EntreContos

Literatura que desafia.

“Sem Título” (Gustavo Aquino)

Regido pela sinfonia de algum funk carioca, entornei o conteúdo do copo em uma única golada. Voltei o recipiente sobre a mesa e, ignorando a ninfeta que rebolava em meu colo numa patética tentativa de me despertar uma já extinta ereção, focalizei o olhar embriagado para além de seus ombros perfumados, na direção do palco onde um show de sexo era improvisado. À meia-luz do espaço circundado por paredes espelhadas, vi a recauchutada matrona que, do salto-alto de seus quarenta e tantos anos, esmerava-se em macaquear os gemidos e suspiros de uma virgem de amor primeiro a cada nova arremetida de seu afobado parceiro de performance.

Era a minha saideira.

Sem dizer nada, desvencilhei-me de minha momentânea companheira e da competência de seus movimentos pélvicos.

Velho viado! Broxa!”

Disse  a locução muda em forma de olhar de dentro de suas íris verde-mar.

Mar…

Pus-me de pé. Imperturbável diante da verdade daquela afirmação desprovida de verbo, segui na direção do caixa. Ao pagar o que devia, sorrindo por conta da anedota obscena que um dos espectadores fizera em relação aos orgasmos fingidos da mulher, comprimi o livro de Heyerdahl contra a axila e me retirei da presença vulgar dos Priápos e das Calipígias de sexos descobertos.

Os colares de luz, pouco a pouco, foram se perdendo na distância. Dobrei uma esquina, cortei por algumas ruas, flanando por flanar naquele meu cíclico-vagar-errático-das-sextas-feiras. Na solidão que descambava à minha volta ─ a pedido, claro, da eterna embriaguez ─ assobiei canções de trinta anos atrás; composições elaboradas nos anos de meu voluntário exílio, cânticos feitos nas enseadas de Angatau, debaixo das palmeiras de Fatu Hiva, que falavam de constelações estranhas, mares e profundas florestas primordiais.

Trinta anos atrás. E o Pacífico, indene a ação do tempo, continuava encrustado nos meus pensamentos.

Subitamente, no momento em que atravessei o último cruzamento da Avenida Atlântica, me lembrei do desafio de poesias. Ergui o pulso e, tolhido pelo excesso de álcool ingerido durante as últimas horas em que estive enfurnado naquele puteiro, lutei para reconhecer o horário nos ponteiros do relógio.

─ Duas e trinta! ─ falei para as ruas desertas, para o nada, para a quietude dos becos-sinistros que se escancaravam na madrugada.

Aprumei o passo. Retirei uma caneta do bolso da calça enquanto, mentalmente, solicitava a devida permissão de Heyerdahl para macular as últimas páginas de sua obra-prima com a minha ébria caligrafia. Formulei versos a cada novo tropegar, tentando criar construções frasais de uma idéia que eu mesmo desconhecia. Após contornar a praça Chile, descendo na San Martin Del Mar, ganhei as imediações do cemitério municipal.

Mar

Interrompi o exercício de minha escrita, refreando a criação de linhas prolixas ao evocar o mar. Pude ver novamente a balsa rústica, incaica, lançando-se nas águas enquanto, lá atrás, emolduradas no formato rude das pedras caiadas do porto de Callao, figuras evanescentes acenavam despedidas de um píer qualquer. Cheirei o perfume de salitre pulverizado espraiando-se das correntes marinhas. Rememorei o bruxuleio dos mil matizes, das mil cores, das oitavas cores, dos cardumes de bonitos e dourados nos mares do sul. Olhei para a tempestade, a deriva, os contornos de Raroia; a vida náufraga e desterrada da civilização em meio os coqueirais e os ventos alísios. Depois, o retorno para o mundo dos homens e…

Diante daquele portão grotesco que delimitava a fronteira dos vivos e dos mortos, rebentei-me em prantos.

Mar

Voltei o olhar marejado para as sentenças escritas no livro e, retomando a haste da caneta entre os dedos, finalizei o improvisado poema sem sequer se importar com o rebusque de algumas rimas. Ao me recompor, limpando inutilmente as lágrimas com as mangas da camisa, caminhei na direção da entrada da necrópole.

A trilha pavimentada de pedras irregulares me guiou através dos mausoléus que, aqui e acolá, erguiam suas cúpulas ornamentadas para além dos ciprestes e do muro circundante. Próximo da silhueta de uma pequena capela mortuária, aos pés da escadaria de acesso, alguns vultos podiam ser vistos sentados na turfa ou nas lápides adjacentes que serpenteavam contra a amurada dos primeiros degraus. Aproximei-me lentamente, saudei alguns rostos familiares e, no espaço vago existente entre um desconhecido que concentrava toda a atenção no timbre feminino tecendo loas em homenagem a Carmilla, sentei.

Poesias ainda estavam sendo declamadas.

 

 

─ Obrigado! ─ disse a jovem com um sorriso, consciente da aprovação de seus ouvintes e confiante no quilate do seu poema. ─ Agora, o próximo participante: Melville…

De cima de uma lápide, um rapaz de cabelos desgrenhados deslizou.

─ Agradecido, Gauguin ─ falou após colocar-se dois degraus acima de onde a jovem estava. Abriu um papel dobrado recém-tirado do interior do capote e, sustentando o olhar da platéia, parnasiou:

─  Ó, alma minha, quantas mortes servirão para romper, afinal, a herança que me envolve em tristes vestes de fantasmas…

Gauguin se aproximou. Ao pedir licença à figura sentada na minha esquerda, acocorou-se. Virou-se para mim vagarosamente, indagando quase num sussurro:

─ Achei que você não iria aparecer! Então, qual vai ser o seu pseudônimo dessa vez?

Olhei para aquela jovem de aspecto macilento, esquelética, com olheiras expressivas de noites não dormidas. As íris eram escuras, de um preto profundo, e luziam naquele eterno lume dos mistérios da literatura gótica.

De perpétua abóbada plúmbea… ─ a voz de Melville preenchia a madrugada.

─ Kon-Tiki ─ respondi, sufocando uma súbita tristeza.

Foi há tanto tempo, tão longe daqui, que esqueci até mesmo o nome pelo qual os homens me chamavam…

─ Kon-Tiki? ─ repetiu. Franziu o cenho, degustando a sonoridade da palavra e buscando decifrar a origem daquela estranha composição gramatical. ─ É algum personagem dos contos de Stevenson?

Neguei.

─ De Machen?

Neguei novamente.

─ Le Fanu? ─ insistiu.

─ Eu inventei agora ─ menti descaradamente, encerrando as incisivas indagações.

─ Bom. E qual vai ser o seu tema? Olha, Polidori e Bram ─ disse ela apontando para os dois jovens que estavam a poucos metros da escadaria ─ recitaram alguns poemas sobre Cthullu. Shelley fez um poemasso sobre Macário e, na minha opinião, acho que ela vai ser a vencedora…

O machado e a lança de ponta de sílex são como um sonho, e caçadas e guerras, sombras. Lembro-me apenas da quietude daquela terra severa… ─ Melville elevou sua voz num crescendo, alçou os decibéis, pronto para o arremate final.

─ Esquece ─ falou Gauguin, ignorando a própria pergunta. ─ Você é o próximo. Boa sorte! ─ Em seguida, retirou-se no preciso momento em que uma leve salva de palmas anunciou o término da declamação.

Melville desceu os degraus e tornou a sentar-se na lápide que lhe servira de assento. Gauguin, cumprindo educadamente o papel de anfitriã, anunciou em alto e bom-tom:

─ Kon-Tiki…

Aquiesci àquele chamado. Aproximei-me da escadaria e, do alto de um púlpito imaginário, mirei os espectadores. Guardei cada expressão, cada gesto, cada brilho que espocava de seus olhares. Era evidente que conheciam as histórias de William Wilson e os mistérios que existiam além dos umbrais da casa de Usher. Haviam decorado, sem sombra de dúvida, cada lembrança tétrica evocada por Randolph Carter e o Grande Deus Pã. E, mesmo depois de anos, décadas de leitura, arrepiavam-se diante das imputações do mal vaticinadas pelo sacerdote cefalópode que vivia em algum lugar do Pacífico.

Pacífico…

No entanto, o que eles sabiam sobre Fatu Hiva? O que sabiam do infortúnio daqueles que haviam tentado fugir da civilização e fracassaram? O que sabiam da verdade? Acreditavam, piamente, que o homem tinha mesmo medo do que lhe era desconhecido? Idiotas! Cegos! Pois é exatamente o oposto! Temos medo daquilo que nos é conhecido! Temos medo de um mundo circunavegado em suas arestas mais eqüidistantes, esquadrinhado em todos os seus recônditos pormenores! Temos medo daquela certeza de que em nossa existência medíocre e depressiva já não exista mais nenhum mistério para se conhecer. Temos medo… Medo de uma vida moderna, civilizada, onde já não exista mais nada para que voltar.

Fatu Hiva…

Pigarrei, pronto para exteriorizar tudo o que sentia em forma de verso. Porém, resignei-me na minha mudez absoluta. E, sem ter ousado declamar sequer a primeira linha do poema, fechei o livro de Heyerdahl enquanto olhares de espanto me fulminavam. Desci os degraus, um a um. Passei por Polidori, por Bram, por Shelley, por Melville refestelado em sua lápide, pelo chamado vago de Gauguin, e atravessei apressadamente o cemitério deixando para trás o sarau de poesias góticas.

Era inútil tentar fazê-los compreender. Era inútil fazê-los ver que nem todos os Lovecrafts, nem todos os Poes, nem todos os Blackwoods, serão capazes de exteriorizar o maior medo do homem que é a frustração de uma vida mentirosamente sorridente.

O medo do homem não repousa em espectros,

nos mistérios da morte, no pós-morte.

O nosso medo, o meu medo, dorme na certeza de que a vida foi,

é e será, um conjunto de feitos inúteis.

Ele repousa na franca clareza das futilidades das coisas terrenas.

Kon-Tiki…

Um conjunto de feitos inúteis.

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51 comentários em ““Sem Título” (Gustavo Aquino)

  1. Fil Felix
    14 de outubro de 2016

    Sociedade dos Poetas Góticos

    GERAL

    Este conto tem dois pontos muito fortes e que merecem destaque: o primeiro é a escrita, feita com bastante maestria, frases inspiradas e pomposas, recheada de palavras novas e interessantes. Percebe-se que o autor conhece o assunto e não cai no amador que conheceu uma palavra difícil hoje e quis incluí-la. Em segundo está o trabalho de pesquisa. Cada personagem do clube dos poetas, cada sentença, os nomes, exploradores, escritores, tudo muito bem encaixado e embasado. Isso mostra um capricho por parte do autor, algo que admiro muito. O título também achei ótimo e me fez pensar sobre: no campo das artes visuais é muito comum ver obras sem título ou com títulos genéricos do tipo “composição 3”. Em contos e romances eu nunca tinha visto, porque é o que chama a atenção pra “vender o produto”. Uma decisão arriscada, pois fora do desafio não tenho certeza se chamaria a atenção. Mas aqui, por ter que ler todos, funciona.

    BUGUEI

    Confesso que deu ERRO 404 em mim quando o texto deu a pausa e foi do bordel pro cemitério. Parecem dois textos diferentes, até mesmo no clima: no bordel, seria um velho; no cemitério, parecem jovens. Ou é o passado? Não sei. A quantidade de referências dá pra pegar com pá e fiquei soterrado por elas. Me lembrou o autor Mike Carey quando começou a escrever X-Men Legado: ele queria mostrar que entendia do Universo X e colocava flashback em praticamente todas as páginas, deixando a leitura muito pesada. Sinto algo semelhante aqui. Particularmente, gostaria de ter lido a poesia do protagonista, mas ele encarnou o Tim Maia e abandonou o palco.

  2. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    21. “Sem Título” (Zha Haisheng)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: o descrever do universo dissoluto, que se transforma em happening cultural, foi insólito. Um dos textos desse desafio que me obrigou, em vários momentos, a procurar no dicionário o significado de algumas palavras – que, diga-se de passagem, foram muito bem empregadas.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Gótico.

  3. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    É um bom conto, mas ele foi me perdendo pelo excesso. Logo no primeiro parágrafo temos uma enxurrada de adjetivos. Quase não há substantivos que não estejam acompanhados por esses penduricalhos terríveis: patética tentativa / extinta ereção / olhar embriagado / ombros perfumados / recauchutada matrona / afobado parceiro. É muito, sabe? E isso apenas no primeiro parágrafo… Na literatura, é muito comum que julguemos mais pelo conjunto do que por uma única obra. Fiquei pensando se o excesso do texto não era proposital, uma referência direta aos autores que aparecem ao longo do texto e que também abusavam dessas características (alguns, ao mens). Porém, como não conheço o autor, é difícil destrinchar a proposta. Meu ponto é: se foi proposital, acho que vale a ousadia. Peço um milhão de perdões ao autor por minha implicância se for este o caso (vou ao grupo para me desculpar publicamente. Rs.) Porém, se o autor escreve sempre dessa maneira, sei não… Confesso: fui lendo e torcendo o nariz, mas depois comecei a achar que estava dentro da proposta e me deixei levar. Outra coisa que incomodou: o texto rima em diversos momentos. Li em voz alta para ver se não era implicância minha. Não é. E deve ser evitado.

    Outra questão: lá pro fim do texto há um diálogo entremeado por uma declamação. Acho que, para facilitar a leitura, você poderia usar outra convenção para o texto declamado no lugar do travessão. Aspas, talvez. Você usou itálico. Isso ajudou, mas o itálico da fonte do site é tão fraquinho que só percebi depois de algumas linhas. Vale uma atenção. Voltando ao texto: encontrei uns probleminhas de revisão e falta de crase, mas é bobagem. Uma revisão rápida mata isso. Foi muito curioso você ter evocado Machen e o Grande Deus Pã. Estou nas páginas finais do livro. Gostei também do bom uso de referências mitológicas. Fiquei sem entender algumas coisas: o cara estava com o livro do Heyerdahl dentro do puteiro, é isso? Que incomum, não? Rs. A reflexão final é um tantinho rasa, mas acho que ela é totalmente coerente com o protagonista petulante e niilista. As referências foram um ponto positivo por não terem sido gratuitas: além de enriquecerem o texto, estão diretamente ligadas com a trama e com a conclusão do conto. Gostei.

    • Zha Haisheng
      13 de outubro de 2016

      Obrigado pelas impressões.

      Que pena, Anderson.

      Agora, discordo categoricamente contigo acerca da questão de “evitar rimas”. Quero e tento fugir da mesmisse literária. E devo evitar, sim, me adequar a padrões estéticos literários.

      E vou tentando, tentando e apanhando pelo caminho das narrativas…

      Incomum estar com um livro num puteiro.

      Creia-me, não é.

  4. Felipe T.S
    13 de outubro de 2016

    Olá autor!

    Como um todo, o conto é bom, mas não passa da média do desafio atual, na minha opinião, devido ao início, extremamente forçado. O primeiro parágrafo ou foi escrito com algum propósito que não captei ou, você errou na tentativa de dizer o que queria. Vamos lá, sério que você não acha chato e mecânico esse início:

    “Regido pela sinfonia de algum funk carioca, entornei o conteúdo do copo em uma única golada. Voltei o recipiente sobre a mesa e, ignorando a ninfeta que rebolava em meu colo numa patética tentativa de me despertar uma já extinta ereção, focalizei o olhar embriagado para além de seus ombros perfumados, na direção do palco onde um show de sexo era improvisado.”

    Mas felizmente eu não desisti (até pq seria contra as regras, não?) e fui presenteado com uma ótima narrativa, logo na sequência. Depois sim temos uma narrador com uma “voz”, que passa sensações, emoções, que deixa transparecer parte de sua personalidade. Olha só a diferença desse discurso para o que citei acima:

    “No entanto, o que eles sabiam sobre Fatu Hiva? O que sabiam do infortúnio daqueles que haviam tentado fugir da civilização e fracassaram? O que sabiam da verdade? Acreditavam, piamente, que o homem tinha mesmo medo do que lhe era desconhecido? Idiotas! Cegos! Pois é exatamente o oposto! Temos medo daquilo que nos é conhecido! Temos medo de um mundo circunavegado em suas arestas mais eqüidistantes, esquadrinhado em todos os seus recônditos pormenores! Temos medo daquela certeza de que em nossa existência medíocre e depressiva já não exista mais nenhum mistério para se conhecer. Temos medo… Medo de uma vida moderna, civilizada, onde já não exista mais nada para que voltar.” Aqui sentimos força, tudo é mais humano! E acredito que essa crítica não é apenas uma opinião pessoal, visto que outros leitores tbm apontaram um certo desiquilíbrio em relação a primeira parte do conto.

    De qualquer forma, após essa escrita “mecânica” do início, temos um banho de reflexão e angústia e tudo isso atrelado as referências que ajudam a pintar todo o cenário, as coisas são muito satisfatórias.

    Enfim, espero de verdade, não ter entendido suas intenções inicias, pois da forma que está, realmente me parece que o início do conto, não recebeu tanta atenção quanto o restante da trama, ou melhor, não recebeu a mesma força motivadora de criação, que o desenvolvimento do meio para o fim. As vezes é assim, demoramos para encontrar o caminho certo, mas sempre é tempo, em uma outra leitura, de ajeitar o caminho.

    Sucesso pra vc e boa sorte!

    • Zha Haisheng
      13 de outubro de 2016

      Chato e mecânico…

      Rapaz…

      Pode deixar, vou me esmerar no próximo desafio.

      • Felipe T.S
        13 de outubro de 2016

        O início, principalmente esse primeiro parágrafo, ok? Espero que tenha ficado claro o quanto gostei e vi talento no restante do conto. ;D

  5. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Bem, de fato se adequa ao tema e de forma incomum, ponto positivo.

    Enredo: Apesar de haver uma ligação entre a primeira e a segunda parte, não pareceu haver para mim.

    Tive a sensação de que havia uma história, na casa de show, e outra, a do sarau. Que foi pra mim muito mais interessante. E por isso fiquei chateada comigo mesma, por não conseguir estabelecer uma relação entre essas duas partes, porque deve haver.

    Personagens: Gostei do pessoal do sarau. O conto poderia ter ficado só nessa parte que eu não reclamaria, rs.

    Emoção: Foi uma leitura interessante, gostei muito do que li da parte do sarau. Mas é certo que, apesar da qualidade da escrita, não está entre os meus preferidos.

    Alguns toques: Parabéns pela escrita, cheia de nuances, que foge do lugar comum, mas se não for pedir muito, volte aqui depois e conte os bastidores do seu texto pra mim e pra quem mais estiver curioso.

    Boa sorte e bom trabalho!

    • Zha Haisheng
      12 de outubro de 2016

      Que pena que não percebeu a ligação.

      Outros não perceberam também, outros conseguiram.

      A maneira mais simples de explicar é que esse homem lembrou-se do desafio de poesias e se dirigiu até lá. Foi até lá com os seus fracassos, com restos de um exílio voluntário da civilização, e tentou conceber um poema que vencesse o desafio onde o gótico era representação maior do medo.

      Acho muito certo ele não estar em sua lista.

      Afinal, o que nós sabemos sobre Fatu Hiva?

      • Bia Machado
        12 de outubro de 2016

        Bem, isso tudo que você explicou eu entendi. Agora estou mais aliviada, achei que houvesse muito mais coisa implícita, que explicasse haver mais coisas ligando a primeira parte à segunda, enfim… Gostei da parte do sarau principalmente pela filosofia, pela poesia, pelas reflexões. Tivesse Fatu Hiva mais espaço na sua narrativa, abrindo mão da primeira parte, a percepção teria sido diferente. O significado da primeira parte poderia estar tranquilamente inserido nas reflexões feitas no sarau. Enfim, é apenas uma opinião e o escritor é você. De qualquer forma, obrigada pela leitura interessante e por ter voltado aqui para me responder.

  6. Marcia Saito
    12 de outubro de 2016

    Olá
    Esse foi um dos contos que mesmo dentro da temática do Desafio, não se valeu de clichês que a maioria se utlizou. Aliás, fugiu de todos.
    A ambientação obscura e decadente fez lembrar de fato certas partes do RJ, onde somente a poética pode explicar.
    Demonstrou uma boa experiência na escrita, além de pesquisa dos termos bem apresentados e colocados.
    Parabéns pelo desenvolvimento diferenciado no tema.
    Boa sorte no Desafio.

  7. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Boa tarde, amigo (a) escritor (a), tudo bem?

    Primeiramente, percebemos um domínio da escrita e talento em cada linha. O texto tá muito bem escrito e tem belas construções e uma veia poética muito bonita.
    Porém, apesar da beleza estética, não me conquistou. Achei meio fraco de enredo e cansativo em alguns momentos. Não me encantou e meio que deu a impressão de ser mais longo do que de fato é.
    Acho que não se encaixou legal com minha expectativa no tema (não que tecnicamente não entre no tema cemitérios, claro).
    Mas, como falei inicialmente, tem uma beleza estética e poética muito grandes, que compensam e balanceiam positivamente a obra.

    Boa sorte!

  8. Pedro Luna
    10 de outubro de 2016

    Olá. Muitas considerações.

    O texto parece ter sido escrito por dois escritores diferentes no que se refere a técnica. Logo no início, me lembrou o estilo do Rafael Sollberg. Bom, se foi escrito por um ou dois, não sei, mas é muito bem escrito.

    Gostei mais do que vem após uma interrupção. O desafio de poesias no cemitério é visualmente interessante e foi bem descrito. Os pseudônimos da área do terror e literatura geral também foram uma boa sacada.

    Agora, não posso dizer que entendi as motivações do personagem ao deixar o sarau. Que lição ele quis dar em seus companheiros e no caso, no leitor. Percebi que o texto faz referências que, ao mesmo tempo que dão sobrevida ao conto (no caso de levar o leitor a pesquisar), se tornam o seu calcanhar de aquiles.

    “O nosso medo, o meu medo, dorme na certeza de que a vida foi,

    é e será, um conjunto de feitos inúteis”

    Concordo plenamente. Só não saquei se ele estava se referindo a expedição, e se for o caso, por que as reflexões do personagem caem sobre o grupo de poesia? Qual era a ligação? Ou não entendi porra nenhuma (sempre uma possibilidade)?

    Enfim, parabenizo a criatividade e a escrita, mas não me atingiu em cheio. Me impressionou, mas não cativou.

    Abraço

  9. Simoni Dário
    10 de outubro de 2016

    Olá Zha

    O conto não é do tipo que aprecio, porque à primeira vista parece pedante, do tipo que tem a intenção de esnobar palavrório e acabar coma raça de escritores bons, mas que abordam enredos bem mais facilmente apreciáveis “a olho nu”.

    Na primeira leitura fracassei totalmente. Aí, leio os comentários de autores consagrados aqui no desafio e pude ver que talvez eu não tenha alcançado o nível de escrita do autor e o que quis passar no texto.

    Reli, intrigada pelos primeiros parágrafos que me agarraram para dentro do conto e então ficou clara a minha incapacidade para absorver textos deste nível em uma única leitura.

    Tirando o excesso de referências, o resultado é muito bom. Não conheço o trabalho de quase nenhum deles, apenas de já ouvi pelo menos o nome de alguns. Lembrei de Nietzsche, do filme Sociedade dos Poetas Mortos e as cenas do texto ficaram com um pouco de cara de cenas de filme Americano.Nada tira o talent da narrative.

    “Era inútil tentar fazê-los compreender. Era inútil fazê-los ver que nem todos os Lovecrafts, nem todos os Poes, nem todos os Blackwoods, serão capazes de exteriorizar o maior medo do homem que é a frustração de uma vida mentirosamente sorridente.”
    O Facebook tem dado uma forcinha (mil perdões por isso, apenas extravaso a ira diante da minha ignorância frente às referências citadas).

    Excelente, parabéns autor.

    Bom desafio.
    Abraços

  10. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Este conto se situa em um patamar diferenciado neste desafio. Não só pela habilidade do autor com as palavras, mas pelo fato de tratar do tema proposto de forma diversa. Um sarau poético com conhecidas personalidades da literatura e das artes em nível mundial. Creio que o autor foi muito feliz ao nos apresentar um protagonista que conduz a trama com um espírito derrotado, cínico e sem esperanças. Influência de Hayerdahl? Talvez. A expedição Kon-Tiki foi uma das maiores façanhas da história da humanidade e não teve o reconhecimento desejado. Sim, o explorador norueguês ganhou fama e firmou-se como referência filosófica, mas a tão sonhada teoria de que os nativos da América do Sul foram os responsáveis por povoar a Polinésia jamais restou comprovada.

    É esse espírito resignado que toma conta do texto. A transição de um cenário mundano para o sobrenatural é perceptível, mas tem aquela evidente qualidade de dispensar explicações. Melville tenta ganhar o público, enquanto confidências e olhares são trocados entre os demais. Mas nosso narrador é arrebatado por uma saudade de Fatu Hiva que, ao mesmo tempo, o faz perceber que, na verdade, não há façanhas remanescentes a protagonizar.

    O conto é muito bem escrito, possui tantas referências que, receio, não serão absorvidas do modo como seria justo. Vale dizer: o conto é muito mais do que Thor Hayerdahl e Kon-Tiki. É o desespero de Mellville, a surpresa de Gauguin (neste ponto, tenho que discordar quanto à suposta ignorância dele sobre Fatu Hiva, afinal foi ele quem deixou a França decadente em busca de um paraíso perdido no Tahiti – aliás, o livro ilustrado “Noa Noa”, que reúne os quadros produzidos naquele arquipélago e também os diários, é algo fantástico).

    Enfim, é, para mim, o melhor conto do certame justamente porque não busca o sobrenatural como forma de reviravolta. Antes, afasta-se dos clichês do gênero por não usar um efeito catártico como muleta. Mais importante do que tudo: faz pensar.

    Parabéns e obrigado.

  11. Pedro Teixeira
    9 de outubro de 2016

    Olá, Zha Haisheng! Escrita madura, que embala uma estória calcada principalmente nas reflexões do personagem- narrador. Tenho algumas reflexões bem parecidas com as dele, especialmente sobre o “temor ao que é conhecido”, ou seja, um mundo em que não há mistério, e isso fez a leitura ser prazerosa pra mim. Com as referências, acontece algo engraçado: ao mesmo tempo em que elas são uma das grandes forças do texto, elas constituem também um fator que torna sua leitura mais trabalhosa, especialmente para quem não conhece as obras e autores citados, fazendo com que o texto dependa um pouco do interesse do leitor em procurar a origem das citações. Eu gostei do resultado.
    encrustado – incrustado

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  12. Jowilton Amaral da Costa
    9 de outubro de 2016

    Bem, eu fiquei bastante dividido neste conto. A técnica é muito boa, o escritor domina o ofício. O conto é bastante original, (subjetivo demais, o que pode perder pontos num desafio de contos preferidos) e demonstra erudição do autor, ou, ao menos, uma pesquisa criteriosa sobre o que queria escrever e isso ganha pontos. A leitura foi travada diante de tantas referências, que confesso, tive que pesquisar, no caso do geografo e de seu barco. Não gostei dos versos que entrelaçam os diálogos no cemitério.O final foi muito mais fluido e interessante do que o resto do conto, na minha opinião. Boa sorte.

  13. Zha Haisheng
    9 de outubro de 2016

    Agradeço os comentários. Quanto a impressão de ser duas histórias diferentes, creio que não. O personagem entra no cemitério e a segunda parte da história continua exatamente daí.

    Mar, mar e mar, Vitor. Tudo está ligado ao mar. Pena que não notou isso. Culpa minha, talvez. Ou talvez não.

    Era inútil fazê-los compreender.

  14. Maria Flora
    8 de outubro de 2016

    Olá. Este conto demonstra boa narrativa, com partes bastante interessantes. Mas não posso deixar de concordar com alguns comentários aqui: o texto parece ser a junção de duas histórias diferentes ou ao menos dois momentos diferentes. A saída do personagem do cemitério que não convenceu muito. Talvez pode se ampliar para combinar melhor com o final do conto. Boa sorte.

  15. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Gostei do conto, mostras muita qualidade na escrita e muita técnica, mas não sei se não te enredaste nas tuas qualidades, pois não percebi muito bem a ligação desta introdução com a segunda parte.
    MAR
    mas gostei dos ambientes criados, consegui sentir o cheiro de cada lado, mas lamento a falta de ligação entre os dois, e a circulação entre os dois não me pareceu suficiente
    MAR
    muitos parabéns

  16. catarinacunha2015
    7 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Oba! Sacanagem underground! Vamos lá!

    TRAMA me enganou. O estilo é maravilhoso, mas a trama ficou engessada com excesso de referências e gordura nas artérias. Em algum momento o autor enveredou para a filosofia e esqueceu o brilhantismo do início. Quase choro.

    AMBIENTE não aprofundado, já que o cemitério é um elemento totalmente dispensável.

    EFEITO perdido dentro do elevador. Caramba, tem duas portas para sair e o cara fica olhando para o teto sem saber o que fazer.

  17. phillipklem
    6 de outubro de 2016

    Boa noite Zha Haisheng
    Confesso que o estilo da escrita combinado com todas as referências que encontrei ao longo do conto tornaram a leitura bastante cansativa para mim. Por várias vezes me peguei viajando em meus pensamentos e tendo que reler a mesma frase duas ou três vezes para pegar o sentido do que estava escrito. Apesar da escrita revelar que o autor tem total domínio sobre as palavras e um vocabulário bastante amplo, para mim não funcionou. Mas é apenas uma questão de gosto pessoal.
    A história em si está bem interessante, mas acho que as referências foram um pouco demais. Por várias vezes precisei parar a leitura para jogar algum nome do google, o que contribuiu ainda mais para minha falta de concentração.
    Enfim… não há dúvidas de que foi um conto bastante criativo, só não funcionou para mim. É impossível agradar a todos, não é?
    Boa sorte no certame.

  18. Marcelo Nunes
    6 de outubro de 2016

    Olá Zha.
    Não é o tipo de texto que aprecio em ler. Achei uma escrita e leitura de alto nível. Me arrastei para ler, foi pesada, deprimente e confusa. Acho que estou com uma confusão mental nesse momento, desculpa. rsrsrsrs

    Parabéns e boa sorte no desafio. Abraço

  19. Pétrya Bischoff
    5 de outubro de 2016

    Olá, autor! Devo começar parabenizando e agradecendo, pois seu texto é um deleite.
    A escrita é primorosa, rebuscada e pretenciosa. A ambientação cria essa atmosfera ébria, suja e envolvente, pelos caminhos que o personagem trilha. Mesmo a narrativa seduz.
    Não entendi algumas referências, o que me fez pesquisar e apreciar inda mias esse trabalho (EDIT: Li impresso, no trabalho, sem ler os comentários dos demais. Agora que estou digitando o comentário, pude ver as explanações dos outros acerca das referências).
    Toda a leitura é permeada por esses pensamentos embebidos em sonhos etílicos, tal qual o próprio personagem, e o autor obteve pleno sucesso com essa abordagem. Um dos contos com melhor estética desse desafio, e meu favorito. Parabéns e boa sorte!

  20. Rodrigues
    4 de outubro de 2016

    Bom conto, achei que o final arrematou e salvou na hora certa, pois aquele excesso de citações já estava me deixando inquieto. A escrita é excelente, assim como a forma de fazer os paralelos com os poetas, inseridos de forma interessante nesse cemitério. O começo é o melhor, eu acho, as descrições do ébrio pela rua com sua garrafa foram muito boas. A poesia gótica, achei que ninguém tocaria nesse ponto no concurso, me lembrou muito os góticos com seus vinhos em cemitérios depois de saírem do Madame Satã.

  21. Thiago Amaral
    3 de outubro de 2016

    Gostei bastante.

    Primeiramente, do estilo na escrita. Em segundo, da imagem de poetas num cemitério, participando de um desafio poético.

    Em terceiro, do significado do conto. Uma perspectiva interessante para este tema.

    Provavelmente aparecerá na minha lista. Até a próxima!

  22. mariasantino1
    2 de outubro de 2016

    Oi, autor!

    Eu imagino quem escreveu esse conto e sei que essa pessoa não curte elogios rasgados, então vou tentar me controlar, mas já adiado que não vou conseguir.

    Vi as referencias e tudo tem relação com o mar, que por sua vez tem relação com as grandes navegações, que está ligada ao alargamento do mundo conhecido e, consequentemente da descoberta que o universo infinito é findo. Isso lembrou-me também de Nietzsche, do vazio em se pensar na aleatoriedade da vida sem um arquiteto para isso tudo. O ser civilizado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Tem muitas reflexões filosóficas e este personagem marca a estagnação do pêndulo dos desejos, que parado trás o tédio, e em movimento só pode levar a outro desejo, que leva a constante busca, o querer.
    Eu viajei tanto no seu conto que esqueci das avaliações capengas do meu bloco de notas e lá me vi relendo tudo e caindo em pensamentos mais uma vez. Então, em resumo, um conto que faz pensar, faz refletir vale muito a pena ser lido.

    Muito parabéns e boa sorte

    (acho que já lista fechou)

  23. Amanda Gomez
    2 de outubro de 2016

    Olá,

    Confesso que me senti um tanto ignorante lendo este conto, captei apenas algumas referências, a outras foram incompreensíveis pra mim, embora tenha apreciado. É uma falha minha, podemos dizer asim, mas isso me impediu de entender e curtir o conto como ele merece.

    Como muitos já disseram, o conto pareceu dividir-se em dois, eu preferia que tivesse mantido a mesma ” pegada” da primeira….teria sido mais fácil, mais fluido… Mas quem sou eu né? O autor decidiu dessa forma é assim o fez.

    Sei que o conto irá agradar a muitos, os floreios realmente enchem os olhos, o texto rebuscado não parece forçando…pelo menos não em maior parte do tempo. Algumas passagem , sobretudo o final são realmente muito bonitas e nos faz pensar. Imaginar a cena deste desafio no cemitério, foi bonito.

    Enfim, só posso parabenizar o autor pelo trabalho. Boa sorte no desafio.

  24. Iolandinha Pinheiro
    2 de outubro de 2016

    Achei este conto a cara da Maria Santino, me perdoe se você, autor, não é a própria, mas isso corresponde a um elogio. Sabe quando vc chega e encontra um conto cheio de floreios poéticos e detesta por achá-los forçados, superficiais e apelativos? Pois isso não ocorreu aqui, o autor ou autora conseguiu passar muito credibilidade aos sentimentos e pensamentos do narrador, criando a personalidade de alguém culto, viajado e muito sensível, um pouco sarcástico, mas pessoas inteligentes são assim mesmo. O conto é muito bom e cheio de referências, talvez tenha pesado a mão neste aspecto, colocando referências demais, mas este fato não atrapalha o seu brilho e fluidez, mais um conto para minha lista de tops. Bom dia.

  25. Davenir Viganon
    1 de outubro de 2016

    Olá Zha Haisheng
    A ausência de título remete ao vazio do protagonista.
    As referências a esse antropólogo me são desconhecidas, não achei anda além do que o Rich e o Gustavo Aquino já não tenham esmiuçado. gostei dessa característica da troca de ambientes mudando a forma de escrita, crua no puteiro, introspectiva no cais e, por fim, melancólica no cemitério. Tem uma carga pessimista sem ser pedante, aliás o desafio de poesia foi uma referência bacana ao nosso desafio e fará sentido fora dele também pois é um detalhe no conto.
    O personagem é muito bem construído desde o início, lá no puteiro (seu presente), passando pelas reflexões no cais (relembrando o passado) e cemitério onde vislumbra um futuro sem esperança, ao menos me pareceu assim.
    Gostei bastante.
    Um abraço.

  26. Evandro Furtado
    1 de outubro de 2016

    Fluídez – Very Good

    No geral, o texto corre muito bem. Notei problemas sintáticos pontuais, relacionados ao uso de conectivos. Nada para se desesperar, no entanto.

    Personagens – Very Good

    Eu-narrador – poeta boêmio. Depressivo, solitário, nostálgico. Habitou alguma ilha do Pacífico em algum momento de sua vida (Polinésia, Ilha da Páscoa?).

    Trama – Very Good

    Basicamente a pequena jornada de um sujeito em direção a um desafio de poesia. Aliás, interessantes referências ao EC. A trama pauta-se muito mais sobre as reflexões e memórias do eu-narrador do que no que está acontecendo no tempo presente. Só achei que o conflito interno do personagem, à ponto de ele abandonar o desafio, não convenceu tanto quanto poderia.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Very Good

    Estilo – Outstanding

    Escrita muito bem empregada com o uso preciso de figuras de linguagem. Carga poética elevadíssima. Narrativa em primeira pessoa utilizada de forma fantástica, acentuando o aspecto intimista da trama.

    Efeito Catártico – Good

    O texto impactou mais do que normalmente faria algo nesse estilo. O autor consegue ambientar bem a obra, no geral. O único ponto que volto a destacar é o conflito interno do personagem principal, creio eu, não desenvolvido o suficiente, pelo limite de palavras do desafio. Se for do interesse do autor, eu sugiro uma ampliação do conto com elementos mais detalhados acerca de seu passado em uma possível reescrita. Creio que isso poderia criar uma melhor conexão personagem-leitor, fazendo com que nos importemos com ele e, assim, compreendermos melhor suas motivações e seus conflitos internos.

    Resultado Final – Very Good

  27. Fheluany Nogueira
    29 de setembro de 2016

    A narrativa é rica e original sobre um homem desnorteado em busca de si mesmo. Excelentes o vocabulário, a técnica, as descrições, as metáforas, as referências e citações da poesia gótica. Fez-me lembrar, um pouco, de “Noite da Taverna” do ultrarromântico Álvares de Azevedo, com o pseudônimo Job Stern, talvez por causa das poesias no cemitério.

    É um texto filosófico, meio deprimente, com escrita talentosa. O tema foi bem explorado, de forma variante dos demais. Parabéns, abraços.

  28. Gustavo Aquino Dos Reis
    29 de setembro de 2016

    Rapaz, é um conto que está gerando opiniões bem diversas. Muitos comentaram da qualidade da escrita, outros na condução narrativa. Eu não vi problemas sérios quanto esses fatores. Prevejo que a quantidade de referências – embora aparentemente desconexas, mas que depois fazem todo o sentido se você for curioso o bastante para correlacioná-las – não fará a cabeça da galera.

    De fato, foi exatamente o que me chamou atenção no conto: as referências! Um absurdo! Não sou um Selga, mestre nessa arte, mas tentarei esquadrinhar algumas coisas que me impactaram (espero que o próprio Selga possa contribuir com outros apontamentos também).

    O Rich já comentou sobre o nome da expedição Kon-Tiki dessa tal Heyerdahl que atravessou o mar do Peru a Polinésia. Até aí tudo bem. Mas, relendo o conto, notei que em determinado momento existe a menção de “(…) uma vida náufraga e desterrada da civilização em meio os coqueirais…”. Posso estar viajando na minha especulação, mas essa frase dá a entender que o personagem fora um náufrago em algum momento da vida e que, depois de retornar a civilização, torna-se um desiludido.

    Outro ponto curioso é a lembrança da viagem que, supostamente, ele fez “(…) a balsa rústica, incaica, lançando-se nas águas…”. Ele tentou, pergunto, refazer a expedição de Kon-Tiki de Heyerdahl e naufragou em algum lugar do Pacífico?

    Caso seja isso, autor(a), uma coisa liga outra, pois perto do fim do conto ele menciona Fatu Hiva. Joguei o nome estranho no Google e vi que, assim como Kon-Tiki, Fatu Hiva também é um livro de Heyerdahl que narra a sua vida e o seu exílio nessa ilha homônima. Segundo a Wikipedia, foi nessa ilha que o autor teve a desilusão de que o homem moderno jamais conseguirá voltar ao seu estado primitivo: você parafraseou a frase “(…) não existe mais nada para o homem de hoje voltar”.

    Tudo isso foi colocado no mesmo balaio e exposto através do medo do personagem do conto em relação ao medo evocado pela literatura gótica. Por qual razão? Para mim, pelo menos, me parece claro: inversão dos medos! Achei criativo.

    São tantas e tantas referências que eu passei basicamente o conto inteiro para o Google. Uma coisa realmente assustadora foi jogar o pseudônimo escolhido pelo autor numa busca: Zha Haisheng era o nome verdadeiro de um poeta chinês chamado Hai Zi que se suicidou na linha de um trem em 1989 aos 25 anos.

    Ao lado do corpo, encontraram um mochila com um livro.

    O livro era Kon-Tiki, de Heyerdahl.

    Isso sim me deu medo!

    Boa sorte.

  29. Gilson Raimundo
    28 de setembro de 2016

    Achei demorada e desnecessária a introdução pois o autor a usou direcionando o conto para uma coisa é depois virou para outra sem muita coerência. .. tipo é assim pq é…. as citações e pseudônimos travaram ainda mais a leitura, o conflito intimista foi subjetivo e não houve reviravoltas a não ser a mudança de estilo

  30. Claudia Roberta Angst
    27 de setembro de 2016

    Olá, autor.

    O conto está muito bem escrito, sem dúvida. Há alguns poucos lapsos de revisão já apontados. A habilidade com as palavras é admirável, mas a linguagem empregada pesa um pouco na segunda metade da narrativa.

    O ritmo do conto é bom, mas começa a ralentar, fazendo com que a fluidez da leitura se perca um pouco.

    O sarau no meio do cemitério ficou bem gótico e deprimente. Deu para sentir o clima melancólico. Pensei nos poetas românticos que acabavam morrendo por amor (mais de tuberculose, mesmo).

    O tema do desafio foi abordado sem problemas e com poesia.

    Boa sorte!

  31. Ana Paula Giannini Rydlewski
    27 de setembro de 2016

    Olá, Zha,

    Você, certamente escreve muito bem e é cheio(a) de referências de seus autores preferidos e muito mais.

    Fiquei, entretanto, com a impressão de ter lido dois contos diferentes. O primeiro com uma “pegada urbana”, muito bem desenvolvida, quase uma introdução de um filme Noir. E o segundo um conto fdilosófico existêncial onde góticos exibem em um cemitério suas veias poéticas, prestando homenagem a seus ídolos.

    Talvez tenha faltado algum ponto de ligação entre os dois. Uma amarração. Talvez se fosse um trabalho mais longo, não sentíssemos assim, mas, para mim, ficou algo abrupto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  32. Wender Lemes
    26 de setembro de 2016

    Olá! Fiquei com a sensação de ter lido dois autores diferentes neste conto: um autor do começo e do final, com estilo muito forte, próprio, e com a poesia inerente à escrita; o outro autor, responsável por criar um complemento repleto de referências, tentando abraçar a poesia um pouco à força. A verdade é que gostei mais do primeiro autor que citei, da cadência mais simples. Criei, inicialmente, uma grande expectativa sobre o conto, pensei que se encaminharia pela crueza das imagens (como a descrição do “clube de strip”), ainda acho que seria uma boa opção, mas foi a escolha do autor não se enveredar muito por esses lados. Sobre o medo, concordo plenamente que não exista medo do desconhecido, mas discordo que o medo real seja do completo conhecimento. Não deixa de ser uma escrita muito bonita. Parabéns e boa sorte!

  33. Brian Oliveira Lancaster
    26 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Texto bastante inspirado, com construções excelentes e poéticas, mas que esbarra na eterna briga entre “clássico e moderno”, “impressionismo e simplicidade”. Histórica truncada, mas excelente ou história simples, porém sem enfeites? Difícil avaliar. Agrada-me essas palavras desconhecidas e pouco utilizadas, mas parece apenas um pacote grande, bonito, todo florido, para dentro haver apenas um postal escrito “vale um perfume”.
    ME: Complexo, intrigante. Se tirar toda a camada “britânica” e referencias à Moby Dick, temos a história simples de um homem que passa a versar poemas a fim de encontrar um objetivo na vida – isso me cativou. A roupagem, nem tanto.

    • Zha Haisheng
      26 de setembro de 2016

      Brian, muito obrigado pela leitura e pelo comentário.

      Uma pena que você tenha tido essa impressão do conto: um pacote grande, bonito, todo florido, contendo apenas um “vale um perfume”.

      Somente a título de esclarecimento: o conto não faz referências a Moby Dick, e sim faz referências aos maiores nomes da literatura gótica – dentre eles o Melville.

  34. Anorkinda Neide
    25 de setembro de 2016

    Ah… daqueles contos imersivos, já vi mais dificeis, este está mais palatável…haha
    Gostei mais, justamente da parte do cemitério, gostei de imaginar a cena, de querer versar tb naquele ambiente inspirador, hein!! :p
    Gostei bastante das reflexões do bêbado depressivo e dos tapas na cara q ele nos deu, dou a outra face, com certeza!
    Não acho q ele deveria ser jovem, acho q a profundidade do sofrimento dele é justo da meia-idade.
    Adorei a pesquisa do Rich, mas antes dela eu já estava apaixonada pelo conto. (nao gosto de ter q recorrer a pesquisas pra entender o texto, hein.. vai perder pontinhos… )
    Parabéns pela verve
    Abraço

  35. jggouvea
    25 de setembro de 2016

    Que porrada na boca do estômago!

    … enquanto recupero o ar….

    péra….

    Acho bastante improvável que qualquer outro texto deste desafio ganhe mais o meu afeto do que esse. Na verdade, seria injusto se isso acontecesse. Sabe aquele momento em que, aos quarenta do segundo tempo, o time que mais batalhou só está ganhando de um a zero, se cansa e resolve maneirar, desistindo de marcar mais, e então você pensa “seria uma injustiça se o outro time, que só ficou de retranca cansando o adversário, agora encaixasse um contra-ataque e empatasse esse jogo.” É assim que me sinto.

    Depois de ler tantos contos diferentes, alguns agradáveis, outros terríveis, deparo-me com este que facilmente seria hors concours. Um conto maduro, pleno e repleto. Tão bom que eu me sentiria incomodado de ganhar contra ele. Não, eu não fiz um texto melhor do que esse conto. Não para esse desafio.

    Não há muito que dizer. Tudo nele é perfeito, a não ser o detalhe da idade do protagonista. Para participar do sarau gótico e para que sua constatação cause mais choque, refletindo um movimento “tectônico” de sua alma, ele deveria ser um jovem na virada dos vinte para os trinta anos, aquele momento da vida em que você finalmente se choca contra a realidade. Fica esta sugestão se o autor a quiser empregar.

    De resto, irretocável.

    Colocou o sarrafo muito acima dos demais, e haja vara para alguém saltar mais alto.

  36. Priscila Pereira
    24 de setembro de 2016

    Oi Autor(a), seu conto está bem escrito, mas para mim, incompreensível… sei que é uma falha minha, mas não dá pra dizer se gostei… A primeira parte é muito boa, deu pra imaginar bem a cena, mas quando começa a falar sobre nomes e situações desconhecidas para mim aí nem deu pra curtir mais a leitura… é uma pena. Boa sorte!!

  37. Fabio Baptista
    23 de setembro de 2016

    Olha, autor(a)… eu queria ter gostado mais desse conto. Ele é muito bem escrito, flui com muita facilidade (apesar dos acontecimentos não seguirem um encadeamento tão preciso), possui passagens inspiradas e uma boa mescla com a poesia.

    São fatores que somam pontos, mas não o suficiente para me agradar em cheio. Acho que foi muita viagem para o meu gosto, se seguisse o ritmo mais pé no chão do começo, provavelmente eu teria gostado mais.

    Mas o conto é muito bom, principalmente o final melancólico.

    – encrustado
    >>> incrustado (já sofri muito com essa palavra! rsrs)

    – sem sequer se importar
    >>> me

    Abraço!

  38. Ricardo Gnecco Falco
    23 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> O início da leitura é um pouco difícil. Não a cena de abertura, que foi bem feita e é facilmente visualizada, mas logo em seguida, quando o torpe protagonista sai da Barbarellla, Cicciolina, Pussycats da vida e fica cambaleando pela Prado Júnior, tecendo elocubrações à beira mar. As informações fornecidas ficam perdidas em meio aos parágrafos e a leitura vai travando. É preciso voltar, retroceder algumas linhas, blocos; relê-los, para conseguir juntar todos os cacos espalhados de maneira disforme e assim prendê-los novamente à narrativa. Depois, já no cemitério, a história vira um misto de “Sociedade dos Poetas Mortos” com “Meia-noite em Paris”, numa guerra de diálogos que muda por completo a cadência inicial do conto. Então, já aproximando-se do final, voltamos para a narrativa inicial (a meu ver, melhor) e, ao fim, nova quebra na leitura, com frases curtas. A história acaba, num tom filosófico e pessimista, que perpassa ao leitor o mesmo sentimento com relação a leitura recém terminada. De 1 a 10, daria nota 5 ao conto; talvez 6, pelas referências e boa gramática.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Como o EU LEITOR já explicou acima, escrita truncada e difícil (com exceção da cena de abertura e narrativa pós “guerra de diálogos” do meio). Bom domínio da Língua, porém nem tão bom domínio da pena, no sentido de foco narrativo. Ideia interessante, porém sua execução ficou muito aquém da mesma. Boas referências e ótima descrição de abertura.

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Não curti a ressaca. 😉

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  39. Taty
    22 de setembro de 2016

    Primeiro, obrigada ao comentarista pela pesquisa, ela ajudou bastante.

    Quanto ao texto: é bem escrito e a leitura vai indo, vai indo, quando se percebe a gente já tá nos comentários rsrsrs

    É uma pequena viagem interna de um sujeito sem rumo, mas contada de uma forma muito boa. Parabéns.

  40. Evelyn
    22 de setembro de 2016

    Oi, Zha,
    Eu gostei do conto. Está bem escrito. Apenas não sei bem se entendi a coisa toda e a menção de algo que poucos conhecem ou lembram. O filme vei à tona no instante que li e, aí, não conseguia mais parar com as imagens. Entendo que talvez tenha mesmo um fundo filosófico na relação que fez, mas dá zero para mim, porque eu não tenho que ler outra vez.
    Abraço!

    • Evelyn
      22 de setembro de 2016

      *tenho que ler outra vez.

      E agora, me parece muito melhor. Acho que essa ‘viagem’ foi melhor entendida agora. Continua sendo um bom conto.
      Parabéns.

  41. Olisomar Pires
    22 de setembro de 2016

    Um belo conto existencial e depressivo. Muito bem escrito, o que é interessantíssimo, pois o vocabulário é farto e poderia transformar tudo num tédio pedante sem fim, o que não aconteceu, a escrita conquista.

    Os elementos estereotipados do poeta desiludido estão presentes, seja pelo álcool, a solidão da casa de tolerância, ou a divagação filosófica do próprio personagem confrontado com a verdade definitiva do cemitério.

    Muito bonito, sem que isso signifique que seja empolgante ou instigante, apesar de possuir um estilo talentoso que, suspeito, eu jamais alcance com minhas estórias mais diretas.

    Boa sorte.

  42. Ricardo de Lohem
    22 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! Conto original e instigante o seu. Pelo que apurei, Thor Heyerdahl (Larvik, Noruega, 6 de outubro de 1914 — Colla Micheri, Itália, 18 de abril de 2002) foi um explorador, zoólogo e geógrafo norueguês que participou de uma expedição chamada de Kon-tiki em 1947. Esta expedição buscava provar que as ilhas do Pacífico poderiam ter sido povoadas a partir da América do Sul. Para isso, construiu no Peru uma jangada, na qual cruzou o Oceano Pacífico desde o Peru até a Polinésia. Após a expedição, Heyerdahl escreveu um livro chamado Os Índios Americanos no Pacífico (American Indians in the Pacific), onde se pode encontrar material sobre a expedição Kon-Tiki. A epopeia toda está narrada no livro A Expedição Kon-Tiki, publicado em mais de 60 países e que vendeu mais de 25 milhões de exemplares. Parece que o personagem usa essa expedição como pseudônimo como uma espécie de metáfora para a frustração do ser humano em ter tudo explorado, tudo conhecido, e nada mais ter para descobrir neste mundo. Embora isso tudo seja interessante e filosoficamente profundo, senti falta de um enredo mais sólido, ou personagens mais ricos. Praticamente não há final bem definido nesse slice of life existencial. Mas é um conto original, que merece respeito e consideração. Você escreveu um bom conto, parabéns! Desejo para você muito Boa Sorte!

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Publicado às 21 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .