EntreContos

Literatura que desafia.

Indignação (Pedro Luna)

cyberpunk1

De vez em quando, Lorenzo parava o que estava fazendo para contemplar a chuva. Ficava imóvel, de queixo erguido, fitando as nuvens vermelhas no alto e recebendo as gotas no rosto. Permanecia assim até que algum companheiro de serviço o mandava retornar ao trabalho, pois ainda havia muito a ser feito. As bocas de lobo. Ah, elas nunca tinham fim. A cada esquina havia pelo menos uma delas entupida de lixo, impedindo a água de escoar. O serviço de Lorenzo e de seus companheiros era limpá-las diariamente, tendo em vista que nunca parava de chover e alagamentos eram constantes. Sempre que se agachava e retirava o lixo daqueles buracos, ele sentia o cheiro fétido do subterrâneo. Mas não usava máscara, pois já estava acostumado. Fazia o seu trabalho sem pestanejar, de modo pragmático. Em sua mente, apenas um questionamento: como era possível ser tão sujo, um lugar onde tanto chovia?

Trabalhava e vivia no Setor B-13 de São Paulo, uma zona conhecida como Buraco. Buraco porque era a melhor definição para a perdição que era aquele lugar. O Setor B-13 era onde morava a escória, as pessoas rejeitadas e que não conseguiam empregos que permitiam pagar os apartamentos luxuosos dos setores mais caros. Era a região onde o governo quase não investia e onde as grandes corporações não se instalavam. A região basicamente só sobrevivia graças a infinidade de comércios e lojas de eletrônicos, que se espalhavam pelos quarteirões, iluminando as ruas com imensos painéis de neon azul  e letreiros que piscavam.

A rotina de Lorenzo consistia em acordar cedo, deixar o minúsculo apartamento onde vivia sozinho, e se apresentar na Estação de Limpeza, um dos poucos órgãos do governo que ainda funcionavam no Buraco. Lá ele trocava de roupa e vestia o uniforme dos garis, uma ridícula farda forrada com lanterninhas laranjas. Uma medida de segurança, para que os garis não fossem atropelados por Skybikers e outras Naves. Em dupla, montavam nas Naves de Limpeza e partiam para o dia de trabalho. A chuva era uma dificuldade, e de três em três dias eles tomavam uma injeção contra a gripe. Somente uma vez Lorenzo ficara doente, mas rápido voltou ao trabalho. Apesar dos pesares e do valor de merda que as pessoas davam para o seu emprego, achava melhor limpar bocas de lobo do que passar o dia mofando em seu apartamento.

De noite, voltava a estação e batia o ponto de saída. Trocava de roupa, se despedia dos companheiros e iniciava a pé o trajeto de volta para casa. Evitava a Nave Coletiva, pois achava melhor não gastar o dinheiro. Além disso, não morava tão longe. No caminho, desviando da multidão que percorria as ruas como baratas apressadas e ignorando os milhares de televisores pregados nas vitrines das lojas, que transmitiam propagandas e novelas imbecis, Lorenzo às vezes olhava para cima e também contemplava a Torre Gastaldi, que se erguia imponente no horizonte. Ela pertencia a outro setor, mas era tão enorme que podia ser vista de qualquer lugar da cidade. Olhando para ela, Lorenzo sentia saudades, mas nunca permitia lamentações. O tempo havia passado e que o havia dado errado podia ser encarado como aprendizado. Ele aprendera.

Naquela noite, a chuva caía com mais força do que o normal e as ruas estavam quase vazias. Lorenzo caminhava sem conseguir ver a Torre Gastaldi. A visibilidade era quase nenhuma e por isso ele estava atento onde pisava. Próximo ao seu apartamento, viu uma batida de Skybikers e os motoristas discutindo. Mais adiante, mendigos se drogando embaixo de uma marquise.  Em um beco antes de sua rua, notou que algo brilhava próximo a latões de lixo. Com a sua experiência em lidar com dejetos, Lorenzo sabia que muitas vezes objetos de valor eram descartados por descuido. Sem criar expectativas, foi até o brilho e encontrou um modelo de cachorro robô. Era um modelo novo, aparentemente em perfeito estado e com a polidez em dia. Os olhos do cachorro permaneciam apagados, sem vida, mas Lorenzo sentiu algo estranho, um sentimento inquietante ao ver aquele animal abandonado e sendo castigado pela chuva. Era como se os olhos do cachorro estivessem chorando, implorando. Lorenzo refletiu um tempo e decidiu levar o animal consigo.

Morava em um decadente prédio chamado Edifício Passagem, um caixão de quinze andares sem elevadores. Subindo as escadas, ele podia ouvir as televisões sintonizadas na novela, pessoas rindo e maridos e esposas discutindo. No décimo andar, parou diante de uma porta e apertou a campainha.

– Quem é? – perguntou uma voz desconfiada.

– Lorenzo. Seu vizinho.

A porta se abriu e um sujeito magricela botou a cabeça para fora. Os óculos que usava eram enormes.

– Ah, olá – ele disse. – Hoje é sexta?

– Quinta – respondeu Lorenzo, se divertindo com a falta de noção de tempo de Finegan.  – Não vim para jogar.

– Ah, foi mal. – Finegan coçou a cabeça. – Estou programando há muito tempo, acho que preciso dar uma pausa. Mas o que você quer? Algum problema?

Lorenzo levantou o cachorro robô.

– Quero saber se isso ainda funciona.

Como todo bom aficcionado por robótica, Finegan catou o robô das mãos de Lorenzo e o examinou de todos os ângulos.

– Vamos entrar. Vou dar uma olhada.

Dentro do apartamento, repleto de fios espalhados e computadores, Lorenzo aguardou enquanto Finegan trabalhava no cachorro em cima de uma pequena mesa cheia de ferramentas e cabos. Após alguns minutos, Finegan bateu palmas satisfeito.

– Pronto. Tudo certo.

Lorenzo se aproximou e no entanto, viu que o cachorro continuava desligado.

– Não está funcionando…

– Ele tinha um problema em um dos conectores de saída – explicou Finegan. – Troquei por um que eu tinha aqui. A bateria dele está ok. Para ligar é só apertar esse botão aqui atrás, quer que eu aperte?

– Não – respondeu Lorenzo, no mesmo instante.- Deixa que eu faço isso depois.

– Você o comprou?

– Eu o encontrei no lixo.

– Bom, provavelmente acharam que não valia a pena consertá-lo. Mas e aí, qual vai ser o nome dele?

Lorenzo ainda não havia pensado naquilo. Rapidamente, tentou pensar em algo e não conseguiu. Nunca tivera um bicho de estimação e não imaginava que nomear um fosse tão difícil.

– Não sei se vou ficar com ele – respondeu. – Por isso ainda não pensei em um nome.

Finegan deu de ombros.

– Você que sabe, cara.

Lorenzo agradeceu e confirmou o jogo de Galaxy Poker na noite seguinte. Carregando o cachorro, ele se despediu de Finegan e foi para o seu apartamento. Chegando lá, tomou um copo com água e posicionou o robô em cima da mesa. Sentou-se no sofá e ficou observando.

Um nome.

Céus, como aquilo era difícil. Um simples nome. Não conseguia pensar em nenhum. O cachorro tinha um tamanho médio e um focinho achatado, mas as orelhas estavam em pé. Uma mistura de raças. Lorenzo não era conhecedor de cachorros de verdade, pois há muito tempo não via um, mas sabia que os nomes que costumavam dar a eles provavelmente não iriam servir para um cachorro robótico.

Por fim, decidiu chamá-lo de Lorenzo. Assim não esqueceria nunca. Hesitante, mas ansioso, ele apertou o botão de ligar e instantanamente os olhos do robô ganharam vida. Eram amarelos. O rabo começou a balançar lentamente e a boca escancarou, deixando cair uma língua cinza. O cachorro saltou de cima da mesa e ficou observando Lorenzo, como se aguardasse por alguma ordem.

– Você sabe latir?

E como resposta o cão latiu. Lorenzo sorriu e decidiu reativar o computador que há anos não usava para pesquisar na Cybernet como eram os cuidados com um cão robô.

***

Nos primeiros dias após a nova aquisição, ele acabava esquecendo do cachorro durante o trabalho. Por isso, quando chegava em casa, tomava um susto ao ver o animal latir e pular, o recepcionando. Somente após uma semana se acostumou de vez com a nova companhia. Lorenzo era inquieto e passava as noites rodando pela casa. Lorenzo não se importava. Mesmo acostumado com a solidão, não podia dizer que ter novamente alguém com quem dividir a casa fosse algo ruim.

Com o passar do tempo, enquanto voava na Nave de Limpeza ou enquanto limpava as bocas de lobo, Lorenzo começava a pensar no cão. Não se permitindo pensamentos ansiosos, ele logo os afastava da mente, só para voltar a tê-lo depois. Quando chegava a hora de ir embora, caminhava depressa. Na porta de casa, podia sentir Lorenzo deitado do outro lado, o aguardando. Uma noite, percebeu que os olhos do cão piscavam, e imediatamente pensou tratar-se de um problema na bateria. Pesquisando na cybernet, viu que não tinha nada a ver. Os olhos do cão robô piscavam quando ele tinha alguma atualização disponível que podia ser baixada via site da empresa TECH ANIMALS. Com o código presente na barriga do animal, Lorenzo fez alguns downloads no site. Uma das atualizações ele cancelou depois, pois preferia que o cão continuasse sem urinar. Uma outra ele gostou bastante: Lorenzo agora sabia brincar de pegar.

****

Um dia, ao chegar em casa, Lorenzo encontrou o cão sentado no sofá. E ao lado estava Alexander, o seu irmão mais novo.

– Não sabia que gostava de bichos – disse Alex.

– Nem eu. – Lorenzo estava surpreso. Já havia um bom tempo que não via o irmão. Alex agora usava uma longa barba e os cabelos estavam compridos. O rosto estava meio sombrio, e ele parecia mais forte, encorpado. – Como entrou?

– Pergunta idiota.

Lorenzo sorriu e deu um tapa na própria testa. Claro, o irmão era um hacker. Podia abrir qualquer porta eletrônica.

– Fico feliz em te ver, Alex. Como está indo?

– Vou bem. – Alexander respondeu, fazendo um carinho no cachorro. Lorenzo não queria assumir, mas estava um pouco incomodado com o modo com que o cão já havia se afeiçoado ao irmão.

– E a que devo essa visita? Faz tempo que não nos vemos.

– Talvez eu suma por um bom tempo – disse Alexander, sem se alterar. – Aí pensei em vir antes aqui, ver como você está.

– Vai viajar?

– Acho que me esconder define melhor.

Lorenzo foi até o sofá. Espantou o cão e sentou ao lado de Alex.

– Futuro Dourado? – perguntou.

– Sim.

– E o que diabos você vai fazer para precisar ficar escondido?

Alex sorriu para o irmão.

– Sabe que não posso dizer, Lorenzo. Você não faz mais parte do grupo. Quanto menos souber, melhor.

Lorenzo sabia que aquilo era verdade. Quando era mais novo, ele foi um dos primeiros membros do Futuro Dourado, uma organização formada principalmente por Hackers que atuavam contra o governo e sua mania de privilegiar apenas os setores da cidade onde as corporações de cyber negócios estavam sendo instaladas. O Futuro Dourado surgiu para buscar e divulgar informações contra as grandes corporações e seus acordos com os governantes, além de mobilizar manifestações contra repressão dos policiais e contra a violência nos setores obscuros. Lorenzo nunca fora um perito em computação, por isso atuava mais em campo, organizando e executando ações. A grande questão é que ao mesmo tempo em que atuava nesse papel, ele tinha um bom emprego na Corporação Gastaldi, onde era um trainer da área de Planejamento de Marketing. Conseguira o emprego devido as amizades do falecido pai, um homem de muitos conhecidos. Detestava o serviço, mas o dinheiro que ganhava permitia financiar os atos do Futuro Dourado. Inocentemente, Lorenzo achou que conseguiria levar a vida dupla, mas a bomba explodiu de ambos os lados. Tanto os seus companheiros começaram a imaginá-lo como um duas caras, como os seus chefes na Corporação descobriram a verdade sobre a sua participação em um grupo tido como terrorista. Foi demitido do emprego e expulso de casa pelo pai. A sua participação no Futuro Dourado também terminou de forma amarga, com ele sendo expulso após duvidarem de sua lealdade quando se recusou a cumprir uma missão. Sozinho, Lorenzo acabou indo morar no Buraco, onde conseguiu o emprego como gari graças a um amigo que trabalhava por lá e que conseguiu indicá-lo. Ninguém queria aquele emprego, então não houve problemas em ser admitido, mesmo com o seu passado revolucionário.

Lorenzo analisou Alex e percebeu que o semblante sombrio que o irmão mantinha era por que agora ele era um homem que não temia mais nada. Para precisar se esconder, provavelmente faria algo violento. Lorenzo sentiu o coração apertar.

– Alex, não faça nenhuma besteira. Eu imploro.

– Não precisa se preocupar. Não tenho medo de nada. O que precisar fazer eu farei com consciência.

– Consciência? – Lorenzo não conseguiu conter uma risada de deboche. – Antes as coisas eram feitas com consciência. Agora matam pessoas. Explodem coisas.

– Isso acontece em uma guerra – retrucou Alex, ainda concentrado no cachorro, que agora estava deitado aos seus pés. – Está muito difícil romper os novos firewalls do governo, então achamos melhor começar a atuar na cidade. Eu mesmo estou deixando de lado o trabalho nos computadores e me concentrando no trabalho de campo. Já fiz alguns treinamentos e estou indo bem. Ei, Lorenzo, gostei mesmo desse seu cachorro. Muito simpático.

– Esqueça o cão. Fale comigo, eu sou o seu único parente vivo. Se você morrer eu ficarei sozinho.

Alex o encarou.

– Mas você já é sozinho. E somos irmãos, sim, mas nunca fomos próximos. Melhor parar com essa bobagem.

– Por que veio, então?

– Já disse. Talvez precise sumir. Não queria que ficasse me procurando, por isso vim avisar.

Lorenzo assentiu mas continuou pensativo. Um incomodo surgira em seu coração e ele precisava passar aquilo a limpo.

– Vai matar alguém, Alex?

O irmão fitou o vazio. Não parecia mais um homem e sim uma casca vazia. O treinamento havia o transformado.

– Se precisar, sim – ele respondeu. – Uma vida que nós tiramos do lado deles não é nada comparado com o tanto de vidas que se perdem no lado de cá, nessas merdas de setores que mais parecem sarjetas. Você limpa lixo, Lorenzo, e no fundo sabe que esse lixo que está aqui vem de lá, das corporações. Nada mudou desde quando você foi um dos nossos. Mas agora vamos radicalizar. Precisamos tocar o terror e mostrar que não vamos parar.

– Se você for pego. – Lorenzo continuava tentando. – Vai passar o resto da vida em uma cela apertada. É isso que você quer?

Alex sorriu pela primeira vez.

– E o que diabos você acha que essa merda de apartamento é? – disse. – Você já vive em uma prisão, Lorenzo. E não é o único. As pessoas não tem oportunidades. Quando você cai nessa sarjeta, não consegue sair. E não sai porque não existem mãos para te puxar. Você vai ficar para sempre no fundo do poço. A não ser que lute para que o poder volte a olhar para os esquecidos, volte a olhar para esse buraco.

O cão latiu, talvez percebendo que o clima estava ficando pesado. Alex se levantou.

– Eu já vou. Não preciso perguntar se você está bem porque aposto que a sua vida continua a mesma, sem grandes emoções.

– É assim que eu gosto – rebateu Lorenzo. – A vida é melhor quando se sabe qual é o seu lugar.

Alex se encaminhou para a porta e antes de sair, disse:

– Isso se chama covardia. Que bom que nem todos pensam assim.

E saiu, deixando Lorenzo perdido em pensamentos e memórias. A mais dolorosa delas era a de sua última missão dentro do Futuro Dourado, quando apontou a arma para a cabeça de um Programador de Naves Coletivas de uma corporação corrupta, que sucateava os transportes dos setores mais pobres. Se tivesse atirado, teria sido o primeiro membro na história da organização a matar alguém, mas no último momento desistiu e fugiu. Foi expulso, mas não sem antes tomar uma surra.

Lorenzo acaricou a cabeça de seu cachorro.

– Eu nunca matei ninguém – disse em voz alta. – Não acho que isso é ser um covarde.

O cão latiu, talvez manifestando apoio.

***

Dois dias depois, Lorenzo cumpria o seu ritual nas ruas imundas e debaixo de chuva. Estava mais calado do que de costume, pois ainda pensava em Alex. Segundo o irmão, algo iria acontecer em breve. O que será que o Futuro Dourado ia fazer?

Chegou em casa naquela noite e o cachorro não estava esperando do outro lado da porta. Procurou por toda a casa e não o encontrou. Com um entalo na garganta, Lorenzo passou a procurar pelo prédio, batendo na porta até de vizinhos que nunca havia visto. Ninguém tinha notícias de um cão robô. Deprimido, mas ainda com esperanças, ele procurou nas ruas próximas, mas sem sucesso. Antes de dormir, chorou pela primeira vez em muitos anos.

Na manhã seguinte, enquanto fazia o trajeto rumo ao trabalho, os seus olhos não paravam de se mover, vasculhando as ruas em busca de algum sinal do cão. No entanto, foram os aparelhos televisores das vitrines que captaram a sua atenção. Neles, um repórter enorme de gordo anunciava que uma bomba havia explodido na sede de uma das filiais da Corporação Gastaldi. Segundo as informações, a bomba estava inserida dentro de um cachorro robótico que surgira na porta do prédio da filial. A explosão acabou destruindo a fachada do prédio e matou sete pessoas. Na cybernet, a organização conhecida como Futuro Dourado já havia declarado a autoria do atentado com um vídeo onde homens apareciam encapuzados. Segundo eles, era só o começo. A reportagem terminava com um membro da polícia afirmando que já estavam em busca de suspeitos, e que iriam travar uma guerra sem fim contra qualquer organização terrorista.

Lorenzo ficou paralisado, de frente a vitrine da loja de eletrônicos, e permaneceu ali por muito tempo. Não pensava em em nada, apenas fitava o vazio. As pessoas passavam por ele depressa, esbarrando em seus ombros, e a chuva caía sem piedade, ensopando os seus sapatos. Ninguém percebeu quando ele suspirou e recomeçou a andar, sumindo na multidão para nunca mais aparecer.

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39 comentários em “Indignação (Pedro Luna)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o protagonista foi muito bem construído e tudo estava caminhando para ser meu texto preferido do desafio, mas o final não encerrou a história. Realmente o espaço era curto. Todos os elementos estavam bem dispostos, mas o que ocorreu no clímax se passou de forma a que muitos elementos ficaram sobrando. Além disso, o protagonista foi , no fim, um mero espectador da história. Uma pena.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, narração nítida, bom desenvolvimento dos personagens e cenas visíveis. Só precisa trabalhar melhor a gordura do roteiro.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não contém nenhum grande elemento novo, mas usa os existentes para criar uma história nova.

    🎯 Tema (⭐⭐): uma das melhores ambientações cyberpunk do desafio.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): como já disse, esperava que esse fosse meu texto Cyberpunk preferido do desafio, mas o final tirou bastante do impacto.

    ⚠️ Nota 8,0

    Obs.: quase usei essa imagem no meu conto

  2. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Um bom conto, boa ambientação e climão pessimista. Eu realmente fiquei triste por Lorenzo. Parecia levar uma vida tão vazia e sem graça, quando encontrou um pouco de alegria no seu cãozinho robótico. Só quem tem uma animal em casa entende essa sensação de chegar em casa e ser recebido com alegria pelo nosso melhor amigo.

    Eu só não entendi bem a última frase: “Ninguém percebeu quando ele suspirou e recomeçou a andar, sumindo na multidão para nunca mais aparecer.” Lorenzo sumiu para quem, se todos com quem ele topa são estranhos e ele não mantém relações de amizade com ninguém? Por acaso, ele foi atrás do grupo de seu irmão? Resolveu voltar “luta” ou se vingar pelo cãozinho? Ou ele simplesmente sumiu da cidade, pois se deu conta que não teria qualquer futuro levando aquela vidinha miserável? Enfim, boa sorte.

    P.S.: Que irmão mais fdp esse Alex.

  3. Jowilton Amaral da Costa
    16 de dezembro de 2016

    Um bom conto e bem escrito. A leitura fluiu bem, mas, o enredo não me cativou tanto. A “morte” do cachorrinho robô no final foi uma boa surpresa, mas, não ao ponto de me emocionar. Boa sorte no desafio.

  4. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Olá, eu gostei demais desse texto. Posso compreender que ele tem algumas coisas a serem melhoradas, pois não foi uma leitura fácil, em alguns momentos minha leitura parecia travar um pouco, mas a empatia que senti por Lorenzo e seu cãozinho, sei lá, é daquelas coisas que não se explica. Apesar desses momentos de leitura travada, eu senti vontade de ir até o final, de acompanhar o desenvolvimento até a última linha. Em muitos momentos, um tom melancólico. Sobre o último parágrafo, achei o último período muito explicativo e por isso desnecessário. Talvez fosse mais interessante terminar no “ensopando os seus sapatos”, por exemplo, ou colocar uma conexão entre essa parte e o que vem a seguir, algo como “…ensopando os seus sapatos, antes de recomeçar a andar e sumir na multidão”. Mas é só um toque, desculpe a intromissão, rs. Parabéns.

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    32. Indignação (Forster D.): Nota 8,5

    Amigo Forster,

    Gostei da sua história. Gostei principalmente do caozinho. mesmo sendo um personagem sem falas, vc conseguiu dar a ele uma personalidade e uma forma de influenciar o emocional do personagem principal, tanto para o bem dele, quanto para o ciúme, como para a tristeza porque ele se foi.
    Achei tlvz um pouco panfletário o trecho das justificativas do irmão. Mas reconheço que infelizmente é assim que acontece. De repente, tudo é “justificável” se for para ajudar um determinado grupo, e pessoas inteligentes aceitam até que seus “representantes” cometam crimes.

    Bem, gostei do texto e do clima noir que vc criou. Parabéns!

  6. Rubem Cabral
    16 de dezembro de 2016

    Olá, Forster.

    O conto é bom, foi capaz de utilizar bem os elementos típicos do cyberpunk.

    Contudo, o desfecho pareceu-me meio forçado e houve um “infodump” bem grande em “Lorenzo sabia que aquilo era verdade. Quando era mais novo, ele foi um dos primeiros membros do Futuro Dourado…”. Penso que seria melhor apresentar as informações de background de outra forma.

    Nota: 7.5

  7. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: há vários elementos do punk presentes no conto (as corporações, o poder opressor, a revolta dos oprimidos, a marginalidade etc.), mas nenhum deles parece ser o verdadeiro foco da presente narrativa. Trata-se mais de um drama cotidiano ambientado em um cenário punk – que realmente atua apenas como cenário. Ortograficamente, há algumas falhas no uso de crases e outros pequenos detalhes indiferentes.

    Criatividade: é aqui que o conto se supera, ao explorar o lado humano do protagonista na relação com o amigo canino. O cenário exposto funciona como um purgatório da inércia, em que o protagonista é levado a refazer eternamente sua rotina e, aos poucos, deixa de se incomodar com isso. O cão funciona como um vetor que tira Lorenzo do comodismo. Infelizmente, a morte do amigo é também o que lhe impede de voltar ao que era antes, desvanecendo de vez enfim.

    Carisma: é um conto que conquista pela intimidade que cria com o leitor, e pela simplicidade da relação simulada.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Cara, que conto triste! O fim foi foda, hahahah.
    Também lida com um assunto delicado. Eu, por exemplo, sou totalmente a favor da luta (pacífica) pelos direitos do trabalhador e cidadão, e a repressão do Estado é uma coisa medonha, o que deu pra se notar claramente esse ano no Brasil.
    Mas estar disposto a tudo para seguir a causa é algo preocupante e questionável. Isso ficou bem exposto na atitude do irmão que apesar de ter uma ideal válido, destrói o próprio irmão.
    Enfim, ótimo conto, pra refletir.
    Parabéns e boa sorte!

  9. Waldo Gomes
    15 de dezembro de 2016

    Muito legal a trama, mas totalmente forçado com esse lance de cachorrinho e o cara fugindo nas sombras.

    A ambientação foi boa, mas a trama não fecha… nem precisava desse irmão louco aparecer só pra roubar o cachorro do coitado.

  10. rsollberg
    15 de dezembro de 2016

    Indignação (Forster D.)

    Caro (a), Foster.

    Antes tudo, alguma relação com o distrito 13 – b13?
    Então, gostei do conto. Mesmo não tendo um grande “punch” ou uma reviravolta sensacional, o texto ganha o leitor pela melancolia do protagonista. A rotina bem descrita, o universo sujo, a esperança renovada. A história também tem bom ritmo e os diálogos foram usados com competência, ou seja, eles fazem a coisa avançar, não estão ali por simples protocolo.

    Porém, sempre existe um “porém”, como acredito que um dos benefícios do desafio é propor algo ou dar sugestões, segue algumas coisas que percebi. Lembrando que trata-se apenas de opinião.
    Acredito que seria possível suprimir alguns pronomes, como nessa frase, por exemplo “A visibilidade era quase nenhuma e por isso ele estava atento onde pisava.” Outrossim, o mesmo poderia acontecer com “Lorenzo”, em determinados momentos é repetido várias vezes em um mesmo parágrafo, sugiro ao autor nesses casos inventar um sobrenome, ou citá-lo pela profissão para variar um pouco e deixar o texto mais ágil.

    Por fim, penso que o autor poderia usar um pouco mais de sutileza em alguns momentos, destaco esse trecho “Claro, o irmão era um hacker.” Creio que essa informação poderia vir num diálogo, ou em alguma ação, sacou? Para não ficar muito gratuito.

    De qualquer modo, curti a leitura. Parabéns e boa sorte.

  11. mariasantino1
    15 de dezembro de 2016

    Oi, autor(a)!

    Cara, muito bom, muito bom mesmo os diálogos do Lorenzo com o irmão. Eu gostaria muito de poder fazer algo assim, porque vc consegue dar o recado sem ser moroso.

    Bem o conto engrena mesmo depois que o Alex entra na jogada e a partir de então ganha ar conspiratório. Acho que o lance do Futuro Dourado é importante para a trama, bem como a participação do Lorenzo nele e, portanto, merecia uma sinalização antes, como também a existência do irmão. Não tenho muito o que falar, só que seu texto me surpreendeu, porque começa como quem não quer nada e pinba!, lá estamos no meio de uma revolução contra o sistema e atendados terroristas. Gostei da narrativa, não achei que houve misturas e também me afeiçoei ao cão lorenzo.

    Um conto que consegue surpreender.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 8,5

  12. Fil Felix
    15 de dezembro de 2016

    GERAL

    Gostei do conto. Não fala de grandes invasões ou resistências, sendo mais contido que outros do desafio, mas é narrado numa ótima maneira, nos atendo aos detalhes, mas sem largar mão das grandes corporações e cia.. Personagens interessantes, destaque pro cachorro, segue até um esquema cinematográfico, com o vizinho nerd conversando com a porta entre-aberta (Neo).

    O X DA QUESTÃO

    A ambientação é bem X Punk, não dá pra não associar com as ruas de Blade Runner. O convívio entre o cão e o dono é muito bom, mostrando a relação homem x máquina (e animal) sem ser piegas. Como necessitamos de uma certa companhia e nos sentimos tristes ao perdê-la. O final ficou um pouco auto-explicativo de mais, mas não compromete a história.

  13. angst447
    14 de dezembro de 2016

    Olá, autor!

    Antes de mais nada, esclareço que não levarei em conta a adequação ou não do conto ao tema proposto. Não me considero apta para isso.

    Alguns pequenos lapsos de revisão:
    voltava a estação > voltava à estação
    As pessoas não tem > as pessoas não têm
    de frente a vitrine > de frente à vitrine

    A narrativa flui fácil, sem entraves, com um bom ritmo favorecido pelos diálogos inseridos. A trama prende a atenção,mas de forma suave, sem lançar mão de subterfúgios exagerados. Um cãozinho cyborg que se transforma em arma letal.

    O final ficou meio em aberto, deixando o leitor concluir o que havia acontecido. Isso é bom, mas nem todos gostam.

    Boa sorte!

  14. Marco Aurélio Saraiva
    14 de dezembro de 2016

    Um conto tão melancólico quanto belo. A história de que, às vezes, um cão pode ser um amigo melhor do que um irmão. Mesmo que seja um robô.

    Lorenzo é um personagem apático, mas não há como não se identificar com ele. Conforme descobrimos sua história durante a leitura, ele vai ficando cada vez mais interessante. Você conseguiu trabalhar muito bem o seu psique. Mesmo Alex, que apareceu por pouco tempo, foi bem trabalhado. Parabéns!

    A ambientação é boa. Segue alguns clichês mas tem também uma série de detalhes originais. As nuvens vermelhas e a chuva que não pára são os que mais gostei (apesar de a chuva lembrar um pouco o Blade Runner). O trabalho de gari de repente ganha grande importância, já que com uma chuva incessante o alagamento é sempre um problema iminente. Foi um sacada legal.

    O enredo é simples, mas interessante. Os poucos detalhes que conhecemos da vida de Lorenzo são todos muito interessantes e nos fazem pensar. O final em aberto nos faz querer acreditar que Lorenzo sumiu do mapa para tentar fazer alguma diferença no mundo, tentando resgatar o seu eu revolucionário de antigamente.

    A escrita é simples e direta. Situa bem o leitor no ambiente, descreve bem os cenários e ações e detalhes, mas não tem muito brilho. Identifiquei muitas repetições de fonemas ou de palavras inteiras. Nada que atrapalhasse a experiência, mas são coisas que eu eu, enquanto leio, sempre penso “humm isso aqui poderia ser melhor”.

    Segue algumas anotações que fiz:

    => Em certo momento do conto você fala que Lorenzo estava pensando na sua “nova aquisição”, referindo-se ao cachorro. Mas o cachorro não foi uma aquisição e sim um achado, certo?

    => ” O treinamento havia o transformado.” – O certo não seria ” O treinamento o havia transformado”?

    => ” Não pensava em em nada…” – tem um “em” duplicado aqui.

    Por fim, segue também um trecho que gostei muito do conto:

    “Os olhos do cachorro permaneciam apagados, sem vida, mas Lorenzo sentiu algo estranho, um sentimento inquietante ao ver aquele animal abandonado e sendo castigado pela chuva. Era como se os olhos do cachorro estivessem chorando, implorando.”

    Achei esse trecho muito bonito por que a imagem ficou muito nítida na minha mente: as gotas de chuva escorrendo pelo rosto do cachorro fazendo as vezes de lágrimas, somado a um rosto sem expressão que sempre nos remete a algo triste.

    Parabéns e boa sorte!

  15. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado Forster D., eis minha análise:
    PREMISSA: perfeitamente punk, com um mundo agressivo e sujo, em que rebeldes lutam contra o sistema com as armas que têm.
    DESENVOLVIMENTO: o melhor desse conto, algo que eu quero muito aprender, é o trabalho com os diálogos, que soam convincentes e levam a história para frente.
    RESULTADO: o resultado final da história é muito bom, só a última parte da última frase me incomodou:”…sumindo na multidão para nunca mais aparecer.”. Acho que ele merecia um destino menos ignorado.

  16. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Aficcionado, instantanamente e acaricou foram os erros que encontrei, baseado, talvez, pela falta de uma segunda leitura ou uma revisão via word. Bom conto, mas não chamou a minha atenção por falta de uma surpresa maior, apesar de bem escrito e as descrições dos locais bem formatadas, acrescentando o fato da boa definição do personagem. Amarrou bem ao salientar sobre o cachorro, mas fazendo antecipar o final. Nota 7,5.

  17. catarinacunha2015
    13 de dezembro de 2016

    Um conto com o sentimento punk. O apelo da solidão dos despossuídos sempre perdendo mais do que ganhando, gerou empatia. Cheio de referências depressivas e contado como quem cita uma manchete de jornal. Essa técnica gerou um impacto triste e… indignação.

  18. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Mais um cão robô? E eu que pensei que Dognybble seria o único… Bom, tudo bem! O conto é um X-Punk, comçamos bem. Uma sociedade miserável do futuro, um lixeiro infeliz. Não é que histórias X-Punk/Sci-Fi sejam obrigadas a prever o futuro, mas achei meio inverossímil a profissão do protagonista; afinal, atualmente, aqui, no mundo real, os motoristas estão com seus dias contados por causa dos carros automáticos, lixeiros não devem durar muito mais. Acho mais realista uma sociedade do futuro com multidões de mendigos pelas ruas, além de muita gente vivendo de bicos, mas acho improvável que existam subempregos, já que a automatização vai eliminar esses postos. Um grupo de comunistas terroristas hackers (comunaterrohacker, acho que é o termo) quer destruir as grandes corporações e criar uma Neouniãosoviética. E temos o plot twist no desfecho, que valorizou muito a história. É impressionante como neste desafio as pessoas não estão sabendo terminar seus contos, tudo acaba de repente. O final tornou essa história acima da média, gostei. Parabéns! Desejo muito Boa Sorte no Desafio!

  19. Evandro Furtado
    12 de dezembro de 2016

    Gênero – Good

    Sem dúvida a ambientação é bastante cyberpunk, com a atmosfera melancólica e uma sociedade pra lá de desequilibrada.

    Narrativa – Average

    Apesar de ser competente no que se propõe, não arrisca a fazer coisas diferentes.

    Personagens – Good

    Quer criar um filho da puta em uma história? Faça-o fazer alguma maldade a um cachorro, ainda que robótico.

    Trama – Average

    Faltou aprofundar nesse conflito do personagem principal com o seu passado. Creio que isso elevaria o nível do conto.

    Balanceamento – Good

    Um conto decente que se encaixa no gênero apesar de não se arriscar muito.

    Resultado Final – Average

  20. Sick Mind
    10 de dezembro de 2016

    O protagonista e o enredo são muito vazios, isso faz a história não ser emocionante. Uma pena que o autor(a) investiu em explorar a rotina do irmão errado, pois não acontece nada. Sem uma grande reviravolta ou suspense, o texto não cativa. Não dá evitar de comparar com o seriado Mr. Robot, que tem uma premissa muito semelhante(corporações vs hackers), mas que desde o começo nos joga em intrigas para prender o espectador.

  21. Bruna Francielle
    10 de dezembro de 2016

    Tema: O personagem não estava vivendo uma fase punk, apesar de haver menções sobre o passado do personagem e outros personagens sendo punk. Ele atua mais como uma testemunha d um movimento punk. Mas ok

    Pontos Fortes: – boa narrativa, nem sente o texto passar. Consegue captar a atenção do leitor
    – Boa ambientação. Os detalhes sobre a sujeira, o prédio sem elevador, e tudo mais.
    – Criou um bom personagem, com passado e presente bem feitos.
    – Criou uma história interessante com o cão robô, o que o cachorro representava para o personagem
    – Bons diálogos

    Pontos fracos: – a história de amizade com o cachorro robô surge como algo que realmente não tem nada de punk e ocupa a maior parte do conto, e parece, inclusive, ser o foco principal da história. A parte punk fica quase como uma intromissão nessa história

  22. Fabio Baptista
    10 de dezembro de 2016

    Muito bom!

    Aqui houve um casamento bacana entre a ambientação e o desenvolvimento dos personagens – há uma série de informações colocadas sobre o universo, sobre essa São Paulo cyberpunk, mas elas aparecem de forma natural e vão evoluindo conforme também evolui o interesse pelo personagem.

    O cachorro entrou na história e teve umas sacadas legais (tipo o download do xixi), mas daí todo mundo já sabia o que ia acontecer, porque quando catioro entra na história, é pra fazer a gente chorar! hauahuahua

    Só não entendi muito bem o porquê precisava ser exatamente aquele cachorro a virar bomba. Eu sei que teve um efeito dramático dentro da história, mas não vi nenhuma motivação para Alex ter sido tão fdp assim.

    – “E o que diabos você acha que essa merda de apartamento é?”
    >>> Se bobear, essa foi a frase mais impactante do desafio.

    NOTA: 8,5

  23. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Boa história, boa trama, poderia ter um outro ritmo, mais intenso, mas o teu texto ficou bom de ler, parabéns. Só estava à espera de algo novo neste mundo que definiste e acabou por haver muitas semelhanças com o mundo de hoje.

  24. Eduardo Selga
    8 de dezembro de 2016

    O conto trata de alguns aspectos cuja abordagem sempre é bem vinda fora de seus ambientes específicos: a estratificação social, a gentrificação (alguns espaços urbanos valorizados e outros desvalorizados conforme interesse das classes dominantes), a violência policial, a alienação do sujeito social (“é assim que eu gosto – rebateu Lorenzo. – A vida é melhor quando se sabe qual é o seu lugar”), a intervenção política por meio do terrorismo e, com isso, o quanto um ato político de caráter público (o atentado) pode atingir o que é de caráter privado e apenas remotamente político, como o sentimento de carinho por alguém ou por um objeto (o cão cibernético).

    Todos esses aspectos, sobretudo o último, poderiam render narrativas muito interessantes, do ponto de vista estético. No entanto, o conto não brilha, por uma questão de ritmo narrativo e de escolha na construção do enredo. Se o(a) autor(a) tivesse se concentrado em um dos itens (o último seria excelente) e reduzido ao mínimo ou mesmo eliminasse a parte do vizinho e do conserto do cachorro, o enredo teria ganhado. Tive a sensação de que houve o intuito de abordar um aspecto iminentemente político junto a outro, de caráter emocional, mas do modo como feito, acredito, deixou a desejar, pois soou hesitante. Não digo que ambos os aspectos sejam incompatíveis, muito ao contrário, mas a abordagem precisaria ter sido esteticamente mais efetiva.

  25. Amanda Gomez
    7 de dezembro de 2016

    Seu conto é muito bem feito, a estrutura da narrativa demonstra um autor experiente, que sabe bem usar as palavras.

    A atmosfera Cyberpunk está bem construída, as descrições são nítidas e o personagem cativante, do seu modo.

    O enredo em si, não é surpreendente ou…como posso dizer… empolgante. O conto é bom, mas faltou algo mais. Na verdade eu esperava por mais, e acabou não vindo. O autor teceu uma teia de expectativas que não foram finalizadas. Acredito que tenha se preocupado demais com o final mais emotivo, dando ênfase ao título, que com o recheio. É um conto longo, mas enquanto eu lia , passou rápido. E quando veio o parágrafo final achei que teria mais. É terá né? Quem sabe uma vingança, ou Lorenzo possa ter problemas futuros com isso….ou continuará no seu “ lugar” e dane-se o resto.

    Causa realmente indignação, tipo…pq ele tinha que usar o cão do irmão? Não podia construir um ou pegar outro qualquer? Qual é o problema desse infeliz… 😒. Talvez queria despertar algo adormecido em Lorenzo, ou é só um FDP mesmo. Não saberemos.

    Resumindo: gostei do conto, da ambientação e personagens. Talvez o desfecho não era o que eu esperava, dava pra fazer muito mais.

    Ainda assim, o conto me ganhou, o saldo é positivo!

    Parabéns e sorte no desafio.

  26. Davenir Viganon
    7 de dezembro de 2016

    Olá Foster D.
    Gostei do seu conto. Uma estória simples sobre a covardia (eu acho), com dois pontos de vista bem definidos em cada irmão. Tendo mais a pensar como o Alex, mas meu posicionamento é o de menos. O que vale aqui é o conto e foi bem feito. Só ficou forçado o Alex usar justamente o cachorrinho do irmão, pois qualquer cachorro faria o mesmo trabalho. A não ser que roubo do cachorro seja uma forma de atingir o irmão mas o motivo não consegui pescar. Enfim, apesar disso ter ficado em aberto ou eu não ter entendido mesmo, o conto ficou bom.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    O que mais saltou aos olhos é o conflito familiar com o irmão. Então vou indicar o conto “O que dizem os mortos” pois se passa num futuro onde é possível conversar os mortos, o que geralmente se faz com familiares, por uma interface de computador. Acho que você ia gostar.

  27. Priscila Pereira
    7 de dezembro de 2016

    Oi Forster… que conto triste e sem esperança… me comoveu!! Está muito bem escrito e a história foi bem pensada e bem executada, tem emoção e me levou a ter empatia pelo protagonista. Muito bom mesmo. Parabéns!!

  28. Leandro B.
    6 de dezembro de 2016

    Ola, Forster.

    Tive a impressão de que o conto é um espelho da nossa realidade, como geralmente são histórias do gênero. Gostei do foco voltado para a ação humana e para a sociedade, ao invés de um high tech para explicar o funcionamento da tecnologia.

    A relação entre Lorenzo e Lorenzo não chegou a me cativar o bastante para o impacto final. Creio que faltou um pouco de humanização no animal (ao menos para o meu gosto, claro). Também não achei a relação entre Alex e Lorenzo muito impactante. Só sabemos que são irmãos pela informação no texto. Sem carinho, intimidade ou lembranças, acaba parecendo que poderia ser qualquer um ali e o laço de parentesco ficou um pouco artificial.

    De resto, um bom conto. Para mim, o ponto alto foram os aspectos conformistas e a visão cansada, mas não radicalista do protagonista diante do mundo.

    Sobre a revisão, só percebi a ausência de algumas crases.

    No mais, bom conto e boa sorte!

  29. Pedro Teixeira
    5 de dezembro de 2016

    Um conto bonito, melancólico, com um ritmo muito bom, escrita ágil e diálogos que convencem. Os personagens estão muito bem construídos.A estória não deixa pontas soltas. Senti falta de um pouco mais de ousadia na forma, e há elementos do pós-cyberpunk, mas não todos. Um bom conto de ficção científicas com elementos punk.

  30. Gustavo Castro Araujo
    3 de dezembro de 2016

    Gostei do conto. A atmosfera de exclusão criada é bastante verossímil, parecida com a que se vê em qualquer grande cidade – e por isso mesmo, dado o clima cyberpunk, remete a Blade Runner. O contexto em que Lorenzo se insere, desde o trabalho que desenvolve até o encontro com o cão-robô, é bem descrito, mas dispensa totalmente a amarração ao universo X-Punk. Aliás, todo o conto funciona bem mesmo fora do contexto do tema do desafio – chego a pensar que a narrativa já havia sido concebida e foi adaptada para o certame. Sem demérito quanto a isso, apesar de preferir, nesta ocasião, contos que realmente precisem do X-Punk para funcionar. De todo modo, o bacana aqui é a construção da relação entre homem e cachorro, na mesma medida em que se deteriora a relação com o irmão. Também gostei dos questionamentos do protagonista, sobre esse desejo latente de talvez voltar às fileiras rebeldes. O conto termina com um soco no estômago, embora fosse previsível. Creio que merece uma continuação, com Lorenzo fugindo da polícia, eis que poderia ser rastreado como dono do animal que explodiu (devido aos programas que baixou) – mas isso é só especulação de quem gostou da história. Em suma, um bom trabalho que, se não primou pela adequação ao tema, soube explorar sentimentos e relações, o que para mim é o mais importante. Parabéns.

  31. Anorkinda Neide
    3 de dezembro de 2016

    Olá! Realmente, um conto que termina com um nó de indignação no peito desta leitora q vos fala.Tinha que aquele filhadaputa vir pegar o cachorrinho do irmao?
    Mesmo sendo um robô, causou uma comoção, nem sei pq… rrsrs Mais pela solidão de Lorenzo mesmo.
    O texto é meio arrastado, dá uma cansada no início, toda a atmosfera é cansada, acho q o autor entrou demais na pele do personagem.. hehe isso é bom afinal!
    parabens pelo texto
    boa sorte, abraço

  32. tatiane mara
    3 de dezembro de 2016

    Bem escrito e fluido, mas não me contagiou com esse negócio de cachorrinho rsrsr

    Achei muito forçado esse gancho, no mais ficou tudo bem.

    É isso.

  33. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    2 de dezembro de 2016

    Olá, Forster,

    Tudo bem?

    Gostei do desenrolar do seu conto. A ideia do limpador de fossas, lembrando os lixeiros atuais, sua vida mostrada no apartamento, o cachorro que, mesmo robô acaba virando um amigo.

    O enredo pareceu dar uma “emboladinha”, na minha opinião, quando entrou o irmão, pois o cão que era quase um protagonista ficou em segundo plano. Depois entendi que você o plantou ali para virar um animal-bomba e mostrar o quanto a vida é terrível para seu protagonista.

    Sumir na multidão é uma imagem bonita e entendo que Lourenço era um “invisível”, entretanto, algo, para mim, ficou meio vago no final.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  34. Fheluany Nogueira
    1 de dezembro de 2016

    Os elementos punk estão aí, mesclados nesse drama de fracassos, traições e terrorismo. O final não entendi bem, se Lorenzo poderia ser um suspeito e fugiu ou se foi apenas uma forma de dizer que ele voltou para a vidinha anônima que levava agora. Também não consegui perceber se o irmão foi à casa do protagonista para dar um recado de vingança por ele ter abandonado o grupo ou se tudo foi ocasional e ao conhecer o cão quis aproveitar para a ação planejada.

    Comecei a ler o conto com uma ideia diferente do que seria. É sempre bom ser surpreendida. Não imaginei que o cãozinho fosse se tornar uma arma. Mas acho que faltou algo para dar aquele toque especial ao conto, talvez explorar mais as emoções dos personagens.

    Linguagem simples, sem dificuldades para a leitura, somente precisando uma revisão quanto ao uso da crase (“voltava a estação”, “a vítima”); quanto à posição do pronome átono (“, o aguardando”, “havia o transformado”), o porque, junto, quando conjunção causal e falta de algumas vírgulas.

    Bom conto, no geral. Parabéns e abraços.

  35. Brian Oliveira Lancaster
    1 de dezembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Atmosfera excelente, trazendo um clima típico de Blade Runner. Gostei por fugir do convencional e aplicar uma camada mais emotiva ao contexto. Um cotidiano cyberpunk, quem diria. – 9,0
    R: Ótimo clima, com um enredo interessante, trazendo à tona uma vida complicada e vazia, lembrando um de meus personagens no desafio Cotidiano. Você foi pelo caminho certo ao mostrar o lado perdedor, em vez de os “libertadores” de sempre. Fugiu do clichê e isso foi uma grande jogada. Trazer a agonia de um mundo cyberpunk nas entrelinhas foi uma bela escolha. – 9,0
    E: No entanto, senti certa pressa próximo ao fim e muito infodump (excesso de informações) ao descrever o que a organização hacker fazia. Aquele parágrafo ficaria melhor diluído entre as passagens. Mas, o final, triste e melancólico, me atingiu em cheio. – 9,0
    M: Escrita simples, às vezes complexa, mas segura de si. Como mencionado acima, apenas a cadência final destoou um pouquinho do restante. Deu uma leve acelerada, para depois “amornar” tudo de novo. – 9,0
    [9,0]

  36. olisomar pires
    29 de novembro de 2016

    Um ambiente depressivo no conto muito bem relatado.

    Narrativa fluida e tranquila. “Matar” o cão de estimação do irmão me pareceu meio forçado, além de incriminar o próprio numa perícia futura em função dos downloads baixados no animal, talvez essa fosse intenção: forçar o irmão a mudar de vida, o que seria uma prova do egoísmo absoluto existente em terroristas e similares que sempre alegam estar em prol do “bem comum”.

    À exceção das “naves”, é o relato cotidiano de várias partes do mundo.

  37. Zé Ronaldo
    27 de novembro de 2016

    Texto bem estruturado, de fácil leitura, fluente como correnteza.
    Ideia original e bem abordada. Muito pitoresca mesmo!
    Personagens fortes, diálogos bons. Trabalho com características psicológicas muito bem feito, refletindo na força interior das personagens.
    Trama bem escrita. Texto de altíssimo valor e conteúdo. Gostei pacas!

  38. Dävïd Msf
    26 de novembro de 2016

    não imagino pessoas aceitando pacificamente viverem em tais situações num futuro próximo, médio ou distante…
    ou… viveriam? prefiro acreditar que não…

  39. Evelyn Postali
    26 de novembro de 2016

    Oi, Foster D.
    Trágico, não? Perder um cão assim. Para mim, cães são quase seres humanos. Um pouco melhores, porque são fiéis e leais, mas esse cão robótico era mesmo do contra. Ou não. Afinal, ele se juntou à resistência (?) e explodiu. Um cãomikaze, ou algo assim, não é? Tadinho do bichinho. Não gostei disso. Mas enfim… Sua história, suas regras.
    Não vi muito sentido no final. Esse conto não me disse muita coisa, sei lá. Talvez seja o momento. Se tiver um tempo, leio de novo para ver se muda e deixo outro comentário.
    Parabéns pelo conto.

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Publicado às 26 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .