EntreContos

Literatura que desafia.

A capela de telhas amarelas (Maria Flora)

A conversa entre dois homens perturbava o imponente silêncio daquele amplo espaço verde.

– Mas que ideia é essa, senhor Giuseppe?

Giuseppe inchou as bochechas em sua irritação. Em sua mente, seu Pedro não pode evitar associar aquele rosto com o de uma criança. Talvez algo no olhar ou no jeito daquele homem que já alcançava o crepúsculo de sua vida.

Giuseppe apertou os olhos antes de responder. Aquela pergunta o exasperara. Afinal, não era lógico o que desejava? Nem mesmo necessitava de argumentos. Mesmo assim, retrucou a pergunta dizendo ser um desejo natural.

– Mas o enterro de alguém morto é feito pelos vivos. E você nem está morto ainda.

– Quem falou em enterro, homem? Disse que construirei uma capela, apenas isso. É diferente.

– Aqui?! – Seu Pedro abriu os braços mostrando o espaço ao redor. Com a exceção das pessoas enterradas embaixo deles, eles eram os únicos ali.

Seu Pedro sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Valha-me Deus. Em tantos anos que estou aqui, nunca me ocorreu de sentir medo. Vem este homem com ideias erradas e me desnorteia a cabeça. Isto não é natural”. E como se necessitasse de se livrar de um peso no peito, repetiu em voz alta: – Isto não é natural! Uma capela que será seu túmulo. Ah! Mas isto é algo realmente estranho! Estranho até de se pensar! Cuidado, pode ser que lhe traga azar!

– Deixe de ser supersticioso! Estou decidido: construirei a capela aqui. O melhor lugar do cemitério. O sol bate pela manhã e o luar ilumina a pedra maravilhosamente nas noites claras. Transferirei o caixão de minha mulher para cá.

Seu Pedro não disse nada. Observava os braços e mãos enrugadas do outro, enquanto se indagava quando fora que seu Giuseppe vira o luar bater nas lápides do cemitério. Com um movimento brusco de cabeça afastou a dúvida de sua mente. Perscrutou o rosto dele e encontrou resistência.

Senhor Giuseppe era um homem de estatura alta, com braços magros e compridos que balançavam no ar quando caminhava apressadamente. As pernas finas alongavam ainda mais seu corpo já ereto. Sua expressão era sempre viva, olhos escuros em meio a uma pele translúcida. No geral, seu Pedro achava que seu Giuseppe formava uma bela figura. Só a mente que não lhe ia bem.

Conhecia-o há poucos meses, desde o funeral da esposa de seu Giuseppe. Naquela ocasião, nada ocorrera de diferente no trabalho de seu Pedro. Cavara uma vala pela manhã. À tarde, enterrara e fechara a cova. Somente fora silencioso. Sem choros e lamentos. A soberana morte pesou sobre os ombros dos que ajudaram a carregar o caixão. Seu Pedro reparara nesse; sem qualquer adorno. Estava acostumado com madeira nobre, detalhe em prata. No entanto, aquele era simples, sem espaço para além do corpo.

No final da cerimônia e com a partida dos poucos acompanhantes, o viúvo ficara passeando pelo lugar, lendo as lápides, admirando os vasos de flores de alguns túmulos e as ervas daninhas de outros. Sentiu pena dos que morriam jovens. E perante dos que exaltavam uma longa vida, repleto de esposos, filhos, netos e bisnetos, um sentimento de alívio. A vida podia ser plena, afinal. Aquele lugar estava cheio de exemplos.

Senhor Giuseppe partiu no final da tarde, com a mente entorpecida e o coração vazio. Então, não viera ao cemitério durante semanas e seu Pedro não mais se lembrou dele.

Passados dois meses após o funeral, o viúvo reaparecera. Como sempre, estava bem arrumado, com camisa alinhada e uma pequena boina que lhe cobria parte da cabeça, redonda e calva. Cruzou os portões do cemitério com a cabeça baixa e os ombros recurvados.

Seu Pedro estava em sua casinha, localizada ao lado dos portões. Vira-o pela janela estreita da cozinha. Ali dentro era tudo um cômodo só, onde cada lado possuía uma função diferente. A cozinha estava no lado da janela. O quarto era do lado oposto. Entre esses ficavam a mesa e a poltrona com um aparelho de rádio equilibrado no braço. O banheiro ficava do lado de fora. Era para o público do cemitério. Estava sempre limpando e desentupindo a privada. Era um serviço que nunca acabava. Mas seu Pedro não se importava, estava acostumado com a sujeira dos outros.

Quando seu Pedro reconheceu a figura do viúvo, espantou-se. Largou o copo que estivera lavando até então e correu para a porta. Ali permaneceu espiando o caminhar do homem.

Seu Giuseppe parou em frente ao túmulo da falecida esposa e ali permaneceu, conversando sozinho. Parecia não se dar conta do lugar, do tempo que passava e do céu que se despedia da claridade.

Uma revoada de pássaros alvoroçados pousou nas árvores do cemitério, despertando seu Pedro e o viúvo. O primeiro lembrou-se de suas tarefas: fechar os portões e acender as luzes dos postes. Assim, saiu da sua casa pisando firme e remexendo o molho de chaves em sua mão. Tinha a intenção de alertá-lo de sua presença ali. Seu Giuseppe apenas parara de falar e olhava para o céu. O coveiro lhe avisou dos horários e da necessidade de fechar os portões.

– Já logo escurece.

– Sim – ele respondeu – eu sei. Tenho relógio. – E mostrou-lhe o objeto, dourado e pulseira larga.

– Certo. Mas devo fechar os portões. E tenho de ir para casa jantar.

A última frase era despropositada, mas achou que devia falar. Como se precisasse justificar aquela interrupção de um momento solene. Afinal, a memória dos que partiam era santa. Ao menos, era assim que entendia as coisas. As pessoas iam ali para falar consigo, com o ar e com a terra. E com as lembranças; enquanto essas se esvaíam com o tempo, aquelas permaneciam.

Para seu Pedro, como coveiro, o cemitério era solo sagrado. Não sabia explicar o porquê, mas assim o considerava. E sua função era essencial. Alguém devia enterrar quem partia desta vida. Seu Pedro tornou a falar. Justificou-se novamente. – E já está escuro. Não é seguro ficar por estas ruas.

O viúvo sorriu. – Sim, devemos jantar.

Parou de falar, como se recordasse de algo.

– Pois é. Devemos jantar. Mas antes devo fechar aqui.

O viúvo abaixou-se e beijou a fria pedra da lápide.

– Boa noite, minha querida.

Aquilo tocou o coração do coveiro que já se acostumara com as agruras da vida. Sem qualquer razão, caminharam juntos, lado a lado até o portão.

– Bom jantar, meu rapaz.

– Boa noite, senhor.

No dia seguinte, o viúvo reaparecera. Passou a conversar com seu Pedro, a observar outros solitários como ele, e a conhecer todo o espaço ali. Era a sua segunda casa. Seu Pedro o esperava todos os dias.

Certa manhã, ele apareceu com a ideia de construir a capela. Mostrou-lhe o papel de compra do espaço. Fora uma ideia que se iniciara como uma semente minúscula e frágil. Crescera, avolumara-se, adquiriu forma, consistência e raízes na mente senil. Não havia mais retorno; era uma ideia fixa, uma obsessão. Os argumentos toscos e simples do coveiro eram efêmeros perante as barreiras do espírito.

A obra começara, logo no dia seguinte. O viúvo preparara tudo, pessoas e material para a construção. Esta realidade minou a boa vontade do coveiro. Não ia mais rebater a ideia e nem mesmo impedir seus atos e consequências, mas também não iria ajudar. Adquirida esta dura disposição, ele via a evolução diária da obra com o coração apertado. Sem perceber, adquirira afeição pelo velho.

Seu Giuseppe decidira por se contentar com uma cova, funda o suficiente para sua si e sua esposa. Não pode evitar escolher a melhor pedra de mármore, uma lápide prateada e telhas amarelas. “Para refletir o sol” – pensou. Duas janelas e uma porta alta completaram a obra.

Seu Pedro apenas observava. Era realmente uma bela capela. Os pedreiros já tinham terminado tudo, mas dentro ainda restavam alguns materiais e uma escada estreita e fina. E, é claro, a cova funda e aberta.

Há algum tempo que não conversava mais com o viúvo. Um dia, o coveiro viu o viúvo entrar sozinho na capela. Voltou sua atenção para uma cova que precisava abrir naquele dia.

Dentro da capela, seu Giuseppe pegou a escada. Apoiou-a na parede e subiu metade dela. Tentou pegar um pequeno crucifixo de seu bolso, mas com o movimento da cabeça, a boina escorregou testa abaixo. Tendo a vista escurecida pelo couro do chapéu, seu Giuseppe correu com as mãos para o rosto. A escada, traiçoeira, remexeu-se toda, oscilando suavemente. O pobre viúvo sentiu faltar-lhe o apoio, o chão. Abandonado, como se perdesse o seu mundo.

Terminado seu serviço, o coveiro quis passar pela nova capela quando escutou um estranho som, um baque seco e surdo.

Deparou-se então com a triste cena: o viúvo caído na sua própria cova, já sem vida. Com os braços e pernas retorcidas e esparramadas ao redor do corpo, a pequena boina jazia solitária nos pés da escada. Essa permanecia firme, de pé, sem demonstrar qualquer sinal de remorso.

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51 comentários em “A capela de telhas amarelas (Maria Flora)

  1. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Conto simples, sem grandes pretensões, o conflito é limitado, não há um aprofundamento psicológico para dar um pouco mais de força para as emoções dos personagens, mas ainda assim, bem narrado e de leitura fluída. Eu acredito que a ideia foi boa e com certeza vc reaproveitou bem o fato real em que a história foi baseada, mas eu queria sentir um pouco mais. Sei que o espaço é curto, mas da forma que está, a narrativa carece de algum recurso que chame mais atenção, fosse ele no desfecho, com uma surpresa ou até mesmo, uma força maior na narração.

    De qualquer forma, não foi uma leitura ruim e com certeza vc vai tirar muito proveito dos comentários dos colegas. Isso é o mais importante não?

    Abraço e boa sorte!

  2. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    16. A capela de telhas amarelas (Mariana Lacerda)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: uma narrativa direta, episódica, com dois personagens bastante marcantes. Há impulso no condutor, Giuseppe, e perplexidade no coveiro Pedro, o que leva a história adiante. Finais em que o acaso desempenha papel principal nem sempre agradam a todo mundo.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Objetivo.

  3. Marcia Saito
    13 de outubro de 2016

    Olá
    Gostei da leitura do conto, que transcorreu sem grandes contratempos em seu fluxo de leitura. Tecnicamente ele se encaixa bem ao tema e seguindo o clima próprio deste.
    Porém, percebe que a escrita do autora ainda denta um certo “engessamento”, com o desenvolvimento de frases que podiam ser melhor arranjadas poeticamente. É algo que se adquire com o tempo e leitura de mais poética para incorporar.o algo a mais para tornar-se cada vez melhor.
    Além disso, a repetição de nomes poderiam ser substituídas por outras de mesmo significado. Inclusive faço um “joguinho” quando reviso meus textos, chamado de “Jogo das Cacofonias”, que é desafiador e estimulante criativamente.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no Desafio

  4. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Mariana, seu texto começa muito bem. Tem agilidade, boas descrições, que, mesmo que sutis, dão vida aos personagens. Gostei muito de construções como “inchou as bochechas em sua irritação” e “apertou os olhos antes de responder”. São estruturas simples, frases sem floreios, mas que encaixam no texto e trazem o leitor para perto. Acho que o único ponto que me tirou do texto e me levou a questionar o conteúdo foi a discussão sobre a capela, algo que não me pareceu tão absurdo ou contraditório. Achei estranho Pedro “implicar” com essa questão. Mas aceitei e fui adiante. Alguns diálogos não encaixam tão bem e merecem uma revisão, talvez aplicar sua capacidade de síntese aí também. O final é adequado e acrescenta ao texto. Bacana.

  5. Luis Guilherme
    13 de outubro de 2016

    Bom dia, Mariana, tudo bem por ai?

    Bom, gostei da duplicidade de personagens, mas achei desnecessária a repetição tantas vezes dos nomes, acho que em alguns momentos poderia substituir um nome por um pronome, talvez.

    A história tá bem legal, bem escrita, a leitura é leve e gostosa e é possível criar uma relação com a dupla.

    Porém, achei que faltou um clímax, ou algum momento de impacto, que conduzisse a um desfecho no nível da trama.

    O ponto alto do texto, pra mim foi: “As pessoas iam ali para falar consigo, com o ar e com a terra. E com as lembranças; enquanto essas se esvaíam com o tempo, aquelas permaneciam.” – esse trecho ficou ótimo!

    Enfim, o conto ficou muito bom! Parabéns!

    • Mariana Lacerda
      13 de outubro de 2016

      Obrigada pelo comentário! Abraços

  6. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Ok, bem de acordo com o tema do desafio.

    Enredo: Um pouco sem sentido, pra mim, se pensarmos: o homem queria construir uma capela e por que o coveiro não gostou da ideia? Foi só o pressentimento que ele teve, então? Apesar disso, é uma escrita bonita, que me trouxe uma melancolia na leitura, e eu gosto disso.

    Personagens: Conseguiram me cativar. Funcionaram bem juntos e foram bem levados pelo narrador.

    Emoção: Como disse, gosto de contos nesse estilo. Só achei o final meio que abrupto, destoando do restante do texto, ainda assim acho que foi bem elaborado como arremate para o texto.

    Alguns toques: Realmente não sei que toques poderia dar. Talvez o de repensar esse motivo do estranhamento do coveiro para a construção de uma capela? Quanto à revisão, outros já podem ter apontado, eu mesma peguei apenas um errinho que passou na digitação, nada que comprometa.

  7. Pedro Teixeira
    11 de outubro de 2016

    Olá, Mariana! Gostei muito da sua escrita, traz frases muito bem elaboradas.A narrativa tem um bom ritmo, e algumas descrições são excelentes. No entanto, a estória não me envolveu: não entendi todo o estranhamento do coveiro com a construção da capela, e a amizade entre os dois me pareceu mais contada do que mostrada, o que tirou um pouco a força da ideia que se quis passar. Ainda assim é uma narrativa competente e bem elaborada, mas que pode melhorar e muito levando em consideração algumas dicas dos colegas. Parabéns e boa sorte no desafio!

  8. Phillip Klem
    10 de outubro de 2016

    Boa noite, Mariana.
    O que mais me cativou no seu conto foi a escrita. Percebi que cada frase foi construída com muita atenção e cuidado, e o resultado ficou excelente.
    O conto, apesar de melancólico, não despertou esse sentimento em mim. Achei interessante a relação de amizade do coveiro com o sr. Giuseppe… e linda a dedicação e amor de Giuseppe com a esposa. Gosto de contos mais “humanos”, que fazem com que nos visualizemos no lugar do protagonista, e foi o que aconteceu aqui.
    É uma pena que ele tenha morrido, mas o final está bem construído e não deixa a desejar.
    Os relatos da rotina do sr Pedro, assim como a descrição de seu cômodo/casa, estão incríveis.
    Parabéns e boa sorte.

    • Phillip Klem
      10 de outubro de 2016

      E não posso deixar de falar título… me chamou a atenção de cara! Boa escolha 🙂

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    10 de outubro de 2016

    Lembrei, involuntariamente, da obra de Nelson Rodrigues “A vida como ela é”.

    Sim, autor(a), na minha opinião isso é um profundo elogio. A escrita despretensiosa, a maneira competente como vocês nos guiou até o final da história, tudo foi muito bem orquestrado.

    Gostei.

    A frase final foi excelente.

    Parabéns.

    • Mariana Lacerda
      10 de outubro de 2016

      Puxa!! Que elogio!! Adorei! Agradeço o comentário! Abraços

  10. Maria Flora
    10 de outubro de 2016

    Olá, Mariana. Gostei bastante de seu conto. O texto apresenta uma narrativa rica em detalhes. Elementos como ambiente, os personagens e a psicologia são bem trabalhados. Proporciona-nos a sensação de estar presente no texto. E a poética presente nas frases merece um parabéns. Apreciei bastante este aspecto do texto. Talvez a estranheza do coveiro com relação à capela se deva ao fato de seu Giuseppe se envolver tanto na construção de algo que ele não aproveitará de fato. Bom, ao menos em vida. Sem o limite de palavras do desafio, você poderia trabalhar mais esta estranheza do coveiro e a determinação de seu Giuseppe. E a própria amizade de ambos, pois me cativou a relação dos dois. De qualquer modo, meus parabéns. E boa sorte no desafio!

  11. Catarina
    10 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Embora não desperte curiosidade, o título e a primeira frase possuem força. Quero sim.

    TRAMA unitária e densa, como um conto, a meu ver, deve ser. Escrito com dramaticidade contida, apropriada ao estilo. Um bom conto, mas sem me conquistar como leitora.

    AMBIENTE adequado. O foco maior era na pessoa do Sr. Giuseppe.

    EFEITO anestesia. Forte pra caramba, mas eu não senti nada.

  12. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Para mim, é um tanto difícil comentar este texto. É que se trata exatamente do tipo de narrativa que eu mesmo escreveria. Se alguém chegasse para mim, depois de muitos anos, e dissesse “ei, veja este conto que vc escreveu há tempos”, eu certamente reconheceria meu estilo e o tomaria como meu de fato. Tudo o que eu considero importante em uma narrativa está aí. Destaco a construção psicológica dos personagens, com foco na amizade que nasce do improvável.

    Não só isso.

    Há uma certa melancolia que permeia os parágrafos, indicando a maneira como o texto terminará, uma percepção que o leitor luta para ignorar, torcendo para que esse viés se reverta. Também percebo o esmero na construção das frases, a luta para sair do lugar comum e encontrar as palavras mais adequadas, aquelas que podem, em tese, provocar aquela mini-epifania, aquela sensação de enlevo que, numa simples expressão, ganha o leitor.

    Para mim, isso tudo aconteceu aqui. Gostei muito do resultado, a amizade entre Pedro e Giuseppe é tocante e reforça o sentimento de perda que o final nos apresenta. É verdade que o fato de Giuseppe querer construir uma capela no cemitério, de forma a adiantar o local de seu descanso eterno, jamais causaria estranheza em um coveiro experiente. Mas esse é um detalhe que pode facilmente ser revisto e, cá entre nós, é de pouca importância perto do que realmente importa. O conto é sobre pessoas, sobre encontros e sobre separações, sobre o que nos faz humanos.

    Enfim, um conto que, a meu ver (por se tratar de algo que eu mesmo poderia ter escrito), encontra-se em excelente estado técnico, gramatical e, demais disso, com um enredo memorável.

    A dificuldade a que me referi no início, a respeito da avaliação, decorre justamente dessa identidade. Parece que estou julgando um texto meu haha. Só que não.
    Você foi brilhante, caro autor. Parabéns pela obra.

    • Mariana Lacerda
      10 de outubro de 2016

      Muito obrigada, Gustavo! Estou lisonjeada por você se identificar com um texto meu. E seu comentário demonstra que você captou a minha escrita. Obrigada mais uma vez! Abraços.

  13. Olá, Mariana,

    Tudo bem?

    Sem sombra de dúvida você tem uma verve muito boa, com um texto fluido e bem construído.

    Achei, porém, que faltou um olhar mais detalhado ao motivo de preocupação do coveiro para com o amigo que pretende construir uma capelinha. Entendi que a preocupação dele foi que, se o amigo faz um jazigo para si, está atraindo a morte para seu caminho – o que, de fato, ocorreu no final. Mas, em uma sociedade como a nossa, onde é natural se “preparar” a própria morte, comprando planos em funerárias e túmulos para a família, a preocupação de alguém que trabalha em um cemitério ser focada na capelinha em si, se perde um pouco e a premissa enfraquece.

    Ainda assim, seu conto é bem conduzido e escrito com visível cuidado.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  14. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Mostras que dominas bem a escrita, mas a trama que apresentas não entusiasmou a minha leitura. Penso que deves apostar mais na elaboração-montagem da trama, pois técnica na escrita não te falta, parabéns.

    • Mariana Lacerda
      9 de outubro de 2016

      Obrigada!

  15. Evandro Furtado
    7 de outubro de 2016

    Fluídez – Good

    O texto corre muito bem, com boa cadência. Pequenos probleminhas pontuais com sintaxe e ortografia, mas nada que afete o panorama geral de leitura.

    Personagens – Outstanding

    Pedro – o coveiro. Solitário, habitante do cemitério. Homem simples, gosta de conversar com os que por ali passam.
    Giuseppe – o velho viúvo. A perda da mulher lhe afetou significativamente. O impacto lhe surgiu a ideia de construir um capela mortuária – seria esse o nome? Se tem filhos, eles estão afastados de algum modo. Parece, de seu próprio jeito, também um indivíduo solitário.

    Trama – Very Good

    Dentro da proposta que se teve, muito bem desenvolvida. Ficou a um passo da perfeição: a morte de Giuseppe ficou, de certa forma, injustificada no panorama geral da história. O autor poderia ter inserido, ao longo do texto, pequenas nuances para criar maior impacto. Por exemplo, poderia deixar subentendido que o velho queria muito morrer ou não queria morrer de jeito nenhum. Criaria certa ironia ao final.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Very Good

    Estilo – Outstanding

    Uma proposta de narrativa bastante sólida, com características de linguagem muito próprias que flutuam entre o clássico e o contemporâneo sem parecer confusa ou estranha. A narrativa em terceira pessoa funciona muito bem já que temos dois personagens principais e nos deslocamos de um para o outro com facilidade. Dentro da proposta de um gênero cotidianesco, isso se encaixa muito bem também.

    Efeito Catártico – Average

    Aquele pequeno deslize na construção do final impediu um impacto maior no leitor. Até é possível se importar com Giuseppe, mas a morte dele parece um pouco deslocada, sem razão aparente. Um infeliz acidente não tão bem construído.

    Resultado Final – Good

  16. mariasantino1
    7 de outubro de 2016

    Oi, autora!

    Poxa, não gostei do seu conto porque você se alonga em decurso de dias que não trazem muito para trama. Acredito que as descrições psicológicas sejam mais importantes que as físicas, mas você dá um parágrafo para descrever fisicamente o Seu (e não SEO como eu acreditei que fosse o certo) Giusepe e, ao meu ver, descrições demais deixam tudo moroso, cansativo e joga contra a objetividade. Não comprei a sua trama, porque comprar caixão e demais elementos relacionados ao final da vida é algo que existe e, se isso é visto por pessoas comuns acho que deve ser mais costumeiro ainda para um coveiro, um coveiro que menciona estar neste lugar há um bom tempo.
    A escrita não tem construções impactantes ou bonitas, mas se consegue entender o conto sem qualquer problema. O tema está aí e o conto depende dele para existir ( o que acho importante) e o Guisepe é bacana.

    Boa sorte no desafio

  17. Pétrya Bischoff
    6 de outubro de 2016

    Olá, Mariana! O texto apresenta uma narrativa clara, simples, mas demasiadamente arrastada. Eu gosto de belas descrições e detalhamento, mas não foi o que houve aqui. A autora preocupou-se em contar a história em três tempos, começando no presente, regressando ao passado, transcorrendo o presente novamente e indo muito além do início (presente).
    A escrita é de fácil compreensão e a ambientação é simples, mas boa. Não há nenhuma surpresa durante a leitura, tampouco ela cresce para culminar em um final impactante. E este, o final, foi muito adequado, sem dramas ou grandes perdas, apenas a vida sendo certeira. Gostei da ironia apresentada. Parabéns e boa sorte.

  18. Jowilton Amaral da Costa
    6 de outubro de 2016

    Achei o conto médio.Não gostei muito. A trama não me prendeu e achei bem sem graça o fim. Não me impactou, nem emocionou, nem me fez rir. Sinceramente achei um texto despretensioso demais para ser mandado para um desafio de contos. A escrita é boa, só vi um ou dois erros de digitação. Boa sorte.

  19. Pedro Luna
    5 de outubro de 2016

    Infelizmente não gostei muito. A história é um pouco estranha. Na verdade, terminei o conto sem saber direito qual era a história. O coveiro inicia assustado com a construção da capela, depois rola um flashback que explica como os dois se conheceram, mas dá poucas dicas da personalidade de Giuseppe. No fim, o cidadão morre no túmulo que construiu. Esse final dá a ideia de lição de moral, como “o sujeito era vivo, mas se preocupava tanto com a morte, que foi lá e morreu”. Mas não sei se era essa a intenção do autor. Por fim, não entendi direito o foco do conto. Era o coveiro? Seu Giuseppe?

    Quanto a escrita, só vi dois problemas: a repetição de “seu Pedro”. E o momento que o ponto de vista sai do personagem Pedro para ser de Giuseppe, dentro da capela. Quebrando um pouco do clima do conto, que estava focado no coveiro.

    A leitura não foi truncada e passou rápido. O autor ou autora escreve bem.. Só a trama que não foi o forte.

    Abraços.

  20. Thiago Amaral
    5 de outubro de 2016

    Ficou aqui uma história com ideia um pouco diferente das demais: a construção de uma capela no cemitério. Ao meu ver, os personagens foram bem apresentados e a escrita me ajudou a simpatizar com eles. Realmente não tem nada de estranho em querer construir a própria capela, mas o coveiro é supersticioso, vai entender.

    O momento no qual seu Giuseppe se despede da esposa, ao contrário de várias tentativas em outros contos, me foi tocante. Isso e o fato de ele querer aquele local do cemitério pela posição bonita aludem a um personagem apaixonado.

    O final surpreendeu e caiu bem (Sem intenção de trocadilhos). Não captei um significado maior no acontecimento além da ironia, mas gostei da forma pela qual ele foi narrado.

    No mais, gostei. Até!

  21. Marcelo Nunes
    3 de outubro de 2016

    Boa tarde Mariana.
    Uma boa escrita e técnica apresentada. Notei que na metade do texto o tom ficou poético. Deixando o conto travado, mas tornando-o menos cansativo.

    Pois a leitura foi tranquila até o final. Creio que faltou espaço para o autor tentar causar impacto no fim do texto. Ficou bom conto, parabéns.

    Boa sorte no desafio.

    Abraço

  22. Iolandinha Pinheiro
    2 de outubro de 2016

    Vamos ao seu conto, cara Mariana: Não entendi o desgosto do coveiro pelo fato do sr Giuseppe querer construir uma capela, imagino que muita gente gosta de antecipar os detalhes do próprio funeral e tem certas vaidades, como aquelas mães preparando a festa de quinze anos das filhas. Como não enxerguei conflito algum na história, acabei me desmotivando na leitura, ou seja, comecei e parei várias vezes até chegar ao final, logo o seu conto (para mim) não foi fluido. Quanto aos problemas eu vi num mesmo parágrafo, verbos em diferentes tempos verbais, exemplo: “Conhecia-o há poucos meses, desde o funeral da esposa de seu Giuseppe. Naquela ocasião, nada ocorrera de diferente no trabalho de seu Pedro. Cavara uma vala pela manhã. À tarde, enterrara e fechara a cova. Somente fora silencioso. Sem choros e lamentos. A soberana morte pesou sobre os ombros dos que ajudaram a carregar o caixão. Seu Pedro reparara nesse; sem qualquer adorno. Estava acostumado com madeira nobre, detalhe em prata. No entanto, aquele era simples, sem espaço para além do corpo.” Não tenho o costume de apontar problemas gramaticais nos contos dos colegas, mas este me incomodou de fato. No mais é um bom conto, os personagens são bem delineados, o conto não se apressa nem se alonga para mais que o necessário, e o desfecho cumpre os maus presságios do coveiro. Fico por aqui desejando sucesso no desafio. Abraços.

  23. Davenir Viganon
    2 de outubro de 2016

    Olá Mariana
    O titulo remete a capela, objeto de fixação do Giuseppe, mas “as telhas amarelas” ficaram sobrando pois não fez diferença a cor das telhas para a trama. Uma coisa muito positiva é que você começou o conto largando a ideia principal: Seu Giuseppe quer construir uma capela para si e sua esposa. Nos deixa com a curiosidade de saber o porque ele quer isso. Você não responde isso, e não é um problema mas característica do conto. Você nos dá outra coisa no lugar disso: a ironia da morte dele no acidente no final. Eu gostei mas esperava algo mais presente na trama. Foi bem abrupto como uma morte acidental costuma ser, como acréscimo da ironia de ser na própria cova.
    Acho que por fazer pensar nessas coisas já valeu a leitura que por sinal foi bem fluida. Gostei do resultado.
    Um abraço!

  24. Fheluany Nogueira
    30 de setembro de 2016

    Ih! Conheci muitas pessoas que construíram o próprio túmulo, mas ninguém que morresse acidentalmente dentro dele.

    Conto emotivo, terno, delicado; trama bem amarradinha, personagens bem construídos, simpáticos; linguagem simples, bem trabalhada com poucos deslizes já citados pelos comentaristas. Leitura agradável, bom ritmo.

    Parabéns pela participação abraços.

    • Mariana Lacerda
      1 de outubro de 2016

      Muito obrigada! Que bom que gostou!

    • Mariana Lacerda
      1 de outubro de 2016

      Puxa! Adorei seu comentário! Obrigada!

  25. Brian Oliveira Lancaster
    29 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Clima instigante, leve e com certo tom de humor escondido nas entrelinhas. Começou pelo meio, o que ajudou no fator inusitado do contexto e encerrou com o início e um fim “digno”, diferente. Simples e criativo.
    ME: A estrutura funciona muito bem. Apenas notei tempos verbais irregulares nos primeiros parágrafos, mas depois o texto engrena sem tropeços pelo caminho. Outra história melancólica, mas com um final tragicômico, quase em aberto (se não fosse a cova…). Queria saber mais da reação do coveiro, mas creio que o espaço não deixou.

  26. Wender Lemes
    29 de setembro de 2016

    Olá! Embora seja visível um bom domínio técnico, tudo acabou antes de conseguir se consolidar de alguma forma. É explorada a fixação do homem por construir a capela, mas ele não parecia ciente da morte que viria a ter, tanto que acabou morrendo acidentalmente. Assim, a sugerida senilidade de Giuseppe justifica a construção do túmulo, mas nada justifica satisfatoriamente a morte, além da ironia por si só. Os pontos positivos que notei foram a construção de personagens e a linguagem poética empregada. Imagino que tenha optado pelo final abrupto para explicitar a fragilidade da vida, não tenho certeza se foi a melhor opção. No mais, boa sorte e parabéns.

    • Mariana Lacerda
      1 de outubro de 2016

      Olá, Wender. Obrigada pelo comentário! Na verdade, este conto foi baseado em um fato real; um senhor construía a própria capela quando caiu, bateu a cabeça e morreu. Seu corpo foi encontrado na cova. Então, o final deste conto já existia desde antes de sua concepção.

  27. Fabio Baptista
    28 de setembro de 2016

    As frases curtas tornam a leitura leve, mas tiram o brilho da narrativa, na minha opinião. Vez ou outra é preciso dar uma esticada, arriscar uma construção mais elaborada.

    Percebi um si sobrando em uma das frases e me incomodou um pouco a mudança de tempo verbal no começo.

    A trama foi meio singela, meio estranha (Não de um jeito ruim), no sentido de ser meio estranho imaginar alguém construindo no cemitério. Mas infelizmente não saiu muito do lugar. O final me lembrou a morte de Juvenal Urbino em Amor nos tempos do cólera.

    Abraço!

    • Mariana Lacerda
      28 de setembro de 2016

      Olá. Fábio, muito obrigada.

  28. Claudia Roberta Angst
    27 de setembro de 2016

    Olá, autor, tudo bem?

    Então, qual o problema de se desejar construir uma capelinha no cemitério? Seria um túmulo duplo para Giuseppe e a mulher, certo? Se ainda fosse uma casinha para ele morar, isso sim seria bem estranho…

    O conto está bem escrito, ritmo bom e fluido, sem entraves. Poderia ter dado um pouco menos de voltas para chegar ao final, mas tudo bem. Imaginei uma morte diferente para o senhor, mas entendo a sua escolha. Afinal, quantas pessoas não morrem por uma bobagem?

    Só escapou um “pode” no lugar de um “pôde”.

    Boa sorte!

  29. Amanda Gomez
    27 de setembro de 2016

    Olá,

    A leitura correu sem muitos problemas, sua escrita é muito gostosa e fluída, demonstra bastante competência. A questão é que a história em si não funcionou muito bem pra mim, não senti o que eu acho que quis transmitir… Acho que o problema foi o caminho que você trilhou pra chegar a esse final…. O começo meio atrapalhado, um meio muito bem colocado, e no final… não sei, como já disseram, parece que cansou da história e resolveu terminar de qualquer jeito…

    Confesso que parei algumas vezes, quando o texto andada, andava e não mostrava nada de muito relevante pra história. Acho que preocupo-se demais com o final já definido e esqueceu de rechear todo o enredo com elementos que empolgasse mais o leitor.

    Enfim, é um bom conto, mas não empolga, e nem emociona, pelo menos não a mim. embora a ideia seja interessante.

    Boa sorte no desafio… 🙂 🙂

  30. Anorkinda Neide
    27 de setembro de 2016

    Olá! Uma agradável leitura temos aqui!
    O texto me fisgou pra dentro dele, gostei dos personagens e da amizade deles.
    A história fluiu naturalmente,não senti interrupções ou quebras de ritmo, à exceção do final com a queda de Giuseppe no buraco.
    Eu já havia adivinhado q ele morreria lá dentro, mas não gostei da forma como morreu.. rsrs um personagem tão carismático merecia uma morte mais bonita. Eu tinha imaginado, inclusive, q ele se deitaria em seu túmulo esperando a morte.. rsrs não ficaria bom tb, mas foi o q me passou pela cabeça, justificaria a sensação do coveiro de q o velho não batia bem da cabeça.
    Mas a leitura foi muito boa mesmo, parabéns! abraços

  31. Simoni Dário
    26 de setembro de 2016

    Olá Mariana

    O texto começa provocante, fazendo intuir que Giuseppe poderia estar morto. O personagem tem carisma e o texto parece enveredar para o lado poético do meio em diante. À medida que a leitura avança mostra momentos de preparo para um belo final, o que não acontece.

    Parece que o autor criou, criou e cansou, matando o Giuseppe do nada, apenas para criar impacto.

    A leitura até fluiu no começo, mas travou de repente e não voltou para a fluidez do início. A escrita é boa e a narrativa conquista em algum momento, mas fica morna e esfria de repente.

    Desejo um bom desafio.
    Abraço

  32. Gilson Raimundo
    26 de setembro de 2016

    Poderia ter um título que melhor representasse o enredo, o autor tem uma bela escrita, excelentes figuras, maestria singular, a história é que não tem tanta graça, muito pouco atrativa, os mistérios são fracos, este seu estilo ficaria fantástico com uma boa trama. Alguns mistérios prometem ser o condutor mais perdem a continuidade. Pq lhe veio a idéia de construir a capela ali? Pensei até que ele já fosse fantasma? Ele conversava com os mortos? O coveiro tinha muitas dúvidas comuns ao leitor, ter um conto aberto é legal, mas fazer o leitor criar um conto fica chato. A morte do cara não convenceu, serviu apenas para findar o conto que se alongava.

  33. jggouvea
    25 de setembro de 2016

    Realmente o diálogo com o coveiro é despropositado, é um conflito forçado que não convence ninguém. A coisa mais natural do mundo é as pessoas comprarem as próprias sepulturas. Eu ainda não fiz isso, mas meu pai e minha mãe já.

    Então o conto começa com um conflito artificial e se resolve …. SPOILERS! …. com um acidente que não deixa de ser, também, artificial, pois a construção da capela NUNCA deixaria um buracão aberto do lado de dentro para alguém cair.

    Não há peso estilístico que enfeite e resolva esse problema inerente à própria concepção do texto.

  34. Fil Felix
    25 de setembro de 2016

    Pagou o próprio enterro!

    O conto tem uma narrativa boa, não é cansativa e se desenvolve bem. Os cenários estão bem construídos, também.

    GERAL

    Como alguns colegas, não entendi (ou percebi) a surpresa do Coveiro sobre a capela. Acredito que seja algo normal. De início, pensei que ele tiraria as pessoas já enterradas ali e isso poderia gerar alguma maldição ou algo assim. A morte, ao final, não foi a maior surpresa de todas. Um ponto que achei bem desenvolvido foi a relação entre os dois, mesmo que passageira. Bem escrito!

    Gosteis dessas frases: “As pessoas iam ali para falar consigo, com o ar e com a terra. E com as lembranças; enquanto essas se esvaíam com o tempo, aquelas permaneciam.” Essa final também ficou boa!”Essa permanecia firme, de pé, sem demonstrar qualquer sinal de remorso.”

    ERRORr

    Não encontrei nada muito grosseiro que impedisse a leitura. Só percebi alguns vícios nos verbos de passado, “parou, parara”, algo que sempre me perturba quando narro nesse tempo.

  35. Ricardo Gnecco Falco
    25 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Gostei bastante da história! Fui pego pelo texto e a narrativa do autor e, mesmo com os solavancos que o EU ESCRITOR (o chatonildo abaixo) vai esmiuçar, fiz uma viagem muito tranquila pela leitura. Alguns trechos da narrativa foram tão sutis e singelas que vou até destacar uma aqui: “Sem perceber, adquirira afeição pelo velho.” Confesso que aqui eu também fiquei imageticamente afeiçoado ao Sr. Giuseppe. De 1 a 10, darei nota 8 ao trabalho, por ter conseguido me emocionar na leitura. E, tocou meu coração, ganhou a nota coringa, mesmo com os pontos que serão expressos abaixo…

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Ok. Boa narrativa. Agora, deixa eu expulsar o EU LEITOR de volta lá para cima, pois aqui o negócio é técnico… Vício de linguagem. Tem que dar uma revisada mais atenta no trabalho, pois existem MUITAS repetições de palavras na escrita. Vamos a algumas delas: “…EM SUA irritação. EM SUA mente,…”, “Nem MESMO necessitava de argumentos. MESMO assim, retrucou a pergunta…”, “,,,pessoas enterradas embaixo dELES, ELES eram os únicos ali.”, “No geral, SEU Pedro achava que SEU Giuseppe formava…”, “Abandonado, como se perdesse o SEU mundo. Terminado SEU serviço, o coveiro quis…”. Até a parte que o emocionadinho do EU LEITOR destacou ter gostado, tem uma repetição, vejamos uma frase antes: “ADQUIRIDA esta dura disposição, ele via a evolução diária da obra com o coração apertado. Sem perceber, ADQUIRIRA afeição pelo velho.”. Vamos buscar uns sinônimos lá no Dicionário, meter a tesoura nas rebarbas do texto… Seu trabalho merece ficar nota 10! Parabéns pelo conto!

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Tem potencial!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Mariana Lacerda
      28 de setembro de 2016

      Olá, obrigada pelo comentário! E pelo incentivo!

  36. Taty
    23 de setembro de 2016

    Um bom conto em sua objetividade, sem surpresas ou passes mágicos. Só no início que senti a leitura meio truncada, depois o texto pegou ritmo.

    Por enquanto, é só isso.

  37. Ricardo de Lohem
    23 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Geralmente não gosto muito dessas histórias tipo slice of life, mas o seu conto até que é simpático. Simples e direto, tenta emocionar com uma situação bastante habitual na literatura: o personagem que quer construir um templo, túmulo ou algo similar, que tem grande sentido emocional para ele, e não desiste por nada. Sem grandes pretensões, é um bom conto, que não consegue ser tão emocionante quando deveria/poderia, mas mesmo assim convence, e o resultado é agradável. Como a presente safra anda meio fraquinha, é capaz deste conto ficar até bem colocado. Parabéns! Desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  38. Priscila Pereira
    23 de setembro de 2016

    Oi Mariana, gostei do conto, um cotidiano leve e ameno com um triste fim. Seu Pedro estava certo, a capela trouxe azar para seu Giuseppe. Boa sorte!!

    • Mariana Lacerda
      24 de setembro de 2016

      Obrigada, Priscila! Este conto foi inspirado em um fato que aconteceu na Itália. O senhor caiu e morreu enquanto construía seu próprio túmulo. A ideia ficou vagueando na minha cabeça até então…rsrs

  39. Evelyn
    23 de setembro de 2016

    Oi, Mariana.
    Bom conto. Gostei de como desenvolveu. Sem pressa, mas sem conflito também. Para refletir sobre nossa solidão, que nunca é igual ao do outro, porque é sempre maior. E sobre o fim. Alguns de uma forma serena, outros não. Alguns de forma estranha.
    Parabéns!
    Abraço.

  40. Olisomar Pires
    23 de setembro de 2016

    Narração interessante, mas comum, sobre a dificuldade de se perder um companheiro amado.

    Não há, propriamente, um conflito a ser resolvido, é história de um acidente com uma leve sugestão de alguma intervenção sobrenatural sobre a escada, muito leve.

    Não entendi muito bem, a surpresa do coveiro com a construção de uma capela no cemitério, isso não é raro.

    Enfim, boa sorte !

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Publicado às 22 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .