérios competentes.

 

USO ADULTO E PEDIÁTRICO – DEVE SER MINISTRADO IMEDIATAMENTE APÓS O PARTO, MEDIANTE REGISTRO ELETRÔNICO. O CONSUMO, A PARTIR DA PRIMEIRA DOSE, DEVERÁ SER PERMANENTE, SEM FALHA, ATRASO OU OMISSÃO, ATÉ O FIM DA EXISTÊNCIA INDIVIDUAL. INGESTÃO POR VIA ORAL, QUANDO ESPONTÂNEA. OU, NOS CASOS DE RESISTÊNCIA REITERADA AO TRATAMENTO OBRIGATÓRIO, DEVE SER DISSOLVIDO E INJETADO VIA MEDULAR, POR PUNÇÃO LOMBAR, OU INTRAOCULAR, SEMPRE SEM ANESTESIA.

 

AÇÃO ESPERADA DO MEDICAMENTO

O funcionamento do CTRL-X é bastante rápido e não necessariamente indolor, observando-se sua eficácia praticamente de forma imediata após a ingestão, que deve ser sempre supervisionada por um fiscal de saúde. Cada dose fica registrada nos postos de fiscalização, mediante comparecimento diário e backup das memórias removidas para análise da reprogramação do paciente.

Uma vez ingerido, o CTRL-X atua no recorte dos pensamentos considerados inapropriados, remanescentes na memória imediata ou de longo prazo do cidadão.  A seguir, transfere-os, quimicamente, para a área de descarte central do lobo parietal, de onde são imediatamente transferidos para uma unidade de armazenamento externa. Essa unidade deverá ser enviada para análise diária no Ministério do Controle Social, enquanto a área de descarte somente se regenera ao longo da próxima ocorrência do sono fisiológico.

Eventualmente, a critério do fiscal de saúde responsável, o paciente deverá suspender a utilização deste medicamento, em caráter provisório, para ingerir  o composto CTRL-C, recomendado nos casos em que seja necessária somente a pesquisa de opinião ; ou o CTRL-V, indicado para inserção subliminar de ideias e aprendizagem acelerada dos princípio governamentais e morais estabelecidos pelo Grande Líder.

 

POSOLOGIA

CTRL-X deve ser administrado em dose única diária, pela manhã, no Centro de Controle mais próximo à residência do cidadão. Os nanocomprimidos nucleares são revestidos por cápsulas fosforescentes, que são absorvidas mais facilmente se houver a ingestão concomitante de, pelo menos, 200 ml de líquido amniótico.

 

METABOLIZAÇÃO

O princípio ativo do CTRL-X é metabolizado pelo fígado, pâncreas e rins. A excreção do fármaco pela urina acontece de forma bastante significativa, o que facilita a comprovação obrigatória da ingestão das dosagens diárias, seja por meio dos exames pré-agendados, ou por diligências policiais realizadas, esporadicamente, em determinada amostragem da população.

 

CONTRAINDICAÇÕES

CTRL-X pode ser contraindicado para pacientes com histórico alérgico a qualquer componente da fórmula, hipersensibilidade a situações de conflito ou que apresentem alto grau de inconformismo crítico; nesses casos, a submissão dolorosa ou lobotomia podem ser considerados como procedimentos clinicamente bem mais eficazes e recomendáveis. O uso concomitante do CTRL-X com drogas lícitas ou ilícitas, mesmo sendo tolerado pelas Forças de Controle e Repressão,  não se faz recomendável, sobretudo se as referidas substâncias estupefacientes não procedam dos laboratórios estatais, ou ainda apresentem adulteração em suas embalagens ou nos selos do controle de qualidade das Centrais de Distribuição Farmacológica Gratuita.

Em alguns casos, observa-se a recorrência de episódios de raciocínio disruptivo e/ou manifestações anticonformistas, os quais, quando não revertidos mediante aumento da dosagem do CTRL-X ministrada, podem ensejar os procedimentos de supressão existencial. Em situações correlatas, o paciente poderá ser eutanasiado imediatamente após o julgamento sumário, em sessão transmitida ao vivo pelo Ministério da Justiça e Vingança.

 

ADVERTÊNCIAS

Associação com inibidores de comportamento: casos de reações graves, algumas vezes fatais, foram relatados pelo uso associado de CTRL-X a inibidores de timidez ou supressores de vergonha. Nesses casos, a ingestão dessas substâncias, em geral com objetivos expansivos, provocou reações de súbita euforia ou episódios de distração com raciocínio lógico concatenado, associadas a outras atitudes classificadas pelo Código Nacional como inaceitáveis. Recomenda-se cautela em caso de uso dessas substâncias, e estrita vigilância das forças policiais sobre esses usuários.

 

Ativação de mania/hipomania: nos estudos prévios, hipomania ou mania ocorreram em aproximadamente 0,4% dos pacientes tratados com o CTRL-X.  Alguns casos apresentaram sintomas semelhantes ao Complexo de Guevara, incluindo: messianismo, violência exacerbada, insatisfação com os rumos da Revolução, reclamações em postagens nas redes sociais ou outras atitudes incompatíveis com o exercício da cidadania conformada.

 

REAÇÕES ADVERSAS

Durante o programa de desenvolvimento da fórmula, 18.000 tentativas de exposição ao CTRL-X apresentaram reações adversas (0,2% do total de prisioneiros submetidos ao tratamento – aproximadamente 9 milhões de usuários do sistema carcerário estatal e privado). Pelo menos 12.500 desses pacientes eram adolescentes, a maioria com transtornos de obediência e/ou com histórico familiar de resistência à autoridade. Nenhum deles sobreviveu. Os demais, adultos, apresentaram notórias sequelas e incapacidades irreversíveis e foram sumariamente descartados, após os testes, assim como as fórmulas e os cientistas ineficazes.

 

Suicídio

Uma vez que a possibilidade da tentativa de suicídio permanece inerente à condição humana, independente da legislação promulgada, e pode persistir,  latente ou manifesta, mesmo com o uso obrigatório do CTRL-X durante toda a vida, o governo e seus Ministérios não devem tolerar atitudes antipatrióticas. Portanto, usuários inclinados a essa contravenção devem considerar que penalidades incidirão sobre seus grupos familiares e/ou responsáveis legais. Tal será feito mediante o incremento da dose do CTRL-X ministrada aos mais próximos do traidor, de forma a evitar contágio e reincidência dessa atitude numa mesma célula social.

 

Uso em Pacientes Previamente Lobotomizados

A ingestão do CTRL-X pode ser continuada em pacientes que já foram previamente lobotomizados, ajustando-se, no entanto, a dose máxima conforme o nível de alienação diagnosticado pelo fiscal de saúde responsável.

 

Uso em Crianças:

A segurança e a eficácia do uso do CTRL-X foi testado em campos de concentração com pacientes pediátricos (de idades variando entre 0 a 12 anos). A administração do CTRL-X em pacientes entre 13 a 17 anos é mais complicada, mas em caso de ausência de resposta clínica, a dose pode ser subsequentemente aumentada em incrementos de 50 mg/dia, até 2.000 mg/dia, se necessário. Em uma experiência com pós-adolescentes, com sintomas recorrentes de comportamento disruptivo, o CTRL-X mostrou um perfil farmacocinético similar àquele observado em adultos recidivos.

 

Uso em Idosos:

A dosagem indicada para pacientes mais jovens pode ser utilizada em pacientes idosos. Porém, mais de 7 milhões deles, com idade superior a 45 anos, participaram de estudos obrigatórios com sobredosagem, experiência que demonstrou eficácia satisfatória no controle e supressão do grupo populacional desses pacientes.

 

Uso durante a Gravidez e Lactação

Estudos foram realizados em fetos abortado ou cultivados a partir de células-tronco, em doses de até aproximadamente 1.500 vezes o valor máximo diário previsto para um ser humano de verdade. Não se observou qualquer evidência de teratogenicidade; mas, a partir de aproximadamente 0,05 vezes a dose diária estabelecida (mg/kg), o CTRL-X já foi capaz de provocar apatia em fetos, inclusive quando precocemente separados de suas mães ou das unidades mecânicas de suporte à vida.

CTRL-X deverá continuar a ser usado, obrigatoriamente, durante toda a gravidez. Mulheres em idade fértil são incentivadas a empregar métodos para concepção múltipla, conforme orientação governamental, de forma a ajustar a oferta de mão-de-obra às necessidades produtivas do país. Não foram realizados estudos independentes sobre o efeito do CTRL-X no leite materno. Mas sua presença é notória nas emissões espermáticas, o que, portanto, recomenda cautela e moderação em sua ingestão.

 

Efeitos na Habilidade de Dirigir e Operar Máquinas

Fotógrafos, diretores de cinema e outros profissionais de imagem e/ou artistas, inclusive músicos, estão dispensados da ingestão do CTRL-X durante, no máximo, cinco dias que precedam sua escala de execução de serviços, conforme tabela de trabalhos forçados divulgada mensalmente pelo Ministério da Atividade. Isso se deve à necessidade de não interferir na capacidade psicomotora e na sensação de importância social desses profissionais, que devem representar o simulacro da democracia e da liberdade de ideias em veículos de propaganda oficial.

 

Interações medicamentosas

− Depressores e álcool: a administração concomitante da dose diária do CTRL-X com estuporomicina ou com álcool etílico destilado por meios ilícitos, principalmente em alambiques de cobre, pode potencializar os efeitos do medicamento, amplificando o estado de estupor e o comportamento bovino das massas. Portanto, deverão ser  também distribuídos de graça e à vontade, principalmente nas celebrações religiosas e comemorações cívicas.

− Lítiotripnomicina: em estudos placebo-controlados, realizados em prisioneiros, a coadministração do CTRL-X com LTP alterou significativamente a farmacocinética de absorção de ambas as substâncias; porém, em relação ao placebo, resultou em um número absurdo de suicídios autoinduzidos ou heteroinduzidos. Os pacientes que estiverem em tratamento com LTP, de forma concomitantemente à ingestão do CTRL-X, devem ser apropriadamente monitorados para não faltarem demais ao trabalho.

− Interações com outros fármacos: não foram realizados estudos  de outras interações medicamentosas com o CTRL-X, desde a repressão e supressão dos centros autônomos de pesquisa em farmacologia e psiquiatria.

− Terapia Eletroconvulsiva (TEC): a utilização de eletrochoques aparentemente otimiza o efeito e acelera a velocidade de absorção do CTRL-X, sendo indicado seu uso concomitante, principalmente, nos casos de sessões de tortura programada e interrogatórios dirigidos para confissões.

 

Reações adversas / Efeitos colaterais

− Sistema Nervoso Autônomo: saliva seca no canto da boca, batimentos cardíacos lentos e arrítmicos.

− Sistema Nervoso Central e Periférico: lapsos de memória alternados com rememorações (condição popularmente conhecida como Síndrome de Dory) – ou seja, mesmo depois de suprimida pelo CTRL-X, a lembrança nítida de alguns fatos regenera-se espontaneamente, de maneira reiterada e ainda não totalmente compreendida pela ciência.

− Sistema Gastrintestinal: dor abdominal, enjôo e vômito luminiscente.

− Psiquiátricos: agitação, sintomas de depressão eufórica, mania de grandeza, aumento da libido, impotência e bocejo.

− Visão: visão normal.

− Outros: foram relatados sintomas subsequentes à descontinuação do uso do CTRL-X, que incluem agitação, ansiedade, tontura, dor de cabeça, náusea e dúvidas existenciais.

 

Antídotos

Não existem antídotos específicos para o CTRL-X. Ou, mesmo que existam, não seriam divulgados nesta bula, obviamente.  Em caso de superdosagem, assegure ventilação e oxigenação adequadas. Filmes antigos e canções dramáticas podem ser utilizados como agentes catárticos para recuperação provisória de memórias previamente apagadas, as quais deverão ser, a seguir, totalmente suprimidas por uma lavagem cerebral minuciosa. Devido ao amplo espectro de distribuição do CTRL-X, a observação dessas ocorrências emocionais e nostálgicas vêm se intensificando, principalmente, entre os mais poéticos, sonhadores e desencantados.

 

“NÃO USE QUALQUER OUTRO REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DE UM REPRESENTANTE DO GOVERNO. A DESOBEDIENCIA PODE SER FATAL.”

Anúncios

86 comentários em “CTRL-X (Daniel Reis)

  1. Daniel Reis
    18 de dezembro de 2016

    Amigos: agradeço imensamente a todas as críticas, elogios e sugestões. Acho que o resultado, para mim, foi excelente – saí da zona de conforto, num estilo que conheço pouco, e a recepção foi muito gratificante.

    Aproveitando ideia que, acho, foi da Maria Santino, aqui vão uns detalhes dos bastidores desse texto: na verdade, eu tinha um outro conto punk em produção, um que eu estava reescrevendo há mais de uma semana. Inteiro, várias e várias vezes. E não estava contente com o enredo e o desenlace dele. Daí, na sexta-feira do prazo, fui pegar um remédio de uso contínuo, abri a caixa, e em vez do blister dos comprimidos caiu a bula na minha mão. Na hora me deu o estalo, porque o conceito do CTRL-X, que já existia, era o título provisório do outro conto, mas não estava encaixando na outra história. Como nome de remédio, parecia aquelas coisas “Composto de YYY”, Daí, pesquisei a bula na internet (fiz com base no cloridrato de sertralina mesmo, que era o remédio original), e fui lapidando os detalhes, até revisar e mandar para o Desafio, quando faltavam minutos para o fechamento do prazo. O Gustavo sabe que eu chamei ele messager pra ver se tinha chego no prazo, ansioso que eu estava, mas 15 minutos depois já estava aqui, devidamente postado.

    Mais uma vez, obrigado a todos, com um grande abraço e desejos de um 2017 de muitas realizações, entre leituras, escritas e Entrecontos.

  2. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): muito original e interessante. Mesmo sem uma trama, dá pra ver todo um mundo distópico nessa bula. Apesar disso, não pode-se negar que a trama (uma história passada dentro desse mundo) é inexistente.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): é boa, mas não dá pra ver alguns elementos como criação de cenas, narração e desenvolvimento de personagens.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): é, sem dúvidas, uma forma extremamente criativa de se escrever um conto. E merece ganhar pontos por isso.

    🎯 Tema (⭐⭐): apesar de não possuir uma história, dá para ver que existe toda uma distopia cybernarcopunk de remoção de memórias e isso o torna adequado ao tema.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): a falta de trama deixa o texto meio sem emoção, mas chegou a me arrancar uns sorrisos em algumas partes.

    ⚠️ Nota 7,5

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Leo, mas acho que a nota não reflete as estrelinhas…kkk. Brincadeira à parte, sem querer saber de peso na média, o que importa para mim mesmo é a percepção de ter impactado sua atenção e de ter sido lido criticamente. Um abraço!

      • Leonardo Jardim
        18 de dezembro de 2016

        Não é tão difícil entender a relação das estrelas com a nota, mas está última depende mais do desafio em questão e as estrelas são independentes dele.

  3. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Achei o conto divertido, apesar dele não contar uma história. Essa bula ficou bem escrita e imagino que você tenha pesquisado um bocado para escrever neste formato ou então é da área de saúde. Gostei do sarcasmo que permeio todo o texto. Pelo menos em originalidade, este empata com “Biscoitos de queijo”.

    Boa sorte.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Renato, agradeço imenso a leitura. Na verdade, não pesquisei muito, como a ideia veio em cima da hora, fui mais para o absurdo. Um abraço!

  4. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Não há como negar, é muito interessante e inteligente pra caramba! Gostei muito da relação das partes da bula com questões inerentes ao x-punk, foi algo muito criativo e que foi bom de descobrir na leitura. É muito bom ler coisas que fogem do lugar comum e estão bem escritas. No meu caso, o texto serviu também para um momento de estabelecer essas relações citadas no conto (?) com o que caracteriza o punk, foi um baita exercício e por isso te agradeço. Fiquei mesmo imaginando o medicamento sendo utilizado da forma como a bula indicava. Parabéns!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Bia, primeiramente obrigado pelos elogios e avaliação generosa. Eu percebi que você se conectou exatamente na história que passa ao fundo da leitura, pela imaginação. Inteligente é o leitor que consegue entender o que se passa longe do que está dito, mesmo que às vezes nem a gente tenha entendimento disso. Um grande abraço, e mais uma vez minha gratidão!

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    34. CTRL-X (Narcopunk): Nota 8

    Amigo Narcopunk,

    Devo dizer que não gostei muito do seu “conto”. Definições são sempre difíceis, como rótulos. Quer dizer, gostei e não gostei. Como é um formato diferente, tive um pouco de dificuldade de avançar na leitura, porém, ao mesmo tempo, achei extremamente criativo.
    Não acho que eu possa fazer nenhuma sugestão de melhoria. O seu texto está de acordo com a proposta que vc deu a ele, uma bula de remédios. Tmb gostei de como vc conseguiu ir dando lasquinhas de história e da realidade em volta do remédio a partir de trechos da bula. Realmente muito criativo. Quase doses homeopáticas de história?
    Acho que não há limites para a criatividade humana e o seu texto mostra exatamente isso.
    Repito que não gostei do formato. Mas que foi um formato adequado para a sua proposta. Tmb não acho que é um conto, mas ao mesmo tempo consegue contar uma história. No fim, não gostei, mas gostei. Tirei nota pelo formato, aumentei a nota pela criatividade.
    Seu texto me deu dor de cabeça, vc conhece algum remédio bom pra isso?
    Achei interessante.
    Parabéns!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Thiago, pela leitura e crítica. Pena que CTRL-X não serve pra dor de cabeça… mas espero que tenha passado. Também, acho que seria amargo demais receitá-lo para uma segunda leitura. Mas sou grato, de qualquer forma, pelo reconhecimento do esforço criativo. Um abraço.

  6. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: totalmente inovadora em relação ao que foi apresentado no atual desafio. Aparentemente, não há eixo narrativo, mas só aparentemente. Não notei erros em relação à técnica. Apesar da atmosfera punk, não sei se se enquadraria em alguma das variantes do estilo.

    Criatividade: sem dúvidas, está entre as escolhas mais criativas e arriscadas. Como disse, alguns podem se deixar enganar pela roupagem de bula, mas nota-se a narrativa perspicaz se materializando a cada tópico, um universo inteiro é criado através de prescrições e advertências. É genial.

    Carisma: não é uma leitura fácil, exige do leitor muito mais empenho que se desse a história mastigada em um formato usual, mas certamente é uma experiência admirável.

    Parabéns e boa sorte.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Wender, muito grato pela análise, tem uma frase no eu comentário que eu estou até pensando em usar na promoção do conto… agradeço o empenho na leitura e generosidade na crítica. Um abraço.

  7. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Nossa, seu conto tá fantástico! Em vários aspectos. Primeiro que adoro narrativa alternativa. Um conto numa bula de remédio? Já tem minha atenção de cara.
    Mas a atenção virou interesse quando percebi que tinha enredo implícito, e isso ficou excelente.
    A escrita tá impecável, e a pesquisa notavelmente perfeita.
    Só não gostei da ultima frase, mesmo. Achei que já tava implícito no todo, e não precisava do destaque. Mas isso não muda nada, claro, é só uma opinião.
    Enfim, parabéns pelo trabalho!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Luis Guilherme, a última frase é uma obrigação legal, inclusive tem que ser grafada em caixa alta. Eu só alterei de “NENHUM MEDICAMENTO DEVE SER DEIXADO AO ALCANCE DE CRIANÇAS” etc. para o que ficou ali. A meu ver, poderia burilar mais isso, sim, mas não dava pra omitir senão levava multa do governo. Abraço e muito grato pelos elogios e críticas.

  8. Marco Aurélio Saraiva
    15 de dezembro de 2016

    Que criatividade! Essa foi boa. Já aí merece um parabéns!

    Admito que, quando vi se tratar de uma bula de remédio, torci o nariz e quase parei de ler. Estava cansado e não queria “perder o meu tempo” lendo uma bula de remédio. Porém, você trabalho tão bem o texto, colocando vários detalhes interessantes, que resolvi continuar lendo.

    É claro que, mesmo sendo muito original e muito bem escrito, o texto ainda consegue ser um tanto monótono. Lá pela metade eu já estava bocejando e meus olhos ficavam vesgos de ler tanto termo técnico que eu não entendia. Aliás, parabéns pela pesquisa.

    Mesmo assim, o saldo, para mim, foi positivo.Criou-se um mundo nesta bula de remédio, o que tem que valer alguma premiação. GUSTAVO, DÊ UM TROFÉU PARA ESTE(A) AUTOR(A)!!!

    Alguns termos usados foram muito bons, como “Síndrome de Dory”, “Vômito luminescente” e “Ministério da Justiça e Vingança”. Fiquei impressionado em como você conseguiu tornar uma bula de remédio interessante. Parabéns!

    Destaque para o trecho abaixo. Genial!

    “Alguns casos apresentaram sintomas semelhantes ao Complexo de Guevara, incluindo: messianismo, violência exacerbada, insatisfação com os rumos da Revolução, reclamações em postagens nas redes sociais ou outras atitudes incompatíveis com o exercício da cidadania conformada.”

    Parabéns e boa sorte!

    PS: acredito que diversas pessoas vão criticar o seu texto por não tratar-se de um conto, principalmente por não ter personagens nem enredo. Eu não sei como classificar o seu texto, mas com certeza ele conta uma história.

    • Marco Aurélio Saraiva
      16 de dezembro de 2016

      Ah, esqueci de citar: a brincadeira com CTRL-X, CTRL-X e CTRL-V foi bem legal! =)

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Pisces, obrigado pela leitura e destaques. Realmente, o texto poderia ser um pouco mais curto, mas não tive capacidade nem tempo para distinguir isso. Um grande abraço e obrigado pela indicação a premiação. Na expectativa do ranking, agora, pra ver se chego mais perto de vocês no geral. Abraço!

  9. Waldo Gomes
    15 de dezembro de 2016

    Olha só, se fosse a metade da bula teria ficado ótimo… do jeito que foi restou um saco… se a intenção era jogar a bula do remédio fora, conseguiu…

    Mas ponto positivo pra criatividade dos sintomas.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado Waldo, espero não ter recebido metade da nota pelo dobro de texto hehehe. Abraço!

  10. rsollberg
    15 de dezembro de 2016

    CTRL-X (Narcopunk)

    Caro (a), Narcopunk.

    WOW

    Pqp, sem dúvida o conto mais punk desse certame. Na realidade, o texto mais ousado e inovador dos últimos desafios que participei. Uma mistura de genialidade e colhões. Imagino o autor com a bula de um remédio qualquer aberta ao lado do teclado, segurando uma imensa lupa e deixando a mente incompreendida viajar! Ou melhor, em algum site farmacêutico dando o Ctrl X e mandando para área de transferência, rs.

    Cara, sou louco por bula de remédio, por essa razão fui lendo a coisa toda e salivando. Prestando muita atenção, como se estivesse prestes a ingerir a droga.
    Olha que sacanagem em reações adversas; “aumento da libido, impotência”! E pior, visão normal é um efeito colateral, kkkkk!

    Essa passagem é muito foda: “amplificando o estado de estupor e o comportamento bovino das massas. Portanto, deverão ser também distribuídos de graça e à vontade, principalmente nas celebrações religiosas e comemorações cívicas.”

    A nova “justiça” brasileira iria fazer a festa se pudesse usar esse produto!
    Então, escritor. Não tenho muito mais o que comentar…. Seu conto é um colírio de originalidade nesse desafio com contos tão similares. Certamente é um dos meus preferidos e terá uma das maiores notas.
    A imagem do Dr. House também é pica das galáxias.

    Desejo sinceramente boa sorte no desafio e parabéns pelo trabalho.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Rafael, que nem eu disse no comentário do Fabio Baptista, esses comentários de vocês são de colocar na orelha do livro, quanto tiver um livro. Por enquanto, acho que vou usar no Facebook para atrair leitores pro Entrecontos. Um grande abraço!

  11. Jowilton Amaral da Costa
    15 de dezembro de 2016

    Esse texto é muito punk e original. Gostei. Só não acho que seja um conto. Posso está errado. Só minha opinião. Não vi nenhuma estória contada nas entrelinhas. É tipo um manual, uma bula mesmo. Tem muita ironia e sarcasmo e muita qualidade na escrita e uma criatividade elogiável. Não receberá uma nota baixa por eu não considerá-lo um conto, mas, também não será a maior de todas. Será uma boa nota. Boa sorte.

    • Jowilton Amaral da Costa
      16 de dezembro de 2016

      Só acho que não é um conto* corrigindo aqui o que quis dizer. hehehe.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Jowilton, na verdade é um “conto com a sua nota” kkk. Não pensei muito se era ou não, mesmo sabendo do risco, acho que valeu a pena mandar. Obrigado pela leitura, um abraço.

  12. Fil Felix
    15 de dezembro de 2016

    GERAL

    Não sei bem se poderia chamar de um “conto” bom, porque não tem uma narrativa aí. O formato é interessante, utilizar da bula do remédio pra mostrar o contexto social (e opressor) desta realidade. Acho que poderia ser chamado de “documento memória”, ou como obra de arte. Interpretar um determinado contexto histórico a partir de um objeto (no caso, a bula). São pontos que valem a leitura e dão certa identidade ao texto. Mas é um pouco cansativa, se arrastando lá pelo final.

    O X DA QUESTÃO

    Uma maneira diferente de retratar o X Punk, de mostrar uma realidade opressora, quase irreal, onde ninguém possui liberdade e o governo é fascista. Não há a menor importância de esconder isto na bula (se realmente for uma bula, onde as pessoas possam pegar e ler – e se for, estampando na cara delas a manipulação). Alguns pontos acho que tiraram o foco, como os complexo de Che e Dory, meio cômicos.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Fil, eu fiquei mesmo em dúvida com os comic relieves, mas preferi perder nota do que piadas. Talvez, com calma, eu suprimisse essas distrações, mas acabou indo assim. E concordo, pode ser mesmo considerada um pouco cansativa, talvez com uns parágrafos a menos… Abraços!

  13. mariasantino1
    14 de dezembro de 2016

    […] sua presença é notória nas emissões espermáticas, o que, portanto, recomenda cautela e moderação em sua ingestão. (?) sem comentários 😛

    Então, autor(a)! Seu conto é safo, é inteligente, irônico, recheado de críticas e pinta uma sociedade muito fodida. Minha nossa! “USO ADULTO E PEDIÁTRICO – DEVE SER MINISTRADO IMEDIATAMENTE APÓS O PARTO.”, ou seja, o cara já nasce para aceitar o sistema goela abaixo, por um trem que causa dor >>> O funcionamento do CTRL-X é bastante rápido e NÃO NECESSARIAMENTE INDOLOR. Achei ótimo a mistura de Admirável mundo novo (a droga SOMA era um inibidor de sensações) com 1984 (O Grande Irmão que no seu texto é o Grande Líder). É muita opressão sobre a sociedade que vc pintou, porque a pessoa tem que ir tomar a sua dose diária e ser vistoriada por um agente de saúde e ainda a urina pode ser requisitada para teste, bem como a avaliação >>> backup das memórias removidas para análise da reprogramação do paciente.
    Não tenho muito a falar, exceto que gostei da crítica quanto a passividade do ser humano quanto à politica e demais afrontas, algo que a mídia já vem fazendo, e gostei da forma que o texto foi criado, subjetivando a sua crítica e sarcasmo (falo como elogio), e mostrando o descaso. Achei fluido, ágil, mas admito que cansou um pouco já próximo do fim, porque as demais passagens não acrescentaram muito ao recado que já havia sido passado.

    Parabenizo pela criação e toma aí a minha nota DEZ (10).

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Maria Santino, obrigado pela leitura e pela defesa da história lá no grupo do Face (você, a Catarina Cunha, acho que a Bia também… sem falar do Fabio e do Zé Ronaldo, que declararam nota!). E concordo, para o desafio ficou um pouco maior do que eu queria, se tivesse sobrado tempo tinha cortado uns parágrafos. Muito grato, um abraço!

  14. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Hilário, sarcástico, um verdadeiro festival de absurdos, muito bem relacionado e confirmado, afinal, para aqueles leitores, fanáticos, que, em falta de leitura, na hora do vaso sanitário, pega bula de remédio. Surpreendente, com estilo voltado à loucura completa. Ótimo. Um Crtl X que não apaga, ao contrário, traz uma verdadeira aula de química, física e incompreensão do mundo maluco. Se não ganhar, vai ser por pouco. Um receituário em forma de conto. Esplendido, diferente, surreal. Nota 9,5.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Cilas, obrigado pela leitura. Fiquei lisonjeado com tanto entusiasmo, mesmo! Um grande abraço!

  15. catarinacunha2015
    13 de dezembro de 2016

    Tenho a impressão que esse remédio já está sendo usado endemicamente pela população mundial, travestidos de várias indicações diferentes: TOC, TA, hiperatividade, depressão, bipolar, neurose, ansiedade, etc. A expressão “amplificando o estado de estupor e o comportamento bovino das massas.” é simplesmente genial. Uma crítica contundente e muito punk. Parabéns pela ousadia.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Cat, com certeza você foi ao ponto central – essa não é uma realidade alternativa. Grande abraço!

  16. Pedro Luna
    13 de dezembro de 2016

    Olá. Achei bem interessante. Uma forma nova e divertida de escrever sobre “governos totalitários” e suas maneiras de criar zumbis que obedecem. Não me senti lendo um conto, e sim um texto criativo, que não empolga na leitura, mas acaba por prender a atenção pela estética aliada ao conteúdo. Aqui, repito, se houvesse somente a estética, a leitura seria um porre, mas o conteúdo, no caso a descrição de como o remédio acaba por ordenhar uma pessoa e ajudar o governo, ficou muito interessante. Também achei legal que vc realmente simulou bem uma bula, indo até os “riscos para gestantes” e “riscos para quem dirige”. Ontem mesmo li uma bula de um relaxante muscular e vi esses itens.

    Só não entendi como o remédio descobre quais sãos os pensamentos considerados impróprios para cortá-los. Mas isso não tem peso sobre a leitura. Achei bem legal. Parabéns.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Pedro, não tinha pensado nisso – como o remédio age sobre a mente. Acho que abriria um tópico “Aplicação Farmacológica” pra explicar isso, mas me parece que não tem muito impacto, senão até muito minuciosa a explicação de como tudo funciona – o que, aliás, foi um dos pontos que mais me incomodou em alguns textos do desafio, a necessidade de explicar como tudo funciona. Mas vai de cada um. Obrigado pela gentileza da leitura e comentário. Grande abraço.

  17. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um Bulapunk?!?! Nunca tinha lido um desse, é um ideia muito boa, uma variante criativa do Epistolapunk. Parabéns pela
    originalidade. Esquecendo a forma, tivemos aqui alguns problemas de conteúdo… O mundo mostrado por essa bula é o de um governo totalitário que tenta
    manter controle absoluto sobre a vida de seus cidadão. Esse tipo de sociedade não pertence ao universo X-Punk, que mostra um mundo mutio mais caótico
    e com poder descentralizado. Geralmente são grandes empresas que detém o poder, mas não há uma centralizasão absoluta, do tipo 1984. Adorei a forma do
    conto, mas o conteúdo está em grande parte equivocado em relação à adequação ao tema. Outra coisa que notei é que você podia ter usado uma linguagem
    mais científica em alguns trechos, tornando a história aidna mais convincente. Por exemplo, em vez de “batimentos cardíacos lentos”, seria melhor ter usado o termo técnico, “bradicardia”. Em vez de “…doses de até aproximadamente 1.500 vezes o valor máximo diário previsto para um ser humano de verdade”, seria melhor “doses de até aproximadamente 1.500 vezes o valor máximo diário previsto para um ser humano adulto”. No geral, porém, gostei bastante, a originalidade é importante e deve ser recompensada, o experimentalismo literário deve ser estimulado, pode contar com uma boa nota minha. Desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Olá, Ricardo. Sem dúvida, como neófito no universo, eu não tinha essa percepção quanto a adequação e diferenciação obrigatória entre governo centralizado x poder descentralizado das corporações. Foi bom aprender. Já quanto ao termo “bradicardia”, as bulas estão sujeitas a legislação específica para terem uma parte compreensível aos leigos – e, para não ficar ainda maior, eu suprimi esse capítulo e mesclei com a parte técnica inicial, omitindo o termo. Poderia ter escrito “bradicardia (batimentos cardíacos lentos)”. Já o uso de “ser humano de verdade” foi proposital, para dizer que fetos não são considerados seres humanos nesse universo. Um abraço.

  18. Evandro Furtado
    12 de dezembro de 2016

    Gênero – Outstanding

    Finalmente aquele algo diferente que eu tanto esperava! O autor ousou, transgrediu, levou o punk a novos níveis.

    Narrativa – Outstanding

    A emulação do método escrito é realizada de forma excepcional. Trabalho de pesquisa ou seria o autor um desses raros leitores de bula de remédio?

    Personagens – Outstanding

    Eles não estão no conto em si, mas são ocultos. Permeiam essa sociedade maluca, vítima de um governo ainda mais maluco.

    Trama – Outstanding

    O autor é capaz de inserir informações aos poucos sem ser econômico ou, tampouco, exagerado. Cadência certa no desenvolvimento da história.

    Balanceamento – Outstanding

    Um conto pra lá de transgressor em sua forma que se destaca no desafio pela ousadia.

    Resultado Final – Outstanding

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Continuo outstandinzado. amigo Evandro, pelos seu elogios. Que bom que consegui fazer algo que você achou diferente, sem ser chato demais. Um grande abraço, e obrigado pelos elogios.

  19. Anorkinda Neide
    11 de dezembro de 2016

    Ai, ceus.. vc viu o fiasco q eu fiz pra ler isso, né? eu sei q nao mereço desculpas, portanto não as pedirei
    Então, autor… Este nao é um conto. Ok, que tem uma ambientação ‘punk’ ou qualquer coisa q o valha.. mas nao tem enredo, nada acontece.
    Encaremos como uma bula.. há informações contidas nesta bula que nao condizem com uma bula.
    como por exemplo a sessão Antidotos, e algumas observações no decorrer das outras sessões.
    esta frase aqui, sugere moderação na ingestão de esperma? ‘Mas sua presença é notória nas emissões espermáticas, o que, portanto, recomenda cautela e moderação em sua ingestão.’ afff vc deve ter rido disto.
    Bom, vc se divertiu, se dedicou, mas eu nao sou o público, achei o texto pedante.
    Boa sorte, abraço
    Feliz natal

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Oi Kinda, acho que você me tirou do pódio, né? kkkk… ou pelo menos do pedestal – e isso foi ótimo. Quando o leitor não entende o que o escritor quis dizer… no caso, acho que houve de sua parte uma dificuldade (digo isso pelos comentários no grupo do Face, eu roía as unhas para comentar mas não podia me entregar): preconceito com bulas de remédio. Elas são tão poéticas! Quem nunca leu e começou a sentir aqueles efeitos adversos? E, na verdade, a história só tinha a forma de bula mesmo, misturados com elementos para fazer pensar sobre que mundo fodido é esse em que um governo ou poder precisa das pessoas sob controle. E, claro, com elementos bizarros também, como as que você indicou, que eu mesmo achei tão absurdas que fiquei rindo sozinho. Senão, que graça o texto teria para os outros? De qualquer forma, espero não aborrecê-la tanto no próximo desafio. Grande abraço!

  20. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2016

    Eis o CTRL-X, tão comentado lá no grupo do Facebook.

    Olha, eu não vou me estender muito em comentários técnicos, personagens, trama, etc. Até porque não saberia muito bem como falar sobre esses aspectos.

    Só sei o seguinte: a criatividade e ousadia falaram muito mais alto do que qualquer outra coisa aqui. Claro, não adianta nada ser criativo e ousado e não saber colocar isso no papel. Felizmente, aqui o autor soube muito bem.

    Só para não deixar a chatice completamente de lado e não desconfiarem que minha conta foi invadida nesse comentário: acho que o texto ganharia ainda mais impacto se fosse enxugado um pouco. No final, já estava naquele limite da novidade perder o gosto de novidade, sabe? Mas isso é detalhe.

    Em resumo: conto foda pra caralho.

    NOTA: 10

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Fabio, um elogio desse, vindo de quem vem, é para colocar na orelha do livro. Ou, por enquanto, na capa do Face. Porque sei que a avaliação que você faz é autêntica e generosa, honesta e construtiva. Porque estamos aqui para aprender, e eu sem dúvida estou aprendendo muito com você e com os colegas do Entrecontos. E, com certeza, se a ideia tivesse vindo antes e eu tivesse mais tempo, teria escrito menos. Grande abraço!

  21. Sick Mind
    11 de dezembro de 2016

    Estruturar o conto em forma de bula de remédio foi sensacional. Além de se manter fidedignamente a essa formato(sei disso pois já li muita bula), aos poucos as informações passam a construir um cenário onde o uso desse remédio revela uma enorme distopia, onde a população é controlada pelo Estado, assim como em Admirável Mundo Novo, ou como no filme Equilibrium. O uso de comandos de computadores para descrever as drogas também estão alinhados com seus efeitos. O texto é preciso e não força para entregar dados além do necessário. Só uma ressalva, o valor de 2.000 mg/dia podia ter sido convertido em 2g/dia. E faltou a porcentagem ou quantidade de casos por X habitantes nas reações adversas. Já que a visão não sofre reações, ela poderia ter sido removida sem interferir no texto. Parabéns pela criatividade.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Olá, Sick Mind. Pelos seus comentários, percebemos que você é um grande leitor do gênero, e é ótimo receber esse feedback de alguém que realmente conhece a fundo e ama o gênero. Eu digo, humildemente, que ainda sou burro demais para entender as vertentes e variações, mas que gostei muito de experimentar esse universo, a partir de um formato diferente do habitual. Quanto às grandezas envolvidas nas doses, realmente eu poderia ter simplificado, mas é que eu trabalho em uma usina onde os engenheiros recomendam falar de 9,8 milhões de MWh ao ano ao invés de 9,8 GWh ao ano. E o erro que passou aí, a meu ver, foi falar em 2k redondo , poderia ter dito 1750 mg/dia, que teria mais cientificidade – ou aspecto de. Agradeço imenso a avaliação generosa e paciente. Grande abraço.

      • Sick Mind
        20 de dezembro de 2016

        Não sei se existe um padrão para esse tipo de conversão em bulas, mas isso é mero detalhe dentro do conto. E Daniel, você pode até não ter tido contato com essas vertentes da FC, mas você teve o espírito, e isso valeu mais do que qualquer descrição tecnológica ou enredo sobre hackers.

  22. Bruna Francielle
    11 de dezembro de 2016

    Tema: to em dúvida se tem elementos suficientes para caracterizarem como punk, exatamente por ser um conto em formato incomum

    Pontos fortes: – Bem, conta um pouco a história do medicamento Ctrl X.. ele seria o personagem da história, pelo que entendi. Inovação.
    – Através de inserções na bula contando coisas sobre pesquisas e o controle do governo, conseguiu apresentar uma espécie de ambientação do mundo em que era usado o medicamento

    Pontos fracos: Variação entre linguagem formal e informal no decorrer da ‘bula’. Por ser uma bula, esperava-se que seguisse um padrão contínuo
    – Faltou uma ação punk de revolta, protesto, perseguição, etc.. até mesmo porque não há personagens ‘humanoides’ ou seres vivos no geral

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado pelas percepções, Bruna. Realmente, como outros comentaristas indicaram, não é uma história com personagens ou ação, mas de contexto e cenário. Muito grato pela leitura e crítica construtiva. Saudações!

  23. Eduardo Selga
    9 de dezembro de 2016

    Ao pé da letra, bula é um gênero textual, mas não é um gênero narrativo. Assim sendo, não pode ser conto. Sim, mas e quando a bula deixa de ter aquele tom impessoal e cientificista que lhe é peculiar e passa a adotar, aqui e ali, uma pessoalidade, claramente uma postura que representa um poder estabelecido? Falo de orações como “[…] o governo e seus Ministérios não devem tolerar atitudes antipatrióticas”, “não existem antídotos específicos para o CTRL-X. Ou, mesmo que existam, não seriam divulgados nesta bula, obviamente” e “[…] o CTRL-V, indicado para inserção subliminar de ideias e aprendizagem acelerada dos princípio (sic) governamentais e morais estabelecidos pelo Grande Líder”. Isso não seria um narrador, com a mesma falsa imparcialidade que vemos, por exemplo, no discurso jornalístico?

    Considerando que sim, o narrador, por definição, narra alguma coisa. Então, onde os personagens e o enredo?

    Do mesmo modo que para muitos críticos literários no romance “O cortiço” (Aluísio Azevedo) esse ancestral brasileiro da favela é um personagem, aqui a substância ou a medicação é a protagonista. E há personagens secundários, apenas citados, como o Estado (metonimicamente chamado apenas de “governo”), crianças, fetos e idosos.

    O enredo está na maquinação que o Estado demonstra praticar, fazendo dos cidadãos, vítimas. Na verdade, ele é, em si mesmo, trama. Mas o enredo do texto não está demonstrado às claras, como num conto tradicional: ele fica subentendido a partir do discurso narrador, configurando-se na atitude de alienar os sujeitos e evitar pensamentos considerados pelo Estado inconvenientes, por meio da substância.

    Há uma inesperada convivência harmônica entre dois discursos que possuem raros pontos em comum: o cientificista (mais especificamente farmacológico) e o literário. Este, surgindo eventualmente, quase por acaso, não está na construção de belas imagens (não caberiam na frieza de uma bula), mas na escolha de palavras que provocam as breves transposições do impessoal para a personalização.

    Coesão: não encontrei nenhum senão, exceto um, certamente erro de revisão.

    Coerência: não vi erros.

    Personagem: considerando o que disse acima, é uma solução muito inteligente fazer de uma substância personagem e disfarçar o narrador na impessoalidade de uma bula.

    Enredo: também oculto pela linguagem, mostra o modus operandi do Estado contemporâneo obre seus cidadãos.

    Linguagem: o grande destaque desse texto, é a demonstração de que é possível construir narrativas escapando de certas regras tidas como imutáveis.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Meu caro Selga, bom tê-lo conosco por aqui! Fico extremamente grato pela atenção dispensada à análise da ideia e ao raciocínio abalizado que sempre podemos contar em suas críticas. Saiba que seu comentário aqui também é um daqueles que nos fazem crescer e agradecer pelas oportunidades de leitura proporcionadas pelo Entrecontos. Grande abraço!

  24. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Não sei se é x-punk nem se é um conto. Na verdade é uma bula mas que li com o maior interesse e prazer. Parabéns pela ideia e sua materialização. Há uma ou outra frase que devem ser revistas, mas tudo o resto está muito bem. Excelente.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Vitor, seria bacana, e se você tiver tempo, dar essa dica das frases. Toda ajuda é bem vinda. Grande abraço!

  25. tatiane mara
    8 de dezembro de 2016

    Que ideia maluca rsrsrs… mas boa, criativa e ainda pôs o House na foto (outro louco).

    Bem escrito, parabéns pelo trabalho . Tudo muito coerente e deixa entrever uma situação bastante complexa.

    É isso.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Tatiane, que bom que você conseguiu entrever esse contexto na bula. Um abraço!

  26. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2016

    Oi Autor, eu não sei como avaliar e dar nota no seu texto, já que para mim não é um conto… a ideia é muito interessante, tem uma crítica social e cultural muito boa, está bem escrito, mas senti falta de personagens, enredo,uma história… você poderia ter usado essa ideia da bula bem enxuta e feito uma história, mesmo que curta mostrando um dia de um usuário do ctrl-x, para mim teria sido mais interessante. Boa sorte!!

    • Priscila Pereira
      11 de dezembro de 2016

      Ah esqueci de dizer que amei a imagem, Dr House é punk!!! kkkk

      • Daniel Reis
        18 de dezembro de 2016

        Foi a última coisa que eu fiz, procurar a imagem. Porque, no conto que eu estava fazendo antes, eu escolhi a imagem antes e ela me prendeu de um jeito que não conseguia sair do lugar. Abraço!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Oi Priscila, grato pela leitura. Realmente, é uma história implícita, sem personagem claro (na minha cabeça, o protagonista seria o leitor, que ao ler a bula entra na história, mas isso é pira minha). Um abraço, obrigado!

  27. Amanda Gomez
    7 de dezembro de 2016

    Wow!

    Você explodiu minha mente agora, colega. O nível de criatividade aqui foi parar em outro patamar. Estou confusa… Não sei bem como organizar meus pensamentos para fazer um comentário coerente. Quando ”entrei” desci a barra de rolagem para ver o tamanho e dar aquela passada de olhos básicas, não creditei. k.

    Eu gostei do conto, realmente gostei. É a bula de um remédio, e esta bula tem toda a história por trás dele. Enquanto eu lia as recomendações que falsamente parecem despretensiosas, algo automático. Consegui visualizar com nitidez todo o cenário deste mundo.

    Um medicamento que controla as populações desde o nascimento. Um rotina apática da vida dessas pessoas, as reações a repressão, os líderes desse novo sistema, está tudo obscenamente explícito e, ao mesmo tempo que não está (PoW).

    Eu me vi rindo, de como tem pequenas nuances, atuais..como os ministérios..” Ministério da Justiça e Vingança” kk, Demais. O efeito colateral chamado Síndrome de Dory, achei genial também. Continue a nadar, continue a nadar.

    …. Que mais eu falo… É isso, muita informação, que pode não ser absorvida totalmente, na verdade não e… a linguagem mesmo com elementos técnicos, deixa o leigo confortável lendo, na verdade foi mais fácil que ler uma bula de verdade.

    Achei curioso usar a rebeldia típica da adolescência, como um fator de risco para o efeito do remédio, e como isso passou a ser trabalhado para obter o resultado.. para trás dessas palavras consegui visualizar, jovens em clínicas sendo testado como animais… Referiu-se a campo de concentração.. onde que funciona ok, os que não – são descartados ( eutanasiado). Por trás, da pra saber dos conflitos que houve no mundo desde a implantação dessa… ideologia, e as que ainda ocorrem. Talvez, acredito eu, que o governo usa essa bula para alertar a população de possíveis concorrentes, ou seja, alguém em algum canto está lutando contra isso com as mesmas armas. A biologia.

    O conto não trás um personagem, e ao mesmo tempo trás todos. Deixa a cargo do leitor encontrar entre as palavras alguém que esteja naquela situação. Imaginei crianças, velhos, adultos, o próprio governo e seus ministros.

    Está tudo aí,é só ler a bula!! rs

    Meus parabéns pelo conto, espero que fique muito bem no ranking, e que os caros colegas que forem ler este conto, não se auto mediquem contra ele, antes de ler a bula. Pois a criatividade aqui, realmente deve ser reconhecida. Acho que sei de quem é este conto.

    É X-PUNK? Rapaz…sei lá, acho que estou com a Síndrome da Dory, não posso opinar sobre essa questão

    xD.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Amanda, obrigado mesmo pelo comentário e pela leitura. Parece que você leu com o mesmo fôlego que eu escrevi e riu nas mesmas partes absurdas… só por isso, já me sinto realizado, mesmo. Um grande abraço!

  28. angst447
    7 de dezembro de 2016

    Olá, autor!

    Em primeiro lugar, devo esclarecer que não levarei em conta a adequação ou não ao tema proposto pelo desafio. Não me considero apta para isso.

    O formato do conto demonstra criatividade e que o autor saiu da casinha, da realidade, de qualquer quadradinho chato e cheio de regras. Para mim, está valendo como conto, sim. A história está ali, entre a dosagem e os efeitos colaterais, um mundo caótico, onde há a supressão dos “pensamentos considerados inapropriados, remanescentes na memória imediata ou de longo prazo do cidadão.”

    No geral, a bula, digo, o conto, está muito bem escrito. Encontrei só esses lapsos de revisão:
    em fetos abortado > em fetos abortados
    A DESOBEDIENCIA > desobediência
    (condição popularmente conhecida como Síndrome de Dory)

    Boa sorte!

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Claudia, minha dupla, dessa vez fui pro outro lado da Força… mas foi uma boa experiência de sair do que sei fazer um pouco e partir para uma estrutura e uma temática totalmente fora da casinha. Obrigado, um abraço!

  29. Davenir Viganon
    7 de dezembro de 2016

    Olá Narcopunk
    Definitivamente a forma mais criativa de conto desse desafio. Pintou um mundo usando uma bula de remédio, muito bacana! É cheio de sutilezas em doses cavalares. Ainda acho que o mundo desenhado seja um distopia clássica, ao estilo 1984, e não tanto ao cyberpunk [que veio contrapor as obras dos períodos anteriores]. Ressalto a criatividade fez toda a diferença no seu conto. Me lembrou um conto da coletânea “Futuro proibido” em que consistia num panfleto de turismo de uma ilha paradisíaca.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Existe um conto muito bom do Philip K. Dick, “A Fé de nossos pais”, que fala de uma ditadura comunista que doutrina as pessoas pela televisão e os rebeldes usam uma droga que faz ver quem o “grande líder” é na verdade. Acho que você ia gostar.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Davenir, pela leitura e pela dica de leitura. Sim, eu estou disposto a ler o folheto e até ir no culto dele, sim. Quem sabe se eu conseguir XP, até ganho o livro no ranking anual, não é? Grande abraço!

  30. Pedro Teixeira
    5 de dezembro de 2016

    Primeiro devo dizer que gostei da ousadia, da escrita detalhada e convincente, da boa ideia de colocar a estória nas entrelinhas. Poderia ter ousado um pouco mais e tornado tudo algo que as pessoas consomem por vontade própria, numa sátira à auto-medicação e trazendo uma novidade em relação às distopias clássicas. Já se disse que o que ocorre como imposição em 1984( a vida das pessoas vigiada pelas televisões) as pessoas fazem porque querem hoje( redes sociais), seria uma boa sacada e poderia ser um caminho para explorar elementos punk, considerando aqui os subgêneros literários, em especial o cyber e pós. Aliás, notei que o desafio está mais para distopia do que para punk, no qual não são os governos que concentram o poder, e sim as corporações.
    Está bem escrito e revisado e tem uma acidez, uma ironia que cairia bem nas letras de uma banda de punk rock( lembrando que essa ousadia formal não é necessariamente uma característica dos subgêneros punk, os quais inclusive estão relacionados no post do desafio).
    Enfim, gostei mas confesso que senti falta de personagens, diálogos e conflito, e também de maior adequação ao tema.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Olá, Pedro, seu comentário está completamente condizente com várias outras percepções dos amigos aqui. Por isso, agradeço o tempo da leitura e a atenção da crítica, para que a gente possa melhorar cada vez mais. Grande abraço!

  31. Leandro B.
    5 de dezembro de 2016

    Oi, Narco.

    A coisa que mais me interessa nos desafios não é necessariamente a qualidade da narrativa, mas a possibilidade de perceber como cada participante expressa os temas que são decididos.

    Achei sua ideia bem interessante e ousada. Existe uma história clara nas entrelinhas da bula. Não achei tão instigante quanto outros contos, afinal, não encontramos personagens para nos relacionar. Por outro lado, há pontos claros aqui pela criatividade.

    Bom, o universo criado me lembrou o filme “Equilibrium”. Me fez pensar, também, na possibilidade histórica que poderíamos ter observado se os psiquiatras tivessem ganhado a disputa com os magistrados sobre o controle do crime.

    Enfim, uma ideia interessante e bem executada. Tenho minhas dúvidas se é adequada ao “punk”, já que, na prática, a história é sobre controle social.

    Enfim, um trabalho bem interessante. Parabens.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Leandro, acho que você foi direto aos pontos, como vários comentários aqui. É tarefa do autor entender o que funcionou, e o que não, no conto, e tentar melhor cada vez mais. Por isso agradeço as percepções e deixo um grande abraço fraterno a você.

  32. Rubem Cabral
    5 de dezembro de 2016

    Olá, Narcopunk.

    Gostei do conto-bula. Entende-se bastante deste mundo horrível nas entrelinhas.

    A escrita está boa, com poucos erros, feito em “Estudos foram realizados em fetos abortado…”. Devido à natureza de texto que o conto tenta emular, não há o que se comentar quanto ao desenvolvimento de personagens.

    Meu único e grande “senão” ao texto seria quanto à sua adequação ao tema do desafio. Apenas enxerguei um governo totalitário e repressor ao fundo, feito o de “1984”, não notei elementos típicos dos contos “x-punk”.

    Considerando prós e contras: nota 7.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Rubem, realmente não me ative à definição do tema, acho que ideia soprou mais forte no ouvido, como um diabinho mandando aprontar dessa vez. Agradeço a leitura e quero que saiba que a sua opínião tem alto conceito para mim. Saudações!

  33. Fheluany Nogueira
    2 de dezembro de 2016

    Um exercício de invenção e originalidade e tanto! Mas, não sei se é um conto, gênero literário narrativo, com estrutura determinada. A bula é um gênero de texto utilitário e com uma estrutura também definida.

    Elementos do punk estão presente, portanto o texto atende a proposta do Desafio, quanto à temática. Não há uma trama, nem personagens, espaço e ambientação ou tempo, a não ser o que o leitor possa imaginar através das entrelinhas.

    Parabéns pela criatividade! Abraços! Como BULAPUNK, o texto está perfeito.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Muito grato pela leitura, Fheluany, a intenção foi realmente arriscar, utilizando um outro gênero como reflexo da narrativa, deixando para o leitor intuir em que mundo seria empregado esse medicamento, como uma história implícita, subjacente. Um abraço e muito obrigado!

  34. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    2 de dezembro de 2016

    Olá, NarcoPunk,

    Criatividade é o que não faltou nesse desafio. Gostei muito de sua ousadia ao criar um conto nesse formato. Narrador ausente e a história embutida quase “subliminarmente”.

    Por incrível que pareça, e ao contrário do que talvez se pudesse esperar, a leitura fluiu muito bem, ao menos para mim.

    Alheia ao formato do conto em si, a premissa é assustadora. Muito punk. Rsrsrs
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Paula, fiquei entre radiante e envergonhado em tantos elogios. Que bom que o “remédio” surtiu o efeito desejado, ainda que de maneira inesperada. Um abraço e gratidão pela generosidade.

  35. Brian Oliveira Lancaster
    1 de dezembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Criatividade à mil, hein? Um texto difícil, mas de inegável originalidade. Tem contornos de distopia, sem muita alusão aos punks, apenas às drogas (em si). Fiquei ligeiramente em dúvida, porque transparece uma camada diferente, mas a distopia se sobrepõe. – 8,0
    R: “Mas hein?” E então continuei lendo. Original e provocativo, mas um tanto cansativo. O autor devia pesar menos a mão nos termos técnicos – admito que pulei vários, lendo apenas os efeitos. A camada subversiva dá lugar a um tom irônico mais próximo do final, o que destoou um pouquinho da seriedade que vinha sendo apresentada. Curioso, sarcástico e assustador – pois é algo bastante próximo da realidade atual. – 8,5
    E: Estruturado como uma bula de remédio. Precisa dizer mais? Acho que não. O mimetismo foi perfeito. – 9,0
    M: Escrita travada, mas ao mesmo tempo simples e eficiente, emulando claramente os termos técnicos, como se um doutor se dispusesse a escrever uma receita. – 9,0
    [8,6]

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Oi Brian, obrigado pelas observações. Realmente, poderia ser um pouco mais curto para o leitor, mas eu me empolguei e não tive tempo nem distanciamento para saber onde encurtar. Valeu, abraço!

  36. Gustavo Castro Araujo
    29 de novembro de 2016

    De início já parabenizo o autor pela ousadia. Abordar o tema de maneira criativa assim é um ato de coragem. Isso porque o texto revela muito mais pelo que não está escrito do que pelo que efetivamente está. Vale apontar também como ponto positivo o trabalho de pesquisa porque tudo, exatamente tudo soa verossímil, como se escrito por alguém com vasto conhecimento em farmácia e bioquímica – pelo menos é o que parece. Mas, como eu disse há pouco, o conto, ou texto, trata de uma realidade não vista, mas subentendida. Na medida em que percebemos que o Ctrl-X se constitui numa droga potente para suprimir lembranças, ou melhor, para dominar a mente da população, vislumbramos um governo totalitário e manipulador, que cria homens, mulheres, crianças e velhos com a finalidade de servidão ao Estado e somente para isso. Nesse sentido, a pena para a recusa ao tratamento é grave e mesmo hipóteses de suicídio não terminam com o problema. De fato, é possível entrever uma realidade assustadora, com pessoas completamente dominadas e servis – domesticadas talvez fosse a melhor palavra. Em suma, uma ambientação sem similar neste desafio, algo que faria Orwell sorrir, presumo. O problema é que essa opção narrativa impede qualquer outra abordagem, correndo o risco de se revelar repetitiva. Arriscar-se é belo. Só por isso o conto merece aplausos, mas receio que a maioria do pessoal sentirá falta de algo mais concreto. De todo modo, está de parabéns.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Oi Gustavo, eu meio que sabia que iria ser 8 ou 80 para os leitores do EC, mas resolvi mandar assim mesmo. E acho que fiz bem, que os 80 levantaram a média dos que deram 8 (ou 3, né, Kinda?). Mais uma vez, obrigado pela generosidade, discernimento e moderação deste bando de loucos na “corrida maluca” pelo conto perfeito. Grande abraço!

  37. olisomar pires
    29 de novembro de 2016

    Sabe aquela história do “eu leio de tudo, até bula de remédio”? Pois é, eu leio mesmo e gosto.

    Boa idéia desse conto, embora não seja exatamente muito empolgante, não consigo me ver lendo de novo.

    O interessante do conto é a realidade que podemos imaginar nesse mundo, isso foi muito bom, não sei se funcionará pra todos.

    Boa sorte.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado, Olisomar, entendo seu sentimento, eu também pensei assim antes de escrever. Mas me diverti bastante modificando uma bula, tanto que tem coisas ali no meio que eu fico rindo sozinho de tão absurdas. Grande abraço!

  38. Zé Ronaldo
    27 de novembro de 2016

    Ideia originalíssima essa de elaborar um texto de conto através do texto injuntivo. Na verdade, é a primeira vez que leio um como bula de remédio. Perfeita a maneira como foi idealizada, a começar pelo nome do produto.
    Texto compacto, conciso, bem amarrado e ao estilo do texto injuntivo. Maravilhosamente elaborado.
    O narrador que a figura única e central do texto é o que se espera de um narrador de bula de remédio: imparcial, dando apenas as orientações e informações necessárias do produto.
    Como é injuntivo, não tem desenrolar de ações aparente, mas você percebe toda a situação daquele momento na história através das indicações da bula.
    Uma obra-prima.

  39. Dävïd Msf
    26 de novembro de 2016

    me senti lendo a bula do SOMA, do “Admirável Mundo Novo”…
    muito interessante…

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Estou com vergonha de admitir,nunca li o AMN… só ouvi falar. Procura-lo-ei em breve para ler! Abs.

  40. Evelyn Postali
    26 de novembro de 2016

    Oi, Narcopunk,
    Eu gostei muito do seu conto-bula-punk. A história está lá, no meio das palavras de cada item. Impossível não gostar de como tudo isso ficou. Estranho, mas diferente. Criativo. Deve ter dado muito trabalho para enquadrar o conto e o tema dentro dos itens de uma bula de remédio. Mas, creia, ficou perfeito.
    Parabéns pelo conto.

    • Daniel Reis
      18 de dezembro de 2016

      Obrigado pela leitura, Evelyn. Vou colocar um post aqui contando um pouco do processo, foi uma sugestão bacana que fizeram no grupo e que eu acho que todos os autores deveriam fazer, o “making of”, pois a gente aprende muito com processos diferentes dos nossos. Grande abraço!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 26 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .