EntreContos

Literatura que desafia.

Belinha (Anderson Henrique)

Por causa de Belinha que eu fui. Vê se moleque nessa idade tem motivo para entrar em cemitério meia-noite? Meia-noite, cabra! Cêdemais pra chamar de dia, tardemais pra não chamar de noite. A hora escura em que tudo acontece e gente só sabe na manhã seguinte quando a vizinha passa no batente como quem não quer assunto, mas vai logo dizendo Marilene, cê num sabe da última. Sei não mulher, conta? Conto, mas num gosto de fofoca. E lá se vai mais de hora de papo, a gente de butuca numa virada de parede pra saber se o assunto é de tragédia ou de saliência, se é a irmã de algum conhecido que tá de bucho ou se foi alguém que morreu de faca.

Foi Jão que desafiou. Tava tão crente que eu não ia que nem ficou pra ouvir a resposta. Foi dando as costas, gritando medroso medroso medroso enquanto se bandeava pruma goiabeira que tinha nos fundos. Mas Belinha tava lá, os olhos firmados que nem crocodilo em beira de rio esperando pra ver o que eu respondia.

— Vamu junto — apelei. Jão à distância já, analisando o tronco da árvore para ver por se dava pra subir.

— Tu vai é nada — fez como que não tivesse valor palavra minha. Tirou a chinela e firmou um dos pés no tronco.

— Tem medo é, Jão?

— Medo tá tu que nem pro rio vai com cagaço d’água — Jão deu meia volta e parou na minha frente, uma mãozona mais alto que eu, quase gigante.

— Hoje então. Meia-noite.

— Belinha vai junto — Jão laçou a cabeça dela com o braço, trazendo a testa pra junto do peito. Ela escapuliu por baixo e fez cara de que não tava gostando daquela história — Vai ser testemunha do arrombado que tu é.

Tinha volta não. Eu ia cagando as calças, as pernas tremendo que nem vara de tontear morcego, mas ia. Belinha balançou a cabeça, disse que não dava, que não fugia de casa tão tarde. Foi ali que vi a esperteza de Jão. Sabia ele que Belinha ia arregar, tava era se aproveitando para correr da aposta. Disse que sem juiz valia era nada.

— Eu protejo você, Belinha — vai saber de onde surge a coragem de homem, quanto mais de moleque. Idéia besta de fazer emprazamento que não se sabe se cumpre. Coisa de família deve ser, como tio Tonho, que pra salvar a cachorrinha do sítio se atracou com onça. Salvou a bicha, mas tem até hoje um rasgo mal curado na perna. Vem cá, moleque. Bota o dedo aí e vê o buraco que ficou. E a gente empurra o dedo fundo até tocar o osso malformado.

Coragem que vem de lugar nenhum, vai embora mais rápido que anta em desembesto. Foi arredar o pé pra casa que veio foi pensamento de não aparecer lá meia-noite, vontade de catar Jão e assumir covardia. Que se foda que o primo chame medroso, que se foda Belinha também, que é bonita que dói, mas não é única menina da região e eu já vi foi muito covarde casado e cheio de filho. Mas aí vem pensamento, bicho teimoso que nem jegue novo, e vem os olhos de Belinha e os cabelos que ela fica amansando, segurando as pontinhas com uma das mãos e passando a escova uma duas três quantas vezes precisar pra espichar de jeito. E aí dá uma vontade de meter as mãos nesse embolado, de trançar o pescoço dela e roubar beijo lambido.

Fiquei de canto esperando eles aparecerem, medo só de tá ali na frente do cemitério espiando as sombras dos anjos e dos santos sobre as lápides. Chegaram logo depois. Ela primeiro, assustada que dava pena, vontade garrar e dar cafuné. Chegou e ficou calada, atenção de jagunça em tocaia a cada coisa que se mexia. Jão veio depois, daquele jeito dele, os braços pendendo dos ombros, sacolejando o tronco com valentia.

Entramos de fino, pontinha dos pés, os passos mais cuidados que ladrão de galinha. Jão me forçou a ir na frente, deu nem pra discutir. Belinha achou por bem vir junto, que ficar sozinha ali fora era muito mais perigoso. Veio atrás de mim, a mão espalmada em meu ombro, um calor gostoso que quase me fez valente. Jão atrás dela, peito estufado e cabeça erguida como quem faz frente pro demo. Eu pensava que era jeito dele só. Suspeitava. Por dentro devia era de tá todo fodido.

O trato era caminhar até a lápide de Joca Baiano, cangaceiro mais destemido que já morreu na região e rancar do túmulo a medalhinha com a foto do cabra. Quem desistisse era cagão pra vida. A gente lembrava bem do lugar, qualquer menino da nossa idade sabia, cidade inteira que apareceu no velório, um tanto de viúva chorando de um lado, gente que veio dizer vingança, gente que veio só porque achava que Joca morria era nada, que levantava ainda e colocava todo mundo pra correr. Eu fui com meu pai, que tinha ódio do safado por uma égua que ele matou e ficou por isso mesmo. Pai cuspiu no caixão quando desceram o corpo, quase deu briga.

O Cemitério tava um breu sem fim, só o facho das lanternas que a gente carregava iluminando o caminho. As árvores sacudiam sobre as lápides, vento sinistro que judiava da imaginação. Eu lia os nomes dos sepultados e depois via a foto tentando imaginar quem era, mas só conseguia pensar assombro. Fui em frente, só querendo chegar pra pegar a foto do Joca e gritar cagão é a putaqueopariu.

Deu trabalho arrancar a foto do cabra. Fui sacando a faca e metendo a pontinha contra a pedra, mas a desgraça tava presa com cola boa. Tentei foi de tudo que é jeito, mas só fazia entortar a lâmina. Belinha ficava repetindo vailogo andalogo vaivai ranca isso e ajudar que é bom nada. Tive idéia quando já pensava em desistir. Peguei uma pedra e comecei a dar umas pancadas na lateral. Tinha risco de rebentar a capa, mas a foto a gente conseguia. Dei a lanterna pra Belinha segurar e continuei batendo a pedra, que as vezes escapulia deixando uma lasca cinza na lápide. A medalha foi amassando, barulho de pedra contra pedra, e Jão olhando pros lados preocupado com o barulho. Ilumina aqui, diacho, eu dizia quando ele tirava o facho pra iluminar um corredor, preocupado até com curva de vento.

— Filhos da puta — o sopro de voz surgia de um dos corredores. Jão iluminou e eu parei de bater. A luz foi direto na cara daquilo que vinha. O velho era torto e mancava, a barba desgrenhada e suja, tingida de tempo. Mal guentava com a pá que trazia. Ele viu a gente bulindo ali no túmulo e se apressou. Correr nem corria, arrastava uma das pernas, mais vagaroso que boi cansado.

Foi só o coveiro ameaçar que ia enterrar a gente tudo junto que Belinha danou a correr. Jão foi também, sei não se por medo ou se pra ficar com ela. Eu quis correr junto, mas a medalhinha quase solta pedia mais umas pancadas. Fui batendo, o coveiro vindo, a caralha da medalhinha ainda presa e o jagunço na foto fazendo cara de quem tem pacto com o cão. Belinha e Jão já longe, minha mão escapulindo e rapando a parede. O coveiro rastava a pá e fazia um barulho de foder os nervos. Peguei a faca, prendi a ponta no vão e bati no cabo até que a medalhinha saiu voando. Fui atrás, um escuro da porra, mas acabei encontrando. O coveiro tava pertinho já, pronto pra me agarrar. Baixei e catei a medalha. A mão do cabra me alcançou e rendeu minha camisa pela gola. Dei um safanão com força que nem tinha. A blusa rasgou e eu varei pra saída, o prêmio numa mão e a lanterna na outra. Fora do cemitério tinha era mais ninguém, nem sinal dos dois covardes. Fui pra casa, pulei a janela e tentei dormir, mas tava difícil de pregar o olho. Tirava a medalhinha debaixo do travesseiro e ficava olhando a foto do cangaceiro e lembrando as histórias que o povo contava.

Foi galho de goiabeira, inventei pra mãe quando ela viu a camisa rasgada. Chiou, jurou castigo, falou que eu tinha nada que estragar camisa boa, se eu pensava que o pai tava cagando dinheiro. Na escola, mostrei a medalhinha amassada pra todo mundo antes que Jão pensasse arrancar ela de mim. O cabra era tão safado que me puxou de canto e fez jurar que eu contasse a história do jeito dele, que tinha feito frente pro coveiro e salvo a gente. Num desacreditei a história não. Era melhor Jão amigo que inimigo. O importante é que Belinha sabia a verdade. Vez em quando ela me chamava e pedia pra mostrar o troféu. Repetia a história pras amigas, toda orgulhosa dizendo que valentia era entrar em cemitério e enfrentar espírito de cangaceiro.

Anúncios

43 comentários em “Belinha (Anderson Henrique)

  1. Valéria Loreto
    16 de outubro de 2016

    Adorei a história do conto, divertida, doce e verossímil.

  2. Fil Felix
    14 de outubro de 2016

    Marilene, não se mete!

    GERAL

    Eu morri de rir. Acho que foi o conto mais divertido do desafio. Engraçado porque, de início, eu pensei que não iria gostar. Adoro regionalismo, mas geralmente faço bico quando vejo diálogos ou até a narrativa carregada de sotaque. Mas entrei na magia e adorei a viagem. Tudo soa tão natural que até mesmo os “erros” de gramática não se tornam erros, se transformam na famosa liberdade poética. Percebemos que o autor entende do que está escrevendo, entende a língua e consegue brincar com ela. O conto é um recorte do cotidiano, não traz grandes surpresas narrativas ou reflexões (que costumo gostar), mas consegue funcionar muito bem sozinho, por entregar o que se propõe: uma história jovem e divertida. Meu preferido até aqui, tem todas as palavras que sou apaixonado (jagunça!) e ri por de mais, parece que veio de encomenda.

    ERROR

    O regionalismo é uma coisa difícil de lidar e precisa de uma fidelidade muito grande do autor, pra não dar Alzheimer e acabar mesclando partes mais “eruditas” com outras carregadas. Percebi alguns escorregões nesse sentido, mas nada que comprometa o resultado final.

  3. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    22. Belinha (Alair Silva)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: outra vez, a reminiscência da infância me arrasta pelo nariz até o fim da história. Destaco o brilho das invenções de linguagem e a verossimilhança dos personagens – gostaria que eles fossem meus amigos.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Aventuresco

  4. Bia Machado
    13 de outubro de 2016

    Tema: Totalmente adequado!

    Enredo: Um causo, iniciei a leitura pensando “É curtinho, vamos ‘matar’ esse logo”, mas as expressões e a linguagem “falada” transcrita exigiram uma dose redobrada de atenção. Mas o conto é bom de ler, é um diferencial da maioria do que temos nesse desafio. Ficou bacana o resultado.

    Personagens: Seguram bem a narrativa, principalmente o narrador-personagem. Parece que estou lendo algo do universo do Suassuna.

    Emoção: Gostei bastante e me levou do início ao fim. Uma leitura que podia me cansar e travar e sim, deu uma cansadinha em alguns momentos, mas não travou nada. 😉

    Alguns toques: Pelo menos nessa leitura não há nada que dizer a não ser, talvez, que o final está um tantinho corrido. Bom trabalho!

  5. Marcia Saito
    12 de outubro de 2016

    Olá

    POi é, a aposta no estilo regionalista que fez foi bem alta.
    No começo, soa interessante, mas vai testando a paciência com termos que são próprios de certas regiões, que nessa tentativa de “converter” esse estilo, cansa e a leitura chega a ser custosa.
    Apesar de bem escrito, não me agradou.
    Boa sorte no Desafio.

  6. Felipe T.S
    11 de outubro de 2016

    Leitura muito boa.

    Eu gostei bastante! O autor tem um bom domínio das palavras e criou aqui construções fantásticas. O enredo não tem nada de especial, mas a personalidade do narrador é tão bem definida, sua voz é tão clara e sincera, que encanta a gente muito fácil. Ainda assim, acho que alguns palavrões sobraram, não que eu ache um problema usar, não é isso, mas algumas vezes que eles apareceram, soaram um pouco desnecessários. O uso da vírgula também pode ser melhorado, tem algumas quebras de ritmo que não parecem propositais e em outros momentos, parece que falta uma pausa pra respirar. Ainda assim um dos que mais gostei até agora.

    Continue firme que você manda muito bem e obrigado pela prazerosa leitura!

  7. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Aiaiai, acho que acabei de achar minha favorita.
    Cara, que conto! Sensacional. Não vou me ater muito a observações, pois não as tenho: tudo impecável e delicioso de ler, fluente, incrível.
    Esse conto é um exemplo de licença poética. E só dá pra usar licença poética quando tem um talento incrível e quando o texto tá impecável, senão licença poética vira erro gramatical.
    Tem frases incríveis, como “Tinha volta não. Eu ia cagando as calças, as pernas tremendo que nem vara de tontear morcego, mas ia.”
    Enfim, nenhuma observação a fazer. Parabéns pela obra e boa sorte!

  8. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Muito bom o conto. Gostei muito. Há aquele jeitão de causo, mas nada parece forçado. Fiquei me imaginando junto a uma fogueira, dessas que se acendem nos quintais das casas no interior, e alguém contando as agruras desses meninos. Fantástico em todas as acepções. Foge dos clichês (não tem fantasma nem nada sobrenatural), não há melancolia em excesso (há talvez uma nostalgia para quem, como eu, já passou dos 40), mas sim o relato adorável de crianças que se desafiam. Tudo bem, isso não revela exatamente algo criativo, já que enredos desse tipo são bem comuns, mas a maneira como foi desenrolada a trama, esse regionalismo natural delicioso de ler (jamais serei capaz de escrever algo assim) fez toda a diferença. Enfim, um conto sensacional que merece figurar no topo. Parabéns!

  9. Jowilton Amaral da Costa
    9 de outubro de 2016

    Contaço. Gostei bastante, leitura fácil, história bem contada. O regionalismo me confundiu um pouco de onde seria a ambientação, no início imaginei o sertão mineiro, mas, com o aparecimento do cangaceiro fiquei na dúvida. Mas, os sertões baianos e mineiros são próximos o que pode dar essa mescla de sotaque e o aparecimento de cangaceiros na região, sobretudo as margens do São Francisco. A narrativa é ágil e conduzida de forma excelente, sem desbunde de vocabulário regional, tudo bem dosado. Até aqui é meu favorito.. Boa sorte.

  10. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Bom conto, fácil de ler e apesar de a trama não apresentar nada de novo, mas, dada a capacidade de escrita, consegues uma história de uma leitura muito interessante, talvez fruto do recurso a uma linguagem regional. Parabéns e o texto merece uma revisada para eliminar uns problemitas que tem pelo meio. Espero ver você lá no top.

  11. Pedro Teixeira
    7 de outubro de 2016

    Olá, Alair! Sensacional esse conto, vai pra lista. A imensa habilidade com as palavras cria uma narrativa envolvente que li de um fôlego só. O vocabulário dos personagens, a forte oralidade e as descrições tornam tudo muito autêntico e visual — praticamente me vi no cemitério tentando arrancar a foto do cangaceiro com os personagens. O resultado é um conto divertidíssimo, de altíssima qualidade narrativa. Não tenho nada de negativo a apontar. Parabéns e boa sorte no desafio!

  12. catarinacunha2015
    7 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Com uma frase dessas é impossível não continuar lendo. “ Meia-noite, cabra! Cêdemais pra chamar de dia, tardemais pra não chamar de noite”.

    TRAMA veloz e extremamente complexa. Estilo dominante, sem reservas. Não se engane com a simplicidade do enredo. Há tanto domínio da narrativa que temos a impressão de que estamos diante do personagem.

    AMBIENTE assustadoramente hilário. Cada palavra foi trabalhada como um filó.

    EFEITO mágico encantado. Li um monte de expressões engraçadas que, somadas, viraram uma dramática história de amor.

  13. Simoni Dário
    7 de outubro de 2016

    Olá Alair

    Delícia de conto, uma história de amor gostosa de ler.

    Teve até um suspense onde torci pelos moleques e o guri protagonista fez bonito para a Belinha.

    Muito bem escrito, narrativa fluida e competente, conquistando a atenção do leitor a cada parágrafo.

    Desconfiei de algumas autorias. Será que alguém que vejo sempre no pódio? Vai saber. Se o autor é persistente que nem o menino… meia-noite e não arregou naquela escuridão, uai, o guri é dos “bão”!

    Parabéns autor, conto excelente.

    Bom desafio.
    Abraço.

  14. Maria Flora
    7 de outubro de 2016

    Olá, que história gostosa. O sotaque regional proporcionou um toque diferente neste tema. A narrativa fluiu serena com ambiente e pessoas bem trabalhados. Não há exatamente uma trama de suspense, apenas uma aventura de garotos. Leve e divertido. Parabéns.

  15. Marcelo Nunes
    7 de outubro de 2016

    Olá Alair.
    Uma escrita simples com uma leitura que fluiu até o final. Quando percebi já estava no final do conto. Terminei ele “Cêdemais”.

    Mesmo com o tema sendo pesado, o texto mostra uma agradável história com jovens aventureiros. Não foi novidade o que foi desenvolvido no conto, mas como o autor conduziu, tirou a impressão do clichê.

    Parabéns pela construção.
    Boa sorte no desafio.
    Abraço

  16. phillipklem
    5 de outubro de 2016

    Boa noite Alair Silva.
    Como foi bom encontrar um conto leve e divertido em meio a tantas almas penadas! Apesar do conto ser relativamente grande, a leitura foi tão agradável que nem me dei conta de que já estava chegando ao fim.
    Achei muito criativo… e o toque de humor foi perfeito pra quebrar o clima de terror.
    Parabéns e boa sorte.

  17. Pétrya Bischoff
    5 de outubro de 2016

    Olá, Alair!
    A escrita, mesmo que com intencionalidade regionalista, travou muito minha leitura, principalmente pela ausência exacerbada de vírgulas. A ambientação é simples, mas suficiente para situar o leitor na história. A narrativa apresenta esse tom de causo de interior que prende o leitor durante todo o texto. Gostei, em especial, da velocidade e emergência que foi transmitida com sucesso na cena do coveiro que se aproxima enquanto o guri tira a medalhinha. Parabéns e boa sorte.

  18. Pedro Luna
    5 de outubro de 2016

    A premissa é aquele clichêzão básico heim…kk. O cavaleiro fazendo o desafio para ficar com a donzela. Bom, ainda bem que a escrita foi muito boa e tira a má impressão do tema batido. Eu gostei do conto, com um bom toque infantil.

    O que achei interessante é que o texto tem poucos diálogos, mas narrado como foi, os parágrafos maiores foram de rápida leitura. Pontos para quem escreveu. Bom, sem mais a dizer. Gostei, foi bem escrito, e eu também uso a palavra “arrombado” para zoar alguém quando estou com raiva. Hahaha

    Abraços

  19. Gustavo Aquino Dos Reis
    4 de outubro de 2016

    Um conto prenhe de um regionalismo saboroso. Que delícia ler seu trabalho, autor(a). Gostei muito. A história é clichê, mas a maneira como a escrita é empregada confere uma nova maneira de interpretação.

    Tudo prima pela linguagem e eu só estranhei alguns termos como “que se foda” ou “fodido”. “Que se lasque” ou qualquer outro equivalente, na minha modesta opinião, ficaria mais crível. No mais, um trabalho muito bom e que resgata o nosso regionalismo plural.

  20. Thiago Amaral
    3 de outubro de 2016

    Um conto onde a técnica ajuda a abrilhantar, e muito, a história. A ausência de vírgulas, travessões ou aspas, problemática num texto comum, aqui ajudam a causar o efeito desejado.

    No mais, história simpática e engraçada, gostosa de ler. Parabéns!

  21. mariasantino1
    2 de outubro de 2016

    Ah, diacho! Num durma de olho aberto não, macho, que eu roubo o teu conto pra mim. 😀

    Puxa vida autor! Que narrativa gostosa, de deixar um gosto bom na boca após o término da leitura. Me vi copiando diversas construções frasais que fizeram o sorrisão aqui se alargar >>>> “as pernas tremendo que nem vara de tontear morcego”, puxa, que bela comparação. Já vi isso. O morcego se guia pelo som (sonar) e quando a gente agita uma vara de bambu no ar eles ficam maluquinhos >>>> “Coragem que vem de lugar nenhum, vai embora mais rápido que anta em desembesto.” >>>> “atenção de jagunça em tocaia a cada coisa que se mexia.” E tantas outras passagens…
    Você é cuidadoso, edifica os personagens para ter vez e voz própria, dá vazão ao fluxo de consciência deles deixando-os humanos, com defeitos e virtudes e é tudo tão crível. O menino que se torna grande impelido pelos instintos, o corajoso que é só casca… A ocasião que aflora em nós aquilo que nem sabemos que está lá Gostei de tudo no texto e vi cada cena em HD dentro da mente e achei ótimo os neologimos >>> cêdimais, Tardemais, vailogo, andalogo. Li pouco do João Guimarães Rosa, mas me pareceu com alguma coisa de Sagarana e a história lá do tio, me lembrou aqueles contos do Graciliano Ramos presentes no livro Alexandre e outros heróis.

    Ambientação, tema, personagens, argumento, clímax e mensagem. Todos aí, todos com notas altas na avaliação que ando fazendo.

    Boa sorte no desafio e seu conto está na lista (não sei mais como vou votar- hihihi)

  22. Iolandinha Pinheiro
    2 de outubro de 2016

    Foi o conto mais mineiro que eu li, tão mineiro quanto os comentário de Edgar o Corvo no conto Cemitério sem Fim. Legal, boa história. Contada de uma forma que ficou fácil visualizar as cenas, os personagens. O tema foi bem explorado, a execução foi perfeita, a história tem muita cara de “causo”, parece coisa que aconteceu de verdade. Mesmo com todas estas características positivas, não me empolgou. Ainda não sei o porquê, mas não foi daqueles que a gente lê e pensa: Nossa! Mas está melhor que muitos então é arriscado que entre na minha lista. Parabéns pelo texto, sorte no desafio.

  23. Amanda Gomez
    1 de outubro de 2016

    Olá,

    Gostei da forma como você contou essa história, regionalismo é algo que eu costumo gostar bastante de ler, nesse caso eu travei um pouco na leitura, não foi fluída como o estilo precisa….acho que a pontuação foi o responsável por isso… também achei esse “sotaque” um pouco destoante… Faltou algo pra ser natural… Aquela naturalidade que faz o leitor ler imitando o sotaque.

    O conto é agradável, e história diverte o leitor, a cena em que ele insiste em tirar a medalha, mesmo com a aproximação do conceito ficou bem legal.

    O final fecha o conto bem também.

    Parabéns pelo conto.

  24. Davenir Viganon
    1 de outubro de 2016

    Olá Alair Silva
    O titulo é estranho, uma personagem/troféu do protagonista, o objetivo que movimenta toda a estória.
    O ritmo é bom, o regionalismo me trava (sou do RS) mas um bom leitor tem que “tocar de ouvido” as vezes. Como a estória não é complicada, é fácil supor certos termos e levar a estória adiante. Claro que isso pode me impedir de sacar algumas nuances mais profundas que o texto venha a ter, alguma referência cultural específica de onde se passa a estória mas, até agora, nenhuma camada mais profunda foi destrinchada pelos comentaristas. Fica a jornadinha do herói. Belinha aparece pouco.
    Bom conto.
    Um abraço.

  25. Evandro Furtado
    30 de setembro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    Texto prende a gente de um jeito só. Ooops, perdão. Mas foi uma leitura realmente gostosa de se fazer.

    Personagens – Outstanding

    Eu-narrador – herói sem nome, a menos que eu tenha perdido isso. Apaixonado por Belinha. Corajoso, apesar de passar a maior parte do tempo dizendo o contrário. Destemido, atlético. Perspicaz.
    Belinha – a garota mais bonita da vizinhança. Gentil, humilde. Possui particular carinho pelo eu-narrador, que pode se transformar em algo pro futuro. Demonstração disso é ter ido pro cemitério apesar de estar aterrorizada.
    Jão – rival do eu-narrador. Também apaixonado por Belinha apesar de saber que é uma causa perdida. Bruto, covarde. Gosta de impor desafios aos outros pra tentar provar uma superioridade que não possui.

    Trama – Outstanding

    Simples, mas muito bem construída. Ambientação magistralmente colocada. O texto é cheio de cor local e isso dá um background bacana à trama, permitindo que o autor não tenha que se preocupar com muitas explicações desnecessárias.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Outstanding

    A narrativa empregada, em primeira pessoa, não poupa o emprego de certas nuances pertencentes a uma variante da língua específica. Inclusive, li em voz alta tentanto, eu próprio, empregar um sotaque específico. Encaixaria esse conto como um romance jovem regionalista com uma qualidade singular no trato com a linguagem.

    Efeito Catártico – Outstanding

    Não só o autor nos coloca dentro do texto, como nos faz importar com cada acontecimento narrado. Nos indentificamos com o personagem e ficamos com o gostinho de querer saber mais sobre a vida deles – aliás, se for possível me responder, nesse comentário, o que há de acontecer com eles no futuro, eu agradeceria.

    Resultado Final – Outstanding

  26. Fheluany Nogueira
    29 de setembro de 2016

    Uma aventura juvenil chavão: o desafio, a amada, o obstáculo, o valentão que rouba as glórias, mas o reconhecimento por quem interessa.

    O espaço-tema é bem explorado, apareceu aí até o coveiro feio e manco. A “estrela” do conto é o foco narrativo, muito bem conduzido ao estilo rosiano.

    De início a leitura e o entendimento ficaram um pouco travados, talvez pela pontuação falha, talvez pelos regionalismo ou, ainda pela natureza do diálogo; mas deu para deslanchar aos poucos e apreciar com prazer o texto. Faltou a esperada assombração, mas sobraram dinamismo e ansiedade; o leitor arrancou a tal medalhinha junto com o narrador.

    Parabéns! Gostei bastante. Abraços.

  27. Gilson Raimundo
    28 de setembro de 2016

    O conto tem a receitinha básica para não desagradar ninguém, é gostoso de ler sim, mas não traz nada de novo, está história pode ser contada milhares de vezes e sempre haverá novas versões, nem o uso do regionalismo agregou muita coisa… receita: sujeito é desafiado a entrar em local proibido à noite e trazer de lá uma prova para satisfazer o desafiador e provar coragem para a garota bonita… encontra alguém que o confronta e sai com dificuldade provando seu valor… espetacular é escrever uma história assim com coisas diferentes do normal.

  28. Wender Lemes
    26 de setembro de 2016

    Olá! Que leitura agradável você proporcionou aqui. Um conto de cemitério com a despreocupação da juventude, a beleza simples dos relacionamentos nessa fase, tudo descrito através de um regionalismo cuidadosamente trabalhado. O cuidado não se resume a isso, entretanto, os personagens são construídos de modo a despertar empatia. A trama, com a violação de sepultura (tudo bem que era só a medalhinha), realmente nos faz ansiar pelo final, ironicamente esperando que o conto não termine. Parabéns por sua técnica, boa sorte.

  29. Brian Oliveira Lancaster
    26 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Excelente. Com regionalismos um tanto carregados, mas de notável construção. Aventuras com crianças parecem ter voltado à moda.
    ME: O final foi bastante anticlimático, mas foge aos clichês comuns e isso me agradou. Ressalto que é necessário bastante atenção para compreender tudo, mas os personagens tem muita vida e isso valoriza “por dimais sô” o texto em si.

  30. Ana Paula Giannini Rydlewski
    26 de setembro de 2016

    Oi, Alair,
    Boa noite.
    Seu conto me lembrou o trabalho de meu contista preferido, o paranaense Domingo Pellegrini.

    Sem fazer conceções, ele trabalha com as falas dos personagens, tratando temas cotidianos ao mesmo tempo que toca de forma delicada e sutil naquilo que temos de mais humano.

    O que mais posso dizer? Parabéns.
    Não há o que acrescentar aqui. Trabalho belo e impecável.
    Boa sorte no desafio.

  31. Ana Paula Giannini Rydlewski
    26 de setembro de 2016

    Oi, Alair,
    Seu conto me lembrou os textos de meu contista preferido, que é o paranaense Domingos Pellegrini.

    Sem fazer conceções no modo de falar popular dos personagens, ele desenha, em cenas cotidianas, delicados e profundos sentimentos humanos.

    O que posso dizer aqui, se não parabéns.
    O que mais dizer quando se lê um belo trabalho como este seu?

    Boa sorte no desafio.

  32. Claudia Roberta Angst
    25 de setembro de 2016

    Olá, autor!

    E não é que empregar o regionalismo deu certo? A narrativa ganha vida e singularidade, o que cativa logo no primeiro parágrafo. Aproxima o mundo do narrador, que esbanja sentimento e inocência, ao leitor.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.

    Não levarei em conta vírgulas e qualquer deslize na ortografia, já que estas questões fazem parte do “charme”do narrador.

    A trama revela-se singela e simples, uma história entre meninos, que nos leva aos tempos de nossa própria inocência.

    Boa sorte!

  33. Anorkinda Neide
    25 de setembro de 2016

    Olá!
    Adorei demais! Pode ter alguns problemas ae devido ao uso do regionalismo, dae a gente nao sabe qd tm vírgula, qd não tem, quando começa ou termina uma frase e tal.. convém dar uma boa avaliada nisso.
    Mas o ritmo é ótimo, vc levou o leitor até o cemitério e tiramos junto com o garoto a maldita fotografia da lápide. . hehe
    achei o final meigo, sábio, de quem sabe valorizar as boas coisas, as verdadeiras.
    Parabéns pela sensibilidade.
    Abraços

  34. jggouvea
    25 de setembro de 2016

    A história em si é interessante, e ainda mais porque trabalha com medos psicológicos em vez de sobrenaturais. Confesso que o regionalismo me incomodou, menos por ser excessivo e mais porque em alguns trechos resultou em obscuridades, mas isso, acho, foi mais pela má pontuação do que pelo regionalismo mesmo.

    A influência de Guimarães Rosa é clara, inclusive no tipo de dialeto empregado, o mesmo dele, certamente bebido dele, e no estilo de discurso direto-indireto livre que era tão caro ao mestre.

    Embora o autor ainda não tenha achado uma voz própria (e a de Rosa é muito evidente e clara para ser impunemente copiada), o texto atende primorosamente ao objetivo do desafio e merecerá um de meus dez votos.

  35. Fabio Baptista
    23 de setembro de 2016

    Colocar esse regionalismo todo é arriscado. Às vezes sobram frases sem sentido:
    – para ver por se dava pra subir (não entendi a função desse “por”). Às vezes umas frases destoantes escampam: “espiando as sombras dos anjos e dos santos sobre as lápides” (muito certinha para o jeito que a história vinha sendo contada até então).

    Mas… a sorte favorece os destemidos. E, pelo menos nesse caso aqui, o risco valeu muito a pena, porque a narrativa ficou excelente. Uma leitura muito gostosa. A trama não é a mais criativa do mundo, mas isso é o de menos. O jeito que essa aventura foi contada deu novas cores a velhos clichês… e numa época em que todas as histórias já foram contadas, isso é um feito notável.

    Excelente.

    Abraço!

    • Alair Silva
      29 de setembro de 2016

      Esse “por” aí sobrou, Fábio. Problemas com a revisão. O correto era “para ver se dava pra subir.”. Falha minha. Obrigado por ter apontado, pois eu não tinha visto (olhos viciados de quem já leu o mesmo texto uma pancada de vezes). Forte abraço!

  36. Taty
    22 de setembro de 2016

    Uma aventura adolescente com os contornos trágicos que só essa idade tem rsrsrs

    É divertida, bem escrita, gostei bastante, apesar de não existir nenhuma grande ação reveladora, parece que o clima psicológico da situação é o mais importante.

  37. Evelyn
    22 de setembro de 2016

    Oi, Alair,
    Gostei muito do conto! Bem estruturado e diferente. Vai estar entre os melhores que li por aqui. Eu senti falta de algumas vírgulas, mas nada que impedisse a leitura.
    Abraço!

  38. Priscila Pereira
    22 de setembro de 2016

    Oi Alair, gostei do conto, esse jeito informal de narrar a história me agrada bastante. Está bem escrito, mas sem grandes emoções. Boa sorte!!

  39. Olisomar Pires
    22 de setembro de 2016

    Um texto bom de ler, as expressões coloquiais dão um tom intimista. ´É bem escrito dentro da proposta do autor. Senti falta de algumas vírgulas, mas creditei ao estilo da narrativa.

    A história é simples, mas bem contada e, possivelmente, faz parte das lembranças da maioria dos “meninos” que já passaram por testes juvenis de coragem nessa vida.

    Boa sorte.

  40. Ricardo Gnecco Falco
    22 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Uma leitura muito gostosa! O leitor é convidado e acaba entrando sem relutância no universo da história. Me senti ali com os 3 jovens, participando de tudo o que acontecia. Num estilo “causo da roça”, somos levados por uma história simples e jovial, muito embora sem grandes conflitos ou preocupações, como o mundo que ficou registrado lááááá atrás, nos idos anos perdidos e que hoje moram (no meu caso, é claro) somente nas gostosas lembranças. De 1 a 10, darei nota 8 ao conto, pela suavidade do passeio, mesmo que um passeio sem destino. Parabéns para o(a) autor(a) da obra, que escreve muito bem! 😉

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Boa utilização do foco narrativo. Diálogos críveis e ótimo domínio da pena. Faltaram conflitos mais marcantes, porém senti mais a falta de um final como (penso eu) as narrativas curtas necessitam, para ficarem gravadas em nossas mentes: chocante. Entendo que o(a) autor(a) tenha desejado este ar mais suave, porém senti realmente a falta de algo mais marcante para o final desta bela obra singela. Parabéns pela forma utilizada!

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Obra que certamente agradará a muitos!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  41. Ricardo de Lohem
    22 de setembro de 2016

    Olá, de novo, esqueci de mencionar uma coisa. Uma hora no seu conto se fala de um personagem, Tio Tonho, que teria lutado com uma onça e ficado com um ferimento mal curado, ele diz: “Vem cá, moleque. Bota o dedo aí e vê o buraco que ficou. E a gente empurra o dedo fundo até tocar o osso malformado”. “Malformado” significa um defeito congênito, com o qual a pessoa já nasce, devido a causas genéticas ou desvios no desenvolvimento embrionário: não é a palavra certa aqui, acho que você quis dizer “deformado”. Era isso, até a próxima!

  42. Ricardo de Lohem
    22 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma boa história de fantasmas, com delicioso linguajar regionalista. No início foi muito divertido, mas foi cansando um pouco no final, talvez soando um tantinho artificial, não sei, faltou algum domínio maior desse modo de se expressar para que soasse realmente natural. E o final foi muito apressado e meio sem sabor, não teve reviravolta nem revelação, nem poesia, nada que desse um último toque. De qualquer modo, foi bastante bom, talvez um dos melhores até agora, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 21 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .