EntreContos

Detox Literário.

Maltraçadas (Daniel Reis)

Não tenho vergonha de dizer que vivo só, e que estou vivo justamente por isso. Creio, por serem meus hábitos tão peculiares e diferentes da expectativa das gentes, que nem por isso encontre motivos para escondê-los, ou negar ser o que me tornei ao exercer meu prazer mais secreto – algo que talvez se possa considerar, em âmbito geral, como uma maldição. Meu contato com a realidade sempre foi muito mais a biblioteca do que o jardim, e nunca tive o que não fosse aquilo que lá se pode encontrar. Afora os livros, nada houve o que me despertasse interesse ou desejo nesta existência. E, fora desse ambiente hoje abandonado, nenhum aspecto prático ou frívolo do cotidiano trouxe-me qualquer esperança ou significado especial.

Tudo o que vivi foi por meio deles, os livros do mundo, em seus mais diversos idiomas e tipografias. Hoje, dependo deles para transformar e reciclar idéias que um dia materializaram-se a outro alguém, armazenadas por entre as páginas como pétalas secas de rosas ou borboletas numa coleção aleatória, em encadernações luxuosas, em simples brochuras. O que trouxe delas comigo, e o que produzi ao longo desta minha vida breve, foi ao processar indistintamente informações do espírito de outrem e adaptá-las à minha própria, peculiar e concreta necessidade. Dentre essas paredes, que atualmente só existem como ruínas ou memórias, vim a aceitar também os limites de minha condição, e a tomar o papel que me cabe, literal e literariamente. Não tenho pretensão de saber mais ou entender tudo o que diz a gente por aí, muito menos a de elaborar coisas e soluções prontas e próprias. A mim, basta o que já existe – e o que, ao ver a quantidade de livros no mundo, já é um tanto mais do que o suficiente.

Como num Banquete, tenho devorado toda e qualquer linha de pensamento ou literatura, indistintamente do valor crítico ou histórico, sem me preocupar com a tão perseguida originalidade. E ser original, após séculos de bobagens, amores e filosofias, é hoje coisa extremamente difícil.

Meus apetites não se guiam pelo valor da pena ou pelo renome do autor grafado na capa, mas por aquilo o que de substancial à minha existência possa ter em sua escrita, e o que ela me pode dar como suporte. Consumo qualquer palavra levada à prensa, e cada vez mais me sinto único e solitário, num tempo onde os que se fazem críticos de conteúdo comportam-se em realidade como um grupo de baratas à procura de significados inexistentes. Não os culpo, todavia, dada a quantidade absurda de balbucios pregados ao papel, verdadeiro massacre de árvores e tempestade de idéias bizarras, mal traçadas linhas na história da humanidade.

Mas, posta de lado qualquer inútil análise crítica, digo que me toca ver tanta gente à procura de novos modos de fazer, sempre, as mesmas coisas. Alguns, bravamente, encaram seu mister como joalheiros ou escultores em mármore, sem se permitir falharem em qualquer movimento ao manejar o cinzel – e quantas belezas perdem-se por só resultarem, de modo involuntário, do tremor em mãos emocionadas, da escorregadela de um martelo ansioso ou ousado, ou como consequência da descontinuidade e imperfeição natural – assim como na pedra – da matéria-prima, nosso idioma. Outros se portam como tecelões, que tramam cerziduras complexas às suas rôtas percepções; e, seja por zêlo excessivo, ou ainda pior, por insegurança, desmancham e refazem costuras até que os fios se esgarcem. Há ainda aqueles assemelhados a chefs du cusine que, tão preocupados com aromas e sabores, optam por ingredientes mínimos para tentar não aborrecer o leitor, e à mesa acabam por servir uma refeição frugal mas insatisfatória, muitas das vezes, até mesmo para eles próprios. E há os que mais são de dar pena: escritores-relojoeiros, ao ajustar, com as pontas dos dedos, pequenas engrenagens espalhadas pela cachola, ansiosos por montar, com precisão milimétrica, mecanismos perfeitos que a realidade não permite existir. Esses, apesar de suas boas intenções, iludem-se em pensar que possam vir a armar algo revolucionário a partir do reaproveitamento de peças sortidas, mas que nem sempre correspondem, todas elas, a uma só e mesma máquina.

Contudo, não posso deixar de pôr reparo em outra estirpe, à qual pertencem muitos e cada vez mais freqüentes autores: aqueles que fazem da ambição e da soberba seus motifs. A mim, parecem-me como oleiros gananciosos, às voltas com simples matéria orgânica, tátil e versátil, ao sujar as mãos para dar formas abstratas e grotescas às suas percepções confusas. Ao final, as expõe ao público como se fossem obras de gênio, e muitas vezes, de tanto repeti-las, acabam mesmo por acreditar nisso e até mesmo serem assim reconhecidos pelos medíocres – os que, definitivamente, vivem de reconhecer como certo o talento que não existe.

Quer queira ou não, é esse último tipo de escritor o meu favorito absoluto.

Sobretudo pela enorme quantidade de material inútil que liberam a cada ano, e que vem a se tornar encalhe em lojas ou outras prateleiras, como as das bibliotecas. E aí vem minha razão: sem importar-se com a qualidade, esforço ou valor, dou o merecido fim a tudo o que esses e os outros tais pregam à celulose. Como, em definitivo, é o bom dever de toda traça.

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48 comentários em “Maltraçadas (Daniel Reis)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ Maltraçadas (H. Lepisma)

    ஒ Físico: O texto parece ser mais uma poesia do que um conto. Há uma sonoridade elegante que preenche todas as linhas, sendo fácil notar que o autor tomou bastante cuidado na criação do texto. No entanto, o autor não encontra um ponto de equilíbrio. E o conto pende apenas para um lado. Isso não é um ponto negativo que prejudica o texto como inteiro, mas diminui a quantidade de leitores.

    ண Intelecto: O conto não tem um enredo definido. São reflexões, praticamente jogadas ao ar. É uma leitura agradável, dá para apreciar as ideias, mas depois que termina o conto, bem… terminou! Não fica nenhum resíduo, nenhuma imagem do texto. A traça como personagem ficou bem interessante.

    ஜ Alma: A biblioteca praticamente não existe. Não tem destaque. Não tem forma. O foco do autor são as reflexões da traça. Nada mais. No entanto, o leitor tem a oportunidade de apreciar o talento de Lepisma, que é muito grande. Acredito que ele precisa dar uma equilibrada no estilo de escrita.

    ஆ Egocentrismo: Gostei do estilo poético, transbordando beleza, mas não consegui apreciar a leitura por completo. Muito cansativo, com reflexões pesadas e que, muitas vezes, não levam a nada.

  2. Rubem Cabral
    2 de janeiro de 2016

    Olá H lepisma.

    Foi uma leitura divertida, achei bem bolado e bem escrito. O pseudônimo que soava nome científico quase que estragou a surpresa…

    Parabéns.

  3. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Gostei bastante do conto. O autor(a) mandou uma crítica bem interessante aos escritores, um tanto mal-humorado, diga-se de passagem, mas, muito bem escrita e reflexiva. Apesar de não concordar em tudo com a visão da traça ranzinza, o conto me agradou muito. Boa sorte.

  4. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Gostei muito! No começo estava classificando algo como ensaio, texto de reflexão, algo assim. Mas o final me surpreendeu positivamente, adorei essa traça! E acho que se encaixa no tema, sim, ou por acaso em uma biblioteca antiga daquela da imagem não haverá muitas e muitas tracinhas, felizes, satisfeitas? Valeu a leitura!

  5. Philip Klem
    1 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Bom, pra ser sincero, gostei e não gostei do seu conto.
    Enquanto eu lia, não conseguia me concentrar. Não gosto, pessoalmente, de contos sem uma trama, apenas com pensamentos, pois são extremamente cansativos de se ler, como este foi.
    E não estava fazendo sentido algum
    Porém, ao chegar no final e perceber que a narradora era uma traça, o texto tomou um novo significado e tudo passou a fazer sentido.
    Como eu disse, gostei desa reviravolta final, mas não gostei da litura, de um modo geral.
    Sinto muito.
    Boa sorte.

  6. Piscies
    1 de janeiro de 2016

    O desabafo gostoso da traça que tudo consome. Nós mesmos! rs rs rs. Parabéns autor, ao nos dar o papel da traça e falar por nós o que sempre quisemos falar. Simpatizei muito com este personagem. Queria poder bater um papo com ela depois…

    A escrita é perfeita. Daquelas que eu leio e penso “daqui a mutos anos, talvez, após muito treino, eu consiga escrever algo parecido”.

    Não vou entrar no ramo filosófico por que o Selga já abordou tudo o que deveria ser abordado. Mas foi uma boa leitura, daquelas que me fez sorrir durante a leitura e até mesmo depois de termina-la.

    Parabéns!

  7. Leandro B.
    31 de dezembro de 2015

    Caramba, gostei muito.

    Já estava animado no meio da leitura e o final me conquistou de vez.

    O texto é muito bem fechado, inteligente e bem preparado. A habilidade com as palavras e o controle da surpresa, sem sacrificar boas reflexões é invejável.

    Para além de tudo isso fugiu do lugar comum. Até agora é um dos contos mais criativos do desafio (imo, claro), já que trabalha com a imagem por uma perspectiva diferenciada.

    Me pergunto quantas vezes o autor não voltou e ajeitou os pormenores do texto.

    Entra como um dos meus favoritos.
    Parabéns.

  8. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    O conto é muito criativo, no estilo do “Apólogo” de Machado de Assis. O que é interessante aí é que é tudo verdade. Hoje em dia, os leitores discernem a qualidade dos livros com critérios de avaliação que fariam inveja à traça mais iletrada. O desfecho surpreedente é o melhor de tudo. Na minha opinião ficou perfeito, inclusive o trocadilho do título. Seu estilo é de primeira qualidade, parabéns.

  9. Evie Dutra
    31 de dezembro de 2015

    Quanta criatividade! Eu não esperava por este final. Me surpreendeu.
    Enquanto lia, eu achava que o conto se tratava da opinião do próprio autor.. não esperava estar lendo os pensamentos de uma traça hehe.
    Achei muito criativo e bem escrito. Parabéns.

  10. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2015

    Bom, não vai ficar nos meus preferidos pois prefiro contos com tramas. Aqui, sucessões de pensamentos da traça são jogados ao leitor.

    Eu gostei muito do texto. Essa parte ficou muito boa: ” Ao final, as expõe ao público como se fossem obras de gênio, e muitas vezes, de tanto repeti-las, acabam mesmo por acreditar nisso e até mesmo serem assim reconhecidos pelos medíocres – os que, definitivamente, vivem de reconhecer como certo o talento que não existe.

    Quer queira ou não, é esse último tipo de escritor o meu favorito absoluto.”

    Hahaha. A traça fazendo o seu importante papel de devorar os livros ruins. Pena que elas devoram os bons também. rs.

    Curioso e engraçado. No geral, um bom texto.

  11. G. S. Willy
    29 de dezembro de 2015

    Descobrir que o ponto de vista do conto era uma traça foi uma surpresa e um alívio. De começo achei que não havia história alguma no conto, apenas uma relação de tipos de autores, o que é verdade na maior parte do tempo, e achei realmente estranho quando o narrador disse que prefere os escritores que só escrevem livros que encalham. É um conto original ao meu ver e muito bem conduzido, parabéns.

  12. Simoni Dário
    28 de dezembro de 2015

    Meu Deus, que primor! Que talento invejável. Gostei do início ao fim, que aliás foi muito criativo. Parabéns autor, mais um que merece palmas.
    Bom desafio!

  13. JULIANA CALAFANGE
    27 de dezembro de 2015

    Essa traça é mais ferina que muitos críticos literários… Mas concordo com ela, e me parece até q alguns críticos também se encaixariam em algumas das descrições. Gostei muito do texto e da surpresa do final. Confesso que no começo pensei que era apenas um desabafo q muito pouco tinha a ver com o tema proposto, mas o final redime tudo! Parabéns!

  14. Thiago Lee
    27 de dezembro de 2015

    Adorei! O autor(a) sabe lidar muito bem com as palavras e tem um domínio muito bom da narrativa. Gostei da revelação no final e da “crítica” feita. Preciso ler uma segunda vez.

  15. Neusa Maria Fontolan
    27 de dezembro de 2015

    Gostei principalmente do trecho:
    “A mim, parecem-me como oleiros gananciosos, às voltas com simples matéria orgânica, tátil e versátil, ao sujar as mãos para dar formas abstratas e grotescas às suas percepções confusas. Ao final, as expõe ao público como se fossem obras de gênio, e muitas vezes, de tanto repeti-las, acabam mesmo por acreditar nisso e até mesmo serem assim reconhecidos pelos medíocres – os que, definitivamente, vivem de reconhecer como certo o talento que não existe.”
    Aqui cada um interpreta como melhor lhe aprouver.
    Amei o conto
    Parabéns.

  16. Antonio Stegues Batista
    26 de dezembro de 2015

    Reflexões de uma traça, também poderia ser um bom título, pois aqui o narrador que é um traça, faz um balanço de sua vida. O papel é seu alimento, mas assim como ha comida boa e ruim, há livros bons e ruins, que no caso da traça o ruim é o melhor pois ha uma maior quantidade de material inútil, como ela mesmo diz. É uma boa narrativa embora eu não concorde com a visão da traça, assim como há críticos eruditos, há pessoas que gostam de ler. Parece obvio mas não é.

    Claro, sendo uma traça só pode levar a uma imagem de livros destruídos.

  17. Rogério Germani
    25 de dezembro de 2015

    Olá, H. Lepisma!

    Ficando marcante apenas as reflexões da traça erudita, o conto espalhou celulose e perdeu o encanto. Sei lá, imaginava uma traça ao estilo Disney, daquelas que comem livros sem distinção só para alimentação mesmo. Do modo apresentado, o ensaio revela uma criatura que absorve seletivamente somente os livros que lhe são ricos em conhecimento.

    Boa sorte!

  18. Fil Felix
    23 de dezembro de 2015

    Eu gostei do conto, da maneira como é narrado pela traça e de todas as divagações. Acho legal essa metalinguagem, criando uma história e ao mesmo tempo levantando o perfil de autores, que irá arrematar todos nós, que também escrevemos. É um ponto de vista muito interessante da imagem do desafio, fugindo do senso comum, o que já vale bastante.

    Porém, também senti a falta de um “q” de conto. Da metade pra frente, com tantas descrições, o texto passa um ar de ensaio, tive a impressão de ler um artigo em algum site sobre “aprendendo a escrever” e “escreva seu livro” da vida. Não é uma crítica! Até porque, deixando de lado essas categorias, o importante aqui é você contar uma história. E a história foi contada, mesmo que breve. Mas essa característica meio que me deixou mais distante.

  19. Evandro Furtado
    23 de dezembro de 2015

    Olá, seguem as considerações

    Fluídez – 6/10 – o texto é até leve, mas a utilização de períodos muito longos torna a leitura travada algumas vezes;
    Estilo – 0/10 – eu realmente sinto uma inadequação ao gênero aqui. Desculpe pela concepção, mas adoto como conto uma narrativa curta e não foi o que li. Vi mais uma reflexão sobre o estado da literatura, nem acho que se encaixaria como crônica. Talvez um mini-ensaio;
    Verossimilhança – 8/10 – boa utilização de imagens para representar as considerações. Dou uma nota alta nesse quesito apesar de não encontrar personagens ou uma trama fechada;
    Efeito Catártico – 6/10 – me lembro de um filme soviético que mostrava um homem filmando imagens aleatórias de Moscou ou São Petesburgo – não lembro ao certo. A ideia era não ter uma história. Eu odiei o filme. Não se preocupe, não odiei o seu texto, ao contrário, achei bem interessante. Traz reflexões bacanas, bom uso de imagens. Talvez se permeasse elas por uma narrativa, teríamos um excelente conto.

  20. Lucas Rezende de Paula
    22 de dezembro de 2015

    Domínio impressionante das palavras, quando eu vejo contos assim eu penso se chego nesse nível um dia.
    As reflexões são muito boas, acho que o conflito da história é o próprio mundo literário e suas crueldades e injustiças. Parabéns pelo conto.
    Vou reforçar que o final foi a cereja no bolo.
    Boa sorte.

  21. Andre Luiz
    21 de dezembro de 2015

    Vou concordar com alguns outros comentaristas e dizer que senti falta de um norte que guiasse um “enredo” para o conto, principalmente porque não consegui identificar, não sei se por falha minha, algo que eu pudesse chamar de “narrativa tempo-espaço”, ou seja, algo que situasse ao menos o narrador na história. Contudo, olhando pelo ponto positivo, é uma belíssima reflexão sobre os caminhos da literatura no futuro e também sobre a influência da mídia e da internet na propagação de obras sem conteúdo literário, as famosas baboseiras. Boa sorte no desafio!

  22. Daniel Reis
    21 de dezembro de 2015

    O começo arrastado foi se tornando interessante depois, quando deixou de ser confissão e partiu para uma linguagem de ensaio. Parece até um material feito da junção de dois textos diferentes. Também fiquei em dúvida se era um conto ou crônica, mas me lembrei de alguns contos que têm essa personificação, como o da agulha e a linha (Um Apólogo – Machado de Assis – via Google). Então, acho que vale. Não é o meu preferido até agora, mas está bem escrito e não ficou cansativo. Inclusive, foi só na segunda passada que percebi as dicas no discurso da traça.

  23. Leonardo Jardim
    20 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): o texto se arrasta por devaneios numa análise filosófica sobre dos livros ev autores e não desenha nenhuma trama. Acredito que, em contos, alguma coisa deve acontecer, um conflito que nos deixe presos à história. Alguns trechos filosóficos geralmente são usados para dar forma a um cenário ou entrar na cabeça de um personagem ou ponto polêmico. Quando o texto é só isso, deixa de ser um conto. O final, com a revelação da natureza do narrador deu uma luzinha a mais e valeu mais uma estrela, mesmo eu tendo pensado em algo à respeito no meio do texto.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): fora algumas palavras em desacordo com o novo acordo ortográfico, o texto é bem escrito e não apresenta erros. Um texto muito bonito, sem dúvidas.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca destruída pela traça (✔)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): colocar uma traça como narrador é criativo, mas os devaneios que ela faz nem tanto.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): achei o texto cansativo, pela ausência de uma trama e por falar do mesmo assunto de várias formas, quase como uma dissertação. A parte que analisa os tipos de autores de hoje em dia é bem interessante. O fim, revelando o narrador foi interessante, mas como já disse, tinha intuído em algum momento.

    💬 Trecho de destaque: “Como num Banquete, tenho devorado toda e qualquer linha de pensamento ou literatura, indistintamente do valor crítico ou histórico, sem me preocupar com a tão perseguida originalidade. E ser original, após séculos de bobagens, amores e filosofias, é hoje coisa extremamente”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ dependo deles para transformar e reciclar *idéias* (ideias)
    ◾ cada vez mais *freqüentes* (frequentes) autores:

  24. Davenir Viganon
    16 de dezembro de 2015

    Alguns falaram em crônica, mas como as diferenças são muito turvas para este leigo, eu prefiro dizer que a leitura foi leve e prazerosa. E na revelação final é divertida. Vou considerar que esta era a intenção para dizer que tu conseguiste o que pretendia, e ficamos combinados, ok?
    Em tempo, Como estou de bom humor hoje imaginei uma traça meio chub, que gosta de papear e tal.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  25. Cleber Duarte de Lara
    16 de dezembro de 2015

    CRITICA
    Senti falta de um conto, diria, um tanto mais entusiasmado, mesmo. Isso é, provavelmente, efeito de um certo cansaço que bate depois de tantas leituras, além do desafio ainda participo de um grupo voluntário de troca de leituras e envio de textos, entre amigos de um círculo limitado. Aqui cabe ressaltar que não se deve em nada ser desmerecido seu texto, apenas sinto que no comparativo outros deixaram-me mais intensamente conectado, com a imaginação puxando o carro da atenção mais forte.

    PONTOS POSITIVOS
    A leitura, apesar de não haver elementos mais impactantes como afirmei, fluiu bem e não tive tempo de entediar-me, o conto foi curto. A experiencia pra mim foi muito próxima a de uma conversa interessante, com um crítico desiludido, sofisticado, blasé (acho que escreve assim rs). Um texto prazeroso pra ler como crônica num domingo, mas acho para o desafio faltou um pouco de emoção.
    Que o autor domina a escrita, é inegável!
    Boa sorte e um abraço, caro Lepisma!

  26. catarinacunha2015
    16 de dezembro de 2015

    TÍTULO interessante. As linhas foram bem traçadas para um artigo ou crônica escrito por uma traça, mal traçadas para um conto. FLUXO lento, os quatro primeiros parágrafos foram apenas uma introdução para explicar o seu gosto pela leitura e possível erudição. O artigo/crônica não possui TRAMA e sim uma massa crítica de metáforas para todo tipo de escritor, logo entendo que os PERSONAGENS aqui são os escritores, todos uns merdas. Kkkkk. O FINAL, torturando os livros com uma morte lenta sendo devorados pelas traças, é engraçado e isso salva a remota ideia de um conto. Talvez, e digo sempre apenas como leitora, se a narrativa não tivesse um tratamento jornalístico, gerasse um conto prazeroso.

  27. Arthur Dias.
    14 de dezembro de 2015

    ótimo conto! Como falado aqui, lembra muito uma crônica, o que deu um charme a mais.

    Ainda não li todos, mas este certamente é um dos meus contos favoritos desse desafio. Acredito que vá ficar entre os primeiros colocados.

    “Como num Banquete, tenho devorado toda e qualquer linha de pensamento ou literatura, indistintamente do valor crítico ou histórico, sem me preocupar com a tão perseguida originalidade. E ser original, após séculos de bobagens, amores e filosofias, é hoje coisa extremamente difícil.”

    ôh! E como! Esse é meu trecho favorito, nesse conto que classifico como “brilhante!”

    • H. Lepisma
      14 de dezembro de 2015

      Caro Arthur, obrigado pela avaliação e palavras gentis! Nem sei o que mais escrever, diante de teor tão generoso e cordial nos pontos destacados. Somente envio daqui meu afetuoso e agradecido abraço!

  28. Brian Oliveira Lancaster
    14 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Atmosfera de crônica, com inúmeras reflexões bem ponderadas, sem definir um cenário em específico.
    U: Escrita leve e fluente, não truncada, conseguindo transmitir muito bem o ar de mistério que cerca o(a) protagonista.
    L: Ei, o final me pegou direitinho. Estava esperando outras coisas mais complexas, mas funcionou bem comigo. O relato em forma de desabafo traz verdades interessantes abaixo das camadas de ironia, apesar de se alongar um pouquinho nas explicações, deixando a história em si de lado. O clima todo gira ao redor destes questionamentos, uma boa tática para despistar o que estava por vir.
    A: Bem, a biblioteca faz parte da história e é importante. Senti falta apenas de alguns acontecimentos à mais e não somente “como é chata minha vida, vou dissertar sobre isso”. Gostei do todo, mas faltou alguma coisa para criar a conexão imediata.

    • H. Lepisma
      14 de dezembro de 2015

      Prezado Brian, obrigado pelo tempo da leitura e pelas observações. A mim, também, os acontecimentos têm mais apelo e emoção como elemento de storytelling, mas este pequeno conto. ditado pela personagem, acabou por sair-se mais como mini-ensaio reflexivo, do que como a narrativa a qual estou acostumado a ler e escrever. Escrevê-lo foi uma experiência estranha. E realmente, muito pouca coisa pôde fazer o Sr. Lepisma ao longo da história, além de digerir as coisas. Cordial abraço.

  29. Eduardo Selga
    14 de dezembro de 2015

    Chama-me a atenção quando vejo um trabalho literário que se coloca nas muitas regiões escuras da produção textual ou em suas áreas limítrofes em que, por exemplo, o território do conto se imiscui no da crônica, como parece ser o caso do presente texto.

    Mas só parece. Embora escrito em primeira pessoa, com uma tonalidade intimista e reflexiva, não se pode dizer tratar-se de uma crônica, porque existe um narrador-personagem que não é a persona do autor, É uma traça. Se é o inseto quem narra, não é possível falarmos em crônica, e evidentemente o pseudônimo Lepisma é uma brincadeira que, se não ajuda a embolar os limites de que falei, é uma ironia, pois trata-se do gênero de insetos ao qual pertence a traça, disse-me o oráculo internáutico.

    Como, no entanto, é apenas no final que temos a informação de que a narradora é a traça, fica no espírito do leitor esse gosto de crônica. Gosto muito saboroso, por sinal, pois é uma reflexão acerca do próprio fazer literário, abordando alguns modos de entender a produção textual literária e o que vem a ser qualidade artística.

    É bem verdade que algumas dessas concepções são muito parecidas entre si, separadas por uma fímbria, e isso é mais um dado a demonstrar a sutileza de percepção do(a) autor(a). Aliás, desse tipo de agudeza de espírito por vezes sinto falta no Entrecontos, muito embora a quantidade de narrativas que entram no humano do homem e nas interrogações da existência esteja aumentando.

    Quero jogar luz inicialmente nos dois tipos de “gente à procura de novos modos de fazer”, mostrados no quinto parágrafo: os “joalheiros ou escultores em mármore”, muito ocupados com a forma e os “tecelões que, embora também se preocupem com a forma, produzem atrelados “às suas rotas percepções”.

    Lembram muito de perto as duas vertentes do Barroco, considerada pejorativamente a estética do exagero verbal e do detalhamento infindo. E as menciono aqui não para mostrar eruditismo pedante, não para ensinar ninguém, apenas para esclarecer a relevância estética que enxerguei no texto. Vamos lá: a corrente cultista(ou culteranista) se ocupava da forma; a conceptista, com o conteúdo. Divisão muitas vezes apenas didática, pois era comum ambas as concepções andarem de mãos dadas nos meandros do texto barroco, mormente do poema. Nesse sentido, “joalheiros” e “tecelões” são os barrocos de hoje. Muitas vezes com certa preocupação em aliviar o texto de certo peso causado pela sintaxe, certa intenção de suavizar no texto contemporâneo o exercício estético inerente ao barroco de ontem, mas, ainda assim, barroco. Ou, usando termo mais adequado, neobarroco.

    A narração diz que os escritores-relojoeiros são dignos de pena por exigirem uma perfeição inexistente no mundo empírico, fazendo uma nítida ligação entre o ficcional e o real. É evidente que o vinculo existe, afinal é na realidade circundante, conhecida pela experiência ou pela informação, que o autor retira seus elementos composicionais. Mas até que ponto? Literatura não pode ser texto informacional, como o jornalístico, portanto em seus elementos é legítimo e necessário escapar ao que chamamos realidade.

    Mas e daí, se não é disso exatamente que o narrador fala? Refere-se à impossibilidade humana da perfeição, ou seja, se no empírico ela não ocorre, tampouco na técnica de produção do texto ficcional. Sim, mas a literatura, mormente a prosa de ficção, não é nossa possibilidade de perfeição, na medida em que os universos criados são totalmente controlado pelo autor? Se no dia a dia eu cometo falhas de comunicação, posto-me mal aqui ou ali, não será o texto ficcional a chance de me redimir, um belo exercício d e para a vida? Acho que sim. Nesse sentido, os escritores exigentes consigo próprios têm razão em se autoexigirem. Podem se tornar pessoas melhores.

    Há algo de niilista no narrador-traça, seguindo certa tendência do pensamento contemporâneo que não vê qualquer esperança no ser humano e chega mesmo a julgar nossa espécie uma praga no Planeta, como se qualquer praga existisse por si e não por causa de algum desequilíbrio. No caso do Homem, o desequilíbrio está no modo predatório como muitas sociedades foram construídas,

    A desesperança do narrador está em considerar a produção intelectual uma inutilidade, apenas alimento em seu nível mais básico, ou seja, para o corpo físico (no caso, da traça). É como se a produção intelectual fosse “material inútil que liberam a cada ano, e que vem a se tornar encalhe em lojas ou outras prateleiras, como as das bibliotecas”.

    Claro, há muito lixo mesmo, os best-seller da indústria cultural que o digam, e uma das funções que eles cumprem é apagar a produção intelectual e estética de qualidade. Nem tudo merece, pois, ir para o estômago das traças. Como por exemplo “O Banquete”, de Platão. O trecho “como num Banquete, tenho devorado toda e qualquer linha de pensamento ou literatura […]” é referência a ele, pois não?

    • H. Lepisma
      14 de dezembro de 2015

      Muito emocionado, caro Eduardo, pela sua profunda análise e pelas intuições dela advindas. É muito suave encontrar interlocução e perceber que várias das questões rabiscadas encontram alguma ressonância em quem lê – e mais do que isso, que a análise do leitor vá muito além do que se esperava dizer. Porque não me atrevo a fingir que poderia ir tão longe: sem sequer me aventurar na dicotômica entre forma e conteúdo, que poderia revelar uma espiral infinita, o foco da minha lanterna foi suficiente somente para deitar uma réstia ao que chamaria de “motivações fabris”, e ao utilitarismo, que grassa desde a escolha da técnica mais chamativa até a consequente escrita egotista. Gratíssimo, meu amigo!

  30. Daniel I. Dutra
    14 de dezembro de 2015

    No geral gostei do conto.

    É o tipo de cono que funciona melhor numa segunda leitura. Você fica procurando evidências de que era uma traça. Fora que a crítica a certos tipos de autores é impagável.

    Porém, o conto peca por não se adequar bem ao tema. Observem, o conto é sobre uma traça, não sobre a imagem em si, e apesar de haver menção a livros e biblioteca, não há nada remeta diretamente a imagem específica escolhida, a saber, uma biblioteca destruída.

    É uma pena, porque no demais está perfeito.

    • H. Lepisma
      14 de dezembro de 2015

      Obrigado, prezado Daniel. Agradeço a percepção quanto à aderência ao tema, mas justifico, sem desmerecer a crítica, que acreditei que o que tínhamos não era exatamente tema, mas sim mote – a imagem da biblioteca abandonada – considerada, no caso, como mero cenário onde vive Lepisma. Imagens sempre são ambíguas e polissêmicas, o que nos autoriza devanear sobre qual seria o “tema” que melhor poderia defini-las. Se de outra forma fosse, teríamos todos iniciado de um único tema, concretamente verbalizado: “abandono”, “destruição”, “guerra” ou outro qualquer e possível como interpretação – o que, creio, tornaria menos rica e diversa a variedade de alternativas que estão a surgir. Concordo que a conexão entre o texto e a imagem proposta só vem na segunda leitura, mas creio, sobretudo, que isso deve-se à ausência da imagem que o originou. Um cordial abraço.

  31. H. Lepisma
    13 de dezembro de 2015

    Olá, Anorkina. De fato, a referência à imagem do desafio estava bem mais evidente num rascunho anterior do conto, mas às várias edições restringiu-se ao trecho “Dentre essas paredes, que atualmente só existem como ruínas ou memórias, vim a aceitar também os limites de minha condição….”. E o acreditei suficiente, pois uma biblioteca abandonada deve ser o paraíso para lepismas (ou traças-de-biblioteca, como preferir). Esse pseudônimo foi a pista-recompensa que, acredito, deixei aos curiosos – mas que acredito não atrapalha a leitura, já que sabendo de quem se trata, todo o discurso adquire outro sentido. Já para quem não intuiu a pista, a revelação final fornece novo sentido a uma possível segunda leitura – o que não deixa de ser uma recompensa para mim. Cordial abraço e muito obrigado pelo tempo de leitura!

  32. Claudia Roberta Angst
    12 de dezembro de 2015

    Um conto/crônica sem muita ação,mas bastante reflexão.Intimista, com metáforas (pelo menos, eu enxerguei assim) interessantes. Melhor ainda foi a comparação leitor/traça. Será que o narrador é uma mera traça ou se considera uma traça porque devora tantos livros?

    Conto muito bem escrito, sem pontas soltas, sem chatices pelo caminho. O tamanho também impede que o leitor se canse da história.

    Não há clímax (como em todos os meus contos…rs), o que não atrapalha em nada a apreciação da leitura.

    Bom trabalho, traça, digo, autor. Boa sorte!

    • H. Lepisma
      13 de dezembro de 2015

      Olá, Claudia, muito grato pela atenção. Seja traça, seja leitor, o importante é depender dos livros para viver. Cordial abraço!

  33. Fabio Baptista
    12 de dezembro de 2015

    Não tem como não gostar desse conto (bom, sempre tem chato pra tudo, mas… ainda bem que não sou chato! kkkkkk).

    Ele fala de coisas que vemos e convivemos nesse meio literário, ainda que amador como é para a maioria. E fala muito bem! Porra, meu… que domínio das palavras. Muito bom.

    Só fiquei naquela dúvida se é realmente um conto ou uma crônica, mas não faz muita diferença.

    A frase/revelação final lacrou.

    Abraço!

    • H. Lepisma
      13 de dezembro de 2015

      Fabio.: obrigado pelo comentário. Os limites entre crônicas e contos são às vezes nebulosos, mas creio que um narrador personificado já torna o escrito suficientemente fantasioso – mesmo que o teor do que ele trata seja algo bem cotidiano para todos nós, que tentamos escrever. Muito grato pela sua atenção.

    • catarinacunha2015
      16 de dezembro de 2015

      Bem, acabo de descobrir Fabio que, entre muitas outras qualidades, também sou chata! Kkkkk.

  34. Gustavo Castro Araujo
    12 de dezembro de 2015

    Excelente reflexão. Chego a imaginar que o autor tenha escrito um desabafo ao analisar a cena literária de modo geral. Em verdade, o mercado, ou melhor a sanha por chegar a ele está bem retratada em argumentos ágeis, inteligentes e bem construídos. É preciso atenção, contudo. O emprego da prosa foge ao lugar-comum, o que, na verdade, torna a leitura mais preciosa.

    Aliás, é impossível não imaginar este ou aquele escritor nos momentos em que são descritos este e aquele estereótipo. “Gasto inútil de celulose” — esta frase deveria servir como epitáfio de muita gente considerada referência, graças ao trabalho de marketing.

    Enfim, gostei muito da digressão. Percebi que o autor adaptou sua opinião pessoal ao mote do desafio, inserindo bibliotecas reais e imaginárias em seu texto para aproximá-lo do gênero “conto”. Ao contrário do que se poderia supor, o resultado ficou ótimo. A frase final encerra com inteligência a argumentação.

    Parabéns!

    • H. Lepisma
      13 de dezembro de 2015

      Obrigado pela atenção à leitura e percepção aguda. Como comentário acessório, digo que não pretendia dar um tom amargo ao escrito, apenas fazer reflexão ligeira sobre o(s) meu(s) processo(s) criativo(s) que, acredito, sejam bem comuns. O que me levou a esse papel de “ghost-writer de traça” foi meu sentimento de transitoriedade e dificuldade na elaboração, bem mais do que uma crítica ao mercado. Mas, tenho certeza, também assim pode ser lido, à sua escolha. Grande abraço!

  35. André Lima dos Santos
    10 de dezembro de 2015

    Olá autor!

    Você possui uma habilidade incrível com as palavras. É um escritor já formado, em minha opinião.
    Durante minha leitura, eu fiquei na dúvida se seu texto se enquadraria em um “conto” (Parecia-me mais com as crônicas), mas depois fui vendo alguns elementos que confirmaram que seu texto é um conto, e dos bons!
    Não há muito mais o que eu possa falar. Embora não seja um estilo de texto que eu tenha prazer em ler (Prefiro contos com tramas, personagens, etc), tenho que ter uma análise técnica e afastar as questões pessoais. Seu conto é bom. Não o classifico como “extraordinário”, mas o considero bom. Acredito, inclusive, que vá pegar um top10 no mínimo.

    Abraços!

    • H. Lepisma
      13 de dezembro de 2015

      Prezado André, fico lisonjeado com vossa generosa percepção. Também esse estilo não me é o usual (e até nestes comentários tenho que esforçar-me para manter a unidade estilística com o texto, muito diverso ao que estou acostumado, o que faço para não apontar autoria). Encarei-o como uma oportunidade de exercitar outra dicção que não a minha, e conto-vos um segredo: ao conviver com uma pessoa de Portugal, por esses dias, a prosódia e tom voz dela permaneceram em minha mente, praticamente “narrando” as palavras que apareciam ao ecrã. Saudações cordiais!

  36. Anorkinda Neide
    10 de dezembro de 2015

    Olá!
    Hahaha… Adoro isso…deixar a revelação para a última palavra do texto.
    Pode ser que outros matem a charada logo de cara, mas eu sou péssima nisso e não sabia de quem se tratava e fiquei curiosa…
    Gostei das reflexões sobre os diversos tipos de autores e imaginei o personagem, fofinho, de óculos, lendo tudo antes de devorar tudo…hahaha
    Me diverti.
    Gostei de várias construções que elaborastes aí e do tom quase crônica, mas que a meu ver é um conto, sim, devido ao personagem estar ‘falando’ e não o próprio autor. Apenas não vejo muita ligação com a imagem do desafio, pois ele bem pode estar numa biblioteca abandonada como numa biblioteca ativa, visto que ele ‘lê’ os autores modernos…hahaha Mas não o vejo em uma biblioteca devastada.
    Mas parabéns pelo texto.
    Abraço e boa sorte.

    • H. Lepisma
      13 de dezembro de 2015

      Olá, Anorkina. De fato, a referência à imagem do desafio estava bem mais evidente num rascunho anterior do conto, mas às várias edições restringiu-se ao trecho “Dentre essas paredes, que atualmente só existem como ruínas ou memórias, vim a aceitar também os limites de minha condição….”. E o acreditei suficiente, pois uma biblioteca abandonada deve ser o paraíso para lepismas (ou traças-de-biblioteca, como preferir). Esse pseudônimo foi a pista-recompensa que, acredito, deixei aos curiosos – mas que acredito não atrapalha a leitura, já que sabendo de quem se trata, todo o discurso adquire outro sentido. Já para quem não intuiu a pista, a revelação final fornece novo sentido a uma possível segunda leitura – o que não deixa de ser uma recompensa para mim. Cordial abraço e muito obrigado pelo tempo de leitura!

      • Anorkinda Neide
        30 de dezembro de 2015

        Eu fiz uma segunda leitura, nao tanto pela revelação final…mas por prazer mesmo 🙂
        Inclusive copiei o texto, eu me identifiquei tanto com a traça 🙂
        Feliz ANo Novo!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .